Quem você é diante das incertezas e dos problemas? O modo como agimos em dias nublados define o ritmo da nossa caminhada. Saber ter um bom posicionamento nestes dias difíceis é essencial.
O romance Robinson Crusoé de Daniel Defoe discorre sobre isso ao narrar uma história inspirada em um caso real que aconteceu com o marinheiro Alexander Selkirk, um náufrago que passou quatro anos em uma ilha deserta na costa do Chile (DEFOE, 2003).
A obra conta a história de Robinson Crusoé, um indivíduo bem nascido, embora muito inquieto, que recusou viver em meio à tranquilidade da sua cidade, decidindo acompanhar um amigo em uma viagem de navio, que o levou a muitas aventuras e a investir em uma propriedade em outro país. Mas, como era inquieto, Crusoé resolveu viajar novamente e foi neste episódio que ele acaba naufragando, indo parar em uma ilha deserta que ele denominou de Ilha Desespero. Um lugar onde só havia ele, sendo que o local tinha todos os elementos para dar errado (DEFOE, 2003).
Já esteve em algumas destas ilhas? A ilha do desespero pode ser um problema de saúde, um período de recolocação profissional, um empreendimento que se revela ruim ou uma situação complicada, onde o fracasso é a única possibilidade. E às vezes, seguimos sozinhos nestes momentos.
Defoe (2003) relata que, em meio às possibilidades negativas, Crusoé decidiu agir e fazer tudo o que estava dentro das suas possibilidades, mesmo que a realidade fosse muito ruim. E ele conseguiu sobreviver e criar um ótimo lugar para se viver, com plantações, criações de animais e uma ótima casa.
Crusoé transformou uma situação que tinha tudo para dar errado em uma solução. Sei que os problemas não são confortáveis e alguns desafios se mostram impossíveis e gigantes, contudo, em meio à ilha do desespero, agir é sempre a melhor atitude. Sendo esta uma das lições que o romance nos oferece.
A primeira atitude que Crusoé teve neste contexto complicado foi fazer uma lista dos pontos positivos e negativos da sua situação, sendo que ela o ajudou a agir, uma vez que ele percebeu que nem tudo estava perdido. Existiam inúmeros pontos positivos que o contexto e a sua situação inesperada não o deixavam constatar (DEFOE, 2003). E isso o leva a concluir, em meio à comparação dos pontos positivos e negativos, que:
“Era uma comparação da qual tirei uma verdade absoluta: não há na vida, qualquer situação, por pior que seja, que não tenha seu lado bom” (DEFOE, 2003, p. 38).
O problema nestas situações é que muitas vezes não conseguimos perceber os pontos positivos, por insistirmos em permanecer estáticos, lamentando diante dos problemas sem avaliarmos as possibilidades que algumas situações promovem.
Robinson Crusoé transformou um local desabitado em um ambiente belo e produtivo. Ele transformou a ilha do desespero em um ambiente habitável e possível de se viver. Salmos nos ensina que:
“Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade” (Salmos 46:1-3) (NVI).
Deus é o nosso socorro, como cristãos precisamos sempre nos relembrar que, independentemente de qualquer situação ou em qual ilha do desespero você se encontre, é em Deus que precisamos nos refugiar. Todavia, é quando aquietamos o nosso coração e entendemos que o nosso soberano pai é Deus (Salmos 46:10) e que Ele está cuidando de nós, que conseguimos agir com sabedoria. Aquietar o coração não é paralisar e ficar ancorado na inércia, mas parar de lutar contra as coisas que não controlamos e, com isso, seguir fazendo as coisas que estão ao nosso alcance, assim como Robinson Crusoé fez.
Os problemas muitas vezes geram desespero e desesperança, é fácil não nos lembrarmos de que são nos momentos difíceis que precisamos confiar em Deus ainda mais.
Em meio à ilha do desespero, confie em Deus, entenda que o nosso soberano Pai está no controle de tudo e faça o que está em seu alcance, que no mais, Deus está cuidando de tudo.
Bibliografia
DEFOE, Daniel. Robinson Crusoé. 1. ed. São Paulo: FTD, 2003.
