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FALSA POSITIVIDADE
O ponto complicado das redes sociais é que lá, todo mundo é feliz. Todos tiram férias em locais paradisíacos, realizam inúmeras conquistas e seguem com suas vidas perfeitas. Não é que eu considero errado compartilhar nossos momentos nas redes sociais, as vezes nossas realizações incentivam outras pessoas, e sim que nem sempre o que vemos traduz a verdade. Muitos usam estes momentos para mostrar quem não são.
Infelizmente a vida não é feita só de alegrias, na maioria das vezes, por trás de uma conquista, existe muito esforço, suor e lágrimas. Vou dar alguns exemplos do que eu quero dizer.
Eu sou músico, gosto muito de tocar bateria, mas para tocar, precisei gastar muitas horas praticando e estudando, até chegar no nível de conseguir montar a minha banda. Quando eu finalmente tive banda, não foi fácil começar, investir para gravar as primeiras demos, EPs e CDs, além de ter que aprender a gravar em um estúdio profissional. E depois que conseguimos um certo reconhecimento, não foi tão simples ter que viajar, carregar equipamento, e precisar lidar com o fato de ter que trabalhar para me sustentar, já que a banda não me trazia sustento. Por trás de todas as fotos de shows, tinha muito empenho e dedicação, que nem sempre era percebido.
A mesma coisa foi quando eu comecei a fazer a minha graduação e também a minha pós-graduação. Foram dias e muitas horas de empenho, a fim de cumprir um cronograma, e conseguir me dedicar aos estudos. Eu estudava muito, e dormia pouco, além de pedalar para pagar as mensalidades. Eu gosto muito de estudar, mas nem sempre é fácil, ainda mais quando temos que trabalhar e estudar.
Quem vive de aparência, infelizmente, vive uma vida que não é sua. Quer ser como os outros, mas não quer pagar o mesmo preço que estas pessoas pagaram.
Um dia um colega de trabalho me falou que nunca havia tido a oportunidade de estudar, quando terminou o segundo grau, foi obrigado a arranjar qualquer trabalho como auxiliar, por não ter profissão alguma. Depois de ouvi-lo eu respondi que ainda era tempo. Pois a prefeitura de nossa cidade ofertava cursos técnicos em várias áreas, e de forma gratuita, em horários bem flexíveis. Mas ele não quis, pois não estava disposto a estudar por 2 anos para ter um diploma. No final, a sua frase era muito mais uma desculpa para justificar a sua falta de vontade e não uma real falta de oportunidade, que é o caso de muitos.
Nem sempre nossos dias são de alegria, a realidade quase sempre não é tão glamurosa e colorida. Para quem se dedica em algo, existem muitos dias tristes e de renúncia. Não é fácil deixar de sair, ou muitas vezes gastar menos, apenas por conta dos estudos ou do projeto que queremos empreender, mas assim é a vida, ou você se dedica, ou fica no lugar. Muitos querem ter a vida da pessoa que conseguiu, contudo, poucos querem passar pelos mesmos desafios. É mais fácil viver uma vida falsa, do que ter que muitas vezes renunciar, para conseguir enfim alcançar os objetivos.
Viver é escolher e escolher envolve abrir mão de algumas coisas para ter outras, é o velho dilema que muitos não entendem.
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SEJA MAIS PRODUTIVO
Alguns assuntos são bem complicados, principalmente porque são importantes, mas que, por conta da forma como é tratado por muitos em treinamentos e palestras motivacionais, acabam se tornando irrelevantes. E o tema produtividade é um deles.
A produtividade é um tema injustiçado, pois muitos a tratam como um fim, como se o homem tivesse que produzir para ser alguém. Com isso, muitos gastam uma boa parte do seu tempo tentando produzir, e esquecem do hoje, da sua vida, de viver seus dias, como se as suas vidas fossem definidas por trabalhar ou fazer. Em contrapartida, a vida não é só ócio, só descanso e só desfrute. É importante fazermos, produzirmos ou nos aperfeiçoarmos. Seja para o nosso trabalho, hobby ou mesmo ministério na igreja.
O homem tende a parar, cair no marasmo, e isso é o mais comum do que imaginamos. Com isso, ele se esquece de constantemente praticar ou se aperfeiçoar. Ou mesmo de dar o melhor de si no trabalho, igreja ou família.
Viver uma vida produtiva para um pastor, é estar constantemente estudando, escrevendo e se aprofundando na palavra, isso trará um impacto em seu ministério. Para um músico, ser produtivo é se aperfeiçoar, compor boas músicas e estar sempre treinando. Para um professor ou qualquer outro profissional, não é diferente. Como o homem tente sempre seguir pelo mais fácil, ele tem a tendência de estagnar e cair na famosa zona de estagnação.
A zona de estagnação, ao contrário do que o senso comum prega, não é um lugar bom, não é um momento confortável, de alegria e desfrute. É um platô onde você fica satisfeito, e deixa de praticar, sendo que no final, o destino é decair. Seja como profissional, músico, teólogo ou qualquer outra área. Em um mundo dinâmico, estagnar é cair.
Foi para crescer e aprender ainda mais, que eu estudei, fiz uma graduação e depois mais algumas especializações. Não foi fácil, tinha que investir dinheiro, tempo e muito esforço. Mas foi ótimo, pois o que eu colhi por ter feito isso, foi muito mais do que se eu tivesse ficado apenas em casa, sem estudar, assistindo séries. Hoje eu sou professor, escritor e é claro, um eterno aprendiz.
Descobri como é poderoso manter uma rotina de produtividade. Como é fundamental estar sempre saindo da zona de estagnação. Quem para, enferruja, perde a mão, e perde toda a antiga prática. Quem é músico ou mesmo atleta, sabe bem disso. Se não nos exercitarmos constantemente, perdemos a prática. Por isso que, se manter produtivo é se manter ativo e sempre na frente. Tim Challies, complementa:
“Produtividade não é o que dará um propósito à sua vida, mas é o que permitirá que você se sobressaia ao viver seu propósito atual” (CHALLIES, 2018, p. 12).
Quando paramos, enferrujamos, e quem vai perder com isso é o nosso ministério, ou mesmo carreira profissional. Buscar novos desafios e manter uma vida produtiva, é um hábito fundamental, se queremos nos manter ativos e crescendo constantemente.
Por isso que, quando você ver um ótimo músico atuando, ou mesmo um bom atleta ou pregador, se lembre de que por trás dele tem muito empenho, estudo e com certeza, muita produtividade.
Mantenha-se ativo, defina uma rotina diária para si, busque um tempo para ler, praticar algo, cumprir tarefas e manter o seu dia produtivo. É possível, com equilíbrio, definirmos momentos de ócio e momentos de atividade, nos mantendo ativos, mas sem transformar a produtividade em um fardo que consumirá todas as nossas forças.
BIBLIOGRAFIA
CHALLIES, Tim, Faça mais e melhor: um guia prático para a produtividade, Editora Fiel, São Paulo, 2018.
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JORNADA CRISTÃ 12: FILOSOFIA
Foi durante o bacharelado em teologia que tive o primeiro contato com a filosofia, com todos os pensadores que colaboraram com o conhecimento e seus conceitos filosóficos. Conhecer a filosofia foi um fator determinante para me desenvolver como teólogo.
Nesse ínterim, fui em busca de livros com o propósito de mergulhar ainda mais no assunto, e apesar de algumas tentativas frustradas, afinal, alguns autores são realmente desafiadores, o primeiro filósofo que me ajudou a ter um pouco mais de contato com a filosofia foi Luiz Felipe Pondé e o seu livro “Guia politicamente incorreto da filosofia” a obra me fez ter uma ideia mais acurada sobre o tamanho do universo no qual eu desejava mergulhar.
Gosto da forma ácida que Pondé escreve, ao mesmo tempo que transita por vários temas, sendo este um dos pontos que me chamou mais atenção no autor. Ele conseguia dialogar tanto sobre religião, política até a própria filosofia, entre tantos assuntos, sempre com um olhar filosófico.
A filosofia me incentivou a fazer uma especialização, após formado, por perceber o quão importante a filosofia pode ser para a nossa vida, ministério ou teologia. Pondé no livro “Filosofia para corajosos” acrescenta pontuando que:
“De certa forma, a filosofia só existe na gratidão para com o pensamento dos outros e na generosidade em doar o seu pensamento para os outros” (PONDÉ, 2016, p. 19).
Conhecer as várias formas de pensar, os clássicos e as inúmeras obras que podemos lançar mão em nome de nosso conhecimento e crescimento pessoal, é fundamental para que a nossa vida e ministério frutifiquem. E por mais que você tenha o costume de não ler autores que não sejam cristãos, e eu respeito isso, apensar de não concordar. É grande o número de filósofos cristãos, que você pode ter contato para aprender.
No meio acadêmico, este autor não é levado tão a sério, talvez por ser famoso ou por escrever para leigos. A questão é que até hoje eu acompanho as obras do autor, e apesar de não concordar com tudo o que ele escreve, normal isso é muito saudável, foi com seus livros que consegui dar os primeiros passos na filosofia.
Não é tão fácil estudar filosofia, mas é importante, seja para pastores ou teólogos. As ferramentas que a filosofia nos dá, podem nos auxiliar muito em nossa caminhada teológica.
BIBLIOGRAFIA
PONDÉ, Luiz. Felipe, Filosofia para corajosos: pense com a própria cabeça, Editora Planeta, São Paulo, 2016.
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OS 10 MELHORES LIVROS QUE EU LI EM 2020
Já tinha virado uma espécie de tradição escrever as listas “Os dez livros que todos os cristãos deveriam ler”. Eu escrevi várias delas, propondo justamente, sugerir alguns ótimos materiais para leitura. A questão é que ano passado, por conta de inúmeras mudanças, seja da rotina de trabalho, casa e muitos outros motivos, acabei não escrevendo. E neste ano, retomei a lista, mas com outro foco. Eu não vou mais falar apenas de bons livros, mas dos livros que eu realmente gostei de ler, que viraram os meus preferidos. É por conta disso que eu não me prendi em uma quantidade de livros, e sim, em listar todos que eu gostei. Apesar da lista coincidentemente ter terminado em 10 livros.
Veja bem, eu leio muito, em média 70 a 90 livros por ano, sendo que muitos livros eu apenas leio, outros eu estudo. De todos estes livros, alguns eu gosto, acho legal. Outros, apensar de serem leituras pesadas, eu considero importantes para o meu aprendizado e crescimento. E somente poucos são os preferidos, os que de alguma forma, superaram as expectativas ao meu ver.
Ser uma pessoa inteira, Anselm Grün
Uma pessoa madura e equilibrada, não é apenas alguém que vai viver bem consigo e também com os outros. E sim, é uma pessoa que será diferença na vida de muitos. A pessoa equilibrada atinge também quem está em volta.
Neste livro, o autor tem como prioridade, falar de uma espiritualidade equilibrada. Ele nos mostra ações fundamentais para alguém que quer viver uma vida realmente centrada na palavra de Deus. Algumas atitudes e ferramentas, são essenciais para todos os que desejam o equilíbrio e é justamente disso que o livro fala.
A Bíblia que Jesus lia, Philip Yancey
Alguns textos bíblicos são complicados, principalmente aqueles que falam de mortes, e vinganças, nos famosos Salmos Imprecatórios. Demorei para entender tais textos, e apesar de saber as explicações teológicas, e bem fundamentadas para tais passagens, eu só me senti realmente satisfeito, quando eu li este livro, de Philip Yancey.
Nesta obra, o autor mostra sua antiga dificuldade com tais textos e explica de forma realmente relevante, o motivo para estes Salmos estarem na Bíblia. Eu nunca havia pensado pelo viés do autor. Vale a pena ler e meditar em cima do que ele escreveu. Hoje eu creio que faz todo o sentido tais textos estarem na Bíblia. É legal ler tais passagens e enxergar um propósito nestes excertos.
Inteligência espiritual, Lee Strobel
Levar a palavra de Deus é a missão de todo o cristão. O ide é estendido a todo aquele que serve a Deus, a questão é que alguns são evangelistas, e outros não, contudo, devemos ser exemplos, e estar levando a palavra a todos, seja de forma direta ou indireta.
Neste livro, Lee Strobel, propõe falar sobre evangelismo, principalmente de pessoas que resistem ao evangelho. Contudo, o livro não é um manual teórico, ele é muito prático e dinâmico, propondo algumas ferramentas e estratégias para levar a palavra a todas as pessoas. Gosto do capítulo no qual ele fala de como entender uma pessoa que não costuma frequentar a igreja. Ele usa o seu próprio exemplo para falar como as vezes, o próprio ambiente eclesiástico, colabora para distanciar estas pessoas do Evangelho.
Faça mais e melhor, Tim Challies
Hoje em dia o tema produtividade não está sendo bem visto, alguns transformaram a produtividade, em algo pesado e sem sentido.
É importante termos disciplina, seja para sermos bons estudantes, profissionais ou mesmo em um hobby. Uma pessoa com disciplina, consegue progredir e se aperfeiçoar ainda mais, e este é um dos propósitos deste livro.
Um pastor que tem a disciplina para ler e estudar, faz com que a sua igreja cresça. Um músico ou um líder que está sempre estudando, produz muito frutos. É justamente disso que o livro fala, como fazer mais e melhor, sempre com uma ótima dose de coerência e equilíbrio. O livro é um dos meus preferidos, vale a pena ler.
Uma confissão, Liev Tolstói
Considero este livro uma verdadeira obra de arte. No livro, Tolstói abre o coração, e discorre sobre a sua crise de fé. A sua intenção é buscar respostas e questionamentos para vários pontos que o incomodava.
O livro é sincero, no texto o autor abre o seu coração e mostra como todos têm as suas dúvidas e os seus momentos de dificuldade, vale a pena ler.
A depressão de Spurgeon, Zack Eswine
Nunca é fácil falar de depressão, o assunto é complicado por depender de inúmeras variantes, contudo, este autor conseguiu abordar o tema de uma forma coesa e equilibrada. Fugindo daqueles clichês cristãos, quando o assunto depressão surge.
Zack, neste livro, fala de um dos maiores pregadores que já existiu, discorrendo sobre o seu problema com a depressão, como ele lidava e abordava o assunto na igreja que pastoreava e também, esclarecendo vários pontos importantes desta doença. Leitura fundamental para todo o cristão, principalmente porque o tema é complicado e em alguns casos, tratado de forma leviana.
A vida intelectual, Sertillanges
A vida intelectual e acadêmica é assunto sério, pois no meio cristão, o estudo e a pesquisa é igualmente importante. Houveram e ainda existem, aqueles que tem como prioridade estudar e ensinar, sendo que o livro fala justamente disso, de vida intelectual.
O livro é ótimo, pois fala de algumas atitudes que um intelectual, ou mesmo um acadêmico, deveria ter. Ele fala desde a importância de cuidarmos da saúde, de termos uma vida simples e equilibrada, fugindo assim de maiores preocupações. Até sobre como ser um bom intelectual. Seus conselhos são sóbrios e relevantes, vale a pena ler, principalmente se você é um professor, teólogo ou almeja a vida de estudo ensino.
Uma breve história das doutrinas cristãs, Justo González
É complicado falar de doutrinas pois, a própria palavra as vezes acaba virando sinônimo de exageros ou legalismos. O termo é usado de forma bem equivocada por muitas denominações. Contudo, doutrina, são pontos fundamentais da fé cristã, como a própria trindade, a divindade de Jesus, entre tantas doutrinas importantes.
No livro, Justo Gonzáles, tem como intuito falar das doutrinas, e como elas surgiram na igreja. É interessante ver como foi natural e unânime o uso destas doutrinas na igreja, e não surgiram, fruto de muita discussão, como alguns pregam. A leitura é tranquila, mas aprofundada, creio que é um livro fundamental para todo o cristão. Para quem quer entender como sugiram algumas bases da nossa fé, este livro é fundamental.
Paulo: uma biografia, N. T. Wright
Eu leio muito sobre Paulo e as suas cartas, por isso que foi inevitável ler esta biografia, de N. T. Wright. Confesso que eu não acreditei que leria algo novo, mas fui em busca da obra, por conhecer o autor.
É realmente interessante como o autor traça a biografia de Paulo e como ele trabalha as questões fundamentais do seu pensamento e os momentos complicados da sua vida. O livro é realmente fundamental, para quem quer além de conhecer, quer ter uma visão mais equilibrada e coerente sobre Paulo. O livro é desafiador, instigante e fundamentado na palavra.
A liberdade da simplicidade, Richard Foster
A vida simples e equilibrada, tem sido uma das minhas prioridades, a questão é que nem todos entendem o termo, e acreditam que vida simples, é uma vida de pobreza e faltas. Conclusão que não pode estar mais equivocada.
No livro em questão, Richard Foster fala sobre simplicidade, pontuando o que realmente é, seus benefícios e fundamentações bíblicas. Além de propor exercícios práticos para desenvolver este estilo de vida.
Para quem vive neste mundo consumista, aprender a viver com simplicidade é saber desfrutar das coisas de forma real, sem transformá-las em pesos e cargas, que somos obrigados a carregar, por sustentar um estilo consumista.
Estes são os livros que me conquistaram este ano, entre todos os ótimos materiais que eu li, estas obras considerei acima da média. E deixo como sugestão, para que você comece o ano com um incentivo para ler e procurar boas literaturas.
Quem lê e estuda, tem sempre algo para oferecer as pessoas. Por isso leia!
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O CAMINHO ESPIRITUAL DO AUTOCONHECIMENTO
“No monaquismo, a vereda espiritual sempre foi também um caminho de amadurecimento humano. Conhecimento próprio e conhecimento de Deus estavam estreitamente relacionados” (GRÜN, 2006, p. 12).
A tradição monástica deixou para os cristãos muitas lições e ferramentas úteis para aqueles que pretendem desenvolver uma fé coerente e sadia. A própria contemplação, a solitude e muitas outras práticas, são ótimas ferramentas, que alguns cristãos protestantes infelizmente abandonaram. Com a reforma protestante, muitas práticas foram colocadas de lado e algumas até demonizadas, como se tudo não fosse cristão e muito menos útil. E quem perdeu com isso foi a igreja, que deixou de desenvolver uma fé madura e coerente, tudo por pura falta de pesquisa e informação.
Para alguns monges, o autoconhecimento é fundamental para a espiritualidade. Saber quais são os nossos erros e paixões da alma, como eles mesmo falam, é fundamental para os cristãos que anseiam por uma intimidade com o criador. É impossível olhar para Deus, sem antes sabermos quem somos. A própria busca e necessidade, começa com o reconhecimento de nossa finitude.
Não é possível empreender a busca por conhecer a Deus, sem antes não nos conhecermos. Saber quem realmente somos é imprescindível para uma vida genuinamente calcada na palavra.
Muitas vezes nossas práticas devocionais, a falta de oração e leitura bíblica, se dão justamente por não sabermos quem somos e como deveríamos agir, para que consigamos introjetar em nossa vida estes fundamentais hábitos.
Quando pontuamos quem somos, nossos defeitos e qualidades, descobrimos o que fazer para desenvolver as disciplinas espirituais. Práticas que todos os cristãos deveriam estar fazendo.
Quem sabe quem é, entende a necessidade de buscar a Deus para ter uma vida coerente e busca dia a dia, sem desistir, ter uma vida fundamentada nestes hábitos.
Aquele que não se conhece, desconhece quem é e como lutar contra seus males.
BIBLIOGRAFIA
GRÜN, Anselm, Ser uma pessoa inteira. Editora Vozes, Rio de Janeiro, 2006.
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HOMO SAPIENS DEMENS
O Ser humano é conhecido por ter a capacidade de pensar e refletir, esta é uma das suas grandes características, pelo menos deveria ser. Afinal, creio que um dos seres vivos mais contraditórios seja o ser humano, ele é um misto de sabedoria e loucura, coerência e insanidade. Ao mesmo tempo que ele possui a capacidade de pensar, ele faz coisas sem pensar, se prende a teorias que por si só, já se mostram equivocadas, segue em seu autoengano, acreditando estar certo, mesmo que os fatos mostrem que não.
O homem vive como se não existisse amanhã, destrói a natureza como se ela não fosse importante, consome todos os recursos naturais como se fossem renováveis, e depois não entende porque as catástrofes climáticas estão acontecendo. Isso quando não afirma que é tudo manipulação da mídia, entre tantas teorias e formas estranhas de pensar.
Edgar Morin, um antropólogo, sociólogo e filósofo, propõe um rótulo curioso ao homem, ao invés de chamá-lo de Homo Sapiens, ele acredita que deveria se chamar de Homo Sapiens Demens. Afinal, em meio a genialidade humana, a sua incrível capacidade de pensar, criar e construir coisas, possuímos também uma certa loucura, uma insanidade que nos sabota e nos faz seres contraditórios (MORIN, VIVERET, 2015, p. 55).
O ser humano é dono de uma enorme capacidade, contudo, possui o poder de se autossabotar. Seja por quantificarmos nossos problemas, por não refletirmos sobre as nossas ações, ou por insistirmos em nos compararmos com outras pessoas. Como se o mundo fosse uma grande competição, ou como se ele existisse para nos servir, enquanto deitados eternamente em berços esplêndidos, bastaria aguardar, que tudo o que quiséssemos cairia em nossa frente.
É claro que o mundo é injusto, eu também concordo que nem todos nasceram com as mesmas oportunidades, eu fui um deles. Mas nem por isso deixei de lutar, de refletir e buscar formas de tentar mudar a minha realidade.
Somos seres contraditórios, um misto de loucura e sabedoria. Por mais que tenhamos a capacidade de pensar, ou a consciência de quem nós somos, e de que existimos, coisa que os animais não possuem, muitos de nós (se não a maioria) nem se conhecem, mal percebem seus defeitos e qualidades.
Em sua genialidade, o homem se sabota a todo o instante. Por mais que tenhamos inteligência, não percebemos, em muitos casos, o tamanho da nossa ignorância. Este é o ser humano, o ser que pensa que sabe pensar, mas que no final, não percebe que não está pensando.
BIBLIOGRAFIA
MORIN. Edgar, VIVERET. Patrick, Como viver em tempos de crise, Editora Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 2015.
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MAIS UM NATAL?
Com o passar dos dias, vamos percebendo que viver é priorizar as preocupações, escolhendo sempre aquelas que valem a pena, entendendo que o verdadeiro ouro, a nossa maior riqueza é o tempo que as vezes não temos. Desfrutar de um momento, do hoje, em uma época no qual vivemos sempre conectados, é o verdadeiro maná celestial. Aprender a desfrutar da vida é realmente viver.
O título não está errado, o intuito do texto é realmente lhe fazer uma pergunta: “Mais um natal?” É isso mesmo que você quer para a sua vida, viver como se fosse apenas mais um dia, no automático, sem realmente ver, desfrutar ou enxergar a vida e todos os seus detalhes?
O que a pandemia nos mostrou é que a vida é incerta. Uma verdade que não é nova, mas que sempre esquecemos. E ao esquecer, deixamos de realmente ver, desfrutar, e viver todos os segundos da nossa curta existência (pelo menos aqui nesta vida).
Mais um ano se encerra, mais um Natal se inicia, a diferença é que, mais do que nunca, você pode, daqui pra frente, ressignificar a sua vida e tentar viver seus dias de forma especial.
Não deixe que os seus minutos sejam apenas mais uns, descubra a beleza de transformar sua vida, seus segundos, em momentos realmente relevantes com quem você ama. Pois na vida, o que fica são as lembranças.
Eu perdi o meu avô bem novo, um homem que foi avô e também pai. E um dia antes dele falecer, eu tive a oportunidade de estar com ele o dia inteiro. Eu nunca mais vou esquecer daquele dia, ficou na memória. Foram horas simples, mas divertidas e muito especiais.
São os momentos que ficam, e não o carro novo, o presente caro, a festa luxuosa. Por isso, neste incerto natal, transforme o dia em uma data memorável, que deixará uma marca em você, e nas pessoas que você ama.
Sem se esquecer do principal, é claro, o Natal é um dia onde um Deus nasceu, veio aqui na terra para morrer por nós e nos dar vida, e vida com muita abundância (João 10:10). Por isso, mais uma vez, aprenda a viver, caso contrário, a vida abundante vai se tornar um castigo.
Se você tem Deus como centro da sua vida, e o equilíbrio como meta principal, já vai ser um ótimo começo. Por isso, comece o seu ano com este propósito.
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BURRICE CONVENIENTE
Em uma certa ocasião, em meu antigo trabalho, um cliente me abordou com a seguinte frase: “Posso te fazer uma pergunta? Eu quero ver se você é inteligente. A frase me intrigou, afinal, como o conceito de inteligência é amplo e em alguns momentos até vago, fiquei pensando de que ponto de partida aquele homem estava partindo para me definir como inteligente (ou não). Eu respondi, intrigado: “Você está dizendo então que se eu discordar de você, eu não sou uma pessoa inteligente?”, inteligente, segundo o seu ponto de vista, são apenas aqueles que concordam com você?
O homem ficou atônito, não havia percebido a contradição de sua frase, e com um bom diálogo, descobrimos como muitas vezes os nossos pontos de vistas são muitos simplistas.
Lembro sempre deste acontecimento quando eu vejo discussões e alguns juízos de valores proferidos na internet. Constantemente percebo muitos considerando alguns burros, apenas porque estes possuem uma opinião diferente da sua. É uma burrice conveniente, que classifica de modo simplista, aqueles que não gostamos, e exalta aqueles no qual nós concordamos. Classificando como inteligente apenas aqueles que nós aceitamos a opinião.
Com isso, quem não tem a mesma opção política que eu, não é inteligente, quem não segue a mesma religião, é alienado. A pessoa que possui determinados pontos de vista, com certeza é um néscio e por aí vai. É fácil avaliar os outros usando apenas os nossos pontos de partida.
O erro é usarmos nós como parâmetro, é definirmos alguns tendo como base nossas habilidades, conhecimentos e motivações, seja profissional, ou política. O equívoco é não perceber que nem todos são iguais, e isso sabemos muito bem, embora na prática, não usamos esta verdade como norte.
Outro erro comum é crermos que a pessoa que não concorda conosco não é inteligente. Por isso, cremos que aqueles que possuem uma outra religião, opção política ou gosto musical, não é capaz, por não ser igual a nós. As vezes agimos assim até de forma inconsciente. Podemos até falar que pensamos diferente, mas na prática, agimos assim, cometendo um erro dos mais gigantes.
Cada ser humano tem os seus anseios, gostos e motivações, por isso que ao olhar, preciso ver muito mais do que as minhas projeções. É entender quem a pessoa é, o quanto é coerente e relevante em sua área.
Não é por discordarmos de uma opinião que precisamos crer que aquele indivíduo não é inteligente. Podemos discordar, mas perceber que o seu pensamento é embasado, coerente e que tal pessoa possui consistência no que fala.
Nem todos os autores eu concordo por completo, mesmo aqueles autores que eu gosto e acompanho, as vezes eu discordo de sua forma de pensar, mas nem por isso os considero inferiores, ou coisa parecida. Costumo ler livros com pensamentos bem opostos ao meu, e mesmo nestes autores, é possível encontrar pérolas, ensinos e pontos de vistas realmente relevantes, mesmo não concordando com o todo da obra.
A sabedoria e o conhecimento estão na forma como vemos as coisas, em nosso modo de avaliar e ponderar. É importante saber separar o que acreditamos, das coisas que não concordamos, entendendo que uma pessoa pode ter uma opinião oposta, mas ser sábio.
O conhecimento é muito complexo para dividirmos em nós e eles. A vida é intrínseca demais para simplificarmos com pontos de vistas que não compreendem o todo, e muito menos percebem como alguns assuntos são complexos demais, para propormos estes tipos de divisões.
No final, existem pessoas que pensam e pessoas que seguem a manada. O resto são apenas opiniões que divergem, por conta dos nossos comprometimentos internos.
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VIVENDO UM DIA DE CADA VEZ
“Não te inquietes com as coisas futuras; com efeito, se houver necessidade, tu as encararás de posse da mesma razão que agora empregas com os problemas atuais” (AURÉLIO, 2019, p. 80).
Por ter saído de casa cedo, aprendi a ser precavido, eu achava importante ter sempre um plano B, para não ser pego desprevenido, com isso, muitas vezes eu não percebia que em vários momentos eu pensava muito no amanhã, e pouco no hoje.
Não tem como prevermos todos os problemas, muitos obstáculos surgem de lugares que nunca imaginaríamos que iriam vir. A pandemia tem provado isso, estamos em uma situação inimaginável. E por ser impossível prever tudo, é preferível viver o hoje, aproveitar um dia de cada vez, do que gastar nossas energias tentando prever problemas que ainda não aconteceram e nem sabemos se vamos vivenciar.
Quem escreveu a frase do começo do texto foi Marco Aurélio, um governador romano que assumiu o trono em um período muito conturbado em seu tempo. Ele sabia muito bem o que era ter problemas, ter que resolver situações e embates, além de ter que tomar cuidado para não sofrer ataques. Não era fácil ter que promover a paz, em dias onde a calma estava em falta. A questão era que ele também sabia o quão desgastante seria ficar pensando em problemas o tempo todo.
Não estou falando para você não ser precavido, e sim que, não é saudável viver a toda hora tentando prever o caos que ainda nem aconteceu. A Bíblia diz: “Basta o dia o seu próprio mal” (Mateus 6:34), ou seja, viva um dia de cada vez, não antecipe problemas.
A vida é imprevisível, viver é entender que não controlamos nada. E por mais que podemos ser precavidos, cultivarmos o hábito de termos uma reserva de emergência. Ter uma profissão, e estar sempre atualizados, para caso tenhamos a necessidade de nos recolocarmos no mercado de trabalho de forma mais rápida. Precisamos entender a nossa total falta de controle, e a impossibilidade de antevermos possíveis males que podem nos alcançar.
Confiar em Deus não é só uma atitude cristã, mas uma necessidade, é um ato urgente, já que, em hipótese alguma, conseguimos prenunciar as coisas que acontecem conosco.
Não quero te assustar, e nem deixar você desmotivado e sim, incentivar você a viver o seu hoje, curtir o seu tempo com calma, vivendo um dia de cada vez e confiando em Deus, para quando os dias cinzas chegarem, você possa dar um passo mais coerente.
Pense no problema na hora certa, no momento que ele chegar, enquanto ele não existe, desfrute do seu dia da forma como Deus deu a você. Se preocupar com o problema que não existe, é antecipar preocupações e deixar de viver o dia que Deus te deu agora.
BIBLIOGRAFIA
AURÉLIO, Marco, Meditações, Editora Edipro, São Paulo, 2019.
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AUTOCONTROLE
“A visão que você tem de si mesmo, de sua confiança, autoestima, senso de propósito, e a consciência da forma como tende a reagir a situações, oferecem a base do autocontrole, isto é, da capacidade de permanecer flexível e se comportar de modo positivo e eficaz, apropriado à situação em que você se encontra” (WALTON, 2016, p. 63)
Infelizmente existem muitos estudiosos que passam horas estudando e se preparando para o seu trabalho, ou mesmo para a vida, mas que não conhecem a si mesmos. Não sabem onde estão os seus medos, quais são os seus defeitos e qualidades. Muito menos sabem o que os deixam tristes, com raiva ou inseguros, e assim acabam seguindo inflexíveis e autocentrados.
Para que uma mudança possa acontecer, precisamos aceitar nossos defeitos, entender nossas qualidades e saber bem o que nos atinge. Seguir cego, alheio a nós mesmos é seguir rumo a infelicidade.
Eu mudei e tenho buscado mudar ainda mais, por ter aprendido a aceitar os meus defeitos, é só quando reconhecemos nossas falhas que mudamos. Eu também aprendi a viver uma vida um pouco mais leve, quando pontuei bem o que me atinge. Desde então, tenho buscado acertar e entender certas coisas e também a buscar ferramentas para melhorar em outras áreas da minha vida. Em contra partida, aprendi a conhecer minhas qualidades, com o intuito de não desanimar e também para aprender a lidar com tais capacidades de forma assertiva.
O autocontrole vem apenas para quem sabe bem quem é, quem pontua seus defeitos e qualidades. Não tem como controlar algo que não conhecemos. É impossível melhorar sem sabermos quem realmente somos.
Nossas atitudes dependerão muito de como compreendemos quem somos e do quanto buscamos ajuda para crescer e aprender ainda mais.
Não se engane, o homem está fadado a não se perceber, a agir tão no automático, que ele vai seguir sem entender quem é, se contradizendo dia após dia.
Por isso pare, aprenda a se ouvir e a confessar de forma humilde todos os seus equívocos e qualidades. Não somos perfeitos, isso já sabemos muito bem, a questão é que ao não assumimos nossas imperfeições, acabaremos por falar de uma forma e agir de outra.
A visão que temos de nós determina muita coisa, define quem você é e o que você pode ser para seguir em busca da mudança.
BIBLIOGRAFIA
WALTON, David. Inteligência emocional: um guia prático. Porto Alegre: L & PM Editores, 2016
