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  • A ARTE DE OUVIR

    Aprecio uma boa conversa, seja de coisas triviais ou assuntos importantes, é fundamental tirarmos um tempo para passar com os nossos amigos e bater um bom papo. Isso não só fortalece a amizade, mas também nos une. É muito bom dialogar, a questão é definir o que é uma conversa do que não é, pois nem sempre as nossas conversas são diálogos.

    Não é raro eu me encontrar entre diálogos sem sentido, e em meio a estas conversas, tenho uma grande dificuldade de conversar com pessoas que parecem não ouvir e onde eu tenho a nítida impressão de que a pessoa parenta estar apenas esperando uma oportunidade para falar. Sendo que na maioria das vezes a fala é sobre si e suas experiências.

    É claro que é muito bom falar sobre nós, contar sobre a nossa vida, nossos pontos de vistas e anseios, mas um diálogo não é somente isso. Uma boa conversa é acompanhada de ouvir e falar, de opinar e também de se calar. Richard Foster no livro “A liberdade da simplicidade”, acrescenta um ponto importante sobre as palavras e o silêncio:

    “Quando ficamos em silêncio e abrimos mão de tentar controlar as pessoas, aprendemos a sentir compaixão por elas” (FOSTER, 2008, p.90).

    Quem fala controla, principalmente quem fala muito e ouve pouco. O tagarela controla o assunto, o teor da conversa e até o tempo dela. Sendo que as vezes a motivação do diálogo é justamente fazer os outros concordarem conosco, ou que entendam o nosso ponto de vista, que em alguns casos (ou até na maioria deles), acreditamos serem os mais corretos. Precisamos defender a nossa reputação ou mesmo, fazer com que nos entendam, sendo este um dos grandes motivos no qual muitos não ouvem o próximo.

    Outro grande motivo é a falta de curiosidade de entender o assunto, com isso, alguém fala algo e o outro não se importa em saber, ouvir ou mergulhar no tema. Ele prefere que o outro ouça, ou invés de ouvir e aprender.

    No final, este tipo de pessoa não consegue nem se ouvir, quem dirá, ouvir o próximo. A ânsia em discorrer sobre suas opiniões, o faz controlar o diálogo, transformando a conversa, em alguns casos, em um monólogo.

    O silêncio, para muitos, é impraticável, justamente por ser difícil tomar as rédeas do momento. Parar para ouvir, mesmo que seja a si mesmo, os sinais em seu entorno ou refletir sobre suas ações, requer um controle pessoal e um autoconhecimento que nem todos possuem ou buscam ter.

    A arte de ouvir é muito ligado a largar o controle e deixar que o assunto flua, as vezes até para caminhos no qual não entendemos. O silêncio coloca um freio em nosso ego, na vontade de opinar e deixar bem claro o nosso ponto de vista. Ou mesmo em justificar nossas falhas e erros. O silêncio é doloroso, embora seja também curador. Já que é ouvindo que percebemos as coisas, e entendemos que não controlamos nada.

    Ficar em silêncio é largar o controle, é aprender a ouvir e deixar a vida falar com você. Quando você aprender a se aquietar, você vai se impressionar com o quanto deixou de aprender e entender, quando se concentrou mais em falar do que em ouvir.

    BIBLIOGRAFIA

    FOSTER, Richard, A liberdade da simplicidade: encontrando harmonia num mundo complexo, Editora Vida, São Paulo, 2008.

  • COMO SUPORTAR O DESRESPEITO

    “Aprova final da grandeza está em poder suportar o tratamento insolente sem ressentimento” (SWINDOLL, 2000, p. 176).

    Eu admiro muito gente que não se deixa atingir pelo que vem de fora, que possui segurança suficiente para não deixar o externo influenciar o interno. Principalmente por ser um verdadeiro desafio, conheço poucos assim. A maioria, mesmo os que ouvem e aceitam críticas, ficam na defensiva, quem dirá quem é maltratado.

    O homem não demora em responder os estímulos externos, principalmente quando estes são negativos, e demora bastante em responder a estímulos positivos. É muito mais fácil uma pessoa se irritar com uma pessoa arrogante do que elogiar alguém muito educado e prestativo. A impressão que tenho é que os estímulos negativos são muito mais respondidos que os positivos.

    Existe um ditado popular que diz: “A minha educação depende da sua”. O problema com este ditado popular é que eu não posso aceitar que alguém determine quem eu vou ser diante das pessoas. Ou aprendemos a “ser” independente dos estímulos externos, ou nossas ações serão sempre determinadas por outras pessoas. E este é o primeiro passo para conseguirmos enfrentar o desrespeito, não permitir que outros determinem quem somos nós, como será o nosso humor e muito menos a forma como trataremos outras as pessoas.

    O grande desafio é saber suportar o tratamento insolente sem se contaminar, como a frase do começo do texto nos ensina, sem seguir com mágoas e sentimentos ácidos. Quem sabe lidar com os estímulos externos é um sábio, é alguém que sabe viver sem se amoldar a padrões equivocados.

    O ressentimento é um veneno, é um ácido que corrói aos poucos e de forma bem sutil. Se você não ficar atento, pode acabar se destruindo por causa de outra pessoa. Entender que o que pensam de nós, não nos determina, e muitas vezes não resume quem somos, é o princípio para não deixarmos o externo nos tocar.

    Em segundo lugar é importante deixar claro que, o desrespeito se enfrenta com o autoconhecimento, é preciso entender quem somos, para assim, não deixar que algo nos atinja. Saber o que nos ofende, quais são as nossas qualidades e defeitos, é básico para que a ofensa não ganhe morada em nosso coração. Muitas vezes nos ofendemos justamente com falhas ou dificuldades que possuímos, por isso que neste caso, o autoconhecimento é fundamental para seguirmos mais tranquilos.

    E em último lugar eu diria que devemos aprender a não levar alguns acontecimentos para o lado pessoal. É preciso aprender a ouvir e descartar. Algumas pessoas não respeitam mesmo, a questão é que, se eu for levar tudo em consideração, ou seguir me incomodando com todos os arrogantes que cruzarem o meu caminho, não sossegarei nunca. Priorizar a preocupação é a atitude de quem é inteligente, e principalmente, daquele que se preocupa apenas com o que vale a pena.

    Se eu sei bem quem sou, aprendo a relevar e a seguir me afastando de quem é altivo, e me aproximando das pessoas humildes, que cultivam amizades e parcerias verdadeiras.

    Não sei se é possível evitar o desrespeito, pois as vezes ele vem da pessoa que menos imaginamos. Contudo, é possível descobrirmos ferramentas e atitudes, para que momentos ruins não nos atinjam e se nos atingir, que pelo menos não faça morada em nosso coração.

    BIBLIOGRAFIA

    SWINDOLL, Charles, José: Um homem íntegro e indulgente, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2000.

  • GUARDE O SEU CORAÇÃO

    Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida (Provérbios 4:23).

    O coração é um dos principais órgãos do corpo humano, ele é chamado de órgão muscular, sem ele não conseguimos viver, não tenha dúvidas. Por isso, penso que não foi à toa que o autor do texto usou este órgão como exemplo.

    Em dias de tempestade, onde o céu escuro e lúgubre, insiste em tirar a nossa paz, o que é atacado é o nosso coração, é a nossa paz que fica ameaçada e a estabilidade de toda a nossa vida. A pandemia acabou surgindo com este propósito, tirar a nossa estabilidade e atrapalhar os nossos planos.

     Quando o texto fala em coração, ele quer falar justamente de mente, dos sentimentos, do nosso interior. É a nossa mente que nos guia, é ela que define a paz, ou a falta dela em nossa vida, sendo que o corpo e principalmente o coração, sofre impreterivelmente, um grande impacto. Conforme pensamos, entendemos ou agimos diante dos problemas, colhemos um resultado.

    Sua visão de Deus, da vida, sua confiança e o modo como você pensa, define como você vai reagir e de que forma o corpo vai suportar as dificuldades. A mente traduz muita coisa, não foi à toa que o autor do provérbio nos avisou para guardarmos justamente ela.

    É através da mente e do modo como pensamos, que confiamos, que buscamos a Deus e seguimos a sua vontade. A vida cristã é racional, é crer, confiar e ler a Bíblia, e com certeza, até para orar, precisamos da mente, do racional, envolve acreditar e pensar. Em contrapartida, é através da mente que sucumbimos, nos desesperamos ou nos entregamos ao medo. A mente pode tanto nos ajudar quanto nos sabotar. Tudo começa pela mente e pelo nosso modo de pensar.

    Por isso, aprenda a guardar o seu coração, descubra o poder de estudar a Bíblia e crer na vontade de Deus. Aprenda a olhar para a vida, para os problemas com um pensamento equilibrado e coeso. Ter bons pontos de vista e pensamentos fundamentados na palavra, com certeza, definirão muita coisa em sua caminhada.

    Guarde o seu coração, fundamente a sua vida na palavra e deixe a mão de Deus te guiar!

  • A ODISSEIA DA DOR IX: ATALHOS

    Quando eu era mais novo, costumava fazer trilhas, passávamos a noite toda percorrendo uma mata fechada só pelo prazer de andar pela natureza. Em uma destas caminhadas, conhecemos alguém que conhecia um atalho para chegar mais rápido ao fim da trilha. É claro que ficamos felizes, o grande problema foi que nós nos perdemos, e demoramos ainda mais do que se estivéssemos pegado o caminho normal.

    Descobri, quando tive que lidar com este período difícil, que para você conseguir respostas e explicações realmente relevantes, você não pode pegar atalhos. Ao contrário do que muitos pensam, os atalhos não são úteis, eles cortam caminho sim, mas também cortam as experiências que deixamos de viver ou aprender ao cortarmos o caminho. Philip Yancey complementa este ponto afirmando que:

    “Ansiamos por atalhos. Mas os atalhos geralmente nos afastam do crescimento, não nos aproximam dele” (2004, p. 220).

    Todas as dúvidas e os questionamentos que eu tive sobre a fé, me levaram a buscar respostas. Foi isso que me motivou a ler ainda mais, pesquisar e é claro orar. Hoje conheço muitos autores importantes, além de entender a dor e o sofrimento por outro viés. O sofrimento me fez crescer, aprendi e cresci muito com ele, coisa que não iria acontecer, se tudo tivesse sido resolvido de forma mágica, com uma espécie de atalho. 

    Você deixa de aprender quando pega atalhos, e por mais que buscamos em Deus por respostas e oramos pedindo um milagre. Todo o processo de busca, entrega e confiança, que depositamos em Deus, acaba sendo uma lição, que nos faz crescer e confiar ainda mais nele.

    Não adianta olhar a resposta atrás do livro, é preciso se debruçar no problema matemático e procurar resolver, assim é na vida. O processo de prática, reflexão, e resolução, é a lição que trará a você aprendizado e crescimento (2004, p. 220).

    Eu lembro ainda da primeira trilha que eu fiz, era uma caminhada de mais de 6 horas. O caminho era bem acidentado, tinha rios, e alguns trajetos que era preciso escalar, mas era muito legal chegar no final. A sensação de dever cumprido, a beleza e toda a experiência do trajeto, eram impagáveis.

    Nem sempre (ou quase nunca), Deus responde a nossa oração de forma milagrosa. As vezes ele apenas nos dá força para enfrentar o caos, ou mesmo muda o nosso olhar ante os problemas. A oração, eu vejo muito mais como uma entrega do que como uma fórmula mágica. Pois quando Deus age, quase sempre é em nós.

    Depois de todo este período, fiquei mais forte, e entendi a questão que por muitos anos, me deixava com dúvidas e sem resposta. O sofrimento me ensinou a acima de tudo, olhar para Deus, e não tirar os olhos dele. Que no mais, são atalhos, que não nos levam a lugar algum.

    BIBLIOGRAFIA

    YANCEY, Philip, Decepcionado com Deus: três perguntas que ninguém ousa fazer, Editora Mundo cristão, São Paulo, 2004.

  • A DITADURA DA OPINIÃO

    Há algum tempo duas igrejas foram queimadas no Chile, era um protesto, e tal ato envolvia empurrar a força uma opinião. É aquele famoso diálogo de mão única. Eu estou certo, afirmam estes, e só conversamos com quem concorda conosco. É a ditadura da opinião, que ofende, generaliza e impõe a um segundo grupo, que para eles, são os bandidos, o problema é sempre o outro.

    Esta ditadura de opinião, feita pelos humanistas de plantão, que pregam a paz, direitos iguais e a tolerância, possui um ponto de partida contraditório, visto que, o diferente não pode ser tolerado. Eles lutam contra o preconceito, mas não aceitam religiosos e conservadores. Lutam contra o que eles chamam de fascismo (não vou discutir o termo neste texto), que segundo eles, impõem um ponto de vista sem dialogar, mas que acabam agindo de igual forma, impondo o seu pensamento a todos, sem aceitar opiniões contrárias. São a favor do aborto, uma vez que, a mulher deve ter o direito de escolher ter um filho ou não. Mas queimam algumas igrejas e rejeitam o direito que as pessoas têm de cultuar seu Deus. São muitas contradições em seus discursos, estou listando apenas alguns pontos.

    Discordar, para quem segue a ditadura da opinião, é quase um crime, a lei é “ou você pensa como nós, ou você está errado”. Não há diálogo, muito menos a possibilidade de afirmar que em determinado ponto, eu penso diferente.

    Para alguns que pensam a partir deste ponto de vista, queimar uma igreja, de uma religião considerada grande, dominante, é apenas protestar, mostrar suas discordâncias quanto a suas crenças. O que poucos veem é que a atitude é contraditória, vai de encontro ao que eles mesmo pregam. E só reforça uma verdade: “a perseguição contra cristãos continua grande”. Sendo que estes negam tal acontecimento.

    No site do Portas Abertas, uma antiga e confiável fonte, é possível ver como tal prática tem sido constante em muitos lugares. Vemos cristãos sendo perseguidos em diversos países, seja no Mali, Somália, Síria e em muitas outras regiões. E isso tem acontecido desde a origem do cristianismo. Há muito tempo que a nossa fé é perseguida, tal fenômeno não é novo, por isso que, afirmar que a perseguição não existe carece no mínimo de boa de informação.

    Tudo bem queimar igrejas, é até uma obrigação moral fazer isso, como algumas celebridades afirmaram, mas quando a violência é contra eles, é crime, é perseguição e intolerância.

    Segundo estes, queimar uma igreja não é crime, não há problema algum, visto que, os cristãos é que são os opressores e são a maioria. Mas uma vez mais, tal atitude é reduzir o significado da palavra, e escolher de forma parcial, quem é ou não sofredor. Intolerância é intolerância, queimar igrejas, desrespeitar a fé, é uma atitude covarde, seja quem a pessoa for, ou qual crença ela tem.

    Pensar diferente, ter uma fé ou crença diferente, não nos faz inimigos, nos faz apenas diferentes, por isso, o respeito é básico, se queremos conviver em sociedade. Não dá para justificar uma atitude violenta, seja a pessoa da religião que for. Preconceito, violência e vandalismo não segue classe, credo ou posição social.

    É possível discordar, sem ser intolerante, não somos obrigados a pensar de forma igual. Agora, se eu sou perseguido por pensar diferente, ainda mais se quem me persegue defende a liberdade e é contra a intolerância, precisamos urgentemente rever o termo, pois tais pessoas não estão percebendo suas discrepâncias.

    Impor uma opinião é uma forma de violência, é cercear a liberdade e o direito que todos têm de pensar. Discordar não é um crime e saber conviver com a opinião oposta, mostra o tamanho da sua inteligência.

    Sou contra todo o tipo de crença ou opinião, que impede e tolha a liberdade de você pensar e ser quem você quer ser.

    BIBLIOGRAFIA

    https://www.portasabertas.org.br

  • FALSO PASTOR

    “O falso profeta é o pastor que agrada todo mundo. Seu dever é dar testemunho de Deus, mas ele não O vê e O prefere, porque vê muitas outras coisas” (BARTH, 2020, p. 13).

    Eu gosto muito de pregar e tenho muito temor ao fazer isso, pois pregar e ensinar a Bíblia, é coisa muito séria. Por isso, além de orar, procuro sempre me debruçar por horas na Bíblia, nos estudos e nos livros. Tudo para conseguir levar as pessoas a palavra mais centrada e o ensino mais coerente e correto. Sendo que, para o pregador sério, estas informações não são mistério algum.

    O falso pastor se concentra mais em agradar, em colocar a sua imagem no centro de tudo, usando boa oratória, técnicas de persuasão e fogos de artifício e tudo o mais que um culto show merece, menos um conteúdo alinhado com a palavra de Deus.

    É muito mais fácil fazer uma pirotecnia do que gastar tempo estudando e orando. É muito mais simples acreditar que na hora você consegue falar algo “bonito”, sãos opiniões fruto da revelação do Espírito Santo, do que gastar algum tempo estudando e compreendendo a palavra, antes de pregar ou ensinar.

    Uma boa pregação leva um bom tempo para ser feita, e antes de tocar nas pessoas, ela toca o pregador, antes de exortar os irmãos, ela exorta também quem vai pregar, ensinando-o e falando em seu coração. Pois acima de tudo, quem fala (ou deveria falar) em uma pregação é Deus, e se Ele fala, é a todos.

    Não sou contra as técnicas de oratória, é bom estudar e aprender a falar melhor, a questão é que pregar não é só oratória, é dar testemunho de Deus, é interpretar a sua palavra, e para isso, o estudo deve estar em dia.

    Falar, qualquer um fala, comunicar a mensagem de Deus, interpretando a Bíblia sagrada de forma coerente, já são outros quinhentos.

    Pregar é proclamar a mensagem da verdade, por isso, tudo começa em Deus, na busca e na oração e também no estudo e no aprofundamento do texto bíblico.

    O falso pregador fala de ideias e opiniões, propõe uma mensagem que esteja concernente com o que a plateia quer ouvir. Ele é o centro da mensagem, enquanto Deus é apenas usado como motivo para ele estar em cima do púlpito.

    Já um pregador temente a Deus, entende a responsabilidade, e não brinca com a função que Deus confiou em suas mãos. Simples assim!

    BIBLIOGRAFIA

    BARTH, Karl. A proclamação do evangelho. São Paulo: Funda Editorial, 2020.

  • FALSA POSITIVIDADE

    O ponto complicado das redes sociais é que lá, todo mundo é feliz. Todos tiram férias em locais paradisíacos, realizam inúmeras conquistas e seguem com suas vidas perfeitas. Não é que eu considero errado compartilhar nossos momentos nas redes sociais, as vezes nossas realizações incentivam outras pessoas, e sim que nem sempre o que vemos traduz a verdade. Muitos usam estes momentos para mostrar quem não são.

    Infelizmente a vida não é feita só de alegrias, na maioria das vezes, por trás de uma conquista, existe muito esforço, suor e lágrimas. Vou dar alguns exemplos do que eu quero dizer.

    Eu sou músico, gosto muito de tocar bateria, mas para tocar, precisei gastar muitas horas praticando e estudando, até chegar no nível de conseguir montar a minha banda. Quando eu finalmente tive banda, não foi fácil começar, investir para gravar as primeiras demos, EPs e CDs, além de ter que aprender a gravar em um estúdio profissional. E depois que conseguimos um certo reconhecimento, não foi tão simples ter que viajar, carregar equipamento, e precisar lidar com o fato de ter que trabalhar para me sustentar, já que a banda não me trazia sustento. Por trás de todas as fotos de shows, tinha muito empenho e dedicação, que nem sempre era percebido.

    A mesma coisa foi quando eu comecei a fazer a minha graduação e também a minha pós-graduação. Foram dias e muitas horas de empenho, a fim de cumprir um cronograma, e conseguir me dedicar aos estudos. Eu estudava muito, e dormia pouco, além de pedalar para pagar as mensalidades. Eu gosto muito de estudar, mas nem sempre é fácil, ainda mais quando temos que trabalhar e estudar.

    Quem vive de aparência, infelizmente, vive uma vida que não é sua. Quer ser como os outros, mas não quer pagar o mesmo preço que estas pessoas pagaram.

    Um dia um colega de trabalho me falou que nunca havia tido a oportunidade de estudar, quando terminou o segundo grau, foi obrigado a arranjar qualquer trabalho como auxiliar, por não ter profissão alguma. Depois de ouvi-lo eu respondi que ainda era tempo. Pois a prefeitura de nossa cidade ofertava cursos técnicos em várias áreas, e de forma gratuita, em horários bem flexíveis. Mas ele não quis, pois não estava disposto a estudar por 2 anos para ter um diploma. No final, a sua frase era muito mais uma desculpa para justificar a sua falta de vontade e não uma real falta de oportunidade, que é o caso de muitos.  

    Nem sempre nossos dias são de alegria, a realidade quase sempre não é tão glamurosa e colorida. Para quem se dedica em algo, existem muitos dias tristes e de renúncia. Não é fácil deixar de sair, ou muitas vezes gastar menos, apenas por conta dos estudos ou do projeto que queremos empreender, mas assim é a vida, ou você se dedica, ou fica no lugar. Muitos querem ter a vida da pessoa que conseguiu, contudo, poucos querem passar pelos mesmos desafios. É mais fácil viver uma vida falsa, do que ter que muitas vezes renunciar, para conseguir enfim alcançar os objetivos.

    Viver é escolher e escolher envolve abrir mão de algumas coisas para ter outras, é o velho dilema que muitos não entendem.

  • SEJA MAIS PRODUTIVO

    Alguns assuntos são bem complicados, principalmente porque são importantes, mas que, por conta da forma como é tratado por muitos em treinamentos e palestras motivacionais, acabam se tornando irrelevantes. E o tema produtividade é um deles.

    A produtividade é um tema injustiçado, pois muitos a tratam como um fim, como se o homem tivesse que produzir para ser alguém. Com isso, muitos gastam uma boa parte do seu tempo tentando produzir, e esquecem do hoje, da sua vida, de viver seus dias, como se as suas vidas fossem definidas por trabalhar ou fazer. Em contrapartida, a vida não é só ócio, só descanso e só desfrute. É importante fazermos, produzirmos ou nos aperfeiçoarmos. Seja para o nosso trabalho, hobby ou mesmo ministério na igreja.

    O homem tende a parar, cair no marasmo, e isso é o mais comum do que imaginamos. Com isso, ele se esquece de constantemente praticar ou se aperfeiçoar. Ou mesmo de dar o melhor de si no trabalho, igreja ou família.

    Viver uma vida produtiva para um pastor, é estar constantemente estudando, escrevendo e se aprofundando na palavra, isso trará um impacto em seu ministério. Para um músico, ser produtivo é se aperfeiçoar, compor boas músicas e estar sempre treinando. Para um professor ou qualquer outro profissional, não é diferente. Como o homem tente sempre seguir pelo mais fácil, ele tem a tendência de estagnar e cair na famosa zona de estagnação.

    A zona de estagnação, ao contrário do que o senso comum prega, não é um lugar bom, não é um momento confortável, de alegria e desfrute. É um platô onde você fica satisfeito, e deixa de praticar, sendo que no final, o destino é decair. Seja como profissional, músico, teólogo ou qualquer outra área. Em um mundo dinâmico, estagnar é cair.

    Foi para crescer e aprender ainda mais, que eu estudei, fiz uma graduação e depois mais algumas especializações. Não foi fácil, tinha que investir dinheiro, tempo e muito esforço. Mas foi ótimo, pois o que eu colhi por ter feito isso, foi muito mais do que se eu tivesse ficado apenas em casa, sem estudar, assistindo séries. Hoje eu sou professor, escritor e é claro, um eterno aprendiz.

    Descobri como é poderoso manter uma rotina de produtividade. Como é fundamental estar sempre saindo da zona de estagnação. Quem para, enferruja, perde a mão, e perde toda a antiga prática. Quem é músico ou mesmo atleta, sabe bem disso. Se não nos exercitarmos constantemente, perdemos a prática. Por isso que, se manter produtivo é se manter ativo e sempre na frente. Tim Challies, complementa:

    “Produtividade não é o que dará um propósito à sua vida, mas é o que permitirá que você se sobressaia ao viver seu propósito atual” (CHALLIES, 2018, p. 12).

    Quando paramos, enferrujamos, e quem vai perder com isso é o nosso ministério, ou mesmo carreira profissional. Buscar novos desafios e manter uma vida produtiva, é um hábito fundamental, se queremos nos manter ativos e crescendo constantemente.

    Por isso que, quando você ver um ótimo músico atuando, ou mesmo um bom atleta ou pregador, se lembre de que por trás dele tem muito empenho, estudo e com certeza, muita produtividade.

    Mantenha-se ativo, defina uma rotina diária para si, busque um tempo para ler, praticar algo, cumprir tarefas e manter o seu dia produtivo. É possível, com equilíbrio, definirmos momentos de ócio e momentos de atividade, nos mantendo ativos, mas sem transformar a produtividade em um fardo que consumirá todas as nossas forças.

    BIBLIOGRAFIA

    CHALLIES, Tim, Faça mais e melhor: um guia prático para a produtividade, Editora Fiel, São Paulo, 2018.

  • JORNADA CRISTÃ 12: FILOSOFIA

    Foi durante o bacharelado em teologia que tive o primeiro contato com a filosofia, com todos os pensadores que colaboraram com o conhecimento e seus conceitos filosóficos. Conhecer a filosofia foi um fator determinante para me desenvolver como teólogo.

    Nesse ínterim, fui em busca de livros com o propósito de mergulhar ainda mais no assunto, e apesar de algumas tentativas frustradas, afinal, alguns autores são realmente desafiadores, o primeiro filósofo que me ajudou a ter um pouco mais de contato com a filosofia foi Luiz Felipe Pondé e o seu livro “Guia politicamente incorreto da filosofia” a obra me fez ter uma ideia mais acurada sobre o tamanho do universo no qual eu desejava mergulhar.

    Gosto da forma ácida que Pondé escreve, ao mesmo tempo que transita por vários temas, sendo este um dos pontos que me chamou mais atenção no autor. Ele conseguia dialogar tanto sobre religião, política até a própria filosofia, entre tantos assuntos, sempre com um olhar filosófico.

    A filosofia me incentivou a fazer uma especialização, após formado, por perceber o quão importante a filosofia pode ser para a nossa vida, ministério ou teologia. Pondé no livro “Filosofia para corajosos” acrescenta pontuando que:

    “De certa forma, a filosofia só existe na gratidão para com o pensamento dos outros e na generosidade em doar o seu pensamento para os outros” (PONDÉ, 2016, p. 19).

    Conhecer as várias formas de pensar, os clássicos e as inúmeras obras que podemos lançar mão em nome de nosso conhecimento e crescimento pessoal, é fundamental para que a nossa vida e ministério frutifiquem. E por mais que você tenha o costume de não ler autores que não sejam cristãos, e eu respeito isso, apensar de não concordar. É grande o número de filósofos cristãos, que você pode ter contato para aprender.

    No meio acadêmico, este autor não é levado tão a sério, talvez por ser famoso ou por escrever para leigos. A questão é que até hoje eu acompanho as obras do autor, e apesar de não concordar com tudo o que ele escreve, normal isso é muito saudável, foi com seus livros que consegui dar os primeiros passos na filosofia.

    Não é tão fácil estudar filosofia, mas é importante, seja para pastores ou teólogos. As ferramentas que a filosofia nos dá, podem nos auxiliar muito em nossa caminhada teológica.

    BIBLIOGRAFIA

    PONDÉ, Luiz. Felipe, Filosofia para corajosos: pense com a própria cabeça, Editora Planeta, São Paulo, 2016.

  • OS 10 MELHORES LIVROS QUE EU LI EM 2020

    Já tinha virado uma espécie de tradição escrever as listas “Os dez livros que todos os cristãos deveriam ler”. Eu escrevi várias delas, propondo justamente, sugerir alguns ótimos materiais para leitura. A questão é que ano passado, por conta de inúmeras mudanças, seja da rotina de trabalho, casa e muitos outros motivos, acabei não escrevendo. E neste ano, retomei a lista, mas com outro foco. Eu não vou mais falar apenas de bons livros, mas dos livros que eu realmente gostei de ler, que viraram os meus preferidos. É por conta disso que eu não me prendi em uma quantidade de livros, e sim, em listar todos que eu gostei. Apesar da lista coincidentemente ter terminado em 10 livros.

    Veja bem, eu leio muito, em média 70 a 90 livros por ano, sendo que muitos livros eu apenas leio, outros eu estudo. De todos estes livros, alguns eu gosto, acho legal. Outros, apensar de serem leituras pesadas, eu considero importantes para o meu aprendizado e crescimento. E somente poucos são os preferidos, os que de alguma forma, superaram as expectativas ao meu ver.

    Ser uma pessoa inteira, Anselm Grün

    Uma pessoa madura e equilibrada, não é apenas alguém que vai viver bem consigo e também com os outros. E sim, é uma pessoa que será diferença na vida de muitos. A pessoa equilibrada atinge também quem está em volta.

    Neste livro, o autor tem como prioridade, falar de uma espiritualidade equilibrada. Ele nos mostra ações fundamentais para alguém que quer viver uma vida realmente centrada na palavra de Deus. Algumas atitudes e ferramentas, são essenciais para todos os que desejam o equilíbrio e é justamente disso que o livro fala.

    A Bíblia que Jesus lia, Philip Yancey

    Alguns textos bíblicos são complicados, principalmente aqueles que falam de mortes, e vinganças, nos famosos Salmos Imprecatórios. Demorei para entender tais textos, e apesar de saber as explicações teológicas, e bem fundamentadas para tais passagens, eu só me senti realmente satisfeito, quando eu li este livro, de Philip Yancey.

    Nesta obra, o autor mostra sua antiga dificuldade com tais textos e explica de forma realmente relevante, o motivo para estes Salmos estarem na Bíblia. Eu nunca havia pensado pelo viés do autor. Vale a pena ler e meditar em cima do que ele escreveu. Hoje eu creio que faz todo o sentido tais textos estarem na Bíblia. É legal ler tais passagens e enxergar um propósito nestes excertos.

    Inteligência espiritual, Lee Strobel

    Levar a palavra de Deus é a missão de todo o cristão. O ide é estendido a todo aquele que serve a Deus, a questão é que alguns são evangelistas, e outros não, contudo, devemos ser exemplos, e estar levando a palavra a todos, seja de forma direta ou indireta.

    Neste livro, Lee Strobel, propõe falar sobre evangelismo, principalmente de pessoas que resistem ao evangelho. Contudo, o livro não é um manual teórico, ele é muito prático e dinâmico, propondo algumas ferramentas e estratégias para levar a palavra a todas as pessoas. Gosto do capítulo no qual ele fala de como entender uma pessoa que não costuma frequentar a igreja. Ele usa o seu próprio exemplo para falar como as vezes, o próprio ambiente eclesiástico, colabora para distanciar estas pessoas do Evangelho.

    Faça mais e melhor, Tim Challies

    Hoje em dia o tema produtividade não está sendo bem visto, alguns transformaram a produtividade, em algo pesado e sem sentido.

    É importante termos disciplina, seja para sermos bons estudantes, profissionais ou mesmo em um hobby. Uma pessoa com disciplina, consegue progredir e se aperfeiçoar ainda mais, e este é um dos propósitos deste livro.

    Um pastor que tem a disciplina para ler e estudar, faz com que a sua igreja cresça. Um músico ou um líder que está sempre estudando, produz muito frutos. É justamente disso que o livro fala, como fazer mais e melhor, sempre com uma ótima dose de coerência e equilíbrio. O livro é um dos meus preferidos, vale a pena ler.

    Uma confissão, Liev Tolstói

    Considero este livro uma verdadeira obra de arte. No livro, Tolstói abre o coração, e discorre sobre a sua crise de fé. A sua intenção é buscar respostas e questionamentos para vários pontos que o incomodava.

    O livro é sincero, no texto o autor abre o seu coração e mostra como todos têm as suas dúvidas e os seus momentos de dificuldade, vale a pena ler.

    A depressão de Spurgeon, Zack Eswine

    Nunca é fácil falar de depressão, o assunto é complicado por depender de inúmeras variantes, contudo, este autor conseguiu abordar o tema de uma forma coesa e equilibrada. Fugindo daqueles clichês cristãos, quando o assunto depressão surge.

    Zack, neste livro, fala de um dos maiores pregadores que já existiu, discorrendo sobre o seu problema com a depressão, como ele lidava e abordava o assunto na igreja que pastoreava e também, esclarecendo vários pontos importantes desta doença. Leitura fundamental para todo o cristão, principalmente porque o tema é complicado e em alguns casos, tratado de forma leviana.

    A vida intelectual, Sertillanges

    A vida intelectual e acadêmica é assunto sério, pois no meio cristão, o estudo e a pesquisa é igualmente importante. Houveram e ainda existem, aqueles que tem como prioridade estudar e ensinar, sendo que o livro fala justamente disso, de vida intelectual.

    O livro é ótimo, pois fala de algumas atitudes que um intelectual, ou mesmo um acadêmico, deveria ter. Ele fala desde a importância de cuidarmos da saúde, de termos uma vida simples e equilibrada, fugindo assim de maiores preocupações. Até sobre como ser um bom intelectual. Seus conselhos são sóbrios e relevantes, vale a pena ler, principalmente se você é um professor, teólogo ou almeja a vida de estudo ensino.

    Uma breve história das doutrinas cristãs, Justo González

    É complicado falar de doutrinas pois, a própria palavra as vezes acaba virando sinônimo de exageros ou legalismos. O termo é usado de forma bem equivocada por muitas denominações. Contudo, doutrina, são pontos fundamentais da fé cristã, como a própria trindade, a divindade de Jesus, entre tantas doutrinas importantes.

    No livro, Justo Gonzáles, tem como intuito falar das doutrinas, e como elas surgiram na igreja. É interessante ver como foi natural e unânime o uso destas doutrinas na igreja, e não surgiram, fruto de muita discussão, como alguns pregam. A leitura é tranquila, mas aprofundada, creio que é um livro fundamental para todo o cristão. Para quem quer entender como sugiram algumas bases da nossa fé, este livro é fundamental.

    Paulo: uma biografia, N. T. Wright

    Eu leio muito sobre Paulo e as suas cartas, por isso que foi inevitável ler esta biografia, de N. T. Wright. Confesso que eu não acreditei que leria algo novo, mas fui em busca da obra, por conhecer o autor.

    É realmente interessante como o autor traça a biografia de Paulo e como ele trabalha as questões fundamentais do seu pensamento e os momentos complicados da sua vida. O livro é realmente fundamental, para quem quer além de conhecer, quer ter uma visão mais equilibrada e coerente sobre Paulo. O livro é desafiador, instigante e fundamentado na palavra.

    A liberdade da simplicidade, Richard Foster

    A vida simples e equilibrada, tem sido uma das minhas prioridades, a questão é que nem todos entendem o termo, e acreditam que vida simples, é uma vida de pobreza e faltas. Conclusão que não pode estar mais equivocada.

    No livro em questão, Richard Foster fala sobre simplicidade, pontuando o que realmente é, seus benefícios e fundamentações bíblicas. Além de propor exercícios práticos para desenvolver este estilo de vida.

    Para quem vive neste mundo consumista, aprender a viver com simplicidade é saber desfrutar das coisas de forma real, sem transformá-las em pesos e cargas, que somos obrigados a carregar, por sustentar um estilo consumista.

    Estes são os livros que me conquistaram este ano, entre todos os ótimos materiais que eu li, estas obras considerei acima da média. E deixo como sugestão, para que você comece o ano com um incentivo para ler e procurar boas literaturas.

    Quem lê e estuda, tem sempre algo para oferecer as pessoas. Por isso leia!