-
A ODISSEIA DA DOR V: DIAS DIFÍCEIS
Quando tudo está difícil você ora e pede uma saída para Deus, não é assim que nós aprendemos? Busque a Deus com fé que ele vai te ouvir. O grande problema é quando não somos atendidos, quando oramos e nada acontece, quando clamamos, choramos aos pés de Deus e o caos permanece e as vezes até piora ainda mais.
Com isso, alguns vão alegar falta de fé, ou que Deus não te atendeu por você ter duvidado e tem até quem fala que os problemas vêm para nos fortalecer, já ouviu isso? Quem é inteligente aprende com os seus problemas, quem não é fica reclamando. A grande questão é quando uma pessoa está com câncer, paralítica ou inválida, certas lições são difíceis de aprender…
Há quem diga que alguns estão apenas colhendo aquilo que plantaram, ou que Deus está castigando quem foi infiel. Como se nós também não fossemos infiéis, pecadores e falhos. O interessante é que muitos dos que dão estes tipos de conselhos se colocam de fora, como se fossem perfeitos, sem falhas.
Penso que alguns destes pontos de vista têm as suas verdades, é claro que podemos aprender com nossos erros, é evidente que o sofrimento nos faz mais fortes e algumas vezes nos faz enxergar coisas que em dias normais não veríamos. E é claro que eu sei que Deus ouve nossas orações e nos responde, da sua maneira, é evidente, mas responde. A minha grande crítica é que nem todos os conselhos ajudam quem está passando por necessidades e muito menos dá uma saída para o caos.
Entenda que todos sofrem, o sofrimento tem como ponto de origem o pecado do homem. O homem desobedeceu, se distanciou de Deus, e por conta disso sofre. Entenda também que Cristo veio aqui na terra para nos dar salvação, e não uma vida de flores e alegrias. Ele nos avisou que sofreríamos e mandou termos bom ânimo.
Nem sempre é sol, não são todos os dias que podemos viver uma vida tranquila e cheia de paz, pois vivemos em um mundo onde impera o pecado, uma sociedade que tem como base a mão de homens falhos. Por isso, sofrer é inevitável.
Para mim o sofrimento nos traz dois grandes ensinamentos. O primeiro grande ensinamento é: “Onde a mão do homem tocar, sempre haverá dor, mal, injustiças, doenças e egoísmos”, seja isso em larga escala, como vemos em alguns países de regime totalitário, ou em pequena escala, nas injustiças que observamos no dia a dia, nas doenças endêmicas ou nos desastres naturais. Enquanto o homem reinar, o mal reina, não tenha dúvidas. O segundo grande ensinamento é: “O homem não pode sobreviver sem Deus”. E acredito que esta é a grande lição que o sofrimento traz, sendo este também o motivo no qual sofremos
Sem Deus não somos nada, sem ele o homem é só destruição e dor. É isso que eu enxergo quando vejo os homens sofrerem, é isso que ao meu ver evidencia a dor. A dor existe por conta da falta de Deus. E a dor só se extinguirá quando Cristo voltar e acabar com este mundo podre e doente.
Sobre os dias difíceis, eu já não posso te dar uma fórmula, pode ser por tantos motivos que é impossível termos certeza do motivo no qual as vezes passamos pelo caos. Mas uma coisa eu sei, o caos nos aproxima de Deus. É ele que nos tira de comodismo e faz com que nos joguemos aos seus pés. A vida fácil normalmente nos deixa relaxados, os problemas fazem com que delimitemos mais as nossas prioridades e olhemos mais para a cruz.
-
SOBRE CASAR PARA SER FELIZ
Vivia sozinho desde muito novo e agora com um pouco mais de 40 anos, me encontro casado. Muitos me perguntam, por saber que há décadas eu vivia sozinho, se eu estive com algum tipo de medo ou receio em casar, a minha resposta sem ser hipócrita em momento algum sempre é “não”.
Entrei bem consciente no casamento, refleti e tenho sempre tentado ouvir pessoas, ler e buscar ajuda. Penso que um dos segredos é o diálogo, além de considerar o próximo entendendo que cada um tem o seu defeito e a sua qualidade.
Eu sei que casar não é fácil, muitos tentam me avisar e dizem o quão é difícil conviver e dividir a vida, apesar de ser bom. Mas tem uma categoria de pessoas, que até ficam felizes pela minha decisão, mas que proferem uma frase que eu nunca consigo entender: “Uma hora temos que casar para podermos ser felizes”. Confesso que esta é uma das frases mais complicadas que eu tenho ouvido ultimamente.
Não estou casado para ser feliz, eu sou feliz, bem resolvido e contente com o que sou. Eu casei porque achei alguém que compensa dividir a vida, uma parceira na caminhada e não para que ela tenha a obrigação de me fazer algo, ao contrário, jogar as expectativas de nossa felicidade em outro é
um dos maiores erros dos casais, como bem pontua T. D. Jakes:“Todos queremos sem dúvida experimentar o amor; mas é preciso fazer primeiro esta pergunta: amamos os outros, ou amamos a ideia de amar? Muitas são as mulheres – e também os homens –, que se voltaram para os braços de alguém procurando a segurança que deve vir afinal do próprio íntimo. Quão amargos se tornam quando buscam ao seu redor aquilo que devem encontrar dentro de si mesmo” (JAKES, 1999, p. 21).
Jogar em outro a responsabilidade de nos fazer felizes é um erro. Se não temos tudo resolvido em nosso íntimo não acharemos fora dele. Sem esquecer-nos da pergunta principal: Quem é o centro de nossa vida, nós ou Deus?
Não sou o mais experiente no quesito casamento e sei que tenho que aprender muita coisa, só quis enfatizar com que posicionamento entrei no casamento. Eu não quero ser feliz, pois já sou, até demais. O que eu quero é fazer alguém feliz, casamento é parceria, cumplicidade, quando um casamento começa com o pensamento egoísta de “eu quero” teremos muito mais problemas que o normal, exigiremos demais de nosso cônjuge e transformaremos nosso casamento em um caos.
BIBLIOGRAFIA
JAKES, T. D. A Dama, Seu Amado E Seu Senhor. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1999.
-
DÚVIDAS NA CAMINHADA
Considero Tomé como um dos homens mais injustiçados da história. Ainda mais que o seu nome hoje em dia é quase um sinônimo de dúvida. Ele é conhecido por não ter acreditado que Cristo havia ressuscitado e é aí que está a injustiça e a contradição. Pois quando Maria Madalena foi contar aos discípulos que Jesus estava vivo eles também não acreditaram (Marcos 16:11). Tanto que Cristo até repreende os onze apóstolos por não terem crido na notícia de sua ressurreição (Marcos 16:14). Não foi só Tomé que duvidou, todos os outros apóstolos também duvidaram.
A Bíblia nos mostra inúmeras ocasiões no qual os apóstolos duvidaram. Durante a tempestade, mesmo com o Cristo a bordo do barco, tiveram medo da tormenta e duvidaram que iriam chegar ao fim da travessia (Marcos 4:35-41). Tiveram dúvida de como iriam alimentar uma multidão faminta, no episódio da multiplicação dos pães e peixes (Mateus 6:1-15) e por aí vai, são muitos episódios de dúvidas que encontramos nos evangelhos, de pessoas que andavam com Jesus, viam seus milagres, mas muitas vezes titubearam. Duvidas são constantes, o sentimento de que estamos orando para as paredes, para algo que não existe, é comum. O medo, a dor, as dificuldades nos cegam constantemente e duvidar não é pecado.
Quando eu vejo estes exemplos na Bíblia eu olho para a minha vida, não consigo deixar de fazer um link com minhas dúvidas e dificuldades. Quem nunca duvidou? Quem nunca se sentiu sozinho, abandonado em meio ao caos?
A parte curiosa do texto é que Cristo não condena Tomé por duvidar, ao contrário, ele sana as suas dúvidas. E termina tendo o privilégio de tocar em suas feridas, conferir de forma minuciosa que Cristo havia ressuscitado (João 20:26-29). Talvez a dúvida de Tomé tenha sido maior, quem sabe ele foi só mais veemente, mais sincero, não sabemos ao certo, o que sabemos é que muitas vezes duvidamos, não só Tomé. Diante do caos é comum a dúvida, mesmo vindo de pessoas que andam com Jesus.
Ao meu ver a dúvida evidencia o quando somos pequenos e limitados, o quanto deixamos de confiar em Deus. É fácil acreditar em Deus quando tudo está bem, o desafio é crer quando tudo está mal.
O problema amigo nunca foi a dúvida, aliás, já aviso de antemão que ela sempre vai existir. A questão é o que você faz com ela, o que a dúvida leva você a fazer. Pois se ela não te empurrar para a palavra, a oração ou a buscar mais a Deus, aí a coisa complica. Eu tive muitas dúvidas em minha caminhada, porém tenho uma certeza que me dirige: Eu sou muito limitado, pequeno demais para entender.
A dúvida não deve nos paralisar, na dúvida temos que buscar a Deus, clamar e ler a sua palavra. No caos e na incerteza, olhar para a cruz é o segredo caso contrário cairemos, sucumbiremos ante as nossas limitações e fragilidades.
A conversa com Tomé termina de forma perfeita, e entra em minha mente como uma bofetada, me ensinando uma lição que no caos as vezes eu teimo em esquecer:
Felizes são os que não viram, mas assim mesmo creram! (João 20:29)
Na dúvida creia e não desista, no caos acredite e olhe para a cruz, este é o segredo para que não sucumbamos por conta da nossa fragilidade.
-
LIÇÕES NO CAOS
“Não me deixe rezar por proteção contra os perigos, mas pelo destemor de enfrentá-los (Rabindranath Tagore) (ARANTES, 2019, p. 53)
Ninguém gosta de problemas, duvido que alguém sinta prazer em enfrentar dificuldades, mas uma coisa é inegável, nós crescemos com os problemas.
O caos nos desafia, é através dos problemas que saímos da nossa zona de conforto e navegamos rumo a outros mares. São as dificuldades que nos unem, nos fazem mais humanos, conscientes de nossa falibilidade.
Quando não temos mais um chão, nos movemos e procuramos saídas. Quando perdemos a segurança, caminhamos em busca de novos ares e outras oportunidades.
Foi por conta de uma destas buscas que acabei por encerrar a minha banda. Desanimei por conta de inúmeras questões, e decidi que valia a pena tentar outras coisas, e não me arrependi. Uma das novas coisas foi o blog, que me toma um tempo grande, mas me ajuda a crescer todos os dias, além de inúmeros outros projetos.
A falta de oportunidades me fez seguir para outros rumos, estudar alguns cursos que antes eu não estudaria, e cresci com o que aprendi. As novas perspectivas que eu descobri não têm preço, agradeço a todos os problemas e dificuldades que me fizeram sair da zona de conforto.
O caos nos movimenta, os problemas nos forçam a seguir por outras rotas, para novos rumos. Por isso, a minha oração têm sido apenas por força e ânimo para passar pelos problemas, ao invés de buscar saídas milagrosas. Eu só quero poder passar por tudo e aprender, ao invés de fugir dos problemas.
O deserto nos ensina, os problemas nos dão força e capacidade de sermos mais resistentes, quando ansiamos por saídas e atalhos, acabamos por perder a lição.
A minha oração é um pedido de coragem e força para seguir e enfrentar os dias complicados. Com Deus ao nosso lado, podemos seguir seguros, pois com certeza, não estamos sós nas batalhas.
O caos ensina e nos fortalece, as lutas nos moldam e nos dão outra visão, por isso não peça por atalhos, mas por força para enfrentar e crescer com os problemas.
BIBLIOGRAFIA
ARANTES, Ana, Claudia, Quintana, A morte é um dia que vale a pena viver, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2019
-
TRAIÇÃO FAMILIAR
Senhor, muitos são os meus adversários! Muitos se rebelam contra mim! (Referência: Salmos 3).
O Salmo 3 foi escrito pelo rei o rei Davi, que tinha acabado de ser traído por seu filho Absalão. Já não basta ser traído e para completar o sofrimento, tem que ser o seu próprio filho o traidor. O texto de 2 Samuel 15, conta a história toda bem detalhada, eu convido você a ler se quiser entender mais esta traição.
Alguns teólogos e pastores vão propor alguns motivos pelo qual Davi foi traído, como se houvesse justificativa. O principal deles foi sua negligência em corrigir seus filhos, principalmente porque Davi deixou de corrigir Amnom quando este estuprou a sua meia irmã Tamar (2 Samuel 13), que era irmã de Absalão. O que resultou em vergonha para Tamar e na morte de Amnom pelas mãos de Absalão. Davi foi negligente e estava colhendo os frutos de sua negligencia, segundo estes pastores e teólogos.
A grande verdade é que ouvimos estas acusações o tempo todo. Fulano se separou porque não dava atenção a sua esposa, beltrano perdeu o emprego porque não era um bom profissional. Sicrano caiu nas drogas por culpa dos pais e por aí vai, é comum acusarmos o outro como responsáveis pelos nossos problemas, como se ele também não tivesse culpa. Isso quando não somos nós que culpamos outras pessoas, pais ou o sistema, por nossas desgraças, como se as nossas escolhas não significassem nada, gostamos de terceirizar os nossos problemas, a culpa dos nossos infortúnios é sempre de outro nunca nossa.
Não que eu não ache que Davi não tenha sido negligente neste caso e nem que eu acredite que ele nunca tenha tomado atitudes erradas, nós sabemos que errou muito, ele adulterou, não corrigiu os seus filhos quando precisava corrigi-los, mas isso não significa que ele foi o culpado desta traição. Eu também sei que colhemos o que plantamos, às vezes nossas atitudes nos trazem consequências, eu sei bem disso, mas eu também sei que cada um é responsável por suas atitudes, a traição de Absalão, ou o mal que praticam contra nós não tem justificativa. Davi pode até ter sido negligente, contudo isso não justifica a traição. Ele poderia ter cuidado do caso, corrigido seus filhos, bem como ter cuidado melhor dos seus e mesmo assim ser traído, pois quem trai é sem caráter e ponto final.
É fácil achar um bode expiatório para os nossos problemas, é simples culpar alguém e se fazer de vítima o desafio é superar a situação, arregaçar as mangas, deixar o coitadismo de lado e olhar para frente tal qual Davi fez
O interessante, quando lemos sobre esta fuga de Davi, é que quando o rei estava fugindo, alguns funcionários do palácio, no qual Davi mandou que ficassem e servissem ao novo rei, quiseram ir com ele e morrer com ele se fosse preciso (2Samuel 15:21). No caos, ou em meio às dificuldades, você sempre descobre quem é seu irmão de verdade ou não, é durante os problemas que você vê quem gosta de você.
Porém a lição mais profunda desta história é que Davi, mesmo diante de uma traição, mesmo tendo que fugir humilhado, nunca abandonou Deus. Apesar dos nossos problemas, ou do mal que fazem contra nós, Deus sempre está conosco. Os infortúnios devem nos aproximar ainda mais dele e não nos distanciar. Só existe uma forma de sair dos problemas, e é de joelhos, buscando a quem nunca nos trai e muito menos nos abandona.
Lembre-se de uma coisa, você pode não ser culpado de determinada situação, mas você vai ser sempre o responsável, pois é você quem vai ter que solucionar o problema. O infortúnio vem muitas vezes sem pedirmos, por isso nem sempre somos culpados, contudo somos os responsáveis em solucionar, sendo culpados ou não.
Por isso não se esqueça de sua responsabilidade, não culpe seus pais, o sistema ou a falta de oportunidades, pois está em suas mãos fazer a diferença ou não. Somos responsáveis por nossos atos, e podemos escolher fazer melhor do que fizeram conosco. Muito menos acredite que o mal que fizeram com determinada pessoa é uma consequência de sua própria negligência, pois nem sempre é, as vezes alguns são injustos conosco, outras vezes a culpa é dos dois, as vezes a questão é mais complicada que imaginamos, nem sempre quem está sofrendo está colhendo o que plantou.
Conheço pais que educaram seus filhos de forma sábia, deram atenção e amor, e os filhos acabaram sendo pessoas da pior estirpe. Conheço filhos que viveram em um lar infernal, com pai alcoólatra e mãe negligente, contudo cresceram sábios e fizeram diferença. É aquele velho exemplo dos dois irmãos. Um deles justifica que era alcoólatra porque o seu pai também era. Outro já afirma que não bebia porque cresceu vendo o seu pai alcoólatra beber por isso decidiu ser diferente.
Não tem como saber o que um filho vai ser, muito menos podemos culpar pais ou o que quer que seja. Cada um é de um jeito, e todos são responsáveis por seus atos. Por isso não jogue a culpa no pai, quando ver o filho fazendo besteiras, nem trate com simplismo situações que são pra lá de complexas. Aprenda que existem questões que não são tão simples, entenda que nada justifica fazer o mal para o próximo, seja ele quem tenha sido.
-
ECOFILOSOFIA
O assunto ecologia tem estado em pauta nas notícias e meios de comunicação há muito tempo. É imprescindível notar o que a falta de cuidado e zelo têm feito com a natureza. Nos últimos meses, temos tido alguns exemplos destas atitudes ao assistimos queimadas acontecerem indiscriminadamente e as lamentáveis poluições com petróleo que causam um enorme estrago na biodiversidade marinha.
Ecologia é uma palavra que vem do grego oíkos (casa) e logia (estudo), podendo ser resumido como o “estudo do meio ambiente”, não se limitando é claro a apenas aos ecossistemas, mas também ao ser humano e o impacto que ele causa no meio (CHAMPLIN, 2013, p. 322). Sendo a ecofilosofia um outro ramo que estuda o tema, mas vai um pouco mais longe, pois se aprofunda um pouco mais nas questões humanas, suas prioridades quanto ao comércio e sua atitude empática quanto a natureza. Tudo o que o homem faz causa algum impacto, seja negativo ou positivo, sendo que quando falamos da natureza, temos que entender que somos responsáveis por seres no qual não possuem qualquer forma de se defender.
A Ecofilosofia nasceu em 1973, onde também foi chamada de Ecologia Profunda, sendo ela uma opção a ecologia rasa que estava sendo praticada na época, um de seus criadores foi o norueguês Arne Naes. O criador da Ecofilosofia acredita que só é possível o progresso quando este tem uma visão holística do seu meio e da sua interação com o planeta.
Ter visão holística é saber olhar o todo, é intender que no fim, tudo está interligado, sejam as nossas atitudes, como vivemos e como a sociedade consumista vive.
Talvez o grande problema do homem seja viver como se a natureza não tivesse fim, como se os recursos fossem inesgotáveis, como se o mundo suportasse tanta exploração.
Olhar para o mundo e aprender a ser um consumidor consciente, que preserva, separa o lixo, ou olha para a natureza com mais cuidado, é ser uma pessoa que olha para o futuro.
Quando não olhamos para o presente e não mudamos nossas atitudes, caímos no perigo de desconstruirmos o futuro, sem deixar algo para as próximas gerações. Ou o pior, deixando um problema enorme para eles resolverem.
BIBLIOGRAFIA
CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia, SÃO PAULO, HAGNOS, 2013.
MELO, Priscila. Ecofilosofia. Disponível em:
https://www.estudopratico.com.br/ecofilosofia-o-que-e-como-surgiu-e-suas-visoes. Acesso em: 28 out. 2019.
-
ÉTICA
“Ética é quando você age certo mesmo
Guilherme Augusto.
podendo agir errado”.Eu cresci em um contexto onde a frase: “o mundo é dos espertos”, era lei. Com isso, foi inevitável ver amigos tentando levar vantagem em tudo. A verdade é que desde novo eu nunca gostei muito desta frase, pois aprendi já cedo, a me colocar no lugar das pessoas, e ao me colocar, eu não me senti feliz em enganar alguém.
Quando escrevi este aforismo eu estava em um grande dilema, vendo amigos resolver certa
situação através de atalhos e caminhos desonestos, sendo que eu preferi seguir o
caminho certo, mesmo com a possibilidade de não conseguir resolver, e foi o que
acabou acontecendo.Nunca me arrependi de pegar o caminho certo e sou consciente de que às vezes o meio
certo de se fazer é o mais complicado, mais esburacado, e com muito mais
dificuldades, contudo, eu nunca me arrependi de proceder de forma correta.Aprendi com o tempo a não me vender, a não trair as minhas crenças, a tentar ter sempre
mais ética do que emoção. Penso que viver de acordo com o que falamos, não tem
preço. Quem pega atalhos perde a paisagem, deixa de aprender a lição que o
caminho poderia lhe proporcionar, e acaba por não crescer.Ser ético é ter a consciência que você pode até perder, aos olhos de alguns, mas
você está ganhando, por estar agindo conforme acredita, crendo que o caminho do
jeitinho, da desonestidade, não é o melhor.Eu fui uma pessoa muito mentirosa quando era adolescente e desde que eu perdi este
hábito, descobri como não tem preço falar a verdade, e viver com ética e
coerência. É impagável você falar e a outra pessoa acreditar em você, não tem
dinheiro que pague você ser a pessoa no qual os outros confiam por saber que
você não vive na falsidade.Quem não tem ética está sempre à margem, tendo que lidar com inúmeras situações
embaraçosas que a falta de ética traz. Quem vive dando um jeitinho é conhecido
por isso, tendo que arcar com as consequências de ser uma pessoa no qual nem
todos confiam. -
GOSTAR E RESPEITAR
“Nem sempre posso controlar o que sinto a respeito de outra pessoa, mas posso controlar como me comporto em relação a outras pessoas” (HUNTER, 2004, p. 77)
Em meu primeiro dia de aula do bacharelado em teologia, ouvi algo no qual nunca mais esqueci. Estávamos reunidos na capela da faculdade para recebermos as boas vindas antes que fossemos todos para as nossas classes, quando o reitor, em sua palavra inicial, pontua algo que nunca mais me fugiu da mente, ele falou: “Aqui você não é obrigado a gostar de ninguém, mas tem a obrigação de respeitar a todos”. A frase me chocou, pois eu nunca havia pensado por este viés.
Aprendemos através das escrituras a amar nossos inimigos (Mateus 5:43-44), só esquecemos que amar não é gostar, e sim, ter uma atitude positiva para com o próximo, mesmo não gostando dele. Sentir é algo natural, vem com o ser humano, não dá para escolher não sentir. Mas agir de forma respeitosa é possível, principalmente quando a nossa atitude não é calcada nos impulsos e emoções.
Alguns dos meus melhores amigos eu não gostei assim de pronto. Houveram alguns que no começo tive uma impressão diferente, não muito positiva, contudo ao ter uma boa atitude, ao respeitar e aceitá-lo, pude conhecer alguém que de primeira não havia conhecido.
Você não domina o que sente, mas consegue controlar o seu comportamento. Não somos obrigados a gostar, mas a respeitar sim, não tenha dúvidas. Por isso aprenda que gostar é uma coisa, e respeitar é outra, muito diferente. Dê uma chance a quem você não gosta e aprenda a não só respeitar, mas também a entender e a conhecer. Às vezes por termos certas conclusões, deixamos de conhecer quem realmente a pessoa é.
Quando conhecemos uma pessoa, passamos a ter um outro ponto de vista, muito mais fundamentado e coerente. Nem todos são como imaginamos, nem todos tiveram as mesmas histórias e experiências, por isso respeite a história de cada um.
Respeitar não é gostar, sendo que, por mais que você não controle o que sente, pode com certeza controlar a sua atitude. Amar é um verbo e verbos são ações, não precisa de sentimentos, apenas o agir de forma positiva.
BIBLIOGRAFIA
HUNTER, James C, O monge e o executivo: Uma história sobre a essência da liderança, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2004.
-
O ISENTÃO
Eu me considero um crítico, pelo menos em curta escala, tento não engolir teorias sem refletir, pensar e pesquisar, coisa que eu tenho feito muito nesse nosso período político polarizado.
Hoje em dia você tem que estar em um lado, a ideia primordial é que existe uma guerra, o bem e o mal estão brigando, com isso, ou você está de um lado, ou de outro. É esquerda contra direita, religioso contra ateu, burguês contra capitalista.
Normalmente, quando se trata de conceitos humanos, eu sempre estou com um pé atrás. Não creio em uma ideia perfeita, principalmente quando vindo de pessoas. Por isso, em meio a discussões políticas, muitas vezes tenho receio de tomar um dos lados. Afinal, eu tenho críticas para ambas as formas de pensar, não acredito em um modelo de governo infalível, é por conta disso que costumeiramente faço críticas aos dois lados. Na linguagem popular, eu algumas vezes sou chamado de isentão, o cara que não tem um lado, o cara que critica ambas as formas de pensamento, como se não tivesse outras formas de pensar se não esquerda e direita.
Nos estudos de lógica, este tipo de pensamento tem o nome de Falso Dilema, é uma forma de pensar que acredita que só existem duas formas de agir. Não existem outros conceitos ou outros caminhos, se você não está de um lado, com certeza está do outro. Esta forma de pensar é simplista e é alheia a reflexão, afinal, o mundo é muito mais que apenas duas ideias, duas teorias, dois modos de pensar.
Existe um problema quando falamos de política, temos sido governados de forma incompetente e não temos feito progresso algum há alguns anos. A corrupção tem sido endêmica, e, por mais que investigações tenham sido feitas, a justiça acaba sempre por não ser aplicada, e corruptos impunes seguem como se nada tivesse acontecido.
Outro problema são as regalias, o governo é montado em mamatas, com auxílio paletó e gastos dos mais supérfluos, como se o dinheiro do contribuinte fosse capim. E isso também não tem mudado.
Há anos que eu vejo o humor denunciar a corrupção e os gastos exagerados, mas a população continua apática, fundamentando seu discurso na frase “ele rouba, mas faz”.
Costumeiramente sou chamado de isentão por tecer críticas aos dois lados, e por não tomar partido das formas de pensar da moda. A questão é que eu tenho o meu partido, mas a minha pauta política é muito mais que esquerda ou direita, economia liberal ou o que quer que seja. Eu busco por mudanças, por um país sem corrupção e sem regalias.
É preciso posicionamento, é importante termos olhos críticos e não deixar de fazer críticas e até elogios pelos erros e acertos do presidente que for. Há tempos atrás eu ouvi em todos os lados a frase “eu não tenho político de estimação”, uma frase boa, mas que é hipócrita, pois na maioria das vezes ela só é falada, e depois esquecida.
Ou aprendemos a nos posicionar como cidadãos, cobrando os políticos, nos informando e acompanhando o que eles têm feito, ou seguimos a correnteza, como um animal morto, sem ação alguma.
Um povo dividido é uma nação enfraquecida, sendo que, enquanto seguimos com o nosso lado, os políticos se unem e continuam a usar o governo como forma de apenas ganhar dinheiro.
-
FILOSOFIA DA RELIGIÃO
Desde que o ser humano existe ele cultua, a história deixa isso bem evidente e a arte com suas inúmeras manifestações artísticas, a religião e até a música, já foram e ainda são instrumentos para expressar o sagrado.
O sagrado sempre fez parte da vida humana, seja para explicar algo, dar alento ou ter algo no qual depositar a esperança.O Interessante é que se você olhar para a história, você sem dúvida vai ver o homem e a religião sempre andando juntas. Seja Confúcio e os seus primeiros sistemas de ensino. As escolas judaicas e o seu incrível comprometimento com os estudos. Ou o próprio cristianismo e toda a herança que eles deixaram para a educação, isso só para citar algumas religiões mais conhecidas.
O tema religião é bem delicado, pois é normal neste universo filosófico, associarmos religião com atraso, violência e falta de cultura. Por isso, que antes de qualquer conclusão é importante nos despirmos do preconceito e nos vestirmos com muita informação e estudo. A religião sempre esteve presente na história da humanidade, e ao contrário do que muitos concluem, ela já ajudou muito, coisa que o senso comum nem sempre enxerga, mas que um bom filosofo, estudioso ou religioso deve compreender.
A manifestação do sagrado passa pelas compreensões culturais, pelas experiências e costumes de cada grupo, é por isso que pesquisar, ler e buscar conhecimento é fundamental para podermos fazer boas críticas. Mas afinal, o que estuda a filosofia da religião? Adriano Antônio Faria pontua que:
“A filosofia da religião é um ramo da filosofia que investiga as origens e a natureza do fenômeno religioso e estuda a influência da religião no comportamento humano e nas sociedades. A expressão filosofia da religião começou a ser utilizada a partir do século XIX, sob a influência de Hegel, e analisa o conceito de divindade ao longo da história e como Deus é entendido em algumas tradições culturais e religiosas em particular” (2017, p. 30).
Resumindo, ela busca responder o que é religião, qual é a sua influência na sociedade no qual ela está estabelecida e como em geral o homem concebe a ideia de deus. Vale lembrar que não podemos olhar a filosofia da religião com uma visão religiosa, e muito menos com um ponto de vista confessional. O verdadeiro olhar deve ser o crítico, racional e argumentativo (FARIA, 2017, 30).
O termo religião vem do latim religare, que significa religar, atar (CHAMPLIN, 2014, p. 637), sendo que o próprio termo já resume um pouco a busca humana por fé nestes séculos todos, pontuando como o homem é incompleto, precisando se ater a algo para sobreviver.
Segundo alguns estudiosos existem inúmeras definições do termo religião, o que torna o desafio impraticável. Para Martin Riesebrodt, religiões são: “sistemas de práticas relacionadas com poderes sobre-humanos” (ZABATIERO, 2016, p.20), sendo a adoração o ponto central desta teoria, e tendo o conceito de salvação como o diferencial que separa o homem dos outros modos de pensar (ZABATIERO, 2016, p.20).
Já Dennett define religião como: “sistemas sociais cujos participantes professam crença em um ou mais agentes sobrenaturais cuja aprovação deve ser buscada” (ZABATIERO, 2016, p.20). Separando assim as crenças individuais que podem ser denominadas de espiritualidade. Lembrando que o monoteísmo não define a religião. A mesma pode ter um ou mais deuses e pode também não estar atrelada a conceitos morais. Sendo que o mito da criação do mundo, igualmente não a define, pois nem todas têm este mito como tema central em seus ensinamentos, embora muitas tenham (RODRIGUES, 2019).
E quando estudamos a religião a luz da filosofia, temos muito mais definições, aumentando ainda mais nossos desafios, mas uma coisa temos certeza, o homem sempre cultuou, isso é inegável.
Outro desafio é definir o conceito de sagrado e profano, pois no fim, os conceitos vão variar conforme cada forma de estudo, no olhar da filosofia da religião podemos definir como “alguém que tem uma experiência com o divino, que normalmente causa uma mudança de comportamento e jeito” (FARIA, 2017, 152). Champlin complementa pontuando que: “Este adjetivo aponta para a qualidade sacra de algo” (CHAMPLIN, 2013, p. 32).
O sagrado pode ser tanto relativo a um deus, um rito, a algo ou alguém que teve certo contato com o divino, um contato que faz com que o homem tenha uma mudança. O sagrado é algo santo, intocável, venerável. Para Eliade (2001), o sagrado é uma experiência e, assim sendo, está no próprio homem.
Respeitar não é aceitar a crença do outro, e sim, considerar a liberdade de crer e cultuar que cada ser humano tem. Eu creio em Deus, tenho a minha fé bem embasada, mas não posso impor, e muito menos convencer, já que quem convence é o Espírito Santo, contudo eu preciso respeitar, e defender a liberdade de cada um.
Por mais que somos cristãos, é fundamental entendermos e respeitarmos todas as religiões. Compreender o direito individual é sem dúvida defender a liberdade de todos, inclusive a nossa, por isso, aprenda a não impor.
BIBLIOGRAFIA
CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. 10° ED. SÃO PAULO, HAGNOS. 2011.
FARIA, Adriano Antônio, Filosofia da religião, Editora Intersaberes, Curitiba, 2017.
RODRIGUES. Lucas. de Oliveira. O que é religião. Disponível em: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/sociologia/o-que-religiao.htm Acesso em: 09 Ago. 2019.
