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EM TEMPOS DE CAOS DISSEMINE A PAZ
É durante um período de caos que descobrimos como são as pessoas, a pandemia revela o pior do homem e o quanto o egoísmo está incrustado no ser humano, mesmo que ele diga que não.
Eu sou protestante, com isso, não me impressiono com a alienação e nem a depravação humana, como a própria Bíblia ensina e a teologia explica, com isso, eu cito Romanos 3:10 a 12 que diz:
Como está escrito: “Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer”.
Por isso não nos impressionamos, sabemos quem o ser humano é e do que ele é capaz. Sendo que é neste período difícil que percebemos o quanto a Bíblia tem razão e o quanto muitas teorias humanas se equivocam ao falar do ser humano.
O cidadão vai ao mercado e estoca comida como se não houvesse amanhã, e com isso, os mais pobres acabam passando necessidade. Quem tem condição segue guiado por seu egoísmo, sendo que a palavra vida em sociedade vai sendo esquecida ou perdendo o efeito.
Já os comerciantes aproveitam para subir os preços e ganhar dinheiro em um período de calamidade, mostrando que no final, não há amor, e sim, apenas e impreterivelmente a busca pelo dinheiro. É como o ditado popular diz: “É cada um por si…”, e assim, o homem vai revelando quem é.
O momento é de calma e mais do que nunca, de olhar para o próximo. Nós que somos cristãos, precisamos dar o exemplo, não divulgar notícias falsas, e cuidar com o extremismo que acaba prejudicando os outros. A pandemia traz confusão, já Cristo nos traz paz e confiança. 2 Tessalonicenses 3:16 diz:
“O próprio Senhor da paz lhes dê a paz em todo o tempo e de todas as formas. O Senhor seja com todos vocês”.
Paulo não vivia dias calmos, ele sempre transitou entre a incerteza e a insegurança. Teve que lidar com momentos de faltas, prisões e necessidades, sendo que era justamente nestes momentos que ele não esquecia nunca de que Deus estava com ele, e onde ele estava, a sua oração era sempre por paz.
Em tempos de caos, devemos ter paz, devemos mais que nunca confiar em Deus e sem dúvidas, prestar toda a atenção no próximo. É um ato de amor sermos conscientes, consumir de forma regrada, e não nos desesperarmos com notícias que semeiam o caos.
É nesta hora que temos que mostrar as pessoas em quem confiamos, e com nossas atitudes, pregar vida e não morte ou o desespero. Cristo não nos prometeu uma vida tranquila, ao contrário, ele nos avisou que teríamos aflições, contudo ele venceu o mundo (João 16:33). E é este Deus que venceu que está conosco, que não nos abandona, que está sempre com a gente.
Ser cristãos é sofrer, mas também saber quem é que nos dá força, é ter certeza que quem venceu o mundo não nos abandonará. Creio que a marca de todo o cristão não é uma vida sem problemas, mas ter paz, apesar deles.
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AS VANTAGENS EM ESTAR PERDIDO
“Quando a gente está perdido, encontra lugares que, se a gente soubesse onde estavam, jamais teria encontrado” (ARANTES, 2019, pg. 107)
Tal frase a autora tirou do filme “Piratas do Caribe”, uma frase que pode até soar estanha de começo, mas quando você para e tira um minuto para refletir, percebe como ela é verdadeira.
Em dias de certeza você segue em frente, rumo ao alvo, faz planos e se dedica para realiza-los, em dias de dúvida, em momentos onde você nem imagina qual é a saída para a sua situação, é inevitável ir em busca de outras de soluções, e no caminho encontrar coisas novas, que em outra situação, você não teria encontrado.
Quando eu era mais novo eu sempre fazia a trilha do Caminho do Itupava, que é um caminho histórico que liga Curitiba, a Morretes, no Estado do Paraná. Sempre gostei de natureza, considero a trilha a melhor forma de relaxar e descansar a cabeça, apesar de ficar com o corpo cansado.
Em um dos dias, fui com um amigo que acabou se perdendo e no afã de encontrar a trilha novamente, encontrou um verdadeiro paraíso escondido em meio a densa floresta.
No local tinha rio, cachoeira, uma pedra grande que servia como mesa em uma clareira aberta em meio a selva. Era o melhor lugar para acampar e ficar seguro, enquanto desfrutava de toda a beleza da natureza.
A certeza nos mantém em frente, ela é ótima, pois nos faz chegar ao alvo, a conclusão dos nossos planos. O caos e os problemas nos faz ir em busca do novo, do diferente, de outros pontos de vista, e com isso crescemos e passamos a ver coisas novas.
Por estar perdido eu fui em busca de outras graduações, cursei uma nova pós-graduação e conheci alguns mundos que eu não teria conhecido se eu estivesse bem.
É importante as vezes sair do comum, ir em busca de coisas novas, não precisamos esperar pelos problemas para fazer isso e nem abandonar a nossa profissão ou deixar de fazer aquele hobby que tanto gostamos, basta cultivarmos um hábito. É fundamental as vezes tentarmos coisas novas para crescermos e percebermos que existem outras opções, outros pontos de vista e até outras formas e fazermos a mesma coisa.
Muitas vezes é perdido, acreditando que estamos sem saída, que encontramos novos lugares, novos começos que antes nem imaginaríamos encontrar.
BIBLIOGRAFIA
ARANTES, Ana. Claudia Quintana, A morte é um dia que vale a pena viver: E um excelente motivo para se buscar um novo olhar para a vida, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2019
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FALSO JULGAMENTO
Passo sempre em frente a um museu que fica no meio de uma praça. Um local no qual sempre vejo alguns animados mendigos, não sei de onde vem tanto ânimo, mas confesso que a alegria me inspira, talvez seja a saída deles para não morrer de frio em nossas geladas noites de inverno
O curioso em um destes dias foi ver o segurança do museu olhando para os mendigos, eu quase parei para observar com mais cuidado. Ele olhava com cara de desdém, como se não tratasse de seres humanos, mas algum tipo repulsivo de ser. É curioso ver como constantemente nos colocamos como diferentes de tudo e todos, seja por causa da profissão, status ou credo, como se isso nos tornasse outra coisa que não seres humanos.
Ao olhar para a Bíblia vemos meio que do mesmo, de um lado os religiosos da época, tratando os gentios como seres inferiores. Eles eram os que cumpriam a lei à risca e se consideravam especiais. E do outro lado Cristo, que não perdia oportunidade de estar com os excluídos do seu tempo. A Bíblia mostra muitas vezes ele sendo julgado por estes religiosos, sendo colocado de lado por ter misericórdia de quem precisava de ajuda.
É fácil nos considerarmos especiais, principalmente quando temos dinheiro, diploma ou um bom cargo. Nós somos rápidos em nos dividir, mesmo que de forma inconsciente. A grande questão está em conseguir entender o próximo.
Vivi um bom tempo trabalhando na rua e por isso conheci de tudo, desde pessoas especiais, com inúmeros dons, mas que estavam entregues a drogas, bebida ou coisas do tipo. Até artistas de rua, que viviam de sua arte, mesmo que com limitado dinheiro, acreditando que aquela era a forma certa de viver.
Foi durante este tempo que pude entender que é injusto julgar alguém só com um olhar. As pessoas são mais do que aparências, existe muito mais do que a nossa visão capta. Com o tempo, seguimos percebendo como é perigoso o nosso falso julgamento, principalmente quando julgamos sem saber. O mundo padroniza, ele cria um modelo justamente para vender, isso quando não se apropria dos padrões existentes, e por mais que tenhamos o nosso padrão, não podemos aceitar que nós sejamos o ponto de partida de tudo, pois não somos iguais.
Somos mais do que aparentamos ser, por isso que não podemos concluir só com um olhar. É preciso caminhar, entender e continuar lado a lado, até que entendamos o próximo.
Os Fariseus da época de Jesus acreditavam que eram “melhores” que os gentios, sendo que hoje as atitudes não são muito diferentes. O homem costuma se colocar como melhor, e prefere muitas vezes olhar de cima do que estar ao lado.
É fundamental, se queremos ser cristãos relevantes, olhar para o próximo com respeito, entendendo que cada um tem suas dificuldades, a questão é que algumas são mais visíveis. É prioridade máxima, saber olhar para o próximo não com olhar de condenação, mas de graça, tal qual como Cristo olhou, para que assim possamos oferecer o evangelho ao invés de desprezo.
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RIA DOS PROBLEMAS
No livro “O caçador de pipas”, de Khaled Housseini, o protagonista da história chamado Amir, após voltar a sua terra natal, acaba tendo a infelicidade de encontrar em velho inimigo. O protagonista, por conta de vários motivos, começa a apanhar deste rival com um soco inglês, em uma das cenas mais marcantes do livro.
Amir já estava desfigurado, com as costelas quebradas e sem uma boa parte dos dentes, quando começou a rir. Talvez por causa de todas as dificuldades que o livro narra, que foram muitas. Quem sabe por causa dos seus segredos, ou por estar apanhando, quase morto, o motivo era duvidoso, mas o riso soava como desabafo depois de inúmeras páginas marcadas pelo sofrimento e pelas adversidades.
Esta passagem do livro ficou em minha mente em dias no qual a tempestade que eu estava enfrentando era muito grande. Eu passava por um verdadeiro tornado, quando mergulhei no livro para relaxar um pouco. Sendo que em meio a todo o caos, uma das coisas que me salvou, além de confiar na graça de Deus, foi aprender a rir dos problemas.
Algumas vezes a vida é dura, nem sempre é fácil passar por certas dificuldades, por isso que o bom humor é fundamental para tornar os problemas mais leves.
Viver é resolver problemas, é tomar boas decisões e aprender a aceitar os resultados das nossas escolhas. Contudo, viver é também ter que resolver situações que não são frutos de nossas escolhas, como doenças, períodos difíceis da economia etc. Nem tudo está em nosso controle, embora saber agir e encarar a situação, está em nossas mãos.
Aprenda a rir dos problemas, descubra como é bom as vezes levar a vida no bom humor, para não ficar preso em um espiral negativo. O bom humor cura tudo, nos deixa mais leves e abertos a enxergar a saída.
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SÍNDROME DE ADÃO
Acho totalmente contraditório pessoas que se consideram superiores e autossuficientes. Aliás, acho inclusive ser uma atitude totalmente incoerente, afinal, desde que nascemos, somos dependentes.
A criança, por exemplo, é um dos seres vivos que mais fica com seus pais. Enquanto filhotes alcançam a independência em poucos anos, uma criança demora em média uns 20 anos, sendo que alguns, só serão completamente independentes depois dos 25 ou 30, isso quando são.
Não somos autossuficientes, o homem sem o dono do mercado, o funcionário que faz sua empresa andar ou os clientes que consomem o seu produto, não são nada. Mas nós não tardamos em tentar ser, ou mostrar que somos independentes, superiores e autossuficientes, desde o Éden fazemos isso. Preferimos dar ouvidos à serpente do que acreditar em Deus. Preferimos comer o fruto proibido e tentar seu igual ao criador ao invés de depender Dele (Gênesis 3). Max Lucado complementa:
“Eva mordeu a isca! A tentação de ser como Deus anuviou sua visão, e a simples mordida em um fruto teve sérias implicações no Reino de Deus” (LUCADO, 2005, p.152).
O problema do homem é tentar ser igual a Deus, é pensar que é eterno e infinito. Volta e meia esquecemos quem somos e mergulhamos em uma vida de mentira e autoengano. E eu não estou falando que não devemos tentar fazer o nosso melhor, nos prepararmos, nos dedicarmos para sermos bons no que fazemos. E sim, que alguns fazem tudo para serem superiores em uma espécie de culto à exaltação pessoal. Max Lucado complementa conceituando a diferença entre fazer o melhor a Deus e uma atitude de exaltação pessoal:
“Mas há um abismo de diferença entre fazer o melhor para glorificar a Deus e fazer tudo para exaltação pessoal. A luta pela excelência é uma prova de maturidade. A busca pelo poder é infantilidade” (LUCADO, 2005, p. 152).
O poder nos distancia de Deus, é uma busca vã e sem sentido, pois esta busca é um tanto quanto cega e irreal. A estrada de quem busca poder é a soberba, o caminho de quem se dedica ao poder é finito. Gosto de como Max Lucado exemplifica a busca por poder:
“Por favor, preste atenção ao que vou dizer. O poder absoluto é inatingível. O mastro que conduz ao topo é escorregadio, e os degraus da escada são feitos de papelão” (LUCADO, 2005, p.153, 154).
Quase no fim do ano de 2017, o furacão Irma devastou inúmeros países por onde passou. A Ilha de Barbuda teve 90% de suas casas destruídas. Em outros países, inundações e destruições eram vistas aos montes e o homem não pode fazer nada. O poderoso país americano, que sofreu um bocado com o furacão, também teve que se calar diante de tal furor.
Quando vejo estas tristes calamidades, sem demora, lembro de minha condição, e do quanto preciso de Deus. Confiar nele é básico, entender que a busca por poder é uma busca infantil e pequena, que só nos leva à perdição, é importante para não cairmos em velhos buracos. Gosto de como o livro: “O impostor que vive em mim” de Brennan Manning termina, ele nos traz uma boa luz a esta reflexão:
“Que todas as suas expectativa sejam frustradas, que todos os seus planos sejam atrapalhados, que todos os seus desejos sejam reduzidos a nada, que você possa experimentar a impotência e a pobreza de uma criança, e então cantar e dançar no amor de Deus que é Pai, Filho e Espírito” (MANNING, 2007, p. 13).
Este é um dos segredos para não cair na mesma armadilha em que Adão e Eva caíram. Esta é uma das fórmulas para nos mantermos com os pés no chão e não nos entregarmos a venenos tão antigos e seguir olhando para Cristo e sua graça.
Quando aproveitarmos o caos para termos dependência d’Ele. Ou olharmos os problemas e catástrofes e nos lembrarmos do quão fraco somos e o quanto precisamos de Deus, dificilmente nos consideraremos poderosos e assim seguiremos o caminho certo da dependência de Deus.
Não adianta buscar poder, pois o poder passa, o nosso tempo é finito, por isso não o desperdice. Tenha como prioridade o que te traz vida, o que é eterno. O que a traça não corrói, isso, sim, vale a pena.
BIBLIOGRAFIA
LUCADO, Max. O aplauso do céu. São Paulo: Editora United Press, 2005.
MANNING, Brennan. O Impostor que vive em mim. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2007.
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A FUNDAMENTAL ARTE DE SE COMUNICAR
“As palavras não são como são ditas, são como são ouvidas” (STEUERNAGEL, BARBOSA,
2017, p. 105).Nesta minha curta vida, já vi muitos problemas surgirem por falta de comunicação ou por má interpretação do que é ouvido. Atrevo-me a dizer que em relacionamentos, seja entre amigos ou casais, este é um dos maiores problemas.
As palavras são muito mais como são ouvidas, como as interpretamos, do que como são faladas, por isso que, quem fala, deve se comunicar de uma forma no qual todos entendam.
Já vi muita gente sofrer por conta de mal interpretação. Já presenciei muitas amizades acabarem, relacionamentos terem um fim ou famílias se dividirem por conta disso. Sendo que, não existe fórmula, no final a interpretação vale muito mais do que a palavra.
O segredo é ser claro ao falar, nesta hora a regra “fale pouco, mas fale bem”, vale muito. Não adianta tagarelar e no fim não ser claro. Seja objetivo, comunique de um modo claro e coeso, que você terá muito sucesso.
Eu também tento me certificar se estou sendo entendido, pergunto sempre em minhas aulas, palestras ou pregações, quando é possível, se todos estão entendendo, é muito importante estar aberto a feedbacks. É responsabilidade de quem se comunica, se fazer entendido, entendendo que para cada pessoa ou público, temos que adaptar a nossa forma de falar.
Para quem ouve é importante cuidarmos com as nossas interpretações, se não estamos concluindo de forma errônea, ou idealizando demais a fala. Limite-se ao que foi falado e na dúvida pergunte, é muito melhor perguntar, do que concluir coisas que não foram ditas.
Falar e ouvir é igualmente importante, saber se comunicar, mas também saber ouvir é fundamental para não cairmos em equívocos ou atritos por mera má interpretação.
Cuidar com a nossa comunicação é nos poupar de muitos problemas, ser responsável pelo que falamos e ouvimos é fundamental para a boa comunicação.
BIBLIOGRAFIA
STEUERNAGEL, Valdir.; BARBOSA, Ricardo. Nova liderança: Paradigmas de liderança em tempo de crise. Curitiba: Editora Esperança, 2017.
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JORNADA CRISTÃ: GRAÇA
Toda a caminhada tem o seu ponto de partida, a vida cristã não é diferente. Estudar, escrever, se aprofundar e conhecer faz parte da vida de um cristão centrado, a questão é que nem sempre foi assim.
Vim de uma tradição que ensinava que estudar não era tão importante, que o conhecimento era coisa do mundo. O verdadeiro cristão precisava apenas ler a Bíblia, e deixar que o Espírito Santo ensinasse. Com isso, inúmeras barbaridades eram vistas e consideradas como ação de Deus.
O tempo passou e a minha fé em Deus seguiu calcado em crenças e ensinos que soavam não só contraditórios a luz da própria Bíblia, mas também beirava a pura superstição. Muitos dos ensinos eram mesclados com falácias, crenças supersticiosas e careciam de uma base bíblica coerente.
Deus, no meu ponto de vista, era inalcançável, severo e cruel, e apesar de conhecer a palavra graça, eu mal entendia para o que servia, quanto mais citar onde estava na Bíblia.
Tudo mudou quando eu comecei a frequentar uma igreja no qual o ensino era uma de suas prioridades, sendo que aprender sobre a Bíblia e sobre teologia, e ser incentivado a ler a todo o tempo, foi uma das minhas maiores oportunidades. Dei os meus primeiros passos na teologia nesta igreja, sendo que muitos livros moldaram e me ajudaram na caminhada.
Por isso, nesta série de textos, vou abordar sobre os inúmeros autores que me acompanharam e me deram um norte em um período onde tudo era escuro e nebuloso. A intenção é abordar sobre toda a minha caminhada, terminando a série de textos nos livros mais densos e teológicos. Vale lembrar que os livros podem ser divididos em literatura teológica, que tem ensinos mais densos e literatura devocional, que apensar de ter teologia, é um pouco mais simples e diluído, próprio para leigos e iniciantes. Nesta minha jornada passarei por todos os estilos de livros, seguirei o caminho natural que eu trilhei, e pontuarei de forma clara o que considero importante em cada livro e autor.
Brennan Manning é um escritor no qual eu tenho uma grande consideração, foi ele que me ajudou em meus primeiros passos, foi com seus livros que entendi, de forma clara, o que era graça.
Basicamente a minha visão de Deus, antes de conhecer o autor, era de um Pai cruel, severo e totalmente sem paciência. Um Deus que estava sempre vigiando e pronto para punir, por isso, não podíamos sair da linha, caso contrário, a mão de Deus pesaria sobre nós. Foi no livro “A assinatura de Jesus” e depois no “Evangelho maltrapilho”, que dei os meus primeiros passos, e encontrei um oásis em momentos onde tudo era muito obscuro e pesado.
O autor fala da graça de uma forma muito alentadora, e o mais impressionante era que ele não se colocava como superior, o que era uma novidade para mim. No meio pentecostal do qual vim, o pastor era tido como superior, um servo de Deus intocável, ele nunca estava em nosso patamar, com isso, categorias eram bem visíveis na igreja. Mas quando este escritor discorria, ele se colocava como falho tal qual todos os homens, sendo que foi a sua sinceridade que me ajudou a entender quem sou e como buscar a Deus de forma verdadeira.
A parte mais impactante foi quando ele revelou em alguns de seus livros, o seu problema com alcoolismo. No livro “Deus o ama do jeito que você é” ele conta com detalhes toda a sua luta, e todos os equívocos que ele cometeu por conta do seu vício, mesmo sendo cristão, escritor e palestrante. Ele nunca escondeu nada, a sinceridade sempre foi a sua marca, coisa que me ajudou e me fez entender muita coisa.
Todos nós temos dificuldades, isso é normal, ser cristão é ser um lutador, é cair e se levantar, é falhar e continuar. No livro “O impostor que vive em mim” Brennan pontua algo fundamental sobre isso:
“Apesar de Deus não tolerar ou sancionar o mal, ele não retém seu amor por haver maldade em nós” (MANNING, 2007, p. 20).
Todos nós somos falhos, não somos super-heróis, somos seres humanos buscando alento em Deus, sendo que cada um tem os seus pontos fracos. No livro “A sabedoria da ternura o Brennan Manning pontua:
A violência com a qual alguns cristãos expõem suas convicções me faz pensar que eles estão tentando convencer a si mesmos. O espectro de sua incredulidade oculta com habilidade me assusta à medida que eles se tornam mais militantes e barulhentos. Quando esse mesmo medo passa a controlar as igrejas, elas se desintegram, tornando-se propagadoras de rituais formais ou agentes intolerantes de repressão. Sem um conhecimento íntimo e sincero de Jesus, os pregadores que lideram essas igrejas se assemelham a agentes de viagem distribuindo panfletos de lugares que nunca visitaram (MANNING, 2007, pg. 180)
O ambiente legalista no qual eu vivia, me ensinava que ser cristão é ser perfeito, que falhas não eram bem vindas, que o cristão não errava, o problema era que o erro era mascarado e a vida perfeita era pura hipocrisia de quem vivia apenas de aparência.
Com os livros do Brennan Manning aprendi sobre a graça de forma sincera e clara, entendi o que era ser cristão e consegui seguir vivendo uma vida muito mais leve e menos hipócrita.
Este foi o meu primeiro passo, vieram muitos outros, mas este foi fundamental para a minha caminhada. O amor de Deus transforma, a graça nos molda, nos nivela e faz com que a vida cristã não seja uma caminhada hipócrita.
BIBLIOGRAFIA
MANNING, Brennan, A sabedoria da ternura: o que acontece quando compreendemos e aceitamos o amor poderoso de Deus que transforma nossas vidas, Editora Palavra, Brasília, 2007
MANNING Brennan, O impostor que vive em mim, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2007
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A ODISSEIA DA DOR VI: FINITUDE
Pode ser que em todos estes textos que eu escrevi sobe o problema do mal eu tenha sido simplista, quem sabe quando eu tento falar sobre Deus e sobre a dor, eu esteja sendo sem coração ou prático demais, quem sabe…
Contudo, quando escrevo sobre o problema do mal, ou sobre a injustiça no mundo tento deixar claro um fator apenas: “O ser humano é um ser finito e dependente demais para conseguir visualizar a verdade de forma completa”, o ser humano não é nada sem Deus.
Estes dias eu tive uma prova disso, quando apenas uma dor de dente foi suficiente para me deixar desesperado de dor. Às vezes o desespero não é o dente é a falta de emprego, uma doença sem cura ou a perda de um parente querido. Tudo isso mostra o quão somos pequenos
Eu costumo usar Romanos 1:18 para enfatizar como a natureza evidencia a existência deste Deus maravilhoso, mas não precisamos ir tão longe, basta olharmos para nós mesmos. O quanto somos pequenos, egoístas, o quanto criticamos Deus, por não resolver o mal, mas não tardamos em acumularmos riquezas, a viver a vida para o lucro como se não fossemos responsáveis por tudo o que acontece no mundo. Culpar a Deus é fácil, assumir a responsabilidade já é outros quinhentos.
O homem é uma contradição ambulante, a humanidade que critica é mesma que vira as costas para o necessitado, ou passa por cima de quem tenta ganhar o seu pão. Julgamos o mundo com nossa visão, olhamos para Deus com nossos olhos finitos e mesmo assim concluímos conhecer e entender quem Ele é e o quanto Ele é “injusto” por não sanar a nossa “dor”.
Acredito que antes de refletirmos o porquê Deus não faz determinadas coisas, temos que nos perguntar por que nós não fazemos, por que jogamos nas costas de um Deus problemas que nós mesmos criamos.
A grande contradição do homem é viver em sociedade, uma sociedade injusta e cobrar a Deus o porquê Ele não faz alguma coisa. Amigo, Deus é Deus, ou você escolhe viver como ele nos aconselha viver, ou você segue os padrões estabelecidos pelos homens, que geralmente são injustos.
Alguns acreditam ter respostas para tudo e por isso se acham inteligentes, alguns detém em suas mãos o conhecimento, acreditam que a tecnologia e a ciência vão desvendar todos os mistérios da humanidade. Somos livres para pensar e formular nossas conclusões, mas não consigo acreditar que a ciência vá achar respostas para tudo. Aliás, com o advento da inteligência artificial, a ciência tem gerado mais perguntas que respostas, a principal delas é: Quando tivermos máquinas e robôs autônomos em que o homem vai trabalhar? Entre tantas outras perguntas…
Não acredito que um ser humano, que sucumbe ante uma dor de barriga, que mal consegue jogar o seu próprio lixo na lixeira, ou desmata como se não houvesse amanhã, conseguirá um dia conhecer todos os mistérios que os duzentos milhões de galáxias escondem, quem dirá conhecer Deus.
Não estou afirmando que por isso, por sermos finitos e limitados, devamos parar de buscar a verdade, conhecer ainda mais a vida e construir novas tecnologias. E sim, que devemos ter a humildade de reconhecer que não somos nada, que somos muito pouca coisa e com isso entender que nem todas as nossas dúvidas serão sanadas. E acima de tudo, reconhecer que temos arranjado mais problemas que solução.
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DIÁLOGO COM UM PUNK
Um dia destes, enquanto passava pelo largo da ordem em Curitiba, que é uma praça onde um monte de gente fica bebendo e conversando. Fui abordado por um punk que vendia seus zines de protesto contra os burgueses exploradores que, segundo ele, deveriam todos morrer, este texto resume o que eu respondi a ele.
Sou contra a injustiça social, não fico feliz quando vejo pessoas morando na rua, revirando lixo para comer ou morando em favelas, sei bem como isso é difícil, já morei na rua quando novo e isso não é legal. Também sou contra quando ricaços olham para pobres como se fossem seres inferiores, como lixo, desdenhando-os e deixando de fazer o mínimo para ajudar, já que eles têm condições. Porém, não acho que o caminho da justiça social esteja em acabar com a riqueza de quem tem dinheiro
Ninguém sabe o quanto o cara rico penou para ter o seu dinheiro, ninguém tem ideia do quanto estudaram, gastaram seus finais de semana e investiram dinheiro para ter retorno. E quem sou eu para apontar o dedo na cara das pessoas sem ao menos conhecer sua história. Aliás, quem sou eu…
Acredito que antes de julgarmos quem tem dinheiro, temos que olhar para os políticos que têm enriquecido ilicitamente, se apropriando do que não é deles. Antes que crescer o olho para a riqueza alheia, devemos cobrar dos governantes trabalho, saúde e educação, como eles assim prometem todos os anos de eleição
Realmente, poucos tem muito e muitos tem pouco e protestar buscando uma vida melhor é fundamental, só não acho que justiça social é fazer todos ricos, e sim, fazer com que todos tenham uma vida digna.
Vive em um mundo de sonhos quem acha que todos conseguirão ter um carro importado ou uma casa de 300 metros quadrados. Quem acredita que todos conseguirão ganhar 20 mil por mês, vive uma vida de fantasia e não pensa que ninguém precisa de tanto assim. Temos que aprender que na vida tudo tem um limite, e viver bem é ter o importante ao nosso dispor que no mais, damos um jeito.
Justiça social é brigar por uma vida justa, por saúde e por um local para morar. Justiça social é ter na mão uma oportunidade de estudo, ou alguma forma de se qualificar, para se recolocar de forma digna no mercado de trabalho.
Eu não vivo a vida olhando para as pessoas ao lado, contabilizando o que ele tem e o que eu não tenho, muito menos almejo ter tanta coisa assim para viver, não acho que precisamos de muito. Quem briga por justiça de olho nas coisas dos outros no fundo tem inveja, e usa uma desculpa política para extravasar
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DIÁRIO DO SUBSOLO
Alguns escritores possuem a capacidade de transformar seus textos em verdadeiros tratados teológicos e filosóficos. Admiro quem consegue transformar uma boa história em um momento de reflexão, sendo Dostoiévski a meu ver, um destes geniais escritores.
O livro Memórias do subsolo pode lhe parecer estranho à primeira vista, coisa que no decorrer da leitura passa, mas algumas nuances do texto nos prendem totalmente a obra.
O protagonista não tem nome, a princípio não entendemos, mas conforme o texto avança, é inevitável não sentir a vontade de dar o nosso nome ao personagem. É imprescindível nos vermos em alguns momentos narrados na história, pois no fim, somos tal como o homem sem nome, um misto de bondade e maldade, egoísmo e empatia.
O livro é um diário que não está sendo escrito para ser lido, é uma espécie de diário de desabafo de um pobre coitado e suas mazelas. De um homem muito mau, diga-se de passagem, sendo este um dos pecados que o personagem confessa logo nas primeiras palavras do livro: “
Sou um sujeito doente…Sou um sujeito maldoso. Um cara repulsivo eu sou” (DOSTOIÉVSKI, 2015, p. 21)
Quem é você caso ninguém tivesse lhe observando? Se por acaso você tivesse apenas desabafando em um diário, este desabafo iria condizer com quem os outros veem? Ou você vive um personagem.
Conforme avançamos na leitura, perdemos aquela estranheza, percebemos um pouco de nós e de como o ser humano é. Sendo as vezes invejoso, algumas horas hipócrita e em alguns momentos se vê dependente da aprovação dos outros. Cada um tem as suas falhas, não existe ninguém alheio a erros e contradições. O que existe são pessoas que não percebem suas falhas ou são orgulhosas demais para confessá-las. Luiz Felipe Pondé, em um livro onde ele discorre sobre o pensamento e a filosofia dos livros de Dostoiéviski, define o livro Diário do subsolo de forma bem pontual:
“Fazendo uma metáfora, podemos dizer que a fala do personagem de Memórias é uma espécie de dança macabra de átomos, embora ele ainda se revolte com sua caracterização como ser determinado” (PONDÉ, 2013, p. 229).
Sendo que a dança macabra é visível em todo o livro, quando o personagem se mostra como perfeitamente se definiu, “um sujeito maldoso”, além de cruel e egoísta.
A parte interessante é que você vê aquele homem maldoso sofrendo a todo o momento, se corroendo de raiva e inveja e fazendo alguns malabarismos para manter a sua aparência.
A crítica do livro é dirigido a Tchiernichievski, autor do livro “Que fazer?” Que acreditava que para um novo mundo surgir, a tradição e tudo o mais que existia deveria ser destruído (PONDÉ, 2013, p. 237, 238). O livro foi referência na revolução russa.
Já não sou tão novo para me deixar de impressionar com a maldade humana, e sou cristão demais para deixar de olhar para a Bíblia e perceber que ela tem razão quando diz que:
O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo? (JEREMIAS 17:9)
O homem sem Deus não é nada, o ser humano quando é guiado por seu coração e suas aspirações, sempre se dirigirá para a maldade e o caos. Pondé termina a sua análise resumindo muito bem este homem:“O indivíduo do subterrâneo é como que o ser humano mostrado na sua obscenidade interior: absoluta, sem nenhum prurido, na hipocrisia necessária à convivência” (PONDÉ, 2013, p. 242).
Eu sei que podemos ser até pessoas boas, quem sabe você esteja se perguntando: “será que eu sou realmente uma pessoa má?” A luz de realidade que nos circunda, acredito que possamos até sermos pessoas boas, honestas e bem intencionadas. A grande questão é que o homem tem uma propensão para a maldade muito grande.
Somos corrompidos pelo pecado, com isso, temos em nós uma capacidade de nos destruir e destruir o próximo sem tamanho. Sem Deus, perdemos o controle e seguimos nossos impulsos naturais em fazer o mal.
Deus é o nosso Norte, a bússola que não deixa com que o pecado tome a leme e guie a nossa vida para a destruição, sendo que eu vejo o personagem do “Diário do subsolo” como uma sombra de como o homem sem Deus é.
BIBLIOGRAFIA
PONDÉ, Luiz Felipe, Crítica e profecia: A filosofia da religião em Dostoiéviski, Editora Leia, São Paulo, 2013
DOSTOIÉVSKI, Fiodor, Diário do subsolo, Editora Martin Claret, São Paulo, 2015
