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  • VIDA CRISTÃ

    John Stott no livro: Nosso silêncio culpado, um livro que trata do silêncio da igreja quanto ao evangelismo, traz a lume quatro possíveis causas explicando o porquê à igreja hoje tem se silenciado quanto à prática evangelística. E as causas listadas seriam: Falta de incentivo, falta de instrução quanto ao que falar, não acreditar ser este nosso trabalho e não acreditar que podemos fazer algo de bom por não lembrarmos de quem vem todo o poder (STOTT, 2014, p. 16).

    O livro todo tem estes quatro fundamentos, porém uma pergunta importante fica escancarada logo no primeiro capítulo do livro:

    “Por que é então que o nosso fluxo de discurso seca tão rápido quando a conversa deriva para a religião?” (STOTT, 2014, p. 19).

    Será falta de conhecimento? A preguiça de estudar que acaba nos deixando inseguros? Porque será?

    O autor dá a sua saída, muitas análises e justificações, mas uma de suas conclusões eu quero compartilhar com vocês:

    “Certamente nada impede o progresso do Evangelho tanto quanto nossas vidas cristãs inconsistentes. […] Mais frequentemente do que sabemos, o que as pessoas rejeitam não é o verdadeiro Cristo, mas o Cristo que veem nos cristãos não Cristo, na verdade, mas uma igreja que não se parece nada com Cristo” (STOTT, 2014, p. 89, 90).

    Diante disso uma pergunta é inevitável: Como você tem vivido o Evangelho?

    Pois uma coisa é clara, você fará pouca, ou nenhuma diferença, se não falar do que vive. Nunca será relevante se ler a Bíblia apenas no culto de domingo e muito menos conseguirá falar com convicção, se você não souber de forma clara a razão de sua fé. O texto de 1 Pedro 3:15 diz:

     “Antes, santifiquem Cristo como Senhor no coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês”.

    Se você mesmo não entender o porquê crê em Deus e o porquê o segue, como você acha que vai conseguir pregar isso a outros? Convicção só tem quem estuda, se aprofunda e tem intimidade com a palavra de Deus.

    Em uma entrevista para o Roda Viva perguntaram ao Luiz Felipe Pondé o seguinte: Se Jesus vivesse nos dias de hoje, quem você acha que Ele incomodaria? Ele respondeu: Quem sabe não seria eu e você. Afinal, nós sempre falamos dos problemas, nos colocando fora destes problemas, mas será que Deus se agradaria de ver como temos vivido hoje?

    Quer transmitir a palavra de Deus ao próximo? Viva a palavra. Quer ser relevante nos dias de hoje? Entenda em que você crê e esteja pronto para explicar a seu próximo.

    Afinal, quando falamos o que não vivemos, acabaremos sendo hipócritas, quando transmitimos o que não conhecemos, podemos sem querer construir um espantalho, falar de algo que não existe e que a Bíblia não fala, por isso estude a Bíblia e pratique seus ensinos, tudo começa aí.

    BIBLIOGRAFIA

    STOTT, John, O Nosso Silêncio Culpado, Editora Esperança, Curitiba, 2014.

  • O SERMÃO DO MONTE PT 2: LAMENTO

    “Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados” (MT 5:4) (NVI). 

    Ser feliz é algo muito falado em nossos dias, todos almejam a felicidade e seguem fórmulas das mais variadas para assim conseguir alcançar tal objetivo. O problema é que a felicidade, como o mundo concebe, não é duradoura, a tristeza e o choro são muito mais corriqueiros do que a felicidade oferecida pelo mundo.

    E sobre ser feliz, neste versículo, Jesus justamente diz que: “feliz é quem chora”. No grego a palavra choro (pentheó) significa lamento, choro ou um pranto que decorre de maldade e opressão (LOUW et al, 2013, 273).

    Quem nunca se sentiu desamparado, perdido, sentindo que Deus não mais o ouve? Quem nunca se sentiu abandonado, no deserto sem saída? Esta bem-aventurança é para estes abandonados, cansados e perdidos no deserto da vida. É para quem pensa estar sozinho e desamparado.  John Wesley explica de forma magistral este versículo:

    “Ele se refere aos que choram por Deus. São aqueles que perderam a alegria espiritual que já tiveram um dia. Eles perderam o poder perdoador de sua palavra e não sentem o sabor do mundo bom que está por vir. Agora Deus parece esconder deles a sua face, e eles têm problemas” (WESLEY, 2015, p. 74).

     Eu não sei se você já passou pelo deserto, já sentiu que a sua oração não passava do teto e teve a impressão que Deus não estava te ouvindo, aliás, que Ele tinha mais coisa a fazer do que te ouvir, eu já passei por isso.

    Ao sair de minha antiga igreja, eu deixei que o desânimo tomasse conta da minha vida. Eu não entendia o porquê tudo estava dando errado, nestas horas, a dúvida me consumia.

    Quem sabe você esteja sofrendo perseguições por conta de ser Cristão e não entende porque parece que Deus não intervém, que a injustiça está sempre em sua cola, mas a paz e a justiça de Deus não.

    Se você se encaixa neste perfil, tal qual eu me encaixei, o texto diz que você é um bem-aventurado, afinal, você será consolado.

    Ser cristão não é algo fácil e muitas vezes não entendemos esta escuridão toda, porém, uma coisa eu posso falar, Deus não tarda em intervir.

    Nós não escolhemos sofrer, a vida já traz sofrimento de graça, mas podemos escolher nos manter firmes, confiantes, crendo que Jesus vai nos consolar. Eu gosto da tradução deste versículo pela Bíblia A mensagem de Eugene Peterson:

    “Abençoados são vocês, que sofrem por terem perdido o que mais amavam. Só assim, poderão ser abraçados por aquele que é amor supremo” (2012, p. 1382).

    Eu não sei o que você perdeu, ou porque se sente abandonado ou inútil, eu só sei que o consolo sempre vem, é só você se manter firme e buscar a Deus. Eu sempre digo que confiar é largar o controle, e crer que Cristo está no comando, mesmo que Ele não pareça estar.

    BIBLIOGRAFIA

    LOUW, Johannes.; NIDA, Eugene. Léxico Grego-português do Novo Testamento. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2013.

    PETERSON, Eugene H. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2012.

    WESLEY, John. O Sermão do Monte. São Paulo: Editora Vida, 2015.

  • WORKAHOLIC

    Durante a minha vida conheci muitos workaholics. Pessoas que vivem a vida para trabalhar e tem no trabalho a sua realização máxima.

    Alguns destes viciados passam a maioria de seu tempo enfurnado em suas empresas, e quando param para bater um papo o tema quase toda às vezes é relacionado a trabalho. Suas famílias mal o veem, seus filhos crescem sem sua companhia, e quando estes crescem e se rebelam, eles deixam sem saber o que fizeram de errado, já que viveram a vida para trabalhar e prover sustento aos seus.

    Muitos workaholics não consideram suas atitudes prejudiciais, alguns tatuam em suas mentes a máxima “o trabalho dignifica o homem” e consideram como desocupado qualquer um que não pensa ao menos o mínimo como eles. Trabalhar é a regra, construir sua carreira é a máxima do dia, trabalhar para viver com status é a ambição, só que esta ambição muitas vezes custa o preço de sua vida. Mário Quintana tem uma poesia sobre o tempo que explica de forma magistral este tema:

    “A vida são deveres, que nós trouxemos para fazer em casa.

    Quando se vê, já são seis horas…

    Quando se vê, já é sexta-feira

    Quando se vê, já é Natal….

    Quando se vê, já terminou o ano.

    Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.

    Quando se vê, passaram-se 50 anos!

    Agora, é tarde demais para ser reprovado…

    Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade,

    eu nem olhava o relógio.

    Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho,

    a casca dourada e inútil das horas…

    Eu seguraria todos os meus amigos, que Já não sei como e onde eles estão e diria: vocês são extremamente importantes para mim.

    Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…

    Dessa forma eu digo, não deixe de fazer algo que gosta devido a falta de tempo.

    Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.

    A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará”.

    Não sou contra o trabalho, muito menos acho besteira o fato de uma pessoa querer perseguir seus sonhos e desejos, o problema é que muitas vezes vivemos perseguindo o amanhã e esquecemos de viver o hoje. 2Timóteo 1:7 diz:

    “Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação”.

    Moderação segundo o dicionário é:

    “Atitude de continuar na medida exata”.

    E isso é uma das coisas que Deus traz em nossa vida, ou que pelo menos deveríamos tentar buscar. O mundo coloca em nossas costas cargas pesadas demais para carregarmos, sonhos inúteis e conceitos fracos e sem duração, lutar contra as coisas que nos tomam o tempo é fundamental. Bater de frente contra o ativismo é entender que a vida não é feita apenas de ter e sim, é também ser.

    Eu li uma frase um tempo atrás, atribuído a Toquinho Carvalho que talvez resuma o vazio que um workaholic tem:

    “Todo o excesso esconde uma falta”.

     Quem sabe este seja um do problemas do workaholic e se for, a solução não virá apenas com o trabalho.

    Quando sonhamos em demasia, ou trocamos tudo em nome de uma coisa que consome nosso tempo, temos que ter a consciência que o tempo não volta, só se vive uma vez e talvez valha mais a pena aproveitarmos a vida com o que temos do que sonhar com algo que não temos.

    BIBLIOGRAFIA

    BÜRKI, Werner de Boor Hans. Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 2007.

    MODERAÇÃO. In: DICIO, Dicionário online de português. Porto: 7 Graus, 2024. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/moderacao&gt;. Acesso em: 01/04/2017.

  • PARA ENTENDER A BÍBLIA – JOHN STOTT

    Não conheço um livro tão prático, e ao mesmo tempo, tão esclarecedor quanto este.

    Como podemos perceber através do nome o livro “Para entender a Bíblia” tem como propósito principal dar um pano de fundo histórico, teológico e prático deste importante livro.

    “A maior parte dos livros fornece aos leitores potenciais a informação que desejam sobre quem os escreveu e por quê. Quando não é o autor que nos conta francamente no prefácio a respeito de si mesmo e do assunto do texto, o editor nos relata na contracapa. A maioria dos leitores passa algum tempo analisando essas informações antes de comprar, emprestar ou ler o livro.

    É lamentável que os leitores da Bíblia nem sempre se disponham a fazer essas mesmas perguntas. Muitos parecem apenas apanhá-la e lê-la a esmo” (STOTT, 2014, p. 12).

    Enfim, este livro tem como propósito ser esta ponte, um material inicial para que entendamos todo o contexto, como foi escrito e como interpretar. A linha histórica que ele traça dando o pano de fundo geral de toda a Bíblia é muito boa. O texto é fácil de ler e muito coeso.

    Publicado pela Editora Ultimato, com 221 páginas.

    BIBLIOGRAFIA

    STOTT, John, Para entender a Bíblia, Editora Ultimado, Minas Gerais, 2014.

  • O SERMÃO DO MONTE PT 1: AOS QUE NADA TÊM

    “Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus” (MT 5:3) (NVI). 

     

    De todos os textos bíblicos, o Sermão do Monte é um dos que mais me fascina. Seus ensinos servem como norte para a nossa vida e é um ótimo ponto de partida para começar a estudar algumas bases bíblicas para a fé. Faz um bom tempo que eu queria estudar, o que terminou virando esta série.

    Tais ensinos estão em Mateus (do capítulo 5 a 7), a fim de que entendêssemos como Cristo queria que nós, seus imitadores, vivêssemos. Este é o primeiro versículo do conhecido texto, estudar sobre eles é adquirir um tesouro de valor inestimável. Alexander complementa pontuando que:

    “O “sermão” constitui a primeira e a mais longa das cinco seções, em que Mateus reúne o ensinamento do Senhor. Jesus indica a seus seguidores como se deve viver: não simplesmente em conformidade com uma série de normas, mas revolucionando por dentro a própria atitude e a própria mentalidade” (ALEXANDER et al, 1985, p. 477).

    O texto é conhecido por este nome pois o primeiro versículo diz que quando Cristo viu a multidão e seus discípulos se aproximarem, ele subiu em um monte. Provavelmente para ficar a uma altura adequada para falar aquela multidão. Vale lembrar que os apóstolos não haviam sido escolhidos ainda, apenas no capítulo dez vamos descobrir quem eram os doze. Com isso, entendemos que estes discípulos eram seguidores de Jesus (NEVES, 2012, p.53).

    O terceiro versículo começa falando: “Bem-aventurados” ou “felizes”, os pobres de espírito (ptóchos), que no grego significa:

    “[…] relativo a alguém que é humilde com respeito a suas próprias capacidades […], felizes os que são humildes diante de Deus […]. Para indicar claramente que essa pobreza ou necessidade se relaciona de alguma forma com realidades espirituais, uma boa tradução é “Felizes os que reconhecem que precisam de Deus”” (LOUW et al, 2013, p. 666).

    Vivemos em uma época onde o orgulho é coisa corriqueira, confessar dependência, pregar que somos dependentes de Deus e que não somos nada sem ele, é um tanto quanto estranho.

    Até a igreja cristã tem se rendido a este pensamento, declarando que um crente tem que estar por cima, um cristão é filho do rei, por isso, deve ser rico. Ou como ouvi em um ônibus um tempo atrás: “Ser cristãos é ser próspero”, como se esta frase fosse verdadeira.

    Uma boa lida nos evangelhos vamos ver que Cristo nos convida a ajuntar tesouros no céu, ele nos convida a darmos prioridade a Ele e não ao dinheiro. E esta primeira bem-aventurança nos dá um aviso: “Só é feliz quem tem certeza de que não é nada sem Deus”.

    Não é um convite a ser um pobre esfarrapado e sim, a ter certeza de quem realmente somos e de quem nós realmente precisamos depender. É um convite a ajustarmos nossas prioridades. John Stott faz uma pontuação interessante sobre este versículo:

    “Assim, ser “humilde (pobre) de espírito” é reconhecer nossa pobreza espiritual ou, falando claramente, a nossa falência espiritual diante de Deus, pois somos pecadores, sob a santa ira de Deus, e nada merecemos além do juízo de Deus” (STOTT, 1982, p. 28).

    O ponto principal do conceito “ser cristão” é o arrependimento, é entender que somos pecadores e não somos nada sem Cristo. Seguir a Jesus é viver uma vida dependente principalmente dele, este deve ser o norte da vida cristã.

    Por mais que você tenha sonhos, empreendimentos e desejos, a principal ação que devemos tomar é seguirmos os passos de Cristo e termos a nossa vida fundamentada nele.

    Nesta primeira bem-aventurança temos um importante ensino: “O reino dos céus é de quem realmente depende de Deus e entende a sua condição de pecador”. A vida cristã não dá espaço para quem é orgulhoso e autossuficiente.

    BIBLIOGRAFIA

    NEVES, Itamir. Comentário Bíblico de Mateus: Através da Bíblia. São Paulo: RTM Publicações, 2012.

    ALEXADER, David.; ALEXANDER, Pat. O mundo da Bíblia. São Paulo: Edições Paulinas, 1985.

    LOUW, Johannes.; NIDA, Eugene. Léxico Grego-português do Novo Testamento. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2013.

    STOTT, John. Contracultura Cristã: A Mensagem do Sermão do Monte. São Paulo: Editora ABU, 1982.

  • HOMEM INVISÍVEL

    Há alguns anos atrás, enquanto procurava uma nova oportunidade de trabalho, resolvi aceitar um serviço temporário de panfletista. Era um trabalho fácil que não pagava mal, onde eu acabava tendo um bom tempo livre para as entrevistas de emprego.

    Certo dia, enquanto eu panfletava em um semáforo, avistei o carro de um dos meus professores da faculdade, feliz de encontrá-lo ali, me dirigi a ele para cumprimentá-lo, sendo que o mesmo, acabou fechando a janela sem olhar em meu rosto para conferir quem era o panfletista. Confesso que fiquei chateado, afinal, aquele professor era muito bom e muito atencioso (pelo menos parecia).

    Porém, depois deste episódio, lembrei-me de uma aula de filosofia onde outro professor falava das profissões que tornavam as pessoas invisíveis, como o gari, coletor de lixo, ou aqueles funcionários que nos atendem em supermercados, entre outras profissões. E entendi, por experiência própria, o que é ser uma pessoa invisível, sem importância, que ninguém olha na cara.

    Vivemos em uma sociedade apressada, que não tem tempo para observar o próximo ou a pessoa ao lado. A vida corre depressa, enquanto em nossa volta, algumas outras vidas coexistem invisíveis em uma barreira de pobreza, miséria e tentam todos os dias ultrapassá-la para nos pedir socorro.

    O que mais me impressiona na história de Jesus (que é quem imitamos) é a sua profunda capacidade de olhar o próximo, entender seus problemas e estender a mão, seja ele pobre ou rico. Coisa que nós muitas vezes não fazemos. Afinal, muitos acreditam que alguns merecem estar com os seus problemas, ou estão colhendo frutos de suas decisões. O que pode ter uma pontinha de verdade, mas a pergunta que fica é: Ninguém nunca errou na vida? Todos nós erramos, não é?

    Tive a oportunidade de trabalhar na rua com artesanato por dois anos. Neste meio tempo, conheci muitas pessoas e vivenciei muitas histórias.

    Conversei com viciados que antes eram gerentes importantes, mas que por conta das drogas, tinham perdido tudo. Conheci artesãos, que com um pedaço de ferro montavam coisas impressionantes. Troquei ideia com músicos, escritores, poetas, pessoas das mais gabaritadas, mas que viviam a margem de tudo e muitas vezes, não eram reconhecidas com a devida justiça.

     Somos cercados por homens invisíveis, cada um com sua história, dificuldades e erros. E não seria justo julgá-los, já que todos nós erramos. Jesus não julgava, não é curioso isso?

    João 4:7-42 narra à história de uma mulher samaritana, a Bíblia diz que Jesus pediu água a ela (v. 7). Veja bem, judeus não conversavam com samaritanos, eles os odiavam, mas é claro que Cristo conversou. O curioso é que era por volta de meio dia, uma hora que não se tirava água e não sabemos o porquê aquela mulher tirava água justamente naquela hora. Provavelmente porque temia ser vista, talvez por ser uma mulher de índole duvidosa, coisa que Cristo teve certeza mais adiante do texto (v. 18-19). E o que Cristo fez? Mandou-a embora? Julgou-a? Apontou o dedo? Não; simplesmente ofereceu uma água que sacia toda a sede. E lendo o texto todo você vai ver como aquela mulher mudou de vida, testemunhou e falou sobre aquele Cristo que conhecia a sua vida. Jesus quando entra em nossa vida, Ele muda por completo, assim como mudou a vida daquela samaritana, oferecendo saída para as suas mazelas.

    Eu sei que não é fácil sairmos da zona de conforto, muitas vezes o melhor é passar de largo, sem olhar para quem precisa, mas temos que tentar. Nosso chamado é para fazer a diferença, nossa missão é pregar e ajudar, e não subestimar pessoas.

    Somos todos iguais, porém alguns foram tocados pelo evangelho. Somos salvos pela graça, sem merecermos e é com este mesmo ponto de vista que temos que olhar o próximo e transmitir a palavra.

  • BISCOITO DA SORTE

    Uns dias atrás por conta de uma despedida de uma amiga, fomos almoçar em um restaurante chinês, que, diga-se de passagem, é uma das minha comidas favoritas. E como é comum em todo restaurante chinês, no final da refeição abrimos nossos biscoitos da sorte e lemos o que estava escrito, segue o que o meu biscoito dizia:

    “Na dúvida entre o certo e o errado, faça o que lhe faz feliz”.

    A princípio, para uma consciência não tão crítica assim, o texto pode parecer até bonitinho, mas quando prestamos atenção na frase, percebemos que ela carrega inúmeros problemas.

    O primeiro deles é que não podemos decidir entre o certo e o errado com a premissa de ser feliz ou não. Nem sempre o certo nos deixa felizes, as vezes certas decisões temos que ter como critério o certo, e não a nossa felicidade. Por conta de algumas “felicidades” as reservas naturais vem sendo destruídas, em nome de ser feliz muitos passam por cima do próximo, com intuito de crescer mais rápido na empresa. Em nome da felicidade e bem estar muitos políticos roubam, comerciantes sonegam impostos, ou maridos infiéis traem suas esposas. As decisões certas muitas vezes não nos deixam felizes, mas nos deixam em paz. Provérbios 15:30 diz:

    “Um olhar animador dá alegria ao coração, e as boas notícias revigoram os ossos”.

    A alegria começa com o nosso olhar, em como enxergamos o mundo. Ser feliz não é ter tudo, nem ter dinheiro e nem realizações, ser feliz é ser, é aprender do que precisamos e ignorar o que não vale a pena, valorizando sempre o hoje, o simples ou quem esta conosco.

    Eu sempre digo que quando você espera demais da vida, ou quando você sonha alto e esquece-se de aproveitar o hoje, você acaba deixando de viver, segue em um eterno amanhã que pode nunca chegar.

    A Bíblia diz, que enganoso é o coração (Jeremias 17:9). Nossos sentimentos são confusos e enganosos demais para seguirmos confiando neles. Somos egoístas, e as vezes em nome de ser feliz ferimos o próximo.

    Na dúvida entre o certo e o errado, faça o certo. Afinal, ser feliz é um estado de contentamento interno, não é algo que vem de fora para dentro é de dentro para fora. E isso você não consegue fazendo coisas, mas buscando, ao longo de sua vida ser. Lembrando que ser feliz, não é estar alegre e a alegria é passageira a felicidade não.

  • GÊNESIS 1 & 2 – ADAUTO LOURENÇO

    Conheço este autor dos seus muitos vídeos no Youtube. Suas explicações científicas de eventos Bíblicos são interessantes, mas não imaginei que este cientista conseguisse unir a ciência com a teologia de forma tão profunda, como ele fez no livro.

    Neste livro Adauto Lourenço se concentra em explicar cientificamente a criação descrita em Gênesis 1 e 2, mostrando que ciência e a Bíblia são conciliáveis.

    Ele mostra também como muitas teorias científicas são falhas, além de deixar claro nossa profunda ignorância sobre Darwin, Big Bang e coisas assim. Eu não sabia que muita coisa do que eu tinha ouvido e aprendido estava equivocado. E eu não sabia também o quão complicado são algumas teorias científicas cristãs, pois até estas teorias o autor coloca na parede.

    O autor mostra que domina não só a ciência, mas também a teologia, as interpretações e exegese são coesas e bem embasadas, vale a pena ler.

    Editora Fiel com 233 páginas.

  • FALSIDADE IDEOLÓGICA

    Eu não fico feliz quando vejo um pastor ensinar mentiras e deturpar a Bíblia. Muito menos quando um cristão humilha o próximo ou deixa de amar, cuidar ou praticar o que a Bíblia nos manda por em prática, mas eu também não deixo de ter certeza de que muitos destes não são realmente cristãos.

    O problema do Brasil é que muitos se dizem cristãos, mas não praticam os ensinos de Cristo. Inúmeras pessoas gostam de ir a igreja, porém, não se esforçam em estudar a palavra. Muitos ouvem o pastor, contudo, não se prestam a conferir se o que está sendo falado é realmente calcado na Palavra.

    Acredito que muito pior do que a falta de Deus no coração, é esta teologia da hiper graça que ensina que Deus perdoa tudo, mas que se esquece que temos que nos esforçar para andarmos no caminho. E por mais que o ser humano erre e precise do perdão de Deus, uma árvore de laranja, não dá limão, conversão sem mudança de vida não é conversão.

    Contudo, algo ainda pior que a hiper graça são os cristãos nominais, que se dizem ser algo que não vivem. Ou vão a igreja por costume, não abrem a Bíblia para estudar e não têm a mínima vontade de se aprofundar e conhecer a palavra, quanto mais se arrependem de seus pecados:

    “Estamos acostumados a ouvir pregadores convidando os homens a “aceitarem a Jesus como seu Salvador pessoal”; mas, na realidade, esta é uma expressão que não encontramos nas escrituras. Tais palavras têm-se tornado uma expressão vazia. “Salvador Pessoal” podem ser palavras preciosas para os crentes; todavia, são totalmente inadequadas para instruir os pecadores a respeito do caminho para a vida eterna. Elas ignoram inteiramente um elemento essencial do evangelho o arrependimento” (MACARTHUR, 2013, p. 91).

    O que Cristo mais falou na Bíblia foi: “Arrependam-se, mudem de vida, me sigam”. E seguir a Cristo gera mudança de vida, caráter e conduta.

    Não estou falando que ninguém erra, que ninguém mais peca, e também não estou falando que somos salvos pelas obras e sim, que quando temos Cristo a nossa vida muda. Efésios 4:22-24 diz:

    “Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade”.

    Despir-se do velho homem, e revestir-se do novo. Estas ações geram mudança, uma nova vida, uma vida renovada.

    Particularmente acredito que é impossível ser convertido sem viver uma novidade de vida, afinal, quando Cristo entra em nossa vida, nossa vida é transformada. Quando Cristo entrou na vida de Zaqueu ele mudou de vida e prometeu devolver todo o fruto do seu roubo. Quando Cristo entrou na vida de Paulo, ele teve a vida transformada, e nunca mais perseguiu os cristãos, virando um dos maiores pregadores do evangelho.

    Eu gosto de Mateus 26:73, que é a passagem onde Pedro nega a Jesus. O texto diz que eles olharam para Pedro e disseram: mas você fala como um seguidor de Cristo. Não tinha como disfarçar, aquele homem que negou Jesus, mas acabou se arrependendo depois, não conseguia disfarçar quem ele seguia.

    Seguir a Cristo é mudar de vida, é passar por uma grande mudança, é ter uma nova vida. Quando Jesus nos toca, nunca mais somos os mesmos e por mais que pequemos, a mudança é visível, não tem como disfarçar.

    Por isso, quando uma pessoa que se diz cristã, não viver como tal; certamente ela não é.

    BIBLIOGRAFIA

    MACARTHUR, John. O Evangelho Segundo os Apóstolos, São Paulo: Editora Fiel, 2013.

  • TEMPO PERDIDO

    Eu tenho pensado muito sobre o tempo ultimamente, apesar de não estar para morrer. A simples menção de eu estar perdendo tempo me incomoda e me deixa reflexivo. Afinal, o tempo não volta, diante disso, não podemos nos dar ao luxo de errar (não muito) e nem de fazer escolhas onde o nosso tempo será perdido.

    E sobre tempo perdido, Harold Kushner tem uma teoria chamada: Teoria do vidro de café, muito interessante:

    “Logo que abrimos um vidro de café solúvel, você serve colheradas cheias, generosas, por que sabe que o vidro ainda está cheio, está usando apenas uma pequena parte do conteúdo. À medida que se aproxima do final do vidro, você percebe que já há pouco café, e aos poucos passam a ser medidas com mais cuidado. No final, você se esforça para alcançar até o pouco que se esconde nos cantinhos” (KUSHNER, 2004, p. 89).

    Você não acha que nós lidamos com a vida de modo parecido?

    Quando novos não ligamos para o tempo, a velhice, morte ou o final da vida, não nos faz muito sentido. Com o tempo começamos a perceber como somos limitados e que não temos tanto tempo assim. Tentamos desta forma tomar mais cuidado, não abusar tanto da sorte, até que um dia percebemos que o tempo está quase no fim. Eclesiastes 3:1 diz:

     “Para tudo há uma ocasião, e um tempo para cada propósito debaixo do céu”.

    Para tudo há o seu tempo, cabe a nós tentar entender o tempo certo para agir de forma assertiva. Mas como entender? Como saber que não estamos perdendo tempo? Eclesiastes nos explica.

    Este controverso e mal humorado livro, que por séculos levanta questões por conta dos seus questionamentos nos dá a principal conclusão: “A riqueza não traz satisfação verdadeira” (ZUCK, 2014, p. 218, 220, 221).

    Enfim, este livro nos traz alguns sopros de reflexões, que nos faz pensar o que estamos fazendo com a nossa vida, qual é o sentido. E o próprio capítulo começa com uma sentença interessantíssima: “Para tudo há uma ocasião” (v. 1). Existe o tempo certo para fazermos tudo, nascer, colher, plantar, construir, chorar, enfim, do versículo 1 ao 8 este pensador desconhecido mostra como tudo na vida tem um tempo. E ele termina com uma frase genial no versículo 9, porém vou usar a tradução de Eugene Peterson:

    Mas, no final, será que tudo isso faz alguma diferença? (PETERSON, 2012, p. 903).

    Será que tudo faz diferença, é tudo muito difícil, Deus nos deixou muito trabalho pesado e o que eu ganho com tudo isso? Será que viver é só isso?

    É difícil muitas vezes entender a vontade de Deus, é complicado explicar o porquê certas coisas acontecem conosco ou porque muitos planos não dão certo. Mas o que o texto no aconselha é confiar em Deus, sem tentar compreendê-lo. E seguir com um coração agradecido.

    Penso que às vezes corremos atrás de tantas coisas que não valem a pena, que deixamos passar o que deveríamos realmente fazer. Será que vale a pena correr atrás do que estamos correndo? Vale a pena fazer o que estamos fazendo? Pense nisso e construa limites. 

    Quando temos a vontade de Cristo como ponto central em nossa vida, certamente não estaremos perdendo tempo. Afinal, só há contentamento n’Ele, só há esperança n’Ele e só há equilíbrio n’Ele. Diante disso, que a palavra de Paulo ecoe em nossas vidas:

    “Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Filipenses 1:21).

     

    BIBLIOGRAFIA

    Zuck, Roy B. Teologia do Antigo Testamento. Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2009.

    KIVITZ, Ed René. O Livro Mais Mal-humorado da Bíblia: A acidez da vida e a sabedoria do Eclesiastes. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2013.

    PETERSON, Eugene H. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2012.

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.