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  • O IMPERFEITO PERFECCIONISMO

    “O perfeccionismo torna a pessoa cruel e desumana. Porque, por causa dos seus ideais, o perfeccionista não deve tolerar a fraqueza e a imperfeição. Assim, ele procura impor seus ideais com obstinação e brutalidade” (GRÜN, 2016, p. 52).

    Conheci um excelente músico que estava se preparando para gravar o seu primeiro álbum. Ele gastava horas e horas em cima das composições e melodias, para que a sua obra saísse próxima da perfeição. Coisa que acabou nunca acontecendo, ele nunca lançou o CD, pois estava esperando as músicas ficarem perfeitas, ou seja, nunca ficariam prontas.

    O perfeccionismo é o princípio mais perigoso que alguém pode seguir, seja para a espiritualidade cristã, para o trabalho ou mesmo os hobbies. Pois ser perfeito é impossível, é um padrão inatingível. O perfeccionismo nos paralisa, e acaba sendo o modo mais incoerente de se viver. O perfeccionista segue em direção a uma meta que nunca vai ser alcançada, terminando por estagnar, esperando chegar em um padrão inalcançável.

    Quem segue o perfeccionismo é um impositor, que segue padrões absurdos e exige que todos também sigam. Na igreja, ele é aquele que tenta ser o mais santo, o que mais ora, o que mais lê a Bíblia e acaba exigindo que todos também sejam assim.

    Em outras áreas, o perfeccionista é aquele que mergulha em algo, e como um tolo, não descansa até que aquela determinada atividade esteja em seu padrão, a questão é que na maioria dos casos, este padrão nunca vai chegar.

    Não estou falando daqueles que procuram fazer o seu trabalho bem feito, e muito menos daqueles cristãos que tentam ter uma vida cristã centrada na palavra. Que estão sempre tentando ser melhores, orando mais ou estudando mais a Bíblia. E sim, daqueles que possuem um padrão exagerado, e exigem de si e de todos o máximo para que cheguem neste patamar impossível.

    É preciso aprender a conviver com as imperfeições, assumir nossos defeitos e limitações, e depois, propor alvos mais palpáveis, sem exageros e idealizações. Ter o pé no chão é o melhor caminho para avançar, sem cultivar neuroses e doenças psíquicas.

    Fui fã de um músico que não era dos melhores, ele tocava bem bateria, mas não era o mais rápido nem o mais técnico, contudo, ela tinha algo que me impressionava, suas linhas de bateria eram bem criativas. Ele me inspirou a ser criativo, enquanto eu buscava vencer minhas limitações técnicas, que eram muitas na época.

    Quem foge do perfeccionismo, e cultiva objetivos equilibrados, metas e padrões coerentes, consegue empreender e conseguir, aos poucos, a melhoria e a evolução. É preciso ter os pés no chão e um dado momento aceitar que aquilo é o melhor que você pode fazer. Nem sempre dá para esperar chegarmos em um certo patamar. As vezes é melhor fazer o simples e bem feito, do que esperar para executar as coisas no modo mais perfeito.

    Buscar o aperfeiçoamento e entender que a evolução é diária, é o caminho daqueles que são realistas e que estão com os dois pés no chão. É preciso ser honesto e saber ser prático, unindo a capacidade que você tem hoje com um pouquinho de engenhosidade.

    Esta é a fórmula de quem faz, com as ferramentas e capacidades que possui no momento.

    BIBLIOGRAFIA

    GRÜN, Anselm, Ser uma pessoa inteira, Editora Vozes, Petrópolis, 2016.

  • JORNADA CRISTÃ 13: UM GIGANTE DA FÉ

    Eu creio que todo o cristão deveria ler alguns importantes clássicos, autores que foram fundamentais para a fé cristã, sendo que Agostinho é o principal de todos, um verdadeiro Gigante da Fé.

    Nascido em Tagaste, no norte da África, berço de mais três grandes homens, “Tertuliano, Cipriano e Atanásio”, Agostinho foi um pensador acima da média, mostrando a importância de buscarmos uma compreensão da fé. Autor profícuo, escreveu muitas obras, com uma variedade grande de temas (FERREIRA, 2007, p. 16, 36).

    Sua principal e mais conhecida obra se chama “Confissões”, um livro autobiográfico, que tem como propósito falar de sua vida, antes e depois da conversão, além de abordar alguns temas, como por exemplo, a sua visão de Deus. Gosto de como Agostinho descreve Deus, além de belo, considero um interessante resumo de como Deus é:

    “Quem sois portanto Deus? Que sois vós, pergunto, senão o senhor Deus? E que outro há além do senhor, ou que outro Deus além do nosso Deus? Ó Deus tão alto, tão excelente, tão poderoso, tão onipotente, tão misericordioso e tão justo, tão oculto e tão presente, tão formoso e tão forte, estável e incompreensível, imutável e tudo mudando, nunca novo e nunca antigo, inovando tudo, cavando a ruína dos soberbos, sem que eles o advirtam; sempre em ação e sempre em repouso; granjeando sem precisão; conduzindo, enchendo e protegendo, criando, nutrindo e aperfeiçoando, buscando, ainda que nada Vos falte” (AGOSTINHO, 2004, p. 39, 40)

    Na obra o autor também trata temas como “O problema do mal”, “A eternidade de Deus” e muitos assuntos fundamentais para a fé cristã. É claro que, alguns temas são intrínsecos, difíceis de digerir, mas vale a leitura.

    Os dois principais livros de Agostinho são justamente “Confissões” e “Cidade de Deus”, mas o autor possui muito mais abras como: “O livre-arbítrio”, “A graça”, “A natureza do bem”, entre tantos títulos. Contudo, o livro “Confissões” é ideal para dar os primeiros passos na obra do autor. Pois além de ser um clássico, ele discorre sobre vários temas importantes para a fé, como eu pontuei.

    Eu li Confissões depois de um bom tempo de estudo e leitura, não é a toa que eu não indiquei a obra em meus primeiros textos, contudo, o livro não é dos mais difíceis, digamos que o nível de dificuldade é médio. Depois de um tempo, e após ter tido contato com literatura mais densa, um livro como este, torna-se uma leitura tranquila.

    Reforço o que eu disse em outros textos, é importante ter contato com uma literatura mais densa. E por mais que seja difícil, requer disciplina e persistência na leitura e no estudo, é importante ter contato. É realmente gratificante ler obras mais complexas. Faz você ampliar o seu horizonte de leitura, te tira do comum, e te dá mais repertório.

    Um livro muito recomendado, literatura fundamental para quem quer ampliar o seu olhar cristão. Para crescermos, precisamos nos apoiar em gigantes e Agostinho foi um deles.

    BIBLIOGRAFIA

    Ferreira, Franklin, Agostinho de A a Z, Vida Acadêmica, São Paulo, 2007.

    AGOSTINHO, Santo, Confissões, Editora Nova Cultural, São Paulo, 2004.

  • A ODISSEIA DA DOR X: VISÃO ESTREITA

    “A dor estreita a visão. Sendo a mais pessoal das sensações, ela nos força a pensar quase que exclusivamente em nós mesmos(YANCEY, 2004, p. 252).

    Já reparou como o nosso problema é sempre o mais difícil? Já percebeu o quanto quantificamos os nossos sofrimentos e diminuímos os problemas dos outros? Isso quando não fazemos o oposto, nos comparamos com os outros e agradecemos a Deus por não estarmos naquela situação, em uma espécie de reflexão comparativa, onde o outro é um padrão para a minha vida.  

    Como a epígrafe otimamente diz, a dor estreita a visão. A dor nos faz focar apenas em nós e em nossos problemas, nos obrigando a fechar os olhos para todos em volta, como se fossemos únicos, superiores, os mais necessitados.

    Não é fácil sofrer, mas entre os meus dias de dificuldades, eu tinha a impressão de que não enxergava mais nada. Era só eu, meu sofrimento e as minhas dificuldades.

    Lembre-se que a dor é única, cada um sente da sua forma, é impossível igualar a nossa dor com a do outro. O que é impossível e difícil para você, pode ser tranquilo para o outro e vice-versa. Por isso que ante o caos, temos que ter uma visão ampliada, não podemos nos deixar levar pela cegueira que o caos traz. 

    A história de José, descrita em Gênesis, é uma prova da importância de termos um olhar ampliado diante dos problemas. Sendo o filho preferido de Jacó (Gênesis 37:3), José foi alvo da inveja dos irmãos (Gênesis 37:4) e sendo maltratado por eles. Não devia ser fácil nem para José, que não tinha culpa por seu pai tratá-lo de forma diferente, muito menos tinha culpa da inveja dos irmãos. Não dá para cobrar uma atitude assertiva de um adolescente, nem acreditar que ele deveria ter uma visão ampliada da vida. O pai o mimava, já que era o filho preferido, e os irmãos não gostavam disso, uma situação complicada por si só. 

    O ódio dos irmãos aumentou quando ele teve alguns sonhos, além de ser bem tratado pelo pai, todos iriam se curvar perante ele. Aquilo foi a gota d’água, José deveria morrer, mas no final, ele foi vendido como escravo pelos irmãos (Gênesis 37:28). De filho preferido e sonhador, José virou escravo. Sua realidade havia mudado da noite para o dia.

    Como escravo, ele foi trabalhar na casa de Potifar, que era um oficial da guarda do palácio (Gênesis 39:01). Lá José acabou ganhando a simpatia de Potifar, e terminou tendo uma posição de destaque. Contudo, como acontece a toda a posição de destaque, ele foi alvo da mulher do oficial (Gênesis 39:7), mas José se recusou a se deitar com ela, e depois disso foi acusado de estupro (Gênesis 39:14-20), e foi preso por isso.

    Na cadeia, preso de forma injusta, ao invés de reclamar, ele se destacou, conquistou a amizade do carcereiro e acabou virando uma espécie de encarregado dos presos (Gênesis 39:22-23). E lá, enquanto trabalhava, ele interpretou dois sonhos que acabaram acontecendo. Sendo que depois de interpretar, o único pedido que ele fez ao copeiro do rei foi que, quando tivesse seu cargo restituído, lembrasse dele. E ele se lembrou, dois anos depois (Gênesis 40:1-23). Imagine você ajudando alguém e esta pessoa esquecer de você, lembrando apenas dois anos depois, meio que por acidente?

    José é um personagem que eu admiro muito, pois, apesar de todos os percalços, parece-me que ele soube lidar com todo o sofrimento. Nos diversos lugares que esteve presente, ele conseguiu transitar e se destacar. Soube olhar adiante, e principalmente, aprendeu a confiar em Deus.

    É interessante ler as diversas passagens que diz basicamente a mesma coisa: “O senhor Deus estava com José” (Gênesis 39:2; 39:21; 39:23). Esta era a única certeza de José, ele confiava em Deus, e sabia que no final, apesar de todos os problemas, Deus estava com ele. 

    José tinha 17 anos quando todo o caos começou a acontecer (Gênesis 37:2), e tinha 30, quando finalmente virou governador de todo o Egito, conforme o seu próprio sonho (Gênesis 41:46). Foram praticamente 13 anos de sofrimento e percalços, mas José confiava em Deus e sabia olhar em volta. Charles R. Swindoll complementa:

    “Por que, então, José foi tão importante? Ele foi importante por causa da sua fé em Deus, que se manifestou em uma atitude magnânima em relação a outros e da sua atitude magnífica diante das dificuldades. Uma fé sólida leva a uma boa atitude” (2000, p. 175-176). 

    Quando temos fé em Deus, passamos por qualquer adversidade. É preciso, durante o sofrimento, aprendermos a não enxergar apenas nós, e a nossa situação. É importante termos uma visão ampliada, entendendo que podemos não estar compreendendo todo o sofrimento, mas que também nós não estamos sozinhos, isso é confiar em Deus.

    Crer em Deus, não é só motivo de esperança, mas também é a ferramenta que faz com que olhemos em volta, que compreendamos que não somos os únicos a sofrer. A dor, estreita a nossa visão, mas a confiança em Deus, nos faz vermos além do que estamos passando.

    O modo como olhamos para as diversas situações da vida, determina a nossa atitude, a nossa paz e como vamos lidar com os percalços. Quando ajustamos a nossa lente, agimos de forma mais assertiva e menos egoísta.

    Não é fácil passar por momentos de dor, é claro que não é, contudo, a nossa atitude, vai definir o teor da dor. Às vezes aumentamos ainda mais o sofrimento, por não querermos aceitar a situação, ou mesmo por ficarmos remoendo tudo sem parar.

    É preciso aprender a aceitar, e seguir em frente. Não é se entregar para a situação, e sim, aceitar e caminhar, buscando novos motivos, novas formas e novas saídas, confiando sempre no fato que “Deus está conosco”. 

    BIBLIOGRAFIA

    YANCEY, Philip. Decepcionado com Deus: Três perguntas que ninguém ousa fazer. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2004.

    SWINDOLL, Charles, R. José: Um homem íntegro e indulgente. São Paulo:  Editora Mundo Cristão, 2000. 

  • CRISTIANISMO SOLITÁRIO

    “Deus criou a vida humana de forma que dependêssemos uns dos outros para sermos o que ele quer. Precisamos de ajuda do outro para aprender a amar a Deus. Também precisamos da ajuda do outro para aprender a amar o próximo. O cristianismo do cavaleiro solitário é uma contradição” (FOSTER, 2008, p. 213).

    Eu tive a grande alegria de congregar em igrejas no qual fui útil, e também onde eu aprendi, cresci e amadureci como cristão. Sou grato a Deus por todos os pastores que me ajudaram e me ensinaram. Embora que em algumas destas ótimas igrejas, eu também tenha tido muitas decepções. É normal nos decepcionarmos, e geralmente isso acontece, por justamente gostarmos muito do lugar. É quando gostamos do ambiente, da pessoa ou do convívio, que nos ferimos mais. São justamente estas pessoas que nos atingem.

    É totalmente compreensível, após uma decepção, querermos nos fechar, pararmos de irmos à igreja, e seguirmos nossa fé em carreira solo. Esta é a primeira atitude de quem se decepciona, normal. Sendo que este fenômeno dos “sem igreja”, tem crescido cada vez mais, justamente por conta das decepções com pastores, igrejas e líderes.

    O grande problema do cristianismo solitário é que ele não existe. Veja bem, não é possível amar, vivendo uma vida solitária. O amor, conforme a Bíblia nos ensina, é fruto do convívio, da comunhão, da convivência. Para que possamos amar e desenvolver o amor ao próximo, eu preciso estar com as pessoas, com os nossos irmãos.

    Deus nos criou para sermos um corpo, é o que Paulo fala lá em 1 Coríntios 12, quando ele fala sobre os dons na igreja. A vida cristã é uma vida comunitária, de ajuda mútua e apoio, não existe cristianismo solitário. E acaba sendo contraditório, visto que não é possível exercer o amor sozinho. Mas eu compreendo a dor de quem já passou por este tipo de decepção e não quer mais estar em uma comunidade.

    Creio que o grande problema de quem passa por decepções, é justamente generalizar. Por termos nos decepcionado, generalizamos e acreditamos que todas as igrejas, pastores e líderes serão iguais. A generalização é um problema, pois impede você de ver as pessoas. De perceber como há pastores idôneos, e verdadeiros servos. Lidar com a decepção e impedir que ela contamine a sua visão é uma atitude fundamental, para que assim, você não se feche para as pessoas.

    Um outro grande problema é acreditarmos que tudo deve ser da nossa maneira, e isso é um erro, dos mais graves. É possível discordarmos das coisas, mas continuarmos servindo a comunidade. Pois acima de tudo, a igreja existe para servir a Deus e não a nós. É claro que é fundamental estarmos em uma comunidade que possui um trabalho no qual você se identifica. E é legal também estarmos onde o nosso dom pode ser útil, mas precisamos tomar cuidado para não acharmos que tudo deve ser no nosso jeito.

    A vida cristã é vivida em comunidade, em total apoio mútuo e serviço mútuo. É quando estamos juntos que aprendemos a amar, que crescemos e servimos. Isso é vida cristã. 1 João 3: 11 diz que devemos amar uns aos outros. A questão é que, para que isso seja possível, eu não posso estar isolado.

    BIBLIOGRAFIA

    FOSTER, Richard, A liberdade da simplicidade: encontrando harmonia num mundo complexo, Editora Vida, São Paulo, 2008.

  • A ARTE DE OUVIR

    Aprecio uma boa conversa, seja de coisas triviais ou assuntos importantes, é fundamental tirarmos um tempo para passar com os nossos amigos e bater um bom papo. Isso não só fortalece a amizade, mas também nos une. É muito bom dialogar, a questão é definir o que é uma conversa do que não é, pois nem sempre as nossas conversas são diálogos.

    Não é raro eu me encontrar entre diálogos sem sentido, e em meio a estas conversas, tenho uma grande dificuldade de conversar com pessoas que parecem não ouvir e onde eu tenho a nítida impressão de que a pessoa parenta estar apenas esperando uma oportunidade para falar. Sendo que na maioria das vezes a fala é sobre si e suas experiências.

    É claro que é muito bom falar sobre nós, contar sobre a nossa vida, nossos pontos de vistas e anseios, mas um diálogo não é somente isso. Uma boa conversa é acompanhada de ouvir e falar, de opinar e também de se calar. Richard Foster no livro “A liberdade da simplicidade”, acrescenta um ponto importante sobre as palavras e o silêncio:

    “Quando ficamos em silêncio e abrimos mão de tentar controlar as pessoas, aprendemos a sentir compaixão por elas” (FOSTER, 2008, p.90).

    Quem fala controla, principalmente quem fala muito e ouve pouco. O tagarela controla o assunto, o teor da conversa e até o tempo dela. Sendo que as vezes a motivação do diálogo é justamente fazer os outros concordarem conosco, ou que entendam o nosso ponto de vista, que em alguns casos (ou até na maioria deles), acreditamos serem os mais corretos. Precisamos defender a nossa reputação ou mesmo, fazer com que nos entendam, sendo este um dos grandes motivos no qual muitos não ouvem o próximo.

    Outro grande motivo é a falta de curiosidade de entender o assunto, com isso, alguém fala algo e o outro não se importa em saber, ouvir ou mergulhar no tema. Ele prefere que o outro ouça, ou invés de ouvir e aprender.

    No final, este tipo de pessoa não consegue nem se ouvir, quem dirá, ouvir o próximo. A ânsia em discorrer sobre suas opiniões, o faz controlar o diálogo, transformando a conversa, em alguns casos, em um monólogo.

    O silêncio, para muitos, é impraticável, justamente por ser difícil tomar as rédeas do momento. Parar para ouvir, mesmo que seja a si mesmo, os sinais em seu entorno ou refletir sobre suas ações, requer um controle pessoal e um autoconhecimento que nem todos possuem ou buscam ter.

    A arte de ouvir é muito ligado a largar o controle e deixar que o assunto flua, as vezes até para caminhos no qual não entendemos. O silêncio coloca um freio em nosso ego, na vontade de opinar e deixar bem claro o nosso ponto de vista. Ou mesmo em justificar nossas falhas e erros. O silêncio é doloroso, embora seja também curador. Já que é ouvindo que percebemos as coisas, e entendemos que não controlamos nada.

    Ficar em silêncio é largar o controle, é aprender a ouvir e deixar a vida falar com você. Quando você aprender a se aquietar, você vai se impressionar com o quanto deixou de aprender e entender, quando se concentrou mais em falar do que em ouvir.

    BIBLIOGRAFIA

    FOSTER, Richard, A liberdade da simplicidade: encontrando harmonia num mundo complexo, Editora Vida, São Paulo, 2008.

  • COMO SUPORTAR O DESRESPEITO

    “Aprova final da grandeza está em poder suportar o tratamento insolente sem ressentimento” (SWINDOLL, 2000, p. 176).

    Eu admiro muito gente que não se deixa atingir pelo que vem de fora, que possui segurança suficiente para não deixar o externo influenciar o interno. Principalmente por ser um verdadeiro desafio, conheço poucos assim. A maioria, mesmo os que ouvem e aceitam críticas, ficam na defensiva, quem dirá quem é maltratado.

    O homem não demora em responder os estímulos externos, principalmente quando estes são negativos, e demora bastante em responder a estímulos positivos. É muito mais fácil uma pessoa se irritar com uma pessoa arrogante do que elogiar alguém muito educado e prestativo. A impressão que tenho é que os estímulos negativos são muito mais respondidos que os positivos.

    Existe um ditado popular que diz: “A minha educação depende da sua”. O problema com este ditado popular é que eu não posso aceitar que alguém determine quem eu vou ser diante das pessoas. Ou aprendemos a “ser” independente dos estímulos externos, ou nossas ações serão sempre determinadas por outras pessoas. E este é o primeiro passo para conseguirmos enfrentar o desrespeito, não permitir que outros determinem quem somos nós, como será o nosso humor e muito menos a forma como trataremos outras as pessoas.

    O grande desafio é saber suportar o tratamento insolente sem se contaminar, como a frase do começo do texto nos ensina, sem seguir com mágoas e sentimentos ácidos. Quem sabe lidar com os estímulos externos é um sábio, é alguém que sabe viver sem se amoldar a padrões equivocados.

    O ressentimento é um veneno, é um ácido que corrói aos poucos e de forma bem sutil. Se você não ficar atento, pode acabar se destruindo por causa de outra pessoa. Entender que o que pensam de nós, não nos determina, e muitas vezes não resume quem somos, é o princípio para não deixarmos o externo nos tocar.

    Em segundo lugar é importante deixar claro que, o desrespeito se enfrenta com o autoconhecimento, é preciso entender quem somos, para assim, não deixar que algo nos atinja. Saber o que nos ofende, quais são as nossas qualidades e defeitos, é básico para que a ofensa não ganhe morada em nosso coração. Muitas vezes nos ofendemos justamente com falhas ou dificuldades que possuímos, por isso que neste caso, o autoconhecimento é fundamental para seguirmos mais tranquilos.

    E em último lugar eu diria que devemos aprender a não levar alguns acontecimentos para o lado pessoal. É preciso aprender a ouvir e descartar. Algumas pessoas não respeitam mesmo, a questão é que, se eu for levar tudo em consideração, ou seguir me incomodando com todos os arrogantes que cruzarem o meu caminho, não sossegarei nunca. Priorizar a preocupação é a atitude de quem é inteligente, e principalmente, daquele que se preocupa apenas com o que vale a pena.

    Se eu sei bem quem sou, aprendo a relevar e a seguir me afastando de quem é altivo, e me aproximando das pessoas humildes, que cultivam amizades e parcerias verdadeiras.

    Não sei se é possível evitar o desrespeito, pois as vezes ele vem da pessoa que menos imaginamos. Contudo, é possível descobrirmos ferramentas e atitudes, para que momentos ruins não nos atinjam e se nos atingir, que pelo menos não faça morada em nosso coração.

    BIBLIOGRAFIA

    SWINDOLL, Charles, José: Um homem íntegro e indulgente, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2000.

  • GUARDE O SEU CORAÇÃO

    Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida (Provérbios 4:23).

    O coração é um dos principais órgãos do corpo humano, ele é chamado de órgão muscular, sem ele não conseguimos viver, não tenha dúvidas. Por isso, penso que não foi à toa que o autor do texto usou este órgão como exemplo.

    Em dias de tempestade, onde o céu escuro e lúgubre, insiste em tirar a nossa paz, o que é atacado é o nosso coração, é a nossa paz que fica ameaçada e a estabilidade de toda a nossa vida. A pandemia acabou surgindo com este propósito, tirar a nossa estabilidade e atrapalhar os nossos planos.

     Quando o texto fala em coração, ele quer falar justamente de mente, dos sentimentos, do nosso interior. É a nossa mente que nos guia, é ela que define a paz, ou a falta dela em nossa vida, sendo que o corpo e principalmente o coração, sofre impreterivelmente, um grande impacto. Conforme pensamos, entendemos ou agimos diante dos problemas, colhemos um resultado.

    Sua visão de Deus, da vida, sua confiança e o modo como você pensa, define como você vai reagir e de que forma o corpo vai suportar as dificuldades. A mente traduz muita coisa, não foi à toa que o autor do provérbio nos avisou para guardarmos justamente ela.

    É através da mente e do modo como pensamos, que confiamos, que buscamos a Deus e seguimos a sua vontade. A vida cristã é racional, é crer, confiar e ler a Bíblia, e com certeza, até para orar, precisamos da mente, do racional, envolve acreditar e pensar. Em contrapartida, é através da mente que sucumbimos, nos desesperamos ou nos entregamos ao medo. A mente pode tanto nos ajudar quanto nos sabotar. Tudo começa pela mente e pelo nosso modo de pensar.

    Por isso, aprenda a guardar o seu coração, descubra o poder de estudar a Bíblia e crer na vontade de Deus. Aprenda a olhar para a vida, para os problemas com um pensamento equilibrado e coeso. Ter bons pontos de vista e pensamentos fundamentados na palavra, com certeza, definirão muita coisa em sua caminhada.

    Guarde o seu coração, fundamente a sua vida na palavra e deixe a mão de Deus te guiar!

  • A ODISSEIA DA DOR IX: ATALHOS

    Quando eu era mais novo, costumava fazer trilhas, passávamos a noite toda percorrendo uma mata fechada só pelo prazer de andar pela natureza. Em uma destas caminhadas, conhecemos alguém que conhecia um atalho para chegar mais rápido ao fim da trilha. É claro que ficamos felizes, o grande problema foi que nós nos perdemos, e demoramos ainda mais do que se estivéssemos pegado o caminho normal.

    Descobri, quando tive que lidar com este período difícil, que para você conseguir respostas e explicações realmente relevantes, você não pode pegar atalhos. Ao contrário do que muitos pensam, os atalhos não são úteis, eles cortam caminho sim, mas também cortam as experiências que deixamos de viver ou aprender ao cortarmos o caminho. Philip Yancey complementa este ponto afirmando que:

    “Ansiamos por atalhos. Mas os atalhos geralmente nos afastam do crescimento, não nos aproximam dele” (2004, p. 220).

    Todas as dúvidas e os questionamentos que eu tive sobre a fé, me levaram a buscar respostas. Foi isso que me motivou a ler ainda mais, pesquisar e é claro orar. Hoje conheço muitos autores importantes, além de entender a dor e o sofrimento por outro viés. O sofrimento me fez crescer, aprendi e cresci muito com ele, coisa que não iria acontecer, se tudo tivesse sido resolvido de forma mágica, com uma espécie de atalho. 

    Você deixa de aprender quando pega atalhos, e por mais que buscamos em Deus por respostas e oramos pedindo um milagre. Todo o processo de busca, entrega e confiança, que depositamos em Deus, acaba sendo uma lição, que nos faz crescer e confiar ainda mais nele.

    Não adianta olhar a resposta atrás do livro, é preciso se debruçar no problema matemático e procurar resolver, assim é na vida. O processo de prática, reflexão, e resolução, é a lição que trará a você aprendizado e crescimento (2004, p. 220).

    Eu lembro ainda da primeira trilha que eu fiz, era uma caminhada de mais de 6 horas. O caminho era bem acidentado, tinha rios, e alguns trajetos que era preciso escalar, mas era muito legal chegar no final. A sensação de dever cumprido, a beleza e toda a experiência do trajeto, eram impagáveis.

    Nem sempre (ou quase nunca), Deus responde a nossa oração de forma milagrosa. As vezes ele apenas nos dá força para enfrentar o caos, ou mesmo muda o nosso olhar ante os problemas. A oração, eu vejo muito mais como uma entrega do que como uma fórmula mágica. Pois quando Deus age, quase sempre é em nós.

    Depois de todo este período, fiquei mais forte, e entendi a questão que por muitos anos, me deixava com dúvidas e sem resposta. O sofrimento me ensinou a acima de tudo, olhar para Deus, e não tirar os olhos dele. Que no mais, são atalhos, que não nos levam a lugar algum.

    BIBLIOGRAFIA

    YANCEY, Philip, Decepcionado com Deus: três perguntas que ninguém ousa fazer, Editora Mundo cristão, São Paulo, 2004.

  • A DITADURA DA OPINIÃO

    Há algum tempo duas igrejas foram queimadas no Chile, era um protesto, e tal ato envolvia empurrar a força uma opinião. É aquele famoso diálogo de mão única. Eu estou certo, afirmam estes, e só conversamos com quem concorda conosco. É a ditadura da opinião, que ofende, generaliza e impõe a um segundo grupo, que para eles, são os bandidos, o problema é sempre o outro.

    Esta ditadura de opinião, feita pelos humanistas de plantão, que pregam a paz, direitos iguais e a tolerância, possui um ponto de partida contraditório, visto que, o diferente não pode ser tolerado. Eles lutam contra o preconceito, mas não aceitam religiosos e conservadores. Lutam contra o que eles chamam de fascismo (não vou discutir o termo neste texto), que segundo eles, impõem um ponto de vista sem dialogar, mas que acabam agindo de igual forma, impondo o seu pensamento a todos, sem aceitar opiniões contrárias. São a favor do aborto, uma vez que, a mulher deve ter o direito de escolher ter um filho ou não. Mas queimam algumas igrejas e rejeitam o direito que as pessoas têm de cultuar seu Deus. São muitas contradições em seus discursos, estou listando apenas alguns pontos.

    Discordar, para quem segue a ditadura da opinião, é quase um crime, a lei é “ou você pensa como nós, ou você está errado”. Não há diálogo, muito menos a possibilidade de afirmar que em determinado ponto, eu penso diferente.

    Para alguns que pensam a partir deste ponto de vista, queimar uma igreja, de uma religião considerada grande, dominante, é apenas protestar, mostrar suas discordâncias quanto a suas crenças. O que poucos veem é que a atitude é contraditória, vai de encontro ao que eles mesmo pregam. E só reforça uma verdade: “a perseguição contra cristãos continua grande”. Sendo que estes negam tal acontecimento.

    No site do Portas Abertas, uma antiga e confiável fonte, é possível ver como tal prática tem sido constante em muitos lugares. Vemos cristãos sendo perseguidos em diversos países, seja no Mali, Somália, Síria e em muitas outras regiões. E isso tem acontecido desde a origem do cristianismo. Há muito tempo que a nossa fé é perseguida, tal fenômeno não é novo, por isso que, afirmar que a perseguição não existe carece no mínimo de boa de informação.

    Tudo bem queimar igrejas, é até uma obrigação moral fazer isso, como algumas celebridades afirmaram, mas quando a violência é contra eles, é crime, é perseguição e intolerância.

    Segundo estes, queimar uma igreja não é crime, não há problema algum, visto que, os cristãos é que são os opressores e são a maioria. Mas uma vez mais, tal atitude é reduzir o significado da palavra, e escolher de forma parcial, quem é ou não sofredor. Intolerância é intolerância, queimar igrejas, desrespeitar a fé, é uma atitude covarde, seja quem a pessoa for, ou qual crença ela tem.

    Pensar diferente, ter uma fé ou crença diferente, não nos faz inimigos, nos faz apenas diferentes, por isso, o respeito é básico, se queremos conviver em sociedade. Não dá para justificar uma atitude violenta, seja a pessoa da religião que for. Preconceito, violência e vandalismo não segue classe, credo ou posição social.

    É possível discordar, sem ser intolerante, não somos obrigados a pensar de forma igual. Agora, se eu sou perseguido por pensar diferente, ainda mais se quem me persegue defende a liberdade e é contra a intolerância, precisamos urgentemente rever o termo, pois tais pessoas não estão percebendo suas discrepâncias.

    Impor uma opinião é uma forma de violência, é cercear a liberdade e o direito que todos têm de pensar. Discordar não é um crime e saber conviver com a opinião oposta, mostra o tamanho da sua inteligência.

    Sou contra todo o tipo de crença ou opinião, que impede e tolha a liberdade de você pensar e ser quem você quer ser.

    BIBLIOGRAFIA

    https://www.portasabertas.org.br

  • FALSO PASTOR

    “O falso profeta é o pastor que agrada todo mundo. Seu dever é dar testemunho de Deus, mas ele não O vê e O prefere, porque vê muitas outras coisas” (BARTH, 2020, p. 13).

    Eu gosto muito de pregar e tenho muito temor ao fazer isso, pois pregar e ensinar a Bíblia, é coisa muito séria. Por isso, além de orar, procuro sempre me debruçar por horas na Bíblia, nos estudos e nos livros. Tudo para conseguir levar as pessoas a palavra mais centrada e o ensino mais coerente e correto. Sendo que, para o pregador sério, estas informações não são mistério algum.

    O falso pastor se concentra mais em agradar, em colocar a sua imagem no centro de tudo, usando boa oratória, técnicas de persuasão e fogos de artifício e tudo o mais que um culto show merece, menos um conteúdo alinhado com a palavra de Deus.

    É muito mais fácil fazer uma pirotecnia do que gastar tempo estudando e orando. É muito mais simples acreditar que na hora você consegue falar algo “bonito”, sãos opiniões fruto da revelação do Espírito Santo, do que gastar algum tempo estudando e compreendendo a palavra, antes de pregar ou ensinar.

    Uma boa pregação leva um bom tempo para ser feita, e antes de tocar nas pessoas, ela toca o pregador, antes de exortar os irmãos, ela exorta também quem vai pregar, ensinando-o e falando em seu coração. Pois acima de tudo, quem fala (ou deveria falar) em uma pregação é Deus, e se Ele fala, é a todos.

    Não sou contra as técnicas de oratória, é bom estudar e aprender a falar melhor, a questão é que pregar não é só oratória, é dar testemunho de Deus, é interpretar a sua palavra, e para isso, o estudo deve estar em dia.

    Falar, qualquer um fala, comunicar a mensagem de Deus, interpretando a Bíblia sagrada de forma coerente, já são outros quinhentos.

    Pregar é proclamar a mensagem da verdade, por isso, tudo começa em Deus, na busca e na oração e também no estudo e no aprofundamento do texto bíblico.

    O falso pregador fala de ideias e opiniões, propõe uma mensagem que esteja concernente com o que a plateia quer ouvir. Ele é o centro da mensagem, enquanto Deus é apenas usado como motivo para ele estar em cima do púlpito.

    Já um pregador temente a Deus, entende a responsabilidade, e não brinca com a função que Deus confiou em suas mãos. Simples assim!

    BIBLIOGRAFIA

    BARTH, Karl. A proclamação do evangelho. São Paulo: Funda Editorial, 2020.