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  • ESCRAVOS

    “Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?

    Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues.

    E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Rm 6:16-18).

    Existe um problema com este texto. A palavra em grego doulos que significa escravo, tem sido substituído ao longo do tempo por servo em algumas Bíblias.

    Podemos concordar que os dois significados são bem diferentes, e diante disso também podemos concordar que a profundidade da mensagem se perdeu um pouco. Talvez por conta das barbáries da escravidão a palavra aos poucos foi sendo mudada para chocar menos,  porém com isso perdemos uma importante lição.

    Um escravo no período romano era visto como posse, como um bem material, este escravo vivia para fazer as vontades de seu senhor sem opinar ou gritar por direito algum.

    Porém se este escravo tivesse um bom senhor ele vivia bem,  não se preocupava com comida, moradia ou roupa, e até como era costume na época, afim  de incentivar os escravos a trabalharem melhor, os donos dos escravos prometiam alforria  a fim de que todos trabalhassem em busca de um único propósito a liberdade, John Macarthur acrescenta:

    “Ser um escravo não significava apenas pertencer a alguém, mas também estar sempre disponível para obedecer, em tudo, àquela pessoa. O único dever do escravo era cumprir os desejos do mestre; e o escravo fiel era desejoso de assim o fazer, sem hesitação ou queixas” (MACARTHUR, 2014, p. 53)

    Estou bem longe de afirmar que a escravidão tinha algo de bom ao contrário, foi um dos atos mais repugnantes e injustos que o homem já praticou. Porém a Bíblia afirma que somos escravos do pecado, somos presos a ele e só temos ele como senhor.

    Diante disso, convido-lhe a olhar em volta e ver como o mundo está,  como as pessoas tem tido comportamentos destrutivos e repugnantes. E diante de todos estes fatos a explicação é simples. Somos escravos do pecado, com isso o que obviamente vamos ver nos homens são atitudes autodestrutivas e pecaminosas reflexo do nosso senhor o pecado.

    Só que o texto nos convida a mudar de senhor,  a termos um outro que é Cristo. Quando somos escravos dele; o resultado disso é ou devia ser ter atitudes boas já que o nosso senhor é bom:

    “Fomos “libertos do pecado e das trevas”, pois Jesus “nos libertou quando cativos”. Embora estivéssemos mortos em nossos pecados, Deus nos deu vida, de forma que “começamos, de fato viver, quando (somos) livres do pecado e da escravidão”” (MACHARTHUR, 2014, p. 120).

    Somos escravos de Cristo, somos servos de um senhor bom com isso, além de termos que segui-lo sem questionar, nós podemos ter certeza que o nosso senhor vai cuidar de nós.

    Ser escravo do pecado é ter uma vida autodestrutiva, ser escravo de Cristo é ter uma vida que exala esperança. Quem é servo do filho vive de verdade, constrói pontes entre pessoas e a sua vida reflete a do seu senhor.

    BIBLIOGRAFIA

    MACARTHUR, John, Escravo, A Verdade Escondida Sobre Nossa Identidade Em Cristo, Editora Fiel, São Paulo, 2014.

  • CONFLITOS NA IGREJA – ERNST WERNER JANZEN

    Onde tem pessoas, tem conflitos, pode ter certeza. Porém o que vai definir a saúde de sua igreja é como você vai lidar com eles.

    Neste livro, o pastor e mestre em resolução de conflitos e pacifismo, através de uma escrita tranquila, porém muito bem embasada, descreve os principais tipos de conflitos, como enxergá-los, como lidar com estes conflitos etc. Como bem descreve o autor na introdução do livro.

    “Este livro tem como objetivo despertar uma reflexão sobre a natureza dos conflitos na igreja e apresentar alternativas de resposta” (JANZEN, 2013, p. 10).

    Vale a leitura, seja você pastor, líder ou apenas membro.

    Ter uma ideia geral sobre conflitos, bem como saber lidar com eles é básico para qualquer tipo de pessoa.

    Editora Esperança, 140 páginas.

    BIBLIOGRAFIA

    JANZEN, Ernst, Werner. Conflitos na Igreja, Como Sobreviver aos Conflitos e desenvolver uma Cultura de Paz, Editora Esperança, Curitiba, 2013.

  • VERDADE ABSOLUTA

     É comum vermos teólogos e pastores declararem guerra ao relativismo. E como eles mesmo afirmam: “Se a verdade é relativa, até o conceito de que a verdade é relativa, é relativo”. Logo, podemos concluir que existem sim verdades absolutas, usando a própria afirmação de que a verdade é relativa. Esta afirmação contradiz a si mesma, porém, temos outro problema. Se existe uma verdade absoluta e nós cristãos acreditamos nisto, por que então discordamos tanto um do outro? Por que nós não somos unânimes nas questões Bíblicas e teológicas? Não há religião com tantos pontos convergentes que o cristianismo, afinal, são tantas divisões, tantas formas de pensar como: Calvinismo, arminianismo, pentecostalismo e se até entre eles há subdivisões e discordâncias, quem dirá entre quem pensa diferente.

    Com isso uma questão fica no ar: Mas a verdade é absoluta ou não? Não existe apenas uma verdade? Será que os pensadores relativistas não tem alguma razão em afirmar que a verdade é relativa? Esta foi uma das questões que me incomodou, principalmente depois de ver um vídeo do Ed René Kivitz, onde o mesmo falava do relativismo e usava alguns de seus argumentos para levantar justo esta questão. No momento em que eu me preparava para discordar dele, me vieram estas questões. O que se segue são as minhas conclusões sobre o assunto.

    Jesus Cristo disse lá em João 14:6:

    “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”.

    Tomé estava com  dúvidas, queria saber para onde iria e qual era o caminho quando Cristo proferiu estas palavras. Verdade em grego é alétheia e significa: Conteúdo daquilo que é verdadeiro e, assim, de acordo com o que de fato aconteceu; verdade, revelação de Deus. (LOW, NIDA, 2013, p. 599). Enfim, Jesus é a verdade, a revelação de Deus, o cumprimento do Velho Testamento, só temos salvação através dele. E por mais que tenhamos pontos divergentes esta verdade não muda, ao contrário, só demonstra o quanto somos limitados, o quanto demoramos para entender a verdade que está em Cristo.

    Talvez os filósofos relativistas tenham alguma razão em afirmar que: “cada ser humano tem a sua verdade”. Porém isso não nos traz a conclusão que a verdade não exista, e sim demonstra o quanto somos falhos ao não percebê-la. O quanto demoramos em entender, e o quanto precisamos estudar, ler, orar para chegar a verdade real que está em Cristo. Eu sempre digo que a teologia serve para que tenhamos ferramentas, para que entendamos cada vez mais a mensagem que Cristo queria nos passar. Contudo, mesmo que estudemos, temos que ter a humildade de reconhecer que muitas vezes estaremos errados.

    “Não é necessário saber o local ou ver o mapa das estrelas para identificar a localização da casa do nosso Pai. Basta conhecer a Jesus. Ele “é o caminho, a verdade e a vida”.

    Esta é, portanto, nossa primeira instrução: conhecer e confiar em Jesus é o bastante” (RICHARDS, 2013,p. 857).

    Existe uma verdade, Cristo é a verdade, cabe a nós estudarmos e tentarmos ser cada dia mais relevantes para que cheguemos a esta verdade absoluta. A verdade realmente existe, mesmo com todas nossas opiniões divergentes. O nosso problema é que somos seres finitos, sujeitos a falhas e erros, por isso que o amor e a humildade deve ser feito presente. Para que assim, através da comunhão e o compartilhar, cheguemos a um ponto coeso do que Cristo queria nos ensinar através de sua palavra.

    BIBLIOGRAFIA

    RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013.

    LOUW, Johannes, NIDA, Eugene, Léxico Grego-português do Novo Testamento, Sociedade Bíblica do Brasil, São Paulo, 2013.

    http://biblehub.com/whdc/john/14.htm

  • DAI E SER-VOS-Á DADO

    “Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo” (Lucas 6:38) (JFA). 

    Este é um daqueles versículos que eu já vi muitos pastores usarem, com o objetivo de incentivar membros de igreja a doar seu dinheiro para a “casa do senhor”. Para que Deus devolva em dobro a quem oferte e por aí vai. O grande problema é que não é esta a mensagem que o versículo quer passar.

    Eu já passei uma dica importante em um texto passado chamado: “Dicas de como estudar a Bíblia”, que é ler a perícope (assunto) toda do texto bíblico, para que assim, entendamos de uma forma plena a mensagem que o texto quer passar. E para entendermos esta passagem, temos que ler do versículo 36 ao 38:

    “Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e soltar-vos-ão. Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo” (JFA). 

    Esta é uma passagem denominada de “Sermão da planície” e nela podemos ver muitos pontos em comum com o Sermão do Monte lá em Mateus. Nesta coleção de ensinos, na primeira parte, temos como ênfase o relacionamento dos discípulos com Deus. A segunda é o relacionamento com as pessoas (CARSON et al., 2012, p. 1491).

    Mas o principal neste sermão é que ele não fala de prosperidade. O texto não diz que se você der dinheiro, você vai ter dinheiro em dobro, o texto fala de misericórdia. De amar, de ajudar, e isso fica claro quando lemos o assunto inteiro, onde o texto nos aconselha a sermos misericordiosos, não julgar, não condenar. O texto não fala de prosperidade, nem é uma receita para conseguir multiplicar o seu dinheiro:

    “Quem pratica a misericórdia experimentará a mesma medida de misericórdia divina. Ao misericordioso será concedida uma “boa medida, recalcada, sacudida, transbordante”, de modo que não reste espaço oco na vasilha” (RIENECKER, 2005, p. 166).

    Lembrando que este ensino estava sendo passado aos discípulos, os seguidores de Cristo, esta é uma missão nossa, é uma obrigação de quem segue Jesus, Lawrence Richards acrescenta:

    “Jesus deixa claro que o significado da vida para o crente se encontra no amor. Pessoas, e não coisas, são o centro da nova vida que Jesus nos chama a viver. Dar, e não receber, é o que importa” (2013, p. 763).

    Este é o cerne da mensagem, o texto não fala de prosperidade e sim, sobre amar ao próximo, sobre fazer, dar e perdoar. E se assim procedermos, experimentaremos a mesma medida de misericórdia de Deus.

    Eu sempre digo e talvez morra repetindo: O segredo de uma vida cristã equilibrada é conhecer as escrituras.

    Cuidado com quem não é comprometido com a Palavra, cuidado com quem não sabe o que está falando, ou com aquele que propositalmente engana e distorce a Bíblia em nome do dinheiro ou ganância.

    Conhecer as escrituras, estudar e entender os ensinos de Jesus é uma atitude básica para quem quer viver uma vida cristã moderada.

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.

    RIENECKER, Fritz. Evangelho de Lucas:  Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 2005.

    RICHARDS, Lawrence. Comentário Bíblico do Professor: Um guia didático completo para ajudar no ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse. São Paulo: Editora Vida Acadêmica, 2013.

  • O SERMÃO DO MONTE PT 4: JUSTIÇA

    “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos” (MT 5:6) (NVI). 

     

    Justiça é uma palavra muito usada hoje em dia, por conta das roubalheiras e das contradições que temos visto na política. Mas a corrupção ainda faz parte da cultura brasileira e infelizmente é sinônimo de gente experta.

    O grande problema é que no Brasil estamos carentes de exemplos. Não vemos muito aquelas pessoas que querem viver e fazer o certo pelo certo, sem a intenção de ganhar algo e são destes que o texto fala.

    Eu só tenho um impasse quanto a este versículo, a explicação desta bem-aventurança não é unânime entre teólogos. Pois alguns vão falar que esta justiça que o versículo fala é Deus, outros que é justiça mesmo, algo prático. E a palavra em grego não nos oferece muita explicação.

    Justiça (dikaiosuné) no grego significa: Ato de fazer o que Deus quer ou exige, fazer o que é certo, exigências da religião, e existe a possibilidade de ser também dar esmolas. (LOW et al, 2013, 662), o que nos deixa na dúvida. O texto está falando de algo prático, ou espiritual?

    Penso que deve ser os dois, não acha? Pois quando você busca a Deus, o senhor da justiça, o único justo, o único que nos justifica e é perfeito, estes frutos devem ser visíveis em todos os que o seguem, não acha?

    Se a nossa vida com Deus ou a nossa busca, não traz mudanças externas, nós não mudamos de verdade. Com isso, quando buscamos a justiça ou as coisas espirituais, não só o nosso interior muda, mas o exterior também e exigir justiça, ajudar o próximo e ser mais solícito é o mínimo que temos que ter em nossa vida. Carlos Queiroz faz uma observação importante sobre esta fome e sede:

    “Jesus usa uma imagem bastante forte para ilustrar a gana do discípulo pela justiça: fome e sede. O espírito do discípulo alimenta-se da justiça com a mesma gana que o corpo tem por água e pão. O desejo de justiça, na vida do discípulo, funciona como um apetite, existe com naturalidade, vem das entranhas. A falta de apetite pela justiça pode ser um sinal de enfermidade espiritual” (QUEIROZ, 2006, p. 81).

    Quando dentro de nós não arde o coração por um mundo melhor, por ajudar ao próximo, por ver a justiça acontecer, temos problemas. Mas a grande questão é que: A verdadeira justiça vem somente de Deus!

    Ser justo é também ser um buscador do Deus da justiça. Quem tem esta fome, só poderá ser saciado de verdade por Deus, porém, quando falamos de algo prático eu logo lembro para parábola do Devedor Implacável lá em Mateus (18: 23-35).

    O texto diz que um senhor, depois de ouvir a súplica do seu servo, perdoou uma dívida milionária, equivalente a mais de trezentas toneladas de ouro. Aquele devedor, certamente aliviado, depois de receber tal perdão, não teve a capacidade de perdoar uma dívida minúscula de um de seus companheiros de servidão.

    Nós somos salvos pela graça, mediante um favor imerecido e o mínimo que devemos ser, diante desta dádiva maravilhosa que recebemos de Deus, é sermos compassivos, generosos e amorosos.

    Afinal, só Ele é justo, mas quando temos fome d’Ele, o nosso exterior e a nossa vida refletem este relacionamento.

    Eu sei que não somos perfeitos, que temos a nossas falhas, mas quem busca a Deus e tem uma vida com Ele, tem marcas visíveis, frutos de um relacionamento verdadeiro com Deus que sem dúvidas se estende ao próximo.

    Uma arvore de maçã não dá pera, assim também um discípulo do Deus de justiça, não é injusto e é só este verdadeiro discípulo que será satisfeito.

    BIBLIOGRAFIA

    LOUW, Johannes.; NIDA, Eugene. Léxico Grego-português do Novo Testamento. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2013.

    QUEIROZ, Carlos. Ser é o Bastante: Felicidade à Luz do Sermão do Monte. Curitiba: Editora Encontro; Minas Gerais: Editora Ultimato, 2006.

  • FACETAS DA VIDA – LINDOLFO WEINGÄRTNER

    Quando eu me propus a fazer resenhas de livros, não quis fazer com o intuito de criticar ou analisar obras e sim com o propósito de oferecer dicas de boas literaturas. É por isso eu não faço resenhas de livros que eu não gosto, e sim apenas de livros que eu acredito valer a pena ler.

    Nesta obra o autor se concentra em abordar os diversos estados da alma como: tristeza, alegria, incerteza e por aí vai. E o faz contextualizando com suas experiências, histórias de vida e seu conhecimento da Bíblia.

    Não é um livro teológico, mas também não é um material raso, o livro é indicado para quem gosta de leituras tranquilas, mas com conteúdo e para quem gosta bastante de  bons causos, como os antigos falavam.

    Publicado pela Editora Esperança e Encontro, com 104 páginas.

  • A POMBA E A SERPENTE

    “Eu os estou enviando como ovelhas entre lobos. Portanto, sejam prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mateus 10:16) (NVI). 

    Este é um importante capítulo do livro de Mateus, afinal, Cristo havia separado os doze e estava dando alguns importantes conselhos por conta da dura missão que eles iriam enfrentar. Eu, porém, quero me concentrar no conselho do versículo 16: “Ser prudente como as serpentes e simples como as pombas”. Um conselho inusitado, não é? Afinal, estes dois animais possuem características muito opostas.

    Cristo começa avisando o quão duro seria a tarefa deles, afinal, o termo ovelhas em meio a lobos revela o quão perigoso era o ambiente que eles iriam adentrar. Uma ovelha perto de um lobo é indefesa, uma ovelha pode ser trucidada por um lobo facilmente e este era o ambiente da missão que Cristo estava dando aos apóstolos. Contudo, Ele manda aqueles homens tomarem cuidados e serem prudentes e simples.

    A pomba é vista por nós como o símbolo da paz, na literatura judaica representa Israel, por conta de sua simplicidade, e os gentios são representados como a serpente, por conta da sagacidade (CHAMPLIN, 2014, p. 377). Contudo, aqui, o texto não faz alusão a estes significados e sim das próprias características que estes animais têm.

    A serpente é um réptil da família dos Squamata (animais que não têm escamas). E pode abrir a boca com mais de 150 graus, podendo ingerir grandes presas, por não ter um osso chamado esterno, o qual é o osso que une a costela. Eles têm um sistema para rastrear presas muito eficaz e algumas serpentes, como a naja, conseguem expelir venenos a uma distância de 3 metros. Enfim, esta caçadora é muito perigosa, e é um animalzinho muito esperto e rápido, além de se esconder com uma facilidade incrível. Em contrapartida, a pomba é um pássaro inofensivo, simples e indefeso, e é aí que está a lição que Cristo queria passar aos apóstolos e a nós.

    Em meio aos lobos e aos perigos, ser rápido e esperto é muito importante. Não dá para se distrair. O próprio Cristo escapou de inúmeras situações complicadas, onde inclusive quase foi apedrejado.

    Para pregar o evangelho ou fazer a diferença neste mundo, ser esperto como as serpentes se faz necessário, contudo, não podemos perder a simplicidade e o amor ao próximo. Provérbios 13:16 diz:

    Todo homem prudente age com base no conhecimento, mas o tolo expõe a sua insensatez”(NVI).

    Eu sempre tomei cuidado na hora de comunicar o evangelho, muitos usam uma linguagem tão cristã que quem não conhece o evangelho não vai entender. Sempre busquei ter cuidado na hora de falar sobre religião. Tem gente que costuma “pregar” o evangelho falando mal de outras religiões, como se isso fosse necessário para transmitir a palavra.

    Cristo nos manda ser prudentes e tomarmos cuidado com os lobos e também nos manda sermos invisíveis e simples. Não seja aquele crente chato, que critica a todos e que não sabe falar de outra coisa. Não seja aquele cristão que não se mistura com pessoas diferentes dele, e por isso, acaba virando aquele alienado que não sabe o que está acontecendo com o próximo. E nem aquele crente que não liga para o perigo e se expõe. A Bíblia manda sermos prudentes, com isso, às vezes, dependendo do ambiente, o melhor a fazer é se calar.

    Uma serpente sabe a hora de atacar e a hora de aguardar, o homem prudente também deve saber. É sobre isso que o texto fala, sejam maduros, prudentes e simples. Este é o segredo da boa pregação. Sem esquecer que não estamos aqui para convencer, e sim somente para pregar, pois quem convence é o Espírito Santo.

    BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIM, R. N. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.

    SERPENTES. Mundo Educação [online]. [s.d.]. Disponível em: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/serpentes.htm. Acesso em: 22 abr. 2017.

  • TODA A VIRTUDE VERDADEIRA É SILENCIOSA

     Sempre admirei a humildade de Cristo, ainda mais sendo o Deus que Ele é. O maior problema nisto tudo é que Ele mandou que o imitássemos, porém a sua capacidade de olhar o próximo como igual, acho complicado imitar.

    Depois de tanto ralarmos, estudarmos ou batalharmos para chegar em algum lugar, muitas vezes falamos do próximo como sendo inferior, coisa que Jesus, o Deus encarnado nunca fez. Pondé em um de seus vídeos, enquanto falava de Cristo, disse algo que me deixou bem pensativo:

    “Toda a virtude verdadeira é silenciosa e humilde”.

    Virtude, segundo o dicionário é:

    “Disposição constante do espírito que nos induz a exercer o bem e evitar o mal”.

    O bem é silencioso, não faz alarde e nem busca fama. O bom faz o bem pelo bem, e para fazer o bem, olhar o próximo como igual é quase que uma lei. Eu desconfio de quem divulga suas bondades no Facebook ou tira selfie de suas ajudas para divulgar aos quatro ventos que é um homem bom e generoso.

    Sempre gostei de gente simples que não precisa provar nada a ninguém. Ainda mais hoje em dia que a igreja sofre de um problema terrível, que é a vontade de provar para o próximo que não tem problemas, pecados e pontos fracos. Eu não gosto de generalização, mas acho interessante quando Leandro karnal fala que todos são invejosos, pois acredito que em algum momento de nossa vida já fomos ou vamos acabar sendo, talvez sem querer, mas vamos. Pois todos nós erramos e ter esta consciência é o primeiro passo para ver o próximo como igual.

    Mateus 4:3-11 narra a tentação de Jesus no deserto e uma das propostas que o tentador fez a Cristo no versículo 6  foi o de promover um grande show:

    “E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra” (ARC). 

    O tentador queria que Jesus provasse que ele era o filho de Deus, o show seria muito grande, pois o pináculo do templo era uma das alas do templo de Herodes (CHAMPLIN, 2014, p. 289). Seria o acontecimento do dia, visto por muitos, mas Cristo se limitou em cumprir a sua missão sem pegar atalhos. Em confiar em Deus mesmo passando por dificuldades.

    Jesus não precisava provar a ninguém que era filho de Deus, por isso se limitou a servir e ajudou mostrando o porquê tinha vindo.

    Desconfie de quem se autoproclama, torça o nariz para quem se coloca como o perfeito, o santarrão ou a quarta pessoa da trindade. Pois a virtude é silenciosa, o bom não divulga seus feitos no Jornal Nacional.

    Desconfie de quem tem necessidade de falar para todos que é uma pessoa boa, pois, se a pessoa não consegue servir em silêncio é sinal que seus feitos são apenas autopromoções.

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.

    CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.

    https://dicionariodoaurelio.com/virtude

  • O SERMÃO DO MONTE PT 3: HUMILDADE

     “Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança” (Mateus 5:5) (NVI). 

    Eu fui um indivíduo muito irritado quando era bem novo, tudo me incomodava e eu explodia com qualquer coisa. Pense agora, ou tente imaginar, quanta oportunidade eu perdi por conta da minha falta de paciência e controle. Eu cheguei a acabar com a primeira banda que eu montei, que inclusive estava indo muito bem, por conta de ter perdido a paciência com algo muito pequeno. Diante disso, foi inevitável eu aprender a ser mais paciente, com mais autocontrole e mansidão. Por que estou falando isso? Porque a palavra humilde pode também ser traduzida como manso, gentil ou suave.

    O interessante é que, quando alguém fala de mansidão, eu penso logo no exemplo perfeito que Cristo nos deu, registrado lá nos quatro evangelhos. É curioso constatar como o homem mais poderoso que pisou aqui na terra, foi também manso e humilde. E isso em uma terra que prega que homem de verdade é forte, atrevido e guerreiro, Jesus veio e provou o contrário. E com a sua mansidão e pulso firme, bateu de frente contra os legalismos da religião e mostrou as pessoas o que é ser realmente forte.

    Ser manso é não se deixar abalar pelas coisas externas, ser humilde é enxergar o próximo como uma pessoa falha que ela é, e aceitar suas limitações, tal qual nós temos. John Stott complementa:

    “A mansidão é, em essência, a verdadeira visão que temos de nós mesmos, e que se expressa na atitude e na conduta para com os outros” (1982, p. 33).

    O humilde é aquele que sabe quem ele é, que entende que todos erram. Nos conhecer, revisar as nossas falhas e tentar ser mais humano, é ter plena consciência de nossas mazelas.

    Eu comecei o texto falando que eu acabei com uma banda por conta da minha falta de paciência. O que tinha ocorrido na verdade é que eles tinham esquecido de me avisar que não tinha ensaio naquele dia, isso me deixou muito brabo, pois eu tinha ido ensaiar direto do trabalho e estava cansado. E quem me conhece sabe que eu não me atraso, sou exigente com horário.

    Só que curiosamente, quando eu remontei esta mesma banda tempos depois, também acabei esquecendo de avisar uma pessoa que não tinha ensaio e o que a pessoa fez? Esbravejou tal qual eu fiz? Não, ela foi muito compreensiva, e isso me envergonhou.

    Ninguém é perfeito, nenhum ser humano está isento de errar, e ser compreensivo com o próximo é ser compreensivo também consigo por tabela.

    O texto diz que só recebe a terra por herança quem sabe esperar, quem é paciente. E também diz que o homem feliz é humilde, justamente porque ele sabe muito bem quem é. E tal atitude repercute em como ele age com o próximo.

    BIBLIOGRAFIA

    STOTT, John. Contracultura Cristã: A Mensagem do Sermão do Monte. São Paulo: Editora ABU, 1982.

  • TINTA, TESES, TEMPERAMENTOS – CRISTOPH MORGNER

    Estamos no ano dos 500 anos da reforma protestante, com isso, inevitavelmente inúmeros livros sobre Lutero surgem. E eu não acho isso negativo, pelo contrário, às vezes é só desta forma para que obras importantes sejam traduzidas para o nosso idioma. Porém é importante sabermos diferenciar os livros relevantes dos livros irrelevantes e é por este motivo que estou indicando esta importante obra.

    Este livro, organizado por Cristoph Morgner, conta com inúmeros autores cada um escrevendo sobre um lado de Lutero. E o livro se concentra não só em contar a sua história, como virou monge e professor de teologia e o que o levou a escrever as 95 teses. Mas também dá um apanhado geral de sua vida, os principais fatos e discussões, algumas excelentes qualidades e defeitos também.

    É um ótimo livro, não só para entender a história de Lutero, mas também para entender o pano de fundo da História e o quanto a reforma ajudou e influenciou a sociedade.

    Publicado pela Editora Esperança, com 190 páginas.