NARRATIVA DE DESCONSTRUÇÃO

O nosso grande desafio nesta sociedade cada vez mais polarizada é conseguir separar a verdade e os fatos sobre um assunto, das narrativas que possuem o propósito de desconstruir uma verdade e manipular opiniões. Por isso, é fácil encontrarmos indivíduos seguindo muito mais narrativas construídas do que a verdade.

Sobre a desconstrução da razão, conforme pontua Stephen Hicks (2021) no livro Guerra cultural, podemos afirmar que, se o mundo não existe ou mesmo se não há um “eu” para compreendê-lo e gerar argumentos e pontos de vista, qual seria o motivo de pensarmos e agirmos? Sendo que é justamente a verdade, a razão e a correspondência entre a ideia e o pensamento, que estão sendo destruídos por pensadores da nossa era. E Foucault, um expoente no assunto, entende que a razão é a linguagem da loucura. Este é um retrato dos nossos dias, onde a verdade e a razão são vistas como absurdas. E desta forma o nosso mundo segue se desconstruindo e seguindo em direção a inúmeras contradições. Stephen Hicks complementa:

“Quando chegamos ao pós-modernismo, a razão já é vista não apenas como subjetiva, mas também como incompetente, extremamente contingente, relativa e coletiva” (2021, p. 42).

Perceba como é perigoso entender o mundo como um lugar sem verdades, razão e conceitos para nos guiar. Se existem só pontos de vista e a razão se resume apenas a uma linguagem delirante, o mundo seguirá cegamente guiado por desejos e vontades. E quando a vontade humana é o principal norte, o caos e a desordem são os frutos desta realidade.

No final, esta desconstrução da razão que o pós-modernismo faz serve apenas como estratégia de políticos e influenciadores para desconstruir a verdade e impor mudanças utilizando pautas legítimas como justificativa ou para tomar o poder. Sendo que o totalitarismo e a imposição são os pontos de partida destas pessoas.

A razão pode ser definida como uma capacidade que os seres humanos possuem que os diferencia dos animais, sendo ela um referencial que direciona as pessoas em todas as áreas em que são possíveis efetuar a indagação e a investigação (Abbagnano, 2018). Ou seja, a razão é a capacidade que as pessoas têm de questionar e investigar um assunto. E quando isso é perdido e o questionamento começa a ser proibido, o ser humano para de entender e questionar o seu entorno, virando um fantoche do seu meio. Se não existe verdade, tudo é válido e o que é relevante se torna um simples ponto de vista.

Somando a isto, podemos incluir a desinformação que é a marca dos nossos dias. “Especialistas” e influenciadores utilizam o senso comum ou as pseudoetimologias para ensinar as pessoas, partindo de informações falsas e incoerentes, sem sofrer questionamentos por causa da grande ignorância humana. Isso revela a dimensão do desafio daqueles que acreditam e entendem que a verdade e a razão são princípios fundamentais.

E o totalitarismo se inicia justamente assim, construindo um possível vilão ou propondo uma ideia miraculosamente salvadora, que justificará ações violentas. Eles pintam um vilão para poder agir de forma totalitária. Em todos os regimes totalitários conseguimos encontrar este fato.

Existe uma narrativa de desconstrução querendo destruir a razão e a verdade que sempre guiou os seres humanos. A família, a igreja e muitos setores da sociedade estão sendo vistos como vilões, em nome de pautas de controle social.

Por isso, fique atento, informe-se e estude, para construir um repertório que ajudará você a enxergar as contradições deste tipo de narrativa, sem esquecer que a verdade é o melhor caminho.

Bibliografia

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. 1. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2018.

HICKS, Stephen. Guerra cultural: Como o pós-modernismo criou uma narrativa de desconstrução do ocidente. São Paulo: Faro Editorial, 2021.

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