O ÓCIO SANTO: O DESCANSO QUE NOS APROXIMA DE DEUS

Em uma conversa casual, é comum perguntarem qual é a nossa profissão, visto que o trabalho está no cerne da nossa sociedade. E se você é alguém que gosta muito da sua profissão, como eu gosto, visto que ser professor é uma das minhas grandes alegrias, você vai falar com orgulho dela.

O detalhe neste assunto é que o trabalho não é tudo, eu mesmo tenho outras atividades fora do serviço, que também possuo uma alegria grande em me dedicar. É essencial entendermos que existem atividades de que gostamos muito, mas que nem sempre nos dão retorno financeiro.

O ser humano precisa aprender a se desligar e buscar ocupações distantes da sua carreira, isso é útil para arejar a cabeça e distrair a mente com outras tarefas. O ser humano não é o seu trabalho e ele pode ser muito mais do que a sua carreira profissional. Ter um tempo dedicado a outras atividades ou mesmo um período de ócio, para pensar, refletir e criar, é fundamental. Sobre o ócio, Richard Foster nos lembra de um ponto fundamental:

“Os Pais da igreja falavam com frequência sobre o Otium Sanctum, o “ócio santo” — o senso de equilíbrio na vida, a capacidade de se apaziguar em meio às atividades do dia, a habilidade de descansar e deter-se para admirar a beleza, a aptidão de manter um ritmo compassado (2007, p. 59).

Nem todos olham de uma maneira positiva o termo ócio, justamente porque muitos permitem que o trabalho defina quem eles são. O ócio, para alguns indivíduos, é coisa para pessoas desocupadas, mas, muito diferente do que o termo quer apontar, o ócio é uma atividade importante para aqueles que querem cultivar mais paz, nestes nossos agitados dias.

Construir uma pausa em nosso frenético dia, aprender a acalmar o coração e descansar sem preocupações atrapalhando a mente. Fazer uma pausa para admirarmos a beleza da vida e da natureza, pode ser definido como ócio santo. Uma prática fundamental em nossos dias, onde tudo é rápido e sem compasso. O ser humano parece estar ligado em tudo, mas desligado daquela tranquilidade que recompõe a mente.  

Domenico de Masi já discorreu sobre o ócio criativo, pontuando como é fundamental cultivarmos um período de repouso, é só assim que alguém conseguirá permanecer criativo e saudável. O ócio santo segue por um caminho semelhante, mas surgiu muito tempo antes.

A prática do ócio santo consiste em encontrar um lugar calmo, em um determinado momento do nosso dia, se desligar de qualquer tipo de interrupções, inclusive de internet e telefone, e buscar um tempo de silêncio e oração.

E o silêncio diante da natureza combina muito, mas se você não tem um local com este perfil, comece com o lugar que você tem disponível. O período de pausa é muito mais importante do que o local adequado. E é fundamental você ter um lugar fixo, para não precisar buscar este ambiente cada vez que você for se dedicar a esta atividade.

O silêncio e a oração silenciosa, com o foco muito maior na adoração a Deus, do que seguir em uma lista de pedidos, podem ser definidos como ócio santo. Mas busque focar neste compromisso, procure não ficar com a mente preocupada com outras coisas. Transforme este momento em uma silenciosa hora de intimidade com Deus.

O mundo constrói as suas prioridades e tenta estabelecê-las como se fossem nossas, por isso que ser intencional e construir um tempo de meditação e contemplação é o caminho para a espiritualidade saudável. E o ócio santo é um ótimo primeiro passo para recompormos as nossas energias e separarmos um tempo para estarmos diante do nosso criador.

Bibliografia

FOSTER, Richard. Celebração da disciplina: O caminho do crescimento espiritual. São Paulo: Editora Vida, 2007.

Deixe um comentário