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A ODISSEIA DA DOR XX: QUANDO A IGREJA NÃO É UM PORTO SEGURO
A igreja de alguma forma ajudou a complicar o meu período de dor. Eu estava cheio de dúvidas, mas não encontrava apoio e eu nem culpo eles por isso. Algumas empreitadas são solitárias mesmo, nem sempre compreendemos o que uma pessoa está sentindo, mesmo que tenhamos empatia. A dor é sempre solitária, é um momento que apenas você e Deus entendem, os outros possuem apenas uma ideia, isso quando tem alguma.
É claro que eu deveria ter conversado, procurado alguém dentro da igreja, mas na época, eu temi não ser entendido. Tinha receio de que os meus amigos ou líderes, vissem as minhas dúvidas com outros olhos. Ainda mais que eu era um dos membros mais antigos da igreja.
Outra coisa que ajudou a piorar a situação foi a discussão entre calvinistas e arminianos nos cultos. E como os arminianos eram a minoria e entre eles estava eu, em alguns domingos, me incomodava, ao invés de conseguir o alento na palavra que eu tanto precisava. Eu entrava de igreja ruim e saía ainda pior em um tempo onde eu precisava muito de ajuda por conta da minha complicada odisseia.
É um grande problema quando a igreja ao invés de ser igreja, acolher e ajudar, ela complica ainda mais. O cristianismo não é dividido em calvinistas e arminianos, somos todos cristãos e as nossas diferenças não deveriam ser motivo para discórdia. E na época eu não sabia o que fazer e me senti muito perdido nesta situação, sem apoio e auxílio, mas há uma saída para estas situações.
O primeiro passo é buscar apoio, seja dentro da igreja, com amigos que te compreendem e te apoiam, ou mesmo fora dela, com irmãos na fé, que possam te ouvir e te ajudar.
Não dá para andar sozinho quando estamos passando por dificuldades ou mesmo por este tipo de crise. É claro que não dá para procurar qualquer amigo, alguns realmente não ajudam, mas com algum critério e com a ajuda de Deus, você encontrará ótimos apoios.
O segundo passo é buscar limites para esta discussão, é ser claro e pontuar porque você está indo na Igreja. As vezes alguns não percebem que acabam falando apenas aquele assunto, terminando por passar dos limites.
Ser claro quanto ao propósito de ir na Igreja e deixar bem delimitado que as discussões têm hora e lugar, sendo que aquela hora é exclusivamente para cultuar a Deus, é um bom começo. Viver em comunidade nem sempre é fácil, mas saber colocar limites é um ponto fundamental para assim não sermos atropelados pelo caos.
É interessante que quando você está passando por um tempo de crise, parece que qualquer problema ganha proporções gigantescas e tudo colabora para que você afunde ainda mais.
Mas o principal é se colocar aos pés de Deus, mesmo que você tenha aquele sentimento de que ele mal está te ouvindo. A nossa busca e o nosso momento de intimidade com Deus, não deve ser mediado por emoções e sim, pela prática da oração e da leitura bíblica.
Você mais dia ou menos dia, vai ter dúvidas, isso é normal e ser cristão não é ser alguém de posse apenas das certezas e sim, uma pessoa que confia em Deus, apensar do caos e das dúvidas.
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BABEL CONTEMPORÂNEA
A mente humana não consegue de forma alguma encontrar Deus. O seu pecado, faz com que um muro seja construído, impedindo o homem de ver e conseguir com esforço próprio, encontrá-lo. Se Deus não se revelasse, com certeza, morreríamos mergulhados na ignorância e por ela seríamos consumidos.
Gênesis (11:1-8) atesta isso, quando narra a história de Babel, uma torre templo que os homens estavam construindo com o intuito de chegar até o céu. Babel significa porta de deus, sendo o templo um sinal de um pensamento prepotente e superior. Mas Deus tratou de confundir a língua, mostrando que no final, o ser humano é confuso e insensato e estava longe de conseguir por si só estar perto de Deus (CARSON et al, 2012, p. 114-115).
Hoje em dia vivemos em uma grande Babel, muitos querem construir suas torres para assim chegar ao céu e descontruir a ideia de Deus e do evangelho. Uma prepotência que descreve o tamanho do pecado e da falibilidade humana.
Creio que o texto não narra apenas o princípio das variadas línguas que temos hoje, mas também mostra como o ser humano tem dificuldade em se entender, mesmo que falando a mesma língua. A comunicação nos dias de hoje beira a loucura, ouvir e compreender, é quase que uma missão impossível, já que o homem ouve pouco e compreende o que bem quer. E por mais que temos a responsabilidade de nos fazermos entendidos, no final, quem ouve interpreta, sendo que às vezes (ou quase sempre), assim o faz de forma errônea.
Eu creio que esta polarização política ou todas as discussões e cancelamentos só evidencia o quanto estamos perdidos. Queremos impor nossos pensamentos, construir nossas torres e deixar claro quem é que está certo. Mas no fundo, ninguém está se entendendo e a maioria das pessoas, se perdem ante todos os discursos.
Todos nós temos as nossas cosmovisões e crenças e muitas vezes não percebemos como elas nos impedem de raciocinar, de pensar na reflexão oposta ou na opinião contrária. Com isso, muitos saem combatendo os inimigos, sem perceber que na verdade estão sendo manipulados para uma causa maior ou mesmo pela ignorância.
Creio que a torre de Babel evidencia a incapacidade humana de se defender do seu autoengano disfarçado de militância ou posicionamento político. É quando ele assume um papel de protagonista, mas sem perceber que está sendo manipulado por suas próprias reflexões e pontos de vistas falhos.
O ser humano não só tem dificuldade de se entender, de dialogar e perceber as ideias alheias, mas também se deixa levar por aquela opinião interna errada e confusa, movido sempre pelo seu ego e pela sensação de que está certo.
Temos uma grande dificuldade de dialogar e de respeitar a opinião oposta, além de sermos traídos pelo nosso ego, que impede o autoconhecimento e o respeito ao próximo.
Vivemos em uma grande Babel, buscando ser aceitos e militando por causas que não percebemos serem perdidas. No final, falamos a mesma língua, mas somos traídos pela nossa falta de reflexão.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Ed. Soc. Bíblica do Brasil, 2005.
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.
CARSON. DA.; FRANCE , RT.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J.; Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.
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DISCIPLINA E EUFORIA
“O verdadeiro intelectual é por definição um perseverante” (SERTILLANGES, 2019, p. 189).
Os meus primeiros passos na vida acadêmica foram com a teologia. Eu já lia muitos livros teológicos quando eu decidi cursar bacharelado em teologia, para aprender ainda mais, já que uma graduação é o caminho lógico de quem quer aprender e ter contato com professores e pesquisadores sobre o assunto.
Não é tão simples seguir na vida acadêmica, envolve muita leitura e estudo, e nem sempre há um retorno financeiro, principalmente para quem mora no Brasil. Admiro quem escolhe este caminho, mas sei que muitos cristãos cursam teologia para aprender e não para trabalhar como professor.
Todo intelectual é um perseverante, como pontua Sertillanges, principalmente por conta dos vários empecilhos da carreira intelectual. Estudar, pesquisar e escrever um livro ou artigo acadêmico, envolve muita disciplina e tempo gasto, mas pouco retorno financeiro.
Por mais que você goste de ler e estudar, tem dias que não estamos dispostos, e é neste ponto que entra a perseverança e a disciplina. É neste detalhe que o sucesso ou fracasso da empreitada mora. Quem não tem disciplina e não consegue perseverar, termina por não fazer nada. Se dependermos da nossa vontade, certamente em alguns momentos (ou na maioria), vamos falhar.
Uma boa parte das pessoas começam algo movido pela euforia, pela alegria momentânea de fazer. O problema é que a euforia acaba, ela dura pouco, por isso que a disciplina e o foco são fundamentais. É por isso que muita gente começa uma empreitada e desiste depois.
Nem tudo é euforia, em todas as atividades que gostamos, precisamos lidar com coisas que não são tão eufóricas. Desde um processo de criação ou mesmo o estudo e a escrita, sempre tem os momentos de dura labuta, os pontos que são trabalhosos. É igual tocar um instrumento, é muito bom ver alguém executar uma música com habilidade, mas ninguém vê o músico estudando e praticando para conseguir tocar com tal habilidade.
Projetos de sucesso são construídos com disciplina e planejamento. É a disciplina de fazer, independente da sua vontade naquela hora ou mesmo a inspiração. Estudar e se aperfeiçoar, ou seguir um objetivo, não deve depender do seu ânimo matinal.
Quem vive pela emoção, termina precisando alimentar todos os dias este sentimento. Quem executa algo focando no hábito e disciplina, e também na perseverança, é aquele que consegue concluir seus planos, sem permitir que a euforia dite o ritmo da sua vida.
BIBLIOGRAFIA
SERTILLANGES, A. D, A vida intelectual, Editora Kírion, Campinas, 2019.
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BAIXANDO A GUARDA
“Ceder é dispersar o centro escorado do indivíduo, baixar a sua guarda, a armadura do seu caráter, admitir a falta de autossuficiência” (BECKER, 2020, p. 138).
Existem modelos que o senso comum constrói que são totalmente equivocados. Características que são simplistas e não possuem qualquer reflexão. A figura do ser humano autossuficiente é um destes modelos falhos, que tenta mostrar a imagem de alguém forte e resoluto, mas que quando investigado, percebemos que nada mais são do que construções sem fundamentos, fadadas a ruírem.
Um dos piores problemas em se considerar autossuficiente, intocável e poderoso é que este sentimento é destrutivo e nos impede de aprender com os nossos erros. Admitir nossa falha e finitude não é ser fraco, mas ser honesto, entendendo a grande verdade da vida que nos ensina que estamos sujeitos a falhar. Quem não admite, não é forte ou inteligente e sim, é apenas orgulhoso.
Aprender a ceder ou mesmo confessar a nossa falta de autossuficiência é o primeiro passo do amadurecimento. É libertador confessar nossas inaptidões, afinal, é do ser humano errar, não perceber falhas e contradições e principalmente, ter áreas no qual não dominamos e é infantil acreditar sermos autossuficientes ou capazes em todos os âmbitos da vida e do saber.
Quando baixamos a guarda e confessamos nossos equívocos, aprendemos e ganhamos a oportunidade de recomeçar algo, mas de uma forma um pouco mais sábia. Errar ou falhar em algum empreendimento não é nada bonito, mas negar nossas falhas também não é.
Eu aprendi muito ao baixar a guarda, e percebi que eu não precisava provar nada para ninguém, muito menos me justificar ou mostrar que sozinho sou o melhor. Quem crê ser um ser superior, que não precisa de ninguém, na verdade apenas demonstra não ver as suas fragilidades. Todos nós temos as nossas vulnerabilidades, e só seguimos em paz, quando não escondemos e confessamos de forma sincera e honesta tais pontos.
Aprendi muito com os meus erros e equívocos quando descobri como é libertador baixar a guarda. Pude perceber meus pontos fracos e trabalhar neles. Quando somos mais novos, queremos provar que somos grandes, autossuficientes, que não precisamos de ninguém. Mas tal atitude nos leva rumo a estagnação e ao erro constante.
Admita sua falibilidade e coloque de lado o seu orgulho e prepotência que ao fazer isso, você vai descobrir que a humildade de reconhecer nossas falhas nos leva muito mais longe do que o orgulho de acreditar sermos autossuficientes.
BIBLIOGRAFIA
BECKER, Ernest. A negação da morte: Uma abordagem psicológica sobre a finitude humana. 13. ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 2020.
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A ODISSEIA DA DOR XIX: LIBERDADE INTERIOR
Há muito tempo atrás, em uma empresa que eu trabalhava, alguém conseguiu abrir o armário onde eu deixava as minhas coisas e roubar o meu pagamento. No local não havia câmeras e o armário não tinha sinais de arrombamento, com isso ao levar o acontecido aos meus chefes, ninguém acreditou que o dinheiro havia sido roubado e eu terminei sendo mal visto por todos.
Você já sofreu injustamente? Já passou por alguma situação onde sem motivo o acusaram de cometer algo que você não havia cometido? Frequentemente alguns missionários cristãos têm sofrido por pregar ou mesmo acreditar em um Deus diferente da religião e crença daqueles países. E eu creio que justamente estas pessoas entendem bem o termo injustiça.
Nós cristãos podemos cometer muitos erros ao fecharmos os olhos para a fome em muitos países, para a perseguição política ou religiosa e principalmente, para o que aconteceu nos campos de concentração durante a segunda guerra. Por isso que é fundamental tentar sair da nossa cômoda posição e tentar observar a realidade que pessoas de outras culturas enfrentam. Esta atitude nos trará uma opinião mais coerente e embasada e também humildade na hora de falar de um tema tão complicado como a dor e o sofrimento.
O livro “Em busca de sentido” de Viktor Frankl é uma obra ótima para mergulharmos um pouco na injustiça que o ser humano é capaz de fabricar. Na obra, o autor fala um pouco de suas experiências em alguns campos de concentração durante a segunda guerra mundial.
O que salta os olhos, logo nas primeiras páginas da obra é justamente em meio ao caos e injustiça, existir prisioneiros com privilégios que tratavam com desprezo e extrema violência o restante dos presos comuns (FRANKL, 2020, p. 15).
Estes prisioneiros privilegiados eram chamados de Capos. Normalmente estes homens eram escolhidos para ajudar os guardas a fiscalizar e também torturar prisioneiros, quando era preciso. Sendo que muitos deles se mostravam mais cruéis que os próprios guardas do campo de concentração, quando realizavam a tortura (FRANKL, 2020, p. 16).
É inevitável olharmos para a Bíblia nestas horas e ver que ela está certa ao falar do pecado e do egoísmo humano. E não é difícil encontrar em nossos dias de paz, aqueles que se aproveitam de situações calamitosas a fim de tirar vantagem de alguém que está passando por dificuldades.
A apatia ante a dor é outra situação que impressiona quem lê o livro. É realmente surreal ver como o ser humano se acostuma a ver caos, dor e morte (FRANKL, 2020, p. 35, 36). Contudo, o mais legal do livro é ver que mesmo em meio a dor e injustiça, existiram muitos que não se conformaram e fizeram diferença, mostrando que o meio não havia moldado a sua mente. Viktor Frankl complementa:
“E mesmo que tenham sido poucos, não deixou de constituir prova de que no campo de concentração se pode privar a pessoa de tudo, menos da liberdade última de assumir uma atitude alternativa frente às condições dadas” (FRANKL, 2020, p. 88).
Muitos mesmo que presos e passando pelas mesmas dificuldades que os outros, conservavam uma liberdade interior e acabavam ajudando, dividindo o pouco (ou quase nada) com o próximo e oferecendo a mão ao necessitado.
Somos chamados a influenciar, precisamos entender que o externo não pode definir nosso interior e colocar a nossa fé em Deus é o melhor caminho para sermos sal e luz na vida das pessoas.
Ou olhamos para a cruz e buscamos forças em Deus ou a todo o momento permitiremos que a calamidade transforme a nossa vida em uma caminhada sem propósito. Precisamos entender que a verdadeira liberdade interior vem apenas de Deus, não há outro modo de seguir relevante e fazer diferença na vida das pessoas, é só através da sua graça. É em Deus que temos a verdadeira liberdade!
BIBLIOGRAFIA
FRANKL, V. E. Em busca de sentido. 50. ed. São Leopoldo: Editora Sinodal; Petrópolis: Editora Vozes, 2020.
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A REVERÊNCIA COMO ALICERCE
Sempre que eu estou em meio a natureza ou mesmo caminhando no parque perto de casa, eu tenho o mesmo sentimento de espanto. A criação de Deus me tira o fôlego, me deixa reflexivo e sem palavras. É tudo muito complexo, detalhado e perfeito, nos mínimos detalhes. Não consigo deixar de concluir que a natureza e a criação são frutos de um Deus soberano e poderoso, sendo que ela revela justamente isso, que há um arquiteto por trás de tudo (Romanos 1:20).
Esta constatação me faz ter reverência, saber que eu sou um ser criado e entender que há um Deus soberano, que tudo pode e que é infinito, me deixa com os pés no chão, ciente da minha finitude, sendo que, isso me faz ver melhor as coisas e impede que o meu orgulho me coloque no centro de tudo. Nilton Bonder no livro Fronteiras da inteligência, discorre muito bem sobre a importância da reverência para a nossa vida:
“A reverência é o único alicerce sobre o qual qualquer leitura da realidade pode se firmar. Sem ela, o saber fica sem sentido, e onde não há sentido o ser humano sempre preenche com a ideia de que o sentido é ser para si próprio” (2011, p. 131).
É fácil colocar a nossa vida no centro de tudo e deixar que a sensação de prepotência dite o ritmo das nossas conclusões, pontos de vistas e valores. É muito mais fácil ser arrebatado por este tipo de autoengano do que ter um pensamento mais equilibrado.
O ser humano sempre vai ter uma opinião equivocada de si, que em sua maioria ou é exagerada para menos, que são aqueles que acreditam que não possuem capacidade, que são menores do que os outros. Ou é exagerada para mais, que são aqueles que acreditam que são melhores, superiores e estão acima de todos.
O senso de reverência termina por ser um alicerce, uma ferramenta que nos protege do autoengano e das conclusões simplistas e orgulhosas. E é claro que cada um tem as suas habilidades e capacidades, a intenção não é nos diminuir, pois é Deus que nos dá dons e propósitos. O alvo é cuidar para que nós não nos coloquemos em um pedestal, pois ao perdermos o temor e a reverência, nos esquecemos justamente disso. Saber que há um Deus soberano que me mantém, que entende que sou falho e me leva a colocar a minha esperança somente nele.
Alicerçar a nossa vida com a reverência é entender bem quem somos, e não permitir que a vida gire em torno de nós. É ter a sabedoria e também a humildade de reconhecer que há algo mais, que Deus está acima de tudo, fazendo, criando e sustentando a nossa vida.
Por isso, quando caminhar pela natureza aprenda a ver além de si, perceba em toda a criação, que Deus programou tudo, que a sua criatividade e poder fez com que tudo tivesse sentido. Isso colocará você em seu devido lugar e abrirá uma porta para que a grandiosidade de Deus traga para sua vida a reverência e o temor, um respeito profundo que alicerçará a sua caminhada.
“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo a prudência” (Provérbios 9:10).
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton. Fronteiras da inteligência. 1. ed. Rio de janeiro: Rocco, 2011.
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ASSUMA SUAS RESPONSABILIDADES
“A responsabilidade pertence a quem escolhe” (PERCY, 2016, p. 44)
PlatãoÉ comum cometermos erros, decisões equivocadas ou mesmo atitudes impensadas que nos trazem consequências ruins. Muitas vezes não calculamos bem nossas ações e nos prejudicamos por isso. Mas eu creio que a pior atitude não é errar, e sim não reconhecer o erro e deixar de aprender com uma situação.
Na vida você pode seguir vivendo basicamente de duas formas, a primeira é transferindo a culpa de tudo o que acontece com você. É acreditar que tudo o que acontece de errado é culpa de terceiros, com isso, você segue sem crescer, sem aprender com os equívocos sendo que certamente, você irá repetir suas decisões equivocadas, tudo e porque, você não assumiu a responsabilidade por suas ações.
A segunda forma é assumindo as suas responsabilidades, resolvendo assim os seus problemas. Veja bem, muitas vezes as coisas ruins são culpa das nossas decisões erradas. Em outros momentos são sim culpa de terceiros, a questão é que em todas estas situações, a responsabilidade de arrumar o problema será simplesmente sua e de mais ninguém.
Assumir a nossa responsabilidade é ter uma atitude assertiva, é entender que por mais que uma doença tenha surgido, mesmo você cuidado de sua saúde, a responsabilidade é sua de arregaçar as mangas e agir para recuperar a saúde. O mesmo podemos falar de um período de desemprego, ou quaisquer situações inevitáveis da vida e também, daqueles casos que são culpa totalmente nossa. Quem vai precisar consertar a situação somos nós, por isso, sair procurando um culpado, é fugir da responsabilidade e adiar a resolução daquela situação.
Você não sabe o quão libertador é assumirmos nossas responsabilidades, sem perder tempo em transferir a culpa de nossos fracassos, ou mesmo, tentando encontrar o culpado. No final as escolhas são nossas, foi nossa decisão, foi por conta de um desejo que você tentou e fracassou, ou mesmo por conta das situações da vida.
Nunca vamos aprender se não começarmos a reconhecer nossas falhas. Muito menos crescemos se não assumirmos nossas responsabilidades, seja por situações que são culpa nossa ou não.
Quando aprendemos a assumir os problemas, pensamos em como estamos agindo e em como podemos agir melhor. Desta forma, além de arrumarmos o erro com mais rapidez, colheremos lições que levaremos para a nossa vida.
BIBLIOGRAFIA
PERCY, Allan, Platão para sonhadores, 80 pílulas de filosofia cotidiana para transformar suas melhores ideias em realidade, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2016.
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A ARTE DE ESTUDAR
Se tornou uma espécie de ritual em minha vida, acordar, preparar o café, e me dedicar a leitura e ao estudo. Sendo que, muitos não entendem porque eu levanto cedo até no sábado, para me dedicar a algo tão chato assim (segundo estes), ao invés de descansar.
Infelizmente muitos veem o estudo com olhos bem negativos, acreditando que estudar é algo maçante e entediante, o que eu discordo muito. Ler, estudar e buscar o conhecimento não é só algo muito legal, que nos traz prazer, mas também uma oportunidade única. Descobrir a alegria no processo de leitura e estudos é importante para que você consiga cultivar este hábito fundamental.
Comece entendendo que quantidade nunca foi a fórmula do bom estudo, é preferível estudar pouco, mas com qualidade, do que muito, sem qualquer foco ou disciplina. Por isso, aprenda a dedicar um pouco de tempo que seja a esta atividade, mas com constância, diariamente, este é o segredo. O conhecimento é adquirido a passos lentos, sem pressa alguma.
Construa um ambiente onde você possa ter concentração e para isso, desligue todos os objetos que possam tirar a sua atenção. Entenda que, quando você divide a sua concentração com outras coisas, o seu foco também fica dividido, e a eficiência do processo de estudos acaba sendo comprometida (BASTOS et al, 2014, p. 25).
Outro ponto importante para a eficácia dos seus estudos é propor pausas. Já é comprovado que não é possível mantermos a atenção por muito tempo, por isso, delimitar um período onde você sabe que conseguirá manter o foco, alternando com pausas, é fundamental, entendendo que cada um deve analisar qual deve ser o tempo de estudo, pois cada estudante tem o seu tempo (BASTOS et al, 2014, p. 25). Existem algumas técnicas, como o Método Pomodoro, que propõem você estudar 30 minutos e descansar 5 ou mesmo 10, sendo que você pode fazer as suas adaptações, de acordo com a sua capacidade e habilidade de concentração. Assim, você vai conseguir um rendimento muito maior e uma maior fixação do conteúdo, visto que, estará estudando e usando o seu foco e a sua concentração máxima.
Estudar e ler é uma questão de prioridade e de tempo, por isso, separar um tempo de estudo é fundamental para que você consiga se dedicar a esta atividade. Ninguém tem tempo sobrando, o tempo se constrói através das prioridades e das escolhas que fazemos.
Eu sempre digo em aula que o cérebro é como um músculo, precisa ser exercitado para não atrofiar. E como todo o exercício, nem sempre é simples começar, as vezes procrastinamos justamente porque é uma prática desafiadora. Mas quando conseguimos, o hábito faz a prática se tornar um modo de vida.
Quem lê e estuda, aprende a ver ainda mais e reflete de forma muito mais coerente, fugindo sempre do senso comum que persegue todos aqueles que não buscam o conhecimento.
BIBLIOGRAFIA
BASTOS, Cleverson.; KELLER, Vicente. Aprendendo a aprender: Introdução à metodologia científica. Petrópolis: Editora Vozes, 2014.
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A ODISSEIA DA DOR XVIII: DISTANTE DE DEUS
“Se você está se sentindo distante de Deus, adivinhe quem mudou” (YANCEY, 2006, p. 52).
Em uma altura da minha vida, há alguns anos atrás, tive a impressão que tudo não fazia mais sentido. Não tinha mais lógica ler a Bíblia, quando eu orava, parecia que estava falando com as paredes, e na igreja, não sentia mais Deus como antes. Era estranho, parecia que eu caminhava sozinho, distante de tudo e de todos, inclusive de Deus. Sendo que foi nestes dias que os primeiros questionamentos sobre Deus e a sua existência, surgiram. Será que Deus realmente existia? Esta era a pergunta que retumbava em minha mente e foi a partir deste ponto, e de algumas dificuldades, como eu falei em outros textos, que eu comecei a ter problemas com a minha fé, e a empreender a minha odisseia.
A história de Jó me impressiona justamente por conta disso. Era nítido o fato de que Deus tinha abandonado Jó. Inclusive os amigos que haviam vindo para consolá-lo, deram a entender também isso. Deus estava castigando Jó, Deus havia abandonado aquele homem. Resumindo um pensamento que fazia parte da cultura da época. Se você estava sofrendo, eles acreditavam que era por sua culpa ou mesmo culpa dos seus pais.
A parte interessante na narrativa de Jó é que ele não virou as costas para Deus. Em meio a dúvida, por conta da situação que ele se encontrava, até uma audiência com Deus ele pediu (Jó 13:3), contudo, desistir de Deus não era uma de suas opções.
É normal passarmos por vales, por momentos que temos a impressão de que Deus não está mais olhando para nós ou o pior, como eu mesmo pensei, acreditar que Deus não existia.
A questão é que ao me lembrar destes momentos de dúvida, percebi que foram fases que justamente eu estava mais frio, não orava mais, nem lia a Bíblia. Acreditava que Deus havia me abandonado, mas na verdade, era eu que havia abandonado a minha comunhão com ele.
Na vida corrida, sem querer vamos mudando de prioridade. Nos dedicamos ao estudo, nos preparamos para a nossa profissão, procuramos ser honestos e não deixamos de frequentar os cultos, só esquecemos do principal, que é a nossa comunhão com Deus.
Quando começamos a crer que Deus está distante, a verdade é que nós é que nos distanciamos dele. O colocamos em segundo plano, e não damos as devidas prioridades que um Deus poderoso, como o nosso, deveria ter em nossa vida.
A vida cristã é uma prática, não um costume mecânico, mas uma busca incessante por um Deus que prioriza a comunhão. Tal busca não pode ser baseada em emoção e em sentir. É preciso buscar em amor, por um Deus que anseia estar conosco. A busca é racional e sincera.
As vezes aquelas orações que pareciam frias, que não passavam do teto, só resumiam a minha própria condição, e o quanto eu estava priorizando estar com o Criador. Naqueles dias eu estava sentindo Deus distante de mim, mas na verdade, era eu que estava distante dele, era eu que havia desanimado e não mais confiava em sua graça.
Pense nisso, quando você se sentir assim e lembre-se que a prioridade de orar e ler a palavra de Deus é a atitude fundamental para quem quer estar mais perto do criador. As vezes acreditamos que Deus se distanciou de nós, mas não percebemos que fomos nós que nos distanciamos dele.
BIBLIOGRAFIA
YANCEY, Philip, A Bíblia que Jesus lia, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2006.
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VERDADES E CERTEZAS
“As verdades admitem que existam em oposição a elas outras verdades. A certeza, no entanto, é ditatorial. A primeira diz respeito à busca humana, a segunda, ao desejo, profundamente arraigado em nós, de controle.” (BONDER, 2011, p. 109).
Há muito tempo atrás, a minha antiga banda foi convidada a tocar em outra cidade, juntamente com a banda de outro amigo. Para quem é músico, viajar para tocar é sempre prazeroso, mas também muito caro. Por isso, juntamos as duas bandas e combinamos de alugar uma van, assim os custos seriam divididos, e todo mundo sairia ganhando com a economia, até o organizador do show, já que show de rock nem sempre dá retorno. Todo mundo ficou feliz, menos os dois músicos da outra banda, que decidiram ir de carro.
A parte surreal desta história era que eles iriam seguindo a van, mas em uma parte do caminho, acabaram seguindo a van errada, e foram parar em uma cidade, do outro lado do estado. E é claro, eles não chegaram a tempo de fazer o show, apareceram no término e tocaram para meia dúzia de pessoas.
Depois de anos cultivando o hábito da leitura e do estudo, após ler muitos livros, desde clássicos até ótimas obras de autores atuais, pude perceber que a verdade, além de existir, é complexa. E o relativismo as vezes surge e ganha força, justamente por ser complicado empreender a busca pela verdade. É muito mais simples concluir que ela é relativa e muda conforme a opinião de cada um, isso poupa a pessoa de uma reflexão. Contudo, mais perigoso que o relativismo são as certezas, que levam você a focar na van errada, sem que você perceba que está indo em direção ao equívoco.
A certeza tem uma aparência até que bonitinha, ela até aparenta ter ares intelectuais, o problema é que por traz dela, está o desejo de impor e forçar uma opinião. Quem tem certeza, dificilmente dialoga, na maioria das vezes impõe, forçando um controle.
Já a verdade é fruto da investigação, ela é construída com estudo, informação e pesquisa, sendo que a verdade sabe muito bem o quão complexo que é o conhecimento e o quanto o ser humano se engana.
Quando vemos militantes seja do tema que for ou mesmo pessoas que possuem opiniões fortes quanto a política, religião e a sociedade, vemos muitas certezas. Na maioria das vezes estes acreditam cegamente que o seu partido e a sua causa são a solução para os problemas do mundo, por isso que a maioria destes nem dialogam e é também por isso que é uma grande perda de tempo entrar em um debate com estas pessoas.
Só é possível encontrar a verdade com informação e diálogo, quando abandonamos as certezas e rumamos em direção a informação e as provas. Quem tem certeza, não se abre, não se recicla e muito memos revê o seu conhecimento e experiência. Quem segue em busca da verdade, dialoga e entende bem que é possível estar enganado.
Aprenda a seguir a verdade e entenda que para isso ser possível, você precisa estar aberto para dialogar. É possível se perder ao focar em suas certezas, justamente por não estar aberto a investigação, já que você acredita que está certo.
A dúvida é o primeiro passo para encontrar a verdade, pois ela leva você a investigar e a pesquisar. Um pouco de dúvida, sempre levará você a se reciclar e rever a sua opinião, agora a certeza sempre será uma âncora, que manterá você estagnado, sem dialogar e com isso, sem aprender.
Lembre-se que se você acredita que sabe de tudo, nunca vai aprender algo novo!
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton. Fronteiras da inteligência. 1. ed. Rio de janeiro: Rocco, 2011.
