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  • O SERMÃO DO MONTE PT 4: JUSTIÇA

    “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos” (MT 5:6) (NVI). 

     

    Justiça é uma palavra muito usada hoje em dia, por conta das roubalheiras e das contradições que temos visto na política. Mas a corrupção ainda faz parte da cultura brasileira e infelizmente é sinônimo de gente experta.

    O grande problema é que no Brasil estamos carentes de exemplos. Não vemos muito aquelas pessoas que querem viver e fazer o certo pelo certo, sem a intenção de ganhar algo e são destes que o texto fala.

    Eu só tenho um impasse quanto a este versículo, a explicação desta bem-aventurança não é unânime entre teólogos. Pois alguns vão falar que esta justiça que o versículo fala é Deus, outros que é justiça mesmo, algo prático. E a palavra em grego não nos oferece muita explicação.

    Justiça (dikaiosuné) no grego significa: Ato de fazer o que Deus quer ou exige, fazer o que é certo, exigências da religião, e existe a possibilidade de ser também dar esmolas. (LOW et al, 2013, 662), o que nos deixa na dúvida. O texto está falando de algo prático, ou espiritual?

    Penso que deve ser os dois, não acha? Pois quando você busca a Deus, o senhor da justiça, o único justo, o único que nos justifica e é perfeito, estes frutos devem ser visíveis em todos os que o seguem, não acha?

    Se a nossa vida com Deus ou a nossa busca, não traz mudanças externas, nós não mudamos de verdade. Com isso, quando buscamos a justiça ou as coisas espirituais, não só o nosso interior muda, mas o exterior também e exigir justiça, ajudar o próximo e ser mais solícito é o mínimo que temos que ter em nossa vida. Carlos Queiroz faz uma observação importante sobre esta fome e sede:

    “Jesus usa uma imagem bastante forte para ilustrar a gana do discípulo pela justiça: fome e sede. O espírito do discípulo alimenta-se da justiça com a mesma gana que o corpo tem por água e pão. O desejo de justiça, na vida do discípulo, funciona como um apetite, existe com naturalidade, vem das entranhas. A falta de apetite pela justiça pode ser um sinal de enfermidade espiritual” (QUEIROZ, 2006, p. 81).

    Quando dentro de nós não arde o coração por um mundo melhor, por ajudar ao próximo, por ver a justiça acontecer, temos problemas. Mas a grande questão é que: A verdadeira justiça vem somente de Deus!

    Ser justo é também ser um buscador do Deus da justiça. Quem tem esta fome, só poderá ser saciado de verdade por Deus, porém, quando falamos de algo prático eu logo lembro para parábola do Devedor Implacável lá em Mateus (18: 23-35).

    O texto diz que um senhor, depois de ouvir a súplica do seu servo, perdoou uma dívida milionária, equivalente a mais de trezentas toneladas de ouro. Aquele devedor, certamente aliviado, depois de receber tal perdão, não teve a capacidade de perdoar uma dívida minúscula de um de seus companheiros de servidão.

    Nós somos salvos pela graça, mediante um favor imerecido e o mínimo que devemos ser, diante desta dádiva maravilhosa que recebemos de Deus, é sermos compassivos, generosos e amorosos.

    Afinal, só Ele é justo, mas quando temos fome d’Ele, o nosso exterior e a nossa vida refletem este relacionamento.

    Eu sei que não somos perfeitos, que temos a nossas falhas, mas quem busca a Deus e tem uma vida com Ele, tem marcas visíveis, frutos de um relacionamento verdadeiro com Deus que sem dúvidas se estende ao próximo.

    Uma arvore de maçã não dá pera, assim também um discípulo do Deus de justiça, não é injusto e é só este verdadeiro discípulo que será satisfeito.

    BIBLIOGRAFIA

    LOUW, Johannes.; NIDA, Eugene. Léxico Grego-português do Novo Testamento. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2013.

    QUEIROZ, Carlos. Ser é o Bastante: Felicidade à Luz do Sermão do Monte. Curitiba: Editora Encontro; Minas Gerais: Editora Ultimato, 2006.

  • FACETAS DA VIDA – LINDOLFO WEINGÄRTNER

    Quando eu me propus a fazer resenhas de livros, não quis fazer com o intuito de criticar ou analisar obras e sim com o propósito de oferecer dicas de boas literaturas. É por isso eu não faço resenhas de livros que eu não gosto, e sim apenas de livros que eu acredito valer a pena ler.

    Nesta obra o autor se concentra em abordar os diversos estados da alma como: tristeza, alegria, incerteza e por aí vai. E o faz contextualizando com suas experiências, histórias de vida e seu conhecimento da Bíblia.

    Não é um livro teológico, mas também não é um material raso, o livro é indicado para quem gosta de leituras tranquilas, mas com conteúdo e para quem gosta bastante de  bons causos, como os antigos falavam.

    Publicado pela Editora Esperança e Encontro, com 104 páginas.

  • A POMBA E A SERPENTE

    “Eu os estou enviando como ovelhas entre lobos. Portanto, sejam prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mateus 10:16) (NVI). 

    Este é um importante capítulo do livro de Mateus, afinal, Cristo havia separado os doze e estava dando alguns importantes conselhos por conta da dura missão que eles iriam enfrentar. Eu, porém, quero me concentrar no conselho do versículo 16: “Ser prudente como as serpentes e simples como as pombas”. Um conselho inusitado, não é? Afinal, estes dois animais possuem características muito opostas.

    Cristo começa avisando o quão duro seria a tarefa deles, afinal, o termo ovelhas em meio a lobos revela o quão perigoso era o ambiente que eles iriam adentrar. Uma ovelha perto de um lobo é indefesa, uma ovelha pode ser trucidada por um lobo facilmente e este era o ambiente da missão que Cristo estava dando aos apóstolos. Contudo, Ele manda aqueles homens tomarem cuidados e serem prudentes e simples.

    A pomba é vista por nós como o símbolo da paz, na literatura judaica representa Israel, por conta de sua simplicidade, e os gentios são representados como a serpente, por conta da sagacidade (CHAMPLIN, 2014, p. 377). Contudo, aqui, o texto não faz alusão a estes significados e sim das próprias características que estes animais têm.

    A serpente é um réptil da família dos Squamata (animais que não têm escamas). E pode abrir a boca com mais de 150 graus, podendo ingerir grandes presas, por não ter um osso chamado esterno, o qual é o osso que une a costela. Eles têm um sistema para rastrear presas muito eficaz e algumas serpentes, como a naja, conseguem expelir venenos a uma distância de 3 metros. Enfim, esta caçadora é muito perigosa, e é um animalzinho muito esperto e rápido, além de se esconder com uma facilidade incrível. Em contrapartida, a pomba é um pássaro inofensivo, simples e indefeso, e é aí que está a lição que Cristo queria passar aos apóstolos e a nós.

    Em meio aos lobos e aos perigos, ser rápido e esperto é muito importante. Não dá para se distrair. O próprio Cristo escapou de inúmeras situações complicadas, onde inclusive quase foi apedrejado.

    Para pregar o evangelho ou fazer a diferença neste mundo, ser esperto como as serpentes se faz necessário, contudo, não podemos perder a simplicidade e o amor ao próximo. Provérbios 13:16 diz:

    Todo homem prudente age com base no conhecimento, mas o tolo expõe a sua insensatez”(NVI).

    Eu sempre tomei cuidado na hora de comunicar o evangelho, muitos usam uma linguagem tão cristã que quem não conhece o evangelho não vai entender. Sempre busquei ter cuidado na hora de falar sobre religião. Tem gente que costuma “pregar” o evangelho falando mal de outras religiões, como se isso fosse necessário para transmitir a palavra.

    Cristo nos manda ser prudentes e tomarmos cuidado com os lobos e também nos manda sermos invisíveis e simples. Não seja aquele crente chato, que critica a todos e que não sabe falar de outra coisa. Não seja aquele cristão que não se mistura com pessoas diferentes dele, e por isso, acaba virando aquele alienado que não sabe o que está acontecendo com o próximo. E nem aquele crente que não liga para o perigo e se expõe. A Bíblia manda sermos prudentes, com isso, às vezes, dependendo do ambiente, o melhor a fazer é se calar.

    Uma serpente sabe a hora de atacar e a hora de aguardar, o homem prudente também deve saber. É sobre isso que o texto fala, sejam maduros, prudentes e simples. Este é o segredo da boa pregação. Sem esquecer que não estamos aqui para convencer, e sim somente para pregar, pois quem convence é o Espírito Santo.

    BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIM, R. N. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.

    SERPENTES. Mundo Educação [online]. [s.d.]. Disponível em: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/serpentes.htm. Acesso em: 22 abr. 2017.

  • TODA A VIRTUDE VERDADEIRA É SILENCIOSA

     Sempre admirei a humildade de Cristo, ainda mais sendo o Deus que Ele é. O maior problema nisto tudo é que Ele mandou que o imitássemos, porém a sua capacidade de olhar o próximo como igual, acho complicado imitar.

    Depois de tanto ralarmos, estudarmos ou batalharmos para chegar em algum lugar, muitas vezes falamos do próximo como sendo inferior, coisa que Jesus, o Deus encarnado nunca fez. Pondé em um de seus vídeos, enquanto falava de Cristo, disse algo que me deixou bem pensativo:

    “Toda a virtude verdadeira é silenciosa e humilde”.

    Virtude, segundo o dicionário é:

    “Disposição constante do espírito que nos induz a exercer o bem e evitar o mal”.

    O bem é silencioso, não faz alarde e nem busca fama. O bom faz o bem pelo bem, e para fazer o bem, olhar o próximo como igual é quase que uma lei. Eu desconfio de quem divulga suas bondades no Facebook ou tira selfie de suas ajudas para divulgar aos quatro ventos que é um homem bom e generoso.

    Sempre gostei de gente simples que não precisa provar nada a ninguém. Ainda mais hoje em dia que a igreja sofre de um problema terrível, que é a vontade de provar para o próximo que não tem problemas, pecados e pontos fracos. Eu não gosto de generalização, mas acho interessante quando Leandro karnal fala que todos são invejosos, pois acredito que em algum momento de nossa vida já fomos ou vamos acabar sendo, talvez sem querer, mas vamos. Pois todos nós erramos e ter esta consciência é o primeiro passo para ver o próximo como igual.

    Mateus 4:3-11 narra a tentação de Jesus no deserto e uma das propostas que o tentador fez a Cristo no versículo 6  foi o de promover um grande show:

    “E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra” (ARC). 

    O tentador queria que Jesus provasse que ele era o filho de Deus, o show seria muito grande, pois o pináculo do templo era uma das alas do templo de Herodes (CHAMPLIN, 2014, p. 289). Seria o acontecimento do dia, visto por muitos, mas Cristo se limitou em cumprir a sua missão sem pegar atalhos. Em confiar em Deus mesmo passando por dificuldades.

    Jesus não precisava provar a ninguém que era filho de Deus, por isso se limitou a servir e ajudou mostrando o porquê tinha vindo.

    Desconfie de quem se autoproclama, torça o nariz para quem se coloca como o perfeito, o santarrão ou a quarta pessoa da trindade. Pois a virtude é silenciosa, o bom não divulga seus feitos no Jornal Nacional.

    Desconfie de quem tem necessidade de falar para todos que é uma pessoa boa, pois, se a pessoa não consegue servir em silêncio é sinal que seus feitos são apenas autopromoções.

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.

    CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.

    https://dicionariodoaurelio.com/virtude

  • O SERMÃO DO MONTE PT 3: HUMILDADE

     “Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança” (Mateus 5:5) (NVI). 

    Eu fui um indivíduo muito irritado quando era bem novo, tudo me incomodava e eu explodia com qualquer coisa. Pense agora, ou tente imaginar, quanta oportunidade eu perdi por conta da minha falta de paciência e controle. Eu cheguei a acabar com a primeira banda que eu montei, que inclusive estava indo muito bem, por conta de ter perdido a paciência com algo muito pequeno. Diante disso, foi inevitável eu aprender a ser mais paciente, com mais autocontrole e mansidão. Por que estou falando isso? Porque a palavra humilde pode também ser traduzida como manso, gentil ou suave.

    O interessante é que, quando alguém fala de mansidão, eu penso logo no exemplo perfeito que Cristo nos deu, registrado lá nos quatro evangelhos. É curioso constatar como o homem mais poderoso que pisou aqui na terra, foi também manso e humilde. E isso em uma terra que prega que homem de verdade é forte, atrevido e guerreiro, Jesus veio e provou o contrário. E com a sua mansidão e pulso firme, bateu de frente contra os legalismos da religião e mostrou as pessoas o que é ser realmente forte.

    Ser manso é não se deixar abalar pelas coisas externas, ser humilde é enxergar o próximo como uma pessoa falha que ela é, e aceitar suas limitações, tal qual nós temos. John Stott complementa:

    “A mansidão é, em essência, a verdadeira visão que temos de nós mesmos, e que se expressa na atitude e na conduta para com os outros” (1982, p. 33).

    O humilde é aquele que sabe quem ele é, que entende que todos erram. Nos conhecer, revisar as nossas falhas e tentar ser mais humano, é ter plena consciência de nossas mazelas.

    Eu comecei o texto falando que eu acabei com uma banda por conta da minha falta de paciência. O que tinha ocorrido na verdade é que eles tinham esquecido de me avisar que não tinha ensaio naquele dia, isso me deixou muito brabo, pois eu tinha ido ensaiar direto do trabalho e estava cansado. E quem me conhece sabe que eu não me atraso, sou exigente com horário.

    Só que curiosamente, quando eu remontei esta mesma banda tempos depois, também acabei esquecendo de avisar uma pessoa que não tinha ensaio e o que a pessoa fez? Esbravejou tal qual eu fiz? Não, ela foi muito compreensiva, e isso me envergonhou.

    Ninguém é perfeito, nenhum ser humano está isento de errar, e ser compreensivo com o próximo é ser compreensivo também consigo por tabela.

    O texto diz que só recebe a terra por herança quem sabe esperar, quem é paciente. E também diz que o homem feliz é humilde, justamente porque ele sabe muito bem quem é. E tal atitude repercute em como ele age com o próximo.

    BIBLIOGRAFIA

    STOTT, John. Contracultura Cristã: A Mensagem do Sermão do Monte. São Paulo: Editora ABU, 1982.

  • TINTA, TESES, TEMPERAMENTOS – CRISTOPH MORGNER

    Estamos no ano dos 500 anos da reforma protestante, com isso, inevitavelmente inúmeros livros sobre Lutero surgem. E eu não acho isso negativo, pelo contrário, às vezes é só desta forma para que obras importantes sejam traduzidas para o nosso idioma. Porém é importante sabermos diferenciar os livros relevantes dos livros irrelevantes e é por este motivo que estou indicando esta importante obra.

    Este livro, organizado por Cristoph Morgner, conta com inúmeros autores cada um escrevendo sobre um lado de Lutero. E o livro se concentra não só em contar a sua história, como virou monge e professor de teologia e o que o levou a escrever as 95 teses. Mas também dá um apanhado geral de sua vida, os principais fatos e discussões, algumas excelentes qualidades e defeitos também.

    É um ótimo livro, não só para entender a história de Lutero, mas também para entender o pano de fundo da História e o quanto a reforma ajudou e influenciou a sociedade.

    Publicado pela Editora Esperança, com 190 páginas.

  • VIDA CRISTÃ

    John Stott no livro: Nosso silêncio culpado, um livro que trata do silêncio da igreja quanto ao evangelismo, traz a lume quatro possíveis causas explicando o porquê à igreja hoje tem se silenciado quanto à prática evangelística. E as causas listadas seriam: Falta de incentivo, falta de instrução quanto ao que falar, não acreditar ser este nosso trabalho e não acreditar que podemos fazer algo de bom por não lembrarmos de quem vem todo o poder (STOTT, 2014, p. 16).

    O livro todo tem estes quatro fundamentos, porém uma pergunta importante fica escancarada logo no primeiro capítulo do livro:

    “Por que é então que o nosso fluxo de discurso seca tão rápido quando a conversa deriva para a religião?” (STOTT, 2014, p. 19).

    Será falta de conhecimento? A preguiça de estudar que acaba nos deixando inseguros? Porque será?

    O autor dá a sua saída, muitas análises e justificações, mas uma de suas conclusões eu quero compartilhar com vocês:

    “Certamente nada impede o progresso do Evangelho tanto quanto nossas vidas cristãs inconsistentes. […] Mais frequentemente do que sabemos, o que as pessoas rejeitam não é o verdadeiro Cristo, mas o Cristo que veem nos cristãos não Cristo, na verdade, mas uma igreja que não se parece nada com Cristo” (STOTT, 2014, p. 89, 90).

    Diante disso uma pergunta é inevitável: Como você tem vivido o Evangelho?

    Pois uma coisa é clara, você fará pouca, ou nenhuma diferença, se não falar do que vive. Nunca será relevante se ler a Bíblia apenas no culto de domingo e muito menos conseguirá falar com convicção, se você não souber de forma clara a razão de sua fé. O texto de 1 Pedro 3:15 diz:

     “Antes, santifiquem Cristo como Senhor no coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês”.

    Se você mesmo não entender o porquê crê em Deus e o porquê o segue, como você acha que vai conseguir pregar isso a outros? Convicção só tem quem estuda, se aprofunda e tem intimidade com a palavra de Deus.

    Em uma entrevista para o Roda Viva perguntaram ao Luiz Felipe Pondé o seguinte: Se Jesus vivesse nos dias de hoje, quem você acha que Ele incomodaria? Ele respondeu: Quem sabe não seria eu e você. Afinal, nós sempre falamos dos problemas, nos colocando fora destes problemas, mas será que Deus se agradaria de ver como temos vivido hoje?

    Quer transmitir a palavra de Deus ao próximo? Viva a palavra. Quer ser relevante nos dias de hoje? Entenda em que você crê e esteja pronto para explicar a seu próximo.

    Afinal, quando falamos o que não vivemos, acabaremos sendo hipócritas, quando transmitimos o que não conhecemos, podemos sem querer construir um espantalho, falar de algo que não existe e que a Bíblia não fala, por isso estude a Bíblia e pratique seus ensinos, tudo começa aí.

    BIBLIOGRAFIA

    STOTT, John, O Nosso Silêncio Culpado, Editora Esperança, Curitiba, 2014.

  • O SERMÃO DO MONTE PT 2: LAMENTO

    “Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados” (MT 5:4) (NVI). 

    Ser feliz é algo muito falado em nossos dias, todos almejam a felicidade e seguem fórmulas das mais variadas para assim conseguir alcançar tal objetivo. O problema é que a felicidade, como o mundo concebe, não é duradoura, a tristeza e o choro são muito mais corriqueiros do que a felicidade oferecida pelo mundo.

    E sobre ser feliz, neste versículo, Jesus justamente diz que: “feliz é quem chora”. No grego a palavra choro (pentheó) significa lamento, choro ou um pranto que decorre de maldade e opressão (LOUW et al, 2013, 273).

    Quem nunca se sentiu desamparado, perdido, sentindo que Deus não mais o ouve? Quem nunca se sentiu abandonado, no deserto sem saída? Esta bem-aventurança é para estes abandonados, cansados e perdidos no deserto da vida. É para quem pensa estar sozinho e desamparado.  John Wesley explica de forma magistral este versículo:

    “Ele se refere aos que choram por Deus. São aqueles que perderam a alegria espiritual que já tiveram um dia. Eles perderam o poder perdoador de sua palavra e não sentem o sabor do mundo bom que está por vir. Agora Deus parece esconder deles a sua face, e eles têm problemas” (WESLEY, 2015, p. 74).

     Eu não sei se você já passou pelo deserto, já sentiu que a sua oração não passava do teto e teve a impressão que Deus não estava te ouvindo, aliás, que Ele tinha mais coisa a fazer do que te ouvir, eu já passei por isso.

    Ao sair de minha antiga igreja, eu deixei que o desânimo tomasse conta da minha vida. Eu não entendia o porquê tudo estava dando errado, nestas horas, a dúvida me consumia.

    Quem sabe você esteja sofrendo perseguições por conta de ser Cristão e não entende porque parece que Deus não intervém, que a injustiça está sempre em sua cola, mas a paz e a justiça de Deus não.

    Se você se encaixa neste perfil, tal qual eu me encaixei, o texto diz que você é um bem-aventurado, afinal, você será consolado.

    Ser cristão não é algo fácil e muitas vezes não entendemos esta escuridão toda, porém, uma coisa eu posso falar, Deus não tarda em intervir.

    Nós não escolhemos sofrer, a vida já traz sofrimento de graça, mas podemos escolher nos manter firmes, confiantes, crendo que Jesus vai nos consolar. Eu gosto da tradução deste versículo pela Bíblia A mensagem de Eugene Peterson:

    “Abençoados são vocês, que sofrem por terem perdido o que mais amavam. Só assim, poderão ser abraçados por aquele que é amor supremo” (2012, p. 1382).

    Eu não sei o que você perdeu, ou porque se sente abandonado ou inútil, eu só sei que o consolo sempre vem, é só você se manter firme e buscar a Deus. Eu sempre digo que confiar é largar o controle, e crer que Cristo está no comando, mesmo que Ele não pareça estar.

    BIBLIOGRAFIA

    LOUW, Johannes.; NIDA, Eugene. Léxico Grego-português do Novo Testamento. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2013.

    PETERSON, Eugene H. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2012.

    WESLEY, John. O Sermão do Monte. São Paulo: Editora Vida, 2015.

  • WORKAHOLIC

    Durante a minha vida conheci muitos workaholics. Pessoas que vivem a vida para trabalhar e tem no trabalho a sua realização máxima.

    Alguns destes viciados passam a maioria de seu tempo enfurnado em suas empresas, e quando param para bater um papo o tema quase toda às vezes é relacionado a trabalho. Suas famílias mal o veem, seus filhos crescem sem sua companhia, e quando estes crescem e se rebelam, eles deixam sem saber o que fizeram de errado, já que viveram a vida para trabalhar e prover sustento aos seus.

    Muitos workaholics não consideram suas atitudes prejudiciais, alguns tatuam em suas mentes a máxima “o trabalho dignifica o homem” e consideram como desocupado qualquer um que não pensa ao menos o mínimo como eles. Trabalhar é a regra, construir sua carreira é a máxima do dia, trabalhar para viver com status é a ambição, só que esta ambição muitas vezes custa o preço de sua vida. Mário Quintana tem uma poesia sobre o tempo que explica de forma magistral este tema:

    “A vida são deveres, que nós trouxemos para fazer em casa.

    Quando se vê, já são seis horas…

    Quando se vê, já é sexta-feira

    Quando se vê, já é Natal….

    Quando se vê, já terminou o ano.

    Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.

    Quando se vê, passaram-se 50 anos!

    Agora, é tarde demais para ser reprovado…

    Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade,

    eu nem olhava o relógio.

    Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho,

    a casca dourada e inútil das horas…

    Eu seguraria todos os meus amigos, que Já não sei como e onde eles estão e diria: vocês são extremamente importantes para mim.

    Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…

    Dessa forma eu digo, não deixe de fazer algo que gosta devido a falta de tempo.

    Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.

    A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará”.

    Não sou contra o trabalho, muito menos acho besteira o fato de uma pessoa querer perseguir seus sonhos e desejos, o problema é que muitas vezes vivemos perseguindo o amanhã e esquecemos de viver o hoje. 2Timóteo 1:7 diz:

    “Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação”.

    Moderação segundo o dicionário é:

    “Atitude de continuar na medida exata”.

    E isso é uma das coisas que Deus traz em nossa vida, ou que pelo menos deveríamos tentar buscar. O mundo coloca em nossas costas cargas pesadas demais para carregarmos, sonhos inúteis e conceitos fracos e sem duração, lutar contra as coisas que nos tomam o tempo é fundamental. Bater de frente contra o ativismo é entender que a vida não é feita apenas de ter e sim, é também ser.

    Eu li uma frase um tempo atrás, atribuído a Toquinho Carvalho que talvez resuma o vazio que um workaholic tem:

    “Todo o excesso esconde uma falta”.

     Quem sabe este seja um do problemas do workaholic e se for, a solução não virá apenas com o trabalho.

    Quando sonhamos em demasia, ou trocamos tudo em nome de uma coisa que consome nosso tempo, temos que ter a consciência que o tempo não volta, só se vive uma vez e talvez valha mais a pena aproveitarmos a vida com o que temos do que sonhar com algo que não temos.

    BIBLIOGRAFIA

    BÜRKI, Werner de Boor Hans. Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 2007.

    MODERAÇÃO. In: DICIO, Dicionário online de português. Porto: 7 Graus, 2024. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/moderacao&gt;. Acesso em: 01/04/2017.

  • PARA ENTENDER A BÍBLIA – JOHN STOTT

    Não conheço um livro tão prático, e ao mesmo tempo, tão esclarecedor quanto este.

    Como podemos perceber através do nome o livro “Para entender a Bíblia” tem como propósito principal dar um pano de fundo histórico, teológico e prático deste importante livro.

    “A maior parte dos livros fornece aos leitores potenciais a informação que desejam sobre quem os escreveu e por quê. Quando não é o autor que nos conta francamente no prefácio a respeito de si mesmo e do assunto do texto, o editor nos relata na contracapa. A maioria dos leitores passa algum tempo analisando essas informações antes de comprar, emprestar ou ler o livro.

    É lamentável que os leitores da Bíblia nem sempre se disponham a fazer essas mesmas perguntas. Muitos parecem apenas apanhá-la e lê-la a esmo” (STOTT, 2014, p. 12).

    Enfim, este livro tem como propósito ser esta ponte, um material inicial para que entendamos todo o contexto, como foi escrito e como interpretar. A linha histórica que ele traça dando o pano de fundo geral de toda a Bíblia é muito boa. O texto é fácil de ler e muito coeso.

    Publicado pela Editora Ultimato, com 221 páginas.

    BIBLIOGRAFIA

    STOTT, John, Para entender a Bíblia, Editora Ultimado, Minas Gerais, 2014.