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ÍDOLOS
Enquanto esperava por eles em Atenas, Paulo ficou profundamente indignado ao ver que a cidade estava cheia de ídolos (Referência: Atos 17:16-34).
O texto fala basicamente sobre ídolos, a parte curiosa é que quando falamos em ídolos, logo pensamos em estátuas, altares e cultos pagãos. A questão é que quando usamos as ferramentas da teologia para nos aprofundar no texto, descobrimos que ídolo não é só isso, e sim, tudo o que colocamos no lugar de Deus, ídolo pode ser tudo o que você coloca confiança.
Paulo chegou em Atenas e viu que muita gente confiava em seus próprios pontos de vista. Eles eram inteligentes, tinham muito conhecimento e sabedoria, o que não é nada errado, o problema é que eles confiavam apenas em seus deuses e em suas próprias filosofias.
A história conta que em Atenas existiam deuses para tudo, o local não era só o centro intelectual, mas também um lugar com muitos templos e ídolos.
O que eles tinham esquecido é que a própria história deles já evidenciava como aqueles deuses eram falsos. Paulo era um homem com muito conhecimento e quando ele viu a estátua ao Deus desconhecido, ele lembrou justamente da história que Don Richardson descreve na abertura do livro “O fator Melquisedeque”.
O autor conta que uma praga surgiu em Atenas, com isso, segundo a crença da época, algum deus devia estar irado com eles. Por isso, a fim de apaziguar a ira deste deus, os atenienses começaram a fazer sacrifícios a todos os seus muitos deuses. Com isso, esperava-se agradar ao deus que enviou a praga, coisa que não aconteceu. A praga continuou atrapalhando, nenhum deus quis ajudar. Com isso, procurou-se quem pudesse resolver tal questão, mas este não existia naquela cidade. Com isso, eles precisaram ir atrás do filósofo e poeta Epimênides (RICHARDSON, 2008, p. 09).
Segundo este filósofo, deveria haver um Deus desconhecido e muito poderoso no qual eles ainda não haviam recorrido, por conta disso, Epimênides propôs deixar algumas ovelhas sem pastar para de manhã, após uma oração a este Deus desconhecido, soltá-las. As ovelhas, mesmo que famintas, que se deitassem no pasto ao invés de pastar, iriam ser oferecidas ao Deus desconhecido, sendo este um sinal que o Deus havia ouvido. E isso aconteceu, pois misteriosamente algumas ovelhas ao invés de pastar, deitaram e naqueles locais foram erguidos altares para sacrifício, sendo que no altar a inscrição agnosto theo (ao Deus desconhecido), havia sido gravado. O resultado foi que a praga cessou, a cidade foi liberta daquela peste, e o Deus desconhecido foi louvado por todos. A questão é que ele rapidamente foi esquecido (RICHARDSON, 2008, p. 10, 11).
Esta foi a história que Paulo lembrou quando viu aquele altar, e foi com base neste acontecimento que o apóstolo aproveitou para pregar que aquele Deus desconhecido era o Deus que ele estava anunciando. Só há um Deus, e Paulo sabia disso, só um único Deus teria o poder de fazer o que foi feito naquela cidade, um Deus que havia respondido, mas que eles haviam esquecido rapidamente.
O homem tem este dom de esquecer, de ser tocado por Deus, de conhecer o seu poder, mas depois ceder as pressões ou tentações que o mundo coloca em nosso caminho. Ou pior, adorar a ídolos conforme a sua própria imagem, ídolos que não são reais, que são rascunhos de nós e nosso ponto de vista falho.
Deus fala da mesma forma que falou com aqueles atenienses, com os inúmeros profetas e também como fala conosco, a questão é que nós temos a tendência de esquecer. A vida boa e as facilidades tem o poder de apagar algumas importantes mensagens.
Ídolo é tudo o que colocamos no lugar de Deus, pode ser a profissão, sua própria força, ou o dinheiro. Tudo o que substitui Deus é um ídolo, e é justamente ele que nos afasta da verdade.
Cuidado com os ídolos, cuidado para não se esquecer de Deus e substituir ele por uma imagem falsa e sem sentido, um rascunho do seu hedonismo mortífero.
BIBLIOGRAFIA
RICHARDSON, Don, O fator Melquisedeque, O testemunho de Deus nas culturas através do mundo, Editora Vida Nova, São Paulo, 2008.
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ORTODOXIA
Muitos torcem o nariz quando ouvem a palavra ortodoxia. E geralmente atribuem este conceito a pessoas chatas, legalistas e que não tardam em acusar os outros, porém, isso é um erro. Ortodoxia significa fé correta, ou exatidão Doutrinária (OLSON, 2004, p. 54). E geralmente serve para indicar qual igreja realmente segue os ensinos de Cristo ou não, pois a igreja que segue um ensino ortodoxo, com certeza, segue um ensino firmado na palavra.
Neste cenário de pluralismos religiosos, definir qual igreja realmente é cristã é um desafio. Você encontra todos os tipos de igrejas, com inúmeras interpretações Bíblicas, unções de tudo quanto é tipo, pastores extorquindo dinheiro e tudo quanto é barbárie vindo de pessoas que seguem a máxima: “cada um tem a sua maneira de interpretar a Bíblia”, o que já é uma conclusão complicada. Porém é aí que entra a ortodoxia, definindo quem realmente segue a Bíblia ou quem segue os ensinos de quem mal lê as escrituras.
É claro que muitas igrejas cristãs tem seus próprios manuais de ensino. Algumas inclusive se dedicam a discipular e ensinar a palavra aos novos convertidos. Deixando assim muito mais remoto as possibilidades destes discípulos falarem heresias. Os luteranos possuem a confissão de Ausburgo, escrito por Lutero e seu assistente Melâncton. Os calvinistas o catecismo de Heidelberg. Os presbiterianos da Grã-Bretanha, o Catecismo Maior e Menor de Westminster (OLSON, 2004, Pg. 53). Sem contar com o Credo Apostólico e o Credo Niceno, escrito há muitos séculos, a fim de identificar os pontos importantes da fé cristã, para não deixar que o cristianismo vire falácias e teorias mirabolantes. Mas sabemos que infelizmente muitas igrejas não investem em ensino, gerando assim cristãos fracos e movidos por conceitos que de maneira alguma se encontram na Bíblia.
A grande verdade é que estas ferramentas mencionadas nem sempre são conhecidas pelo público cristão, sendo vista mais em igrejas históricas, que em igrejas novas. É por isso que ensinos estranhos e moveres não Bíblicos são visto aos montes nas igrejas. É também por isso que eu sempre digo, enfatizo e repito sempre, leia, se informe e busque ferramentas para entender e estudar a Bíblia. Pois ao contrário do que muitos dizem, sem estudo e intimidade com a palavra, não há o que fazer para se aprender com a Bíblia.
Entender a história da igreja, suas ferramentas e o que a tradição histórica da igreja ensina, é a certeza de uma fé um pouco mais madura, e é este o meu desafio a você, leia pesquise e entenda estas ferramentas todas disponíveis a igreja. Sem esquecer a principal máxima, você não precisa concordar com tudo. Mas ler estes materiais e entender, nunca é demais. Ser criterioso é importante e saber que nem tudo se aplica a nós também é fundamental.
Outra dica fundamental é “estar em uma igreja que incentiva o ensino”, afinal, pastores que não ensinam suas ovelhas, certamente as manipula, então fuja destes mercenários e procure algum bom lugar para frequentar.
A terceira dica tirei de uma reflexão do Ed René Kivitz: “Se você descobriu algo novo na Bíblia, certamente é heresia”. Veja bem, quando falamos de tradição e dos Pais da Igreja, falamos de um grupo de sábios que aprenderam os ensinos de Cristo com apóstolos ou discípulos de apóstolos. Eles tiveram mais intimidade, e tiveram muito mais perto da historia do que nós. Se eles, que estavam mais perto, não descobriram algo novo, nós certamente não descobriremos.
Mateus 22:29 diz: errais por não conhecer as escrituras. E esta é uma grande verdade para nossos dias. Portanto, ler e ser relevante, são atitudes que devem ser cultivadas. Não aceite ser manipulado, não fique calado ante aos moveres que não estão na Bíblia, isso é o que um cristão que conhece a doutrina faz.
Tudo o que se afasta da ortodoxia deve ser rejeitado, e tudo o que é coerente com o que a Bíblia ensina, deve ser guardado e seguido.
BIBLIOGRAFIA
OLSON, Roger, História das controvérsias na teologia cristã: 2000 anos de unidade e diversidade, Editora Vida, São Paulo, 2004.
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JORNADA
“Quem consegue se importar com a jornada quando o caminho leva para casa? (James M. Gray) (WIERSBE, 2011, 113)
Não é fácil a caminhada, viver em um mundo caótico, contraditório e pecador, é um desafio, e dependendo do momento no qual estamos vivendo, um desafio dos grandes.
Hoje você pode estar bem, amanhã tendo que lidar um problema de saúde grave. Hoje você pode estar empregado, amanhã passando dificuldades em um período de crise, o que é bem pior. Não é fácil lidar com as agruras da vida, com o contraditório que uma sociedade falível produz, e principalmente com o ser humano e as suas limitações.
A jornada nunca é tranquila, mas pode se tornar mais leve, quando nos lembramos de que no fim, tudo isso será passado, fará parte de um período bem distante que não voltará mais.
Em dias de dor, a saída é sempre olhar para o céu e se lembrar de que no fim tudo compensará. A vida cristã começa aqui, as dificuldades nos moldam e nos fazem crescer. O caos nos ensina, mas também nos machuca e nos derruba. Por isso que a esperança de novos dias deve estar sempre viva em nosso coração. A certeza de que um dia o caos terá fim deve ser nossa bandeira, um ideal no qual podemos nos apegar a fim de nos tranquilizar.
Ainda não estamos em casa, ainda não terminamos a jornada, por isso temos que ter fé e persistência, pois com certeza no fim tudo compensará. Quando temos esperança, tudo fica mais leve, quando olhamos para Cristo e nos lembramos da sua promessa, acabamos por seguir mais esperançosos, gratos por saber que a paz um dia reinará em nossa vida.
BIBLIOGRAFIA
WIERSBE, Warren, W. Jesus presente, Experimente a atualidade e o poder das declarações do Filho de Deus em sua vida, Editora Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro, 2011
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VÃ FILOSOFIA
“Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo” (Colossenses 2:8) (NVI).
Há algum tempo, assisti a um professor de filosofia ensinar que os cristãos não eram a favor da filosofia, que a própria Bíblia era contra, e ele justificou a sua afirmação usando este texto bíblico. Segundo ele, Paulo considerava a filosofia algo vão, ruim, uma perda de tempo. Diante destas premissas, ele resumiu os autores bíblicos a pessoas ignorantes e fechadas a todo o conhecimento. Na época, não consegui entender como um professor conseguia reunir tanto equívoco em uma aula só.
Vou começar falando de Paulo, um homem que nasceu em Tarso, coisa que já nos diz muito. Já que a cidade era uma das principais da época e um grande centro. Sobre o seu conhecimento, é importante ressaltar que ele não frequentou uma escola comum como todo o judeu, pois, como podemos perceber em suas cartas, a influência do pensamento grego era grande. Ele conhecia muito bem a cultura e a história, lembrando que quando ele foi pregar no Aerópago em Atenas, ele usou de uma história bem conhecida pelos gregos (Atos 17:15-35), mostrando ter muito conhecimento e cultura. Além de ter citado em suas cartas três poetas e filósofos gregos, sendo eles: Arato (Atos 17:28), Menandro (1Coríntios 15:33), Epimênides (Tito 1:12). Só por estas provas, já poderíamos desconfiar que Paulo não era avesso ao conhecimento e à filosofia. Contudo, se tal pessoa conhecesse a história da igreja, já teria certeza de que a filosofia e o conhecimento sempre fizeram parte do repertório de um bom cristão.
Os primeiros apologetas defenderam a fé tendo em sua bagagem a filosofia e o conhecimento. Agostinho foi muito influenciado pelo platonismo. Tomás de Aquino usou o aristotelismo como base para o seu pensamento, isso só para citar dois, contudo, existem muito mais. Enfim, a filosofia sempre esteve presente e sempre estará presente no pensamento cristão. Com isso, diante desta explanação bem básica, podemos perceber que a vã filosofia, da qual Colossenses trata, não é bem o que o professor afirmou.
O ser humano é um ser que questiona, pergunta, reflete e indaga. Isso faz parte de nós, é intrínseco a cada um, Deus nos fez assim. No final, somos um pouco filósofos, sempre em busca de respostas e explicações, pelo menos muitos de nós.
No texto em questão, Paulo condena as vãs filosofias, provavelmente o autor da carta condena neste período o Gnosticismo, que misturava a filosofia com as artes mágicas, que na época já dava os primeiros passos (CHAMPLIN, 2014, p. 152). O tema central aqui não é o conhecimento, mas o vão conhecimento. O texto nos avisa e diz para tomarmos cuidado com o conhecimento inútil, que nos separa de Deus. E mesmo que Paulo estivesse falando diretamente “contra” a filosofia, no texto em questão o autor critica a “vã filosofia”, e não a toda filosofia. Só aquela ruim, que nos separa de Deus, ou aquele conceito que não tem base e coerência. O texto não se dirige a toda a filosofia e conhecimento, mas ao discurso sem sentido, vazio. Gosto de como Eugene H. Peterson traduz este texto:
“Cuidado com os que tentam deslumbrar vocês com belos discursos e linguagem pseudointelectual. Eles querem envolver vocês em discussões intermináveis, que não servem para nada” (PETERSON, 2012, p. 1683).
Resumindo, cuidado com o pseudointelectual, com a pessoa que acha que sabe, mas que no final não percebe o seu discurso vazio, sem conteúdo algum, sem sentido. Muitos só sabem falar, discursam bem, tentam explicar tudo, mas no final, é só boa oratória, pois o seu conteúdo é vazio e não chega a lugar algum. Eu sempre falo e vou sempre repetir, tem gente que só sabe falar, mas não diz nada coerente.
Estudo filosofia e teologia há muito tempo, aprendi ao longo da vida como é importante estudar e conhecer. Como cristão, isso me dá uma fé mais sólida e embasada. Como cidadão, proporciona à minha vida uma caminhada mais centrada e consciente, mas sei que, no final, somos limitados.
Não tem como o homem achar que ele sabe de tudo. E muito menos afirmarmos que um dia a ciência explicará tudo, isso é loucura. A cada avanço científico, temos mais problemas, a cada descoberta, mais o homem descobre que não sabe de nada.
A vã filosofia nos separa de Deus e nos dá a sensação de que sem Ele podemos tudo, sendo que com isso, caminhamos para a morte. Estude, pesquise e leia, busque o conhecimento, só não o deixe te separar de Deus.
BIBLIOGRAFIA
CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012.
CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, São Paulo, 2014.
PETERSON, Eugene H, A Mensagem, Bíblia em linguagem contemporânea, Editora Vida, São Paulo, 2012.
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GUARDE AS SÃS PALAVRAS
Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus (2 Timóteo 1:13).
Eu gosto dos filmes do Mad Max e do seu teor pós-apocalíptico. O filme é bem filosófico, me faz pensar principalmente no ser humano e seus modelos de governo, no final tudo acaba, impérios ruem, o que era estável se colapsa, nada é eterno. Tudo o que vem do homem um dia rui, esta é uma certeza que a própria história confirma.
O interessante é que no contexto do filme, quem tem gasolina e água, comanda aquela sociedade, tal qual hoje, no final, a sociedade é movida por interesses. Ninguém milita de graça. Eu defendo a natureza quando me convém, e fecho os olhos para as demais catástrofes, quando os meus interesses políticos são prejudicados. Eu defendo as pessoas até o momento em que ganho algo, quando não mais ganho, eu me calo, sigo a vida com os olhos fechados. A sociedade é meio assim, descartável e interesseira, estamos vendo isso ultimamente e creio que continuaremos a ver até os últimos dias.
No mundo de Paulo, assim como no nosso, já que a Bíblia é incrivelmente atemporal, a coisa não é muito diferente, o homem é movido por interesses, sendo que muitos deles são falsos e hipócritas. Sobre a hipocrisia eu normalmente a classifico em duas para melhor entendê-la.
A primeira hipocrisia humana vem da emoção, da falta de reflexão, é uma atitude não intencional, movido por pura falta de reflexão e muito impulso. Em meio ao impulso e ao desejo de ser ou de fazer algo, vendemos uma imagem que não é nossa, representamos algo que não somos e que não conseguimos sustentar. É quando na emoção falamos, respondemos ou vendemos uma imagem construída.
A segunda hipocrisia é a hipocrisia intencional, de quem quer manipular, ganhar, estar à frente, seja da forma que for, para ganhar a qualquer custo. Este é o hipócrita verdadeiro, que finge ser outro para ganhar algo em troca. A questão é que em ambos os casos, devemos estar preparados.
No texto em questão, Paulo começa falando para guardarmos as sãs palavras (V13). Pois em um mundo de interesses, se não tivermos a bússola bem calibrada, nós nos perdemos. É fácil sermos contaminados, é fácil nos perdermos mesmo que por uma causa justa. As nossas certezas podem nos enganar, e isso eu aprendi da pior forma possível.
Vivi o meu sonho de músico, militei por uma causa no qual eu era engajado, isso me ajudou em muitos aspectos. Foi bom saber como eu podia com meus próprios esforços, fazer algo, montar uma banda, gravar um CD, seguir meus sonhos. A questão é que muitas vezes o que nos ajuda, também pode nos manter ancorados, sem sair do lugar. Em uma altura do projeto, eu estava me sentido aprisionado, longe da vontade de Deus. As vezes as coisas começam de uma maneira justa e sincera, mas no meio do caminho, acabamos tomando outras estradas e nos desviando do propósito principal.
É a sã palavra que nos mantém no eixo, que nos guia e nos protege das ideologias que sem querer nos cega. No contexto de Paulo, ele estava falando do gnosticismo, que dava os seus primeiros passos. Mas em nosso contexto pode ser qualquer coisa que tire o foco de Deus, até, pasmem, a igreja, ou a banda, como foi o meu caso.
Conheço cristãos que passam os seus finais de semana inteiros na igreja, costumam deixar os filhos de lado, não separam um tempo para a família, e vivem sua vida para o templo, como se ir na igreja fosse tudo. Deus deve ser sempre o primordial em nossa vida, e por mais que devemos ir à igreja, estar em comunhão, ler e estudar a palavra é primordial para a nossa vida. Para guardarmos a sã palavra temos que primeiro estudar e entender a palavra, caso contrário não haverá o que guardar.
É importante destacar o termo “sãs palavras”. Pois no contexto onde vivemos, nem todas as palavras são sãs. Vemos tantas distorções, elucubrações e interpretações bizarras, que saber definir o que é coerente do que não é se torna fundamental para a nossa fé.
Em um mundo onde ser influenciado é quase que uma rotina de vida, guardar a sã palavra acaba virando o básico para que não nos desviemos do caminho. E quando eu falo em desviar, não falo somente em deixar de ir a igreja, e sim em seguir o ensinamento errado, pois como eu disse, tem gente que frequenta a igreja, mas não frequenta as páginas da Bíblia, com isso, acabam seguindo ensinos que não estão na palavra e os deixam longe da vontade de Deus.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo, 2005 .
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013.
CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.
CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012.
RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013.
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O MISTÉRIO DA VIDA
“A mais bela sensação que podemos experimentar é o mistério. É a fonte de toda ciência e arte verdadeiras. Aquele a quem essa sensação é estranha, que já não consegue deter-se perplexo e tomado pelo espanto, é semelhante ao morto: seus olhos estão fechados” Albert Einstein (YANCEY, 2004, p. 15)
Eu tenho em casa uma gatinha que me faz bastante companhia, constantemente, quando estou em casa, fico a observá-la. Acho curioso o fato de serem tão exploradoras, como gastam seu tempo tentando entender onde moram. Gosto dos dias em que ela sobe na janela e fica olhando o movimento, atenta a tudo o que passa, a todos os detalhes.
No mundo às vezes somos um pouco estes gatos, nós vivemos nossos dias tentando conhecer, sem ter ideia da imensidão que é o mundo e o universo. Nós espiamos pela janela, anotamos os dados, criamos teorias científicas, fazemos cálculos e determinamos como possivelmente tudo surgiu, mas não percebemos que o que vemos é apenas a ponta de um iceberg gigantesco.
A vida me impressiona, seja no espaço com seus bilhões de galáxias ou até um átomo e seu intrincado minúsculo mundo. É tudo muito complexo e evidencia que um dia houve uma mente brilhante, um arquiteto criativo que trouxe a existência tudo o que vemos, deixando uma assinatura através do tamanho e da complexa criação.
Eu me espanto com quem diz que a ciência um dia vai explicar tudo, eu admiro o tamanho da fé das pessoas que colocam a ciência como a esperança final.
O mundo é muito vasto para conseguirmos explicar, a vida foi criada por um Deus muito intrínseco, para acharmos que um dia nós, seres humanos pequenos, explicaremos tudo.
No fim somos formigas em um pequeno jardim, não vemos o tamanho da nossa ignorância, achamos que já conhecemos tudo, mas não fazemos ideia do que há além dos muros do nosso quintal.
Eu não consigo parar e olhar para a natureza sem me espantar, a vida é um mistério, e a cada avanço científico ou tecnológico, percebemos isso. Viver é se espantar, sendo quem não se espanta, já morreu, já engessou a mente com o sistema, já não percebe como tudo é maravilhoso e perfeito.
BIBLIOGRAFIA
YANCEY, Philip, Rumores de outro mundo, A realidade sobrenatural da fé, Editora Vida, São Paulo, 2004
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DIÁLOGO
Existe um abismo enorme entre o que falamos e o que uma pessoa entende. O desafio da comunicação é nos fazermos entendidos. Somando a isso o fato de que poucos hoje dialogam, muitos estão sempre prontos a falar, e nem sempre prontos a ouvir, o dialogo acaba sendo complicado.
No mundo cristão, com suas inúmeras teologias, igrejas e formas de pensar, isso se torna ainda mais desafiador. É incrivelmente interessante ver como muitos cristãos hoje são inflexíveis e nem conseguem ouvir um ponto de vista diferente ao seu, sem antes se manifestar de forma veementemente contrária. A questão, como diria a letra da banda Rodox, é que o inflexível quebra fácil.
Eu sempre digo e talvez morra dizendo, que ouvir uma ideia contrária a sua não é aceitar a ideia, é apenas ouvir. O desafio é sempre transitar pelas opiniões que não concordamos, sem nos ofendermos, e o pior, sem ofender quem pensa de forma diferente. Insultar quem pensa diferente não ajuda ao contrário, nos separa e nos separando, não teremos oportunidade de levar a palavra e sermos diferença.
Não podemos aceitar a falta de diálogo, muito menos concordar com quem impõe um ponto de vista e não deixa espaço para o outro opinar. Quando forçamos um pensamento, não só nos tornamos autoritários, mas aceitamos que o diálogo não deve existir. Sendo que a falta de diálogo é a marca registrada de todo o pensamento autoritário.
É preciso entender a pluralidade de pensamentos, religiões e credos, é importante entender que quando não me abro para ouvir o outro, mesmo que sendo um pensamento contrário, acabo por também fechar as portas para ser ouvido. Não podemos impor nossos pontos de vista e nossas crenças, e novamente, quando impomos, abrimos a porta para que façam o mesmo conosco. O mesmo se dá quando falamos de um país cristão, não podemos abrir mão da laicidade do nosso país, não podemos forçar alguém a crer no que cremos, assim como, também não queremos ser forçados a acreditar em algo no qual apenas o outro acredita. Eu sigo o princípio da empatia, quando me coloco no lugar do próximo me desespero ao ser forçado a fazer o que não quero fazer, por conta disso, não milito por um país cristão e sim, por uma nação laica, que dê a todos a liberdade de crer na religião que melhor lhe apraz.
O diálogo é o princípio de tudo, ouvir o outro e respeitar suas crenças é uma atitude básica de quem tem empatia suficiente para se colocar no lugar do outro e entender que cada um tem suas crenças.
Entendo alguém que não dialoga como um ser limitado, pronto para apenas falar, pois não tem conteúdo suficiente para se abrir para ouvir, refletir e discordar com respeito. A pessoa extrema é alguém mal resolvida, que no fundo não tem certeza, e tenta convencer o outro com a força.
O diálogo é composto por duas pessoas, o respeito e a empatia, deve estar presentes para que ninguém passe por cima de ninguém e a conversa vire uma guerra. Ou aprendemos a respeitar, ou abriremos a porta para a violência e a imposição que já manchou a história tempos atrás.
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VIVENDO E REFLETINDO
Imagine se você pudesse se observar por um dia. Ver como você trata os outros, principalmente os que estão te servindo, como trata e se relaciona com amigos e colegas de trabalho. Caso isso fosse possível, você ficaria feliz, triste ou envergonhado com o que veria?
Como eu sei que isso não é possível, ao menos que você contrate uma equipe de filmagem, vou mudar a pergunta. Quando você para e se autoavalia, lembra-se de como você age para com as pessoas, suas decisões, e sobre qual é a sua atitude em momentos de pressão, você fica orgulhoso com o que você se lembra ou envergonhado? Ou você nem gasta tempo em pensar em como você é não é visto pelas pessoas
Eu constantemente tento me autoavaliar, paro para pensar em como ajo, como tomo as minhas decisões ou como estou seguindo. Não que eu ligue para as pessoas, e sim porque tenho tentado me aperfeiçoar ao máximo.
Tenho tentado tomar o caminho da relevância, tenho buscado pensar em minhas atitudes entendendo como são e como podem melhorar. Tenho pavor em pensar que estou vivendo no automático, por impulso, sem reflexão. E também em estar vivendo de um modo nocivo, seja para mim, ou para os outros.
Não se trata em tentar ser relevante apenas, e sim, em ser alguém com consciência, que vive de uma forma centrada. Sem comprar brigas inúteis, que não acrescenta nada em minha vida, mas ao mesmo tempo sendo relevante para com o próximo.
Para que o evangelho continue vivo e fazendo diferença, primeiro em nossa vida, depois na vida das outras pessoas, temos que entender em como estamos vivendo. Temos que avaliar nossas atitudes e buscar sempre mudanças.
Por isso aprenda a avaliar o seu dia, escreva um resumo do que fez, e pense se naquele dia você poderia ter agido diferente. Relembre suas ações, reflita sobre as suas decisões e tente perceber se tem vivido por impulso, ou de uma forma racional e coerente.
Viver no automático é perigoso, seguir sem refletir, sem pensar sobre nossas atitudes é nocivo para qualquer um, por isso aprenda a parar e pensar em como você tem sido para com as pessoas e aprenda a mudar.
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TAGARELICE
Estamos em dias onde o falar e o opinar é constante, afinal, antigamente apresentávamos nossa opinião em rodas de amigos ou nas mesas de café da manha. Hoje a opinião é dada a qualquer hora, de qualquer lugar e de qualquer maneira, sem medirmos nossas palavras. E isso não é tão ruim, é bom ter voz, o problema que eu vejo nas tagarelices de hoje é a superficialidade, são as conclusões sem raciocínio e sem conteúdo. Isso sem contar quando muitas vezes perdemos tempo ao ficar falando mal dos outros. Provérbios 21:23 diz:
“Quem é cuidadoso no que fala evita muito sofrimento” (NVI).
Quem sabe guardar a língua se poupa de problemas, quem não perde tempo falando mal dos outros ou opinando em cima do que não conhece, guarda-se de problemas, o que me faz lembrar-se de um importante filósofo.
Sócrates tinha três filtros que o protegia dos problemas e burburinhos falsos, que poderíamos resumir como: “O filtro da verdade, bondade e utilidade”.
Ele dizia que quando você fosse contar algo a alguém (ou sobre alguém), você teria que se perguntar: o assunto é verdadeiro? Este é o primeiro filtro, um filtro que nos livra de muitos problemas, ainda mais nestas eras de fake news, onde a mentira é propagada como verdade absoluta. Você pesquisou sobre o que está falando? Viu se as fontes são confiáveis? Tem certeza se o que você está divulgando é verdadeiro?
O segundo filtro é o da bondade. Sócrates continuava afirmando que ainda que não tivesse certeza, você deveria saber se o que você vai falar é bom. Não vale a pena divulgar coisas ruins com a desculpa de manter as pessoas informadas, ainda mais quando não temos certeza sobre o assunto. O que é ruim chega a nós em uma velocidade extraordinariamente rápida, não precisamos nos informar sobre o caos, pois vivemos no caos. E se é algo sobre alguém, pior ainda. Vale a pena se calar e compartilhar o que é bom, a história de superação, a bondade e a alegria. Em um mundo de caos, a prioridade deveria ser o bem e não os problemas. Não estou incentivando a fecharmos os olhos para os problemas, eles existem e devem ser vistos e discutidos, e sim, priorizarmos o que é bom que nos inspirará ao movimento de mudança e a fazermos diferença.
O terceiro filtro de Sócrates é o da utilidade. O que você vai contar é útil? Tem serventia? Ou é perda de tempo? Com o tempo vamos aprendendo a nos dedicar ao que vale a pena, a falar o que é útil, a compartilhar o que importa.
Em dias onde opinar é fácil, ter uma postura sábia e aprender a se calar é uma atitude importante. Controlar a língua é se livrar de desgraças. Saber a hora de falar ou falar apenas do que conhecemos, é uma passo importante para evitarmos o sofrimento.
Quando o comichão na língua começar, lembre-se deste versículo. Quando a tentação de discorrer sobre algo que você não conhece vier, aprenda a se calar e se livre dos problemas usando o filtro de Sócrates.
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A EGOCÊNTRICA BAIXA AUTOESTIMA
“A baixa autoestima é um jeito torto de ser egocêntrico” (ARANTES, 2019, 152).
Gosto de reflexões que me fazem parar, que me obrigam a pensar e repensar, sendo que a questão que a citação aborda foi uma delas. Eu nunca havia pensado no assunto por este viés.
Sofri por anos de baixa autoestima, conheço bem o assunto. Eu me achava incapaz, inferior, pequeno. Achava que ninguém gostava de mim, por isso, vivia em busca de aprovação. O que eu não percebia era que a minha baixa autoestima fazia com que o mundo girasse ao meu redor. Tudo eram os meus sentimentos, meus fracassos, minhas emoções, nunca pensei nisso como um egocentrismo. A autora, neste mesmo livro continua o pensamento sobre o assunto:
“Não somos tão especiais a ponto de todos pensarem que não somos bons o suficiente. O mundo não está girando em torno do nosso umbigo, ou apesar dele” (ARANTES, 2019, 152).
No fim, grosso modo, é assim, direta ou indiretamente, que uma pessoa com baixa autoestima acaba agindo. No afã de mostrar o seu valor, ela sempre prioriza a si mesmo, seus lamentos e sua dor. O mundo está sempre contra ela, como se ela fosse o centro de tudo.
Eu me libertei deste problema há muitos anos, aprendi a não me levar tão a sério, descobri como conviver com as minhas dificuldades e limitações, entendendo que no fim podemos crescer com elas.
Não somos perfeitos, mas somos capazes de mudar, de rever nossos conceitos e evoluir. É muito perigoso nos considerarmos os melhores, os perfeitos, o centro de tudo e igualmente perigoso é nos considerarmos os fracassados, perseguidos, aqueles que não servem para nada.
No fim somos o que somos, seres imperfeitos, em busca de constante evolução. Não podemos nos subestimar, assim como é errado nos superestimar. A baixa autoestima e a alta autoestima são igualmente perigosas, nos faz sermos o centro de tudo, como se tudo girasse em torno de nós e sabemos que ele não gira.
Viva a vida mais leve, conviva e aprenda a lidar com suas dificuldades, que o resto é aprendizado.
BIBLIOGRAFIA
ARANTES, Ana, Claudia, Quintana, A morte é um dia que vale a pena viver, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2019.
