-
O SERMÃO DO MONTE PT 1: AOS QUE NADA TÊM
“Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus” (MT 5:3) (NVI).
De todos os textos bíblicos, o Sermão do Monte é um dos que mais me fascina. Seus ensinos servem como norte para a nossa vida e é um ótimo ponto de partida para começar a estudar algumas bases bíblicas para a fé. Faz um bom tempo que eu queria estudar, o que terminou virando esta série.
Tais ensinos estão em Mateus (do capítulo 5 a 7), a fim de que entendêssemos como Cristo queria que nós, seus imitadores, vivêssemos. Este é o primeiro versículo do conhecido texto, estudar sobre eles é adquirir um tesouro de valor inestimável. Alexander complementa pontuando que:
“O “sermão” constitui a primeira e a mais longa das cinco seções, em que Mateus reúne o ensinamento do Senhor. Jesus indica a seus seguidores como se deve viver: não simplesmente em conformidade com uma série de normas, mas revolucionando por dentro a própria atitude e a própria mentalidade” (ALEXANDER et al, 1985, p. 477).
O texto é conhecido por este nome pois o primeiro versículo diz que quando Cristo viu a multidão e seus discípulos se aproximarem, ele subiu em um monte. Provavelmente para ficar a uma altura adequada para falar aquela multidão. Vale lembrar que os apóstolos não haviam sido escolhidos ainda, apenas no capítulo dez vamos descobrir quem eram os doze. Com isso, entendemos que estes discípulos eram seguidores de Jesus (NEVES, 2012, p.53).
O terceiro versículo começa falando: “Bem-aventurados” ou “felizes”, os pobres de espírito (ptóchos), que no grego significa:
“[…] relativo a alguém que é humilde com respeito a suas próprias capacidades […], felizes os que são humildes diante de Deus […]. Para indicar claramente que essa pobreza ou necessidade se relaciona de alguma forma com realidades espirituais, uma boa tradução é “Felizes os que reconhecem que precisam de Deus”” (LOUW et al, 2013, p. 666).
Vivemos em uma época onde o orgulho é coisa corriqueira, confessar dependência, pregar que somos dependentes de Deus e que não somos nada sem ele, é um tanto quanto estranho.
Até a igreja cristã tem se rendido a este pensamento, declarando que um crente tem que estar por cima, um cristão é filho do rei, por isso, deve ser rico. Ou como ouvi em um ônibus um tempo atrás: “Ser cristãos é ser próspero”, como se esta frase fosse verdadeira.
Uma boa lida nos evangelhos vamos ver que Cristo nos convida a ajuntar tesouros no céu, ele nos convida a darmos prioridade a Ele e não ao dinheiro. E esta primeira bem-aventurança nos dá um aviso: “Só é feliz quem tem certeza de que não é nada sem Deus”.
Não é um convite a ser um pobre esfarrapado e sim, a ter certeza de quem realmente somos e de quem nós realmente precisamos depender. É um convite a ajustarmos nossas prioridades. John Stott faz uma pontuação interessante sobre este versículo:
“Assim, ser “humilde (pobre) de espírito” é reconhecer nossa pobreza espiritual ou, falando claramente, a nossa falência espiritual diante de Deus, pois somos pecadores, sob a santa ira de Deus, e nada merecemos além do juízo de Deus” (STOTT, 1982, p. 28).
O ponto principal do conceito “ser cristão” é o arrependimento, é entender que somos pecadores e não somos nada sem Cristo. Seguir a Jesus é viver uma vida dependente principalmente dele, este deve ser o norte da vida cristã.
Por mais que você tenha sonhos, empreendimentos e desejos, a principal ação que devemos tomar é seguirmos os passos de Cristo e termos a nossa vida fundamentada nele.
Nesta primeira bem-aventurança temos um importante ensino: “O reino dos céus é de quem realmente depende de Deus e entende a sua condição de pecador”. A vida cristã não dá espaço para quem é orgulhoso e autossuficiente.
BIBLIOGRAFIA
NEVES, Itamir. Comentário Bíblico de Mateus: Através da Bíblia. São Paulo: RTM Publicações, 2012.
ALEXADER, David.; ALEXANDER, Pat. O mundo da Bíblia. São Paulo: Edições Paulinas, 1985.
LOUW, Johannes.; NIDA, Eugene. Léxico Grego-português do Novo Testamento. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2013.
STOTT, John. Contracultura Cristã: A Mensagem do Sermão do Monte. São Paulo: Editora ABU, 1982.
-
HOMEM INVISÍVEL
Há alguns anos atrás, enquanto procurava uma nova oportunidade de trabalho, resolvi aceitar um serviço temporário de panfletista. Era um trabalho fácil que não pagava mal, onde eu acabava tendo um bom tempo livre para as entrevistas de emprego.
Certo dia, enquanto eu panfletava em um semáforo, avistei o carro de um dos meus professores da faculdade, feliz de encontrá-lo ali, me dirigi a ele para cumprimentá-lo, sendo que o mesmo, acabou fechando a janela sem olhar em meu rosto para conferir quem era o panfletista. Confesso que fiquei chateado, afinal, aquele professor era muito bom e muito atencioso (pelo menos parecia).
Porém, depois deste episódio, lembrei-me de uma aula de filosofia onde outro professor falava das profissões que tornavam as pessoas invisíveis, como o gari, coletor de lixo, ou aqueles funcionários que nos atendem em supermercados, entre outras profissões. E entendi, por experiência própria, o que é ser uma pessoa invisível, sem importância, que ninguém olha na cara.
Vivemos em uma sociedade apressada, que não tem tempo para observar o próximo ou a pessoa ao lado. A vida corre depressa, enquanto em nossa volta, algumas outras vidas coexistem invisíveis em uma barreira de pobreza, miséria e tentam todos os dias ultrapassá-la para nos pedir socorro.
O que mais me impressiona na história de Jesus (que é quem imitamos) é a sua profunda capacidade de olhar o próximo, entender seus problemas e estender a mão, seja ele pobre ou rico. Coisa que nós muitas vezes não fazemos. Afinal, muitos acreditam que alguns merecem estar com os seus problemas, ou estão colhendo frutos de suas decisões. O que pode ter uma pontinha de verdade, mas a pergunta que fica é: Ninguém nunca errou na vida? Todos nós erramos, não é?
Tive a oportunidade de trabalhar na rua com artesanato por dois anos. Neste meio tempo, conheci muitas pessoas e vivenciei muitas histórias.
Conversei com viciados que antes eram gerentes importantes, mas que por conta das drogas, tinham perdido tudo. Conheci artesãos, que com um pedaço de ferro montavam coisas impressionantes. Troquei ideia com músicos, escritores, poetas, pessoas das mais gabaritadas, mas que viviam a margem de tudo e muitas vezes, não eram reconhecidas com a devida justiça.
Somos cercados por homens invisíveis, cada um com sua história, dificuldades e erros. E não seria justo julgá-los, já que todos nós erramos. Jesus não julgava, não é curioso isso?
João 4:7-42 narra à história de uma mulher samaritana, a Bíblia diz que Jesus pediu água a ela (v. 7). Veja bem, judeus não conversavam com samaritanos, eles os odiavam, mas é claro que Cristo conversou. O curioso é que era por volta de meio dia, uma hora que não se tirava água e não sabemos o porquê aquela mulher tirava água justamente naquela hora. Provavelmente porque temia ser vista, talvez por ser uma mulher de índole duvidosa, coisa que Cristo teve certeza mais adiante do texto (v. 18-19). E o que Cristo fez? Mandou-a embora? Julgou-a? Apontou o dedo? Não; simplesmente ofereceu uma água que sacia toda a sede. E lendo o texto todo você vai ver como aquela mulher mudou de vida, testemunhou e falou sobre aquele Cristo que conhecia a sua vida. Jesus quando entra em nossa vida, Ele muda por completo, assim como mudou a vida daquela samaritana, oferecendo saída para as suas mazelas.
Eu sei que não é fácil sairmos da zona de conforto, muitas vezes o melhor é passar de largo, sem olhar para quem precisa, mas temos que tentar. Nosso chamado é para fazer a diferença, nossa missão é pregar e ajudar, e não subestimar pessoas.
Somos todos iguais, porém alguns foram tocados pelo evangelho. Somos salvos pela graça, sem merecermos e é com este mesmo ponto de vista que temos que olhar o próximo e transmitir a palavra.
-
BISCOITO DA SORTE
Uns dias atrás por conta de uma despedida de uma amiga, fomos almoçar em um restaurante chinês, que, diga-se de passagem, é uma das minha comidas favoritas. E como é comum em todo restaurante chinês, no final da refeição abrimos nossos biscoitos da sorte e lemos o que estava escrito, segue o que o meu biscoito dizia:
“Na dúvida entre o certo e o errado, faça o que lhe faz feliz”.
A princípio, para uma consciência não tão crítica assim, o texto pode parecer até bonitinho, mas quando prestamos atenção na frase, percebemos que ela carrega inúmeros problemas.
O primeiro deles é que não podemos decidir entre o certo e o errado com a premissa de ser feliz ou não. Nem sempre o certo nos deixa felizes, as vezes certas decisões temos que ter como critério o certo, e não a nossa felicidade. Por conta de algumas “felicidades” as reservas naturais vem sendo destruídas, em nome de ser feliz muitos passam por cima do próximo, com intuito de crescer mais rápido na empresa. Em nome da felicidade e bem estar muitos políticos roubam, comerciantes sonegam impostos, ou maridos infiéis traem suas esposas. As decisões certas muitas vezes não nos deixam felizes, mas nos deixam em paz. Provérbios 15:30 diz:
“Um olhar animador dá alegria ao coração, e as boas notícias revigoram os ossos”.
A alegria começa com o nosso olhar, em como enxergamos o mundo. Ser feliz não é ter tudo, nem ter dinheiro e nem realizações, ser feliz é ser, é aprender do que precisamos e ignorar o que não vale a pena, valorizando sempre o hoje, o simples ou quem esta conosco.
Eu sempre digo que quando você espera demais da vida, ou quando você sonha alto e esquece-se de aproveitar o hoje, você acaba deixando de viver, segue em um eterno amanhã que pode nunca chegar.
A Bíblia diz, que enganoso é o coração (Jeremias 17:9). Nossos sentimentos são confusos e enganosos demais para seguirmos confiando neles. Somos egoístas, e as vezes em nome de ser feliz ferimos o próximo.
Na dúvida entre o certo e o errado, faça o certo. Afinal, ser feliz é um estado de contentamento interno, não é algo que vem de fora para dentro é de dentro para fora. E isso você não consegue fazendo coisas, mas buscando, ao longo de sua vida ser. Lembrando que ser feliz, não é estar alegre e a alegria é passageira a felicidade não.
-
GÊNESIS 1 & 2 – ADAUTO LOURENÇO
Conheço este autor dos seus muitos vídeos no Youtube. Suas explicações científicas de eventos Bíblicos são interessantes, mas não imaginei que este cientista conseguisse unir a ciência com a teologia de forma tão profunda, como ele fez no livro.
Neste livro Adauto Lourenço se concentra em explicar cientificamente a criação descrita em Gênesis 1 e 2, mostrando que ciência e a Bíblia são conciliáveis.
Ele mostra também como muitas teorias científicas são falhas, além de deixar claro nossa profunda ignorância sobre Darwin, Big Bang e coisas assim. Eu não sabia que muita coisa do que eu tinha ouvido e aprendido estava equivocado. E eu não sabia também o quão complicado são algumas teorias científicas cristãs, pois até estas teorias o autor coloca na parede.
O autor mostra que domina não só a ciência, mas também a teologia, as interpretações e exegese são coesas e bem embasadas, vale a pena ler.
Editora Fiel com 233 páginas.
-
FALSIDADE IDEOLÓGICA
Eu não fico feliz quando vejo um pastor ensinar mentiras e deturpar a Bíblia. Muito menos quando um cristão humilha o próximo ou deixa de amar, cuidar ou praticar o que a Bíblia nos manda por em prática, mas eu também não deixo de ter certeza de que muitos destes não são realmente cristãos.
O problema do Brasil é que muitos se dizem cristãos, mas não praticam os ensinos de Cristo. Inúmeras pessoas gostam de ir a igreja, porém, não se esforçam em estudar a palavra. Muitos ouvem o pastor, contudo, não se prestam a conferir se o que está sendo falado é realmente calcado na Palavra.
Acredito que muito pior do que a falta de Deus no coração, é esta teologia da hiper graça que ensina que Deus perdoa tudo, mas que se esquece que temos que nos esforçar para andarmos no caminho. E por mais que o ser humano erre e precise do perdão de Deus, uma árvore de laranja, não dá limão, conversão sem mudança de vida não é conversão.
Contudo, algo ainda pior que a hiper graça são os cristãos nominais, que se dizem ser algo que não vivem. Ou vão a igreja por costume, não abrem a Bíblia para estudar e não têm a mínima vontade de se aprofundar e conhecer a palavra, quanto mais se arrependem de seus pecados:
“Estamos acostumados a ouvir pregadores convidando os homens a “aceitarem a Jesus como seu Salvador pessoal”; mas, na realidade, esta é uma expressão que não encontramos nas escrituras. Tais palavras têm-se tornado uma expressão vazia. “Salvador Pessoal” podem ser palavras preciosas para os crentes; todavia, são totalmente inadequadas para instruir os pecadores a respeito do caminho para a vida eterna. Elas ignoram inteiramente um elemento essencial do evangelho o arrependimento” (MACARTHUR, 2013, p. 91).
O que Cristo mais falou na Bíblia foi: “Arrependam-se, mudem de vida, me sigam”. E seguir a Cristo gera mudança de vida, caráter e conduta.
Não estou falando que ninguém erra, que ninguém mais peca, e também não estou falando que somos salvos pelas obras e sim, que quando temos Cristo a nossa vida muda. Efésios 4:22-24 diz:
“Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade”.
Despir-se do velho homem, e revestir-se do novo. Estas ações geram mudança, uma nova vida, uma vida renovada.
Particularmente acredito que é impossível ser convertido sem viver uma novidade de vida, afinal, quando Cristo entra em nossa vida, nossa vida é transformada. Quando Cristo entrou na vida de Zaqueu ele mudou de vida e prometeu devolver todo o fruto do seu roubo. Quando Cristo entrou na vida de Paulo, ele teve a vida transformada, e nunca mais perseguiu os cristãos, virando um dos maiores pregadores do evangelho.
Eu gosto de Mateus 26:73, que é a passagem onde Pedro nega a Jesus. O texto diz que eles olharam para Pedro e disseram: mas você fala como um seguidor de Cristo. Não tinha como disfarçar, aquele homem que negou Jesus, mas acabou se arrependendo depois, não conseguia disfarçar quem ele seguia.
Seguir a Cristo é mudar de vida, é passar por uma grande mudança, é ter uma nova vida. Quando Jesus nos toca, nunca mais somos os mesmos e por mais que pequemos, a mudança é visível, não tem como disfarçar.
Por isso, quando uma pessoa que se diz cristã, não viver como tal; certamente ela não é.
BIBLIOGRAFIA
MACARTHUR, John. O Evangelho Segundo os Apóstolos, São Paulo: Editora Fiel, 2013.
-
TEMPO PERDIDO
Eu tenho pensado muito sobre o tempo ultimamente, apesar de não estar para morrer. A simples menção de eu estar perdendo tempo me incomoda e me deixa reflexivo. Afinal, o tempo não volta, diante disso, não podemos nos dar ao luxo de errar (não muito) e nem de fazer escolhas onde o nosso tempo será perdido.
E sobre tempo perdido, Harold Kushner tem uma teoria chamada: Teoria do vidro de café, muito interessante:
“Logo que abrimos um vidro de café solúvel, você serve colheradas cheias, generosas, por que sabe que o vidro ainda está cheio, está usando apenas uma pequena parte do conteúdo. À medida que se aproxima do final do vidro, você percebe que já há pouco café, e aos poucos passam a ser medidas com mais cuidado. No final, você se esforça para alcançar até o pouco que se esconde nos cantinhos” (KUSHNER, 2004, p. 89).
Você não acha que nós lidamos com a vida de modo parecido?
Quando novos não ligamos para o tempo, a velhice, morte ou o final da vida, não nos faz muito sentido. Com o tempo começamos a perceber como somos limitados e que não temos tanto tempo assim. Tentamos desta forma tomar mais cuidado, não abusar tanto da sorte, até que um dia percebemos que o tempo está quase no fim. Eclesiastes 3:1 diz:
“Para tudo há uma ocasião, e um tempo para cada propósito debaixo do céu”.
Para tudo há o seu tempo, cabe a nós tentar entender o tempo certo para agir de forma assertiva. Mas como entender? Como saber que não estamos perdendo tempo? Eclesiastes nos explica.
Este controverso e mal humorado livro, que por séculos levanta questões por conta dos seus questionamentos nos dá a principal conclusão: “A riqueza não traz satisfação verdadeira” (ZUCK, 2014, p. 218, 220, 221).
Enfim, este livro nos traz alguns sopros de reflexões, que nos faz pensar o que estamos fazendo com a nossa vida, qual é o sentido. E o próprio capítulo começa com uma sentença interessantíssima: “Para tudo há uma ocasião” (v. 1). Existe o tempo certo para fazermos tudo, nascer, colher, plantar, construir, chorar, enfim, do versículo 1 ao 8 este pensador desconhecido mostra como tudo na vida tem um tempo. E ele termina com uma frase genial no versículo 9, porém vou usar a tradução de Eugene Peterson:
Mas, no final, será que tudo isso faz alguma diferença? (PETERSON, 2012, p. 903).
Será que tudo faz diferença, é tudo muito difícil, Deus nos deixou muito trabalho pesado e o que eu ganho com tudo isso? Será que viver é só isso?
É difícil muitas vezes entender a vontade de Deus, é complicado explicar o porquê certas coisas acontecem conosco ou porque muitos planos não dão certo. Mas o que o texto no aconselha é confiar em Deus, sem tentar compreendê-lo. E seguir com um coração agradecido.
Penso que às vezes corremos atrás de tantas coisas que não valem a pena, que deixamos passar o que deveríamos realmente fazer. Será que vale a pena correr atrás do que estamos correndo? Vale a pena fazer o que estamos fazendo? Pense nisso e construa limites.
Quando temos a vontade de Cristo como ponto central em nossa vida, certamente não estaremos perdendo tempo. Afinal, só há contentamento n’Ele, só há esperança n’Ele e só há equilíbrio n’Ele. Diante disso, que a palavra de Paulo ecoe em nossas vidas:
“Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Filipenses 1:21).
BIBLIOGRAFIA
Zuck, Roy B. Teologia do Antigo Testamento. Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2009.
KIVITZ, Ed René. O Livro Mais Mal-humorado da Bíblia: A acidez da vida e a sabedoria do Eclesiastes. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2013.
PETERSON, Eugene H. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2012.
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.
-
APRENDI A ESTAR CONTENTE
Quando o desânimo toma conta de nossa vida, parece não existir nada que nos dê sentido. Com isso, seguimos reclamando, caminhamos vendo mais problemas do que acertos.
Eu sei que os problemas nos fazem crescer, amadurecer ou servem para trazer-nos mais fé. Contudo, problemas demais cansam, viram mais peso do que aprendizado, porém, é inevitável, termos que aprender a lidar com eles. A pergunta que fica é como? Paulo em Filipenses 4:12 diz:
“Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade”.
A palavra “aprendi” (em grego manthanó) significa obter informações a partir de um processo de instrução, vir a entender ou aprender por experiência (LOUW; NIDA, 2013 p. 293). Traz-nos a mente a possibilidade que temos de aprender e crescer. E conhecendo a vida de Paulo e todo o seu sofrimento, temos certeza que é possível aprendermos.
Paulo muitas vezes esteve preso, inclusive algumas cartas suas foram escritas enquanto estava detido (Filemon, Filipenses, Colossenses e Efésios). Esteve também doente, com um espinho na carne, algo que o incomodava, mas que não foi curado. Pois segundo Cristo, aquilo servia para que ele fosse humilde (2 Cor 12:7). Sofreu naufrágios, perseguições e quase morreu apedrejado, enfim a lista é grande você pode conferir em 2 Coríntios 11:24-28, porém a lição que ele deixa é nunca deixar de obedecer a Deus.
Todos nós passamos por dificuldades e muitos em algum momento da vida podem passar por adversidades. Mas quando estas coisas ditam o ritmo de nossa vida, acabamos virando escravos dos problemas. Chore, fique triste, dê um tempo para a cabeça e se permita passar pela dor, mas depois levante, aprenda a dar um fim no seu luto e seguir seu caminho.
Paulo tinha aprendido o segredo de estar contente, ele sabia que era Cristo que dirigia a sua vida. A força dele não vinha dos seus músculos, ele olhava sempre muito mais além dos problemas, por que confiava em Deus e em sua direção.
Quando aprendemos a estar contentes nada nos segura, quando aprendemos em meio a dor contemplar o belo, não viramos escravos das situações e conseguimos seguir nosso caminho com um pouco mais de paz.
BIBLIOGRAFIA
LOUW, Johannes.; NIDA, Eugene. Léxico Grego-Português do Novo Testamento. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2013.
-
SER É O BASTANTE – CARLOS QUEIROZ
A primeira coisa que eu pensei quando conheci o livro foi: Por que eu vou querer ler mais um livro sobre o sermão do monte?
Diante disso, nunca me interessei por ler, até o dia, em uma feira de livros, que conheci um aluno deste escritor, e ele ao ver o livro começa a me explicar alguns de seus conceitos, já que o livro partiu de uma série de aulas que ele havia assistido.
Foi inevitável não me entusiasmar com a explicação daquele aluno e quando eu li o livro, entendi o porquê do entusiasmo.
O sermão do monte muitos já conhecem, trata-se de uma série de ensinos de Cristo, talvez os mais conhecidos e o que Carlos Queiroz faz não é só pontuar e explicar todas as passagens, mas contextualizar de forma magistral todo o sermão:
“O Sermão do Monte nos ajuda a entender a vida a partir de novos prismas, valores, princípios, virtudes e perspectivas. Na verdade o que Jesus apresenta não deveria ser considerado tão novo assim – é o sentido humano pleno para qual todos fomos criados. Criados para a vocação de ser gente” (QUEIROZ, 2006, pg. 17,18).
Enfim, convido você a mergulhar nesta coleção de ensinos e perceber através das lentes de Carlos Queiroz a profundidade desta passagem Bíblica.
Vale a pena ler e entender cada um dos pontos do sermão.
Vale a pena também estudar e aprender sobre um dos maiores ensinos de Cristo.
Publicado pela Editora Esperança, com 229 páginas.
Bibliografia
QUEIROZ, Carlos, Ser é o Bastante, Felicidade à Luz do Sermão do Monte, Editora Esperança, Curitiba, 2006.
-
SOBRE O MALDIZER
O maldizer é um problema e quando somos alvos desta prática, muitas vezes colhemos consequências injustas. José do Egito, por exemplo, teve que lidar com mentiras que custaram seu futuro e quase custaram sua vida (GN 39). Jesus teve que lidar com os caluniadores, que queriam condená-lo. O povo hebreu, que após ser libertado por Moisés e viram inúmeros milagres, não deixaram de maldizer ante as dificuldades que o trajeto proporcionava. Enfim, os exemplos são muitos, os estragos imensuráveis, porém a verdade é apenas uma, o maldizer diz mais do difamador, do que do difamado e sobre isso Karnal tem uma ótima frase, que resume bem o conceito:
“Falo mal porque meu vazio interior é tão insuportável que prefiro o ataque a terceiros a pensar na minha miséria?” (KARNAL, 2016, p. 15).
O maldizer é quase que uma fotografia, o retrato interior de uma mente sem sentido. O falar mal é quase que um vício, ou talvez seja o resultado de quem não tem nada a oferecer. Provérbios 26:22 tem uma passagem interessante sobre o caluniador:
“As palavras do difamador são como petiscos apetitosos, descem com delicioso sabor até o íntimo de quem lhes dá atenção”.
Quem gosta de se envolver com caluniadores é comparado com quem gosta de saborear algo gostoso. É quase um prazer, segundo a Bíblia, só existe problema com quem dá atenção a este tipo de pessoa, e mais dia ou menos dia o objeto da calúnia será você.
Acredito que o maldizer começa na inveja de quem não consegue aceitar que o próximo é melhor que ele. Quem sabe, esta prática tenha a sua origem em nossa falta de capacidade ou revele o quanto somos preguiçosos. Desejar o do mau do outro é sempre mais fácil, não é?
Talvez o maldizer mostre o que realmente tem dentro de nós, quem sabe ele demonstre que além da inveja, não temos mais nada a oferecer, e desejar o que é do outro é mais cômodo.
Quem sabe o maldizer diga que no fundo o que queríamos mesmo era ser como a pessoa que com tantas forças maldizemos. É como o ditado diz: “Quem desdenha quer comprar” e quem sabe o ditado esteja certo!
BIBLIOGRAFIA
KARNAL, Leandro. A Detração: Breve ensaio sobre o maldizer. Rio Grande do Sul: Editora Unisinos, 2016.
INVEJA. In: DICIO, Dicionário online de português. Porto: 7 Graus, 2024. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/inveja>. Acesso em: 25/02/2017.
-
JOVEM INCANSÁVEL NÃO MAIS REFORMADO – AUSTIN FISCHER
Há tempos que eu queria ler este livro, o título e subtítulo, bem como a capa me intrigaram. Eu pensei: Como um livro sobre calvinismo e arminianismo pode falar sobre buracos negros e coisas do tipo? E foi com este sentimento de curiosidade e ceticismo que enfim, depois de meses, consegui encontrar e comprar o livro.
O livro, apesar de abordar vários pontos do calvinismo e arminianismo, gira em todo da predestinação, livre arbítrio e da soberania de Deus, na visão de quem um dia já havia sido calvinista ferrenho e abandonado esta teologia.
Eu já vou avisando que as perguntas e dúvidas não são novas, porém são muito bem respondidas. Com uma boa dose de metáforas, histórias e contextualizações. E principalmente, uma boa dose de reflexão e respeito, muito respeito por quem é de qualquer um destes lados.
O autor não se limita a convencer, mas levar o leitor a reflexão e a análise de sua teologia. Vale a leitura, seja você de qual lado for, pois é um livro muito equilibrado e coeso.
Editora Sal Cultural, com 123 páginas.



