A minha juventude foi muito intensa, mergulhei em ideologias e vivi de um modo extremamente exagerado o que acreditava. Cheguei a largar tudo e trabalhar por conta na rua, vivendo a minha crença anarquista da juventude de forma integral. Até começar a perceber todas as contradições deste contexto.
É muito comum as pessoas terem ideologias, sendo que são elas que muitas vezes movem os seres humanos. O ponto complicado é quando a pessoa mergulha de uma forma tão profunda, sem refletir e muito menos ter critério algum sobre ela. No final, muitos não seguem uma ideologia e sim, são levados por ela.
Não é nada saudável mergulhar em algum ideal sem alguma reflexão e análise. Ver as contradições de uma ideologia ou conceito, entendendo todos os seus pontos falhos, são ações positivas, de quem age consciente e pensa sobre o que acredita e faz. Seguir sem estar atento a estes detalhes é muito perigoso.
Existem pontos cegos em qualquer forma de pensar e ideologia, tudo o que o ser humano cria, tem alguma falha. Sejam posições políticas, movimentos de lutas pelos menos favorecidos ou qualquer ideologia que exista, como já falamos. Colocar de lado esta verdade e permitir que a ideologia tenha você, é algo muito nocivo, sendo também um fato bem visível em nossos dias. São muitos que vivem as suas crenças sem pensar e refletir sobre elas.
Quando é a ideologia que toma conta da sua vida e reflexão, é ela que vai ditar o ritmo da sua caminhada e os propósitos da sua vida. No final, não será mais você que estará refletindo, será a ideologia pensando por você em todos os momentos.
Diante da guerra política que vemos no cenário brasileiro, onde as pessoas dividem o Brasil em “mocinhos” e “bandidos”, é comum vermos algumas vertentes políticas desconstruírem o que existe, com o intuito de impor a sua ideologia como a única solução para todos os problemas da vida. Eles distorcem a verdade, colocando a culpa do caos do mundo em um grupo de pessoas e se colocando como salvadores. Norman Doidge complementa:
“As ideologias substituem o conhecimento verdadeiro, e os ideólogos são sempre perigosos quando ganham o poder, pois um comportamento simplista e sabe-tudo não é páreo para a complexidade da existência” (PETERSON, 2018, p. XIII).
Na verdade, quem me conhece sabe como tenho um certo receio de políticas “salvadoras”, que propõem fórmulas mágicas para vários problemas da sociedade e se esquecem de serem realistas e cuidadosos. E, como nestas guerras ideológicas, o compromisso com a verdade não é uma prioridade, os ideólogos fazem de tudo para saírem vencedores.
Todo mundo tem a sua ideologia, isso é algo muito natural, além de ser legítimo, o problema, são aqueles nos quais a ideologia possui a pessoa. São estes que militam muito mais por impulso do que por uma reflexão bem feita e consciente.
Aceitar uma ideologia e tê-la como perfeita, é uma ação contraditória. Entender os pontos fracos dela já é uma atitude coerente e consciente. Visto que, quando é a ideologia que toma conta de uma pessoa, não é mais a razão quem fala e sim a alienação, e é certamente por isso que estas pessoas não dialogam.
A nossa condição de humanos falhos e pecadores deveria nos levar a dialogar, estudar e refletir sobre todas as nossas ideias, inclusive sobre os pontos de vista contrários. Mas, como poucos refletem, ficamos sujeitos aos ideólogos que são barulhentos e alienados.
No final, a posição totalitária que muitos ideólogos têm em não dialogar e impor um ponto de vista, só revela alguém que foi possuído por uma ideologia de forma irracional. É por isso que o diálogo e a troca de ideias não existem com esse tipo de pessoa, visto que não é ele que está falando e sim, a ideologia.
Bibliografia
PETERSON, Jordan. 12 regras para a vida: Um antídoto para o caos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2018.
