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A MISSÃO DE TODO O CRISTÃO
“A minha missão é falar, transmitir a verdade, se alguém vai ouvir já são outros quinhentos”.
Cresci vendo evangelistas tentando empurrar a força a mensagem de Cristo. Eu achava curioso pois soava mais como uma barganha, do que um momento de pregação, troca e ensino.
Conforme fui crescendo aprendi que a nossa missão é pregar e não convencer, é falar, ensinar, confrontar o que está errado, falando do caminho certo e não forçar a pessoa a nos seguir.
Ninguém ganha almas para Jesus, quem convence é o Espírito Santo, nós somos só os instrumentos usados por ele. A nossa missão é apenas pregar, ser sal e luz, e não tentar ser aceitos por todos.
Quando nos colocamos a frente de tudo, corremos o risco de sermos arrogantes. Mas ao nos prepararmos e deixarmos o Espirito Santo agir como bem entende, tudo o mais acontecerá conforme a sua vontade. É a vontade dele que importa.
Infelizmente amigo, muitos vão nos ouvir e não vão nem ligar, outros vão resistir e rejeitar a semente da palavra, não sabemos porque, só sabemos que é assim, cabe a nós apenas aceitar.
Pregue, ensine, apoie e ajude, mas não insista, pense o quão inconveniente seria se uma pessoa quisesse fazer você aceitar a religião dela a força. Aprenda a se colocar no lugar de quem ouve para que assim você possa ser mais respeitoso, que no mais não é conosco. Somos chamados apenas para anunciar e não para convencer.
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CRISTIANISMO EMOCIONAL
É muito fácil um cristão cair no legalismo, principalmente quando ele acredita que foi Deus quem mandou fazer determinada coisa ou pior, quando ele acredita que ele é mais espiritual do que os outros e coisas do tipo. Outro problema é que o Velho Testamento conta histórias de profetas, abrindo muitos pressupostos para equívocos. Basta um sonho e uma certeza, que o caos está armado.
A vida cristã não é uma história, o que vivemos é muito mais que momentos místicos e mágicos. Ela é feita de obediência, de leitura e de oração. Ações que requerem disciplina, insistência e constância, para não cairmos no ostracismo. É fácil ser empurrado para a preguiça de ler, estudar a Bíblia e orar, sendo que estes desafios são reais e diários.
Vivi neste meio emocional por muito tempo, quando novo eu até acreditava nestas coisas, inclusive em cristãos ungidos e especiais. Mas, com o tempo, fui amadurecendo, estudando e orando mais, passando a desconfiar destas pessoas e das suas atitudes.
O problema é quando não percebemos o quanto somos pecadores e limitados. O quanto precisamos insistir e suplicar pela graça divina para conseguir nos desenvolver. Uma pessoa que acredita que é especial vive em um limbo. Um lugar onde somente ela é superior, e para ela tudo é mais fácil. É uma vida de autoengano, que não permite-a perceber quem ela realmente é e o quanto precisa de Deus.
Desconfio de tudo que soa emocional e fruto de um mérito próprio. Se não for pela graça, nossa vida perde o controle e toma outro rumo. Eu também tenho uma desconfiança de cristãos que não leem e muito menos estudam a Bíblia ou mesmo livros de autores cristãos. Somos o povo da Bíblia, com isso, estudar as Sagradas Escrituras é básico para uma vida cristã coerente.
É fácil confundirmos a voz de Deus com nossos próprios desejos e vontades. Somos limitados e propensos a sermos guiados pelas nossas emoções. É tentador, ao se ter um público, falar que o nosso impulso, o que estamos sentindo, vem de Deus. Pois faz bem para o ego ser visto como especial pelas pessoas.
O problema é que a Bíblia precisa de interpretação, conhecimento e vivência. Muitos textos bíblicos, quando lidos sem uma base coerente, viram desculpas para erros.
Como pontuei, vivi em um ambiente assim, em meio a este caos cristão, e ainda enfrentando muitos desafios comuns de todos os jovens. E concluo que duas coisas me ajudaram a ser um cristão um pouco mais equilibrado.
A primeira coisa foi acreditar que ninguém tinha capacidade de ser um cristão especial. Não que Deus não fale com as pessoas e também não as use, mas que isso não é sinal de você ser (ou não) alguém especial. Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais vamos percebendo nossa miséria e finitude. Esta é a verdade que me libertou e que a própria Bíblia revela e fez com que eu confiasse no Senhor de forma real e coerente. E quando digo crente especial, refiro-me àqueles cristãos que acreditam que estão acima de todos os outros cristãos.
A segunda coisa é que sou muito racional, e até quando o ambiente me pressionava para ser um crente emocional, no meu ponto de vista soava exagerado e fingido.
Acredito que Deus pode tudo, também acredito em milagres, mas sei que estas coisas partem sempre da vontade soberana de Deus. Foram muitas orações pedindo que Deus falasse comigo, que mostrasse a sua glória, até entender quem sou e o que eu estava pedindo. A falta de resposta (pelo menos da forma como eu queria) não me fez ateu e sim, mais consciente de que Deus faz o que bem quer e a sua vontade é sempre perfeita.
Hoje, já sem toda esta emoção, eu me pego falando com Deus a toda hora, sentindo-o me orientar através da Bíblia, das pessoas e de muitas formas. Afinal, toda a verdade vem dele, mesmo proferida por quem não é cristão.
A vida cristã não é uma busca desenfreada para ser o cristão especial e sim, é ser encontrado pelo nosso Pai, é seguir amparado por Deus, obedecendo e praticando a sua palavra, o resto é consequência.
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JORNADA CRISTÃ 16: EQUILÍBRIO
Em uma altura da minha jornada cristã eu me deparei com o tema arminianismo e calvinismo. Foi inevitável, por conta da igreja no qual eu frequentava, ter contato com estas teologias, e depois na própria faculdade. Já que eu cursei em uma faculdade Interdenominacional, e por isso, eles procuraram abordar toda a teologia de uma forma ampla e centrada. E para isso, precisei aprender estas duas correntes, o que me leva falar do autor de hoje.
Norman Geisler é um escritor profícuo, em sua carreira ele escreveu desde livros de ética, como a obra “Ética cristã”, livros de apologética, como a “Enciclopédia de apologética” e o livro “Não tenho fé o suficiente para ser ateu”, que escreveu em parceria com Frank Turek, e até um livro de “Teologia sistemática”, que considero uma das mais coesas e centradas do segmento, entre tantos livros. Contudo, o livro que eu mais gosto se chama “Eleitos, mas livres”.
Quando eu mergulhei no calvinismo e arminianismo, busquei estudar as melhores e mais conhecidas obras, com o intuito de entender e ter uma conclusão realmente centrada no assunto. E tal obra de Norman Geisler, eu descobri neste período de estudos, um livro que além de centrado, trata do tema de forma humilde e com muito embasamento.
Nem sempre a palavra humildade e calvinismo, estão nas mesmas frases. Já vi muitos calvinistas baterem no peito e ofenderem muitos cristãos, tudo por acreditarem que eles estavam certos, e todos os outros errados. David Engelsma afirma isso, em seu livro “Uma defesa do calvinismo como sendo o evangelho”, onde ele argumenta que o calvinismo é o próprio evangelho.
O interessante do livro de Norman Geisler, é ele ser um autor que se intitula como calvinista, apesar de ter algumas conclusões que ficam bem próximas do arminianismo clássico. O seu pensamento equilibrado ao abordar assuntos complicados como predestinação, soberania divina entre tantos temas é o que realmente faz Geisler se destacar. O livro é muito relevante, escrito de uma forma muito embasada e coerente.
É importante entender que qualquer conclusão que você tenha sobre o assunto e independente de qual for a sua corrente teológica, é fundamental você ler autores de ambos os lados. Aprenda sobre o calvinismo lendo autores calvinistas, e se aprofunde na corrente arminiana lendo autores arminianos. Entenda o pensamento mergulhando nas principais obras e é claro, estudando também a Bíblia, que é a literatura fundamental sobre o tema.
Em alguns momentos a leitura se mostra um pouco densa, devido ao teor da conversa, em outros momentos não. Por isso, leia com calma, sem pressa, entendendo e refletindo em cima dos diversos pontos e interpretações que o autor dá para passagens bíblicas complicadas. E por mais que você discorde do autor, coisa que não há problema algum, medite em suas conclusões e estudos, vale a pena.
Norman Geisler me ajudou a buscar o equilíbrio, principalmente em assuntos complicados, como a predestinação. E caso você se depare com um assunto de difícil conclusão, não tenha pressa em concluir. Alguns temas são difíceis e misteriosos, e por mais que tenhamos uma opinião, é sempre desafiador tentar entender de forma ampla alguns destes conteúdos. Ainda mais quando falamos de Deus e da sua soberana sabedoria e vontade. Sobre Deus, Agostinho resume bem a questão:
“Se o pudesses compreender, ele não seria Deus” (FERREIRA, 2006, p. 79).
Grave esta verdade em sua vida e estude com os pés no chão!
BIBLIOGRAFIA
FERREIRA, Franklin, Agostinho de A a Z, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2006
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A PRONTIDÃO EM PERDOAR
“Nada nos leva a perdoar mais que o maravilhoso conhecimento de que nós mesmos fomos perdoados. Nada prova de maneira mais clara que fomos perdoados do que nossa própria prontidão a perdoar” (STOTT, 2018, p. 26).
A Bíblia nos mostra alguns sinais da nossa conversão. Marcas que todo aquele que foi tocado pelo evangelho tem. Afinal, um nascido de novo é diferente (1 João 3:1-2). Não estou afirmando que somos perfeitos, pois não somos, eu sei muito bem disso. E sim que, quem foi tocado por Deus, produz frutos, resultado da verdadeira conversão (Gálatas 5:22).
O perdão é a atitude fundamental de quem segue o caminho da cruz. A falta de perdão, não é só contraditória, mas vai na contramão do que a própria palavra ensina. Por sermos pecadores e merecermos a morte, entendemos que só há salvação em Cristo. Não existe a menor chance de qualquer um se salvar. Mas Deus enviou o seu Filho e através de sua grandiosa graça, Ele nos perdoou e nos salvou. Com isso, diante deste grandioso feito, perdoar é o mínimo que podemos fazer. Como resultado de quem foi inundado pela graça e pelo perdão de Deus.
Além de que perdoar é a atitude daqueles que sabem que são falhos, que entendem suas dificuldades e propensões ao erro. Com isso, o perdão, mesmo sendo difícil em alguns momentos, acaba sendo a atitude mais inteligente que alguém pode tomar.
É o posicionamento daqueles que sabem que são falhos, sujeitos ao engano, e que entendem que mais dia ou menos dia, vão precisar pedir perdão. Ninguém erra de propósito, por isso, precisamos propositalmente ter uma atitude de amor e perdão. Eu sei que muitas vezes não é fácil, mas é preciso tentar.
O ser humano tem uma tendência horrível de não olhar as situações de forma ampla. É normal sermos ajudados, socorridos e depois, esquecermos de sermos gratos por aqueles que nos auxiliam. Fomos alcançados por Deus. Nosso poderoso Pai, nos dá o seu filho e através de sua graça, nos perdoa. E nós, seguimos tratando o próximo de forma bem oposta ao que o próprio Deus da graça nos tratou (Mateus 6:14-15).
A prontidão em perdoar é a prova que somos gratos pelo que Deus fez por nós. É o resultado daquele que entende que não pode, de maneira alguma, pagar o que o Senhor fez por ele, mas ele pode fazer o mesmo. Ele pode perdoar, de forma semelhante, ele pode tentar amar, de forma igual, sendo complacente, misericordioso, e perdoador, tal qual Deus foi com ele. Isso é imitar a Cristo de forma prática.
Está é a prova da conversão, é o resultado de um coração que foi constrangido por um poderoso amor, de uma vida que foi perdoada, sabendo que não é merecedora e por isso ela perdoa. A gratidão a Deus nos leva a fazer isso, nos faz amar e perdoar, como Ele amou e nos perdoou. Agora o coração ingrato não consegue, pois ele só vê a si e as suas necessidades.
BIBLIOGRAFIA
Stott, John. Lendo o sermão do monte com John Stott. Viçosa: Editora Ultimato, 2018.
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QUANDO NINGUÉM SE IMPORTA
Ninguém liga para mim, foi o que eu ouvi de uma pessoa, meditei em todas as suas palavras e fiquei com pena. É legal ser lembrado, receber alguma atenção, e por um instante, ver alguém se preocupar conosco. A vida de quem não tem ninguém para caminhar junto, não é tão legal assim, a solidão não é nada bonita.
Há quem diga que os amigos são os irmãos que escolhemos, são aqueles que param para nos ouvir quando nos perguntam “como estamos”. O problema é que foi inevitável, diante daquela frase, pensar no interlocutor, e tentar entender porque ninguém se importava com ele. Por ser sempre tão bem humorado, ativo na igreja, e com tantos amigos, foi estranho ouvir aquela frase, justamente dele.
Eu creio sim que muitas pessoas são colocadas de lado, principalmente em alguns ambientes cristãos, onde existe uma diversidade grande de pessoas, cada um com seu estilo e modos de se relacionar. É fácil ser colocado de lado, e quando o nosso perfil é mais introspectivo, mais reservado, isso pode acontecer com ainda mais facilidade.
Penso que a igreja tem pecado muito neste quesito, os pastores têm visitado menos as pessoas, e cometido a falta de não pastorear, e muito menos se importar ou faltando em caminhar o mínimo com elas. Embora exista o outro lado da questão, afinal, nós também devemos no preocupar com os amigos.
Como você tem vivido a sua vida? Como você tem tratado os seus amigos? Amizade é uma ação recíproca, é um movimento onde a comunhão deve-se fazer presente. E quando falamos de comunhão, falamos inclusive de participar das alegrias de alguns amigos, e para isso, o se doar deve ser uma das nossas atitudes.
Nem sempre é fácil tirar um dia da semana para comemorar com os nossos amigos, ou prestigiar seu trabalho, hobby ou sonhos, mas é justamente isso que é ser um amigo. É estar presente, apoiar e caminhar junto.
Quem não caminha junto, anda sozinho, quem é egoísta ao ponto de não se doar, com certeza ficará mergulhado em sua profunda e egoísta solidão.
Na maioria das vezes (existem muitas exceções é claro), quem anda sozinho é porque não tem a disposição de se doar, de caminhar com alguém, de ter um amigo. O ser humano não foi feito para estar só, por isso vivemos em comunhão, sendo que a amizade é o princípio desta doação.
Esta colega no qual falei, vivia sozinho, não tinha tempo para as pessoas, esperava sempre que as pessoas o procurassem, mas ele nunca procurava alguém. Ele queria que as pessoas se importassem com ele, mas ele mesmo não se importava, pelo menos não demostrava. Amizade se constrói, é um processo contínuo, sendo que sem altruísmo, nada permanece.
Se ninguém se importa com você, se pergunte quem são seus amigos, e o quanto você cultiva as suas amizades. Reveja a sua vida, e pare para analisar e ver como você age como amigo. Talvez você esteja passando por um período de injustiça, onde só você vai atrás dos amigos, e eles nem ligam para você. Mas quem sabe, você seja aquele que não procura ninguém, que não cultiva a amizade, e espera que os outros, façam o que você mesmo não faz.
As vezes as nossas condições são apenas reflexos de como agimos, de como estamos vivendo. A questão não é ter um monte de amigos, e sim, refletir e tentar entender se estamos cultivando parcerias, se na igreja estamos vivendo como corpo, em comunhão e amizade.
Caso não seja este o seu caso, quem sabe a saída seja cultivar amizades verdadeiras, procurar quem realmente quer uma amizade. Não é fácil de encontrar, mas também não é impossível, basta persistir e colocar tudo nas mãos de Deus.
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A MELHOR MOTIVAÇÃO
Um dos temas que eu gosto muito de ler e estudar é o de defesa de fé (apologética). É muito bom perceber como a Bíblia tem fundamento. E como existem inúmeras provas de confiabilidade. É também ótimo saber como existem muitos teólogos e filósofos comprometidos com o estudo da palavra, mostrando a muitos como a fé cristã é inteligente. A questão é que, por mais que eu acredite que a apologética seja fundamental para as pessoas, eu também sei que a Bíblia é para ser lida e estudada, e não apenas defendida. Pois Deus não precisa de defensores.
A motivação primária que todo o cristão deveria ter, é estudar e ler a palavra para entendê-la e não apenas para defender. Precisamos aprender a levar a palavra de Deus a sério, muito mais como ferramenta para uma vida centrada, do que como desculpa para sermos apenas militantes, defensores e protetores das escrituras. Não adianta defendermos algo que não conhecemos e muito menos usamos ou sabemos como deveríamos usar em nossa vida. Kevin DeYoung complementa o assunto:
“Que Deus nos dê ouvidos, pois todos nós precisamos ouvir a palavra de Deus e leva-la à sério mais do que Deus precisa de qualquer um de nós para defende-la” (2014, p. 26).
A nossa motivação como estudiosos, deve primeiro ser a de entender e aplicar a Bíblia em nossa vida. A defesa da fé é importante, principalmente para mostrar as pessoas que a nossa fé é inteligente. Além de fortalecer a visão que temos da palavra de Deus. Contudo, a palavra tem uma função primária que é alicerçar a nossa vida e nos dar fundamentos. Por isso que antes de tudo, eu devo ter o hábito de ler, estudar e aplicar ela em minha vida. Se não conhecermos a palavra e não buscarmos intimidade com Deus e com o texto bíblico, o resto não vai importar muito, pois não vai surtir efeito.
Aprenda o real sentido da palavra prioridade, e descubra que em primeiro lugar, devemos conhecer, nos aprofundar e termos intimidade com este sagrado texto. Aprenda a defender a sua fé, mas antes de tudo, tenha intimidade e conhecimento daquilo que você quer defender.
Não adianta defender algo que não é uma prática em sua vida!
BIBLIOGRAFIA
DEYOUNG, Kevin, Levando Deus a sério: Por que a Bíblia é compreensível, necessária e suficiente, e o que isso significa para você. São José dos Campos: Fiel Editora, 2014.
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MENSAGEM DILUÍDA
O perigo que todo mundo corre ao ler e estudar a Bíblia, é justamente fazer isso usando como ponto de partida suas lentes, seus conceitos pessoais.
Vamos deixar uma coisa bem esclarecida, cada um tem as suas lentes, cada um observa o mundo de uma forma. Estas lentes definem nossas opiniões, reflexões e posicionamentos. A questão é que, quando lemos a palavra de Deus, precisamos ter em mente que o que deve falar e nos ensinar é ela, e não nós. É a partir dela que a nossa reflexão e deve acontecer e ser fundamentada.
A Bíblia é aquele livro que para olhos desatentos e sem ferramentas, é capaz de ajudar alguém a concluir os maiores absurdos ou mesmo verdades fundamentais. O que vai definir é o modo como lemos e estudamos este sagrado livro. Por isso que, saber ler e conhecer as ferramentas de interpretação é fundamental para que possamos retirar a verdadeira mensagem e fugir das conclusões absurdas. E principalmente, para não interpretarmos a Bíblia, segundo nossas lentes.
Quando não estudamos, ou o que é pior, quando acreditamos que ninguém precisa estudar a Bíblia, pois é o Espírito Santo que vai revelar a interpretação, cometemos o sério erro de ignorar os avisos da própria palavra, que nos manda estudar e guardar os ensinos (2 Timóteo 2:15, 3:15-17; Atos 17:11; Marcos 12:24).
Ao não nos aprofundarmos na palavra, corremos o sério risco de diluir o seu ensino em nossas opiniões e pontos de vistas. E em alguns casos, esta mensagem diluída é disfarçada com a afirmação de que Deus me revelou. O que na maioria das vezes é errado.
Precisamos estudar e deixar a palavra falar por si. Quando entendemos o que o texto realmente quis dizer, retemos o seu verdadeiro ensino e ensinaremos as pessoas as reais verdades que o texto quer nos passar.
Por isso eu humildemente aconselho, não dilua a mensagem com os seus conceitos, estude, compreenda e descubra as riquezas do texto Bíblico, que só quem se aprofunda na palavra consegue descobrir. Acreditar que você pode entender, sem estudar, é no mínimo contraditório.
Você precisa realmente descobrir o quão legal é se debruçar no texto bíblico e com toda a calma e cuidado, estudar, meditar e procurar entender o texto em sua totalidade. Deus nos fez racionais e nos deu um livro sagrado para que com a nossa mente, pudéssemos compreender, então por que não a usar?
Orar e estudar a Bíblia, são duas práticas totalmente fundamentais e muito espirituais. Com a primeira, você entra em contato com o criador, com a segunda, você medita sobre a sua mensagem. Uma prática não exclui a outra, pense nisso.
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PALAVRAS QUE ANUNCIAM VIDA
Há muito tempo fui a um show da banda Mortification em minha cidade. A banda é lendária no cenário cristão, e na época, o vocalista e líder da banda, Steve Rowe, estava tratando de leucemia. Seu testemunho é realmente impactante, o modo como Deus cuidou e usou a sua vida é realmente fenomenal.
Neste show, o vocalista, por conta da doença, quase não parava em pé, sendo que em meio a apresentação, a direção do show, que estava acontecendo em uma igreja, permitiu que alguns fãs da banda subissem no palco. E um deles, meu amigo por sinal, resolveu abraçar o vocalista, e foi quando ele caiu, por conta do susto e da doença que o deixava fraco. Ainda mais que o vocalista estava com muito medo de ser atacado por satanistas, que naquela época, chegaram a ameaçar o vocalista e o evento.
O show parou e no lugar da música, uma enxurrada de palavrões dos muitos cristãos que estavam assistindo, tomou conta do lugar, em uma cena que eu considero icônica e contraditória, visto que a maioria das pessoas que assistiam eram cristãos.
Palavras são muito importantes, são sentenças que comunicam uma opinião, um modo de pensar ou mesmo como estamos nos sentindo. Com a língua, podemos bendizer a Deus ou mesmo louvá-lo, e o pior é que com ela, também podemos ofender ou amaldiçoar.
O que esquecemos é que as palavras traduzem o que somos, o modo como falamos, agimos e nos comunicamos, diz muito sobre nós e sobre o que acreditamos. Zacharias Heyes define bem o poder da comunicação quando afirma que:
“Palavras que louvam a Deus são palavras que geram vida, que incentivam a vida do outro, que o encoraja e fortalece. As minhas palavras estão em contato comigo mesmo, elas expressam o que sou? Ou será que eu as digo porque quero defender minha posição?” (HEYES, 2020, p. 63).
É interessante como estamos sempre defendendo os nossos pontos de vistas, ou estamos a qualquer momento prontos a nos posicionar, deixando claro quais são as nossas opiniões. Conceitos estes muitas vezes vazios, frutos de especulações ou mera escuta. As vezes somos rápidos em falar ou mesmo xingar, como no exemplo que eu citei, e tardios em ouvir, ajudar e meditar.
O que você tem anunciado, vida, graça ou mesmo louvores a Deus? Ou impropérios e conceitos deturpados, que vão de encontro a quem você é? Lembre-se que o modo como falamos e agimos, diz muito sobre nós. Nosso comportamento, infelizmente nos define, ainda mais, quando afirmamos que seguimos a Cristo.
Por isso, preste bem atenção em suas palavras, priorize mais em anunciar vida, apoio e motivação, do que desânimo, desmotivação ou impropérios. Como nem sempre conhecemos a realidade das pessoas, seja aquele cristão que apoia e incentiva.
Anuncie a vida, discorra sobre a esperança e o Deus que nos transforma, espalhe a palavra da verdade, que o mais, Deus fará.
BIBLIOGRAFIA
HEYES, Zacharias. Rituais para o encontro consigo mesmo. Petrópolis: Editora Vozes, 2020.
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JORNADA CRISTÃ 15: O PODER DO SILÊNCIO
Um dos grandes problemas desses nossos conectados dias, é a incapacidade do ser humano de se silenciar. São tantos estímulos que acabamos viciados em ver, ouvir e interagir, terminando por não conseguir manter um pouco de paz no coração.
Conheci Anselm Grün ao pesquisar sobre vida monástica, sempre fui um curioso sobre a vida e a filosofia dos pais do deserto. O autor tem uma grande capacidade de trabalhar a espiritualidade, a partir do interior. Ensinando os leitores a cultivar a autoavaliação antes de buscar a Deus. Anselm é mestre em falar de coisas importantes com uma especial e profunda simplicidade. Creio que “clareza” é a palavra que define bem este autor.
Anselm Grün é um monge beneditino alemão, da ordem de São Bento, com isso, se você tiver algum preconceito, nem mergulhe em suas obras. A questão é apenas que, o autor consegue discorrer sobre os inúmeros temas da vida cristã, com um argumento tão bíblico e centrado, que eu creio que você não vai se arrepender de mergulhar em qualquer livro seu. Por ser um escritor profícuo, ele tem muitas obras, entre as minhas preferidas estão “Ser uma pessoa inteira”, “O céu começa em você” e muitos outros livros, mas neste texto discorrerei sobre o livro “O poder do silencio”.
Ficar em silêncio é uma prática bem pessoal, é uma busca que cabe somente a você empreender. Com isso, cabe também a você procurar ferramentas, separar um determinado momento, e cultivar o silêncio, para que a sua vida não caia na frenética e ensandecida rotina do “fazer”. A parte interessante quando você cultiva momentos de silêncio, é que no final, quem convive com você, também vai colher os frutos de alguém que aprendeu a parar e a silenciar tudo a sua volta.
Alguém que sabe ficar em silêncio é também alguém que consegue ter paz, e também ter uma imensa capacidade de ouvir e compreender o mundo. Quem se silencia ouve, percebe coisas que o seu frenético barulho interno ou externo, não permitia que percebesse.
É quando você decide largar o controle e ouvir, que você vai realmente escutar e perceber os detalhes que nos escapam a percepção. Anselm Grün complementa:
“Há qualquer coisa de terno quando o silêncio se torna audível. A audição sempre tem algo de misterioso em si. Por fim, em tudo que ouço, passo a ouvir o inaudível” (2019, p. 15, 16).
Ouvir é também largar o controle e dar espaço para a vida. Experimente ir caminhar no campo, e cultive o hábito de não falar para conseguir ouvir todos os sons e músicas que o local tem a nos oferecer. E principalmente, aprenda a cultivar o silêncio interno, é possível estar entre muitos, em meio a muito barulho, mas estar em silêncio, com a mente mais calma. Assim como não é impossível alguém estar em meio ao silêncio, mas com a mente barulhenta, descontrolada.
As vezes nos concentramos tanto em falar, que deixamos de ouvir a voz de Deus. Eu aprendi com este autor o poder de se calar para conseguir realmente ouvir e entender o que Ele quer de mim.
Quem não para nem por um minuto, quem muito fala, acaba controlando uma conversa, sem perceber os detalhes, as importantes lições que Deus e as pessoas querem nos passar. Ou mesmo deixamos de enxergar a aquela lágrima que está escondida entre o sorriso de alguém que está passando por um problema.
O silêncio é poderoso, ele nos ensina a escutar e a ver coisas, que em meio ao barulho não percebemos.
BIBLIOGRAFIA
GRÜN, Anselm, O poder do silêncio, Editora Vozes Nobilis, Petrópolis, 2019.
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O PERIGO DA AUTOSSUFICIÊNCIA
Se pudéssemos resumir o Velho Testamento, poderíamos resumir como um livro que fala sobre relacionamentos. É um relato sobre um Deus que entrou na história para salvar o homem, um ser que não demora em ser autossuficiente e que acredita que sozinho consegue tudo. Sendo que no final, ele nunca se dá bem. Com isso, é inevitável ver a misericórdia de Deus entrar em cena.
Não é tão legal passar por dificuldades, mas existe uma parte boa, o caos nos coloca de joelhos, é diante dos problemas que olhamos para Deus e buscamos por seu socorro. A parte ruim da estabilidade é que algumas vezes esquecemos de Deus. Não é tão incomum, diante dos momentos bons, seguirmos esquecendo de tudo o que ele já fez em nossa vida.
É quando estamos com problemas que buscamos socorro, principalmente quando eles são graves ou nos deixam sem saída. A história dos Hebreus comprova isso. Pois diante da falta de solução, clamar a Deus e pedir pelo socorro, era a única e a melhor saída.
Deus usou Moisés para salvar o povo que tinha sido feito escravo, só que mesmo sendo libertos, eles não demoraram em construir um Bezerro de ouro, enquanto Moisés estava no monte falando com Deus. Foi só Moisés se ausentar por um tempo, para eles construírem um outro Deus e atribuir a salvação a ele. Se o ser humano tem algum “poder”, creio que seria este, o poder de esquecer de quem o ajudou (Êxodo 32:1-8).
A autossuficiência nos faz acreditar que sozinhos estamos melhores, que não precisamos de nada e ninguém. Além de nos fazer esquecer e sermos gratos pela graça divina. Mas a autossuficiência é uma mentira, pois sozinhos não somos nada, a verdadeira vida e a verdadeira liberdade vem de Deus. É dependendo dele, que seguimos uma vida mais equilibrada e coesa.
O perigo que a autossuficiência traz é de nos fazer acreditar que somos algo sem Deus, que sozinhos damos conta. Com isso, tomamos o controle que é somente de Deus.
O homem sem Deus não é nada, a questão é que muitas vezes não percebemos isso. Se não for a graça de Deus nos guiando, terminamos caindo no primeiro precipício que aparecer na frente, como sempre foi e sempre vai ser.
Seguir a vida distante de Deus é sempre loucura!
