DEUS E O MAL

Um tempo atrás, li um livro do Bart D. Ehrman chamado: O problema com Deus. Que trata do tema: porque sofremos, porque Deus permite que soframos.

O Teólogo que é Gnóstico e ph D em teologia, tenta achar contradição no problema: Deus o sofrimento e o mal. E durante todo o livro, faz perguntas cuja as respostas acabam culminando em: ou Deus não existe ou ele é sádico. A maioria de seus livros tem como proposta invalidar a Bíblia e transformar Cristo em uma história inventada por homens.

Pode soar estranho, mas eu gosto dos livros dele e de sua maneira de pensar, livre da religião e dos conceitos que a igreja impõe. É claro que eu não concordo com as suas ideias, não todas, mas não desvalorizo a sua forma de pensar. Afinal, de alguma maneira ele me faz meditar, ler e pesquisar mais.

O curioso é que as suas perguntas não são inéditas, alguns ateus ou simpatizantes que tenho conversado já me fizeram as mesmas indagações, que de um modo ou de outro, acabo respondendo com o pensamento de alguns autores que costumo ler e é sobre algumas destas perguntas que quero tratar.

A primeira pergunta me foi feita na hora do almoço em uma empresa que eu trabalhava, uma pessoa me perguntou: Se Deus existe e é onipotente, porque ele permite o sofrimento?

Sempre que respondo esta pergunta tento lembrar a resposta de C. S Lewis para esta mesma indagação:

“O problema de reconciliar o sofrimento humano com a existência de um Deus que ama só permanecerá insolúvel se atribuirmos um sentido corriqueiro a palavra amor e encararmos as coisas como se o homem fosse o centro delas”.

Sempre pensamos que Deus, o todo poderoso e sábio, deve agir de nossa maneira e não da sua maneira e quando ele não nos ajuda segundo o nosso ponto de vista, começamos a achar que ele não está nos ouvindo, que ele nos abandonou. Isso sem contar as muitas vezes que estamos bem e nem nos lembramos dele. Muitos lembram apenas quando acontecem catástrofes ou encontram pessoas passando dificuldades.

É engraçado por a culpa em Deus por termos muitos que sofrem ou passam fome. Sendo que o nosso país joga fora quarenta mil toneladas de alimentos diariamente, segundo a Embrapa. E a culpa é de Deus, só que poucos se mobilizam para mudar esta situação. Isso sem contar com a indústria farmacêutica, que ganha milhões às custas das doenças. O dinheiro move o mundo, a grana é o grande norte do homem e a culpa é tudo de Deus, sei…

O homem é egoísta e mau, sua natureza só faz pensar em si e ainda por cima consegue achar outro culpado. Norman Geisler e Frank Turek no livro: Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu, dá uma conclusão interessante para o problema do mal:

“Sempre falamos sobre Deus conter o mal, mas nos esquecemos de que, se ele o fizer, vai precisar nos conter também. Todos nós fazemos alguma coisa de mal”.

Deus nos fez livres e por sermos livres, agimos como bem entendemos e é ai que está a fonte deste mal, o nosso livre-arbítrio. Agostinho disse certa vez:

“Se o bem vem de Deus, o mal se origina da ausência do bem e só pode ser atribuído ao homem, por conduzir erroneamente as próprias vontades”.

Esta frase resume bem a condição humana e como o homem usa a sua liberdade de forma errada.

Acredito também que por Deus nos amar, ele nos ensina e é através do sofrimento que muitas vezes aprendemos. Quem já passou fome sabe a importância de não se desperdiçar alimentos. Quem já ficou desempregado sabe valorizar o seu trabalho. A vida é assim e o homem muitas das vezes aprende apenas desta maneira.

Mas Bart D. Ehrman faz outra pergunta no livro, um pouco mais difícil de explicar: Porque uma pessoa boa nasce com doenças ou acaba pegando uma doença que a faz sofrer muito?

Eu queria que a resposta fosse fácil, queria poder falar que Deus está tentando ensinar algo a ela, ou que tem um propósito em tudo isso. Mas certas coisas são difíceis de explicar, quanto mais entender. Uma criança que nasce com uma doença terminal, ou inúmeras pessoas nascendo em um país onde impera a fome e guerra são situações difíceis de se entender.

Um pai de família que sofre com um câncer devastador é inexplicável e impossível de entender. É difícil falar que Deus tem um propósito em tudo isso, concordo com Bart D. Ehrman, mas dizer que ele não existe por conta disso, acho sem lógica.

Gosto muito do livro de Jó. E fico admirado quando Deus de um redemoinho fala com ele (Jó 38) e o faz entender que ele não sabe de nada, e que Deus tem tudo sob controle. Mas o melhor do texto é quando Deus termina a sua narrativa, sem explicar porque Jó sofreu, ele não deu resposta alguma.

Considero a fé essencial em minha vida e é por essa e outras dúvidas, que desisti de procurar respostas para tudo. Eu sei que muita coisa não tem explicação e não me considero tão importante para exigir estas respostas de Deus.

Mas uma coisa eu sei, apesar de muitas vezes não parecer, Deus esta no comando. Seja em qualquer situação ou dificuldade, seja por doença ou perseguição, ele nunca nos abandona.

O sofrimento nesta terra é passageiro, a vida eterna é perto do Pai e não aqui. É nesta esperança que eu me sustento é nela que devemos nos apegar.

E quanto ao sofrimento, em vez de reclamar e ficar vendo as pessoas passarem dificuldades, pondo a culpa toda em Deus, aproveite para estender a mão e ajudar alguém.

BIBLIOGRAFIA

 LEWIS, O Problema do Sofrimento, Editora Vida, São Paulo, 2001.

GEISLER, Norman, TUREK, Frank, Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2012.

EHRMAN, Bart D, O Problema Com Deus, Editora Agir, Rio de Janeiro, 2008.

http://epoca.globo.com/vida/noticia/2015/03/de-olho-no-bdesperdiciob-da-lavoura-mesa.html (Revista Época, 2015)

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