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  • TODA A GENERALIZAÇÃO É BURRA

    O feminismo  quando surgiu trouxe consigo batalhas importantes a serem travadas. Como a inclusão da mulher no mercado de trabalho, o direito da mulher de votar e uma  busca real por mudanças que trouxessem valor ao seu ofício. Se antes ela vivia a margem da sociedade, hoje ela tem direitos e um papel muito mais justo que outrora.

    No Brasil também tivemos uma importante lutadora, tratou-se de Nísia Floresta, educadora, escritora a poetisa, foi uma das pioneiras na renovação da educação nacional. Usando métodos mais humanos, proclamou o fim dos castigos físicos e uma forma menos autoritária de educar, além de ter sido uma das principais lutadoras pelo direito da mulher e principalmente pelo direito de estudar, que era praticamente vetado.

    “Permitia às meninas o aprendizado de ciências, até então reservado apenas aos meninos. Dentre as inovações destacamos o ensino de latim, francês, italiano e inglês […] Para a sociedade da época, o que Nísia Floresta ensinava às meninas não passava de inutilidades, pois se acreditava que à mulher bastaria a alfabetização” (PILETTI, PILETTI, 2011, p. 110).

    Enfim, foi uma mulher guerreira, que brigou por justiça para que a mulher tivesse os mesmos direitos que os homens, coisa que eu concordo e muito.

    O problema que tenho com muitos destes movimentos sociais atuais é que além de suas reivindicações serem incoerentes, buscando leis que beneficiam apenas a si e não a maioria das mulheres, seu modo de protestar ofendendo, rebaixando e colocando todos no mesmo pacote furado, beira a incoerência extrema.

    A generalização que é vista quando sua ideologia é pregada chega a doer na alma. Principalmente quando falam de homens, religiosos, políticos etc. Como se todo o homem batesse em mulher, ou todos os que não concordam com o PT são burros, ou que todos os que nasceram com uma condição de vida melhor deveriam se ferrar, como já ouvi de muitos.

    Estamos vivendo uma época que quase toda a opinião é uma afronta, ninguém pode discordar de ninguém sem antes de ser taxado de preconceituoso. São tempos delicados, com pessoas frágeis que mal conseguem conviver, enquanto que o refletir, o ponderar e o respeitar tem virado histórias de tempos antigos.
    Uma coisa é verdade todo o ser humano tende a generalizar em algum momento de sua vida, muitos consideram suas experiências únicas e norteadoras do seu pensamento, porém generalizar, não é inteligente.

    Cristo nunca generalizou e ele conviveu com muita gente que generalizava. A começar pelos fariseus, que se achavam santos e o resto das pessoas imundas. Por estes religiosos Cristo foi crucificado, e padeceu porque pregava que todos mereciam salvação. Poderíamos citar também os apóstolos, e várias de suas atitudes preconceituosas no começo do seu ministério, ou talvez o ladrão da cruz que mesmo crucificado não deixou de escarnecer daquele Deus.

    Chamar de burro quem não concorda com nosso pensamento é abrir uma porta para que façam o mesmo conosco. Generalizar e achar que todos que não pensam igual a nós são burros é esquecer que um dia o mesmo discurso pode voltar conta nós. Aí quando isso acontecer, quem sabe entendamos o porquê Cristo falou para amarmos o próximo como a nós mesmos (Marcos 12:31).

    BIBLIOGRAFIA

    PILETTI, Claudino, PILETTI, Nelson, História Da Educação, De Confúcio A Paulo Freire, Editor Contexto, São Paulo, 2011.

  • OUVINDO DEUS – ALEXSSANDRO DE LIMA

    “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem” (João 10:27).

    Ouvir Deus é uma tarefa muito difícil, até porque precisamos primeiro aprender como é a sua chamada. Já disseram que é como um vento suave, em outros momentos como chuvas torrenciais como no caso do dilúvio. Samuel mesmo tão pequeno aprendeu com seu mestre a ouvir a voz de Deus.

    Pode ser que você nuca ouça a sua voz, mas poderá sentir seu toque em momentos em que só Ele sabe o que está acontecendo. Poderá se sentir tão cansado que pede um refrigério e este vem. É a voz de Deus liberando seu corpo da fadiga e do cansaço.

    Para saber como Deus fala conosco precisamos gastar tempo com Ele. Uma das experiências mais interessantes e que se compara a experiência de passar tempo com Deus é quando nos tornamos mães e pais. Como sabemos que é nosso filho chorando em meio a vários no berçário da igreja? Ou quando se tem uma porta fechada e muito barulho sabemos que ele está chorando? É porque gastamos tempo conhecendo nossos filhos e sabemos que aquela é a sua voz. Assim é com Deus.

     Quando gastamos tempo com Ele, conhecemos o seu mínimo movimento em nosso favor, nos chamando a atenção, ou nos dizendo não faça. E na maioria das vezes fazemos, pois estamos cheios de ansiedade e não conseguimos entender sua voz.

    Dedicarmos tempo a Deus pode ser o melhor do seu dia. Isso não significa que não vamos mais trabalhar, estudar, mas que vamos a cada momento não se esquecer d’Ele, ter um momento especial com Ele.

    Tenho aprendido a dar tempo para Deus de uma forma que não prejudique meu trabalho e as tarefas de pai, marido e sacerdote do lar. Como?

    Trabalho com administração utilizo o computador praticamente todo o dia, todo momento que dá uma trégua (intervalos, horário do café e almoço) eu abro a Bíblia online e lá estou eu lendo. O tempo que dá estou orando e falando com Deus.  É relacionamento, quando temos tempo e não ligamos para filhos, esposas ou maridos? Então podemos fazer o mesmo com Deus, deu tempo, fala com Ele. Conte sua alegria, ansiedade, tristeza e frustrações.

    Não existe uma fórmula engessada sobre como Deus falará para você. Na Bíblia encontramos maneiras variadas pelas quais, Deus falou com seus profetas e servos:

    Em uma sarça ardente: (Êxodo 3.2).

    Por meio de uma mula: (Números 22.28).

    Na brisa: (1 Reis 19.12).

    Pessoalmente: (Atos 9.5).

    Com visões: (Apocalipse 1.10-11).

    Em sonhos:  (Joel 2.28).

    Quanto mais íntimos estivermos com o Espírito Santo, mais sensível estaremos às imprevisíveis manifestações da voz do Pai. O pecado não só nos separa de Deus, mas também atrapalha nossa comunicação com Ele.

    Por isso, temos que ter o coração aberto para que Deus se manifeste por meio de sua multiforme graça para falar conosco. Se permita ser surpreendido pela voz de Deus!

    “Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes.” (Jeremias 33.3).

                 

  • CALVINO E A EXPIAÇÃO LIMITADA

    Quando eu digo que Calvino não era calvinista, muitos não entendem, porém, com uma lida básica em seus escritos você vai perceber que ele divergia muito da teologia calvinista atual. Muito do que conhecemos hoje evoluiu com o tempo, distanciando-se bastante dos seus ensinos originais, sendo que um dos conceitos que Calvino não apoiava era a expiação limitada.

    A expiação limitada é um dos pontos que os calvinistas chamam de TULIP, que é um acróstico contendo suas principais visões teológicas. E prega que a morte de Cristo na cruz não foi por todos e sim, apenas pelos eleitos (MCGRATH, 2014, p. 534) e um dos versículos mais usados para justificar esta teoria é Romanos 5:15:

     “Entretanto, não há comparação entre a dádiva e a transgressão. Pois se muitos morreram por causa da transgressão de um só, muito mais a graça de Deus, isto é, a dádiva pela graça de um só homem, Jesus Cristo, transbordou para muitos!” (NVI).

    Segundo estes, Cristo não morreu por todos, mas por muitos, e existe também inúmeros versículos, que o texto usa a palavra “muitos” em grego “polus” (Mateus 20:28, 26:28; Hebreus 9:28).

    Ou seja, a graça de Deus transbordou a “muitos” e não todos, logo, segundo estes, Cristo morreu por alguns e estes versículos justificaria a expiação limitada.

    O grande problema de comprar estas ideias, é que o texto também usa o termo “muitos” para falar da transgressão de Adão, como fica claro no começo do texto:

    “Pois se muitos morreram por causa da transgressão de um só”.

    Se muitos são alguns, então nem todos caíram no pecado, pois a mesma palavra (polus), é usada para explicar que muitos morreram e depois, que muitos foram tocados pela graça de Cristo.

    Este texto não justifica a expiação limitada, na verdade é um erro usar este texto, como fica bem claro quando olhamos para ele como um todo. Calvino explica muito bem está passagem  em seu comentário de Romanos:

    “É evidente que os ‘muitos’ […] incluem aqueles conectados com os dois partidos os muitos descendentes de Adão e os muitos crentes em Cristo. […] Não pode haver dúvida de que toda a raça humana está implícita nem caso; e há alguma razão por que toda a raça humana não deve ser incluída na segunda?” (CALVINO, 2014, p. 224).

    O texto é claro, muitos (todos) morreram por causa de Adão, e através de Cristo a graça transbordou a muitos (todos). Alguns teólogos vão acusar Calvino de universalista. Porém, resumindo o que ele quis afirmar é que Cristo morreu por todos, mas somente os eleitos serão salvos. A eleição é um fator importante para entender a expiação limitada, no ponto de vista dele. Logo, Calvino não acreditava na expiação limitada, porém, a base da doutrina da expiação vinha dele. Já que Jesus havia morrido por todos, mas só os predestinados seriam salvos. A extensão da salvação era universal, mas o alcance não, segundo Calvino é claro.

    Penso ser complicado sustentar a visão da expiação limitada, pois os textos são claros. Cristo morreu por todos, e Calvino acreditava nisto, ele sabia que Cristo havia morrido por todos. A expiação limitada para Calvino não era coerente, porem, ele acreditava na predestinação, que de uma maneira ou de outra limitava a expiação divina.

    Calvino não explicou muita coisa que calvinistas explicam. Não teve a audácia de explicar nem mesmo a predestinação, usando-a apenas para explicar porque alguns se convertiam com a pregação e outros não:

    “Em certo ponto, ao escrever sobre a predestinação, Calvino parece referir-se a ela como um horrível decreto” (MCGRATH, 2014, p. 533).

    Acredito que Calvino tenha razão, certas coisas são mistérios divinos e entender plenamente alguns conceitos é impossível

    Eu acredito tal qual Calvino, que Deus morreu por todos, mas apenas aquele que crê é que será salvo. O alcance de sua morte foi universal, mas só faz efeito naquele que crê.

    BIBLIOGRAFIA

    MCGRATH, Alister. Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica: Uma introdução a Teologia Cristã. São Paulo: Shedd Publicação, 2014.

    CALVINO, João. Romanos. São Paulo: Fiel Editora, 2014.

    http://mackenzie.br/calvino_expiacaolimitada.html

  • DEUS É O EVANGELHO – JOHN PIPER

    John Piper dispensa apresentações, e apesar de eu não gostar de todos os seus livros, não posso falar o mesmo sobre Deus é o Evangelho, pois está entre os que eu gosto.

    O livro se concentra em falar de Deus, o seu amor, tendo como ponto principal Cristo e a oferta que fez de si mesmo:

    “Uma triste realidade é que nossa cultura e nossas igrejas estão permeadas por uma visão de amor radicalmente centralizado no homem” (PIPER, 2011, p. 10).

    Ele faz uma ácida crítica as igrejas que pregam o evangelho do hedonismo. E esquecem que Cristo se doou, pregou o evangelho do servir e mandou que imitássemos, além de nos mostrar o que é amor verdadeiro.

    É sobre o amor de Deus que o livro fala, sobre servir e sobre o que é ser igreja. O livro é um tapa na cara, um convite a reflexão e a busca pelo amadurecimento, nos mostrando de forma clara e concisa o que é ser igreja.

    Publicado pela Editora Fiel, com 208 páginas.

  • O QUE É SER FORTE?

    Tem horas que a vida não demora em nos mostrar o quão fraco somos. E por teimosia, não aceitamos esta realidade. Batemos de frente, esbravejamos e não consentimos sermos rebaixados ou colocados de lado, mas o fim muitas vezes é o chão.
    Nunca pensei que confessar minha fraqueza fosse uma ação libertadora. Nunca achei que derramar lágrimas após uma derrota esvaziasse a alma. Mas esvazia!
    É curioso como muitos creem que ser forte é ser imbatível. É olhar para todos de cima ou vestir uma armadura intransponível. Mas ao contrário do que muitos pensam, ser  forte é aprender com a dor. Chesterton (2014) no livro Hereges exemplifica de forma magistral o que é ser forte:

    “Um grande homem não é um homem tão forte que sinta menos que o outro homem; é um homem tão forte que sente mais. E quando Nietzsche diz: “Eu vos trago um novo mandamento: ‘tornai-vos duros’” estava na realidade, dizendo, “Eu vos trago um novo mandamento: ‘tornai-vos mortos’”. Sensibilidade é a explicação da vida”.

    Nietzsche foi um filósofo que criou o termo super-homem para designar um modelo de pessoas que fossem acima da média, que não se misturassem e que acreditassem que o amor devia ser deixado para a ralé. Porém a pergunta que fica é: “o que é ser forte?” Provérbios 24:5 nos dá uma dica:

     “O homem sábio é forte, e o homem de conhecimento consolida a força”.

    Sabedoria e conhecimento são alguns dos segredos da arte de ser forte, e não temos isso sem sensibilidade. Ser sensível não é ser fraco, é perceber o que nos rodeia, entender os sentimentos do próximo, é aprender com a vida.

    O super-homem se acha imbatível, porém, o homem forte está aberto para a vida, entende que nem tudo ele sabe e que sempre podemos aprender um pouco mais. Chesterton mesmo enfatiza, Sensibilidade é a explicação da vida. Sentir é estar vivo, o forte não é o que não sente e sim, o que aprende resistir e cresce com as intempéries.

    É muito fácil bater de frente, é quase natural em um momento de estresse medir forças com quem nos afronta. Agora, ficar calado e tentar manter a calma em meio aos problemas é só para o forte. Um indivíduo forte não precisa provar nada a ninguém, ele não tem medo de assumir suas limitações e muitas vezes se cala e entende que em algumas ocasiões, o silêncio é a melhor resposta.

    Há quem diga que quem cala consente. Porém, eu acredito que nem sempre quem cala consente, às vezes quem cala apenas acredita que não deve explicações, que não sente a necessidade de se justificar. E que independente do que pensem dele, ele sabe quem realmente é.

    BIBLIOGRAFIA

    CHESTERTON, G. K. Hereges. São Paulo: Editora Ecclasiae, 2014.

  • OUVIDO SELETIVO

    Fui assistir a um culto de forma descompromissada em uma igreja luterana certo dia, quando a pregação me fez voltar para casa reflexivo. O sermão tinha como ponto principal o quanto temos ouvidos seletivos, o quanto prestamos atenção apenas nas coisas que nos interessa.

    Sempre peço a Deus que me oriente através de sua palavra e que eu aprenda a entender e ouvir o que Ele quer me ensinar. Quando falamos de ouvido seletivo, eu lembro do jovem rico descrito na passagem de Mateus 19:16-22.

    Este jovem queria saber o que ele tinha que fazer para herdar a vida eterna, o interessante é que o jovem parece que fazia tudo certinho, cumpria a lei, era íntegro e tudo o que Jesus havia falado para ele fazer aquele jovem havia feito. Ele não matava, nem adulterava, não roubava, nem dizia falso testemunho e honrava o pai e a mãe, era um jovem perfeito. Porém, sem o jovem esperar, Cristo dá a cartada final e fala, então vende tudo o que tem e de aos pobres que terás uma tesouro no céu, e depois vem e me  segue (v. 21).

    Eu não acredito que Cristo queira que vivamos na pobreza, mas eu sei que primeiro Ele quer que confiemos n’Ele e que vivamos para Ele. E depois que entendamos que ser íntegro e fiel não é o bastante como bem pontua Ricardo Barbosa (2008, p. 138-139):

    “O encontro de Jesus com o jovem rico tira duas máscaras que normalmente usamos em nossa espiritualidade. A primeira é a de pensar que ser íntegro é suficiente. Nossa integridade moral não garante uma coerência espiritual. […] A outra máscara que Jesus tira de nós é a relação utilitária na qual estamos viciados. Deus não é bom, é apenas útil”.

    É aquela velha verdade, queremos ser servidos e não ser servos, queremos o favor d’Ele e não segui-lo, queremos o melhor desta terra e não ser o melhor para as pessoas. Pois ter, beneficia apenas a mim, ser servo, já me incomoda, me faz sair da zona de conforto para estender a mão e é isso que não queremos.

    Queremos ouvir o que nos convém, queremos fazer o que nos agrada, queremos trabalhar sem suar a camisa, queremos servir a Deus sem servir ao irmão, e isso não é ser cristão. A igreja é uma comunidade e servir, apoiar, compreender e estender a mão vem com o compromisso de ser cristão.

    A salvação é um dom de Deus, e Ele dá gratuitamente, mas nós temos que olhar para Ele, seguir seu caminho e não continuar nossa velha vida, trilhando nossos próprios caminhos malfeitos:

    “Se aprendemos alguma coisa da narração sobre o jovem rico é que, apesar de a salvação ser um abençoado dom de Deus, Cristo não a dará a quem estiver com as mãos cheias de outras coisas” (MACARTHUR, 2015, p. 118).

    Ou olhamos para Deus e o seguimos, ou voltamos para casa de mãos vazias. Ou nos esforçamos para estudar a sua palavra e entender a sua vontade, ou abrimos nossas próprias trilhas na vida e seguimos nossos próprios pontos de vista que geralmente são fracos e vazios.

    Se realmente seguimos a Deus, temos que entender que é Ele que deve nos guiar. Se realmente seguimos a Deus, temos que entender que é a sua vontade que deve prevalecer a não a nossa.

    BIBLIOGRAFIA

    BARBOSA, Ricardo. Janelas para a vida: Resgatando a espiritualidade do cotidiano. Curitiba: Encontro Publicações, 2008.

    MACARTHUR, John. O Evangelho Segundo Jesus. São Paulo: Editora Fiel, 2015.

  • O EVANGELHO DO ORGULHO

    O título desse texto pode parecer paradoxal. Na realidade ele realmente é, pois a mensagem de Cristo traz a humildade como uma das características mais marcantes de um cristão, mas infelizmente não é o que vemos na vida de muitas pessoas. Os ensinos de Jesus mostram a miserabilidade da condição humana, e quando um discípulo de Cristo olha para si mesmo, logo reconhece sua condição; que nada tem e nada merece. Não consegue resolver seu maior problema, é dependente da ação de Deus em sua vida.

    Porém, percebo um número cada vez maior de cristãos orgulhosos e arrogantes. O que é orgulho? É uma atitude, muitas vezes interior, onde o indivíduo se coloca em posição superior aos demais. É o desprezo pelo próximo. Consultando o dicionário, deparei-me com uma definição que chamou minha atenção: orgulho é uma soberba ridícula. Gostei dessa definição; soberba ridícula. Acho que o orgulho realmente é ridículo; é patético! A questão que me incomoda, é tentar entender como pode haver um cristão orgulhoso. Antes de mais nada, quero deixar claro, que estou me referindo à pessoas que são assim, e que cultivam essa atitude, achando que estão certas. Há aquelas que tem essa característica, mas que se submetem ao tratamento divino.

    Quando olhamos para a Bíblia, logo vemos que os servos de Deus são humildes. Jesus era muito duro com os soberbos, e um dos exemplos é aquela passagem que relata a oração de um religioso que orava e dava graças a Deus por não ser como o publicano que estava ao seu lado. O que o texto afirma sobre essa atitude? Olhando para a igreja brasileira, começo a me questionar o que está sendo ensinado. Parece que é o evangelho do orgulho, onde a condição de cristão, de filho de Deus, é um status que coloca o fiel acima dos outros. Vemos isso em diversas correntes: no meio pentecostal, aqueles que manifestam alguns determinados dons espirituais, são melhores vistos, são mais “espirituais” e estão em um status superior aos demais. No meio histórico há certo orgulho por se conhecer mais a Palavra; os calvinistas se acham superiores aos demais por serem escolhidos, e os arminianos por saberem escolher o certo. Um detalhe interessante, é que essa característica parece ser mais perceptível em uma ou outra linha teológica. Nesse ponto quero fazer uma pergunta: qual o fruto que tua crença gera na tua vida? Que atitude a linha teológica que você segue te leva a ter?. Se a atitude não for um profundo sentimento de humildade, de amor e misericórdia pelo teu próximo, há algo de errado com tua teologia, ou com a tua vida. 

    Infelizmente esse é um assunto que não é levado muito a sério e esquecemos que orgulho e arrogância são pecados. Vejo algumas pessoas que se identificam como sendo cristãos, humilhar outros e até mesmo brincando com a questão do orgulho. O interessante é que não vejo ninguém falar brincando “é… sou mesmo um adúltero ou desonesto…”. Mas vejo muitas pessoas brincando com a questão do orgulho. A Bíblia nos traz o relato e o exemplo de muitas pessoas que tinham todos os motivos para serem orgulhosas e quanto mais elas andavam com Cristo, mais elas enxergavam sua pequenez. Acho que muitos se esquecem de ler, ou nunca leram, passagens como por exemplo, Provérbios 16,18, onde lemos:

    A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda”.

    A essência da mensagem de Cristo é amor a Deus, ao próximo e a humildade. Quando se tem uma atitude de orgulho, não está se amando o próximo. Talvez pareça algo exagerado, mas o que dizer de passagens que afirmam que Deus resiste aos soberbos e ainda pior: que ele abomina todo o altivo de coração? Será que é exagero? Trata-se de um pecado muito sutil, não levado a sério, mas não podemos esquecer que a sutileza é a maior arma de satanás.

     É impossível que o evangelho de Cristo nos leve a uma atitude de soberba. Se isso acontece, é porque ele ainda não percorreu o caminho da mente até o coração. A partir do momento que a Palavra de Deus pulsar em nosso peito saberemos quem somos, e consequentemente seremos humildes. Acho que todos nós deveríamos fazer a oração que Davi fez, pedindo que Deus sonde nosso coração, revelando o que está escondido. Muitas vezes somos incapazes de ver nossas atitudes. Mas, a partir do momento que Deus nos mostra, muitas vezes através de outras pessoas, que temos atitudes de orgulho e simplesmente ignoramos isso, talvez estejamos próximos da ruína e da queda citada no versículo de Provérbios. Não esqueça que você é quem você vive e não necessariamente quem você diz ser.

  • PARA ONDE IREMOS? – ALEXSSANDRO DE LIMA

    “Para onde iremos?”.

    Foi a resposta que Pedro deu a Jesus narrado em João 6:67-68.

    Quem conhece toda esta passagem sabe que Jesus Cristo foi abandonado por muitos dos que lhe ouviam pregar, pois julgaram duro em seu discurso. Jesus vendo que muitos dos seus discípulos se afastaram, disse para os que permaneceram com ELE, se eles não queriam ir também. Então surge a resposta de Pedro: Para onde nós iremos? Se somente tu, tens a Palavra da Vida Eterna.

    Certamente Pedro ao proferir estas sábias palavras sabia que não havia outro mestre em quem devia crer. Sabia também que este mestre era Filho de Deus e, portanto, suas palavras eram e sempre serão confiáveis. Pedro sabia que o Caminho era, e é Cristo. Nós também sabemos disto, mas quando observamos nossa realidade como cristãos ficamos verdadeiramente perplexos. Indiferença tem sido uma de nossas posturas nos dias atuais. Nossas fraquezas e limites, nosso temor, nosso desejo de agradar a Deus profundamente parecem estar amortecidos. Muitas vezes, tem pessoas que ficam sem direção que até chegam a duvidar e perguntam: Que caminho eu estou indo? Porque eu estou passando por isso? E muitos se perdem no caminho, pois deixaram de olhar para Jesus e começaram a seguir seus problemas, suas preocupações, tentando resolver da sua forma a qualquer custo, e isso até os tem levado a frustrações.

    Como continuar no caminho que pode me levar a vida eterna?

    Como não desanimar, com tantos erros e frustrações tanto minhas como dos outros em minha volta?

    Não desviar jamais o nosso olhar Dele (Jesus) é fundamental para sabermos para onde ir. Jesus, o único caminho, a única porta e o único meio de salvação, somente Ele tem a Palavra para Vida Eterna, foi Ele mesmo que declarou em João 14:6 

    A resposta para onde iremos é: Estamos indo para Deus por meio de Jesus Cristo, não tem outra forma de ir, Jesus é a única Porta “Eu sou a porta; se alguém entrar por Mim salvar-se-á  João 10:9″. É o próprio Jesus quem afirma em João 14:6 que ninguém vem ao Pai senão por Ele.

     Mas, mesmo Ele fazendo esta afirmação, muitos ainda procuram outros caminhos, outras formas. A Bíblia descreve em Provérbios 16:25:

    “Há um caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte”.

    Se você quer saber para onde esta indo, faça como Pedro: não procure fazer seu próprio caminho, não se afaste de Jesus, continue firme, seja por debaixo de criticas, perseguição, piadinhas, ou descrédito, mas permaneça sempre firme, e tenha a certeza que Jesus é que tem a Palavra para vida Eterna.

               

  • SALTO ALTO

    Muito me emociona ver pessoas que se acham inferiores, que não tem ideia do tamanho de seu talento, mostrar seu talento e impressionar a todos. Muito me alegra ver gente humilde chegando lá. Eu queria poder entender o que teria acontecido em suas vidas para que tamanha inferioridade tomasse conta de seus corações, mas como não posso saber, ver suas vidas dando uma virada já é o suficiente.

    É complicado lidarmos com certas situações, às vezes recebemos insultos, xingamentos e afrontas de muitos até de amigos, onde muitas vezes sem percebermos acreditamos nestes insultos e começamos a nos considerar inferiores, menores que todos. Mateus 5:5 diz:

    “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” (ACR).

    O termo mansidão no grego, diz respeito ao oposto da ira, é ser amável sem amargura (RIENECKER, 1994, p. 77)

    E sobre o termo mansidão, Itamir Neves tem uma colocação apropriada sobre o assunto:

    “Manso é aquele que entrega os seus direitos a Deus. É entregar tudo o que somos, tudo o que temos, tudo o que fazemos a Deus” (2012, p. 56).

    Quem é soberbo não olha para o lado, o orgulhoso não presta atenção no próximo e segue pisando e rebaixando quem está ao redor, a estes Provérbios 16:18 dá um aviso:

    “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda” (ACM).

    Cuidado com o salto alto, às vezes de tanto olhar por cima você acaba caindo. Cuidado com a soberba, pois ela te persegue, faz você ver somente a si e em um dado momento você desaba.

     Gosto muito de assistir seriados e um deles chamado: Eu, a patroa e as crianças, nos dá uma lição importante.

     Michael Kyle o pai da família, joga basquete com seu filho e perde. O filho fica todo orgulhoso tirando onda do pai. Porém, quando o pai perdedor pede uma revanche e começa a praticar bastante o filho não se importa e relaxa. O resultado não podia ter sido diferente, pois enquanto o pai praticava, o filho descansava prepotente achando que por ter ganhado uma vez poderia ganhar de novo, porém ele perdeu feio, afinal, nada supera uma pessoa que estuda e se prepara e acima de tudo, que aprende com suas derrotas.

    A humildade é ou devia ser uma das marcas da vida cristã. Ter em mente que não somos donos da verdade e que servir a Deus é também servir ao próximo devia ser a principal máxima de todo o cristão.

    O orgulhoso não olha para o próximo. O soberbo pensa apenas em si. Mas o cristão deve ser diferente e ao menos tentar praticar a humildade.

    BIBLIOGRAFIA

    NEVES, Itamir, Comentário Bíblico de Mateus Através da Bíblia, Radio Trans Mundial, São Paulo, 2012.

    RIENECKER, Fritz, Evangelho de Mateus, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 1994.

  • QUAIS SÃO AS SUAS PRIORIDADES ? – ALEXSSANDRO DE LIMA

    Tudo na vida é uma questão de prioridade. A cada passo que damos nós fazemos escolhas com base no que consideramos mais importante, prioritário. Hoje vou à igreja ou à praia? Oro à noite ou fico no Facebook? Estudo a Bíblia ou assisto à TV? Jejuo ou saio para jantar com os amigos? Escuto uma pregação ou uma música? Vou ao hospital visitar os enfermos ou durmo domingo à tarde? Faço seminário ou vou à academia? Passo meu sábado no futebol ou em um orfanato? Gasto meu dinheiro com esmolas e ofertas ou compro um sapato novo? Peço ou adoro ao Senhor? A resposta a cada uma dessas perguntas será determinada pelo nosso poder de escolha. E vamos escolher sempre o que consideramos mais importante.

    Você percebe que implicações enormes tem a escolha daquilo que priorizamos?

    Porque nossas prioridades acabam determinando se seremos mais espirituais ou mais carnais, conhecedores da Palavra ou das novidades da internet, pecadores contumazes ou cristãos esforçados na luta contra o pecado, servos de Cristo ou do inimigo… e por aí vai. Prioridades ditam o nível de nossa vida cristã, especialmente em função de algo chamado tempo.

    Nossas prioridades invadem até o campo dos assuntos sobre os quais conversamos. Por vezes fico atônito ao ver quanto se fala, por exemplo, sobre coisas como Iluminatti, nova ordem mundial, satanismo na Disney, mensagens subliminares, músicas do mundo, escândalos gospel, calvinismo versus arminianismo e outros assuntos menores, quando poderíamos investir nossas energias em tratar daquilo que é de fato relevante, o tutano da nossa fé: relacionamento com Deus. Atos de amor ao próximo. Dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede. Evangelismo. Promoção da paz. E por aí vai. (IS 58:1-11)

    Se você for analisar o cerne da nossa fé, verá que a questão da prioridade está sempre na mesa. Jesus disse:

    “Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?

    Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;

    Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”.  (Mt 6.31-33).

      Repare que a ordem divina não é apenas para procurar o reino de Deus e a sua justiça, mas procurar essas coisas em primeiro lugar. Não basta procurá-las, Jesus quer que as priorizemos. Assim, se priorizarmos qualquer outra coisa, pecamos, pois estaremos desobedecendo a ordem de Jesus. É curioso isso, porque, em geral, não percebemos que o que o Senhor diz aqui não é uma sugestão, do tipo “olha, se você quiser que as demais coisas lhe sejam acrescentadas, tem a possibilidade de buscar o reino de Deus e a sua justiça, mas, se não quiser, tudo bem”. Ele fala no imperativo, “buscai”. Estamos falando de um mandamento, não de uma opção e desobedecer um mandamento significa pecar. Então, se você prioriza atividades secundárias a algo que represente a busca do reino de Deus e sua justiça, está entristecendo o Senhor.

     A vida é curta. Os dias são curtos. Mas a eternidade é longa, muito longa. Se o que fazemos em nossos dias curtos produz resultados que vão durar por toda a eternidade, isso deveria nos chamar para uma mudança urgente em nossas prioridades.

    Enquanto prosseguimos priorizando o que não é prioridade para Deus, vamos seguir pecando, entristecendo o Senhor e prejudicando nossa própria espiritualidade. Nosso relacionamento com Deus continuará em segundo plano, restrito a um ou dois cultos por semana e a uma oração de desencargo de consciência antes de cada refeição. E viveremos para jogar videogame; ficar horas espiritualmente infrutíferas na internet; assistir a novelas, reality shows e jogos de futebol na TV; discutir assuntos tanto-fez-ou-tanto-faz; gastar dinheiro com o que não é pão e outras atividades e atitudes que não terão absolutamente nenhum tipo de eco na eternidade.

    Afinal, com que finalidade Jesus te criou? É a resposta a isso que vai definir as sua prioridades.