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JORNADA CRISTÃ: GRAÇA
Toda a caminhada tem o seu ponto de partida, a vida cristã não é diferente. Estudar, escrever, se aprofundar e conhecer faz parte da vida de um cristão centrado, a questão é que nem sempre foi assim.
Vim de uma tradição que ensinava que estudar não era tão importante, que o conhecimento era coisa do mundo. O verdadeiro cristão precisava apenas ler a Bíblia, e deixar que o Espírito Santo ensinasse. Com isso, inúmeras barbaridades eram vistas e consideradas como ação de Deus.
O tempo passou e a minha fé em Deus seguiu calcado em crenças e ensinos que soavam não só contraditórios a luz da própria Bíblia, mas também beirava a pura superstição. Muitos dos ensinos eram mesclados com falácias, crenças supersticiosas e careciam de uma base bíblica coerente.
Deus, no meu ponto de vista, era inalcançável, severo e cruel, e apesar de conhecer a palavra graça, eu mal entendia para o que servia, quanto mais citar onde estava na Bíblia.
Tudo mudou quando eu comecei a frequentar uma igreja no qual o ensino era uma de suas prioridades, sendo que aprender sobre a Bíblia e sobre teologia, e ser incentivado a ler a todo o tempo, foi uma das minhas maiores oportunidades. Dei os meus primeiros passos na teologia nesta igreja, sendo que muitos livros moldaram e me ajudaram na caminhada.
Por isso, nesta série de textos, vou abordar sobre os inúmeros autores que me acompanharam e me deram um norte em um período onde tudo era escuro e nebuloso. A intenção é abordar sobre toda a minha caminhada, terminando a série de textos nos livros mais densos e teológicos. Vale lembrar que os livros podem ser divididos em literatura teológica, que tem ensinos mais densos e literatura devocional, que apensar de ter teologia, é um pouco mais simples e diluído, próprio para leigos e iniciantes. Nesta minha jornada passarei por todos os estilos de livros, seguirei o caminho natural que eu trilhei, e pontuarei de forma clara o que considero importante em cada livro e autor.
Brennan Manning é um escritor no qual eu tenho uma grande consideração, foi ele que me ajudou em meus primeiros passos, foi com seus livros que entendi, de forma clara, o que era graça.
Basicamente a minha visão de Deus, antes de conhecer o autor, era de um Pai cruel, severo e totalmente sem paciência. Um Deus que estava sempre vigiando e pronto para punir, por isso, não podíamos sair da linha, caso contrário, a mão de Deus pesaria sobre nós. Foi no livro “A assinatura de Jesus” e depois no “Evangelho maltrapilho”, que dei os meus primeiros passos, e encontrei um oásis em momentos onde tudo era muito obscuro e pesado.
O autor fala da graça de uma forma muito alentadora, e o mais impressionante era que ele não se colocava como superior, o que era uma novidade para mim. No meio pentecostal do qual vim, o pastor era tido como superior, um servo de Deus intocável, ele nunca estava em nosso patamar, com isso, categorias eram bem visíveis na igreja. Mas quando este escritor discorria, ele se colocava como falho tal qual todos os homens, sendo que foi a sua sinceridade que me ajudou a entender quem sou e como buscar a Deus de forma verdadeira.
A parte mais impactante foi quando ele revelou em alguns de seus livros, o seu problema com alcoolismo. No livro “Deus o ama do jeito que você é” ele conta com detalhes toda a sua luta, e todos os equívocos que ele cometeu por conta do seu vício, mesmo sendo cristão, escritor e palestrante. Ele nunca escondeu nada, a sinceridade sempre foi a sua marca, coisa que me ajudou e me fez entender muita coisa.
Todos nós temos dificuldades, isso é normal, ser cristão é ser um lutador, é cair e se levantar, é falhar e continuar. No livro “O impostor que vive em mim” Brennan pontua algo fundamental sobre isso:
“Apesar de Deus não tolerar ou sancionar o mal, ele não retém seu amor por haver maldade em nós” (MANNING, 2007, p. 20).
Todos nós somos falhos, não somos super-heróis, somos seres humanos buscando alento em Deus, sendo que cada um tem os seus pontos fracos. No livro “A sabedoria da ternura o Brennan Manning pontua:
A violência com a qual alguns cristãos expõem suas convicções me faz pensar que eles estão tentando convencer a si mesmos. O espectro de sua incredulidade oculta com habilidade me assusta à medida que eles se tornam mais militantes e barulhentos. Quando esse mesmo medo passa a controlar as igrejas, elas se desintegram, tornando-se propagadoras de rituais formais ou agentes intolerantes de repressão. Sem um conhecimento íntimo e sincero de Jesus, os pregadores que lideram essas igrejas se assemelham a agentes de viagem distribuindo panfletos de lugares que nunca visitaram (MANNING, 2007, pg. 180)
O ambiente legalista no qual eu vivia, me ensinava que ser cristão é ser perfeito, que falhas não eram bem vindas, que o cristão não errava, o problema era que o erro era mascarado e a vida perfeita era pura hipocrisia de quem vivia apenas de aparência.
Com os livros do Brennan Manning aprendi sobre a graça de forma sincera e clara, entendi o que era ser cristão e consegui seguir vivendo uma vida muito mais leve e menos hipócrita.
Este foi o meu primeiro passo, vieram muitos outros, mas este foi fundamental para a minha caminhada. O amor de Deus transforma, a graça nos molda, nos nivela e faz com que a vida cristã não seja uma caminhada hipócrita.
BIBLIOGRAFIA
MANNING, Brennan, A sabedoria da ternura: o que acontece quando compreendemos e aceitamos o amor poderoso de Deus que transforma nossas vidas, Editora Palavra, Brasília, 2007
MANNING Brennan, O impostor que vive em mim, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2007
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A ODISSEIA DA DOR VI: FINITUDE
Pode ser que em todos estes textos que eu escrevi sobe o problema do mal eu tenha sido simplista, quem sabe quando eu tento falar sobre Deus e sobre a dor, eu esteja sendo sem coração ou prático demais, quem sabe…
Contudo, quando escrevo sobre o problema do mal, ou sobre a injustiça no mundo tento deixar claro um fator apenas: “O ser humano é um ser finito e dependente demais para conseguir visualizar a verdade de forma completa”, o ser humano não é nada sem Deus.
Estes dias eu tive uma prova disso, quando apenas uma dor de dente foi suficiente para me deixar desesperado de dor. Às vezes o desespero não é o dente é a falta de emprego, uma doença sem cura ou a perda de um parente querido. Tudo isso mostra o quão somos pequenos
Eu costumo usar Romanos 1:18 para enfatizar como a natureza evidencia a existência deste Deus maravilhoso, mas não precisamos ir tão longe, basta olharmos para nós mesmos. O quanto somos pequenos, egoístas, o quanto criticamos Deus, por não resolver o mal, mas não tardamos em acumularmos riquezas, a viver a vida para o lucro como se não fossemos responsáveis por tudo o que acontece no mundo. Culpar a Deus é fácil, assumir a responsabilidade já é outros quinhentos.
O homem é uma contradição ambulante, a humanidade que critica é mesma que vira as costas para o necessitado, ou passa por cima de quem tenta ganhar o seu pão. Julgamos o mundo com nossa visão, olhamos para Deus com nossos olhos finitos e mesmo assim concluímos conhecer e entender quem Ele é e o quanto Ele é “injusto” por não sanar a nossa “dor”.
Acredito que antes de refletirmos o porquê Deus não faz determinadas coisas, temos que nos perguntar por que nós não fazemos, por que jogamos nas costas de um Deus problemas que nós mesmos criamos.
A grande contradição do homem é viver em sociedade, uma sociedade injusta e cobrar a Deus o porquê Ele não faz alguma coisa. Amigo, Deus é Deus, ou você escolhe viver como ele nos aconselha viver, ou você segue os padrões estabelecidos pelos homens, que geralmente são injustos.
Alguns acreditam ter respostas para tudo e por isso se acham inteligentes, alguns detém em suas mãos o conhecimento, acreditam que a tecnologia e a ciência vão desvendar todos os mistérios da humanidade. Somos livres para pensar e formular nossas conclusões, mas não consigo acreditar que a ciência vá achar respostas para tudo. Aliás, com o advento da inteligência artificial, a ciência tem gerado mais perguntas que respostas, a principal delas é: Quando tivermos máquinas e robôs autônomos em que o homem vai trabalhar? Entre tantas outras perguntas…
Não acredito que um ser humano, que sucumbe ante uma dor de barriga, que mal consegue jogar o seu próprio lixo na lixeira, ou desmata como se não houvesse amanhã, conseguirá um dia conhecer todos os mistérios que os duzentos milhões de galáxias escondem, quem dirá conhecer Deus.
Não estou afirmando que por isso, por sermos finitos e limitados, devamos parar de buscar a verdade, conhecer ainda mais a vida e construir novas tecnologias. E sim, que devemos ter a humildade de reconhecer que não somos nada, que somos muito pouca coisa e com isso entender que nem todas as nossas dúvidas serão sanadas. E acima de tudo, reconhecer que temos arranjado mais problemas que solução.
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DIÁLOGO COM UM PUNK
Um dia destes, enquanto passava pelo largo da ordem em Curitiba, que é uma praça onde um monte de gente fica bebendo e conversando. Fui abordado por um punk que vendia seus zines de protesto contra os burgueses exploradores que, segundo ele, deveriam todos morrer, este texto resume o que eu respondi a ele.
Sou contra a injustiça social, não fico feliz quando vejo pessoas morando na rua, revirando lixo para comer ou morando em favelas, sei bem como isso é difícil, já morei na rua quando novo e isso não é legal. Também sou contra quando ricaços olham para pobres como se fossem seres inferiores, como lixo, desdenhando-os e deixando de fazer o mínimo para ajudar, já que eles têm condições. Porém, não acho que o caminho da justiça social esteja em acabar com a riqueza de quem tem dinheiro
Ninguém sabe o quanto o cara rico penou para ter o seu dinheiro, ninguém tem ideia do quanto estudaram, gastaram seus finais de semana e investiram dinheiro para ter retorno. E quem sou eu para apontar o dedo na cara das pessoas sem ao menos conhecer sua história. Aliás, quem sou eu…
Acredito que antes de julgarmos quem tem dinheiro, temos que olhar para os políticos que têm enriquecido ilicitamente, se apropriando do que não é deles. Antes que crescer o olho para a riqueza alheia, devemos cobrar dos governantes trabalho, saúde e educação, como eles assim prometem todos os anos de eleição
Realmente, poucos tem muito e muitos tem pouco e protestar buscando uma vida melhor é fundamental, só não acho que justiça social é fazer todos ricos, e sim, fazer com que todos tenham uma vida digna.
Vive em um mundo de sonhos quem acha que todos conseguirão ter um carro importado ou uma casa de 300 metros quadrados. Quem acredita que todos conseguirão ganhar 20 mil por mês, vive uma vida de fantasia e não pensa que ninguém precisa de tanto assim. Temos que aprender que na vida tudo tem um limite, e viver bem é ter o importante ao nosso dispor que no mais, damos um jeito.
Justiça social é brigar por uma vida justa, por saúde e por um local para morar. Justiça social é ter na mão uma oportunidade de estudo, ou alguma forma de se qualificar, para se recolocar de forma digna no mercado de trabalho.
Eu não vivo a vida olhando para as pessoas ao lado, contabilizando o que ele tem e o que eu não tenho, muito menos almejo ter tanta coisa assim para viver, não acho que precisamos de muito. Quem briga por justiça de olho nas coisas dos outros no fundo tem inveja, e usa uma desculpa política para extravasar
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DIÁRIO DO SUBSOLO
Alguns escritores possuem a capacidade de transformar seus textos em verdadeiros tratados teológicos e filosóficos. Admiro quem consegue transformar uma boa história em um momento de reflexão, sendo Dostoiévski a meu ver, um destes geniais escritores.
O livro Memórias do subsolo pode lhe parecer estranho à primeira vista, coisa que no decorrer da leitura passa, mas algumas nuances do texto nos prendem totalmente a obra.
O protagonista não tem nome, a princípio não entendemos, mas conforme o texto avança, é inevitável não sentir a vontade de dar o nosso nome ao personagem. É imprescindível nos vermos em alguns momentos narrados na história, pois no fim, somos tal como o homem sem nome, um misto de bondade e maldade, egoísmo e empatia.
O livro é um diário que não está sendo escrito para ser lido, é uma espécie de diário de desabafo de um pobre coitado e suas mazelas. De um homem muito mau, diga-se de passagem, sendo este um dos pecados que o personagem confessa logo nas primeiras palavras do livro: “
Sou um sujeito doente…Sou um sujeito maldoso. Um cara repulsivo eu sou” (DOSTOIÉVSKI, 2015, p. 21)
Quem é você caso ninguém tivesse lhe observando? Se por acaso você tivesse apenas desabafando em um diário, este desabafo iria condizer com quem os outros veem? Ou você vive um personagem.
Conforme avançamos na leitura, perdemos aquela estranheza, percebemos um pouco de nós e de como o ser humano é. Sendo as vezes invejoso, algumas horas hipócrita e em alguns momentos se vê dependente da aprovação dos outros. Cada um tem as suas falhas, não existe ninguém alheio a erros e contradições. O que existe são pessoas que não percebem suas falhas ou são orgulhosas demais para confessá-las. Luiz Felipe Pondé, em um livro onde ele discorre sobre o pensamento e a filosofia dos livros de Dostoiéviski, define o livro Diário do subsolo de forma bem pontual:
“Fazendo uma metáfora, podemos dizer que a fala do personagem de Memórias é uma espécie de dança macabra de átomos, embora ele ainda se revolte com sua caracterização como ser determinado” (PONDÉ, 2013, p. 229).
Sendo que a dança macabra é visível em todo o livro, quando o personagem se mostra como perfeitamente se definiu, “um sujeito maldoso”, além de cruel e egoísta.
A parte interessante é que você vê aquele homem maldoso sofrendo a todo o momento, se corroendo de raiva e inveja e fazendo alguns malabarismos para manter a sua aparência.
A crítica do livro é dirigido a Tchiernichievski, autor do livro “Que fazer?” Que acreditava que para um novo mundo surgir, a tradição e tudo o mais que existia deveria ser destruído (PONDÉ, 2013, p. 237, 238). O livro foi referência na revolução russa.
Já não sou tão novo para me deixar de impressionar com a maldade humana, e sou cristão demais para deixar de olhar para a Bíblia e perceber que ela tem razão quando diz que:
O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo? (JEREMIAS 17:9)
O homem sem Deus não é nada, o ser humano quando é guiado por seu coração e suas aspirações, sempre se dirigirá para a maldade e o caos. Pondé termina a sua análise resumindo muito bem este homem:“O indivíduo do subterrâneo é como que o ser humano mostrado na sua obscenidade interior: absoluta, sem nenhum prurido, na hipocrisia necessária à convivência” (PONDÉ, 2013, p. 242).
Eu sei que podemos ser até pessoas boas, quem sabe você esteja se perguntando: “será que eu sou realmente uma pessoa má?” A luz de realidade que nos circunda, acredito que possamos até sermos pessoas boas, honestas e bem intencionadas. A grande questão é que o homem tem uma propensão para a maldade muito grande.
Somos corrompidos pelo pecado, com isso, temos em nós uma capacidade de nos destruir e destruir o próximo sem tamanho. Sem Deus, perdemos o controle e seguimos nossos impulsos naturais em fazer o mal.
Deus é o nosso Norte, a bússola que não deixa com que o pecado tome a leme e guie a nossa vida para a destruição, sendo que eu vejo o personagem do “Diário do subsolo” como uma sombra de como o homem sem Deus é.
BIBLIOGRAFIA
PONDÉ, Luiz Felipe, Crítica e profecia: A filosofia da religião em Dostoiéviski, Editora Leia, São Paulo, 2013
DOSTOIÉVSKI, Fiodor, Diário do subsolo, Editora Martin Claret, São Paulo, 2015
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A ODISSEIA DA DOR V: DIAS DIFÍCEIS
Quando tudo está difícil você ora e pede uma saída para Deus, não é assim que nós aprendemos? Busque a Deus com fé que ele vai te ouvir. O grande problema é quando não somos atendidos, quando oramos e nada acontece, quando clamamos, choramos aos pés de Deus e o caos permanece e as vezes até piora ainda mais.
Com isso, alguns vão alegar falta de fé, ou que Deus não te atendeu por você ter duvidado e tem até quem fala que os problemas vêm para nos fortalecer, já ouviu isso? Quem é inteligente aprende com os seus problemas, quem não é fica reclamando. A grande questão é quando uma pessoa está com câncer, paralítica ou inválida, certas lições são difíceis de aprender…
Há quem diga que alguns estão apenas colhendo aquilo que plantaram, ou que Deus está castigando quem foi infiel. Como se nós também não fossemos infiéis, pecadores e falhos. O interessante é que muitos dos que dão estes tipos de conselhos se colocam de fora, como se fossem perfeitos, sem falhas.
Penso que alguns destes pontos de vista têm as suas verdades, é claro que podemos aprender com nossos erros, é evidente que o sofrimento nos faz mais fortes e algumas vezes nos faz enxergar coisas que em dias normais não veríamos. E é claro que eu sei que Deus ouve nossas orações e nos responde, da sua maneira, é evidente, mas responde. A minha grande crítica é que nem todos os conselhos ajudam quem está passando por necessidades e muito menos dá uma saída para o caos.
Entenda que todos sofrem, o sofrimento tem como ponto de origem o pecado do homem. O homem desobedeceu, se distanciou de Deus, e por conta disso sofre. Entenda também que Cristo veio aqui na terra para nos dar salvação, e não uma vida de flores e alegrias. Ele nos avisou que sofreríamos e mandou termos bom ânimo.
Nem sempre é sol, não são todos os dias que podemos viver uma vida tranquila e cheia de paz, pois vivemos em um mundo onde impera o pecado, uma sociedade que tem como base a mão de homens falhos. Por isso, sofrer é inevitável.
Para mim o sofrimento nos traz dois grandes ensinamentos. O primeiro grande ensinamento é: “Onde a mão do homem tocar, sempre haverá dor, mal, injustiças, doenças e egoísmos”, seja isso em larga escala, como vemos em alguns países de regime totalitário, ou em pequena escala, nas injustiças que observamos no dia a dia, nas doenças endêmicas ou nos desastres naturais. Enquanto o homem reinar, o mal reina, não tenha dúvidas. O segundo grande ensinamento é: “O homem não pode sobreviver sem Deus”. E acredito que esta é a grande lição que o sofrimento traz, sendo este também o motivo no qual sofremos
Sem Deus não somos nada, sem ele o homem é só destruição e dor. É isso que eu enxergo quando vejo os homens sofrerem, é isso que ao meu ver evidencia a dor. A dor existe por conta da falta de Deus. E a dor só se extinguirá quando Cristo voltar e acabar com este mundo podre e doente.
Sobre os dias difíceis, eu já não posso te dar uma fórmula, pode ser por tantos motivos que é impossível termos certeza do motivo no qual as vezes passamos pelo caos. Mas uma coisa eu sei, o caos nos aproxima de Deus. É ele que nos tira de comodismo e faz com que nos joguemos aos seus pés. A vida fácil normalmente nos deixa relaxados, os problemas fazem com que delimitemos mais as nossas prioridades e olhemos mais para a cruz.
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SOBRE CASAR PARA SER FELIZ
Vivia sozinho desde muito novo e agora com um pouco mais de 40 anos, me encontro casado. Muitos me perguntam, por saber que há décadas eu vivia sozinho, se eu estive com algum tipo de medo ou receio em casar, a minha resposta sem ser hipócrita em momento algum sempre é “não”.
Entrei bem consciente no casamento, refleti e tenho sempre tentado ouvir pessoas, ler e buscar ajuda. Penso que um dos segredos é o diálogo, além de considerar o próximo entendendo que cada um tem o seu defeito e a sua qualidade.
Eu sei que casar não é fácil, muitos tentam me avisar e dizem o quão é difícil conviver e dividir a vida, apesar de ser bom. Mas tem uma categoria de pessoas, que até ficam felizes pela minha decisão, mas que proferem uma frase que eu nunca consigo entender: “Uma hora temos que casar para podermos ser felizes”. Confesso que esta é uma das frases mais complicadas que eu tenho ouvido ultimamente.
Não estou casado para ser feliz, eu sou feliz, bem resolvido e contente com o que sou. Eu casei porque achei alguém que compensa dividir a vida, uma parceira na caminhada e não para que ela tenha a obrigação de me fazer algo, ao contrário, jogar as expectativas de nossa felicidade em outro é
um dos maiores erros dos casais, como bem pontua T. D. Jakes:“Todos queremos sem dúvida experimentar o amor; mas é preciso fazer primeiro esta pergunta: amamos os outros, ou amamos a ideia de amar? Muitas são as mulheres – e também os homens –, que se voltaram para os braços de alguém procurando a segurança que deve vir afinal do próprio íntimo. Quão amargos se tornam quando buscam ao seu redor aquilo que devem encontrar dentro de si mesmo” (JAKES, 1999, p. 21).
Jogar em outro a responsabilidade de nos fazer felizes é um erro. Se não temos tudo resolvido em nosso íntimo não acharemos fora dele. Sem esquecer-nos da pergunta principal: Quem é o centro de nossa vida, nós ou Deus?
Não sou o mais experiente no quesito casamento e sei que tenho que aprender muita coisa, só quis enfatizar com que posicionamento entrei no casamento. Eu não quero ser feliz, pois já sou, até demais. O que eu quero é fazer alguém feliz, casamento é parceria, cumplicidade, quando um casamento começa com o pensamento egoísta de “eu quero” teremos muito mais problemas que o normal, exigiremos demais de nosso cônjuge e transformaremos nosso casamento em um caos.
BIBLIOGRAFIA
JAKES, T. D. A Dama, Seu Amado E Seu Senhor. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1999.
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DÚVIDAS NA CAMINHADA
Considero Tomé como um dos homens mais injustiçados da história. Ainda mais que o seu nome hoje em dia é quase um sinônimo de dúvida. Ele é conhecido por não ter acreditado que Cristo havia ressuscitado e é aí que está a injustiça e a contradição. Pois quando Maria Madalena foi contar aos discípulos que Jesus estava vivo eles também não acreditaram (Marcos 16:11). Tanto que Cristo até repreende os onze apóstolos por não terem crido na notícia de sua ressurreição (Marcos 16:14). Não foi só Tomé que duvidou, todos os outros apóstolos também duvidaram.
A Bíblia nos mostra inúmeras ocasiões no qual os apóstolos duvidaram. Durante a tempestade, mesmo com o Cristo a bordo do barco, tiveram medo da tormenta e duvidaram que iriam chegar ao fim da travessia (Marcos 4:35-41). Tiveram dúvida de como iriam alimentar uma multidão faminta, no episódio da multiplicação dos pães e peixes (Mateus 6:1-15) e por aí vai, são muitos episódios de dúvidas que encontramos nos evangelhos, de pessoas que andavam com Jesus, viam seus milagres, mas muitas vezes titubearam. Duvidas são constantes, o sentimento de que estamos orando para as paredes, para algo que não existe, é comum. O medo, a dor, as dificuldades nos cegam constantemente e duvidar não é pecado.
Quando eu vejo estes exemplos na Bíblia eu olho para a minha vida, não consigo deixar de fazer um link com minhas dúvidas e dificuldades. Quem nunca duvidou? Quem nunca se sentiu sozinho, abandonado em meio ao caos?
A parte curiosa do texto é que Cristo não condena Tomé por duvidar, ao contrário, ele sana as suas dúvidas. E termina tendo o privilégio de tocar em suas feridas, conferir de forma minuciosa que Cristo havia ressuscitado (João 20:26-29). Talvez a dúvida de Tomé tenha sido maior, quem sabe ele foi só mais veemente, mais sincero, não sabemos ao certo, o que sabemos é que muitas vezes duvidamos, não só Tomé. Diante do caos é comum a dúvida, mesmo vindo de pessoas que andam com Jesus.
Ao meu ver a dúvida evidencia o quando somos pequenos e limitados, o quanto deixamos de confiar em Deus. É fácil acreditar em Deus quando tudo está bem, o desafio é crer quando tudo está mal.
O problema amigo nunca foi a dúvida, aliás, já aviso de antemão que ela sempre vai existir. A questão é o que você faz com ela, o que a dúvida leva você a fazer. Pois se ela não te empurrar para a palavra, a oração ou a buscar mais a Deus, aí a coisa complica. Eu tive muitas dúvidas em minha caminhada, porém tenho uma certeza que me dirige: Eu sou muito limitado, pequeno demais para entender.
A dúvida não deve nos paralisar, na dúvida temos que buscar a Deus, clamar e ler a sua palavra. No caos e na incerteza, olhar para a cruz é o segredo caso contrário cairemos, sucumbiremos ante as nossas limitações e fragilidades.
A conversa com Tomé termina de forma perfeita, e entra em minha mente como uma bofetada, me ensinando uma lição que no caos as vezes eu teimo em esquecer:
Felizes são os que não viram, mas assim mesmo creram! (João 20:29)
Na dúvida creia e não desista, no caos acredite e olhe para a cruz, este é o segredo para que não sucumbamos por conta da nossa fragilidade.
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LIÇÕES NO CAOS
“Não me deixe rezar por proteção contra os perigos, mas pelo destemor de enfrentá-los (Rabindranath Tagore) (ARANTES, 2019, p. 53)
Ninguém gosta de problemas, duvido que alguém sinta prazer em enfrentar dificuldades, mas uma coisa é inegável, nós crescemos com os problemas.
O caos nos desafia, é através dos problemas que saímos da nossa zona de conforto e navegamos rumo a outros mares. São as dificuldades que nos unem, nos fazem mais humanos, conscientes de nossa falibilidade.
Quando não temos mais um chão, nos movemos e procuramos saídas. Quando perdemos a segurança, caminhamos em busca de novos ares e outras oportunidades.
Foi por conta de uma destas buscas que acabei por encerrar a minha banda. Desanimei por conta de inúmeras questões, e decidi que valia a pena tentar outras coisas, e não me arrependi. Uma das novas coisas foi o blog, que me toma um tempo grande, mas me ajuda a crescer todos os dias, além de inúmeros outros projetos.
A falta de oportunidades me fez seguir para outros rumos, estudar alguns cursos que antes eu não estudaria, e cresci com o que aprendi. As novas perspectivas que eu descobri não têm preço, agradeço a todos os problemas e dificuldades que me fizeram sair da zona de conforto.
O caos nos movimenta, os problemas nos forçam a seguir por outras rotas, para novos rumos. Por isso, a minha oração têm sido apenas por força e ânimo para passar pelos problemas, ao invés de buscar saídas milagrosas. Eu só quero poder passar por tudo e aprender, ao invés de fugir dos problemas.
O deserto nos ensina, os problemas nos dão força e capacidade de sermos mais resistentes, quando ansiamos por saídas e atalhos, acabamos por perder a lição.
A minha oração é um pedido de coragem e força para seguir e enfrentar os dias complicados. Com Deus ao nosso lado, podemos seguir seguros, pois com certeza, não estamos sós nas batalhas.
O caos ensina e nos fortalece, as lutas nos moldam e nos dão outra visão, por isso não peça por atalhos, mas por força para enfrentar e crescer com os problemas.
BIBLIOGRAFIA
ARANTES, Ana, Claudia, Quintana, A morte é um dia que vale a pena viver, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2019
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TRAIÇÃO FAMILIAR
Senhor, muitos são os meus adversários! Muitos se rebelam contra mim! (Referência: Salmos 3).
O Salmo 3 foi escrito pelo rei o rei Davi, que tinha acabado de ser traído por seu filho Absalão. Já não basta ser traído e para completar o sofrimento, tem que ser o seu próprio filho o traidor. O texto de 2 Samuel 15, conta a história toda bem detalhada, eu convido você a ler se quiser entender mais esta traição.
Alguns teólogos e pastores vão propor alguns motivos pelo qual Davi foi traído, como se houvesse justificativa. O principal deles foi sua negligência em corrigir seus filhos, principalmente porque Davi deixou de corrigir Amnom quando este estuprou a sua meia irmã Tamar (2 Samuel 13), que era irmã de Absalão. O que resultou em vergonha para Tamar e na morte de Amnom pelas mãos de Absalão. Davi foi negligente e estava colhendo os frutos de sua negligencia, segundo estes pastores e teólogos.
A grande verdade é que ouvimos estas acusações o tempo todo. Fulano se separou porque não dava atenção a sua esposa, beltrano perdeu o emprego porque não era um bom profissional. Sicrano caiu nas drogas por culpa dos pais e por aí vai, é comum acusarmos o outro como responsáveis pelos nossos problemas, como se ele também não tivesse culpa. Isso quando não somos nós que culpamos outras pessoas, pais ou o sistema, por nossas desgraças, como se as nossas escolhas não significassem nada, gostamos de terceirizar os nossos problemas, a culpa dos nossos infortúnios é sempre de outro nunca nossa.
Não que eu não ache que Davi não tenha sido negligente neste caso e nem que eu acredite que ele nunca tenha tomado atitudes erradas, nós sabemos que errou muito, ele adulterou, não corrigiu os seus filhos quando precisava corrigi-los, mas isso não significa que ele foi o culpado desta traição. Eu também sei que colhemos o que plantamos, às vezes nossas atitudes nos trazem consequências, eu sei bem disso, mas eu também sei que cada um é responsável por suas atitudes, a traição de Absalão, ou o mal que praticam contra nós não tem justificativa. Davi pode até ter sido negligente, contudo isso não justifica a traição. Ele poderia ter cuidado do caso, corrigido seus filhos, bem como ter cuidado melhor dos seus e mesmo assim ser traído, pois quem trai é sem caráter e ponto final.
É fácil achar um bode expiatório para os nossos problemas, é simples culpar alguém e se fazer de vítima o desafio é superar a situação, arregaçar as mangas, deixar o coitadismo de lado e olhar para frente tal qual Davi fez
O interessante, quando lemos sobre esta fuga de Davi, é que quando o rei estava fugindo, alguns funcionários do palácio, no qual Davi mandou que ficassem e servissem ao novo rei, quiseram ir com ele e morrer com ele se fosse preciso (2Samuel 15:21). No caos, ou em meio às dificuldades, você sempre descobre quem é seu irmão de verdade ou não, é durante os problemas que você vê quem gosta de você.
Porém a lição mais profunda desta história é que Davi, mesmo diante de uma traição, mesmo tendo que fugir humilhado, nunca abandonou Deus. Apesar dos nossos problemas, ou do mal que fazem contra nós, Deus sempre está conosco. Os infortúnios devem nos aproximar ainda mais dele e não nos distanciar. Só existe uma forma de sair dos problemas, e é de joelhos, buscando a quem nunca nos trai e muito menos nos abandona.
Lembre-se de uma coisa, você pode não ser culpado de determinada situação, mas você vai ser sempre o responsável, pois é você quem vai ter que solucionar o problema. O infortúnio vem muitas vezes sem pedirmos, por isso nem sempre somos culpados, contudo somos os responsáveis em solucionar, sendo culpados ou não.
Por isso não se esqueça de sua responsabilidade, não culpe seus pais, o sistema ou a falta de oportunidades, pois está em suas mãos fazer a diferença ou não. Somos responsáveis por nossos atos, e podemos escolher fazer melhor do que fizeram conosco. Muito menos acredite que o mal que fizeram com determinada pessoa é uma consequência de sua própria negligência, pois nem sempre é, as vezes alguns são injustos conosco, outras vezes a culpa é dos dois, as vezes a questão é mais complicada que imaginamos, nem sempre quem está sofrendo está colhendo o que plantou.
Conheço pais que educaram seus filhos de forma sábia, deram atenção e amor, e os filhos acabaram sendo pessoas da pior estirpe. Conheço filhos que viveram em um lar infernal, com pai alcoólatra e mãe negligente, contudo cresceram sábios e fizeram diferença. É aquele velho exemplo dos dois irmãos. Um deles justifica que era alcoólatra porque o seu pai também era. Outro já afirma que não bebia porque cresceu vendo o seu pai alcoólatra beber por isso decidiu ser diferente.
Não tem como saber o que um filho vai ser, muito menos podemos culpar pais ou o que quer que seja. Cada um é de um jeito, e todos são responsáveis por seus atos. Por isso não jogue a culpa no pai, quando ver o filho fazendo besteiras, nem trate com simplismo situações que são pra lá de complexas. Aprenda que existem questões que não são tão simples, entenda que nada justifica fazer o mal para o próximo, seja ele quem tenha sido.
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ECOFILOSOFIA
O assunto ecologia tem estado em pauta nas notícias e meios de comunicação há muito tempo. É imprescindível notar o que a falta de cuidado e zelo têm feito com a natureza. Nos últimos meses, temos tido alguns exemplos destas atitudes ao assistimos queimadas acontecerem indiscriminadamente e as lamentáveis poluições com petróleo que causam um enorme estrago na biodiversidade marinha.
Ecologia é uma palavra que vem do grego oíkos (casa) e logia (estudo), podendo ser resumido como o “estudo do meio ambiente”, não se limitando é claro a apenas aos ecossistemas, mas também ao ser humano e o impacto que ele causa no meio (CHAMPLIN, 2013, p. 322). Sendo a ecofilosofia um outro ramo que estuda o tema, mas vai um pouco mais longe, pois se aprofunda um pouco mais nas questões humanas, suas prioridades quanto ao comércio e sua atitude empática quanto a natureza. Tudo o que o homem faz causa algum impacto, seja negativo ou positivo, sendo que quando falamos da natureza, temos que entender que somos responsáveis por seres no qual não possuem qualquer forma de se defender.
A Ecofilosofia nasceu em 1973, onde também foi chamada de Ecologia Profunda, sendo ela uma opção a ecologia rasa que estava sendo praticada na época, um de seus criadores foi o norueguês Arne Naes. O criador da Ecofilosofia acredita que só é possível o progresso quando este tem uma visão holística do seu meio e da sua interação com o planeta.
Ter visão holística é saber olhar o todo, é intender que no fim, tudo está interligado, sejam as nossas atitudes, como vivemos e como a sociedade consumista vive.
Talvez o grande problema do homem seja viver como se a natureza não tivesse fim, como se os recursos fossem inesgotáveis, como se o mundo suportasse tanta exploração.
Olhar para o mundo e aprender a ser um consumidor consciente, que preserva, separa o lixo, ou olha para a natureza com mais cuidado, é ser uma pessoa que olha para o futuro.
Quando não olhamos para o presente e não mudamos nossas atitudes, caímos no perigo de desconstruirmos o futuro, sem deixar algo para as próximas gerações. Ou o pior, deixando um problema enorme para eles resolverem.
BIBLIOGRAFIA
CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia, SÃO PAULO, HAGNOS, 2013.
MELO, Priscila. Ecofilosofia. Disponível em:
https://www.estudopratico.com.br/ecofilosofia-o-que-e-como-surgiu-e-suas-visoes. Acesso em: 28 out. 2019.
