É no silêncio que eu escrevo ou componho. É em meio ao som do silêncio que eu organizo as minhas ideias, estudo ou sigo em busca de inspiração para escrever e produzir. Quem sabe usar a solitude e o silêncio, entende como é realmente produtivo cultivar tais momentos.
Não se espera de braços cruzados a inspiração, aguardando estático um convidado nos visitar, para depois começar a fazer. E sim, você aguarda trabalhando, é em meio a labuta e o esforço que a iluminação chega e inunda a nossa mente com ideias. E este processo não é possível acontecer se não nos retirarmos para poder compor, a solidão e o silêncio são elementos importantes para que a tímida inspiração possa chegar. Sertillanges pontua que:
“O retiro é o laboratório do espírito; a solidão interior e o silêncio são suas asas” (SERTILLANGES, 2019, p. 60).
Para alguns a solidão tem uma conotação negativa, soa mórbido para estes ficar sozinho. Para outros, é um momento para soltar a imaginação e conseguir construir algo. Muitos afirmarão que vai depender do tipo da pessoa, para que este estado de solidão seja benéfico. Um ponto é verdadeiro, os introvertidos terminam por ter mais habilidade que os extrovertidos, quanto ao retiro e a solitude. Contudo, eu creio que é possível cultivar o hábito de ter estes momentos, basta construirmos um ambiente propício para este tipo de retiro e cultivar tal hábito.
Muitos não conseguem ficar sozinhos, precisam de constantes estímulos, barulhos e conversa. Inúmeros amigos e alunos me falam que o silêncio incomoda, ele grita e tira a sua paz. Nem todos veem a solidão como benéfica, mas eu creio que vai depender do quanto você tem intimidade com ela.
Saber ficar em silêncio é saber ouvir, é aprender e produzir, silenciando a mente e encontrando combustível para criar e aprender. O silêncio incomoda porque ninguém controla, é um momento de aceitação e entrega e é quando você aprende a ver e a ouvir. Quem muito fala, pouco ouve, quem vive em meio aos estímulos diários das redes sociais ou não faz uma pausa para refletir, não conseguem parar e pensar.
O silêncio produz um som único, uma melodia que só quando nos aquietamos, conseguimos perceber. É durante o silêncio que olhamos em volta e a nossa mente se solta para a inspiração.
Quando acordo, logo bem cedo, costumo ficar em silêncio, largo o controle e acalmo a minha mente. Depois, tomo um café e sigo para o meu devocional, e após isso, para a leitura, estudo e escrita. É em meio a solidão interior que eu crio e dou asas a minha imaginação.
Caso você seja uma pessoa que não gosta de silêncio, que está sempre rolando o feed de uma rede social ou em meio ao barulho da nossa atual sociedade, aprenda a construir momentos de silêncio. Comece com um tempo curto, habitue-se a não acordar e acessar as redes sociais, e cultive um tempo de solitude aliado a leitura ou ao teu devocional.
Deixe Deus falar, permita que a imaginação surja, ampliando suas ideias e dando asas a sua mente. Ou você constrói um tempo de liberdade e criatividade ou será sempre um prisioneiro, acorrentado aos estímulos que só trazem ansiedade e aprisionam a mente.
BIBLIOGRAFIA
SERTILLANGES, A. D, A vida intelectual, Campinas: Editora Kírion, 2019.
