INCLINADOS PARA A INJUSTIÇA: O DIFÍCIL EQUILÍBRIO ENTRE INTERESSE PRÓPRIO E VIDA COLETIVA

Não é tão simples viver em sociedade, principalmente porque ela abriga todos os tipos de pessoas. Desde aqueles indivíduos conscientes, que respeitam as leis e a pluralidade de ideias, até aqueles que insistem em impor seus pontos de vista e não demoram em infringir as leis, quando têm oportunidade. No final, a democracia é muito necessária, principalmente porque o ser humano insiste em semear a discórdia.

Creio que a polarização política que vemos na mídia revela apenas como ela, em alguns momentos, é tratada da mesma forma como as pessoas tratam seus times de futebol. A dinâmica, pelo menos, é semelhante. É uma batalha de egos entre pessoas que fazem de tudo para mostrar como suas opiniões políticas são as melhores.

O time do outro é sempre um inimigo e não importa o que ele faça de bom, pois será sempre uma opção equivocada. É raro conseguir ter um diálogo coerente na política, com isso, o país não cresce como deveria e muito menos debate temas e mudanças necessárias ou as boas propostas que o outro político pode possuir. Valorizas as boas ideias e ter um senso crítico quanto às coisas que não são coerentes é o melhor caminho para construirmos uma política eficaz, mas para isso, precisamos deixar de lado a militância e dialogar, entendendo que nem tudo que se apresenta como salvador realmente funciona.

A democracia é possível, porque o ser humano está sempre em busca de justiça. Queremos viver em uma boa sociedade com oportunidades para todos e uma justiça que funcione, contudo, como o ser humano é pecador, ele guarda em seu coração uma grande capacidade de fazer injustiças, sem ao menos se dar conta disso. Reinhold Niebuhr discorre sobre isso quando diz que:

“A capacidade do homem para praticar a justiça torna a democracia possível; mas a inclinação do homem para a injustiça torna a democracia necessária” (apud STOTT, 2004, p. 84).

O ser humano se corrompe facilmente quando tem em suas mãos dinheiro e poder, e no afã de semear o bem, ele pratica o mal, sem muitas vezes se dar conta disso. Enfim, o ser humano é um indivíduo inclinado para a injustiça.

Com isso, uma política justa e centrada se faz necessária, ao mesmo tempo que o ser humano pode praticar muitas injustiças, em meio à intenção de fazer o bem. É por isso que lamento muito ver pessoas de duas vertentes políticas diferentes se desentenderem e não conseguirem dialogar, em nome de um mundo melhor. A imposição em meio a este cenário é sempre visível, as pessoas acreditam que suas fórmulas são infalíveis, por isso não querem dialogar.

Este é o nosso limitado ser humano, que desde o Éden tenta seguir longe de Deus, confiando muito mais em suas verdades e opiniões. O ser humano é cego para as suas contradições, além de sermos também inclinados para a injustiça.

Quando o ser humano entender quem ele realmente é e confessar a sua inclinação em querer sempre tirar vantagem e uma rapidez em praticar a injustiça, quem sabe será neste momento que ele conseguirá dialogar.

Uma boa sociedade é feita com consciência e entender quem somos já é um importante passo!

Bibliografia

STOTT, John. Por que eu sou cristão. Viçosa: Ultimato, 2004.

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