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  • QUANDO AS CONVICÇÕES CONFRONTAM A PALAVRA

     Em diversas ocasiões citei a relativização dos conceitos que começa a reinar na sociedade. Parece que única norma é que não há norma e assim a sociedade começa a ruir sobre aquilo que ela mesma constrói. Esse discurso é tão sedutor que alcança até mesmo os cristãos. Há um clamor para que a igreja tome novos rumos e para que atenda aos anseios da sociedade.  Mas nesse momento chegamos a um grande paradoxo. Qual é o papel da igreja, ter o discurso pelo qual a sociedade anseia, ou aquele dado por Deus?

     É claro que igreja pode e talvez até deva rever as formas pela qual vem atuando, adequando-se à sociedade, mas nunca deve negociar os princípios divinos. Mas algo que vem chamando minha atenção, é que muitos cristãos fazem de suas convicções o modelo de vida a ser seguido, mesmo que elas firam os princípios que encontramos na Bíblia. Parece que pelo simples fato de não querer admitir uma “visão” errada, ou talvez por comodismo, muitos defendem arduamente princípios que vão totalmente contra os preceitos bíblicos.

     Vejo muitos cristãos, que movidos pelo clamor social, negociam seus princípios. Em nome de movimentos sócio-políticos, levantam bandeiras de ideais claramente contra aquilo que Cristo pregou. É comum encontrarmos cristãos que defendem acirradamente questões como aborto, liberação das drogas, legalização da prostituição, dentre outras idéias, que simplesmente não cabem no modelo de vida deixado por Cristo. E isso não são regras das igrejas, e sim princípios bíblicos. Acho muito simples: caso a pessoa não consiga concordar com os princípios dados por Deus, terá que optar em qual dos modelos deseja viver. Como dizem por aí, “simples assim”.

     Há também aqueles que optam por seguir determinadas teologias, e fazem delas uma verdade maior que a própria Bíblia. Há teologias para todos os gostos, e algumas não encontram o mínimo respaldo bíblico. Mas mesmo assim muitos insistem, distorcem a Palavra e tentam adequá-la à sua teologia, mesmo que ambas sejam incompatíveis. Nessas horas qualquer argumento, por mais estúpido que seja, é usado para sustentar sua insensatez. Teologias como a da prosperidade, da confissão positiva, do universalismo, entre outras, simplesmente negam e ignoram muitos textos encontrados na Bíblia. É muito perigoso quando edificamos nossa fé sobre pensamentos desenvolvidos por homens. Por isso, não me considero wesleyano, calvinista, arminiano, luterano, ou seja, lá o que for. Sou discípulo de Cristo e não de teologias humanas. É Cristo que transforma nossas vidas e não a teologia. Ela é uma ferramenta importante para o estudo da palavra; mas quando ela passa a ser o foco da nossa busca, é porque os valores se inverteram.

     Por mais bem intencionado que muitos sejam, caem na armadilha das convicções pessoais. Em Romanos 12, 2 lemos: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Nosso chamado é buscar Deus, conhecer sua vontade e transformar nossa vida pela renovação da mente. E isso só é possível se nosso carro chefe for Cristo. Podemos e até devemos estudar, usar a teologia para chegar a um entendimento mais amplo da Palavra. É altamente positivo envolvermos com as questões sociais, pois não podemos vivenciar nossa fé vivendo em uma ilha. Mas, á partir do momento em que questões sociais, teológicas ou algum outro movimento forem a locomotiva que puxa o trem da nossa fé, estaremos viajando sobre os trilhos errados. Quem carrega o nome de Cristo, deve fazer dele, e não das convicções pessoais, a locomotiva de sua vida, afinal é ele que deve ser a maior de todas as convicções de quem se declara cristão.

  • A PALAVRA DE DEUS – PARTE 1

    Quando nos convertemos, aprendemos que a Bíblia é a palavra de Deus, o livro que nos guia e nos ajuda aqui na terra. É o testamento e as instruções de Deus ao seu povo, mas como surgiu? De que maneira este livro foi escrito e veio a ser conhecido pelos cristãos? É sobre isso que vamos discorrer, para entender o quão importante é se aprofundar na leitura e estudo destes escritos.

    A Bíblia é a nossa regra de Fé e o seu uso de fundamental importância. Conhecer, manejar e estudar este livro deve ser prática essencial para uma vida cristã saudável. Porém, apesar de ser um livro importante, ele suscita muitas perguntas, reflexões e dúvidas, talvez por ter sido escrito em uma língua diferente, com uma cultura diferente há muitos anos atrás. O que torna o seu estudo, leitura do contexto histórico, e o entendimento do seu significado nas línguas originais, fundamental. A intenção desta série de textos é dar uma sucessão de respostas a afirmações injustas, feitas por muitos que sequer devem ter tido a paciência de estudá-la, além de passar informações básicas para quem maneja este livro e o tem como bússola em sua vida.

    Quando falamos da Bíblia, não falamos só de um livro religioso. Falamos do primeiro livro impresso por Gutenberg, falamos também do maior best-seller mundial até hoje. Traduzido em milhares de línguas, estudado e lido por muitos povos e nações neste nosso mundão.

    A palavra Bíblia (livros), se origina da cidade Fenícia Biblos. Que era um dos polos produtores do papiro, que era o papel da época (que também se chamava biblos). Com o passar do tempo, esse vocábulo passou a designar as Sagradas Escrituras. Que tem um total de 66 livros, sendo 39 do Antigo Testamento e 27 do novo, na versão da Bíblia protestante.

    Quando falamos da Bíblia, falamos de um livro inspirado por Deus, escrito através de homens escolhidos para lembrar e contar os ensinos de Cristo as pessoas. Em 2Timóteo 3:16 diz:

    “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça”.

    Este é um dos versículos mais clássicos que sustenta que a Bíblia é inspirada e revelada por Deus, juntamente com 2Pedro 1:20-21 e mais alguns outros textos. É por isso que nós cristãos afirmamos que a Bíblia é a palavra de Deus, pois a própria Bíblia afirma isso, além da própria tradição cristã:

    “A Bíblia alega ser um livro de Deus e ter uma mensagem com autoridade divina. Na verdade, os autores Bíblicos dizem ter sido compelidos pelo Espírito Santo a expressar as Suas palavras” (GEISLER, 2015, Pg. 214).

    Como vemos a Bíblia afirma ser ela inspirada por Deus e os próprios apóstolos também confirmam.

    Isso seria apenas uma das formas de provar a veracidade do Livro Sagrado, temos também inúmeras fontes externas não cristãs que sustentam a veracidade da história de Jesus. Como a obra Antiguidade dos Judeus de Flavio Josefo, alguns escritos de Tácito historiador romano, Plínio, o jovem, Suetônio, historiador romano, como vamos ver de forma detalhada em um capítulo posterior (GEISLER, 2012, p. 228).

    E estas são só as primeiras provas de veracidade da Bíblia, que fala de um Deus que dividiu a história, que se doou e morreu por nós. Homens morreram e morrem pregando esta palavra. E por mais que tentem destruir este livro, esta importante escritura continua, mostrando que além de inspirada, é guardada por Deus até hoje. Ler este livro é aprender sobre Deus. Estudar estes Escritos é ter uma luz iluminando e direcionando a caminhada cristã.

    No próximo texto, vamos conhecer melhor cada livro da Bíblia, entender suas divisões, e porque foram escritos.

    BIBLIOGRAFIA

     

    Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo, 2005.

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013.

    GEISLER, Norman, TUREK, Frank, Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2012.

     GEISLER, Norman, NIX, William, Introdução a Bíblia, Como a Bíblia Chegou Até Nós, Editora Vida, São Paulo, 2015.

    BRUCE, F. F, O Cânon das Escrituras, Como os livros da Bíblia Vieram a Ser Reconhecidos como Escrituras Sagradas, Editora Hagnos, São Paulo, 2013.

    GEISLER, Norman, Teologia Sistemática, Editora CPAD, Rio de Janeiro, 2015.

    CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. 10° ED. SÃO PAULO, HAGNOS. 2011.

    GUSSO, Antônio Renato, Os Livros Históricos, Introdução Fundamental E Auxílios Para A Interpretação, Editora AD Santos, Curitiba, 2011.

    GUSSO, Antônio Renato, O Pentateuco, Introdução Fundamental E Auxílios Para A Interpretação, Editora AD Santos, Curitiba, 2011.

  • EU CREIO!

    Um dia em uma aula da faculdade, o professor nos desafiou a pontuar em que acreditamos. Pois quando assim o fazemos, não corremos o risco de nos perder, ou nos desviar do que cremos ao longo de nossa vida. Desde então, alguns pontos tento manter vivo em minha vida e outros vou acrescentando ou até mudando. Sabemos que é fácil se perder, por isso, ter conceitos que nos mantenham cada vez mais perto de Deus é importante.

    1 – Eu creio que o amor ao próximo é a prova de uma espiritualidade cristã sadia.

    2 – Eu creio na Bíblia como um manual de caminhada com Deus.

    3 – Eu creio que Cristo morreu para salvar a todos.

    4 – Eu creio que o respeito ao próximo independe de crença, cultura ou credo e demonstra o seu grau de maturidade.

    5 – Eu creio que a soberba e o orgulho, é uma das provas do distanciamento de Deus.

    6 – Eu creio no Deus trino, Pai, Filho e Espírito Santo.

    7 – Eu creio que a leitura é a porta, para sair da ignorância.

    8 – Eu creio que o reino de Deus começa aqui na terra. E nosso papel não se restringe a apenas adorar a Deus, mas também ser apoio e ajuda na vida do próximo.

    9 – Eu creio na graça de Cristo. No poder restaurador do seu perdão, que não te condena, mas te leva mais para perto de d’Ele.

    É nisto que eu creio, isso é o que eu tento deixar guardado em meu coração, sempre relembrando, sempre pontuando, para que assim, mantenha a minha fé firme sem esmorecer e desanimar. E vocês, em que creem?

  • A LETRA VIVIFICA

     A igreja protestante brasileira apresenta vários aspectos peculiares. Um deles é que mais de 70% dos evangélicos são pentecostais ou neopentecostais. Boa parte destes entendem que não é necessário, ou até que não seja indicado dedicar-se aos estudos mais aprofundados da Bíblia. Para justificar tal atitude, descontextualizam um versículo que afirma que a letra mata. Ou seja, no entendimento desse grupo, o estudo racional da palavra de Deus pode esfriar a fé do cristão. Mal sabem eles, talvez por estudarem pouco, que a letra citada nesse versículo é a lei judaica e não os estudos acadêmicos, ou mesmo os estudos informais.

    O fato é que, de uma forma geral, os protestantes tupiniquins são um tanto quanto ignorantes quando o assunto é o conhecimento real da palavra de Deus. Sabe-se muitas baboseiras que só fazem sentido na cabeça de alguns que fazem verdadeiros malabarismos com a Bíblia, para adequar seu discurso à ela. É comum os evangélicos não saberem responder a questões básicas da fé cristã; na realidade, nem ao menos sabem defender sua fé, ou talvez nem entendam ao certo naquilo que  creem. Acho isso assustador, pois isso leva a uma vida cristã rasa, fundamentada no que se ouve falar, e não no que a palavra diz.

     Acredito que vários fatores colaboram para essa situação. Um deles com certeza é a situação mencionada, nas quais muitas igrejas entendem que os estudos não são necessários. A cultura brasileira não colabora muito para formar estudiosos ou críticos. Somos levados pela onda do senso comum. Se o pastor disse, está dito e pronto. Ele sabe mais que os demais e está certo e assim não se precisa buscar mais conhecimento bíblico. Não me sinto muito confortável com o outro motivo que percebo: da mesma forma que o governo não dá estudo ao povo para mantê-lo sob seu controle, a igreja também o faz com seus fiéis. É claro que não podemos generalizar, mas há casos nos quais isso acontece. Um “rebanho” pensador e questionador dão muito mais trabalho para ser pastoreado do que meras “vacas de presépio”. Mas o fato é, que cristãos pensadores, conhecedores e firmados na Palavra podem fazer uma diferença muito grande na sociedade. Não é à toa que a sociedade brasileira está cada vez mais sem rumo e sem princípios. Se nós, os cristãos não tomamos iniciativa em relação a nossa fé, o que esperar de quem não está nem aí?

    Se Deus não quisesse que nos empenhássemos em estudar sua palavra, ele não teria providenciado a Bíblia. Ele se revelaria apenas no sobrenatural. Acredito que isso aconteça, mas não podemos basear nossa fé em experiências pessoais. Interessante perceber que as pessoas que agem assim, não tem uma vida estruturada; vivem sua fé conforme os ventos “do espírito”. Já escrevi um texto sobre a importância de desenvolvermos uma fé racional, e a única forma de fazê-lo é estudando a palavra. É claro que nem todos tem condições de fazer um curso de teologia, mas atualmente há inúmeras ferramentas que facilitam muito a pesquisa, na qual se pode aprender muito mais. Interessante que muitas pessoas, ao se depararem com um texto bíblico um pouco mais complexo, dizem que não entendem e simplesmente fecham sua Bíblia, dizendo que ela é muito complicada e que não conseguem entendê-la, não mostrando um mínimo de interesse em dar um passo além do seu limitado conhecimento.

     No evangelho de Marcos 12:30, vemos que devemos amar a Deus de todo o coração alma e entendimento. Será que buscamos amar a Deus através do entendimento? Quanto tempo temos investido para estudar um pouco mais a palavra de Deus? Acho simplesmente vergonhoso em ver que qualquer fiel das Testemunhas de Jeová, de uns 6 meses de vivência em sua fé, simplesmente engole um cristão de 10 anos de banco de igreja quando o assunto é conhecimento Bíblico, deixando-o sem respostas. Acredito que se realmente amamos a Deus, teremos sede de conhecê-lo mais e mais. Teremos sede de ler e entender cada vez mais a Bíblia. Quem realmente conhece Deus, sabe que o conhecimento, que alguns chamam de letra, ao invés de matar, vivifica nosso espírito. Você quer conhecer mais teu Deus? Dedique tempo estudando a Bíblia. Essa é a única forma de ser um cristão relevante.

  • OS SEGREDOS DO PAI-NOSSO – AUGUSTO CURY

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    O Pai-Nosso é um dos textos mais conhecidos da Bíblia. Muitos leem esta oração, mas poucos conhecem a sua profundidade, e é esta a proposta deste livro do psiquiatra Augusto Cury.

    O interessante é a análise ponto a ponto com a visão, e as ferramentas da psicologia. Lendo, você descobre muito mais que o ensino de uma simples e importante oração, você enxerga todo um mundo por trás das palavras. Vale a pena ler, principalmente se você gosta de descobrir novos pontos de vista. É claro, você não precisa concordar com tudo o que você ler, mas que você vai sair com uma nova visão desta oração, certamente você vai. São dois livros, o primeiro analisa a psique de Deus e o outro a do homem, e você encontra ambos por um preço super em conta em livrarias, e grandes supermercados.

    Editora sextante, ambos os livros, tem quase 160 páginas.

  • CRISTO MORREU POR ALGUNS OU TODOS?

     “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3:16)” (ACF). 

    Certamente, este texto de João é um dos mais conhecidos e usados. Além de ser um registro sobre o dia que um Deus misericordioso morreu por um povo pecador e ignorante, salvando-os da morte e da condenação. O problema é que, de um texto tão claro e direto, têm surgido dúvidas e questionamentos nesta conhecida passagem. Alguns calvinistas, a fim de justificarem os seus pontos de vista concernentes à predestinação, afirmam que Cristo morreu por alguns. Quando o texto de João diz ‘mundo’, ele está se referindo aos predestinados segundo estes calvinistas. Mas será que é isso mesmo? Atentemos para alguns fatos antes de afirmarmos qualquer coisa.

    Este texto narra uma conversa entre Jesus e Nicodemos, que, a fim de entender os ensinos de Cristo, faz algumas perguntas a ele a respeito da salvação, e Jesus lhe explica (ou tenta). O curioso é que lemos somente João 3:16, ninguém lê a explicação completa, que começa no versículo 14:

    “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:14-16)” (ACF).

    Mundo, no grego kosmos, ou seja, todos e tudo e não alguns, a palavra aqui não diz sobre predestinados ou o que quer que seja, diz sobre todos os que creem. Alguns vão afirmar que o termo ‘todos’ se refere aos predestinados, outros vão falar que se Deus morreu por todos, então todos devem ser salvos, mas não é o que o texto afirma, João deixa claro um ensino importante: a salvação só vem por intermédio de Cristo, só crendo n’Ele. Quem crer e for batizado será salvo, quem não crer, já está condenado. O teólogo Champlin acrescenta algo interessante sobre isso:

    “Aqui é descrita a fé em sua grandeza, porquanto é por intermédio do homem Jesus que vem a experiência da regeneração” (2014, p. 401).

    É só por meio de Cristo que somos salvos, mediante a crermos nele ou não, como fica claro no versículo 18:

     Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (ACF).

    Carson faz um comentário interessante sobre esta passagem:

    “A declaração do versículo 16 exprime de forma concisa três verdades: o caráter universal do amor de Deus, sua natureza sacrificial e seu propósito eterno. Não é de admirar que tenha sido descrito como “o evangelho numa casca de noz”, ou seja, o evangelho contido em poucas palavras” (CARSON et al., 2009, p. 1552).

    Como vemos, o texto está claro, só que muitos têm dificuldade de aceitar, por ter a proposição crer n’Ele, que dá a entender uma escolha. Mas, além do texto dar a entender que temos que dar um passo, ele diz que Cristo morreu por todos, e em outro versículo fica comprovado isso, quando o autor cita algo parecido com esta passagem, para a pergunta, quem devemos amar, está lá em 1 João 4:7 a 21. Onde o autor começa falando que devemos amar a todos, pois quem diz que ama a Deus, e não ama o seu irmão, é mentiroso (1 João 4:7), quem ama é nascido de Deus. Com isso, o autor da epístola diz que Deus provou o seu amor, morrendo por todos (1 João 4:9-11).

    “Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos” (ACF).

    Novamente, o texto aqui diz mundo, kosmos, e a Bíblia deixa claro que, além de amar a todos, nós devemos crer (v. 16). É interessante ler também Mateus 23:37, que mostra Cristo lamentando por Jerusalém não querer ouvi-lo. E 2 Coríntios 5:14-19 é outro versículo que diz que ele morreu por todos, porém é claro que, apesar da morte possibilitar a salvação de todos, não salvou a todos (GEISLER, 2015, p. 264). Agora, como esta salvação se deu, como funciona ser predestinado, ou será que tomamos a decisão ou não, não é a questão agora, e sim se a sua morte foi por todos ou por alguns somente, e o texto é claro, foi por todos.

    Eu sempre digo que, se for para crescer como cristão, é bom seguir alguma destas teologias, tendo base e fonte de estudo para a caminhada. Mas quando viramos militantes destes pensamentos, seja de Calvino ou Armínio, em vez de seguirmos procurando a verdade, ou estudarmos em busca da melhor conclusão, lamentavelmente, vamos estudar para proteger alguns destes pontos de vista. É por isso que não adoto estas visões, pois busco em minha vida a verdade. Posso estudar, entender ou crescer com alguns de seus ensinos, mas não tomo partido de suas formas de pensar. O meu lado é a verdade, seja ela qual for, quero estar mais perto do que Deus quer para mim. E não defender estas teologias humanas.

     

    BIBLIOGRAFIA

     CARSON. D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2009.

    CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo: Volume 2. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.

    Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005.

    GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2015.

  • INFLUENCIANDO OU SENDO INFLUENCIADOS?

    Há um conceito que afirma que somos fruto do meio em que vivemos. Em parte isso é verdade, pois podemos ser influenciados por tudo que está ao nosso redor. Mas o que vemos ou ouvimos não deve necessariamente determinar quem somos e sim, que somos influenciáveis. Isso não é necessariamente bom ou ruim; só temos que saber quando influenciar e entender quando estamos sendo influenciados.

    A Bíblia é nossa referência para isso. Temos que deixar que Deus nos influencie, mas ao mesmo tempo temos a missão de influenciar o mundo. Somos o sal da terra e luz do mundo. Isso é influência. E será que nós, a igreja, estamos influenciando a sociedade ou é ela que está nos influenciando? Infelizmente, acho que o mundo tem exercido uma influência muito maior na igreja, do que ela no mundo. Se os cristãos fossem mais influentes levando a vida que Cristo propõe, a sociedade não estaria ruindo da forma que estamos vendo. Basta analisarmos o momento que vivemos em nosso país que isso fica claro. Perdeu-se a noção de tudo. Será que a palavra de Deus não tem força suficiente para transformar a sociedade? Acho que com a atitude atual da igreja, não.

    Quando pensamos na questão da igreja ser influenciada pelo mundo, logo nos vem à mente questões como sexo, bebida, formas de se vestir, músicas que se ouvem na igreja e outras questões comportamentais. Isso realmente podem ser questões que atrapalham a vida da igreja, mas acredito que o que está realmente destruindo a igreja, na maioria das vezes, tem passado despercebido.  O maior perigo não são os cristãos terem algumas atitudes do mundo, mas sim pensarem como ele.

    Olhando para as igrejas, vejo estacionamentos lotados de carros que, às vezes, ultrapassam a casa da centena de milhares de reais, enquanto que há irmãos passando necessidade. Isso é ser influenciado pelo mundo. Também vejo partidarismo, disputas de poder nas igrejas, e muitos, mas muitos fazendo dos cargos que exercem nas igrejas, um palanque para a promoção própria. Falando em palanque, fico envergonhado ao ver que, na famigerada “Marcha para Jesus”, em Curitiba, abre-se espaço para políticos corruptos, como o governador do estado do Paraná. Pastores se alinham ao lado deles para saírem bem nas fotos e ainda bradam aos quatro cantos do planeta que o governador participou de orações durante a manifestação. Me poupem de tamanha cretinice!

    Será que o nome de Jesus está sendo engrandecido com isso? Isso é uma marcha para Jesus? Também vejo cristãos de destaque, fazendo negócios desonestos, crentes engravatados com a Bíblia debaixo do braço tramando nos bastidores para obter vantagens nas próprias igrejas, sem que vejam problemas nisso. E tudo isso, em nome do ministério ou até mesmo de Deus. Tudo isso é normal e bem visto.  Não falo isso para denegrir a imagem da igreja, mas para lançar um alerta, para que reflitamos o que realmente é “mundanizar” a igreja. Será que mundanizar a igreja é sentar-se com amigos do trabalho e tomar uma latinha de cerveja?

    Em Romanos capítulo 12, Paulo nos adverte a não tomarmos a forma do mundo, mas para que sejamos transformados através da renovação da nossa mente. Só conheceremos essa renovação se praticarmos os ensinamentos de Cristo; não de uma forma legalista ou farisaica e sim, fazendo porque realmente pensamos assim. Será que a minha e a tua vida estão influenciando o mundo, ou somos influenciados por ele? Estamos sendo luz no mundo ou é o mundo que lança sua luz em nossa vida?

    Quer queiramos ou não, constantemente influenciamos e somos influenciados. Essa influência pode ser positiva ou negativa. Nossa missão é perseverar na Palavra, dobrar nossos joelhos pedindo sabedoria divina para não cairmos nas armadilhas da vida. Não esqueça que o diabo não brinca de ser diabo; geralmente ele se empenha muito mais em seu trabalho do que nós no nosso. Que a igreja acorde e se levante, antes que seja tarde.

    Bruno Wedel.

  • IDIOTA

    Quem nunca foi subestimado ou tirado para insignificante, não sabe o gosto que a palavra idiota tem. Idiota significa: Ignorante, pessoa sem inteligência. E isso, ninguém gosta de ser, não é?

    Sempre tive a “sorte” de trabalhar com chefes arrogantes e mal educados, não todos, mas muitos.  E um deles dizia que gostava de pisar em pessoas, achava legal quando o odiavam. Ele, acredito eu, era a prova viva de que estudo não forma pessoas inteligentes, afinal, ele tinha pós-graduação fora do país e um ótimo currículo, só esqueceu-se de fazer uma especialização em boas maneiras. Sofri horrores com este chefe, mas aprendi como é horrível fazer o outro de idiota, porém quando eu leio algumas histórias da Bíblia, tenho a sensação de que também muitos foram feitos de idiota.

    Davi foi um deles, o que ele passou de dificuldades não esta escrito. Mas talvez o que eu considero mais difícil em sua vida, foi quando Samuel mandou Jessé chamar os seus filhos, que um deles iria ser ungido rei e Davi, sequer estava no meio deles (1Samuel 16:1-13). E porque estaria? Quem seria o louco de escolher um menino fraco e pastor de ovelhas para uma tarefa tão importante? Bem, Deus escolheu, pois os caminhos de Deus são sempre diferentes dos nossos caminhos.

    E o que falar de José, vendido como escravo pelos irmãos (Gênesis 37:25-28), e depois de ir trabalhar em um bom lugar, é condenado injustamente (Gênesis 39) e na cadeia ajuda uma pessoa, que em vez de retribuir a ajuda falando com o rei, avisando que ele tinha sido condenado injustamente como havia pedido, esqueceu-se e foi lembrar de José dois anos depois (Gênesis 41), e quando José era governador, estava rico e tinha poder, em vez de se vingar dos seus irmãos, perdoou-os. Quer homem mais idiota que este?

    Isso sem falar dos muitos missionários, que em vez de cuidarem de suas carreiras, ganhar dinheiro, preferem obedecer a um chamado de Deus. Ou Lutero, que escreveu muitos livros, vendeu milhões deles, mas não quis royalties de seus escritos, preferindo escrever apenas para ajudar outros, ou só para divulgar a palavra de Deus, que idiota. E o que falar de Cristo, que era Deus, mas veio a terra em forma de homem, serviu, em troca de nada, só por amor mesmo e ainda morreu nas mãos destes que Ele amava.

    O mundo tenta nos fazer de idiota sempre, quando medem a importância de um ser humano pelo seu dinheiro ou status, ou quando coloca um preço em nossos atos. E mais ainda, quando afirmam que uma pessoa de sucesso é aquela que tem fama e dinheiro. Em 1Coríntios 1:19-20 diz:

    “Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, E aniquilarei a inteligência dos inteligentes.
    Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?”.

    O mundo não compreende a loucura da pregação e muito menos quem se dedica e trabalha para Cristo, quem não tem Deus não entende o quão vazios somos sem Ele, e seguem as suas vidas passando por cima uns dos outros, medindo seu poder achando que viver é ter grana e prestígio.

    Estes homens citados tem uma coisa em comum, serviam a Deus de coração, e sabiam que fazer a sua vontade era a melhor atitude a ser tomada. Seguir os conceitos do mundo, sempre nos leva para outros caminhos, e isso eles sabiam bem, o problema somos nós, que sempre nos deixamos levar por estes conceitos, nos contaminar por estes ensinos que sabemos que vão de encontro com o que Deus quer de nós. Mas quando eu olho o exemplo de muitos destes homens, que fizeram o que acreditavam, sem medo do que os outros pensavam deles, eu me inspiro e lembro do quão falho sou.

    Muitas vezes esquecemos que o discurso do mundo é passageiro, é temporário, como os dias aqui na terra. Mas o que acreditamos e o que seguimos é um Deus que nos dá uma vida plena, que começa aqui e termina na eternidade. Não é fácil obedecer a Ele, muito menos é fácil seguir o que Deus tem para nós, mas vale a pena, vale muito. E se colhemos lágrimas hoje, ou vivemos uma vida “fracassada” aos olhos do mundo, temos que lembrar que o que fazemos é loucura para eles. Viver o cristianismo não é para qualquer um, tem que ser forte, tem que estar firmado na palavra e crer que em tudo Deus esta conosco. 

  • O QUE É SER AMIGO?

    Aprendi ao longo da vida que ninguém que passa por nossas vidas o faz sem deixar um pouquinho de si. Às vezes este pouquinho é muito bom, às vezes não é tão bom assim, mas em ambos os casos, a experiência que um deixa para o outro é a diferença que nos faz crescer e amadurecer, ou talvez apenas nos trazer boas lembranças e vivencias inesquecíveis.

    Aprendi também que uma boa amizade não é medida com a quantidade de horas ou o quanto um sabe da vida do outro. E sim o quão sincero e construtivo foi os momentos vividos. Mesmo sendo poucos, afinal, a vida ensina que uma amizade às vezes não dura muito, às vezes dura anos ou horas, mas o indicativo de uma verdadeira amizade é a marca da boa lembrança. Muitos dizem que a verdadeira amizade nunca acaba, mas não acredito nisto, a cada dia mudamos um pouco, sonhamos com algo diferente ou tomamos caminhos que antes talvez não iríamos tomar, a vida é dinâmica e as vezes por conta destes sonhos, planos ou as tais ironias do destino, tudo muda de uma hora para outra.

    Gosto de um versículo do livro de Eclesiástico 6:14, presente somente nas Bíblias católicas:

    “Amigo fiel é poderoso refúgio, quem o descobriu, descobriu um tesouro (Bíblia de Jerusalém)”.

    Não quero entrar no mérito dos livros da Bíblia Católica, e sim para a mensagem que o versículo traz e como há verdades nestas palavras. Neste mundo individualista, com amizades mediadas por uma tela de computador ou celular, ter alguém que verdadeiramente podemos contar é ganhar na loteria.

    Muitos dos meus grandes amigos eu ainda convivo e dou graças a Deus por isso. Outros, os acontecimentos da vida nos separaram e eu lamento por isso ter acontecido. Alguns deles sabem como sou péssimo em manter amizades em distância, e eu sei que muitos deles estão descobrindo isso agora. Mas o principal disso tudo é que nunca me esqueci dos momentos e lições que estes deixaram em minha vida. Não sei se no fim sou um bom amigo, não sei também se irei rever muitos deles em vida, mas sei que por onde vamos carregamos lembranças e momentos e isso o tempo não tira.

    Amizade boa não é aquela que dura, mas aquela que marca. Às vezes a distância separa amigos, mas ela nunca tira lições e lembranças que a vivência trouxe. E no fim, as recordações sempre ficam, por isso, acabamos nunca nos separando.

  • O TERMÔMETRO DE DEUS

     A diversidade entre as características das pessoas é quase que infinita. São gostos diferentes, percepções distintas e até mesmo uma forma de encarar a vida e o mundo que não é igual para todos. Mas acredito que haja uma busca comum em todo ser humano saudável. Todos nós queremos ser felizes; mas parece que quanto mais a sociedade caminha pelo tempo, mais distante do rumo ela se encontra.

     Antes de mais nada, acho interessante entender que felicidade não é sinônimo de alegria. A definição de felicidade, segundo os dicionários, é: “concurso de circunstâncias que causam ventura (riqueza próspera)”. Já alegria é definida como: “manifestação que causa contentamento”. Em minha opinião, a felicidade é um estado na qual a pessoa vive, ao passo que alegria é uma emoção. Podemos ser felizes passando por situações difíceis que nos causam tristeza, dor e outros sentimentos negativos. Felicidade é um estado duradouro, e não momentâneo como a alegria; mas é claro que ambos os conceitos estão relacionados.

     Quanto mais o homem busca a felicidade, mais longe ele fica dela. Busca-se a felicidade em coisas, tentando provocar sensações de prazer, enquanto que a felicidade é algo muito mais profundo; é estar de bem consigo mesmo e se encontrar-se dentro de si . E isso só é possível quando nos relacionamos com Deus. Cristo disse que ele veio para termos vida, e vida em abundância. Essa é a resposta para nossa busca. Não se trata de religião, mas sim uma vida com o criador. Mas olhamos para os bancos das igrejas e vemos uma cristandade que até pula com as músicas mais animadinhas, que sente arrepios, mas quando sai da porta da igreja volta para seu mundinho dos outros 6 dias da semana onde a realidade é muito diferente. Saí-se do palco para voltar à vidinha. Isso não é felicidade. Felicidade é algo que todo o cristão deve ter. Tenho receio de fazer afirmações que generalizam conceitos, mas ouso dizer que é impossível haver um cristão genuíno que não seja feliz. Pode haver aqueles que vivem uma vida sofrida, que choram, lutam arduamente com enormes dificuldades, mas que em seu íntimo olham para Deus e sentem-se felizes, gratos e alegres por ter conhecido Deus. Deus não é uma válvula de escape o qual buscamos para dar uma descansadinha para depois voltarmos a uma vida desgraçada. Mas, infelizmente, esse tipo de situação é muito mais comum do que podemos imaginar. Não conseguimos ver a alma das pessoas, mas os olhos são a janela da alma, e vejo como falta brilho nos olhos dos cristãos; o brilho da luz de Cristo.

     Uma frase que me marcou muito, foi escrita, se não me engano, por Augusto Cury. “Todos os homens morrem, mas poucos realmente vivem”. Trata-se de uma afirmação chocante, mas verdadeira. Só realmente vive aquele que é feliz. Aquele que olha para sua vida e quer vivê-la com cada vez mais intensidade e que gosta de viver. Em minha opinião, como cristãos não podemos deixar de sermos felizes. Como é possível não ser feliz quando olhamos para Deus, sabendo que ele nos tirou do outro lado, da morte e da perdição, por querer nossa companhia por toda a eternidade? Só não é feliz aquele que não consegue ter pelo menos uma pequena noção do que seja o reino de Deus.

     A felicidade ou a infelicidade são como termômetros que podem mostrar para nós mesmos se estamos ou não no caminho certo. Se você já tem uma boa vivência dentro da igreja mas no fundo não se sente feliz, repense tua vida e avalie teu relacionamento com Deus. A grande notícia, a melhor delas, é que a felicidade está ao alcance de todos e não depende daquilo que fazemos, mas sim daquilo que somos em nosso relacionamento com Deus. Viva e seja feliz!