Início

  • NA DÚVIDA TENTE

    “Na dúvida tente. É melhor errar tentando do que fracassar sem ter feito nada”.

    Guilherme Augusto

    Eu sempre gostei de escrever, mas quando montei o blog, me vi diante de um desafio, que era mantê-lo sempre atualizado com bons textos. O meu receio era não dar conta e também, não conseguir compor material novo.

    A grande verdade é que tentar algum empreendimento nem sempre é simples, requer muito trabalho, planejamento, tentativas e erros. E lidar com todas estas coisas é o maior desafio. Por isso que, aquele que não tenta e opta por arranjar desculpas, é antes de tudo, alguém que não entende que as coisas boas, que realmente valem a pena, na maioria das vezes, não surgem assim do nada, e sim, com muito empenho e trabalho.

    Este é um dos aforismos no qual guardo comigo há muito tempo, pois eu fui, quando novo, uma pessoa que deixou de realizar muita coisa, por conta do medo de que a empreitada desse errado. Somando isso o fato que no meu ambiente de trabalho e também no lugar onde eu morava, as pessoas eram bem negativas e costumavam colocar defeitos em todos os planos alheios, a minha vida terminava por sem bem frustrada. E como eu era muito novo, pois eu saí de casa cedo, não sabia lidar com aquelas atitudes e por fim, acabava não fazendo nada.

    Um fracasso é sempre ruim, não tenha dúvida, contudo, deixar de fazer algo, que poderia ter dado certo, é muito pior, por isso faça, tente sem medo, pois se a empreitada der errado você pelo menos tentou e aprendeu com o erro. Sendo que depois é possível recomeçar (sempre é possível), mas com um pouco mais de bagagem, já que o primeiro erro te trouxe uma lição. Entenda que com o erro vêm o aprendizado, só crescemos quando erramos e entendemos o que dá certo ou não. E entenda também que é muito melhor lamentar algo que não deu certo, do que ter que lidar com a frustração de não ter tentado.  

    Depois de um tempo, percebi as oportunidades que eu estava perdendo por não tentar. Notei que muitos dos que tentavam me desanimar, eram pessoas que nunca tentavam e por isso, nunca colhiam lições ou boas oportunidades, como fruto de suas atitudes. Aprendi a tentar e descobri como pior do que fracassar em algo é o sentimento de fracassar, sem ter feito coisa alguma.

    Foram muitos os desafios que me ensinaram com o fracasso, mas também inúmeros deles no qual eu consegui colher algumas vitórias. E o blog, e meu receio em não dar conta, foi uma delas.

    O desafio de escrever e manter ele atualizado, me fez estudar, ler ainda mais e seguir sempre em busca de boas ideias e ferramentas para produzir materiais relevantes. No final, foi ele que me incentivou a continuar estudando, para não estagnar.

    Não fuja de um desafio, aprenda a fazer, ao invés de ceder à tentação de não tentar. E por mais que seja cômodo não tentar, os frutos desta estagnação são sempre amargos.

    A coisa mais triste que podemos experimentar é a sensação de poder ter feito algo e conseguido!

  • QUEBRANDO A PREGUIÇA

    “O espírito do homem pode criar infinitamente; somente sua preguiça põe limites a sua sabedoria e a suas invenções” (SERTILLANGES, 2019, p. 116)”.

    Um dos desafios que todos os acadêmicos, músicos e professores enfrentam é justamente a preguiça. Não é fácil manter a rotina e a disciplina de estudos, principalmente porque a mente vai querer sempre ir pelo caminho mais fácil. Está é uma função do cérebro para economizar energia.

    Eu sou professor de Teologia, Ciências da Religião e Filosofia e no momento, estou escrevendo um livro abordando um assunto teológico que envolve muito estudo e pesquisa. E mesmo tendo o hábito de ler, pesquisar e escrever muito, nem sempre é fácil seguir a rotina.

    Para aqueles que desejam seguir a vida acadêmica, é fundamental aprender a lidar com a preguiça e a procrastinação, para que seus planos não sejam frustrados. A preguiça é um grande inimigo do saber, nunca se esqueça disso.

    O primeiro passo para formular uma boa rotina de estudos, fugindo assim da preguiça e procrastinação é entender em que grau de conhecimento você está. Você deve ser sempre humilde e honesto, para que desta forma possa caminhar com constância e coerência. Não adianta nada você mergulhar em um livro denso, com um conteúdo que você não tem intimidade pois você var terminar desistindo. Você precisa primeiro entender o assunto, para depois estudar o livro. Por isso, as vezes é melhor mergulhar em um livro mais simples, que lhe dê repertório suficiente para conseguir ler uma obra mais intrínseca.

    Outro bom conselho, caso você esteja no início da vida acadêmica, é você estudar com professores ou ter a tutoria deles. É sempre bom aprender com quem já tem alguns anos de caminhada. Os professores não são perfeitos, mas erram menos, como diria Sertillanges. Dicas de livros, explicações de conceitos complicados e mentoria, são bons pontos de partida para o início destas empreitadas.

    O segundo passo é definir uma rotina de estudos. Não precisa ser muito tempo, o que vale é a constância. Aprenda a parar para ler e estudar todos os dias. Sempre com um caderno de notas a tiracolo, para registrar pontos importantes e fazer resumos.

    A rotina de estudos é solitária, é uma prática onde você e somente você, vai ter que aprender a se dedicar. Talvez seja por isso que cultivar a rotina seja tão difícil. É por conta disso que assistir uma aula, não é estudar e sim, aprender e entender o assunto, mas para fixarmos o conteúdo em nossa mente, é preciso de revisão, leitura e estudo, feito de forma solitária, como eu disse, estudar é isso.

    Por fim descanse, a vida não é só estudar. Se por um lado não podemos viver apenas no ócio, por outro, é importante também parar e relaxar. Aprenda a se desligar, caminhar na natureza e observar o belo. Pois o exagero nos estudos, pode fazer com que você canse mais e desista desta missão.

    Outra coisa boa é alternar a leitura de livros mais densos, com livros mais reflexivos ou de literatura, justamente para não cansar a mente. E quando você for mergulhar em um livro difícil, aprenda a fazer isso com calma e sem pressa. Mais importante que quantidade é a qualidade da leitura. O objetivo dos estudos é entender e se aprofundar em um assunto e não apenas ler por ler.

    A constância é a grande arma contra a preguiça, mas para isso, dar um passo de cada vez, fugindo dos exageros é o caminho mais seguro. Constância aliada a disciplina é a fórmula da relevância e da rotina. Com isso, vai chegar um tempo onde os seus momentos de leitura e estudo, farão parte da sua vida, como algo natural. Neste estágio, a sua vida já estará alicerçada por este importante hábito e a preguiça, será apenas lembrança!

    BIBLIOGRAFIA

    SERTILLANGES, A. D. A vida intelectual. Campinas: Editora Kírion, 2019.

  • TOLERÂNCIA: DESAFIOS DO MUNDO CONTEMPORÂNEO

    Eu já ouvi muito, ao dar aula de Introdução à Ciência da Religião, a pergunta: “Como respeitar as diferentes religiões, sendo cristão?”. A minha resposta é sempre a mesma, eu respeito da mesma forma que respeito as inúmeras igrejas cristãs que são diferentes da minha.

    Viver em sociedade é seguir em um mundo plural, onde a diversidade de crenças, religiões e credos é grande. O que torna a tolerância um desafio e também uma importante missão.

    Tolerar é permitir, aceitar de bom grado a diferença, sendo que ela existe tanto dentro da igreja, já que a igreja cristã é muito diversa e diferente como eu pontuei no começo do texto, quanto fora dela.

    O princípio da tolerância é primeiro se perceber como único, mas parte de um todo plural. Não somos iguais, temos nossas diferenças, anseios e crenças bem distintas, a questão é que o próximo também tem, com isso, respeitar segundo eu mesmo quero ser respeitado é o único caminho lógico. E este posicionamento serve tanto para questões religiosas quanto políticas.

    Existe uma linha tênue entre defender um ponto de vista e ofender, deixar claro uma opinião e diminuir o outro. Uma ação que é vista em vários momentos em discussões religiosas ou políticas acaloradas. Muitos a fim de defender uma visão ou até mesmo com o propósito de ensinar a verdade, acabam perdendo a razão tudo e apenas pela forma que estão comunicando.

    Certos assuntos, em um país laico ou livre, são apenas resumos de posicionamentos ou crenças que uma pessoa se sente confortável em seguir. Impor uma religião ou posicionamento político, em um país laico, acaba sendo um retrocesso, visto que hoje somos livres para escolher e seguir nossas escolhas como bem entendemos.

    Eu sou cristão, como é possível constatar através dos textos deste blog, mas não posso impor ou ofender. Preciso falar da verdade, mas com respeito e cuidado, entendendo que ninguém é obrigado a aceitar a minha opinião.

    Miroslav Volf no livro “Exclusão & Abraço”, fala das religiões como ferramentas políticas e marcadoras de identidade de uma tribo ou grupo. Seguir uma tribo, cultura ou religião não é ruim, o problema é transformar estas religiões em uma ferramenta para causas políticas particulares, definindo assim quem devemos excluir e quais pessoas devemos abraçar em nome da guerra política. O ponto de partida é entender que acima de tudo, somos seres humanos e Deus não é um ser a serviço de uma causa particular e sim, ele é Senhor de tudo e veio nos trazer libertação (2021, p. 17). Miroslav Volf complementa este problema resumindo que:

    “Isso constitui claramente uma traição à fé monoteísta em si mesma, um rebaixamento imposto a Deus de Senhor do Universo para a condição de criado a serviço dos interesses de um grupo particular” (2021, p. 17).

    A lógica é que Deus olhou para o ser humano, tendo assim graça para com ele. E não é Deus que nos serve, somos nós que servimos a Deus. Quando entendemos que nós amamos porque ele nos amou primeiro (1 João 4:19) ou que nós perdoamos porque Deus nos perdoou (Mateus 18: 21-35), entendemos a graça e buscamos assim agir de acordo com o mesmo padrão.

    Cristo é o caminho, a verdade e a vida (João 14:6), algo que ele deixou bem claro na Bíblia, contudo, não podemos impor a sua palavra, visto que estamos em um país livre e também porque não somos nós que convencemos, é o Espírito Santo (João 16:7-11).

    Quando conhecemos a verdade, entendemos que devemos amar como Jesus amou ao invés de impor o evangelho a todos. O amor é o princípio de tudo, o maior mandamento, conforme Jesus mesmo deixou claro (Mateus 22:36), sendo que quando amamos, respeitamos, acolhemos, ouvimos e não ofendemos. E desta forma, apresentaremos um evangelho escrito através das nossas atitudes.

    A tolerância é um desafio, visto que nem sempre é fácil conviver em um ambiente plural, está é uma verdade que precisamos aceitar. Contudo, ao entendermos a graça, respeitaremos e buscaremos meios mais adequados para ser luz e falar da palavra da verdade para as pessoas.

    BIBLIOGRAFIA

    VOLF, Miroslav. Exclusão & abraço: Uma reflexão teológica sobre identidade, alteridade e reconciliação.  1. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2021.

  • O HOMEM E O SEU PECADO

    “Foi o mundo anticlerical e agnóstico que profetizou o advento da paz universal; é esse mundo que se sentiu, ou que deveria ter-se sentido, envergonhado e confuso ante o advento da guerra universal” (CHESTERTON, 2010, pg. 10).

    Houve um momento no qual a igreja passou a ser desacreditada, que a fé virou piada enquanto o racionalismo e a ciência, virou o centro de tudo. Neste tempo, a solução vinda da razão humana era um fato.

    Destes dias em diante a paz era esperada, as soluções viriam para ajudar a humanidade e o bem seria instalado. Tudo através do homem e a sua autossuficiência, até virem as duas grandes guerras.

    O caos tem o poder de mostrar ao homem como ele é frágil e limitado. Sendo que as duas grandes guerras evidenciaram justamente isso, como o homem pecador consegue sem muito esforço se autodestruir, Chesterton complementa:

     “Quando o mundo vai mal, comprova-se sobretudo que a igreja está certa” (CHESTERTON, 2010, pg. 10).

    Faz parte da teologia cristã o fato que o homem é contaminado pelo pecado, por isso que quando vemos o mal, percebemos apenas o resultado, o fruto de alguém contaminado e autodestrutivo.

    Não é que ele não consegue fazer coisas boas, é claro que algumas vezes ele faz, e sim, que no fim, seu egoísmo, depravação e alienação, vão cuidar para que tudo saia errado.

    Diante das catástrofes ou pandemias, é normal vermos a verdadeira face do ser humano, primeiro revelando o seu desespero, e o modo como ele faz de tudo para sobreviver, mesmo que precise passar por cima de outras pessoas. Segundo, mostrando como o medo só confirma a sua insegurança e o quanto ele é pequeno. 

    O homem sem Deus, no final, vai sempre seguir pelo erro, pelo caminho do equívoco. O homem por mais que seja bom, inteligente e bem-intencionado, vai fazer coisas más. Pouco importa os avanços tecnológicos, para nada adianta as descobertas científicas, o homem por si só é autodestrutivo. A história tem apenas confirmado isso, e apontado para o fato que é só Deus que pode nos salvar.

    O caos mostra apenas quem é o homem quando ele está longe de Deus!

    BIBLIOGRAFIA

    CHESTERTON, G. K, O homem eterno, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2010.

  • O SÁBIO INDOUTO

    “Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema ao Senhor e evite o mal” (Provérbios 3:7).

    Sabedoria e inteligência é algo que todo mundo acredita ter. Dificilmente uma pessoa assume que não tem ao menos uma destas qualidades. Normalmente acreditamos que somos inteligentes ou sábios (ou mesmo os dois). Contudo é sempre complicado medir o quanto alguém tem ou não estas características.

    Eu creio que o primeiro passo para avaliarmos a sabedoria de alguém e também a nossa, é o orgulho. Dificilmente alguém orgulhoso é também uma pessoa sábia, visto que a sabedoria pressupõe uma capacidade de ver, refletir e aprender, que só alguém humilde consegue ter. O orgulho e a arrogância, nos fecha em um casulo de ignorância e falsa visão.

    Considero muito interessante perceber como a Bíblia constantemente fala da humildade, o próprio Cristo foi humilde e nos mandou termos humildade (Mateus 11:29, Filipenses 2:5-7). O orgulho é nocivo e tapa toda a nossa visão e também nos afasta de Deus e da dependência que devemos ter dele. D. A. Carson et al, acrescenta um ponto interessante para entendermos esta passagem de provérbios:

    “Sábio aos teus próprios olhos não denota meramente orgulho da sua própria sabedoria, mas autossuficiência nela e por isso a falta da percepção da necessidade de levar as coisas a Deus (sem dúvida, uma tentação persistente para pessoas empenhadas em buscar a sabedoria)” (2012, p. 891).

    Não é incomum enquanto buscamos conhecimento e sabedoria, cairmos sem perceber na armadilha do orgulho e da autossuficiência, é fácil nos enganarmos e deixarmos de olhar para Deus.

    Ainda mais se durante o processo você consegue alguns diplomas, status ou qualquer uma destas coisas que dão um sentimento de superioridade. Veja bem, um diploma, cursar uma faculdade ou coisas deste tipo, são missões importantes para o nosso crescimento, o perigo é colocar estas coisas no lugar de Deus.

    Definir alguém sábio ou não é sempre um desafio, sendo que hoje eu me preocupo muito menos com isso. Eu creio que todos nós temos as áreas nos quais somos ignorantes e outras, que somos especializados. Sendo que durante o processo procuro ter humildade para reconhecer e entender até onde vai o meu conhecimento, para perceber onde começa a minha ignorância.

    O “sábio” arrogante tem um problema, a alta conta que ele tem de si, não o deixa ver, perceber e entender as situações e pessoas. Sendo que aquele que se afasta de Deus, atraído para obscuro sentimento de superioridade, no final é um “sábio” indouto, alguém que não percebe a dimensão da sua ignorância.

    Reconhecer Deus como superior e se colocar como dependente Dele é o princípio da sabedoria, é o verdadeiro caminho daqueles que não querem serem capturados pelas armadilhas da arrogância e que através da humildade, vão seguir aprendendo, crescendo e cultivando uma vida de equilibrada.

    Eu não sei definir um sábio, mas um ignorante é aquele que coloca a si sempre em alta conta, como alguém superior. A sabedoria começa com a humildade!

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.

  • O PERIGO DE NÃO OUVIRMOS CRÍTICAS

    “A crítica é perigosa porque fere o precioso orgulho do indivíduo, atinge seu senso de importância e desperta ressentimento” (CARNEGIE, 2019, p. 24).

    Um costume que eu tenho como professor é revisar a aula que eu vou ministrar naquele dia, que normalmente é preparada um dia antes. Avalio o conteúdo, a bibliografia e o resumo da aula, que eu costumeiramente gosto de escrever. Aprecio pensar sobre o que eu vou ensinar, considero a missão de ser professor como algo sério e relevante, por isso eu me coloco como alguém que propõe conteúdos embasados, mas que também está sempre aberto ao diálogo.

    A sala de aula é surreal, é um momento onde ideias, pontos de vistas divergentes e conteúdos são colocados e discutidos. Um bom professor entende a importância do diálogo, cultiva uma sala de aula assim e também consegue aprender com todos, visto que ninguém é dono do conhecimento. Dale Carnegie, usando uma frase de Ralph Wando Emerson, diz algo que eu concordo e procuro sempre vivenciar:

    “Todo homem que encontro é superior a mim de algum modo. E, nesse particular, aprendo com ele” (2019, p. 44).

    É fundamental internalizar uma verdade “todos nós somos incompetentes em alguma área”, e “especialistas em outras”. Cada um tem suas lições e opiniões equivocadas, aprende apenas quem sabe ouvir, filtrar e dialogar. Sendo que a sala de aula construtiva é aquela onde o professor é humilde suficiente para ouvir, ensinar e também aprender, pois nós aprendemos basta querer.

    Ouvir e fazer críticas a uma opinião é um desafio, pois nem todos, ou uma grande maioria, não consegue ouvir críticas e as considera ofensivas, mesmo que a opinião tenha sido feita de modo humilde. O ser humano se ofende, o seu orgulho é afetado, quando a sua opinião é colocada em jogo e corrigida.

    Fazer críticas ou mesmo ensinar, dependendo da pessoa, é um desafio, justamente porque muitos se ofendem e não gostam de perceber que estão errados. Mas para um acadêmico, ouvir, perceber seus equívocos e fundamental.

    O ponto de partida de um acadêmico relevante deve ser sempre a humildade, ele deve descobrir uma forma de lidar com o seu ego e aprender a ouvir. Um bom pondo de partida é não levar opiniões divergentes para o lado pessoal, é entender ideias como ideia e ter em mente que podemos estar errados.

    Não ouvir, para quem buscar a vida acadêmica é uma atitude perigosa, é seguir estagnado e não perceber a importância de saber lidar com opiniões divergentes. Pois, existe sempre um outro ponto de vista, outras explicações e conceitos, conhecer, pesquisar e estudar os diversos assuntos, é o caminho da pessoa relevante.

    E se você não é humilde e acredita que o seu ponto de vista é inerrante, você nunca vai crescer e aprender com a sua rotina de estudos. Lembre-se, muitas vezes nós temos certeza absoluta de algo, por não conhecer e entender a profundidade de um assunto.

    Um bom acadêmico percebe a complexidade do saber e cultiva a humildade!

    BIBLIOGRAFIA

    CARNEGIE, Dale. Como fazer amigos e influenciar pessoas. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2019.

  • DELIMITE A SUA PRIORIDADE

    “A palavra prioridade deveria significar a primeiríssima coisa, a mais importante” (MCKEOWN, 2015, p. 24).

    A nossa vida é feita basicamente de escolhas, opções que fazemos por algumas coisas em detrimento de outras. Eu por exemplo, escolhi estudar e ler todas as manhãs, que são livres na maioria dos dias. Mas eu poderia escolher outras atividades, como ficar dormindo ou assistindo algo. A questão é que eu tenho a minha prioridade, que é o ponto importante para quem quer chegar em algum lugar.

    Vivemos dias de muitas opções, principalmente quando falamos de entretenimento. Por isso que manter-se focado em alguns momentos torna-se um desafio. Mas saber aonde você quer chegar, ajuda muito na missão de estabelecer sua prioridade e pontuar algumas metas.

    É fundamental você deixar claro a sua prioridade, caso contrário, você será aquele que começa tudo e não termina nada. Seguirá sempre tentando, mas nunca concluindo. Greg Mckeown complementa este ponto afirmando que:

    “Mas quando muitas tarefas são prioritárias, parece que, na verdade, nenhuma é” (2015, p. 24).

    É claro que as vezes temos muitos planos, e também que você pode ter outras prioridades em mente, mas a questão é que você consegue apenas executar bem uma de cada vez. Se você não deixar bem claro a sua prioridade, corre o risco de você se perder ou no limbo da estagnação, ou no mais profundo e desenfreado ativismo.

    Tempo não é algo que temos de sobra, ao contrário, ele é sempre escasso, sendo que o foco ajuda a delimitar para onde queremos olhar. Por sermos limitados, precisamos deixar bem claro estas questões.

    Sempre fui uma pessoa cheia de ideias, a criatividade sempre foi o meu forte, mas como demorei para entender o quão fundamental é estabelecer uma ordem de prioridades e executá-las uma de cada vez, com cuidado e precisão, eu em alguns momentos caí na estagnação, com a cabeça fervilhando de ideias, mas sem ação alguma. E em outros momentos, em um ativismo louco, fazendo tudo ao mesmo tempo, mas sem cuidado e dedicação.

    Liste bem as suas prioridades e aprenda a executar uma de cada vez, prezando sempre pela qualidade e precisão. Não adianta fazermos inúmeras coisas, mas sem qualidade e relevância.

    O que conta não é o excesso e sim o esmero e o profissionalismo no qual fazemos algo!

    BIBLIOGRAFIA

    MCKEOWN, Greg, Essencialismo: A disciplinada busca por menos, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2015.

  • VIVER É SE EQUILIBRAR

    O tempo vai passando como a areia que escorre em uma ampola, ele cai sem dó, pela estrada da vida. Com isso, não vemos e muito menos percebemos como as nossas escolhas ou mesmo a falta delas, geram impactos.

    E não adianta afirmar que para não errar, você preferiu não escolher, pois não escolher é uma escolha. Deixar o tempo passar é a opção de quem não quer errar. Sendo que o problema de quem não erra é que ele também não aprende.

    Aprendi a degustar os momentos que Deus me deu, todos eles, com toda a calma e alegria. As vezes planejamos conquistar o mundo, e perdemos a paisagem durante a viagem, por estarmos concentrado em todo o planejamento de sucesso.

    É claro que planejar não é ruim, só precisamos entender que a vida não é feita só de planos. Precisamos aprender a sentir o momento para seguir fazendo as melhores escolhas.

    O mais difícil para o ser humano é se equilibrar e saber planejar, mas também curtir a viagem. É normal cairmos em qualquer destes extremos. Ou planejamos muito e optamos em nos preparar ou seguimos como dá, sem o mínimo de planejamento.

    Já ouvi e li muitos filósofos afirmarem que o caminho do meio é a forma mais medíocre para alguém viver. A vida sábia e verdadeira é vivida quando se cai em um extremo. Uma conclusão que em si é complicada.

    A arte de se equilibrar não é tão fácil assim, conseguir andar em uma corda banda sem cair é um dos maiores desafios que um artista de circo pode nos proporcionar. Normalmente uma pessoa desta gasta muitas horas para conseguir adquirir tal habilidade. Na vida não é muito diferente!

    Viver seguindo um extremo não é tão complicado, basta se entregar aos impulsos e exageros. Quem se dedica ao esporte, a música e ao estudo sabe muito bem disso. Pois é muito mais fácil gastarmos nossos dias fazendo coisas que não demandam esforço do que nos concentrarmos em praticar o instrumento musical, estudar um livro complexo ou se exercitar diariamente. Os extremos são fáceis, já o caminho do meio é desafiador, requer disciplina e foco.

    A arte do equilíbrio consiste em não exagerar na dose, é entender que a vida não é só estudos e muito menos só planos, contudo é também entender que precisamos gastar algum tempo diariamente estudando e planejando. Quando você não tem um caminho traçado, você não tem um destino. É quando determinamos nossas metas, que conseguimos chegar em algum lugar.

    Aprenda a relaxar todos os dias, dedique um tempo para rir, se divertir e cultivar um pouco de silêncio e meditação. Mas também faça os seus planos e tenha foco para se dedicar em algo, para que com equilíbrio e persistência você possa conseguir sair do lugar. Pois viver é se equilibrar!

  • JORNADA CRISTÃ 22: PENSADOR VERSÁTIL

    De todos os autores que me influenciaram, creio que Alister Mcgrath é um dos mais versáteis. Em sua lista de livros é possível encontrar desde “Teologia Sistemática”, livros como “Surpreendido Pelo Sentido” que discorre sobre ciência e fé, até um livro sobre C. S Lewis. São muitas obras e temas, todos abordados com muito fundamento e conhecimento de caso.

    Está versatilidade se dá por conta do autor ser um intelectual com uma formação vasta, que vai das ciências exatas, como a matemática, física e química, até a ciência e a teologia. Alister Mcgrath é um autor que realmente vale a pena ler, é importante ter seus livros em sua biblioteca.

    O livro que eu quero destacar do autor é justamente o “A Vida de C. S. Lewis”, que é outro autor que eu admiro e acompanho, sendo que ele também possui uma certa versatilidade, visto que Lewis escreveu desde obras de fantasia e ficção, até de teologia.

    No livro, Mcgrath discorre sobre a vida de C. S. Lewis de uma forma bem minuciosa. No livro, ele fala desde a infância, o seu período de escolarização, a guerra e tantos eventos que fizeram parte da vida deste fundamental autor e moldou a sua forma de pensar. É realmente impressionante perceber como Alister Macgrath foi detalhista, discorrendo sobre pontos fundamentais da carreira e vida de C. S. Lewis.

    Outra obra importante de Mcgrath é o livro “Surpreendido Pelo Sentido”, um livro que discorre tanto sobre ciência, quanto sobre fé, mostrando como não é incompatível a ciência e a fé. Muitas vezes alguns autores forçam a verdade ao afirmar que a fé é oposta a ciência, contudo Alister Mcgrath prova que esta inferência é incorreta.

    “Apologética Cristã no Século XXI” é o último livro que eu quero destacar deste autor, entre tantos em sua bibliografia. Esta foi uma das primeiras obras mais densas sobre o assunto que eu li e figura entre os livros que eu mais gosto dele.

    No livro ele trabalha desde as bases teológicas para uma boa apologética, até temas fundamentais da fé, vida, Deus ou sofrimento, entre tantos temas relevantes. O livro não é tão fácil de ler, mas vale o esforço.

    Enfim, este autor é completo, com um conjunto de obras que valem a pena serem consultadas, lidas e estudadas. O autor é profícuo e também profundo, discorrendo sobre vários temas, mas tendo a fé e a teologia como centro das suas obras.

    Vale a pena ler os seus livros, o autor é uma ótima referência para quem quer buscar conhecimento, mas de uma forma profunda e equilibrada.

  • CRITÉRIOS SELETIVOS

    Eu fiquei abismado quando fui a primeira vez em uma feira de livros em São Paulo. Para quem gosta de ler, estar em meio a muitos livros é surreal, um sonho realizado. Eu fui a trabalho, mas aproveitei as horas de folga, para conhecer novos autores.

    Logo no meu primeiro intervalo na feira, fui em busca dos livros com temas que me agradavam e encontrei ótimos títulos. Em uma feira de livros, encontramos todos os tipos de temas, é realmente surpreendente constatar a variedade de títulos que temos a disposição, mas como eu tenho critérios, eu já sabia bem o que queria.

    É importante entender que ter critério é um ponto fundamental para aqueles que buscam construir conhecimento. Ler de tudo, não é o caminho para o aprendizado, é melhor seguir um tema e se aprofundar em uma área do que saber de tudo um pouco. Mario Sérgio Cortella fala de Critérios Seletivos, pontuando que:

    “Sem critérios seletivos, muitos ficam sufocados por uma ânsia precária de ler tudo, acessar tudo, ouvir tudo, assistir tudo. É por isso que a maior parte dessas pessoas, em vez de navegar na internet, naufraga…” (2006, p. 26).

    É claro que as vezes mergulhar em algo diferente nos desafia como leitores, contudo esta prática não deve ser constante, é apenas um momento de desafio que você propõe para a sua vida. Ter algum critério é bom para não sermos superficiais, conhecendo de tudo um pouco, mas sem profundidade.

    Para quem quer seguir a vida acadêmica é importante ter critérios e conhecer a fundo alguns assuntos. Lembre-se que você é um ser humano, e por conta disso é limitado, por isso, escolher uma ou algumas poucas áreas, ajudará você a ter foco e conhecer o assunto de forma profunda.

    A minha dica para você ter critérios em seus estudos é bem simples, escolha alguns temas e procure os autores principais daquele assunto e depois estude. Busque entender o assunto através das autoridades da área e aproveite para construir uma biblioteca sobre aquele tema. E como eu costumo sugerir aos amigos, intercale de tempos em tempos a sua leitura habitual, com livros leves ou com autores de algumas outras áreas, apenas para refrescar a cabeça e ter um desafio. Uma atitude que não deve tirar o foco da sua área de estudos, e sim servir apenas como pausa ou como respiro para arejar a cabeça.

    A internet tem o poder de proporcionar as pessoas todo o tipo de conhecimento, e isso é a nossa maior vantagem. Contudo sem critérios seletivos nos perderemos no mar de informações. Sem foco não conheceremos de forma verdadeira um assunto e vamos naufragar engolidos por inúmeras informações.

    O conhecimento é inesgotável, por isso que o critério é o ponto fundamental para construirmos o saber e sermos relevantes. Quem sabe de tudo, quem lê de tudo sem critérios, não tem profundidade em seu conhecimento e termina por ter uma reflexão bem rasa.

    Aprenda a estudar e conhecer, delimite seus estudos e se aprofunde, mergulhando cada vez mais no conhecimento.

    É muito prazeroso ouvir alguém que fala com autoridade um determinado assunto. Mas para isso, você precisa de critérios e metas, para que você não acabe nadando apenas no raso.

    BIBLIOGRAFIA

    CORTELLA, M. S. Não nascemos prontos: provocações filosóficas. 1. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2006.