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  • JORNADA CRISTÃ 20: CONHECENDO A HISTÓRIA

    Justo González é um teólogo muito conhecido no meio cristão, o seu famoso livro “A História Ilustrada do Cristianismo”, se tornou um clássico e figura entre os principais e mais importantes livros cristãos. Nesta coleção, González se concentra em abordar sobre o cristianismo, trabalhando a história de vários cristãos e movimentos que surgiram durante a história da igreja. Entretanto, o livro que eu quero dar ênfase do autor é “Uma Breve História das Doutrinas Cristãs”, outra obra igualmente fundamental no meio cristão.

    Eu acredito que uma das atitudes fundamentais de todo o cristão é conhecer a sua história. É entender como surgiu o cristianismo e como ele se desenvolveu depois de Cristo e os Apóstolos. E também entender como que as principais doutrinas passaram a fazer parte do cerne da identidade cristã. É fundamental saber estes pontos, principalmente para escapar de falácias, que a todo momento tentam argumentar contra a igreja.

    Conhecer as doutrinas cristãs é um ponto chave para ser cristão. É fundamental entender que Jesus é simultaneamente divino e humano, ou mesmo sobre a Trindade, entre tantos pontos importantes e saber como tudo surgiu é fundamental para uma fé coesa, que escapa de falácias e explicações equivocadas.

    No livro o autor mostra como as doutrinas que foram estabelecidas nos primeiros concílios, não foram fruto de discussões acaloradas e muita briga dos pensadores da igreja, e sim, uma resposta do que estava acontecendo na igreja cristã. Justo González complementa sobre este assunto:

    “No entanto, a maioria das doutrinas virou ensino oficial da Igreja através de um consenso alcançado sem maior discussão formal. Como veremos em seguida, até a questão de quais livros deveriam ser incluídos no Novo Testamento, e quais não, foi resolvida por um consenso que levou um longo tempo para ser atingido” (2015, p. 10).

    Como unanimidade a maioria das doutrinas que temos hoje na igreja, eram praticadas nas igrejas. Os concílios serviram apenas para estabelecer pontos que todas as igrejas já tinham, e formalizar uma forma de culto e ensino, que fazia parte do rito das igrejas cristãs. E este é um ponto fundamental, pois todos estes principais ensinos, tinham a característica de ser usado em todas as igrejas cristãs.

    No livro, González dá detalhes e mostra que, por mais que foram algumas heresias que motivaram os concílios, com o intuito de estabelecer ensinos e fugir destes temas equivocados que rondavam a igreja. As doutrinas propostas neste concílio já faziam parte do culto cristão. O autor é realmente didático, mostrando e dando provas de como estes conhecimentos já eram normais entre os cristãos.

    É muito comum ouvirmos sobre embates na igreja e discussões para estabelecer doutrinas ou mesmo, quais seriam os livros que deveriam entrar no Novo Testamento, mas está história não é real, estas discussões foram poucas, pois já existia um consenso e foi ele que guiou a igreja cristã.

    O livro é esclarecedor, muito bem escrito e é uma das obras mais importantes que li.

    BIBLIOGRAFIA

    GONZÁLEZ, Justo. L. Uma breve história das doutrinas cristãs. 1. ed. São Paulo: Hagnos, 2015.

  • A ODISSEIA DA DOR XVII: FALSO PODER

    “Como muitos aprenderam para depois ensinar, ninguém percebe que Jesus é tudo de que se necessita até ele ser tudo o que se tem” (KELLER, 2020, p. 44).

    Você já se imaginou sem todos os objetos que você tem hoje? Sem o seu salário, a sua bela casa, a sua estabilidade financeira? Ou mesmo sem a sua saúde, tendo que lidar com um problema que te tira a paz e segurança. Eu já precisei lidar com estas situações e sei que não são momentos agradáveis.

    Neste meu tempo de dúvidas, precisei lidar com muitas coisas, não só com os meus questionamentos. A dor, o caos e problemas financeiros haviam invadido todas as áreas da minha vida. Parecia um vendaval que estremecia e desarrumava tudo, mostrando que no final, as coisas que eu valorizava eram fracas e não tinham muito sentido.

    A parte interessante foi que depois de um tempo de dúvidas e questionamentos, pude entender e perceber que Deus estava comigo. Foi no caos, desamparado e sem nada, que percebi que eu já tinha tudo, e que o resto não tinha tanto valor. É quando perdemos que percebemos que o que nos resta é na verdade tudo o que precisamos.

    Em muitos momentos os bens e a estabilidade nos dão uma falsa impressão de segurança e controle. Com isso, não percebemos nossos enganos e o imenso vazio que as coisas sem sentido deixam em nosso peito. A sensação de poder que o dinheiro traz é falsa, assim como algumas de nossas certezas ou coisas no qual colocamos as nossas esperanças.

    Muitas vezes substituímos Deus ao confiar nossa esperança em objetos ou lamentar a falta, como se o dinheiro fosse tudo. Lembre-se que o rico se engana por colocar suas esperanças no dinheiro, já quem não tem dinheiro, cai no mesmo erro, quando acredita que o objetivo principal de sua vida deveria ser acumular um monte de coisas.

    O pecado é sempre sutil e usa coisas boas e legítimas para nos destruir, como o nosso trabalho, carreira, o dinheiro (para quem tem) e a busca incessante pelo dinheiro (para quem não tem). Normalmente o que nos afunda são as coisas boas, mas que são tratadas da forma equivocada.

    O falso poder é confiar em algo que enferruja, que a traça ou inflação corrói ou mesmo colocar nossas esperanças em nosso potencial, inteligência e condições financeiras. Estas coisas nos fazem seguirmos sozinhos e esquecendo muitas vezes de Deus, mas é em meio a desesperança, que percebemos que na verdade nós já tínhamos tudo.

    Foi quando cheguei ao fim da linha, sem emprego, dinheiro e com um problema de saúde bem grave, além de todas as minhas dúvidas, que eu percebi que tudo o que eu precisava era de Deus e de sua graça. O sofrimento e as dificuldades apontam para ele e para o nosso enorme vazio.

    O caos mostra que sem Deus não conseguimos enfrentar muita coisa e com isso, entendemos que é só com ele que conseguiremos enfrentar as dificuldades.

    BIBLIOGRAFIA

    KELLER, Timothy. Deuses falsos: as promessas vazias de dinheiro, sexo e poder, e a única esperança que realmente importa. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2020.

  • JARDIM ESPIRITUAL

    É possível não percebemos a beleza de um jardim, tudo e apenas por não cuidamos, não arrancarmos as ervas daninhas e muito menos regamos as flores e plantas. Não adianta plantar flores lindas em seu quintal se você não cuida delas. O que mantém um jardim bonito é justamente o cuidado, caso contrário, ele vira um matagal.

    A vida espiritual centrada, é parecida com um jardim. Você precisa diariamente estar cuidando, orando e estudando a Bíblia. É fácil desanimar e deixar as ervas daninhas crescerem e tomarem conta do seu jardim.

    A preocupação excessiva é a primeira erva daninha que nos prejudica, pois tira o nosso foco de Deus. Além de lançar em nossa mente a dúvida e o desânimo, uma pessoa muito preocupada, não vive, mal degusta os dias que Deus lhe deu, quem dirá, vai gastar um tempo orando e se entregando. Precisamos entender que não controlamos muita coisa, por isso que confiar em Deus é a melhor opção, sendo a preocupação o veneno que mina o nosso devocional diário.

    A falta de disciplina é outra erva daninha perigosa, pois a vida cristã é uma prática diária, não existe ponto final ou conclusão e sim, uma constante busca e estudo. É como tomar banho ou fazer as nossas higienes pessoais. Precisa ser diário, para que tenhamos um corpo saudável e asseado. A saúde espiritual é ligada à nossa constante e ininterrupta vida de oração e estudo da palavra. Assim, o jardim vai crescer e manter-se florido.

    O consumismo é outra erva daninha perigosa, pois ele nos leva a viver a vida para as coisas, para o gastar e o ter, e aos poucos, Deus deixa de ser o centro de tudo. É claro que não é errado ter, o problema é colocar o ter e as coisas, no patamar de Deus, fazendo com que elas virem a nossa prioridade de vida.

    A Bíblia mesmo fala que não dá para servir a dois senhores (Mateus 6:24), e é possível, transformarmos a sede de ter, de possuir e acumular riquezas, em um deus em nossa vida.

    Estamos em um tempo difícil, são dias incertos que têm nos mostrado o quanto somos frágeis e limitados. Muitos têm ficado depressivos, ansiosos e preocupados com o futuro pós-pandemia. E tem sido nestes dias, que eu tenho visto o quão importante é ter uma vida centrada em Deus.

    Não há outra forma de passar pelas tempestades, é só quando priorizarmos as coisas certas, que conseguiremos enfrentar, com a ajuda de Deus, todas as intempéries.

    Cultive o seu jardim, mantenha ele alinhado, pois quando cuidamos do principal, todas as outras áreas da nossa vida são frutificadas.

    É priorizando as coisas importantes que passaremos pelo caos, é cuidando bem do nosso jardim espiritual que conseguiremos passar pelas intempéries que enfrentamos durante a nossa caminhada.   

  • OS TRÊS CAMINHOS DO FRACASSO

    Não é tão incomum encontrarmos receitas de sucesso. Muitos hoje querem vender uma fórmula, como se fosse possível fabricar em larga escala o sucesso. O sucesso é tão difícil de fabricar quanto definir, já que não é tão simples assim pontuar se alguém teve, ou não, sucesso. Pois para sabermos, precisamos primeiro entender os objetivos de cada pessoa.

    O sucesso é sempre desafiador, por conta do propósito de cada um. E fabricar uma receita é complicado justamente porque ele depende de muitos outros fatores. Não é apenas ter habilidade em algo, nem ter um determinado tipo de conhecimento. Existe muitos pontos para que consigamos ter sucesso, como como oportunidade, condições e alguns outros aspectos. Contudo com o fracasso, é possível termos um pouco mais de previsão.

    Existe uma receita infalível de fracasso e Mario Sérgio Cortella discorre sobre ela em seu livro: “Não Nascemos Prontos”, na obra o autor fala sobre o monge Beda e os três caminhos do fracasso e estes caminhos são:

    “1) não ensinar o que se sabe; 2) não praticar o que se ensina; 3) não perguntar o que se ignora” (2006, p. 121).

    O primeiro ponto do caminho do fracasso, que é o “não ensinar o que sabemos”, é muito importante. Pois o conhecimento não é como aquela aplicação que você faz no banco, na tentativa de fazer o seu dinheiro render um pouco mais é o contrário. Quanto mais você partilha, mais você conhece e aprende.

    Eu sou professor e aprendi esta lição na prática, ensinar é também uma forma de fixar o que aprendemos. Isso tudo sem contar com o próprio período de preparação e estudo para a aula que também é um momento de aprendizado. Quem ensina também aprende muito, quem não ensina, perde muito do que aprendeu.

    Não praticar o que ensinamos”, que é o segundo caminho do fracasso, é outra lição fundamental. Não podemos ficar apenas na teoria, precisamos aprender a assimilar e pôr em prática o aprendizado. Isso traz mais vivência no assunto, e com isso mais autoridade e segurança no que é ensinado, vivido ou trabalhado.

    As pessoas percebem aqueles que vivem uma vida apenas de teoria, por isso que falar e fazer é fundamental. Eu gosto do termo práxis, que denota uma teoria prática, é uma teoria que caminha e é dinâmica, que faz e realiza.

    E em terceiro lugar temos outro caminho fundamental para o fracasso que é “não perguntar o que temos dúvida”, é ficar com a dúvida com você. Este ponto é curioso porque para perguntar, precisamos ter a humildade de confessar que não sabemos. E se por arrogância, não perguntamos, ficamos acompanhados pela dúvida e deixamos de aprender e estar em meio ao crescimento que a aprendizagem traz.

    Não sabemos de tudo, ninguém nasce pronto, parafraseando o próprio título do livro do Cortella. Por isso que, perguntar é ser inteligente o suficiente para querer aprender e assim descobrir algo e crescer.

    Quem não pergunta, fica estagnado, sem crescer e aprender. A pessoa que acredita que sabe de tudo, nunca aprende e fica parado no meio do caminho da estrada do conhecimento.

    Esta é a receita do fracasso, uma ótima fórmula para quem quer se manter estagnado e parado no meio do caminho. Mas caso você queira desfrutar do saber, aprenda a lição, e se mantenha longe destas três perigosas estradas.

    BIBLIOGRAFIA

    CORTELLA, Mário. Sérgio. Não nascemos prontos: provocações filosóficas. 1. ed. Petrópolis: Vozes Nobilis, 2006.

  • EMPATIA PROJETADA

    Eu sou um tanto cético quanto a empatia, eu até acredito na possibilidade de sentirmos empatia, mas não creio que todos conseguem sentir. Penso que a maioria usa a frase apenas como desculpas vazias para falar que entende o próximo. A maioria das pessoas apenas projeta o que sente pela pessoa ao invés de cultivar o real princípio da empatia. David Walton resume bem todos os elementos da empatia, acrescentando que a empatia é:

    “1. Reconhecer que a outra pessoa está tendo sentimentos significativos (que podem ser positivos ou negativos) e algum senso do porquê de isso estar acontecendo. 2. Dizer algo que demonstra que você entende o que ela está passando e por quê”. (2016, p. 87).

    O princípio da empatia é partir do sentimento e da realidade da pessoa e não da sua. Com isso, é preciso conhecer, entender e ter tido um contato com aquela situação, para assim ter uma ideia do que ela realmente está passando.

    Há algum tempo, precisei fazer uma cirurgia para extrair um tumor benigno, fiquei bem preocupado e desabafei com um amigo sobre o assunto. O cara nem se preocupou, pois tinha passado pelo mesmo processo, e disse que eu tinha que ficar tranquilo.

    Eu sei que ele tentou ajudar, mas ele não teve empatia e sim, projetou o seu sentimento, para a minha experiência. Ter empatia vai muito além disso, e requer disposição para mergulhamos no sentimento e na vida do próximo e realmente nos colocarmos em seu lugar. E eu repito e insisto em afirmar que poucos fazem isso, a maioria usa a palavra, mas não tem a atitude de empatia.

    Eu não posso projetar os meus sentimentos e pontos de vistas na hora de tentar me colocar no lugar da pessoa, ao contrário, eu preciso me despir das opiniões e entender o mundo alheio a partir dele.

    Entenda que ninguém é igual, não somos criados em série, cada ser humano é único, com suas características, medos e anseios. E cada um tem as suas dificuldades e é neste ponto que mora o perigo e que a nossa tentativa de empatia pode falhar. Pois, o que me causa temor, não é a mesma coisa que provoca medo em você. Algumas situações que eu consegui superar de forma fácil, podem ser justamente aqueles pontos que você tem dificuldade.

    Empatia não é projetar o que eu sinto ou penso e sim, reconhecer o sentimento do próximo, e entender aquela dor como única, como dela e não minha. Um exercício que poucos fazem, a maioria projeta o que sente e não se coloca no lugar e no afã de ajudar, falam coisas que as vezes prejudica ainda mais alguém.

    Ter empatia é reconhecer o próximo como único e suas experiências como suas apenas, colocando de lado seus pensamentos e crenças. Quando aprendermos a olhar, a enxergar o mundo do próximo, aprenderemos a ter empatia e a ajudar de forma realmente verdadeira uma pessoa.

    BIBLIOGRAFIA

    WALTON, David. Inteligência emocional: um guia prático. 1. ed. Porto Alegre: L&PM, 2016.

  • APRENDA A TER ATITUDE

    “Aqueles que querem cantar sempre encontram uma canção” (PERCY, 2016, p. 30)

    Eu lembro de forma bem clara todos os meus momentos de dificuldade e dos problemas financeiros. Principalmente das horas no qual eu tentava uma determinada empreitada e não via resultado. Guardo na memória justamente para não perder o aprendizado e também para não esquecer o que Deus fez em minha vida este tempo todo.

    Nem sempre os nossos dias são tão fáceis, as vezes as dificuldades do caminho nos tiram o sorriso. Entretanto, sempre existirá o amanhã, o outro dia, ou alguma saída que quase sempre não enxergamos por conta do foco na direção errada.

    Os problemas possuem o incrível poder de nos tirar a visão, eles nos forçam a olhar apenas para o caos não permitindo enxergar a saída, que em alguns casos, está bem em nossa frente.

    Por mais que o dia seja cinza, há sempre o sol da manhã. E mesmo que a sua caminhada esteja complicada, nunca é tarde para recobrar a esperança e continuar. Por mais errado que o seu dia tenha sido, ou esteja sendo, não importa, sempre poderemos recomeçar.

    Eu aprendi a grande arte de rir dos meus erros, a levar as situações na esportiva e não me levar tão a sério assim. As vezes temos que tentar relaxar, para assim se acalmar e seguir um pouco mais tranquilo. O segredo é a persistência, é saber recomeçar e entender que a vida não é um eterno vencer, mas pode ser um eterno aprender.

    A parte boa de fazer uma graduação é todo o aprendizado que conquistamos, sejam com os livros sugeridos, as aulas e todas as experiências que os professores compartilham, isso nos faz crescer e aprender muito. A parte complicada é que normalmente depois de formado, em uma boa parte das vezes demoramos muito para conseguir nos alinhar em nossa área de formação.

    O meu caso foi justamente este e por isso, precisei trabalhar em outras áreas antes de ser professor, e muitos me criticavam por isso e falavam que a minha graduação não servia para nada.

    Isso é normal de ouvir, principalmente porque nem todos entendem a dinâmica, mas quando você está em um período de dificuldade, tal fala deixa você ainda pior. Ela transforma um problema pequeno em algo gigantesco.

    Mas como a ótima citação do começo do texto diz, “quem quer cantar, encontra sempre a canção”. O foco, o lugar no qual você mira o seu olhar, define muita coisa. E principalmente, a forma como você olha vai determinar como você se sente.

    Com isso, ao invés de focar no que eu não tinha, busquei formas de me aprimorar ainda mais. Eu não havia conseguido uma chance de lecionar, mas foquei em meu aperfeiçoamento, nos estudos e na escrita, e deixei de lado o que eu não tinha.

    Aprendi que a verdadeira parte ruim não é não ter uma chance depois de formado e sim, não estar preparado quando a chance aparecer. Descobri que a minha atitude, o meu posicionamento, definia o ritmo da minha caminhada.

    Ter atitude é ajustar o olhar e entender que quando nada é possível, você pode fazer o que está dentro de suas possibilidades. Por isso que enquanto eu estava formado e sem ter uma oportunidade na área, fui em busca de dar aulas sem remuneração com o intuito de ajudar igrejas e seminários. Aprendi muito dando aulas em seminários e isso foi um elemento definidor para a minha carreira como professor.

    Ao invés de focar nas coisas que você não está conseguindo, você pode continuar a se aprimorar e buscar oportunidades de atuação como voluntário. Tais experiências ajudarão você e colaborarão com sua carreira profissional, além de incentivar você a ajudar as pessoas.

    Não dá para parar apenas porque tudo não ocorreu como imaginávamos, precisamos aprender a persistir e buscar outros caminhos. É claro que nem tudo depende de nós, em alguns casos precisamos da oportunidade, que muitas vezes não conseguimos, a questão é que precisamos aprender a fazer o que está em nosso alcance, focado mais no fazer do que no lamentar e aos poucos aprender com as situações que a caminhada coloca em nossa vida. 

    BIBLIOGRAFIA

    PERCY, Allan, Platão para sonhadores: 80 pílulas de filosofia cotidiana para transformar suas melhores ideias em realidade, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2016.

  • A ODISSEIA DA DOR XVI: DEUS ESTÁ NO CONTROLE

    Eu já ajudei muitos amigos com mudanças, lembro-me até da primeira vez em que fui montar um armário de roupas. Era um caos, pois todas aquelas peças quando estavam soltas não faziam o menor sentido. Mas com o tempo, e após estudar com cuidado o manual de instruções, descobri todas as funções de cada peça e montei o guarda roupas da forma certa. Foi um desafio decifrar a lógica das peças soltas, mas eu aprendi.

    A vida se assemelha muito com um guarda roupas desmontado em alguns momentos. Tem horas que nada parece ter sentido e os problemas surgem para confirmar isso. O sofrimento tem o poder de transformar a bela vida em algo perdido, aleatório e sem propósito.

    É interessante ler a história de Jó e de José justamente por conta disso. Apesar da situação parecer fora do controle, Deus estava na frente de tudo e tinha um propósito com aquela situação. Era apenas Deus que conseguia ver lógica em todas as peças soltas da vida destes dois homens.

    É claro que nem sempre a dor tem um propósito, em alguns momentos os problemas surgem por conta da vida, por estarmos em um mundo de pecado. O caos é uma consequência óbvia do pecado no mundo. Mas Deus está sempre no controle de tudo. Ravi Zacharias complementa:

    “Se você não acredita que Deus está no controle e que o fez com um propósito, então você vai se debater nas profundezas da ausência de sentido, afundando nas correntezas e se envolvendo no turbilhão do nada” (2016, p. 43).

    Deus está no controle e quer confiemos nele justamente por ter um propósito para cada um de nós. Quem segue a Deus não vive uma vida aleatória, jogada em um turbilhão de nada. Eu gosto da frase que José fala para os seus irmãos, quando ele revela que é o irmão que eles venderam: “Vocês fizeram o mal contra mim, mas Deus transformou o mal em bem” (Gênesis 50:20).

    A falta de sentido nos empurra para um turbilhão de desespero e insegurança. Mas a Bíblia é o manual que nos mostra a direção, a vontade de Deus e as suas promessas.

    Hoje normalmente sou convidado pelos amigos para montar móveis e estantes, pois devido a prática, consigo montar com alguma habilidade e rapidez. Os inúmeros armários e mudanças me ajudaram a pegar conhecimento do processo de montagem. A mesma coisa eu digo sobre o sofrimento.

    Este período de dúvida, caos e dor me motivou a olhar para a Bíblia e buscar a Deus como nunca busquei. Ao tentar entender os problemas e o silêncio de Deus, aprendi a confiar nele ainda mais.

    Deus é soberano e tem o controle de tudo, e por mais que o caos transpareça falta de sentido, precisamos confiar que Deus sabe o que está acontecendo em meio as situações que para nós parecem aleatórias.

    Confiar é justamente largar o controle, crendo que Deus está cuidando da nossa vida.

    BIBLIOGRAFIA

    ZACHARIAS, Ravi. Deus o grande tecelão: como Deus nos molda por meio dos acontecimentos da vida. 1. ed. 2016. São Paulo: Shedd Publicações, 2016.

  • OPINIÃO SEM CONHECIMENTO

    Eu estava em uma feira ao ar livre, quando perguntei a um amigo se ele também queria um copo de uma bebida típica da nossa cidade. Com uma fala muito decidida ele respondeu, eu não gosto desta bebida, ela é muito ruim. Eu fiquei impressionado, mas aceitei o fato, contudo o que eu descobri depois foi que ele nunca havia bebido tal bebida, a questão era que a sua mãe não gostava e por isso, ele falava que também não gostava, e quando ele experimentou, gostou muito. Apesar de estar falando de bebidas, é comum vermos este tipo de atitude em várias áreas da vida e da sociedade. As pessoas opinam sem ao menos conhecer sobre o assunto. 

    Opinar hoje é muito comum, todos opinam, se expressam e postam seus pontos de vistas em suas redes sociais. É a facilidade que a época nos traz. A questão é que nem sempre a coerência está presente junto com as opiniões. Ouvimos tantos absurdos, tanta conclusão equivocada, fruto de uma falta de conhecimento, que é impossível não concordar com uma frase de Platão, onde ele diz que:

    “A opinião sem conhecimento é cega” (PERCY, 2016, p. 116).

    O conhecimento é fundamental para construir uma boa opinião. Se eu não entender de determinado assunto ao opinar, certamente cometerei muitos equívocos. Entender o contexto de uma situação, o funcionamento de determinado objeto ou a história por traz de algo é fundamental para que a nossa opinião seja equilibrada.

    Não adianta só opinar, sem conhecimento a opinião vai ser sempre equivocada e vazia, terminando, na maioria das vezes, em conclusões erradas ou mesmo simplistas demais. Sem conhecimento nunca vamos opinar de forma acertada, nos calcaremos em achismos, fruto da falta de investigação.

    Em meu bacharelado em teologia aprendemos a pesquisar o contexto histórico de cada texto bíblico. E é realmente impressionante perceber como faz diferença em nossa interpretação quando entendemos o contexto do lugar, como eram os costumes e ritos. Isso nos dá base para interpretar o texto de forma realmente coerente. Na vida não é diferente, conhecer o contexto do fato ou mesmo se aprofundar no assunto é imprescindível caso você queira entender a história de uma forma ampla.

    É comum o ser humano se levar muito a sério, a ponto de acreditar que é possível discorrer sobre algo, sem informações. Opinar é expressar um ponto de vista, é emitir um parecer sobre algo, o problema é que quando não temos informações, a opinião termina por ser vazia e sem qualquer base.

    É fundamental conhecer antes de opinar, caso contrário, falaremos sempre de forma superficial, ou até de forma equivocada. Se for para falar apenas por falar, é melhor se calar e ouvir!

    BIBLIOGRAFIA

    PERCY, Allan. Platão para sonhadores: 80 pílulas de filosofia cotidiana para transformar suas melhores ideias em realidade. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2016.

    https://www.dicio.com.br/opinar/

  • JORNADA CRISTÃ 19: DISCUSSÃO EQUILIBRADA

    Eu leio sobre defesa de fé (apologética), há muito tempo, em minha biblioteca tenho inúmeros autores sobre o tema, contudo, as vezes fico cansado de ler tais autores, pois em alguns momentos, me parece que a discussão é gratuita e existe apenas para ganhar uma conversa. Sinto falta de autores que aplicam a realidade da igreja tais ensinos e levam a sério as dúvidas que novos convertidos ou mesmo não cristãos que visitam a igreja, têm.

    Não faz muito tempo que eu conhecei a ler Timothy Keller, eu já conhecia alguns dos seus livros, mas nunca havia lido, e um tempo atrás comecei a mergulhar em suas obras. O autor tem muitos livros, entre os meus preferidos estão “Deuses falsos”, “O Deus pródigo e “A fé na era do ceticismo”, um livro que poderíamos catalogar como de defesa de fé, sendo que é esta obra que eu vou comentar neste texto.

    A parte interessante do livro é o modo como ele realiza as discussões e defesas de fé. O autor soa como um pastor (que ele é), tratando de dúvidas de uma forma honesta e humilde, sem aquele palavreado excessivo, nem aquela gana que alguns livros parecem ter em ganhar a discussão. O autor foge totalmente deste estereótipo, mostrando como é possível discutir ideias de uma forma construtiva, sem humilhar, rebaixar e dar a entender que a dúvida do outro é tola.

    O livro é fruto da própria experiência do autor, quando ele se propôs e fundar uma igreja em um lugar onde não haviam muitas, por conta do ambiente secularizado e alheio a religião. Eu creio que isso colaborou para que ele tivesse uma atitude mais relacional e humilde com as pessoas.

    Em alguns momentos do livro, o autor usa dúvidas e questionamentos dos próprios membros da igreja, em seus primeiros dias como frequentadores. O link e a forma inteligente e humilde no qual ele lidava com as dúvidas é realmente inspirador.

    É muito bom estudar apologética, saber defender a nossa fé é um ponto principal para um cristão que quer ter uma vida fundamentada e com conclusões sólidas a firmadas na palavra.

    O mundo hoje levanta muitas questões e ideias distorcidas sobre a Bíblia, a vida e a sociedade, entre tantos temas, por conta disso, a apologética se torna fundamental. É claro que, primeiro para nós, depois, para os outros.

    A questão é que não adianta aprendermos a fundamentar a nossa fé e depois sairmos discutindo com as pessoas, tudo e apenas, para ganharmos uma discussão. Perdemos um tempo grande quando a prioridade é apenas esta, além de perdermos uma pessoa em meio a nossa gana em estar certo.

    Saber dialogar levando a sério uma dúvida, é o principio da conversa que gera frutos, que leva alguém a refletir a e pensar no que estamos afirmando. É comum alguém não nos ouvir, devido a forma como falamos, principalmente quando somos orgulhosos.

    Neste livro Timothy Keller mostra como é possível dialogar e mostrar as contradições de pensamento de alguém, de forma respeitosa e humilde. Nesta obra ele mostra como é fundamental saber ter postura a fim de construir diálogos relevantes. Vale a leitura, com toda a certeza.

  • A ODISSEIA DA DOR XV: O JUSTO SOFRE

    A fé em Deus muitas vezes se torna desafiadora, tudo, e porque, em alguns momentos, parece que ele se esconde. Deus algumas vezes nos dá a impressão de não querer ser claro e evidente, preferindo permanecer no anonimato. Enquanto o mundo e as inúmeras contradições zombam da sua realidade, deixando a sua inexistência ou até possível apatia, ainda mais destacada. É o que nos parece, pelo menos para a nossa limitada forma de pensar, embora eu saiba que não é bem assim.

    A dor nos desestabiliza e o fato de parecer que Deus não liga, nos desconstrói, tira a nossa paz e nos joga ao chão. Queremos ver Deus, sentir o seu cuidado e perceber o seu poder agindo em todos os momentos, inclusive nas injustiças do mundo ou mesmo em nossa vida, que muitas vezes é alvo catástrofes.  

    O livro de Jó narra justamente este acontecimento e ele é a prova viva que o justo sofre. Naquele tempo, doenças graves eram atribuídas ao pecado, seja da própria pessoa ou mesmo dos pais. Por ter pecado, Deus estava punindo a pessoa e o doente tinha que aceitar isso. Mas Jó não era um destes e estava sofrendo. O texto diz que Jó era justo e temente a Deus, contudo, o caos invadiu a sua vida, apenas para nos mostrar que o justo também sofre, não estamos imunes ao sofrimento.

    Contudo existe um ponto interessante no livro de Jó, que as vezes passa despercebido em nossa leitura. O texto mostra como uma pessoa justa e íntegra deve passar pela provação. Ravi Zacharias no livro “Deus o grande tecelão”, complementa este fato de forma bem pontual:

    “Em sua sabedoria, Deus permitiu a provação não apenas para moldar Jó, mas também para nos dar um exemplo de como uma pessoa íntegra se conduz através da dor e da provação. Ele já possuía um caráter íntegro, mas por meio de seus sofrimentos vemos como uma pessoa íntegra se comporta em meio a tragédia” (2009, p. 41).

    A tragédia tem o poder de nos descontruir, de nos jogar ao chão e mostrar nossas limitações. A questão é que o cristão, aquele que realmente segue a Deus, precisa entender que é só confiando, que passamos pelas adversidades. Foi este o exemplo que Jó deu a todos.

    O livro narra uma das maiores odisseias que podemos ver e mostra como podemos passar por elas. Por mais que as provas em alguns momentos, tenham desanimado Jó, ele passou pelo sofrimento confiando em Deus. A sua atitude diante do caos só confirmou o que ele realmente era.

    Precisamos aprender a transitar pelo sofrimento confiando e entendendo que não estamos sozinhos, pois o justo sofre, ele passa dificuldades, mas Deus não o abandonou.

    Descobri nesta minha empreitada que o sofrimento tem o poder de nos tirar as respostas, abalar nossos pontos de vistas e crenças. A única coisa que ele não pode fazer é minar a nossa confiança em Deus, que no mais, é só persistir, seguindo o belo exemplo de Jó.

    BIBLIOGRAFIA

    ZACHARIAS, Ravi. Deus o grande tecelão: como Deus nos molda por meio dos acontecimentos da vida. 1. ed. 2016. São Paulo: Shedd Publicações, 2016.