Quando eu era criança, costumava passar as férias de fim de ano na praia e, quando voltávamos para casa, era comum, mesmo em dias ensolarados, ter que enfrentar algumas tempestades no alto da serra. Tempestades são constantes em nossa jornada, mesmo em dias aparentemente bons, assim é na vida.
É comum o tempo virar e termos que passar por intempéries e, neste momento, não é anormal muitos se sentirem abandonados por Deus, como se cristãos não enfrentassem problemas. Responsabilizar Deus, a vida ou amigos é muito mais prático do que aceitar o erro ou entender que o sofrimento faz parte da vida e assumir a responsabilidade. Nem sempre somos culpados pelas tempestades da vida, mas certamente somos responsáveis. Ricardo Barbosa de Sousa complementa, enfatizando que:
“Resistimos a admitir a responsabilidade pelo que somos, fazemos ou deixamos de fazer; preferimos responsabilizar outra pessoa pelo brinquedo quebrado, pelo atraso na aula ou na entrega do trabalho. Há sempre alguém responsável pelo que sou ou pelo que fiz” (SOUSA, 2016, p. 26).
Culpar os outros e não assumir as nossas responsabilidades é terceirizar a culpa e deixar de ser protagonistas em nossa história.
Entender que nossas emoções e sentimentos são frutos do que acreditamos e sentimos é um primeiro passo para buscar mudança e assumir o controle. É conforme acreditamos ou percebemos como a vida e as coisas que acontecem, que temos uma determinada atitude (SOUSA, 2016).
Por isso, moldar as nossas crenças e modo de vermos a vida a partir da palavra de Deus é essencial para conseguirmos ser cristãos centrados. Sendo este o conselho que Paulo nos dá:
“Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas. Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus” (Colossenses 3:1-3) (NVI).
Apesar deste parágrafo ser muito breve, ele possui uma relevância muito grande. O texto traz tanto instruções quanto incentivos. Paulo inicia o capítulo três afirmando que nós já ressuscitamos com Cristo, e por conta disso, buscar as coisas do alto e a vida correta precisa ser o nosso principal objetivo. Os nossos interesses estão em Jesus e a nossa mente, ambições e propósitos precisam estar firmados no reino vindouro. O esforço contínuo é essencial, visto que este foco não nasce automaticamente (CARSON et al., 2012).
Sousa (2016) explica que todos os seres humanos avaliam as coisas partindo dos seus referenciais interiores, são eles que estabelecem a forma como vamos olhar ou julgar uma situação. As convicções dão forma ao pensamento. É por isso que cada pessoa reage de uma forma, diante dos mesmos problemas, visto que cada indivíduo tem o seu referencial interior.
Ter uma atitude intencional e preencher a nossa vida com as coisas que são do alto é um passo importante. Alinhar o referencial interior a partir do evangelho e não das prioridades terrenas é uma atitude essencial para um cristão.
Buscar fundamentar nossos referenciais interiores na palavra de Deus, pensando e nos relembrando das verdades do evangelho, é essencial para não nos moldarmos aos padrões do mundo. Sendo este um exercício diário, uma busca constante de querer estar sempre no centro da vontade de Deus.
Quando Cristo é o centro da nossa vida, a nossa mente e os nossos referenciais são moldadas a partir da verdade celeste que precisa ser o nosso Norte, o único referencial da nossa vida.
Se a palavra de Deus é o seu Norte, realinhe os seus referenciais interiores a partir dela.
Bibliografia
CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.
O’BRIEN, Peter T. Colossenses. In: CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.
SOUSA, Ricardo Barbosa de. Pensamentos transformados, emoções redimidas. Viçosa: Ultimato, 2016.
