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OS DOIS TIPOS DE AMIGOS
“As discordâncias nos forçam a verificar nossos dados e explicar os fundamentos da nossa decisão” (ROBINSON, 2017, p. 154).
Diante de qualquer projeto é fundamental ouvirmos outras opiniões. As vezes por estarmos mergulhados no empreendimento, não vemos os vários pontos cegos que os nossos planos podem ter.
É fundamental entender que nem sempre vemos o todo. A euforia ou o próprio projeto, nos cega, nos impede de verificarmos com cuidado todos os nossos passos. Na maioria das vezes vemos o mundo em partes, enxergamos apenas aquilo que queremos enxergar e sem perceber, seguimos ignorando muita coisa.
Ouvir opiniões de terceiros, de amigos e pessoas de confiança, nos ajuda a perceber o todo. As próprias opiniões contrárias nos fazem vermos o que a euforia nos impede muitas vezes de perceber, com isso, podemos colher as diversas opiniões e depois refletir sobre os planos, e se for preciso, até ajustarmos nossa empreitada.
Com certeza você deve tomar cuidado com a pessoa que você vai ouvir, tem gente que não quer o nosso bem, contudo, isso não invalida a prática, apenas nos faz tomarmos mais cuidado com quem ouvimos.
Quando ouvimos quem discorda, acabamos por ter que refletir mais, repensar todo o trajeto, e verificar nossos possíveis equívocos. Se ouvimos só quem concorda conosco, corremos o risco de cairmos em erros que não percebemos no momento. Coisa que um amigo crítico nos faz ver.
Penso que os dois tipos de pessoas cumprem com o seu propósito. O amigo que concorda, acaba por nos dar força e impulso para continuarmos nossos planos sem desanimarmos. Ele acaba sendo a força, afinal, nem todos os planos são simples, alguns dependem de muita insistência. Já os amigos críticos nos ajudam com a parte técnica, eles nos proporcionam senso crítico e a oportunidade de vermos possíveis decisões perigosas.
Quando você é humilde suficiente para ouvir, você lida com os dois tipos de pessoas numa boa. E mesmo que uma crítica tenha sido feita por inveja, quem sabe ouvir vai refletir na opinião, tentando ver se a frase não tem algum sentido. As vezes tem e muitas vezes nos ajuda. Uma pessoa inteligente sabe avaliar e usar uma crítica a seu favor.
Aprenda a ter os dois tipos de pessoas em sua vida. Descubra como é bom ter amigos animadores e também os críticos. Nem sempre percebemos os obstáculos, mas com um amigo e uma boa reflexão, podemos nos safar de decisões complicadas.
BIBLIOGRAFIA
ROBINSON, Haddon. W. Decisões: Fazendo escolhas com sabedoria. Curitiba: Publicações Pão Diário, 2017.
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JORNADA CRISTÃ 18: CELEBRAÇÃO DA DISCIPLINA
Um dos fundamentais pontos que você precisa desenvolver quando planeja fazer um curso superior é a disciplina. Pois são muitas leituras, trabalhos e textos que você precisa escrever com o intuito de crescer e aprender. Sem disciplina, você não consegue transitar no meio acadêmico, ou até caminha, mas seguirá sempre a passos trôpegos. E sobre o tema disciplina, é imprescindível falar de Richard Foster.
Conheci o autor em minha antiga igreja em um grupo de discipulado, mas fui estudar detalhadamente todos os capítulos da sua principal obra, apenas durante a graduação em Teologia.
Richard Foster tem vários livros, ele escreve desde temas sobre “Oração”, a “Oração Meditativa” e vários outros assuntos, contudo os dois livros que eu mais gosto são “A liberdade da Simplicidade”, um livro que fala da importância de buscarmos uma vida simples e centrada. E o livro “Celebração da Disciplina”, que é a obra que eu abordarei neste texto.
O livro apresenta um tema fundamental para a vida cristã, que são as disciplinas espirituais. Ensinos que a igreja de hoje tem esquecido. Ouvimos pouco hoje sobre a meditação, o jejum, o estudo e a busca por simplicidade, entre tantos outros temas que fazem parte da vida cristã. No livro o autor aborda doze principais disciplinas que nos ajudam a ter uma vida espiritual equilibrada.
Em nossos frenéticos dias, mesmo podendo lançar mão de várias tecnologias que são úteis para facilitar a nossa vida, e nos dar mais tempo, parece que não temos tempo algum. A cada avanço tecnológico, estamos cada vez mais ocupados e mergulhados na inquieta rotina do nosso mundo atual. Parar, refletir, meditar ou praticar a contemplação, virou prática de poucos. A maioria não se desconecta, e vive mergulhado em estímulos o dia inteiro. Richard Foster resume bem este problema nas primeiras palavras do capítulo A Disciplina da Meditação, concluindo que:
“Na sociedade contemporânea, o Adversário tem especialização em três áreas: ruído, pressa e multidões. Se ele conseguir nos manter debaixo de um amontoado de coisas, descansará satisfeito” (2020, p. 45).
E infelizmente muitas vezes ele consegue, pois não é raro, trocarmos a meditação, a oração e o estudo, entre tantos pontos fundamentais da fé, pela correria do dia.
Foster, neste ótimo livro, resgata a importância de cultivarmos práticas e rotinas, que fazem parte de uma vida espiritual concreta e que nos dá muito equilíbrio. Buscar praticar algumas das disciplinas, não é só bom para a vida espiritual, mas também para a nossa saúde.
Entender que tempo, tem a ver muito mais com prioridades, é fundamental para conseguirmos parar, e cultivar estes hábitos que muitas vezes ficam esquecidos. E eu garanto, a sua saúde espiritual vai ficar em dia, quando você entender e praticar tais disciplinas.
Guardo no coração os ensinos deste livro, considero “A Celebração da Disciplina”, leitura fundamental.
BIBLIOGRAFIA
FOSTER. Richard. Celebração da disciplina: O caminho do crescimento espiritual. 2. ed. São Paulo: Editora Vida, 2020.
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HÁBITOS RELEVANTES
“O hábito, meu amigo, é tão-somente uma longa prática. Que por fim faz-se natureza” (Eveno) (ARISTÓTELES, 2013, p. 155).
Em um dia normal, a minha manhã é sempre igual. Eu oro, leio a Bíblia, escrevo, estudo e leio. Construí uma rotina, justamente para conseguir aprender e crescer ainda mais em minha profissão e ministério. Hábitos são costumes ótimos, só não se esqueça que eles podem ser tanto bons quanto ruins.
Foi em 2014 que eu resolvi cultivar estes hábitos, e desde então, tenho escutado as mesmas frases, e a primeira que eu mais ouço é: “Eu queria ter tempo para ler”. Sendo que na maioria das vezes eu respondo, eu também queria.
É importante aprender que ninguém tem tempo, normalmente temos muitas coisas para fazer, sendo que tempo, é questão de prioridade. E quando a prioridade existe, nos esforçamos para arranjar tempo a fim de nos dedicarmos para uma determinada prática.
Quando eu estava na faculdade, eu ainda não era casado, e esta discussão surgiu dentro da sala de aula. E eu respondi justamente isso, que tempo era prioridade, mas uma parte das pessoas não gostou da frase, e uma delas falou que eu lia muito porque não era casado. Hoje eu sou casado e sei que o casamento demanda tempo, mas quando temos prioridade, nos adaptamos.
Pense apenas no tempo que você gasta em frente a televisão, redes sociais, assistindo séries ou em jogos. Perceba que é possível separar um período, para cultivar hábitos que vão agregar conhecimento em sua vida. Quando temos prioridade, nos dedicamos as coisas importantes, quando não temos, arranjamos quaisquer desculpas.
Sobre a leitura, é importante entender que ler é um hábito, e por isso, é possível cultivar. Não é apenas gostar de ler, mas também se dedicar, ir contra a preguiça ou a força que nos faz seguir pelos caminhos mais fáceis e persistir.
Ninguém nasce lendo um monte de livros e muito menos tendo hábitos relevantes, na maioria das vezes, seguimos pelo caminho mais fácil e cômodo. Mas é possível persistir e cultivar bons hábitos, começando com um passo de cada vez, com muita constância e muita prática, para tornar aquele hábito algo natural, como diz o ditado de Eveno.
Uma dica simples é arranjar um horário e não falhar, pode ser pouco tempo, para começar, o segredo é não desistir, pois é a constância que fará com que determinado hábito vire rotina.
Aprenda a separar um tempo, e dedique-se a aprender e a praticar. Livre-se da desculpa, e aprenda a criar meios para você se desenvolver. Está nas suas mãos, se você não se posicionar, ninguém vai fazer isso por você.
BIBLIOGRAFIA
ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco, Editora Martin Claret, São Paulo, 2013.
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TERCEIRIZANDO A CULPA
“A ideia de que o mal são os outros impede a humanidade de tratar sua própria barbárie interior” (MORIN; VIVERET, 2015, p. 58).
O ser humano é mestre em transferir a culpa. Na política, o partido de oposição é sempre o culpado. Em nossa carreira profissional, a culpa dos nossos fracassos é sempre a falta de oportunidade. Na vida amorosa, a culpa é sempre do cônjuge (e não é?).
O problema talvez seja que muitos se conhecem pouco, aceitam pouca crítica e não percebem seus erros e contradições, com isso, optam por terceirizar a culpa, afinal, é bem mais fácil. Parar para refletir e se autoavaliar é sempre um processo incômodo e demorado.
É comum vermos pessoas transferindo a culpa, não assumindo suas responsabilidades, culpando terceiros por fracassos. É sempre mais fácil transferir do que assumir a responsabilidade e mudar. Mudar é sempre difícil, requer abrir mão de algumas coisas, e sair da zona de conforto, assumindo os nossos erros e defeitos com coragem.
A parte contraditória é que todo o ser humano sabe que ninguém é perfeito, que ele é propício a falhas, equívocos e enganos, mas poucos realmente sabem seus defeitos, e param para se autoavaliar e trabalhar as suas dificuldades.
A mudança só vem com o autoconhecimento aliado a prática de assumirmos os nossos erros. Quando pontuamos bem nossas partes ruins, abrimos espaço para a possibilidade de mudança e seguimos cada vez melhores.
Ninguém muda antes de assumir quem é, e admitir que precisa mudar em determinadas áreas. Assumir o erro, faz parte do caminho da mudança e do crescimento. Quem não assume seus erros permanece na mesma, culpando os outros e permanecendo estagnado.
BIBLIOGRAFIA
MORIN, Edgar.; VIVERET, Patrick. Como viver em tempos de crise?. Rio de Janeiro: Editora Bertand Brasil, 2015.
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A ODISSEIA DA DOR XIII: ALÉM DO PARÊNTESE DO TEMPO
Quanto mais eu estudava e me aprofundava, mais ficava claro e destacado a minha ignorância. Percebi que entender nem sempre é uma missão fácil. E quando falamos de Deus e os seus propósitos, a missão complica ainda mais.
Não é fácil olhar para o sofrimento e muito menos é simples enfrentar um período de dor. Sendo que a dúvida aumenta ainda mais, quando somos cristãos e colocamos a nossa fé em Deus. Acreditamos em uma espécie de contradição ao falamos que servimos a Deus e ao mesmo tempo que passamos por momentos de dor, mas não é uma contradição. Augusto Cury no livro “Os Segredos do Pai-nosso”, fala justamente sobre isso:
“Por que Deus reage de modo tão estranho? A única resposta que encontrei para todas essas indagações é que ele enxerga os eventos existenciais além do parêntese do tempo, de modo completamente distinto de como o vemos. Nós enxergamos a temporalidade da vida, Ele vê a eternidade. Nós queremos aliviar o sofrimento imediato, Ele procura uma solução definitiva e completa” (2006, p. 123).
Não dá para mergulhar no infinito sem se perder, sem perceber a nossa ignorância e nos consumir em dúvidas e contradições. É como enfrentar um tsunami, ninguém consegue ficar de pé ao contemplar a face de Deus (Êxodo 33:20).
O problema é que muitas vezes usamos o nosso padrão de pensamento e as nossas percepções para concluir e refletir sobre Deus. Este é o nosso maior erro. Deus não se encaixa nas compreensões humanas, ele está além do infinito, pois ele é Deus.
Não é possível uma criatura entender um Deus eterno, o que podemos fazer é mergulhar na Bíblia, o livro que fala justamente deste Deus que se revela, mas mesmo ela, não consegue quantificar nosso Pai, o que sabemos é apenas uma pontinha do que ele é.
E com toda a certeza, ao olharmos nosso sofrimento ou mesmo todo o caos do mundo, vamos pensar estar vendo uma contradição. Mas não é, pois só vemos uma parte, não conseguimos ter uma ideia do todo, quando falamos do sofrer. E acima de tudo, não conseguimos perceber propósitos, motivos ou mesmo a ação de Deus em meio ao sofrimento, mas Ele está conosco, sempre e em todos os momentos.
A forma que Deus vê é totalmente diferente da nossa. Deus olha o todo, ele enxerga além do parêntese do tempo, como Augusto Cury pontuou, e o fato de não entendermos a nossa dor, revela apenas a nossa falta de visão.
A lição que eu aprendi neste período foi confiar e não me guiar pelas minhas limitadas percepções. Não é que eu segui sem pensar e refletir, e sim, que eu entendi que nem tudo temos explicação, as vezes quando a dor passa ou os nossos problemas são resolvidos, é que vemos a mãos de Deus ou até um propósito para os tempos difíceis.
Você pode empreender uma busca por conhecimento, pode ler e estudar, e isso é ótimo, eu espero que você faça isso, como eu mesmo fiz. Deus nos fez racionais, é por conta disso que nós pensamos e refletimos, isso não é errado. O problema é acreditar que você vai olhar para o infinito Deus e entendê-lo ou acusá-lo de negligência por ele não olhar para a sua dor. É muita prepotência pensar assim.
Confiar é o melhor caminho para seres limitados andar, pois quando falamos de um Deus incognoscível, temos que ter em mente que, só entendemos a pontinha, uma mínima fração das coisas que ele permitiu que conhecêssemos. E esta porção, deveria ser suficiente para confiarmos nele e entregarmos toda a nossa dor aos seus cuidados.
BIBLIOGRAFIA
CURY, Augusto, Os segredos do Pai-nosso: A solidão e Deus, um estudo psicológico da oração mais conhecida do mundo, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2006.
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FABRICANDO PROBLEMAS
“É impossível evitar o inevitável, mas é possível ter calma e não apressar os resultados, para saber como agir quando o inevitável chegar”. (Guilherme Augusto).
O diagnóstico era “tumor benigno”, sempre considerei contraditória a palavra “tumor” e “benigno” estarem na mesma frase, pois nenhum tumor parece ser benigno.
Eu precisava fazer a cirurgia com uma certa urgência, pois para piorar, o tumor havia chegado no nervo da face. Caso não fosse feito algo, eu perderia o movimento do lado direito do rosto. O grande problema era que eu também corria o risco de perder o movimento com a cirurgia, por ser um local muito delicado. O melhor dos diagnósticos era que eu iria ficar alguns meses fazendo fisioterapia para recuperar o movimento da face.
A situação me ensinou que o inevitável sempre acontece, não tem escapatória. O problema é que nós insistimos em gastar forças, seja adiantando um problema que nem aconteceu, ou seja tirando conclusões precipitadas e assim sofrendo por antecipação. Em ambos os casos, gasta-se muita energia, isso tudo sem ao menos dispormos de uma certeza. No final, a pessoa sofre duas vezes, ou sofre a toa, ao descobrir que o problema não era tão grave.
Resolvi mergulhar nesta situação, eu não tinha saída e por isso, enfrentei o processo esperando o resultado para saber o que fazer. O momento não era de elucubrações, lamentações e muito menos de construir teorias e diagnósticos, e sim, de respirar fundo, e enfrentar a cirurgia. E foi o que fiz.
A cirurgia acabou sendo longa, pois o local estava muito mais danificado do que os profissionais imaginaram. E quando eu acordei, depois da cirurgia, o meu primeiro movimento foi o da face. Me lembro que ao abrir os olhos, pude ver a doutora e a minha esposa sentadas esperando, e eu pude perceber um semblante de alívio quando ela percebeu que tudo estava normal, que a cirurgia não havia afetado o movimento do meu rosto. Nós três, eu, a doutora e a minha esposa, nos alegramos e eu agradeci a Deus, por ele ter cuidado da minha vida neste período complicado.
Não podemos evitar alguns problemas, mas podemos procurar a calma e não ficar imaginando diagnósticos ou mesmo situações que ainda nem aconteceram. Precisamos estar preparados é bom ser precavido, o perigo é sofrer por antecipação, este é um grande erro.
Aprenda a confiar em Deus e a deixar que os problemas surjam na hora certa ao invés de ficar imaginando resultados catastróficos. Largue o controle e descubra como é libertador viver um dia de cada vez.
Quem imagina problemas sofre à toa. Agora, aquele que busca dar um passo de cada vez, tendo calma, sem imaginar catástrofes, segue mais tranquilo, confiando que Deus está ao seu lado.
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JORNADA CRISTÃ 17: O SEGREDO JUDAICO
Quando eu já estava formado em Teologia e pós-graduado em Filosofia, tive a curiosidade de conhecer um pouco mais do pensamento judaico. E o primeiro autor que eu acabei encontrando, assim, por conta própria mesmo, foi Nilton Bonder.
Nilton Bonder é um rabino, natural de Porto Alegre, membro da Associação Religiosa do Rio de Janeiro. O autor tem inúmeras obras, muitas delas traduzidas para outros idiomas, mas a minha preferida é “O segredo judaico de resolução de problemas”, um livro que fala de como superar obstáculos.
Eu sempre me impressionei como o judeu consegue através de parábolas e histórias, trazer um ensinamento. As histórias são realmente pedagógicas e Nilton Bonder, neste livro, propõe muitas delas, mostrando de forma prática, lições e formas de superar as adversidades.
Eu creio que saber usar as adversidades, para produzir ensinamentos, é o caminho da sabedoria. Sendo que, nada melhor do que aprender com um povo que sofreu muito, mas soube contornar os problemas. A obra é realmente prática, e eu gosto principalmente de como o autor fala sobre a nossa mente:
“Somos de tal maneira prisioneiros de nossa mente que dificilmente no sentimos insatisfeitos com ela” (BONDER, 2010, p.35).
Um dos grandes desafios do ser humano é justamente confessar a sua ignorância, na maioria das vezes, acreditamos saber, sem perceber que não sabemos realmente das coisas. A ignorância é um perigo, mas acreditar que sabemos de tudo, é igualmente ruim, visto que, nos faz criarmos barreiras contra o aprendizado. Só aprende quem entende a dimensão da sua ignorância e o quanto tem para aprender.
A dúvida, em um certo grau, é fundamental, pois nos faz refletir e principalmente, termos cautela. As certezas, são fundamentais para a nossa vida, contudo, existe uma certeza que me obriga cultivar um pouco da dúvida, que é a certeza de que eu posso estar enganado, eu sempre penso que existe esta possibilidade. Com isso, preciso duvidar, rever meus conceitos e não deixar que algumas certezas equivocadas me enganem.
O livro discorre muito sobre sabedoria, inteligência e sobre as armadilhas que uma pessoa orgulhosa, crente que sabe de tudo, pode cair. Através de histórias, parábolas e exemplos práticos, o rabino Nilton Bonder ensina e nos ajuda a olhar as dificuldades de outros prismas.
A obra não é de cunho cristão, como eu disse, ele é um rabino judeu, mas possui muitos ensinos a respeito da vida, de como encarar os problemas e formas de encarar algumas situações complicadas. O livro é bem prático e obriga você a pensar um pouco e a constatar o quanto nos enganamos. Sendo que as dicas que o livro dá, servem como ajuda para pensarmos melhor e ampliar nossa forma de ver a avaliar as situações.
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton, O segredo judaico de resolução de problemas, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2010.
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DESTRUINDO NOSSAS RELAÇÕES
De tempos em tempos os cristãos empreendem uma caça aos hereges, isso vem desde a antiguidade, apesar de que hoje, no Brasil, não há morte e também não existe tortura, mas a exposição, a vergonha e a desmoralização, continuam fortes.
A meu ver, existem dois grandes perigos para a igreja atual, o primeiro é a teologia liberal, que descontrói fundamentos importantes da fé cristã. E o segundo é o fundamentalismo, que não dialoga, impõem e conversa como se ele e o seu pensamento fossem superiores, e todos os outros, inferiores.
É claro que alguns pontos do evangelho são inegociáveis, não dá para abrir mão dos fundamentos. Contudo, impor, como se o papel de convencer fosse nosso, também não é a saída.
Seguimos um evangelho que nos ensina a termos comunhão, e ter comunhão é cultivar relacionamentos. É apoiar, ajudar e caminhar junto com as pessoas. Coisa que a igreja tem feito cada vez menos.
O grande perigo é que cada dia que passa, os cristãos têm se dividido, rompendo relações que deveriam ser mais sólidas, já que somos um povo, uma igreja, um corpo. É contraditório um cristão seguir sozinho, cada qual em seu gueto, pois ser igreja é justamente o oposto disso, é estarmos juntos em comunhão, apesar das diferenças.
Eu sei que existem muitas igrejas, e também sei que cada uma tem as suas variantes, e pontos de vistas que vão de encontro uma com a outra. Uma igreja pentecostal, é bem diferente daquelas que são mais clássicas. Uma igreja calvinista, tem pontos bem opostos as igrejas arminianas. Enfim, as diferenças existem, mas o que une é bem maior. O cerne do evangelho é unanime e é justamente isso que deveria nos unir.
O ponto central do evangelho é Cristo, e apesar de termos nossas diferenças, temos muito mais coisas em comum. É preciso entender que divididos, somos mais fracos. Unidos, tendo Cristo como o cabeça, é ser igreja e é assim que somos fortes (Romanos 12:4-5).
Enquanto nos tratarmos como inimigos, como concorrentes, pagaremos o preço por esta divisão. Enquanto não entendermos que o que deveria nos guiar é a Bíblia, e não a teologia que seguimos, vamos nos dividir cada vez mais.
É ótimo seguir uma teologia, ainda mais que são muitos os homens de Deus que interpretaram e ofereceram seus pontos de vistas as pessoas. Seja Calvino, Armínio, John Wesley ou quem quer que seja. Só precisamos entender que alguns ensinos possuem variantes, principalmente os que são oriundos de versículos Bíblicos complicados, e é justamente por isso, que precisamos ter cuidado e sermos humildes para confessar estas limitações.
Por isso que ao invés de focarmos no que não é inânime, deveríamos focar no que nos une, e dialogar, para que possamos criar pontes e não muros.
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DEFENDENDO A REPUTAÇÃO
Há alguns anos, eu estava com um amigo em uma lanchonete, quando de repente ele começou a me fazer algumas críticas. A primeira reação que tive foi me justificar, mas fiquei quieto. Optei por ouvir o seu parecer e verificar se havia verdade em suas palavras. É sempre importante prestar atenção na opinião dos outros sobre nós, como nos veem e qual é a leitura que fazem das nossas ações. Em outros tempos, eu me justificaria, mas naquele dia eu já havia aprendido como é bom e libertador não nos justificarmos. Richard Foster, no livro Celebração da disciplina, acrescenta:
“Observe, por exemplo, quanto do que falamos tem como objetivo justificar nossas ações. Achamos quase impossível agir e permitir que o ato fale por si mesmo. Precisamos explicá-lo, justificá-lo, demonstrar que é justo. Por que sentimos essa compulsão de eliminar qualquer dúvida? Por causa do orgulho e do medo; porque nossa reputação está em jogo!” (FOSTER, 2020, p. 115–116).
O ser humano tem dentro de si um orgulho, que o guia e força-o a se justificar, salvar a sua honra e a sua reputação, conforme é dito às vezes. Não queremos que pensem qualquer coisa sobre nós, por isso nos esforçamos tanto em argumentar e nos justificar.
Com isso, ao invés de dialogar sobre ideias, acabamos a todo o momento falando sobre nós, nossas ações e a defender uma reputação que achamos que está em jogo. Em uma atitude totalmente orgulhosa e arrogante.
É claro que tudo o que falam de nós pode estar tanto equivocado quanto certo. O interlocutor pode estar fazendo uma crítica honesta ou mesmo sendo desonesto conosco, nem sempre tem como sabermos. Mas o que quero apontar com esta reflexão é que não precisamos a toda hora nos justificar. É possível ouvir e deixar de lado as nossas defesas e justificativas.
Aprendi que nem sempre conseguimos mudar a opinião que alguém tem de nós. Às vezes, é melhor nos concentrarmos em nossas atitudes e deixar que o tempo e as nossas mudanças falem por si só. Sendo que, mesmo assim, alguns não vão perceber.
É importante entender que, mais do que defender o nosso ego, precisamos buscar a mudança, tendo como motivação a melhoria contínua. Esta deve ser a nossa prioridade, ao invés de ficarmos perdendo tempo em ajustar o modo como as pessoas nos veem.
Considero totalmente curioso como alguns não percebem as mudanças em nós e a todo o momento falam conosco como se ainda fôssemos aquele antigo indivíduo. Eu também acho curioso aqueles que a todo momento ficam arranjando desculpas e justificativas para as suas atitudes. As duas ações são complicadas, mas precisamos aprender a lidar com ambas.
Aprendi a não ligar e a rir, descobri que avaliar o que é dito é muito melhor que ficar perdendo tempo arranjando desculpas. Você não precisa ficar defendendo a sua reputação, ao invés disso, é muito melhor você se concentrar em melhorar a cada dia, pois é isso que vai fazer diferença em sua caminhada, que nos mais, é só opinião.
BIBLIOGRAFIA
FOSTER, Richard. Celebração da disciplina: O caminho do crescimento espiritual. São Paulo: Editora Vida, 2007.
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DANÇA DAS CADEIRAS
“A vida é como a dança das cadeiras, em um dia você está sentado em outro de pé”.
Li esta curiosa frase em um Facebook um bom tempo atrás, não sei quem é o autor, mas me lembrei de muitos amigos que foram humilhados, subestimados, mas que em outras ocasiões, conseguiram dar a volta por cima. Eu também me lembrei de uma ocasião, quando eu trabalhava com uma pessoa que tinha sido em tempos antigos, chefe do dono da empresa. O cara tinha dinheiro, mas por conta dos acontecimentos da vida ele perdeu tudo e estava passando por uma fase complicada, como alguns comumente falam. Enquanto o meu chefe acabou prosperando e ajudando aquele homem que tinha sido o seu chefe muito tempo atrás.
O dinheiro é assim mesmo, instável, passageiro e fraco. Aprendi ainda novo que o conhecimento ninguém tira de você e que a humildade abre portas. E foi por conta desta humildade, que aquele homem estava conseguindo se reerguer.
Ser humilde não é só seguir o mandamento de Cristo ou cumprir a agenda de um bom cristão, e sim entender que ninguém é superior ao outro. Quando digo que ninguém é melhor do que ninguém ou aponto para a importância da humildade, quero também deixar entendido que a vida é imprevisível e complicada, e por isso, temos que reconhecer que estamos expostos a estas intempéries e muitas destas dificuldades só vencemos com o pé no chão e muita cautela.
Gosto do filme Forest Gump, considero-o um dos melhores, por ter várias mensagens implícitas durante o enredo. O que poucos notam é que o filme não fala só dele, mas também dá muita ênfase ao seu grande amor, Jeny.
A maneira simples como Forest encara a vida e as várias vezes que ele perdoou inclusive a Jeny, me impressiona. O profundo do filme era que estes dois vinham de uma vida conturbada, ela era abusada por seu pai e ele tinha uma limitação mental. Limitação esta, que ele tinha consciência que possuía. Porém, ele chegou mais longe do que ela, por ser simples e ter prioridades inegociáveis e em nenhum momento a fama ou o dinheiro, fez com que ele mudasse sua forma de ser e ver a vida. Lucas 18:17 diz:
“Digo-lhes a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele”.
Esta passagem Bíblica é interessante, pois fala do publicano e do fariseu, um que se orgulhava de guardar a lei e ser fiel e não ser igual aos pecadores. E o outro que pedia a misericórdia a Deus por ser pecador. Um não reconhecia o quanto era pecador, o outro reconhecia e clamava pela graça de Deus. E ele termina falando das crianças, em como elas são humildes e inocentes. O texto aqui, não está afirmando que as crianças são mais santas do que os adultos, ou que elas não têm pecado, e sim, que as crianças exemplificam um espírito despretensioso, humilde e grato.
Que possamos todos os dias, cultivar este espírito humilde, pensando sempre no próximo e que, por mais que você tenha títulos, formações e dinheiro, isso não te dá o direito de passar por cima das pessoas.
Quando eu era novo, ouvi um ensinamento de um professor de karatê que eu nunca mais esqueci. Ele falou logo no primeiro dia de aula que “Aqui vocês vão aprender a ter preparo e a lutar, por conta disso, vocês vão ter mais responsabilidades do que os outros que não sabem”. E é assim que eu penso, se você tem mais estudo, dinheiro ou preparo, você tem mais responsabilidades, cabe a você se portar melhor do que o outro.
E nunca se esqueça, o mundo dá voltas, lembre-se da dança das cadeiras. Hoje você pode estar sentado, numa boa, amanhã quem sabe não. Em qualquer uma destas fases, a humildade só te ajudará.
