-
CAOS AMBIENTAL: A CULPA É DE QUEM?
O meio ambiente tem sido cada vez mais devastado, se não nos posicionarmos, é possível vermos o ser humano acabar com toda a bela criação que Deus fez em pouco tempo. A parte complicada deste problema, é aquele nosso conhecido jogo político constituído em culpar um lado ao invés de brigarmos por leis mais justas e órgãos fiscalizadores mais eficientes.
Eu tenho receio daquelas pessoas que possuem a capacidade de simplificar certos problemas e por conta da falta de informação e senso crítico, compram uma ideia sem refletir. É comum ouvirmos que o capitalismo e o consumismo são os grandes vilões do meio ambiente, um fato que até tem as suas verdades, mas que não contempla o todo do problema.
Quando falamos de caos ambiental, não é possível afirmar que o capitalismo é o único culpado, dando a entender que o comunismo ou as políticas de esquerda, nunca tiveram o seu grau de culpa. Basta lembrar do desastre de Chernobyl ou da poluição dos rios da Polônia no período comunista, tudo porque o governo que era dono das fábricas era também o mesmo que fiscalizava e por isso as leis não eram cumpridas, isso só para citar estes dois exemplos, pois existem mais (SCRUTON, 2016, p. 84).
O meu intuito com o texto não é colocar a culpa em um lado, mas mostrar como este problema é intrinsecamente complicado e a falta de um órgão que fiscalize é um problema tanto do capitalismo, quanto foi do comunismo, pois no final, é um problema do ser humano. Roger Scruton complementa:
“Mesmo em sociedades democráticas, nas quais a propriedade privada e o estado de direito determinam a separação entre o agente que ameaça fazer um mal e o agente que pune ou previne esse mal, a evidência é que as burocracias estatais terminam por se tornar um perigo ao meio ambiente tão logo assumam o papel de controle, em vez de se limitar a conter o que é feito” (2016, p.85).
É comum percebermos alguns discursos de esquerda que nos dão a impressão de que eles são os mocinhos ou a política que olha para o povo, pontos de vistas que são totalmente enganosos. Um olhar honesto vai ver o caos dos dois lados, não só no capitalismo. É por isso que não podemos deixar que a militância cega, sem qualquer informação e capacidade de refletir sobre as suas próprias contradições, dite o tom da conversa.
Uma boa investigação vai lhe mostrar como os dois lados cometeram erros, que a corrupção e falhas no cumprimento da lei estão em ambos os tipos de governo. No regime socialista, que é dono do meio de produção e ao mesmo tempo inspeciona, não houve o cumprimento da lei, nem uma investigação para se encontrar um culpado, visto que o estado era o dono e é o órgão que gerenciava as leis ao mesmo tempo, não possuindo uma divisão de poderes (executivo, legislativo e judiciário) para melhor cumprimento das leis ou quando possuía, era colocado de lado em nome de outras prioridades. E no capitalismo a corrupção muitas vezes deu as caras e impediu que as leis fossem cumpridas, entre tantas falhas que este modelo de governo tem (SCRUTON, 2016, p. 83).
Não creio que o capitalismo ou apenas o consumismo seja o problema, o caos é muito mais profundo do que isso, e para encontrarmos uma solução, precisamos sair do cenário polarizado e mergulhar no assunto de forma honesta e coerente.
O meio ambiente está sendo dizimando, reservas florestais, animais e o ecossistema tem sentido a ação do egoísmo humano, e a discussão política, que tem o intuito de apenas encontrar um culpado não resolve o caos. Pois enquanto a briga acontece, o meio ambiente perece por conta da ganância humana e da ineficiência das leis e dos órgãos fiscalizadores.
A ganância não é de direita e nem de esquerda, mas está enraizada no íntimo de cada ser humano. Lutar contra o desejo de ter, é muito mais que adotar uma visão política, e sim, é viver com ética, entendendo que o equilíbrio é o princípio de uma vida coerente.
BIBLIOGRAFIA
SCRUTON, Roger. Filosofia verde: Como pensar seriamente o planeta. 1. ed. São Paulo: É realizações, 2016.
-
A VIDA VÃ
“Uma vida vã, portanto, é aquela que toma a si mesma como epicentro das coisas” (PONDÉ, 2015, p. 45).
Eu estava aguardando atendimento em uma consulta quando alguém entrou exigindo ser atendido. Ela queria prioridade, não queria entrar na fila e exigia atendimento imediato em uma atitude totalmente pedante, grosseira (visto que ela gritava) e egoísta, visto que muitos esperavam pela mesma consulta. Viver uma vida relevante é para quem tem senso e entende que o mundo não gira em torno do seu umbigo, é uma pena que nem todos entendem isso.
Não estou querendo afirmar que não temos nossos sonhos, características e particularidades e sim que não somos o centro do universo, assim como aqueles que acreditam estar acima de todos, parecem acreditar.
A vida vã se resume em viver como se os nossos sonhos e empreendimentos ou mesmo como se a nossa forma de viver fosse tudo e onde todos deveriam nos servir e atender nossos chamados. É a famosa síndrome da fama, que ao menor sinal de reconhecimentos ou dinheiro, leva alguém a agir como se fosse um deus, alguém a quem todos devem servir.
A vida relevante é vivida pela pessoa que entende bem quem é, por alguém que já constatou a sua miséria interna e percebeu que é apenas pó (Salmos 103:14). Tal ação não é um ponto de partida de uma pessoa autoindulgente e sim a atitude de alguém que percebeu a sua falibilidade.
Além de ser egoísta, a vida vã por ser autocentrada e não perceber e muito menos olhar para o próximo, é também uma vida autodestrutiva, sem sentido e sem propósito. Viver para si é se consumir, se destruir na vã tentativa de ser feliz. A vida feliz é vivida em comunhão, olhando o próximo e buscando ser relevante onde estiver.
O evangelho não só aponta para Deus, mas também mostra quem somos sem ele, nos dando esperança e nos mostrando o quão fundamental é olhar em volta e perceber o próximo.
A vida egoísta é miserável pois ao olhar apenas para si, precisa tampar o enorme buraco da sua insignificância. Mas quem olha para cruz e aceita viver em comunhão, percebe que a verdadeira vida é seguir a Deus e servir o próximo.
A vida vã é autocentrada, tem a si como epicentro, o ponto central da existência. A vida relevante é aquela que olha para todos e entende a importância da comunhão, da parceria e das pessoas.
O desafio é administrar nossos sonhos, peculiaridades e individualidades, sem assim, nos considerarmos como superiores. Existe um fio fino que separa quem somos e quais são as nossas prioridades, características e crenças, de quem é o próximo e como respeito suas diferenças.
A vida vã é acreditar estar acima, crendo que tudo gira ao seu redor. A vida relevante é vivida a partir do respeito, entendendo que servir, respeitar e ajudar é o melhor cartão de visitas.
BIBLIOGRAFIA
PONDÉ, L. F. Os dez mandamentos + um: Aforismos teológicos de um homem sem fé. 1. ed. São Paulo: Três Estrelas, 2015.
-
CULTIVANDO A PAZ
Eu tratei por alguns anos de ansiedade, desde então, busquei ferramentas e formas de evitar o gatilho que inicia a crise e aprendi a lidar com este problema.
A ansiedade hoje é o mal do século, sendo que, ela traz a tiracolo muitos problemas. E em tempos de pandemia, este problema se agrava ainda mais, visto que, as notícias e também as consequências do Covid 19, afetam todas as áreas da sociedade, não só a saúde.
Nestes dias complicados tenho aprendido que é preciso cultivar a paz e a tranquilidade. Eles não nascem em nossa vida de forma natural. É preciso plantar a semente, regar com a prioridade, e arrancar as ervas daninhas do campo, colocando limites nas coisas que nos fazem mal. Você não encontra a calma e a vida centrada, é preciso cultivar uma vida assim para conseguir este objetivo.
Precisamos aprender a bloquear o excesso de informação negativa e descobrir uma forma de gerenciar as informações que consumimos. É claro que precisamos estar informados, contudo, existe um limite e este limite é a nossa saúde.
Outra lição importante é entender que nós não temos controle de nada e nunca vamos ter. A sensação de controle que o dinheiro e a posição social promovem, é falsa. E você comprova isso justamente em meio a crise ou doença. Estamos sujeitos a passar por problemas de saúde ou financeiros. Ninguém mora em um paraíso mágico, longe de qualquer mal. E isso é uma coisa que constantemente esquecemos. Os dias bons nos fazem esquecer dos dias complicados. A fartura as vezes nos aliena.
Já faz algum tempo que descobri que a vida é cíclica, e por isso, procuro aproveitar os tempos bons, e me preparar para quando os tempos ruins surgirem. Sendo que em qualquer um destes momentos, é em Deus que eu deposito a minha segurança. Se Deus não cuidar, todos os nossos esforços serão feitos em vão (Salmos 127:1). Tudo começa a se acalmar quando confiamos em Deus, este é o princípio de tudo. Entender que é ele que nos guarda e nos dará alívio em meio ao caos, é fundamental.
Cultive a sua paz, aprenda a colocar limites e a fugir de algumas notícias, principalmente daquelas que não agregam, deixando você apenas preocupado e nada mais. Aprenda nos tempos bons, a ter uma reserva financeira, mas tenha uma coisa em mente, é impossível estarmos preparados para todos os tipos de problemas.
A pandemia pode tirar tudo, menos a nossa paz a e a confiança que nós temos em Deus!
-
A SOCIEDADE DA PRODUTIVIDADE
“Quem se entendia no andar e não tolera estar entediado, ficará andando a esmo inquieto, irá se debater ou se afundará nesta ou naquela atividade” (HAN, 2020, p. 34, 35).
Vivemos na sociedade da produtividade, você não pode perder seu tempo de maneira alguma, por isso, você precisa manter a cabeça ocupada e como diz o slogan: “Trabalhar enquanto os outros estão descansando”. Diante desta realidade, as pessoas seguem cansadas e muitas vezes frustradas por não conseguirem produzir tanto.
Mas uma coisa que precisamos entender é que a vida não é uma competição, onde todos precisam provar o quanto produzem ou mesmo mostrar quem chega em seu primeiro milhão antes dos 30 anos. Viver é muito mais do que ter ou ser uma máquina de produzir.
Eu digo isso, mas não sou contra termos rotinas de trabalho e estudo e muito menos sou contra as pessoas que se dedicam as suas carreiras para que assim, possam ter mais estabilidade financeira. A crítica é para quem vive apenas para isso. Eu mesmo tenho uma rotina de estudos, leitura e escrita. Mas também tenho o meu momento de ócio criativo, contemplação e descanso.
Conheço gente que tem a sua vida exclusivamente dedicada ao trabalho e carreira e tudo o que a pessoa busca são apenas resultados. Viver não é isso, e por mais que ser produtivo seja importante, precisamos ter equilíbrio, lembrando que somos seres humanos, e precisamos de outras coisas que dinheiro e trabalho não dão. Quem não tem rotina ou não busca se aprimorar, cai na estagnação, contudo, quem vive só para isso, mergulha no ativismo e se esquece de viver, de aproveitar a vida.
Moro ao lado de um parque, por isso, é imprescindível tirar um tempo para caminhar e observar a natureza e a vida. Isso me recompõe e me dá fôlego para seguir. Tenho uma rotina bem puxada, eu escrevo, leio e estudo bastante. Contudo, também tiro os meus dias de ócio e descanso. Eu sempre acreditei no equilíbrio, e considero igualmente perigoso não se dedicar, não ter metas e viver só para a produtividade.
Um costume que eu sempre cultivei são os hobbies, sempre me dediquei a algo que não traz retorno financeiro, mas que me dá prazer e alegria. Fiz amigos e conheci muitos lugares por conta destes hobbies.
As vezes é bom nos desligar, aproveitar o dia fazendo uma caminhada, sem olhar para o relógio, como se o tempo não existisse. A sociedade tem buscado cumprir suas metas, mas de meta em meta, tem se esquecido do presente, tem parado de viver e contemplar a vida.
É importante termos metas, sermos produtivos e sabermos bem onde queremos chegar. Por isso que estudamos, cultivamos rotinas e nos aprimoramos, mas a vida não é só isso. E se negarmos isso, correremos o risco de cumprirmos as nossas metas e esquecermos de viver.
A vida acadêmica pode ser muito produtiva e prazerosa, não tenha dúvidas disso, só não se esqueça de viver, aprenda a descansar e entender que equilíbrio é saber dosar a produtividade com o ócio criativo.
BIBLIOGRAFIA
HAN, Byung-chul. Sociedade do cansaço. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2020.
-
IMPOSSIBILIDADES MOMENTÂNEAS
“A impossibilidade é uma condição momentânea: quem sabe disto não desiste. E nenhuma outra postura é tão instigadora de criatividade e intuição quanto o “não desistir”. O simples fato de permanecer no “jogo” abre opções que, fora dele, ao se “jogar a toalha”, obviamente não existiriam”. (BONDER, 2010, p. 11).
Nilton BonderAprendi a dar valor aos objetivos que eu consegui alcançar, tudo e porque, a maioria deles eu não consegui de um modo fácil. Eu precisei recomeçar várias vezes ou mesmo aguardar um bom tempo até ver o projeto concluído.
Em uma época imediatista, saber esperar virou tortura. Poucos entendem que as coisas que valem a pena, os planos realmente coerentes e valiosos são frutos de muito empenho e persistência.
Uma meta coerente é aquela que possui um bom plano e também é aquela munida da consciência que provavelmente você vá precisar tentar muito e em alguns casos recomeçar, para conseguir ver algo pronto. Esta é a realidade da maioria dos casos de sucesso, o problema é que nem sempre alguém vê esta parte. Muitos querem se guiar avaliando apenas os casos concluídos e não toda a trajetória.
Pude perceber enquanto me empenhava em uma de minhas empreitadas que as melhores ideias surgiram mediante ao fato que eu não iria desistir. E eram nestes momentos que a criatividade surgia enquanto eu procurava uma saída.
É interessante olhar para traz, reviver meus primeiros planos e perceber como eles foram ganhando força, ressignificação e base, com o tempo que eu levei empreendendo e tentando fazer as coisas acontecerem. Eu arrisco dizer que eu não chegaria onde eu cheguei, se os meus planos tivessem dado certo logo nas primeiras tentativas.
As dificuldades me mostraram áreas que eu precisei trabalhar, as faltas de oportunidades, me levaram a criar minhas próprias oportunidades e com isso, crescer com elas. Estes eventos me levaram ao crescimento e a aprendizagem, sendo que foi por conta deles, que depois eu consegui chegar aonde eu queria chegar.
As impossibilidades são sempre momentâneas principalmente para quem se dedica, planeja e não pensa em desistir. A persistência aplica a criatividade e intuição de uma forma que não acontece quando desistimos.
É persistindo, se reciclando e a todos os momentos avaliando nossas ações e erros, que crescemos e nos preparamos para conseguir chegar em algum lugar. Este é o pensamento que deve nortear a sua empreitada.
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton. O segredo judaico de resolução de problemas. 1. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2010.
-
DISCUSSÕES PERDIDAS
“Nove entre dez vezes, uma discussão termina com cada parte ainda mais convencida de que está absolutamente certa” (CARNEGIE, 2019, p. 111).
Conheço pessoas que gostam de discutir, principalmente se o tema é complicado. Segundo estes, uma discussão faz você ver equívocos em uma argumentação e muitas vezes, mudar de ideia. Com isso, as tardes ou manhãs destas pessoas eram gastas debatendo assuntos dos mais diversos e complicados.
É sempre bom separar um diálogo ou mesmo o debate honesto, das discussões. Um diálogo honesto tem como ponto de partida a troca de ideias. É um momento onde vamos debater, discordar e refletir sobre o que estamos ouvindo. Este sim é o momento de testarmos nossos argumentos e pontos de vistas, além de reavaliarmos nossas opiniões. E mesmo aqui, corremos o risco de não darmos o braço a torcer, pois tudo depende do nosso orgulho e do quanto confessamos os nossos erros (ou não). Já a discussão é mais emocional, normalmente é travada por pessoas que querem apenas mostrar que sabem, o objetivo em uma discussão é ganhar e não discutir ideias.
Uma discussão é na maioria das vezes, tempo gasto para provar que estamos certos, é uma batalha de egos que não tem fim. Em uma discussão, quem ganha é aquele que sabe falar bem, e expor de forma mais habilidosa um argumento. Lembre-se, nem sempre quem possui uma boa oratória é alguém que tem bons argumentos.
Discutir ideias é sempre perigoso, a intenção é boa, mas o terreno não é. É um lugar escorregadio, onde o orgulho pode complicar tudo. Poucos hoje confessam os seus erros, eu diria que, não são todos que ao menos percebem que estão errados. Por isso, ao discutir, tudo pode acontecer, menos uma troca de ideias. Visto que se alguém não for maduro ou humilde suficiente para confessar seus equívocos, certamente ele vai ficar com o orgulho ferido. Com isso, você vai ganhar, mas perder ao mesmo tempo (CARNEGIE, 2019, p. 111).
O bom diálogo é fruto primeiramente do posicionamento de duas pessoas humildes, que entendem que confessar nossas falhas e erros na argumentação, não é perder e sim, crescer e entender que todo mundo falha.
Em segundo lugar, a boa discussão é oriunda de pessoas que não possuem a gana de ganhar, se alguém é pedante o suficiente para acreditar que sair vencido de uma discussão é tudo, o seu tempo já está perdido. Pois a pessoa vai querer tudo, menos dialogar.
Entenda que certas empreitadas nascem perdidas e que em alguns casos, para crescermos, precisamos estar diante de pessoas honestas, que possuem caráter suficiente para confessar quando estão erradas.
Discutir com alguém que não pensa no que você está falando, e nem reflete sobre si, é jogar o seu precioso tempo fora, é falar com uma pessoa que só quer vencer, não quer pensar.
BIBLIOGRAFIA
CARNEGIE, Dale. Como fazer amigos e influenciar pessoas. Rio de Janeiro: Sextante, 2019.
-
APRENDENDO A OUVIR CRÍTICAS
“A todas as críticas só tenho uma resposta a dar”, disse Emerson: “voltar ao trabalho” (SERTILLANGES, 2019, p. 208).
SertillangesÉ inevitável, em qualquer área de trabalho, ou mesmo em um hobby, sermos alvos de críticas. Opinião, todo mundo tem, ainda mais se você estiver em uma área bem visada, como a música, um blog como este, ou mesmo em profissões como professor, líder etc. São setores onde a pessoa está bem exposta e com isso, vai sofrer críticas, pois todos gostam de opinar.
Por um pouco mais de uma década eu tive banda, com isso, gravamos vários CDs e tocamos em inúmeros lugares. Foi com ela que descobri a importância de saber ouvir críticas, usando-as como combustível e ferramenta de melhoria, e não como âncora ou objeto de incômodo. A melhor atitude que podemos ter ante as críticas é justamente trabalhar e nos aperfeiçoar ainda mais, parar e estagnar para não ser criticado não é a solução.
Aprender a avaliar o que é dito, usando o ponto de vista como parâmetro para o aperfeiçoamento e o estudo, é uma ótima opção, ao invés de ficar se defendendo ou arranjando justificativas para o que não está tão bom assim.
É claro que nem toda a crítica é bem intencionada, mas todas elas precisam ser avaliadas. Pois todas (até as com más intenções), podem ter pontos verdadeiros e por isso, servem como ótimos parâmetros, para seguirmos rumo ao aperfeiçoamento. O desafio é conseguir identificar as críticas honestas das ruins, que têm como base a inveja ou as más intenções, por isso que avaliar o conteúdo já é uma ótima saída.
O segredo é verificar se as críticas se repetem, se várias pessoas discorrem sobre o mesmo ponto. Outro segredo é ter amigos de confiança, que vão ser sinceros e ajudarão você a perceber seus pontos cegos.
Quando comecei a escrever, enviei os primeiros textos a amigos e eles apontaram equívocos que eu estava cometendo, ou mesmo sugeriram mudanças que foram fundamentais para a melhora dos textos. Sou grato a Deus por eles e por todos os que fazem críticas honestas. Eu cresci como escritor por causa da ajuda deles.
A melhor atitude que podemos ter ante as críticas não é parar e sim, estudar e trabalhar ainda mais, para que consigamos nos aperfeiçoar e compor sempre com excelência. Ninguém nasce pronto, muitas coisas precisam de tempo e da busca constante por melhorias.
Aprender a lidar com críticas é o ponto de partida ideal para quem quer crescer e se aperfeiçoar ainda mais ou mesmo, para quem não quer se incomodar e transformar algo que você gosta muito em um momento de martírio.
BIBLIOGRAFIA
SERTILLANGES, A. D, A vida intelectual, Editora Kírion, Campinas, 2019.
-
O HOMEM SEM DEUS
“Não há nada sobre a terra que não mostre ou a miséria do homem, ou a misericórdia de Deus; ou a impotência do homem sem Deus, ou a potência do homem com Deus” (PASCAL, 1995, p. 83).
Não é difícil perceber a miséria humana, tampouco seu extremo egoísmo, basta discordar ou apontar os equívocos de alguém, que quase todos, ou talvez a maioria, ficará na defensiva, como que acuado por sua insegurança. O orgulho humano custa a admitir que ele pode estar errado, mesmo sabendo que ninguém é perfeito. O imperfeito é sempre o outro, nunca nós. Esta é uma contradição que o ser humano carrega.
Em uma pandemia, é fácil também notar como uma pessoa é egoísta, demora em ter consciência e como nem sempre consegue olhar o próximo, esvaziando as prateleiras do mercado, no desesperado sentimento de não querer passar fome. Existe até um ditado, usado por alguns, que se resume em: “antes o filho do outro chore do que o meu”, tal frase sintetiza o tamanho do egoísmo humano. Uma frase que infelizmente já ouvi muito.
A sociedade falível e mesquinha revela o que tem de pior no homem e mostra quem ele é de verdade. Quem nega suas falhas, no fim, está cego para a realidade, não percebe suas próprias contradições ou idealiza muito a si e os seus pontos de vista.
Não é que não existam pessoas boas e nem seres humanos conscientes, eu sei que existem. A questão é que não somos perfeitos e este mundo caótico somente revela a nossa imperfeição e miséria, deixando-a escancarada. A sociedade é um resumo do ser humano, é impossível uma coisa ruim dar bons frutos, assim como a bananeira não dá maçã.
Sem Deus, o ser humano é uma máquina egoísta de caos e destruição, vê somente as suas vontades e desejos, nada mais. A nossa sociedade é este retrato, uma foto que revela o ser humano em seu estado original e sem máscaras.
Por isso, em meio à pandemia e ao caos, não me impressiono com a polarização ou o egoísmo, que só resume e prova o que o ser humano se tornou quando decidiu virar as costas para Deus e seguir o seu caminho, uma cena que se repete desde o Éden.
O ser humano sem Deus não é nada e, o pior, transforma em caos tudo o que toca!
BIBLIOGRAFIA
PASCAL, Blaise. Pensamentos. 1. ed. Bauru: Edipro, 1995.
-
RUÍDO VISUAL
“Os que não são mais capazes de enxergar a realidade com os próprios olhos são igualmente incapazes de escutar corretamente” (PIEPER, 2021, p. 40).
Josef PieperNo parque onde eu costumo caminhar tem um mural muito interessante. Aparentemente, no mural, podemos ver várias folhas, mas é apenas quando você para e decide prestar atenção naquela arte que você percebe que na verdade são pássaros.
A vida é cheia de detalhes, são muitas características que se escondem na paisagem, mas que para vermos, precisamos aprender a parar e desenvolver a capacidade de ver além do senso comum.
Vivemos uma era de excessos, são muitas artes, propagandas e quantidades em um grande mar de ruído visual que nos impede de ver e perceber as coisas que valem a pena serem observadas.
Sem contar que, muitos vivem abaixados, caminhando ou mesmo dirigindo de olho no celular, perdendo a paisagem e os detalhes da caminhada, estando assim apenas de corpo presente em um lugar, mas bem longe, naufragado no mar de excessos que é a internet. Josef Pieper complementa:
“Há uma espécie de “ruído visual” que, assim como seu equivalente acústico, torna a percepção nítida impossível” (2021, p. 39).
O excesso não nos estimula e sim, nos desliga, mata a nossa sensibilidade e a capacidade de apreciar, de realmente ver algo e perceber algo. Assim como o excesso de celular nos aprisiona em outro mundo, um lugar falso, construído com o intuito de manter as pessoas enraizadas no raso da vida. A TV e os vários meios de comunicação, também tapam a nossa visão dirimindo a nossa habilidade de apreciar.
Não é possível ver e muito menos ouvir de forma verdadeira, se não calarmos os estímulos e silenciarmos os ruídos. A quantidade não nos permite apreciar de verdade.
Descubra como é poderoso desligar os estímulos como a TV e o celular, por algum tempo, para cultivar um momento de silêncio, contemplação ou mesmo para uma oração silenciosa.
Não há outra forma de vermos é só parando, gastando tempo, aquietando a mente buscando lugares onde não há muita poluição sonora e visual. Visitar um museu por exemplo, andando como toda a calma possível é uma excelente opção. Ou quem sabe, tirar um final de semana no campo, longe dos excessos e de preferência, desconectado, com o propósito de fazer uma higiene mental. Quando mais você se dedicar em cultivar o silêncio e a contemplação, mais você vai aprender a ver e a ouvir.
Em meio ao barulho, entre todos os inúmeros outdoors, podemos perder a beleza, não ver os detalhes da vida escondidos em meio a todos os excessos!
BIBLIOGRAFIA
PIEPER, Josef. Só quem ama canta: Arte e contemplação. 1. ed. São Paulo: Quadrante, 2021.
-
JORNADA CRISTÃ 21: TEOLOGIA CENTRADA
Há muito tempo atrás mergulhei no estudo e pesquisa sobre calvinismo e arminianismo. Eu queria entender mais e buscar ter uma opinião um pouco mais centrada sobre estas teologias. Durante as minhas buscas, conheci muitos ótimos autores, tanto calvinistas quanto arminianos, sendo que D. A. Carson, foi um dos teólogos que eu conheci durante este tempo.
Carson é um escritor profícuo, ele possui uma variedade de obras, sendo que entre elas você encontra desde livros um pouco mais densos, como a obra “Soberania divina e responsabilidade humana”, até livros com um texto mais tranquilo de se ler, como “O sermão do monte”, que é a obra que eu vou comentar neste texto.
Eu gosto do autor justamente porque ele tem uma teologia centrada, é perceptível o fato de que ele busca fugir dos extremos e se agarrar no texto bíblico. Um hábito que nem todos os teólogos conseguem ter.
Acredito eu que a busca por equilíbrio é sempre desafiadora, normalmente o ser humano cai em muitos extremos ou mergulha em uma teologia de cabeça, sem refletir, pensar e ponderar. Afinal, é possível seguir uma teologia, e ter algumas críticas quanto a alguns de seus pontos, principalmente porque a nossa prioridade é (ou deveria ser), seguir a Bíblia, e não interpretações de teólogos, sem qualquer senso crítico.
No livro “O sermão do monte”, D. A. Carson propõe falar sobre uma das principais coleções de ensinos de Jesus que está em Mateus, uma passagem que muitos escrevem e meditam, um texto realmente fundamental. E o autor consegue trabalhar com maestria tal texto, propondo uma reflexão teológica, mas também com um viés prático. O autor realmente é ótimo no que faz.
Gosto por demais de teologia, estudo e escrevo sobre o assunto há muito tempo, mas acredito que uma boa teologia deve ser sempre centrada, fugindo de extremos e principalmente, tomando cuidado com conclusões quanto as passagens complicadas. Outro ponto importante é que a teologia deve ser prática, estudar por estudar, ler por ler, não é a saída, pois o ensino tem que nos levar a ação e a prática dos ensinos bíblicos e o autor é um teólogo que consegue reunir estes elementos em uma mesma obra.
Carson é mais um dos pensadores que me influenciaram, não porque eu concordo com tudo o que ele escreve, e sim, por causa da seriedade com que ele trata a Bíblia e pela sua grande capacidade em ser centrado, coeso e prático, quando isso é possível.
