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MENTALIDADE DE DESENVOLVIMENTO
Na vida acadêmica, saber estudar e pesquisar, é um ponto fundamental para gerar frutos. Seja você um pesquisador ou professor, uma boa técnica e a mentalidade certa define muita coisa em sua rotina acadêmica.
Existe um princípio importante quando falamos de embarcar em algo novo ou mesmo desafiador, sobre aprender e principalmente, sobre vida acadêmica. E este princípio é justamente o mindset, a crença que nos leva a agir de uma determinada forma, sendo ela boa ou ruim.
Mindset é uma forma de pensar, é o conceito que você tem de si, que por fim, acaba definindo sua ação e posicionamento diante dos vários desafios que a vida nos traz. O que você pensa sobre você, define uma boa parte da sua ação, mindset é esta mentalidade.
Carol S. Dweck fala sobre dois tipos de mentalidades, sendo elas: a capacidade fixa e a capacidade mutável. A capacidade fixa é aquela que precisa ser provada, normalmente quem é assim se preocupa muito com erros, fracassos e derrotas, e por isso, optam em provar para as pessoas que são inteligentes ou que possuem talentos ao invés de aprenderem com os fracassos. Esta é a definição de sucesso para quem possui esta mentalidade. Já a capacidade mutável é aquela que busca sempre se desenvolver através do estudo e do aprendizado, para estes, uma derrota é uma lição e uma oportunidade de aprender e recomeçar com alguma bagagem (2017, p. 23). Carol Dweck resume bem estes dois universos explicando que:
“Num mundo, o esforço é algo ruim. Assim como o fracasso, ele indica que você não é inteligente nem talentoso. Se fosse, não precisaria fazer esforço. No outro mundo, o esforço é o que torna você inteligente ou talentoso” (2017, p. 24).
Mudar a mentalidade é uma atitude fundamental caso você queira entrar na vida acadêmica ou buscar ser alguém que está sempre crescendo e aprendendo. Entender a importância do esforço, da dedicação e dos fracassos, que na maioria das vezes nos ensinam, é o ponto de partida para uma vida de crescimento.
Estudar, pesquisar escrever são práticas fundamentais, eu mesmo gosto muito, mas nem sempre são fáceis, por isso que, mudar o mindset para a capacidade mutável, buscando aprender e crescer sempre, apesar das dificuldades e derrotas, é uma atitude fundamental ao invés de querer apenas mostrar a sua capacidade, afagando assim o seu ego, mas sem crescer como acadêmico. Benjamin Barber tem uma citação que resume bem a questão:
“Não divido o mundo entre os fracos e os fortes, ou entre sucessos e fracassos […] divido o mundo entre os que aprendem e os que não aprendem” (apud DWECK, 2017 p. 24).
Ser um eterno aprendiz e cultivar uma mentalidade de desenvolvimento, é um ponto de partida fundamental para quem quer constantemente aprender e crescer.
Entender que o verdadeiro fracasso é na verdade deixar de aprender é o princípio da boa mentalidade. E por mais que fracassar não seja legal, afinal, as derrotas muitas vezes nos entristecem e nos desanimam, entender que a pior parte é não aprender, é um ótimo ponto de partida para começar a mudar a mentalidade e desta forma, construir uma rotina de crescimento.
BIBLIOGRAFIA
DWECK, C. S. Mindset: A nova psicologia do sucesso. 1. ed. São Paulo: Objetiva, 2017.
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JORNADA CRISTÃ 23: UMA FÉ PÚBLICA
Há alguns anos eu recebia livros de algumas editoras para fazer resenhas, ler e avaliar os materiais, com isso, pude conhecer inúmeros autores, que no final agregaram muito conteúdo em minha vida. E o autor que eu vou abordar hoje, que é também uma grande influência em minha vida, eu conheci neste período.
Miroslav Volf é um teólogo croata, autor de inúmeros livros, e por mais que ele não é tão conhecido assim aqui no Brasil, ele é muito relevante. Entre as obras que valem a pena destacar estão “Exclusão & Abraço”, um livro que discorre sobre a alteridade e reconciliação, e um importante livros chamado “Uma Fé Pública”, que é justamente a obra que eu vou abordar neste texto.
Qual é o papel da igreja em nosso cenário? Como podemos ser relevantes em nosso contexto? Estas são perguntas implícitas e em alguns momentos explícitos em todo o livro. Entender o nosso papel, e propor uma fé pública e relevante, com o intuito de contribuir com a nossa sociedade, é um dos propósitos da obra.
Muitas vezes esquecemos que ser cristão não é apenas adorar a Deus, ir à igreja todos os domingos ou ler a Bíblia. Quando olhamos para o exemplo de Cristo percebemos que o nosso papel é muito mais amplo aqui na terra, sendo que é um verdadeiro desafio ser cristão neste mundo cada vez mais secularizado. Gosto de uma citação de Miroslav Volf, que resume muito bem esta questão:
“Se a fé apenas cura e energiza, então ela é, meramente uma muleta que se pode usar livremente, não um estilo de vida” (2018, p. 34).
Ser cristão é um estilo de vida, um modo de viver que invade todas as áreas da nossa vida. A fé não é uma crença religiosa apenas, ela deve ser muito mais que isso, caso contrário, ela será apenas uma muleta ou uma máscara que vestimos todos os domingos, com o intuito de disfarçar as nossas misérias.
O livro fala desta fé pública, e aborda pontos fundamentais para que assim, possamos ser cristãos que realmente colaboram com a sociedade. Eu sempre acreditei que o nosso exemplo também fala, é possível através da nossa vida, pregar o evangelho. Seja com exemplos, opiniões ou atitudes.
Neste livro o autor é muito lúcido e centrado ao abordar temas como “Falhas da Fé”, “Identidade e Diferença” ou “Engajamento Público” entre tantos temas importantes, que precisamos entender para que assim, consigamos ter um estilo de vida centrado e que também colabore com o bem comum.
Um autor fundamental, que escreve com um equilíbrio e propriedade sobre a fé cristã, vale a pena ler.
BIBLIOGRAFIA
VOLF, M. Uma fé pública: Como o cristão pode contribuir para o bem comum. 1. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2018.
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A TEOLOGIA DO TANTO QUANTO
É comum em um cenário pseudointelectual, “pensadores” polarizados defenderem seus pontos de vistas como únicos. Como se só houvesse apenas uma forma certa de pensar (geralmente a deles) e uma forma errada (geralmente a dos outros).
Na política vemos isso a toda hora, só existe esquerda e direita, e quem é centrado é chamado de isentão. Para quem tem pouco conteúdo, existe poucas opções, normal, já para quem estuda e tenta olhar para os dois lados de uma questão, é comum concluir que as soluções nunca são tão simples, sendo que existem várias formas de interpretar algo. São muitas opções e maneiras de se resolver uma questão.
Quando refletimos sobre alguns modos de pensar, como a política, por exemplo, onde é possível constatar atitudes equivocadas, exageros e corrupção nos dois lados, ser centrado consiste em não compactuar com nenhuma das opções que ambos os lados oferecem. É se concentrar em buscar uma outra saída, entendendo que o equilíbrio é o único caminho para escapar de todos os exageros.
Ao falarmos em teologia discorremos sobre um problema semelhante, pois ela também transita em um ambiente polarizado que é o calvinismo e o arminianismo. Ser centrado nestes casos é buscar um meio termo em questões onde a palavra não dá um ponto final, e Roger Olson no livro História das controvérsias na teologia cristã, discorre justamente sobre isso ao abordar a teologia do “Tanto quando”:
“Infelizmente, muitas vezes deixamos de perceber a possibilidade do “tanto… quanto” em numerosos casos de divergências e controvérsias doutrinárias. Não haveria possibilidade de Deus ser tanto três quanto um? A possibilidade de Deus ser tanto autolimitante (para dar às criaturas um espaço para certa autodeterminação) quanto soberano?” (2004, p. 31).
A doutrina do “tanto… quanto” surge quando um preceito é tanto uma coisa, quanto outra. Assim como Jesus é cem por cento Deus e homem. Ou Deus é soberano, mas escolhe se autolimitar, entre tantos pontos da fé cristã.
É normal o ser humano tomar um partido, defendendo assim seu ponto de vista com muita sede e certezas. O problema é que muitas doutrinas, não as fundamentais, são complicadas e difíceis de gerar uma conclusão centrada. E eu creio que alguns até têm conclusões, por não conhecerem o todo, não perceberem todos os pontos que ficam sem explicação.
Não há como aceitar posicionamentos polarizados quando falamos de cristianismo e da teologia cristã, pois dialogar e respeitar algumas doutrinas opostas à nossa, não é pecado.
Entender que em muitas doutrinas há a possibilidade de aplicarmos a teologia do “tanto… quanto” é perceber que quando falamos de um Deus soberano, discorremos sobre um ser que é impossível de se quantificar.
A nossa guerra não deveria ser entre nós e a união deveria ser a principal atitude que podemos tomar para que consigamos crescer ao incentivarmos o diálogo.
Uma vez que a Bíblia está no centro da nossa vida, e as doutrinas fundamentais do evangelho entraram em nossa mente e coração. É possível dialogar sobre pontos complicados e entender que certas doutrinas poderíamos aceitar sendo “tanto… quanto”.
BIBLIOGRAFIA
OLSON, Roger. História das controvérsias na teologia cristã: 2000 anos de unidade e diversidade. São Paulo: Editora Vida, 2004.
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A DÚVIDA E O CONHECIMENTO
“A única forma que se tem de chegar à certeza é pela dúvida. E mesmo assim essa certeza deve estar eternamente aberta à dúvida”. (BONDER, 2011, p. 15).
Eu gosto muito de aprender, é um privilégio poder ler um bom livro e assistir uma boa palestra ou aula, e sair reflexivo, pensando em tudo o que eu pude descobrir. Sendo que para poder aprender, o melhor caminho é se esvaziar, no sentido de deixar de lado as certezas, para assim mergulhar no saber de cabeça.
É comum não ouvirmos o que em um primeiro momento sabemos, as nossas certezas têm este poder de nos ancorar. Mas eu já aprendi muito ao estudar coisas que eu acreditava saber, onde no final, pude perceber que eu não sabia nada. Quando duvidei, entendi como o saber é inesgotável e como é possível mergulhar ainda mais, para compreendermos um assunto.
As minhas aulas são bons exemplos do que eu estou buscando explicar. Quando começo preparar a aula, busco revisitar o conhecimento e reavaliar o que vou ensinar. E durante o processo revejo muita coisa e em alguns momentos mergulho e encontro um outro viés para aquele mesmo conceito. Uma outra forma de interpretar, outro olhar e experiência e com isso, eu cresço ainda mais como professor e como aprendiz que sou.
Em sala de aula eu também aprendo, mesmo sendo o professor, visto que, as dúvidas dos alunos muitas vezes me ensinam. São as dúvidas que nos levam ao saber, é a dúvida que nos impulsiona e não as certezas.
Não é fácil caminhar em uma trilha escura, fazer isso sem uma lanterna é muito ruim. Mas conforme você vai caminhando os olhos vão se acostumando com a falta de luz e você começa a enxergar em meio a penumbra. A luz nos permite ver, mas a falta dela nos dá a oportunidade de perceber detalhes, estrelas e contornos que só a penumbra revela.
Eu sou um teólogo formado há alguns anos, além de ser professor de teologia. Quando eu entrei na Igreja que atualmente eu frequento, precisei fazer um curso de membros. Lá eu aprenderia sobre a igreja e também sobre os fundamentos teológicos dela, que inclusive eu já conhecia, mas resolvi deixar a certeza de lado e abraçar a dúvida para ficar aberto para o saber durante estas aulas.
As aulas foram ótimas e por mais que eu já conhecesse a teologia, ouvi outros pontos de vistas sobre alguns assuntos. Foi ótimo também assistir a ótima aula do professor, aprendi muito com ele e conheci outras bibliografias.
Aprender é um estilo de ser e de se comportar, é uma forma de ver e aceitar que não sabemos tudo e mesmo o que sabemos, podemos estar enganados ou mesmo não notarmos a nossa falta de profundidade. Quem abraça a dúvida de forma consciente se abre para o saber e cresce, seja aprendendo coisas diferentes, mergulhando ainda mais em tema para assim se aprofundar no saber ou mesmo revendo conceitos conhecidos, mas que é bom serem relembrados.
Lembre-se que aquele que acredita que sabe, nunca aprende. A dúvida gratuita e sem propósito é prejudicial, mas a dúvida inteligente nos leva em direção ao saber.
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton. Fronteiras da inteligência. 1. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2011.
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O PERIGO DO TOTALITARISMO
Eu creio que a polarização política nos impede de dialogar, refletir sobre questões realmente complicadas. A simplificação que as discussões políticas têm causado é muito nociva, pois deixa o debate na superfície, no raso, sem mergulhar mais a fundo em seus próprios temas.
É fácil escolher um lado político, basta seguir a linha de pensamento que mais nos convém. Agora, conhecer a história daquela linha de pensamento, ir em busca de livros de pensadores relevantes e também refletir sobre todos os pontos fracos daquele pensamento, já é uma tarefa que só alguém equilibrado é capaz de empreender.
O totalitarismo político, por exemplo, é uma doença, um câncer que já destruiu e continua destruindo a liberdade de todos por onde passa. E é possível vermos o mal deste tipo de pensamento em várias vertentes políticas, apesar do comunismo ser um dos principais representantes deste caos.
Vale lembrar que quando falamos de totalitarismo, não nos referimos simplesmente aos pensamentos de esquerda ou direita, de comunismo ou liberalismo, pois esta praga já foi vista em ambos os lados. Edgar Morin pontua que:
“O totalitarismo apareceu fora de todas previsões. É o fruto de um processo histórico, produto de enorme acidente que foi a Primeira Guerra Mundial” (MORIN, 2009, p. 76).
O caos sempre produz teorias salvadoras e com isso, alguns “salvadores” surgem com uma solução final. E a imposição de pensamento é uma das grandes marcas do totalitarismo.
Tudo começa com a crença que a minha solução é a única certa, além de ser infalível e soberana. Com isso, obrigar alguém a seguir determinada linha de pensamento é o ponto de partida desta forma de pensar.
E se olharmos para as discussões políticas, podemos perceber que uma boa parte daqueles que discutem e militam, terminam por ter uma forma de dialogar ou “brigar por seus ideais políticos” de um modo tão extremo que soa totalitarista e impositor. Eu imagino estes militantes liderando um país, seria um caos.
Tenho um enorme receio do comunismo, justamente porque em sua história vemos muita imposição e um mar de sangue que a sua forma de pensar deixou. Por onde passou ele impôs, não dialogou e colocou o seu pensamento acima de tudo e de todos.
É possível vermos um cenário político semelhante quando olhamos para o pensamento de direita, contudo, é como eu afirmei, temos fatos históricos que comprovam que o comunismo impôs muito mais que o capitalismo. É por conta disso que tenho uma aversão a está forma de pensar.
Eu acredito na liberdade e sou contra qualquer tipo de totalitarismo, impor, obrigar e forçar pessoas a viverem de uma forma que elas não acreditam que devam viver, é um caos, uma injustiça sem tamanho.
Quem impõe não percebe o perigo das suas atitudes, não nota que se alguém agir da mesma forma que ele, certamente vai colher problemas gigantescos!
BIBLIOGRAFIA
MORIN, Edgar, Cultura e barbárie europeias, Editora Bertrand Brasil, Rio de janeiro, 2009.
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A MÚSICA E SEUS MISTÉRIOS
Sou músico há muitos anos, gosto de compor, tocar e ver de uma melodia e alguns poucos versos, uma música nascer, o sentimento é indescritível. Quem escreve e compõe, sabe muito bem disso.
Na filosofia a música pode ser entendida como uma forma oculta e imperceptível da alma filosofar, além de suscitar inúmeras perguntas e questionamentos sobre o assunto, tornando a música um interessante tema filosófico. O filósofo Josef Pieper aborda um destes questionamentos filosóficos acrescentando que:
“A questão que intriga de modo especial a mente perscrutadora do filósofo dedicado ao fenômeno da música é: o que de fato percebemos quando escutamos?” (PIEPER, 2021, p. 44).
A pergunta pode ser simples ou soar abstrata demais, contudo, quando falamos de música falamos de algo totalmente subjetivo, visto que, uma determinada música agrada alguns e desagrada outros. É difícil encontrar uma canção que todos gostem, tornando a questão realmente filosófica. O que realmente alguém que escuta uma música está ouvindo? No final as pessoas ouvem muito mais do que sons quando escutam uma música.
Contudo, a música não se fecha apenas nesta discussão, ela é muito mais ampla e possui muitos benefícios. Na teologia cristã por exemplo, Lutero via a música como uma ótima ferramenta para ensinar. Seguindo está mesma lógica, alguns filósofos atribuirão um caráter pedagógico a arte, o próprio Platão acreditava que a única arte que merecia ser mantida e deveria ser cultivada era a música, visto que ela ensina e educa (MONDIN, 2019, p. 167).
Já na igreja, usamos a música como instrumento de louvor e adoração. Louvar a Deus cantando, derramando o coração é um dos momentos mais valorizados no culto. O problema é que nem todos dão a real importância para a música ou percebem a capacidade que ela tem de nos tocar, nos aproximar de Deus e o quanto algumas vezes ela se torna a nossa trilha sonora. Josef Pieper novamente colabora, pontuando algo que eu, como músico, já vivenciei várias vezes:
“Todavia, a “música” nunca é uma energia impessoal, abstrata; é “tocada” por músicos, cada qual com sua individualidade. Por conseguinte, desse dinamismo interno, mil expressões musicais diferentes podem aparecer” (PIEPER, 2021, p. 49).
A música quando bem executada, se torna uma expressão individual, um bom músico consegue dar identidade e feeling a uma música, deixando assim uma parte de si na execução.
Cresci ouvindo música, a trilha sonora da minha vida é muito vasta, visto que, eu tenho sons para várias ocasiões e momentos, mas a principal parte é poder compor. Criar é algo inexprimível, é uma oportunidade que Deus nos dá para construir algo, sendo este um sentimento realmente difícil de explicar.
Na igreja, o louvor é um momento de adorar e oferecer o nosso melhor a Deus, por isso precisamos buscar entender de música, pelo menos um pouco, para assim, conseguirmos oferecer o melhor as pessoas e a Deus que é o centro de tudo, é por conta disso que precisamos entender que uma música mal executada nos tira a concentração e prejudica todo o andamento do culto.
Na vida pessoal, a música pode ser desde um momento de descontração, fuga ou alívio. Ela, assim como os livros, pode ser um lugar particular que nos transportamos a fim de admirarmos e sermos guiados para estes mistérios.
Enfim, a música guarda esta característica de ser única e de nos tocar, ela nos aproxima, quando encontramos alguém que também ouve o mesmo estilo, mas nos separa, quando não respeitamos o gosto alheio.
Para um músico, a música pode ser uma forma de se expressar e tocar as pessoas. Para um ouvinte, ela pode ser uma estrada que nos leva as mais profundas experiências.
BIBLIOGRAFIA
PIEPER, Josef. Só quem ama canta: A arte e contemplação. 1. ed. São Paulo: Quadrante Editora, 2021.
MONDIN, B. Introdução à filosofia: problemas, sistemas, autores, obras. 1. ed. São Paulo: Paulus, 2019.
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NA DÚVIDA TENTE
“Na dúvida tente. É melhor errar tentando do que fracassar sem ter feito nada”.
Guilherme AugustoEu sempre gostei de escrever, mas quando montei o blog, me vi diante de um desafio, que era mantê-lo sempre atualizado com bons textos. O meu receio era não dar conta e também, não conseguir compor material novo.
A grande verdade é que tentar algum empreendimento nem sempre é simples, requer muito trabalho, planejamento, tentativas e erros. E lidar com todas estas coisas é o maior desafio. Por isso que, aquele que não tenta e opta por arranjar desculpas, é antes de tudo, alguém que não entende que as coisas boas, que realmente valem a pena, na maioria das vezes, não surgem assim do nada, e sim, com muito empenho e trabalho.
Este é um dos aforismos no qual guardo comigo há muito tempo, pois eu fui, quando novo, uma pessoa que deixou de realizar muita coisa, por conta do medo de que a empreitada desse errado. Somando isso o fato que no meu ambiente de trabalho e também no lugar onde eu morava, as pessoas eram bem negativas e costumavam colocar defeitos em todos os planos alheios, a minha vida terminava por sem bem frustrada. E como eu era muito novo, pois eu saí de casa cedo, não sabia lidar com aquelas atitudes e por fim, acabava não fazendo nada.
Um fracasso é sempre ruim, não tenha dúvida, contudo, deixar de fazer algo, que poderia ter dado certo, é muito pior, por isso faça, tente sem medo, pois se a empreitada der errado você pelo menos tentou e aprendeu com o erro. Sendo que depois é possível recomeçar (sempre é possível), mas com um pouco mais de bagagem, já que o primeiro erro te trouxe uma lição. Entenda que com o erro vêm o aprendizado, só crescemos quando erramos e entendemos o que dá certo ou não. E entenda também que é muito melhor lamentar algo que não deu certo, do que ter que lidar com a frustração de não ter tentado.
Depois de um tempo, percebi as oportunidades que eu estava perdendo por não tentar. Notei que muitos dos que tentavam me desanimar, eram pessoas que nunca tentavam e por isso, nunca colhiam lições ou boas oportunidades, como fruto de suas atitudes. Aprendi a tentar e descobri como pior do que fracassar em algo é o sentimento de fracassar, sem ter feito coisa alguma.
Foram muitos os desafios que me ensinaram com o fracasso, mas também inúmeros deles no qual eu consegui colher algumas vitórias. E o blog, e meu receio em não dar conta, foi uma delas.
O desafio de escrever e manter ele atualizado, me fez estudar, ler ainda mais e seguir sempre em busca de boas ideias e ferramentas para produzir materiais relevantes. No final, foi ele que me incentivou a continuar estudando, para não estagnar.
Não fuja de um desafio, aprenda a fazer, ao invés de ceder à tentação de não tentar. E por mais que seja cômodo não tentar, os frutos desta estagnação são sempre amargos.
A coisa mais triste que podemos experimentar é a sensação de poder ter feito algo e conseguido!
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QUEBRANDO A PREGUIÇA
“O espírito do homem pode criar infinitamente; somente sua preguiça põe limites a sua sabedoria e a suas invenções” (SERTILLANGES, 2019, p. 116)”.
Um dos desafios que todos os acadêmicos, músicos e professores enfrentam é justamente a preguiça. Não é fácil manter a rotina e a disciplina de estudos, principalmente porque a mente vai querer sempre ir pelo caminho mais fácil. Está é uma função do cérebro para economizar energia.
Eu sou professor de Teologia, Ciências da Religião e Filosofia e no momento, estou escrevendo um livro abordando um assunto teológico que envolve muito estudo e pesquisa. E mesmo tendo o hábito de ler, pesquisar e escrever muito, nem sempre é fácil seguir a rotina.
Para aqueles que desejam seguir a vida acadêmica, é fundamental aprender a lidar com a preguiça e a procrastinação, para que seus planos não sejam frustrados. A preguiça é um grande inimigo do saber, nunca se esqueça disso.
O primeiro passo para formular uma boa rotina de estudos, fugindo assim da preguiça e procrastinação é entender em que grau de conhecimento você está. Você deve ser sempre humilde e honesto, para que desta forma possa caminhar com constância e coerência. Não adianta nada você mergulhar em um livro denso, com um conteúdo que você não tem intimidade pois você var terminar desistindo. Você precisa primeiro entender o assunto, para depois estudar o livro. Por isso, as vezes é melhor mergulhar em um livro mais simples, que lhe dê repertório suficiente para conseguir ler uma obra mais intrínseca.
Outro bom conselho, caso você esteja no início da vida acadêmica, é você estudar com professores ou ter a tutoria deles. É sempre bom aprender com quem já tem alguns anos de caminhada. Os professores não são perfeitos, mas erram menos, como diria Sertillanges. Dicas de livros, explicações de conceitos complicados e mentoria, são bons pontos de partida para o início destas empreitadas.
O segundo passo é definir uma rotina de estudos. Não precisa ser muito tempo, o que vale é a constância. Aprenda a parar para ler e estudar todos os dias. Sempre com um caderno de notas a tiracolo, para registrar pontos importantes e fazer resumos.
A rotina de estudos é solitária, é uma prática onde você e somente você, vai ter que aprender a se dedicar. Talvez seja por isso que cultivar a rotina seja tão difícil. É por conta disso que assistir uma aula, não é estudar e sim, aprender e entender o assunto, mas para fixarmos o conteúdo em nossa mente, é preciso de revisão, leitura e estudo, feito de forma solitária, como eu disse, estudar é isso.
Por fim descanse, a vida não é só estudar. Se por um lado não podemos viver apenas no ócio, por outro, é importante também parar e relaxar. Aprenda a se desligar, caminhar na natureza e observar o belo. Pois o exagero nos estudos, pode fazer com que você canse mais e desista desta missão.
Outra coisa boa é alternar a leitura de livros mais densos, com livros mais reflexivos ou de literatura, justamente para não cansar a mente. E quando você for mergulhar em um livro difícil, aprenda a fazer isso com calma e sem pressa. Mais importante que quantidade é a qualidade da leitura. O objetivo dos estudos é entender e se aprofundar em um assunto e não apenas ler por ler.
A constância é a grande arma contra a preguiça, mas para isso, dar um passo de cada vez, fugindo dos exageros é o caminho mais seguro. Constância aliada a disciplina é a fórmula da relevância e da rotina. Com isso, vai chegar um tempo onde os seus momentos de leitura e estudo, farão parte da sua vida, como algo natural. Neste estágio, a sua vida já estará alicerçada por este importante hábito e a preguiça, será apenas lembrança!
BIBLIOGRAFIA
SERTILLANGES, A. D. A vida intelectual. Campinas: Editora Kírion, 2019.
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TOLERÂNCIA: DESAFIOS DO MUNDO CONTEMPORÂNEO
Eu já ouvi muito, ao dar aula de Introdução à Ciência da Religião, a pergunta: “Como respeitar as diferentes religiões, sendo cristão?”. A minha resposta é sempre a mesma, eu respeito da mesma forma que respeito as inúmeras igrejas cristãs que são diferentes da minha.
Viver em sociedade é seguir em um mundo plural, onde a diversidade de crenças, religiões e credos é grande. O que torna a tolerância um desafio e também uma importante missão.
Tolerar é permitir, aceitar de bom grado a diferença, sendo que ela existe tanto dentro da igreja, já que a igreja cristã é muito diversa e diferente como eu pontuei no começo do texto, quanto fora dela.
O princípio da tolerância é primeiro se perceber como único, mas parte de um todo plural. Não somos iguais, temos nossas diferenças, anseios e crenças bem distintas, a questão é que o próximo também tem, com isso, respeitar segundo eu mesmo quero ser respeitado é o único caminho lógico. E este posicionamento serve tanto para questões religiosas quanto políticas.
Existe uma linha tênue entre defender um ponto de vista e ofender, deixar claro uma opinião e diminuir o outro. Uma ação que é vista em vários momentos em discussões religiosas ou políticas acaloradas. Muitos a fim de defender uma visão ou até mesmo com o propósito de ensinar a verdade, acabam perdendo a razão tudo e apenas pela forma que estão comunicando.
Certos assuntos, em um país laico ou livre, são apenas resumos de posicionamentos ou crenças que uma pessoa se sente confortável em seguir. Impor uma religião ou posicionamento político, em um país laico, acaba sendo um retrocesso, visto que hoje somos livres para escolher e seguir nossas escolhas como bem entendemos.
Eu sou cristão, como é possível constatar através dos textos deste blog, mas não posso impor ou ofender. Preciso falar da verdade, mas com respeito e cuidado, entendendo que ninguém é obrigado a aceitar a minha opinião.
Miroslav Volf no livro “Exclusão & Abraço”, fala das religiões como ferramentas políticas e marcadoras de identidade de uma tribo ou grupo. Seguir uma tribo, cultura ou religião não é ruim, o problema é transformar estas religiões em uma ferramenta para causas políticas particulares, definindo assim quem devemos excluir e quais pessoas devemos abraçar em nome da guerra política. O ponto de partida é entender que acima de tudo, somos seres humanos e Deus não é um ser a serviço de uma causa particular e sim, ele é Senhor de tudo e veio nos trazer libertação (2021, p. 17). Miroslav Volf complementa este problema resumindo que:
“Isso constitui claramente uma traição à fé monoteísta em si mesma, um rebaixamento imposto a Deus de Senhor do Universo para a condição de criado a serviço dos interesses de um grupo particular” (2021, p. 17).
A lógica é que Deus olhou para o ser humano, tendo assim graça para com ele. E não é Deus que nos serve, somos nós que servimos a Deus. Quando entendemos que nós amamos porque ele nos amou primeiro (1 João 4:19) ou que nós perdoamos porque Deus nos perdoou (Mateus 18: 21-35), entendemos a graça e buscamos assim agir de acordo com o mesmo padrão.
Cristo é o caminho, a verdade e a vida (João 14:6), algo que ele deixou bem claro na Bíblia, contudo, não podemos impor a sua palavra, visto que estamos em um país livre e também porque não somos nós que convencemos, é o Espírito Santo (João 16:7-11).
Quando conhecemos a verdade, entendemos que devemos amar como Jesus amou ao invés de impor o evangelho a todos. O amor é o princípio de tudo, o maior mandamento, conforme Jesus mesmo deixou claro (Mateus 22:36), sendo que quando amamos, respeitamos, acolhemos, ouvimos e não ofendemos. E desta forma, apresentaremos um evangelho escrito através das nossas atitudes.
A tolerância é um desafio, visto que nem sempre é fácil conviver em um ambiente plural, está é uma verdade que precisamos aceitar. Contudo, ao entendermos a graça, respeitaremos e buscaremos meios mais adequados para ser luz e falar da palavra da verdade para as pessoas.
BIBLIOGRAFIA
VOLF, Miroslav. Exclusão & abraço: Uma reflexão teológica sobre identidade, alteridade e reconciliação. 1. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2021.
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O HOMEM E O SEU PECADO
“Foi o mundo anticlerical e agnóstico que profetizou o advento da paz universal; é esse mundo que se sentiu, ou que deveria ter-se sentido, envergonhado e confuso ante o advento da guerra universal” (CHESTERTON, 2010, pg. 10).
Houve um momento no qual a igreja passou a ser desacreditada, que a fé virou piada enquanto o racionalismo e a ciência, virou o centro de tudo. Neste tempo, a solução vinda da razão humana era um fato.
Destes dias em diante a paz era esperada, as soluções viriam para ajudar a humanidade e o bem seria instalado. Tudo através do homem e a sua autossuficiência, até virem as duas grandes guerras.
O caos tem o poder de mostrar ao homem como ele é frágil e limitado. Sendo que as duas grandes guerras evidenciaram justamente isso, como o homem pecador consegue sem muito esforço se autodestruir, Chesterton complementa:
“Quando o mundo vai mal, comprova-se sobretudo que a igreja está certa” (CHESTERTON, 2010, pg. 10).
Faz parte da teologia cristã o fato que o homem é contaminado pelo pecado, por isso que quando vemos o mal, percebemos apenas o resultado, o fruto de alguém contaminado e autodestrutivo.
Não é que ele não consegue fazer coisas boas, é claro que algumas vezes ele faz, e sim, que no fim, seu egoísmo, depravação e alienação, vão cuidar para que tudo saia errado.
Diante das catástrofes ou pandemias, é normal vermos a verdadeira face do ser humano, primeiro revelando o seu desespero, e o modo como ele faz de tudo para sobreviver, mesmo que precise passar por cima de outras pessoas. Segundo, mostrando como o medo só confirma a sua insegurança e o quanto ele é pequeno.
O homem sem Deus, no final, vai sempre seguir pelo erro, pelo caminho do equívoco. O homem por mais que seja bom, inteligente e bem-intencionado, vai fazer coisas más. Pouco importa os avanços tecnológicos, para nada adianta as descobertas científicas, o homem por si só é autodestrutivo. A história tem apenas confirmado isso, e apontado para o fato que é só Deus que pode nos salvar.
O caos mostra apenas quem é o homem quando ele está longe de Deus!
BIBLIOGRAFIA
CHESTERTON, G. K, O homem eterno, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2010.
