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IMPOSSIBILIDADES MOMENTÂNEAS
“A impossibilidade é uma condição momentânea: quem sabe disto não desiste. E nenhuma outra postura é tão instigadora de criatividade e intuição quanto o “não desistir”. O simples fato de permanecer no “jogo” abre opções que, fora dele, ao se “jogar a toalha”, obviamente não existiriam”. (BONDER, 2010, p. 11).
Nilton BonderAprendi a dar valor aos objetivos que eu consegui alcançar, tudo e porque, a maioria deles eu não consegui de um modo fácil. Eu precisei recomeçar várias vezes ou mesmo aguardar um bom tempo até ver o projeto concluído.
Em uma época imediatista, saber esperar virou tortura. Poucos entendem que as coisas que valem a pena, os planos realmente coerentes e valiosos são frutos de muito empenho e persistência.
Uma meta coerente é aquela que possui um bom plano e também é aquela munida da consciência que provavelmente você vá precisar tentar muito e em alguns casos recomeçar, para conseguir ver algo pronto. Esta é a realidade da maioria dos casos de sucesso, o problema é que nem sempre alguém vê esta parte. Muitos querem se guiar avaliando apenas os casos concluídos e não toda a trajetória.
Pude perceber enquanto me empenhava em uma de minhas empreitadas que as melhores ideias surgiram mediante ao fato que eu não iria desistir. E eram nestes momentos que a criatividade surgia enquanto eu procurava uma saída.
É interessante olhar para traz, reviver meus primeiros planos e perceber como eles foram ganhando força, ressignificação e base, com o tempo que eu levei empreendendo e tentando fazer as coisas acontecerem. Eu arrisco dizer que eu não chegaria onde eu cheguei, se os meus planos tivessem dado certo logo nas primeiras tentativas.
As dificuldades me mostraram áreas que eu precisei trabalhar, as faltas de oportunidades, me levaram a criar minhas próprias oportunidades e com isso, crescer com elas. Estes eventos me levaram ao crescimento e a aprendizagem, sendo que foi por conta deles, que depois eu consegui chegar aonde eu queria chegar.
As impossibilidades são sempre momentâneas principalmente para quem se dedica, planeja e não pensa em desistir. A persistência aplica a criatividade e intuição de uma forma que não acontece quando desistimos.
É persistindo, se reciclando e a todos os momentos avaliando nossas ações e erros, que crescemos e nos preparamos para conseguir chegar em algum lugar. Este é o pensamento que deve nortear a sua empreitada.
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton. O segredo judaico de resolução de problemas. 1. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2010.
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DISCUSSÕES PERDIDAS
“Nove entre dez vezes, uma discussão termina com cada parte ainda mais convencida de que está absolutamente certa” (CARNEGIE, 2019, p. 111).
Conheço pessoas que gostam de discutir, principalmente se o tema é complicado. Segundo estes, uma discussão faz você ver equívocos em uma argumentação e muitas vezes, mudar de ideia. Com isso, as tardes ou manhãs destas pessoas eram gastas debatendo assuntos dos mais diversos e complicados.
É sempre bom separar um diálogo ou mesmo o debate honesto, das discussões. Um diálogo honesto tem como ponto de partida a troca de ideias. É um momento onde vamos debater, discordar e refletir sobre o que estamos ouvindo. Este sim é o momento de testarmos nossos argumentos e pontos de vistas, além de reavaliarmos nossas opiniões. E mesmo aqui, corremos o risco de não darmos o braço a torcer, pois tudo depende do nosso orgulho e do quanto confessamos os nossos erros (ou não). Já a discussão é mais emocional, normalmente é travada por pessoas que querem apenas mostrar que sabem, o objetivo em uma discussão é ganhar e não discutir ideias.
Uma discussão é na maioria das vezes, tempo gasto para provar que estamos certos, é uma batalha de egos que não tem fim. Em uma discussão, quem ganha é aquele que sabe falar bem, e expor de forma mais habilidosa um argumento. Lembre-se, nem sempre quem possui uma boa oratória é alguém que tem bons argumentos.
Discutir ideias é sempre perigoso, a intenção é boa, mas o terreno não é. É um lugar escorregadio, onde o orgulho pode complicar tudo. Poucos hoje confessam os seus erros, eu diria que, não são todos que ao menos percebem que estão errados. Por isso, ao discutir, tudo pode acontecer, menos uma troca de ideias. Visto que se alguém não for maduro ou humilde suficiente para confessar seus equívocos, certamente ele vai ficar com o orgulho ferido. Com isso, você vai ganhar, mas perder ao mesmo tempo (CARNEGIE, 2019, p. 111).
O bom diálogo é fruto primeiramente do posicionamento de duas pessoas humildes, que entendem que confessar nossas falhas e erros na argumentação, não é perder e sim, crescer e entender que todo mundo falha.
Em segundo lugar, a boa discussão é oriunda de pessoas que não possuem a gana de ganhar, se alguém é pedante o suficiente para acreditar que sair vencido de uma discussão é tudo, o seu tempo já está perdido. Pois a pessoa vai querer tudo, menos dialogar.
Entenda que certas empreitadas nascem perdidas e que em alguns casos, para crescermos, precisamos estar diante de pessoas honestas, que possuem caráter suficiente para confessar quando estão erradas.
Discutir com alguém que não pensa no que você está falando, e nem reflete sobre si, é jogar o seu precioso tempo fora, é falar com uma pessoa que só quer vencer, não quer pensar.
BIBLIOGRAFIA
CARNEGIE, Dale. Como fazer amigos e influenciar pessoas. Rio de Janeiro: Sextante, 2019.
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APRENDENDO A OUVIR CRÍTICAS
“A todas as críticas só tenho uma resposta a dar”, disse Emerson: “voltar ao trabalho” (SERTILLANGES, 2019, p. 208).
SertillangesÉ inevitável, em qualquer área de trabalho, ou mesmo em um hobby, sermos alvos de críticas. Opinião, todo mundo tem, ainda mais se você estiver em uma área bem visada, como a música, um blog como este, ou mesmo em profissões como professor, líder etc. São setores onde a pessoa está bem exposta e com isso, vai sofrer críticas, pois todos gostam de opinar.
Por um pouco mais de uma década eu tive banda, com isso, gravamos vários CDs e tocamos em inúmeros lugares. Foi com ela que descobri a importância de saber ouvir críticas, usando-as como combustível e ferramenta de melhoria, e não como âncora ou objeto de incômodo. A melhor atitude que podemos ter ante as críticas é justamente trabalhar e nos aperfeiçoar ainda mais, parar e estagnar para não ser criticado não é a solução.
Aprender a avaliar o que é dito, usando o ponto de vista como parâmetro para o aperfeiçoamento e o estudo, é uma ótima opção, ao invés de ficar se defendendo ou arranjando justificativas para o que não está tão bom assim.
É claro que nem toda a crítica é bem intencionada, mas todas elas precisam ser avaliadas. Pois todas (até as com más intenções), podem ter pontos verdadeiros e por isso, servem como ótimos parâmetros, para seguirmos rumo ao aperfeiçoamento. O desafio é conseguir identificar as críticas honestas das ruins, que têm como base a inveja ou as más intenções, por isso que avaliar o conteúdo já é uma ótima saída.
O segredo é verificar se as críticas se repetem, se várias pessoas discorrem sobre o mesmo ponto. Outro segredo é ter amigos de confiança, que vão ser sinceros e ajudarão você a perceber seus pontos cegos.
Quando comecei a escrever, enviei os primeiros textos a amigos e eles apontaram equívocos que eu estava cometendo, ou mesmo sugeriram mudanças que foram fundamentais para a melhora dos textos. Sou grato a Deus por eles e por todos os que fazem críticas honestas. Eu cresci como escritor por causa da ajuda deles.
A melhor atitude que podemos ter ante as críticas não é parar e sim, estudar e trabalhar ainda mais, para que consigamos nos aperfeiçoar e compor sempre com excelência. Ninguém nasce pronto, muitas coisas precisam de tempo e da busca constante por melhorias.
Aprender a lidar com críticas é o ponto de partida ideal para quem quer crescer e se aperfeiçoar ainda mais ou mesmo, para quem não quer se incomodar e transformar algo que você gosta muito em um momento de martírio.
BIBLIOGRAFIA
SERTILLANGES, A. D, A vida intelectual, Editora Kírion, Campinas, 2019.
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O HOMEM SEM DEUS
“Não há nada sobre a terra que não mostre ou a miséria do homem, ou a misericórdia de Deus; ou a impotência do homem sem Deus, ou a potência do homem com Deus” (PASCAL, 1995, p. 83).
Não é difícil perceber a miséria humana, tampouco seu extremo egoísmo, basta discordar ou apontar os equívocos de alguém, que quase todos, ou talvez a maioria, ficará na defensiva, como que acuado por sua insegurança. O orgulho humano custa a admitir que ele pode estar errado, mesmo sabendo que ninguém é perfeito. O imperfeito é sempre o outro, nunca nós. Esta é uma contradição que o ser humano carrega.
Em uma pandemia, é fácil também notar como uma pessoa é egoísta, demora em ter consciência e como nem sempre consegue olhar o próximo, esvaziando as prateleiras do mercado, no desesperado sentimento de não querer passar fome. Existe até um ditado, usado por alguns, que se resume em: “antes o filho do outro chore do que o meu”, tal frase sintetiza o tamanho do egoísmo humano. Uma frase que infelizmente já ouvi muito.
A sociedade falível e mesquinha revela o que tem de pior no homem e mostra quem ele é de verdade. Quem nega suas falhas, no fim, está cego para a realidade, não percebe suas próprias contradições ou idealiza muito a si e os seus pontos de vista.
Não é que não existam pessoas boas e nem seres humanos conscientes, eu sei que existem. A questão é que não somos perfeitos e este mundo caótico somente revela a nossa imperfeição e miséria, deixando-a escancarada. A sociedade é um resumo do ser humano, é impossível uma coisa ruim dar bons frutos, assim como a bananeira não dá maçã.
Sem Deus, o ser humano é uma máquina egoísta de caos e destruição, vê somente as suas vontades e desejos, nada mais. A nossa sociedade é este retrato, uma foto que revela o ser humano em seu estado original e sem máscaras.
Por isso, em meio à pandemia e ao caos, não me impressiono com a polarização ou o egoísmo, que só resume e prova o que o ser humano se tornou quando decidiu virar as costas para Deus e seguir o seu caminho, uma cena que se repete desde o Éden.
O ser humano sem Deus não é nada e, o pior, transforma em caos tudo o que toca!
BIBLIOGRAFIA
PASCAL, Blaise. Pensamentos. 1. ed. Bauru: Edipro, 1995.
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RUÍDO VISUAL
“Os que não são mais capazes de enxergar a realidade com os próprios olhos são igualmente incapazes de escutar corretamente” (PIEPER, 2021, p. 40).
Josef PieperNo parque onde eu costumo caminhar tem um mural muito interessante. Aparentemente, no mural, podemos ver várias folhas, mas é apenas quando você para e decide prestar atenção naquela arte que você percebe que na verdade são pássaros.
A vida é cheia de detalhes, são muitas características que se escondem na paisagem, mas que para vermos, precisamos aprender a parar e desenvolver a capacidade de ver além do senso comum.
Vivemos uma era de excessos, são muitas artes, propagandas e quantidades em um grande mar de ruído visual que nos impede de ver e perceber as coisas que valem a pena serem observadas.
Sem contar que, muitos vivem abaixados, caminhando ou mesmo dirigindo de olho no celular, perdendo a paisagem e os detalhes da caminhada, estando assim apenas de corpo presente em um lugar, mas bem longe, naufragado no mar de excessos que é a internet. Josef Pieper complementa:
“Há uma espécie de “ruído visual” que, assim como seu equivalente acústico, torna a percepção nítida impossível” (2021, p. 39).
O excesso não nos estimula e sim, nos desliga, mata a nossa sensibilidade e a capacidade de apreciar, de realmente ver algo e perceber algo. Assim como o excesso de celular nos aprisiona em outro mundo, um lugar falso, construído com o intuito de manter as pessoas enraizadas no raso da vida. A TV e os vários meios de comunicação, também tapam a nossa visão dirimindo a nossa habilidade de apreciar.
Não é possível ver e muito menos ouvir de forma verdadeira, se não calarmos os estímulos e silenciarmos os ruídos. A quantidade não nos permite apreciar de verdade.
Descubra como é poderoso desligar os estímulos como a TV e o celular, por algum tempo, para cultivar um momento de silêncio, contemplação ou mesmo para uma oração silenciosa.
Não há outra forma de vermos é só parando, gastando tempo, aquietando a mente buscando lugares onde não há muita poluição sonora e visual. Visitar um museu por exemplo, andando como toda a calma possível é uma excelente opção. Ou quem sabe, tirar um final de semana no campo, longe dos excessos e de preferência, desconectado, com o propósito de fazer uma higiene mental. Quando mais você se dedicar em cultivar o silêncio e a contemplação, mais você vai aprender a ver e a ouvir.
Em meio ao barulho, entre todos os inúmeros outdoors, podemos perder a beleza, não ver os detalhes da vida escondidos em meio a todos os excessos!
BIBLIOGRAFIA
PIEPER, Josef. Só quem ama canta: Arte e contemplação. 1. ed. São Paulo: Quadrante, 2021.
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JORNADA CRISTÃ 21: TEOLOGIA CENTRADA
Há muito tempo atrás mergulhei no estudo e pesquisa sobre calvinismo e arminianismo. Eu queria entender mais e buscar ter uma opinião um pouco mais centrada sobre estas teologias. Durante as minhas buscas, conheci muitos ótimos autores, tanto calvinistas quanto arminianos, sendo que D. A. Carson, foi um dos teólogos que eu conheci durante este tempo.
Carson é um escritor profícuo, ele possui uma variedade de obras, sendo que entre elas você encontra desde livros um pouco mais densos, como a obra “Soberania divina e responsabilidade humana”, até livros com um texto mais tranquilo de se ler, como “O sermão do monte”, que é a obra que eu vou comentar neste texto.
Eu gosto do autor justamente porque ele tem uma teologia centrada, é perceptível o fato de que ele busca fugir dos extremos e se agarrar no texto bíblico. Um hábito que nem todos os teólogos conseguem ter.
Acredito eu que a busca por equilíbrio é sempre desafiadora, normalmente o ser humano cai em muitos extremos ou mergulha em uma teologia de cabeça, sem refletir, pensar e ponderar. Afinal, é possível seguir uma teologia, e ter algumas críticas quanto a alguns de seus pontos, principalmente porque a nossa prioridade é (ou deveria ser), seguir a Bíblia, e não interpretações de teólogos, sem qualquer senso crítico.
No livro “O sermão do monte”, D. A. Carson propõe falar sobre uma das principais coleções de ensinos de Jesus que está em Mateus, uma passagem que muitos escrevem e meditam, um texto realmente fundamental. E o autor consegue trabalhar com maestria tal texto, propondo uma reflexão teológica, mas também com um viés prático. O autor realmente é ótimo no que faz.
Gosto por demais de teologia, estudo e escrevo sobre o assunto há muito tempo, mas acredito que uma boa teologia deve ser sempre centrada, fugindo de extremos e principalmente, tomando cuidado com conclusões quanto as passagens complicadas. Outro ponto importante é que a teologia deve ser prática, estudar por estudar, ler por ler, não é a saída, pois o ensino tem que nos levar a ação e a prática dos ensinos bíblicos e o autor é um teólogo que consegue reunir estes elementos em uma mesma obra.
Carson é mais um dos pensadores que me influenciaram, não porque eu concordo com tudo o que ele escreve, e sim, por causa da seriedade com que ele trata a Bíblia e pela sua grande capacidade em ser centrado, coeso e prático, quando isso é possível.
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A ODISSEIA DA DOR XX: QUANDO A IGREJA NÃO É UM PORTO SEGURO
A igreja de alguma forma ajudou a complicar o meu período de dor. Eu estava cheio de dúvidas, mas não encontrava apoio e eu nem culpo eles por isso. Algumas empreitadas são solitárias mesmo, nem sempre compreendemos o que uma pessoa está sentindo, mesmo que tenhamos empatia. A dor é sempre solitária, é um momento que apenas você e Deus entendem, os outros possuem apenas uma ideia, isso quando tem alguma.
É claro que eu deveria ter conversado, procurado alguém dentro da igreja, mas na época, eu temi não ser entendido. Tinha receio de que os meus amigos ou líderes, vissem as minhas dúvidas com outros olhos. Ainda mais que eu era um dos membros mais antigos da igreja.
Outra coisa que ajudou a piorar a situação foi a discussão entre calvinistas e arminianos nos cultos. E como os arminianos eram a minoria e entre eles estava eu, em alguns domingos, me incomodava, ao invés de conseguir o alento na palavra que eu tanto precisava. Eu entrava de igreja ruim e saía ainda pior em um tempo onde eu precisava muito de ajuda por conta da minha complicada odisseia.
É um grande problema quando a igreja ao invés de ser igreja, acolher e ajudar, ela complica ainda mais. O cristianismo não é dividido em calvinistas e arminianos, somos todos cristãos e as nossas diferenças não deveriam ser motivo para discórdia. E na época eu não sabia o que fazer e me senti muito perdido nesta situação, sem apoio e auxílio, mas há uma saída para estas situações.
O primeiro passo é buscar apoio, seja dentro da igreja, com amigos que te compreendem e te apoiam, ou mesmo fora dela, com irmãos na fé, que possam te ouvir e te ajudar.
Não dá para andar sozinho quando estamos passando por dificuldades ou mesmo por este tipo de crise. É claro que não dá para procurar qualquer amigo, alguns realmente não ajudam, mas com algum critério e com a ajuda de Deus, você encontrará ótimos apoios.
O segundo passo é buscar limites para esta discussão, é ser claro e pontuar porque você está indo na Igreja. As vezes alguns não percebem que acabam falando apenas aquele assunto, terminando por passar dos limites.
Ser claro quanto ao propósito de ir na Igreja e deixar bem delimitado que as discussões têm hora e lugar, sendo que aquela hora é exclusivamente para cultuar a Deus, é um bom começo. Viver em comunidade nem sempre é fácil, mas saber colocar limites é um ponto fundamental para assim não sermos atropelados pelo caos.
É interessante que quando você está passando por um tempo de crise, parece que qualquer problema ganha proporções gigantescas e tudo colabora para que você afunde ainda mais.
Mas o principal é se colocar aos pés de Deus, mesmo que você tenha aquele sentimento de que ele mal está te ouvindo. A nossa busca e o nosso momento de intimidade com Deus, não deve ser mediado por emoções e sim, pela prática da oração e da leitura bíblica.
Você mais dia ou menos dia, vai ter dúvidas, isso é normal e ser cristão não é ser alguém de posse apenas das certezas e sim, uma pessoa que confia em Deus, apensar do caos e das dúvidas.
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BABEL CONTEMPORÂNEA
A mente humana não consegue de forma alguma encontrar Deus. O seu pecado, faz com que um muro seja construído, impedindo o homem de ver e conseguir com esforço próprio, encontrá-lo. Se Deus não se revelasse, com certeza, morreríamos mergulhados na ignorância e por ela seríamos consumidos.
Gênesis (11:1-8) atesta isso, quando narra a história de Babel, uma torre templo que os homens estavam construindo com o intuito de chegar até o céu. Babel significa porta de deus, sendo o templo um sinal de um pensamento prepotente e superior. Mas Deus tratou de confundir a língua, mostrando que no final, o ser humano é confuso e insensato e estava longe de conseguir por si só estar perto de Deus (CARSON et al, 2012, p. 114-115).
Hoje em dia vivemos em uma grande Babel, muitos querem construir suas torres para assim chegar ao céu e descontruir a ideia de Deus e do evangelho. Uma prepotência que descreve o tamanho do pecado e da falibilidade humana.
Creio que o texto não narra apenas o princípio das variadas línguas que temos hoje, mas também mostra como o ser humano tem dificuldade em se entender, mesmo que falando a mesma língua. A comunicação nos dias de hoje beira a loucura, ouvir e compreender, é quase que uma missão impossível, já que o homem ouve pouco e compreende o que bem quer. E por mais que temos a responsabilidade de nos fazermos entendidos, no final, quem ouve interpreta, sendo que às vezes (ou quase sempre), assim o faz de forma errônea.
Eu creio que esta polarização política ou todas as discussões e cancelamentos só evidencia o quanto estamos perdidos. Queremos impor nossos pensamentos, construir nossas torres e deixar claro quem é que está certo. Mas no fundo, ninguém está se entendendo e a maioria das pessoas, se perdem ante todos os discursos.
Todos nós temos as nossas cosmovisões e crenças e muitas vezes não percebemos como elas nos impedem de raciocinar, de pensar na reflexão oposta ou na opinião contrária. Com isso, muitos saem combatendo os inimigos, sem perceber que na verdade estão sendo manipulados para uma causa maior ou mesmo pela ignorância.
Creio que a torre de Babel evidencia a incapacidade humana de se defender do seu autoengano disfarçado de militância ou posicionamento político. É quando ele assume um papel de protagonista, mas sem perceber que está sendo manipulado por suas próprias reflexões e pontos de vistas falhos.
O ser humano não só tem dificuldade de se entender, de dialogar e perceber as ideias alheias, mas também se deixa levar por aquela opinião interna errada e confusa, movido sempre pelo seu ego e pela sensação de que está certo.
Temos uma grande dificuldade de dialogar e de respeitar a opinião oposta, além de sermos traídos pelo nosso ego, que impede o autoconhecimento e o respeito ao próximo.
Vivemos em uma grande Babel, buscando ser aceitos e militando por causas que não percebemos serem perdidas. No final, falamos a mesma língua, mas somos traídos pela nossa falta de reflexão.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Ed. Soc. Bíblica do Brasil, 2005.
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.
CARSON. DA.; FRANCE , RT.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J.; Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.
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DISCIPLINA E EUFORIA
“O verdadeiro intelectual é por definição um perseverante” (SERTILLANGES, 2019, p. 189).
Os meus primeiros passos na vida acadêmica foram com a teologia. Eu já lia muitos livros teológicos quando eu decidi cursar bacharelado em teologia, para aprender ainda mais, já que uma graduação é o caminho lógico de quem quer aprender e ter contato com professores e pesquisadores sobre o assunto.
Não é tão simples seguir na vida acadêmica, envolve muita leitura e estudo, e nem sempre há um retorno financeiro, principalmente para quem mora no Brasil. Admiro quem escolhe este caminho, mas sei que muitos cristãos cursam teologia para aprender e não para trabalhar como professor.
Todo intelectual é um perseverante, como pontua Sertillanges, principalmente por conta dos vários empecilhos da carreira intelectual. Estudar, pesquisar e escrever um livro ou artigo acadêmico, envolve muita disciplina e tempo gasto, mas pouco retorno financeiro.
Por mais que você goste de ler e estudar, tem dias que não estamos dispostos, e é neste ponto que entra a perseverança e a disciplina. É neste detalhe que o sucesso ou fracasso da empreitada mora. Quem não tem disciplina e não consegue perseverar, termina por não fazer nada. Se dependermos da nossa vontade, certamente em alguns momentos (ou na maioria), vamos falhar.
Uma boa parte das pessoas começam algo movido pela euforia, pela alegria momentânea de fazer. O problema é que a euforia acaba, ela dura pouco, por isso que a disciplina e o foco são fundamentais. É por isso que muita gente começa uma empreitada e desiste depois.
Nem tudo é euforia, em todas as atividades que gostamos, precisamos lidar com coisas que não são tão eufóricas. Desde um processo de criação ou mesmo o estudo e a escrita, sempre tem os momentos de dura labuta, os pontos que são trabalhosos. É igual tocar um instrumento, é muito bom ver alguém executar uma música com habilidade, mas ninguém vê o músico estudando e praticando para conseguir tocar com tal habilidade.
Projetos de sucesso são construídos com disciplina e planejamento. É a disciplina de fazer, independente da sua vontade naquela hora ou mesmo a inspiração. Estudar e se aperfeiçoar, ou seguir um objetivo, não deve depender do seu ânimo matinal.
Quem vive pela emoção, termina precisando alimentar todos os dias este sentimento. Quem executa algo focando no hábito e disciplina, e também na perseverança, é aquele que consegue concluir seus planos, sem permitir que a euforia dite o ritmo da sua vida.
BIBLIOGRAFIA
SERTILLANGES, A. D, A vida intelectual, Editora Kírion, Campinas, 2019.
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BAIXANDO A GUARDA
“Ceder é dispersar o centro escorado do indivíduo, baixar a sua guarda, a armadura do seu caráter, admitir a falta de autossuficiência” (BECKER, 2020, p. 138).
Existem modelos que o senso comum constrói que são totalmente equivocados. Características que são simplistas e não possuem qualquer reflexão. A figura do ser humano autossuficiente é um destes modelos falhos, que tenta mostrar a imagem de alguém forte e resoluto, mas que quando investigado, percebemos que nada mais são do que construções sem fundamentos, fadadas a ruírem.
Um dos piores problemas em se considerar autossuficiente, intocável e poderoso é que este sentimento é destrutivo e nos impede de aprender com os nossos erros. Admitir nossa falha e finitude não é ser fraco, mas ser honesto, entendendo a grande verdade da vida que nos ensina que estamos sujeitos a falhar. Quem não admite, não é forte ou inteligente e sim, é apenas orgulhoso.
Aprender a ceder ou mesmo confessar a nossa falta de autossuficiência é o primeiro passo do amadurecimento. É libertador confessar nossas inaptidões, afinal, é do ser humano errar, não perceber falhas e contradições e principalmente, ter áreas no qual não dominamos e é infantil acreditar sermos autossuficientes ou capazes em todos os âmbitos da vida e do saber.
Quando baixamos a guarda e confessamos nossos equívocos, aprendemos e ganhamos a oportunidade de recomeçar algo, mas de uma forma um pouco mais sábia. Errar ou falhar em algum empreendimento não é nada bonito, mas negar nossas falhas também não é.
Eu aprendi muito ao baixar a guarda, e percebi que eu não precisava provar nada para ninguém, muito menos me justificar ou mostrar que sozinho sou o melhor. Quem crê ser um ser superior, que não precisa de ninguém, na verdade apenas demonstra não ver as suas fragilidades. Todos nós temos as nossas vulnerabilidades, e só seguimos em paz, quando não escondemos e confessamos de forma sincera e honesta tais pontos.
Aprendi muito com os meus erros e equívocos quando descobri como é libertador baixar a guarda. Pude perceber meus pontos fracos e trabalhar neles. Quando somos mais novos, queremos provar que somos grandes, autossuficientes, que não precisamos de ninguém. Mas tal atitude nos leva rumo a estagnação e ao erro constante.
Admita sua falibilidade e coloque de lado o seu orgulho e prepotência que ao fazer isso, você vai descobrir que a humildade de reconhecer nossas falhas nos leva muito mais longe do que o orgulho de acreditar sermos autossuficientes.
BIBLIOGRAFIA
BECKER, Ernest. A negação da morte: Uma abordagem psicológica sobre a finitude humana. 13. ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 2020.
