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TAGARELA
Conheci muitos tagarelas nesta minha vida, alguns em questão, falavam tanto durante uma conversa, que um simples bate-papo, virava um monólogo. O problema nisso tudo é que, quem muito fala, pouco ouve.
A Bíblia conta a história de um tagarela chamado Pedro. Este apóstolo foi um dos grandes líderes da igreja, muito usado por Deus, que antes teve que passar por uma escola que o ensinaria a ser mais humilde e menos falador. Ele era o verdadeiro ímpeto, teimoso, impulsivo e tagarela. Nem quando Cristo o avisou que o negaria três vezes, o tagarela quis ouvir. Jurou morrer ao lado de seu mestre, que nunca o abandonaria, coisa que sabemos que ele não fez (Mateus 26: 31-35). E antes que o galo cantasse três vezes, negou seu mestre sem titubear, mostrando que não passava de um grande falastrão (Mateus 26: 69-75).
Porém ao lermos esta narrativa através do texto de Mateus 26:74, perceberemos que Pedro não só negou, mas também praguejou, falou palavras profanas, palavrões, tamanha a ira e indignação com aquelas pessoas que afirmavam que ele era um discípulo de Cristo (CHAMPLIM, 2014, PG. 705). E se buscarmos a palavra praguejar no grego (καταθεματίζω), significa:
“Invocar castigo divino se aquilo que se diz não é verdadeiro ou se não se cumpre o que foi prometido, ou amaldiçoar (LOUW, NIDA, 2013, PG. 395)”.
O silêncio é ouro, como diz o ditado. Faz-nos refletir, prestar atenção no próximo e nos impede de afirmarmos quem nós não somos. Tem um ditado popular muito usado e muito pertinente para nossos dias:
“O peixe morre pela boca”.
Pedro sentiu o gosto deste veneno, mas não só ele, nós às vezes sentimos este gosto também, quando falamos demais, e vendemos uma imagem que não é a nossa. Pedro de um defensor de Jesus virou um covarde em poucas horas, mostrando que falar é fácil, agora fazer…
Tenho tentado aprender, ao longo da vida, a ficar de boca fechada. Às vezes escutar é bem mais produtivo. O problema é que o silêncio é impraticável nos dias de hoje, onde temos muitas informações, nossas opiniões e pontos de vista, e queremos expô-las a todo o custo a todos. Millôr Fernandes tem uma frase genial que explica bastante uma atitude que deveríamos cultivar sempre:
“Com muita sabedoria, estudando muito, pensando muito, procurando entender tudo e todos, um homem consegue, depois de mais ou menos 40 anos de vida, aprender a ficar calado”.
E isso é uma verdade, e combina com o texto de Tiago 3:2:
“Todos tropeçamos de muitas maneiras. Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o seu corpo”.
Este texto nos mostra a importância do autocontrole, e está aí algo que temos que tentar praticar dia a dia. Ouvir mais, pensar mais, e ser mais cordial para com o pensamento alheio é fundamental para que cresçamos como pessoa. Frear a língua é um desafio, mas é algo urgente, para que sigamos construindo pontes, firmando relacionamentos, e levando a palavra sem destruir caminhos. Pedro foi um dos maiores líderes da igreja, foi muito usado por Deus, teve que aprender na marra o que é falar menos e de um covarde, passou a ser um dos principais líderes da igreja.
Saber à hora de falar, aprender a escutar o próximo, e entender o seu ponto de vista, mesmo sendo diferente do seu, é o primeiro passo para uma boa convivência. Deixar que o nosso exemplo de vida leve a mensagem de Cristo a todos é a nossa principal missão
Que a nossa vida, fale mais que nossas palavras. Que o nosso exemplo, seja a verdadeira voz a ser ouvida. O resto é detalhes!
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil ; 2005 ; São Paulo; SP.
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Editora Paulus, São Paulo, 2002.
CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.
LOUW, Johannes, NIDA, Eugene, Léxico Grego-português do novo testamento, Sociedade Bíblica do Brasil, São Paulo, 2013.
LOPES, Hernandes Dias, Pedro, Pescador de Homens, Editora Hagnos, São Paulo, 2015.
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VOCÊ É O QUE VOCÊ LÊ
Ouvi uma vez que nós somos o quê comemos. Uma frase interessante, que define a realidade de quem come qualquer coisa sem pensar na saúde. Mas quando falamos em saúde, esquecemos que ela não é só física, mas também mental. Afinal, o homem não é só corpo, ele é um misto de corpo e alma, matéria e psique. E se eu pudesse definir o ser humano com minhas próprias palavras eu diria que nós somos o que lemos.
Muitos ignoram a importância da leitura, poucos se dedicam a buscar conhecimento, informação ou crescimento pessoal. E quando eu digo crescimento pessoal não é só para arranjar um emprego melhor, uma melhor colocação no mercado de trabalho. A vida não é só isso, e sim conhecimento para ser uma pessoa melhor, que pensa melhor e que tenha uma capacidade crítica mais clara ante a vida.
Recentemente assisti a uma entrevista do historiador Leandro Karnal e ele narrou um fato que eu também presenciei durante a minha caminhada acadêmica. Ele conta que um aluno leu um determinado autor e prontamente esboçou seu desgosto para com o mesmo. Isso sem conhecer direito a sua obra, história e mal ter tido contato com a matéria. Tenho visto muito disso em nossa internet e eu me faço sempre à mesma pergunta quando vejo estas atitudes: Como vamos julgar ou emitir uma opinião coerente, se não temos conhecimento ou não lemos? Como gostar ou não de algo, se não conhecemos a fundo aquele assunto ou não temos bagagem suficiente para opinar, com uma perspectiva mais ampla?
Um tempo atrás curti uma página no facebook sobre ateísmo, eu queria ler o ponto de vista daquele autor sobre o ateísmo e sobre o porquê ele considerava a religião algo nocivo ao homem (segundo as suas próprias palavras). Quem me conhece sabe que eu leio de tudo, inclusive livros ateus. Gosto de saber seus pontos de vista e entender a partir de onde que muitos destes autores creem que Deus não existe. Mas o autor daquela página é uma piada, totalmente raso e sem argumentos, com definições superficiais e contraditórias, discursando como uma criança de cinco anos, sem o mínimo de conhecimento. É visível, para qualquer um que tem o hábito da leitura, que o autor não tem tal costume e isso é deprimente, ainda mais quando se trata de uma pessoa que acha que tem uma opinião formada, mas não tem ideia do que esta falando.
Porém, esta prática não vemos somente em autores ateus, mas também em cristãos, agnósticos ou qualquer profissional dos diversos setores acadêmicos. Argumentos rasos, pouco conhecimento, ou pouca dedicação aos estudos é normal em nossos dias. Estudei com muitas pessoas na faculdade que se empenhavam apenas para passar de ano. Não ligavam em crescer, ou se informar mais. O canudo era tudo o que eles queriam e alguns tiveram, infelizmente. E estes é que são os profissionais do futuro. Alguns destes pastores, teólogos ou engenheiros, tão rasos quanto um copo d’água, é que serão os profissionais atuantes, seja no ministério ou no trabalho secular.
Penso que somos o que lemos, penso também que não é fácil chegar em casa depois e um dia de trabalho e separar uma horinha para estudar ou ler. Eu sou igual a todos, depois de um dia inteiro, quero me desligar e não fazer nada. A diferença é que aprendi que para crescermos, temos que suar a camisa, se dedicar, fazer sacrifícios e seguir sendo persistentes. Eu dou graças a Deus pelos ótimos professores que tive em minha vida e dos muitos conselhos que não esquecerei, onde um deles é justo sobre a leitura, e a importância de cultivar este hábito, pois é uma das únicas formas de sermos relevantes.
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FÉ EMOCIONAL X FÉ RACIONAL
Sabemos que Deus nos criou com sentimentos, emoções e também com a razão. Cada uma dessas características tem sua função. Cada pessoa é particular e não existem duas iguais no mundo. Há aquelas que são mais emotivas onde a emoção prevalece sobre a razão, e vice versa. O ideal é que essas áreas estejam em equilíbrio. Mas, infelizmente, na maioria das vezes não é o que acontece. Parece que o homem tem dificuldade de encontrar o equilíbrio.
Mas afinal, o que são razão e emoção?
– Razão: conjunto de faculdades intelectuais; compreensão, discernimento, juízo (julgar a questão), lucidez entre outras.
– Emoção: é o conjunto de reações variáveis na duração e intensidade, que ocorrem no corpo e no cérebro, geralmente desencadeadas por um conteúdo mental. As emoções são despertadas e são uma resposta a um estímulo externo.
Quando olhamos para a igreja, vemos que movimentos estranhos tem varrido igrejas no mundo inteiro, o que tem gerado muita preocupação. Não há limite para a criatividade de modinhas. O Brasil, assim como os países latinos, é um território fértil para isso, pois seu povo tem características que proporcionam grande aceitação dessas heresias. Somos um povo com o emocional mais aflorado que outras culturas. Isso não é necessariamente ruim, desde que saibamos trabalhar essa questão. Mas, o fato é que pessoas emocionais são uma porta aberta à falta de equilíbrio e senso crítico daquilo que ouvem, do que veem e até do que vivem. É claro que isso não ocorre somente em países latinos, pois vários desses movimentos são de origem estrangeira, assim como os Estados Unidos e Canadá. Nem todas as heresias trabalham com as emoções do homem, mas as que manipulam a emoção são as que talvez façam o maior estrago na igreja. No Brasil, 70% das igrejas evangélicas são da linha pentecostal e neopentecostal. Não podemos afirmar que todas são heréticas, mas é sabido que essas linhas trabalham com as emoções dos fiéis, dando ênfase no agir sobrenatural de Deus. Mas afinal, o que é a fé emocional e a racional?
- Fé emocional
Fé emocional é aquela na qual o fiel baseia sua crença e também seu agir, naquilo que ele sente. Seu juiz é a emoções. Se essa for positiva, está valendo. Creio plenamente no sobrenatural e nas emoções, e que o agir de Deus pode trazer emoções à minha vida. Porém, a fé não deve ser baseada no agir sobrenatural de Deus ou nas emoções. Estas são consequência da fé e não a causa dela. O ser humano é como um trem, onde as emoções e sentimentos são alguns dos vagões, mas não a locomotiva que faz o trem andar.
Outra questão que embasa essa prática é quando o indivíduo se ampara em experiências pessoais para dar sustentação a toda sua crença e à própria vida. Há um princípio básico na teologia, de que não se pode princípios à partir de simples experiências.
Vi uma frase que afirma que a fé emocional é uma fé irracional que vem da carne e da alma. Mas a fé inteligente é racional e vem do nosso espírito, pois nasce do Espírito Santo. Achei isso muito interessante, pois me fez lembrar do grande problema da fé emocional. Como já vimos, ela é baseada nas emoções; e o que lemos em Jeremias 17,9? “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo?” Se nosso coração (que gerencia as emoções) é enganoso e chega a ser incurável, pergunto: ele é um bom terreno para edificar minha fé?
Outra questão que quero salientar. Conhecemos uma árvore pelos seus frutos. Quais são os frutos de uma fé emocional? Trata-se de uma fé que não alcança o mundo e não dá suporte às pessoas quando precisam. Basta ver a quantidade de pessoas desviadas das igrejas pentecostais e neopentecostais. Quando a realidade da vida não condiz com o que se sente ou com o que se acha, a fé entra em contradição e muitas vezes a pessoa desiste.
2-Fé racional
Trata-se da fé que busca compreender Deus, sua vontade e seu agir através da Palavra de Deus. Não podemos confundir fé racional com fé científica ou simplesmente uma fé fria e morta. Isso acontece, mas não é necessariamente uma característica da fé racional, mas sim da pessoal. Se para os adeptos da fé emocional o estudo aprofundado da Bíblia é mal visto, e em alguns casos até pecado (“a letra mata”), para quem vive a fé racional o estudo da palavra é o fundamento. Vejamos o que Hebreus 4,12 diz: “Porque a Palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração”.
Lendo a Bíblia vemos inúmeras vezes a importância que é dada à palavra de Deus. As escrituras são citadas centenas de vezes no decorre da Bíblia; ou seja, a própria Bíblia realça a importância de conhecê-la. Romanos 12 fala acerca do culto racional. Devemos nos oferecer em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Esse é o culto racional. Paulo continua, afirmando que devemos ter uma mudança na forma de pensar para experimentar a perfeita vontade de Deus. Ora, é na Bíblia que conhecemos a vontade de Deus. A Bíblia é a revelação de Deus para os homens. Não precisamos nada além dela para conhecer Deus e como agir para termos um relacionamento com ele. A fé racional é baseada no estudo da Palavra de Deus, em um andar diário com Deus, e em ter intimidade com ele. Ela até abrange questões da emoção, mas de uma forma diferente que a fé emocional. Isso tem algo a ver com o que C.S. Lewis escreveu em seu livro Cristianismo Puro e Simples: “Se a razão é o meio natural para se compreender a verdade, a imaginação é o meio que dá o seu significado”. Ou seja, razão e emoção andam juntas, mas cada uma tem seu lugar e sua função. A relação entre razão e fé pode ser bem explicada na seguinte afirmação: “O fato do indivíduo se emocionar, mas compreender e estar consciente de suas emoções é uma qualidade que lhe permite desenvolver a capacidade de melhor se relacionar no e com o mundo”. Ou seja, as emoções existem, não devemos ignorá-las, mas elas devem ser compreendidas e administradas pela razão. No trem da vida a razão é a locomotiva que puxa todo o trem onde se encontram as emoções.
E quais os frutos de uma fé racional? Uma vida equilibrada, consistente e persistente. Podemos citar Jó como um exemplo de homem com fé racional. Ele era íntegro e justo. Lendo o início do livro, vemos que ele levava sua vida com Deus à sério e tinha intimidade com o criador. Mas, como sabemos, ele perdeu tudo. Todos os bens, os filhos morreram e ele ficou doente. Qual foi sua atitude? A esposa aconselhou-o a amaldiçoar Deus e morrer, Isso seria uma reação da fé emocional. As coisas vão mal e eu caio fora. Mas o que ele respondeu? Aceitaremos tudo o que acontecer. Em outra passagem ele afirma: “Deus dá e Deus tira”. Ele não estava tranquilo; sofria demais e pediu a Deus que morresse. Mas sua devoção, sua fé em Deus não era baseada em suas emoções, mas naquilo que ele aprendeu com Deus no seu dia a dia. Sua razão determinava suas atitudes. Será que uma fé baseada em emoções e no sentir produz esse tipo de atitude?
Vejo absurdos de pessoas dessa fé emocional, afirmando que quem lê e estuda muito a Bíblia perde sua fé. Ou pior; essa semana assisti a um vídeo onde um pastor queimou sua Bíblia dizendo que não vai mais ficar preso às coisas terrenas, mas sim a revelação dos profetas de Deus. Somente uma fé racional, baseada nas verdades da palavra de Deus pode trazer uma base para nossa vida.Tanto uma base para vivermos da melhor forma aqui na terra, como base para termos uma vida intima com Deus, vivendo a sua vontade, o que nos dará como herança a eternidade ao lado de Deus. As emoções fazem parte de cada um de nós, elas são importantes, mas devem exercer seu papel na constituição do ser humano e não determinar a nossa forma de agir e viver nossa fé.
Leia também o texto: SALVOS PELA GRAÇA
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Bruno Wedel.
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S O S
Neste período negro, parece que tudo está a ruir. Terremotos no Japão e Equador. Terrorismos em muitos países, problemas econômicos em todo o mundo. Enquanto nas redes sociais, o confronto de ideias, tem tido ares de guerra e competição. Com extremismos e exageros de muitos. Onde ninguém respeita ninguém, enquanto problemas políticos coroam este momento obscuro do nosso país.
Penso que a nossa maior crise é o amor e a solidariedade, falta tanto isso em nossos dias, que quando vista, é noticiada nos canais de todo o mundo como algo impressionante. Afinal isso é estranho, ser bom, repartir com o próximo e respeitar opinião alheia é cena de filme de ficção.
Tenho as minhas reservas em falar de fim do mundo, não vou e nem quero prever a volta de Cristo, mas sabemos, que nos fins dos tempos, o amor de muitos esfriaria, não sei se estamos no fim, mas o amor parece ter acabado. E é justo este fenômeno, que ultimamente tenho questionado. Porque desta nossa falta de amor? Qual o fenômeno que tem desencadeado isso?
Temo que estamos nos esquecendo dos ensinos mais básicos de Cristo, que é o amor, e algo, que também faz parte do amor, que se chama empatia, que segundo o dicionário é:
“A capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela”.
Quem hoje perde tempo tendo empatia? Poucas pessoas é claro, o que ganhamos com isso, não é? Jesus, quando veio aqui na terra teve empatia. E a passagem de João 11:5- 44 mostra isso, em uma de suas mais intrigantes atitudes.
A Bíblia diz nesta passagem que Lázaro, alguém que Jesus gostava muito, estava doente, e quando Jesus soube disso, ficou ainda mais dois dias, onde estavam (João 11:5). Quando, por conta disso, Lázaro acaba morrendo, coisa que Jesus também sabia, afinal, como a palavra nos mostra a sua intenção era ressuscitar seu amigo (João 11:11-15). Chegaram lá quatro dias depois, e quando chegam, o que eles veem ainda é um cenário de luto e tristeza, afinal, ninguém sabia que Cristo iria ressuscitar Lázaro (João 11:17-27). Mas o que mais me intriga é o versículo 35 de João 11, onde diz que Jesus chorou. Este é o menor versículo do Novo Testamento, e guarda um mistério: Porque Jesus chorou, já que ele sabia que seu amigo voltaria?
Existem muitas teorias quanto ao choro de Jesus. A primeira delas é que foi um teatro, para poder causar um efeito na ocasião. Teoria um tanto quanto estranha, e que não condiz com o que conhecemos d’Ele nos evangelhos. A segunda teoria é que ele chorou de alegria, o que não combina com o cenário de luto da ocasião. A terceira teoria é que ele chorou de tristeza, pela incredulidade do povo. Porém a quarta teoria é a que tem muito mais lógica, apesar da verdade da terceira opção: Cristo chorou porque ele não era só Deus, ele era também um homem. Sujeito as intempéries humanas, a tristeza que a perda de um ente querido nos dá e toda a dor, que cerca o ser humano (CHAMPLIN, 2014, PG. 612,612). Resumindo, a meu ver Jesus tinha empatia. E isso fica ainda mais claro, quando analisamos a palavra no grego (δακρύω), que significa derramar lágrimas, choro de luto por perder alguém (LOUW, NIDA, 2013, PG. 273). O que nos deixa uma pergunta, se o próprio Cristo importava-se com o próximo, porque nós, seus imitadores, não estamos também nos importando?
Eu não sei como resolver o problema do mundo, nem sei se é possível fazer os homens voltarem a amar. Mas sei que, quanto mais falta de amor vemos, menos este evangelho de graça, amor e empatia para com o próximo se vê por ai. Quando eu vejo o mundo como está, eu fico triste, pois acho que os primeiros que deveriam estar dando as mãos e fazendo diferença, somos nós.
A história nos conta que, onde tinha homens de Deus, tinha também escolas, orfanatos, missionários sendo enviados a toda a parte do mundo. É só ler as histórias de Jorge Whitefield, Davi Brainerd, John Wesley e muitos outros homens que fizeram diferença em seus países. O avivamento, o crescimento da igreja, era coroado com o estender da mão ao próximo. Mas quando vejo a nossa sociedade hedonista, cristãos buscando apenas a bênção pessoal, fico triste por esta nossa falta de empatia.
Penso que tudo pode mudar, se aprendermos a nos colocar no lugar do próximo, chorarmos com os que choram, e pararmos de sermos cristãos chatos e arrogantes. A mudança não vem quando mandamos o outro pro inferno, e sim quando estendemos a mão. A maravilha da salvação é que ela é individual, e por isso, nossa missão não é quantificar números de pessoas, e sim, propagar o evangelho, ensinar e fazer discípulos, e resto não cabe a nós. Em um mundo de injustiça, deveríamos ser os primeiros a fazer diferença, já que somos imitadores de um Deus que fez diferença, e isso só conseguiremos amando, e tendo empatia.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo, 2005.
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Editora Paulus, São Paulo, 2013.
LOUW, Johannes, NIDA, Eugene, Léxico Grego-português do novo testamento, Sociedade Bíblica do Brasil, São Paulo, 2013.
CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.
CARSON, D. A, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012.
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AS VOZES DA VIDA
A primeira narrativa de um acontecimento do novo testamento, relata a gravidez de Maria. O evangelho de Mateus traz o nascimento de Jesus de uma forma bem resumida, mas muito interessante. No primeiro capítulo há o relato de como Deus falou a José sobre a gravidez, durante um sonho. Fazendo-se uma leitura panorâmica, talvez não se entenda a profundidade do acontecimento. José e Maria tinham um compromisso; algo parecido com o que conhecemos como noivado e ela aparece grávida. A Bíblia diz que os dois não haviam tido relações sexuais. É óbvio o que se passou pela cabeça de José. A situação fica muito mais complicada, quando consideramos a situação das mulheres na época. Tratava-se de uma sociedade machista, onde algumas linhas do judaísmo chegavam a achar que as mulheres nem tinham alma. Pela lei vigente na época, mulheres adulteras podiam ser apedrejadas até a morte. Nesse contexto, José descobre que sua amada está grávida. Ele não quis expô-la publicamente e resolve deixá-la secretamente. Mas Deus lhe falou em um sonho, dizendo que o filho que ela espera foi gerado pelo Espírito Santo, e que ele a recebesse. José foi obediente e não a repudiou. Em seu coração, o filho era dele.
Como comentei, considerando todo o contexto da época, tratava-se de uma situação muito delicada. Se hoje, dois mil anos depois, já é algo difícil, imagine como foi para José e Maria. Ouve-se falar muito de Maria, mas pouco em José. A própria Bíblia fala pouco sobre ele, mas do pouco que se sabe pode-se extrair valiosas lições, e é sobre uma delas que quero refletir um pouco. José encontrava-se em uma encruzilhada. De um lado estava sua honra, sua auto estima, os direitos legais e talvez outras questões envolvidas. Do outro, apenas um sonho; um sonho através do qual Deus falou. Vamos nos colocar no lugar de José: se acontecesse comigo ou com você, pensaríamos que foi um sonho onde supostamente Deus falou. Tratou-se de algo real, a gravidez de Maria e toda a situação, e algo metafísico, um sonho onde talvez Deus falou com ele. Me referi a “talvez Deus falou” não por duvidar da Bíblia, mas sim o que provavelmente passou na mente de José. Deve ter sido um grande dilema. É aqui que a lição começa.
Pouco se sabe sobre José, mas podemos deduzir algumas coisas. A mais óbvia, e principal, é que tratava-se de um homem que realmente tinha vida com Deus. Ele tinha todos os motivos e até direitos em repudiar Maria, mas atendeu ao que Deus lhe dissera. Particularmente acho que a chave de tudo foi o fato de José reconhecer que realmente era Deus falando naquele sonho, e que este não era fruto de sua mente. Especialistas dizem que sonhamos todas as vezes que dormimos, mas que lembramos de poucos sonhos. Ou seja, sonhar não é novidade para ninguém. Acho que todos já tivemos aqueles sonhos meio loucos, sem nexo, onde até ficamos nos perguntando de onde que isso saiu. Quer um sonho mais sem nexo do que um Deus, o todo poderoso, o soberano, um ser espiritual, engravidar uma mulher? Aí está um sonho realmente louco! Acredito que isso tenha passado pela cabeça de José, mas ele teve algo que é o cerne da questão. Ele teve a capacidade de reconhecer a voz de seu Deus. Não basta abrirmos nossos ouvidos à voz de Deus, se não sabemos reconhecê-la. Isso nem sempre é fácil, pois junto com a voz de Deus, sopram muitas outras vozes. Talvez a mais forte, aquela que mais nos confunde é a nossa própria voz. Quando estamos diante de uma encruzilhada como a de José, nossa vontade fala tão alto, que muitas vezes “cala” a voz de Deus. Não se trata de algo voluntário; tomamos muitos caminhos realmente achando que seja a vontade de Deus. Mas quantos caminhos que são trilhados por filhos de Deus levam a um final infeliz?
A única forma de reconhecer a voz de Deus é conhecendo o próprio Deus. Não se conhece uma pessoa tomando um cafezinho de vez em quando com ela; da mesma forma não se conhece Deus, relacionando-se com ele esporadicamente. Também não se conhece alguém pelos relatos de outras pessoas. Não podemos conhecer Deus somente através de belos sermões proferidos dos púlpitos. Há um ditado que diz que só conhecemos uma pessoa, quando comemos um saco de sal com ela. Imagine quanto tempo que se leva para consumir um saco de 60kg de sal. Na comida vai pouquíssimo sal e são necessários muitos anos para consumir 60 kg de sal, compartilhando as refeições sempre com a mesma pessoa. Assim também é com Deus. Talvez não leve muitos e muitos anos para conseguirmos andar em seus caminhos, mas com certeza não podemos dizer que o conhecemos ouvindo apenas uma pregação ou algum relato sobre ele. Conhecer Deus demanda um relacionamento a dois. É uma questão pessoal e não somente coletiva, no seio da igreja. Mas, na correria do dia a dia, com os compromissos nos atropelando como verdadeiros rolos compressores investimos cada vez mais nossas energias em atividades relativas à vida terrena, e no aqui e agora. Gradativamente, de uma forma muito sutil, Deus vai descendo a escada das nossas prioridades. Degrau a degrau ele vai se tornando cada vez mais estranho, e vamos colocando outras pessoas ou “coisas” no trono que é de Deus.
A vida realmente está cada vez mais atribulada, mas cabe a cada um de nós parar e estabelecer suas prioridades. Mas não podemos esquecer da lei da semeadura, onde colhemos o fruto daquilo que plantamos. Se quisermos ter uma vida bem sucedida como a de José, temos que conhecer Deus de uma forma íntima para que reconheçamos sua voz. Não sejamos ingênuos em achar que podemos levar uma vidinha medíocre com Deus, e no final dar um jeito para que tudo se resolva. A única forma de realmente vencer, é fazer a vontade de Deus, e para isso devemos conhecê-lo.
Bruno Wedel.
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HERÓIS DA FÉ – ORLANDO BOYER
Sabemos que durante a história da igreja, muitos homens deram a sua vida em nome de cumprir o chamado de Deus. Estes heróis, fizeram história, e deixaram para nós um legado de vida e inspiração. Neste livro, o autor Orlando Boyer, conta de forma resumida e sintética, a história de vinte destes homens, que inspiraram e continuarão a inspirar a nós, que fomos chamados a cumprir o chamado de Deus de ir e pregar o evangelho. Uma ótima leitura, com histórias realmente inspiradoras. Vale à pena ler!
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POLÍTICA
Há quem diga que a pessoa que não gosta de política, vai ser governado por quem gosta. Porém, neste período conturbado, nem sei mais qual político presta ou não presta, é um desafio falar que se gosta de política. Superfaturamentos, roubos, trapaças, tudo vindo à tona, e eu já não me impressionaria mais se o maior santo dos homens for denunciado por roubo. O engraçado são os especialistas de plantão, que malham quem foi protestar e os que malham quem não foi, como se reclamação ajudasse. Isso sem contar na guerra de discussões para provar qual dos políticos é melhor ou pior. Sendo está bagunça toda, a meu ver, um reflexo da própria confusão mental que as pessoas se encontram.
Platão em seu livro A República, tece uma crítica bem ácida a política que ocorria em sua época. Pois tal qual nos dias de hoje, só fazia política, quem tinha direitos de cidadania, o dom da oratória, ou grana para proporcionar tais coisas. É por isso que só poderosos e ricos, acabavam ocupando os lugares de destaque (PLATÃO, 1990, PG. 6, 7, 8). Muito igual aos dias de hoje, que para ser político, é deveras trabalhoso e custoso, sendo possível apenas a quem tem poder ou alguma influência. Coisa que o próprio Platão discordava.
Porém engana-se muito, quem acha que política só se faz em Brasília ou nas prefeituras e órgão públicos. Nas ruas, no mercado e até no trabalho, exercemos uma posição política, direta ou indiretamente, nós querendo isso ou não. Veja bem, no trabalho, o mais articulado ou influente, é sempre o que está em cargos de destaque. Na igreja, o irmão com mais grana, status, ou melhor discurso é o que tem melhor posição. É a lei da política, presente em todas as áreas de nossa sociedade. E é isso que me faz ver a política e sociedade, como algo interligado e sistêmico, como um resultado natural de como a máquina funciona. Gosto de uma frase de um autor desconhecido que diz:
“Cada povo tem o governo que merece”.
E olhando o caos, e as pessoas que reclamam do governo atual, não posso deixar de concordar com a frase. Raciocine comigo, quase todos os brasileiros são corruptos, e muitas vezes nem nos damos conta disso. Desde o download ilegal, o livro em PDF que não é pago, até o troco errado que não devolvemos. Fazemos isso, muitas vezes sem nos dar conta que é um roubo, que é algo ilegal ou que não é correto fazer. Aí quando vemos um governo corrupto, nos indignamos, como se isso não fosse características nossas.
Isso sem contar que nem ligamos para o salário absurdamente alto dos políticos, e muitas vezes, nem acompanhamos o político em que votamos, e o tempo passa, e ninguém da bola para isso, nós passamos a ligar apenas quando tudo está um caos, ou quando afeta nosso bolso. Todos falam em corrupção, como se até agora, todos estes homens eleitos não vivessem uma vida de gastos obscenos e dispendiosos.
Quando falamos em mudanças, muito mais coisas deveriam ser mudadas, principalmente a nossa forma deturpada de ver o mundo. Aceitamos qualquer esmola deles, idolatramos qualquer pessoa famosa, concordamos com o político que rouba, mas faz, enquanto estes enxovalham e massacram a nossa dignidade pelas costas.
Não estou dizendo que eu sou contra os protestos, ao contrário, o insatisfeito tem que protestar. Mas penso que se não mudarmos, não aprendermos a olhar o próximo com mais amor, e respeitar a opinião alheia, continuaremos acabando com a nossa nação, pela falta de união enquanto eles estão unidos para roubar. Penso que a corrupção é muito grave, é um ato de egoísmo, e quem pratica deve ser punido severamente. Mas penso também que a mudança deve começar em nós. O homem é um egoísta por natureza, mas pelo menos, pode tentar ser mais justo e respeitar o espaço do próximo, deixar de cometer estes pequenos delitos, e não justificar o download ilegal com a premissa que o material original é muito caro acho que isso já seria uma grande evolução.
Viver em sociedade é pensar coletivo, é não jogar lixo na rua, e pensar que tudo que fazemos gera uma consequência. Ser honesto não é só não roubar, é fazer o que é preciso, para a próxima geração, tenha as mesmas condições que nós temos. Caso contrário estaremos roubando o futuro delas. E quanto à política, se não aprendermos a lidar com ela, como um assunto sério que é, continuaremos na mesma. E fiscalizar, votar em boas propostas, se informar, depende de nós e a nossa falta de interesse nisso, continuará gerando ladrões e corruptos, para governar a nossa nação.
BIBLIOGRAFIA
PLATÃO, Diálogos, Editora Nova Cultural, São Paulo, 1990.
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VIVENDO A FÉ DOS OUTROS
Em vários textos que escrevi para este blog, comentei que o homem encontra certa dificuldade em encontrar o caminho do equilíbrio. Isso ocorre em várias áreas da vida. Quando se supervaloriza algum determinado aspecto em detrimento de outros, já temos um indício de um certo desequilíbrio. Na vida da igreja também, encontramos algumas áreas onde falta que os cristãos vivam mais no centro do que Cristo pregou. O Brasil apresenta uma população evangélica predominantemente pentecostal e neo pentecostal, linhas essas que supervalorizam as experiência pessoais e é comum que o conhecimento bíblico fique em um plano secundário, pois a fé é fundamentada em experiências sobrenaturais. Isso é algo muito perigoso até mesmo contra as bases da reforma protestante, reforma esta que aponta para as escrituras.
Há vários fatores que levam o evangélico brasileiro conhecer pouco sua Bíblia e sua própria fé. Um deles é que infelizmente o brasileiro não tem a cultura da leitura. Lê-se muito pouco no nosso país. Esbarramos ainda em questões como a correria do dia a dia, comodismo e até mesmo preguiça. Parece que sempre há algo mais interessante para se fazer do que ler e estudar a Bíblia. Há várias igrejas que investem muito em um ensino sólido, mas o quadro geral não é nada animador. É constrangedor quando vemos um protestante que freqüenta a igreja a 15 ou 20 anos, e que fica sem respostas diante de questionamentos sobre sua fé. Muçulmanos, judeus, espíritas, testemunhas de Jeová dão simplesmente um nó na cabeça dos crentes com suas argumentações. Isso não deveria ser assim. Na Bíblia encontramos inúmeras passagens que citam a importância do conhecimento. “Antes crescei na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo…” (2ª Pedro 3,18), “…errais não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.” ( Mateus 22,29, “Amarás o Senhor teu Deus de todo coração, de toda alma e de todo teu entendimento.” (Mateus 22,37). Essas são apenas algumas passagens que enfatizam o conhecimento da palavra. Dessas, a que mais chama minha atenção são as palavras do próprio Jesus, quando afirma que devemos amar Deus com todo nosso ser, inclusive com nossa razão, com nosso entendimento. Se o Cristo disse isso, acho que outros comentários são desnecessários.
O comodismo de sentar nos bancos das igrejas e simplesmente engolir tudo o que é dito, nos leva em um caminho perigoso. Se não estudarmos a Bíblia, nossa fé se torna refém do que ouvimos do púlpito. O que o pastor ou o pregador disserem, será a única palavra que estaremos ouvindo. Não quero aqui desmerecer a figura dos pastores, mas somos chamados a ser discípulos de Cristo e não dos pastores. Nem preciso lembrar a quantidade de loucuras que se prega hoje em dia. Talvez um dos maiores absurdos que já vi, foi um vídeo onde aprece um “pastor”, queimando Bíblias, afirmando que a única revelação da qual precisamos é o que é dito por um certo profeta (não lembro o nome) a quem ele segue. Quando não conhecemos as escrituras, corremos o risco de seguimos pregadores do inferno, como esse cidadão.
Estudar a Bíblia é muito mais que ler alguns versículos todos os dias. Temos que ler várias vezes o texto, deixar que ele inculque em nossa mente, e de preferência consultar alguns comentários para que tenhamos uma ideia mais ampla do pano de fundo que cerca aquele texto. Não é necessário que se faça um curso de teologia para entender um pouco mais da Bíblia, mas também não se aprende jogando vídeo game e assistindo novelas “cristãs”. Quanto mais lermos e refletirmos sobre o que lemos, mais o Espírito Santo fala aos nossos corações. Mas temos que dar um passo, que é a disposição de investir um mínimo de tempo para o estudo da Bíblia; esse tempo pode ser a diferença entre céu e inferno na nossa vida. Particularmente não conheço nenhum cristão que é referência, aquela pessoa que exala Cristo em sua vida e tem certeza da sua fé, que não investe tempo no estudo.
A opção está em nossas mãos. Podemos estudar a palavra, conhecer mais a Deus e assim fortalecer nossa fé, ou simplesmente, repetir o discurso que ouvimos dos outros sem ao menos saber o que significa. Argumentos como por exemplo “porque sim”, ou “É assim porque o pastor disse”, são um atestado de burrice. Leia, estude a Bíblia, e assim você conhecerá mais a Deus e estará fortalecendo tua fé, e influenciando as pessoas que te cercam. Esse é nosso maior chamado nessa vida. Estude, fortaleça tua fé, e assim você deixará de viver a fé dos outros.Bruno Wedel.
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INTRODUÇÃO BÍBLICA – NORMAN GEISLER & WILLIAM NIX
Conhecer a Bíblia, como ela foi escrita e como foi formada, para um cristão é fundamental. Só conseguimos defender a nossa fé e sermos relevantes, quando temos uma ideia do todo, para assim nunca sermos enganados, e é esta a função deste livro. Com uma linguagem mais tranquila, mas sem abrir mão dos termos teológicos, mesmo que explicado durante seu uso, esta obra é de fundamental importância para os cristãos dos dias de hoje. Alguns dos importantes tópicos são: O caráter da Bíblia, a natureza da inspiração, a inspiração do Antigo testamento, e por ai vai. Material importante, para quem quer conhecer mais as sagradas escrituras.
Publicado pela editora Vida, com 253 páginas.
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FARISEU
A Bíblia fala muito dos fariseus, e mostra discussões homéricas entre Cristo e estes homens. Em nossos dias, chamamos de fariseu aquele crente hipócrita, que não se cansa de ser legalista, apontando os erros dos outros sem ao menos ver as suas próprias burrices. Porém subestimamos muito estes homens e chamamos de burros por muitos deles não terem entendido que Cristo era o Messias aguardado por tanto tempo, mas alto lá. Antes de formularmos qualquer conclusão que seja, vamos entender quem eram estes homens.
Os fariseus faziam parte da alta elite de pensadores, era a nata da época, os maiores estudiosos e sábios onde inclusive Paulo era um deles (Filipenses 3:5). Fariseu significa separado, sendo que a maioria dos escribas eram fariseus (CHAMPLIN, 2013, p. 688, 689). Os estudos destes sábios começavam logo na tenra idade. Um menino com 6 anos começava a estudar a torá (Os cinco primeiros livros da Bíblia) e ao completar 10 anos, terminando os ciclos de estudos denominados Beit Sefer, estes pequenos estudiosos já haviam decorado toda a torá. E os melhores entre eles iam para uma escola chamada Beit Talmud, estudando sob a orientação de um rabino onde com a idade de 12 anos já haviam decorado todo o velho testamento (KIVITZ, 2012, p. 7). Não era brincadeira ser um destes homens, eles levavam a sério seus estudos, jejuavam e cumpriam a lei religiosamente e atentamente, eles só tinham um problema, eram legalistas demais. John Wesley, em seu livro O Sermão do Monte, faz algumas observações importantes sobre estes sábios da lei. E uma delas era que eles não achavam que estavam errados, para eles o modo que eles procediam era o mais certo que entendiam:
“Eles só se distinguiam dos outros pela vida mais rigorosa. Exibiam um comportamento mais religioso. Eram zelosos da lei nos detalhes. Davam o dízimo até de ervas: hortelã, anis, e cominho. Por esse motivo, todo o povo os tinha por honrados. Em geral eram considerados os mais santos, de todos os homens (WESLEY, 2015, p. 135)”.
Estes fariseus eram homens íntegros, bem estudados, e muito zelosos, mas esqueciam de olhar para o próximo com amor, cuidado e eles guardavam tanto a lei, que esqueciam de praticar o amor sincero e real ao próximo. A pergunta que quero deixar é: Quem nunca se engajou tanto em algo, que se esqueceu de enxergar o próximo com olhar de graça e de amor? Quem nunca, após ter experiências profundas com Deus, ou estudar muito a Bíblia, não olhou para a dúvida “insignificante” de seu irmão e desdenhou dele? Ou quem nunca olhou para o seu diploma, e se considerou superior em relação ao seu próximo? Olhamos tanto para os fariseus, mas nós também não estamos livres de cair nas mesmas armadilhas. Às vezes nem é por mal, é só olhar para a igreja e conferir. 1Coríntios 10:12 diz:
“Portanto, aquele que pensa que está de pé é melhor ter cuidado para não cair”.
Apesar do texto falar sobre desobediência, e como o povo hebreu no deserto foi punido por reclamar e não seguir a Deus. Este aviso é muito pertinente para nossos dias. Gosto de pensar que sou um privilegiado, e que não me considero melhor que qualquer um. Seja judeu, espírita ou o que quer que seja. Veja bem, os fariseus eram cegos pela lei, sua ávida vontade de cumprir as ordenanças que Deus os havia dado fez com que eles se esquecessem do próximo, de amar, de ter empatia e sentir a dor do próximo. E isso, não esta muito longe de nós nos dias de hoje.
Cristo nos chamou para sermos um, para cultivarmos o amor, e para que com a nossa atitude servíssemos o próximo o melhor possível, e se desviar disso e cair para outro extremo é muito fácil no mundo em que vivemos. Quando eu olho para a palavra graça, e para tudo o que Deus me deu, sem que eu merecesse, penso que isso deve ser passado ao próximo como foi passado a mim, e este é um dos segredo para cultivar uma vida cristã verdadeira. Deus me livre que eu vire um legalista, mas legalistas quase sempre não se dão conta que os são. É por isso que cultivar o amor e humildade é tarefa do dia a dia, e servir é a lei que temos sempre que nos relembrar, sem se esquecer de um conselho muito importante dado por Cristo lá em Marcos 10:44:
“Quem quiser ser o primeiro, que seja escravo de todos”.
Talvez só assim consigamos nos manter humildes, se colocando como servos uns dos outros.
BIBLIOGRAFIA
CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. 10° ED. SÃO PAULO – SP HAGNOS. 2011.
Kivitz, Ed René, Talmidim, O passo a Passo de Jesus, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2012.
WESLEY, John, O Sermão do Monte, Editora Vida, São Paulo, 2015.
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil ; 2005 ; São Paulo; SP.


