A vida em sociedade exige algumas tarefas, como trabalhar, produzir, construir nossa carreira e um local adequado para viver. É inevitável criarmos o nosso espaço e também termos a nossa profissão. Estes sonhos são genuínos, mas se não forem bem administrados, tornam-se obstáculos para a nossa vida espiritual.
O grande problema é que a vida em sociedade está sempre passando por mudanças, seja por conta de questões econômicas ou mesmo tragédias, como aquela que infelizmente aconteceu no Rio Grande do Sul. Em poucas horas, famílias inteiras viram a sua vida desmoronar e as suas coisas serem levadas pela correnteza da enchente. O dinheiro e os bens são frágeis, fáceis de serem consumidos, mas possuem a força de mudar a realidade de uma sociedade.
Timothy Keller (2018) inicia o ótimo livro chamado Deuses Falsos, explicando a diferença de tristeza e desespero, após narrar alguns tristes fatos que aconteceram com empresários e investidores muito ricos, mas que tiveram problemas com os seus negócios, mostrando assim a fragilidade do dinheiro.
Ele expõe que a tristeza é uma dor que existe formas de conforto. Ela surge como resultado da perda de algo de que gostamos muito ou de infortúnios na carreira profissional, entre tantos motivos. Mas, nestes momentos, conseguimos nos curar com os amigos e familiares, a dor pode, na maioria das vezes, ser tratada. Já o desespero não tem consolo, visto que é fruto da perda de algo essencial. Quando o ser humano perde tudo o que ele considera significativo ou mesmo toda a sua esperança, não existem mais meios alternativos de resolver o problema (KELLER, 2018). E se o dinheiro é aquilo que move a sua vida e dá significado a ela, certamente, você terá algumas dificuldades, por conta da sua fragilidade.
No livro, ele fala sobre ídolos, mostrando como um ídolo é muito mais do que uma estátua que adoramos, mas também pode ser coisas genuínas e legítimas que o ser humano coloca no lugar de Deus. Quando substituímos Deus por ídolos, certamente, em algum momento, precisaremos lidar com o desespero. É impossível substituirmos Deus por coisas ou áreas da nossa vida que são frágeis e suscetíveis a mudança. Um ídolo é qualquer coisa que toma o lugar de Deus, seja o dinheiro ou mesmo o trabalho, carreira ou qualquer objeto que você coloca no centro da sua vida. Somente Deus pode estar no centro, ele deve ser toda a nossa prioridade.
E sobre o modo de superar o desespero, a solução que ele propõe é identificarmos todas as coisas que, no fim, viraram ídolos em nossa vida e cultura, colocando, por fim, Deus no lugar que Ele precisa estar (KELLER, 2018). É fácil nos enganarmos e sermos influenciados pela cultura ou prioridades do mundo, por isso, precisamos ficar atentos, para não transformarmos áreas genuínas da nossa vida em ídolos.
O desespero pode ser resumido em colocarmos coisas frágeis no lugar de Deus para, no final, vermos tais ídolos se despedaçarem em algum momento. Só superamos o desespero quando Deus está no centro de tudo.
Podemos ficar tristes com algumas perdas, é inevitável tal sentimento, visto que nem sempre é fácil lidar com algumas situações, mas nunca estaremos desesperados, pois a nossa esperança está no soberano Deus. Quando Ele é o nosso fundamento, a nossa rocha, a casa permanece e resiste a todas as tempestades da vida. Podemos ficar tristes, mas nunca desesperados, já que Deus está no centro de tudo.
Bibliografia
KELLER, Timothy. Deuses falsos: As promessas vazias do dinheiro, sexo e poder, e a única esperança que realmente importa. São Paulo: Vida Nova, 2018.
