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  • JORNADA CRISTÃ 17: O SEGREDO JUDAICO

    Quando eu já estava formado em Teologia e pós-graduado em Filosofia, tive a curiosidade de conhecer um pouco mais do pensamento judaico. E o primeiro autor que eu acabei encontrando, assim, por conta própria mesmo, foi Nilton Bonder.

    Nilton Bonder é um rabino, natural de Porto Alegre, membro da Associação Religiosa do Rio de Janeiro. O autor tem inúmeras obras, muitas delas traduzidas para outros idiomas, mas a minha preferida é “O segredo judaico de resolução de problemas”, um livro que fala de como superar obstáculos.

    Eu sempre me impressionei como o judeu consegue através de parábolas e histórias, trazer um ensinamento. As histórias são realmente pedagógicas e Nilton Bonder, neste livro, propõe muitas delas, mostrando de forma prática, lições e formas de superar as adversidades.

    Eu creio que saber usar as adversidades, para produzir ensinamentos, é o caminho da sabedoria. Sendo que, nada melhor do que aprender com um povo que sofreu muito, mas soube contornar os problemas. A obra é realmente prática, e eu gosto principalmente de como o autor fala sobre a nossa mente:

    “Somos de tal maneira prisioneiros de nossa mente que dificilmente no sentimos insatisfeitos com ela” (BONDER, 2010, p.35).

    Um dos grandes desafios do ser humano é justamente confessar a sua ignorância, na maioria das vezes, acreditamos saber, sem perceber que não sabemos realmente das coisas. A ignorância é um perigo, mas acreditar que sabemos de tudo, é igualmente ruim, visto que, nos faz criarmos barreiras contra o aprendizado. Só aprende quem entende a dimensão da sua ignorância e o quanto tem para aprender.

    A dúvida, em um certo grau, é fundamental, pois nos faz refletir e principalmente, termos cautela. As certezas, são fundamentais para a nossa vida, contudo, existe uma certeza que me obriga cultivar um pouco da dúvida, que é a certeza de que eu posso estar enganado, eu sempre penso que existe esta possibilidade. Com isso, preciso duvidar, rever meus conceitos e não deixar que algumas certezas equivocadas me enganem.

    O livro discorre muito sobre sabedoria, inteligência e sobre as armadilhas que uma pessoa orgulhosa, crente que sabe de tudo, pode cair. Através de histórias, parábolas e exemplos práticos, o rabino Nilton Bonder ensina e nos ajuda a olhar as dificuldades de outros prismas.

    A obra não é de cunho cristão, como eu disse, ele é um rabino judeu, mas possui muitos ensinos a respeito da vida, de como encarar os problemas e formas de encarar algumas situações complicadas. O livro é bem prático e obriga você a pensar um pouco e a constatar o quanto nos enganamos. Sendo que as dicas que o livro dá, servem como ajuda para pensarmos melhor e ampliar nossa forma de ver a avaliar as situações.

    BIBLIOGRAFIA

    BONDER, Nilton, O segredo judaico de resolução de problemas, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2010.

    http://www.niltonbonder.com.br/port/bio.htm

  • DESTRUINDO NOSSAS RELAÇÕES

    De tempos em tempos os cristãos empreendem uma caça aos hereges, isso vem desde a antiguidade, apesar de que hoje, no Brasil, não há morte e também não existe tortura, mas a exposição, a vergonha e a desmoralização, continuam fortes.

    A meu ver, existem dois grandes perigos para a igreja atual, o primeiro é a teologia liberal, que descontrói fundamentos importantes da fé cristã. E o segundo é o fundamentalismo, que não dialoga, impõem e conversa como se ele e o seu pensamento fossem superiores, e todos os outros, inferiores.

    É claro que alguns pontos do evangelho são inegociáveis, não dá para abrir mão dos fundamentos. Contudo, impor, como se o papel de convencer fosse nosso, também não é a saída.

    Seguimos um evangelho que nos ensina a termos comunhão, e ter comunhão é cultivar relacionamentos. É apoiar, ajudar e caminhar junto com as pessoas. Coisa que a igreja tem feito cada vez menos.

    O grande perigo é que cada dia que passa, os cristãos têm se dividido, rompendo relações que deveriam ser mais sólidas, já que somos um povo, uma igreja, um corpo. É contraditório um cristão seguir sozinho, cada qual em seu gueto, pois ser igreja é justamente o oposto disso, é estarmos juntos em comunhão, apesar das diferenças.

    Eu sei que existem muitas igrejas, e também sei que cada uma tem as suas variantes, e pontos de vistas que vão de encontro uma com a outra. Uma igreja pentecostal, é bem diferente daquelas que são mais clássicas. Uma igreja calvinista, tem pontos bem opostos as igrejas arminianas. Enfim, as diferenças existem, mas o que une é bem maior. O cerne do evangelho é unanime e é justamente isso que deveria nos unir.

    O ponto central do evangelho é Cristo, e apesar de termos nossas diferenças, temos muito mais coisas em comum. É preciso entender que divididos, somos mais fracos. Unidos, tendo Cristo como o cabeça, é ser igreja e é assim que somos fortes (Romanos 12:4-5).

    Enquanto nos tratarmos como inimigos, como concorrentes, pagaremos o preço por esta divisão. Enquanto não entendermos que o que deveria nos guiar é a Bíblia, e não a teologia que seguimos, vamos nos dividir cada vez mais.

    É ótimo seguir uma teologia, ainda mais que são muitos os homens de Deus que interpretaram e ofereceram seus pontos de vistas as pessoas. Seja Calvino, Armínio, John Wesley ou quem quer que seja. Só precisamos entender que alguns ensinos possuem variantes, principalmente os que são oriundos de versículos Bíblicos complicados, e é justamente por isso, que precisamos ter cuidado e sermos humildes para confessar estas limitações.

    Por isso que ao invés de focarmos no que não é inânime, deveríamos focar no que nos une, e dialogar, para que possamos criar pontes e não muros.

  • DEFENDENDO A REPUTAÇÃO

    Há alguns anos, eu estava com um amigo em uma lanchonete, quando de repente ele começou a me fazer algumas críticas. A primeira reação que tive foi me justificar, mas fiquei quieto. Optei por ouvir o seu parecer e verificar se havia verdade em suas palavras. É sempre importante prestar atenção na opinião dos outros sobre nós, como nos veem e qual é a leitura que fazem das nossas ações. Em outros tempos, eu me justificaria, mas naquele dia eu já havia aprendido como é bom e libertador não nos justificarmos. Richard Foster, no livro Celebração da disciplina, acrescenta:

    “Observe, por exemplo, quanto do que falamos tem como objetivo justificar nossas ações. Achamos quase impossível agir e permitir que o ato fale por si mesmo. Precisamos explicá-lo, justificá-lo, demonstrar que é justo. Por que sentimos essa compulsão de eliminar qualquer dúvida? Por causa do orgulho e do medo; porque nossa reputação está em jogo!” (FOSTER, 2020, p. 115–116).

    O ser humano tem dentro de si um orgulho, que o guia e força-o a se justificar, salvar a sua honra e a sua reputação, conforme é dito às vezes. Não queremos que pensem qualquer coisa sobre nós, por isso nos esforçamos tanto em argumentar e nos justificar.

    Com isso, ao invés de dialogar sobre ideias, acabamos a todo o momento falando sobre nós, nossas ações e a defender uma reputação que achamos que está em jogo. Em uma atitude totalmente orgulhosa e arrogante.

    É claro que tudo o que falam de nós pode estar tanto equivocado quanto certo. O interlocutor pode estar fazendo uma crítica honesta ou mesmo sendo desonesto conosco, nem sempre tem como sabermos. Mas o que quero apontar com esta reflexão é que não precisamos a toda hora nos justificar. É possível ouvir e deixar de lado as nossas defesas e justificativas.

    Aprendi que nem sempre conseguimos mudar a opinião que alguém tem de nós. Às vezes, é melhor nos concentrarmos em nossas atitudes e deixar que o tempo e as nossas mudanças falem por si só. Sendo que, mesmo assim, alguns não vão perceber.

    É importante entender que, mais do que defender o nosso ego, precisamos buscar a mudança, tendo como motivação a melhoria contínua. Esta deve ser a nossa prioridade, ao invés de ficarmos perdendo tempo em ajustar o modo como as pessoas nos veem.

    Considero totalmente curioso como alguns não percebem as mudanças em nós e a todo o momento falam conosco como se ainda fôssemos aquele antigo indivíduo. Eu também acho curioso aqueles que a todo momento ficam arranjando desculpas e justificativas para as suas atitudes. As duas ações são complicadas, mas precisamos aprender a lidar com ambas.  

    Aprendi a não ligar e a rir, descobri que avaliar o que é dito é muito melhor que ficar perdendo tempo arranjando desculpas. Você não precisa ficar defendendo a sua reputação, ao invés disso, é muito melhor você se concentrar em melhorar a cada dia, pois é isso que vai fazer diferença em sua caminhada, que nos mais, é só opinião.

    BIBLIOGRAFIA

    FOSTER, Richard. Celebração da disciplina: O caminho do crescimento espiritual. São Paulo: Editora Vida, 2007.

  • DANÇA DAS CADEIRAS

    “A vida é como a dança das cadeiras, em um dia você está sentado em outro de pé”.

    Li esta curiosa frase em um Facebook um bom tempo atrás, não sei quem é o autor, mas me lembrei de muitos amigos que foram humilhados, subestimados, mas que em outras ocasiões, conseguiram dar a volta por cima. Eu também me lembrei de uma ocasião, quando eu trabalhava com uma pessoa que tinha sido em tempos antigos, chefe do dono da empresa. O cara tinha dinheiro, mas por conta dos acontecimentos da vida ele perdeu tudo e estava passando por uma fase complicada, como alguns comumente falam. Enquanto o meu chefe acabou prosperando e ajudando aquele homem que tinha sido o seu chefe muito tempo atrás.

    O dinheiro é assim mesmo, instável, passageiro e fraco. Aprendi ainda novo que o conhecimento ninguém tira de você e que a humildade abre portas. E foi por conta desta humildade, que aquele homem estava conseguindo se reerguer.

    Ser humilde não é só seguir o mandamento de Cristo ou cumprir a agenda de um bom cristão, e sim entender que ninguém é superior ao outro. Quando digo que ninguém é melhor do que ninguém ou aponto para a importância da humildade, quero também deixar entendido que a vida é imprevisível e complicada, e por isso, temos que reconhecer que estamos expostos a estas intempéries e muitas destas dificuldades só vencemos com o pé no chão e muita cautela.

    Gosto do filme Forest Gump, considero-o um dos melhores, por ter várias mensagens implícitas durante o enredo. O que poucos notam é que o filme não fala só dele, mas também dá muita ênfase ao seu grande amor, Jeny.

    A maneira simples como Forest encara a vida e as várias vezes que ele perdoou inclusive a Jeny, me impressiona. O profundo do filme era que estes dois vinham de uma vida conturbada, ela era abusada por seu pai e ele tinha uma limitação mental. Limitação esta, que ele tinha consciência que possuía. Porém, ele chegou mais longe do que ela, por ser simples e ter prioridades inegociáveis e em nenhum momento a fama ou o dinheiro, fez com que ele mudasse sua forma de ser e ver a vida. Lucas 18:17 diz:

    “Digo-lhes a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele”.

    Esta passagem Bíblica é interessante, pois fala do publicano e do fariseu, um que se orgulhava de guardar a lei e ser fiel e não ser igual aos pecadores. E o outro que pedia a misericórdia a Deus por ser pecador. Um não reconhecia o quanto era pecador, o outro reconhecia e clamava pela graça de Deus. E ele termina falando das crianças, em como elas são humildes e inocentes. O texto aqui, não está afirmando que as crianças são mais santas do que os adultos, ou que elas não têm pecado, e sim, que as crianças exemplificam um espírito despretensioso, humilde e grato.

    Que possamos todos os dias, cultivar este espírito humilde, pensando sempre no próximo e que, por mais que você tenha títulos, formações e dinheiro, isso não te dá o direito de passar por cima das pessoas.

    Quando eu era novo, ouvi um ensinamento de um professor de karatê que eu nunca mais esqueci. Ele falou logo no primeiro dia de aula que “Aqui vocês vão aprender a ter preparo e a lutar, por conta disso, vocês vão ter mais responsabilidades do que os outros que não sabem”. E é assim que eu penso, se você tem mais estudo, dinheiro ou preparo, você tem mais responsabilidades, cabe a você se portar melhor do que o outro.

    E nunca se esqueça, o mundo dá voltas, lembre-se da dança das cadeiras. Hoje você pode estar sentado, numa boa, amanhã quem sabe não. Em qualquer uma destas fases, a humildade só te ajudará.

  • A MISSÃO DE TODO O CRISTÃO

    A minha missão é falar, transmitir a verdade, se alguém vai ouvir já são outros quinhentos”.

    Cresci vendo evangelistas tentando empurrar a força a mensagem de Cristo. Eu achava curioso pois soava mais como uma barganha, do que um momento de pregação, troca e ensino.

    Conforme fui crescendo aprendi que a nossa missão é pregar e não convencer, é falar, ensinar, confrontar o que está errado, falando do caminho certo e não forçar a pessoa a nos seguir.

    Ninguém ganha almas para Jesus, quem convence é o Espírito Santo, nós somos só os instrumentos usados por ele. A nossa missão é apenas pregar, ser sal e luz, e não tentar ser aceitos por todos.

    Quando nos colocamos a frente de tudo, corremos o risco de sermos arrogantes. Mas ao nos prepararmos e deixarmos o Espirito Santo agir como bem entende, tudo o mais acontecerá conforme a sua vontade. É a vontade dele que importa.

    Infelizmente amigo, muitos vão nos ouvir e não vão nem ligar, outros vão resistir e rejeitar a semente da palavra, não sabemos porque, só sabemos que é assim, cabe a nós apenas aceitar.

    Pregue, ensine, apoie e ajude, mas não insista, pense o quão inconveniente seria se uma pessoa quisesse fazer você aceitar a religião dela a força. Aprenda a se colocar no lugar de quem ouve para que assim você possa ser mais respeitoso, que no mais não é conosco. Somos chamados apenas para anunciar e não para convencer.

  • CRISTIANISMO EMOCIONAL

    É muito fácil um cristão cair no legalismo, principalmente quando ele acredita que foi Deus quem mandou fazer determinada coisa ou pior, quando ele acredita que ele é mais espiritual do que os outros e coisas do tipo. Outro problema é que o Velho Testamento conta histórias de profetas, abrindo muitos pressupostos para equívocos. Basta um sonho e uma certeza, que o caos está armado.

     A vida cristã não é uma história, o que vivemos é muito mais que momentos místicos e mágicos. Ela é feita de obediência, de leitura e de oração. Ações que requerem disciplina, insistência e constância, para não cairmos no ostracismo. É fácil ser empurrado para a preguiça de ler, estudar a Bíblia e orar, sendo que estes desafios são reais e diários.

    Vivi neste meio emocional por muito tempo, quando novo eu até acreditava nestas coisas, inclusive em cristãos ungidos e especiais. Mas, com o tempo, fui amadurecendo, estudando e orando mais, passando a desconfiar destas pessoas e das suas atitudes.

    O problema é quando não percebemos o quanto somos pecadores e limitados. O quanto precisamos insistir e suplicar pela graça divina para conseguir nos desenvolver. Uma pessoa que acredita que é especial vive em um limbo. Um lugar onde somente ela é superior, e para ela tudo é mais fácil.  É uma vida de autoengano, que não permite-a perceber quem ela realmente é e o quanto precisa de Deus.

    Desconfio de tudo que soa emocional e fruto de um mérito próprio. Se não for pela graça, nossa vida perde o controle e toma outro rumo. Eu também tenho uma desconfiança de cristãos que não leem e muito menos estudam a Bíblia ou mesmo livros de autores cristãos. Somos o povo da Bíblia, com isso, estudar as Sagradas Escrituras é básico para uma vida cristã coerente.

    É fácil confundirmos a voz de Deus com nossos próprios desejos e vontades. Somos limitados e propensos a sermos guiados pelas nossas emoções. É tentador, ao se ter um público, falar que o nosso impulso, o que estamos sentindo, vem de Deus. Pois faz bem para o ego ser visto como especial pelas pessoas.

    O problema é que a Bíblia precisa de interpretação, conhecimento e vivência. Muitos textos bíblicos, quando lidos sem uma base coerente, viram desculpas para erros.

    Como pontuei, vivi em um ambiente assim, em meio a este caos cristão, e ainda enfrentando muitos desafios comuns de todos os jovens. E concluo que duas coisas me ajudaram a ser um cristão um pouco mais equilibrado.

    A primeira coisa foi acreditar que ninguém tinha capacidade de ser um cristão especial. Não que Deus não fale com as pessoas e também não as use, mas que isso não é sinal de você ser (ou não) alguém especial. Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais vamos percebendo nossa miséria e finitude. Esta é a verdade que me libertou e que a própria Bíblia revela e fez com que eu confiasse no Senhor de forma real e coerente. E quando digo crente especial, refiro-me àqueles cristãos que acreditam que estão acima de todos os outros cristãos.

    A segunda coisa é que sou muito racional, e até quando o ambiente me pressionava para ser um crente emocional, no meu ponto de vista soava exagerado e fingido.

    Acredito que Deus pode tudo, também acredito em milagres, mas sei que estas coisas partem sempre da vontade soberana de Deus. Foram muitas orações pedindo que Deus falasse comigo, que mostrasse a sua glória, até entender quem sou e o que eu estava pedindo. A falta de resposta (pelo menos da forma como eu queria) não me fez ateu e sim, mais consciente de que Deus faz o que bem quer e a sua vontade é sempre perfeita.

    Hoje, já sem toda esta emoção, eu me pego falando com Deus a toda hora, sentindo-o me orientar através da Bíblia, das pessoas e de muitas formas. Afinal, toda a verdade vem dele, mesmo proferida por quem não é cristão.

    A vida cristã não é uma busca desenfreada para ser o cristão especial e sim, é ser encontrado pelo nosso Pai, é seguir amparado por Deus, obedecendo e praticando a sua palavra, o resto é consequência.

  • JORNADA CRISTÃ 16: EQUILÍBRIO

    Em uma altura da minha jornada cristã eu me deparei com o tema arminianismo e calvinismo. Foi inevitável, por conta da igreja no qual eu frequentava, ter contato com estas teologias, e depois na própria faculdade. Já que eu cursei em uma faculdade Interdenominacional, e por isso, eles procuraram abordar toda a teologia de uma forma ampla e centrada. E para isso, precisei aprender estas duas correntes, o que me leva falar do autor de hoje.

    Norman Geisler é um escritor profícuo, em sua carreira ele escreveu desde livros de ética, como a obra “Ética cristã”, livros de apologética, como a “Enciclopédia de apologética” e o livro “Não tenho fé o suficiente para ser ateu”, que escreveu em parceria com Frank Turek, e até um livro de “Teologia sistemática”, que considero uma das mais coesas e centradas do segmento, entre tantos livros. Contudo, o livro que eu mais gosto se chama “Eleitos, mas livres”.

    Quando eu mergulhei no calvinismo e arminianismo, busquei estudar as melhores e mais conhecidas obras, com o intuito de entender e ter uma conclusão realmente centrada no assunto. E tal obra de Norman Geisler, eu descobri neste período de estudos, um livro que além de centrado, trata do tema de forma humilde e com muito embasamento.

    Nem sempre a palavra humildade e calvinismo, estão nas mesmas frases. Já vi muitos calvinistas baterem no peito e ofenderem muitos cristãos, tudo por acreditarem que eles estavam certos, e todos os outros errados. David Engelsma afirma isso, em seu livro “Uma defesa do calvinismo como sendo o evangelho”, onde ele argumenta que o calvinismo é o próprio evangelho.

    O interessante do livro de Norman Geisler, é ele ser um autor que se intitula como calvinista, apesar de ter algumas conclusões que ficam bem próximas do arminianismo clássico. O seu pensamento equilibrado ao abordar assuntos complicados como predestinação, soberania divina entre tantos temas é o que realmente faz Geisler se destacar. O livro é muito relevante, escrito de uma forma muito embasada e coerente.

    É importante entender que qualquer conclusão que você tenha sobre o assunto e independente de qual for a sua corrente teológica, é fundamental você ler autores de ambos os lados. Aprenda sobre o calvinismo lendo autores calvinistas, e se aprofunde na corrente arminiana lendo autores arminianos. Entenda o pensamento mergulhando nas principais obras e é claro, estudando também a Bíblia, que é a literatura fundamental sobre o tema.

    Em alguns momentos a leitura se mostra um pouco densa, devido ao teor da conversa, em outros momentos não. Por isso, leia com calma, sem pressa, entendendo e refletindo em cima dos diversos pontos e interpretações que o autor dá para passagens bíblicas complicadas. E por mais que você discorde do autor, coisa que não há problema algum, medite em suas conclusões e estudos, vale a pena.

    Norman Geisler me ajudou a buscar o equilíbrio, principalmente em assuntos complicados, como a predestinação. E caso você se depare com um assunto de difícil conclusão, não tenha pressa em concluir. Alguns temas são difíceis e misteriosos, e por mais que tenhamos uma opinião, é sempre desafiador tentar entender de forma ampla alguns destes conteúdos. Ainda mais quando falamos de Deus e da sua soberana sabedoria e vontade. Sobre Deus, Agostinho resume bem a questão:

    “Se o pudesses compreender, ele não seria Deus” (FERREIRA, 2006, p. 79).

    Grave esta verdade em sua vida e estude com os pés no chão!

    BIBLIOGRAFIA

    FERREIRA, Franklin, Agostinho de A a Z, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2006

  • A PRONTIDÃO EM PERDOAR

    “Nada nos leva a perdoar mais que o maravilhoso conhecimento de que nós mesmos fomos perdoados. Nada prova de maneira mais clara que fomos perdoados do que nossa própria prontidão a perdoar” (STOTT, 2018, p. 26).

    A Bíblia nos mostra alguns sinais da nossa conversão. Marcas que todo aquele que foi tocado pelo evangelho tem. Afinal, um nascido de novo é diferente (1 João 3:1-2). Não estou afirmando que somos perfeitos, pois não somos, eu sei muito bem disso. E sim que, quem foi tocado por Deus, produz frutos, resultado da verdadeira conversão (Gálatas 5:22).

    O perdão é a atitude fundamental de quem segue o caminho da cruz. A falta de perdão, não é só contraditória, mas vai na contramão do que a própria palavra ensina. Por sermos pecadores e merecermos a morte, entendemos que só há salvação em Cristo. Não existe a menor chance de qualquer um se salvar. Mas Deus enviou o seu Filho e através de sua grandiosa graça, Ele nos perdoou e nos salvou. Com isso, diante deste grandioso feito, perdoar é o mínimo que podemos fazer. Como resultado de quem foi inundado pela graça e pelo perdão de Deus.

    Além de que perdoar é a atitude daqueles que sabem que são falhos, que entendem suas dificuldades e propensões ao erro. Com isso, o perdão, mesmo sendo difícil em alguns momentos, acaba sendo a atitude mais inteligente que alguém pode tomar.

    É o posicionamento daqueles que sabem que são falhos, sujeitos ao engano, e que entendem que mais dia ou menos dia, vão precisar pedir perdão. Ninguém erra de propósito, por isso, precisamos propositalmente ter uma atitude de amor e perdão. Eu sei que muitas vezes não é fácil, mas é preciso tentar.

    O ser humano tem uma tendência horrível de não olhar as situações de forma ampla. É normal sermos ajudados, socorridos e depois, esquecermos de sermos gratos por aqueles que nos auxiliam. Fomos alcançados por Deus. Nosso poderoso Pai, nos dá o seu filho e através de sua graça, nos perdoa. E nós, seguimos tratando o próximo de forma bem oposta ao que o próprio Deus da graça nos tratou (Mateus 6:14-15).

    A prontidão em perdoar é a prova que somos gratos pelo que Deus fez por nós. É o resultado daquele que entende que não pode, de maneira alguma, pagar o que o Senhor fez por ele, mas ele pode fazer o mesmo. Ele pode perdoar, de forma semelhante, ele pode tentar amar, de forma igual, sendo complacente, misericordioso, e perdoador, tal qual Deus foi com ele. Isso é imitar a Cristo de forma prática.

    Está é a prova da conversão, é o resultado de um coração que foi constrangido por um poderoso amor, de uma vida que foi perdoada, sabendo que não é merecedora e por isso ela perdoa. A gratidão a Deus nos leva a fazer isso, nos faz amar e perdoar, como Ele amou e nos perdoou. Agora o coração ingrato não consegue, pois ele só vê a si e as suas necessidades.

    BIBLIOGRAFIA

    Stott, John. Lendo o sermão do monte com John Stott. Viçosa: Editora Ultimato, 2018.

  • QUANDO NINGUÉM SE IMPORTA

    Ninguém liga para mim, foi o que eu ouvi de uma pessoa, meditei em todas as suas palavras e fiquei com pena. É legal ser lembrado, receber alguma atenção, e por um instante, ver alguém se preocupar conosco.  A vida de quem não tem ninguém para caminhar junto, não é tão legal assim, a solidão não é nada bonita.

    Há quem diga que os amigos são os irmãos que escolhemos, são aqueles que param para nos ouvir quando nos perguntam “como estamos”. O problema é que foi inevitável, diante daquela frase, pensar no interlocutor, e tentar entender porque ninguém se importava com ele. Por ser sempre tão bem humorado, ativo na igreja, e com tantos amigos, foi estranho ouvir aquela frase, justamente dele.

    Eu creio sim que muitas pessoas são colocadas de lado, principalmente em alguns ambientes cristãos, onde existe uma diversidade grande de pessoas, cada um com seu estilo e modos de se relacionar. É fácil ser colocado de lado, e quando o nosso perfil é mais introspectivo, mais reservado, isso pode acontecer com ainda mais facilidade.

    Penso que a igreja tem pecado muito neste quesito, os pastores têm visitado menos as pessoas, e cometido a falta de não pastorear, e muito menos se importar ou faltando em caminhar o mínimo com elas. Embora exista o outro lado da questão, afinal, nós também devemos no preocupar com os amigos.

    Como você tem vivido a sua vida? Como você tem tratado os seus amigos? Amizade é uma ação recíproca, é um movimento onde a comunhão deve-se fazer presente. E quando falamos de comunhão, falamos inclusive de participar das alegrias de alguns amigos, e para isso, o se doar deve ser uma das nossas atitudes.

    Nem sempre é fácil tirar um dia da semana para comemorar com os nossos amigos, ou prestigiar seu trabalho, hobby ou sonhos, mas é justamente isso que é ser um amigo. É estar presente, apoiar e caminhar junto.

    Quem não caminha junto, anda sozinho, quem é egoísta ao ponto de não se doar, com certeza ficará mergulhado em sua profunda e egoísta solidão.

    Na maioria das vezes (existem muitas exceções é claro), quem anda sozinho é porque não tem a disposição de se doar, de caminhar com alguém, de ter um amigo. O ser humano não foi feito para estar só, por isso vivemos em comunhão, sendo que a amizade é o princípio desta doação.

    Esta colega no qual falei, vivia sozinho, não tinha tempo para as pessoas, esperava sempre que as pessoas o procurassem, mas ele nunca procurava alguém. Ele queria que as pessoas se importassem com ele, mas ele mesmo não se importava, pelo menos não demostrava. Amizade se constrói, é um processo contínuo, sendo que sem altruísmo, nada permanece.

    Se ninguém se importa com você, se pergunte quem são seus amigos, e o quanto você cultiva as suas amizades. Reveja a sua vida, e pare para analisar e ver como você age como amigo. Talvez você esteja passando por um período de injustiça, onde só você vai atrás dos amigos, e eles nem ligam para você. Mas quem sabe, você seja aquele que não procura ninguém, que não cultiva a amizade, e espera que os outros, façam o que você mesmo não faz.

    As vezes as nossas condições são apenas reflexos de como agimos, de como estamos vivendo. A questão não é ter um monte de amigos, e sim, refletir e tentar entender se estamos cultivando parcerias, se na igreja estamos vivendo como corpo, em comunhão e amizade.

    Caso não seja este o seu caso, quem sabe a saída seja cultivar amizades verdadeiras, procurar quem realmente quer uma amizade. Não é fácil de encontrar, mas também não é impossível, basta persistir e colocar tudo nas mãos de Deus.

  • A MELHOR MOTIVAÇÃO

    Um dos temas que eu gosto muito de ler e estudar é o de defesa de fé (apologética). É muito bom perceber como a Bíblia tem fundamento. E como existem inúmeras provas de confiabilidade. É também ótimo saber como existem muitos teólogos e filósofos comprometidos com o estudo da palavra, mostrando a muitos como a fé cristã é inteligente. A questão é que, por mais que eu acredite que a apologética seja fundamental para as pessoas, eu também sei que a Bíblia é para ser lida e estudada, e não apenas defendida. Pois Deus não precisa de defensores.

    A motivação primária que todo o cristão deveria ter, é estudar e ler a palavra para entendê-la e não apenas para defender. Precisamos aprender a levar a palavra de Deus a sério, muito mais como ferramenta para uma vida centrada, do que como desculpa para sermos apenas militantes, defensores e protetores das escrituras. Não adianta defendermos algo que não conhecemos e muito menos usamos ou sabemos como deveríamos usar em nossa vida. Kevin DeYoung complementa o assunto:

    “Que Deus nos dê ouvidos, pois todos nós precisamos ouvir a palavra de Deus e leva-la à sério mais do que Deus precisa de qualquer um de nós para defende-la” (2014, p. 26).

    A nossa motivação como estudiosos, deve primeiro ser a de entender e aplicar a Bíblia em nossa vida. A defesa da fé é importante, principalmente para mostrar as pessoas que a nossa fé é inteligente. Além de fortalecer a visão que temos da palavra de Deus. Contudo, a palavra tem uma função primária que é alicerçar a nossa vida e nos dar fundamentos. Por isso que antes de tudo, eu devo ter o hábito de ler, estudar e aplicar ela em minha vida. Se não conhecermos a palavra e não buscarmos intimidade com Deus e com o texto bíblico, o resto não vai importar muito, pois não vai surtir efeito.

    Aprenda o real sentido da palavra prioridade, e descubra que em primeiro lugar, devemos conhecer, nos aprofundar e termos intimidade com este sagrado texto. Aprenda a defender a sua fé, mas antes de tudo, tenha intimidade e conhecimento daquilo que você quer defender.

    Não adianta defender algo que não é uma prática em sua vida!

    BIBLIOGRAFIA

    DEYOUNG, Kevin, Levando Deus a sério: Por que a Bíblia é compreensível, necessária e suficiente, e o que isso significa para você. São José dos Campos: Fiel Editora, 2014.