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EMPATIA PROJETADA
Eu sou um tanto cético quanto a empatia, eu até acredito na possibilidade de sentirmos empatia, mas não creio que todos conseguem sentir. Penso que a maioria usa a frase apenas como desculpas vazias para falar que entende o próximo. A maioria das pessoas apenas projeta o que sente pela pessoa ao invés de cultivar o real princípio da empatia. David Walton resume bem todos os elementos da empatia, acrescentando que a empatia é:
“1. Reconhecer que a outra pessoa está tendo sentimentos significativos (que podem ser positivos ou negativos) e algum senso do porquê de isso estar acontecendo. 2. Dizer algo que demonstra que você entende o que ela está passando e por quê”. (2016, p. 87).
O princípio da empatia é partir do sentimento e da realidade da pessoa e não da sua. Com isso, é preciso conhecer, entender e ter tido um contato com aquela situação, para assim ter uma ideia do que ela realmente está passando.
Há algum tempo, precisei fazer uma cirurgia para extrair um tumor benigno, fiquei bem preocupado e desabafei com um amigo sobre o assunto. O cara nem se preocupou, pois tinha passado pelo mesmo processo, e disse que eu tinha que ficar tranquilo.
Eu sei que ele tentou ajudar, mas ele não teve empatia e sim, projetou o seu sentimento, para a minha experiência. Ter empatia vai muito além disso, e requer disposição para mergulhamos no sentimento e na vida do próximo e realmente nos colocarmos em seu lugar. E eu repito e insisto em afirmar que poucos fazem isso, a maioria usa a palavra, mas não tem a atitude de empatia.
Eu não posso projetar os meus sentimentos e pontos de vistas na hora de tentar me colocar no lugar da pessoa, ao contrário, eu preciso me despir das opiniões e entender o mundo alheio a partir dele.
Entenda que ninguém é igual, não somos criados em série, cada ser humano é único, com suas características, medos e anseios. E cada um tem as suas dificuldades e é neste ponto que mora o perigo e que a nossa tentativa de empatia pode falhar. Pois, o que me causa temor, não é a mesma coisa que provoca medo em você. Algumas situações que eu consegui superar de forma fácil, podem ser justamente aqueles pontos que você tem dificuldade.
Empatia não é projetar o que eu sinto ou penso e sim, reconhecer o sentimento do próximo, e entender aquela dor como única, como dela e não minha. Um exercício que poucos fazem, a maioria projeta o que sente e não se coloca no lugar e no afã de ajudar, falam coisas que as vezes prejudica ainda mais alguém.
Ter empatia é reconhecer o próximo como único e suas experiências como suas apenas, colocando de lado seus pensamentos e crenças. Quando aprendermos a olhar, a enxergar o mundo do próximo, aprenderemos a ter empatia e a ajudar de forma realmente verdadeira uma pessoa.
BIBLIOGRAFIA
WALTON, David. Inteligência emocional: um guia prático. 1. ed. Porto Alegre: L&PM, 2016.
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APRENDA A TER ATITUDE
“Aqueles que querem cantar sempre encontram uma canção” (PERCY, 2016, p. 30)
Eu lembro de forma bem clara todos os meus momentos de dificuldade e dos problemas financeiros. Principalmente das horas no qual eu tentava uma determinada empreitada e não via resultado. Guardo na memória justamente para não perder o aprendizado e também para não esquecer o que Deus fez em minha vida este tempo todo.
Nem sempre os nossos dias são tão fáceis, as vezes as dificuldades do caminho nos tiram o sorriso. Entretanto, sempre existirá o amanhã, o outro dia, ou alguma saída que quase sempre não enxergamos por conta do foco na direção errada.
Os problemas possuem o incrível poder de nos tirar a visão, eles nos forçam a olhar apenas para o caos não permitindo enxergar a saída, que em alguns casos, está bem em nossa frente.
Por mais que o dia seja cinza, há sempre o sol da manhã. E mesmo que a sua caminhada esteja complicada, nunca é tarde para recobrar a esperança e continuar. Por mais errado que o seu dia tenha sido, ou esteja sendo, não importa, sempre poderemos recomeçar.
Eu aprendi a grande arte de rir dos meus erros, a levar as situações na esportiva e não me levar tão a sério assim. As vezes temos que tentar relaxar, para assim se acalmar e seguir um pouco mais tranquilo. O segredo é a persistência, é saber recomeçar e entender que a vida não é um eterno vencer, mas pode ser um eterno aprender.
A parte boa de fazer uma graduação é todo o aprendizado que conquistamos, sejam com os livros sugeridos, as aulas e todas as experiências que os professores compartilham, isso nos faz crescer e aprender muito. A parte complicada é que normalmente depois de formado, em uma boa parte das vezes demoramos muito para conseguir nos alinhar em nossa área de formação.
O meu caso foi justamente este e por isso, precisei trabalhar em outras áreas antes de ser professor, e muitos me criticavam por isso e falavam que a minha graduação não servia para nada.
Isso é normal de ouvir, principalmente porque nem todos entendem a dinâmica, mas quando você está em um período de dificuldade, tal fala deixa você ainda pior. Ela transforma um problema pequeno em algo gigantesco.
Mas como a ótima citação do começo do texto diz, “quem quer cantar, encontra sempre a canção”. O foco, o lugar no qual você mira o seu olhar, define muita coisa. E principalmente, a forma como você olha vai determinar como você se sente.
Com isso, ao invés de focar no que eu não tinha, busquei formas de me aprimorar ainda mais. Eu não havia conseguido uma chance de lecionar, mas foquei em meu aperfeiçoamento, nos estudos e na escrita, e deixei de lado o que eu não tinha.
Aprendi que a verdadeira parte ruim não é não ter uma chance depois de formado e sim, não estar preparado quando a chance aparecer. Descobri que a minha atitude, o meu posicionamento, definia o ritmo da minha caminhada.
Ter atitude é ajustar o olhar e entender que quando nada é possível, você pode fazer o que está dentro de suas possibilidades. Por isso que enquanto eu estava formado e sem ter uma oportunidade na área, fui em busca de dar aulas sem remuneração com o intuito de ajudar igrejas e seminários. Aprendi muito dando aulas em seminários e isso foi um elemento definidor para a minha carreira como professor.
Ao invés de focar nas coisas que você não está conseguindo, você pode continuar a se aprimorar e buscar oportunidades de atuação como voluntário. Tais experiências ajudarão você e colaborarão com sua carreira profissional, além de incentivar você a ajudar as pessoas.
Não dá para parar apenas porque tudo não ocorreu como imaginávamos, precisamos aprender a persistir e buscar outros caminhos. É claro que nem tudo depende de nós, em alguns casos precisamos da oportunidade, que muitas vezes não conseguimos, a questão é que precisamos aprender a fazer o que está em nosso alcance, focado mais no fazer do que no lamentar e aos poucos aprender com as situações que a caminhada coloca em nossa vida.
BIBLIOGRAFIA
PERCY, Allan, Platão para sonhadores: 80 pílulas de filosofia cotidiana para transformar suas melhores ideias em realidade, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2016.
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A ODISSEIA DA DOR XVI: DEUS ESTÁ NO CONTROLE
Eu já ajudei muitos amigos com mudanças, lembro-me até da primeira vez em que fui montar um armário de roupas. Era um caos, pois todas aquelas peças quando estavam soltas não faziam o menor sentido. Mas com o tempo, e após estudar com cuidado o manual de instruções, descobri todas as funções de cada peça e montei o guarda roupas da forma certa. Foi um desafio decifrar a lógica das peças soltas, mas eu aprendi.
A vida se assemelha muito com um guarda roupas desmontado em alguns momentos. Tem horas que nada parece ter sentido e os problemas surgem para confirmar isso. O sofrimento tem o poder de transformar a bela vida em algo perdido, aleatório e sem propósito.
É interessante ler a história de Jó e de José justamente por conta disso. Apesar da situação parecer fora do controle, Deus estava na frente de tudo e tinha um propósito com aquela situação. Era apenas Deus que conseguia ver lógica em todas as peças soltas da vida destes dois homens.
É claro que nem sempre a dor tem um propósito, em alguns momentos os problemas surgem por conta da vida, por estarmos em um mundo de pecado. O caos é uma consequência óbvia do pecado no mundo. Mas Deus está sempre no controle de tudo. Ravi Zacharias complementa:
“Se você não acredita que Deus está no controle e que o fez com um propósito, então você vai se debater nas profundezas da ausência de sentido, afundando nas correntezas e se envolvendo no turbilhão do nada” (2016, p. 43).
Deus está no controle e quer confiemos nele justamente por ter um propósito para cada um de nós. Quem segue a Deus não vive uma vida aleatória, jogada em um turbilhão de nada. Eu gosto da frase que José fala para os seus irmãos, quando ele revela que é o irmão que eles venderam: “Vocês fizeram o mal contra mim, mas Deus transformou o mal em bem” (Gênesis 50:20).
A falta de sentido nos empurra para um turbilhão de desespero e insegurança. Mas a Bíblia é o manual que nos mostra a direção, a vontade de Deus e as suas promessas.
Hoje normalmente sou convidado pelos amigos para montar móveis e estantes, pois devido a prática, consigo montar com alguma habilidade e rapidez. Os inúmeros armários e mudanças me ajudaram a pegar conhecimento do processo de montagem. A mesma coisa eu digo sobre o sofrimento.
Este período de dúvida, caos e dor me motivou a olhar para a Bíblia e buscar a Deus como nunca busquei. Ao tentar entender os problemas e o silêncio de Deus, aprendi a confiar nele ainda mais.
Deus é soberano e tem o controle de tudo, e por mais que o caos transpareça falta de sentido, precisamos confiar que Deus sabe o que está acontecendo em meio as situações que para nós parecem aleatórias.
Confiar é justamente largar o controle, crendo que Deus está cuidando da nossa vida.
BIBLIOGRAFIA
ZACHARIAS, Ravi. Deus o grande tecelão: como Deus nos molda por meio dos acontecimentos da vida. 1. ed. 2016. São Paulo: Shedd Publicações, 2016.
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OPINIÃO SEM CONHECIMENTO
Eu estava em uma feira ao ar livre, quando perguntei a um amigo se ele também queria um copo de uma bebida típica da nossa cidade. Com uma fala muito decidida ele respondeu, eu não gosto desta bebida, ela é muito ruim. Eu fiquei impressionado, mas aceitei o fato, contudo o que eu descobri depois foi que ele nunca havia bebido tal bebida, a questão era que a sua mãe não gostava e por isso, ele falava que também não gostava, e quando ele experimentou, gostou muito. Apesar de estar falando de bebidas, é comum vermos este tipo de atitude em várias áreas da vida e da sociedade. As pessoas opinam sem ao menos conhecer sobre o assunto.
Opinar hoje é muito comum, todos opinam, se expressam e postam seus pontos de vistas em suas redes sociais. É a facilidade que a época nos traz. A questão é que nem sempre a coerência está presente junto com as opiniões. Ouvimos tantos absurdos, tanta conclusão equivocada, fruto de uma falta de conhecimento, que é impossível não concordar com uma frase de Platão, onde ele diz que:
“A opinião sem conhecimento é cega” (PERCY, 2016, p. 116).
O conhecimento é fundamental para construir uma boa opinião. Se eu não entender de determinado assunto ao opinar, certamente cometerei muitos equívocos. Entender o contexto de uma situação, o funcionamento de determinado objeto ou a história por traz de algo é fundamental para que a nossa opinião seja equilibrada.
Não adianta só opinar, sem conhecimento a opinião vai ser sempre equivocada e vazia, terminando, na maioria das vezes, em conclusões erradas ou mesmo simplistas demais. Sem conhecimento nunca vamos opinar de forma acertada, nos calcaremos em achismos, fruto da falta de investigação.
Em meu bacharelado em teologia aprendemos a pesquisar o contexto histórico de cada texto bíblico. E é realmente impressionante perceber como faz diferença em nossa interpretação quando entendemos o contexto do lugar, como eram os costumes e ritos. Isso nos dá base para interpretar o texto de forma realmente coerente. Na vida não é diferente, conhecer o contexto do fato ou mesmo se aprofundar no assunto é imprescindível caso você queira entender a história de uma forma ampla.
É comum o ser humano se levar muito a sério, a ponto de acreditar que é possível discorrer sobre algo, sem informações. Opinar é expressar um ponto de vista, é emitir um parecer sobre algo, o problema é que quando não temos informações, a opinião termina por ser vazia e sem qualquer base.
É fundamental conhecer antes de opinar, caso contrário, falaremos sempre de forma superficial, ou até de forma equivocada. Se for para falar apenas por falar, é melhor se calar e ouvir!
BIBLIOGRAFIA
PERCY, Allan. Platão para sonhadores: 80 pílulas de filosofia cotidiana para transformar suas melhores ideias em realidade. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2016.
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JORNADA CRISTÃ 19: DISCUSSÃO EQUILIBRADA
Eu leio sobre defesa de fé (apologética), há muito tempo, em minha biblioteca tenho inúmeros autores sobre o tema, contudo, as vezes fico cansado de ler tais autores, pois em alguns momentos, me parece que a discussão é gratuita e existe apenas para ganhar uma conversa. Sinto falta de autores que aplicam a realidade da igreja tais ensinos e levam a sério as dúvidas que novos convertidos ou mesmo não cristãos que visitam a igreja, têm.
Não faz muito tempo que eu conhecei a ler Timothy Keller, eu já conhecia alguns dos seus livros, mas nunca havia lido, e um tempo atrás comecei a mergulhar em suas obras. O autor tem muitos livros, entre os meus preferidos estão “Deuses falsos”, “O Deus pródigo e “A fé na era do ceticismo”, um livro que poderíamos catalogar como de defesa de fé, sendo que é esta obra que eu vou comentar neste texto.
A parte interessante do livro é o modo como ele realiza as discussões e defesas de fé. O autor soa como um pastor (que ele é), tratando de dúvidas de uma forma honesta e humilde, sem aquele palavreado excessivo, nem aquela gana que alguns livros parecem ter em ganhar a discussão. O autor foge totalmente deste estereótipo, mostrando como é possível discutir ideias de uma forma construtiva, sem humilhar, rebaixar e dar a entender que a dúvida do outro é tola.
O livro é fruto da própria experiência do autor, quando ele se propôs e fundar uma igreja em um lugar onde não haviam muitas, por conta do ambiente secularizado e alheio a religião. Eu creio que isso colaborou para que ele tivesse uma atitude mais relacional e humilde com as pessoas.
Em alguns momentos do livro, o autor usa dúvidas e questionamentos dos próprios membros da igreja, em seus primeiros dias como frequentadores. O link e a forma inteligente e humilde no qual ele lidava com as dúvidas é realmente inspirador.
É muito bom estudar apologética, saber defender a nossa fé é um ponto principal para um cristão que quer ter uma vida fundamentada e com conclusões sólidas a firmadas na palavra.
O mundo hoje levanta muitas questões e ideias distorcidas sobre a Bíblia, a vida e a sociedade, entre tantos temas, por conta disso, a apologética se torna fundamental. É claro que, primeiro para nós, depois, para os outros.
A questão é que não adianta aprendermos a fundamentar a nossa fé e depois sairmos discutindo com as pessoas, tudo e apenas, para ganharmos uma discussão. Perdemos um tempo grande quando a prioridade é apenas esta, além de perdermos uma pessoa em meio a nossa gana em estar certo.
Saber dialogar levando a sério uma dúvida, é o principio da conversa que gera frutos, que leva alguém a refletir a e pensar no que estamos afirmando. É comum alguém não nos ouvir, devido a forma como falamos, principalmente quando somos orgulhosos.
Neste livro Timothy Keller mostra como é possível dialogar e mostrar as contradições de pensamento de alguém, de forma respeitosa e humilde. Nesta obra ele mostra como é fundamental saber ter postura a fim de construir diálogos relevantes. Vale a leitura, com toda a certeza.
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A ODISSEIA DA DOR XV: O JUSTO SOFRE
A fé em Deus muitas vezes se torna desafiadora, tudo, e porque, em alguns momentos, parece que ele se esconde. Deus algumas vezes nos dá a impressão de não querer ser claro e evidente, preferindo permanecer no anonimato. Enquanto o mundo e as inúmeras contradições zombam da sua realidade, deixando a sua inexistência ou até possível apatia, ainda mais destacada. É o que nos parece, pelo menos para a nossa limitada forma de pensar, embora eu saiba que não é bem assim.
A dor nos desestabiliza e o fato de parecer que Deus não liga, nos desconstrói, tira a nossa paz e nos joga ao chão. Queremos ver Deus, sentir o seu cuidado e perceber o seu poder agindo em todos os momentos, inclusive nas injustiças do mundo ou mesmo em nossa vida, que muitas vezes é alvo catástrofes.
O livro de Jó narra justamente este acontecimento e ele é a prova viva que o justo sofre. Naquele tempo, doenças graves eram atribuídas ao pecado, seja da própria pessoa ou mesmo dos pais. Por ter pecado, Deus estava punindo a pessoa e o doente tinha que aceitar isso. Mas Jó não era um destes e estava sofrendo. O texto diz que Jó era justo e temente a Deus, contudo, o caos invadiu a sua vida, apenas para nos mostrar que o justo também sofre, não estamos imunes ao sofrimento.
Contudo existe um ponto interessante no livro de Jó, que as vezes passa despercebido em nossa leitura. O texto mostra como uma pessoa justa e íntegra deve passar pela provação. Ravi Zacharias no livro “Deus o grande tecelão”, complementa este fato de forma bem pontual:
“Em sua sabedoria, Deus permitiu a provação não apenas para moldar Jó, mas também para nos dar um exemplo de como uma pessoa íntegra se conduz através da dor e da provação. Ele já possuía um caráter íntegro, mas por meio de seus sofrimentos vemos como uma pessoa íntegra se comporta em meio a tragédia” (2009, p. 41).
A tragédia tem o poder de nos descontruir, de nos jogar ao chão e mostrar nossas limitações. A questão é que o cristão, aquele que realmente segue a Deus, precisa entender que é só confiando, que passamos pelas adversidades. Foi este o exemplo que Jó deu a todos.
O livro narra uma das maiores odisseias que podemos ver e mostra como podemos passar por elas. Por mais que as provas em alguns momentos, tenham desanimado Jó, ele passou pelo sofrimento confiando em Deus. A sua atitude diante do caos só confirmou o que ele realmente era.
Precisamos aprender a transitar pelo sofrimento confiando e entendendo que não estamos sozinhos, pois o justo sofre, ele passa dificuldades, mas Deus não o abandonou.
Descobri nesta minha empreitada que o sofrimento tem o poder de nos tirar as respostas, abalar nossos pontos de vistas e crenças. A única coisa que ele não pode fazer é minar a nossa confiança em Deus, que no mais, é só persistir, seguindo o belo exemplo de Jó.
BIBLIOGRAFIA
ZACHARIAS, Ravi. Deus o grande tecelão: como Deus nos molda por meio dos acontecimentos da vida. 1. ed. 2016. São Paulo: Shedd Publicações, 2016.
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EXERCÍCIO MENTAL
Escrever é uma das mais importantes práticas da vida acadêmica, um bom professor, principalmente um professor de curso superior, está sempre escrevendo por conta das aulas ou mesmo das pesquisas. Com isso, é inevitável falar da escrita quando discorremos sobre o assunto.
Escrever é um ótimo exercício, pois, a mente se assemelha com um músculo, ela precisa ser constantemente exercitada para criar habilidades e se desenvolver. Quanto mais exercitarmos, mais crescemos e nos desenvolvemos.
Justamente por causa disso, eu construí uma rotina onde eu cumpro todas as manhãs, hábitos que eu cultivo para o meu crescimento. E entre todos os hábitos estão a leitura, que é uma parte fundamental da minha vida, já que eu preciso estar constantemente aprendendo, pesquisando e conhecendo para poder escrever. E a escrita, que é o outro hábito que eu tenho ao lado da leitura, é igualmente fundamental. Uma prática importante para o nosso desenvolvimento. Todos os dias eu escrevo, seja um texto para o blog, um artigo acadêmico ou mesmo algumas laudas de algum livro que eu esteja trabalhando, escrever faz parte da minha vida e é um excelente exercício mental.
Quem escreve acaba tendo mais clareza de ideias e facilidade em criar e compor textos, seja reflexivos ou mesmo acadêmicos. Quanto mais você escrever mais você terá a facilidade em redigir um texto e rapidez de raciocínio entre tantos benefícios que a leitura traz. Caso você não tenha o hábito de escrever, segue algumas dicas para que você consiga exercitar esta habilidade.
O primeiro passo para a boa escrita é a leitura, quem escreve bem, lê sempre e muito e este é o grande segredo para escrever bem. Pierluigi Piazzi acrescenta:
“Só escreve bem quem lê bem e só lê bem quem lê muito e só lê muito quem lê por prazer” (2014, p. 112).
Cultivar o hábito de ler é o primeiro passo daqueles que querem escrever bem, a escrita está intrinsecamente ligada a leitura. Por isso leia, separe um tempo para ler e cumpra o cronograma sem falta. E caso você não tenha o hábito, siga o conselho que o professor Pierluigi dá na citação, busque em um primeiro momento, livros que você gosta, de leitura fácil e tranquila. Assim, você consolida o hábito, antes de mergulhar em obras mais acadêmicas.
O segundo passo é escrever todos os dias, e caso você não escreva, comece com um diário, escreva sobre o seu dia ou acontecimentos, assim, aos poucos, você se acostuma a escrever. Outra dica é fazer um diário de leitura, onde você vai escrever breves resumos ou reflexões sobre os livros que você está lendo. O diário de leitura é ótimo, principalmente para fixar na mente o conteúdo. Mas não se esqueça, busque escrever em um caderno, pois, quando escrevemos em um caderno, usamos outras partes do cérebro e exercitamos e fixamos muito mais o conteúdo, por isso, preze por escrever desta forma.
Lembre-se que para tudo tem um começo, então, comece com um passo de cada vez, com muita calma e sem exagero, prezando muito mais pela constância do que pela quantidade. Não adianta em um dia você escrever e ler um monte e no outro não, a constância é muito mais importante do que a quantidade.
É possível você escrever um livro compondo apenas uma ou duas laudas por dia, basta ter disciplina e foco. É normal optarmos por fazer tudo rápido, contudo, escrever e compor é muito mais buscar qualidade, do que rapidez. Isso sem contar que o aprendizado é um processo lento, por isso, não dá para se afobar, é preferível seguir tranquilo, mas de forma estável.
Exercite-se sempre, seja o corpo, para ter uma boa saúde ou a mente, para buscar a cada dia se desenvolver um pouco mais, e estas dicas são ótimos pontos de partida para quem quer começar a crescer e seguir na vida acadêmica.
BIBLIOGRAFIA
PIAZZI, Pierluigi. Aprendendo inteligência: manual de instruções do cérebro para estudantes em geral. 3. ed. São Paulo: Aleph, 2014.
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O PRINCÍPIO DO TROPEÇO
“A natureza do tropeço é a desatenção. Não tropeçamos em coisas fundamentais, coisas grandes. Tropeçamos nos detalhes”. (Nilton Bonder) (2010, p. 77).
A arte da boa escrita começa nos detalhes. Primeiro você tem uma boa ideia. Depois, coloca a ideia no papel, e segue trabalhando o material até a obra estar apresentável. Observando sempre se há concordância na escrita e principalmente clareza. Às vezes, ao não corrigirmos com atenção um texto, atentos a todos os detalhes, arrisca produzirmos materiais que só nós, os autores, vamos entender. E isso, para um livro, ou mesmo um texto de blog, é um grande problema. Olhar os detalhes faz toda a diferença, seja em textos ou na vida.
Em nossa vida é comum errarmos justamente nos detalhes. As vezes focamos tanto em nossos objetivos, que esquecemos do resto, das pequenas coisas que fazem toda a diferença. São estes detalhes que nos derrubam. É a fundação de um edifício, que normalmente não vemos, que mantém a construção em pé.
Eu sou baterista e existe um detalhe muito importante, que faz toda a diferença para quem toca este instrumento, e é justamente o ajuste do banco. Se ele não estiver bem ajustado, de uma forma que eu tenha toda a mobilidade que eu necessito para tocar e aplicar todas as técnicas, o meu desempenho como músico vai ficar comprometido. Não adianta um bom instrumento musical, se os detalhes não estiverem bem alinhados. Emilie Cady complementa:
“Os seres humanos sempre tropeçam em pedras, nunca em montanhas” (2010, p. 77).
Não adianta nos dedicarmos ao trabalho, sermos os melhores profissionais e fazermos de tudo para conquistarmos um bom salário, se não gastarmos também tempo com quem amamos. Pouco importa dedicarmos todo o nosso tempo na igreja, ajudando na obra de Deus, se não gastarmos tempo lendo a sua palavra e principalmente, orando e buscando intimidade com ele. Os detalhes fazem toda a diferença em nossa vida, eu diria que eles são definidores.
Cuide com os detalhes da sua vida, pois, não adianta olhar para o grande desafio, se não nos atentarmos para os pormenores, que são fundamentais. Existem pontos que nos sustentam, minúcias que não vemos, mas que são básicos. O princípio do tropeço é justamente olhar o macro e deixar de lado as questões cruciais, que são justamente aquelas que muitas vezes não enxergamos.
O que é importante, nem sempre é visto e é justamente nestes pontos que erramos e caímos por conta de desatenção.
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton. Exercícios D’alma. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2010.
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A ODISSEIA DA DOR XIV: DOR BENIGNA
“A dor não é uma mera ilusão, é sintoma da vida. Onde quer que haja vida, haverá dor; onde quer que haja vida, será possível desmascarar o desespero” (BONDER, 2011, p. 13).
Eu descobri como é possível aprender com a dor quando eu era ainda criança, em um episódio que ficou gravado em minha memória a minha vida toda. Meu avô estava soldando alguns equipamentos eletrônicos, sendo que eu muito curioso fiquei a observar. Quando ele saiu, resolvi desobedecê-lo e tocar no ferro de solda, quando obviamente, eu queimo o dedo. Nunca mais esqueci do ocorrido, foi a minha primeira lição, aprendida nos meus primeiros anos de vida.
Viver é sentir, sendo que este sentir é múltiplo, tem várias facetas, intensidades e gostos. Ele acontece pelo ouvir, quando uma bela música é tocada, também pelo gosto de um saboroso alimento, pela satisfação de conseguir alcançar algo, ou pela dor, que sinaliza que algo não está bem. A dor, que é muito incômoda, é um ótimo sinal, é um aviso que nos faz ir buscar a cura.
Vivemos em um mundo de dor, é completamente impossível viver sem dor. Um filho nasce em meio a dor, uma dor que acaba trazendo alegria, fazendo com que tudo valha a pena. A dor nos avisa quando algo está errado, sendo que a falta dela, é um grande problema. Quem tem hanseníase, que antigamente era conhecida como lepra, tem justamente o problema de não sentir dor, e com isso, mutilam partes do corpo sem perceber, ou morrem de problemas que são possíveis de se resolver quando uma pessoa consegue sentir dor, como por exemplo a apendicite. Um mundo sem dor não é só infeliz, mas impossível. Sentir dor faz parte da vida, aprender com a dor é a atitude de quem é inteligente.
Eu sei que nem sempre conseguimos entender a dor, em alguns momentos ela chega para tirar toda a explicação e a coerência. Mas podemos crescer com ela, é possível desde aprendermos com a situação até sermos mais empáticos por conta dela.
A dor precisa provocar em nós a oportunidade de ver, de refletir e entender que viver é sentir. A reflexão parece mórbida, e pensar em aprendizado, soa como loucura, principalmente quando estamos sentindo dor. Mas para quem descobriu um tumor benigno no ouvido, tudo por conta de uma dor, fato que ocorreu cominho alguns anos atrás, parar para refletir sobre o que aconteceu, faz todo o sentido.
Com a dor, eu consegui também entender um pouco o próximo e perceber que somos solitários em nosso sofrimento, pois quando algo dói, é apenas em nós e com uma intensidade que apenas quem sente, consegue quantificar. Mesmo que você já tenha passado pela mesma situação que alguém passou, o momento de dor (e alegria) é sempre único, pois em cada um sente com uma intensidade. Seja a felicidade, a dor ou a satisfação.
Entender o próximo é um grande desafio, nem tudo o que vemos, nós concordamos, justamente por não termos contato com aquela situação. A dor, nos faz capaz de perceber e entender, e com isso sermos mais empáticos com os nossos semelhantes.
Por fim, a dor mostra a nossa fragilidade e também como o sentir é único, é um momento solitário e reflexivo, pelo menos para quem sabe aproveitar a situação.
O meu momento de sofrimento neste tempo difícil, me permitiu ver e perceber que a dor, a dúvida e o caos, me faz olhar mais e perceber lições que em tempos bons eu nunca iria aprender por justamente não conseguir perceber.
A vida estável e o conforto muitas vezes nos tiram a visão, mas a dor abre os nossos olhos!
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton, A arte de se salvar: Ensinamento judaicos sobre o limite do fim e da tristeza, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2011.
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NÃO SIGA A CORRENTEZA
“Uma coisa morta pode seguir com a corrente, mas só uma coisa viva pode ir contra ela” (CHESTERTON, 2010, pg. 10).
Cresci em um contexto onde fazer perguntas era quase um crime, era um grande pecado ter dúvidas, questionar ou perguntar. Na escola, era atestado de burrice, entre os amigos, uma piada.
Quando eu cresci abandonei as coisas de menino e aprendi a sutil arte de pensar e questionar. Deste tempo em diante, nunca mais tive problemas em fazer perguntas, prefiro pecar por fazer perguntar demais, do que errar por ter pensamentos equivocados.
O mundo o senso comum faz com que a vida seja toda fácil, e para quem não gosta de pensar, até é. Basta se entregar a última teoria e seguir a correnteza, comprando pensamentos pré-moldados e sem conteúdo.
Na igreja não é tão diferente, pelo menos em algumas. Basta ir na campanha da prosperidade e comprar tudo o que o pastor vende no púlpito, sem conferir na palavra, como se o evangelho tivesse a função de apenas agradar as pessoas. Por isso, desconfie das igrejas que não permitem questionar, quem tem medo de perguntas, no fim, não tem certeza e é alheio a investigação.
É bem verdade que pensar é um desafio, questionar o que lemos ou ouvimos, é uma guerra, pelo menos em um lugar onde a reflexão não é tão presente. Eu desconfio de quem segue cego por não olhar para todos os lados, de quem não aceita um bom diálogo.
Um ponto de vista, delimita um lugar, um ponto do qual a questão está sendo observada. Deixando explícito no escopo de sua frase que algumas questões tem mais de um lado, as vezes temos que sair do nosso ponto para entender o todo.
Quem não pensa segue a marcha, não olha para os lados, aceita qualquer coisa sem refletir. Pensar é sempre um desafio, é ter que ouvir e ser humilde para aceitar nossos equívocos.
A questão é que na teoria sabemos que somos falhos, que ninguém é perfeito. O problema é que na prática agimos de modo diferente. É preciso adequar a nossa teoria a prática, caso contrário, seguiremos construindo apenas contradições.
BIBLIOGRAFIA
CHESTERTON, G. K, O homem eterno, Editora Mundo Cristão, São Paulo,2010.
