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  • INTOLERÂNCIA CONTRADITÓRIA

    Existe uma diferença bem grande entre as igrejas que procuram incentivar seus membros a viverem uma vida de santidade, acompanhando e apoiando as pessoas, auxiliando-as a conseguirem imitar a Cristo. Daquelas igrejas que tentam impor, segregar e humilhar aqueles cristãos que falham. É um grande desafio ser cristão, às vezes, em meio à caminhada, cometemos erros.

    A tolerância foi um dos grandes presentes que recebi de uma igreja que frequentei por anos. O pastor não demorava em apoiar e dar uma nova chance àqueles que cometiam erros. Por conta disso, muitos cresceram e aprenderam a seguir o evangelho de modo genuíno.

    O ponto importante sobre a tolerância é justamente entender que só é tolerante aquele que entende que todo mundo erra, inclusive ele. O pastor ou o líder que têm esta mentalidade normalmente é flexível. A consciência da falibilidade humana gera um espírito paciente.

    Lembro-me de um amigo que foi pedir ajuda para este mesmo pastor, em uma área em que ele (o pastor) também tinha dificuldade. E este amigo ficou admirado com a sinceridade do pastor ao confessar a mesma falha e, neste caso, ele conseguiu ajudar ainda mais o amigo com a troca de experiências e ainda quebrar aquela visão errônea que muitos têm em acreditar que todos os pastores são perfeitos. Saber que não somos os únicos a passar por certas dificuldades nos ajuda, além de termos o apoio de quem entende bem nossos desafios.

    O tolerante é alguém consciente e clemente, por entender a condição humana e se colocar como apoio e não como juiz inclemente. Normalmente, em ambientes onde os líderes são intolerantes, uma boa parte dos membros acaba sendo tolhido de falarem dos seus erros e por isso, estes nem sempre conseguem mudar e o ambiente acaba se tornando tirânico, onde o diálogo e a mudança não existem. Augusto Cury fala sobre isso, quando pontua que:

    “Quando não existe tolerância e afetividade, o melhor dos ambientes, mesmo que religioso, é tirânico” (2006, p. 65).

    Onde não há espaço para sermos quem somos e não há apoio para mudarmos e crescermos espiritualmente, também não há verdade. No final, são apenas pessoas interpretando um papel, usando máscaras para esconder suas reais aparências.

    E a igreja, por ser um hospital de almas, precisa ser um lugar onde falar das dificuldades seja algo comum, sendo este o primeiro passo da mudança. Confessamos para buscar a cura, enquanto nos apoiamos mutualmente, para conseguirmos vencer as nossas dificuldades. Só mudamos quando confessamos os nossos erros e seguimos na busca por mudança.

    Não existem líderes infalíveis, todo mundo erra, sendo que o intolerante acaba errando duas vezes. Primeiro por não confessar que é falível; segundo, por não dar espaço para os irmãos se confessarem e tratarem suas dificuldades. Uma igreja saudável é um local de compreensão e apoio.

    Uma igreja precisa ser primeiramente bíblica, a palavra de Deus deve estar sempre no centro da comunidade e também precisa ser um espaço de apoio e cura. Um lugar onde confessar nossos erros e sermos acompanhados seja uma prioridade.

    Bibliografia

    CURY, Augusto. Os segredos do Pai-Nosso: A solidão de Deus. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.

  • MENTALIDADE REVOLUCIONÁRIA

    Fui adepto da filosofia anarquista quando era jovem, por acreditar que o mundo estava todo errado e que era preciso nos unirmos para mudarmos a sociedade e brigarmos por mais liberdade. Todos estavam equivocados e não percebiam isso, só nós e quem concordava conosco, eram os que estavam certos e aptos para fazer mudanças. O governo era opressor, mas militávamos pela liberdade.

    Percebam o perigo da mentalidade militante, o cerne do pensamento é crer que somente um lado está certo e o outro não. Que a sociedade não está percebendo seus erros e contradições, somente eles. Este princípio impede o diálogo e a construção de soluções, que normalmente são complexas. É claro que tanto um lado quanto o outro podem estar errados, por isso que o diálogo é importante. Problemas sociais são complexos por natureza, para resolvê-los é essencial muita discussão e troca de experiências. 

    Olavo de Carvalho fala da mentalidade revolucionária e foi inevitável lembrar deste meu passado anarquista, quando ele fez a sua exposição. Ele explica que a mentalidade revolucionária é um evento histórico, possível de ser verificado e estudado através dos documentos e fatos que os mais de cinco séculos disponibilizaram para nós. Sendo que é muito mais um princípio mental e psicológico do que político. É uma maneira de pensar e um estado de espírito de indivíduos que creem que são aptos a corrigir a sociedade ou mesmo, a natureza humana, através de suas práticas políticas; quem tem esta mentalidade revolucionária acredita serem portadores de um futuro melhor e estão acima de qualquer julgamento (2014, p. 186–187).

    Percebemos este fato quando lemos sobre a Revolução Russa de 1917, que usou o desgaste do czarismo na Rússia e toda a insatisfação política da época para implantar o seu regime, que terminou por instituir muito mais injustiças através do seu regime político. O czar Nicolau II cometeu muitos erros, contudo, os bolcheviques, que ganharam o poder após a revolução, também instauraram uma grande calamidade no país, em nome de um ideal. Olavo complementa, dando ênfase justamente neste ponto:

    “Autoglorificação do super-homem, a “mentalidade revolucionária” é totalitária e genocida em si, independentemente dos conteúdos ideológicos de que se preencha em diferentes circunstâncias e ocasiões” (2014, p. 187).

    Muitas injustiças foram feitas em nome do “bem” e de causas genuínas, tudo porque indivíduos creram que suas receitas consertariam o mundo. Usei como exemplo a Revolução Russa, mas é possível constatar o mesmo em outras revoluções e movimentos políticos, que insistem em impor uma forma de pensar. Sendo que o propósito do texto não é falar de um lado político e sim, de uma mentalidade, visto que, independente da ideologia ou lado, a mentalidade revolucionária é perigosa, tendo um cerne totalitarista.

    Estes revolucionários não entendem que o mal e a injustiça são fatos inerentes à condição humana, impossíveis de serem extirpados, mas somente atenuados. A maioria acredita que tais problemas são frutos do capitalismo, dos ricos e dos burgueses, que é possível eliminar estes distúrbios, extirpando estas classes e desconstruindo o mal (CARVALHO, 2014, p. 191–192). Para nós cristãos, os problemas sociais e humanos são frutos do pecado na vida do homem, mas para estes revolucionários, o culpado é o capitalismo e o dinheiro. Novamente, Olavo expõe que:

    “A revolução é; por sua própria natureza, totalitária e universalmente expansiva: não há aspecto da vida humana que não pretenda submeter ao seu poder, não há região do globo a que não pretenda estender os tentáculos da sua influência” (2014, p. 189).

    Diante disso, o uso da força é justificado e muita barbárie é provocada em nome de “um bem”, segundo estes, e esta é justamente a contradição, visto que os fins não justificam os meios. Mal algum ou imposição alguma, em nome da causa que for, não valida a violência e a agressão.

    A revolução impõe um pensamento e não dialoga, por isso que revolucionários e todas as pessoas que acreditam que possuem uma receita infalível para consertar o mundo são prejudiciais.

    Ou dialogamos sobre os problemas e aprendemos a dar um passo de cada vez em direção a uma sociedade equilibrada, ou seremos prisioneiros daqueles que acreditam que possuem uma fórmula mágica!

    Bibliografia

    CARVALHO, Olavo de. O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota. Rio de Janeiro: Editora Record, 2014.

  • ESCUTA IMPACIENTE

    Já conversou com alguém que parece ter a resposta para tudo? Ele sabe resolver o problema de todos, entende onde você está errando e sempre tem uma receita pronta para arrumar a sua situação. Geralmente são estes que nos interrompem quando estamos falando e falam: “eu já passei por isso, eu sei resolver”.

    Receitas são ótimas, principalmente quando queremos fazer bolos, visto que, quando você segue a receita fielmente, normalmente, tudo sai como planejado. Agora, ao se tratar de um ser humano, receitas nem sempre funcionam, já que cada ser humano é único e possui as suas características.

    Ouvir é uma arte e eu sei que às vezes é um pouco difícil, visto que, quando gostamos de alguém, temos vontade de ajudar, por isso, insistimos em opinar e dar respostas aos problemas e questionamentos que escutamos. A questão é que ouvir e dar atenção ao ouvinte ajuda muito mais do que insistir em somente falar ou apontar soluções. Richard Foster pontua que:

    “Você não precisa ter todas as respostas para ser um bom ouvinte. De fato, frequentemente as respostas representam um obstáculo à escuta, pois ficamos mais ansiosos para responder que para ouvir. A escuta impaciente, feita pela metade, é uma afronta a quem está falando” (2007, p. 196).

    O princípio da boa escuta, parte primeiramente da paciência, é prestar atenção e permitir que o outro derrame o seu coração. E isso vale tanto para aqueles amigos que precisam de alguém para desabafar, devido a problemas ou situações complicadas, quanto para as conversas normais com as pessoas. Um diálogo é composto por dois indivíduos que conversam e se ouvem. O bom ouvinte é aquele que, pacientemente, deixa o interlocutor concluir a sua fala.

    A escuta ativa é quando o ouvinte foca no diálogo e mantém a comunicação eficiente e clara, focando sempre em entender o que o interlocutor está buscando comunicar. Já quem não sabe escutar, ouve somente para responder e poder introduzir o seu assunto. Quem realmente escuta, presta atenção e valoriza o que a pessoa está dizendo.

    E sobre falar sem opinar, não estou falando para você não opinar ou não dar resposta alguma, estou sugerindo que, acima de tudo, você busque ouvir e acolher o problema do outro. Não precisamos dar resposta para tudo, às vezes, a solução vem com o tempo, mas apoiar um amigo e ouvir de modo paciente faz toda a diferença.

    A escuta impaciente transmite uma falta de vontade em ouvir o próximo, sendo que, quem insiste em sempre responder ou dar receitas, ao invés de acolher o problema, também mostra uma impaciência e diminui o desafio e o problema do outro. Gosto do conselho de provérbios, que nos ensina que:

    “Quem responde antes de ouvir comete insensatez e passa vergonha” (Provérbios 18:13) (NVI).

    Todos os que respondem sem realmente ouvir, seguindo a lógica da escuta impaciente, no final passam vergonha, falam coisas incoerentes e demonstram que nem prestou atenção no que foi falado. E quem faz isso em meio a um desabafo, fecha as portas para um diálogo sincero e para a oportunidade de poder ouvir, orar pela pessoa e ajudá-la.

    A paciência demonstra respeito e amor ao próximo, quando entendemos que respostas simples ou receitas formatadas nem sempre ajudam a resolver problemas complexos, aprendemos a ouvir e a estar presente com a pessoa.

    Mais do que uma receita, precisamos demonstrar aos nossos amigos que estamos apoiando e sendo suporte em sua vida. Alguém que não consegue escutar, demonstra somente que é egoísta e que não consegue em momento algum se despir de seus desejos e dedicar um tempo sincero para ouvir e ser diferença na vida de outra pessoa.

    Bibliografia

    FOSTER, Richard. Celebração da disciplina: O caminho do crescimento espiritual. 2. ed. São Paulo: Editora Vida, 2007.

  • DESAFIOS DA ESPIRITUALIDADE CRISTÃ V: A VERDADEIRA SANTIDADE

    Quando somos tocados por Deus e atendemos ao seu chamado, nós nos convertemos e mudamos de vida. O problema é que alguns não somente mudam de vida, mas também passam a viver longe do seu antigo ambiente. O convertido, em alguns casos, se afasta dos amigos, familiares e de quem muitas vezes o ama muito, tudo porque ele agora é cristão e precisa ficar distante do “mundo” e das suas práticas pecaminosas.

    A vida cristã é prática, ela não acontece apenas no âmbito espiritual e muito menos, somente entre as quatro paredes da igreja. A santidade é um estilo de vida, que não nos tira do mundo, ao contrário, nos faz atuantes e nos capacita a viver um cristianismo coerente, para, desta forma, fazermos diferença na vida das pessoas. William Penn complementa explicando que:

    “A verdadeira santidade não tira os homens do mundo, mas capacita-os a viver melhor nele e incita os empreendimentos que ajudam a restaurá-lo” (apud FOSTER, 2007, p. 53).

    O cristianismo não se resume em viver apenas na igreja e também não é se separar do mundo, ao contrário, é ser diferença, é seguir sendo cartas vivas do evangelho (2 Coríntios 3:2-3). A Bíblia diz para sermos sal e luz no mundo (Mateus 5: 13–14), mas para isso precisamos estar no mundo, fazendo diferença na vida das pessoas, dos amigos e familiares. O apóstolo Paulo fala justamente disso quando diz que:

    “Vocês demonstram que são uma carta de Cristo, resultado do nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de corações humanos” (2 Coríntios 3:3) (NVI).

    Neste capítulo, Paulo responde a algumas críticas que ele recebeu por não ter cartas de recomendação para apresentar aquela comunidade (2 Coríntios 3:1). É provável que alguns falsos apóstolos de Corinto tenham levantado estas acusações. Contudo, Paulo informa que as cartas de recomendações não são necessárias, visto que a igreja que existia na cidade era uma prova do seu trabalho. A igreja é esta carta, que aponta para Deus e evidencia a verdade do evangelho. A mudança de vida é a prova da verdade que restaura vidas (KRUSE, 2012, p. 1796). 

    Entendo que precisamos nos afastar de alguns contextos que nos influenciam negativamente, principalmente quando temos algumas dificuldades em algumas áreas. Precisamos ser sábios e estar realmente curados, para conseguirmos entrar em algumas realidades que muitas vezes nos tocam, visto que cada indivíduo tem o seu desafio. Entretanto, salvo nestes casos, nós não podemos nos afastar do mundo e sim, se aproximar destas realidades, anunciando o evangelho que mudou a nossa vida.

    A nossa missão é anunciar o evangelho e fazer de tudo para que o amor de Deus alcance as pessoas. E isso não é possível, se ficarmos trancados no prédio da igreja. Precisamos atuar e cuidar das pessoas. É assim que o evangelho entra no coração das pessoas.

    O cristão precisa fugir dos guetos cristãos, daquelas igrejas que insistem em seguir separando os seguidores de Cristo do mundo. Ou transbordamos o evangelho na vida das pessoas, através da nossa vida e ações, ou seguiremos distantes da vida cristã prática.

    A verdadeira santidade não nos separa do mundo, mas nos aproxima, nos convida a sermos cartas vivas, a sermos mensageiros da verdade que liberta. O sal fora do saleiro faz muita diferença, e isso só pode ser feito fora da igreja, em nosso cotidiano e em meio aos nossos amigos.

    Bibliografia

    CARSON. D. A.; FRANCE, R.T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

    FOSTER, Richard. Celebração da disciplina: O caminho do crescimento espiritual. São Paulo: Editora Vida, 2007.

    KRUSE, Colin G. 2 Coríntios. In: CARSON. D. A.; FRANCE, R.T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

  • ALMA SEDENTA

     O ser humano tem em seu interior uma sede tão insaciável, que acaba sendo ela que muitas vezes o destrói e o leva para direções perigosas. Um bom exemplo são aquelas pessoas que casam para ser feliz, o que é um grande problema, visto que ser feliz é algo pessoal, é uma missão que cada um deve enfrentar e aprender a trilhar sozinho. Felicidade não algo que depende dos outros. Você pode até esmagar alguém com o peso da responsabilidade de fazer você feliz. Este fardo é bem pesado e não percebemos como tal desejo é egoísta.

    O mesmo podemos falar daqueles que insistem em dedicar toda a sua vida para a sua carreira, tornando-se os denominados workaholics. Pessoas sedentas por curar uma falta que certamente o trabalho não vai reparar, aliás, é possível até piorar. Para estes, o trabalho é como uma droga, que o usuário precisa usar cada vez mais, uma vez que, gradualmente, ele para de fazer efeito e a sede segue aumentando.

    Constantemente me perguntam se sou feliz, sendo que para todos, a resposta é sempre a mesma, sim, é claro. Ao contrário do que muitos pensam, eu creio que a felicidade é um estado de contentamento e não somente momentos alegres, que duram pouco. Sendo que este estado não depende de fatores externos, problemas ou tristezas. Ficamos tristes, somos tocados em alguns momentos por problemas e situações adversas, mas seguimos felizes.

     Jesus, no diálogo com a mulher samaritana, afirmou ser a fonte de água viva e disse que se alguém bebesse desta fonte nunca mais teria sede (João 4:10-14).

    “Jesus respondeu: “Quem bebe desta água logo terá sede outra vez, mas quem bebe da água que eu dou nunca mais terá sede. Ela se torna uma fonte que brota dentro dele e lhe dá a vida eterna”” (João 4:13-14) (NVT).

    Uma afirmação importante nesta nossa discussão, que nos mostra o tamanho da nossa incompletude, sem contar que a sua afirmação revela que é só Ele que consegue matar a nossa sede. Timothy Keller nos avisa que:

     “Ninguém, nem mesmo a melhor pessoa do mundo, tem como conceder à sua alma tudo de que ela necessita” (2018, p. 61).

    Este sentimento de vazio é perigoso, visto que ele nos empurra para alguns desertos. Na tentativa de encontrarmos a felicidade e de matarmos esta sede que nos aflige, seguimos em busca de inúmeras coisas, mas sem sucesso. Nada e ninguém conseguirá matar a nossa sede, nos dar a felicidade e a completa satisfação, que só pode vir Dele. E se tomarmos esta água, certamente, seguiremos amparados em Cristo, a fonte de água viva. E é justamente o nosso vazio que demonstra como somos incompletos sem Deus.

    É possível vermos muitas pessoas sedentas tentando preencher o vazio de inúmeras formas, uma insuficiência que nada e ninguém pode preencher. Esta incompletude só revela quem o ser humano é de verdade e aponta para o fato que, sem Deus, não somos nada. Temos uma sede que só Ele pode matar, uma vida incompleta, que só pode ser curada por Ele. O nosso vazio aponta sempre para Deus e para o quanto precisamos de Sua graça.

    Bibliografia.

    KELLER, Timothy. Deuses falsos: As promessas vazias do dinheiro, sexo e poder, e a única esperança que realmente importa. São Paulo: Vida Nova, 2018.

  • A FÉ E A PRESERVAÇÃO DA NATUREZA

    Ser cristão é zelar por todas as coisas que Deus criou. A nossa fé precisa ser consciente, entendendo a criação como uma graça do nosso soberano Pai. E foi com este objetivo que este artigo foi escrito.

    Em Gênesis, Deus deu a Adão a missão de cuidar das coisas que ele criou, uma missão que também é nossa. O cuidado com a natureza é um ensino que faz parte da tradição cristã e da Bíblia.

    O artigo foi publicado em 2023 na revista Teologia Brasileira, da editora Vida Nova.

    Link do texto:

  • CRÍTICAS AO INCOMUM

    “A busca da sabedoria atrai críticas” (EPICTETO, 2018, p. 52).

    Andar na contramão nem sempre é fácil, deixar de pensar como o senso comum, é sempre um desafio e diante destas situações, é possível não sermos compreendidos. E não existe receita para aqueles que intentam seguir por outros caminhos, é na tentativa e erro e em alguns momentos, precisamos resistir para não seguir a correnteza.

    Quando fiz a minha graduação em teologia, por exemplo, muitos colegas de serviço não entenderam por que eu estava cursando uma graduação que “não dava dinheiro”. Muitos não entenderam como o lucro que alguém ganha com o conhecimento é muito maior do que o retorno financeiro.

    O mesmo acontece quando eu tiro um dia inteiro para ler e estudar, soa estranho para alguns, que diversão há em querer ficar lendo? Mas eu não ligo. Sigo o caminho do saber, focando nas coisas que eu acredito serem certas. E aos poucos, principalmente quando não somos afobados, vamos colhendo os frutos desta dedicação. Normalmente são nestes momentos que algumas pessoas se calam e percebem como a sua forma de pensar é muito imediatista e os seus padrões fracos.

    É importante escutarmos as pessoas, ouvirmos críticas e sugestões, o problema é que nem todos possuem boas intenções e dependendo das sugestões, elas acabam atrapalhando ainda mais os nossos planos.

    Algumas missões são realmente diferentes, mas se você quer crescer, precisa aprender a caminhar em meio a tais críticas. Quando planejo fazer algo, normalmente eu penso, pesquiso e avalio bastante a situação, e quando dou o primeiro passo, dificilmente desisto.

    Críticas são comuns, é normal as pessoas terem as suas opiniões e juízos, só cuidado para não deixar que tais ideias atrapalhem a sua missão. É sempre um desafio começar algo e é bem mais fácil desistir. Principalmente quando temos a nossa volta várias opiniões contrárias.

    O meu maior fracasso não foi empreender algo que no final não deu tão certo, já que, é sempre possível aprendermos com os erros. O meu grande erro, quando era novo, foi ouvir muito as pessoas e desistir dos meus planos, tudo e, porque, alguns dos meus projetos fugiam da norma do contexto que eu estava. Não eram sonhos impossíveis, embora, demandaria da minha parte, muita dedicação.

    Nem sempre as pessoas entendem seus projetos, mas eles sempre insistirão em opinar, com isso, saber selecionar boas opiniões e não desistir, são passos importantes. Críticas são ambíguas, elas podem ser boas ou ruins, saber separar as boas críticas para não se fechar para ótimas sugestões é o grande desafio.

    Críticas são constantes, elas existem por si só já que as pessoas não desistem de opinar, principalmente quando você está fazendo algo. Aprender a lidar com elas e não ser paralisado por opiniões simplistas é fundamental para não sermos prejudicados. 

    BIBLIOGRAFIA

    LEBELL, Sharon. A arte de viver: Epicteto; uma nova interpretação de Sharon Lebell. Rio de Janeiro: Sextante, 2018.

  • A SABEDORIA DA PRUDÊNCIA

    Uma das nossas maiores marcas hoje em dia certamente é o excesso, principalmente porque hoje, temos inúmeras facilidades e possibilidades. Não dependemos de uma programação ou mesmo de acesso para assistir algo, tudo está na palma das nossas mãos, basta um clique. Com isso, eu divulgo o que acredito ser certo, acesso o conteúdo que mais me agrada e sigo conforme os meus gostos pessoais. E em meio a este enorme mar, sem prudência, certamente, podemos nos afogar.

    A prudência é um grande guia em meio a nossa sociedade de exageros. Sem ela, seguimos os nossos impulsos, cometendo equívocos e excessos. Uma pessoa inteligente segue a prudência e entende a importância de escolher o que é bom e honesto. É comum seguirmos pela via do descontrole quando em nossa vida não temos prudência.

    É fácil nos precipitarmos, cometendo ações equivocadas e incoerentes. Não é incomum nos apegarmos à nossa opinião e seguir, sem dialogar com o próximo. Ainda mais hoje, nesta sociedade polarizada, que dialoga pouco sobre assuntos importantes e segue alheia à ponderação. Tomás de Kempis nos ensina que:

    “Grande sabedoria é não ser precipitado nas ações, nem aferrado obstinadamente à sua própria opinião; sabedoria é também não acreditar em tudo que nos dizem, nem comunicar logo a outros o que ouvimos ou suspeitamos” (2012, p. 27).

    A maravilha da internet amplificou um dos mais corriqueiros problemas do ser humano, que é divulgar notícias e conteúdos diversos sem a certeza da veracidade do tema. O que antes era um comentário feito com um vizinho ou amigo, hoje o compartilhamento de algumas coisas pode ter um alcance bem maior e prejudicar alguém. A internet é uma máquina de conteúdo e acessibilidade, mas sem prudência, as pessoas seguem e divulgam notícias equivocadas ou mesmo navegam pelos excessos, se acorrentando no mar dos conteúdos. Provérbios 8: 12 diz:

    “Eu, a sabedoria, moro com a prudência, e tenho o conhecimento que vem do bom senso” (NVI).

    Sabedoria e prudência andam lado a lado, é inevitável sermos prudentes para assim conseguirmos tomar decisões sábias e termos bom senso. É com esta virtude que caminhamos com cuidado, que conseguimos ter cautela em inúmeras situações e principalmente limites, que estão em falta ultimamente.

    Em alguns momentos, precisamos aprender a diminuir a marcha e avaliarmos a nossa vida, costumes e hábitos. É comum às vezes seguirmos no automático, sem percebermos as consequências das nossas atitudes. Bom senso é isso, é um modo de agir racionalmente que não é fruto de paixões ou emoções.

    Por isso, cultive a prudência, aprenda a parar e avaliar sua vida, seus costumes e anseios. É fácil seguirmos sem reflexão, tendo atitudes impulsivas, o desafio é refletir e agir consciente em meio a este mundo de exageros.

    O excesso traz descontrole, já a prudência traz a sabedoria e o bom senso, que nos faz termos consciência das nossas escolhas e ações.

    Bibliografia

    KEMPIS, Tomás. Imitação de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2012.

  • DESAFIOS DA ESPIRITUALIDADE CRISTÃ IV: OS TRÊS NÍVEIS DE CRESCIMENTO ESPIRITUAL

    “Pais, escrevo-vos, porque conhecestes aquele que é desde o princípio. Jovens, escrevo-vos, porque vencestes o maligno. Eu vos escrevi, filhos, porque conhecestes o Pai” (Referência: 1 João 2:13,14).

    Sou músico e a primeira vez que toquei bateria foi em uma igreja. Por ser muito novo, praticamente uma criança, tudo foi adaptado para que eu tivesse a chance de tocar. Como a comunidade não tinha um baterista disponível, os músicos precisaram se adequar. Mas com o tempo cresci, estudei e me aperfeiçoei, principalmente quando conheci alguns estilos musicais que exigiam um pouco mais de técnica. Precisei estudar muito para conseguir tocar algumas músicas que eram mais complexas. Conforme eu seguia ganhando mais idade, eu também crescia em conhecimento como músico.

    Ao olhar para trás, percebo os vários estágios que percorri e o quanto o estudo intencional, visando crescer, fez a diferença na minha vida. Estudar é fundamental para qualquer área, não só para a música, como também para quem é cristão. Quem tem como norte a Bíblia, deve ter a atitude intencional de estudar. A vontade de entender a palavra de Deus, precisa guiar você.

    John MacArthur (2016) aborda os três estágios para o crescimento espiritual usando o texto bíblico de 1 João (2:13,14). São padrões possíveis de verificar em todos os cristãos. E o primeiro é a criança, o segundo o jovem e por fim vem o adulto, em uma classificação semelhante à própria vida humana.

    Seguindo a lógica das etapas do desenvolvimento humano, a criança é o primeiro estágio, sendo que todos já foram crianças e na vida espiritual não é diferente. O nosso primeiro passo na espiritualidade cristã é como uma criança em formação.

    Os filhinhos são todos os que nasceram de novo através da fé em Cristo, o termo no original quer dizer justamente nascidos. Sendo assim, todos os que nasceram na família de Deus são filhinhos (WIERSBE, 2020, p. 635).

    A criança é um ser dependente, e precisa aprender muita coisa, a Bíblia é uma novidade, sendo que, as suas ações, crenças e opiniões sobre Deus, ainda não são tão fundamentadas na palavra. Em uma boa igreja, um novo convertido normalmente é discipulado por alguém que já conhece bem a palavra de Deus. Entretanto, o cristão não pode permanecer neste estágio. Warren Wiersbe explica que:

    “Mas há outro fator a ser considerado: começamos como “filhinhos” — nascidos —, mas não devemos permanecer neste estágio! O cristão só vence o mundo à medida que cresce espiritualmente” (WIERSBE, 2020, p. 635).

    O cristão precisa buscar crescer, caso contrário, seguirá estático e indefeso, diante das intempéries do mundo. Todos nascem de novo, mas também todos precisam buscar a Deus e sair desta infância espiritual.

    O segundo estágio são os jovens, e o texto bíblico diz que eles venceram o maligno (1 João 2:13), sendo esta, uma das suas características. O jovem é alguém que já entende bem da Bíblia e não se deixa enganar por falsos ensinos. John MacArthur complementa:

    “Um jovem espiritual é uma pessoa que vence satanás porque ele sabe o bastante sobre a Palavra de Deus para não deixar se seduzir pela religião falsa” (2016, p. 56).

    O jovem é motivado, sabe se defender, mas falta-lhe mais conhecimento, além de maturidade. Nesta etapa, o cristão ainda precisa amadurecer e aprender mais, ele precisa buscar conhecimento e ter um bom acompanhamento.  

    Por fim, temos os pais no terceiro estágio. E eles são aqueles que não só entendem a palavra de Deus, como também, possuem um bom conhecimento das doutrinas e dos fundamentos da fé, além de ter intimidade com o Deus da doutrina. Eles conhecem a Bíblia e o Deus dela. Warren Wiersbe complementa os três estágios:

    “Eis, portanto, a família cristã! Todos são “nascidos”, mas alguns já saíram da infância e entraram na idade adulta espiritual. O mundo não atrai o cristão que está amadurecendo e crescendo” (WIERSBE, 2020, p. 635).

    Em um primeiro momento, estes três estágios do crescimento espiritual, servem como norte para entendermos em qual estágio estamos. Em um tempo onde cristãos leem pouco a palavra de Deus e também oram pouco, ter consciência destas três etapas é muito importante. Já se perguntou em qual estágio você está?

    Durante a minha caminhada cristã, conheci muitos cristãos que frequentavam a igreja há muitos anos, mas que ainda eram crianças, visto que, eles não tinham intimidade com a palavra e com Deus. Infelizmente, isso é comum no meio cristão, eternas crianças que não buscam crescer.

    Por isso, a vontade é um fator decisivo para todos os cristãos. Ter uma vida cristã intencional, querendo, desta forma, crescer, aprender e desenvolver a fé, é um elemento decisivo para que um seguidor de Cristo consiga crescer espiritualmente.

    Estes três estágios revelam uma caminhada, um processo que precisa ser intencional para o crescimento acontecer. Uma criança só cresce saudável, quando se alimenta bem e também está sempre sendo orientada pelos pais. Um cristão também, se a igreja não investir em ensino e discipulado, certamente ela terá em sua comunidade eternas crianças frequentando seus cultos.

    BIBLIOGRAFIA

    MACARTHUR, John. Como estudar a Bíblia. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2016.

    WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Novo Testamento 2. Santo André: Geográfica Editora, 2020.

  • O SER HUMANO E O PODER

    São muitas as histórias de pessoas pobres e humildes que conseguiram fama, poder e fortuna. Existiram desde jogadores de futebol, cantores ou influenciadores digitais que conseguiram dar uma guinada em suas vidas. O curioso é que tanto a ascensão quanto a queda seguiram padrões semelhantes. Estas pessoas ganharam dinheiro e fama, mas uma boa parte delas perdeu com a mesma rapidez com que ganharam, por conta de exageros e descontroles. É muito complicado conseguir administrar o poder.

    Desde o Éden, o ser humano tenta ser igual a Deus (Gênesis 3:4-5), ao aceitar o convite de poder feito pela serpente. Uma ambição que já se repetiu muito durante a história humana e na vida, é possível vermos este fato acontecer direta ou indiretamente em todos os períodos da história.

    Na história é possível ver como muitos líderes se colocaram como deuses, exigindo adoração ou reverência, e desde a antiguidade até hoje este fato se repete. O culto ao imperador, por exemplo, era algo comum em Roma, assim como muitos reis, durante a história, se colocaram como deuses aqui na terra. E muitas injustiças, caos e problemas aconteceram em nome desta adoração, já que é inevitável virem problemas de seres humanos falíveis e pecadores.

    Em nossos dias, apesar de ser de modo indireto, as pessoas às vezes agem como deuses, construindo injustiças, caos e todo o tipo de calamidade. O poder tem a força de elevar o homem e colocá-lo em um patamar superior, e por isso, muitos perdem o controle. Ele transforma líderes, pastores e empresários em deuses falsos, quando estes não sabem lidar com o poder. E este é um dos males da vaidade humana. Maria de Camargo César tem uma frase que resume bem o quão complicado é o poder:

    “O poder é uma espada que poucos manejam com graça. É fácil errar a mão. É fácil cair na tentação de manipular” (2009, p. 19).

    A fama, a riqueza e o poder têm esta vil capacidade de tornar o ser humano alguém “superior” em relação aos outros. O perigo é que esta sensação é falsa, ela não se sustenta e é fruto de um equivocado ponto de vista, que o poder traz.

    O problema quanto a estes supostos deuses é a própria impossibilidade de um ser humano falível se tornar qualquer coisa semelhante a um deus. Por não suportar o peso do poder sem se destruir ou perder a cabeça, este caminho é sempre amaldiçoado. O poder não só corrompe, como também consome o ser humano, visto que ele cobra o seu preço. E consegue transformar um indivíduo bom em um tirano.

    Quando o ser humano está de posse do poder, ele é tentado e muitas vezes cai no ímpeto de agir como um tirano e manipulador. A tirania tem como ponto de partida a imposição e ela segue a premissa de que só existe uma ideia boa e um ser humano que é merecedor de ser o centro de tudo. A busca por adoração, os aplausos ou reconhecimento humano são as consequências desta forma de pensar.

    O caos se perpetrou em vários momentos na história, seguindo justamente este viés de superioridade. O ser humano desde sempre insiste em ser igual a Deus, mas não percebe que, além de não ter esta capacidade, também não tem força e muito menos mentalidade para estar em uma posição de poder.

    Quando afirmamos que Deus deve ser o centro de tudo, confessamos as nossas incapacidades e limitações. E por conta disso, entregamos a ele todo o controle, entendendo ser só com a sua força que conseguiremos seguir sendo boas pessoas.

    Não existem pessoas realmente boas, fora de Deus, sem ele, estaremos certamente sujeitos a cair em todas as armadilhas do mundo.

    Bibliografia

    CÉSAR, Marília de Camargo. Feridos em nome de Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 2009.