“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus” (Referência: Filipenses 4:7) (NVI).
Gosto de viajar de automóvel, muito mais do que de ônibus, apesar do desconforto em trajetos longos. Prefiro ver o motorista dirigindo, conferir se ele está acordado, prestando atenção na viagem, coisa que não é possível fazer em alguns ônibus e também em aviões. É uma desconfiança muito grande que tenho e que também soa muito estranha, eu sei disso.
Viver se assemelha muito a viajar de avião para locais próximos. A viagem normalmente é rápida, visto que o nosso tempo de vida aqui na terra é curto, nem sempre vemos o tempo passar. E as turbulências, da mesma forma que enfrentamos nos aviões, chegam sem avisar e nas horas mais incertas e inadequadas. A parte complicada é que nem sempre podemos agir para solucionar tais problemas, algumas situações fogem do controle humano. Seguimos sentados na poltrona do avião da vida e o que nos resta é confiar em Deus, que não vemos conduzir o avião, mas que sabemos muito bem que está no controle de tudo.
O apóstolo Paulo, neste versículo de Filipenses (4:7), fala de uma paz que excede todo o entendimento, é uma paz que nem sempre conseguimos entender, mas ela existe. E, em se tratando de Paulo, alguém que foi muito perseguido e sofreu muito, a reflexão fica ainda mais interessante, já que ele fala da importância de buscar esta paz, estando também em condições adversas. Provavelmente, o apóstolo estava falando de uma prática que fazia parte da sua rotina.
Na vida, vamos passar por muitas turbulências, pois não temos controle de tudo. Neste mundo incerto, confiar e buscar esta paz de Deus, que de modo algum conseguimos racionalizar, é a única saída para não perdermos o controle. A ansiedade e as preocupações do mundo podem desviar o nosso olhar de Deus. A nossa única saída é orar e entregar nossos problemas nas suas mãos, buscando assim a sua paz, que excede qualquer entendimento humano. Francis Foulkes explica que:
“Quando a oração substitui a preocupação, a paz de Deus, que excede todo o entendimento assume o controle, atuando como uma sentinela e impedindo que a mente e as emoções do cristão sejam subjugadas por uma investida repentina de medo, ansiedade ou tentação. Essa realidade deve ser experimentada pelos cristãos na sua vida diária” (CARSON et al., 2012, p. 1891).
Orar e buscar esta paz em Deus é a única forma de seguirmos bem, mesmo em meio ao caos. Ou buscamos a paz divina, ou certamente seguiremos ainda mais ansiosos, neste mundo que caminha em direção à desesperança.
Sei que não é fácil ter que lidar com todos os percalços do caminho, não estou tentando diminuir a sua luta e suas dificuldades. Só estou enfatizando ser possível buscar em Deus a paz, para que a nossa confiança, em meio ao vento forte da estrada, continue fundamentada na Rocha.
Bibliografia
CARSON. DA.; FRANCE, RT.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo, Editora Vida Nova, 2012.
FOULKES, Francis. Filipenses. In: CARSON. DA.; FRANCE, RT.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo, Editora Vida Nova, 2012.
