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METAMORFOSE
Quando eu era mais novo eu tinha um amigo muito divertido, ele era o alto astral em pessoa. Não conseguia ver ninguém triste sem chegar ao seu lado e levantar os ânimos. Quando saíamos, se o amigo ao lado não tivesse dinheiro ele dava um jeito. E se a pessoa precisasse de ajuda, seja ela qual fosse, ele sempre estava bem disposto a colaborar. Na vizinhança ele era conhecido por seu bom humor, era a sua marca pessoal, até que ele conheceu a Jesus. Dizia a nós que a sua vida havia mudado e que agora ele tinha conhecido a verdadeira alegria, estranhamos na hora, mas respeitamos.
O problema era que aquele amigo aos poucos se distanciou, já não tinha mais tempo para os amigos e pasmem, nem para a família. Ele falava que ir a igreja tomava o seu tempo e a prioridade dele era ir à casa do seu Deus. O mais estranho era que aquele homem que outrora era bem humorado e que não se afastava dos seus, não priorizava mais aquelas pessoas e muito menos tinha mais aquele seu jeito bem humorado e brincalhão, que outrora era parte de sua maneira de ser. Aos poucos o grande e feliz amigo passou a parecer outro, vivia com o semblante sério, e buscava estar longe do “mundo”, sem conviver mais com os amigos pecadores, pois não eram boas companhias, era o que ele dizia.
Passou-se muito tempo até que este amigo conhecesse a Bíblia, e aprendesse a ler e estudá-la de modo sério e coerente, este rapaz descobriu que muitos dogmas da igreja não tinham base Bíblica, e que o futebol de fim de semana que ele tanto gostava não era pecado. Ele leu na Bíblia sobre Jesus e como aquele homem convivia com excluídos, prostitutas e gente desonesta, percebendo assim que um bom cristão é luz e sal para estas pessoas. Este homem aprendeu também que aquela linguagem falada na igreja era totalmente desconhecida e que falar a linguagem das pessoas comuns era imprescindível para uma boa evangelização. Ele aprendeu também que o exemplo pessoal fala muito mais do que ficar tagarelando sobre Deus o tempo todo, e orar, ajudar, caminhar junto com as pessoas é uma evangelização muito mais eficaz.
O problema era que ele já tinha se transformado em outro, a religião fez com que os seus amigos se distanciassem dele e vissem ele como um cara chato e pedante, alguém que ninguém queria conviver.
Esta
narrativa não é de uma pessoa apenas, já vi esta história se repetir inúmeras
vezes. Foram muitos os que eu conheci que depois de conhecer a Jesus, se
distanciaram das pessoas.Não é preciso se separar das pessoas para se viver o evangelho. Ser cristão não é estar em um gueto fechado, ao contrário, é seguir o ide, é estar entre a multidão, é dar o exemplo. E exemplo só é possível dar em meio às pessoas.
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FONTE DA JUVENTUDE
Cresci lendo livros sobre fontes da juventude, sobre vampiros imortais e coisas do tipo. Para uma criança a eternidade é interessante, para elas ter a vida toda para fazer o que quiser é o máximo, até crescerem e perceberem que a questão não é bem assim.
Quando li Drácula de Bram Stoker percebi que a sua longevidade era um castigo e não um dom, viver sofrendo eternamente era o seu tormento. Mas quando olho para a Bíblia e leio sobre um Deus eterno, sem princípio e nem fim, que não fica entediado além de ser amor, paz, vida, eu fico muito impressionado. Augusto Cury complementa:
“Esse Pai imortal que deveria ter sido asfixiado pelo tédio parece ter vivido uma espantosa tranquilidade em toda a sua história existencial” (CURY, 2006, 47)
É por estas e outras que a meu ver a explicação mais coerente deve se resumir em apenas afirmar que “Ele é Deus”, e isso basta, pois explicar um ser tão intrínseco é impossível. Poderíamos passar a vida toda analisando Deus, se isso fosse possível, e mesmo assim não o entenderíamos. Qualquer conclusão nossa sobre Deus vai ser sempre pequena e simplista, a saída é crer e confiar.
Vida eterna sem Deus é sempre pouco, viver para sempre, mas mergulhado no pecado é um sofrimento, uma angústia interminável e apesar de eu não saber como explicar um Deus que é eterno, mas ao mesmo tempo é vida, poder, criatividade, de uma coisa eu tenho certeza, viver seguindo seus passos é sempre ir de encontro à vida. Jó 21:22 diz:
Ora, será possível que alguém possa acrescentar algum conhecimento ao Todo-Poderoso, que julga também os seres celestiais?
Não é possível, seja entender, ensinar ou quantificar o mínimo do que Deus é. Um Deus explicável por qualquer ser humano finito, provavelmente não é Deus, ao contrário, deve ser apenas uma cópia barata do ponto de vista caído do ser humano.
No fim a fonte da juventude vai ser sempre um tormento para quem não tem Deus. Desejar viver eternamente no pecado e longe dele é no mínimo uma loucura. Não há opção mais insana do que viver uma vida eterna no pecado e sem Deus.
Sem Deus caminhamos perdidos, a esmo, sem direção, sem Deus uma eternidade é um tormento, com ele, um minuto é uma vida inteira.
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ANO NOVO E ATITUDES NOVAS
É só mais um ano, entenda isso, nada vai mudar se você também não mudar. Não adianta reclamar se você continuar com a mesma atitude, não adianta torcer por um ano melhor se você continuar tendo as mesmas ações. Alguém já disse que: “Insanidade é fazer a mesma coisa esperando resultados diferentes” se não mudarmos, nada vai mudar e seguiremos reclamando, sem muito efeito.
O bom do ano novo é poder fazer planos, é começar alguma coisa nova e crescer. Quem faz a mesma coisa fica estagnado, quem vive por viver segue ancorado. A vida não é fácil para a maioria, entenda que todos têm problemas e passam por dificuldades, você não é o único, mas é possível planejar e com um passo de cada vez ir seguindo os nossos objetivos e sonhos.
Eu não posso reclamar de 2019, tive muitos problemas, mas também conquistei algumas coisas, contudo eu tive que planejar, estudar e ralar muito, nada vem fácil.
Que Deus nos ajude a sonhar, que possamos aprender a planejar e seguir nossas metas, sem esquecer que a prioridade é estar no centro da vontade do Pai. Eu sei que pode ser difícil conseguir, a questão é que parado com certeza não teremos sucesso algum.
Caso não consigamos, nós podemos aprender e crescer com as dificuldades, para planejar melhor e acertar no outro ano, só não podemos ficar parados. -
RELACIONAMENTOS CRISTÃOS
“Pode-se dizer mais sobre um monge a partir da forma pela qual usa a vassoura do que por qualquer coisa que diga” (Thomas Merton) (YANCEY, 2004, p. 64)
Trabalhei em uma empresa, há muitos anos, onde o dono era muito colaborativo, além de muito acessível. Ele cumprimentava a todos, dava atenção a quem quer que fosse, e se fosse preciso ele colocava a mão na massa, coisa que fez inúmeras vezes, sem esquecer que não se tratava de uma empresa pequena. Não era raro vê-lo de terno e gravata, em meio aos muitos funcionários, carregando caixas quando era preciso. Sempre que penso em um líder humilde e acessível, eu me lembro dele.
Tal citação de Thomas Merton não pode estar mais certa, eu só mudaria de monge para cristãos. Pois, afinal, o modo no qual nós nos relacionamos, diz muito de nós.
Em um mundo dividido em méritos, degraus e classes, não tem nada de anormal ver o próximo como estando em posições diferentes das nossas. A questão é que a graça nos obriga a sair deste padrão, a entendermos que no fim estamos na mesma mão, pois fomos alcançados pelo amor de Deus, mesmo sem merecer. A graça nos nivela, nos faz olhar o próximo com o mesmo amor no qual Deus olhou para nós.
Aquele meu antigo chefe, que eu falei no começo do texto, não media esforços para atender a sua empresa. Para que o negócio fosse para frente, ele colocava a mão na massa se precisasse e não pedia tempo desvalorizando um funcionário. Ele sabia a sua importância dentro da empresa.
No reino não é diferente disso, nenhum trabalho é pequeno, nenhuma função é menos importante que a outra. Pois, no fim, todo o trabalho é para a honra e glória de um só Deus e fundamental para que a obra avance e cumpra o seu ide.
Uma vida que se distancia de um cabo de vassoura é certamente uma vida que não entendeu o evangelho. É claro que alguns trabalhos trazem consigo mais responsabilidades, mas não nos faz superiores. Só há um superior, só há um no centro de tudo, o resto é categorização humana.
BIBLIOGRAFIA
YANCEY, Philip, Rumores de outro mundo, A realidade sobrenatural da fé, Editora Vida, São Paulo, 2004.
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HUMILDADE
Naquela ocasião Jesus disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos, e as revelaste aos pequeninos. (Mateus 11:25)
Tenho receio de pessoas orgulhosas, que se colocam como os melhores, os que sabem de tudo. O orgulho não combina com uma pessoa que está aberta ao aprendizado. A humildade é a marca dos verdadeiros sábios, e principalmente a marca de quem serve a Deus. Eu desconfio de cristãos orgulhosos e prepotentes, tenho um pé atrás quando conheço alguém que se coloca como sabichão, o dono da verdade.
O texto em questão fala das pessoas que se apoiam em sua própria sabedoria, uma sabedoria contaminada pela soberba:
“O que Jesus ensinou em Mateus 11 não é que Deus ocultou a verdade às pessoas inteligentes, mas que, aqueles que se apoiam em sua própria sabedoria, separam-se da verdade. A sabedoria e inteligência deles estão corrompidas pelo orgulho” (MACARTHUR, 2015, p. 147)
O orgulho é um veneno, uma erva daninha que corrompe a mensagem do evangelho. Um cristão orgulhoso se esquece de quem ele é, do quão falho e podre é a sua vida, e do quanto precisa olhar para a cruz para seguir. A humildade é uma das marcas do cristão, é o sinal de quem realmente entendeu a mensagem do evangelho, de quem realmente é maduro na fé. Eu gosto do que Philiph Yancey fala no livro Maravilhosa Graça sobre a fé madura
“Em outras palavras, a prova da maturidade espiritual não é quanto você está “puro”, mas sim, a conscientização da sua impureza. Essa mesma conscientização abre portas para a graça” (YANCEY, 2012, p. 187)
Esta é a fé madura, pois sabemos que quando somos novos convertidos, fazemos muitas besteiras e às vezes beiramos ao legalismo, mas quando estudamos, somos discipulados, oramos e aprendemos isso muda, ou devia mudar, pois infelizmente alguns nunca amadurecem na fé.
Não existe espaço para orgulho no cristianismo, é uma tremenda contradição de quem segue a Deus ser cristão e orgulhoso ao mesmo tempo. Pois a base do cristianismo é o arrependimento, é sabermos quem somos e o quando precisamos de Deus. Um cristão deve ser humilde, ou pelo menos lutar para que a cada dia seja. Afinal, somos salvos pela graça, não por obras, não temos a capacidade de entender as verdades espirituais por nós mesmos, somente através da revelação divina, e somos dependentes de Deus e não de nossa própria força, enfim, tudo aponta para a nossa falta de capacidade.
“Quem pode obter salvação? Aqueles que, como crianças, são dependentes e, não, independentes. Os que são humildes, não orgulhosos. Os que se reconhecem incapazes e vazios. Cônscios de que nada são, os “pequeninos” voltam-se para Jesus em dependência absoluta” (MACARTHUR, 2015, p. 147)
Entre todas as marcas de uma conversão genuína, a humildade é uma delas, e essencial para uma vida cristã coesa. Tudo começa dentro de nós, uma transformação tão profunda que reflete em nossa conduta e jeito de ser. É algo que começa dentro de nós, no interior e reflete no exterior. É impossível sermos tocados, sem termos nossa vida transformada, sendo a humildade um dos frutos, entre os tantos que Gálatas 5:22-23 enumera.
BIBLIOGRAFIA
MACARTHUR, John, O evangelho segundo Jesus, Fiel Editora, São Paulo, 2015
YANCEY,Philiph, Maravilhosa Graça, Editora Vida, 2012
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CONTRACULTURA CRISTÃ
Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente,
para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita
vontade de Deus (Romanos 12:2).Gosto muito de ler sobre Cristo nos evangelhos, não só por conta de suas atitudes, nem só pelos seus ensinos, mas também pelo seu posicionamento que ia totalmente na contramão da sociedade da época. Com isso, quando eu vejo cristãos delimitando o pensamento de Jesus, eu não entendo, por saber que o seu relato é claro, seu posicionamento apartidário foi explícito na Bíblia, basta ler sem muito cuidado, para perceber. Com isso, colocar Jesus como um comunista, socialista ou um homem que acreditava em méritos, é meio que atestar que você não leu sobre ele, por isso, não se anime muito em usar Cristo para validar seus pensamentos, pois ele não valida.
No âmbito religioso, Cristo foi claro, seu discurso foi veemente, ele não deixou qualquer espaço para dúvidas ao combater o legalismo da época. Jesus bateu de frente com a falsidade e a religiosidade hipócrita e meritória e mostrou como o homem por si só muitas vezes se engana e mergulha em uma religiosidade de aparência.
Não se esqueça de que o exemplo bíblico serve também para nós, quando nos consideramos santos, tão santos que não nos misturamos com algumas pessoas e acabamos por circular apenas em nossos guetos, ficando alheios ao ide, e viramos as coisas para a missão de proclamar o evangelho. É fácil cair no legalismo, é fácil achar que se está por cima, sem ver o quão perdido estamos.
A parte mais interessante, que a Bíblia inclusive deixa explícita, escancarada para todos verem é: “como Jesus se dedicava em cuidar dos excluídos do seu tempo”. Todos os que a religião virava as costas, Jesus dava a mão, sejam as prostitutas, os doentes, os mendigos ou pobres, Cristo acolhia a todos com uma humildade que só ele tinha, mesmo sendo Deus e tendo “motivos” para ser arrogante. Vale lembrar que não foram só os pobres que ele acudiu, os cobradores de impostos, que eram ricos, e até alguns religiosos, ele também recebeu, conversou e não deixou de dar atenção. No fim, quem não seguiu Jesus, assim o fez por ter feito uma escolha, não foi por falta de oportunidade.
Outra parte interessante era que por mais que ele curava, ele não obrigava ninguém a segui-lo, sua vida não era pautada pela barganha. Ela fazia, dava atenção e ajudava, o resto era com a pessoa. O Jovem rico não quis segui-lo, para ele o dinheiro era mais importante, mas Cristo não deixou de lhe dar atenção. Os dez leprosos foram curados, mesmo que apenas um tivesse voltado e se arrependido dos seus pecados. A vida cristã não deve ser regida como moeda de troca, mas com a graça de Deus tendo o ponto de partida uma única verdade: “só ele é o caminho”.
Mas Cristo não foi só subversivo com a igreja, com a política ele também foi, afinal a sua atitude revelou que a sociedade precisava de um novo reino, um reino que não era deste mundo, um reino mais perfeito e justo. Jesus sabia que do homem só poderia vir coisas falhas, limitadas e egoístas, é por isso que ele não demorou em apontar um caminho, em estabelecer um novo modo de proceder, em apontar para atitudes que não são moldadas segundo o padrão deste mundo. Paulo falou para não nos amoldarmos ao padrão do mundo, com certeza ele é um ótimo exemplo, mas Jesus personificou de forma muito mais clara e correta este ensino, afinal ele é o padrão.
No fim, o modo como vivemos, como enxergamos tudo, nos define, sendo que alguns preferem se definir como capitalistas, comunistas, socialistas ou sei lá mais qual padrão, enquanto outros seguem o evangelho de forma muito mais prática e consonante com o ensino de Jesus.
Eu não gosto de colocar Cristo em uma categoria, pois ele viveu acima de tudo, mostrou que o evangelho é muito mais do que formulas predeterminadas. Ser cristão é muito mais do que uma frase, é uma forma de viver que deve estar introjetado em nossa vida. Brennan Manning pontua que:
“A espiritualidade não é um compartimento ou uma esfera da vida. Antes, é um modo
de viver – o processo da vida a partir da perspectiva da fé” (MANNING, 2007, p.
54).Cuidado com o padrão deste mundo abra o olho para as sutilezas que invadem o seu coração pouco a pouco e entenda que é preciso “ser” para fugir dos pontos de vistas humanos. Pois no fim, pode ser que você ache que está seguindo a Cristo, mas está seguindo apenas a si e seus pontos de vista.
Olhe para a cruz e entenda que o padrão que temos que seguir é outro, o molde é segundo a Bíblia e não segundo o que temos como ponto de vista. Não pince versículos bíblicos, aprenda a estudar e crescer com os ensinamentos que partem da palavra e não apenas do que você acredita.
Bruno Wedel.
BIBLIOGRAFIA
MANNING, Brennan, O impostor que vive em mim, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2007
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CARIDADE TÓXICA
O tema caridade é bem complexo, e quando discutido, quase nunca gera uma opinião unânime. Principalmente quando o tema descamba para a falta ou não de oportunidades. Em um país onde temos que ralar bastante para tentar conseguir alguma coisa, nem todos aceitam a falta de oportunidades como desculpa para pedir dinheiro.
No polêmico livro do pastor Yago Martins, ele discute justamente este tema, aliás, ele vai mais a fundo e resolve ir para as ruas para entender de perto o tema caridade e o que ela gera na sociedade. No final, após um ano como um mendigo disfarçado, ele pontua justamente como a mendicância se tornou uma máfia, e como a caridade muitas vezes torna os necessitados dependentes de uma espécie de caridade tóxica.
É importante entender que ao contrário do que diz o ditado popular “Fazer o bem sem olhar a quem”, devemos sim olhar a quem estamos ajudando, para assim amparar aquele que realmente precisa. A caridade feita de qualquer forma pode gerar pessoas dependentes, que acreditam que os outros devem ajudá-lo por conta de sua condição.
Outro ponto interessante que ele trabalha no livro é como a caridade serve para alguns religiosos se sentirem bem, como uma espécie de massagem no ego ou uma forma de se autoafirmar, pelo menos de forma indireta. Mostrando como ele é uma pessoa boa, caridosa e prestativa. No final, acaba sendo uma troca, a pessoa ajuda e recebe em troca uma massagem no ego.
O auxílio deve ser sempre bem pontuado, oferecendo alimento, mas também proporcionando suporte espiritual, físico e mental. Dando-lhe oportunidade de sair das ruas e fazer com que caminhe com suas próprias pernas. E acima de tudo, separando quem não quer ajuda dos que realmente querem e têm vontade de olhar para frente e continuar.
Quando criamos pessoas dependentes, incentivamos mesmo sem querer, que alguns não se desenvolvam e fiquem apenas na dependência. É importante a pessoa assumir as rédeas e aprender a caminhar com suas próprias pernas. O autor do livro usou a citação de Lupton, que creio que resume bem o assunto:
“Quando o alívio à dificuldade não serve de transição para o desenvolvimento de forma oportuna, a compaixão torna-se tóxica” (MARTINS, 2019, p. 211).
Há mais ou menos 20 anos atrás trabalhei na rua, por conta disso, não me surpreendi com os relatos do livro do pastor Yago. Na rua todos sabiam quem oferecia janta e almoço de graça. Quais eram os albergues e onde conseguir pizza e salgadinho à noite. Era bem como o autor falou, tínhamos um cardápio, e bem variado, que quase sempre não falhava. Não era uma vida fácil, embora a falta de compromisso fizesse tudo valer a pena.
É claro que não podemos generalizar, muitos dos que estão na rua precisam de ajuda, contudo, existem os que fazem da mendicância uma forma de viver, por isso, é preciso mergulhar mais no assunto, entender mais o ambiente, para que possamos ajudar as pessoas que realmente não tem oportunidade e precisam de ajuda.
A caridade tóxica é feita de qualquer jeito, sem olhar para as pessoas e entender sua situação e as suas necessidades. Algumas vezes é preciso muito mais que dinheiro, é preciso ouvir, caminhar com a pessoa, mostrar a saída.
Ou nos comprometemos ou sairemos às ruas apenas para distribuir coisas, como se coisas realmente fizessem diferença na vida das pessoas.
BIBLIOGRAFIA
MARTINS, Yago, A máfia dos mendigos: Como a caridade aumenta a miséria, Editora Record, Rio de Janeiro, 2019.
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FALTA DE CONHECIMENTO
Sócrates, um dos maiores filósofos de todos os tempos, sustentava a ideia de que o homem pecava por conta da falta de conhecimento:
“Sócrates sustenta que o que faz um homem pecar é a falta de conhecimento, se soubesse, não pecaria. A causa dominante do mal é, portanto, a ignorância. Assim, para alcançarmos o bem, precisamos possuir conhecimento, logo, o bem é conhecimento” (RUSSELL, 2017,p. 66).
Não creio que o que faz o homem pecar seja a falta de conhecimento, contudo, acho que Sócrates tem sim uma pontinha de verdade, afinal, erramos muito por não conhecermos, por sermos ignorantes, principalmente quando falamos da Bíblia.
Continuamente vemos pessoas seguindo falsos ensinos, falsos pastores, por não conhecerem a palavra. É constante cometermos erros, ou conclusões equivocadas, por não termos conhecimento do assunto. Provérbios 10:14 diz justo isso:
“Os sábios acumulam conhecimento, mas a boca do insensato é um convite à ruína”.
Os sábios se informam, buscam conhecer, tentam falar do que eles conhecem, mas o insensato fala somente do que não sabe e o pior, muitas vezes fala como se soubesse, gosto de uma citação que resume bem estes:
Ensine a tua língua a dizer: “não sei!”, caso contrário serás pego dizendo tolices (BONDER, 2010, p. 174).
Tudo começa com a frase não sei, quem acha que sabe de tudo, não sabe. A falta de humildade e de conhecimento faz o indivíduo se considerar alguém fechado, que não precisa mais do saber. Porém o sábio sabe quem é, ele entende que o conhecimento é infinito, e inesgotável, ele sabe que não sabemos e nem vamos saber de tudo, pois o conhecimento é inesgotável.
Eu tenho medo dos que muito falam, tenho receio dos que emitem opinião sem base e coerência aos seus pontos de vista. Quem realmente sabe opina sobre o que conhece, sobre o que tem certeza, agora a pessoa que não sabe, prefere os enganos que uma mente orgulhosa produz.
Falar é fácil, até papagaio fala, agora emitir uma opinião coerente, baseado em bibliografias e estudos, que é o desafio. Por isso se informe e fale do que você realmente sabe. Existem vários caminhos para o aprendizado, basta pormos em prática e nos aprofundar. Quem não se informa vive no escuro, segue opiniões falsas, peca por conta da falta de conhecimento. Agora já quem se informa está sempre aprendendo, revendo seus conceitos, buscando a verdade.
BIBLIOGRAFIA
RUSSEL, Bertrand, História do Pensamento Ocidental, Editora Nova Fronteira, 21. ed, Rio de Janeiro, 2017.
BONDER, Nilton, A cabala da inveja, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2010.
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A ESPIRITUAL ARTE DE ESTUDAR
“Se eu tivesse apenas três anos para servir a Deus, gastaria dois deles estudando” (Donald Barnhouse) (STOTT, 2012, 68)
É triste ver cristãos que não levam a sério o estudo. Criou-se em algumas igrejas uma crença que o estudo não é importante. Eu já ouvi cristãos afirmarem que existem os pastores que pregam com a teologia e outros com o Espírito Santo, uma frase que não tem como ser mais equivocada.
O estudo sempre fez parte da vida dos cristãos sérios, dos que são usados por Deus. Se você ler a história dos grandes homens de Deus vai notar que o estudo sempre andou lado a lado com a oração.
Creio que o grande problema é desligar a vida espiritual do estudo, é crer que a pessoa que Deus usa, não precisa estudar. Ler e manejar bem a palavra da verdade é nossa obrigação como a Bíblia nos avisa (2Timóteo 2:15). E saber dar a razão da nossa fé é também igualmente importante (1 Pedro 3:15). Tais passagens evidenciam a importância do estudo, de conhecer a Bíblia, de saber manejar e conhecer bem a Bíblia. Sendo que a teologia existe justamente para conseguirmos entender ainda mais a palavra de Deus.
Quem não se debruça nos livros, nem gasta tempo estudando, não é só preguiçoso, mas também mostra que não tem comprometimento com a Bíblia. Deus usa quem está preparado, que sabe do que fala e busca entender o que o texto bíblico realmente quer dizer. Você não sabe o quão espiritual é estudar e se preparar, você não sabe o quão legal é se dedicar a entender o texto, e saber aplicar a palavra de forma correta.
O problema de alguns é simplificar algo que não se simplifica, é achar que sem ler, vamos conhecer o que o texto bíblico diz, espiritualizando justamente o que não dá para espiritualizar.
O estudo é tão importante quanto a oração e tão espiritual quanto dobrar os joelhos e orar. Estudar a Bíblia é conhecer o que Deus está falando, é saber quais são as suas vontades, é ter base para viver uma vida que agrada Deus.
BIBLIOGRAFIA
STOTT, John, Crer é também pensar, ABU Editora, São Paulo, 2012
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INSATISFAÇÃO
A insatisfação não é de todo um mal, dependendo da forma como a usamos, ela pode ser um termômetro que aponta para a mudança. É normal nos acomodarmos, a estabilidade é boa, mas às vezes nos engessa. Ou o contrário, às vezes nos habituamos a uma vida instável, que só um sentimento de insatisfação nos tirará deste marasmo caótico.
Diante desta realidade, reclamar não é a saída, ao contrário, quem reclama não entende o poder da insatisfação e segue com atitudes ácidas, ações que pioram ainda mais a situação.
Comece olhando para a sua vida, pontuando o que você poderia mudar, evoluir ou fazer diferente. Olhe para as novas oportunidades, aprenda algo novo, ou se aperfeiçoe no que você já é bom para crescer ainda mais. Nunca é tarde para estudar, se aprofundar e aprender.
Passei por esta insatisfação há muito tempo atrás, não queria mais trabalhar na área no qual eu trabalhava, eu não sabia bem o que queria fazer, só tinha a certeza de que aquilo que eu fazia não me deixava mais feliz. Contudo, ao invés de reclamar, ou seguir tendo atitudes negativas, resolvi entender a minha situação e procurar uma saída e em meio a busca, redescobri muitas possibilidades, e hoje sou o que eu havia almejado há muito tempo, embora o plano estivesse adormecido, que é ser professor.
Foi à insatisfação que me fez recomeçar, estudar, buscar aperfeiçoamento e ir ao encontro das oportunidades. É ela que nos tira da zona de conforto, e nos faz seguir para novos ares. Foi ela que me fez ler mais, ter hábitos saudáveis, me aperfeiçoar na escrita.
Tudo começa com a insatisfação, este sentimento é ambíguo, pode te derrubar ou te movimentar, basta você direcionar a força para o sentido certo, ao invés de ficar estagnado reclamando, sem ir a lugar algum.
Caímos no comodismo de forma muito fácil, contudo quando bem usada, a insatisfação é um trampolim para novas oportunidades. É o ensejo de olhar para frente e ir em busca do novo.
Olhando para trás chego a me impressionar com os inúmeros pontos finais que eu dei, nunca achei que iria parar com alguns projetos, mas parei. Em contrapartida, concluo que se eu não tivesse encerrado, não sei se conseguiria me dedicar a algumas empreitadas no qual me dedico hoje. Tudo é questão de olhar para frente, de planejar e buscar crescimento, e alguns pontos finais nos ajudam com isso. É importante sair do lugar, fazer coisas novas ou buscar aperfeiçoamento sempre.
A insatisfação é uma bússola que nos move, nos mostra outras direções e aponta para o novo. Quem se inquieta se movimenta e progride. Quem se acostuma, engessa e não sai do lugar.
