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  • O SÁBIO INDOUTO

    “Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema ao Senhor e evite o mal” (Provérbios 3:7).

    Sabedoria e inteligência é algo que todo mundo acredita ter. Dificilmente uma pessoa assume que não tem ao menos uma destas qualidades. Normalmente acreditamos que somos inteligentes ou sábios (ou mesmo os dois). Contudo é sempre complicado medir o quanto alguém tem ou não estas características.

    Eu creio que o primeiro passo para avaliarmos a sabedoria de alguém e também a nossa, é o orgulho. Dificilmente alguém orgulhoso é também uma pessoa sábia, visto que a sabedoria pressupõe uma capacidade de ver, refletir e aprender, que só alguém humilde consegue ter. O orgulho e a arrogância, nos fecha em um casulo de ignorância e falsa visão.

    Considero muito interessante perceber como a Bíblia constantemente fala da humildade, o próprio Cristo foi humilde e nos mandou termos humildade (Mateus 11:29, Filipenses 2:5-7). O orgulho é nocivo e tapa toda a nossa visão e também nos afasta de Deus e da dependência que devemos ter dele. D. A. Carson et al, acrescenta um ponto interessante para entendermos esta passagem de provérbios:

    “Sábio aos teus próprios olhos não denota meramente orgulho da sua própria sabedoria, mas autossuficiência nela e por isso a falta da percepção da necessidade de levar as coisas a Deus (sem dúvida, uma tentação persistente para pessoas empenhadas em buscar a sabedoria)” (2012, p. 891).

    Não é incomum enquanto buscamos conhecimento e sabedoria, cairmos sem perceber na armadilha do orgulho e da autossuficiência, é fácil nos enganarmos e deixarmos de olhar para Deus.

    Ainda mais se durante o processo você consegue alguns diplomas, status ou qualquer uma destas coisas que dão um sentimento de superioridade. Veja bem, um diploma, cursar uma faculdade ou coisas deste tipo, são missões importantes para o nosso crescimento, o perigo é colocar estas coisas no lugar de Deus.

    Definir alguém sábio ou não é sempre um desafio, sendo que hoje eu me preocupo muito menos com isso. Eu creio que todos nós temos as áreas nos quais somos ignorantes e outras, que somos especializados. Sendo que durante o processo procuro ter humildade para reconhecer e entender até onde vai o meu conhecimento, para perceber onde começa a minha ignorância.

    O “sábio” arrogante tem um problema, a alta conta que ele tem de si, não o deixa ver, perceber e entender as situações e pessoas. Sendo que aquele que se afasta de Deus, atraído para obscuro sentimento de superioridade, no final é um “sábio” indouto, alguém que não percebe a dimensão da sua ignorância.

    Reconhecer Deus como superior e se colocar como dependente Dele é o princípio da sabedoria, é o verdadeiro caminho daqueles que não querem serem capturados pelas armadilhas da arrogância e que através da humildade, vão seguir aprendendo, crescendo e cultivando uma vida de equilibrada.

    Eu não sei definir um sábio, mas um ignorante é aquele que coloca a si sempre em alta conta, como alguém superior. A sabedoria começa com a humildade!

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.

  • O PERIGO DE NÃO OUVIRMOS CRÍTICAS

    “A crítica é perigosa porque fere o precioso orgulho do indivíduo, atinge seu senso de importância e desperta ressentimento” (CARNEGIE, 2019, p. 24).

    Um costume que eu tenho como professor é revisar a aula que eu vou ministrar naquele dia, que normalmente é preparada um dia antes. Avalio o conteúdo, a bibliografia e o resumo da aula, que eu costumeiramente gosto de escrever. Aprecio pensar sobre o que eu vou ensinar, considero a missão de ser professor como algo sério e relevante, por isso eu me coloco como alguém que propõe conteúdos embasados, mas que também está sempre aberto ao diálogo.

    A sala de aula é surreal, é um momento onde ideias, pontos de vistas divergentes e conteúdos são colocados e discutidos. Um bom professor entende a importância do diálogo, cultiva uma sala de aula assim e também consegue aprender com todos, visto que ninguém é dono do conhecimento. Dale Carnegie, usando uma frase de Ralph Wando Emerson, diz algo que eu concordo e procuro sempre vivenciar:

    “Todo homem que encontro é superior a mim de algum modo. E, nesse particular, aprendo com ele” (2019, p. 44).

    É fundamental internalizar uma verdade “todos nós somos incompetentes em alguma área”, e “especialistas em outras”. Cada um tem suas lições e opiniões equivocadas, aprende apenas quem sabe ouvir, filtrar e dialogar. Sendo que a sala de aula construtiva é aquela onde o professor é humilde suficiente para ouvir, ensinar e também aprender, pois nós aprendemos basta querer.

    Ouvir e fazer críticas a uma opinião é um desafio, pois nem todos, ou uma grande maioria, não consegue ouvir críticas e as considera ofensivas, mesmo que a opinião tenha sido feita de modo humilde. O ser humano se ofende, o seu orgulho é afetado, quando a sua opinião é colocada em jogo e corrigida.

    Fazer críticas ou mesmo ensinar, dependendo da pessoa, é um desafio, justamente porque muitos se ofendem e não gostam de perceber que estão errados. Mas para um acadêmico, ouvir, perceber seus equívocos e fundamental.

    O ponto de partida de um acadêmico relevante deve ser sempre a humildade, ele deve descobrir uma forma de lidar com o seu ego e aprender a ouvir. Um bom pondo de partida é não levar opiniões divergentes para o lado pessoal, é entender ideias como ideia e ter em mente que podemos estar errados.

    Não ouvir, para quem buscar a vida acadêmica é uma atitude perigosa, é seguir estagnado e não perceber a importância de saber lidar com opiniões divergentes. Pois, existe sempre um outro ponto de vista, outras explicações e conceitos, conhecer, pesquisar e estudar os diversos assuntos, é o caminho da pessoa relevante.

    E se você não é humilde e acredita que o seu ponto de vista é inerrante, você nunca vai crescer e aprender com a sua rotina de estudos. Lembre-se, muitas vezes nós temos certeza absoluta de algo, por não conhecer e entender a profundidade de um assunto.

    Um bom acadêmico percebe a complexidade do saber e cultiva a humildade!

    BIBLIOGRAFIA

    CARNEGIE, Dale. Como fazer amigos e influenciar pessoas. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2019.

  • DELIMITE A SUA PRIORIDADE

    “A palavra prioridade deveria significar a primeiríssima coisa, a mais importante” (MCKEOWN, 2015, p. 24).

    A nossa vida é feita basicamente de escolhas, opções que fazemos por algumas coisas em detrimento de outras. Eu por exemplo, escolhi estudar e ler todas as manhãs, que são livres na maioria dos dias. Mas eu poderia escolher outras atividades, como ficar dormindo ou assistindo algo. A questão é que eu tenho a minha prioridade, que é o ponto importante para quem quer chegar em algum lugar.

    Vivemos dias de muitas opções, principalmente quando falamos de entretenimento. Por isso que manter-se focado em alguns momentos torna-se um desafio. Mas saber aonde você quer chegar, ajuda muito na missão de estabelecer sua prioridade e pontuar algumas metas.

    É fundamental você deixar claro a sua prioridade, caso contrário, você será aquele que começa tudo e não termina nada. Seguirá sempre tentando, mas nunca concluindo. Greg Mckeown complementa este ponto afirmando que:

    “Mas quando muitas tarefas são prioritárias, parece que, na verdade, nenhuma é” (2015, p. 24).

    É claro que as vezes temos muitos planos, e também que você pode ter outras prioridades em mente, mas a questão é que você consegue apenas executar bem uma de cada vez. Se você não deixar bem claro a sua prioridade, corre o risco de você se perder ou no limbo da estagnação, ou no mais profundo e desenfreado ativismo.

    Tempo não é algo que temos de sobra, ao contrário, ele é sempre escasso, sendo que o foco ajuda a delimitar para onde queremos olhar. Por sermos limitados, precisamos deixar bem claro estas questões.

    Sempre fui uma pessoa cheia de ideias, a criatividade sempre foi o meu forte, mas como demorei para entender o quão fundamental é estabelecer uma ordem de prioridades e executá-las uma de cada vez, com cuidado e precisão, eu em alguns momentos caí na estagnação, com a cabeça fervilhando de ideias, mas sem ação alguma. E em outros momentos, em um ativismo louco, fazendo tudo ao mesmo tempo, mas sem cuidado e dedicação.

    Liste bem as suas prioridades e aprenda a executar uma de cada vez, prezando sempre pela qualidade e precisão. Não adianta fazermos inúmeras coisas, mas sem qualidade e relevância.

    O que conta não é o excesso e sim o esmero e o profissionalismo no qual fazemos algo!

    BIBLIOGRAFIA

    MCKEOWN, Greg, Essencialismo: A disciplinada busca por menos, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2015.

  • VIVER É SE EQUILIBRAR

    O tempo vai passando como a areia que escorre em uma ampola, ele cai sem dó, pela estrada da vida. Com isso, não vemos e muito menos percebemos como as nossas escolhas ou mesmo a falta delas, geram impactos.

    E não adianta afirmar que para não errar, você preferiu não escolher, pois não escolher é uma escolha. Deixar o tempo passar é a opção de quem não quer errar. Sendo que o problema de quem não erra é que ele também não aprende.

    Aprendi a degustar os momentos que Deus me deu, todos eles, com toda a calma e alegria. As vezes planejamos conquistar o mundo, e perdemos a paisagem durante a viagem, por estarmos concentrado em todo o planejamento de sucesso.

    É claro que planejar não é ruim, só precisamos entender que a vida não é feita só de planos. Precisamos aprender a sentir o momento para seguir fazendo as melhores escolhas.

    O mais difícil para o ser humano é se equilibrar e saber planejar, mas também curtir a viagem. É normal cairmos em qualquer destes extremos. Ou planejamos muito e optamos em nos preparar ou seguimos como dá, sem o mínimo de planejamento.

    Já ouvi e li muitos filósofos afirmarem que o caminho do meio é a forma mais medíocre para alguém viver. A vida sábia e verdadeira é vivida quando se cai em um extremo. Uma conclusão que em si é complicada.

    A arte de se equilibrar não é tão fácil assim, conseguir andar em uma corda banda sem cair é um dos maiores desafios que um artista de circo pode nos proporcionar. Normalmente uma pessoa desta gasta muitas horas para conseguir adquirir tal habilidade. Na vida não é muito diferente!

    Viver seguindo um extremo não é tão complicado, basta se entregar aos impulsos e exageros. Quem se dedica ao esporte, a música e ao estudo sabe muito bem disso. Pois é muito mais fácil gastarmos nossos dias fazendo coisas que não demandam esforço do que nos concentrarmos em praticar o instrumento musical, estudar um livro complexo ou se exercitar diariamente. Os extremos são fáceis, já o caminho do meio é desafiador, requer disciplina e foco.

    A arte do equilíbrio consiste em não exagerar na dose, é entender que a vida não é só estudos e muito menos só planos, contudo é também entender que precisamos gastar algum tempo diariamente estudando e planejando. Quando você não tem um caminho traçado, você não tem um destino. É quando determinamos nossas metas, que conseguimos chegar em algum lugar.

    Aprenda a relaxar todos os dias, dedique um tempo para rir, se divertir e cultivar um pouco de silêncio e meditação. Mas também faça os seus planos e tenha foco para se dedicar em algo, para que com equilíbrio e persistência você possa conseguir sair do lugar. Pois viver é se equilibrar!

  • JORNADA CRISTÃ 22: PENSADOR VERSÁTIL

    De todos os autores que me influenciaram, creio que Alister Mcgrath é um dos mais versáteis. Em sua lista de livros é possível encontrar desde “Teologia Sistemática”, livros como “Surpreendido Pelo Sentido” que discorre sobre ciência e fé, até um livro sobre C. S Lewis. São muitas obras e temas, todos abordados com muito fundamento e conhecimento de caso.

    Está versatilidade se dá por conta do autor ser um intelectual com uma formação vasta, que vai das ciências exatas, como a matemática, física e química, até a ciência e a teologia. Alister Mcgrath é um autor que realmente vale a pena ler, é importante ter seus livros em sua biblioteca.

    O livro que eu quero destacar do autor é justamente o “A Vida de C. S. Lewis”, que é outro autor que eu admiro e acompanho, sendo que ele também possui uma certa versatilidade, visto que Lewis escreveu desde obras de fantasia e ficção, até de teologia.

    No livro, Mcgrath discorre sobre a vida de C. S. Lewis de uma forma bem minuciosa. No livro, ele fala desde a infância, o seu período de escolarização, a guerra e tantos eventos que fizeram parte da vida deste fundamental autor e moldou a sua forma de pensar. É realmente impressionante perceber como Alister Macgrath foi detalhista, discorrendo sobre pontos fundamentais da carreira e vida de C. S. Lewis.

    Outra obra importante de Mcgrath é o livro “Surpreendido Pelo Sentido”, um livro que discorre tanto sobre ciência, quanto sobre fé, mostrando como não é incompatível a ciência e a fé. Muitas vezes alguns autores forçam a verdade ao afirmar que a fé é oposta a ciência, contudo Alister Mcgrath prova que esta inferência é incorreta.

    “Apologética Cristã no Século XXI” é o último livro que eu quero destacar deste autor, entre tantos em sua bibliografia. Esta foi uma das primeiras obras mais densas sobre o assunto que eu li e figura entre os livros que eu mais gosto dele.

    No livro ele trabalha desde as bases teológicas para uma boa apologética, até temas fundamentais da fé, vida, Deus ou sofrimento, entre tantos temas relevantes. O livro não é tão fácil de ler, mas vale o esforço.

    Enfim, este autor é completo, com um conjunto de obras que valem a pena serem consultadas, lidas e estudadas. O autor é profícuo e também profundo, discorrendo sobre vários temas, mas tendo a fé e a teologia como centro das suas obras.

    Vale a pena ler os seus livros, o autor é uma ótima referência para quem quer buscar conhecimento, mas de uma forma profunda e equilibrada.

  • CRITÉRIOS SELETIVOS

    Eu fiquei abismado quando fui a primeira vez em uma feira de livros em São Paulo. Para quem gosta de ler, estar em meio a muitos livros é surreal, um sonho realizado. Eu fui a trabalho, mas aproveitei as horas de folga, para conhecer novos autores.

    Logo no meu primeiro intervalo na feira, fui em busca dos livros com temas que me agradavam e encontrei ótimos títulos. Em uma feira de livros, encontramos todos os tipos de temas, é realmente surpreendente constatar a variedade de títulos que temos a disposição, mas como eu tenho critérios, eu já sabia bem o que queria.

    É importante entender que ter critério é um ponto fundamental para aqueles que buscam construir conhecimento. Ler de tudo, não é o caminho para o aprendizado, é melhor seguir um tema e se aprofundar em uma área do que saber de tudo um pouco. Mario Sérgio Cortella fala de Critérios Seletivos, pontuando que:

    “Sem critérios seletivos, muitos ficam sufocados por uma ânsia precária de ler tudo, acessar tudo, ouvir tudo, assistir tudo. É por isso que a maior parte dessas pessoas, em vez de navegar na internet, naufraga…” (2006, p. 26).

    É claro que as vezes mergulhar em algo diferente nos desafia como leitores, contudo esta prática não deve ser constante, é apenas um momento de desafio que você propõe para a sua vida. Ter algum critério é bom para não sermos superficiais, conhecendo de tudo um pouco, mas sem profundidade.

    Para quem quer seguir a vida acadêmica é importante ter critérios e conhecer a fundo alguns assuntos. Lembre-se que você é um ser humano, e por conta disso é limitado, por isso, escolher uma ou algumas poucas áreas, ajudará você a ter foco e conhecer o assunto de forma profunda.

    A minha dica para você ter critérios em seus estudos é bem simples, escolha alguns temas e procure os autores principais daquele assunto e depois estude. Busque entender o assunto através das autoridades da área e aproveite para construir uma biblioteca sobre aquele tema. E como eu costumo sugerir aos amigos, intercale de tempos em tempos a sua leitura habitual, com livros leves ou com autores de algumas outras áreas, apenas para refrescar a cabeça e ter um desafio. Uma atitude que não deve tirar o foco da sua área de estudos, e sim servir apenas como pausa ou como respiro para arejar a cabeça.

    A internet tem o poder de proporcionar as pessoas todo o tipo de conhecimento, e isso é a nossa maior vantagem. Contudo sem critérios seletivos nos perderemos no mar de informações. Sem foco não conheceremos de forma verdadeira um assunto e vamos naufragar engolidos por inúmeras informações.

    O conhecimento é inesgotável, por isso que o critério é o ponto fundamental para construirmos o saber e sermos relevantes. Quem sabe de tudo, quem lê de tudo sem critérios, não tem profundidade em seu conhecimento e termina por ter uma reflexão bem rasa.

    Aprenda a estudar e conhecer, delimite seus estudos e se aprofunde, mergulhando cada vez mais no conhecimento.

    É muito prazeroso ouvir alguém que fala com autoridade um determinado assunto. Mas para isso, você precisa de critérios e metas, para que você não acabe nadando apenas no raso.

    BIBLIOGRAFIA

    CORTELLA, M. S. Não nascemos prontos: provocações filosóficas. 1. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2006.

  • CAOS AMBIENTAL: A CULPA É DE QUEM?

    O meio ambiente tem sido cada vez mais devastado, se não nos posicionarmos, é possível vermos o ser humano acabar com toda a bela criação que Deus fez em pouco tempo. A parte complicada deste problema, é aquele nosso conhecido jogo político constituído em culpar um lado ao invés de brigarmos por leis mais justas e órgãos fiscalizadores mais eficientes.

    Eu tenho receio daquelas pessoas que possuem a capacidade de simplificar certos problemas e por conta da falta de informação e senso crítico, compram uma ideia sem refletir. É comum ouvirmos que o capitalismo e o consumismo são os grandes vilões do meio ambiente, um fato que até tem as suas verdades, mas que não contempla o todo do problema.

    Quando falamos de caos ambiental, não é possível afirmar que o capitalismo é o único culpado, dando a entender que o comunismo ou as políticas de esquerda, nunca tiveram o seu grau de culpa. Basta lembrar do desastre de Chernobyl ou da poluição dos rios da Polônia no período comunista, tudo porque o governo que era dono das fábricas era também o mesmo que fiscalizava e por isso as leis não eram cumpridas, isso só para citar estes dois exemplos, pois existem mais (SCRUTON, 2016, p. 84).

    O meu intuito com o texto não é colocar a culpa em um lado, mas mostrar como este problema é intrinsecamente complicado e a falta de um órgão que fiscalize é um problema tanto do capitalismo, quanto foi do comunismo, pois no final, é um problema do ser humano. Roger Scruton complementa:

    “Mesmo em sociedades democráticas, nas quais a propriedade privada e o estado de direito determinam a separação entre o agente que ameaça fazer um mal e o agente que pune ou previne esse mal, a evidência é que as burocracias estatais terminam por se tornar um perigo ao meio ambiente tão logo assumam o papel de controle, em vez de se limitar a conter o que é feito” (2016, p.85).

    É comum percebermos alguns discursos de esquerda que nos dão a impressão de que eles são os mocinhos ou a política que olha para o povo, pontos de vistas que são totalmente enganosos. Um olhar honesto vai ver o caos dos dois lados, não só no capitalismo. É por isso que não podemos deixar que a militância cega, sem qualquer informação e capacidade de refletir sobre as suas próprias contradições, dite o tom da conversa. 

    Uma boa investigação vai lhe mostrar como os dois lados cometeram erros, que a corrupção e falhas no cumprimento da lei estão em ambos os tipos de governo. No regime socialista, que é dono do meio de produção e ao mesmo tempo inspeciona, não houve o cumprimento da lei, nem uma investigação para se encontrar um culpado, visto que o estado era o dono e é o órgão que gerenciava as leis ao mesmo tempo, não possuindo uma divisão de poderes (executivo, legislativo e judiciário) para melhor cumprimento das leis ou quando possuía, era colocado de lado em nome de outras prioridades. E no capitalismo a corrupção muitas vezes deu as caras e impediu que as leis fossem cumpridas, entre tantas falhas que este modelo de governo tem (SCRUTON, 2016, p. 83).

    Não creio que o capitalismo ou apenas o consumismo seja o problema, o caos é muito mais profundo do que isso, e para encontrarmos uma solução, precisamos sair do cenário polarizado e mergulhar no assunto de forma honesta e coerente.

    O meio ambiente está sendo dizimando, reservas florestais, animais e o ecossistema tem sentido a ação do egoísmo humano, e a discussão política, que tem o intuito de apenas encontrar um culpado não resolve o caos. Pois enquanto a briga acontece, o meio ambiente perece por conta da ganância humana e da ineficiência das leis e dos órgãos fiscalizadores.

    A ganância não é de direita e nem de esquerda, mas está enraizada no íntimo de cada ser humano. Lutar contra o desejo de ter, é muito mais que adotar uma visão política, e sim, é viver com ética, entendendo que o equilíbrio é o princípio de uma vida coerente.

    BIBLIOGRAFIA

    SCRUTON, Roger. Filosofia verde: Como pensar seriamente o planeta. 1. ed. São Paulo: É realizações, 2016.

  • A VIDA VÃ

    “Uma vida vã, portanto, é aquela que toma a si mesma como epicentro das coisas” (PONDÉ, 2015, p. 45).

    Eu estava aguardando atendimento em uma consulta quando alguém entrou exigindo ser atendido. Ela queria prioridade, não queria entrar na fila e exigia atendimento imediato em uma atitude totalmente pedante, grosseira (visto que ela gritava) e egoísta, visto que muitos esperavam pela mesma consulta. Viver uma vida relevante é para quem tem senso e entende que o mundo não gira em torno do seu umbigo, é uma pena que nem todos entendem isso.

    Não estou querendo afirmar que não temos nossos sonhos, características e particularidades e sim que não somos o centro do universo, assim como aqueles que acreditam estar acima de todos, parecem acreditar.

    A vida vã se resume em viver como se os nossos sonhos e empreendimentos ou mesmo como se a nossa forma de viver fosse tudo e onde todos deveriam nos servir e atender nossos chamados. É a famosa síndrome da fama, que ao menor sinal de reconhecimentos ou dinheiro, leva alguém a agir como se fosse um deus, alguém a quem todos devem servir.

    A vida relevante é vivida pela pessoa que entende bem quem é, por alguém que já constatou a sua miséria interna e percebeu que é apenas pó (Salmos 103:14). Tal ação não é um ponto de partida de uma pessoa autoindulgente e sim a atitude de alguém que percebeu a sua falibilidade.

    Além de ser egoísta, a vida vã por ser autocentrada e não perceber e muito menos olhar para o próximo, é também uma vida autodestrutiva, sem sentido e sem propósito. Viver para si é se consumir, se destruir na vã tentativa de ser feliz. A vida feliz é vivida em comunhão, olhando o próximo e buscando ser relevante onde estiver.

    O evangelho não só aponta para Deus, mas também mostra quem somos sem ele, nos dando esperança e nos mostrando o quão fundamental é olhar em volta e perceber o próximo.

    A vida egoísta é miserável pois ao olhar apenas para si, precisa tampar o enorme buraco da sua insignificância. Mas quem olha para cruz e aceita viver em comunhão, percebe que a verdadeira vida é seguir a Deus e servir o próximo.

    A vida vã é autocentrada, tem a si como epicentro, o ponto central da existência. A vida relevante é aquela que olha para todos e entende a importância da comunhão, da parceria e das pessoas.

    O desafio é administrar nossos sonhos, peculiaridades e individualidades, sem assim, nos considerarmos como superiores. Existe um fio fino que separa quem somos e quais são as nossas prioridades, características e crenças, de quem é o próximo e como respeito suas diferenças.

    A vida vã é acreditar estar acima, crendo que tudo gira ao seu redor. A vida relevante é vivida a partir do respeito, entendendo que servir, respeitar e ajudar é o melhor cartão de visitas.

    BIBLIOGRAFIA

    PONDÉ, L. F. Os dez mandamentos + um: Aforismos teológicos de um homem sem fé. 1. ed. São Paulo: Três Estrelas, 2015.

  • CULTIVANDO A PAZ

    Eu tratei por alguns anos de ansiedade, desde então, busquei ferramentas e formas de evitar o gatilho que inicia a crise e aprendi a lidar com este problema.

    A ansiedade hoje é o mal do século, sendo que, ela traz a tiracolo muitos problemas. E em tempos de pandemia, este problema se agrava ainda mais, visto que, as notícias e também as consequências do Covid 19, afetam todas as áreas da sociedade, não só a saúde.

    Nestes dias complicados tenho aprendido que é preciso cultivar a paz e a tranquilidade. Eles não nascem em nossa vida de forma natural. É preciso plantar a semente, regar com a prioridade, e arrancar as ervas daninhas do campo, colocando limites nas coisas que nos fazem mal. Você não encontra a calma e a vida centrada, é preciso cultivar uma vida assim para conseguir este objetivo.

    Precisamos aprender a bloquear o excesso de informação negativa e descobrir uma forma de gerenciar as informações que consumimos. É claro que precisamos estar informados, contudo, existe um limite e este limite é a nossa saúde.

    Outra lição importante é entender que nós não temos controle de nada e nunca vamos ter. A sensação de controle que o dinheiro e a posição social promovem, é falsa. E você comprova isso justamente em meio a crise ou doença. Estamos sujeitos a passar por problemas de saúde ou financeiros. Ninguém mora em um paraíso mágico, longe de qualquer mal. E isso é uma coisa que constantemente esquecemos. Os dias bons nos fazem esquecer dos dias complicados. A fartura as vezes nos aliena.

    Já faz algum tempo que descobri que a vida é cíclica, e por isso, procuro aproveitar os tempos bons, e me preparar para quando os tempos ruins surgirem. Sendo que em qualquer um destes momentos, é em Deus que eu deposito a minha segurança. Se Deus não cuidar, todos os nossos esforços serão feitos em vão (Salmos 127:1). Tudo começa a se acalmar quando confiamos em Deus, este é o princípio de tudo. Entender que é ele que nos guarda e nos dará alívio em meio ao caos, é fundamental.

    Cultive a sua paz, aprenda a colocar limites e a fugir de algumas notícias, principalmente daquelas que não agregam, deixando você apenas preocupado e nada mais. Aprenda nos tempos bons, a ter uma reserva financeira, mas tenha uma coisa em mente, é impossível estarmos preparados para todos os tipos de problemas.

    A pandemia pode tirar tudo, menos a nossa paz a e a confiança que nós temos em Deus!

  • A SOCIEDADE DA PRODUTIVIDADE

    “Quem se entendia no andar e não tolera estar entediado, ficará andando a esmo inquieto, irá se debater ou se afundará nesta ou naquela atividade” (HAN, 2020, p. 34, 35).

    Vivemos na sociedade da produtividade, você não pode perder seu tempo de maneira alguma, por isso, você precisa manter a cabeça ocupada e como diz o slogan: “Trabalhar enquanto os outros estão descansando”. Diante desta realidade, as pessoas seguem cansadas e muitas vezes frustradas por não conseguirem produzir tanto.

    Mas uma coisa que precisamos entender é que a vida não é uma competição, onde todos precisam provar o quanto produzem ou mesmo mostrar quem chega em seu primeiro milhão antes dos 30 anos. Viver é muito mais do que ter ou ser uma máquina de produzir.

    Eu digo isso, mas não sou contra termos rotinas de trabalho e estudo e muito menos sou contra as pessoas que se dedicam as suas carreiras para que assim, possam ter mais estabilidade financeira. A crítica é para quem vive apenas para isso. Eu mesmo tenho uma rotina de estudos, leitura e escrita. Mas também tenho o meu momento de ócio criativo, contemplação e descanso.

    Conheço gente que tem a sua vida exclusivamente dedicada ao trabalho e carreira e tudo o que a pessoa busca são apenas resultados. Viver não é isso, e por mais que ser produtivo seja importante, precisamos ter equilíbrio, lembrando que somos seres humanos, e precisamos de outras coisas que dinheiro e trabalho não dão. Quem não tem rotina ou não busca se aprimorar, cai na estagnação, contudo, quem vive só para isso, mergulha no ativismo e se esquece de viver, de aproveitar a vida.

    Moro ao lado de um parque, por isso, é imprescindível tirar um tempo para caminhar e observar a natureza e a vida. Isso me recompõe e me dá fôlego para seguir. Tenho uma rotina bem puxada, eu escrevo, leio e estudo bastante. Contudo, também tiro os meus dias de ócio e descanso. Eu sempre acreditei no equilíbrio, e considero igualmente perigoso não se dedicar, não ter metas e viver só para a produtividade.

    Um costume que eu sempre cultivei são os hobbies, sempre me dediquei a algo que não traz retorno financeiro, mas que me dá prazer e alegria. Fiz amigos e conheci muitos lugares por conta destes hobbies.

    As vezes é bom nos desligar, aproveitar o dia fazendo uma caminhada, sem olhar para o relógio, como se o tempo não existisse. A sociedade tem buscado cumprir suas metas, mas de meta em meta, tem se esquecido do presente, tem parado de viver e contemplar a vida.

    É importante termos metas, sermos produtivos e sabermos bem onde queremos chegar. Por isso que estudamos, cultivamos rotinas e nos aprimoramos, mas a vida não é só isso. E se negarmos isso, correremos o risco de cumprirmos as nossas metas e esquecermos de viver.

    A vida acadêmica pode ser muito produtiva e prazerosa, não tenha dúvidas disso, só não se esqueça de viver, aprenda a descansar e entender que equilíbrio é saber dosar a produtividade com o ócio criativo.

    BIBLIOGRAFIA

    HAN, Byung-chul. Sociedade do cansaço. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2020.