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  • ARMADILHA DO PODER – MARTINA E VOLKER KESSLER

    armadilhas

    O tema tirania na igreja muito me interessa, entender o motivo que leva um líder da igreja perseguir ir em busca poder me fascina. E logo nas primeiras páginas, o que se lê neste material é memorável:

    “O poder é uma bebida forte e exige um estômago forte, diz o escritor britânico Peter Howard” (KESSLER, 2014, p. 7).

    Neste livro os autores não só relatam fatos acontecidos no ministério, como dão dicas de auto avaliação, dividindo de uma forma muito clara e precisa os tiranos que perseguem o poder por ter esta sede em sua vida, das pessoas que em alguns momentos acabam agindo assim.

    O livro é muito inspirador, além de ser uma ferramenta importante para quem esta na igreja e quer se proteger de líderes assim. Vale a leitura e o estudo deste livro.

    Publicado pela Editora Esperança, com 141 páginas.

  • EM REFORMA

    Todos sabem que o Brasil é um reflexo atrasado das modas dos Estados Unidos, e há uns anos atrás um movimento de jovens reformados ficou forte naquele país e no Brasil isso tem ficado forte somente agora. Nada contra a teologia reformada, nada contra pensadores como Calvino, Beza, e muitos outros que colaboraram com a teologia cristã. Tive o prazer de ler e estudar muitos deles e acredito que todos deviam ler ou estuda-los um dia. O que eu lamento nisto tudo é que cada vez mais ideias ou interpretações humanas tomam conta do pensamento cristão, e o incentivo a leitura e o estudo da Bíblia fica de lado. A militância por estes pensamentos é incrível, mas a busca por equilíbrio e centro fica cada vez mais em falta.

    Eu fui de uma igreja onde o pensamento reformado era forte, por conta própria, antes de fazer uma faculdade teológica, tentei ler também as ideias de Armínio e todos os outros pensadores que os reformados citam como equivocados e cheguei em minha própria conclusão pessoal.

    Não sou calvinista e nem arminiano, acredito que ser cristão é muito mais que comprar algumas destas brigas, não acho errado adotar algumas destas visões, mas incentivar uma guerra, causar divisões em nome de uma ideologia humana, não vale a pena.

    Penso que a reforma que temos fazer é com o nosso comprometimento com a Bíblia, em estudar e ler mais a palavra, para aprender a ter um senso crítico um pouco mais coerente quanto ao que ouvimos ou lemos. Nem tudo o que Calvino escreveu dá para comprar como correto. Nem tudo o que Armínio escreveu da para afirmar que é uma interpretação coesa. E aprender a separar conceitos complicados dos ensinos de Cristo é uma missão da igreja, contudo, para isso acontecer conhecer a apalavra é fundamental, caso contrário você vai continuar comprando qualquer ideia como verdadeira e seguirá sem ter senso crítico.

    Até nos meus textos eu aconselho que tenhas um senso crítico, pois por mais que eu procure ser correto e centrado, sou humano e cometo erros. Uma vez recebi uma mensagem de um leitor do blog onde ele me avisava que a referência Bíblica de um certo texto estava errada, eu havia trocados os números, e o leitor ao conferir em sua Bíblia percebeu isso e me avisou. Eu agradeci e corrigi o engano.

    Paulo em Gálatas 1:8 nos dá um importante aviso:

    “Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado!‏”

    Ela usa de uma hipérbole para nos ensinar que se até um anjo nos trouxer outro evangelho, que seja amaldiçoado. Em 1 Coríntios 3:5,6, Paulo afim de tratar de uma divisão na igreja que já acontecia naquela época, faz um apontamento muito importante:

    “Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um?‏ Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento.”

    Mas quem é Calvino, ou quem é Armínio? São servos de Deus e nos dividir em nome destes é um erro tremendo. E acima de tudo, entrar para um time que não seja o time de Cristo é um engano muito grande

    Que aprendamos a usar as interpretações destes autores de forma centrada, tendo sempre em mente que eles eram humanos, por isso, passíveis de erros. Achar que seguir um destes é seguir o próprio evangelho é uma heresia tamanha, como eu li no livro: “Uma defesa do Calvinismo Como Sendo o Evangelho” do calvinista David Engelsma.

    Espero um dia que aprendamos a reformar nossas mentes, a reformar a nossa vontade de ler e estudar a Bíblia de forma séria. Espero que um dia entendamos que a Bíblia não é chata, chato é quem não estuda ela. Espero que um dia também aprendamos a ouvir outras opiniões, a ponderar e refletir antes de comprar uma briga em nome de “um lado” que não tem tanto valor.

  • DICAS DE COMO ESTUDAR A BÍBLIA

    Sabemos que a Bíblia é o nosso importante manual, e sabemos também o quanto muitos se batem para entender e retirar as importantes lições deste livro. Em nome disso, listo três dicas úteis para começar a ler e estudar este divino manual.

    A primeira dica é entender que a Bíblia não é feita de vários versículos e sim, de vários assuntos denominados de perícope. As divisões de capítulos e versículos não servem como desculpas para ficarmos presos em um versículo, sem olharmos o texto como um todo. Serve apenas como ferramenta para nos guiar no texto Bíblico. Não ache que lendo apenas um versículo, você vai entender o texto todo, ao contrário, você corre sério risco de estar aplicando o ensinamento de forma errada em sua vida, por isso, é importante ler o assunto todo e se for preciso, o capítulo todo, para que assim você não caia em conclusões equivocadas da mensagem Bíblica.

    Como achar a perícope do texto? Um teólogo usa as ferramentas da hermenêutica para delimitar a melhor perícope do texto. Um leigo, que não possui estas informações, pode usar os títulos da própria Bíblia.

    Se você abrir a sua Bíblia, vai ver que em cada capítulo e as vezes até no meio do capítulo, existem títulos. Estes títulos são os assuntos, as perícopes do texto.

    Quando lemos a palavra perícope por perícope, cometemos menos erros na hora de citar, ou aplicar um texto Bíblico, além de proporcionar para quem estuda, uma melhor compreensão da mensagem.

    A segunda dica é ter mais de uma tradução, pois devido às diferenças de linguagem, podemos ter dificuldades em compreender plenamente o texto. Mas lendo em mais de uma tradução, teremos uma compreensão mais efetiva e assertiva da mensagem.

    A terceira dica é prezar por ler a Bíblia com qualidade e não quantidade. Não sou contra quem faz voto de ler a Bíblia em um ano, mas ler a Bíblia capítulo por capítulo, nos traz um conhecimento muito maior do que apenas ler a Bíblia inteira para cumprir um protocolo.

    Leia um capítulo por dia, medite, escreva sua dúvidas em um caderno e prossiga lendo e refletindo com cuidado. A Bíblia não é um livro para ler rápido e sim, um manual que se estuda com cuidado, calma e esmero.

  • FÉ SEM OBRAS

    “Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta” (Tiago 2:17) (NVI).

    Este texto nos traz uma lição muito esquecida em nossos dias. Constantemente, confundimos vida com Deus, com frequência em culto. Muitos acham que quanto mais se vai à igreja, mais se é santo. Não quero com isso desconstruir o papel da igreja, ao contrário, a existência dela é de suma importância, é Bíblico, quero apenas pontuar a diferença de um frequentador de igreja, com um cristão.

    Tenho conhecido ao longo de minha vida muitos frequentadores de igreja. Pessoas que não conseguem nem por um minuto reservar um tempo para sua família e fazer algo que não seja relacionado à igreja. Penso que muitos destes têm confundido vida com Deus, com ir à igreja, ser cristão com viver separado e distante do mundo.

    Eu sempre falo que nós cristãos temos uma hierarquia a seguir que é Deus, família, o trabalho e a igreja. E ser cristão, apesar de saber a importância de se ir à igreja, é muito mais do que ir a um templo. E sim, ter uma vida de busca, leitura, oração e amor ao próximo o tempo todo.

    Quando Tiago fala que a fé sem obras é morta, ele não esta falando que devemos ser ativistas no reino de Deus. E sim, que a fé gera mudanças, frutos que devem ser visíveis e estar ao alcance dos olhos de todos. Ele está falando também que muitas vezes só orar não adianta. Temos que estender a mão, ajudar, amar e caminhar junto. D. A. Carson acrescenta:

    “Podemos crer que Jesus é Senhor, mas, se não lhe obedecemos, essa crença não passa de palavras vazias. Podemos crer que Deus ama os pobres, mas se não nos importarmos com eles, nossa fé é morta” (2012, p. 2040).

    Resumindo, ser um cristão que não muda de vida, não ama o próximo e vive uma vida hedonista, não é ser cristão. Fé, atitude e mudança de vida caminham juntos, se isso não acontece, tem algo errado. O versículo 16 resume bem isso:

    “Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia
    e um de vocês lhe disser: “Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se”, sem porém lhe dar nada, de que adianta isso?” (NVI).

    Ser cristãos e não fazer, não se importar, não é ser cristão. Não que as obras nos salvem, mas ela é o resultado de nossa conversão. Se a mudança e as nossas ações e formas de proceder não demonstram a nossa fé, não a temos.

    Lutero chamou a epistola de Tiago de “a epistola de palha”, por entender que as obras na vida de um cristão não é importante. Este reformador, veio de um contexto que acreditava que a salvação era pelas obras, indulgências, promessas e coisas do tipo. É por este motivo as suas reservas quanto ao livro. Eu também não creio que está nas obras o meio da salvação e entendo que Tiago não está falando da salvação pelas obras e sim, do impacto que a conversão deve causar na vida de um cristão, e talvez deve ser isso que este importante homem não entendeu.

    Se o evangelho não nos traz mudança, temos que duvidar do que estamos seguindo. Se a vida cristã não nos faz olhar para o próximo de forma diferente, estamos percorrendo o caminho errado e parar, avaliar a nossa vida e retomar o caminho se faz necessário.

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON. DA. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

    https://www.bibliaonline.com.br/nvi/tg/2

  • SILÊNCIO

    Em um primeiro momento,

    O silêncio é pura privação,

    Carência, vazio enfadonho,

    Um desapegar-se das pessoas,

    Das coisas e das atividades atraentes.

    O silêncio é percebido

    Como inútil, aborrecido,

    Perda de tempo.

     

    Cheio de eco, confuso, desconexo,

    Ansioso das coisas deixadas para trás,

    Preocupado com o que vem pela frente,

    Carente de companhia e ocupação,

    Exigente de distrações.

     

    Porém, quando se ultrapassa este momento,

    O silencio se faz palavra.

    Os fantasmas escondidos

    Começam a sair a luz

    E a gritar todas as exigências.

    Antes trabalhavam na clandestinidade,

    Mascarados e escondidos no ativismo,

    Projetos e relacionamento,

    E passavam quase despercebidos.

    No entanto, também a vida encorajada

    Começa a brotar mais firme e sólida,

    E nos surpreende a profundidade ignorada

    Que surge em nós mesmos,

    A partir de nossa abertura

    Para o infinito de Deus

    O silêncio, então, se transforma em luta,

    Corpo a corpo com os vícios da alma,

    E com os fantasmas e seus exércitos de medos,

    E as novas exigências

    De uma autonomia inesgotável.

    O silêncio é tenso,

    Implacável decisivo.

     

    Na luta, algo em mim morre,

    Algo volta a ser clandestino,

    Mas também algo novo se firma.

    Saio, no entanto marcado

    Pela agonia do arrependimento,

    E transformado pelo espírito.

     

    O silêncio se cristaliza

    Diante desta acolhedora e santa presença.

    Passa-se da loucura do “cronos”

    Para o descanso do “sabat”

    E para a plenitude de uma “kairos”

    Fértil de convicções infinitas

    E de vida recém-nascida.

    Sereno estar em companhia

    De quem me abra o espaço

    De seu amor discreto e silencioso,

    Onde se faz consistente minha harmonia

    E minha paz de alma

     

    O silencio se faz silêncio pleno,

    Confiante, alegre, repousante, inovador.

    O silêncio é palavra encarnada

    É oração sem palavras.

     

    Poema de autor desconhecido traduzido por Osmar Ludovico da Silva, tirado do livro: O caminho do coração do autor Ricardo Barbosa, lançado pela Editora Encontro, páginas 115, 116, 117.

     

  • A OUTRA FACE DE JESUS – JOHN MACARTHUR

    jonh

    Quem me conhece sabe que eu sou muito fã dos livros do John Macarthur. Sua forma de escrever, seu livros centrados na palavra, seu propósito de expor a verdade e não conceitos e dogmas baratos me faz acompanhar com cuidado suas obras.

    Como o livro deixa subentendido, o propósito deste material é mostrar a outra face de Jesus, aquele lado que muitas vezes não percebemos. Sabemos que o nosso Deus é amor, que ele serviu sem hesitação e levou uma vida de amor e ajuda ao próximo. Porém ele também questionou, bateu de frente com legalismos, e questionava falsos mestres e falsos ensinos. E é sobre isso que este livro fala, de um Deus que revolucionou e abalou muitas estruturas legalistas.

    A exegese do autor é muito centrada, sua teologia é coerente e Bíblica.

    Editora Thomas Nelson, 271 páginas!

  • A MORTE DE UM POVO

    Na história da humanidade, impérios se levantam, tornam-se poderosos e depois de algum tempo sucumbem. Podemos citar vários exemplos: assírios, gregos, romanos e mais recentemente astecas, maias e incas reescreveram essa história. No caso dos três últimos exemplos, eles foram exterminados quando os europeus conquistaram as Américas. Os povos indígenas das Américas também foram reduzidos a poucos indivíduos e hoje vivem em pequenos guetos, e praticamente nem conseguem manter sua identidade. É triste quando um povo morre.

    Ultimamente olho em volta e também vejo um povo desaparecendo; um povo está morrendo. Desta vez não o vejo sendo morto em campos de batalha, ou simplesmente massacrado por forças militares muito superiores, mas por sua própria ignorância e por sua falta de capacidade em pensar. Vivemos um momento dramático em nosso país, e particularmente não vejo muita esperança. Não vejo uma nação, mas sim um amontoado de pessoas cuja formação é baseada em novelas, BBB´s e programinhas de auditórios. O que esperar de um povo cujos adolescentes e jovens tem em sua formação programas como “Malhação”, e cujas referências musicais são Tati Quebra Barraco e Valeska Poposuda? Uma geração acéfala está sendo gerada, e são justamente essas pessoas que estarão à frente do país daqui a alguns anos. Vejo um povo se enfrentando em intensos debates, onde a “verdade” é estabelecida, não à partir de um senso crítico, mas sim pelo partidarismo cego, onde nem se conhece seus ideias. A cor da bandeira fala muito mais alto do que um mínimo senso crítico. Defende-se ideais de vida, posicionamentos políticos, sociais e religiosos como se defende as cores de um time de futebol. Emoção sem um mínimo de razão.

    Parece que perdemos a capacidade de analisar fatos extremamente simples, e nos deixamos levar pela manipulação de massa. De um lado vemos aqueles que clamam pela democracia, mas professam sua lealdade aos ideais de homens como Fidel Castro e Tche Guevara e outros instituidores de ditaduras, quanto que no extremo oposto estão aqueles que são capazes de defender com seu próprio sangue, ideais que beiram o fascismo e outros movimentos que já foram condenados pela história.  O que esperar de um país, onde heróis populares, representantes de sindicatos que incitam o povo com o slogan “Mais giz e menos balas”, são presos por tráfico de armas e munições? Onde está a capacidade do senso crítico? Qual a esperança de um país onde o povo se deixa dividir por aqueles que semeiam o caos? Será que não somos capazes de ver o que está por trás dos movimentos que manipulam milhões de pessoas?

     Talvez você esteja perguntando o que um texto com esse conteúdo está fazendo em um blog de teologia. Muito simples; esse cenário descrito, já alcançou as igrejas. Vejo cristãos defendendo a legalização das drogas, o aborto, a legalização da prostituição, teoria do gênero, entre outros assuntos que vão contra os ensinos do Cristo. Acredito que isso esteja acontecendo, pois estamos nos espelhando no modelo errado. No calor dos acontecimentos esquecemos que nosso modelo é Cristo, e passamos a moldar nossa consciência com ideais que soam bem aos nossos ouvidos com suas doces palavras sedutoras. Não penso que devemos ser fanáticos religiosos, ignorantes de “cabeça fechada”, que se isolam da sociedade, vivendo um sistema de reclusão entre as quatro paredes da igreja. O verdadeiro teólogo, o verdadeiro cristão tem a responsabilidade de entender a mensagem de Cristo e saber transmiti-la ao mundo no qual ele vive. Não adianta respondermos à perguntas que ninguém mais faz. Temos que responder às questões que a sociedade nos faz hoje, à luz das Escrituras.

     Mas, ao invés de transformarmos nossa vida pela renovação da mente, como o Apóstolo Paulo escreveu em Romanos, deixamos que nossa mente seja moldada por ideais sociopolíticos que constroem uma sociedade acima descrita. A questão é: você, que é cristão, é imitador de quem? Quais ideais moldam tua mente, e constroem teus princípios, os de Cristo, ou o ativismo, seja ele de que vertente seja? A cor de uma bandeira erguida nas fileiras de um ativismo fala mais alto que a cor do sangue derramado na cruz? Enquanto não nos posicionarmos de forma firme e investirmos em nossa formação, estaremos sendo coniventes na morte de um povo.

     Um povo está morrendo! Que Deus tenha misericórdia de nós, e que  tenhamos o mínimo de discernimento para conseguirmos fazer uma leitura pelo, menos mínima, do que está acontecendo dentro e fora das quatro paredes da Igreja, para que possamos ter  atitudes prática que tragam respostas que o homem tanto anseia.

  • NOSSO SILÊNCIO CULPADO – JOHN STOTT

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    Falar de um livro de John Stott é sempre muito fácil, pois seus escritos, sua profundidade e conhecimento da palavra já falam por si.

    Neste livro o autor fala da igreja e o seu silêncio no quesito pregação, e logo nas primeira páginas tapas na cara  já são lidos logo de primeira:

    “A maioria das pessoas falam demais. Alguns raramente param de falar! Por que é então que o nosso fluxo de discurso seca tão rápido quando a conversa deriva para a religião? Às vezes o nosso silêncio trai a nossa falta de convicção e experiência cristã” (STOTT, 2014, pg. 19).

    O livro é sobre o nosso silêncio, fala sobre a pregação e a importância de disseminar o evangelho a todos, onde o autor a borda de forma magistral as quatro maiores causas deste nosso silêncio culpado. É um livro que tem que ser lido, e mostra de forma urgente uma prática que temos que retomar em nossa vida.

    Editora Esperança, 159 páginas.

  • IMAGO DEI

    Gênesis 1:27 diz:

    “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”.

    Segundo Gênesis fomos criados a imagem e a semelhança de Deus, explicada pela palavra Imago Dei. Tema este, muito discutido durante o período da patrística, mas que suscita muitas perguntas, a principal delas é o que seria ser criado a imagem e semelhança de Deus?

    Alguns vão falar que ter a imagem e semelhança de Deus seria ter a capacidade racional dos seres humanos:

    “A imagem de Deus é entendida como a capacidade racional humana, que neste ponto reflete a sabedoria de Deus” (MCGRATH, 2005, p. 504).

    Outros como os capadócios vão falar que ser criado a imagem e semelhança de Deus, se referia ao tempo de Adão, quando ele não tinha doenças e deficiências (MCGRATH, 2005, p. 505). Mais alguns teólogos vão falar que significa fazer escolhas morais de forma voluntária, ou até se referindo a pureza moral que antes da queda eles tinham, alguns falarão que seria por causa de seu domínio na terra e por aí vai (GRUDEM, 2010, p. 364).

    Não desprezo todas estas explicações de imago dei, porém acredito que quando falamos que somos criados a imagem e semelhança de Deus, acredito que isso diga respeito a nossa capacidade relacional.

    O Deus trino é um Deus relacional, sendo que a trindade vive em perfeita harmonia, e é dele que herdamos está capacidade de nos relacionar:

    “A imagem de Deus é refletida na relação “macho/fêmea”. Não fomos criados para viver isoladamente. A própria criação revela-nos que a contemplação de Deus só nos é possível na relação de amizade que construímos. A imagem de Deus não é refletida no isolamento humano, mas na comunhão. Fomos criados para viver “em Cristo”, como povo de Deus, em amizade com o Criador e sua criação” (BARBOSA, 2014, p. 71).

    Como já disse Aristóteles: o homem é um animal político, eu seja, se relacionar, amar ou conviver e estar em comunidade, faz parte de uma de suas necessidades para estar em completude. Porém Aristóteles vai falar que o homem vive em comunidade porque é incompleto, contudo eu acredito que vivemos assim por termos a imagem e semelhança do Criador.

    “O Deus cristão e bíblico é Pai, Filho e Espírito Santo, num eterno e perfeito relacionamento de amor, amizade e entrega, onde a realização de um dá-se na comunhão e amizade com os outros” (BARBOSA, 2014, p. 175).

    Deus é o exemplo perfeito de uma relação de comunhão e de completude, é por isso que o reino de Deus é um lugar relacional, pois Deus é um ser triúno e relacional, e nós, feitos a sua imagem e semelhança não seríamos diferente.

    1Coríntios 12:12 diz que nós somos um corpo, sendo Cristo o cabeça, este versículo expressa uma grande verdade, nós nunca seremos humanos sozinhos. Ninguém é alguém sozinho, precisamos uns dos outros seja como amigo, mulher, família; e Cristo veio para reestabelecer este relacionamento que Adão quebrou lá no Éden.

    Penso que quando olhamos para a história, as pessoas e o mundo, mesmo perdido e maculado pelo pecado, vemos o quão somos relacionais e dependentes um dos outros. Temos a imagem e semelhança de Deus, porém é só em Deus que somos realmente completos.

    BIBLIOGRAFIA

    BARBOSA, Ricardo, O Caminho do Coração, Ensaios Sobre a Trindade, Encontro Publicações, Curitiba, 2014.

    GRUDEM, Wayne, Teologia Sistemática Atual e Exaustiva, Editora Vida Nova, São Paulo, 2010.

    MCGRATH, Alister E, Teologia Sistemática Histórica e Filosófica, Uma Introdução a Teologia Cristã, Shedd Publicações, São Paulo, 2005.

  • MARX VS CRISTO

     Jesus era comunista, foi a frase que li certo dia no Facebook, um pensamento que resume o quanto esta pessoa “sabe” sobre Cristo.

    É muito comum, nos dias de hoje, vermos pessoas compararem Cristo com Marx. Eu particularmente acho tremendamente confuso tal comparação. Quem conhece o mínimo da Bíblia sabe que o ensino de Marx não combina com a mensagem de Cristo. E não é porque a Bíblia nos manda sermos um corpo, ou porque Cristo não acreditava que um rico poderia ganhar o reino dos céus, que isso possa ser uma porta aberta para o Marxismo, como vamos ver.

    Karl Marx nasceu em Trier, na Prússia, em 1818. De família judaica, onde todos eram membros da igreja luterana. Era doutor formado pela Universidade de Jena, sendo adepto da ala esquerdista do movimento jovem hegeliano, deixando-se absorver pelos problemas sociais enquanto estudava em Berlim (CHAMPLIN, 2013, p. 148).

    Jesus Cristo, verbo divino, nunca nascido, eterno, mas encarnado em forma humana há dois mil anos. Mesmo sendo Deus, destituiu-se do privilégio de ser Deus para morrer pelo homem em uma das piores mortes de sua época, a morte de cruz, por meio de acusações falsas em um julgamento forjado. Morreu como homem, ressuscitou como Deus e vive para sempre.

    As principais lutas de Marx: contra os exploradores (burgueses e capitalistas), com um sonho de construir uma sociedade sem distinção de classes. Abolir a propriedade privada, religião, burguesia e a nacionalidade (CHAMPLIN, 2013, p. 150).

    As principais lutas de Cristo: contra os fariseus, que pregavam ensinos que eles não viviam. Pregou o amor, serviu mesmo sendo Deus e ensinou que a verdadeira prisão não era política, mas interior. Instigou o homem a se arrepender de seus pecados e mostrou o quão falho e pequeno ele era sem Deus. E, quando indagado sobre política e sobre quando Ele libertaria o povo judeu dos domínios tiranos de Roma, conforme eles acreditavam que o messias faria, mostrou que a sua missão não era política, seu reino não era deste mundo. Mandou dar a César o que era de César e seguiu em frente.

    Chamar Cristo de comunista ou afirmar que Ele foi um dos primeiros, como tenho lido, é não entender a missão de Cristo aqui na terra. E se em alguns momentos lemos na Bíblia sobre cristãos dividindo tudo o que tinham, vivendo com tudo em comum. Em outras passagens, vemos Paulo levantando ofertas, certamente com quem tinha dinheiro, é claro, para ajudar esta mesma igreja em Jerusalém que passava dificuldade. Cristo, apesar de ter olhado para os pobres e doentes, alimentando-os e curando-os, ensinou a estes um caminho de salvação e não uma ideologia política.

    Marx lutava contra os burgueses, queria construir um modelo econômico e, apesar de se preocupar com os pobres e a injustiça social, pregava uma política onde o estado tivesse total controle, arriscando continuar a injustiça. Como vemos em países como Cuba, onde o ditador Fidel Castro entrou na lista da Forbes como um dos homens mais ricos do mundo. Enquanto uma nação inteira passa fome, tem a sua liberdade tolhida e vive uma vida de miséria, ele enriquece às custas de seus escravos. Não foi isto que Cristo pregou, comparar os ensinos de Jesus com estas concepções falhas dos homens é um erro tremendo. Champlin fala algo muito interessante sobre governos que tolhem a liberdade do próximo:

    “Todos os governos totalitários abafam as liberdades pessoais e limitam os direitos do indivíduo” (CHAMPLIN, 2013, p. 149).

    E isso é uma realidade visível para quem já conversou com um cubano, onde a falta de liberdade e pobreza é visível.

    Vivemos em um mundo com sistemas totalmente corrompidos, com a injustiça social crescente e uma pobreza endêmica. Mas Cristo nos mostrou o caminho da solidariedade, da comunhão, de dividir o pão e auxiliar o próximo. Não estamos aqui para construir um novo governo político e sim, para pregar a palavra e sermos unidos como uma família deve ser. Assim sendo, pode vir o governo político que for, podemos estar na pobreza ou riqueza que juntos estenderemos as mãos e pregaremos a palavra do arrependimento, enfatizando sempre que o nosso reino não é deste mundo e um dia toda esta injustiça realmente acabará.

     

    BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, teologia & filosofia: Volume 4. São Paulo: Hagnos, 2013.