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IDEAIS PERIGOSOS
“Quando o ideal é maior que a pessoa, as pessoas podem ser, sim, sacrificadas em nome dele” (CÉSAR, 2009, p. 72).
Algumas ideias nos movem, são estas premissas que fazem com que sigamos em direção da busca, dos sonhos, da realização de algo. Eu sonhei em ser professor e estudei e me dediquei para isso. Assim como quando eu quis ser músico. Precisei estudar e me dedicar, para ver o sonho se tornar realidade e enfim, poder montar a minha banda. Um ideal nos guia, mas também, pode nos afundar.
As vezes eu tiro alguns dias para reler alguns livros, existem obras que eu faço questão de relê-las. Algumas lições precisam estar sempre frescas em nossa mente, e a questão do abuso do poder, é uma das importantes lições que o livro Feridos em nome de Deus, nos traz e que precisamos sempre revisitar, para não esquecermos e por fim, cairmos em uma dessas armadilhas.
Tudo começa com uma ideia, ou um chamado, como é normalmente falado em um ambiente cristão. Com isso, seguimos fazendo o que acreditamos ser da vontade de Deus e em um dado momento, vemos o fruto do nosso empenho, gerar frutos. No caso do livro que eu citei, o fruto seria uma igreja cheia de membros. E isso é bom, não há problema algum nisso. O problema é quando o poder e a capacidade de influenciar muita gente, que o pastoreio de uma igreja traz, faz com que percamos o controle.
O poder é um grande problema, pois nem todos conseguem manejar com graça, alguns caem nas tentações que um cargo traz, e perdem a mão. Terminam por manipular, ou o que é o pior, transformar o ideal, a ideia de igreja, em algo maior do que as próprias pessoas, este é um dos grandes perigos do poder.
Vemos isso no período de Jesus, onde a lei e a instituição eram maiores do que as pessoas. Com isso, os necessitados eram abundantes e o legalismo também. O que tinha vindo como um caminho, algo que apontava para Cristo, virou um fim em si mesmo.
O poder é uma grande benção, mas também uma maldição. É uma responsabilidade quando você vira líder, mas também uma armadilha. É preciso tomar cuidado para não ser conquistado pelas benesses e vantagens que o poder traz, para não acabar sendo destruído por ele ou perdendo o foco.
As vezes a própria adulação, os elogios sinceros ou o próprio fruto do seu trabalho e da sua dedicação, podem gerar em seu peito um orgulho e o orgulho, constrói para você um pedestal. E depois disso, é o fim!
É preciso ter o pé no chão, procurar ser cercado de bons amigos e conselheiros, que manterão você sempre na vida real. É preciso também ter uma vida de diálogo, ouvir é imprescindível, não só para uma boa liderança, mas também para cultivar a humildade e uma influência mais assertiva, que realmente sirva ao povo e a igreja.
Quem ouve, quem respeita, e principalmente, quem coloca em Deus a sua confiança, tem o pé no chão, e não deixa que o poder transforme a sua vida em uma caminhada de orgulho e prepotência.
O poder é uma ótima ferramenta, mas também pode ser um instrumento perigoso, saber manejar, é o que separa um líder centrado, daqueles que querem apenas satisfazem suas vontades.
BIBLIOGRAFIA
CÉSAR, Marília. de Camargo, Feridos em nome de Deus, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2009.
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INCOERENTE OBSTINAÇÃO
““A obstinação e a convicção exagerada”, alerta Montaigne, “são a prova mais evidente da estupidez”. Onde há fumaça arde a fogueira – o calor da crença trai a falta de luz” (GIANNETTI, 2012, p. 75).
Já ouvi muitos falarem que o termo militante se tornou pejorativo. Em outros tempos, segundo estes, o termo exprimia a ação daqueles que defendiam uma causa genuína. Tenho as minhas dúvidas quanto a estas interpretações. Embora a minha certeza é que a pessoa obstinada e com aquela convicção extrema, quase sempre produz muitas injustiças. O posicionamento do militante ou do obstinado que possui uma convicção exagerada, nem sempre é positivo.
Temo a maioria dos militantes, principalmente aqueles que querem mudar o mundo com aquelas simplistas divisões de mocinhos e bandidos. O curioso é que eles sempre são os mocinhos, e aqueles que discordam, ou tentam apresentar suas contradições, são os bandidos, são as pessoas que querem estragar tudo. Como eu sempre digo, alguns acreditam que o culpado é sempre o outro. Outros, creem que discordar, é estar no lado do inimigo, com isso, o diálogo passa a não existir, e a militância segue sem qualquer abertura para ouvir, o que é um erro gigantesco.
O fundamentalista segue uma lógica parecida, ele se considera o herói, o dono da verdade e vê a todos como bandidos, criminosos que precisam ser condenados. Ele se coloca como o único, a pessoa que entende da verdade, e olha os outros como cegos, mergulhados em seus erros. E por fundamentalista, me refiro não só aos religiosos, mas também aos ateus ou qualquer outro militante da causa que for. O exagero existe em todos os âmbitos.
O obstinado normalmente olha apenas para si, ele é o parâmetro, e dialogar está fora de questão, já que ele é o dono da verdade. Com isso, quem discorda é inimigo, alguém que não entendeu o seu conceito de verdade, ou não foi iluminado pela luz divina.
Quem realmente sabe, reflete; quem estuda e se informa, pondera, dialoga e entende que estamos sujeitos ao equivoco e ao erro a todo o momento. A obstinação, na maioria das vezes, não é inteligente, e esconde uma falta, que em uma boa parte dos casos é apenas a falta de conhecimento.
O medo de dialogar, esconde a inépcia. Quem sabe, dialoga, por entender a extensão do conhecimento e o tamanho das nossas limitações. O conhecimento produz sempre uma visão realista de nós e nos mostra como alguns assuntos são complexos.
É importante defendermos nossas causas, mas não de maneira cega. Confessar os equívocos e contradições das causas que defendemos, é seguir rumo a mudança, calcado sempre na coesão. Dialogar, respeitar e entender de cada leitura e interpretação é estar certo que há uma grande possibilidade da pessoa que discorda de nós estar correta.
Você não precisa concordar com todos, pois sabemos que nem todos possuem opiniões coerentes ou que combinam com o que acreditamos. Mas é preciso respeitar e dialogar, para que com o diálogo, a ponte do conhecimento seja construída, e a sua causa, ganhe ares bem mais coerentes e menos idealizados.
BIBLIOGRAFIA
GIANNETTI, Eduardo, O valor do amanhã, Editora Companhia das Letras, São Paulo, 2012.
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A ODISSÉIA DA DOR XII: A FÉ DE JÓ
“Uma fé como a de Jó não pode ser sacudida, porquanto é o resultado de ter sido sacudida” (Abraham Heschel) (YANCEY, 2004, P. 220).
Quando era novo, tive episódios de dores de ouvido muito fortes. Eu lembro como se fosse hoje, por serem insuportáveis. A questão é que com o tempo, depois de tantas aflições, acabei ficando resistente a dor. Hoje eu não tenho mais estas dores de ouvido, depois de mais velho, descobri as causas e busquei a cura. Contudo, ela me fez mais forte, não sou imune a ela, sou um ser humano normal, mas sou um pouco mais resistente. A dor para me derrubar, tem que ser muito forte.
Jó é conhecido como um homem de fé, uma fé inabalável, que fez com que ele olhasse ainda mais para Deus, ao invés de jogar tudo para o alto. O segredo dele era simples, a sua fé inabalável, vinha justamente dos problemas.
Não é fácil passar por situações difíceis, mas são elas que primeiramente nos ensinam. Quando descobrimos a riqueza de aprender com as dificuldades, crescemos, e criamos aquelas experiências práticas da vivência, com a própria vida e as situações nos ensinando.
Em segundo lugar, o caos nos leva a olharmos para Deus e buscarmos a ele com afinco. Nós só passamos pelo deserto com a oração, é de joelhos que enfrentamos as dificuldades, não há outra forma. E isso nos aproxima do nosso Pai. Jó, por conta das dificuldades, passou a conhecer ainda mais Deus e isso mudou a sua vida. Jó deixa isso muito claro quando ele diz:
“Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem” (Jó 42:5).
É durante as provações que não só buscamos, mas também conseguimos intimidade com o criador. É quando Deus se revela, e nos mostra que não estamos sozinhos, que crescemos e aprendemos a enfrentar as intempéries.
Não foi fácil passar por todos estes obscuros vales, em muitos momentos eu me senti desamparado e abandonado. Mas eu busquei, não me entreguei ao que parecia, e sim, me concentrei na palavra de Deus e nas suas promessas.
Foi nestes dias que aprendi a confiar, e me entregar crendo que no final, Deus estava comigo. Se cremos que Deus nos ama, devemos confiar em seu amor e não se entregar ao que parece, mas não é.
BIBLIOGRAFIA
YANCEY, Philip, Decepcionado com Deus: três perguntas que ninguém ousa fazer, Editora Mundo cristão, São Paulo, 2004.
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FALSOS PONTOS DE VISTA
“Se uma palavra da Bíblia me aborrece, isso revela sempre que, neste caso, tenho um ponto de vista falso de mim e de Deus. O aborrecimento é, no entanto, também um desafio para trabalhar no meu ponto de vista e permitir que as Escrituras me ofereçam uma outra compreensão de mim mesmo” (GRÜN, 2016, p. 108).
Não foi fácil, quando eu comecei a estudar a Bíblia, ter que lidar com alguns ensinos, mensagens e textos que me exortavam e me levava a olhar para a minha vida, minhas atitudes e meus pontos de vista. Alguns textos eram como remédio na feria, doía muito, mas como o bom remédio, ele também me curava.
É normal vermos cristãos passando longe de algumas passagens bíblicas, ou tentando arranjar justificativas para tais textos. Ler a palavras de Deus pinçando apenas o que nos apraz, é fácil. Agora, ser honesto, e encarar os ensinos da palavra com seriedade, lendo, aceitando a confrontação e depois, buscando em Deus a mudança, já são outros quinhentos.
A palavra de Deus não contém apenas versos de ânimo ou alegria, ela também perscruta a nossa vida, nos mostra quem somos, e nos convida a uma vida de mudança. Deus, como um bom Pai, não só nos acalenta e nos dá forças em meio aos problemas. Mas também nos ensina, e nos mostra como é importante seguir no caminho da verdade.
Quando a Bíblia te aborrecer, aprenda a olhar para a sua vida. Reflita e pense se você não tem algo errado. Quando algo nos incomoda, é possível por trás de todo o incômodo, vermos um problema que precisa ser tratado. Logo, o aborrecimento é uma ferramenta, é aquela dor que sinaliza que tem algo errado em nosso corpo, no obrigando a buscar a cura.
Não é incomum termos pontos de vistas equivocados sobre nós, esqueletos que escondemos e procuramos nunca mencionar. A questão é que a mudança só acontece quando encaramos de frente, e buscamos transformação, tendo como suporte Deus e o seu soberano poder.
As escrituras são as palavras de um Deus que oferece a todos uma vida equilibrada. É um desafio seguir o evangelho, mas é gratificante estar no centro da sua palavra, mesmo que em alguns momentos tenhamos que lidar com coisas desagradáveis em nossa vida. O que nos incomoda, nos força a mudar, e nos obriga a entendermos quem somos, para depois, seguirmos assim a vontade de Deus. Não fuja dos textos que te aborrecem, mergulhe no ensino e tente entendê-lo por completo. Se algo o incomoda, é porque precisa ser pensado e tratado.
A Bíblia não é como uma caixinha de promessas, onde você só encontra textos sistematicamente selecionados para afagar o seu ego. Ao contrário, ela é muitas vezes um remédio amargo, que arde e em alguns casos, acaba trazendo dor, mas que no final vai curar e restaurar a sua vida por completo. Por isso, não perca a chance de mudar mesmo sendo difícil.
Leia e medite na palavra, e se permita ser tratado por Deus!
BIBLIOGRAFIA
GRÜN, Anselm. Ser uma pessoa inteira. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2016.
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SEDE DE JUSTIÇA
Eu fui criado em uma família onde os livros estavam sempre presentes. Tínhamos estantes com algumas coleções e eu cresci vendo meu pai e meu avô ler. Com isso, tomei gosto pela leitura desde cedo.
O primeiro gênero mais adulto que eu comecei a ler, saindo já da adolescência, foi o gênero policial. Eu gostava muito de ler Agatha Christie e Arthur Conan Doyle. Era interessante mergulhar nas histórias de crimes e ver o herói do livro desvendar os mistérios. Sendo que no final, a justiça era feita e esta era a melhor parte da história.
O homem clama por justiça, a corrupção e a injustiça nos toca e nos deixa indignados. Queremos um mundo justo e nos posicionamos quando alguém tenta ser injusto conosco ou com alguns dos nossos familiares. N. T. Wright no livro “Indicadores fragmentados”, trabalha justamente esta questão, refletindo sobre como alguns ideais são inerentes a todo o ser humano, e como eles apontam para algo maior, sendo que a justiça é o primeiro indicador:
“A questão dos romances policiais – e isso não é um bicho de sete cabeças, mas me ajuda a entender o que está acontecendo – é que a justiça é praticada no final. O mistério é solucionado, e o assassino é identificado e costuma ser detido, acusado e condenado” (2020, p. 24).
É interessante perceber como a justiça, neste mundo complicado, é muitas vezes uma miragem, algo impossível de alcançar, contudo, a maioria de nós, seja de qual país ou contexto for, busca desde sempre por ela. No final, ela aponta para algo, a sede por justiça aponta para o único justo que conhecemos que é Deus.
Eu sou grato a Deus por ter sido alcançado por sua graça, esta é a minha maior riqueza, ter sido encontrado por Ele. Mas a minha outra alegria é saber que Deus é justo, e no final de tudo, o Justo Juiz julgará a todos e estabelecerá a paz no mundo. Eu não tenho aquele prazer mórbido de imaginar os criminosos ardendo no fogo do inferno, ao contrário, torço para que a graça alcance as suas vidas, para terem a sua existência transformada. A minha alegria é saber que um dia, a justiça reinará, e não mais veremos o caos e as contradições fazendo vítimas, diminuindo pessoas, e transformando a vida de alguns em um verdadeiro inferno.
Há muito tempo atrás um Deus encarnou em forma de homem, e morreu por nós e fim de salvar o ser humano do pecado, para que enfim a justiça pudesse reinar. Esta é a maior verdade que podemos conhecer, a falta de justiça aponta para um Deus. Ela indica que sem Ele o mundo nunca será justo de verdade.
BIBLIOGRAFIA
WRIGHT, N. T., Indicadores fragmentados: como o cristianismo compreende o mundo, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2020.
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DESPROPÓSITOS
É muito interessante como é desafiador definir alguns conceitos. Coisas aparentemente simples, se transformam em epopeias, quando nos prestamos a refletir sobre. Como por exemplo, a própria vida.
Para alguns viver é um fardo, pois o mundo é mau, só têm pessoas más, por conta disso, estes estão sempre desejando o fim. Para outros o mundo é ter, é ajuntar, é comprar uma casa nova e estudar, ou mesmo empreender até ter um bom salário. Ser feliz é aproveitar, gastar e se empanturrar com os prazeres que o dinheiro pode dar. Enfim, são muitos pontos de vistas e em todos eles, é possível descobrir contradições quando refletimos com cuidado.
A vida é um ponto de vista, uma conclusão difícil de definir. Por isso, ela acaba se tornando o que concluímos dela ou o que nos prestamos a fazer e a realizar. Shakespeare em Macbeth fala algo curioso sobre a vida:
“A vida é um conto narrado por um idiota, cheia de som e fúria sem nenhum significado”.
Creio que esta curiosa frase traduz como o homem, que segue seus ideais, segue a vida. A vida realmente não tem sentido, porque nós seres humanos não temos sentido. Optamos por seguir ideais vazios e realmente contraditórios. Militamos causas perdidas e argumentamos sem perceber nossas contradições.
É fundamental para o ser humano, ter propósitos na vida, isso o move, o leva a fazer, a se dedicar e a ser algo. O problema é que em inúmeros momentos, ele não percebe que alguns alvos, são incoerentes. Não é à toa que Provérbios 9:10 diz que
“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo a prudência”.
Pois afinal, só é possível realmente vermos, quando olhamos para Deus, para além de nós e nossas vontades. Crer que vemos, sem antes fundamentar a nossa vida em Deus, é acreditar no vazio da nossa condição.No final Shakespeare pode até ter razão, a vida não tem sentido algum, o mundo é contraditório e viver é seguir uma existência sem qualquer significado. Precisamos de Deus e dos seus ensinamentos, para termos qualquer sentido e coerência, sem Deus seguimos no vazio da existência como bem pontuou Shakespeare.
O evangelho nos traz propósito e sentido, olhar para Deus é justamente isso. É entender quem somos, o quão pecadores somos, e encontrar nele um propósito. Pois a verdade é que todo e qualquer objetivo, distante da vontade de Deus é um despropósito. É uma busca por algo que se torna um nada algum tempo depois. Um intuito que se mostra falho e que se enferruja e apodrece com o passar dos dias.
Temer a Deus é o princípio de tudo, é quando entendemos quem somos e o quão vulnerável somos sem Ele, que tudo faz sentido. A vida é um ponto de vista, como pontuei no começo do vídeo. Pois viver é seguir por nossos próprios conceitos e crenças, mas quando fundamentamos a nossa vida em Deus e na sua palavra, tudo acaba tendo lógica.
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A FUNÇÃO DA DÚVIDA
“Pertence a uma fé madura lidar apropriadamente com as dúvidas. Elas fazem parte da fé” (GRÜN, 2016, p. 138).
Seguir a Deus não é ter uma vida bem informada, com todas as dúvidas respondidas. Aliás, sinto lhe informar, por certo, é bem possível você ter ainda mais dúvidas ao começar a seguir a Jesus.
Duvidar não é errado, faz parte do ser humano que pensa, reflete e dialoga. E ao contrário do que muitos acreditam, a dúvida, quando bem administrada é ótima.
É a dúvida que nos força a estudar e a conhecer ainda mais um assunto. Os questionamentos nos movem e nos forçam a ação, a busca, ao caminho das respostas. Quem tem sempre certeza, não caminha, fica estagnado em sua própria ignorância. Agora, quem duvida, está sempre em movimento, mergulhando cada dia mais no assunto, em busca de respostas e conhecimento. Pelo menos aqueles que sabem usar a dúvida a seu favor, pois eu sei que nem todos sabem. Anselm Grün complementa:
“Sem a dúvida, eu simplesmente estaria aceitando o que os outros me dizem. Ela me obriga a observar mais precisamente o que eu creio, a questionar minhas próprias concepções de Deus e a me abrir ao Deus totalmente outro e inconcebível” (GRÜN, 2016, p. 138).
Foi por conta da dúvida que eu segui no caminho da pesquisa e do estudo. Ela me colocou em movimento e fez com que eu aprendesse. Quando bem usada, a dúvida é ótima, ela nos faz crescer e ir em busca do conhecimento.
É claro que existe a dúvida nociva, que duvida por duvidar, e não segue em busca de respostas. Assim como tem aqueles que acreditam em tudo, sem questionar e ir em busca de fundamentos. As duas atitudes são igualmente perigosas, são extremos, bem opostos, mas igualmente perigosos.
Precisamos entender também que nem sempre teremos respostas, existem coisas que são inexplicáveis, precisamos aceitar as nossas limitações e as nossas finitudes. Contudo, nada nos impede de buscarmos conhecer e tentar, sem qualquer ânsia extrema, para assim, aprender e encontrar explicações.
A função da dúvida é nos mover, é nos empurrar em direção ao conhecimento e da informação. Ela nos ensina a não aceitarmos respostas prontas, sem alguma investigação e bons critérios.
A dúvida saudável nos move, a certeza contraditória nos ancora em um ponto de vista sem fundamentos.
BIBLIOGRAFIA
GRÜN, Anselm. Ser uma pessoa inteira. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2016.
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A ODISSEIA DA DOR XI: FIDELIDADE OU MORTE
O sofrimento sempre levanta questionamentos, é impossível sofrer sem se perceber injustiçado. Mas talvez o ponto mais complicado é que não aceitamos muito o sofrimento por não vermos nele propósito. E ao mesmo tempo, servirmos a um Deus poderoso, que pode acabar com o sofrimento na mesma hora.
Por mais que possamos ser contra as teologias que fazem parecer Deus um garçom, pronto para nos servir, em muitos momentos, agimos com o pensamento semelhante. É difícil conciliar o sofrimento com o fato que Deus pode acabar com a calamidade quando Ele quiser. E a história de Jó é impressionante justamente porque não fala apenas da fé, mas também de alguém que não abandonou Deus mesmo ante o sofrimento.
É preciso tentar enxergar além de nós, nossas vontades e desejos, e principalmente, acima do que vemos, pois as vezes, acreditamos estar vendo, mas no final, só percebemos o que queremos ver. Com o tempo, conforme busquei respostas para a minha dor, pude perceber que a verdade era que eu estava sendo egoísta, e queria que tudo acontecesse da minha forma, seguindo o meu cronograma.
Muitas vezes períodos de dor, nos faz egoístas, nos mantém olhando apenas para o nosso umbigo, em uma atitude bem autocentrada. O exemplo que Jó nos deixa é muito grande, pois ele não deixou se abater pelas calamidades e apesar de sua situação, continuou a servir a Deus. Contrariando o que satanás disse a Deus (Jó 2:4). Já parou para pensar que, se Jó tivesse desistido de Deus, satanás teria vencido?
A história de Jó é muito infeliz, ele sofreu não só com a perda de dinheiro e da saúde, mas porque seus amigos também estavam ajudando-o a sofrer mais, por conta de seus pontos de vistas. Embora uma coisa tenha ficado clara neste texto, apesar do sofrimento, Jó não abandonou a fé.
A dor, as dúvidas e todo o sofrimento que temos que passar, não pode nos separar de Deus e da sua misericórdia. Deus é a resposta para toda a dor. E por mais que nem sempre entendamos o motivo do caos, confiar é a única certeza que devemos cultivar em meio às dúvidas e problemas.
Ser fiel não está ligado ao que ganhamos, e sim a como cremos. A fidelidade não é uma moeda de troca e sim, um posicionamento, é aprender a confiar, mesmo que a situação peça para você desistir.
Existe uma lógica para agir assim, somos limitados, e nem sempre percebemos a mão de Deus. Nos encontramos no olho do furacão, nos sentimos abandonados por estarmos em meio as dificuldades, sem percebermos Deus cuidado de nós.
Quando entendemos o tamanho do privilégio em servir a Deus, não nos posicionamos como merecedores, e sim, como pessoas gratas, que sabem quem são e entendem o tamanho do privilégio que é servir a Deus.
No final, quem ganhou foi Jó, que conheceu a Deus em meio a dor, um Deus que antes, ele apenas tinha ouvido falar (Jó 42:5). O tesouro de Jó foi justamente este, ter mais intimidade com o Criador, uma intimidade que ele alcançou por conta do sofrimento. Quer maior tesouro que este?
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A ARTE DE ORAR
Ó cidade de Babilônia, destinada à destruição, feliz aquele que lhe retribuir o mal que você nos fez!
Feliz aquele que pegar os seus filhos e os despedaçar contra a rocha! (Salmos 137:8,9).
Quando eu leio alguns Salmos imprecatórios como este, ou mesmo aquelas passagens bíblicas que mostram os servos de Deus cometendo erros ou tomando decisões insensatas, eu me sinto aliviado, me sinto humano. Eu creio na Bíblia, justamente por ela ser transparente, e não esconder erros e equívocos cometido por inúmeras pessoas que seguiam a Deus.Os chamados Salmos Imprecatórios, significam Salmos Amaldiçoadores ou que invocam o juízo de Deus. São textos escritos por pessoas que estavam passando por grandes problemas, e pediam a Deus por justiça. No caso deste Salmo, a Babilônia havia invadido Jerusalém e transformado a cidade em ruínas (CONNELLY, 2017, p. 348, 349).
Para quem não sofreu e muito menos passou alguma dificuldade na vida, talvez ao ler um Salmo deste, considere o texto estranho. Mas para quem já sofreu injustiças, que já foi humilhado e pisado muito por alguém, ao ler um destes textos, talvez sinta um pouco de alívio. Não consigo imaginar outra oração de quem sofreu um estupro, que viu um parente ser assassinado ou mesmo de quem foi roubado e agora passa por alguma necessidade.
O caos do mundo nos deixa indignados, a corrupção política, não nos deixa felizes, tornando está oração totalmente justificável. Pois precisamos antes de tudo, entender três coisas sobre oração.
Em primeiro lugar, orar é rasgar o coração, é se derramar, sem medo de ser condenado. Pois Deus nos ouve, sendo que Ele ouve principalmente a sinceridade do nosso coração. Deus entende o nosso sofrer e não hesita em estar conosco, nos ouvir, e receber o nosso lamento. É claro que Ele vai responder a nossa oração de sua maneira, mas Deus vai nos ouvir.
No caso deste Salmo, os babilônicos, após o exílio, foram esmagados pelos persas. Acabaram colhendo o resultado do mal que praticaram contra o povo de Deus (CONNELLY, 2017, p. 348). Embora que em outros casos, o que Ele traz é conversão, arrependimento e luz, como no caso da cruel e sanguinária cidade de Nínive, onde Jonas foi pregar. Deus nos ouve, não tenha dúvidas, mas Ele responde a nossa oração como bem lhe apraz, como eu já disse.
Em segundo lugar, orar é buscar esperança. É ter a certeza que de alguma maneira tudo será resolvido. Não há sentimento mais profundo do que saber que Deus nos ouviu, mas também que de alguma forma, encontraremos a resposta, a saída para o nosso problema. Este sentimento não só nos move, mas nos dá força para seguir, confiar e continuar.
Em terceiro lugar, orar é adorar a um Deus que quer nos ouvir. Você já parou para pensar que o que Deus quer é justamente ter intimidade conosco? Que o momento de oração e de busca por intimidade é a coisa que Deus mais quer?
As vezes nos entregamos a preguiça de orar, justamente por não entendermos o privilégio que é poder nos ajoelhar e falar com Deus. Por isso ore, da sua maneira e da forma mais sincera que você conseguir, crendo que Ele vai te ouvir, não tenha dúvidas.
Orar é a prática fundamental para todo o cristão, é a ação de se entregar, sem medo de não ser aceito. Pois Deus nos ouve e entende o nosso sofrer, e acima de tudo, Deus ouve o nosso coração e a sinceridade da nossa oração. Se isso não motivar você a orar, não sei o que mais te motivará.
BIBLIOGRAFIA
CONNELLY, Douglas, Guia fácil para entender Salmos: tudo sobre os salmos, reunido e organizado de maneira completa e acessível, Editora Thomas Nelson, Rio de janeiro, 2017.
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VIVENDO DISTRAÍDO
Ler um livro de forma distraída é com certeza empacar em uma página e não sair do lugar. Se você já leu sem se concentrar, você sabe muito bem do que eu estou falando, é passar os olhos pelas páginas sem reter o conteúdo. É ter que voltar em um dado momento, para assim conseguir entender o texto.
Como muitos sabem, eu gosto muito de ler, gasto muitas horas lendo e escrevendo, a prática já virou um hábito. E uma coisa que eu aprendi lendo e estudando é que não é possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Ou você se dedica a leitura ou não vai compreender nada do que está lendo. É preciso se concentrar nos estudos para não gastar as suas horas à toa e não ter o seu foco dividido. Quando você faz duas coisas ao mesmo tempo, divide a sua concentração e acaba comprometendo o processo de aprendizagem ou mesmo a compreensão da leitura.
Na vida é igual, não dá para seguir fazendo tudo de uma vez, sem prestar atenção no momento, sem curtir o processo e crescer com ele. Quando seguimos a vida sendo ativistas, nos concentrando mais no fazer, não vemos ela passar e muito menos percebemos os belos detalhes que a caminhada pode nos mostrar. Viver é muito mais do que só fazer, é entender que os momentos não voltam, por isso, é importante curtir a cada segundo.
Viver é prestar atenção, e seguir atento a todos os detalhes. Ser realmente feliz não é ter as coisas, e sim buscar equilíbrio, entendendo que coisas têm as suas funções, mas não substituem o próprio ato de viver.
Costumo acordar bem cedo, é interessante perceber o silêncio que reina as 4 ou 5 horas da manhã. Nesta quietude eu penso no dia, em Deus e na vida, e em como o tempo passa rápido. Quando as nossas prioridades são coisas, o excesso de atividades nos coloca alheios ao tempo, que passa sem dó, como em um relógio de areia, que deixa escorrer os dias sem piedade alguma.
A questão não é não fazer e muito menos viver a vida sem sonhos e planos. É legal sonhar e correr atrás das coisas que gostamos. O que eu quero passar para você é: “não deixe a vida passar” e acima de tudo, “não se distraia com as coisas que roubam o seu tempo”.
É preciso parar as vezes, reavaliar nossas escolhas e ver se não estamos gastando tempo a toa. Dinheiro algum e carreira alguma, valem a vida, os momentos simples, o tempo com quem amamos.
Por isso não viva distraído, aprenda a ver, a perceber e a escolher as coisas com sabedoria. Pois o tempo passa e corre o risco de você perceber isso apenas no final de sua caminhada, quando já for tarde demais.
