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A ODISSEIA DA DOR VII: SOPRO
Quando eu era mais novo não existia as facilidades que temos hoje para ouvir música, vídeos e shows. Normalmente para assistir a um clipe, tínhamos que acessar alguns canais especializados em música e depois procurar o CD da banda para comprar e ouvir.
Um dia desses, enquanto ouvia algumas músicas em um destes canais de música na TV, ouvi uma banda em particular que eu gostei muito, curioso para ouvir mais músicas me dirigi a loja de CD para comprar o material daquela banda. Chegando lá, fui tratado muito mal por não conhecer a tal banda. O vendedor se achava o conhecedor e me diminuiu, por eu não conhecer. Saí frustrado da loja, enquanto o vendedor perdeu um cliente.
Insistentemente e depois de ter superado tal situação, me dirigi a uma outra loja de CD procurar o material da tal banda que não saía da minha cabeça. Quando um outro vendedor me atendeu e eu disse que não conhecia a banda e que havia apenas ouvido uma música na TV, ele com um sorriso falou que não havia problema e me explicou tudo sobre a banda com uma humildade ímpar de quem sabe que ninguém nasceu conhecendo tudo. Duas abordagens, duas formas de enxergar uma situação, mas apenas uma das atitudes fez a diferença.
Quando eu leio sobre os amigos de Jó ou relembro todos os problemas no qual passei, eu lembro deste ocorrido. Pois o que aconteceu com Jó foi algo um pouco parecido.
Ele sofria injustamente, seus amigos foram até ale para ajudar, mas chegaram achando que eles sabiam de tudo, que tinham a solução para o seu problema, eles acreditavam que tinham a resposta e optaram em impor ao invés de dialogar e tentar compreender. Jó no versículo 7:7 diz que a vida é um sopro, a existência é curta e fraca, ele sabia da sua finitude e do quanto era limitado, coisa que as vezes esquecemos.
O meu maior problema enquanto passava por dias difíceis era lidar com as opiniões de amigos que mal entendiam o que eu estava passando. Eram frases orgulhosas, sem diálogo, sem compreensão e dita de cima para baixo.
Na vida existem duas verdades: “em algum grau estamos sempre influenciando ou sendo influenciados”. Seja em nossa família, filhos, sobrinhos ou amigos. Com isto é básico ter humildade, pois da forma com que influenciamos, ensinamos e ajudamos, nós também de alguma maneira estamos aprendendo. Seja com amigos, professores ou profissionais.
A vida é um sopro, o nosso tempo é curto, a vida é um instante, não sabemos de tudo, com isso a humildade se torna básica para que em nosso círculo de amigos façamos a diferença, e não a indiferença.
A consciência de que a vida é um sopro, nos aproxima de Deus, torna-nos humildes e em constante busca de dependência e de sua graça. A consciência da finitude nos faz pôr o pé no chão e concluir que não sabemos de tudo.
Em meio ao caos e a está complicada busca, percebi que ao ajudar um amigo, nem sempre a nossa opinião é a que vai ajudar, e sim, o quanto você ouve, apoia e caminha junto. Não temos respostas para tudo, mas podemos dar o apoio, o ouvido e a compreensão e isso não é possível sem humildade e sem entender o quanto somos limitados.
Neste meu período de caos, as pessoas que me ajudaram foram as que antes das respostas, me apoiaram e caminharam comigo, e as vezes em total silêncio, sem me dar respostas algumas. Por isso, antes de oferecer a sua opinião para uma pessoa que está passando por problemas, ofereça o seu ouvido e o seu apoio.
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DESESPERADA PAZ
Em meio ao caos, resolvi fazer compras, a quarentena traz consigo muita fome, e por
conta disso, levantei bem cedo e fui ao mercado, logo nas primeiras horas de
funcionamento. Uma genial ideia, que muitos outros também tiveram, resumindo em
um mercado totalmente lotado.Para contrastar com o excesso de pessoas, me deparei também com o excesso de
preocupações, com o desespero que pairava no ar como uma “crônica de um caos
anunciado”, que vem no bojo de toda desconhecida pandemia. Isso mostra que não
só se popularizou uma palavra tão pouco usada, como “pandemia”, mas também um
desespero nada usual. Algo que ninguém, até então, havia sentido.Nos carrinhos, havia excesso de comida, nos corredores, desespero e um medo que
conduzia a vida de muitas pessoas. Era evidente que a falta de paz e segurança,
estava ardendo latente no peito daquelas pessoas, mas eu me desesperei com a
cena, enquanto pessoas brigavam por alguns pacotes de arroz na estreita avenida
da vida.O cenário é de caos e desespero, as notícias, são as piores, e só traz medo. Segundo
especialistas o futuro é tenebroso e incerto, a certeza é que muita coisa vai
ruir, se desfazer, sucumbir. Enquanto em meio a tormenta, eu apenas tentava
entender um pouco mais a paz que eu estava sentindo. Eram contrastantes o
desespero e a minha tranquilidade.Aprendi a estar contente (Filipenses 4:11-13), descobri já faz um tempo que confiar nos poupa de muitas rugas e assegura a nossa saúde mental, que se esvai pelo excesso de preocupação. Não dá para tentar controlar o que não tem controle. Não dá para reivindicar qualquer independência, quando neste mundo hostil, só dependemos de Deus, pois no mais, é incerto. Acaba ruindo junto com todas as fracas teorias que sustentam o mundo.
Não podemos mudar o passado, o que aconteceu se foi, não volta mais, mas podemos
mudar o futuro, vivendo o presente, entendendo que na frente está o nosso Deus,
crendo que ele sem dúvida cuida de nós.Deus me livre de clichês, mas não tem outra frase, é apenas confiando que passamos
pela tempestade, isso se você quiser passar com certa tranquilidade.É Deus nosso refúgio, é só nele que resistimos e enfrentamos os altos abismos. Se a
pandemia te trazer insegurança, lembre-se de que sem Deus não somos nada e que
no fim, o nosso medo é não conseguir manter o controle, é não saber como
superar os vagalhões em alto mar.É por isso que quando o medo vier, lembre-se de que no fim, nada controlamos, nossa sabedoria é meio regada a incertezas, lamentos e dores, que só nos mostram que sem Deus, o viver é de angústias.
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JORNADA CRISTÃ 5: VIDA CRISTÃ
Continuo na missão de falar de todos os inúmeros autores que me influenciaram, uma atitude talvez louca da minha parte, surreal, pois pensando bem, são muitos, isso se eu for mencionar apenas os principais. Por isso, eu preciso falar logo nestes primeiros textos de John Stott.
Stott não é só um autor clássico e nem apenas um baluarte do cristianismo, mas alguém que viveu o evangelho de forma real. Seus livros são fundamentais para todo o cristão, suas obras foram realmente abrangentes e com certeza, sempre tiveram aquele teor coerente e centrado.
Ler o livro “O discípulo Radical”, sem se constranger e se impactar ao entender qual é o papel do verdadeiro discípulo de Cristo. Ou ler “Crer é também pensar”, e não ficar feliz ao entender que a fé também pode ser racional, são apenas algumas das estradas que você pode trilhar ao ler Sttott. E por ser muitos livros eu vou me concentrar em falar do livro “Por que eu sou cristão”.
O livro foi escrito para servir de uma espécie de “defesa” do cristianismo, por conta de uma palestra de Bertrand Russell e um livro chamado “Por que não sou cristão”, lançado muito tempo depois.
Sendo que o propósito da obra não é meramente apologético, e sim, mostrar que existe um cristianismo verdadeiramente centrado, coerente, e que faz diferença na sociedade.
Eu já li muitos livros de ateus criticando o cristianismo, tenho uma boa bibliografia destes livros em minha biblioteca, sendo que em vários momentos, eu realmente concordo com a crítica destes homens.
É fundamental perguntar qual cristianismo ou qual visão de Jesus uma pessoa está criticando ao ouvir alguém expressar a sua crítica. Pois dependendo da resposta, com certeza, nós cristãos também vamos concordar com a opinião. São muitos falsos evangelhos vendidos como se a vida cristã fosse apenas aquilo. Com atitudes, ensinos e ações que passam de longe do que a Bíblia ensina, e principalmente, do que nós cristãos acreditamos.
O livro de John Stott é fenomenal, e se concentra em discorrer sobre o evangelho de uma maneira realmente centrada. O autor faz links compensadores, mostrando como o que seguimos é muito mais que apenas mera teoria. Gosto de como o autor termina o capítulo 2 deste livro:
“Por que sou cristão? Intelectualmente falando, é por causa do paradoxo de jesus Cristo. É porque aquele que afirmou ser o senhor dos seus discípulos humilhou-se para ser o servo deles (STOTT, 2004, p. 50).
John Stott é uma das minhas maiores influências, sendo que o autor se concentra em falar sobre o evangelho, sem todas estas lentes que vemos por aí. Sua ênfase é a teologia Bíblica, seus textos tem como principal propósito, falar do evangelho simples, puro e bíblico.
BIBLIOGRAFIA
STOTT, John, Por que sou cristão, Editora Mundo Ultimato, Viçosa, 2004,
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CRESCENDO COM AS CRISES
“As crises agravam as incertezas, favorecem os questionamentos; podem estimular a
busca de novas soluções e também provocar reações patológicas, como a escolha de um bode expiatório. São, portanto, profundamente ambivalentes” (MORIN; VIVERET, 2015, p. 09).Eu me lembro muito bem de quando a crise brasileira começou a dar os primeiros sinais, quando tudo começou a ficar difícil e o desemprego chegou a números exorbitantes. Infelizmente eu fiz parte da estatística, e perdi o emprego junto com muita gente que teve que se virar neste período difícil. Felizmente as dificuldades fizeram com que eu corresse atrás, estudasse mais e buscasse novos
caminhos. Não é fácil viver em tempos de crise, a crise traz muita tristeza e instabilidade, eu não tenho dúvidas disso, contudo, a crise me obrigou a ir em busca do novo, de novos caminhos e novas oportunidades, isto é o mínimo que os momentos difíceis fazem conosco.É claro que não tem como colocar a crise apenas como uma ótima oportunidade para crescer, muito menos tem como seguir as máximas do senso comum que diz que: “Ostra que não foi ferida, não produz pérola”, pois tal frase só funciona se o outro lado for consciente suficiente e ter força e determinação para vencer os períodos de crise. Cada caso é um caso e cada pessoa é uma pessoa, não dá para comparar.
Entretanto um dos meus segredos, que eu espero que seja útil para você, foi justamente não
procurar um bode expiatório, é se abster de gastar tempo em encontrar o culpado e se dedicar em ir em busca da solução.Outro segredo é entender que as vezes precisamos enterrar o passado, não ficar chorando pelo que se foi e muito menos viver na nostalgia, nos lembrando de como era bom o tempo no qual trabalhávamos em tal empresa, ganhávamos bem ou coisa parecida. Eu trabalhei em ótimas empresas antes da crise, mas entendo que aquilo se foi, aprendi a duras penas a olhar para frente e ir em busca do novo, de novas oportunidades.
Aprenda que para olhar para frente, precisamos o quanto antes aprender a encerrar ciclos, entender que o que passou se encontra no passado e não volta mais. Assuma seus erros, lamente se caso suas atitudes tenham sido ruins, e se concentre em não repetir quando uma nova oportunidade chegar. A questão é
aprender com os erros, e não ficar se lamentando.Os problemas não podem virar âncoras, que nos mantém imóveis, sem qualquer ação e sim, servir como molas, que nos impulsionam para novas oportunidades. Ou você aprende a crescer com as crises, ou vai seguir sempre ancorado, não tem outra saída.
BIBLIOGRAFIA
MORIN, Edgar.; VIVERET, Patrick. Como viver em tempo de crise. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 2015.
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A ARTE DA PACIÊNCIA
“Ser paciente é dominar a arte de saber a hora certa de agir” (QUEIROZ, 2015, p. 49).
Conheci pessoas que eram muito afobadas, não conseguiam esperar um minuto, viviam se atropelando nos planos. E com isso, acabavam por fazer bobagens ou perdendo oportunidades. Conquanto, eu também conheci pessoas tão calmas, que acabavam por ver a oportunidade passar, sem esboçar reação alguma. São os dois lados da mesma moeda chamada paciência.
A frase que direciona o texto, trabalha justamente este meio termo e define de forma magistral o significado da palavra paciência. Tendo como significado, aquele que sabe agir na hora certa, no momento adequado, sem atrasos e atropelos.
Saber a hora certa de agir é sempre um grande desafio, sendo que não existe uma fórmula exata para descobrir o segredo da paciência, a saída é tentar, errar e continuar, até aprender. Haverá dias nos quais precisaremos ser mais ousados, arriscando um pouco para não perder a mão. Porém também haverá dias nos quais esperar é o único caminho, entendendo que nem tudo é no nosso tempo.
Eu tenho o costume de não tomar decisões no calor do momento. Se eu precisar tomar uma decisão sem pensar a resposta é na maioria das vezes negativa. Entretanto eu já estive em situações no qual precisei dizer sim a fim de não perder uma oportunidade. Não existe fórmula, o segredo é tentar analisar de forma racional, e se preparar para o pior.
Creio que quem sabe a hora certa de agir, possivelmente já errou muito, ou aprendeu com quem errou e por diversas vezes perdeu a mão.
Quem sabe ser paciente é na maioria das vezes assertivo, sabe o quanto esperar e quando deve sem demora (e sem desespero) ser rápido para não perder uma oportunidade.
Ser paciente é fundamental, saber a hora certa de agir é o grande segredo de quem não perde uma oportunidade.
BIBLIOGRAFIA
QUEIROZ, Sérgio, Gloriosas ruínas: O caminho bíblico para a restauração, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2015.
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O DESESPERO CONTAMINA
O nosso século nunca passou por problemas tão graves, e apesar da crise financeira, não passamos por pandemias, tal como estamos passando. Embora eu confesse que a notícia não me deixou com medo.
Esta pandemia tem me ensinado várias coisas, e tem mostrado a verdadeira face do ser humano, a máscara cai quando não dá mais para representar o papel. É impossível ser ator em dias de caos.
Apesar da minha calma, eu me preocupei quando nos primeiros dias da quarentena eu fui ao mercado, era muito egoísmo para poucos carrinhos de compras. As pessoas compravam como se não mais houvesse amanhã, como se a comida fosse acabar naquele dia. Me senti no filme Mad Max, vendo gente discutir por um punhado de arroz. Eu me desesperei, as cenas nos corredores do mercado eram tristes, nunca mais esqueci.
Nas redes sociais ou na rua, os assuntos eram macabros, inúmeras teorias da conspiração circulavam, a morte e o medo rondavam, pelo menos no imaginário, e o pandemônio aos poucos se instalava, por conta da ignorância.
Eu não fiquei com medo do caos, sou bem tranquilo e confio em Deus, já passei por coisas piores, para me deixar abalar. Embora eu tenha aprendido que o desespero contamina, e é esta a pior situação que um problema desse pode causar.
Não quero alarmar ninguém, e não ser contraditório disseminando o caos, eu quero apenas alertar que você pode se contaminar com este desespero. O vírus pode ser perigoso, mas o desespero é pior, mexe com o emocional, e afeta a nossa saúde. Afinal, tudo começa na mente, para depois refletir no corpo e na imunidade baixa.
Depois de toda a negatividade, as notícias tendenciosas e as Fake News, resolvi proteger o meu emocional e deixei de me alimentar por estas notícias equivocadas. Em nome da sanidade é importante as vezes buscarmos a tranquilidade e confiar que no fim, Deus está sempre conosco.
Cuidado com o desespero, e diante deste caos, se acalme, pior que contrair a doença, é se descontrolar e perder a sua saúde.
Fuja de qualquer notícia falsa, reflita e deixe a vida seguir seu rumo, ou você está em Cristo e confia, ou perde o controle.
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A ARTE DE GANHAR UMA DISCUSSÃO
“É chocante ver com que frequência ter razão e ficar com a razão não são
equivalentes; que o vencedor de uma discussão não é o que está do lado certo da
verdade e da razão, mas sim o que é mais espirituoso e sabe lutar de maneira
mais ágil” (SCHOPENHAUER, 2014, p. 8)Conheci, ainda muito novo, alguém que realmente sabia debater. Ele entrava nas discussões mais intricadas e saia como vencedor, sempre, impreterivelmente. Não importava o assunto, aquele homem sabia discutir e defender seus pontos de vista. Fui fã daquela pessoa e por conta de todo o seu conhecimento, eu me motivei a estudar mais, pois queria de alguma maneira chegar naquele grau de
conhecimento.Sou grato a esta pessoa, pois foi por conta dele que passei a ler mais, procurar autores relevantes, estudar e me aprofundar em teologia. Terminei também fazendo o bacharelado em teologia, tudo para poder conhecer mais e ser relevante na obra de Deus.
A parte surreal, que hoje me faz dar muita rizada, é que quanto mais eu estudava, mais eu começava a perceber que seus argumentos muitas vezes eram fracos e contraditórios. Eu descobri também, que era possível ganhar um debate, apenas tendo ferramentas de oratória. No fim, ele não tinha bons argumentos, e sim, apenas possuía uma ótima “dialética erística”, como diria Arthur Schopenhauer. Sendo que a “dialética erística” é a arte de ganhar uma discussão sem ter razão. Schopenhauer em seu livro, fala de 38 estratégias para vencer uma discussão, sendo que algumas dessas estratégias eu o vi usar muitas vezes.
Hoje com um pouco mais de conhecimento neste tipo de dialética, consigo perceber como muitos vencedores de debates, conseguem vencer, apenas pelo gogó, usando táticas obscuras, deixando a coerência e os fatos de lado, por não servirem para muita coisa.
Eu sempre digo em sala de aula que nem sempre quem fala bem, ou consegue ganhar um debate, tem bons argumentos. É preciso saber identificar, durante um debate, se há coerência e razão por trás de todas as palavras.
Não costumo mais entrar em debates, por ter aprendido que nem sempre o motivo da discussão é encontrar a verdade. Quase sempre o motivo é ganhar, é sair por cima, é mostrar o quanto uma pessoa é melhor que a outra. Poucos debates são realmente honestos.
Aprenda uma coisa, certas pessoas não estão em busca da verdade e muito menos querem aprender. Para que isso aconteça é preciso ter humildade e uma grande capacidade de enxergar seus erros, contradições e falhas. Coisa que no calor da discussão, raramente isso acontece.
É claro que você é livre, mas tenha em mente algo: quando for discutir, esteja preparado não só para perder um debate, caso o oponente fale bem, mas também, se prepare para ter que lidar com um ego inflado.
Não vale a pena discutir com quem não tem humildade suficiente para reconhecer seus erros. Conversar com quem só quer ganhar é tempo perdido e a garantia de sair da discussão com uma bela dor de cabeça.
BIBLIOGRAFIA
SCHOPENHAUER, Arthur, 38 estratégias para vencer qualquer debate: A arte de ter razão. São Paulo: Faro editorial, 2014.
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DEUS INCOGNOSCÍVEL
Considero Deus o ser mais enigmático que já existiu. A própria Bíblia não consegue defini-lo de uma maneira adequada, nenhum autor consegue esgotá-lo, e quando tentam, muitas vezes acabam por nos colocar ainda mais dúvida, isso me incomodava quando eu era um pouco mais novo.
Era uma contradição, a meu ver, não entender e nem saber de verdade quem Deus é. No final, não largamos a mania de querer definir. O problema é que quem define controla, e Deus não pode ser controlado.
Deus é inexplicável, é um ser onde o finito nunca vai conseguir invadir. Embora que por conta dos seus inspirados escritos (a Bíblia), ou por toda a maravilhosa criação, que revela todo o seu poderio (Romanos 12:20), tentamos entender e, sem querer, às vezes acabamos por criar ídolos, feitos conforme a nossa imagem, algo que não é real, é somente a nossa interpretação.
A coisa mais perigosa, ao tentarmos entender quem é Deus, é justamente criarmos estes ídolos, que nada mais são do que conclusões sobre Deus, pontos de vistas que não definem quem ele é, mas que acabam virando o nosso norte quando olhamos para ele. É uma lente manchada com uma opinião totalmente superficial.
O ídolo é algo palpável, tem forma e com apenas um simples olhar, podemos analisar, definir e controlar, embora Deus seja algo impossível de definirmos e controlarmos. Por isso, ao ouvirmos o próximo falar “eu creio em Deus”, é importante antes perguntar qual é o Deus dela. Pois corre o risco do seu deus ser um ídolo fabricado conforme sua própria conclusão e compreensão.
Deus não pode ser compreendido, e embora tenhamos conclusões sobre ele, e isso não é errado, temos que entender que quando falamos de Deus, nossas conclusões vão ser sempre limitadas. Alan Watts, no livro A sabedoria da insegurança, propõe que:
“Para descobrir a realidade fundamental da vida — o absoluto, o eterno, Deus — é preciso parar de tentar tocá-la na forma de ídolos. Esses ídolos não são apenas imagens grosseiras, como a imagem mental de Deus como um senhor de idade em um trono dourado. São nossas crenças, nossas estimadas preconcepções da verdade, que criam obstáculos a abrir a mente e o coração sem reservas para a realidade” (WATTS, 2017, p. 39).
No final, conforme a lei do esforço invertido, a qual é uma teoria que o autor propõe para compreender o que não pode ser compreendido, desistir de entender e pontuar Deus leva ao total entendimento dele, por percebermos que, com certeza, é impossível seres criados entenderem um ser infinito. Não dá para conhecer alguém de verdade quando temos algumas ideias preconcebidas nos motivando. Só conseguimos entender Deus, ou alguém de forma verdadeira, quando jogamos fora nossos ídolos e temos em mente que, no final, qualquer conclusão nossa será sempre pequena perto do que Deus realmente é.
Nunca vamos entender Deus, mas podemos crer que ele existe e buscá-lo de todo o nosso coração, no mais, é só a nossa falível opinião. Tenha em mente que “qualquer conclusão que você tenha sobre Deus, mesmo que embasada pela Bíblia, ou seja, fruto de muito estudo e dedicação, vai ser sempre limitada e muito simplista”.
Deus não é o que entendo dele, e sim o que ele é. Entender que Deus não pode ser compreendido é o princípio para realmente conseguirmos entendê-lo.
No final, o que é realmente possível aprender sobre Deus é que ele não cabe em nossa caixa, que não o entender é o caminho para pelo menos perceber o seu inesgotável poder.
BIBLIOGRAFIA
WATTS, Alan, A sabedoria da insegurança: Como sobreviver na era da ansiedade. Rio de Janeiro: Editora Alaúde, 2017.
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A IMPORTÂNCIA DE OUVIR
“Ouvir é uma arte, um dom, requer disciplina, silêncio, reverência. Ouvir envolve recolhimento, acolhimento e meditação da palavra, seja ela de Deus ou de um amigo” (STEUERNAGEL; BARBOSA, 2017, p. 78).
Eu gosto bastante de conversar e trocar experiências com as pessoas. São em momentos assim que aprendemos, conhecemos mais e nos desenvolvemos. A parte curiosa da questão é que hoje, as pessoas querem muito mais falar do que ouvir. E quando ouvem, não prestam muito atenção, pois as vezes estão concentrados pensando no que vão dizer depois que o outro terminar a sua fala.
Existe basicamente dois tipos de ouvintes, o primeiro é aquele que ouve para responder. Ele espera você falar para poder dizer que também passou por aquilo, ou que o seu problema é fácil, afinal, ele já enfrentou também tal situação, não fique de frescura.
Normalmente este tipo de pessoa não troca experiências, ele troca comparações. Uma coisa é você falar que já passou pela mesma situação que o seu amigo, outra coisa é diminuir a experiência, por você também já ter passado, e o pior, ter resolvido o caso de modo fácil.
Nós não somos iguais, não encaramos os problemas da mesma forma, cada um tem a sua dificuldade e facilidade, sendo que uma experiência vai ser sempre algo único, cada um tem a sua, não tem como nos comparar.
O segundo ouvinte é aquele que realmente ouve, que quando pergunta é para se aprofundar, entender e compreender o indivíduo. Este tipo de ouvinte também fala das suas experiências, e inclusive menciona quando também passou pela mesma situação. Contudo ela fala de uma maneira empática, entendendo que as experiências são únicas e incomparáveis.
Um bom ouvinte faz diferença aonde está, quem sabe ouvir cura, aconselha de forma assertiva, e acolhe, saber ouvir é um remédio poderoso. E curiosamente, como o próprio autor aponta, nós só falamos porque ouvimos.
Ouvir é uma prática importante, mas nós temos esquecido, talvez quem sabe, por descuido ou por não nos importarmos mais com o outro e nem com as suas aspirações, sonhos e histórias.
O mundo tem andado carente de amigos, estão em falta de pessoas que realmente ouvem e se preocupam conosco. Ouvir é uma arte que precisa ser cultivada, para que com ela, consigamos fazer diferença onde estivermos.
BIBLIOGRAFIA
STEUERNAGEL, Valdir.; BARBOSA, Ricardo. Nova Liderança: paradigmas de liderança em tempo de crise, Curitiba: Editora Esperança, 2017.
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JORNADA CRISTÃ 4: O PROBLEMA DO SOFRIMENTO
Durante a minha jornada cristã de conhecimento, isso há muito tempo atrás, o sofrimento era um dos temas que mais me intrigava. Eu não entendia como Deus permitia que o homem sofresse e por mais que no começo da caminhada eu me contentava com poucas respostas, ao longo do tempo, dos estudos e do quanto eu via o sofrimento, a pergunta começava a exigir respostas mais pontuais. Com isso, e como um bom estudioso faria, acabei com o livro “O problema do sofrimento” de C. S. Lewis, nas mãos, afinal, é a obra mais clássica sobre o assunto, foi inevitável ler.
Ele também foi o primeiro livro um pouco mais denso que eu peguei nas mãos, um livro que eu não entendi logo de primeira. E por mais que eu já havia lido literatura mais densa, eu ainda não tinha contato com conteúdos mais teológicos e nem mais acadêmicos, mas eu aceitei o desafio e insisti.
De todos os livros do C. S. Lewis, “O problema do sofrimento” é o mais complicado, o livro não é difícil de ler, pelo menos para quem tem contato com livros acadêmicos, mas para quem não tem, é um livro que considero ótimo para quem quer começar a ler materiais mais difíceis. Sendo que considero os livros “Os quatro amores” e “O grande abismo”, os mais fáceis de ler, ótimos para adentrar no universo mais teológico de Lewis e este o mais difícil.
Como o título revela, Lewis se concentra em falar sobre o problema do sofrimento, ele discorre justamente sobre como um Deus bom, permite o sofrimento.
O livro inicia falando primeiramente sobre a religião e principalmente sobre o conceito de numinoso, como Deus ou as divindades sempre fizeram parte da vida do homem. Depois ele fala sobre a moral, e como algum tipo de moral sempre fez parte da vida do homem, entre muitos outros pontos que ele discorre no começo do livro, para depois, no capítulo 02 em diante começar a falar de Deus e o sofrimento.
Para muitos, Deus e sofrimento não combinam, não são todos os que acreditam que Deus pode ser bom, e mesmo assim, permitir que nós seres humanos soframos. Sendo que uma de suas respostas é justamente que nós seres humanos somos livres, possuímos livre-arbítrio para escolher, sendo que por sermos livres em escolher, sofremos consequências. C. S Lewis complementa que:
“Tente excluir a possibilidade de sofrimento implicada pela ordem da natureza e pela existência do livre-arbítrio e você descobrirá que excluiu a própria vida” (LEWIS, 2006, p. 42).
O sofrimento faz parte da vida humana, por sermos livres, não estamos livres de sofrer, é mais ou menos por este caminho que Lewis discorre sobre o problema do sofrimento, e pontua como não é nada contraditório a existência do sofrimento com a existência de um Deus bom.
Pelo menos para mim, o livro “não solucionou” por inteiro o problema do sofrimento, mas me deu as primeiras respostas e um bom direcionamento em meus estudos. O autor é profundo, e trabalha com uma coerência sem tamanho um assunto tão delicado, que é o sofrer humano.
Lewis abriu as portas para que muitos outros autores me ajudassem nesta busca, e se hoje tenho alguma conclusão sobre o assunto, é porque, sem dúvida alguma, dentro da minha bibliografia eu tenho a obra deste ótimo autor.
BIBLIOGRAFIA
LEWIS, C. S, O problema do sofrimento, Editora Vida, São Paulo, 2006.
