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A ARTE DE GANHAR UMA DISCUSSÃO
“É chocante ver com que frequência ter razão e ficar com a razão não são
equivalentes; que o vencedor de uma discussão não é o que está do lado certo da
verdade e da razão, mas sim o que é mais espirituoso e sabe lutar de maneira
mais ágil” (SCHOPENHAUER, 2014, p. 8)Conheci, ainda muito novo, alguém que realmente sabia debater. Ele entrava nas discussões mais intricadas e saia como vencedor, sempre, impreterivelmente. Não importava o assunto, aquele homem sabia discutir e defender seus pontos de vista. Fui fã daquela pessoa e por conta de todo o seu conhecimento, eu me motivei a estudar mais, pois queria de alguma maneira chegar naquele grau de
conhecimento.Sou grato a esta pessoa, pois foi por conta dele que passei a ler mais, procurar autores relevantes, estudar e me aprofundar em teologia. Terminei também fazendo o bacharelado em teologia, tudo para poder conhecer mais e ser relevante na obra de Deus.
A parte surreal, que hoje me faz dar muita rizada, é que quanto mais eu estudava, mais eu começava a perceber que seus argumentos muitas vezes eram fracos e contraditórios. Eu descobri também, que era possível ganhar um debate, apenas tendo ferramentas de oratória. No fim, ele não tinha bons argumentos, e sim, apenas possuía uma ótima “dialética erística”, como diria Arthur Schopenhauer. Sendo que a “dialética erística” é a arte de ganhar uma discussão sem ter razão. Schopenhauer em seu livro, fala de 38 estratégias para vencer uma discussão, sendo que algumas dessas estratégias eu o vi usar muitas vezes.
Hoje com um pouco mais de conhecimento neste tipo de dialética, consigo perceber como muitos vencedores de debates, conseguem vencer, apenas pelo gogó, usando táticas obscuras, deixando a coerência e os fatos de lado, por não servirem para muita coisa.
Eu sempre digo em sala de aula que nem sempre quem fala bem, ou consegue ganhar um debate, tem bons argumentos. É preciso saber identificar, durante um debate, se há coerência e razão por trás de todas as palavras.
Não costumo mais entrar em debates, por ter aprendido que nem sempre o motivo da discussão é encontrar a verdade. Quase sempre o motivo é ganhar, é sair por cima, é mostrar o quanto uma pessoa é melhor que a outra. Poucos debates são realmente honestos.
Aprenda uma coisa, certas pessoas não estão em busca da verdade e muito menos querem aprender. Para que isso aconteça é preciso ter humildade e uma grande capacidade de enxergar seus erros, contradições e falhas. Coisa que no calor da discussão, raramente isso acontece.
É claro que você é livre, mas tenha em mente algo: quando for discutir, esteja preparado não só para perder um debate, caso o oponente fale bem, mas também, se prepare para ter que lidar com um ego inflado.
Não vale a pena discutir com quem não tem humildade suficiente para reconhecer seus erros. Conversar com quem só quer ganhar é tempo perdido e a garantia de sair da discussão com uma bela dor de cabeça.
BIBLIOGRAFIA
SCHOPENHAUER, Arthur, 38 estratégias para vencer qualquer debate: A arte de ter razão. São Paulo: Faro editorial, 2014.
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DEUS INCOGNOSCÍVEL
Considero Deus o ser mais enigmático que já existiu. A própria Bíblia não consegue defini-lo de uma maneira adequada, nenhum autor consegue esgotá-lo, e quando tentam, muitas vezes acabam por nos colocar ainda mais dúvida, isso me incomodava quando eu era um pouco mais novo.
Era uma contradição, a meu ver, não entender e nem saber de verdade quem Deus é. No final, não largamos a mania de querer definir. O problema é que quem define controla, e Deus não pode ser controlado.
Deus é inexplicável, é um ser onde o finito nunca vai conseguir invadir. Embora que por conta dos seus inspirados escritos (a Bíblia), ou por toda a maravilhosa criação, que revela todo o seu poderio (Romanos 12:20), tentamos entender e, sem querer, às vezes acabamos por criar ídolos, feitos conforme a nossa imagem, algo que não é real, é somente a nossa interpretação.
A coisa mais perigosa, ao tentarmos entender quem é Deus, é justamente criarmos estes ídolos, que nada mais são do que conclusões sobre Deus, pontos de vistas que não definem quem ele é, mas que acabam virando o nosso norte quando olhamos para ele. É uma lente manchada com uma opinião totalmente superficial.
O ídolo é algo palpável, tem forma e com apenas um simples olhar, podemos analisar, definir e controlar, embora Deus seja algo impossível de definirmos e controlarmos. Por isso, ao ouvirmos o próximo falar “eu creio em Deus”, é importante antes perguntar qual é o Deus dela. Pois corre o risco do seu deus ser um ídolo fabricado conforme sua própria conclusão e compreensão.
Deus não pode ser compreendido, e embora tenhamos conclusões sobre ele, e isso não é errado, temos que entender que quando falamos de Deus, nossas conclusões vão ser sempre limitadas. Alan Watts, no livro A sabedoria da insegurança, propõe que:
“Para descobrir a realidade fundamental da vida — o absoluto, o eterno, Deus — é preciso parar de tentar tocá-la na forma de ídolos. Esses ídolos não são apenas imagens grosseiras, como a imagem mental de Deus como um senhor de idade em um trono dourado. São nossas crenças, nossas estimadas preconcepções da verdade, que criam obstáculos a abrir a mente e o coração sem reservas para a realidade” (WATTS, 2017, p. 39).
No final, conforme a lei do esforço invertido, a qual é uma teoria que o autor propõe para compreender o que não pode ser compreendido, desistir de entender e pontuar Deus leva ao total entendimento dele, por percebermos que, com certeza, é impossível seres criados entenderem um ser infinito. Não dá para conhecer alguém de verdade quando temos algumas ideias preconcebidas nos motivando. Só conseguimos entender Deus, ou alguém de forma verdadeira, quando jogamos fora nossos ídolos e temos em mente que, no final, qualquer conclusão nossa será sempre pequena perto do que Deus realmente é.
Nunca vamos entender Deus, mas podemos crer que ele existe e buscá-lo de todo o nosso coração, no mais, é só a nossa falível opinião. Tenha em mente que “qualquer conclusão que você tenha sobre Deus, mesmo que embasada pela Bíblia, ou seja, fruto de muito estudo e dedicação, vai ser sempre limitada e muito simplista”.
Deus não é o que entendo dele, e sim o que ele é. Entender que Deus não pode ser compreendido é o princípio para realmente conseguirmos entendê-lo.
No final, o que é realmente possível aprender sobre Deus é que ele não cabe em nossa caixa, que não o entender é o caminho para pelo menos perceber o seu inesgotável poder.
BIBLIOGRAFIA
WATTS, Alan, A sabedoria da insegurança: Como sobreviver na era da ansiedade. Rio de Janeiro: Editora Alaúde, 2017.
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A IMPORTÂNCIA DE OUVIR
“Ouvir é uma arte, um dom, requer disciplina, silêncio, reverência. Ouvir envolve recolhimento, acolhimento e meditação da palavra, seja ela de Deus ou de um amigo” (STEUERNAGEL; BARBOSA, 2017, p. 78).
Eu gosto bastante de conversar e trocar experiências com as pessoas. São em momentos assim que aprendemos, conhecemos mais e nos desenvolvemos. A parte curiosa da questão é que hoje, as pessoas querem muito mais falar do que ouvir. E quando ouvem, não prestam muito atenção, pois as vezes estão concentrados pensando no que vão dizer depois que o outro terminar a sua fala.
Existe basicamente dois tipos de ouvintes, o primeiro é aquele que ouve para responder. Ele espera você falar para poder dizer que também passou por aquilo, ou que o seu problema é fácil, afinal, ele já enfrentou também tal situação, não fique de frescura.
Normalmente este tipo de pessoa não troca experiências, ele troca comparações. Uma coisa é você falar que já passou pela mesma situação que o seu amigo, outra coisa é diminuir a experiência, por você também já ter passado, e o pior, ter resolvido o caso de modo fácil.
Nós não somos iguais, não encaramos os problemas da mesma forma, cada um tem a sua dificuldade e facilidade, sendo que uma experiência vai ser sempre algo único, cada um tem a sua, não tem como nos comparar.
O segundo ouvinte é aquele que realmente ouve, que quando pergunta é para se aprofundar, entender e compreender o indivíduo. Este tipo de ouvinte também fala das suas experiências, e inclusive menciona quando também passou pela mesma situação. Contudo ela fala de uma maneira empática, entendendo que as experiências são únicas e incomparáveis.
Um bom ouvinte faz diferença aonde está, quem sabe ouvir cura, aconselha de forma assertiva, e acolhe, saber ouvir é um remédio poderoso. E curiosamente, como o próprio autor aponta, nós só falamos porque ouvimos.
Ouvir é uma prática importante, mas nós temos esquecido, talvez quem sabe, por descuido ou por não nos importarmos mais com o outro e nem com as suas aspirações, sonhos e histórias.
O mundo tem andado carente de amigos, estão em falta de pessoas que realmente ouvem e se preocupam conosco. Ouvir é uma arte que precisa ser cultivada, para que com ela, consigamos fazer diferença onde estivermos.
BIBLIOGRAFIA
STEUERNAGEL, Valdir.; BARBOSA, Ricardo. Nova Liderança: paradigmas de liderança em tempo de crise, Curitiba: Editora Esperança, 2017.
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JORNADA CRISTÃ 4: O PROBLEMA DO SOFRIMENTO
Durante a minha jornada cristã de conhecimento, isso há muito tempo atrás, o sofrimento era um dos temas que mais me intrigava. Eu não entendia como Deus permitia que o homem sofresse e por mais que no começo da caminhada eu me contentava com poucas respostas, ao longo do tempo, dos estudos e do quanto eu via o sofrimento, a pergunta começava a exigir respostas mais pontuais. Com isso, e como um bom estudioso faria, acabei com o livro “O problema do sofrimento” de C. S. Lewis, nas mãos, afinal, é a obra mais clássica sobre o assunto, foi inevitável ler.
Ele também foi o primeiro livro um pouco mais denso que eu peguei nas mãos, um livro que eu não entendi logo de primeira. E por mais que eu já havia lido literatura mais densa, eu ainda não tinha contato com conteúdos mais teológicos e nem mais acadêmicos, mas eu aceitei o desafio e insisti.
De todos os livros do C. S. Lewis, “O problema do sofrimento” é o mais complicado, o livro não é difícil de ler, pelo menos para quem tem contato com livros acadêmicos, mas para quem não tem, é um livro que considero ótimo para quem quer começar a ler materiais mais difíceis. Sendo que considero os livros “Os quatro amores” e “O grande abismo”, os mais fáceis de ler, ótimos para adentrar no universo mais teológico de Lewis e este o mais difícil.
Como o título revela, Lewis se concentra em falar sobre o problema do sofrimento, ele discorre justamente sobre como um Deus bom, permite o sofrimento.
O livro inicia falando primeiramente sobre a religião e principalmente sobre o conceito de numinoso, como Deus ou as divindades sempre fizeram parte da vida do homem. Depois ele fala sobre a moral, e como algum tipo de moral sempre fez parte da vida do homem, entre muitos outros pontos que ele discorre no começo do livro, para depois, no capítulo 02 em diante começar a falar de Deus e o sofrimento.
Para muitos, Deus e sofrimento não combinam, não são todos os que acreditam que Deus pode ser bom, e mesmo assim, permitir que nós seres humanos soframos. Sendo que uma de suas respostas é justamente que nós seres humanos somos livres, possuímos livre-arbítrio para escolher, sendo que por sermos livres em escolher, sofremos consequências. C. S Lewis complementa que:
“Tente excluir a possibilidade de sofrimento implicada pela ordem da natureza e pela existência do livre-arbítrio e você descobrirá que excluiu a própria vida” (LEWIS, 2006, p. 42).
O sofrimento faz parte da vida humana, por sermos livres, não estamos livres de sofrer, é mais ou menos por este caminho que Lewis discorre sobre o problema do sofrimento, e pontua como não é nada contraditório a existência do sofrimento com a existência de um Deus bom.
Pelo menos para mim, o livro “não solucionou” por inteiro o problema do sofrimento, mas me deu as primeiras respostas e um bom direcionamento em meus estudos. O autor é profundo, e trabalha com uma coerência sem tamanho um assunto tão delicado, que é o sofrer humano.
Lewis abriu as portas para que muitos outros autores me ajudassem nesta busca, e se hoje tenho alguma conclusão sobre o assunto, é porque, sem dúvida alguma, dentro da minha bibliografia eu tenho a obra deste ótimo autor.
BIBLIOGRAFIA
LEWIS, C. S, O problema do sofrimento, Editora Vida, São Paulo, 2006.
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VALORES TROCADOS
Uma mensagem que uma catástrofe claramente nos traz é que não controlamos muitas
coisas, somos, com toda a certeza, muito vulneráveis. E por mais que alguém
acredite que a sua vida está totalmente sob controle, basta uma doença
incurável, uma catástrofe natural ou um caos econômico para esta pessoa
perceber seu grande engano. A sensação é falsa, é um sentimento totalmente
enganoso de controle e segurança. O ser humano tem o péssimo costume de
construir castelos de cartas e acreditar que é uma fortaleza.É comum ver as pessoas se protegerem por trás de marcas de carro, roupas de grife
ou em ambientes onde só a elite frequenta, buscando nisso uma certa segurança.
A própria concepção de status é falsa, é um conceito que se descontrói ante ao
menor sinal de falência e só serve para separar as pessoas que se consideram
“superiores”, dos supostos “inferiores”, como se dinheiro fosse sinal de inteligência
e superioridade. No final, é tudo poder pré-fabricado, que cai por terra diante do
menor vento.A doença e a catástrofe mostram como somos frágeis, e o quanto nossos valores são
irreais, firmados em areia movediça. Por isso é importante alinharmos bem nossas
crenças, e entendermos que é muito melhor depositar a confiança no que é Eterno,
no que é realmente duradouro, ao invés de confiarmos em coisas frágeis e sem
significado concreto. Provérbios 3:5-7 diz:“Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em
seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele
endireitará as suas veredas. Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema ao
Senhor e evite o mal”.É em Deus que devemos depositar a nossa confiança, é no Deus eterno que a nossa vida
deve estar alicerçada, e não em nossa falsa sabedoria. Não tem como
alicerçarmos nossa vida em nosso entendimento, pois constantemente nos
enganamos, concluímos conceitos e pontos de vista de maneira equivocada e
desastrosa.O problema não é ter ou não ter, pois isso não faz muita diferença e sim, em quem
nós confiamos, em quem nossa vida está alicerçada. Se é em nós e nossa própria
sabedoria ou em Deus.É interessante que o versículo 7 diz para: “não sermos sábios aos nossos próprios
olhos”, penso que aqui está a raiz de tudo. A questão aqui não é apenas ser
orgulhoso de sua sabedoria e sim, que precisamos tomar cuidado com a nossa
autossuficiência, uma atitude que pode nos levar a não entregarmos nossa vida, nossas
coisas e escolhas a Deus (CARSON; FRANCE; MOTYER; WENHAM, 2012, p. 891).O caos sempre grita, ele é um alarme que mostra como nossas crenças são frágeis e como não somos autossuficientes. Sem Deus não somos nada, se não entregarmos nossa vida, escolhas e caminhos a Deus, com certeza e sem dúvida alguma pereceremos. O caos aponta para nossos erros e escolhas e nos obriga a olhar para Deus e confiar toda a nossa vida em suas mãos.
Entender que podemos estar enganados e que no fim, a palavra de Deus é que deve ser o nosso Norte, é básico para não esquecermos em quem devemos depositar a nossa confiança.
BIBLIOGRAFIA
CARSON, D.A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova.
São Paulo: Editora Vida Nova, 2012. -
A SÍNDROME DO VITIMISMO
Quando o vitimismo dá as caras, os argumentos quase sempre são distorcidos, o alvo na maioria das vezes são as pessoas, sendo um desafio grande conseguir falar de ideias ao invés de perder tempo falando de pessoas.
Aprendi que bons argumentos falam de ideias, descobri que nem sempre quem discorda quer atacar. E por conta desta realidade, é importante saber dialogar com as diversas formas de pensar, entendendo que todos são livres para fazer suas escolhas e ter suas opiniões, esta é a grande beleza do nosso mundo.
Aprendi também que quem não gosta de ouvir, não vai parar para nos escutar, por vezes apenas finge, é certo que não presta muita atenção, por isso, é muito importante saber com quem você está conversando, e o quanto de diálogo vale a pena ter com esta pessoa.
As vezes se calar não é ser covarde, como muitos pensam, e sim dar voz a inteligência, pois não adianta perder tempo com quem não quer dialogar, com quem pouco nos ouve, sendo que ainda corremos o risco de nos incomodar com quem não respeita a nossa opinião.
O vitimismo é sutil, por isso, tome cuidado. Você começa se fazendo de vítima, e quando vê que dá certo, você segue por um caminho sem volta, mendigando afeto, colhendo migalhas que afagam a alma, mas que não nos levam a lugar algum.
Muitos se fazem de coitados, dando ênfase em seus fracassos, em troca apenas de um afago, de uma massagem no ego, de uma frase me motivação. Para estes é muito mais fácil ser carregado, do que levantar e lutar.
É preciso entender que todo mundo sofre, cada um tem suas dificuldades e problemas, seja rico, pobre ou o que for. A diferença é que as lutas não são iguais. Um rico passa por dificuldades bem diferentes do que os pobres, contudo os dois sofrem, cada um tem a sua dor.
O problema do vitimismo é se considerar o maior sofredor, a única vítima, como se ninguém mais sofresse ou como se o seu sofrimento fosse o pior. O segundo problema é acreditar que ele dever ser ajudado, ouvido e cuidado, apenas, e pelo simples fato de estar sendo vítima.
Não estou afirmando que não devemos dar ouvidos a quem sofre, ou que, todo mundo que sofre, não merece ser ajudado. É claro que temos que ajudar quem passa por dificuldade e não tem qualquer voz, ou condição de se levantar, não são destes que eu estou falando e sim de quem usa do vitimismo como meio.
O vitimismo nos mantém no lugar, a vítima acaba ouvindo apenas o que lhe convém, seguindo alheio as críticas que move esta pessoa para a mudança.
Não é fácil seguir, porém o caminho do vitimismo será sempre mais complicado, tendo um falso ar de conforto, mas que, contudo, não leva a lugar algum.
É preciso largar as bagagens inúteis e entender que a vida é batalhar, sofrer e lutar. Nem tudo, ou quase nada, vem fácil, é sempre pelo empenho que vamos trilhar.
O vitimista nunca é culpado, vive sempre um infortúnio, é um completo sabotador de sua história. Por isso, dispa-se do vitimismo (caso ainda tenha algum na bagagem) e assuma o controle, entenda que afagos no ego não ajudam, só nos ancora. Siga rumo a batalha, entendendo que uma boa parte das coisas está em suas mãos, basta entender que enquanto não assumimos a responsabilidade não vamos sair do lugar.
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O PREÇO DA PAZ
“A maior riqueza é ficar satisfeito com pouco” (Platão) (PERCY, 2016, p. 68).
Aprendi ao longo da vida que não precisamos de tudo o que a sociedade nos oferece. A vida não é só ter, ou conquistar coisas. Há muito mais debaixo do céu, que apenas bugigangas acumulando na garagem.
Optei, a fim de viver mais tranquilo, em viver abaixo do meu orçamento, sem muitos gastos ou exageros. A tranquilidade não tem preço, viver uma vida simples, mas com muita paz é uma das maiores riquezas que encontrei em minha caminhada. Existem destinos melhores do que apenas seguir só em busca de riqueza ou pagando boletos. Quem vive para o dinheiro, vive sem paz.
Não estou pregando uma vida de miséria, e sim de limites, de entender aonde queremos chegar e principalmente, do que realmente precisamos. Pois, muitos por terem prioridade apenas em ter, acabam se afogando em contas, prestações e juros altos, e assim, perdendo a sua paz.
Conheci muitas pessoas que ganhavam o mesmo salário que eu, mas que viviam um padrão
muito mais alto. Estas pessoas viviam sem paz, pois se matavam trabalhando, a fim de manter todo o seu padrão de vida.Viva conforme o seu salário, entenda que não precisamos de tudo, é possível viver bem, mas com limites. Aprenda a refletir, pense se você precisa do que você pretende comprar, e reflita sobre o ônus, que este gasto pode te trazer.
Tudo o que é bom é de graça. Seja a natureza, os amigos ou os momentos felizes. Aprenda que ter as coisas é legal, mas coloque na sua cabeça que você não precisa de tudo.
Não venda a sua paz, ela não tem preço. Descubra o poder do equilíbrio e siga em busca de uma vida mais tranquila.
BIBLIOGRAFIA
PERCY, Allan. Platão para sonhadores: 80 pílulas de filosofia cotidiana para transformar suas melhores ideias em realidade. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2016.
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O SEGREDO DA ORAÇÃO
Por que precisamos orar tanto para termos nossas orações respondidas? Será que Deus não conhece nossas necessidades? Ou melhor, por que orar? Deus já não sabe de tudo? Estas são algumas das dúvidas que tive quando era novo e são questionamentos que, volta e meia, algumas pessoas me fazem. Nem todos entendem por que devemos orar para um Deus que é onisciente. E são nos dias de caos e insegurança que devemos entender, bem e conscientemente, a importância da oração.
Para que eu possa responder a estas questões, preciso lembrar a todos alguns pontos importantes. O primeiro ponto é que até Cristo, o próprio Deus, orou. Mesmo tendo todo o poder, ele não deixava de orar sempre e muito (Marcos 1:35).
Em segundo lugar, precisamos entender que as nossas orações são sempre respondidas no tempo de Deus, ele sabe a melhor hora de te responder, sendo que o tempo de Deus é sempre o melhor.
O terceiro ponto, o qual é interligado a este, é que tudo vai depender da vontade de Deus (1 João 5:14), pois constantemente pedimos coisas que não são da vontade Dele. Ele sabe o que é melhor para nós, sendo que se servimos a Deus, se realmente somos seus servos, temos que nos sujeitar à sua vontade.
Faça um exercício, pense nas coisas que você pediu a Deus e que Ele não respondeu. Veja se entre estas coisas não há pedidos que, hoje, olhando com mais cuidado, você conclui que não eram legais. Dou graças a Deus pelas inúmeras orações não respondidas, pois nem sempre, na hora em que estamos pedindo, percebemos o erro de estar buscando aquela determinada coisa.
Por último, concluindo os apontamentos antes de responder, quero enfatizar que ser cristão não é ser rico, nem ter como ênfase pedir ou ter as coisas. É justamente seguir a um Deus que nos salvou e estar pronto para fazer a sua vontade. Cristo não nos prometeu uma vida boa, ao contrário, Jesus nos avisou que teríamos aflições (João 16:33). Cristo veio para nos dar vida e vida eterna (João 3:16) e não coisas que se desfazem com o tempo.
Depois destes apontamentos, a resposta se torna muito simples. No final, a oração muda muito mais quem ora do que o próprio ambiente ou a própria situação caótica. A oração nos dá conforto e esperança para podermos seguir confiando que, no final, tudo vai dar certo, mesmo que pareça que não.
A oração, que Cristo também fazia muito, nos dá intimidade com o nosso criador, e é no momento de busca que nossa vida vai sendo transformada, que conseguimos força para seguir, e que a nossa vida muda. A oração nos fortifica, sendo que as respostas de oração são somente consequências de uma vida transformada a cada dia, enquanto buscamos a Deus.
O segredo da oração é a própria busca, é o derramar do coração e buscar a cada dia ter intimidade com o Criador. Não devemos orar somente para ter coisas, e sim para buscá-lo, e também para termos forças para enfrentar as situações adversas, que, no mais, são consequências.
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JORNADA CRISTÃ 3: AS LINGUAGENS DO AMOR
No texto passado, eu falei do grupo de discipulado chamado Renovo, no qual eu participei quando era de outra igreja. Eu mencionei que neste grupo eu pude conhecer muitos ótimos autores, sendo que neste texto quero mencionar mais um que conheci neste período, chamado “Gary Chapman” e sua obra “As 5 linguagens do amor”, um livro que hoje é um pouco conhecido, mas que na época não era tanto, o conteúdo mudou a minha visão sobre relacionamentos.
É um desafio nos relacionar, seja como marido ou esposa, como amigo ou com familiares, nem sempre acertamos, sendo que o livro surge justamente com a proposta de fazer você entender a dinâmica dos relacionamentos.
O autor trabalha com o fato que cada pessoa tem uma linguagem de amor. No livro, Gary discorre sobre 5 linguagens que seriam: Palavras de afirmação, tempo de qualidade, presentes, atos de serviço e toque físico. E pontua a importância de falarmos a linguagem de afirmação do próximo, e também incentivar o próximo a falar a nossa linguagem para que assim tenhamos relacionamentos saudáveis.
Por inúmeros motivos, cada um tem uma linguagem de amor, sendo que quando falamos em casamento, quase sempre o casal tem linguagens de amor bem opostas, o que acaba gerando desentendimentos e brigas.
O livro aponta para a importância de falarmos a linguagem de amor do cônjuge, e ele mostra que, por mais que busquemos amar o nosso cônjuge com a nossa linguagem, nem sempre ela vai entender aquele gesto como uma expressão de amor. E falando sobre casamento, Gary Chapman pontua algo fundamental, vale a pena acrescentar neste texto:
“Cada um de nós chega ao casamento com personalidades e históricos diferentes. Trazemos bagagem emocional para o relacionamento conjugal. Chegamos com expectativas diferentes, formas diferentes de encarar as coisas, e opiniões distintas sobre o que é importante na vida. Num casamento saudável, essa variedade de perspectivas deve ser tratada” (CHAPMAN, 2013, p. 176).
Amar é mais que uma paixão, é uma atitude, uma ação, sendo que em um casamento, entender e aprender a lidar com o próximo é fundamental. A questão não é concordar com tudo, mas aceitar as diferenças e aprender a resolver e a fazer concessões.
Hoje, seja em casa ou em qualquer outro ambiente, procuro sempre entender a linguagem da pessoa. Não somos iguais, temos que perder a mania de achar que o ser humano foi feito em uma linha de montagem, com características e maneiras parecidas. Somos únicos, com gostos e necessidades totalmente opostos. Saber disso, vai fazer de você um líder melhor, um pastor ou cônjuge mais assertivo.
Aprenda a falar a linguagem do próximo, entenda como é fundamental perceber como cada um é antes de ser um amigo, cônjuge ou um líder. Isso vai fazer a diferença em seus relacionamentos, não tenha dúvidas.
O livro mudou a minha vida, e virou uma das minhas bibliografias básicas sobre o assunto. Mas a caminhada continua, são muitos livros e autores, sendo que no próximo texto, abordarei um dos primeiros livros mais densos de teologia que eu conheci.
BIBLIOGRAFIA
CHAPMAN, Gary, As 5 linguagens do amor: Como expressar um compromisso de amor a seu cônjuge, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2013.
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GIGANTES CRISTÃOS
Não é incomum vermos acadêmicos menosprezarem cristãos. Muitos desses supostos sábios, defendem a ideia de que todos os cristãos são alienados. Afinal, eles são incultos, não possuem estudos, e não sabem conversar, segundo estes. Coisa que alguns rabinos judeus, nos tempos dos apóstolos, também afirmavam dirigindo sua fala aos discípulos de Cristo (Atos 4:13). É como Eclesiastes diz: “Não há nada novo debaixo do céu” (Eclesiastes 1:9). No livro Por que não sou cristão, de Bertrand Russell, ele resume a sua opinião sobre os cristãos pontuando que:
“Minha visão pessoal a respeito da religião é a mesma de Lucrécio. Vejo-a como uma doença derivada do medo e como fonte de tristeza incalculável para a raça humana” (RUSSELL, 2016, p. 46).
A religião, segundo Russell, só serve para impor medo, ela surgiu do medo do desconhecido, da derrota e da morte, entre tantos outros medos que o ser humano tinha, e por mais que ele confesse neste livro que a religião fez algumas colaborações, a sua visão, no final de tudo é bem negativa (RUSSELL, 2016, p. 44, 46).
Quando eu olho para a história, não tem como não ficar impressionado com tamanho engano destes pensadores, ao longo dos séculos, surgiram inúmeros gigantes que provaram que a fé não é coisa de incultos e muito menos fruto de medos e receios infundados. Sendo que, se estes gigantes se converteram a fé cristã, quem são estes críticos para afirmar que religião é coisa para ignorantes?
Agostinho foi um destes gigantes, nascido em Tagaste na Numídia no ano de 354, onde hoje é a Argélia, este sábio provou que a fé também é munida do pensar e do saber. Era versado em retórica e artes liberais além de conhecer muito bem filosofia. Foi um escritor profícuo e escreveu inúmeros livros sobre o pecado, o mal, e muitos outros temas, que acabaram por servir de base ao pensamento cristão (FERREIRA, 2007, p. 17, 36-37).
Seu principal livro, Confissões, é um verdadeiro tesouro, pois além de falar de sua vida até aquele momento no qual escrevia a obra, ele a meu ver, consegue de forma magistral, falar sobre Deus.
Outro gigante foi Tomás de Aquino, nascido em Aquino em 1225, ele foi o grande responsável por unir a filosofia aristotélica com o cristianismo. Com uma mente brilhante, ele costumava ditar mais de um assunto por vez, para mais de um secretário ao mesmo tempo. Sendo que entre todos os temas, ele abordou de forma magistral o conceito de fé e razão, sendo conhecido por suas “cinco vias” que prova a existência de Deus (MCDERMOTT, 2013, p. 68-70).
Chesterton é o último grande gigante que eu quero abordar, primeiro porque ele foi um gênio, seus livros e seu pensamento refinado, mostrou que a sua reflexão estava acima da média. Segundo, por não ser tão conhecido, embora tenha deixado em seus livros, um grande legado cristão.
O período em que Chesterton viveu não foi um dos mais calmos, em um momento de ateísmo extremo e racionalismo fora do comum, é imprescindível a presença de um gigante para fazer a diferença, sendo ele um dos principais. Gosto do autor, principalmente por ser um ardoroso crítico tanto do capitalismo quanto do comunismo, creio que o caminho do centro é o mais difícil, mas também o mais lógico (CHESTERTON, 2014, p. 11).
O autor foi um escritor profícuo, escreveu sobre ficção, teologia e apologética, e mostrou ser um gênio através dos livros que escrevia. Escreveu muitos livros e mostrou ser acima da média.
Eu poderia citar inúmeros outros pensadores, desde cientistas, teólogos e filósofos, entre tantos e incontáveis homens geniais que fizeram história, mas a proposta do texto me limita a apenas alguns, mais precisamente, os que eu mais gosto.
O senso comum tenta pintar o cristianismo com cores cinzas, pontuando conclusões que carecem de muita leitura e investigação. Como se todos fossem estúpidos e não soubessem o que estão falando.
Se estes pensadores que foram encontrados por Deus, e em meio as suas reflexões, concluíram que a fé cristã é mais do que racional e inteligente. Quem são estes críticos para afirmarem que fé não é coisa de gente inteligente?
O cristianismo não é algo incoerente, muito menos conversa para pessoas incultas. A fé cristã é algo inteligente, basta mergulhar nos muitos autores para constatar isso.
Religião é coisa de gente, e não tem a ver com intelecto ou coisa parecida. Quem critica a fé, no fim, é um pouco simplista e não conhece a história dos muitos pensadores que fizeram diferença na sociedade.
BIBLIOGRAFIA
FERREIRA, Franklin. Agostinho de A a Z. São Paulo: Editora Vida, 2007.
MCDERMOTT,Gerald R. Grandes Teólogos: Uma Síntese do Pensamento Teológico em 21 Séculos de Igreja. São Paulo: Editora Vida Nova, 2013.
RUSSELL, Bertrand. Por que não sou cristão: Um livro que coloca ao leitor
questões que nunca mais poderão ser ignoradas. Porto Alegre: Editora L&PM Pocket, 2016.
