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  • CONHECE A TI MESMO

    Sócrates, um dos filósofos gregos que revolucionou a maneira de pensar, proferiu uma frase que por muitos passa despercebido:

    “Conhece a ti mesmo”.

    Soa estranho aconselharem-nos a conhecer a nós mesmos, é como se convivêssemos com alguém desconhecido e a verdade é mais ou menos esta. O homem vive neste automático desde sempre, se este, não aprender a pontuar seus erros, dificuldades e seus pontos fracos seguirá sendo sempre o mesmo.

    Você já se perguntou quais são seus limites, desejos, sonhos e o que lhe arranca a alegria quando proferido? Já refletiste o que tem sido a sua base, e o que seria de você sem esta base?

    Gosto da história de Aquiles, um dos heróis gregos que participou da guerra de Troia e um dos maiores guerreiros da Ilíada de Homero. A história conta que ele tinha um ponto fraco, “o seu calcanhar” e por deixar desprotegido, acabou morrendo por uma flecha envenenada justo neste local.

    Esta simples lenda nos ensina a importância de nos conhecermos e de trabalharmos nossos pontos fracos, afim de não sermos atingidos pelas flechas envenenadas da vida. Provérbios 27:19 diz:

    “Assim como a água reflete o rosto, o coração reflete quem somos nós”.

    Assim como a água reflete a nossa imagem, o coração, nossos sentimentos, nossa forma de pensar e os conceitos que dirigem nossa vida, revelam quem somos.

    Tudo começa dentro de nós, quem realmente somos não se passa através de nossa imagem ou roupa, e sim através de nossos sentimentos, do que se passa dentro de nossa cabeça.

    Nesta minha caminhada tenho conhecido muitas boas pessoas, com capacidades, inteligência, potencial muitas vezes até maior do que o meu, mas que sempre tropeçam por não se conhecerem e não aprenderem a lidar com seus medos e dificuldades.

    Conheço pessoas geniais, que sentem muita inveja e por isso ficam desejando o mal para o outro sem correr atrás do que é seu. Conheço ótimos profissionais que não sabem lidar com críticas, e por isso, seguem se machucando, ofendendo pessoas e perdendo oportunidades sem se enxergar e perceber quem realmente é.

    A mudança vem somente quando confessamos nossas limitações e aprendemos a nos conhecer e nos avaliar. Provérbios 4:23 diz:

    “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida”.

    Guarde o seu coração, seus sentimentos, avalie-se, reflita e busque a cada dia tentar crescer como pessoa, aprendendo ouvir críticas, a separar os conselhos ruins dos conselhos que realmente valem a pena seguir.

    Guarde o seu coração, mas você só guarda seu coração quando aprende a se conhecer, lidar com suas dificuldades, conseguindo não ser escravo de seus medos e limites.

    Guarde o seu coração e entregue-o a Cristo, deixe ele ser o senhor e a força motriz de sua existência. E quando fazemos isso, aliado ao fato de que aprendemos a nos conhecer, entendendo quem realmente somos, percebemos que não somos nada sem Ele, só somos completos com sua presença.

    BIBLIOGRAFIA

    Bíblia Sagrada – Bíblia de estudo de Genebra, editora cultura cristã, são Paulo,1998.

    CARSON, D.A.- Comentário Bíblico Vida Nova, 2 ed., São Paulo SP, Editora Vida Nova,2012.

  • O HOMEM ETERNO – CHESTERTON

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    Escrever sobre Chestertom é sempre uma alegria. Seus livros e sua forma profunda de pensar me cativa.

    Com o seu conhecido bom humor, Chesterton no livro O Homem terno, se concentra em discorrer sobre os críticos da religião, em especial os do cristianismo, mostrando que sua visão e seus preconceitos os levam a seguir um caminho pobre e cego:

    “A maioria das modernas histórias da humanidade começa com a palavra evolução, e com uma exposição bastante prolixa da evolução […]. Ninguém consegue imaginar como o nada se poderia transformar em alguma coisa. Ninguém se aproxima nem sequer um centímetro disso mediante a explicação de como alguma coisa poderia se transformar em alguma outra coisa. É de fato muito mais lógico começar dizendo No começo Deus criou o céu e a terra” (CHESTERTON, 2010, pg. 24).

    Como podemos ver é um livro profundo, reflexivo e apologético. Ele discorre sobre vários temas com maestria e mostra  que conhece bem o assunto.

    O livro é dividido em dois e tem uma linguagem complicada para quem não este habituado a este tipo de leitura. Costumo dizer que para ler Chesterton precisamos fugir de todas as distrações, pois a mínima delas, nos obriga a voltar algumas páginas e rever o assunto. Gosto de enfatizar também a importância de se ler livros densos e com linguagem profunda como este, isso nos faz crescer e evoluir em nossa leitura.

    Editora Mundo Cristão, 303 páginas.

  • REFUTANDO CONTRADIÇÕES SOBRE O NASCIMENTO DE CRISTO

    Gosto de ler os livros do teólogo ateu Bart D. Ehrman, penso ser legal ouvir opiniões contrárias às nossas para podermos refletir, estudar e ouvir outros pontos de vista. Em um de seus livros, chamado Quem Jesus foi? Quem Jesus não foi? O autor, após apontar várias possíveis contradições, desafiou as pessoas a estudarem a Bíblia através do método histórico crítico e verificar como a Bíblia está cheia de contradições. Como um bom curioso que sou, resolvi seguir o seu conselho e o que se segue é uma conclusão totalmente oposta à do autor do livro citado.

    O método de estudo histórico crítico consiste em colocar lado a lado todas as passagens Bíblicas que falam do mesmo episódio e compará-las, para assim verificar como elas diferem ou não. Quem estuda através deste método acredita que cada autor tem seu ponto de vista, com suas mensagens distintas se contradizendo.

    Os cristãos acreditam que a Bíblia é a palavra de Deus, sendo assim, seu ensino deve ser linear, consoante com o ensino de Cristo, que falou que o Espírito Santo lembraria tudo o que Ele havia dito (João 14:26). E se o Espírito Santo iria lembrar, temos que acreditar que as histórias não iriam se contradizer.

    Neste mesmo livro, o autor aponta algumas contradições bíblicas que estariam lá em Mateus e Lucas. Pois Mateus 2:1-12 menciona que magos visitaram Jesus e Lucas 2:8-20 diz que quem visitou foram pastores. Outra contradição é que Mateus 2:13-23 diz que José e sua família fogem para o Egito, e Lucas 2:1-7 afirma que José e sua família foram para Belém, cidade onde nasceu, se registrar por conta de uma contagem do Imperador Augusto. Isso é só para começar, o autor aponta muito mais, nos deixando a pergunta: A Bíblia está se contradizendo ou não?

    É sempre bom lembrar que a Bíblia não é um livro de história, se você tentar seguir os fatos em sequência e comparar, certamente, vai ficar confuso, mas ao analisar estes fatos de uma forma lógica, verás que a Bíblia não está se contradizendo.

    Em ambos os fatos, a Bíblia está falando de eventos distintos. E se juntarmos estas histórias, encontraremos uma leitura linear e uniforme que explica e completa a mensagem e não uma colagem grotesca sem explicação, como Bart aponta em seu livro. Por coincidência, John Macarthur (2014) já havia feito isso em seu livro Uma vida Perfeita, um livro que revela tudo sobre Jesus de Gênesis a Apocalipse, e a sequência que o autor discorre é perfeita. 

    O Messias nasce em Belém (Lucas 2:1-7), os pastores prestam homenagem ao senhor Jesus (Lucas 2:8-20), Jesus é apresentado no templo (Lucas 2:21-39). Os magos prestam homenagem ao verdadeiro Rei de Israel (Mateus 2:1-12), a fuga para o Egito e a volta para Nazaré (Mateus 2:13-23, Lucas 2:40). E se você ler com cuidado Mateus, o livro não vai dar detalhes sobre o nascimento de Jesus, somente diz que ele nasceu (Mateus 1:25). Lucas já diz que Jesus nasceu em Belém durante um censo imposto pelo imperador (Lucas 2:1-7). Não há contradição, o que aconteceu é que cada livro está dando ênfase a um acontecimento (MACARTHUR, 2014). 

    Tenho estudado a Bíblia com a cabeça aberta, tentando enxergar a verdade. Penso que a palavra de Deus defende a si mesma, basta nos debruçarmos e estudarmos com calma sem ficarmos preocupados.

    Quando li o argumento de Bart D. Ehrman e resolvi refutar, não o fiz porque quero estar certo, mas porque a verdade é clara, basta lermos e conferirmos.

    Mais uma vez afirmo que a Bíblia não é um livro de história, ela não tem a intenção de contar os fatos na ordem cronológica e sim deixar explícita a mensagem de que um Deus nasceu, morreu e ressuscitou por amor a nós.

    Estes são só os primeiros textos onde refuto contradições, têm muito mais, mas a mensagem que quero deixar é: leiam, sejam relevantes, pois muitas das vezes, alguns destes conceitos lidos por quem não tem conhecimento da palavra, podem abalar e derrubar as estruturas de sua fé.

     

     BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIN, R.N. O Novo Testamento Interpretado Versículo a Versículo. São Paulo:  Editora Hagnos, 2014.

    MACARTHUR, John. Uma Vida Perfeita: Tudo o que A Bíblia revela sobre Jesus, de Gêneses a Apocalipse. Rio de Janeiro: Editoria Thomas Nelson, 2014.

    EHRMAN, Bart D. Quem Jesus Foi? Quem Jesus Não Foi?. Rio de Janeiro: Editora Pocket Ouro, 2010.

  • PREGA A PALAVRA – KARL LACHLER

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    Faz algum tempo que não indico um livro mais teológico, e para não deixar passar batido este tema, segue uma excelente dica para quem quer começar a dominar as técnicas da pregação expositiva, ou quer aperfeiçoar sua técnica.

    Dr Karl Lachler foi missionário no Brasil, colaborou com a fundação de várias igrejas, foi pastor e lecionou por 18 anos na Faculdade Teológica Batista de São Paulo tendo como carro chefe de seu ministério a pregação expositiva.

    O livro é completo e começa falando das estruturas sociais e a exposição Bíblica, mostrando como é importante contextualizar a mensagem. Fala das formas de comunicação para depois falar o que é um sermão expositivo, suas vantagens, e como preparar. É um livro didático, com uma linguagem tranquila, mas com um conteúdo profundo. Vale a pena ler e estudar, seja você teólogo, pastor ou curioso.

    Sabemos que nesta época onde o ensino Bíblico tem sido cada vez mais diluído, optar pela pregação expositiva é seguir por um ensino mais centrado  e mais coeso, com menos riscos de cair em coisas que a Bíblia não afirma.

    Editora Vida Nova, 131 páginas.

  • A GÊNESE DA FRUSTRAÇÃO

    É muito importante fazermos planos e metas para que algo aconteça. Porém, quando tudo na vida da errado, o esquema não é nada bom. Em minha vida, muita coisa que eu planejei não deu certo, diante destas situações, o desânimo era inevitável.

    Nestas horas, há quem coloque a culpa do fracasso em Deus, afirmando que se ele quisesse, faria a coisa acontecer, muitos atribuem estes percalços a si mesmo, seu despreparo, sua falta de visão, alguns preferem pensar que foi o destino que quis assim e por aí vai. Porém, para alguns cristãos, um fracasso toma proporções assustadoras, chegando a ser atribuídos a falta de fé, oração ou poucos sacrifícios na fogueira santa. Por conta disso, muitos abandonam a fé, por não acharem lucrativo servir a um Deus que não os abençoa, como ouvi de muitos.

    Eu sempre digo que é conforme o nosso entendimento de Deus que aprendemos a aceitar o que a vida nos traz ou não. Eu por exemplo, vejo Deus como um ser Soberano e entendo que o que ele quiser fazer eu tenho que aceitar, e crer que é o melhor para a minha vida. Ver nosso Pai como soberano, é entender quem controla tudo, e por mais que não seja fácil aceitar que aquilo é o melhor, ou resultará em algo melhor, no fim das contas sempre acabará sendo. Contudo, a pergunta que devemos fazer diante dos planos frustrados não é “porque” e sim “para que” tudo aquilo está acontecendo, qual é o propósito de toda a tempestade que surge em nossa vida, conforme ouvi em uma pregação do Ed René Kivitz certa vez. Afinal, se adoramos um Deus justo e que nos quer bem, temos que enxergar os acontecimentos por outra ótica, eu tenho dois pontos de vista sobre o fator dificuldades.

    O primeiro é que nossos planos tem sempre a eficácia de seres limitados e pequenos que somos. De pessoas incapazes de realmente ver o que é certo, e quando vemos, mudamos as coisas em nome do egoísmo. Olhe em volta, veja o dedo limitado das pessoas poluindo, estragando tudo em nome de seus desejos. Não é de se admirar que quando olhamos para muitos casamentos só enxergamos atritos, ou quando olhamos para alguém que prosperou e o vemos andar como fosse superior o melhor de todos, afinal o homem é pequeno, limitado e não demora em se achar melhor, até que uma batida de carro o coloque em uma cadeira de rodas, mostrando quem realmente ele é. Somos sabotadores de nós mesmos, somos pequenos, falhos a caminho do engano. Se não seguirmos nossa caminhada colocando nossa vida nas mãos de Deus, sempre nos frustraremos.

    A segunda ótica é que temos que tentar sempre a aprender com as dificuldades, afinal eu entendo que a vida não é fácil mesmo, e como Eugene Lonesco disse:

    “Nem tudo o que vale a pena, vem um tipo de dificuldade”.

    E já que a vida não é fácil, é decisivo em nossa caminhada analisar os erros e dificuldades, tentando aprender e enxergar uma lição em tudo. Chorar é bom, lamentar e sentir tristeza é inevitável, mas depois, olhar pra frente e relembrar a lição aprendida é fundamental.

    Às vezes a história de um fracasso é uma oportunidade de começar algo certo, de aprender um novo ponto de vista, ou entender e valorizar o que temos. Muitos homens vieram do fracasso, muitas ONGs importantes vieram de doenças ou morte de entes queridos. Infelizmente só há uma verdade, é que somente na dificuldade encontraremos a saída, o caminho certo ou o propósito de ajudar alguém. Por isso digo, o mundo já é bastante difícil para piorarmos ainda mais com as nossas reclamações.

    Que aprendamos a superar problemas, e encontrar soluções, em vez de seguirmos reclamando e proclamando derrotas. Uma lição aprendida com o fracasso não é derrota, mas a vitória do aprendizado.

  • CLAME

    “Clamou este aflito, e o Senhor o ouviu e o livrou de todas as suas tribulações (Salmos 34:6)”

     

    Talvez uma das características mais marcante do  livro dos Salmos, é que repetidas vezes vemos o socorro de Deus para com seus filhos. Esse é mais um daqueles Salmos onde vemos a ação redentora de Deus.

    Nesse versículo vemos três verbos: clamou, ouviu  e livrou.  Somente um desses verbos está relacionado ao homem. O restante das ações é de Deus. Basta que clamemos a Deus, pois o resto ele fará. Muitas vezes somente pedimos as coisas. Mas acho que o clamor é um estágio além do pedido. Outras vezes talvez até clamamos, mas achamos que Deus não nos ouve. Assim como como nesse versículo, Deus sempre ouve e age. Nem sempre é da forma que esperamos, mas ele age.

    Ninguém gosta de problemas, ou como diz esse texto, tribulações. Mas isso faz parte da vida. Temos um Deus que ouve e nos livra dessas tribulações. Talvez nem sempre ele resolve nosso problema, mas nos dá forças para suportá-lo. Mas não podemos esquecer que isso já um livramento da tribulação.

     Acho que temos um desafio pela frente. Aprender a clamar, nos colocando nas suas mãos, e saber que ele ouve e age. A partir do momento em que conseguirmos ver a ação de Deus mesmo naquilo que não sai conforme a nossa vontade, teremos muito mais facilidade em perceber e desfrutar do livramento de Deus.

     

  • RAZÃO E EMOÇÃO

     

    O tempo passa e eu ainda não me acostumo com todos os absurdos que o circo gospel traz à tona de vez em quando. Seja a apóstola que sabe a data do aniversário do diabo. Os teleladrões que fazem desafios de fé para roubar dinheiro de pessoas pobres ou quem sabe aqueles pastores que dão a data da volta de Cristo como se soubessem de tudo. Em suma, este show todo diz respeito a uma coisa apenas, a emoção.

    O curioso disso tudo é que esta prática não remete apenas aos dias de hoje. Antigamente, a igreja católica apelava para a emoção quando cobrava indulgências de seus fiéis, movidos pelo medo, prometendo bênçãos celestiais sem tamanho para a era vindoura. E, por conta disso, quantias exorbitantes eram cobradas, com a justificativa de que precisavam usar o dinheiro para a obra de Deus. Nada diferente de hoje, onde pastores prometem dinheiro dobrado, mediante um sacrifício na fogueira santa, exploração esta que teve início com a história do Brasil, como bem pontuam Claudino Piletti e Nelson Piletti (2011, p. 68):

    “O paraíso que os colonizadores procuravam nas terras descobertas não era o mesmo que ofereciam aos povos colonizados. Os conquistadores estavam em busca da riqueza, do poder e da glória, e pareciam dispostos a tudo para alcançar o que procuravam, mesmo que fossem os crimes mais hediondos, pois tinham certeza do perdão, já que julgavam estar conquistando almas para o reino de Deus. Portanto, o que almejavam era uma espécie de “terra prometida”, onde viveriam do bom e do melhor, ou seja, o paraíso terrestre. Aos povos dominados, índios e escravos africanos, porém, ofereciam o paraíso celeste”.

    Infelizmente, naquela época, nem todos sabiam ler ou tinham acesso à Bíblia, coisa que hoje temos, porém, as explorações continuam, o que nos deixa a pergunta: por quê?

    Quando a emoção é maior do que a razão, os exageros são vistos aos montes. Sempre que a reflexão e o pensar são colocados de lado, a exploração e a ganância fazem suas vítimas. Seja através da manipulação, que a falta de conhecimento proporciona, ou seja movido pela emoção, que a falta de raciocínio traz. A Bíblia em Marcos 12:30 nos dá uma ótima dica para o viver cristão:

    “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento” (ARC). 

    Eis em nossa frente uma daquelas cenas pitorescas de Cristo, pois este versículo de Marcos é uma resposta a uma pergunta feita por um escriba: Qual é o primeiro mandamento? (v. 28), e o que Cristo responde é justamente o que está escrito neste versículo, onde Ele dá um caminho lógico e coerente para o viver cristão.

    A palavra entendimento, que no grego é dianoia, significa intelecto ou mente. Nos mostrando que o racional também deve estar presente no culto a Deus, a fé e a razão andam juntas, afinal, crer é também pensar, como bem coloca Stott em um livro com o mesmo nome.

    O curioso é que aqueles judeus não ouviram nada que eles não sabiam, não era novidade o que Jesus falou. Com toda a certeza, eles sabiam que amar a Deus devia vir em primeiro lugar, e também com toda a certeza sabiam que deveriam amar o próximo, pois está implícito no décimo mandamento. Um rabino chamado Hillel, que viveu muito tempo antes de Jesus, também resumiu a lei de forma parecida. Porém, era evidente que, por mais que aqueles rabinos tivessem todas estas informações, eles não praticavam, viviam a vida calcada em costumes sem um entendimento mais aprofundado.

    Ser cristão não é ser alienado. Seguir a Cristo não é um jogo de sentimentos e sim, um mandamento. É uma transformação de caráter e de atitudes e não uma vida de arrepios e emoções.

    Não existe lugar para a emoção na vida cristã, e de forma nenhuma a emoção define espiritualidade. Ser cristão é seguir a Cristo, tê-lo como centro, é gastar tempo tentando entender a palavra, e um grande tempo de joelhos no chão.

    As palavras: “cristão” e “emoção” podem até soar semelhantes, mas na vida cristã são tão opostas que lado a lado perdem seu significado.

     

    BIBLIOGRAFIA

    PILETTI, Claudino.; PILETTI, Nelson. História da Educação: De Confúcio a Paulo Freire. São Paulo: Editora Contexto, 2011.

     

  • O ÔNUS DO BÔNUS

     Vivemos em um país de 3º mundo, onde há muita coisa para ser mudada. De uma forma geral ficamos admirados, e até com “inveja”, de como as coisas funcionam bem em países desenvolvidos. Parece que quase tudo funciona como um relógio suíço e gostaríamos de viver uma realidade parecida. Mas há um pequeno detalhe. Geralmente queremos viver uma realidade dessas, mas sem pagar o preço. Admiramos a segurança que existe no trânsito japonês, citando apenas um exemplo, mas não somos capazes de respeitar uma simples placa de sinalização, e quando somos punidos por infringir regras, reclamamos da “indústria das multas”, e nos achamos injustiçados. Ou seja, queremos o bônus sem arcar com o ônus para desenvolver uma sociedade melhor.

     Mas não podemos pensar em vida em sociedade esquecendo de aplicar os princípios em nossa vida pessoal. A vida social é reflexo de como cada cidadão vive como indivíduo. Sou conhecido por ser uma pessoa muito crítica. Está certo que tenho que cuidar com isso, mas acho que em alguns casos devemos ser críticos. Por exemplo: sou mais crítico com quem carrega o nome de Cristo. Não por esperar que seja uma pessoa boazinha ou perfeita; o que espero dela, é que tenha atitudes coerentes com o seu discurso. E nessa questão do ônus e bônus, também se aplica na nossa espiritualidade.

    É claro que a salvação não depende de nossos esforços, e a alcançamos pela graça e misericórdia de Deus. Não há nada que possamos fazer, além de uma decisão pessoal, que vá incrementar algo para sermos salvos. Mas é fato que a Bíblia está recheada de conceitos nos quais vemos claramente que devemos esforçar-nos para nos manter firmes. Talvez o exemplo que melhor mostre essa realidade é a vida de devocional dos cristãos. Todo cristão quer conhecer mais Deus, saber sua vontade para sua vida, e também usufruir das bênçãos do criador. Mas pesquisas mostram que o tempo que cada cristão investe na devocional é simplesmente ridículo. Cerca de 70% dos pastores não tem uma vida devocional consistente. É uma questão de lógica; como queremos conhecer Deus se não reservamos pelo menos 20 minutos por dia para ter um momento a sós com ele? Você realmente acha que eu vou desenvolver minha espiritualidade assistindo seriadinho da TV ou batendo papo no facebook? Não que isso seja errado, mas para isso geralmente arranjamos os 20 minutos por dia.

     Acabei de usar o termo “desenvolver a espiritualidade”. Isso me lembrou de uma palavra do apóstolo Paulo aos Filipenses, quando ele os exorta para desenvolverem sua salvação (Fil. 2.12). Esse desenvolvimento cabe ao homem. Fala-se que a meritocracia não se aplica na vida cristã; será? Não se aplica no caso da salvação, mas o que dizer da parábola dos talentos? O que aconteceu com aquele servo que não fez nada com o que recebeu?. O que a palavra fala sobre a pessoa que não trabalha? Isso sem citar o versículo de Hebreus 12, onde lemos que sem santificação ninguém verá a Deus. Ora, o processo da santificação depende de cada um, onde devemos investir esforços para desenvolver um caráter o mais parecido possível com o de Deus.

     Vivemos uma realidade na qual parece que há um senso comum em boa parte das igrejas que Deus faz tudo, e é ele que faz as coisas acontecerem. Ele realmente pode fazer tudo acontecer, mas é muito cômodo ficar sentado, de mãos estendidas esperando que as bênçãos caiam do céu. Será que a vida é assim?  Para aqueles que realmente querem um vida que tenha a plenitude do Espírito Santo, só há um caminho. Arregaçar as mangas e investir em uma vida cada vez mais íntima com Deus; mas isso demanda atitude e geralmente grandes esforços. Afinal, não há bônus sem ônus.

  • INERRÂNCIA OU INFALIBILIDADE BÍBLICA?: PARTE 4

    Como temos visto nesta série de textos, a Bíblia é um livro importante é a base de toda a nossa vida, o caminho para sabermos a vontade de Deus e a instrução para seguirmos sua vontade, o que para um cristão não é novidade (ou não deveria ser).

    O que pouco é falado e às vezes até maquiado é que a Bíblia tem questões difíceis de entendermos e quem sabe até possíveis contradições, visto por alguns como erros Bíblicos, e por outros como apenas questões complicadas e de difícil interpretação. O que nos deixa a pergunta: Afinal a Bíblia tem erros ou não? O ensino que ela proclama, se mantêm intacto durante estes anos todos ou não? Vou responder esta pergunta citando dois dos principais conceitos teológicos, a inerrância Bíblica e a Infalibilidade Bíblica.

     A inerrância prega que a Bíblia não contém erros:

    “Por inerrância das Escrituras entende-se que as Escrituras nos manuscritos originais não afirmam nada contrário aos fatos” (GRUDEM, 2010, Pg. 59).

    E é aí que a coisa complica, pois alguns teólogos vão afirmar que a Bíblia não contém erros ela é inerrante, outros vão falar que apenas os originais eram inerrantes o que também dá uma boa briga de teólogos, e se levarmos por este lado a discussão aumenta mais, pois muitos acreditam que a Bíblia não contém erros, e os erros, ou, as questões complicadas que a Palavra expõe são todas explicáveis. Existem sites e livros cristãos especializados nestes assuntos, porém muita coisa não é explicada, por exemplo:

    “Em 1Coríntios 10, Paulo adverte seus leitores a evitar cometer os mesmos erros imorais e idólatras que o povo hebreu cometeu no deserto quando “num só dia morreram vinte três mil” (1Co 10:8)”.

    Só que ao lermos a passagem do Antigo Testamento (Números 25:9) o texto relata 24 mil. É uma diferença pequena, mas não deixa de ser um erro ou uma questão de difícil interpretação (OLSON, 2003, p. 150). Isso que eu não vou entrar na questão de como Judas morreu, nem sobre a mentira no Velho Testamento, e muitas outras coisas que até tentam explicar, mas muitos forçam a barra, então qual é a saída? A infalibilidade bíblica, que, diga-se de passagem, é um conceito pouco usado hoje em dia.

    A infalibilidade prega que a Bíblia é infalível no propósito de ensinar o cristão sobre Deus. E seus “erros” ou contradições não comprometem o ensino Bíblico sobre a fé:

    “A Bíblia é a autoridade inspirada e infalível do cristão para todas as questões de fé e prática e, ao mesmo tempo, é imperfeita com respeito a assuntos não espirituais” (OLSON, 2003, p. 151).

    A Bíblia é infalível e inspirada, ela é o caminho para acharmos Deus, e segundo esta escola teológica, a Palavra pode até ter erros na parte histórica, mas não nas questões espirituais, não comprometendo assim o ensino de Cristo.

    Sabemos que é difícil, como bons cristãos que somos, afirmar que a Bíblia contém passagem de difícil interpretação, mas ela contém, se estão erradas, não sei dizer, mas são complicadas. Contudo, uma coisa sabemos, este poderoso livro nos inspira e nos deixa mais perto de Deus e isso é uma fato. Ela não é um livro comum, é algo realmente poderoso e divino, se tem conceitos complicados com certeza não compromete o livro todo.

    BIBLIOGRAFIA

    Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Bíblica do Brasil, 2005.

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.

    GEISLER, Norman.; TUREK, Frank. Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu. São Paulo: Editora Vida Acadêmica, 2012.

    GEISLER, Norman.; NIX, William. Introdução a Bíblia: Como a Bíblia Chegou Até Nós. São Paulo: Editora Vida, 2015.

    BRUCE, F. F. O Cânon das Escrituras: Como os livros da Bíblia Vieram a Ser Reconhecidos como Escrituras Sagradas. São Paulo: Editora Hagnos, 2013.

    GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2015.

    CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. 10. ed. São Paulo: Hagnos, 2011.

    GUSSO, Antônio Renato. Os Livros Históricos: Introdução Fundamental E Auxílios Para A Interpretação. Curitiba: Editora AD Santos, 2011.

    GUSSO, Antônio Renato. O Pentateuco: Introdução Fundamental E Auxílios Para A Interpretação. Curitiba: Editora AD Santos, 2011.

    OLSON, Roger. História das Controvérsias da Teologia Cristã. São Paulo: Editora Vida, 2003.

    GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática: Atual e Exaustiva. São Paulo: Editora Vida Nova, 1999.

  • O CAMINHO DO CORAÇÃO – RICARDO BARBOSA

    ricardo

    Há muito tempo atrás me indicaram este livro, na época por conta de muitas leituras da faculdade fiquei de procurar o livro mas não dei muita atenção. No fim, por ironia do destino, fui trabalhar na editora que publicou o livro e ler foi quase automático.

    O livro fala basicamente sobre espiritualidade cristã, começa falando de Jó, a trindade, sobre os pais do deserto, Deus e sobre a confissão. E nos mostra alguns detalhes na prática cristã que estamos esquecendo, e um deles é o silêncio, como bem ressalta o autor com uma ótima poesia sobre, escrita quase no meio deste livro:

    “Em primeiro momento,

    O silêncio é pura privação,

    Carência, vazio enfadonho,

    Um desapegar-se das pessoas,

    Das coisas e das atividades atraentes.

    O silêncio é percebido

    Como inútil, aborrecido,

    Perda de tempo (BARBOSA, 2004, pg. 115)”.

    Enfim, o livro é muito profundo, reflexivo e importante para quem quer buscar uma vida cristã mais centrada na palavra.

    Quem tem deixado certos conceitos de lado tem a oportunidade de revê-los e voltar a praticar. Quem nunca praticou, vai descobrir caminhos essenciais para a vida cristã. Vale a pena ler!

    Encontro Publicações, 205 páginas.