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EXERCÍCIO MENTAL
Escrever é uma das mais importantes práticas da vida acadêmica, um bom professor, principalmente um professor de curso superior, está sempre escrevendo por conta das aulas ou mesmo das pesquisas. Com isso, é inevitável falar da escrita quando discorremos sobre o assunto.
Escrever é um ótimo exercício, pois, a mente se assemelha com um músculo, ela precisa ser constantemente exercitada para criar habilidades e se desenvolver. Quanto mais exercitarmos, mais crescemos e nos desenvolvemos.
Justamente por causa disso, eu construí uma rotina onde eu cumpro todas as manhãs, hábitos que eu cultivo para o meu crescimento. E entre todos os hábitos estão a leitura, que é uma parte fundamental da minha vida, já que eu preciso estar constantemente aprendendo, pesquisando e conhecendo para poder escrever. E a escrita, que é o outro hábito que eu tenho ao lado da leitura, é igualmente fundamental. Uma prática importante para o nosso desenvolvimento. Todos os dias eu escrevo, seja um texto para o blog, um artigo acadêmico ou mesmo algumas laudas de algum livro que eu esteja trabalhando, escrever faz parte da minha vida e é um excelente exercício mental.
Quem escreve acaba tendo mais clareza de ideias e facilidade em criar e compor textos, seja reflexivos ou mesmo acadêmicos. Quanto mais você escrever mais você terá a facilidade em redigir um texto e rapidez de raciocínio entre tantos benefícios que a leitura traz. Caso você não tenha o hábito de escrever, segue algumas dicas para que você consiga exercitar esta habilidade.
O primeiro passo para a boa escrita é a leitura, quem escreve bem, lê sempre e muito e este é o grande segredo para escrever bem. Pierluigi Piazzi acrescenta:
“Só escreve bem quem lê bem e só lê bem quem lê muito e só lê muito quem lê por prazer” (2014, p. 112).
Cultivar o hábito de ler é o primeiro passo daqueles que querem escrever bem, a escrita está intrinsecamente ligada a leitura. Por isso leia, separe um tempo para ler e cumpra o cronograma sem falta. E caso você não tenha o hábito, siga o conselho que o professor Pierluigi dá na citação, busque em um primeiro momento, livros que você gosta, de leitura fácil e tranquila. Assim, você consolida o hábito, antes de mergulhar em obras mais acadêmicas.
O segundo passo é escrever todos os dias, e caso você não escreva, comece com um diário, escreva sobre o seu dia ou acontecimentos, assim, aos poucos, você se acostuma a escrever. Outra dica é fazer um diário de leitura, onde você vai escrever breves resumos ou reflexões sobre os livros que você está lendo. O diário de leitura é ótimo, principalmente para fixar na mente o conteúdo. Mas não se esqueça, busque escrever em um caderno, pois, quando escrevemos em um caderno, usamos outras partes do cérebro e exercitamos e fixamos muito mais o conteúdo, por isso, preze por escrever desta forma.
Lembre-se que para tudo tem um começo, então, comece com um passo de cada vez, com muita calma e sem exagero, prezando muito mais pela constância do que pela quantidade. Não adianta em um dia você escrever e ler um monte e no outro não, a constância é muito mais importante do que a quantidade.
É possível você escrever um livro compondo apenas uma ou duas laudas por dia, basta ter disciplina e foco. É normal optarmos por fazer tudo rápido, contudo, escrever e compor é muito mais buscar qualidade, do que rapidez. Isso sem contar que o aprendizado é um processo lento, por isso, não dá para se afobar, é preferível seguir tranquilo, mas de forma estável.
Exercite-se sempre, seja o corpo, para ter uma boa saúde ou a mente, para buscar a cada dia se desenvolver um pouco mais, e estas dicas são ótimos pontos de partida para quem quer começar a crescer e seguir na vida acadêmica.
BIBLIOGRAFIA
PIAZZI, Pierluigi. Aprendendo inteligência: manual de instruções do cérebro para estudantes em geral. 3. ed. São Paulo: Aleph, 2014.
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O PRINCÍPIO DO TROPEÇO
“A natureza do tropeço é a desatenção. Não tropeçamos em coisas fundamentais, coisas grandes. Tropeçamos nos detalhes”. (Nilton Bonder) (2010, p. 77).
A arte da boa escrita começa nos detalhes. Primeiro você tem uma boa ideia. Depois, coloca a ideia no papel, e segue trabalhando o material até a obra estar apresentável. Observando sempre se há concordância na escrita e principalmente clareza. Às vezes, ao não corrigirmos com atenção um texto, atentos a todos os detalhes, arrisca produzirmos materiais que só nós, os autores, vamos entender. E isso, para um livro, ou mesmo um texto de blog, é um grande problema. Olhar os detalhes faz toda a diferença, seja em textos ou na vida.
Em nossa vida é comum errarmos justamente nos detalhes. As vezes focamos tanto em nossos objetivos, que esquecemos do resto, das pequenas coisas que fazem toda a diferença. São estes detalhes que nos derrubam. É a fundação de um edifício, que normalmente não vemos, que mantém a construção em pé.
Eu sou baterista e existe um detalhe muito importante, que faz toda a diferença para quem toca este instrumento, e é justamente o ajuste do banco. Se ele não estiver bem ajustado, de uma forma que eu tenha toda a mobilidade que eu necessito para tocar e aplicar todas as técnicas, o meu desempenho como músico vai ficar comprometido. Não adianta um bom instrumento musical, se os detalhes não estiverem bem alinhados. Emilie Cady complementa:
“Os seres humanos sempre tropeçam em pedras, nunca em montanhas” (2010, p. 77).
Não adianta nos dedicarmos ao trabalho, sermos os melhores profissionais e fazermos de tudo para conquistarmos um bom salário, se não gastarmos também tempo com quem amamos. Pouco importa dedicarmos todo o nosso tempo na igreja, ajudando na obra de Deus, se não gastarmos tempo lendo a sua palavra e principalmente, orando e buscando intimidade com ele. Os detalhes fazem toda a diferença em nossa vida, eu diria que eles são definidores.
Cuide com os detalhes da sua vida, pois, não adianta olhar para o grande desafio, se não nos atentarmos para os pormenores, que são fundamentais. Existem pontos que nos sustentam, minúcias que não vemos, mas que são básicos. O princípio do tropeço é justamente olhar o macro e deixar de lado as questões cruciais, que são justamente aquelas que muitas vezes não enxergamos.
O que é importante, nem sempre é visto e é justamente nestes pontos que erramos e caímos por conta de desatenção.
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton. Exercícios D’alma. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2010.
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A ODISSEIA DA DOR XIV: DOR BENIGNA
“A dor não é uma mera ilusão, é sintoma da vida. Onde quer que haja vida, haverá dor; onde quer que haja vida, será possível desmascarar o desespero” (BONDER, 2011, p. 13).
Eu descobri como é possível aprender com a dor quando eu era ainda criança, em um episódio que ficou gravado em minha memória a minha vida toda. Meu avô estava soldando alguns equipamentos eletrônicos, sendo que eu muito curioso fiquei a observar. Quando ele saiu, resolvi desobedecê-lo e tocar no ferro de solda, quando obviamente, eu queimo o dedo. Nunca mais esqueci do ocorrido, foi a minha primeira lição, aprendida nos meus primeiros anos de vida.
Viver é sentir, sendo que este sentir é múltiplo, tem várias facetas, intensidades e gostos. Ele acontece pelo ouvir, quando uma bela música é tocada, também pelo gosto de um saboroso alimento, pela satisfação de conseguir alcançar algo, ou pela dor, que sinaliza que algo não está bem. A dor, que é muito incômoda, é um ótimo sinal, é um aviso que nos faz ir buscar a cura.
Vivemos em um mundo de dor, é completamente impossível viver sem dor. Um filho nasce em meio a dor, uma dor que acaba trazendo alegria, fazendo com que tudo valha a pena. A dor nos avisa quando algo está errado, sendo que a falta dela, é um grande problema. Quem tem hanseníase, que antigamente era conhecida como lepra, tem justamente o problema de não sentir dor, e com isso, mutilam partes do corpo sem perceber, ou morrem de problemas que são possíveis de se resolver quando uma pessoa consegue sentir dor, como por exemplo a apendicite. Um mundo sem dor não é só infeliz, mas impossível. Sentir dor faz parte da vida, aprender com a dor é a atitude de quem é inteligente.
Eu sei que nem sempre conseguimos entender a dor, em alguns momentos ela chega para tirar toda a explicação e a coerência. Mas podemos crescer com ela, é possível desde aprendermos com a situação até sermos mais empáticos por conta dela.
A dor precisa provocar em nós a oportunidade de ver, de refletir e entender que viver é sentir. A reflexão parece mórbida, e pensar em aprendizado, soa como loucura, principalmente quando estamos sentindo dor. Mas para quem descobriu um tumor benigno no ouvido, tudo por conta de uma dor, fato que ocorreu cominho alguns anos atrás, parar para refletir sobre o que aconteceu, faz todo o sentido.
Com a dor, eu consegui também entender um pouco o próximo e perceber que somos solitários em nosso sofrimento, pois quando algo dói, é apenas em nós e com uma intensidade que apenas quem sente, consegue quantificar. Mesmo que você já tenha passado pela mesma situação que alguém passou, o momento de dor (e alegria) é sempre único, pois em cada um sente com uma intensidade. Seja a felicidade, a dor ou a satisfação.
Entender o próximo é um grande desafio, nem tudo o que vemos, nós concordamos, justamente por não termos contato com aquela situação. A dor, nos faz capaz de perceber e entender, e com isso sermos mais empáticos com os nossos semelhantes.
Por fim, a dor mostra a nossa fragilidade e também como o sentir é único, é um momento solitário e reflexivo, pelo menos para quem sabe aproveitar a situação.
O meu momento de sofrimento neste tempo difícil, me permitiu ver e perceber que a dor, a dúvida e o caos, me faz olhar mais e perceber lições que em tempos bons eu nunca iria aprender por justamente não conseguir perceber.
A vida estável e o conforto muitas vezes nos tiram a visão, mas a dor abre os nossos olhos!
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton, A arte de se salvar: Ensinamento judaicos sobre o limite do fim e da tristeza, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2011.
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NÃO SIGA A CORRENTEZA
“Uma coisa morta pode seguir com a corrente, mas só uma coisa viva pode ir contra ela” (CHESTERTON, 2010, pg. 10).
Cresci em um contexto onde fazer perguntas era quase um crime, era um grande pecado ter dúvidas, questionar ou perguntar. Na escola, era atestado de burrice, entre os amigos, uma piada.
Quando eu cresci abandonei as coisas de menino e aprendi a sutil arte de pensar e questionar. Deste tempo em diante, nunca mais tive problemas em fazer perguntas, prefiro pecar por fazer perguntar demais, do que errar por ter pensamentos equivocados.
O mundo o senso comum faz com que a vida seja toda fácil, e para quem não gosta de pensar, até é. Basta se entregar a última teoria e seguir a correnteza, comprando pensamentos pré-moldados e sem conteúdo.
Na igreja não é tão diferente, pelo menos em algumas. Basta ir na campanha da prosperidade e comprar tudo o que o pastor vende no púlpito, sem conferir na palavra, como se o evangelho tivesse a função de apenas agradar as pessoas. Por isso, desconfie das igrejas que não permitem questionar, quem tem medo de perguntas, no fim, não tem certeza e é alheio a investigação.
É bem verdade que pensar é um desafio, questionar o que lemos ou ouvimos, é uma guerra, pelo menos em um lugar onde a reflexão não é tão presente. Eu desconfio de quem segue cego por não olhar para todos os lados, de quem não aceita um bom diálogo.
Um ponto de vista, delimita um lugar, um ponto do qual a questão está sendo observada. Deixando explícito no escopo de sua frase que algumas questões tem mais de um lado, as vezes temos que sair do nosso ponto para entender o todo.
Quem não pensa segue a marcha, não olha para os lados, aceita qualquer coisa sem refletir. Pensar é sempre um desafio, é ter que ouvir e ser humilde para aceitar nossos equívocos.
A questão é que na teoria sabemos que somos falhos, que ninguém é perfeito. O problema é que na prática agimos de modo diferente. É preciso adequar a nossa teoria a prática, caso contrário, seguiremos construindo apenas contradições.
BIBLIOGRAFIA
CHESTERTON, G. K, O homem eterno, Editora Mundo Cristão, São Paulo,2010.
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OS DOIS TIPOS DE AMIGOS
“As discordâncias nos forçam a verificar nossos dados e explicar os fundamentos da nossa decisão” (ROBINSON, 2017, p. 154).
Diante de qualquer projeto é fundamental ouvirmos outras opiniões. As vezes por estarmos mergulhados no empreendimento, não vemos os vários pontos cegos que os nossos planos podem ter.
É fundamental entender que nem sempre vemos o todo. A euforia ou o próprio projeto, nos cega, nos impede de verificarmos com cuidado todos os nossos passos. Na maioria das vezes vemos o mundo em partes, enxergamos apenas aquilo que queremos enxergar e sem perceber, seguimos ignorando muita coisa.
Ouvir opiniões de terceiros, de amigos e pessoas de confiança, nos ajuda a perceber o todo. As próprias opiniões contrárias nos fazem vermos o que a euforia nos impede muitas vezes de perceber, com isso, podemos colher as diversas opiniões e depois refletir sobre os planos, e se for preciso, até ajustarmos nossa empreitada.
Com certeza você deve tomar cuidado com a pessoa que você vai ouvir, tem gente que não quer o nosso bem, contudo, isso não invalida a prática, apenas nos faz tomarmos mais cuidado com quem ouvimos.
Quando ouvimos quem discorda, acabamos por ter que refletir mais, repensar todo o trajeto, e verificar nossos possíveis equívocos. Se ouvimos só quem concorda conosco, corremos o risco de cairmos em erros que não percebemos no momento. Coisa que um amigo crítico nos faz ver.
Penso que os dois tipos de pessoas cumprem com o seu propósito. O amigo que concorda, acaba por nos dar força e impulso para continuarmos nossos planos sem desanimarmos. Ele acaba sendo a força, afinal, nem todos os planos são simples, alguns dependem de muita insistência. Já os amigos críticos nos ajudam com a parte técnica, eles nos proporcionam senso crítico e a oportunidade de vermos possíveis decisões perigosas.
Quando você é humilde suficiente para ouvir, você lida com os dois tipos de pessoas numa boa. E mesmo que uma crítica tenha sido feita por inveja, quem sabe ouvir vai refletir na opinião, tentando ver se a frase não tem algum sentido. As vezes tem e muitas vezes nos ajuda. Uma pessoa inteligente sabe avaliar e usar uma crítica a seu favor.
Aprenda a ter os dois tipos de pessoas em sua vida. Descubra como é bom ter amigos animadores e também os críticos. Nem sempre percebemos os obstáculos, mas com um amigo e uma boa reflexão, podemos nos safar de decisões complicadas.
BIBLIOGRAFIA
ROBINSON, Haddon. W. Decisões: Fazendo escolhas com sabedoria. Curitiba: Publicações Pão Diário, 2017.
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JORNADA CRISTÃ 18: CELEBRAÇÃO DA DISCIPLINA
Um dos fundamentais pontos que você precisa desenvolver quando planeja fazer um curso superior é a disciplina. Pois são muitas leituras, trabalhos e textos que você precisa escrever com o intuito de crescer e aprender. Sem disciplina, você não consegue transitar no meio acadêmico, ou até caminha, mas seguirá sempre a passos trôpegos. E sobre o tema disciplina, é imprescindível falar de Richard Foster.
Conheci o autor em minha antiga igreja em um grupo de discipulado, mas fui estudar detalhadamente todos os capítulos da sua principal obra, apenas durante a graduação em Teologia.
Richard Foster tem vários livros, ele escreve desde temas sobre “Oração”, a “Oração Meditativa” e vários outros assuntos, contudo os dois livros que eu mais gosto são “A liberdade da Simplicidade”, um livro que fala da importância de buscarmos uma vida simples e centrada. E o livro “Celebração da Disciplina”, que é a obra que eu abordarei neste texto.
O livro apresenta um tema fundamental para a vida cristã, que são as disciplinas espirituais. Ensinos que a igreja de hoje tem esquecido. Ouvimos pouco hoje sobre a meditação, o jejum, o estudo e a busca por simplicidade, entre tantos outros temas que fazem parte da vida cristã. No livro o autor aborda doze principais disciplinas que nos ajudam a ter uma vida espiritual equilibrada.
Em nossos frenéticos dias, mesmo podendo lançar mão de várias tecnologias que são úteis para facilitar a nossa vida, e nos dar mais tempo, parece que não temos tempo algum. A cada avanço tecnológico, estamos cada vez mais ocupados e mergulhados na inquieta rotina do nosso mundo atual. Parar, refletir, meditar ou praticar a contemplação, virou prática de poucos. A maioria não se desconecta, e vive mergulhado em estímulos o dia inteiro. Richard Foster resume bem este problema nas primeiras palavras do capítulo A Disciplina da Meditação, concluindo que:
“Na sociedade contemporânea, o Adversário tem especialização em três áreas: ruído, pressa e multidões. Se ele conseguir nos manter debaixo de um amontoado de coisas, descansará satisfeito” (2020, p. 45).
E infelizmente muitas vezes ele consegue, pois não é raro, trocarmos a meditação, a oração e o estudo, entre tantos pontos fundamentais da fé, pela correria do dia.
Foster, neste ótimo livro, resgata a importância de cultivarmos práticas e rotinas, que fazem parte de uma vida espiritual concreta e que nos dá muito equilíbrio. Buscar praticar algumas das disciplinas, não é só bom para a vida espiritual, mas também para a nossa saúde.
Entender que tempo, tem a ver muito mais com prioridades, é fundamental para conseguirmos parar, e cultivar estes hábitos que muitas vezes ficam esquecidos. E eu garanto, a sua saúde espiritual vai ficar em dia, quando você entender e praticar tais disciplinas.
Guardo no coração os ensinos deste livro, considero “A Celebração da Disciplina”, leitura fundamental.
BIBLIOGRAFIA
FOSTER. Richard. Celebração da disciplina: O caminho do crescimento espiritual. 2. ed. São Paulo: Editora Vida, 2020.
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HÁBITOS RELEVANTES
“O hábito, meu amigo, é tão-somente uma longa prática. Que por fim faz-se natureza” (Eveno) (ARISTÓTELES, 2013, p. 155).
Em um dia normal, a minha manhã é sempre igual. Eu oro, leio a Bíblia, escrevo, estudo e leio. Construí uma rotina, justamente para conseguir aprender e crescer ainda mais em minha profissão e ministério. Hábitos são costumes ótimos, só não se esqueça que eles podem ser tanto bons quanto ruins.
Foi em 2014 que eu resolvi cultivar estes hábitos, e desde então, tenho escutado as mesmas frases, e a primeira que eu mais ouço é: “Eu queria ter tempo para ler”. Sendo que na maioria das vezes eu respondo, eu também queria.
É importante aprender que ninguém tem tempo, normalmente temos muitas coisas para fazer, sendo que tempo, é questão de prioridade. E quando a prioridade existe, nos esforçamos para arranjar tempo a fim de nos dedicarmos para uma determinada prática.
Quando eu estava na faculdade, eu ainda não era casado, e esta discussão surgiu dentro da sala de aula. E eu respondi justamente isso, que tempo era prioridade, mas uma parte das pessoas não gostou da frase, e uma delas falou que eu lia muito porque não era casado. Hoje eu sou casado e sei que o casamento demanda tempo, mas quando temos prioridade, nos adaptamos.
Pense apenas no tempo que você gasta em frente a televisão, redes sociais, assistindo séries ou em jogos. Perceba que é possível separar um período, para cultivar hábitos que vão agregar conhecimento em sua vida. Quando temos prioridade, nos dedicamos as coisas importantes, quando não temos, arranjamos quaisquer desculpas.
Sobre a leitura, é importante entender que ler é um hábito, e por isso, é possível cultivar. Não é apenas gostar de ler, mas também se dedicar, ir contra a preguiça ou a força que nos faz seguir pelos caminhos mais fáceis e persistir.
Ninguém nasce lendo um monte de livros e muito menos tendo hábitos relevantes, na maioria das vezes, seguimos pelo caminho mais fácil e cômodo. Mas é possível persistir e cultivar bons hábitos, começando com um passo de cada vez, com muita constância e muita prática, para tornar aquele hábito algo natural, como diz o ditado de Eveno.
Uma dica simples é arranjar um horário e não falhar, pode ser pouco tempo, para começar, o segredo é não desistir, pois é a constância que fará com que determinado hábito vire rotina.
Aprenda a separar um tempo, e dedique-se a aprender e a praticar. Livre-se da desculpa, e aprenda a criar meios para você se desenvolver. Está nas suas mãos, se você não se posicionar, ninguém vai fazer isso por você.
BIBLIOGRAFIA
ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco, Editora Martin Claret, São Paulo, 2013.
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TERCEIRIZANDO A CULPA
“A ideia de que o mal são os outros impede a humanidade de tratar sua própria barbárie interior” (MORIN; VIVERET, 2015, p. 58).
O ser humano é mestre em transferir a culpa. Na política, o partido de oposição é sempre o culpado. Em nossa carreira profissional, a culpa dos nossos fracassos é sempre a falta de oportunidade. Na vida amorosa, a culpa é sempre do cônjuge (e não é?).
O problema talvez seja que muitos se conhecem pouco, aceitam pouca crítica e não percebem seus erros e contradições, com isso, optam por terceirizar a culpa, afinal, é bem mais fácil. Parar para refletir e se autoavaliar é sempre um processo incômodo e demorado.
É comum vermos pessoas transferindo a culpa, não assumindo suas responsabilidades, culpando terceiros por fracassos. É sempre mais fácil transferir do que assumir a responsabilidade e mudar. Mudar é sempre difícil, requer abrir mão de algumas coisas, e sair da zona de conforto, assumindo os nossos erros e defeitos com coragem.
A parte contraditória é que todo o ser humano sabe que ninguém é perfeito, que ele é propício a falhas, equívocos e enganos, mas poucos realmente sabem seus defeitos, e param para se autoavaliar e trabalhar as suas dificuldades.
A mudança só vem com o autoconhecimento aliado a prática de assumirmos os nossos erros. Quando pontuamos bem nossas partes ruins, abrimos espaço para a possibilidade de mudança e seguimos cada vez melhores.
Ninguém muda antes de assumir quem é, e admitir que precisa mudar em determinadas áreas. Assumir o erro, faz parte do caminho da mudança e do crescimento. Quem não assume seus erros permanece na mesma, culpando os outros e permanecendo estagnado.
BIBLIOGRAFIA
MORIN, Edgar.; VIVERET, Patrick. Como viver em tempos de crise?. Rio de Janeiro: Editora Bertand Brasil, 2015.
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A ODISSEIA DA DOR XIII: ALÉM DO PARÊNTESE DO TEMPO
Quanto mais eu estudava e me aprofundava, mais ficava claro e destacado a minha ignorância. Percebi que entender nem sempre é uma missão fácil. E quando falamos de Deus e os seus propósitos, a missão complica ainda mais.
Não é fácil olhar para o sofrimento e muito menos é simples enfrentar um período de dor. Sendo que a dúvida aumenta ainda mais, quando somos cristãos e colocamos a nossa fé em Deus. Acreditamos em uma espécie de contradição ao falamos que servimos a Deus e ao mesmo tempo que passamos por momentos de dor, mas não é uma contradição. Augusto Cury no livro “Os Segredos do Pai-nosso”, fala justamente sobre isso:
“Por que Deus reage de modo tão estranho? A única resposta que encontrei para todas essas indagações é que ele enxerga os eventos existenciais além do parêntese do tempo, de modo completamente distinto de como o vemos. Nós enxergamos a temporalidade da vida, Ele vê a eternidade. Nós queremos aliviar o sofrimento imediato, Ele procura uma solução definitiva e completa” (2006, p. 123).
Não dá para mergulhar no infinito sem se perder, sem perceber a nossa ignorância e nos consumir em dúvidas e contradições. É como enfrentar um tsunami, ninguém consegue ficar de pé ao contemplar a face de Deus (Êxodo 33:20).
O problema é que muitas vezes usamos o nosso padrão de pensamento e as nossas percepções para concluir e refletir sobre Deus. Este é o nosso maior erro. Deus não se encaixa nas compreensões humanas, ele está além do infinito, pois ele é Deus.
Não é possível uma criatura entender um Deus eterno, o que podemos fazer é mergulhar na Bíblia, o livro que fala justamente deste Deus que se revela, mas mesmo ela, não consegue quantificar nosso Pai, o que sabemos é apenas uma pontinha do que ele é.
E com toda a certeza, ao olharmos nosso sofrimento ou mesmo todo o caos do mundo, vamos pensar estar vendo uma contradição. Mas não é, pois só vemos uma parte, não conseguimos ter uma ideia do todo, quando falamos do sofrer. E acima de tudo, não conseguimos perceber propósitos, motivos ou mesmo a ação de Deus em meio ao sofrimento, mas Ele está conosco, sempre e em todos os momentos.
A forma que Deus vê é totalmente diferente da nossa. Deus olha o todo, ele enxerga além do parêntese do tempo, como Augusto Cury pontuou, e o fato de não entendermos a nossa dor, revela apenas a nossa falta de visão.
A lição que eu aprendi neste período foi confiar e não me guiar pelas minhas limitadas percepções. Não é que eu segui sem pensar e refletir, e sim, que eu entendi que nem tudo temos explicação, as vezes quando a dor passa ou os nossos problemas são resolvidos, é que vemos a mãos de Deus ou até um propósito para os tempos difíceis.
Você pode empreender uma busca por conhecimento, pode ler e estudar, e isso é ótimo, eu espero que você faça isso, como eu mesmo fiz. Deus nos fez racionais, é por conta disso que nós pensamos e refletimos, isso não é errado. O problema é acreditar que você vai olhar para o infinito Deus e entendê-lo ou acusá-lo de negligência por ele não olhar para a sua dor. É muita prepotência pensar assim.
Confiar é o melhor caminho para seres limitados andar, pois quando falamos de um Deus incognoscível, temos que ter em mente que, só entendemos a pontinha, uma mínima fração das coisas que ele permitiu que conhecêssemos. E esta porção, deveria ser suficiente para confiarmos nele e entregarmos toda a nossa dor aos seus cuidados.
BIBLIOGRAFIA
CURY, Augusto, Os segredos do Pai-nosso: A solidão e Deus, um estudo psicológico da oração mais conhecida do mundo, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2006.
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FABRICANDO PROBLEMAS
“É impossível evitar o inevitável, mas é possível ter calma e não apressar os resultados, para saber como agir quando o inevitável chegar”. (Guilherme Augusto).
O diagnóstico era “tumor benigno”, sempre considerei contraditória a palavra “tumor” e “benigno” estarem na mesma frase, pois nenhum tumor parece ser benigno.
Eu precisava fazer a cirurgia com uma certa urgência, pois para piorar, o tumor havia chegado no nervo da face. Caso não fosse feito algo, eu perderia o movimento do lado direito do rosto. O grande problema era que eu também corria o risco de perder o movimento com a cirurgia, por ser um local muito delicado. O melhor dos diagnósticos era que eu iria ficar alguns meses fazendo fisioterapia para recuperar o movimento da face.
A situação me ensinou que o inevitável sempre acontece, não tem escapatória. O problema é que nós insistimos em gastar forças, seja adiantando um problema que nem aconteceu, ou seja tirando conclusões precipitadas e assim sofrendo por antecipação. Em ambos os casos, gasta-se muita energia, isso tudo sem ao menos dispormos de uma certeza. No final, a pessoa sofre duas vezes, ou sofre a toa, ao descobrir que o problema não era tão grave.
Resolvi mergulhar nesta situação, eu não tinha saída e por isso, enfrentei o processo esperando o resultado para saber o que fazer. O momento não era de elucubrações, lamentações e muito menos de construir teorias e diagnósticos, e sim, de respirar fundo, e enfrentar a cirurgia. E foi o que fiz.
A cirurgia acabou sendo longa, pois o local estava muito mais danificado do que os profissionais imaginaram. E quando eu acordei, depois da cirurgia, o meu primeiro movimento foi o da face. Me lembro que ao abrir os olhos, pude ver a doutora e a minha esposa sentadas esperando, e eu pude perceber um semblante de alívio quando ela percebeu que tudo estava normal, que a cirurgia não havia afetado o movimento do meu rosto. Nós três, eu, a doutora e a minha esposa, nos alegramos e eu agradeci a Deus, por ele ter cuidado da minha vida neste período complicado.
Não podemos evitar alguns problemas, mas podemos procurar a calma e não ficar imaginando diagnósticos ou mesmo situações que ainda nem aconteceram. Precisamos estar preparados é bom ser precavido, o perigo é sofrer por antecipação, este é um grande erro.
Aprenda a confiar em Deus e a deixar que os problemas surjam na hora certa ao invés de ficar imaginando resultados catastróficos. Largue o controle e descubra como é libertador viver um dia de cada vez.
Quem imagina problemas sofre à toa. Agora, aquele que busca dar um passo de cada vez, tendo calma, sem imaginar catástrofes, segue mais tranquilo, confiando que Deus está ao seu lado.
