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JUGO DESIGUAL
Cresci ouvindo que o cristão tem que tomar cuidado com o jugo desigual, namorar ou casar com alguém que não professa a mesma fé era um pecado. Diante disso, pastores davam inúmeros possíveis problemas que podiam acontecer com quem se casasse com um não cristão.
O engraçado era que cristãos continuavam a se separar e o mais engraçado ainda é que alguns casais que tinham um dos cônjuges que não eram cristãos, continuavam firmes. Contudo, o que o texto bíblico realmente fala? Este jugo desigual é um casamento entre pessoas que não professam a mesma fé ou não? E aí, é ou não é pecado? É o que vamos ver neste texto.
Vou primeiro analisar o assunto à luz da Bíblia, para depois dar a minha opinião sobre o tema, mas já vou adiantando, entender plenamente este versículo é muito complicado. 2 Coríntios 6:14 diz:
“Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (ACF).
Jugo é uma canga que era colocada em animais para atrelá-los a fim de que pudessem puxar algo. Imagine dois animais de tamanhos bem diferentes, atrelados um ao lado do outro, tentando puxar uma carroça ou arado, seria um caos. Diante disso, muitos interpretam como se este versículo estivesse falando de casamento. Muitos comentários bíblicos, pastores e teólogos têm a mesma conclusão, contudo, o termo jugo raramente é usado em assuntos sobre casamento:
“Tradicionalmente, esse texto tem sido interpretado como uma proibição do casamento entre um cristão e um não cristão. No entanto, a metáfora de um jugo é raramente empregada na antiguidade para referir-se ao casamento, e não há absolutamente nada no contexto que, da forma mais remota, indique que o casamento esteja em foco aqui” (FEE; STUART, 2016, p. 94).
Ao contrário, quando lemos com cuidado, vemos que o contexto do texto fala sobre adoração pagã:
“Paulo faz uma digressão para exortar os seus leitores a que nada tenham que ver com a adoração pagã, mas a que levem uma vida santa de reverência a Deus. O apelo não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos significa aqui não participar na adoração pagã com os incrédulos” (CARSON; FRANCE; MOTYER; WENHAM, 2012, p. 1801).
E isso fica claro por conta de algumas perguntas retóricas que se seguem nos versículos 14 ao 16, vejamos: Que comunhão tem a justiça e a maldade? Luz com trevas? Que acordo existe entre Cristo e Belial? O fiel e o incrédulo? O templo de Deus e os ídolos? E a afirmação do versículo 17 também dá a entender que era um ambiente impuro, pagão.
O contexto todo nos mostra que ele fala de adoração pagã, principalmente a parte de Cristo e Belial, entre o templo de Deus e ídolos. Em uma cidade como Corinto, onde a adoração pagã era comum, o texto aconselha os cristãos a não se misturarem a estas práticas pagãs, ouvindo e dando oportunidade para estes falsos mestres falarem. Mas, como falei no começo do texto, esta passagem é de difícil interpretação, a opinião não é unânime entre teólogos e pastores, porém acho complicado aplicar isso no quesito casamento, pois o texto não menciona nada sobre casamentos.
Contudo, vamos ser sinceros, é possível fazer uma aplicação prática quanto ao casamento. Afinal, a pergunta principal é: Que comunhão, que em grego é koinónia (e significa comunhão, comunhão espiritual, partilha, comunhão no espírito), pode haver entre coisas tão opostas como Luz e trevas (v. 14). O que há em comum entre o crente e o descrente? E por aí vai. A convivência entre duas coisas tão opostas assim é impossível, diante disso, um casamento entre duas pessoas tão diferentes se torna complicado, talvez em alguns momentos impraticável. Afinal, mais dia ou menos dia, você terá alguns sérios problemas, como por exemplo: em que religião criar meu filho? E muitos outros exemplos que surgem durante o tempo. Porém, eu nunca diria que o casamento com cônjuges não convertidos seria um pecado, acho uma afirmação complicada.
Como eu disse no começo do texto, conheço inúmeros casais, tanto cristãos quanto não cristãos, que vivem bem, alguns deles, por sinal, levam e buscam suas mulheres nas igrejas sem problemas. Em contrapartida, conheço alguns casais cristãos que vivem um verdadeiro inferno.
Aos casados com cônjuges não cristãos, Paulo dá um conselho: não se separarem (1 Coríntios 7:13). E ainda acrescenta que o marido descrente é santificado pela mulher (1 Coríntios 7:14). Não significa que ele será salvo por osmose, e sim, que aquele espaço será um local que pertence a Deus, um ambiente de santidade cercado das bênçãos de Deus. (BOOR, 2004, p. 124). Mas lembre-se, o conselho é aos casados, não a quem vai casar.
Contudo, expresso agora a minha opinião.
Não é o ser ou não ser cristão que determinará o sucesso do seu casamento. Afinal, conheço cristãos que batem em suas esposas, traem e vivem seu casamento de maneira autoritária e egoísta. E conheço não cristãos que vivem otimamente bem, com um relacionamento harmonioso e em parceria. O que vai definir é a forma com que você conduz o seu casamento e quem você coloca como centro do seu casamento, se é o seu ego ou Deus.
Porém, não esqueça que viver com um não cristão tem os seus pontos complicados. Você pode se sentir solitário por não ter quem te acompanhar na igreja e nos ministérios. Quem sabe também que, com o tempo, ele possa implicar com o fato de você ir muito à igreja e muitos outros problemas que poderíamos listar, ou quem sabe você não terá problema algum, é impossível saber, só o tempo de casado dirá.
É claro que casar com um cristão não é a certeza de viver uma vida de flores, mas pode ser a certeza de ter alguém que te entenda e que pode caminhar com você como um companheiro de caminhada e em oração.
Se eu pudesse te aconselhar, eu diria: não case com um não cristão ou pense bem e tente colocar tudo na balança antes de qualquer decisão. Pense também se você não está sendo um pouco apressado, ou se lá no fundo, algo lhe diz que você não deveria nem casar nem namorar, quem sabe isso seja um sinal para não continuar. Porém, eu nunca diria que a sua decisão seria um pecado, talvez uma decisão complicada, mas não pecaminosa. No mais, que Deus ilumine a sua decisão.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.
BOOR, Werner de. Carta aos Coríntios: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 2004.
CARSON. DA.; FRANCE , RT.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.
FEE, Gordon D.; STUART, Douglas. Entendes o que lês?. São Paulo: Editora Vida Nova, 2016.
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IDENTIDADE PERDIDA- RICARDO BARBOSA
Faz pouco tempo que aprendi a gostar dos livros do Ricardo Barbosa e diante desta verdade, tenho uma enorme dificuldade de listar os melhores entre eles, gosto de todos e cada um tem a sua particularidade. Ler um livro do Ricardo é ter a certeza que os assuntos serão muito bem abordados, com coesão e com uma linguagem acessível.
O livro Identidade Perdida tem uma profunda capacidade de confrontar o homem, suas mazelas e sua competente capacidade de se distanciar de Deus.
“O chamado para ser discípulo de Cristo – usando uma afirmação insistente do Dr. Houston – é um chamado para sermos transformados de indivíduos para pessoas em Cristo. O indivíduo é o ser fechado em si mesmo, inseguro, que insiste em fabricar sua própria realidade” (BARBOSA, 2014, p. 11).
Ele analisa a humanidade em tempos pós-modernos e que impacto isso traz a igreja, qual é o nosso chamado e por aí vai. O livro nos convida a olharmos para a cruz, prestarmos atenção no ensino da palavra e renovarmos nosso encontro com Jesus.
Editora Encontro e Esperança, 139 páginas.
BIBLIOGRAFIA
BARBOSA, Ricardo, Identidade Perdida, Editora Encontro, Curitiba, 2014.
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SEJA A PESSOA CERTA
É normal ouvirmos solteiros falarem: Eu ainda não casei porque não achei a pessoa certa. Diante desta premissa Josh Mcdowell faz uma pergunta interessante para um jovem que estava à procura de uma esposa que tivesse certas qualidades:
“Perguntei-lhe se as qualidades que procuravam numa esposa eram encontradas em sua própria vida” (MCDOWELL, 2001, p. 20).
Mais importante que encontrarmos a pessoa certa é sermos a pessoa certa. Seria hipocrisia demais exigirmos de uma pessoa algo que não somos, não acha?
Tenho lido alguns livros sobre casamento desde que eu estava na eminência de casar. Eu sei que conviver com uma outra pessoa, com costumes diferentes, vivencias e criação diferente não é fácil, por isso procurar ajuda de quem já está casado há um bom tempo é importante.
Mas nesta minha nova missão o que tenho tentado viver é justo o que este autor aconselhou: ser a pessoa certa. Aquele que cumpre com a sua palavra e que trata a esposa com o carinho que eu queria ser tratado, sem exigir um retorno, sem querer que ela faça o mesmo, fazendo isso em nome do amor e do que sinto por ela. Afinal a reciprocidade deve ser algo natural, resultado de um amor sincero, nascido através de uma doação, de uma entrega.
Mas Josh Mcdowell faz uma outra pergunta que acho interessante:
“Como é possível tornar-se a pessoa certa? Primeiro, é importante reconhecermos que nossa vida amorosa será sempre um reflexo de nossa probidade (integridade) de caráter” (MCDOWELL, 2001, p. 20).
O que você é e como age, determina como será o seu casamento. Se sabe lidar bem com problemas, se é bem resolvido emocionalmente, se encara a vida com leveza e tenta ser sempre compreensivo com o próximo, já tem um bom caminho andado para o casamento feliz.
Há pouco tempo antes de casar, uma amiga, que já havia passado por dois casamentos e era frustrada com relacionamentos me disse: Tudo isso que você diz é bonito, mas muda rápido, logo você cansa e se separa.
Eu nem soube responder, quem sou eu para falar de algo que eu comecei a viver faz pouco tempo, porém uma coisa eu posso dizer. Qualquer relacionamento, seja amizade, família ou casamento, que tem como foco o próprio umbigo é fadado ao fracasso.
“O casamento é um compromisso de dar e receber: Você precisa estar disposto a dar exatamente o que deseja receber” (MCDOWELL, 2001, p. 21).
Vida a dois, como a frase bem diz, deve ser vivida como uma parceria, com compreensão e amizade. Casar para ser feliz é o sucesso do fracasso, agora, casar pra fazer o próximo feliz, já é uma boa receita.
Você procura uma pessoa “certa” para casar? Então seja esta pessoa, seja o compreensivo, seja o paciente e o bom amante, não espere do próximo, faça você primeiro.
Jogar expectativa no cônjuge é fácil, agora olhar para nossas próprias atitudes, tentando sempre ser o melhor que é o desafio e penso eu ser este um dos segredos.
BIBLIOGRAFIA
MCDOWELL, Josh, Aprendendo a Amar, Sexo Não é o Bastante, Editora Candeia, São Paulo, 2001.
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A CRISE DA INFORMAÇÃO
A minha crítica nestes tempos incertos de crise, mudanças na lei trabalhista e educação é no quesito “informação”.
Nesta guerra de esquerda e direita, os exageros postados em redes sociais aliado as mentiras e manipulações, nos trazem um sentimento de insegurança e medo.
São poucos os diálogos construtivos, é quase inexistente o debate honesto em nome da verdade. O intuito da maioria dos militantes de qualquer lado é apenas defender seu quinhão, ninguém quer discutir ideias, saídas inteligentes para a economia ou combater a injustiça que virou endêmica.
Soma-se a isso um governo corrupto, que não se interessa em defender lado algum, apenas interessado em explorar o povo ou tirar o seu bocado do trabalhador desinformado.
Eu já nem sei em quem acreditar, não sei se as mudanças serão úteis ou nocivas, só sei que a massa desinformada segue o fluxo, enquanto políticos gargalham na nossa cara.
Já cansei de falar que povo dividido é povo conquistado. Ou que a desinformação destrói tal qual câncer e que a população ainda não aprendeu a não ser manipulado.
A nossa crise não é só econômica, o nosso problema não é só falta de dinheiro. É falta de cultura, falta de estudo para não irmos na onda de manipuladores. A nossa crise é de educação, de interpretação de texto e falta de leitura. Para que assim, as pessoas parem de compartilhar bobagens, ir na onda de notícias tendenciosas ou mentirosas.
Não estou com isso defendendo um lado, muito menos torço para que a esquerda ou direita se extinga. O que eu queria é que o povo fosse mais antenado e entendessem que na política brasileira só tem dois lados: Nós e eles.
Não existe político salvador, não existirá bonança enquanto não brigarmos por mudanças drásticas, pelo fim de privilégio político ou altos salários. Não existirão mudanças, enquanto não formos a rua protestar contra a corrupção, contra jeitinho político e contra a impunidade.
Vá em frente, lute por um lado, mas não passe a mão na cabeça de político ladrão, seja ele quem for. Amigo, vá a luta, mas não se esqueça que enquanto a crise está pegando aqui em baixo, lá em cima a conversa é outra, a amizade rola solta e a conta dos gastos eles mandam para nós.
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DEPRESSÃO
13 Ranson Why é uma série que conta os 13 motivos que levou uma menina depressiva a se suicidar. E sobre depressão, é interessante ver como cada um reage ao assunto de uma maneira.
Uns acham que a depressão é frescura, coisa de quem não tem o que fazer. Outros consideram problemas espirituais, coisas de quem não tem Deus ou não ora muito. Tem até quem fala que o depressivo é um ser possesso por um espírito maligno.
Há quem diga que os jovens de hoje não tem tanta resiliência, pois antigamente todo mundo sofria bullying, mas ninguém se matava. Todos eram zoados e ninguém ficava mal. A pergunta que eu faço é: Será?
Tenho aprendido a cada dia que eu não posso enxergar o mundo apenas da minha maneira. Que cada um tem suas dificuldades, nem tudo o que não me atinge, necessariamente também não atinge o meu próximo. Nem todos sabem lidar com seus fantasmas, nem todos tem a resiliência de olhar o problema e tentar superá-lo e por isso, alguns acham que tirar a vida, é solucionar o seu problema por inteiro.
A grande verdade é que cada um tem a sua fuga, a sua maneira de fugir do problema. Alguns são o trabalho, igreja, bebida, comida ou suicídio. Porém apenas um é visto como o fraco da história.
Algumas dores doem na alma, alguns sentimentos são muito mais que tristeza, é uma forma de ver o mundo, é uma eterna solidão mesmo em meio a muitos. E para um depressivo, momentos felizes não satisfazem, as alegrias vividas não tocam a alma, a desesperança é a única companheira de caminhada.
Cada ser humano é um mundo, com os seus medos, desejos e decepções. Cada pessoa é um universo, porém alguns são um pouco mais vazios, sozinhos e sem esperanças.
Eu me lembro muito bem destes sentimentos, dos momentos de dor e da solidão extrema, mesmo entre meus amigos. Eu me lembro da tristeza constante e dou graças a Deus por ter tido amigos, que durante a minha batalha, compraram um pouquinho da briga. Porém nem todos tiveram o que eu tive, nem todos conseguem fazer amigos, nem todos tem a felicidade de ter em sua vida parceiros, verdadeiros irmãos que nos ajudam. É claro, eu procurei ajuda, eu quis ser ajudado, caso contrário, não teria muito o que fazer.
Eu tenho a minha fuga, tal qual os muitos que citei: Eu escrevo e estudo. E hoje, depois de ter superado todos estes problemas, eu não deixo de olhar para quem sente o mesmo e ter empatia. Penso que o que nos falta muitas vezes é empatia. É ter a capacidade de nos colocar no lugar do outro e tentar compreender. Confesso que o seriado me deixou reflexivo, me fez voltar ao passado e relembrar algumas situações.
É interessante você prestar atenção em dois protagonistas do seriado. O primeiro é a menina, Hannah: Uma menina problemática, amante dos exageros, que tinha uma péssima visão de si. Seus pais passavam por um período bem complicado e ela, uma menina com muitos talentos e bonita, não tinha resiliência alguma e muito menos uma amiga para apoiá-la.
O segundo é o Clay: Um menino extremamente tímido e inseguro, com uma autoimagem péssima, mas que tinha um amigo que estava sempre em sua cola, e pais que prestavam muita atenção nele, sempre tentando ajudá-lo.
É claro que cada um é responsável por suas decisões, é claro também que culpar os outros por problemas que são nossos não é a saída. Mas nestas horas, ter quem nos ajude faz toda a diferença.
Eu lamento por quem passa por isso. Pela pessoa que tem que tomar remédio e ter acompanhamento. Eu lamento também por você que não compreende estas coisas, que taxa o depressivo de desocupado e acha que a sua forma de pensar é a única certa. Espero que nem você, muito menos algum familiar seu passe por algo assim algum dia. Mas uma coisa é verdade, pimenta nos olhos dos outros é refresco. Muitas vezes só compreendemos algumas coisas quando passamos pelas mesmas situações.
Não peço para você aprender a entender a depressão e sim, apenas respeitar os limites de cada um. Nem todos são iguais, nem todos tem a mesma força e nem a mesma forma de agir diante dos problemas. E respeitar é um bom começo para quem passa por estas mesmas situações.
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ÉTICA BRASIL
Eu não me impressiono mais com a corrupção que está acontecendo na política brasileira hoje em dia. Depois de anos e anos vendo esta injustiça toda, vamos aprendendo como funciona a ética em nosso Brasil. Ética segundo o dicionário é:
“Segmento da filosofia que se dedica à análise das razões que ocasionam, alteram ou orientam a maneira de agir do ser humano, geralmente tendo em conta seus valores morais”.
“Reunião das normas de valor moral presentes numa pessoa, sociedade ou grupo social: ética parlamentar; ética médica” (dicio).
Já o conceito de ética para alguns brasileiros é um pouco mais complicado. Tão profundo que eu não sei se existe.
Uma boa parte dos brasileiros vive a vida seguindo a máxima: “Deixa a vida me levar”, “vamos ver no que dá”, ou no procurar incansável o caminho mais fácil. O problema é que muitas vezes este caminho fácil é burlar a lei, procurar trabalhos escolares prontos a fim de não “perdermos tempo”. Ou em “esquecer” de devolver o troco errado, quem mandou errar, não é? Com isso a filosofia do menor esforço ganha vida, a impunidade vira um troféu a se alcançar e a desonestidade algo que sempre o outro pratica, nunca nós.
Porém o ponto alto deste texto não é descobrir se você é bom em burlar a lei, ou forçar você a justificar seus erros com a premissa: “Eu compro produtos piratas porque as empresas cobram caro por produtos originais”. E muito menos forçar você a criar um texto para justificar que o download não pago não é errado fazer. E sim para fazer você se perguntar: Quem é você quando não está sendo observado? Gosto de um provérbio judaico que diz:
“Não chame de honesto quem nunca teve a oportunidade de roubar”.
Com isso reflita e tente descobrir se você é honesto por falta de oportunidade ou por caráter. E pense também em como você trata uma pessoa quando não ganha nada em troca? Eclesiastes 12:14 diz:
“Pois Deus trará a julgamento tudo o que foi feito, inclusive tudo o que está escondido, seja bom, seja mal”.
E diante deste tribunal, qual ética você pensa em usar?
Muitas vezes vivemos tal qual no Big Brother, quando os participantes aos poucos esquecem que estão sendo filmados e começam a mostrar quem realmente são. Quem você é e porque age como age? Você faz o certo pelo certo, ou porque tem medo de fazer besteiras? O versículo 13 deste mesmo capítulo diz:
”Agora que já se ouviu tudo, aqui está a conclusão: Tema a Deus e guarde os seus mandamentos, pois isso é o essencial para o homem”.
Depois de Eclesiastes dar inúmeros conselhos importantes, ele termina o livro nos dando duas conclusões importantes: Primeiro: ele diz para temermos a Deus e guardarmos os seus mandamentos (V13). Temer a Deus não é ter medo:
“Temor é diferente de medo. O temor é uma espécie de reverência que nos deixa pasmos diante da santidade que chega às raias da beleza” (KIVITZ, 2013, p. 213).
O medo paralisa, o temor nos leva a caminhar na sabedoria de Deus. O temor nos traz mudanças, nos faz fazermos o bem em nome da bondade Divina.
Segundo: ele diz que Deus julgará tudo o que foi feito, sem esquecer que ninguém pode esconder coisa alguma d’Ele (V14). O mal não ficará impune, um dia o Justo juiz será visto e julgará toda esta corrupção, resta saber como estará a sua vida naquele dia.
Não viva como se não estivesse sendo observado. Nem faça algo errado em nome de ganhar algum lucro. Lembre-se que no último dia a prestação de contas será inevitável. E lá, a ética Brasil não vai funcionar!
BIBLIOGRAFIA
KIVITZ, Ed René, O Livro Mais Mal-humorado da Bíblia, A Acidez da Vida e a sabedoria do Eclesiastes.
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O SERMÃO DO MONTE PT 5: MISERICÓRDIA
“Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia” (MT 5:7) (NVI).
Eu fico muito admirado quando vejo alguém dedicar sua vida para cuidar dos outros. Tenho amigos médicos, enfermeiros e pastores dos mais gabaritados, que se dedicam a tratar das pessoas. Sendo que, muitos destes possuem um grande sentimento de compaixão e empatia pelo próximo.
Misericórdia segundo o dicionário é: Compaixão, piedade, sentimento de pesar ou compaixão solícita por alguém, no dicionário grego o significado é o mesmo. E nos traz a mente um cristianismo muito mais prático do que vemos hoje (DICIO, 2009).
A misericórdia evoca algumas conclusões parecidas com o versículo sobre a Justiça, conforme lemos no texto passado. Pois ao mesmo tempo em que a misericórdia é algo que vem de Deus, afinal só Ele é verdadeiramente misericordioso, um cristão tocado por Deus, também deve ter esta característica. John Wesley acrescenta algo interessante sobre este versículo:
“A palavra “misericordioso”, empregada por Jesus, indica os bondosos, os que têm compaixão. O resultado imediato é que os misericordiosos choram sinceramente por aqueles que não tem fome de Deus. A parte excelente do amor fraternal está aqui. A misericórdia, no pleno sentido do termo, é amar o próximo como você se ama” (2015, p. 86).
E isso me faz lembrar de alguns pregadores de rua da minha cidade. Muitos deles tem o costume de pregar apontando o dedo e acusando as pessoas que passam. Eu acho isso inútil e incoerente.
Eu sempre digo que o evangelho pode ser resumido como boas novas, é um chamado ao arrependimento e a mudança de vida. Mas acima de tudo, quando seguimos a Cristo, temos que ter a consciência de que ele foi gracioso conosco, mesmo nós merecendo a morte. Jesus nos deu uma chance, diante disso, precisamos agir igual ele (ou pelo menos tentar).
Ser misericordioso é também ter plena consciência, é ter uma vida de gratidão, e esta gratidão nós devolvemos ao próximo através de palavras de graça e de amor. Não estou com isso mascarando o que a Bíblia fala sobre o inferno, julgamento ou a nossa prestação de contas. Apenas quero enfatizar que assim como Deus foi gracioso conosco, devemos ser também com o próximo. Eugene Peterson traduz este versículo de uma forma genial:
“Abençoados são vocês, que se preocupam com o bem-estar dos outros. Na hora em que precisarem de ajuda, também receberão cuidado” (2012, p. 1382).
Quem foi tocado pela graça de Deus retribui ao próximo com o mesmo amor, um cristão transformado não odeia o próximo, e nem se sente em uma posição privilegiada. João (4:7-8) diz que devemos amar uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e se você não ama, provavelmente não conhece a Deus.
BIBLIOGRAFIA
DICIO. Dicio: Dicionário online de português, 2009. Misericórdia. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/misericordia>. Acesso em: 27 de maio. 2017.
PETERSON, Eugene H. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2012.
WESLEY, John. O Sermão do Monte. São Paulo: Editora Vida, 2015.
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TUDO ME É PERMITIDO
“Tudo me é permitido mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma” (1Coríntios 6:12).
Cresci em uma igreja que nos proibia de fazer quase tudo. Tudo era pecado, tudo nos levava para o inferno e conversar e dialogar não era algo tão comum assim, o lema era seguir as ordens do pastor e ponto final. Não foi a toa que quando cresci e abandonei o caminho por um tempo, pois, o mundo dialoga, ele ensina e responde dúvidas, mas nos leva por estradas cada vez mais distantes de Deus.
O texto da epígrafe começa falando sobre alguns que levavam seus irmãos em tribunais para serem julgados (1Coríntios 6:1). Provavelmente, Paulo esta falando de algo que acontecia naquela igreja. Diante destes acontecimentos ele fala: não se encontra entre vocês alguém sábio para julgar entre irmãos? (1Coríntios 6:5), depois de exortar os crentes quanto a estas atitudes, ele lista algumas práticas que não nos levam para o céu: Injustiça, depravação, adultérios e por aí vai, sugiro que leia com cuidado o texto todo (1Coríntios 6:9). Porém ele enfatiza com este versículo citado (1Coríntios 6:12), que tudo me é lícito, mas nem tudo convém.
Diante disso, você pode ficar confuso, afinal, a Bíblia lista uma quantidade grande de pecados e termina dizendo que tudo me é lícito, mas nem tudo me convém? Não é estranho?
A princípio soa, mas a Bíblia de Jerusalém nos da uma explicação que desvenda este mistério:
“Esta frase resume toda a moral paulina: já não se trata de saber o que é permitido e o que é proibido, mas de determinar o que favorece ou prejudica o crescimento do homem novo, regenerado em Cristo” (2013, p. 2000).
Afinal, tantas coisas que não são “pecados”, mas que nos separam de Deus, não é? Eu conheço gente que troca tudo até a busca por Deus, pelo trabalho, muitos são viciados em coisas que não são drogas ao contrário, são coisas inocentes como doces, refrigerantes, etc. E alguns não conseguem desenvolver em sua vida o amor ao próximo, o perdão ou o servir. Nem tudo o que nos separa de Deus tem cara de pecado. Nem tudo o que nos desvia do caminho é pecaminoso, diante disso, cabe a você entender o que te separa de Deus e o faz escravo do pecado.
A pergunta que você deve se fazer sempre é: O que me separa de Deus? O me torna um escravo?
Fui membro de uma igreja onde a hiper graça era o ponto de partida da vida cristã, todos eram livres para fazer qualquer coisa, éramos salvos pela graça e não vivíamos debaixo de jugos, ou de condenações de pastores que nos proibiam tudo, tal qual o meu antigo pastor. Porém, esta graça havia virado uma desgraça e o que era permitido, havia virado pedra de tropeço para as pessoas. Com o tempo, você via irmãos caindo de bêbado nos bares, fazendo festas regadas a muitas bebidas e coisas assim. Víamos exageros dos mais extremos e víamos pessoas praticando coisas que envergonhavam o nome de Deus. E era algo parecido que estava acontecendo na igreja de Corinto:
“Alguns daqueles membros da igreja de Corinto haviam defendido a sua lassidão de costumes abusando da doutrina paulina da “liberdade cristã”, o que contribuiu tão somente para aumentar a gravidade de seus pecados” (CHAMPLIN, 2014, p. 110).
Em nome da graça, tal qual Corinto, aquela igreja estava se perdendo e em nome da liberdade cristã, a libertinagem havia tomado conta de suas vidas. Mas o texto nos avisa, tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma (1Coríntios 6:12), esta é a frase que você deve tatuar em seu peito e é sobre isso que o texto fala:
“Um cristão pode fazer coisas que pessoalmente não o beneficiem, nem tampouco beneficiam a outros, mas um crente sábio escolherá o que convém” (RICHARDS, 2013, p. 981).
Você é livre para fazer tudo, porém, deve se abster das coisas que te afastam de Deus. Não é uma licença para você praticar qualquer tipo de coisas, afinal, o próprio texto lista muitas práticas que são pecaminosas, mas sim, é uma advertência para termos consciência de que muitas coisas nos afastam de Deus, sejam as coisas legítimas, quanto às ilegítimas.
Este texto suscita uma grande verdade, o nosso relacionamento com Deus está acima de tudo. Ter sabedoria e força de vontade para nos afastar do que desagrada a Ele deve ser a nossa prioridade, afinal tudo me é lícito, mas será que tudo me convém?
BIBLIOGRAFIA
RICHARDS, Lawrence. Comentário Bíblico do Professor: Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse. São Paulo: Editora Vida Acadêmica, 2013.
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.
CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
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CAMINHADA CRISTÃ
Um tempo atrás fui fazer uma caminhada ecológica em uma colônia perto de casa. Foi uma experiência incrível em um local de beleza sem igual. Durante o trajeto fui tendo alguns insights que talvez ajude em nossa caminhada cristã. Pois pode não parecer, mas a nossa caminhada física se parece bastante com nossa jornada espiritual.
A primeira semelhança que encontramos é a própria persistência. Nos dois casos, se não temos persistência para andar, ler a Bíblia, ou realizar algo que planejamos, não concluiremos. Pois ao contrário dos filmes que assistimos, nada vem sem um esforço, a não ser que você seja um milionário. E mesmo assim, tem muitas coisas que o dinheiro não compra e por isso, faz-se necessário persistir. A Bíblia fala muito em perseverar, Tiago 1:2-4 diz:
“Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem que falte a vocês coisa alguma”.
Dificuldades e provações nos trazem perseverança e provam a nossa fé. Nem tudo é fácil, mas são as nossas dificuldades que nos moldam produzindo em nós perseverança.
A segunda lição é que durante a nossa caminhada sempre encontraremos pessoas mais lentas e com dificuldades no percurso, muitas vezes sem elas se darem conta. São elas que irão nos atrasar, cabe a nós sermos compreensivos, solidários e praticarmos o amor ao próximo a fim de auxiliá-los. E também para que não estraguemos nosso percurso. A Bíblia diz: “Suportar uns aos outros em amor” (Colossenses 3:13). A palavra suportar aqui é dar suporte, ajudar, perdoar e não abandonar os amigos no trajeto.
A terceira lição é que caminhar sozinho é muito difícil, você pode desanimar fácil ou precisar de ajuda sem ter alguém ao lado. É imprescindível ter um amigo, um parceiro de caminhada para dividir as alegrias e tristezas. Na vida cristã o companheirismo é fundamental. Viver um cristianismo solitário não é viver, afinal, ser igreja é conviver, amar, caminhar junto, para que no final todos cheguem ao fim do percurso. Não podemos esquecer que a frase: “Eu sou a igreja”, está errada, a frase correta é: “Nós somos a igreja”.
Eu gosto muito de caminhar, porém sei que não é fácil, apesar da beleza que a natureza nos proporciona, vez ou outra encontramos empecilhos no caminho. A caminhada cristã não é diferente. É bom servir a Deus, é gratificante fazer a sua vontade, mas não é fácil.
A caminhada cristã as vezes requer paciência, perseverança e força de vontade para passar por cima dos conceitos do mundo, porém nós sabemos que o final tudo vai valer a pena.
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A MINHA GRAÇA TE BASTA
Não sirvo a Deus com a intenção de ter algo em troca. Simplesmente fui tocado pelo Espírito Santo e respondi ao seu chamado, simples assim. Considero a salvação pela graça e o sacrifício de Cristo na cruz algo realmente grande, para que eu me considere digno de qualquer coisa.
Mas há quem ache que Deus, por ser poderoso, tem aos seus um presente maior que o sacrifício na cruz. Eu não espero nada mais do que a sua graça, a sua força me sustentando, não acredito que Ele tenha qualquer obrigação em nos presentear e nos servir. Diante disso, eu sempre digo e volto a dizer, o cristianismo não é regido como moeda de troca, não fazemos as coisas a Deus para sermos recompensados. Servimos a Ele porque respondemos a um chamado, fomos tocados pela sua graça e consideramos loucura viver sem fazer a sua vontade. A base do cristianismo nunca foi ter e sim, se arrepender e entregar a nossa vida a Cristo. Cabe a nós entendermos isso e seguirmos fazendo a sua vontade. E quando falo em fazer a vontade de Deus, gosto de citar Paulo e seu espinho na carne lá em 2 Coríntios 12:7-9:
“E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar.
Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim.
E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo” (ACF).Antes de entendermos esta passagem, é bom salientarmos que a Bíblia não fala que espinho era este. Já ouvi alguns falarem que Paulo era homossexual, coisa que a Bíblia não fala, sendo esta afirmação destituída de qualquer base ou lógica. Outros achavam que era a gagueira, uma doença física ou mesmo algo espiritual e por aí vai. Teorias têm aos montes. Mas a teoria mais aceita pelos estudiosos é que ele tinha um problema de visão. Sendo por este motivo, segundo estudiosos, que Paulo ditava as cartas.
O que sabemos é que, segundo Gálatas 4:13-14, esta doença causava repulsa em quem via. Não devia ser algo agradável, devendo ser este também um dos motivos pelos quais Paulo queria se ver livre dela (CHAMPLIN, 2014, p. 530). Mas, como eu disse, não temos certeza, só sabemos que o incomodava muito. Porém, conseguimos tirar muitas lições desta experiência de Paulo.
A primeira é que Deus não é obrigado a nos atender, em tudo Ele sempre faz a sua vontade, isso é bem claro na Bíblia. E, como uma continuação lógica deste pensamento, é que, em alguns casos, Deus tem um propósito em não nos atender. No caso de Paulo, era para o manter humilde (v. 7). Mas tem outro fato, no versículo 9, que muitas vezes deixamos passar, quando ele fala:
“A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (ACF).
Não sabemos o que Paulo seria se ele fosse forte, se ele não tivesse este espinho, quem sabe ele não pregaria tanto ou buscaria tanto a Deus. Nós não sabemos, mas Deus sabe (BOOR, 2004, p. 470). E é geralmente isso que esquecemos quando passamos por provações.
Ninguém gosta de sofrer e acredito que muito menos Deus gosta de ver seus filhos sofrerem, porém, Ele sabe o que é bom para nós. Quando entregamos a nossa vida a Ele, temos que ter em mente que não pertencemos mais a nossos próprios desejos. Deixar que Ele nos guie, nos aperfeiçoe e que faça a sua vontade é imprescindível. E ter em mente que tudo o que Ele faz a nós é com um propósito bom, é fundamental para seguirmos seus passos. Quando somos fracos, quem é forte em nós é Deus. Quando seguimos fazendo a vontade d’Ele, não importa o que pareça estar acontecendo, temos que confiar, tendo a certeza de que Ele nunca falhará.
Bibliografia
CHAMPLIM, R. N. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
BOOR, Werner de. Carta aos Coríntios: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 2004.

