Certo dia, saímos para comprar brinquedos para os meus pets, os quais são dois gatos. Pesquisamos com cuidado e compramos algumas peças que acreditamos que eles iriam gostar muito, para só depois descobrirmos que ambos gostavam muito de brincar com aqueles arames que fecham os pacotes de pão fatiado. Nem sempre eles brincam com os seus brinquedos, mas eles não podem ver aqueles pequenos arames. Lembrei desta história ao refletir sobre a simplicidade. É curioso perceber como até os nossos pets conseguem nos ensinar.
A vida simples não é um estilo de vida pautado em faltas, em passar por necessidades, mas é um olhar, é uma forma de ver e desfrutar das coisas que o mundo e a sociedade insistem em nos oferecer.
Nem sempre as coisas elaboradas são boas opções, às vezes o simples é muito melhor do que o elaborado, sendo que aproveitar bem algo é muito melhor do que termos um monte de coisas acumuladas, sem realmente desfrutar delas. A simplicidade, para quem sabe usar, é sempre a melhor opção. É entender que quantidade não define qualidade.
Sem contar que a sociedade insiste em gerar em nosso coração necessidades que aparentemente não teríamos, tudo para conseguir vender o seu produto. Eles tentam plantar em sua mente que, para ser alguém de sucesso, você precisa ter determinado produto, com isso, o ser humano acaba gastando com coisas sem necessidade.
Richard Foster (2008), em seu livro A liberdade da simplicidade, nos ensina que um dos mais profundos efeitos da simplicidade é o grande espírito de contentamento e satisfação que uma pessoa pode conseguir. A simplicidade elimina do coração aquele anseio por bens materiais e posição social. Ela nos ajuda a seguir contentes e satisfeitos, aproveitando a vida por completo. Richard Foster complementa:
“Contudo, o mais maravilhoso acerca da simplicidade é sua capacidade de nos proporcionar contentamento. Entende a liberdade que existe nisso?” (FOSTER, 2008, p. 131).
O capitalismo gera no coração aquela necessidade de ter cada vez mais e, com ela, surge a falta de paz. Já o contentamento nos leva a seguirmos satisfeitos, aproveitando por completo as coisas, entendendo que não precisamos de tudo. E isso não tem preço.
Ao cultivar a simplicidade, descobri o contentamento e como muitas vezes não aproveitamos as coisas que temos. Sonhamos com inúmeros produtos, sem degustar tudo o que Deus tem nos proporcionado. E, em meio à busca ensandecida por mais bens ou dinheiro, muitas vezes não percebemos a mão de Deus cuidando de nós e suprindo as nossas necessidades.
Faça os seus planos, siga em busca de desenvolver seus projetos e construir formas de melhorar de vida, isso não é errado, só não permita que esta busca por condições vire apenas uma acumulação de bens.
Cultive o contentamento e não aceite que os bens tirem o lugar de Deus em sua vida, muito menos acredite que prosperidade é sinônimo de fidelidade a Deus. É possível vivermos bem, sem excessos. É prazeroso viver uma vida simples, para assim, não permitirmos que as posses nos impeçam de vermos a vida e cultivar aquele contentamento que não é pautado em posses.
Um indivíduo contente e satisfeito com o que tem é alguém realmente livre!
Bibliografia
FOSTER, Richard. A liberdade da simplicidade: Encontrando harmonia num mundo complexo. São Paulo: Editora Vida, 2008.
