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A ODISSEIA DA DOR XIX: LIBERDADE INTERIOR
Há muito tempo atrás, em uma empresa que eu trabalhava, alguém conseguiu abrir o armário onde eu deixava as minhas coisas e roubar o meu pagamento. No local não havia câmeras e o armário não tinha sinais de arrombamento, com isso ao levar o acontecido aos meus chefes, ninguém acreditou que o dinheiro havia sido roubado e eu terminei sendo mal visto por todos.
Você já sofreu injustamente? Já passou por alguma situação onde sem motivo o acusaram de cometer algo que você não havia cometido? Frequentemente alguns missionários cristãos têm sofrido por pregar ou mesmo acreditar em um Deus diferente da religião e crença daqueles países. E eu creio que justamente estas pessoas entendem bem o termo injustiça.
Nós cristãos podemos cometer muitos erros ao fecharmos os olhos para a fome em muitos países, para a perseguição política ou religiosa e principalmente, para o que aconteceu nos campos de concentração durante a segunda guerra. Por isso que é fundamental tentar sair da nossa cômoda posição e tentar observar a realidade que pessoas de outras culturas enfrentam. Esta atitude nos trará uma opinião mais coerente e embasada e também humildade na hora de falar de um tema tão complicado como a dor e o sofrimento.
O livro “Em busca de sentido” de Viktor Frankl é uma obra ótima para mergulharmos um pouco na injustiça que o ser humano é capaz de fabricar. Na obra, o autor fala um pouco de suas experiências em alguns campos de concentração durante a segunda guerra mundial.
O que salta os olhos, logo nas primeiras páginas da obra é justamente em meio ao caos e injustiça, existir prisioneiros com privilégios que tratavam com desprezo e extrema violência o restante dos presos comuns (FRANKL, 2020, p. 15).
Estes prisioneiros privilegiados eram chamados de Capos. Normalmente estes homens eram escolhidos para ajudar os guardas a fiscalizar e também torturar prisioneiros, quando era preciso. Sendo que muitos deles se mostravam mais cruéis que os próprios guardas do campo de concentração, quando realizavam a tortura (FRANKL, 2020, p. 16).
É inevitável olharmos para a Bíblia nestas horas e ver que ela está certa ao falar do pecado e do egoísmo humano. E não é difícil encontrar em nossos dias de paz, aqueles que se aproveitam de situações calamitosas a fim de tirar vantagem de alguém que está passando por dificuldades.
A apatia ante a dor é outra situação que impressiona quem lê o livro. É realmente surreal ver como o ser humano se acostuma a ver caos, dor e morte (FRANKL, 2020, p. 35, 36). Contudo, o mais legal do livro é ver que mesmo em meio a dor e injustiça, existiram muitos que não se conformaram e fizeram diferença, mostrando que o meio não havia moldado a sua mente. Viktor Frankl complementa:
“E mesmo que tenham sido poucos, não deixou de constituir prova de que no campo de concentração se pode privar a pessoa de tudo, menos da liberdade última de assumir uma atitude alternativa frente às condições dadas” (FRANKL, 2020, p. 88).
Muitos mesmo que presos e passando pelas mesmas dificuldades que os outros, conservavam uma liberdade interior e acabavam ajudando, dividindo o pouco (ou quase nada) com o próximo e oferecendo a mão ao necessitado.
Somos chamados a influenciar, precisamos entender que o externo não pode definir nosso interior e colocar a nossa fé em Deus é o melhor caminho para sermos sal e luz na vida das pessoas.
Ou olhamos para a cruz e buscamos forças em Deus ou a todo o momento permitiremos que a calamidade transforme a nossa vida em uma caminhada sem propósito. Precisamos entender que a verdadeira liberdade interior vem apenas de Deus, não há outro modo de seguir relevante e fazer diferença na vida das pessoas, é só através da sua graça. É em Deus que temos a verdadeira liberdade!
BIBLIOGRAFIA
FRANKL, V. E. Em busca de sentido. 50. ed. São Leopoldo: Editora Sinodal; Petrópolis: Editora Vozes, 2020.
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A REVERÊNCIA COMO ALICERCE
Sempre que eu estou em meio a natureza ou mesmo caminhando no parque perto de casa, eu tenho o mesmo sentimento de espanto. A criação de Deus me tira o fôlego, me deixa reflexivo e sem palavras. É tudo muito complexo, detalhado e perfeito, nos mínimos detalhes. Não consigo deixar de concluir que a natureza e a criação são frutos de um Deus soberano e poderoso, sendo que ela revela justamente isso, que há um arquiteto por trás de tudo (Romanos 1:20).
Esta constatação me faz ter reverência, saber que eu sou um ser criado e entender que há um Deus soberano, que tudo pode e que é infinito, me deixa com os pés no chão, ciente da minha finitude, sendo que, isso me faz ver melhor as coisas e impede que o meu orgulho me coloque no centro de tudo. Nilton Bonder no livro Fronteiras da inteligência, discorre muito bem sobre a importância da reverência para a nossa vida:
“A reverência é o único alicerce sobre o qual qualquer leitura da realidade pode se firmar. Sem ela, o saber fica sem sentido, e onde não há sentido o ser humano sempre preenche com a ideia de que o sentido é ser para si próprio” (2011, p. 131).
É fácil colocar a nossa vida no centro de tudo e deixar que a sensação de prepotência dite o ritmo das nossas conclusões, pontos de vistas e valores. É muito mais fácil ser arrebatado por este tipo de autoengano do que ter um pensamento mais equilibrado.
O ser humano sempre vai ter uma opinião equivocada de si, que em sua maioria ou é exagerada para menos, que são aqueles que acreditam que não possuem capacidade, que são menores do que os outros. Ou é exagerada para mais, que são aqueles que acreditam que são melhores, superiores e estão acima de todos.
O senso de reverência termina por ser um alicerce, uma ferramenta que nos protege do autoengano e das conclusões simplistas e orgulhosas. E é claro que cada um tem as suas habilidades e capacidades, a intenção não é nos diminuir, pois é Deus que nos dá dons e propósitos. O alvo é cuidar para que nós não nos coloquemos em um pedestal, pois ao perdermos o temor e a reverência, nos esquecemos justamente disso. Saber que há um Deus soberano que me mantém, que entende que sou falho e me leva a colocar a minha esperança somente nele.
Alicerçar a nossa vida com a reverência é entender bem quem somos, e não permitir que a vida gire em torno de nós. É ter a sabedoria e também a humildade de reconhecer que há algo mais, que Deus está acima de tudo, fazendo, criando e sustentando a nossa vida.
Por isso, quando caminhar pela natureza aprenda a ver além de si, perceba em toda a criação, que Deus programou tudo, que a sua criatividade e poder fez com que tudo tivesse sentido. Isso colocará você em seu devido lugar e abrirá uma porta para que a grandiosidade de Deus traga para sua vida a reverência e o temor, um respeito profundo que alicerçará a sua caminhada.
“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo a prudência” (Provérbios 9:10).
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton. Fronteiras da inteligência. 1. ed. Rio de janeiro: Rocco, 2011.
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ASSUMA SUAS RESPONSABILIDADES
“A responsabilidade pertence a quem escolhe” (PERCY, 2016, p. 44)
PlatãoÉ comum cometermos erros, decisões equivocadas ou mesmo atitudes impensadas que nos trazem consequências ruins. Muitas vezes não calculamos bem nossas ações e nos prejudicamos por isso. Mas eu creio que a pior atitude não é errar, e sim não reconhecer o erro e deixar de aprender com uma situação.
Na vida você pode seguir vivendo basicamente de duas formas, a primeira é transferindo a culpa de tudo o que acontece com você. É acreditar que tudo o que acontece de errado é culpa de terceiros, com isso, você segue sem crescer, sem aprender com os equívocos sendo que certamente, você irá repetir suas decisões equivocadas, tudo e porque, você não assumiu a responsabilidade por suas ações.
A segunda forma é assumindo as suas responsabilidades, resolvendo assim os seus problemas. Veja bem, muitas vezes as coisas ruins são culpa das nossas decisões erradas. Em outros momentos são sim culpa de terceiros, a questão é que em todas estas situações, a responsabilidade de arrumar o problema será simplesmente sua e de mais ninguém.
Assumir a nossa responsabilidade é ter uma atitude assertiva, é entender que por mais que uma doença tenha surgido, mesmo você cuidado de sua saúde, a responsabilidade é sua de arregaçar as mangas e agir para recuperar a saúde. O mesmo podemos falar de um período de desemprego, ou quaisquer situações inevitáveis da vida e também, daqueles casos que são culpa totalmente nossa. Quem vai precisar consertar a situação somos nós, por isso, sair procurando um culpado, é fugir da responsabilidade e adiar a resolução daquela situação.
Você não sabe o quão libertador é assumirmos nossas responsabilidades, sem perder tempo em transferir a culpa de nossos fracassos, ou mesmo, tentando encontrar o culpado. No final as escolhas são nossas, foi nossa decisão, foi por conta de um desejo que você tentou e fracassou, ou mesmo por conta das situações da vida.
Nunca vamos aprender se não começarmos a reconhecer nossas falhas. Muito menos crescemos se não assumirmos nossas responsabilidades, seja por situações que são culpa nossa ou não.
Quando aprendemos a assumir os problemas, pensamos em como estamos agindo e em como podemos agir melhor. Desta forma, além de arrumarmos o erro com mais rapidez, colheremos lições que levaremos para a nossa vida.
BIBLIOGRAFIA
PERCY, Allan, Platão para sonhadores, 80 pílulas de filosofia cotidiana para transformar suas melhores ideias em realidade, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2016.
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A ARTE DE ESTUDAR
Se tornou uma espécie de ritual em minha vida, acordar, preparar o café, e me dedicar a leitura e ao estudo. Sendo que, muitos não entendem porque eu levanto cedo até no sábado, para me dedicar a algo tão chato assim (segundo estes), ao invés de descansar.
Infelizmente muitos veem o estudo com olhos bem negativos, acreditando que estudar é algo maçante e entediante, o que eu discordo muito. Ler, estudar e buscar o conhecimento não é só algo muito legal, que nos traz prazer, mas também uma oportunidade única. Descobrir a alegria no processo de leitura e estudos é importante para que você consiga cultivar este hábito fundamental.
Comece entendendo que quantidade nunca foi a fórmula do bom estudo, é preferível estudar pouco, mas com qualidade, do que muito, sem qualquer foco ou disciplina. Por isso, aprenda a dedicar um pouco de tempo que seja a esta atividade, mas com constância, diariamente, este é o segredo. O conhecimento é adquirido a passos lentos, sem pressa alguma.
Construa um ambiente onde você possa ter concentração e para isso, desligue todos os objetos que possam tirar a sua atenção. Entenda que, quando você divide a sua concentração com outras coisas, o seu foco também fica dividido, e a eficiência do processo de estudos acaba sendo comprometida (BASTOS et al, 2014, p. 25).
Outro ponto importante para a eficácia dos seus estudos é propor pausas. Já é comprovado que não é possível mantermos a atenção por muito tempo, por isso, delimitar um período onde você sabe que conseguirá manter o foco, alternando com pausas, é fundamental, entendendo que cada um deve analisar qual deve ser o tempo de estudo, pois cada estudante tem o seu tempo (BASTOS et al, 2014, p. 25). Existem algumas técnicas, como o Método Pomodoro, que propõem você estudar 30 minutos e descansar 5 ou mesmo 10, sendo que você pode fazer as suas adaptações, de acordo com a sua capacidade e habilidade de concentração. Assim, você vai conseguir um rendimento muito maior e uma maior fixação do conteúdo, visto que, estará estudando e usando o seu foco e a sua concentração máxima.
Estudar e ler é uma questão de prioridade e de tempo, por isso, separar um tempo de estudo é fundamental para que você consiga se dedicar a esta atividade. Ninguém tem tempo sobrando, o tempo se constrói através das prioridades e das escolhas que fazemos.
Eu sempre digo em aula que o cérebro é como um músculo, precisa ser exercitado para não atrofiar. E como todo o exercício, nem sempre é simples começar, as vezes procrastinamos justamente porque é uma prática desafiadora. Mas quando conseguimos, o hábito faz a prática se tornar um modo de vida.
Quem lê e estuda, aprende a ver ainda mais e reflete de forma muito mais coerente, fugindo sempre do senso comum que persegue todos aqueles que não buscam o conhecimento.
BIBLIOGRAFIA
BASTOS, Cleverson.; KELLER, Vicente. Aprendendo a aprender: Introdução à metodologia científica. Petrópolis: Editora Vozes, 2014.
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A ODISSEIA DA DOR XVIII: DISTANTE DE DEUS
“Se você está se sentindo distante de Deus, adivinhe quem mudou” (YANCEY, 2006, p. 52).
Em uma altura da minha vida, há alguns anos atrás, tive a impressão que tudo não fazia mais sentido. Não tinha mais lógica ler a Bíblia, quando eu orava, parecia que estava falando com as paredes, e na igreja, não sentia mais Deus como antes. Era estranho, parecia que eu caminhava sozinho, distante de tudo e de todos, inclusive de Deus. Sendo que foi nestes dias que os primeiros questionamentos sobre Deus e a sua existência, surgiram. Será que Deus realmente existia? Esta era a pergunta que retumbava em minha mente e foi a partir deste ponto, e de algumas dificuldades, como eu falei em outros textos, que eu comecei a ter problemas com a minha fé, e a empreender a minha odisseia.
A história de Jó me impressiona justamente por conta disso. Era nítido o fato de que Deus tinha abandonado Jó. Inclusive os amigos que haviam vindo para consolá-lo, deram a entender também isso. Deus estava castigando Jó, Deus havia abandonado aquele homem. Resumindo um pensamento que fazia parte da cultura da época. Se você estava sofrendo, eles acreditavam que era por sua culpa ou mesmo culpa dos seus pais.
A parte interessante na narrativa de Jó é que ele não virou as costas para Deus. Em meio a dúvida, por conta da situação que ele se encontrava, até uma audiência com Deus ele pediu (Jó 13:3), contudo, desistir de Deus não era uma de suas opções.
É normal passarmos por vales, por momentos que temos a impressão de que Deus não está mais olhando para nós ou o pior, como eu mesmo pensei, acreditar que Deus não existia.
A questão é que ao me lembrar destes momentos de dúvida, percebi que foram fases que justamente eu estava mais frio, não orava mais, nem lia a Bíblia. Acreditava que Deus havia me abandonado, mas na verdade, era eu que havia abandonado a minha comunhão com ele.
Na vida corrida, sem querer vamos mudando de prioridade. Nos dedicamos ao estudo, nos preparamos para a nossa profissão, procuramos ser honestos e não deixamos de frequentar os cultos, só esquecemos do principal, que é a nossa comunhão com Deus.
Quando começamos a crer que Deus está distante, a verdade é que nós é que nos distanciamos dele. O colocamos em segundo plano, e não damos as devidas prioridades que um Deus poderoso, como o nosso, deveria ter em nossa vida.
A vida cristã é uma prática, não um costume mecânico, mas uma busca incessante por um Deus que prioriza a comunhão. Tal busca não pode ser baseada em emoção e em sentir. É preciso buscar em amor, por um Deus que anseia estar conosco. A busca é racional e sincera.
As vezes aquelas orações que pareciam frias, que não passavam do teto, só resumiam a minha própria condição, e o quanto eu estava priorizando estar com o Criador. Naqueles dias eu estava sentindo Deus distante de mim, mas na verdade, era eu que estava distante dele, era eu que havia desanimado e não mais confiava em sua graça.
Pense nisso, quando você se sentir assim e lembre-se que a prioridade de orar e ler a palavra de Deus é a atitude fundamental para quem quer estar mais perto do criador. As vezes acreditamos que Deus se distanciou de nós, mas não percebemos que fomos nós que nos distanciamos dele.
BIBLIOGRAFIA
YANCEY, Philip, A Bíblia que Jesus lia, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2006.
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VERDADES E CERTEZAS
“As verdades admitem que existam em oposição a elas outras verdades. A certeza, no entanto, é ditatorial. A primeira diz respeito à busca humana, a segunda, ao desejo, profundamente arraigado em nós, de controle.” (BONDER, 2011, p. 109).
Há muito tempo atrás, a minha antiga banda foi convidada a tocar em outra cidade, juntamente com a banda de outro amigo. Para quem é músico, viajar para tocar é sempre prazeroso, mas também muito caro. Por isso, juntamos as duas bandas e combinamos de alugar uma van, assim os custos seriam divididos, e todo mundo sairia ganhando com a economia, até o organizador do show, já que show de rock nem sempre dá retorno. Todo mundo ficou feliz, menos os dois músicos da outra banda, que decidiram ir de carro.
A parte surreal desta história era que eles iriam seguindo a van, mas em uma parte do caminho, acabaram seguindo a van errada, e foram parar em uma cidade, do outro lado do estado. E é claro, eles não chegaram a tempo de fazer o show, apareceram no término e tocaram para meia dúzia de pessoas.
Depois de anos cultivando o hábito da leitura e do estudo, após ler muitos livros, desde clássicos até ótimas obras de autores atuais, pude perceber que a verdade, além de existir, é complexa. E o relativismo as vezes surge e ganha força, justamente por ser complicado empreender a busca pela verdade. É muito mais simples concluir que ela é relativa e muda conforme a opinião de cada um, isso poupa a pessoa de uma reflexão. Contudo, mais perigoso que o relativismo são as certezas, que levam você a focar na van errada, sem que você perceba que está indo em direção ao equívoco.
A certeza tem uma aparência até que bonitinha, ela até aparenta ter ares intelectuais, o problema é que por traz dela, está o desejo de impor e forçar uma opinião. Quem tem certeza, dificilmente dialoga, na maioria das vezes impõe, forçando um controle.
Já a verdade é fruto da investigação, ela é construída com estudo, informação e pesquisa, sendo que a verdade sabe muito bem o quão complexo que é o conhecimento e o quanto o ser humano se engana.
Quando vemos militantes seja do tema que for ou mesmo pessoas que possuem opiniões fortes quanto a política, religião e a sociedade, vemos muitas certezas. Na maioria das vezes estes acreditam cegamente que o seu partido e a sua causa são a solução para os problemas do mundo, por isso que a maioria destes nem dialogam e é também por isso que é uma grande perda de tempo entrar em um debate com estas pessoas.
Só é possível encontrar a verdade com informação e diálogo, quando abandonamos as certezas e rumamos em direção a informação e as provas. Quem tem certeza, não se abre, não se recicla e muito memos revê o seu conhecimento e experiência. Quem segue em busca da verdade, dialoga e entende bem que é possível estar enganado.
Aprenda a seguir a verdade e entenda que para isso ser possível, você precisa estar aberto para dialogar. É possível se perder ao focar em suas certezas, justamente por não estar aberto a investigação, já que você acredita que está certo.
A dúvida é o primeiro passo para encontrar a verdade, pois ela leva você a investigar e a pesquisar. Um pouco de dúvida, sempre levará você a se reciclar e rever a sua opinião, agora a certeza sempre será uma âncora, que manterá você estagnado, sem dialogar e com isso, sem aprender.
Lembre-se que se você acredita que sabe de tudo, nunca vai aprender algo novo!
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton. Fronteiras da inteligência. 1. ed. Rio de janeiro: Rocco, 2011.
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JORNADA CRISTÃ 20: CONHECENDO A HISTÓRIA
Justo González é um teólogo muito conhecido no meio cristão, o seu famoso livro “A História Ilustrada do Cristianismo”, se tornou um clássico e figura entre os principais e mais importantes livros cristãos. Nesta coleção, González se concentra em abordar sobre o cristianismo, trabalhando a história de vários cristãos e movimentos que surgiram durante a história da igreja. Entretanto, o livro que eu quero dar ênfase do autor é “Uma Breve História das Doutrinas Cristãs”, outra obra igualmente fundamental no meio cristão.
Eu acredito que uma das atitudes fundamentais de todo o cristão é conhecer a sua história. É entender como surgiu o cristianismo e como ele se desenvolveu depois de Cristo e os Apóstolos. E também entender como que as principais doutrinas passaram a fazer parte do cerne da identidade cristã. É fundamental saber estes pontos, principalmente para escapar de falácias, que a todo momento tentam argumentar contra a igreja.
Conhecer as doutrinas cristãs é um ponto chave para ser cristão. É fundamental entender que Jesus é simultaneamente divino e humano, ou mesmo sobre a Trindade, entre tantos pontos importantes e saber como tudo surgiu é fundamental para uma fé coesa, que escapa de falácias e explicações equivocadas.
No livro o autor mostra como as doutrinas que foram estabelecidas nos primeiros concílios, não foram fruto de discussões acaloradas e muita briga dos pensadores da igreja, e sim, uma resposta do que estava acontecendo na igreja cristã. Justo González complementa sobre este assunto:
“No entanto, a maioria das doutrinas virou ensino oficial da Igreja através de um consenso alcançado sem maior discussão formal. Como veremos em seguida, até a questão de quais livros deveriam ser incluídos no Novo Testamento, e quais não, foi resolvida por um consenso que levou um longo tempo para ser atingido” (2015, p. 10).
Como unanimidade a maioria das doutrinas que temos hoje na igreja, eram praticadas nas igrejas. Os concílios serviram apenas para estabelecer pontos que todas as igrejas já tinham, e formalizar uma forma de culto e ensino, que fazia parte do rito das igrejas cristãs. E este é um ponto fundamental, pois todos estes principais ensinos, tinham a característica de ser usado em todas as igrejas cristãs.
No livro, González dá detalhes e mostra que, por mais que foram algumas heresias que motivaram os concílios, com o intuito de estabelecer ensinos e fugir destes temas equivocados que rondavam a igreja. As doutrinas propostas neste concílio já faziam parte do culto cristão. O autor é realmente didático, mostrando e dando provas de como estes conhecimentos já eram normais entre os cristãos.
É muito comum ouvirmos sobre embates na igreja e discussões para estabelecer doutrinas ou mesmo, quais seriam os livros que deveriam entrar no Novo Testamento, mas está história não é real, estas discussões foram poucas, pois já existia um consenso e foi ele que guiou a igreja cristã.
O livro é esclarecedor, muito bem escrito e é uma das obras mais importantes que li.
BIBLIOGRAFIA
GONZÁLEZ, Justo. L. Uma breve história das doutrinas cristãs. 1. ed. São Paulo: Hagnos, 2015.
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A ODISSEIA DA DOR XVII: FALSO PODER
“Como muitos aprenderam para depois ensinar, ninguém percebe que Jesus é tudo de que se necessita até ele ser tudo o que se tem” (KELLER, 2020, p. 44).
Você já se imaginou sem todos os objetos que você tem hoje? Sem o seu salário, a sua bela casa, a sua estabilidade financeira? Ou mesmo sem a sua saúde, tendo que lidar com um problema que te tira a paz e segurança. Eu já precisei lidar com estas situações e sei que não são momentos agradáveis.
Neste meu tempo de dúvidas, precisei lidar com muitas coisas, não só com os meus questionamentos. A dor, o caos e problemas financeiros haviam invadido todas as áreas da minha vida. Parecia um vendaval que estremecia e desarrumava tudo, mostrando que no final, as coisas que eu valorizava eram fracas e não tinham muito sentido.
A parte interessante foi que depois de um tempo de dúvidas e questionamentos, pude entender e perceber que Deus estava comigo. Foi no caos, desamparado e sem nada, que percebi que eu já tinha tudo, e que o resto não tinha tanto valor. É quando perdemos que percebemos que o que nos resta é na verdade tudo o que precisamos.
Em muitos momentos os bens e a estabilidade nos dão uma falsa impressão de segurança e controle. Com isso, não percebemos nossos enganos e o imenso vazio que as coisas sem sentido deixam em nosso peito. A sensação de poder que o dinheiro traz é falsa, assim como algumas de nossas certezas ou coisas no qual colocamos as nossas esperanças.
Muitas vezes substituímos Deus ao confiar nossa esperança em objetos ou lamentar a falta, como se o dinheiro fosse tudo. Lembre-se que o rico se engana por colocar suas esperanças no dinheiro, já quem não tem dinheiro, cai no mesmo erro, quando acredita que o objetivo principal de sua vida deveria ser acumular um monte de coisas.
O pecado é sempre sutil e usa coisas boas e legítimas para nos destruir, como o nosso trabalho, carreira, o dinheiro (para quem tem) e a busca incessante pelo dinheiro (para quem não tem). Normalmente o que nos afunda são as coisas boas, mas que são tratadas da forma equivocada.
O falso poder é confiar em algo que enferruja, que a traça ou inflação corrói ou mesmo colocar nossas esperanças em nosso potencial, inteligência e condições financeiras. Estas coisas nos fazem seguirmos sozinhos e esquecendo muitas vezes de Deus, mas é em meio a desesperança, que percebemos que na verdade nós já tínhamos tudo.
Foi quando cheguei ao fim da linha, sem emprego, dinheiro e com um problema de saúde bem grave, além de todas as minhas dúvidas, que eu percebi que tudo o que eu precisava era de Deus e de sua graça. O sofrimento e as dificuldades apontam para ele e para o nosso enorme vazio.
O caos mostra que sem Deus não conseguimos enfrentar muita coisa e com isso, entendemos que é só com ele que conseguiremos enfrentar as dificuldades.
BIBLIOGRAFIA
KELLER, Timothy. Deuses falsos: as promessas vazias de dinheiro, sexo e poder, e a única esperança que realmente importa. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2020.
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JARDIM ESPIRITUAL
É possível não percebemos a beleza de um jardim, tudo e apenas por não cuidamos, não arrancarmos as ervas daninhas e muito menos regamos as flores e plantas. Não adianta plantar flores lindas em seu quintal se você não cuida delas. O que mantém um jardim bonito é justamente o cuidado, caso contrário, ele vira um matagal.
A vida espiritual centrada, é parecida com um jardim. Você precisa diariamente estar cuidando, orando e estudando a Bíblia. É fácil desanimar e deixar as ervas daninhas crescerem e tomarem conta do seu jardim.
A preocupação excessiva é a primeira erva daninha que nos prejudica, pois tira o nosso foco de Deus. Além de lançar em nossa mente a dúvida e o desânimo, uma pessoa muito preocupada, não vive, mal degusta os dias que Deus lhe deu, quem dirá, vai gastar um tempo orando e se entregando. Precisamos entender que não controlamos muita coisa, por isso que confiar em Deus é a melhor opção, sendo a preocupação o veneno que mina o nosso devocional diário.
A falta de disciplina é outra erva daninha perigosa, pois a vida cristã é uma prática diária, não existe ponto final ou conclusão e sim, uma constante busca e estudo. É como tomar banho ou fazer as nossas higienes pessoais. Precisa ser diário, para que tenhamos um corpo saudável e asseado. A saúde espiritual é ligada à nossa constante e ininterrupta vida de oração e estudo da palavra. Assim, o jardim vai crescer e manter-se florido.
O consumismo é outra erva daninha perigosa, pois ele nos leva a viver a vida para as coisas, para o gastar e o ter, e aos poucos, Deus deixa de ser o centro de tudo. É claro que não é errado ter, o problema é colocar o ter e as coisas, no patamar de Deus, fazendo com que elas virem a nossa prioridade de vida.
A Bíblia mesmo fala que não dá para servir a dois senhores (Mateus 6:24), e é possível, transformarmos a sede de ter, de possuir e acumular riquezas, em um deus em nossa vida.
Estamos em um tempo difícil, são dias incertos que têm nos mostrado o quanto somos frágeis e limitados. Muitos têm ficado depressivos, ansiosos e preocupados com o futuro pós-pandemia. E tem sido nestes dias, que eu tenho visto o quão importante é ter uma vida centrada em Deus.
Não há outra forma de passar pelas tempestades, é só quando priorizarmos as coisas certas, que conseguiremos enfrentar, com a ajuda de Deus, todas as intempéries.
Cultive o seu jardim, mantenha ele alinhado, pois quando cuidamos do principal, todas as outras áreas da nossa vida são frutificadas.
É priorizando as coisas importantes que passaremos pelo caos, é cuidando bem do nosso jardim espiritual que conseguiremos passar pelas intempéries que enfrentamos durante a nossa caminhada.
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OS TRÊS CAMINHOS DO FRACASSO
Não é tão incomum encontrarmos receitas de sucesso. Muitos hoje querem vender uma fórmula, como se fosse possível fabricar em larga escala o sucesso. O sucesso é tão difícil de fabricar quanto definir, já que não é tão simples assim pontuar se alguém teve, ou não, sucesso. Pois para sabermos, precisamos primeiro entender os objetivos de cada pessoa.
O sucesso é sempre desafiador, por conta do propósito de cada um. E fabricar uma receita é complicado justamente porque ele depende de muitos outros fatores. Não é apenas ter habilidade em algo, nem ter um determinado tipo de conhecimento. Existe muitos pontos para que consigamos ter sucesso, como como oportunidade, condições e alguns outros aspectos. Contudo com o fracasso, é possível termos um pouco mais de previsão.
Existe uma receita infalível de fracasso e Mario Sérgio Cortella discorre sobre ela em seu livro: “Não Nascemos Prontos”, na obra o autor fala sobre o monge Beda e os três caminhos do fracasso e estes caminhos são:
“1) não ensinar o que se sabe; 2) não praticar o que se ensina; 3) não perguntar o que se ignora” (2006, p. 121).
O primeiro ponto do caminho do fracasso, que é o “não ensinar o que sabemos”, é muito importante. Pois o conhecimento não é como aquela aplicação que você faz no banco, na tentativa de fazer o seu dinheiro render um pouco mais é o contrário. Quanto mais você partilha, mais você conhece e aprende.
Eu sou professor e aprendi esta lição na prática, ensinar é também uma forma de fixar o que aprendemos. Isso tudo sem contar com o próprio período de preparação e estudo para a aula que também é um momento de aprendizado. Quem ensina também aprende muito, quem não ensina, perde muito do que aprendeu.
“Não praticar o que ensinamos”, que é o segundo caminho do fracasso, é outra lição fundamental. Não podemos ficar apenas na teoria, precisamos aprender a assimilar e pôr em prática o aprendizado. Isso traz mais vivência no assunto, e com isso mais autoridade e segurança no que é ensinado, vivido ou trabalhado.
As pessoas percebem aqueles que vivem uma vida apenas de teoria, por isso que falar e fazer é fundamental. Eu gosto do termo práxis, que denota uma teoria prática, é uma teoria que caminha e é dinâmica, que faz e realiza.
E em terceiro lugar temos outro caminho fundamental para o fracasso que é “não perguntar o que temos dúvida”, é ficar com a dúvida com você. Este ponto é curioso porque para perguntar, precisamos ter a humildade de confessar que não sabemos. E se por arrogância, não perguntamos, ficamos acompanhados pela dúvida e deixamos de aprender e estar em meio ao crescimento que a aprendizagem traz.
Não sabemos de tudo, ninguém nasce pronto, parafraseando o próprio título do livro do Cortella. Por isso que, perguntar é ser inteligente o suficiente para querer aprender e assim descobrir algo e crescer.
Quem não pergunta, fica estagnado, sem crescer e aprender. A pessoa que acredita que sabe de tudo, nunca aprende e fica parado no meio do caminho da estrada do conhecimento.
Esta é a receita do fracasso, uma ótima fórmula para quem quer se manter estagnado e parado no meio do caminho. Mas caso você queira desfrutar do saber, aprenda a lição, e se mantenha longe destas três perigosas estradas.
BIBLIOGRAFIA
CORTELLA, Mário. Sérgio. Não nascemos prontos: provocações filosóficas. 1. ed. Petrópolis: Vozes Nobilis, 2006.
