Início

  • BEBÊS GIGANTES

    “O ser humano do futuro é um bebê gigante que envelhece com expectativas gigantescas dirigidas à sociedade. Porém, ele se recusa a assumir a responsabilidade” (GRÜM, 2014, p. 43-44).

    Não é à toa que ultimamente temos visto muitos seres humanos (ou desumanos) humilhando pessoas humildes, como se um desejo, ou uma vida abastada, lhes dessem o direito de rebaixar os outros. São bebês adultos, que continuam com a mesma mentalidade de uma criança. Acreditando que todos devem lhe servir, e o pior, da forma como eles bem entendem.

    São muitas vezes estes que reclamam que não conseguiram realizar os seus sonhos por culpa de terceiros. Os culpados são sempre os outros, nunca são eles. Com isso, tais pessoas nunca mudam. Pois afinal, como sempre deixo claro aqui no blog, para mudarmos, precisamos primeiro assumirmos nossos erros.

    Quem é maduro e principalmente adulto, entende as consequências dos seus atos. Ele se posiciona, corre atrás do que precisa e assume seus erros, em busca sempre de mudança.

    Viver terceirizando a culpa, crendo estar sendo vítima de terceiros, é assumir entre linhas, o quão infantil é sua forma de pensar. É no final, crer que precisa ser servido, que todos lhe devem algo, que o mundo precisa ressarcir uma dívida de injustiça e descaso.

    O mundo não é justo, e nem todos nascem em uma realidade privilegiada. Contudo, um ser humano realmente adulto, assume o comando de sua vida e faz o que pode ser feito com as condições que a vida lhe deu. Nem sempre nascemos nas mesmas condições, mas é possível lutar, e conseguir chegar em uma situação um pouco mais privilegiada do que antes. Basta assumir o controle e arregaçar as mangas.

    Uma pessoa bem resolvida, sabe jogar com as cartas que a vida lhe deu. Não estou falando de ficar rico, e sim, de buscar ter uma vida melhor do que a vida que você tem hoje.

    Ou você faz, ou se desfaz em uma vida marcada pelo lamento, escolha bem seu lado. É preferível lutar do que estagnar reclamando da vida, como se todos lhe devessem algo.

    BIBLIOGRAFIA

    GRÜM, Anselm. Ser uma pessoa inteira. Petrópolis: Editora Vozes, 2014.

  • JORNADA CRISTÃ 14: CASAMENTO

    Foi inevitável, em um dado momento da minha vida eu começar a pesquisar livros sobre casamento, visto que eu estava em vias de me casar. Sendo que foi por coincidência que eu acabei encontrando o livro: “Casamento: da sobrevivência ao sucesso” de Charles Swindoll. Eu já o conhecia como autor de alguns ótimos livros de teologia como a série de livro “Heróis da fé” ou “Vivendo sem máscaras” e muitas outras obras que me ajudaram na caminhada, mas este livro eu não conhecia.

    Em nossa cidade em alguns shoppings, existem algumas bancas de livros promocionais que vendem livros por dez reais, a marca da empresa é justamente esta, vender livros baratos. Nestas bancas você encontra de tudo, e por um preço ótimo. E como por coincidência, este excelente livro me achou.

    Viver a vida a dois, nunca é fácil, manter equilíbrio nesta vida, mais ainda, por isso que, boas obras, de autores que entendem bem do assunto e já são casados há muito tempo, nos ajudam.

    O livro é um fundamental guia, com ele eu pude me preparar e entender um pouco da dinâmica familiar. Como eu vivia sozinho há muitos anos, o livro foi a minha bússola, um auxílio para entender um pouco mais sobre este universo.

    Swindoll mistura o ensino bíblico com boas doses de bom humor, em uma área que normalmente possui pontos complicados. O modo como ele usa as suas experiências, sem propor fórmulas pré-fabricadas, se concentrando em falar de um casamento a luz da Bíblia, é genial.

    O livro todo é ótimo, mas a parte que gosto é logo no primeiro capítulo, onde ele fala como o mundo mudou e continuará mudando. A nossa família não é a família dos nossos avós, os tempos mudaram e vão continuar mudando, com isso, temos desafios e situações onde provavelmente nossos pais e avós não enfrentaram, e vice versa. Destaco um breve resumo do capítulo, proposto pelo próprio autor, que sintetiza e traz uma boa luz ao assunto:

    “O mundo mudou e continuará a mudar, mas Deus não muda nunca; portanto, sentimos segurança quando nos aproximamos dele (SWINDOLL, 2012, p. 21).

    É só em Deus que devemos depositar a nossa segurança, sendo que o segredo do casamento de sucesso é colocar Deus no centro de tudo.

    Nunca é fácil lidar com pessoas, cada um é um ser único, com anseios, pontos de vista e dificuldades únicas, não dá para generalizar, por isso que o princípio de tudo deve ser Deus.

    O autor trabalha o tema de forma muito pontual e realista, o livro é fundamental para quem quer entender toda a dinâmica familiar, para assim dar passos mais seguros dentro do lar. Entre todos os livros que tenho deste autor, este é apenas um deles e o meu preferido, um dos principais sobre o assunto, vale a leitura.

    BIBLIOGRAFIA

    SWINDOLL, Charles R, Casamento: da sobrevivência ao sucesso, Editora Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro, 2012.

  • ORAÇÃO DE UM SOFREDOR

    Por muito tempo tive receio e não conseguia lidar com alguns textos complicados do Novo Testamento. Já havia estudado e lido explicações para algumas passagens bíblicas que falam de morte de crianças, e assuntos complexos, que em sua maioria pareciam simplistas e por conta disso, demorei em aceitar e entender tais passagens.

    Em meio ao nosso conforto, não é interessante ler Salmos 137:8-9, ou mesmo o Salmo 58 e muito menos o Salmo 140:10. Isso para citar apenas estes 3 de inúmeros Salmos chamados de “Salmos imprecatórios”, que significam, Salmos de maldição.

    Ninguém, pelo menos em sã consciência, gosta de ler imprecações, queremos ler sobre alegria, milagres de Deus, moveres divinos. O mundo já é suficientemente ruim para lermos estes textos. E do alto de nossa torre de marfim, cercados por todos os confortos possíveis que um país como o nosso pode propor, tecemos críticas a estes excertos ou ignoramos tais materiais. Perdendo de aprender com estes verdadeiros tesouros.

    Os Salmos são basicamente um compilado de hinos e orações, que servem de ótimas amostras da espiritualidade, da busca e da adoração de inúmeros personagens bíblicos.

    Em um país marcado por guerras, injustiças e fome, tais textos servem como alívio para quem sofre. Só suportamos as adversidades quando cremos que a mão de Deus não só nos ajuda e nos sustenta, mas também faz o que é justo. Em um mundo de injustiça, saber que Deus é a própria justiça é um alívio. Philip Yancey complementa afirmando que:

    “Quem pega o Antigo Testamento em um país desenvolvido e simplesmente começa a ler, talvez fique entediado, confuso ou até indignado com a violência retratada nos livros” (YANCEY, 2006, p. 17).

    Para quem está em um ambiente de fartura, sem faltas, fome ou necessidades, tais relatos não são lógicos, contudo, para quem sofre, tais problemas não são estranhos. Sendo assim possível compreender tais acontecimentos de outro prisma, já que cada dor, injustiça e catástrofe, não lhe soa desconhecido.

    Os Salmos imprecatórios são orações angustiadas, são desabafos e pedidos de justiça de um sofredor a Deus. Tais textos evidenciam como é possível levarmos toda a nossa oração a Deus, seja ela qual for e da forma mais sincera possível. Quem está orando a Deus nestes Salmos, está rasgando o seu coração e sendo o mais sincero possível. É possível derramarmos o nosso coração em meio a dor e ao sofrimento, e é isso que os Salmos imprecatórios nos mostram.

    O texto não é uma evidência que Deus teria que responder a oração da forma que foi pedida, e sim, é a prova que podemos entregar tudo nas mãos de Deus e desabafarmos.

    Imagine que você passou por uma injustiça tremenda, ou viu alguém que você ama ser algo de violência, tortura ou qualquer outro mal. Nesta situação, como você oraria a Deus? Talvez até oraria como o salmista que escreveu estes textos complicados.

    Alguns destes Salmos são orações sofredoras, palavras sinceras, de alguém que estava entregando a Deus seus problemas, injustiças e caos. Tais textos são a prova que podemos orar, e entregar a Deus nossos problemas de forma aberta e sem reservas.

    Um pai nos ouve e fica do nosso lado, com Deus não é diferente. Podemos contar com ele e abrir o nosso coração, tendo a certeza que ele cuidará de nós. Alguns destes Salmos são apenas provas que podemos rasgar o nosso coração a Deus, sem medo de sermos reprimidos. Sendo que Deus vai ouvir, mas vai agir, segundo a sua santa vontade, é apenas isso que você precisa ter em mente.

    BIBLIOGRAFIA

    YANCEY, Philip, A Bíblia que Jesus lia, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2006.

  • A HABILIDADE DE NÃO DESANIMAR

    A realidade de quem planeja algo e mergulha em um projeto, nem sempre é iluminada. Existem horas em que o dia parece cinza e tudo parece estar dando errado. E nada mais difícil, para quem empreende algo, do que ter que lidar com a frustração de ver seu projeto fracassar.

    Hoje em dia não é tão difícil encontrar aulas e técnicas ensinando você a como ter foco, ser empreendedor e por aí vai. E apesar do discurso ter se banalizado, ele não é ruim. Principalmente porque, para sairmos do nosso comum, precisamos planejar e fazer. Se eu não tivesse planejado e tentado sair do ponto onde eu estava, estudando e me preparando para ser professor, provavelmente eu estaria fazendo a mesma coisa, sem ter aprendido mais, conhecido mais e muito menos saído do lugar. O que não ensinam, junto com estas técnicas, é lidar com a derrota, com o fracasso do projeto, pois o insucesso, mais dia ou menos dia acontece.

    É fácil falar que os erros existem para que possamos aprender e tirar uma lição. E este conselho é verdadeiro, pois aprendemos muito com os nossos erros, mas nem sempre é tranquilo lidar com a situação. Principalmente quando gastamos tempo, dinheiro e fazemos escolhas, para que possamos colocar em prática os nossos planos. E escolher é perder, além de ser inevitável lamentarmos nossas escolhas, quando vemos um projeto fracassar.

    As opções, o foco e a dedicação que usamos para empreender determinados planos, nos traz o sentimento de “e se eu tivesse escolhido outra coisa?”, “será que eu não perdi o meu tempo?”. Normalmente estas perguntas vem acompanhadas com um sentimento de incompetência.

    Eu já fracassei muito, e aprendi que não desanimar é uma das grandes habilidades humanas. Pois o desânimo nos faz estacionarmos, largarmos tudo o que poderia ter dado algum fruto caso tivéssemos tido alguma persistência.

    O fracasso normalmente diz respeito a um momento, e pode servir ou como fortificante, dando-nos assim a resiliência. Ou como um ponto de reflexão. Porque as vezes não vemos nossos planos de forma ampla, e nos enganamos, e o fracasso nos traz justamente este momento de reflexão e aprendizado. Desanimar é colocar em risco algo que pode frutificar, e acontecer em um período certo. Ou mesmo, com os ajustes necessários.

    A habilidade de desanimar está intrinsecamente ligada a o quanto deixamos nossos erros nos abater, e esta é a questão. Por isso, fique triste, quando você tiver um insucesso, você pode até lamentar, fique tranquilo. Mas não se entregue. Pense em um novo começo e tente enxergar outras possibilidades, ou mesmo melhores ajustes para os seus planos e metas.

    As vezes você não percebeu os outros caminhos e possibilidades, você viu apenas uma coisa, e ficou só naquilo. Amplie o seu conhecimento no assunto, e conheça todas as variantes, ao planejar seu empreendimento.

    Outra atitude importante é ser honesto consigo mesmo, verifique se o fracasso não veio por conta de possíveis erros. Liste todos os erros e possibilidades de melhoras, procurando aperfeiçoar ainda mais o seu projeto. Muitas vezes o fracasso reflete só os pontos que precisamos alinhar.

    A habilidade de não desanimar está intrinsecamente ligada à como lidamos com o fracasso. O erro e as dificuldades são ambivalentes, podem servir tanto como ânimo, quanto como desânimo. Servem como momentos de aprendizado ou de frustração. O que vai definir a questão é como você se posiciona.

    Por isso não desista e use o fracasso como um aprendizado para que você consiga recomeçar de forma mais assertiva.

  • OLHAR SELETIVO

    Nossos olhos muitas vezes nos enganam, nem sempre vemos as coisas como elas realmente são. Mesmo tendo muita inteligência, muitas vezes acabamos por ver os acontecimentos munidos apenas de nossas razões. É indissociável, nos separar de nossos pontos de vistas, conhecimentos e motivações, e isso nem sempre é bom.

    Olhar o mundo, avaliar os acontecimentos é sempre dúbio, é quase sempre uma via de mão dupla. Nós vamos em alguns momentos depender das nossas percepções e de como enxergamos o mundo. Tudo e qualquer coisa sempre passa pelo nosso crivo e por nossas opiniões. Nem sempre temos um julgamento confiável.

    Poderíamos dizer que temos uma infalível percepção distorcida, somos mestres em perceber o que bem queremos, e opinar sem ao menos nos colocarmos no lugar da pessoa. E em alguns casos, sem pesquisar e nos aprofundar no assunto. Cremos saber a todo o momento, e temos orgulho disso, mas somos sabotadores orgulhosos, gostamos de nos enganar, tudo para ser feliz ou para sermos aceitos.

    Conheci gênios que se viam como fracassados e atribuíam o seu insucesso ao mundo ou a fatores externos ao seu controle. Buscavam uma oportunidade, mas não conseguiam, pois não se dirigiam a ela. Em contrapartida, durante a minha vida, conheci muitos motivados, que ao assumir o controle, buscavam suas oportunidades, estudavam e praticavam, a fim de chegarem em algum lugar.

    Temos na maioria das vezes, um olhar seletivo. Percebemos apenas o que queremos ver, prestamos atenção apenas no que nos importa, e deixamos passar despercebido as coisas relevantes, momentos e aprendizados fundamentais para crescermos e nos desenvolvermos. Mas que não vemos, por conta do nosso olhar seletivo. Quem enxerga apenas o que quer ver, não vê tudo e deixa passar muita coisa.

    É preciso aprender a ver, refletir a perceber as contradições. Não dá para se contentar apenas com o que queremos. É importante ir além, tentar e buscar o conhecimento e ver muito mais do que o nosso mundo comporta.

    No final, o universo que criamos é o que define o nosso olhar, para vermos além, temos que nos posicionar de forma diferente, procurando ver muito mais do que acreditamos, transpondo o mundo que construímos e que delimita o que pensamos.

    A dica é ver, sem julgar, procurar entender, sem delimitar, entendendo que cada ser humano é um universo, com suas crenças, credos e anseios. Não resista as opiniões contrárias à sua. Procure entender, sem se armar, mesmo que aquilo vá de encontro ao que você acredita. Ao conhecer, você adentra em outro mundo, e por mais que você possa não acreditar, o simples conhecer, faz com que o seu olhar seja cada vez mais ampliado.

  • CABEÇA VAZIA

    Cresci ouvindo que “cabeça vazia é oficina do diabo”, passei a minha infância inteira, seja em casa, no colégio ou igreja, ouvindo tal máxima. Quando eu era novo o ócio era visto como um veneno por muitos, inteligente mesmo era quem sempre estava a fazer algo.

    Hoje eu discordo muito desta frase, quem escreve, compõe ou quem é um bom profissional sabe o quão importante é o ócio criativo, para quem não conhece o termo o site significados dá uma boa definição:

    “Ócio criativo, que foi o título de uma monografia de um cientista italiano chamado Domenico De Masi, que revolucionou o conceito de trabalho, dizendo que as pessoas devem incluir no seu dia-a-dia um momento que tenham atividades para descansar, momentos de lazer, e conciliar isso com o trabalho e a aprendizagem” (Significados).

    Temos que parar às vezes, descansar a cabeça, aprender a admirar o belo para nos recompor, a vida não é só trabalho. É claro, não podemos confundir o ócio criativo com preguiça, são duas coisas bem distintas, mas o ócio criativo é importante para não ficarmos loucos nesta sociedade que não para nunca. Porém, existe um tipo de “cabeça vazia” que é sim oficina do diabo, e é a cabeça de quem não estuda a Bíblia.

    A história nos mostra o quanto muitos foram feitos massa de manobra por não terem informação, a quantidade de fiéis sem conhecimento que pastores manipulam e roubam em nome de estabelecer suas vontades é enorme. O conhecimento é uma das peças principais de quem quer ser cristão sem ter a cabeça vazia e muito menos ser manipulado:

    “O cristianismo põe bastante ênfase na importância do conhecimento, repreende o Anti-intelectualismo por ser uma atitude negativa e paralisante e atribui muitos de nossos problemas à nossa ignorância. Sempre que o coração está cheio e a cabeça vazia, surge um fanatismo perigoso” (STOTT, 2004, p. 69).

    O interessante é que o sinônimo de fanatismo, segundo o dicionário dicio, é cegueira, e isso já explica muita coisa. Penso que muita coisa começa com a falta de informação. Conhecer é peça chave da vida cristã, que aliado à busca, ao relacionamento diário com Deus, constitui a essência do cristianismo. Jesus disse, em Mateus 22:29, depois de fugir de duas perguntas perigosas que eram ciladas armadas para pegá-lo:

    “Vocês estão enganados porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus!

    É básico conhecer as escrituras, se não a conhecemos com certeza erraremos em muitas coisas e seremos manipulados pelos lobos que espreitam a igreja.

    Por isso estude, leia e se informe, conheça a palavra e busque a Deus. Cabeça vazia é oficina do diabo, cabeça sem conhecimento é um ambiente propício para a falta de amor e fanatismo.

    Quem estuda a palavra e busca a Deus, tem no mínimo humildade, um cristão ignorante que acusa os outros sem qualquer fundamento, certamente não conhece a Bíblia.

    BIBLIOGRAFIA

    STOTT, John, Firmados na Fé, Editora Encontro, Curitiba, 2004.

    https://www.significados.com.br/ocio/

    https://www.dicio.com.br/fanatismo/

  • O IMPERFEITO PERFECCIONISMO

    “O perfeccionismo torna a pessoa cruel e desumana. Porque, por causa dos seus ideais, o perfeccionista não deve tolerar a fraqueza e a imperfeição. Assim, ele procura impor seus ideais com obstinação e brutalidade” (GRÜN, 2016, p. 52).

    Conheci um excelente músico que estava se preparando para gravar o seu primeiro álbum. Ele gastava horas e horas em cima das composições e melodias, para que a sua obra saísse próxima da perfeição. Coisa que acabou nunca acontecendo, ele nunca lançou o CD, pois estava esperando as músicas ficarem perfeitas, ou seja, nunca ficariam prontas.

    O perfeccionismo é o princípio mais perigoso que alguém pode seguir, seja para a espiritualidade cristã, para o trabalho ou mesmo os hobbies. Pois ser perfeito é impossível, é um padrão inatingível. O perfeccionismo nos paralisa, e acaba sendo o modo mais incoerente de se viver. O perfeccionista segue em direção a uma meta que nunca vai ser alcançada, terminando por estagnar, esperando chegar em um padrão inalcançável.

    Quem segue o perfeccionismo é um impositor, que segue padrões absurdos e exige que todos também sigam. Na igreja, ele é aquele que tenta ser o mais santo, o que mais ora, o que mais lê a Bíblia e acaba exigindo que todos também sejam assim.

    Em outras áreas, o perfeccionista é aquele que mergulha em algo, e como um tolo, não descansa até que aquela determinada atividade esteja em seu padrão, a questão é que na maioria dos casos, este padrão nunca vai chegar.

    Não estou falando daqueles que procuram fazer o seu trabalho bem feito, e muito menos daqueles cristãos que tentam ter uma vida cristã centrada na palavra. Que estão sempre tentando ser melhores, orando mais ou estudando mais a Bíblia. E sim, daqueles que possuem um padrão exagerado, e exigem de si e de todos o máximo para que cheguem neste patamar impossível.

    É preciso aprender a conviver com as imperfeições, assumir nossos defeitos e limitações, e depois, propor alvos mais palpáveis, sem exageros e idealizações. Ter o pé no chão é o melhor caminho para avançar, sem cultivar neuroses e doenças psíquicas.

    Fui fã de um músico que não era dos melhores, ele tocava bem bateria, mas não era o mais rápido nem o mais técnico, contudo, ela tinha algo que me impressionava, suas linhas de bateria eram bem criativas. Ele me inspirou a ser criativo, enquanto eu buscava vencer minhas limitações técnicas, que eram muitas na época.

    Quem foge do perfeccionismo, e cultiva objetivos equilibrados, metas e padrões coerentes, consegue empreender e conseguir, aos poucos, a melhoria e a evolução. É preciso ter os pés no chão e um dado momento aceitar que aquilo é o melhor que você pode fazer. Nem sempre dá para esperar chegarmos em um certo patamar. As vezes é melhor fazer o simples e bem feito, do que esperar para executar as coisas no modo mais perfeito.

    Buscar o aperfeiçoamento e entender que a evolução é diária, é o caminho daqueles que são realistas e que estão com os dois pés no chão. É preciso ser honesto e saber ser prático, unindo a capacidade que você tem hoje com um pouquinho de engenhosidade.

    Esta é a fórmula de quem faz, com as ferramentas e capacidades que possui no momento.

    BIBLIOGRAFIA

    GRÜN, Anselm, Ser uma pessoa inteira, Editora Vozes, Petrópolis, 2016.

  • JORNADA CRISTÃ 13: UM GIGANTE DA FÉ

    Eu creio que todo o cristão deveria ler alguns importantes clássicos, autores que foram fundamentais para a fé cristã, sendo que Agostinho é o principal de todos, um verdadeiro Gigante da Fé.

    Nascido em Tagaste, no norte da África, berço de mais três grandes homens, “Tertuliano, Cipriano e Atanásio”, Agostinho foi um pensador acima da média, mostrando a importância de buscarmos uma compreensão da fé. Autor profícuo, escreveu muitas obras, com uma variedade grande de temas (FERREIRA, 2007, p. 16, 36).

    Sua principal e mais conhecida obra se chama “Confissões”, um livro autobiográfico, que tem como propósito falar de sua vida, antes e depois da conversão, além de abordar alguns temas, como por exemplo, a sua visão de Deus. Gosto de como Agostinho descreve Deus, além de belo, considero um interessante resumo de como Deus é:

    “Quem sois portanto Deus? Que sois vós, pergunto, senão o senhor Deus? E que outro há além do senhor, ou que outro Deus além do nosso Deus? Ó Deus tão alto, tão excelente, tão poderoso, tão onipotente, tão misericordioso e tão justo, tão oculto e tão presente, tão formoso e tão forte, estável e incompreensível, imutável e tudo mudando, nunca novo e nunca antigo, inovando tudo, cavando a ruína dos soberbos, sem que eles o advirtam; sempre em ação e sempre em repouso; granjeando sem precisão; conduzindo, enchendo e protegendo, criando, nutrindo e aperfeiçoando, buscando, ainda que nada Vos falte” (AGOSTINHO, 2004, p. 39, 40)

    Na obra o autor também trata temas como “O problema do mal”, “A eternidade de Deus” e muitos assuntos fundamentais para a fé cristã. É claro que, alguns temas são intrínsecos, difíceis de digerir, mas vale a leitura.

    Os dois principais livros de Agostinho são justamente “Confissões” e “Cidade de Deus”, mas o autor possui muito mais abras como: “O livre-arbítrio”, “A graça”, “A natureza do bem”, entre tantos títulos. Contudo, o livro “Confissões” é ideal para dar os primeiros passos na obra do autor. Pois além de ser um clássico, ele discorre sobre vários temas importantes para a fé, como eu pontuei.

    Eu li Confissões depois de um bom tempo de estudo e leitura, não é a toa que eu não indiquei a obra em meus primeiros textos, contudo, o livro não é dos mais difíceis, digamos que o nível de dificuldade é médio. Depois de um tempo, e após ter tido contato com literatura mais densa, um livro como este, torna-se uma leitura tranquila.

    Reforço o que eu disse em outros textos, é importante ter contato com uma literatura mais densa. E por mais que seja difícil, requer disciplina e persistência na leitura e no estudo, é importante ter contato. É realmente gratificante ler obras mais complexas. Faz você ampliar o seu horizonte de leitura, te tira do comum, e te dá mais repertório.

    Um livro muito recomendado, literatura fundamental para quem quer ampliar o seu olhar cristão. Para crescermos, precisamos nos apoiar em gigantes e Agostinho foi um deles.

    BIBLIOGRAFIA

    Ferreira, Franklin, Agostinho de A a Z, Vida Acadêmica, São Paulo, 2007.

    AGOSTINHO, Santo, Confissões, Editora Nova Cultural, São Paulo, 2004.

  • A ODISSEIA DA DOR X: VISÃO ESTREITA

    “A dor estreita a visão. Sendo a mais pessoal das sensações, ela nos força a pensar quase que exclusivamente em nós mesmos(YANCEY, 2004, p. 252).

    Já reparou como o nosso problema é sempre o mais difícil? Já percebeu o quanto quantificamos os nossos sofrimentos e diminuímos os problemas dos outros? Isso quando não fazemos o oposto, nos comparamos com os outros e agradecemos a Deus por não estarmos naquela situação, em uma espécie de reflexão comparativa, onde o outro é um padrão para a minha vida.  

    Como a epígrafe otimamente diz, a dor estreita a visão. A dor nos faz focar apenas em nós e em nossos problemas, nos obrigando a fechar os olhos para todos em volta, como se fossemos únicos, superiores, os mais necessitados.

    Não é fácil sofrer, mas entre os meus dias de dificuldades, eu tinha a impressão de que não enxergava mais nada. Era só eu, meu sofrimento e as minhas dificuldades.

    Lembre-se que a dor é única, cada um sente da sua forma, é impossível igualar a nossa dor com a do outro. O que é impossível e difícil para você, pode ser tranquilo para o outro e vice-versa. Por isso que ante o caos, temos que ter uma visão ampliada, não podemos nos deixar levar pela cegueira que o caos traz. 

    A história de José, descrita em Gênesis, é uma prova da importância de termos um olhar ampliado diante dos problemas. Sendo o filho preferido de Jacó (Gênesis 37:3), José foi alvo da inveja dos irmãos (Gênesis 37:4) e sendo maltratado por eles. Não devia ser fácil nem para José, que não tinha culpa por seu pai tratá-lo de forma diferente, muito menos tinha culpa da inveja dos irmãos. Não dá para cobrar uma atitude assertiva de um adolescente, nem acreditar que ele deveria ter uma visão ampliada da vida. O pai o mimava, já que era o filho preferido, e os irmãos não gostavam disso, uma situação complicada por si só. 

    O ódio dos irmãos aumentou quando ele teve alguns sonhos, além de ser bem tratado pelo pai, todos iriam se curvar perante ele. Aquilo foi a gota d’água, José deveria morrer, mas no final, ele foi vendido como escravo pelos irmãos (Gênesis 37:28). De filho preferido e sonhador, José virou escravo. Sua realidade havia mudado da noite para o dia.

    Como escravo, ele foi trabalhar na casa de Potifar, que era um oficial da guarda do palácio (Gênesis 39:01). Lá José acabou ganhando a simpatia de Potifar, e terminou tendo uma posição de destaque. Contudo, como acontece a toda a posição de destaque, ele foi alvo da mulher do oficial (Gênesis 39:7), mas José se recusou a se deitar com ela, e depois disso foi acusado de estupro (Gênesis 39:14-20), e foi preso por isso.

    Na cadeia, preso de forma injusta, ao invés de reclamar, ele se destacou, conquistou a amizade do carcereiro e acabou virando uma espécie de encarregado dos presos (Gênesis 39:22-23). E lá, enquanto trabalhava, ele interpretou dois sonhos que acabaram acontecendo. Sendo que depois de interpretar, o único pedido que ele fez ao copeiro do rei foi que, quando tivesse seu cargo restituído, lembrasse dele. E ele se lembrou, dois anos depois (Gênesis 40:1-23). Imagine você ajudando alguém e esta pessoa esquecer de você, lembrando apenas dois anos depois, meio que por acidente?

    José é um personagem que eu admiro muito, pois, apesar de todos os percalços, parece-me que ele soube lidar com todo o sofrimento. Nos diversos lugares que esteve presente, ele conseguiu transitar e se destacar. Soube olhar adiante, e principalmente, aprendeu a confiar em Deus.

    É interessante ler as diversas passagens que diz basicamente a mesma coisa: “O senhor Deus estava com José” (Gênesis 39:2; 39:21; 39:23). Esta era a única certeza de José, ele confiava em Deus, e sabia que no final, apesar de todos os problemas, Deus estava com ele. 

    José tinha 17 anos quando todo o caos começou a acontecer (Gênesis 37:2), e tinha 30, quando finalmente virou governador de todo o Egito, conforme o seu próprio sonho (Gênesis 41:46). Foram praticamente 13 anos de sofrimento e percalços, mas José confiava em Deus e sabia olhar em volta. Charles R. Swindoll complementa:

    “Por que, então, José foi tão importante? Ele foi importante por causa da sua fé em Deus, que se manifestou em uma atitude magnânima em relação a outros e da sua atitude magnífica diante das dificuldades. Uma fé sólida leva a uma boa atitude” (2000, p. 175-176). 

    Quando temos fé em Deus, passamos por qualquer adversidade. É preciso, durante o sofrimento, aprendermos a não enxergar apenas nós, e a nossa situação. É importante termos uma visão ampliada, entendendo que podemos não estar compreendendo todo o sofrimento, mas que também nós não estamos sozinhos, isso é confiar em Deus.

    Crer em Deus, não é só motivo de esperança, mas também é a ferramenta que faz com que olhemos em volta, que compreendamos que não somos os únicos a sofrer. A dor, estreita a nossa visão, mas a confiança em Deus, nos faz vermos além do que estamos passando.

    O modo como olhamos para as diversas situações da vida, determina a nossa atitude, a nossa paz e como vamos lidar com os percalços. Quando ajustamos a nossa lente, agimos de forma mais assertiva e menos egoísta.

    Não é fácil passar por momentos de dor, é claro que não é, contudo, a nossa atitude, vai definir o teor da dor. Às vezes aumentamos ainda mais o sofrimento, por não querermos aceitar a situação, ou mesmo por ficarmos remoendo tudo sem parar.

    É preciso aprender a aceitar, e seguir em frente. Não é se entregar para a situação, e sim, aceitar e caminhar, buscando novos motivos, novas formas e novas saídas, confiando sempre no fato que “Deus está conosco”. 

    BIBLIOGRAFIA

    YANCEY, Philip. Decepcionado com Deus: Três perguntas que ninguém ousa fazer. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2004.

    SWINDOLL, Charles, R. José: Um homem íntegro e indulgente. São Paulo:  Editora Mundo Cristão, 2000. 

  • CRISTIANISMO SOLITÁRIO

    “Deus criou a vida humana de forma que dependêssemos uns dos outros para sermos o que ele quer. Precisamos de ajuda do outro para aprender a amar a Deus. Também precisamos da ajuda do outro para aprender a amar o próximo. O cristianismo do cavaleiro solitário é uma contradição” (FOSTER, 2008, p. 213).

    Eu tive a grande alegria de congregar em igrejas no qual fui útil, e também onde eu aprendi, cresci e amadureci como cristão. Sou grato a Deus por todos os pastores que me ajudaram e me ensinaram. Embora que em algumas destas ótimas igrejas, eu também tenha tido muitas decepções. É normal nos decepcionarmos, e geralmente isso acontece, por justamente gostarmos muito do lugar. É quando gostamos do ambiente, da pessoa ou do convívio, que nos ferimos mais. São justamente estas pessoas que nos atingem.

    É totalmente compreensível, após uma decepção, querermos nos fechar, pararmos de irmos à igreja, e seguirmos nossa fé em carreira solo. Esta é a primeira atitude de quem se decepciona, normal. Sendo que este fenômeno dos “sem igreja”, tem crescido cada vez mais, justamente por conta das decepções com pastores, igrejas e líderes.

    O grande problema do cristianismo solitário é que ele não existe. Veja bem, não é possível amar, vivendo uma vida solitária. O amor, conforme a Bíblia nos ensina, é fruto do convívio, da comunhão, da convivência. Para que possamos amar e desenvolver o amor ao próximo, eu preciso estar com as pessoas, com os nossos irmãos.

    Deus nos criou para sermos um corpo, é o que Paulo fala lá em 1 Coríntios 12, quando ele fala sobre os dons na igreja. A vida cristã é uma vida comunitária, de ajuda mútua e apoio, não existe cristianismo solitário. E acaba sendo contraditório, visto que não é possível exercer o amor sozinho. Mas eu compreendo a dor de quem já passou por este tipo de decepção e não quer mais estar em uma comunidade.

    Creio que o grande problema de quem passa por decepções, é justamente generalizar. Por termos nos decepcionado, generalizamos e acreditamos que todas as igrejas, pastores e líderes serão iguais. A generalização é um problema, pois impede você de ver as pessoas. De perceber como há pastores idôneos, e verdadeiros servos. Lidar com a decepção e impedir que ela contamine a sua visão é uma atitude fundamental, para que assim, você não se feche para as pessoas.

    Um outro grande problema é acreditarmos que tudo deve ser da nossa maneira, e isso é um erro, dos mais graves. É possível discordarmos das coisas, mas continuarmos servindo a comunidade. Pois acima de tudo, a igreja existe para servir a Deus e não a nós. É claro que é fundamental estarmos em uma comunidade que possui um trabalho no qual você se identifica. E é legal também estarmos onde o nosso dom pode ser útil, mas precisamos tomar cuidado para não acharmos que tudo deve ser no nosso jeito.

    A vida cristã é vivida em comunidade, em total apoio mútuo e serviço mútuo. É quando estamos juntos que aprendemos a amar, que crescemos e servimos. Isso é vida cristã. 1 João 3: 11 diz que devemos amar uns aos outros. A questão é que, para que isso seja possível, eu não posso estar isolado.

    BIBLIOGRAFIA

    FOSTER, Richard, A liberdade da simplicidade: encontrando harmonia num mundo complexo, Editora Vida, São Paulo, 2008.