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NOSSO SILÊNCIO CULPADO – JOHN STOTT
Falar de um livro de John Stott é sempre muito fácil, pois seus escritos, sua profundidade e conhecimento da palavra já falam por si.
Neste livro o autor fala da igreja e o seu silêncio no quesito pregação, e logo nas primeira páginas tapas na cara já são lidos logo de primeira:
“A maioria das pessoas falam demais. Alguns raramente param de falar! Por que é então que o nosso fluxo de discurso seca tão rápido quando a conversa deriva para a religião? Às vezes o nosso silêncio trai a nossa falta de convicção e experiência cristã” (STOTT, 2014, pg. 19).
O livro é sobre o nosso silêncio, fala sobre a pregação e a importância de disseminar o evangelho a todos, onde o autor a borda de forma magistral as quatro maiores causas deste nosso silêncio culpado. É um livro que tem que ser lido, e mostra de forma urgente uma prática que temos que retomar em nossa vida.
Editora Esperança, 159 páginas.
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IMAGO DEI
Gênesis 1:27 diz:
“E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”.
Segundo Gênesis fomos criados a imagem e a semelhança de Deus, explicada pela palavra Imago Dei. Tema este, muito discutido durante o período da patrística, mas que suscita muitas perguntas, a principal delas é o que seria ser criado a imagem e semelhança de Deus?
Alguns vão falar que ter a imagem e semelhança de Deus seria ter a capacidade racional dos seres humanos:
“A imagem de Deus é entendida como a capacidade racional humana, que neste ponto reflete a sabedoria de Deus” (MCGRATH, 2005, p. 504).
Outros como os capadócios vão falar que ser criado a imagem e semelhança de Deus, se referia ao tempo de Adão, quando ele não tinha doenças e deficiências (MCGRATH, 2005, p. 505). Mais alguns teólogos vão falar que significa fazer escolhas morais de forma voluntária, ou até se referindo a pureza moral que antes da queda eles tinham, alguns falarão que seria por causa de seu domínio na terra e por aí vai (GRUDEM, 2010, p. 364).
Não desprezo todas estas explicações de imago dei, porém acredito que quando falamos que somos criados a imagem e semelhança de Deus, acredito que isso diga respeito a nossa capacidade relacional.
O Deus trino é um Deus relacional, sendo que a trindade vive em perfeita harmonia, e é dele que herdamos está capacidade de nos relacionar:
“A imagem de Deus é refletida na relação “macho/fêmea”. Não fomos criados para viver isoladamente. A própria criação revela-nos que a contemplação de Deus só nos é possível na relação de amizade que construímos. A imagem de Deus não é refletida no isolamento humano, mas na comunhão. Fomos criados para viver “em Cristo”, como povo de Deus, em amizade com o Criador e sua criação” (BARBOSA, 2014, p. 71).
Como já disse Aristóteles: o homem é um animal político, eu seja, se relacionar, amar ou conviver e estar em comunidade, faz parte de uma de suas necessidades para estar em completude. Porém Aristóteles vai falar que o homem vive em comunidade porque é incompleto, contudo eu acredito que vivemos assim por termos a imagem e semelhança do Criador.
“O Deus cristão e bíblico é Pai, Filho e Espírito Santo, num eterno e perfeito relacionamento de amor, amizade e entrega, onde a realização de um dá-se na comunhão e amizade com os outros” (BARBOSA, 2014, p. 175).
Deus é o exemplo perfeito de uma relação de comunhão e de completude, é por isso que o reino de Deus é um lugar relacional, pois Deus é um ser triúno e relacional, e nós, feitos a sua imagem e semelhança não seríamos diferente.
1Coríntios 12:12 diz que nós somos um corpo, sendo Cristo o cabeça, este versículo expressa uma grande verdade, nós nunca seremos humanos sozinhos. Ninguém é alguém sozinho, precisamos uns dos outros seja como amigo, mulher, família; e Cristo veio para reestabelecer este relacionamento que Adão quebrou lá no Éden.
Penso que quando olhamos para a história, as pessoas e o mundo, mesmo perdido e maculado pelo pecado, vemos o quão somos relacionais e dependentes um dos outros. Temos a imagem e semelhança de Deus, porém é só em Deus que somos realmente completos.
BIBLIOGRAFIA
BARBOSA, Ricardo, O Caminho do Coração, Ensaios Sobre a Trindade, Encontro Publicações, Curitiba, 2014.
GRUDEM, Wayne, Teologia Sistemática Atual e Exaustiva, Editora Vida Nova, São Paulo, 2010.
MCGRATH, Alister E, Teologia Sistemática Histórica e Filosófica, Uma Introdução a Teologia Cristã, Shedd Publicações, São Paulo, 2005.
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MARX VS CRISTO
Jesus era comunista, foi a frase que li certo dia no Facebook, um pensamento que resume o quanto esta pessoa “sabe” sobre Cristo.
É muito comum, nos dias de hoje, vermos pessoas compararem Cristo com Marx. Eu particularmente acho tremendamente confuso tal comparação. Quem conhece o mínimo da Bíblia sabe que o ensino de Marx não combina com a mensagem de Cristo. E não é porque a Bíblia nos manda sermos um corpo, ou porque Cristo não acreditava que um rico poderia ganhar o reino dos céus, que isso possa ser uma porta aberta para o Marxismo, como vamos ver.
Karl Marx nasceu em Trier, na Prússia, em 1818. De família judaica, onde todos eram membros da igreja luterana. Era doutor formado pela Universidade de Jena, sendo adepto da ala esquerdista do movimento jovem hegeliano, deixando-se absorver pelos problemas sociais enquanto estudava em Berlim (CHAMPLIN, 2013, p. 148).
Jesus Cristo, verbo divino, nunca nascido, eterno, mas encarnado em forma humana há dois mil anos. Mesmo sendo Deus, destituiu-se do privilégio de ser Deus para morrer pelo homem em uma das piores mortes de sua época, a morte de cruz, por meio de acusações falsas em um julgamento forjado. Morreu como homem, ressuscitou como Deus e vive para sempre.
As principais lutas de Marx: contra os exploradores (burgueses e capitalistas), com um sonho de construir uma sociedade sem distinção de classes. Abolir a propriedade privada, religião, burguesia e a nacionalidade (CHAMPLIN, 2013, p. 150).
As principais lutas de Cristo: contra os fariseus, que pregavam ensinos que eles não viviam. Pregou o amor, serviu mesmo sendo Deus e ensinou que a verdadeira prisão não era política, mas interior. Instigou o homem a se arrepender de seus pecados e mostrou o quão falho e pequeno ele era sem Deus. E, quando indagado sobre política e sobre quando Ele libertaria o povo judeu dos domínios tiranos de Roma, conforme eles acreditavam que o messias faria, mostrou que a sua missão não era política, seu reino não era deste mundo. Mandou dar a César o que era de César e seguiu em frente.
Chamar Cristo de comunista ou afirmar que Ele foi um dos primeiros, como tenho lido, é não entender a missão de Cristo aqui na terra. E se em alguns momentos lemos na Bíblia sobre cristãos dividindo tudo o que tinham, vivendo com tudo em comum. Em outras passagens, vemos Paulo levantando ofertas, certamente com quem tinha dinheiro, é claro, para ajudar esta mesma igreja em Jerusalém que passava dificuldade. Cristo, apesar de ter olhado para os pobres e doentes, alimentando-os e curando-os, ensinou a estes um caminho de salvação e não uma ideologia política.
Marx lutava contra os burgueses, queria construir um modelo econômico e, apesar de se preocupar com os pobres e a injustiça social, pregava uma política onde o estado tivesse total controle, arriscando continuar a injustiça. Como vemos em países como Cuba, onde o ditador Fidel Castro entrou na lista da Forbes como um dos homens mais ricos do mundo. Enquanto uma nação inteira passa fome, tem a sua liberdade tolhida e vive uma vida de miséria, ele enriquece às custas de seus escravos. Não foi isto que Cristo pregou, comparar os ensinos de Jesus com estas concepções falhas dos homens é um erro tremendo. Champlin fala algo muito interessante sobre governos que tolhem a liberdade do próximo:
“Todos os governos totalitários abafam as liberdades pessoais e limitam os direitos do indivíduo” (CHAMPLIN, 2013, p. 149).
E isso é uma realidade visível para quem já conversou com um cubano, onde a falta de liberdade e pobreza é visível.
Vivemos em um mundo com sistemas totalmente corrompidos, com a injustiça social crescente e uma pobreza endêmica. Mas Cristo nos mostrou o caminho da solidariedade, da comunhão, de dividir o pão e auxiliar o próximo. Não estamos aqui para construir um novo governo político e sim, para pregar a palavra e sermos unidos como uma família deve ser. Assim sendo, pode vir o governo político que for, podemos estar na pobreza ou riqueza que juntos estenderemos as mãos e pregaremos a palavra do arrependimento, enfatizando sempre que o nosso reino não é deste mundo e um dia toda esta injustiça realmente acabará.
BIBLIOGRAFIA
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, teologia & filosofia: Volume 4. São Paulo: Hagnos, 2013.
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CONHECE A TI MESMO
Sócrates, um dos filósofos gregos que revolucionou a maneira de pensar, proferiu uma frase que por muitos passa despercebido:
“Conhece a ti mesmo”.
Soa estranho aconselharem-nos a conhecer a nós mesmos, é como se convivêssemos com alguém desconhecido e a verdade é mais ou menos esta. O homem vive neste automático desde sempre, se este, não aprender a pontuar seus erros, dificuldades e seus pontos fracos seguirá sendo sempre o mesmo.
Você já se perguntou quais são seus limites, desejos, sonhos e o que lhe arranca a alegria quando proferido? Já refletiste o que tem sido a sua base, e o que seria de você sem esta base?
Gosto da história de Aquiles, um dos heróis gregos que participou da guerra de Troia e um dos maiores guerreiros da Ilíada de Homero. A história conta que ele tinha um ponto fraco, “o seu calcanhar” e por deixar desprotegido, acabou morrendo por uma flecha envenenada justo neste local.
Esta simples lenda nos ensina a importância de nos conhecermos e de trabalharmos nossos pontos fracos, afim de não sermos atingidos pelas flechas envenenadas da vida. Provérbios 27:19 diz:
“Assim como a água reflete o rosto, o coração reflete quem somos nós”.
Assim como a água reflete a nossa imagem, o coração, nossos sentimentos, nossa forma de pensar e os conceitos que dirigem nossa vida, revelam quem somos.
Tudo começa dentro de nós, quem realmente somos não se passa através de nossa imagem ou roupa, e sim através de nossos sentimentos, do que se passa dentro de nossa cabeça.
Nesta minha caminhada tenho conhecido muitas boas pessoas, com capacidades, inteligência, potencial muitas vezes até maior do que o meu, mas que sempre tropeçam por não se conhecerem e não aprenderem a lidar com seus medos e dificuldades.
Conheço pessoas geniais, que sentem muita inveja e por isso ficam desejando o mal para o outro sem correr atrás do que é seu. Conheço ótimos profissionais que não sabem lidar com críticas, e por isso, seguem se machucando, ofendendo pessoas e perdendo oportunidades sem se enxergar e perceber quem realmente é.
A mudança vem somente quando confessamos nossas limitações e aprendemos a nos conhecer e nos avaliar. Provérbios 4:23 diz:
“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida”.
Guarde o seu coração, seus sentimentos, avalie-se, reflita e busque a cada dia tentar crescer como pessoa, aprendendo ouvir críticas, a separar os conselhos ruins dos conselhos que realmente valem a pena seguir.
Guarde o seu coração, mas você só guarda seu coração quando aprende a se conhecer, lidar com suas dificuldades, conseguindo não ser escravo de seus medos e limites.
Guarde o seu coração e entregue-o a Cristo, deixe ele ser o senhor e a força motriz de sua existência. E quando fazemos isso, aliado ao fato de que aprendemos a nos conhecer, entendendo quem realmente somos, percebemos que não somos nada sem Ele, só somos completos com sua presença.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Bíblia de estudo de Genebra, editora cultura cristã, são Paulo,1998.
CARSON, D.A.- Comentário Bíblico Vida Nova, 2 ed., São Paulo SP, Editora Vida Nova,2012.
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O HOMEM ETERNO – CHESTERTON
Escrever sobre Chestertom é sempre uma alegria. Seus livros e sua forma profunda de pensar me cativa.
Com o seu conhecido bom humor, Chesterton no livro O Homem terno, se concentra em discorrer sobre os críticos da religião, em especial os do cristianismo, mostrando que sua visão e seus preconceitos os levam a seguir um caminho pobre e cego:
“A maioria das modernas histórias da humanidade começa com a palavra evolução, e com uma exposição bastante prolixa da evolução […]. Ninguém consegue imaginar como o nada se poderia transformar em alguma coisa. Ninguém se aproxima nem sequer um centímetro disso mediante a explicação de como alguma coisa poderia se transformar em alguma outra coisa. É de fato muito mais lógico começar dizendo No começo Deus criou o céu e a terra” (CHESTERTON, 2010, pg. 24).
Como podemos ver é um livro profundo, reflexivo e apologético. Ele discorre sobre vários temas com maestria e mostra que conhece bem o assunto.
O livro é dividido em dois e tem uma linguagem complicada para quem não este habituado a este tipo de leitura. Costumo dizer que para ler Chesterton precisamos fugir de todas as distrações, pois a mínima delas, nos obriga a voltar algumas páginas e rever o assunto. Gosto de enfatizar também a importância de se ler livros densos e com linguagem profunda como este, isso nos faz crescer e evoluir em nossa leitura.
Editora Mundo Cristão, 303 páginas.
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REFUTANDO CONTRADIÇÕES SOBRE O NASCIMENTO DE CRISTO
Gosto de ler os livros do teólogo ateu Bart D. Ehrman, penso ser legal ouvir opiniões contrárias às nossas para podermos refletir, estudar e ouvir outros pontos de vista. Em um de seus livros, chamado Quem Jesus foi? Quem Jesus não foi? O autor, após apontar várias possíveis contradições, desafiou as pessoas a estudarem a Bíblia através do método histórico crítico e verificar como a Bíblia está cheia de contradições. Como um bom curioso que sou, resolvi seguir o seu conselho e o que se segue é uma conclusão totalmente oposta à do autor do livro citado.
O método de estudo histórico crítico consiste em colocar lado a lado todas as passagens Bíblicas que falam do mesmo episódio e compará-las, para assim verificar como elas diferem ou não. Quem estuda através deste método acredita que cada autor tem seu ponto de vista, com suas mensagens distintas se contradizendo.
Os cristãos acreditam que a Bíblia é a palavra de Deus, sendo assim, seu ensino deve ser linear, consoante com o ensino de Cristo, que falou que o Espírito Santo lembraria tudo o que Ele havia dito (João 14:26). E se o Espírito Santo iria lembrar, temos que acreditar que as histórias não iriam se contradizer.
Neste mesmo livro, o autor aponta algumas contradições bíblicas que estariam lá em Mateus e Lucas. Pois Mateus 2:1-12 menciona que magos visitaram Jesus e Lucas 2:8-20 diz que quem visitou foram pastores. Outra contradição é que Mateus 2:13-23 diz que José e sua família fogem para o Egito, e Lucas 2:1-7 afirma que José e sua família foram para Belém, cidade onde nasceu, se registrar por conta de uma contagem do Imperador Augusto. Isso é só para começar, o autor aponta muito mais, nos deixando a pergunta: A Bíblia está se contradizendo ou não?
É sempre bom lembrar que a Bíblia não é um livro de história, se você tentar seguir os fatos em sequência e comparar, certamente, vai ficar confuso, mas ao analisar estes fatos de uma forma lógica, verás que a Bíblia não está se contradizendo.
Em ambos os fatos, a Bíblia está falando de eventos distintos. E se juntarmos estas histórias, encontraremos uma leitura linear e uniforme que explica e completa a mensagem e não uma colagem grotesca sem explicação, como Bart aponta em seu livro. Por coincidência, John Macarthur (2014) já havia feito isso em seu livro Uma vida Perfeita, um livro que revela tudo sobre Jesus de Gênesis a Apocalipse, e a sequência que o autor discorre é perfeita.
O Messias nasce em Belém (Lucas 2:1-7), os pastores prestam homenagem ao senhor Jesus (Lucas 2:8-20), Jesus é apresentado no templo (Lucas 2:21-39). Os magos prestam homenagem ao verdadeiro Rei de Israel (Mateus 2:1-12), a fuga para o Egito e a volta para Nazaré (Mateus 2:13-23, Lucas 2:40). E se você ler com cuidado Mateus, o livro não vai dar detalhes sobre o nascimento de Jesus, somente diz que ele nasceu (Mateus 1:25). Lucas já diz que Jesus nasceu em Belém durante um censo imposto pelo imperador (Lucas 2:1-7). Não há contradição, o que aconteceu é que cada livro está dando ênfase a um acontecimento (MACARTHUR, 2014).
Tenho estudado a Bíblia com a cabeça aberta, tentando enxergar a verdade. Penso que a palavra de Deus defende a si mesma, basta nos debruçarmos e estudarmos com calma sem ficarmos preocupados.
Quando li o argumento de Bart D. Ehrman e resolvi refutar, não o fiz porque quero estar certo, mas porque a verdade é clara, basta lermos e conferirmos.
Mais uma vez afirmo que a Bíblia não é um livro de história, ela não tem a intenção de contar os fatos na ordem cronológica e sim deixar explícita a mensagem de que um Deus nasceu, morreu e ressuscitou por amor a nós.
Estes são só os primeiros textos onde refuto contradições, têm muito mais, mas a mensagem que quero deixar é: leiam, sejam relevantes, pois muitas das vezes, alguns destes conceitos lidos por quem não tem conhecimento da palavra, podem abalar e derrubar as estruturas de sua fé.
BIBLIOGRAFIA
CHAMPLIN, R.N. O Novo Testamento Interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
MACARTHUR, John. Uma Vida Perfeita: Tudo o que A Bíblia revela sobre Jesus, de Gêneses a Apocalipse. Rio de Janeiro: Editoria Thomas Nelson, 2014.
EHRMAN, Bart D. Quem Jesus Foi? Quem Jesus Não Foi?. Rio de Janeiro: Editora Pocket Ouro, 2010.
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PREGA A PALAVRA – KARL LACHLER
Faz algum tempo que não indico um livro mais teológico, e para não deixar passar batido este tema, segue uma excelente dica para quem quer começar a dominar as técnicas da pregação expositiva, ou quer aperfeiçoar sua técnica.
Dr Karl Lachler foi missionário no Brasil, colaborou com a fundação de várias igrejas, foi pastor e lecionou por 18 anos na Faculdade Teológica Batista de São Paulo tendo como carro chefe de seu ministério a pregação expositiva.
O livro é completo e começa falando das estruturas sociais e a exposição Bíblica, mostrando como é importante contextualizar a mensagem. Fala das formas de comunicação para depois falar o que é um sermão expositivo, suas vantagens, e como preparar. É um livro didático, com uma linguagem tranquila, mas com um conteúdo profundo. Vale a pena ler e estudar, seja você teólogo, pastor ou curioso.
Sabemos que nesta época onde o ensino Bíblico tem sido cada vez mais diluído, optar pela pregação expositiva é seguir por um ensino mais centrado e mais coeso, com menos riscos de cair em coisas que a Bíblia não afirma.
Editora Vida Nova, 131 páginas.
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A GÊNESE DA FRUSTRAÇÃO
É muito importante fazermos planos e metas para que algo aconteça. Porém, quando tudo na vida da errado, o esquema não é nada bom. Em minha vida, muita coisa que eu planejei não deu certo, diante destas situações, o desânimo era inevitável.
Nestas horas, há quem coloque a culpa do fracasso em Deus, afirmando que se ele quisesse, faria a coisa acontecer, muitos atribuem estes percalços a si mesmo, seu despreparo, sua falta de visão, alguns preferem pensar que foi o destino que quis assim e por aí vai. Porém, para alguns cristãos, um fracasso toma proporções assustadoras, chegando a ser atribuídos a falta de fé, oração ou poucos sacrifícios na fogueira santa. Por conta disso, muitos abandonam a fé, por não acharem lucrativo servir a um Deus que não os abençoa, como ouvi de muitos.
Eu sempre digo que é conforme o nosso entendimento de Deus que aprendemos a aceitar o que a vida nos traz ou não. Eu por exemplo, vejo Deus como um ser Soberano e entendo que o que ele quiser fazer eu tenho que aceitar, e crer que é o melhor para a minha vida. Ver nosso Pai como soberano, é entender quem controla tudo, e por mais que não seja fácil aceitar que aquilo é o melhor, ou resultará em algo melhor, no fim das contas sempre acabará sendo. Contudo, a pergunta que devemos fazer diante dos planos frustrados não é “porque” e sim “para que” tudo aquilo está acontecendo, qual é o propósito de toda a tempestade que surge em nossa vida, conforme ouvi em uma pregação do Ed René Kivitz certa vez. Afinal, se adoramos um Deus justo e que nos quer bem, temos que enxergar os acontecimentos por outra ótica, eu tenho dois pontos de vista sobre o fator dificuldades.
O primeiro é que nossos planos tem sempre a eficácia de seres limitados e pequenos que somos. De pessoas incapazes de realmente ver o que é certo, e quando vemos, mudamos as coisas em nome do egoísmo. Olhe em volta, veja o dedo limitado das pessoas poluindo, estragando tudo em nome de seus desejos. Não é de se admirar que quando olhamos para muitos casamentos só enxergamos atritos, ou quando olhamos para alguém que prosperou e o vemos andar como fosse superior o melhor de todos, afinal o homem é pequeno, limitado e não demora em se achar melhor, até que uma batida de carro o coloque em uma cadeira de rodas, mostrando quem realmente ele é. Somos sabotadores de nós mesmos, somos pequenos, falhos a caminho do engano. Se não seguirmos nossa caminhada colocando nossa vida nas mãos de Deus, sempre nos frustraremos.
A segunda ótica é que temos que tentar sempre a aprender com as dificuldades, afinal eu entendo que a vida não é fácil mesmo, e como Eugene Lonesco disse:
“Nem tudo o que vale a pena, vem um tipo de dificuldade”.
E já que a vida não é fácil, é decisivo em nossa caminhada analisar os erros e dificuldades, tentando aprender e enxergar uma lição em tudo. Chorar é bom, lamentar e sentir tristeza é inevitável, mas depois, olhar pra frente e relembrar a lição aprendida é fundamental.
Às vezes a história de um fracasso é uma oportunidade de começar algo certo, de aprender um novo ponto de vista, ou entender e valorizar o que temos. Muitos homens vieram do fracasso, muitas ONGs importantes vieram de doenças ou morte de entes queridos. Infelizmente só há uma verdade, é que somente na dificuldade encontraremos a saída, o caminho certo ou o propósito de ajudar alguém. Por isso digo, o mundo já é bastante difícil para piorarmos ainda mais com as nossas reclamações.
Que aprendamos a superar problemas, e encontrar soluções, em vez de seguirmos reclamando e proclamando derrotas. Uma lição aprendida com o fracasso não é derrota, mas a vitória do aprendizado.
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CLAME
“Clamou este aflito, e o Senhor o ouviu e o livrou de todas as suas tribulações (Salmos 34:6)”
Talvez uma das características mais marcante do livro dos Salmos, é que repetidas vezes vemos o socorro de Deus para com seus filhos. Esse é mais um daqueles Salmos onde vemos a ação redentora de Deus.
Nesse versículo vemos três verbos: clamou, ouviu e livrou. Somente um desses verbos está relacionado ao homem. O restante das ações é de Deus. Basta que clamemos a Deus, pois o resto ele fará. Muitas vezes somente pedimos as coisas. Mas acho que o clamor é um estágio além do pedido. Outras vezes talvez até clamamos, mas achamos que Deus não nos ouve. Assim como como nesse versículo, Deus sempre ouve e age. Nem sempre é da forma que esperamos, mas ele age.
Ninguém gosta de problemas, ou como diz esse texto, tribulações. Mas isso faz parte da vida. Temos um Deus que ouve e nos livra dessas tribulações. Talvez nem sempre ele resolve nosso problema, mas nos dá forças para suportá-lo. Mas não podemos esquecer que isso já um livramento da tribulação.
Acho que temos um desafio pela frente. Aprender a clamar, nos colocando nas suas mãos, e saber que ele ouve e age. A partir do momento em que conseguirmos ver a ação de Deus mesmo naquilo que não sai conforme a nossa vontade, teremos muito mais facilidade em perceber e desfrutar do livramento de Deus.
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RAZÃO E EMOÇÃO
O tempo passa e eu ainda não me acostumo com todos os absurdos que o circo gospel traz à tona de vez em quando. Seja a apóstola que sabe a data do aniversário do diabo. Os teleladrões que fazem desafios de fé para roubar dinheiro de pessoas pobres ou quem sabe aqueles pastores que dão a data da volta de Cristo como se soubessem de tudo. Em suma, este show todo diz respeito a uma coisa apenas, a emoção.
O curioso disso tudo é que esta prática não remete apenas aos dias de hoje. Antigamente, a igreja católica apelava para a emoção quando cobrava indulgências de seus fiéis, movidos pelo medo, prometendo bênçãos celestiais sem tamanho para a era vindoura. E, por conta disso, quantias exorbitantes eram cobradas, com a justificativa de que precisavam usar o dinheiro para a obra de Deus. Nada diferente de hoje, onde pastores prometem dinheiro dobrado, mediante um sacrifício na fogueira santa, exploração esta que teve início com a história do Brasil, como bem pontuam Claudino Piletti e Nelson Piletti (2011, p. 68):
“O paraíso que os colonizadores procuravam nas terras descobertas não era o mesmo que ofereciam aos povos colonizados. Os conquistadores estavam em busca da riqueza, do poder e da glória, e pareciam dispostos a tudo para alcançar o que procuravam, mesmo que fossem os crimes mais hediondos, pois tinham certeza do perdão, já que julgavam estar conquistando almas para o reino de Deus. Portanto, o que almejavam era uma espécie de “terra prometida”, onde viveriam do bom e do melhor, ou seja, o paraíso terrestre. Aos povos dominados, índios e escravos africanos, porém, ofereciam o paraíso celeste”.
Infelizmente, naquela época, nem todos sabiam ler ou tinham acesso à Bíblia, coisa que hoje temos, porém, as explorações continuam, o que nos deixa a pergunta: por quê?
Quando a emoção é maior do que a razão, os exageros são vistos aos montes. Sempre que a reflexão e o pensar são colocados de lado, a exploração e a ganância fazem suas vítimas. Seja através da manipulação, que a falta de conhecimento proporciona, ou seja movido pela emoção, que a falta de raciocínio traz. A Bíblia em Marcos 12:30 nos dá uma ótima dica para o viver cristão:
“Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento” (ARC).
Eis em nossa frente uma daquelas cenas pitorescas de Cristo, pois este versículo de Marcos é uma resposta a uma pergunta feita por um escriba: Qual é o primeiro mandamento? (v. 28), e o que Cristo responde é justamente o que está escrito neste versículo, onde Ele dá um caminho lógico e coerente para o viver cristão.
A palavra entendimento, que no grego é dianoia, significa intelecto ou mente. Nos mostrando que o racional também deve estar presente no culto a Deus, a fé e a razão andam juntas, afinal, crer é também pensar, como bem coloca Stott em um livro com o mesmo nome.
O curioso é que aqueles judeus não ouviram nada que eles não sabiam, não era novidade o que Jesus falou. Com toda a certeza, eles sabiam que amar a Deus devia vir em primeiro lugar, e também com toda a certeza sabiam que deveriam amar o próximo, pois está implícito no décimo mandamento. Um rabino chamado Hillel, que viveu muito tempo antes de Jesus, também resumiu a lei de forma parecida. Porém, era evidente que, por mais que aqueles rabinos tivessem todas estas informações, eles não praticavam, viviam a vida calcada em costumes sem um entendimento mais aprofundado.
Ser cristão não é ser alienado. Seguir a Cristo não é um jogo de sentimentos e sim, um mandamento. É uma transformação de caráter e de atitudes e não uma vida de arrepios e emoções.
Não existe lugar para a emoção na vida cristã, e de forma nenhuma a emoção define espiritualidade. Ser cristão é seguir a Cristo, tê-lo como centro, é gastar tempo tentando entender a palavra, e um grande tempo de joelhos no chão.
As palavras: “cristão” e “emoção” podem até soar semelhantes, mas na vida cristã são tão opostas que lado a lado perdem seu significado.
BIBLIOGRAFIA
PILETTI, Claudino.; PILETTI, Nelson. História da Educação: De Confúcio a Paulo Freire. São Paulo: Editora Contexto, 2011.



