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  • O CAMINHO ESPIRITUAL DO AUTOCONHECIMENTO

    “No monaquismo, a vereda espiritual sempre foi também um caminho de amadurecimento humano. Conhecimento próprio e conhecimento de Deus estavam estreitamente relacionados” (GRÜN, 2006, p. 12).

    A tradição monástica deixou para os cristãos muitas lições e ferramentas úteis para aqueles que pretendem desenvolver uma fé coerente e sadia. A própria contemplação, a solitude e muitas outras práticas, são ótimas ferramentas, que alguns cristãos protestantes infelizmente abandonaram. Com a reforma protestante, muitas práticas foram colocadas de lado e algumas até demonizadas, como se tudo não fosse cristão e muito menos útil. E quem perdeu com isso foi a igreja, que deixou de desenvolver uma fé madura e coerente, tudo por pura falta de pesquisa e informação.

    Para alguns monges, o autoconhecimento é fundamental para a espiritualidade. Saber quais são os nossos erros e paixões da alma, como eles mesmo falam, é fundamental para os cristãos que anseiam por uma intimidade com o criador. É impossível olhar para Deus, sem antes sabermos quem somos. A própria busca e necessidade, começa com o reconhecimento de nossa finitude.

    Não é possível empreender a busca por conhecer a Deus, sem antes não nos conhecermos. Saber quem realmente somos é imprescindível para uma vida genuinamente calcada na palavra.

    Muitas vezes nossas práticas devocionais, a falta de oração e leitura bíblica, se dão justamente por não sabermos quem somos e como deveríamos agir, para que consigamos introjetar em nossa vida estes fundamentais hábitos.

    Quando pontuamos quem somos, nossos defeitos e qualidades, descobrimos o que fazer para desenvolver as disciplinas espirituais. Práticas que todos os cristãos deveriam estar fazendo.

    Quem sabe quem é, entende a necessidade de buscar a Deus para ter uma vida coerente e busca dia a dia, sem desistir, ter uma vida fundamentada nestes hábitos.

    Aquele que não se conhece, desconhece quem é e como lutar contra seus males.

    BIBLIOGRAFIA

    GRÜN, Anselm, Ser uma pessoa inteira. Editora Vozes, Rio de Janeiro, 2006.

  • HOMO SAPIENS DEMENS

    O Ser humano é conhecido por ter a capacidade de pensar e refletir, esta é uma das suas grandes características, pelo menos deveria ser. Afinal, creio que um dos seres vivos mais contraditórios seja o ser humano, ele é um misto de sabedoria e loucura, coerência e insanidade. Ao mesmo tempo que ele possui a capacidade de pensar, ele faz coisas sem pensar, se prende a teorias que por si só, já se mostram equivocadas, segue em seu autoengano, acreditando estar certo, mesmo que os fatos mostrem que não.

    O homem vive como se não existisse amanhã, destrói a natureza como se ela não fosse importante, consome todos os recursos naturais como se fossem renováveis, e depois não entende porque as catástrofes climáticas estão acontecendo. Isso quando não afirma que é tudo manipulação da mídia, entre tantas teorias e formas estranhas de pensar.

    Edgar Morin, um antropólogo, sociólogo e filósofo, propõe um rótulo curioso ao homem, ao invés de chamá-lo de Homo Sapiens, ele acredita que deveria se chamar de Homo Sapiens Demens. Afinal, em meio a genialidade humana, a sua incrível capacidade de pensar, criar e construir coisas, possuímos também uma certa loucura, uma insanidade que nos sabota e nos faz seres contraditórios (MORIN, VIVERET, 2015, p. 55).

    O ser humano é dono de uma enorme capacidade, contudo, possui o poder de se autossabotar. Seja por quantificarmos nossos problemas, por não refletirmos sobre as nossas ações, ou por insistirmos em nos compararmos com outras pessoas. Como se o mundo fosse uma grande competição, ou como se ele existisse para nos servir, enquanto deitados eternamente em berços esplêndidos, bastaria aguardar, que tudo o que quiséssemos cairia em nossa frente.

    É claro que o mundo é injusto, eu também concordo que nem todos nasceram com as mesmas oportunidades, eu fui um deles. Mas nem por isso deixei de lutar, de refletir e buscar formas de tentar mudar a minha realidade.

    Somos seres contraditórios, um misto de loucura e sabedoria. Por mais que tenhamos a capacidade de pensar, ou a consciência de quem nós somos, e de que existimos, coisa que os animais não possuem, muitos de nós (se não a maioria) nem se conhecem, mal percebem seus defeitos e qualidades.

    Em sua genialidade, o homem se sabota a todo o instante. Por mais que tenhamos inteligência, não percebemos, em muitos casos, o tamanho da nossa ignorância. Este é o ser humano, o ser que pensa que sabe pensar, mas que no final, não percebe que não está pensando.

    BIBLIOGRAFIA

    MORIN. Edgar, VIVERET. Patrick, Como viver em tempos de crise, Editora Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 2015.

  • MAIS UM NATAL?

    Com o passar dos dias, vamos percebendo que viver é priorizar as preocupações, escolhendo sempre aquelas que valem a pena, entendendo que o verdadeiro ouro, a nossa maior riqueza é o tempo que as vezes não temos. Desfrutar de um momento, do hoje, em uma época no qual vivemos sempre conectados, é o verdadeiro maná celestial. Aprender a desfrutar da vida é realmente viver.

    O título não está errado, o intuito do texto é realmente lhe fazer uma pergunta: “Mais um natal?” É isso mesmo que você quer para a sua vida, viver como se fosse apenas mais um dia, no automático, sem realmente ver, desfrutar ou enxergar a vida e todos os seus detalhes?

    O que a pandemia nos mostrou é que a vida é incerta. Uma verdade que não é nova, mas que sempre esquecemos. E ao esquecer, deixamos de realmente ver, desfrutar, e viver todos os segundos da nossa curta existência (pelo menos aqui nesta vida).

    Mais um ano se encerra, mais um Natal se inicia, a diferença é que, mais do que nunca, você pode, daqui pra frente, ressignificar a sua vida e tentar viver seus dias de forma especial.

    Não deixe que os seus minutos sejam apenas mais uns, descubra a beleza de transformar sua vida, seus segundos, em momentos realmente relevantes com quem você ama. Pois na vida, o que fica são as lembranças.

    Eu perdi o meu avô bem novo, um homem que foi avô e também pai. E um dia antes dele falecer, eu tive a oportunidade de estar com ele o dia inteiro. Eu nunca mais vou esquecer daquele dia, ficou na memória. Foram horas simples, mas divertidas e muito especiais.

    São os momentos que ficam, e não o carro novo, o presente caro, a festa luxuosa. Por isso, neste incerto natal, transforme o dia em uma data memorável, que deixará uma marca em você, e nas pessoas que você ama.

    Sem se esquecer do principal, é claro, o Natal é um dia onde um Deus nasceu, veio aqui na terra para morrer por nós e nos dar vida, e vida com muita abundância (João 10:10). Por isso, mais uma vez, aprenda a viver, caso contrário, a vida abundante vai se tornar um castigo.

    Se você tem Deus como centro da sua vida, e o equilíbrio como meta principal, já vai ser um ótimo começo. Por isso, comece o seu ano com este propósito. 

  • BURRICE CONVENIENTE

    Em uma certa ocasião, em meu antigo trabalho, um cliente me abordou com a seguinte frase: “Posso te fazer uma pergunta? Eu quero ver se você é inteligente. A frase me intrigou, afinal, como o conceito de inteligência é amplo e em alguns momentos até vago, fiquei pensando de que ponto de partida aquele homem estava partindo para me definir como inteligente (ou não). Eu respondi, intrigado: “Você está dizendo então que se eu discordar de você, eu não sou uma pessoa inteligente?”, inteligente, segundo o seu ponto de vista, são apenas aqueles que concordam com você?

    O homem ficou atônito, não havia percebido a contradição de sua frase, e com um bom diálogo, descobrimos como muitas vezes os nossos pontos de vistas são muitos simplistas.

    Lembro sempre deste acontecimento quando eu vejo discussões e alguns juízos de valores proferidos na internet. Constantemente percebo muitos considerando alguns burros, apenas porque estes possuem uma opinião diferente da sua. É uma burrice conveniente, que classifica de modo simplista, aqueles que não gostamos, e exalta aqueles no qual nós concordamos. Classificando como inteligente apenas aqueles que nós aceitamos a opinião.

    Com isso, quem não tem a mesma opção política que eu, não é inteligente, quem não segue a mesma religião, é alienado. A pessoa que possui determinados pontos de vista, com certeza é um néscio e por aí vai. É fácil avaliar os outros usando apenas os nossos pontos de partida.

    O erro é usarmos nós como parâmetro, é definirmos alguns tendo como base nossas habilidades, conhecimentos e motivações, seja profissional, ou política. O equívoco é não perceber que nem todos são iguais, e isso sabemos muito bem, embora na prática, não usamos esta verdade como norte.

    Outro erro comum é crermos que a pessoa que não concorda conosco não é inteligente. Por isso, cremos que aqueles que possuem uma outra religião, opção política ou gosto musical, não é capaz, por não ser igual a nós. As vezes agimos assim até de forma inconsciente. Podemos até falar que pensamos diferente, mas na prática, agimos assim, cometendo um erro dos mais gigantes.

    Cada ser humano tem os seus anseios, gostos e motivações, por isso que ao olhar, preciso ver muito mais do que as minhas projeções. É entender quem a pessoa é, o quanto é coerente e relevante em sua área.

    Não é por discordarmos de uma opinião que precisamos crer que aquele indivíduo não é inteligente. Podemos discordar, mas perceber que o seu pensamento é embasado, coerente e que tal pessoa possui consistência no que fala.

    Nem todos os autores eu concordo por completo, mesmo aqueles autores que eu gosto e acompanho, as vezes eu discordo de sua forma de pensar, mas nem por isso os considero inferiores, ou coisa parecida. Costumo ler livros com pensamentos bem opostos ao meu, e mesmo nestes autores, é possível encontrar pérolas, ensinos e pontos de vistas realmente relevantes, mesmo não concordando com o todo da obra.

    A sabedoria e o conhecimento estão na forma como vemos as coisas, em nosso modo de avaliar e ponderar. É importante saber separar o que acreditamos, das coisas que não concordamos, entendendo que uma pessoa pode ter uma opinião oposta, mas ser sábio.

    O conhecimento é muito complexo para dividirmos em nós e eles. A vida é intrínseca demais para simplificarmos com pontos de vistas que não compreendem o todo, e muito menos percebem como alguns assuntos são complexos demais, para propormos estes tipos de divisões.

    No final, existem pessoas que pensam e pessoas que seguem a manada. O resto são apenas opiniões que divergem, por conta dos nossos comprometimentos internos.

  • VIVENDO UM DIA DE CADA VEZ

    “Não te inquietes com as coisas futuras; com efeito, se houver necessidade, tu as encararás de posse da mesma razão que agora empregas com os problemas atuais” (AURÉLIO, 2019, p. 80).

    Por ter saído de casa cedo, aprendi a ser precavido, eu achava importante ter sempre um plano B, para não ser pego desprevenido, com isso, muitas vezes eu não percebia que em vários momentos eu pensava muito no amanhã, e pouco no hoje.

    Não tem como prevermos todos os problemas, muitos obstáculos surgem de lugares que nunca imaginaríamos que iriam vir. A pandemia tem provado isso, estamos em uma situação inimaginável. E por ser impossível prever tudo, é preferível viver o hoje, aproveitar um dia de cada vez, do que gastar nossas energias tentando prever problemas que ainda não aconteceram e nem sabemos se vamos vivenciar.

    Quem escreveu a frase do começo do texto foi Marco Aurélio, um governador romano que assumiu o trono em um período muito conturbado em seu tempo. Ele sabia muito bem o que era ter problemas, ter que resolver situações e embates, além de ter que tomar cuidado para não sofrer ataques. Não era fácil ter que promover a paz, em dias onde a calma estava em falta. A questão era que ele também sabia o quão desgastante seria ficar pensando em problemas o tempo todo.

    Não estou falando para você não ser precavido, e sim que, não é saudável viver a toda hora tentando prever o caos que ainda nem aconteceu. A Bíblia diz: “Basta o dia o seu próprio mal” (Mateus 6:34), ou seja, viva um dia de cada vez, não antecipe problemas.

    A vida é imprevisível, viver é entender que não controlamos nada. E por mais que podemos ser precavidos, cultivarmos o hábito de termos uma reserva de emergência. Ter uma profissão, e estar sempre atualizados, para caso tenhamos a necessidade de nos recolocarmos no mercado de trabalho de forma mais rápida. Precisamos entender a nossa total falta de controle, e a impossibilidade de antevermos possíveis males que podem nos alcançar.

    Confiar em Deus não é só uma atitude cristã, mas uma necessidade, é um ato urgente, já que, em hipótese alguma, conseguimos prenunciar as coisas que acontecem conosco.

    Não quero te assustar, e nem deixar você desmotivado e sim, incentivar você a viver o seu hoje, curtir o seu tempo com calma, vivendo um dia de cada vez e confiando em Deus, para quando os dias cinzas chegarem, você possa dar um passo mais coerente.

    Pense no problema na hora certa, no momento que ele chegar, enquanto ele não existe, desfrute do seu dia da forma como Deus deu a você. Se preocupar com o problema que não existe, é antecipar preocupações e deixar de viver o dia que Deus te deu agora.

    BIBLIOGRAFIA

    AURÉLIO, Marco, Meditações, Editora Edipro, São Paulo, 2019.

  • AUTOCONTROLE

    “A visão que você tem de si mesmo, de sua confiança, autoestima, senso de propósito, e a consciência da forma como tende a reagir a situações, oferecem a base do autocontrole, isto é, da capacidade de permanecer flexível e se comportar de modo positivo e eficaz, apropriado à situação em que você se encontra” (WALTON, 2016, p. 63)

    Infelizmente existem muitos estudiosos que passam horas estudando e se preparando para o seu trabalho, ou mesmo para a vida, mas que não conhecem a si mesmos. Não sabem onde estão os seus medos, quais são os seus defeitos e qualidades. Muito menos sabem o que os deixam tristes, com raiva ou inseguros, e assim acabam seguindo inflexíveis e autocentrados.

    Para que uma mudança possa acontecer, precisamos aceitar nossos defeitos, entender nossas qualidades e saber bem o que nos atinge. Seguir cego, alheio a nós mesmos é seguir rumo a infelicidade.

    Eu mudei e tenho buscado mudar ainda mais, por ter aprendido a aceitar os meus defeitos, é só quando reconhecemos nossas falhas que mudamos. Eu também aprendi a viver uma vida um pouco mais leve, quando pontuei bem o que me atinge. Desde então, tenho buscado acertar e entender certas coisas e também a buscar ferramentas para melhorar em outras áreas da minha vida. Em contra partida, aprendi a conhecer minhas qualidades, com o intuito de não desanimar e também para aprender a lidar com tais capacidades de forma assertiva.

    O autocontrole vem apenas para quem sabe bem quem é, quem pontua seus defeitos e qualidades. Não tem como controlar algo que não conhecemos. É impossível melhorar sem sabermos quem realmente somos.

    Nossas atitudes dependerão muito de como compreendemos quem somos e do quanto buscamos ajuda para crescer e aprender ainda mais.

    Não se engane, o homem está fadado a não se perceber, a agir tão no automático, que ele vai seguir sem entender quem é, se contradizendo dia após dia.

    Por isso pare, aprenda a se ouvir e a confessar de forma humilde todos os seus equívocos e qualidades. Não somos perfeitos, isso já sabemos muito bem, a questão é que ao não assumimos nossas imperfeições, acabaremos por falar de uma forma e agir de outra.

    A visão que temos de nós determina muita coisa, define quem você é e o que você pode ser para seguir em busca da mudança. 

    BIBLIOGRAFIA

    WALTON, David. Inteligência emocional: um guia prático. Porto Alegre: L & PM Editores, 2016

  • JORNADA CRISTÃ 11: ENXERGANDO OS DETALHES

    Gosto de pessoas que conseguem olhar, refletir e perceber detalhes, que para olhares desatentos, não são vistos. Ver é muito mais um estado de espírito, é uma capacidade de perceber e interpretar as coisas.

    Conheci Tom Houston por ter há algum tempo atrás, trabalhado na editora que publica seus livros no Brasil. Na época, não dei muito valor, mas por curiosidade, e acredite em mim, sou bem curioso, resolvi ler suas obras.

    Gosto de sair da mesmice, procurar outros autores e descobrir novos conteúdos, desafios são sempre ótimos, sair do comum faz com que ampliemos nossa forma de pensar, e foi o que eu fiz, mergulhei no livro “Personagens ao redor da cruz” e não me arrependi por isso.

    A obra gira em torno da crucificação de Cristo, até aí, nada de novo. A parte interessante do livro é que o autor propõe fazer vir à tona a história de todos os personagens deste grande momento na história cristã, que é a crucificação de Jesus.

    Tom Houston comenta sobre todos os envolvidos, desde os apóstolos, os sacerdotes, Pilatos e todos os personagens, com um olhar tão clínico, que nenhum detalhe parece escapar de suas vistas.

    A leitura deste livro me fez enxergar com mais cuidado o texto bíblico, e despertou em mim a missão de aprender a olhar, a descobrir como cada detalhe é importante e guarda consigo muitas lições.

    No Brasil a editora lançou 3 obras com este mesmo propósito, mostrando a importância de lermos, e meditarmos na palavra. Por conta da pressa, ou dos nossos compromissos, podemos deixar de perceber lições importantes que o texto quer passar.

    Eu sempre digo, e continuarei a repetir até o fim dos meus dias, mais importante que ler a Bíblia em 1 ano, como muitos pastores propõem, é ler e entender o texto bíblico, nem que para isso, você precise ficar mais de um dia meditando e estudando um capítulo, com os livros não é diferente. Vale muito mais a pena ler e aprender, do que apenas ler, só para poder espalhar aos quatro ventos, como você lê bastante.

    Perceber os detalhes faz toda a diferença em nossa vida, muitas vezes são eles que vão mudar por completo algumas importantes questões do nosso viver. Costumamos olhar para o macro, contudo, normalmente são nos detalhes que estão as verdadeiras lições.

    BIBLIOGRAFIA

    HOUSTON, Tom, Personagens ao redor da cruz, Editora Esperança, Curitiba, 2018.

  • O FUNDAMENTALISTA SEM FUNDAMENTO

    “Muitos fundamentalistas acreditam ser obedientes à palavra de Deus. Na realidade, porém, a distorcem através de suas próprias projeções” (GRÜN, 2014, p. 61).

    Eu sempre via o mesmo pegador no terminal de ônibus do centro da cidade. Ele vociferava acusações, seguia apontando o dedo para todos, anunciando uma palavra de medo e de ódio a quem passava. “Quem não aceitar Jesus”, dizia o pregador raivoso, “vai arder no fogo do inferno”. Estas palavras, vinham acompanhadas de um sorriso de prazer, como se fosse muito gostoso imaginar alguém queimando no inferno.

    O problema do fundamentalista, como é normalmente chamado o religioso que não consegue ouvir as pessoas, é a sua falta de diálogo. Conversar e ouvir uma opinião oposta, é impraticável para estes. O fato de crerem na palavra da verdade, lhes dão uma crença perigosa de que o diálogo não é necessário e é até errado.

    O que eles não percebem é que quando alguém acusa, condena e aponta o dedo, falando de forma soberba, estão sendo contraditórios com o próprio ensino bíblico. A falta de amor, de paciência e cuidado com o próximo foi uma das críticas de Cristo aos religiosos da época.

    Pregar é anunciar o Evangelho, e o significado de Evangelho é “Boas Novas”, notícias boas, e não palavras de condenação e acusação. É preciso dialogar, ouvir e ponderar, pois não é acusando, que o evangelho vai entrar no coração das pessoas. É só com amor, que seremos ouvidos, e com diálogo que a palavra vai se fazer presente.

    O fundamentalista distorce a palavra, modifica através de suas projeções e pontos de vistas equivocados. As próprias palavras brutas, de acusação, demonstram raiva, e não o amor, que é o princípio de tudo. Aliás, os momentos de ira, de Jesus, curiosamente foram dirigidos justamente aos religiosos do seu tempo, que também acusavam, apontavam o dedo e ignoravam os necessitados.

    Eu tenho um grande receio de quem anuncia o inferno, e principalmente quem assim o faz, com um sorriso nos lábios. Se alegrar com a condenação, demonstra falta de amor e responsabilidade com o próximo. Servimos um Deus de amor, por isso, nós devemos amar, simples assim (1 João 4:7-21).

    Mateus 12:34 diz que “a boca fala do que está cheio o coração”, com isso, é inevitável olhar para estes pregadores raivosos e perceber a contradição instalada no sorriso de quem se alegra com o sofrimento alheio. Que Deus nos livre desta falta de amor. 

    BIBLIOGRAFIA

    GRÜM, Anselm, Ser uma pessoa inteira, Editora Vozes, Petrópolis, 2014.

  • A VALORIZAÇÃO DA VIDA

    Falar sobre a valorização da vida é algo muito complexo, primeiro porque a vida é complexa, somos únicos, parecidos, mas intrinsecamente diferentes. Com sentimentos, como todo ser humano, mas com intensidades totalmente distintas de sentir, agir e lidar com as diversas situações da vida. Somos semelhantemente diferentes.

    Segundo porque a vida não é só este corpo, é uma existência, é alguém que sonha, que tem um papel em determinada família ou mesmo na sociedade. É alguém que existe, e vive não só para si, mas também para os outros, seus familiares, igreja, amigos etc. E quando uma vida se encerra, falamos de vidas, pessoas, sonhos, familiares, que vão ser impactados por uma perda, e não apenas de alguém que faleceu. Ana Claudia Quintana Arantes tem uma frase, em um dos seus livros que eu gosto muito e que resume bem esta questão:

    “Seja como expectadores, seja como protagonistas, a morte é um espaço onde as palavras não chegam” (ARANTES, 2019, p. 61).

    Pois como eu disse, não se trata apenas de uma vida física, é muito mais, é uma existência que vai deixar um buraco na vida de muitos. E vai fazer com que nós nos calemos diante de uma realidade, que com certeza, nós sabemos que um dia vamos enfrentar, embora custemos a aceitar, que é a morte. No final, poderíamos definir o suicida como alguém que desistiu da sua história, de tudo o que ele poderia ser e realizar durante sua existência.

    A questão do suicídio é também um tema bem complicado, pois se trata de uma dor que nós não conseguimos sentir. Você pode ter a maior empatia do mundo, mas mesmo assim, impreterivelmente, você nunca vai entender a visão de mundo como o outro. Somos solitários em nosso sentir, o que sentimos e passamos, é único, é só nosso e com isso, a questão se torna complexa. Pois como resumir em palavras, algo que só é possível ser explicado com os sentimentos de quem está passando pela situação? Não é possível, mas é possível nos posicionarmos de forma assertiva, como ajuda, e não como mais um problema.

    A primeira forma é combater o senso comum, que define o suicídio de forma rasa e inverídica. Que acredita que o depressivo é alguém que não tem muito o que fazer.

    É importante entender que o depressivo é antes de tudo alguém que sofre de algumas disfunções, seja de ordem química, psicológica ou por conta de dilemas pessoais. E só é possível combater as opiniões equivocadas através da informação e da pesquisa. É procurar respeitar o sentir de cada um e dialogar, da mesma forma como gostaríamos que dialogássem sobre os nossos problemas e falhas. É tratar o outro, como gostaríamos de ser tratados. Entendendo que a depressão não é uma brincadeira é algo sério, que precisa de atenção e de cuidado.

    Em segundo lugar, é preciso refletir que no final, quem pensa em morrer, não é alguém covarde, e sim, alguém que apenas está procurando a solução para uma dor, e vê na morte, a única saída.

    Por isso que, se nós, através do nosso posicionamento, não nos colocarmos como apoio, auxilio e resgate, vamos deixar que a morte leve antes do tempo, uma história, alguém que poderia fazer algo, seja para os seus amigos ou para si. É uma história que acaba se interrompendo, por falta de ajuda, da nossa ajuda. Valorizar a vida, é antes de tudo dar valor a história de alguém que possui sonhos, e desejos, e que por conta de um problema, acaba por querer encerrar a sua vida.

    É preciso aprender a olhar as pessoas e entender, que no final, podemos sem querer estar vendo nossos pontos de vistas pessoais, e não o que a pessoa está realmente sentindo. Precisamos aprender a ouvir sem criticar, apoiar sem julgar, e entender o imenso universo que cada um é.  

    Valorizar uma vida, é antes de tudo, saber olhar para alguém único, que pode não estar conseguindo gritar por socorro.

    BIBLIOGRAFIA

    ARANTES, Ana. Claudia. Quintana, A morte é um dia que vale a pena viver: E um excelente motivo para se buscar um novo olhar para a vida, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2019.

  • A ARTE DA COMUNICAÇÃO

    “Comunicação significa, realmente compartilhar de si mesmo com outra pessoa” (MCDOWELL, 2001, pg. 47)

    Gosto de um canal do Youtube onde o autor analisa a linguagem corporal de diversas pessoas com o intuito de conferir se o indivíduo fez um discurso verdadeiro ou não. Pois nem sempre as palavras traduzem de forma exata o que o corpo está dizendo, não são só as palavras que comunicam, o corpo também comunica.

    Comunicação é a base de tudo, em um casamento que não há comunicação, com certeza há muito caos. Em uma empresa onde não existe diálogo, não há ordem, não tenha dúvidas.

    Um bom comunicador se preocupa em se fazer entendido. Quem realmente se importa com o que está falando, com certeza se adapta ao estilo das pessoas, e procura se expressar de uma forma no qual todos entendam. Tudo vai de como você se porta, da maneira que você vê os outros e percebe como existirá sempre a possibilidade de não nos entendermos. Seja porque falamos bem, ou por não falarmos tão bem assim, é preciso muita humildade nestas horas.

    Comunicar é falar um pouco de si, principalmente através de atitudes e de como vemos o próximo. Como apontei no começo do texto, não são só as palavras que comunicam, nosso corpo, nossas atitudes e como nos importamos com as pessoas, também comunicam. Nossa maneira de ser fala muito mais do que nossa própria mensagem, as palavras de um discurso podem ser escritas, e construídas de uma maneira cuidadosa e minuciosa, mas dependendo de como transmitimos, podemos sem querer estar comunicando outra coisa.

    BIBLIOGRAFIA

    MACDOWELL, Josh, Aprendendo a amar: Sexo não é o bastante, Editora Candeia, São Paulo, 2001