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DEPRESSÃO
13 Ranson Why é uma série que conta os 13 motivos que levou uma menina depressiva a se suicidar. E sobre depressão, é interessante ver como cada um reage ao assunto de uma maneira.
Uns acham que a depressão é frescura, coisa de quem não tem o que fazer. Outros consideram problemas espirituais, coisas de quem não tem Deus ou não ora muito. Tem até quem fala que o depressivo é um ser possesso por um espírito maligno.
Há quem diga que os jovens de hoje não tem tanta resiliência, pois antigamente todo mundo sofria bullying, mas ninguém se matava. Todos eram zoados e ninguém ficava mal. A pergunta que eu faço é: Será?
Tenho aprendido a cada dia que eu não posso enxergar o mundo apenas da minha maneira. Que cada um tem suas dificuldades, nem tudo o que não me atinge, necessariamente também não atinge o meu próximo. Nem todos sabem lidar com seus fantasmas, nem todos tem a resiliência de olhar o problema e tentar superá-lo e por isso, alguns acham que tirar a vida, é solucionar o seu problema por inteiro.
A grande verdade é que cada um tem a sua fuga, a sua maneira de fugir do problema. Alguns são o trabalho, igreja, bebida, comida ou suicídio. Porém apenas um é visto como o fraco da história.
Algumas dores doem na alma, alguns sentimentos são muito mais que tristeza, é uma forma de ver o mundo, é uma eterna solidão mesmo em meio a muitos. E para um depressivo, momentos felizes não satisfazem, as alegrias vividas não tocam a alma, a desesperança é a única companheira de caminhada.
Cada ser humano é um mundo, com os seus medos, desejos e decepções. Cada pessoa é um universo, porém alguns são um pouco mais vazios, sozinhos e sem esperanças.
Eu me lembro muito bem destes sentimentos, dos momentos de dor e da solidão extrema, mesmo entre meus amigos. Eu me lembro da tristeza constante e dou graças a Deus por ter tido amigos, que durante a minha batalha, compraram um pouquinho da briga. Porém nem todos tiveram o que eu tive, nem todos conseguem fazer amigos, nem todos tem a felicidade de ter em sua vida parceiros, verdadeiros irmãos que nos ajudam. É claro, eu procurei ajuda, eu quis ser ajudado, caso contrário, não teria muito o que fazer.
Eu tenho a minha fuga, tal qual os muitos que citei: Eu escrevo e estudo. E hoje, depois de ter superado todos estes problemas, eu não deixo de olhar para quem sente o mesmo e ter empatia. Penso que o que nos falta muitas vezes é empatia. É ter a capacidade de nos colocar no lugar do outro e tentar compreender. Confesso que o seriado me deixou reflexivo, me fez voltar ao passado e relembrar algumas situações.
É interessante você prestar atenção em dois protagonistas do seriado. O primeiro é a menina, Hannah: Uma menina problemática, amante dos exageros, que tinha uma péssima visão de si. Seus pais passavam por um período bem complicado e ela, uma menina com muitos talentos e bonita, não tinha resiliência alguma e muito menos uma amiga para apoiá-la.
O segundo é o Clay: Um menino extremamente tímido e inseguro, com uma autoimagem péssima, mas que tinha um amigo que estava sempre em sua cola, e pais que prestavam muita atenção nele, sempre tentando ajudá-lo.
É claro que cada um é responsável por suas decisões, é claro também que culpar os outros por problemas que são nossos não é a saída. Mas nestas horas, ter quem nos ajude faz toda a diferença.
Eu lamento por quem passa por isso. Pela pessoa que tem que tomar remédio e ter acompanhamento. Eu lamento também por você que não compreende estas coisas, que taxa o depressivo de desocupado e acha que a sua forma de pensar é a única certa. Espero que nem você, muito menos algum familiar seu passe por algo assim algum dia. Mas uma coisa é verdade, pimenta nos olhos dos outros é refresco. Muitas vezes só compreendemos algumas coisas quando passamos pelas mesmas situações.
Não peço para você aprender a entender a depressão e sim, apenas respeitar os limites de cada um. Nem todos são iguais, nem todos tem a mesma força e nem a mesma forma de agir diante dos problemas. E respeitar é um bom começo para quem passa por estas mesmas situações.
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ÉTICA BRASIL
Eu não me impressiono mais com a corrupção que está acontecendo na política brasileira hoje em dia. Depois de anos e anos vendo esta injustiça toda, vamos aprendendo como funciona a ética em nosso Brasil. Ética segundo o dicionário é:
“Segmento da filosofia que se dedica à análise das razões que ocasionam, alteram ou orientam a maneira de agir do ser humano, geralmente tendo em conta seus valores morais”.
“Reunião das normas de valor moral presentes numa pessoa, sociedade ou grupo social: ética parlamentar; ética médica” (dicio).
Já o conceito de ética para alguns brasileiros é um pouco mais complicado. Tão profundo que eu não sei se existe.
Uma boa parte dos brasileiros vive a vida seguindo a máxima: “Deixa a vida me levar”, “vamos ver no que dá”, ou no procurar incansável o caminho mais fácil. O problema é que muitas vezes este caminho fácil é burlar a lei, procurar trabalhos escolares prontos a fim de não “perdermos tempo”. Ou em “esquecer” de devolver o troco errado, quem mandou errar, não é? Com isso a filosofia do menor esforço ganha vida, a impunidade vira um troféu a se alcançar e a desonestidade algo que sempre o outro pratica, nunca nós.
Porém o ponto alto deste texto não é descobrir se você é bom em burlar a lei, ou forçar você a justificar seus erros com a premissa: “Eu compro produtos piratas porque as empresas cobram caro por produtos originais”. E muito menos forçar você a criar um texto para justificar que o download não pago não é errado fazer. E sim para fazer você se perguntar: Quem é você quando não está sendo observado? Gosto de um provérbio judaico que diz:
“Não chame de honesto quem nunca teve a oportunidade de roubar”.
Com isso reflita e tente descobrir se você é honesto por falta de oportunidade ou por caráter. E pense também em como você trata uma pessoa quando não ganha nada em troca? Eclesiastes 12:14 diz:
“Pois Deus trará a julgamento tudo o que foi feito, inclusive tudo o que está escondido, seja bom, seja mal”.
E diante deste tribunal, qual ética você pensa em usar?
Muitas vezes vivemos tal qual no Big Brother, quando os participantes aos poucos esquecem que estão sendo filmados e começam a mostrar quem realmente são. Quem você é e porque age como age? Você faz o certo pelo certo, ou porque tem medo de fazer besteiras? O versículo 13 deste mesmo capítulo diz:
”Agora que já se ouviu tudo, aqui está a conclusão: Tema a Deus e guarde os seus mandamentos, pois isso é o essencial para o homem”.
Depois de Eclesiastes dar inúmeros conselhos importantes, ele termina o livro nos dando duas conclusões importantes: Primeiro: ele diz para temermos a Deus e guardarmos os seus mandamentos (V13). Temer a Deus não é ter medo:
“Temor é diferente de medo. O temor é uma espécie de reverência que nos deixa pasmos diante da santidade que chega às raias da beleza” (KIVITZ, 2013, p. 213).
O medo paralisa, o temor nos leva a caminhar na sabedoria de Deus. O temor nos traz mudanças, nos faz fazermos o bem em nome da bondade Divina.
Segundo: ele diz que Deus julgará tudo o que foi feito, sem esquecer que ninguém pode esconder coisa alguma d’Ele (V14). O mal não ficará impune, um dia o Justo juiz será visto e julgará toda esta corrupção, resta saber como estará a sua vida naquele dia.
Não viva como se não estivesse sendo observado. Nem faça algo errado em nome de ganhar algum lucro. Lembre-se que no último dia a prestação de contas será inevitável. E lá, a ética Brasil não vai funcionar!
BIBLIOGRAFIA
KIVITZ, Ed René, O Livro Mais Mal-humorado da Bíblia, A Acidez da Vida e a sabedoria do Eclesiastes.
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O SERMÃO DO MONTE PT 5: MISERICÓRDIA
“Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia” (MT 5:7) (NVI).
Eu fico muito admirado quando vejo alguém dedicar sua vida para cuidar dos outros. Tenho amigos médicos, enfermeiros e pastores dos mais gabaritados, que se dedicam a tratar das pessoas. Sendo que, muitos destes possuem um grande sentimento de compaixão e empatia pelo próximo.
Misericórdia segundo o dicionário é: Compaixão, piedade, sentimento de pesar ou compaixão solícita por alguém, no dicionário grego o significado é o mesmo. E nos traz a mente um cristianismo muito mais prático do que vemos hoje (DICIO, 2009).
A misericórdia evoca algumas conclusões parecidas com o versículo sobre a Justiça, conforme lemos no texto passado. Pois ao mesmo tempo em que a misericórdia é algo que vem de Deus, afinal só Ele é verdadeiramente misericordioso, um cristão tocado por Deus, também deve ter esta característica. John Wesley acrescenta algo interessante sobre este versículo:
“A palavra “misericordioso”, empregada por Jesus, indica os bondosos, os que têm compaixão. O resultado imediato é que os misericordiosos choram sinceramente por aqueles que não tem fome de Deus. A parte excelente do amor fraternal está aqui. A misericórdia, no pleno sentido do termo, é amar o próximo como você se ama” (2015, p. 86).
E isso me faz lembrar de alguns pregadores de rua da minha cidade. Muitos deles tem o costume de pregar apontando o dedo e acusando as pessoas que passam. Eu acho isso inútil e incoerente.
Eu sempre digo que o evangelho pode ser resumido como boas novas, é um chamado ao arrependimento e a mudança de vida. Mas acima de tudo, quando seguimos a Cristo, temos que ter a consciência de que ele foi gracioso conosco, mesmo nós merecendo a morte. Jesus nos deu uma chance, diante disso, precisamos agir igual ele (ou pelo menos tentar).
Ser misericordioso é também ter plena consciência, é ter uma vida de gratidão, e esta gratidão nós devolvemos ao próximo através de palavras de graça e de amor. Não estou com isso mascarando o que a Bíblia fala sobre o inferno, julgamento ou a nossa prestação de contas. Apenas quero enfatizar que assim como Deus foi gracioso conosco, devemos ser também com o próximo. Eugene Peterson traduz este versículo de uma forma genial:
“Abençoados são vocês, que se preocupam com o bem-estar dos outros. Na hora em que precisarem de ajuda, também receberão cuidado” (2012, p. 1382).
Quem foi tocado pela graça de Deus retribui ao próximo com o mesmo amor, um cristão transformado não odeia o próximo, e nem se sente em uma posição privilegiada. João (4:7-8) diz que devemos amar uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e se você não ama, provavelmente não conhece a Deus.
BIBLIOGRAFIA
DICIO. Dicio: Dicionário online de português, 2009. Misericórdia. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/misericordia>. Acesso em: 27 de maio. 2017.
PETERSON, Eugene H. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2012.
WESLEY, John. O Sermão do Monte. São Paulo: Editora Vida, 2015.
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TUDO ME É PERMITIDO
“Tudo me é permitido mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma” (1Coríntios 6:12).
Cresci em uma igreja que nos proibia de fazer quase tudo. Tudo era pecado, tudo nos levava para o inferno e conversar e dialogar não era algo tão comum assim, o lema era seguir as ordens do pastor e ponto final. Não foi a toa que quando cresci e abandonei o caminho por um tempo, pois, o mundo dialoga, ele ensina e responde dúvidas, mas nos leva por estradas cada vez mais distantes de Deus.
O texto da epígrafe começa falando sobre alguns que levavam seus irmãos em tribunais para serem julgados (1Coríntios 6:1). Provavelmente, Paulo esta falando de algo que acontecia naquela igreja. Diante destes acontecimentos ele fala: não se encontra entre vocês alguém sábio para julgar entre irmãos? (1Coríntios 6:5), depois de exortar os crentes quanto a estas atitudes, ele lista algumas práticas que não nos levam para o céu: Injustiça, depravação, adultérios e por aí vai, sugiro que leia com cuidado o texto todo (1Coríntios 6:9). Porém ele enfatiza com este versículo citado (1Coríntios 6:12), que tudo me é lícito, mas nem tudo convém.
Diante disso, você pode ficar confuso, afinal, a Bíblia lista uma quantidade grande de pecados e termina dizendo que tudo me é lícito, mas nem tudo me convém? Não é estranho?
A princípio soa, mas a Bíblia de Jerusalém nos da uma explicação que desvenda este mistério:
“Esta frase resume toda a moral paulina: já não se trata de saber o que é permitido e o que é proibido, mas de determinar o que favorece ou prejudica o crescimento do homem novo, regenerado em Cristo” (2013, p. 2000).
Afinal, tantas coisas que não são “pecados”, mas que nos separam de Deus, não é? Eu conheço gente que troca tudo até a busca por Deus, pelo trabalho, muitos são viciados em coisas que não são drogas ao contrário, são coisas inocentes como doces, refrigerantes, etc. E alguns não conseguem desenvolver em sua vida o amor ao próximo, o perdão ou o servir. Nem tudo o que nos separa de Deus tem cara de pecado. Nem tudo o que nos desvia do caminho é pecaminoso, diante disso, cabe a você entender o que te separa de Deus e o faz escravo do pecado.
A pergunta que você deve se fazer sempre é: O que me separa de Deus? O me torna um escravo?
Fui membro de uma igreja onde a hiper graça era o ponto de partida da vida cristã, todos eram livres para fazer qualquer coisa, éramos salvos pela graça e não vivíamos debaixo de jugos, ou de condenações de pastores que nos proibiam tudo, tal qual o meu antigo pastor. Porém, esta graça havia virado uma desgraça e o que era permitido, havia virado pedra de tropeço para as pessoas. Com o tempo, você via irmãos caindo de bêbado nos bares, fazendo festas regadas a muitas bebidas e coisas assim. Víamos exageros dos mais extremos e víamos pessoas praticando coisas que envergonhavam o nome de Deus. E era algo parecido que estava acontecendo na igreja de Corinto:
“Alguns daqueles membros da igreja de Corinto haviam defendido a sua lassidão de costumes abusando da doutrina paulina da “liberdade cristã”, o que contribuiu tão somente para aumentar a gravidade de seus pecados” (CHAMPLIN, 2014, p. 110).
Em nome da graça, tal qual Corinto, aquela igreja estava se perdendo e em nome da liberdade cristã, a libertinagem havia tomado conta de suas vidas. Mas o texto nos avisa, tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma (1Coríntios 6:12), esta é a frase que você deve tatuar em seu peito e é sobre isso que o texto fala:
“Um cristão pode fazer coisas que pessoalmente não o beneficiem, nem tampouco beneficiam a outros, mas um crente sábio escolherá o que convém” (RICHARDS, 2013, p. 981).
Você é livre para fazer tudo, porém, deve se abster das coisas que te afastam de Deus. Não é uma licença para você praticar qualquer tipo de coisas, afinal, o próprio texto lista muitas práticas que são pecaminosas, mas sim, é uma advertência para termos consciência de que muitas coisas nos afastam de Deus, sejam as coisas legítimas, quanto às ilegítimas.
Este texto suscita uma grande verdade, o nosso relacionamento com Deus está acima de tudo. Ter sabedoria e força de vontade para nos afastar do que desagrada a Ele deve ser a nossa prioridade, afinal tudo me é lícito, mas será que tudo me convém?
BIBLIOGRAFIA
RICHARDS, Lawrence. Comentário Bíblico do Professor: Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse. São Paulo: Editora Vida Acadêmica, 2013.
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.
CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
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CAMINHADA CRISTÃ
Um tempo atrás fui fazer uma caminhada ecológica em uma colônia perto de casa. Foi uma experiência incrível em um local de beleza sem igual. Durante o trajeto fui tendo alguns insights que talvez ajude em nossa caminhada cristã. Pois pode não parecer, mas a nossa caminhada física se parece bastante com nossa jornada espiritual.
A primeira semelhança que encontramos é a própria persistência. Nos dois casos, se não temos persistência para andar, ler a Bíblia, ou realizar algo que planejamos, não concluiremos. Pois ao contrário dos filmes que assistimos, nada vem sem um esforço, a não ser que você seja um milionário. E mesmo assim, tem muitas coisas que o dinheiro não compra e por isso, faz-se necessário persistir. A Bíblia fala muito em perseverar, Tiago 1:2-4 diz:
“Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem que falte a vocês coisa alguma”.
Dificuldades e provações nos trazem perseverança e provam a nossa fé. Nem tudo é fácil, mas são as nossas dificuldades que nos moldam produzindo em nós perseverança.
A segunda lição é que durante a nossa caminhada sempre encontraremos pessoas mais lentas e com dificuldades no percurso, muitas vezes sem elas se darem conta. São elas que irão nos atrasar, cabe a nós sermos compreensivos, solidários e praticarmos o amor ao próximo a fim de auxiliá-los. E também para que não estraguemos nosso percurso. A Bíblia diz: “Suportar uns aos outros em amor” (Colossenses 3:13). A palavra suportar aqui é dar suporte, ajudar, perdoar e não abandonar os amigos no trajeto.
A terceira lição é que caminhar sozinho é muito difícil, você pode desanimar fácil ou precisar de ajuda sem ter alguém ao lado. É imprescindível ter um amigo, um parceiro de caminhada para dividir as alegrias e tristezas. Na vida cristã o companheirismo é fundamental. Viver um cristianismo solitário não é viver, afinal, ser igreja é conviver, amar, caminhar junto, para que no final todos cheguem ao fim do percurso. Não podemos esquecer que a frase: “Eu sou a igreja”, está errada, a frase correta é: “Nós somos a igreja”.
Eu gosto muito de caminhar, porém sei que não é fácil, apesar da beleza que a natureza nos proporciona, vez ou outra encontramos empecilhos no caminho. A caminhada cristã não é diferente. É bom servir a Deus, é gratificante fazer a sua vontade, mas não é fácil.
A caminhada cristã as vezes requer paciência, perseverança e força de vontade para passar por cima dos conceitos do mundo, porém nós sabemos que o final tudo vai valer a pena.
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A MINHA GRAÇA TE BASTA
Não sirvo a Deus com a intenção de ter algo em troca. Simplesmente fui tocado pelo Espírito Santo e respondi ao seu chamado, simples assim. Considero a salvação pela graça e o sacrifício de Cristo na cruz algo realmente grande, para que eu me considere digno de qualquer coisa.
Mas há quem ache que Deus, por ser poderoso, tem aos seus um presente maior que o sacrifício na cruz. Eu não espero nada mais do que a sua graça, a sua força me sustentando, não acredito que Ele tenha qualquer obrigação em nos presentear e nos servir. Diante disso, eu sempre digo e volto a dizer, o cristianismo não é regido como moeda de troca, não fazemos as coisas a Deus para sermos recompensados. Servimos a Ele porque respondemos a um chamado, fomos tocados pela sua graça e consideramos loucura viver sem fazer a sua vontade. A base do cristianismo nunca foi ter e sim, se arrepender e entregar a nossa vida a Cristo. Cabe a nós entendermos isso e seguirmos fazendo a sua vontade. E quando falo em fazer a vontade de Deus, gosto de citar Paulo e seu espinho na carne lá em 2 Coríntios 12:7-9:
“E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar.
Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim.
E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo” (ACF).Antes de entendermos esta passagem, é bom salientarmos que a Bíblia não fala que espinho era este. Já ouvi alguns falarem que Paulo era homossexual, coisa que a Bíblia não fala, sendo esta afirmação destituída de qualquer base ou lógica. Outros achavam que era a gagueira, uma doença física ou mesmo algo espiritual e por aí vai. Teorias têm aos montes. Mas a teoria mais aceita pelos estudiosos é que ele tinha um problema de visão. Sendo por este motivo, segundo estudiosos, que Paulo ditava as cartas.
O que sabemos é que, segundo Gálatas 4:13-14, esta doença causava repulsa em quem via. Não devia ser algo agradável, devendo ser este também um dos motivos pelos quais Paulo queria se ver livre dela (CHAMPLIN, 2014, p. 530). Mas, como eu disse, não temos certeza, só sabemos que o incomodava muito. Porém, conseguimos tirar muitas lições desta experiência de Paulo.
A primeira é que Deus não é obrigado a nos atender, em tudo Ele sempre faz a sua vontade, isso é bem claro na Bíblia. E, como uma continuação lógica deste pensamento, é que, em alguns casos, Deus tem um propósito em não nos atender. No caso de Paulo, era para o manter humilde (v. 7). Mas tem outro fato, no versículo 9, que muitas vezes deixamos passar, quando ele fala:
“A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (ACF).
Não sabemos o que Paulo seria se ele fosse forte, se ele não tivesse este espinho, quem sabe ele não pregaria tanto ou buscaria tanto a Deus. Nós não sabemos, mas Deus sabe (BOOR, 2004, p. 470). E é geralmente isso que esquecemos quando passamos por provações.
Ninguém gosta de sofrer e acredito que muito menos Deus gosta de ver seus filhos sofrerem, porém, Ele sabe o que é bom para nós. Quando entregamos a nossa vida a Ele, temos que ter em mente que não pertencemos mais a nossos próprios desejos. Deixar que Ele nos guie, nos aperfeiçoe e que faça a sua vontade é imprescindível. E ter em mente que tudo o que Ele faz a nós é com um propósito bom, é fundamental para seguirmos seus passos. Quando somos fracos, quem é forte em nós é Deus. Quando seguimos fazendo a vontade d’Ele, não importa o que pareça estar acontecendo, temos que confiar, tendo a certeza de que Ele nunca falhará.
Bibliografia
CHAMPLIM, R. N. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
BOOR, Werner de. Carta aos Coríntios: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 2004.
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ESCRAVOS
“Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?
Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues.
E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Rm 6:16-18).
Existe um problema com este texto. A palavra em grego doulos que significa escravo, tem sido substituído ao longo do tempo por servo em algumas Bíblias.
Podemos concordar que os dois significados são bem diferentes, e diante disso também podemos concordar que a profundidade da mensagem se perdeu um pouco. Talvez por conta das barbáries da escravidão a palavra aos poucos foi sendo mudada para chocar menos, porém com isso perdemos uma importante lição.
Um escravo no período romano era visto como posse, como um bem material, este escravo vivia para fazer as vontades de seu senhor sem opinar ou gritar por direito algum.
Porém se este escravo tivesse um bom senhor ele vivia bem, não se preocupava com comida, moradia ou roupa, e até como era costume na época, afim de incentivar os escravos a trabalharem melhor, os donos dos escravos prometiam alforria a fim de que todos trabalhassem em busca de um único propósito a liberdade, John Macarthur acrescenta:
“Ser um escravo não significava apenas pertencer a alguém, mas também estar sempre disponível para obedecer, em tudo, àquela pessoa. O único dever do escravo era cumprir os desejos do mestre; e o escravo fiel era desejoso de assim o fazer, sem hesitação ou queixas” (MACARTHUR, 2014, p. 53)
Estou bem longe de afirmar que a escravidão tinha algo de bom ao contrário, foi um dos atos mais repugnantes e injustos que o homem já praticou. Porém a Bíblia afirma que somos escravos do pecado, somos presos a ele e só temos ele como senhor.
Diante disso, convido-lhe a olhar em volta e ver como o mundo está, como as pessoas tem tido comportamentos destrutivos e repugnantes. E diante de todos estes fatos a explicação é simples. Somos escravos do pecado, com isso o que obviamente vamos ver nos homens são atitudes autodestrutivas e pecaminosas reflexo do nosso senhor o pecado.
Só que o texto nos convida a mudar de senhor, a termos um outro que é Cristo. Quando somos escravos dele; o resultado disso é ou devia ser ter atitudes boas já que o nosso senhor é bom:
“Fomos “libertos do pecado e das trevas”, pois Jesus “nos libertou quando cativos”. Embora estivéssemos mortos em nossos pecados, Deus nos deu vida, de forma que “começamos, de fato viver, quando (somos) livres do pecado e da escravidão”” (MACHARTHUR, 2014, p. 120).
Somos escravos de Cristo, somos servos de um senhor bom com isso, além de termos que segui-lo sem questionar, nós podemos ter certeza que o nosso senhor vai cuidar de nós.
Ser escravo do pecado é ter uma vida autodestrutiva, ser escravo de Cristo é ter uma vida que exala esperança. Quem é servo do filho vive de verdade, constrói pontes entre pessoas e a sua vida reflete a do seu senhor.
BIBLIOGRAFIA
MACARTHUR, John, Escravo, A Verdade Escondida Sobre Nossa Identidade Em Cristo, Editora Fiel, São Paulo, 2014.
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CONFLITOS NA IGREJA – ERNST WERNER JANZEN
Onde tem pessoas, tem conflitos, pode ter certeza. Porém o que vai definir a saúde de sua igreja é como você vai lidar com eles.
Neste livro, o pastor e mestre em resolução de conflitos e pacifismo, através de uma escrita tranquila, porém muito bem embasada, descreve os principais tipos de conflitos, como enxergá-los, como lidar com estes conflitos etc. Como bem descreve o autor na introdução do livro.
“Este livro tem como objetivo despertar uma reflexão sobre a natureza dos conflitos na igreja e apresentar alternativas de resposta” (JANZEN, 2013, p. 10).
Vale a leitura, seja você pastor, líder ou apenas membro.
Ter uma ideia geral sobre conflitos, bem como saber lidar com eles é básico para qualquer tipo de pessoa.
Editora Esperança, 140 páginas.
BIBLIOGRAFIA
JANZEN, Ernst, Werner. Conflitos na Igreja, Como Sobreviver aos Conflitos e desenvolver uma Cultura de Paz, Editora Esperança, Curitiba, 2013.
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VERDADE ABSOLUTA
É comum vermos teólogos e pastores declararem guerra ao relativismo. E como eles mesmo afirmam: “Se a verdade é relativa, até o conceito de que a verdade é relativa, é relativo”. Logo, podemos concluir que existem sim verdades absolutas, usando a própria afirmação de que a verdade é relativa. Esta afirmação contradiz a si mesma, porém, temos outro problema. Se existe uma verdade absoluta e nós cristãos acreditamos nisto, por que então discordamos tanto um do outro? Por que nós não somos unânimes nas questões Bíblicas e teológicas? Não há religião com tantos pontos convergentes que o cristianismo, afinal, são tantas divisões, tantas formas de pensar como: Calvinismo, arminianismo, pentecostalismo e se até entre eles há subdivisões e discordâncias, quem dirá entre quem pensa diferente.
Com isso uma questão fica no ar: Mas a verdade é absoluta ou não? Não existe apenas uma verdade? Será que os pensadores relativistas não tem alguma razão em afirmar que a verdade é relativa? Esta foi uma das questões que me incomodou, principalmente depois de ver um vídeo do Ed René Kivitz, onde o mesmo falava do relativismo e usava alguns de seus argumentos para levantar justo esta questão. No momento em que eu me preparava para discordar dele, me vieram estas questões. O que se segue são as minhas conclusões sobre o assunto.
Jesus Cristo disse lá em João 14:6:
“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”.
Tomé estava com dúvidas, queria saber para onde iria e qual era o caminho quando Cristo proferiu estas palavras. Verdade em grego é alétheia e significa: Conteúdo daquilo que é verdadeiro e, assim, de acordo com o que de fato aconteceu; verdade, revelação de Deus. (LOW, NIDA, 2013, p. 599). Enfim, Jesus é a verdade, a revelação de Deus, o cumprimento do Velho Testamento, só temos salvação através dele. E por mais que tenhamos pontos divergentes esta verdade não muda, ao contrário, só demonstra o quanto somos limitados, o quanto demoramos para entender a verdade que está em Cristo.
Talvez os filósofos relativistas tenham alguma razão em afirmar que: “cada ser humano tem a sua verdade”. Porém isso não nos traz a conclusão que a verdade não exista, e sim demonstra o quanto somos falhos ao não percebê-la. O quanto demoramos em entender, e o quanto precisamos estudar, ler, orar para chegar a verdade real que está em Cristo. Eu sempre digo que a teologia serve para que tenhamos ferramentas, para que entendamos cada vez mais a mensagem que Cristo queria nos passar. Contudo, mesmo que estudemos, temos que ter a humildade de reconhecer que muitas vezes estaremos errados.
“Não é necessário saber o local ou ver o mapa das estrelas para identificar a localização da casa do nosso Pai. Basta conhecer a Jesus. Ele “é o caminho, a verdade e a vida”.
Esta é, portanto, nossa primeira instrução: conhecer e confiar em Jesus é o bastante” (RICHARDS, 2013,p. 857).
Existe uma verdade, Cristo é a verdade, cabe a nós estudarmos e tentarmos ser cada dia mais relevantes para que cheguemos a esta verdade absoluta. A verdade realmente existe, mesmo com todas nossas opiniões divergentes. O nosso problema é que somos seres finitos, sujeitos a falhas e erros, por isso que o amor e a humildade deve ser feito presente. Para que assim, através da comunhão e o compartilhar, cheguemos a um ponto coeso do que Cristo queria nos ensinar através de sua palavra.
BIBLIOGRAFIA
RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013.
LOUW, Johannes, NIDA, Eugene, Léxico Grego-português do Novo Testamento, Sociedade Bíblica do Brasil, São Paulo, 2013.
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DAI E SER-VOS-Á DADO
“Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo” (Lucas 6:38) (JFA).
Este é um daqueles versículos que eu já vi muitos pastores usarem, com o objetivo de incentivar membros de igreja a doar seu dinheiro para a “casa do senhor”. Para que Deus devolva em dobro a quem oferte e por aí vai. O grande problema é que não é esta a mensagem que o versículo quer passar.
Eu já passei uma dica importante em um texto passado chamado: “Dicas de como estudar a Bíblia”, que é ler a perícope (assunto) toda do texto bíblico, para que assim, entendamos de uma forma plena a mensagem que o texto quer passar. E para entendermos esta passagem, temos que ler do versículo 36 ao 38:
“Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e soltar-vos-ão. Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo” (JFA).
Esta é uma passagem denominada de “Sermão da planície” e nela podemos ver muitos pontos em comum com o Sermão do Monte lá em Mateus. Nesta coleção de ensinos, na primeira parte, temos como ênfase o relacionamento dos discípulos com Deus. A segunda é o relacionamento com as pessoas (CARSON et al., 2012, p. 1491).
Mas o principal neste sermão é que ele não fala de prosperidade. O texto não diz que se você der dinheiro, você vai ter dinheiro em dobro, o texto fala de misericórdia. De amar, de ajudar, e isso fica claro quando lemos o assunto inteiro, onde o texto nos aconselha a sermos misericordiosos, não julgar, não condenar. O texto não fala de prosperidade, nem é uma receita para conseguir multiplicar o seu dinheiro:
“Quem pratica a misericórdia experimentará a mesma medida de misericórdia divina. Ao misericordioso será concedida uma “boa medida, recalcada, sacudida, transbordante”, de modo que não reste espaço oco na vasilha” (RIENECKER, 2005, p. 166).
Lembrando que este ensino estava sendo passado aos discípulos, os seguidores de Cristo, esta é uma missão nossa, é uma obrigação de quem segue Jesus, Lawrence Richards acrescenta:
“Jesus deixa claro que o significado da vida para o crente se encontra no amor. Pessoas, e não coisas, são o centro da nova vida que Jesus nos chama a viver. Dar, e não receber, é o que importa” (2013, p. 763).
Este é o cerne da mensagem, o texto não fala de prosperidade e sim, sobre amar ao próximo, sobre fazer, dar e perdoar. E se assim procedermos, experimentaremos a mesma medida de misericórdia de Deus.
Eu sempre digo e talvez morra repetindo: O segredo de uma vida cristã equilibrada é conhecer as escrituras.
Cuidado com quem não é comprometido com a Palavra, cuidado com quem não sabe o que está falando, ou com aquele que propositalmente engana e distorce a Bíblia em nome do dinheiro ou ganância.
Conhecer as escrituras, estudar e entender os ensinos de Jesus é uma atitude básica para quem quer viver uma vida cristã moderada.
BIBLIOGRAFIA
CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.
RIENECKER, Fritz. Evangelho de Lucas: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 2005.
RICHARDS, Lawrence. Comentário Bíblico do Professor: Um guia didático completo para ajudar no ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse. São Paulo: Editora Vida Acadêmica, 2013.

