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  • NÃO CONFUNDA TALENTO COM LÁBIA

    “É fácil confundir lábia com talento” (CAIN, 2012, p. 52).

    Vivemos em uma sociedade onde o marketing pessoal é muito mais importante que a própria competência. Com isso, temos inúmeros profissionais muito competentes em fazer suas autopromoções, mas péssimos em seus ambientes de trabalho. Enquanto outros não são tão competentes em se autopromover, embora sejam ótimos profissionais.

    Eu sempre digo que nem sempre quem fala bem, entende bem um assunto. Alguns são ótimos comunicadores, contudo péssimos na área no qual estão falando ou ensinando. Um bom profissional sabe transitar entre a prática e a teoria com uma certa destreza. Contudo, já assisti palestrantes incompetentes, que entre os leigos, toda as suas bobagens eram vistas como verdade, tudo porque ele falava bem, isso é muito comum, assim como é comum acreditar que quem fala bem, domina o assunto, a verdade é que, nem sempre.

    Você nem imagina quantas pessoas talentosas conheci por traz de um semblante tímido e introvertido. É libertador quando aprendemos a conhecer uma pessoa, quando conhecemos pelo que ele é, e não pelo que ela aparenta ser. É claro que compramos um livro pela capa, é normal ver e concluir, o que eu estou propondo com o texto é que precisamos aprender a conhecer uma pessoa não pela aparência, e sim pelo que ela é.

    É evidente que temos que procurar nos desenvolver, que é importante aprendermos no comunicar e aplicar em nossas vidas as ótimas ferramentas do marketing pessoal ou da oratória. Eu não sou contra tais práticas, a minha crítica é que muitos não procuram desenvolver suas competências, e se escondem por trás de uma boa oratória, uma roupa bem alinhada ou um ótimo marketing pessoal. 

    Em um ambiente de trabalho, e ainda mais se você tem um cargo de influência, é fundamental saber diferenciar uma pessoa da outra. O profissional competente, daquele que só tem lábia, que se aproveita dos outros ou que usa o subordinado competente para se autopromover.

    Quem cultiva uma vida relevante, que estuda e procura ser melhor a cada dia, entende que a lábia, saber falar, não é tudo. É preciso entender que o constante aprimoramento é fundamental para que o seu trabalho frutifique.

    Por isso, eu desafio você a olhar em seu entorno e procurar diferenciar quem realmente tem talento, daqueles que só falam, só tem lábia.

    E não precisa ser só em um ambiente de trabalho, a reflexão cabe para vários âmbitos da vida e em vários locais de atuação. Não importa se é em sua igreja, com um colega da faculdade, entre tantas outras áreas. Em todos estes lugares estes dois tipos de pessoa estão presentes, com isso, é preciso estarmos atentos, para não sermos ludibriados.

    Aprenda a diferenciar quem só sabe falar, das pessoas que têm um real talento, para que o seu empreendimento ou a sua igreja, não acabe tendo em sua linha de frente, pessoas incompetentes, que se parecem muito com profissionais, mas que não são.

    BIBLIOGRAFIA

    CAIN, Susan, O poder dos quietos: Como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar, Editora Agir, Rio de Janeiro, 2012

  • JORNADA CRISTÃ 2: ESPERANÇA

    Eu não parei a minha jornada de leituras em apenas um autor, segui tentando aprender e crescer ainda mais com os livros, sendo que eu cheguei em Max Lucado, por conta do nome curioso de um de seus livros chamado “Nas garras da graça”.

    No primeiro texto eu falei o quanto a minha vida mudou por ter conhecido a graça, com isso, foi uma escolha natural procurar por mais livros sobre o tema, por este motivo que acabei conhecendo este ótimo autor.

    Não costumo desdenhar de Max Lucado como alguns teólogos fazem, e apesar de seus livros não terem a profundidade teológica de muitos livros que eu leio hoje, gosto da forma como ele escreve, gosto também do seu estilo centrado e reflexivo.

     Eu costumo ler muito, são horas de leitura e estudo, e para não cansar a cabeça, eu costumo alternar os livros mais densos, mais teológicos e filosóficos, com livros mais reflexivos, na chamada leitura devocional.  Costumo incentivar meus alunos a seguir por este caminho, é bom as vezes dar uma folga na mente e ler algo mais tranquilo depois de um livro acadêmico.

    Os livros do Max Lucado falam basicamente do amor de Deus e vida cristã, são textos que nos trazem esperança e ânimo. Li alguns de seus livros em meus dias mais cinzas, e foi em meio a dificuldade que consegui um pouco mais de fôlego para seguir. Este autor já me ajudou muito, seus livros me auxiliaram a perceber o amor de Deus e a enxergar o sol brilhar lá fora em meio a dias de caos.

    O Livro “Seis horas de uma sexta-feira”, é um livro muito confortador, e ao mesmo tempo desafiador. O livro fala do sacrifício de Cristo, e um dos temas que ele trabalha é fundamentos para suportar as dificuldades.

    Em meio a inesperada tempestade, sendo ela em forma de falta de saúde, desemprego ou mesmo um desastre natural, entre tantos males que assolam a nossa vida, só é possível resistir quando temos bons alicerces.

    É apenas com bons fundamentos que conseguirmos seguir e enfrentar as intempéries da vida, o livro fala de tempestades e de como suportar o caos em meio a tormenta. Ele trabalha com três principais fundamentos que todos os cristãos devem ter bem pontuados em sua vida, para assim conseguir resistir aos problemas, sem esquecer que a leitura da Bíblia é fundamental para resistirmos os dias ruins, como o autor pontua:

    “Estabilidade na tempestade vem não de buscar uma nova mensagem, mas de compreender uma antiga” (LUCADO, 2007, P. 134).

    A nossa vida é muito corrida, os compromissos, sonhos e planos, algumas vezes nos engolem ou fazem com que sigamos no automático, por isso as vezes é bom receber um puxão de orelha. É importante ler sempre e relembrar da antiga mensagem da cruz, que nos mantém vivos e firmes no caminho da fé. Sendo que Max Lucado sabe fazer isso como nunca.

    Eu li o livro em um período bem complicado da vida, como mencionei, e encontrei descanso e ferramentas para seguir suportando os vagalhões que surgem para tentar afundar o nosso barco.

    Lembre-se sempre dos fundamentos para não ser engolido pela corrida vida. Em uma tempestade, é fundamental estarmos ancorados na palavra, para que resistamos todas as tormentas. Você não precisa de lições novas, e nem de métodos de como sair das tempestades, basta olhar para as Bíblia e compreender uma antiga, mas não ultrapassada mensagem. Caso contrário, você sucumbirá ante ao mais fraco vento.

    Mas este é só o começo da jornada, preciso falar de muitos outros autores, o caminho é longo, mas vale a pena seguir. Foram muitos livros que me influenciaram, e me ofereceram bagagem que só somou em minha caminhada cristã, espero que as dicas também ajudem você a aprender mais e a amadurecer como cristão.

    BIBLIOGRAFIA

    LUCADO, Max, Seis horas de uma sexta-feira, Editora Vida, São Paulo,2007.

  • CIDADANIA

    Cidadania, grosso modo é um conjunto de direitos e deveres que um cidadão tem. O termo nasceu na Grécia por volta do século 8 antes de Cristo. A parte interessante é que durante os séculos o termo foi mudando e tomando várias formas.

    A parte fundamental para a nossa reflexão é entender que quando a gente fala de cidadania nós falamos de vida em sociedade. Em como a pessoa exerce os seus direitos e deveres em um ambiente coletivo, sendo que quando falamos de coletivo temos de entender o que realmente significa a palavra liberdade. Roger Scruton, fala de liberdade pontuando que:

    “A liberdade é genuína somente quando limitada pelas leis e instituições que nos tornam responsáveis uns pelos outros, que nos obrigam a reconhecer a liberdade dos outros e também a tratar os outros com respeito” (SCRUTON, 2015, p. 49).

    Entender o termo liberdade em um contexto coletivo é o princípio da boa cidadania. Pois quem entende vai conseguir olhar o todo e entender a vida como um viver coletivo, respeitando as culturas e ideias diferentes, tendo em mente que cada um tem seu modo de pensar e viver por isso que um não pode passar por cima do outro.

    Cidadania e respeito devem caminhar lado a lado sempre, por isso que entender o que significa liberdade é fundamental para que não sigamos rumo ao desrespeito.

    Ser livre em um ambiente coletivo é não passar por cima da liberdade do outro, é viver entendendo que as minhas vontades, religião ou forma de pensar, não são o centro de tudo.

    BIBLIOGRAFIA

    SCRUTON, Roger, As vantagens do pessimismo e o perigo da falsa esperança, Editora É Realizações, São, 2015.

  • SOBRE OS DIAS DE TRISTEZA

    “Quando nos sentimos tristes, buscamos nos distrair, ocupar ou consolar com coisas que nos alegrem. Não percebemos que dessa maneira fortificamos a experiência de tristeza. Isto porque tristeza se encara de frente, olhando direto em “seus olhos” (BONDER, 2011, pg. 135).

    Aprendi, ao longo da vida, que certas situações devem ser enfrentadas. Algumas batalhas devemos encarar, sem virarmos as costas e a tristeza é uma delas. Comumente quando nos encontramos tristes buscamos fugir da tristeza, procuramos amigos ou distração, mas não é assim que devemos enfrentar
    a tristeza e é justamente esta a ênfase que o autor dá neste capítulo do livro.

    Experimente aceitar a tristeza quando ela se instala. Deixe por momentos que o aperto na glote se misture com o amargor do coração e, ao “agarrar” a tristeza, descubra sua esgotabilidade. Se corrêssemos ao encontro de todas as nossas tristezas, perceberíamos que elas são sintomas da alma e que das lágrimas que esta pode gerar surge a possibilidade do arco-íris, de um novo dia com renovada fé (BONDER, 2011, p. 135).

    Eu quando estou triste reflito mais, oro e escrevo mais, pois se a tristeza não nos aproximar mais de nosso Pai consolador, pode ter certeza que a felicidade não fará isso. É claro que eu não estou falando da depressão, ou de alguns problemas crônicos, e sim da tristeza que vem em alguns dias cinzas. A depressão precisa ser investigada, tratada por um profissional, ao menor sinal ou desconfiança de depressão, procure ajuda.

    O choro alivia o coração, é depois de um momento de choro e tristeza que conseguimos achar a solução ou vemos o problema através de novas perspectivas. É na tristeza que olhamos mais o semelhante, é com ela que ficamos mais reflexivos e atentos a vida e ao nosso entorno. A alegria muitas vezes nos inebria, nos cega, faz-nos olhar mais para nós e as nossas coisas, a tristeza não, ela nos faz ter empatia, nos identificar com a dor do outro e sermos mais solícitos com o próximo. Nilton Bonder explica que:

    A tristeza é uma oportunidade, não deve ser perdida. Se ela passar por você, persiga-a com a certeza de que ela lhe indicará o caminho para o “oásis”. A tristeza, portanto, é um mecanismo capaz de restabelecer nossa confiança de que cada momento contém em si a forma de ser enfrentado (BONDER, 2011, p. 13.7).

    Por isso, quando ficar triste busque a Deus, reflita sobre este momento e não fuja dela. Momentos de tristeza são mais reflexivos, são feitos para olharmos mais para Deus e não para nos distrairmos como se ficar triste fosse um erro.

    Use as lágrimas da tristeza para se derramar diante do Pai, chore pelos seus problemas até ver a saída, se esvazie, enfrente-a que ela cessará.

    BIBLIOGRAFIA

    BONDER, Nilton. A arte de se salvar: Ensinamentos judaicos sobre o limite do fim e da tristeza. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2011.

  • A PÁSCOA EM UMA QUARENTENA

    A quarentena nos trouxe muitas mudanças, além de tirar a nossa rotina e nos obrigar a fazer coisas que nem imaginaríamos que um dia iríamos fazer, também nos forçou a ficar em casa, e ainda por cima, ter que conviver com as pessoas que moram nesta casa. Sabemos que a convivência nunca é fácil, contudo, temos nas mãos uma boa oportunidade para nos relacionar, de estar mais com quem amamos e nos dedicar a algo mais intelectual como ler, estudar ou escrever, entre tantas opções. Para um introvertido, a oportunidade é ótima, já não posso dizer o mesmo para uma pessoa extrovertida, mas pense no momento como uma boa oportunidade para realinhar a sua rotina.

    Não sabemos como será o mundo depois da quarentena, com certeza economicamente vamos sofrer os resultados, isso sem falar de todo o impacto que a quarentena trará a saúde mental das pessoas. A questão é tentarmos tirar uma lição, e também realinhar nossas prioridades e anseios.

    Na Páscoa comemoramos a ressurreição de Cristo, a parte interessante é que pela primeira vez, o dia de Páscoa vai refletir, de forma um pouco mais real, a verdade sobre o nosso salvador, pois caso você não saiba, seus dias aqui na terra não foram fáceis.

    A começar pelo fato que ele veio ao mundo em um total caos, teve que fugir (Mateus 2:13), dormiu em uma manjedoura (Lucas 2:7), que ao contrário do que muitos acreditam, não devia ser algo legal. Uma manjedoura é um recipiente onde se colocava comida para o gado, uma espécie de tabuleiro, ou seja, o primeiro berço do nosso Deus foi a vasilha onde os animais comiam.

    Segundo evidências dos pais da igreja, o local de nascimento de Jesus pode ter sido em uma caverna onde era guardado o gado, ou mesmo uma espécie de barraca onde se colocava os animais (CHAMPLIN, 2014, p. 37), com isso, o cheiro não deveria ser dos melhores, nosso Deus nasceu entre o caos e o fedor dos animais. E além de ter que se prestar em viver como um homem, também morreu e sofreu em nosso lugar, tudo porque nos amou, justo nós, homens pecadores.

    A quarentena não tem sido fácil, seja pela reclusão ou pelo sentimento de insegurança e desamparo que a quarentena nos traz, o medo do resultado desta parada as vezes nos tira o sono, mas traduz um pouco, mesmo que o mínimo, do sofrimento que o nosso Deus teve.

    Ele sofreu ao nascer, sofreu ao viver como homem, vulnerável, sentindo dor e faltas e sofreu na cruz por nós. Coisa que o comércio que gira em torno da comemoração, não deixa de forma alguma transparecer, pois parece que sofrimento não vende muito bem.

    Coma, comemore e se alegre nesse dia, pois é dia de vitória, dia de ressurreição, só não se esqueça que as vezes o comércio e o chocolate fazem com que esqueçamos o real motivo da comemoração. 

    Que nesta Páscoa, mais do que nunca, possamos entender que este dia foi um dia sofrido e penoso, e por mais que possamos comemorar, por nosso Deus ter ressuscitado, temos que entender que um Deus sofreu muito no madeiro por amor a nós.

    BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIN, R. N, O Novo Testamento interpretado versículo por versículo: volume 2: Lucas e João, Editora Hagnos, São Paulo, 2014

  • VENDE-SE IDEOLOGIAS

    Pensei em vender algumas das minhas ideologias, são tantas, que começaram a acumular. O preço, não se preocupe, é bem módico, e a variedade, é muito grande, tem para todos os gostos e tamanhos.

    Seja você religioso, ou talvez um ativista, seja você romântico ou até realista, aqui no meu catálogo, a variedade pode ser vista, você vai gostar.

    Porque pensar, se você pode ter uma ideologia pronta que já raciocine por você? Basta só comprar e estudar a cartilha, não tem erro. Caso tenha dúvidas, acesse o manual e para parecer inteligente, decore algumas frases e repita para muita gente, com ares de importância, militando sem muitos critérios.

    Só tome um pouco de cuidado com quem pensa, pois pode ser que as suas sentenças não tenham respostas na cartilha, contudo na dúvida, ou quando estiver com falta de argumento, basta em todo o momento acusá-lo de fascista, que o jogo vira, e você segue invicto vivendo a sua vida de mentira.

    Não se esqueça de se juntar a um grupo, onde o sentimentalismo é a forma de raciocínio, não se misture com gente que não tem o mesmo destino, siga alheio a qualquer caminho, o que importa é só você e a sua forma de pensar sem sentido (nós sabemos que é, só não espalhe para os amigos).

    Vende-se ideologias, bem baratinhas, para quem sem destino, preferem repetir, do que pensar e formular sua crítica ou forma de pensar.

    Atenção: Contra indicado para pessoas que possuem um pensamento crítico.

  • MUNDO TAGARELA

    Eu não posso negar um fato, eu gosto muito de uma boa conversa, quem me conhece sabe disso, embora, apesar de gostar, preciso confessar que não é todo o assunto que me inspira. Sou de poucas palavras quando o assunto é banal.

    Conversar é basicamente trocar ideias com uma pessoa, é uma interação que precisa impreterivelmente, ter retorno. É um falar e ouvir de ambas as partes, caso contrário, não é uma conversa e sim um monólogo.

    A minha crítica quanto as conversas atuais é que poucos ouvem e muitos querem somente falar, em uma espécie de hedonismo crônico e egoísta, como se todos precisassem ouvi-lo, e ele não precisasse ouvir ninguém. Isso quando a pessoa não finge que está ouvindo, onde no final, está só esperando a hora de falar. Tornando o diálogo superficial e sem sentido. Ou quando o interlocutor é reativo, respondendo as suas opiniões sem reflexão alguma, julgando sem pensar, ou concluindo ao menor sinal de discordância. Como se todos tivessem que pensar igual, ou no mínimo, parecido com ele.

    Eu confesso que tenho uma mania, quando estou conversando com alguém que parece não estar me ouvindo, eu paro o assunto na metade, só para ver a sua reação. Com isso, se a pessoa percebe que o assunto não acabou e verbaliza isso, eu continuo, caso contrário, dou o assunto por encerrado. A tristeza é constatar que muitos são assim. 

    Tenho visto as pessoas cada vez mais tagarelas, com uma louca necessidade de falar de si e compartilhar quem são com todos. Talvez por conta de insegurança ou pela necessidade de exposição, fruto da popularidade das redes sociais, ou algo parecido, eu realmente não sei o motivo.

    Quem gosta de conversar neste mundo tagarela, acaba se cansando, principalmente porque a torrente nem sempre cessa. E o pior, ninguém se interessa em lhe ouvir, como se o seu o seu assunto fosse irrelevante, e o dele fundamental. Anselm Grün pontua que:

    “Só podemos calar se renunciarmos ao costume de julgar os outros e de nos compararmos a eles. Nada podemos fazer para impedir que os pensamentos de opinião e comparação pessoal se manifestem, porém devemos sempre e continuamente deixá-los de lado, reduzindo-os, assim, ao silêncio. O calar é, antes de tudo, a renúncia as avaliações e opiniões” (GRÜN, 2019, p. 10).

    Se calar, é antes de tudo, nos abster de julgar, é ouvir sem nos comparar, entendendo que eu não sou ele, e que em alguns momentos, a minha opinião não tem sentido.

    Você já passou por algum problema que era tão desafiador e complicado que sentiu a necessidade de falar e desabafar com alguém? E você já desabafou com alguém que a todo o momento parecia fazer seu problema ser tão pequeno e o seu sofrimento muito infantil? Comparações são injustas, visto que não somos iguais e não temos as mesmas dificuldades, nem os mesmos medos.

    Quem muito fala, pouco ouve, e com isso, segue acreditando que a sua visão de mundo é a base de tudo. Seus medos são os medos de todos, suas facilidades as facilidades de todos e a sua opinião o norte onde todos devem seguir. A questão é a falta de contextualização, de entender de onde uma pessoa fala, e em que condições ela passou por aquela situação.

    Eu gosto muito de ser ouvido e obviamente, tento sempre ouvir. É o mínimo que eu posso fazer por gostar de falar. Ouvir é uma arte eu sei, e eu também sei que nem todos os assuntos nos interessam, mas quando gostamos de alguém, seja amigo, família ou cônjuge, aprender a ouvir é o maior ato de amor que podemos proporcionar a esta pessoa.

    Quem ama ouve, conversa como igual, e dá espaço para o outro falar. O verdadeiro amigo se interessa pelo outro, e valoriza a sua liberdade de se expressar, mesmo que o assunto não faça parte dos assuntos de seu interesse.

    Falar até papagaio fala, como diz o ditado, o desafio é realmente ouvir, prestar atenção em quem fala. Sendo que o maior sinal de amizade é poder ouvir alguém do mesmo modo como gostaríamos de ser ouvido, que no resto é só tagarelice.

    BIBLIOGRAFIA

    GRÜN, Anselm. O poder do silêncio. Rio de Janeiro: Editora Vozes Nobilis, 2019.

  • NO FINAL TUDO FAZ SENTIDO

    Eu nunca entendi porque quando eu me formei em teologia, tantas portas se fecharam. Como o curso não era voltado para a minha área de trabalho e eu não possuía pós-graduação para tentar uma vaga de professor, penei muito para conseguir me recolocar em minha área de trabalho.

    A fim de não cair na estagnação, e também para ter alguma ocupação para fazer como teólogo, já que eu também não conseguia me encaixar em ministério algum dentro da igreja, montei o blog.

    Nem sempre entendemos de primeira o motivo no qual passamos por tantas dificuldades, ou ter que enfrentar certas situações. Eu sabia muito bem que fazer teologia estava dentro da vontade de Deus, mas cheguei a pensar que era besteira, que tinha sido um grande erro, apesar de gostar muito de teologia.

    Com o tempo, aprendemos a jogar com o que temos, com isso, segui me dedicando ao blog, que era o que eu tinha no momento. Concomitante a ele, comecei uma pós-graduação em filosofia, e segui estudando. Sempre acreditei que devemos estar preparados para as oportunidades. Não adianta nada você pedir uma oportunidade para Deus, se você não está à altura do que você almeja.

    O tempo passou e o blog começou a ter um número considerável de acessos, com isso, mergulhei ainda mais nos textos e estudos, deixando o blog ainda mais diversificado.

    Sempre gostei de escrever, mas depois do blog e do compromisso de postar regularmente os textos para o manter atualizado, acabei por escrever mais ainda. Hoje escrevo praticamente todos os dias, e adquiri uma facilidade enorme em discorrer sobre o tema que for. Por que estou contando isso? Não estou buscando elogios, só quero deixar claro que as vezes passamos por períodos, que só vai fazer sentido depois.

    Hoje eu trabalho como professor universitário, sendo que a prática de escrever foi fundamental para a minha função. Olhando para trás, o blog e todas as lutas no qual passei, fazem muito sentido. Sem todo o processo que eu tive que trilhar, eu não estaria hoje onde estou, não tenha dúvidas. O que surgiu como um hobby de um teólogo que não se encaixava em lugar algum, além de ter dado certo, pois o blog vai muito bem, me preparou para a minha profissão.

    Nem todas as lutas, nós entendemos na hora, existem coisas que só fazem sentido depois, por isso aprenda a avaliar o momento, se preparar para as oportunidades e seguir sem desistir, acreditando no chamado que Deus colocou em seu coração.

    Entenda que para tudo há o seu tempo, e enquanto o dia não chegar, se prepare e faça o que você consegue fazer, que no resto é com Deus.

  • CADA UM TEM O SEU RITMO

    “Nunca desestimule alguém que esteja progredindo, mesmo que lentamente” (Platão) (PERCY, 2016, p. 42).

    Por conta de inúmeros motivos, eu acabei me formando depois dos 30 anos. Concluir o Bacharelado em Teologia, foi uma das minhas grandes alegrias. E como todas as boas alegrias, gostamos de compartilhar com quem amamos. E no afã de repartir a minha alegria, mandei mensagem para um amigo, contando que eu havia concluído o meu bacharelado, o que ele prontamente respondeu: “Já não era tarde, com a sua idade já deveria ter se formado”. A resposta foi um balde de água fria.

    A verdade é que cada um tem a sua velocidade, cada um tem um ritmo próprio, não estamos em uma corrida, para definirmos uma idade para estudar, praticar um instrumento ou fazer qualquer outra atividade. Cada ser humano é um ser ímpar e único, cada um tem suas prioridades, velocidades e anseios, respeitar a velocidade de cada um é respeitar a si por tabela.

    Eu sempre falei para os meus amigos e alunos que mais importante que a velocidade é a constância, é persistir, planejar, e quando errar, aprender com o erro e continuar.

    Conheço verdadeiros gênios que desistiram e se entregaram, acreditaram que tudo viria fácil (ou deveria vir), e por não vir, abandonaram tudo e seguiram frustrados, tendo um baita dom, porém sem uso. Em contrapartida, conheço verdadeiros guerreiros, gente que mesmo com muitos empecilhos, não desistiram. Se adaptaram a situação, buscaram aprimoramento, insistiram e chegaram lá. A constância é uma arma, é muito melhor termos foco e constância, do que sermos rápidos, mas sem foco.

    Eu tento sempre dar apoio aos amigos, entendendo que cada um tem a sua velocidade. Procuro nunca me comparar, e muito menos comparar uma pessoa com a outra. Eu não posso admitir olhar para o outro a partir de mim. Cada um tem suas facilidades e dificuldades, por isso, eu prezo sempre mais a constância, os passos curtos e certeiros, do que a rapidez.

    Cada um tem o seu ritmo, sendo que não existe idade para sonhar, empreender ou realizar algo. Quem quer faz, assim, um passo de cada vez, entendendo que a pressa é sempre inimiga, a afobação nos faz tropeçar e fazermos besteiras.

    Siga no seu caminho, tenha foco e pouco a pouco realize seus planos, no tempo que você acredita ser necessário. O caminho é sempre mais importante, curtir a viagem e aprender com os acontecimentos é muito mais vantajoso do que apenas querer cruzar a linha de chegada.

    BIBLIOGRAFIA

    PERCY, Allan, Platão para sonhadores: 80 pílulas de filosofia cotidiana para transformar suas melhores ideias em realidade, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2016.

  • CONSTRUINDO O SABER

    Conhecimento se constrói com o tempo, com muitas horas gastas com estudo, leitura e prática. Não é possível criar um repertório sem tempo e dedicação, aprender não é igual a fazer miojo e muito menos se faz apenas vendo tutoriais na internet. É preciso tempo, leitura, vídeos aulas, palestras, acertos e erros, que acabam funcionando como professores, e isso demanda tempo, como bem pontuei.

    Tudo vai depender do que você respira, se a sua área de estudos é algo no qual você gosta para assim conseguir mergulhar de cabeça. Saber disso vai lhe ajudar a definir aonde você quer chegar.

    A primeira etapa é criar fundamentos, que como pilares estruturará todo o seu edifício. A base é importante para manter a estrutura em pé. No meu caso, que sou professor e teólogo, a minha base é Cristo e a Bíblia, é delimitar no que eu creio e estar muito bem fundamentado na palavra. É preciso conhecer a teologia, as ferramentas teológicas e muitos autores relevantes que serão a base de todo o estudo. Para um estudioso de outra área, o processo não é muito diferente. É preciso entender o campo de estudo, os principais autores e conceitos daquele campo, para que assim você tenha base para seguir por seus próprios caminhos, sem errar a direção.

    Por ter uma estrutura bem construída, eu não me abalo, conheço bem o meu campo de estudo e como um bom cristão, tenho a minha vida alicerçada na rocha que é Cristo e em todas as evidências que mostram a veracidade do que eu creio. São os fundamentos que nos sustentam e nos mantém em pé.

     O segundo ponto são os critérios, que funcionam como uma espécie de parede, impedindo que qualquer coisa entre para dentro de nossa vida. Sem critérios aceitamos qualquer coisa, compramos
    qualquer ponto de vista, seguimos sem refletir e perceber as contradições. A leitura, o estudo e a pesquisa nos ajudam a aprender e a crescer, adquirindo assim critérios sólidos, para assim conseguir seguir sem vacilar.

    Com bons critérios e boas estruturas, podemos prosseguir lendo de tudo, pesquisando e conhecendo qualquer coisa, que nada nos abalará. Quem tem critérios avalia, pesquisa e se informa, mesmo não concordando com a opinião. Quem não tem, aceita de tudo e se abala muitas vezes por coisas que nem possuem fundamentos.

    Em terceiro lugar está o foco, sem foco paramos no caminho, desistiremos nas primeiras dificuldades, abandonaremos a construção nas primeiras etapas do edifício. O foco são as escadas que nos levam cada vez mais para cima. Sem foco tudo rui, a construção paralisa, o edifício segue incompleto.

    Construir um repertório não é fácil, se resume em sempre continuar e não desistir. É uma prática que demanda tempo, sendo que é só o tempo que faz tudo frutificar. Tudo o que aprendemos sem muito esforço, sem dedicação, esquecemos. Tutoriais são uteis para o momento, já conhecimento, levamos para a vida, e não esquecemos quando dedicamos algum esforço.

    E por fim, depois de tanto tempo, esforço e horas de estudo e leitura, colhemos alguns frutos, percebemos a nossa vida mudar, nossos sonhos se concretizar e tudo acontecer. Esse é o telhado que nos protege das intempéries e nos dá um sentimento de que não perdemos tempo.

    O resultado faz com que tudo valha a pena, ele dá sentido a dor. Sem resultados, a dedicação parece ser sem sentido, nos mantendo por momentos sem abrigo, beirando a desanimação. Viver não é uma eterna busca por resultados, quem vive assim, vive de forma incorreta. Mas sim, é legal se dedicar e ver os primeiros frutos do esforço aparecer. Sendo que são eles que nos dão forças para passar pelas tempestades e desafios que a estrada sempre traz.

    É claro que o telhado não é um ponto final, o conhecimento é infinito, enquanto vivemos, podemos aprender, por isso, temos que ter em mente que as vezes para crescermos, precisamos sair da zona de conforto para conseguir erguer ainda mais o edifício. Cuidado com a estagnação que os bons resultados nos trazem, é sempre possível continuar e seguir crescendo ainda mais, basta desfazermos o telhado da zona de conforto e seguir construindo ainda mais o saber.

    Construir relevância é para poucos, e só é possível através de muito esforço e dedicação. Nada do que é realmente relevante vem sem dificuldades, o esforço é fundamental para alcançarmos a realização. Mas o edifício só se mantém se houver uma boa construção, todas as etapas são importantes para a vida relevante, caso contrário, se você por um acaso esquecer de alguma parte, pode comprometer a estrutura de todo o edifício, e assim, fazer tudo ruir.