O VAZIO DA OPINIÃO SEM SENSO CRÍTICO

As muitas modas que surgem em nossa sociedade me fazem perceber o quanto o ser humano é volátil e como é facilmente levado a viver hábitos, costumes ou culturas sem muitas vezes ter consciência disso. Ortega y Gasset faz as suas críticas a esta massa que segue vivendo o que o grupo estabelece a ela. Não é uma vida livre, uma escolha consciente e sim, um padrão que todos seguem, e por isso, ele também acaba seguindo.

O meio acadêmico muitas vezes também demonstra isso, quando vemos muitos professores repetirem discursos pré-montados. Na maioria dos casos, não é uma fala consciente, fruto de pesquisa e estudo, mas é uma ideia que todos memorizam sem pensar no que está sendo afirmado, como também pontua Ortega y Gasset. Isso me faz refletir sobre o quanto o ser humano é realmente original, o quanto ele está seguindo a sua criatividade ou estudo. No final, muitos apenas replicam ideias, como se fossem suas, sem pensar o mínimo sobre o conteúdo que está sendo falado.

Refletir a partir de um senso crítico e avaliar com cuidado é uma ação essencial para não sermos levados pela massa do senso comum. E esta reflexão me faz pensar no quanto o ser humano é realmente livre. Será que ele está vivendo de modo consciente e inteligente ou está apenas seguindo a multidão?

Entre os inúmeros assuntos discutidos pelo filósofo espanhol Ortega y Gasset (2016) na obra A rebelião das massas, a opinião sem esforço é um deles, daqueles que não gastam um tempo para refletir, pesquisar e formular a sua opinião, mas que mesmo assim, insistem em opinar e levar em conta as suas ideias, mesmo que sem qualquer esforço para forjá-las. Gasset complementa e afirma que:

“Mas quando acreditam ter direito a uma opinião sobre o assunto sem qualquer esforço prévio para forjá-la, manifestam sua pertença exemplar ao modo absurdo de ser homem a que chamei “massa rebelde”. É precisamente isso ter a alma obliterada, hermética. Nesse caso, seria o hermetismo intelectual” (GASSET, 2016, p. 141).

Pensar e ler sobre os diversos temas que circundam a nossa sociedade é indispensável, a maioria dos assuntos são mais complexos do que imaginamos, contudo, a massa rebelde opta por seguir a ideia dominante, sem refletir sobre o que está sendo dito e muito menos, procurar conhecer o conceito de forma ampla, entendendo inclusive as falhas que muitas vezes existem nos argumentos.

Rever as nossas opiniões e buscar se esforçar para forjar as nossas ideias, a partir de fontes, reflexões e pesquisas, é essencial para não sermos aqueles indivíduos levados pela correnteza do senso comum.

Gasset (2016) vai argumentar que o homem-massa é um indivíduo que acredita ser perfeito. Alguém que acaba sendo um tanto quanto vaidoso, uma vez que se considera insuperável, que suas ideias são as melhores. Sendo que o filósofo vai complementar afirmando que estes vaidosos intelectuais acabam usando outros, como padrão e confirmação das suas visões pessoais. E este é o homem massa, alguém que se considera superior, mas não percebe que está seguindo a opinião de outros e não a sua.

Em vista disso, é essencial buscar entender o quanto estamos agindo a partir de um ponto de vista pessoal, forjado com muito empenho ou por mera influência externa, sem ter tirado um tempo para refletir sobre o assunto e entender de forma ampla o tema.

A falsidade existe, justamente porque a verdade é um fato. Gasset usa o dinheiro como exemplo, quando ele afirma que a moeda falsa só circula porque a verdadeira existe (GASSET, 2016). Por isso, é preciso aprender a refletir e pensar sobre as ideologias e ideias que nos guiam, buscando entender se realmente são verdadeiras ou são moedas falsas, com aparência de verdadeira.

É um fato que muitos seguem ideologias e opiniões políticas devido à massa, à influência de amigos e ao contexto no qual estão inseridos. Pensar bem no que acreditamos e buscar ter um senso crítico relevante, fruto de estudo e reflexão, é indispensável. Só assim, conseguiremos nadar contra a correnteza do senso comum.

Bibliografia

GASSET, José Ortega Y. A rebelião das massas. Campinas: Vide Editorial, 2016.

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