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  • O ÔNUS DO BÔNUS

     Vivemos em um país de 3º mundo, onde há muita coisa para ser mudada. De uma forma geral ficamos admirados, e até com “inveja”, de como as coisas funcionam bem em países desenvolvidos. Parece que quase tudo funciona como um relógio suíço e gostaríamos de viver uma realidade parecida. Mas há um pequeno detalhe. Geralmente queremos viver uma realidade dessas, mas sem pagar o preço. Admiramos a segurança que existe no trânsito japonês, citando apenas um exemplo, mas não somos capazes de respeitar uma simples placa de sinalização, e quando somos punidos por infringir regras, reclamamos da “indústria das multas”, e nos achamos injustiçados. Ou seja, queremos o bônus sem arcar com o ônus para desenvolver uma sociedade melhor.

     Mas não podemos pensar em vida em sociedade esquecendo de aplicar os princípios em nossa vida pessoal. A vida social é reflexo de como cada cidadão vive como indivíduo. Sou conhecido por ser uma pessoa muito crítica. Está certo que tenho que cuidar com isso, mas acho que em alguns casos devemos ser críticos. Por exemplo: sou mais crítico com quem carrega o nome de Cristo. Não por esperar que seja uma pessoa boazinha ou perfeita; o que espero dela, é que tenha atitudes coerentes com o seu discurso. E nessa questão do ônus e bônus, também se aplica na nossa espiritualidade.

    É claro que a salvação não depende de nossos esforços, e a alcançamos pela graça e misericórdia de Deus. Não há nada que possamos fazer, além de uma decisão pessoal, que vá incrementar algo para sermos salvos. Mas é fato que a Bíblia está recheada de conceitos nos quais vemos claramente que devemos esforçar-nos para nos manter firmes. Talvez o exemplo que melhor mostre essa realidade é a vida de devocional dos cristãos. Todo cristão quer conhecer mais Deus, saber sua vontade para sua vida, e também usufruir das bênçãos do criador. Mas pesquisas mostram que o tempo que cada cristão investe na devocional é simplesmente ridículo. Cerca de 70% dos pastores não tem uma vida devocional consistente. É uma questão de lógica; como queremos conhecer Deus se não reservamos pelo menos 20 minutos por dia para ter um momento a sós com ele? Você realmente acha que eu vou desenvolver minha espiritualidade assistindo seriadinho da TV ou batendo papo no facebook? Não que isso seja errado, mas para isso geralmente arranjamos os 20 minutos por dia.

     Acabei de usar o termo “desenvolver a espiritualidade”. Isso me lembrou de uma palavra do apóstolo Paulo aos Filipenses, quando ele os exorta para desenvolverem sua salvação (Fil. 2.12). Esse desenvolvimento cabe ao homem. Fala-se que a meritocracia não se aplica na vida cristã; será? Não se aplica no caso da salvação, mas o que dizer da parábola dos talentos? O que aconteceu com aquele servo que não fez nada com o que recebeu?. O que a palavra fala sobre a pessoa que não trabalha? Isso sem citar o versículo de Hebreus 12, onde lemos que sem santificação ninguém verá a Deus. Ora, o processo da santificação depende de cada um, onde devemos investir esforços para desenvolver um caráter o mais parecido possível com o de Deus.

     Vivemos uma realidade na qual parece que há um senso comum em boa parte das igrejas que Deus faz tudo, e é ele que faz as coisas acontecerem. Ele realmente pode fazer tudo acontecer, mas é muito cômodo ficar sentado, de mãos estendidas esperando que as bênçãos caiam do céu. Será que a vida é assim?  Para aqueles que realmente querem um vida que tenha a plenitude do Espírito Santo, só há um caminho. Arregaçar as mangas e investir em uma vida cada vez mais íntima com Deus; mas isso demanda atitude e geralmente grandes esforços. Afinal, não há bônus sem ônus.

  • INERRÂNCIA OU INFALIBILIDADE BÍBLICA?: PARTE 4

    Como temos visto nesta série de textos, a Bíblia é um livro importante é a base de toda a nossa vida, o caminho para sabermos a vontade de Deus e a instrução para seguirmos sua vontade, o que para um cristão não é novidade (ou não deveria ser).

    O que pouco é falado e às vezes até maquiado é que a Bíblia tem questões difíceis de entendermos e quem sabe até possíveis contradições, visto por alguns como erros Bíblicos, e por outros como apenas questões complicadas e de difícil interpretação. O que nos deixa a pergunta: Afinal a Bíblia tem erros ou não? O ensino que ela proclama, se mantêm intacto durante estes anos todos ou não? Vou responder esta pergunta citando dois dos principais conceitos teológicos, a inerrância Bíblica e a Infalibilidade Bíblica.

     A inerrância prega que a Bíblia não contém erros:

    “Por inerrância das Escrituras entende-se que as Escrituras nos manuscritos originais não afirmam nada contrário aos fatos” (GRUDEM, 2010, Pg. 59).

    E é aí que a coisa complica, pois alguns teólogos vão afirmar que a Bíblia não contém erros ela é inerrante, outros vão falar que apenas os originais eram inerrantes o que também dá uma boa briga de teólogos, e se levarmos por este lado a discussão aumenta mais, pois muitos acreditam que a Bíblia não contém erros, e os erros, ou, as questões complicadas que a Palavra expõe são todas explicáveis. Existem sites e livros cristãos especializados nestes assuntos, porém muita coisa não é explicada, por exemplo:

    “Em 1Coríntios 10, Paulo adverte seus leitores a evitar cometer os mesmos erros imorais e idólatras que o povo hebreu cometeu no deserto quando “num só dia morreram vinte três mil” (1Co 10:8)”.

    Só que ao lermos a passagem do Antigo Testamento (Números 25:9) o texto relata 24 mil. É uma diferença pequena, mas não deixa de ser um erro ou uma questão de difícil interpretação (OLSON, 2003, p. 150). Isso que eu não vou entrar na questão de como Judas morreu, nem sobre a mentira no Velho Testamento, e muitas outras coisas que até tentam explicar, mas muitos forçam a barra, então qual é a saída? A infalibilidade bíblica, que, diga-se de passagem, é um conceito pouco usado hoje em dia.

    A infalibilidade prega que a Bíblia é infalível no propósito de ensinar o cristão sobre Deus. E seus “erros” ou contradições não comprometem o ensino Bíblico sobre a fé:

    “A Bíblia é a autoridade inspirada e infalível do cristão para todas as questões de fé e prática e, ao mesmo tempo, é imperfeita com respeito a assuntos não espirituais” (OLSON, 2003, p. 151).

    A Bíblia é infalível e inspirada, ela é o caminho para acharmos Deus, e segundo esta escola teológica, a Palavra pode até ter erros na parte histórica, mas não nas questões espirituais, não comprometendo assim o ensino de Cristo.

    Sabemos que é difícil, como bons cristãos que somos, afirmar que a Bíblia contém passagem de difícil interpretação, mas ela contém, se estão erradas, não sei dizer, mas são complicadas. Contudo, uma coisa sabemos, este poderoso livro nos inspira e nos deixa mais perto de Deus e isso é uma fato. Ela não é um livro comum, é algo realmente poderoso e divino, se tem conceitos complicados com certeza não compromete o livro todo.

    BIBLIOGRAFIA

    Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Bíblica do Brasil, 2005.

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.

    GEISLER, Norman.; TUREK, Frank. Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu. São Paulo: Editora Vida Acadêmica, 2012.

    GEISLER, Norman.; NIX, William. Introdução a Bíblia: Como a Bíblia Chegou Até Nós. São Paulo: Editora Vida, 2015.

    BRUCE, F. F. O Cânon das Escrituras: Como os livros da Bíblia Vieram a Ser Reconhecidos como Escrituras Sagradas. São Paulo: Editora Hagnos, 2013.

    GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2015.

    CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. 10. ed. São Paulo: Hagnos, 2011.

    GUSSO, Antônio Renato. Os Livros Históricos: Introdução Fundamental E Auxílios Para A Interpretação. Curitiba: Editora AD Santos, 2011.

    GUSSO, Antônio Renato. O Pentateuco: Introdução Fundamental E Auxílios Para A Interpretação. Curitiba: Editora AD Santos, 2011.

    OLSON, Roger. História das Controvérsias da Teologia Cristã. São Paulo: Editora Vida, 2003.

    GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática: Atual e Exaustiva. São Paulo: Editora Vida Nova, 1999.

  • O CAMINHO DO CORAÇÃO – RICARDO BARBOSA

    ricardo

    Há muito tempo atrás me indicaram este livro, na época por conta de muitas leituras da faculdade fiquei de procurar o livro mas não dei muita atenção. No fim, por ironia do destino, fui trabalhar na editora que publicou o livro e ler foi quase automático.

    O livro fala basicamente sobre espiritualidade cristã, começa falando de Jó, a trindade, sobre os pais do deserto, Deus e sobre a confissão. E nos mostra alguns detalhes na prática cristã que estamos esquecendo, e um deles é o silêncio, como bem ressalta o autor com uma ótima poesia sobre, escrita quase no meio deste livro:

    “Em primeiro momento,

    O silêncio é pura privação,

    Carência, vazio enfadonho,

    Um desapegar-se das pessoas,

    Das coisas e das atividades atraentes.

    O silêncio é percebido

    Como inútil, aborrecido,

    Perda de tempo (BARBOSA, 2004, pg. 115)”.

    Enfim, o livro é muito profundo, reflexivo e importante para quem quer buscar uma vida cristã mais centrada na palavra.

    Quem tem deixado certos conceitos de lado tem a oportunidade de revê-los e voltar a praticar. Quem nunca praticou, vai descobrir caminhos essenciais para a vida cristã. Vale a pena ler!

    Encontro Publicações, 205 páginas.

  • PROBLEMAS NA IGREJA

    Quem nunca teve problemas com a igreja que atire a primeira pedra. Congregar, estar em meio a outros é ter a certeza que teremos confrontos e desavenças. O que vai definir sua permanência de maneira saudável é a forma com que você vai lidar com todos os percalços que uma igreja traz.

    Eu não posso falar que soube lidar com os problemas eclesiásticos quando estes surgiram, quando eu era novo. Permiti me afetar por pessoas e segui durante a minha permanência na igreja me magoando mais do que resolvendo problemas e no fim, sair e mudar de comunidade foi a melhor solução para a convivência desgastada e difícil.

    Hoje, quando eu penso em tudo com a cabeça mais fria e com calma, acredito que poderia ter resolvido os problemas com mais assertividade e não complicar tanto como fiz, e o que se segue é justamente algumas atitudes que eu deveria ter tomado, se não tivesse sido tão cabeça dura na época.

    O confronto com pessoas, ideias e opiniões diversas é natural, onde tem pessoas tem conflitos, mas eu acredito que a primeira coisa que prejudica os relacionamentos são problemas não tratados. Guardar para si situações, não é evitar problemas e sim, adquirir muitos outros. Uma coisa que não se resolve, vira um gigante, um monstro muitas vezes difícil de controlar.

    Por isso que conversar, resolver, se abrir e tentar destruir o mal pela raiz é fundamental para não ficar sendo perseguido por velhos fantasmas. O problema é se o seu líder não tem esta abertura, aí você tem um grande desafio e provavelmente não vai ter sucesso, pelo menos na maioria dos casos, e o fim será você tentar achar um lugar onde o diálogo seja um pouco mais efetivo. Mas tente conversar, vale sempre a pena dialogar, se der errado, você sai com o sentimento de dever cumprido, visto que, pelo menos tentou resolver.

    A segunda coisa é achar que tudo deve ser da sua maneira e isso é um desafio, principalmente para quem tem uma certa bagagem e sabe as melhores estratégias para a obra funcionar. Neste momento amigo, ter certa humildade é fundamental, principalmente quando o seu líder não te ouve. Paciência e domínio próprio são ferramentas para que você não chute o pau da barraca e vai por mim, jogar tudo para o alto não é o melhor caminho.

    Sabe, muitas vezes nosso pastor pode estar errando, mas ele erra tentando fazer o certo. Esquecemos que estes homens não são infalíveis e tem seus monstros, suas dificuldades e seus esqueletos no armário. Ninguém é perfeito amigo, inclusive seu pastor e se muitas vezes ele faz algo que você não concorda, em alguns casos é tentando acertar. É claro que eu não estou falando de exageros, nem de pastores que são tiranos e exploradores e sim, destes homens de Deus que muitas vezes tem problemas ou não sabem lidar com determinadas situações.

    É claro que não estamos na igreja por causa de pessoas, é claro também que temos que olhar mais para Deus do que para nós, porém, é inevitável, como seres humanos que somos, querer ajudar, ser útil e se sentir valorizado.

    Mente muito bem quem diz que vai a igreja e não liga para o convívio, sendo que uma comunidade é um corpo, um grupo, e você se sentir bem é o mínimo para que a convivência flua.

    Papos como: “você não esta aqui por causa do pastor” são equívocos, conversa de quem não quer sentar e resolver um problema. Somos um corpo onde todas as partes tem a sua função, como bem pontua Paulo (1Coríntios 12:12). Falar que estamos na igreja apenas por causa de Deus é não entender o propósito de ser igreja, que é conviver e nos auxiliar, sendo que a parte humana é fundamental, não só a espiritual. Falar que temos que ir para a igreja sem olhar para o irmão, pastor ou quem quer que seja é não entender o que é ser igreja, é esquecer que conflitos acontecem, temos que apenas aprender a lidar com eles.

    Sair de uma igreja nunca é fácil, seguir para outra comunidade e começar de novo, nem sempre é tranquilo, isso quando você consegue frequentar outro lugar. Mas acredito que vale a pena tentar persistir e aprender a lidar com a situação, porém, algumas vezes você vai perceber que sair é a melhor opção, e se você assim fizer, não deixe nada para trás. Sair pela porta da frente é o mínimo, para você seguir sua vida com Deus de cabeça fria. Resolva os problemas, converse e acerte os pontos, pois esta é a melhor maneira de você seguir em uma outra comunidade sem os vícios e feridas das más experiências sofridas e no final, o que vai restar é a experiência que fará com que você veja a igreja de outra maneira.

  • O QUE HÁ DE ERRADO COM O MUNDO – CHESTERTON

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    Considero uma dupla alegria falar deste autor. Primeiro porque sou muito fã dele, segundo porque ganhei este livro em um sorteio, um presente de ouro, diga-se de passagem.

    Começo a resenha da forma mais honesta possível e já aviso, os livros do Chesterton não são fáceis de ler. Quem não esta habituado a este tipo de linguagem, certamente derrapará várias vezes na leitura, voltara páginas e terá algumas dores de cabeça. Mas o meu conselho é leia, não desista, pois muitas vezes o que vale a pena e nos faz crescer é justamente algo que nos traz desafios. Já vou avisando também que a mínima distração te faz perder todo o fio da meada, ler Chesterton é como caminhar sem pressa, observando a paisagem, tomando nota de todos os detalhes.

    O livro, como o título bem diz, fala sobre a sociedade, capitalismo, comunismo e disparidades econômicas em geral. E apesar de ter sido escrito em 1910 é de uma atualidade impressionante. É como se ele tivesse ao nosso lado, observando o caos acontecer e escrevendo, como fica claro no primeiro capítulo deste livro:

    “As últimas décadas foram marcadas por um cultivo especial da romantização do futuro. Parece que desistimos de entender o que aconteceu e, com uma espécie de alívio, voltamo-nos para o outro lado, movidos por um firme propósito de dizer o que irá acontecer, o que, aparentemente, é muito mais fácil (CHESTERTON, 2013, Pg. 39, 40)”.

    Nossa sociedade tem suas mentes focadas em arranjar desculpas, em sonhar um futuro, sem analisar os acertos e erros do passado para construir um melhor porvir.

    A leitura é instigante, te leva à reflexão e a busca de um equilíbrio coeso em seus pontos de vista. O autor não economiza as palavras e procura dissecar todos os lados da moeda antes de dar uma conclusão, fazendo-nos no fim de tudo, ter um ponto de vista mais centrado e crítico. Vale a leitura!

    Editora Ecclesiae, 217 páginas.

  • A ESPIRITUALIDADE DO DESERTO

    Por muitos anos o deserto fez parte da prática espiritual de algumas pessoas. Estar em solitude, desacelerar do cotidiano corrido e seguir na busca de um encontro verdadeiro com Deus, fez parte da vida de muitos do século III a XV. Como bem explica Ricardo Barbosa em seu livro o caminho do coração:

    “Na verdade, muitos destes movimentos nasceram, não de uma revolução hermenêutica como foi a Reforma do século dezesseis, ou a mais recente Teologia da Libertação, mas de um desejo sincero e profundo de conhecer  a Deus e obedecer seus mandamentos. Foram movimentos que nasceram da sede da alma por uma relação mais pessoal e íntima com Deus (BARBOSA, 2014, p. 96)”.

    Fugir do barulho, estar em silêncio ou buscar na solitude refrigério e a vontade de Deus é uma ação que perdemos há décadas.

    Nossa sociedade com sua tecnologia, suas informações e evoluções, há tempos nos tirou a capacidade de nos aquietar e refletir. A busca pelo ter, pelo ser, ou para provar nosso valor ante o mundo, tem tirado a nossa capacidade de observar o simples, buscar o sossego e a paz de espírito.

    Quando falamos de solitude, não falamos de eremitas vivendo em cavernas. Quando falamos de espiritualidade no deserto, não falamos em viver distante do conforto e das facilidades que a tecnologia nos traz e sim, em aprender a buscar o silêncio e a contemplação como estes eremitas buscavam tempos atrás.

    O deserto é um lugar importante para os monges, não era só um modo de se distanciar da bagunça da cidade, mas era um local onde não tinha nada, onde ninguém era nada, logo, a única coisa que era feita era buscar a Deus:

    “A preocupação destes monges não era simplesmente fugir do mundo, mas imitar a Cristo em todos os sentidos. Da mesma forma como a experiência de Jesus no deserto da Judéia foi crucial na definição do seu ministério, os primeiros monges sentiram-se compelidos pela realidade do mundo e pelo poder da Palavra de Deus a deixar o mundo e iniciar uma busca por Deus nas regiões desérticas do Egito e da Palestina (BARBOSA, 2014, p. 98)”.

    Em diversas partes a Bíblia mostra Cristo se retirando para lugares reservados afim de buscar a Deus e ficar em solitude. Era essencial para seu ministério estes momentos, tanto que muitas das vezes ele levava apenas três dos seus apóstolos, outras vezes ficava sozinho.

    Confesso que tenho um sonho de passar um fim de semana em um mosteiro, apenas orando e lendo a Bíblia. Eu confesso também que passo muitas horas na solitude lendo, pensando e escrevendo quando estou em casa. E ter estes períodos desligado do caos da cidade é fundamental para a minha sanidade mental. A pergunta que eu quero deixar a você é: Você tem aprendido a ficar na solitude? Você tem passado um tempo a sós com seu criador? Ou você acha que não tem mais tempo para estas coisas.

    Muitos destes monges viveram a vida para imitar a Cristo e você tem tentado viver esta vida? Não estou falando para você vender tudo e viver a vida na pobreza, nem acredito que você deva passar dias e horas em uma caverna em busca de Deus, a reflexão que eu quero deixar é se você tem separado um tempo para seu criador.

    As vezes o caos, o deserto, o momento de vazio, é um período onde nos machuca e nos fere com dores sem tamanho. Mas as vezes também o deserto pode ser uma oportunidade de se ajoelhar e buscar a Deus.

    Quando não temos nada, ou nos encontramos no nada, temos uma ótima oportunidade para nos dedicar ao Criador que é único. Quando estamos na solidão, perdidos com nossos pensamentos, nos vemos em uma ótima oportunidade para oferecer um pouco do nosso tempo para o grande Deus.

    BIBLIOGRAFIA

    BARBOSA, Ricardo. O Caminho do Coração: Ensaios Sobre a Trindade e a Espiritualidade Cristã. Curitiba: Editora Encontro, 2014.

  • CAOS

    Que o mundo está um caos não é novidade, basta ligar a TV, ler o jornal, ou sair às ruas. Tudo o que se fala é sobre corrupção, desemprego e insegurança. O mundo esta respirando isso e tem vendido isso nas lojas, pois afinal, pasmem, a violência e insegurança são lucrativas. Os patrões aproveitam para baixar salários, enquanto as lojas vendem alarmes de segurança por preços absurdos. É um negócio milionário e uma ótima desculpa para se aproveitar destes inseguros homens.

    Há quem diga que a criminalidade e a insegurança sempre vão existir, por serem negócios lucrativos. O problema é que o pobre é que perde mais nesta brincadeira toda. A pessoa sem condição é que acaba vivendo esta insegurança, que não é só financeira, não afeta só o bolso, mas a psique também. E ante este caos todo eu lembro do Salmo 127:1, que nos dá uma lição tremenda:

    “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela”.

    Este é um dos salmos mais completos que trata das três principais áreas da vida do homem, a casa, a cidade e a família. E existe uma verdade incontestável que devemos nos lembrar sempre que possível. Se o senhor não edificar, ou se Ele não guardar, é inútil nos preocuparmos. Não que não devamos trabalhar, nem correr atrás e sim que se Ele não estiver guardando, se Ele não estiver a frente de nossa vida, nos preocuparemos a toa. E o Salmo continua no versículo 2:

     “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois assim dá ele aos seus amados o sono”.

    É inútil trabalhar demais, pois quem realmente dá o sustento é Deus. Este salmo não diz que não teremos problemas, e nem que não devemos trabalhar, calma lá. Ele diz que se Deus não estiver a frente de tudo, é besteira começar a empreitada. Se não confiarmos em Deus, é inútil achar que porque você tem dinheiro, bens, emprego você vai conseguir fazer por si mesmo. Ele deve ser a razão do nosso viver, e a fonte de toda a nossa existência. Confiar n’Ele, é tudo o que devemos fazer, para depois seguir com nossos sonhos.

    Gosto também da passagem de Mateus 21:42 que fala que Cristo é a pedra angular, esta analogia é um exemplo perfeito para descrever a importância de Cristo em nossas vidas. Afinal, a pedra angular não é a pedra de fundamento, como muitos afirmam e sim a pedra final do arco da porta, que dá uma coerência a construção. Sem esta pedra o arco e todo o resto do telhado vêm a baixo (RIENECKER, 1998, PG 361).

    A vida muda muito rápido, uma hora você está bem, outra doente, ou uma hora você está otimamente empregado, outra sem emprego ou ganhando mal. Este é o mundo, isto é a vida que os homens construíram para si, passageira, e sem constância. Mas o texto nos desafia a deixar Deus ir na frente e nos iluminar.

    Viver o evangelho não é algo muito simples, principalmente porque não demoramos em fazer as coisas do nosso jeito. Contudo, o nosso chamado é para que sigamos Ele, permitindo que Ele edifique e sustenha nossos sonhos e planos, e acima de tudo, que confiemos entreguemos tudo em suas mãos.

    BIBLIOGRAFIA

    RIENCKER, Fritz, Evangelho de Mateus, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 1998.

  • QUEM É DEUS, AFINAL? – ROB BELL

    rob bell

     

    Muitos tem grandes reservas quanto a Rob Bell, ainda mais depois que ele escreveu o livro com conteúdo liberal, O Amor Vence. Porém seria uma injustiça muito grande afirmar que todos os seus livros são ruins, e esta é uma de suas boas obras que vale destacar.

    O livro fala sobre Deus, dá algumas provas de sua existência e nos mostra o quão Ele é relacional. E como o livro mesmo acrescenta:

    “Este é um livro sobre como se tornar mais vivo e consciente; um livro que nos guia para Deus que está na base de nosso ser e que permeia nossos gostos, nossas visões e todas as dimensões da vida, da alegria ao desespero”.

    É uma obra muito reflexiva, profunda e intrigante. Faz-nos pensar sobre a nossa existência e como devemos buscar Deus. Nos mostra o quão Deus é profundo e o seu poder é visível e ilimitado. Vale muito a leitura!

    Editora Sextante, 188 páginas.

  • INSANIDADE

    Trabalhei em uma empresa um tempo atrás que estava tendo problemas de furo em seu estoque quando eu fui contratado. Analisei o processo, pontuei os problemas e achei uma solução, que por sinal era simples em vista do grande incômodo que causava. O grande embaraço era que eles queriam mudanças, sem mudar, queriam uma solução, sem arranjar uma nova e melhor forma de trabalhar. Foi um problemão, pois do momento que eu comecei a trabalhar em diante fui taxado como o autor daquele aborrecimento, que inclusive se arrastava por anos, o que me faz me lembrar da definição de insanidade:

    “Fazer a mesma coisa, esperando um resultado diferente”.

     Uma prática um tanto comum nos dias de hoje, muitos querem mudar, realizar novas coisas, fazendo as mesmas velhas práticas.

    Quantas vezes diante de problemas queremos mudanças, sem mudar? Parece piada, mas não é o ser humano é bem acomodado, se acostuma fácil com rotinas e mudanças para alguns soam como pesadelo.

    Mateus 19:16 narra a história de um jovem que queria mudanças, ele queria saber de Jesus como ele conseguia herdar a vida eterna. Ou, como era comum para os judeus naquela época, herdar “o mundo vindouro”. E Cristo pronto a ajudá-lo mandou-o guardar os mandamentos, sem esquecer que os judeus tinham 613 leis para guardar. E aquele jovem, que provavelmente era um estudioso e conhecia estas leis, disse que guardava todas elas (V20).

    Alguns vão falar que aquele homem era orgulhoso, se achava melhor que os outros homens por isso que ele respondeu que guardava as leis. Mas não podemos julgar a sinceridade ou não sinceridade daquele jovem. O que podemos afirmar era que no fim do diálogo, Cristo manda ele vender tudo o que tinha e dar aos pobres, porém aquele jovem não teve coragem de atender aquele pedido, já que era muito rico terminando o diálogo indo embora decepcionado (CHAMPLIN, 2014, PG 540,541).

    Ele não teve coragem de mudar. Não sabemos o porquê Jesus pediu aquilo para aquele jovem, mas sabemos que o jovem fez uma escolha, o dinheiro. Quem sabe não valia a pena no ponto de vista daquele jovem aquela troca, ou quem sabe o rapaz queria mudanças sem mudar, queria uma nova vida, sem abandonar velhas práticas. O jovem rico preferiu seus próprios conceitos ao invés de seguir os ensinamentos de Cristo. Mudar requer ação, requer confiança, requer negar a si mesmo e seguir. John Macarthur faz uma pontuação interessante:

    “O Senhor fez esse jovem passar por um teste. Ele teve de fazer uma escolha entre suas propriedades e o senhor. Não passou no teste. A despeito de sua crença, uma vez que não estava disposto as abandonar tudo, não pode tornar-se um discípulo de Cristo. A salvação é para aqueles que estão dispostos a abandonar tudo (MACARTHUR, 2015, PG 105)”.

    Mas a Bíblia fala em Lucas 19:2-10 de outro personagem, Zaqueu, um chefe de publicanos, que eram judeus contratados para cobrar impostos sendo que geralmente estes homens cobravam um dinheiro a mais das pessoas para embolsar uma grana extra. Eles eram conhecidos por serem desonestos, e ninguém frequentava a casa de um homem destes. Eram pecadores demais para que alguém de bem entrasse, mas Cristo entrou e aquele homem se arrependeu de uma forma que não hesitou em devolver o dinheiro que porventura tivesse roubado (V8).

    O evangelho é um convite a mudança de vida, Cristo nos chama para uma nova experiência e para isso acontecer, precisamos abandonar a velha vida. Zaqueu e o Jovem Rico sabiam o que era preciso, mas apenas um se arrependeu, e se consertou de seus maus caminhos. Seguir a Cristo é ter uma nova vida, mudar significa ter uma nova postura diante de tudo e não temos isso se não agimos diferente.

    BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.

    MACARTHUR, John, O Evangelho Segundo Jesus, Editora Fiel, São Paulo, 2015.

  • CAVALO DE TRÓIA

    Acredito que a maioria das pessoas conhecem a história do cavalo de Tróia, publicado originalmente na Odisseia de Homero. O livro conta que os gregos, a fim de derrotar os troianos que tinham uma fortaleza intransponível, deram de presente um cavalo oco de madeira, onde dentro, o inimigo conseguiu se esconder para render os guardas e facilitar a entrada do exército grego.

    Hoje em dia este fenômeno vem se repetindo, quando em meio ao povo de Deus temos visto pessoas não renascidas, usando o nome de Deus para divulgar pontos de vistas e moveres espirituais dos mais diversos.  Estes prometem dinheiro, riquezas, e uma vida de vencedores, como se ser cristão fosse isso. Em resultado disso, temos visto várias atitudes vergonhosas que a igreja e a bancada evangélica, que de evangélica não tem nada, anda fazendo. Pregando extremismos, preconceitos e ensinos que a Bíblia não prega. Ou defendendo conceitos de pró-aborto, pena de morte e por aí vai.

    A Bíblia diz que é pelos frutos que conhecemos quem é falso profeta ou não, pois quem é mau, não produz fruto bom (Mateus 7:16). São pelas atitudes e formas de agir que vemos se uma pessoa é renascida ou ainda falta ser tocada pelo Espírito Santo. E uma coisa é certa, se o evangelho não produz mudanças em uma pessoa, esta pessoa certamente não é convertida. Não estou querendo julgar ninguém, nem estou afirmando que o cristão não tem seus erros e dificuldades e sim que, uma pessoa renascida tem uma nova vida, já que renasceu.  Pois o evangelho é arrependimento e não uma festa, é uma eterna busca diária, e não um sentir arrepios. É uma eterna busca pela vontade de Deus, e não uma busca por satisfazer nossos caprichos e preocupações. Deus não nos chama para sermos ricos e bem sucedidos, Deus nos chama para uma nova vida n’Ele.

    Rubem Amorese em seu livro Icabode pontua bem esta crise intelectual e de caráter que vemos no meio cristão:

    “A crise intelectual traz como alma gêmea a crise de caráter. Caráter significa negação de si mesmo; significa dizer não a si mesmo. Mas isso não se dá no vazio. Não se trata de masoquismo nem autoflagelação gratuita. Caráter implica princípios, valores e axiomas não discutíveis, não negociáveis”.

    Não é interessante que quanto menos lemos a Bíblia, menos caráter e mais movidos a conceitos próprios nós vivemos? Se tudo é sentir, desejar ou conquistar, como viveremos o evangelho? Aliás, o que é evangelho?

    Penso que o inimigo tem entrado dentro da igreja, penso que o cavalo de Tróia tem se instalado em púlpitos quando achamos que o evangelho tem que se adequar aos nossos desejos e sonhos. Rubem Amorese, no mesmo livro, pontua mais uma coisa interessante:

    “Nunca tivemos tanta fome, associada a tanta obesidade no mundo. Por quê? Porque fibra, princípios, disciplina, domínio próprio (colunas do caráter) já não são valores nossos. Posso ser um doce de pessoa, mas não pise no meu pé, que viro bicho. Não sei conter a mim mesmo”.

    E esta verdade vemos por toda a parte. O mundo tem morrido por falta de ajuda, e nós cristãos não nos sensibilizamos mais com isso, cristãos sendo caçados em algumas partes do mundo, nações inteiras precisando ouvir a palavra, e nós pensamos só em nosso próximo aumento salarial. Cadê os frutos, onde está o resultado de ter uma vida cristã? Onde esta o amor de Deus? Onde esta a mudança de caráter que Cristo nos traz?

    João 8:31 diz que se permanecermos na palavra, seremos verdadeiramente seus discípulos. Quando somos libertos, tocados e renascidos, o fruto é visível, e constante. E é através destes testemunhos que a palavra deve ser pregada (Atos 1:8) e ser uma testemunha é ser uma pessoa que vive e fala do que viu e tem experimentado. É aquela pessoa que através de seus frutos e a sua mudança de vida tem feito diferença por onde passa e não alguém que fala de algo que nunca vivenciou.