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BODE EXPIATÓRIO
É comum quando algo dá errado procurarmos um culpado, é sempre mais fácil jogar a culpa em outros do que assumir os próprios erros e aprender com eles. E este comportamento vicioso se repete como fábula, contada e recontada desde que o mundo é mundo. É curioso ver que durante este nosso período negro na economia a procura do culpado deste caos é grande, nunca achamos ser nós o problema é sempre o outro, como bem pontua Arnaldo Jabor:
“Todos nós falamos da desgraça nacional como se fosse feita por outros, seres impalpáveis que são responsáveis por tudo. Eles podem ser o governo, o operariado, os americanos, os jornalistas, até os judeus talvez…Todos menos nós” (JABOR, 1993, Pg20).
Se o mundo está um caos é culpa do político, se você não conseguiu estudar e se formar é culpa de sua mãe. Você não é valorizado no trabalho é culpa do seu chefe, enfim, as desculpas não tem fim… Por isso quando ouço alguém falar em crise, imediatamente tento entender, qual crise?
A crise de ética, que nos leva a chamar de burro quem devolve o dinheiro que não é dele? Ou talvez seja a crise do conhecimento, já que muitos mal leem algumas linhas sem se sentirem entediados, imagine um livro inteiro. Sendo que o analfabetismo funcional está cada vez mais crescente em nosso país, por conta de pessoas que não se interessam em estudar e se aprofundar em nada. Pessoas mal conseguem interpretar uma bula de remédio, quanto mais verificar se todas as notícias divulgadas na internet são verdadeiras. Ou quem sabe uma crise de diálogo, afinal, duas pessoa que pensam diferentes geralmente não conseguem nem conversar, discutir ideias e chegar a um consenso mútuo, quanto mais falar sobre pontos de vistas.
Nesta internet da vida, tenho visto muitos citarem o mesmo texto de Provérbios 29:4:
“Quando o governo é honesto, o país tem segurança; mas, quando o governo cobra impostos demais, a nação acaba em desgraça!”.
Que não deixa de ser verdadeiro, porém poucos têm usado Provérbios 19:8:
“O que adquire entendimento ama a sua alma; o que cultiva a inteligência achará o bem”.
Será que estamos achando o bem?
Acredito que se há um culpado nesta política toda somos nós, por votarmos em pessoas erradas, não nos informarmos e deixarmos ser manipulados. Quando aprendermos a votar em pessoas certas, não em palhaços ou incompetentes e conseguirmos seguir lendo, aprendendo e se informando, o mundo se torna um pouco melhor, ou pelo menos existe a possibilidade de tal coisa.
Eu sempre digo que é só lendo para sermos relevantes. Pondé no livro Filosofia Para Corajosos nos dá uma ótima lição:
“Quem nunca leu nada não tem opinião sólida sobre nada, apenas achismo, uma opinião vazia, como diria Platão, quando fazia a diferença entre ter opinião (doxa) e conhecer algo (episteme). Conhecer demanda trabalho, conversar com outras pessoas e ler alguns livros. Na maioria dos casos, conversar com mortos. Uma opinião vazia, qualquer bêbado tem” (PONDÉ, 2016, p. 29).
Conhecer, ser relevante e fazer a diferença da trabalho, mas é preciso. Sair do comum, do automático, não é fácil, mas é importante para não sermos fantoches nas mãos de pessoas desonestas. Ninguém manipula uma pessoa com conhecimento, ninguém engana um cidadão esclarecido. O maior ato de revolução que podemos fazer hoje é ler e nos informar e como diria Monteiro Lobato: “Um País se faz com homens e livros” Então vamos começar a ler.
BIBLIOGRAFIA
JABOR, Arnaldo, Os canibais Estão na Sala de Jantar, Editora Siciliano, São Paulo, 1993.
PONDÉ, Luiz Felipe, Filosofia Para Corajosos, Pense Com a Própria Cabeça, Editora Planeta, São Paulo, 2016.
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OS DEZ MANDAMENTOS + UM – LUIZ FELIPE PONDÉ
Sou um grande fã do Pondé, tenho lido muitos de seus livros e sempre que posso vejo suas entrevistas pela internet. Gosto de quem é crítico e me leva a pensar. E quando eu descobri em sua Bibliografia um livro sobre o decálogo é claro que eu comprei.
Confesso que eu esperava reflexões livres e até a margem do que realmente os dez mandamentos quis passar ao povo hebreu, já que ele não professa a fé cristã. Mas o que eu vi foi algo totalmente inverso, um trabalho coeso e lúcido sobre estas dez leis escritas por Deus, com interpretações ótimas e fiéis. Sem contar a ponte que o autor fez entre teologia e filosofia, fazendo com que terminemos o livro com uma opinião crítica fundamentada.
A exegese do autor é muito boa, suas bases e pesquisa com autores judeus e cristãos, são muito bem feitas e a adição do décimo primeiro mandamento feito pelo autor foi perfeito. Um livro muito recomendado, que nos faz pensar e sair da caixinha.
Editora Três Estrelas, 127 páginas.
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A BÍBLIA É CONFIÁVEL?: PARTE 3
Um amigo um dia me falou que não acreditava na Bíblia porque é um material forjado pela igreja católica. De maneira tranquila perguntei: Você sabe quantos manuscritos existem espalhados em diversos países e lugares? Ele não soube responder, e por não entendermos acontecimentos passados, não entendemos a Bíblia hoje. Afinal, muitos não demoram em formular inúmeras teorias sobre este livro, mas estes sequer devem ter lido um capítulo, antes de afirmar certos equívocos. Ou usam provas e fontes tão duvidosas, que eu sequer perco tempo para responder, de tão erradas que são.
E hoje, não temos desculpas de falta de acesso a informações fiéis e coesas. Existem até ateus, estudiosos da Bíblia, que não são membros de igrejas e religiões, atestando que este livro não é forjado, que Cristo existiu e tudo mais. A primeira pergunta que eu quero responder sobre este importante escrito é se ele realmente é um material confiável, e ante tantos livros, qual seria o seu teor de confiabilidade.
Quando você fala que a Bíblia foi forjada por quem quer que seja, você não esta sendo tão inteligente assim. Pois existem cerca de 5700 cópias do novo testamento escrito em grego, sua língua original e cerca de 9000 cópias em outras línguas, sendo que alguns destes quase 15 mil manuscritos são obras completas, outros são livros, páginas e uma minoria são fragmentos. E se compararmos a Bíblia com obras importantes, apenas a Ilíada de Homero tem 643 manuscritos, a maioria dos outros escritos antigos sobrevive com um pouco mais de uma dúzia de cópias (GEISLER; TUREK, 2012, p. 230). E ao contrário do que muitos dizem, nem todas as cópias estão no domínio da Igreja Católica e sim, expostos em museus dos mais diversos países, além de encontrarmos muitos deles em sites oficiais destes museus e bibliotecas disponíveis ao público, e alguns deles são:
O Códice Vaticano: catalogado em 1475 na biblioteca do Vaticano.
O Códice Sinaítico: descoberto pelo conde alemão Tischendorf e comprado pelo governo inglês em 1933, por cem mil libras esterlinas, sendo publicado depois em um volume único.
O Códice Efraimita: que após ser vendido e mudar de mãos várias vezes, foi colocado na biblioteca nacional de Paris, onde está até os dias de hoje.
O Códice Washingtoniano: comprado de alguns negociantes, estando hoje na instituição Smithsoniana em Washington.
Os rolos do Mar Morto: descoberto em 1947, sendo esta uma das mais importantes descobertas, atualmente se encontra em Israel (GEISLER; NIX, 2015, p. 138-143).
Quanto mais cópias existem, mais oportunidades temos de confirmar se a mensagem entre eles é fiel ou não. E levando em conta o número de cópias, e os comparativos feitos até hoje, a semelhança da mensagem entre os manuscritos é grande, tendo poucas, ou quase nada de erros, sendo estes erros falhas que não comprometem o ensino ou o escrito todo.
Ai você tenta desqualificar a Bíblia com uma frase bem conhecida, que eu já ouvi muitos proferirem:
“Quem conta um conto aumenta um ponto”.
Faça o teste do telefone sem fio e veja você que a frase dita no começo da fila já virou outra coisa no fim dela, então, como podemos confiar em um livro transmitido de geração a geração, primeiro de maneira oral e depois de maneira escrita? A resposta quem dá são os autores do livro Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu:
“Felizmente o NT (Novo Testamento) não foi transmitido dessa maneira. Uma vez que não foi contado a uma pessoa, que o contou a outra, e assim por diante, a brincadeira do telefone não se aplica. Várias pessoas testemunharam acontecimentos do NT de modo independente, muitas dos quais os registraram em sua memória, e nove dessas testemunhas oculares/contemporâneas registraram suas observações por escrito” (GEISLER; TUREK, 2012, p. 230).
É errado compararmos os escritos Bíblicos a um jogo que tem a finalidade de entreter e confundir as pessoas. O evangelho foi passado a muitos, e alguns deles ao mesmo tempo. Portanto, quando lemos as narrativas dos quatro evangelhos e percebemos o quão semelhante eles são com os outros manuscritos, entendemos como a mensagem continuou digna de confiança. Existem mais provas de confiabilidade, e se eu for citar todas as provas de veracidade da Bíblia, o texto viraria uma enciclopédia, aconselho você a ler alguns dos livros citados na bibliografia do texto e verificar.
O curioso é que muitos acreditam em tudo o que leem e não param para pensar e analisar. E se algum ateu ou militante que odeia a Bíblia escreve algo, ninguém pondera e usa o mesmo sentimento crítico de confiabilidade que usam para escritos antigos de filósofos e pensadores. Porém, as provas existem, são muitos livros, e saber o parecer de quem realmente entende do assunto é fundamental para uma opinião coesa. Não quero convencer ninguém a ler e meditar na Bíblia, apenas incentivar a todos a buscar materiais mais relevantes sobre o assunto, que o resto vai vir a tona junto com as provas.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil. São Paulo, 2005.
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.
GEISLER, Norman.; TUREK, Frank. Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu. São Paulo: Editora Vida Acadêmica, 2012.
GEISLER, Norman. NIX, William. Introdução a Bíblia: Como a Bíblia Chegou Até Nós. São Paulo: Editora Vida, 2015.
BRUCE, F. F. O Cânon das Escrituras: Como os livros da Bíblia Vieram a Ser Reconhecidos como Escrituras Sagradas. São Paulo: Editora Hagnos, 2013.
GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2015.
CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. 10° ed. São Paulo: Hagnos, 2011.
GUSSO, Antônio Renato. Os Livros Históricos: Introdução Fundamental E Auxílios Para A Interpretação. Curitiba: Editora AD Santos, 2011.
GUSSO, Antônio Renato. O Pentateuco: Introdução Fundamental E Auxílios Para A Interpretação. Curitiba: Editora AD Santos, 2011.
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BISCOITOS ROUBADOS
Certo dia, uma moça estava a espera de seu voo na sala de embarque de um aeroporto. Como ela deveria esperar por muitas horas, resolveu comprar um livro para matar o tempo. Também comprou um pacote de biscoitos.
Então, ela achou uma poltrona numa parte reservada do aeroporto para que pudesse descansar e ler em paz. Ao lado dela se sentou um homem.
Quando ela pegou o primeiro biscoito, o homem também pegou um. Ela se sentiu indignada, mas não disse nada. Ela pensou para si: “Mas que cara de pau. Se eu estivesse mais disposta, lhe daria um soco no olho para que ele nunca mais esquecesse…”.
A cada biscoito que ela pegava, o homem também pegava um. Aquilo a deixava tão indignada que ela não conseguia reagir. Restava apenas um biscoito e ela pensou: O que será que o abusado vai fazer agora? Então, o homem dividiu o biscoito ao meio, deixando a outra metade para ela. Aquilo a deixou irada e bufando de raiva. Ela pegou o seu livro e as suas coisas e dirigiu-se ao embarque. Quando sentou confortavelmente em seu assento, para surpresa dela, o seu pacote de biscoito estava ainda intacto dentro de sua bolsa. Ela sentiu muita vergonha, pois quem estava errada era ela, e já não havia mais tempo para pedir desculpas. O homem dividiu os seus biscoitos sem se sentir indignado, ao passo que isto a deixara muito transtornada.
Eu li esta história há muito tempo, infelizmente o autor é desconhecido, mas seu ensino é muito claro.
Nestas nossas redes sociais, tenho visto muitos tentando defender seus pontos de vista com unhas e dentes. Por conta disso, vemos agressões, brigas e discussões atrozes, tudo em busca do estar certo, parece uma epidemia. O triste disso tudo é que em vez de respeitarmos a opinião alheia, logo taxamos o próximo dos piores adjetivos. Seja de coxinha, mortadela, ou algum palavrão ofensivo. A pergunta que fica é: Este comportamento exagerado e agressivo tem mostrado que realmente somos inteligentes, ou é apenas fruto de mentes rasas e sem sabedoria? Qual devia ser a atitude de uma pessoa realmente sábia? Provérbios 16:21 nos dá uma boa dica:
“Quem tem coração sábio é conhecido como uma pessoa compreensiva; quanto mais agradáveis são as suas palavras, mais você consegue convencer os outros (Bíblia NTLH)”.
O sábio é compreensivo, arrogância e sabedoria não combinam e só há um caminho para se conseguir aprender é a humildade.
Penso que se queremos ser relevantes e defender nossos pontos de vista, temos que aprender a falar. Ninguém ouve uma pessoa arrogante e grosseira, aliás, desconfio se uma pessoa deste tipo tem realmente conteúdo para oferecer. O versículo 23 deste mesmo capítulo nos dá mais uma ótima lição:
“O homem sábio pensa antes de falar; por isso o que ele diz convence mais (Bíblia NTLH)”.
Penso que no afã de defendermos nossas teses acabamos entrando em um terreno de ódio generalizado. Penso também que no ímpeto de expressar nossas opiniões, muitas vezes magoamos e ofendemos o próximo. Acredito que se queremos ser relevantes, temos que aprender a ouvir mais, a falar com humildade respeitando todas as opiniões.
Uma pessoa não é burra porque acredita em algo diferente de nós. Um cidadão não pode ser chamado de ignorante só por professar uma fé diferente da nossa. Ouvir seus pontos de vista, entender suas crenças e respeitar suas formas de pensar são ótimos caminhos para crescermos mais. E no final, o que vai falar mais alto é a voz da educação.
Quem busca sempre estar certo, no fundo é muito raso. Quem precisa sempre provar seus pontos de vista uns para os outros, no fundo não tem conteúdo. Quanto mais crescemos em conhecimento, mais temos a consciência que não sabemos de nada, afinal, o aprendizado na verdade é um caminho que não tem um fim, viver é aprender, e quem é humilde aprende mais.
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OS LIVROS DA BÍBLIA – PARTE 2
A Bíblia é composta em duas partes, o Antigo Testamento, que foi escrito pela comunidade judaica e o Novo Testamento, escrito pelos discípulos de Jesus e dos Apóstolos.
A palavra testamento, ou aliança, que é a tradução mais fiel, significa pacto ou acordo e para melhor compreensão podemos dividir a Bíblia ainda mais. No caso do Antigo Testamento em:
A Lei (Pentateuco): Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio.
Pentateuco significa livro em cinco volumes, seu nome original em hebraico é Torá. A tradição judaica e a cristã, atribuem a autoria do livro a Moisés porém não temos certeza disso, principalmente pelo fato de não ser possível Moisés ter escrito sobre sua própria morte (Dt 34) além da diferença literária entre eles (GUSSO, 2011, PG. 3, 4, 5).
Os livros históricos: Josué, Juízes, Rute, 1Samuel, 2Samuel,1Reis, 2Reis, 1Crônicas, 2Crônicas, Esdras, Neemias, Ester.
Estes livros falam sobre a revelação de Deus e as experiências do povo com Deus. Mostra Deus amando, corrigindo e cuidando do seu povo. Além de mostrar uma parte significativa de história do povo de Israel (GUSSO, 2011, PG. 4).
Os livros poéticos e sapienciais: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, o Cântico dos Cânticos. Que são os livros de sabedoria e poesias.
Os profetas: São os livros dos profetas do Antigo Testamento, sendo que dentro desta divisão temos os profetas maiores, e os profetas menores:
Maiores: Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel.
Menores: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.
Sendo que a classificação de maiores ou menores se dá por seu tamanho e não por sua importância (FILHO, 2002, PG.11,12).
Os livros do Novo Testamento se dividem em:
Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas, João.
São as Biografias de Cristo, conta como ele nasceu, viveu e morreu e mostra muito de seus ensinos. Os três primeiros evangelhos são chamados de evangelhos sinóticos, que significa semelhantes, e cada um dos evangelhos mostra uma característica de Cristo. Mateus apresenta Cristo como o Messias, e foi escrito para os judeus. Marcos apresenta Cristo como servo, e foi escrito para os romanos. Lucas apresenta Cristo como o Filho do Homem, e foi escrito para os gregos. João apresenta Cristo como o Filho de Deus e foi escrito para os gentios.
História: Atos dos Apóstolos.
Conta a História cristã, como ela se desenvolveu depois de Cristo ter subido. O fato curioso é que ele é tido como uma continuação de Lucas. E nós percebemos isso quando encontramos uma saudação a uma mesma pessoa Teófilo, no começo das duas cartas.
Epístolas: Romanos, 1Coríntios, 2Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenss, Colossenses, Tessalonicenses, 1Timóteo, 2 Timóteo, Tito, Filemom, Hebreus, Tiago, 1Pedro, 2Pedro,1João, 2João, 3João, Judas.
As epístolas são pequenas cartas endereçadas a pessoas, com ensinos, conselhos, e instruções cristãs. (GEISLER, NIX, 2015, PG. 6,7).
Profecia: Apocalipse.
E o apocalipse, que narra eventos que vem acontecendo. Não é apenas um livro sobre o futuro, mas um livro sobre eventos que vem se cumprindo desde aquela época.
Sem esquecer que os nomes dos livros não existiam, foram adicionados depois. Os livros eram chamados pelas primeiras palavras de cada papiro. Gênesis por exemplo se chamava: No princípio e por aí vai.
Não podemos esquecer também que a divisão em capítulos surgiu em 1227 feito por Stephen Langton. E em 1551 Robert Stephanus dividiu em versículos, influenciado por estudiosos judeus, que já dividiam o velho testamento de maneira semelhante (GEISLER, NIX, 2015, PG. 9).
Vale lembrar também que todos os evangelhos quando escritos, teriam sido anônimos, sendo que a tradição cristã atribui Mateus e João, aos dois apóstolos, Lucas e Marcos a evangelistas. (CHAMPLIN, 2013, PG. 527, 604).
Salmos 119:105 diz:
“Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho”.
É ela que nos orienta, nos ajuda e nos coloca para mais perto de Deus. É ela também que nos dá refrigério e nos mostra qual é o caminho que um cristão deve seguir. Este livro sagrado é importante para a nossa fé, para nos moldar aos ensinos de Cristo e para entendermos a sua vontade, e como o Salmo bem diz, é a Bíblia a nossa luz durante a caminhada a aqui na terra.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo, 2005.
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013.
GEISLER, Norman, TUREK, Frank, Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2012.
GEISLER, Norman, NIX, William, Introdução a Bíblia, Como a Bíblia Chegou Até Nós, Editora Vida, São Paulo, 2015.
BRUCE, F. F, O Cânon das Escrituras, Como os livros da Bíblia Vieram a Ser Reconhecidos como Escrituras Sagradas, Editora Hagnos, São Paulo, 2013.
GEISLER, Norman, Teologia Sistemática, Editora CPAD, Rio de Janeiro, 2015.
CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. 10° ED. SÃO PAULO, HAGNOS. 2011.
GUSSO, Antônio Renato, Os Livros Históricos, Introdução Fundamental E Auxílios Para A Interpretação, Editora AD Santos, Curitiba, 2011.
GUSSO, Antônio Renato, O Pentateuco, Introdução Fundamental E Auxílios Para A Interpretação, Editora AD Santos, Curitiba, 2011.
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MÁ VONTADE
Quem nunca duvidou em um momento de falta de fé? Quem nunca achou, em meio ao caos, que Deus devia estar de má vontade para te auxiliar? Às vezes é difícil enxergar luz em meio a tormenta, ou visualizar esperança em meio a nossa dor, normal. Mas a grande verdade é que quase sempre vemos Deus tendo nossas atitudes, e nossas reações diante dos problemas. Ou esperamos que Ele faça conforme achamos correto agir, é por isso que nos decepcionamos. Esquecemos que Deus é Deus e não um estagiário aprendendo como o ser humano funciona, tentando descobrir qual é a melhor maneira de resolver seus problemas.
Eu vim de uma família cristã e apesar de eu não me considerar cristão naquela época, eu conhecia a verdade, ou parte dela pelo menos. Aprendi ainda novo que para conseguirmos as coisas tínhamos que pedir a Deus com fé, trabalhar na obra e dar o dízimo, para não ser roubado pelo devorador. Aprendi também que a pessoa que não tem as coisas, é porque não tem fé. Que o cristão que tem depressão ou problemas é porque não ora, ou que somos filhos do rei aqui na terra e temos que ter de tudo. Esta era a minha crença quando novo, um pensamento que questionei muito quando cheguei em minha maioridade.
Primeiro porque sou um cara um tanto quanto racional e sempre fiquei com um pé atrás com o evangelho da emoção. Nunca acreditei que Deus se manifestava apenas em meio ao povo que fala em línguas, e tem sentimentos estranhos e variados, e se um dia eu estive presente em ambientes deste estilo, foi porque ou estava tentando entender tudo aquilo, ou eu era obrigado por meus pais a frequentar.
Segundo porque eu não acredito que Deus deva nos servir, realizar nossos desejos e caprichos. Eu sei que Ele é o nosso pai, e também sei que como pai, devemos recorrer a ele, a clamar por sua ajuda e saída, e eu também sei que toda a oração é um apelo a sua misericórdia, é reconhecer que só Ele tem poder. Mas sei também que Deus faz as coisas de sua maneira e não da nossa. E por mais que isso seja difícil de compreender, é assim que ele é, nós gostando disso ou não.
Penso que as vezes invertemos as bolas, acreditamos em Deus pelo que Ele pode fazer a nós e não pelo o que Ele fez, seu sacrifício na cruz, ou nos ter dado vida. Uma vez ouvi uma menina falar a um pastor amigo meu, que ela não tinha gostado das músicas do louvor, prontamente o pastor respondeu, ok, quando o culto for feito para adorar a você, tocarei as músicas que você gosta. Nunca esqueci este episódio, não pela resposta do pastor, mas porque as vezes sem querer pensamos assim. Achamos que tudo é para nós, que o evangelho gira em torno do nosso umbigo, contudo se abrirmos a Bíblia, descobriremos que não é bem assim.
Hoje, depois de anos e anos nesta caminhada com Deus, já mais maduro e centrado, eu ainda passo por momentos de dificuldades e falta de confiança, em momentos que me sinto sozinho e desamparado. A diferença é que de uma maneira ou de outra, creio que eu sigo o evangelho porque fui chamado, sigo nesta terra, mesmo em dificuldades e perrengues, sabendo que não estou só e que Cristo está ao meu lado eu sentindo isso ou não. Não fui chamado a sentir, e sim a obedecer e a servir a Deus. Gosto muito do texto de Filipenses 4:12-13, ainda mais vindo da Bíblia A Mensagem, de Eugene Peterson:
“Já aprendi a estar contente, a despeito das circunstâncias. Fico satisfeito com muito ou com pouco. Encontrei a receita para estar alegre, com fome ou alimentado, com as mãos cheias ou com as mãos vazias.
Onde eu estiver e com o que estiver, posso fazer qualquer coisa por meio daquele que faz de mim o que sou”.
Nossa certeza, segurança e fé deve estar n’Ele, sem esquecer que quem deve ser servido é Ele. Deus é pai, Ele não nos abandona e nos ajuda, mas Deus, ainda é o nosso alvo principal e não o nosso umbigo. Temos que parar de ficar olhando para o milagre de Deus e viver o evangelho, confiando em sua vontade e em sua maneira de agir.
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CAMINHO SEM VOLTA
Um dos temas mais abordados pela Bíblia, principalmente no Novo Testamento, é a perseverança. Essa palavra aparece pelo menos em 31 ocasiões distintas somente nessa seção da Bíblia, sem considerar outras incontáveis vezes que aparece a ideia da perseverança, mas usando outros termos. Quando o assunto é Bíblia e teologia, sabemos que há diversas linhas de pensamento. Há aqueles que entendem que um verdadeiro discípulo de Cristo não perde sua salvação em hipótese alguma, enquanto outros entendem que a salvação pode ser perdida.
Particularmente, acredito na segunda hipótese; não que a salvação seja perdida, que alguém ou algo nos tire das mãos protetoras de Deus, mas que nós, por decisão própria, podemos desistir. Ambas as interpretações baseiam-se nas Escrituras e trazem argumentações interessantes. Algo que chama minha atenção é que, uma vez que a pessoa seja salva, não há mais risco algum de perder a vida eterna, por que a questão da perseverança é tão enfatizada principalmente no Novo Testamento? Se não há perigo algum, por que Deus nos adverte tanto para perseverarmos até o fim para sermos salvos?
A questão é que a perseverança é um dos pilares do cristianismo. Entendo a caminhada com Cristo como um caminho sem volta. Pode parecer um paradoxo, já que creio que podemos desistir, mas todo aquele que conhece a verdade sabe o que significa pular fora do barco. Sabemos muito bem que teremos uma vida frustrada sabendo que estamos fora daquilo que Deus planejou para nossa vida, isso sem contar o que vem depois. Para uma pessoa que conhece a Cristo, afastar-se dele é sinônimo de infelicidade e derrota anunciada. Pode parecer simples prosseguir na caminhada com Deus, mas se fosse fácil, não haveria tantas exortações à perseverança. Analisando a questão pela perspectiva meramente humana, há inúmeros motivos para não entrarmos em uma “roubada” como o cristianismo. A própria palavra de Deus já nos adverte que estaremos nadando contra a maré, que colheremos inimizades, que o mundo nos odiará, e que, aos olhos da sociedade, seremos provavelmente fracassados. Abdicamos de muitas práticas que praticamente são necessárias para termos posições destacadas na sociedade. Ou seja, só um insano iria contra tudo isso.
Mas Deus nos chama a vivermos uma vida “insana”, contra tudo o que a sociedade crê. E para termos êxito, para chegarmos até a linha de chegada, precisamos de muita perseverança. Diariamente encontramos muitos motivos para desistir, mas olhando para Deus vemos somente um motivo para perseverarmos: o próprio Deus. E esse motivo tem um peso muito maior do que todos os motivos contrários. Há momentos em que não vemos mais saída, não temos mais forças, não temos mais esperança e parece que chegamos ao fim da linha e que fomos derrotados. Quando estamos em uma situação dessa, só temos uma coisa a fazer. Mesmo sem forças, temos que dar um passo em frente, mesmo achando que não resolva nada, dar outro e outro. Isso é perseverar. Cada passo dado é uma milha andada no caminho sem volta. O que aos olhos do mundo é insanidade, aos olhos de Deus é sabedoria. Podemos ter momentos de frustração, mas quando perseveramos, nossa vida não será de frustrações. Se praticarmos o que lemos em Hebreus 10,39, “Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição”, estaremos firmes nesse nosso caminho sem volta. Façamos da perseverança o combustível de cada passo que damos na nossa caminhada com Cristo.
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OLHO POR OLHO
A Bíblia é um livro maravilhoso, que conta a história de um Deus de amor e um bando de seres humanos que não tardam em virar as costas para Deus. Passaram-se muitos anos, e esta regra ainda não mudou. Porém, este livro tem passagens um pouco difíceis de entender, por ter sido escrito há muito tempo, em uma cultura diferente. E não é raro encontrar pessoas com interpretações das mais estranhas por aí, mostrando como muitos não se preocupam em estudar e se aprofundar na palavra. A lei de talião, por exemplo: “olho por olho dente por dente”, escrita lá em Êxodo 21:24, é uma das mais incompreendidas em nossos dias. Muitos consideram uma incoerência teológica que vai de encontro a Bíblia e do que Cristo falou, outros usam como uma boa desculpa para se vingar, mas a verdade é que ela tem sido muito mal interpretada.
Ao lermos o capítulo inteiro de Êxodo 22, vamos ver inúmeras regras de convivência para os hebreus, sendo conhecido como: O Livro da Aliança (DAVID; ALEXANDER, 1986, pg. 164). Este tratado tem o objetivo de proporcionar uma forma justa de saldar o mal feito ao próximo:
“As leis Bíblicas estavam baseadas no princípio de que o castigo deve equivaler ao crime (CARSON, 2012, p. 175)”.
Aos nossos olhos, esta lei pode parecer um tanto quanto bárbara e retrógrada, uma forma estranha de proporcionar justiça, mas para a época, era um avanço descomunal. Veja bem, quando alguém nos faz um mal, seja ele qual for, nunca pensamos em devolver na medida exata. Sempre exageramos, pensamos em uma vingança muito pior e ainda mais drástica. Naquela época não era diferente, e para garantir que a pessoa que fosse aviltada não voltasse e se vingasse de uma forma muito extrema, a lei de talião existia:
“Olho por olho, dente por dente” era uma maneira de dizer que a punição deveria ser compatível com o crime. Era uma lei promulgada para diminuir a violência, e ela demonstra um insight profundo sobre a natureza humana e o caráter da vingança (BELL, 2014, p. 133).
Afinal, quem nunca pensou em se vingar de uma maneira muito mais sórdida?
É claro que tudo isso ficou no passado, Jesus veio e nos mandou amar, dar a outra face e sermos fortes. Mas para a época, isso era um avanço tremendo. Graças a Deus que não somos mais regidos por esta lei, e que Deus não a usa em nós, como bem pontuou Luiz Felipe Pondé, em um de seus livros:
“Fosse Deus apenas justo, conforme a lei de talião, não haveria humanidade: Ele teria feito cumprir o “olho por olho, dente por dente”” (PONDÉ, 2015, p. 79).
Somos filhos de um Pai de amor, que deu o seu filho e morreu por nós, mas que aos poucos se revelou, e promulgou ordens e editos para que os homens não se consumissem. Não existe contradição, muito menos motivos para vinganças. A lei existiu no passado, como uma forma de combater a violência.
BIBLIOGRAFIA
CARSON. D. A.; FRANCE, R.T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.
BELL, Rob. Quem é Deus, Afinal?: Um convite a Buscar a Verdade Que Pode Nos Libertar. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2014.
PONDÉ, Luiz Felipe. Os Dez Mandamentos Mais Um. São Paulo: Editora Três Estrelas, 2015.
DAVID, ALEXANDER, Pat. O Mundo da Bíblia. São Paulo: Edições Paulinas, 1986.
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ICABODE – RUBEM AMORESE
Eu sempre me pergunto por que a sociedade tem caminhado por este caminho de alienação, falta de leitura, falta de compromisso e com uma vida cada vez mais egoísta. Só que eu também tenho tentando entender a secularização e a alienação da igreja, que tem sido cada vez maior e é este um dos propósitos deste livro.
O Autor Rubem Amorese traça um perfil muito interessante da nossa sociedade, mostrando como tudo em nossa volta nos influência, desde os programas de TV, as privatizações e por aí vai. O mais impressionante é que não é um livro novo, seu lançamento é de muitos anos, mas a atualidade e coesão que o livro tem é o que realmente impressiona.
Você pode não concordar com tudo o que o autor expõe, mas a sua leitura é com certeza fundamental para entender um pouco a igreja, sociedade e o caminho que as duas estão tomando.
Publicado pela editora Ultimato com 221 páginas.
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SUCESSO
Você é uma pessoa de sucesso? Você já venceu na vida? Sempre que me fazem estas perguntas eu não sei responder de primeira. Primeiro porque definir sucesso é complicado. Segundo o dicionário sucesso é:
“Êxito; consequência positiva; acontecimento favorável; resultado feliz”.
E se for nos basearmos por estes significados a coisa desanda. Afinal, para uns sucesso é bombar na internet, ser famoso, para outros é ter grana, ser reconhecido ou ter um bom cargo, deixando a definição de sucesso um tanto quanto vaga. Pessoas são complicadas, explicá-las é chegar à beira da loucura, pois cada um tem a sua característica ímpar e muitos não entendem isso. Eu tenho a minha própria definição de sucesso, está lá em Gálatas 2:20:
“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim”.
Esta é uma das minhas definições de sucesso, “estar nos centro da vontade de Deus”. Muitos medem o sucesso pela quantidade de Bens, pela fama ou pela quantidade de diplomas. Mas se sucesso é só isso temos um problema. Ambos são passageiros, acabam com o tempo, ou ficam obsoletos. Já ouvi que conhecimento é um tesouro importante e é a única coisa que não nos roubam. Eu concordava com esta frase até conhecer pessoas com Alzheimer, câncer e muitas outras doenças que nos roubam a dignidade ou até nossa própria humanidade.
Conhecimento sem saúde não serve para nada, grana sem saúde, até serve para contratar bons médicos, mas se a doença não tiver cura, só prolonga a dor. Diploma sem saúde serve como rascunho apenas, afinal, se não podemos exercer o nosso conhecimento, tudo se torna inútil.
Eu sempre digo que a vida não é tão colorida assim, como muitos pensam. E cada um sabe onde o calo aperta, é só você que pode quantificar a sua dor. Porém, estar no centro da vontade de Deus é saber que não estamos sós, é ter em mente que a nossa pátria não é este mundo, e ter sucesso é seguir fazendo a vontade do Pai.
BIBLIOGRAFIA


