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VIVENDO A FÉ DOS OUTROS
Em vários textos que escrevi para este blog, comentei que o homem encontra certa dificuldade em encontrar o caminho do equilíbrio. Isso ocorre em várias áreas da vida. Quando se supervaloriza algum determinado aspecto em detrimento de outros, já temos um indício de um certo desequilíbrio. Na vida da igreja também, encontramos algumas áreas onde falta que os cristãos vivam mais no centro do que Cristo pregou. O Brasil apresenta uma população evangélica predominantemente pentecostal e neo pentecostal, linhas essas que supervalorizam as experiência pessoais e é comum que o conhecimento bíblico fique em um plano secundário, pois a fé é fundamentada em experiências sobrenaturais. Isso é algo muito perigoso até mesmo contra as bases da reforma protestante, reforma esta que aponta para as escrituras.
Há vários fatores que levam o evangélico brasileiro conhecer pouco sua Bíblia e sua própria fé. Um deles é que infelizmente o brasileiro não tem a cultura da leitura. Lê-se muito pouco no nosso país. Esbarramos ainda em questões como a correria do dia a dia, comodismo e até mesmo preguiça. Parece que sempre há algo mais interessante para se fazer do que ler e estudar a Bíblia. Há várias igrejas que investem muito em um ensino sólido, mas o quadro geral não é nada animador. É constrangedor quando vemos um protestante que freqüenta a igreja a 15 ou 20 anos, e que fica sem respostas diante de questionamentos sobre sua fé. Muçulmanos, judeus, espíritas, testemunhas de Jeová dão simplesmente um nó na cabeça dos crentes com suas argumentações. Isso não deveria ser assim. Na Bíblia encontramos inúmeras passagens que citam a importância do conhecimento. “Antes crescei na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo…” (2ª Pedro 3,18), “…errais não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.” ( Mateus 22,29, “Amarás o Senhor teu Deus de todo coração, de toda alma e de todo teu entendimento.” (Mateus 22,37). Essas são apenas algumas passagens que enfatizam o conhecimento da palavra. Dessas, a que mais chama minha atenção são as palavras do próprio Jesus, quando afirma que devemos amar Deus com todo nosso ser, inclusive com nossa razão, com nosso entendimento. Se o Cristo disse isso, acho que outros comentários são desnecessários.
O comodismo de sentar nos bancos das igrejas e simplesmente engolir tudo o que é dito, nos leva em um caminho perigoso. Se não estudarmos a Bíblia, nossa fé se torna refém do que ouvimos do púlpito. O que o pastor ou o pregador disserem, será a única palavra que estaremos ouvindo. Não quero aqui desmerecer a figura dos pastores, mas somos chamados a ser discípulos de Cristo e não dos pastores. Nem preciso lembrar a quantidade de loucuras que se prega hoje em dia. Talvez um dos maiores absurdos que já vi, foi um vídeo onde aprece um “pastor”, queimando Bíblias, afirmando que a única revelação da qual precisamos é o que é dito por um certo profeta (não lembro o nome) a quem ele segue. Quando não conhecemos as escrituras, corremos o risco de seguimos pregadores do inferno, como esse cidadão.
Estudar a Bíblia é muito mais que ler alguns versículos todos os dias. Temos que ler várias vezes o texto, deixar que ele inculque em nossa mente, e de preferência consultar alguns comentários para que tenhamos uma ideia mais ampla do pano de fundo que cerca aquele texto. Não é necessário que se faça um curso de teologia para entender um pouco mais da Bíblia, mas também não se aprende jogando vídeo game e assistindo novelas “cristãs”. Quanto mais lermos e refletirmos sobre o que lemos, mais o Espírito Santo fala aos nossos corações. Mas temos que dar um passo, que é a disposição de investir um mínimo de tempo para o estudo da Bíblia; esse tempo pode ser a diferença entre céu e inferno na nossa vida. Particularmente não conheço nenhum cristão que é referência, aquela pessoa que exala Cristo em sua vida e tem certeza da sua fé, que não investe tempo no estudo.
A opção está em nossas mãos. Podemos estudar a palavra, conhecer mais a Deus e assim fortalecer nossa fé, ou simplesmente, repetir o discurso que ouvimos dos outros sem ao menos saber o que significa. Argumentos como por exemplo “porque sim”, ou “É assim porque o pastor disse”, são um atestado de burrice. Leia, estude a Bíblia, e assim você conhecerá mais a Deus e estará fortalecendo tua fé, e influenciando as pessoas que te cercam. Esse é nosso maior chamado nessa vida. Estude, fortaleça tua fé, e assim você deixará de viver a fé dos outros.Bruno Wedel.
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INTRODUÇÃO BÍBLICA – NORMAN GEISLER & WILLIAM NIX
Conhecer a Bíblia, como ela foi escrita e como foi formada, para um cristão é fundamental. Só conseguimos defender a nossa fé e sermos relevantes, quando temos uma ideia do todo, para assim nunca sermos enganados, e é esta a função deste livro. Com uma linguagem mais tranquila, mas sem abrir mão dos termos teológicos, mesmo que explicado durante seu uso, esta obra é de fundamental importância para os cristãos dos dias de hoje. Alguns dos importantes tópicos são: O caráter da Bíblia, a natureza da inspiração, a inspiração do Antigo testamento, e por ai vai. Material importante, para quem quer conhecer mais as sagradas escrituras.
Publicado pela editora Vida, com 253 páginas.
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FARISEU
A Bíblia fala muito dos fariseus, e mostra discussões homéricas entre Cristo e estes homens. Em nossos dias, chamamos de fariseu aquele crente hipócrita, que não se cansa de ser legalista, apontando os erros dos outros sem ao menos ver as suas próprias burrices. Porém subestimamos muito estes homens e chamamos de burros por muitos deles não terem entendido que Cristo era o Messias aguardado por tanto tempo, mas alto lá. Antes de formularmos qualquer conclusão que seja, vamos entender quem eram estes homens.
Os fariseus faziam parte da alta elite de pensadores, era a nata da época, os maiores estudiosos e sábios onde inclusive Paulo era um deles (Filipenses 3:5). Fariseu significa separado, sendo que a maioria dos escribas eram fariseus (CHAMPLIN, 2013, p. 688, 689). Os estudos destes sábios começavam logo na tenra idade. Um menino com 6 anos começava a estudar a torá (Os cinco primeiros livros da Bíblia) e ao completar 10 anos, terminando os ciclos de estudos denominados Beit Sefer, estes pequenos estudiosos já haviam decorado toda a torá. E os melhores entre eles iam para uma escola chamada Beit Talmud, estudando sob a orientação de um rabino onde com a idade de 12 anos já haviam decorado todo o velho testamento (KIVITZ, 2012, p. 7). Não era brincadeira ser um destes homens, eles levavam a sério seus estudos, jejuavam e cumpriam a lei religiosamente e atentamente, eles só tinham um problema, eram legalistas demais. John Wesley, em seu livro O Sermão do Monte, faz algumas observações importantes sobre estes sábios da lei. E uma delas era que eles não achavam que estavam errados, para eles o modo que eles procediam era o mais certo que entendiam:
“Eles só se distinguiam dos outros pela vida mais rigorosa. Exibiam um comportamento mais religioso. Eram zelosos da lei nos detalhes. Davam o dízimo até de ervas: hortelã, anis, e cominho. Por esse motivo, todo o povo os tinha por honrados. Em geral eram considerados os mais santos, de todos os homens (WESLEY, 2015, p. 135)”.
Estes fariseus eram homens íntegros, bem estudados, e muito zelosos, mas esqueciam de olhar para o próximo com amor, cuidado e eles guardavam tanto a lei, que esqueciam de praticar o amor sincero e real ao próximo. A pergunta que quero deixar é: Quem nunca se engajou tanto em algo, que se esqueceu de enxergar o próximo com olhar de graça e de amor? Quem nunca, após ter experiências profundas com Deus, ou estudar muito a Bíblia, não olhou para a dúvida “insignificante” de seu irmão e desdenhou dele? Ou quem nunca olhou para o seu diploma, e se considerou superior em relação ao seu próximo? Olhamos tanto para os fariseus, mas nós também não estamos livres de cair nas mesmas armadilhas. Às vezes nem é por mal, é só olhar para a igreja e conferir. 1Coríntios 10:12 diz:
“Portanto, aquele que pensa que está de pé é melhor ter cuidado para não cair”.
Apesar do texto falar sobre desobediência, e como o povo hebreu no deserto foi punido por reclamar e não seguir a Deus. Este aviso é muito pertinente para nossos dias. Gosto de pensar que sou um privilegiado, e que não me considero melhor que qualquer um. Seja judeu, espírita ou o que quer que seja. Veja bem, os fariseus eram cegos pela lei, sua ávida vontade de cumprir as ordenanças que Deus os havia dado fez com que eles se esquecessem do próximo, de amar, de ter empatia e sentir a dor do próximo. E isso, não esta muito longe de nós nos dias de hoje.
Cristo nos chamou para sermos um, para cultivarmos o amor, e para que com a nossa atitude servíssemos o próximo o melhor possível, e se desviar disso e cair para outro extremo é muito fácil no mundo em que vivemos. Quando eu olho para a palavra graça, e para tudo o que Deus me deu, sem que eu merecesse, penso que isso deve ser passado ao próximo como foi passado a mim, e este é um dos segredo para cultivar uma vida cristã verdadeira. Deus me livre que eu vire um legalista, mas legalistas quase sempre não se dão conta que os são. É por isso que cultivar o amor e humildade é tarefa do dia a dia, e servir é a lei que temos sempre que nos relembrar, sem se esquecer de um conselho muito importante dado por Cristo lá em Marcos 10:44:
“Quem quiser ser o primeiro, que seja escravo de todos”.
Talvez só assim consigamos nos manter humildes, se colocando como servos uns dos outros.
BIBLIOGRAFIA
CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. 10° ED. SÃO PAULO – SP HAGNOS. 2011.
Kivitz, Ed René, Talmidim, O passo a Passo de Jesus, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2012.
WESLEY, John, O Sermão do Monte, Editora Vida, São Paulo, 2015.
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil ; 2005 ; São Paulo; SP.
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CURAS QUE NÃO CURAM
Os quatro evangelhos relatam muitos dos milagres que Cristo fez. Particularmente acredito que a Bíblia não contém todos os atos extraordinários que Jesus realizou, mas apenas alguns deles. O que será que levava Cristo a realizar esses milagres? Quando penso nisso, dois motivos me vêm à mente: o primeiro era mostrar quem ele era/é. Era o Deus encarnado em forma humana, e todos os prodígios que fez, foram uma das formas que o povo tinha de reconhecê-lo. Mas também acho que muitos dos milagres que foram realizados por Jesus, foram movidos pelo amor e compaixão pelas pessoas. Esses eram os motivos para que Jesus realizava milagres; mas como isso fica da perspectiva de quem se beneficia dos favores do Messias?
A grande maioria das pessoas quer um milagre em sua vida. Há diversas letras de músicas de louvor que expressam isso. Mas para que o homem quer que Deus faça um milagre em sua vida? Acho que uma das respostas está no texto de Lucas 17,11-19. Trata-se da cura dos dez leprosos. A lepra, hoje denominada hanseníase, era uma doença terrível, para a qual não havia cura. A pele e a carne sofre decomposição, e a pessoa literalmente vai apodrecendo. Portadores dessa doença eram segregados da sociedade, viviam isolados e havia uma série de leis que regulamentavam seu comportamento. Um deles é que não podiam interagir diretamente com pessoas que não tinham a doença. Tinham que manter uma grande distância para evitar o contágio. Eram consideradas pessoas impuras e viviam esperando ser consumidos pela morte. Trata-se de uma realidade inimaginável para nós. Lucas relata que Jesus, passando pela Samaria e Galiléia, deparou-se com um grupo de dez leprosos, que mantendo distância clamaram pela misericórdia de Cristo. Ele os curou e mais tarde somente um veio ao encontro de Jesus glorificando-o. Jesus olha para ele, e diz: “Levanta-te, e vai; tua fé te salvou”.
Esse homem foi salvo duas vezes por Jesus: uma da morte física através da lepra e também foi salvo da perdição eterna. É difícil saber qual era sua real motivação quando clamou pela misericórdia de Cristo. Não sabemos se era para curá-lo da lepra ou também buscava vida eterna. Os outros nove deixaram claro que não se importavam muito com Deus. Quando Jesus resolveu o problema deles, a lepra, viraram as costas a Jesus, e nem voltaram para agradecer. Mas o que eles esqueceram é que essa atitude não lhes livrava de um problema muito maior que a lepra; seus pecados. Seus corpos foram curados, mas seu espírito não. Este continuava em estado de decomposição.
Nos admiramos com essa atitude ingrata dos nove leprosos, mas ao olhar em volta, ou talvez até mesmo para nossas atitudes, talvez encontramos uma realidade similar. É comum que cristãos vivam uma vidinha bem aquém do que Deus quer, de vez em quando abrem suas bíblias, até oram algumas vezes na semana e vão aos cultos. Mas quando se deparam com uma lepra na vida, entram em desespero e reconhecem que só Deus pode ajudá-los. Correm em direção a Deus, imploram por misericórdia e perdão, e quando a questão é resolvida voltam ao conforto da vida descompromissada. Conheço pessoas que foram curadas milagrosamente de doenças fatais, que acabaram deixando Deus de lado. Mas fico feliz em conhecer outras que foram curadas do câncer, que firmaram ainda mais sua fé em Deus. A que conclusão que podemos chegar? Talvez a principal seja de que nossa fé não deve se basear em milagre. Não são os milagres que sustentam nossa fé, mas nossa fé que abre caminho a eventuais milagres. Bultmann, um dos pilares da teologia liberal, falou algo que acho muito interessante. “Não preciso dos milagres para crer em Deus”. Estes acontecem e boa parte das pessoas que os experimentam acabam não desenvolvendo uma vida consistente com Deus. São curadas, mas continuam doentes. Nossa fé deve ser baseada naquele que Deus realmente é. Quem é Deus para você? O que você é diante de Deus? Refletindo sobre essas duas perguntas, damos um grande passo para ter uma vida com Deus. Jeremias 29,13 diz: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o coração”. Se buscarmos Deus, como aquele leproso que voltou a Cristo, aí sim teremos nossa verdadeira cura. Enquanto buscarmos Deus somente para que ele resolva nossos problemas, nossa verdadeira lepra nunca será curada. Quando, porém, o buscarmos de todo o coração, aí sim experimentamos o verdadeiro milagre. Como, e para o que você busca a Deus?
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BOAS NOVAS
Uma vez ouvi que para haver mais conversões, deveríamos pregar mais sobre o inferno. Na mesma hora eu pensei, ué, o evangelho não significa boas novas? E boas novas não se referem a boas notícias? Como vamos sair pregando notícias ruins? John Piper propõe uma ótima definição de como deve ser a nossa mensagem ao mundo:
“As boas-novas não dizem que o inferno, a morte, o pecado e o sofrimento não existem. As boas-novas afirmam que o próprio Rei veio, e esses inimigos foram vencidos, e, se crermos no que Ele fez e promete, escaparemos da sentença de morte, veremos a glória de nosso libertador e viveremos com Ele para sempre (PIPER, 2011, p. 22).
Às vezes eu acho que muitos pastores vivem a vida do oito ou oitenta. Quando não pregam que ser cristão é ter poder ou dinheiro, anunciam uma vida de medo e repressão. 1Jõao 4:18 diz:
“No amor não existe receio; antes, o perfeito amor lança fora todo medo. Ora, o medo pressupõe punição, e aquele que teme não está aperfeiçoado no amor”.
O evangelho não aprisiona, não joga fardos, não condena, mas anuncia uma nova vida, uma vida de restauração e fé em Deus. John Wesley, tem uma ótima explicação deste versículo de 1João:
“Esperamos ser aperfeiçoados no amor. Esta perfeição lança fora todo o medo doloroso e todos os desejos, exceto aquele de glorificar Deus a quem amamos e amá-lo e servir-lhe mais e mais (WESLEY, 2000, p. 52)”.
É isso que são as boas novas, é este evangelho que devemos pregar, ou seja, a palavra da regeneração. O medo, não causa mudança, o medo, nos faz agir por coerção ou buscar a Deus esperando algo em troca, com medo de irmos para o inferno. E ser cristão não é ser apenas uma pessoa que não vai para o inferno, mas uma pessoa que glorifica a Deus em todos os seus atos. É o que ama o próximo independente de tudo, e tenta ou pelo menos se esforça, para ser diferença. Cristo disse que veio nos trazer vida e vida em abundância (João 10:10), e este versículo é interessante, porque em grego vida significa: Vida eterna, ou vida verdadeira, que nunca chega a um fim (LOUW; NIDA, 2013, p. 235). A vida verdadeira nos dá a entender que a nossa vida não é verdadeira, o que vivemos é falso, é uma mentira. Adão quando desobedeceu a Deus escolheu viver uma vida falsa. Viver sem Deus não é viver, seguir os nossos conceitos, não é viver. E as boas-novas é viver uma vida verdadeira em Cristo, é está a pregação que esta faltando, é ela que devemos fazer. Se arrependam, olhem para Cristo, porque quem vive sem ele, não vive, já esta condenado por suas escolhas e seus dedos sujos.
As boas novas são um chamado a reconciliação, um chamado para voltarmos a seguir o Pai e abandonarmos os nossos conceitos falhos e viver uma vida real aqui na terra, é sermos retos, íntegros e fiéis a palavra. Muitos pregam a palavra do futuro, do céu vindouro, do fugir do inferno, mas a palavra aponta para o agora, em viver em nosso tempo uma vida correta, o resto é consequência.
BIBLIOGRAFIA
PIPER, John. Deus é o Evangelho. São Paulo: Editora Fiel, 2011.
WESLEY, John. O Sermão do Monte. São Paulo: Editora Vida, 2000.
LOUW, Johannes.; NIDA, Eugene. Léxico Grego-português do Novo Testamento. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2013.
CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
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OS FRUTOS DA VIDA – BRUNO WEDEL
Se há algo que todos buscam é a felicidade. O conceito de felicidade pode variar conforme a cosmovisão pessoal, mas não há pessoas, que tenham a mente sã, que queiram ser infelizes. Quase sempre se busca a felicidade fora de si mesmo. Geralmente se imagina que algo ou alguém trará a felicidade. Mas na realidade isso pode trazer alegrias, mas a felicidade é uma atitude de vida que brota de dentro do ser humano. Não devemos esperar a felicidade venha de fatores externos, pois ela tem muito a ver com quem e como somos e isso está diretamente relacionado com escolhas que fazemos no decorrer da vida. Isso é ainda mais relevante na vida de um cristão, pois ele é conhecedor da verdade que rege o universo, mas nem sempre vive os conceitos nos quais diz crer.
O livro de Gálatas, em seu quinto capítulo, aborda algo que tem muito a ver com tudo isso. Ali há a exposição de dois caminhos que podemos seguir. O apóstolo Paulo, autor da carta, afirma que há um conflito entre viver pelo Espírito (a vontade de Deus) e viver conforme a carne (nossa própria vontade). Os versículos 16 em diante descrevem esse conflito, e apontam para o resultado da escolha feita. O conflito, viver pela carne ou pelo Espírito, nos atormenta continuamente, e como temos a natureza pecaminosa, temos a tendência de seguirmos nossa própria vontade. O texto de Gálatas aborda a questão dos frutos que a vida apresenta quando seguimos um ou outro caminho.
A questão é a seguinte: quem eu quero ser? Isso depende de uma escolha que faço. Se seguirmos a tendência da nossa natureza, tomamos as rédeas da vida em nossas mãos e colheremos o resultado dessa escolha. “Sexo barato e frequente, mas sem nenhum amor; vida emocional e mental detonada; busca frenética por felicidade, sem satisfação; deuses que não passam de peças decorativas; religião de espetáculo; solidão paranóica; competição selvagem; consumismo insaciável; temperamento descontrolado; incapacidade de amar e de ser amado; lares e vidas divididos; coração egoísta e insatisfação constante; costume de desprezar o próximo, vendo todos como adversário; vícios incontroláveis; tristes paródias de vida em comunidade”. Esse é o fruto, o resultado de uma vida construída sobre a própria vontade. Trata-se dos versículos 19 a 21 de Gálatas 5, em uma tradução contemporânea. Será que é assim que você e eu queremos ser? É só olhar ao redor, que vemos tudo isso, ou quase tudo, na vida do ser humano. Olhando para a sociedade percebemos um profundo sentimento de insatisfação. A felicidade que tanto se busca, parece estar cada vez mais longe. Quando alicerçamos nossa vida sobre algo que é imperfeito (nossa vontade), é isso que colheremos. Não se trata de castigo divino, mas de uma simples conseqüência de nossas atitudes. Se eu fosse fazer uma análise de cada uma das características mencionadas, esse texto se transformaria em um livro. Leia esse versículo umas 5 vezes e reflita um pouco. É fácil perceber que a situação catastrófica do mundo contemporâneo tem tudo a ver com os frutos da carne. Será que é isso que queremos para nossa vida?
Como falei no inicio do texto, todos querem alcançar a felicidade. Não gostamos conviver com pessoas com as características acima descritas. Provavelmente também não queremos ser uma pessoa assim; e para isso basta escolhermos o caminho certo. Se deixarmos Deus fazer nossas escolhas estaremos optando por aquilo que é perfeito para nós. Você não gostaria que as pessoas próximas a você fossem assim? Pessoas que tenham “afeição uns pelos outros, uma vida cheia de exuberância, serenidade, disposição de comemorar a vida, um senso de compaixão no íntimo e a convicção de que há algo de sagrado em toda a criação e nas pessoas. Nós nos entregamos de coração a compromissos que importam, sem precisar forçar a barra, e nos tornamos capazes de organizar e direcionar sabiamente nossas habilidades”. Esse é o fruto do Espírito descrito nos versículos 22 e 23. Que tipo de pessoa você quer ser? Quem não quer ter motivos para comemorar a vida? Fazendo a escolha certa teremos essa atitude. Aos invés de um constante sentimento de insatisfação, viveremos celebrando a vida, mesmo que ela não seja como gostaríamos que fosse.
Um detalhe interessante é que todas essas características são o resultado de uma vida guiada por Deus. Não precisamos nos esforçar para ser assim. Temos sim, que nos esforçar para perseverar no caminho de Deus; da mesma forma que os frutos brotam naturalmente em uma árvore sadia, esse fruto brotará em nossa vida, se a mantivermos saudáveis. Lendo esse capítulo de Gálatas mais atentamente, nossa busca pela felicidade chega a seu final. Ser feliz é muito mais fácil do que possa parecer. Basta que façamos a escolha correta, andando no Espírito e crucificando nosso ego.
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ESCRAVO TECNOLÓGICO
“O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis.
Este pequeno texto faz parte do discurso final do filme O Grande Ditador, de Chaplin (1940), e apesar de ser de muitos anos atrás ele ainda é de uma atualidade incrível. Vivemos em tempos de ouro, temos informações em tempo real. A tecnologia é acessível, o mundo segue em constante evolução. Mas penso que o homem, como indivíduo, está regredindo. Relacionamentos vazios, troca de valores, desrespeito com pontos de vista opostos é muito comum em nossos dias, isso tudo regado a pedantismo e hedonismo.
Alguns vão dizer que a geração que está vindo não está regredindo, mas evoluindo e o fator superficialidade, falta de contato ou apatia, é só um modo de enxergar destas pessoas, que se relacionam da maneira que eles acham ser corretos, ou como sua geração foi movida a agir. Posso até concordar com tudo isso e entender que eles podem não ter culpa, mas isso não quer dizer que é correto viver uma vida apática, com total descaso com o próximo, a natureza e o mundo. Uma coisa não exclui a outra e o resultado destes relacionamentos rasos e superficiais vemos em nossa própria sociedade, como fruto desta nossa evolução toda.
A natureza vem sendo devastada como se não houvesse amanhã, pessoas sendo tratadas como objetos por empresários, ou mendigos sem qualquer condição de vida jogados na sarjeta, sendo julgados e sentenciados sem ao menos serem ouvidos. Nem todos são vagabundos, nem todos são ladrões, nem todos são aproveitadores e aparência não diz quem uma pessoa é.
Vivemos escravos da tecnologia e o que ela divulga como verdade, compramos como lei. Muitos perderam o senso crítico e seguem divulgando verdades sem o mínimo de provas concretas, enquanto o mundo vai se desconstruindo. A Bíblia, que muitos creem ser uma mentira, já havia previsto isso. Mateus 24:12, em uma parte onde Cristo começa a falar do fim do mundo, fala justamente sobre isso:
“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará”.
Ou conforme a Bíblia A mensagem de Eugene Peterson (2012):“Para muitos, a proliferação da maldade será fatal. Do amor que possuíam, restará apenas cinzas”.
Depois de dar inúmeros sinais do fim, falar de muitos falsos mestres, de sofrimentos e perseguições o texto nos dá algumas boas certezas. A primeira é que o pecado esfria o amor. A maldade, o engano destes falsos mestres, o mal, ou quem sabe, ver continuamente o mal e a injustiça, nos faz decair e esfriar. Nesta parte do texto, iniquidade significa desregramento, rebeldia, falta de autoridade. O distanciamento do verdadeiro evangelho, do amor fraternal das igrejas, nos separa e esfria o nosso amor (CHAMPLIN, 2014, p. 633).
Iniquidade em grego anomia, significa justamente desobedecer, viver uma vida sem regras (LOUW, NIDA, 2013 p. 674). E sabemos que a vida cristã não é uma vida sem regras. A palavra, que devemos estudar e entender, é o ensino do próprio Deus, onde nós temos que obedecer e sem demora estudar para cumprir seus mandamentos.
A segunda verdade é que ser cristão é ser nascido de novo, e quem é nascido de novo tem uma nova vida, não repete sua vida passada, nem vive como vivia no passado. Não estou pregando legalismos, e nem falando que não pecamos nunca. Mas a mudança de vida é primordial para quem é cristão, e a graça que não traz mudanças, não é graça, como bem pontua John Macarthur:
Graça que não afeta o comportamento de uma pessoa não é a graça de Deus (MACARTHUR, 2013, p. 40).
Vivemos em um contexto onde todos fazem o que querem, e seguem as suas próprias ideias, que não é o nosso caso. Somos cristãos, imitamos a Cristo e com isso, temos um padrão a seguir. Creio que um dos grandes males de nossa época é a superficialidade e falta de conhecimento. E isso nos separa de Deus. Temos que parar de buscar as coisas prontas da internet e aprender a estudar para crescer como pessoa e entender o padrão de Cristo.
O mal do século é a superficialidade, é não se aprofundar, concordar com a primeira cara bonitinha que aparece em um vídeo. Ser relevante é saber o que se quer, é definir bem o que se pensa e o que se crê, não só comprar coisas prontas na internet e usar como verdade. Eu sei que tem muita coisa boa na internet, eu mesmo leio sites e vídeos com conteúdos realmente sólidos e fundamentados, mas temos que ter cuidado com o que compramos como verdade. Se não estudarmos, lermos e nos aprofundarmos no conhecimento bíblico, como vamos classificar o que é relevante ou não?
A Bíblia fala que a fé vem pelo ouvir a mensagem (Romanos 10:17). Se não ouvirmos, nem buscarmos, como teremos fé? Um cristão sem força de vontade para estudar, sem se regrar no estudo para entender a palavra, certamente esfriará. Esta é a nossa missão diária, nos esforçar para não voltarmos às velhas práticas. Devemos tomar cuidado com o mal do século, que é a superficialidade, para que com isso, não sigamos sendo cristãos frios e sem gosto. Ou sermos aquelas pessoas que quando olham para alguém passando por dificuldade, não fingem que não é com elas. Uma das maiores marcas de um cristão é o amor, um amor que vem de Deus. Mas se não buscarmos ler a sua palavra, continuaremos superficiais, longe de fazer a sua vontade e com isso provavelmente esfriaremos.
BIBLIOGRAFIA
PETERSON, Eugene, A mensagem: Bíblia em Linguagem Contemporânea. São Paulo: Editora Vida, São, 2012.
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Ed. Soc. Bíblica do Brasil, 2005.
MACARTHUR, John. O Evangelho Segundo os Apóstolos: O Papel da Fé e das Obras na Vida Cristã. São Paulo: Editora Fiel, 2013.
RIENECKER, Fritz. Comentário esperança. Curitiba: Editora Esperança, 1993.
LOUW, Johannes.; NIDA, Eugene. Léxico Grego-português do Novo Testamento. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2013.
CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
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FRACOS E FORTES
Uma dos detalhes que chama minha atenção nos cristãos é sua intolerância, e muitas vezes em relação a seus próprios irmãos. É comum vermos uns querendo impor suas convicções pessoais àqueles que pensam de forma diferente. Mas isso não é de hoje. É só olharmos para a Bíblia, veremos que isso é uma questão que atravessa as fronteiras do tempo. Em vários textos do Novo Testamento encontramos escritos que tratam dessa questão. A questão histórica e político-religiosa da época proporcionou vários embates que adentraram no âmbito da fé. A grande dificuldade da época foi entender que muitos dos ritos judaicos não eram questões espirituais, mas sim culturais ou somente litúrgicas. Como bom teólogo, o apóstolo Paulo aborda esse assunto em diversas oportunidades. Uma delas foi quando escreveu uma carta aos cristãos em Roma. Todo o capítulo 14 de Romanos trata desse assunto, mas quero citar somente os primeiros quatro versículos: “Aceitem o que é fraco na fé, sem discutir assuntos controvertidos. Um crê que pode comer de tudo; já outro, cuja fé é fraca, come apenas alimentos vegetais. Aquele que come de tudo não deve desprezar o que não come, e aquele que não come de tudo não deve condenar aquele que come, pois Deus o aceitou.Quem é você para julgar o servo alheio? É para o seu senhor que ele está de pé ou cai. E ficará de pé, pois o Senhor é capaz de o sustentar”. Podemos entender que esses poucos versículos são uma síntese de todo o capítulo, pois no restante do mesmo, Paulo trabalha essa questão mais detalhadamente.
Mas, ao que parece, boa parte dos cristãos nunca leu esse capítulo da Bíblia. É impressionante como cristãos criticam e até mesmo julgam irmãos, muitas vezes até mesmo condenando-os ao inferno. Acredito que uma das causas desse comportamento é o conhecimento muito raso da palavra de Deus. Assuntos como estilos de vestimenta, consumo, mesmo que moderado, de bebidas alcoólicas, entre outras questões, são colocadas em patamares espirituais da mais alta importância, quando na verdade não encontramos isso na Bíblia; ou seja, é falta de ler a Bíblia. Você não quer ser um fraco na fé? Estude a Bíblia; mas estude da forma correta. Mas esse texto de Romanos não tem objetivo de nos incentivar a crescermos no conhecimento bíblico ou teológico, mas como nos relacionar com nossos irmãos que estão em uma realidade diferente da nossa. A questão é absurdamente simples. A resposta para esse problema, que chega a dividir igrejas e fazer com que muitos até desistam da caminhada com Cristo, é o simples ato da tolerância. É algo que não requer uma grande espiritualidade ou um conhecimento teológico avançado. Basta querer, amar nosso próximo e ter o mínimo de sabedoria. O que infelizmente vemos, é que em muitos casos, quanto maior o conhecimento do indivíduo, maior é sua falta de sabedoria. Quanto mais sabe, menos consegue compreender seu próximo. Ou talvez não queira compreender o próximo.
A mensagem de Paulo é muito simples. Seja sábio, respeitando teu próximo. Se ele é fraco na fé, não adianta, pois provavelmente ele não vai entender teu posicionamento. Não discuta assuntos controvertidos que só trarão confusão e divisão. Não estou fomentando a ignorância dos cristãos. Acredito que o ensino bíblico e até mesmo teológico é fundamental para que tenhamos cristãos relevantes na sociedade, mas ensinar é muito diferente de discutir. Geralmente se discute por uma questão pessoal. Discute-se para provar que se sabe mais que o outro. É possível vencer uma discussão, arrasar os argumentos da outra pessoa mesmo estando errado. Vencer uma discussão não prova necessariamente que se está certo ou que se sabe mais; a certeza é que a pessoa vencedora argumenta melhor que seu oponente, mas pode estar totalmente errada. Infelizmente vejo intermináveis discussões entre os cristãos, discussões essas que não levam a lugar algum. Qual o resultado disso? Muitas vezes se ganha a discussão e se perde a pessoa. Com certeza Deus irá cobrar essa atitude daqueles que agem assim.
O que Paulo propõe é que haja respeito mútuo. O “forte” na fé não deve desprezar o “fraco”, e vice versa. Trata-se de respeito mútuo. É claro que é muito mais fácil o forte compreender o fraco do que o contrário. Mas infelizmente nosso ego, orgulho e até mesmo a auto-estima baixa levam muitos a buscar um reconhecimento público investindo em embates fúteis. Uma das atitudes que podemos ter que contribui para o bem estar social, e principalmente dentro da igreja, é a tolerância. A vida comum entre os cristãos não deve basear-se na concordância de todos os assuntos, principalmente nos controvertidos. Devemos ter a mesma fé, os mesmos princípios, mas na diversidade do corpo de Cristo há lugar para opiniões divergentes em assuntos periféricos. Os cristãos não concordam a respeito de todas as questões que se referem à vida cristã, e não precisa ser assim. O que é necessário, é que o amor ao próximo e ao Reino de Deus esteja acima do ego que nos leva a querer impor nossa opinião por mera vaidade.
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A PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO – JOHN MACARTHUR
Cristo quando ensinava usava muito parábolas envolvendo cenários e costumes, que em sua época era muito comum, mas que para nós acaba sendo uma grande incógnita. Sabemos também que a parábola do filho pródigo é uma das mais conhecidas, muitos citam, pregam ou se inspiram nela, mas poucos entendem de uma forma realmente profunda e coesa esta história. Que diga-se de passagem, foi uma das mais importantes contadas por Cristo, tornando este livro, escrito por John Macarthur, essencial para entendê-la e estudá-la. Confesso que ao ler, passei de um mero leitor curioso, que gosta muito dos livros deste autor, para um impressionado, por enfim entender o quão profundo era esta mensagem. Vale a leitura e o estudo. Escrito em uma linguagem reflexiva, porém, com um conteúdo impressionante.
Publicado pela editora Thomas Nelson, com 222 páginas.
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PERSISTÊNCIA OU TEIMOSIA
Sou daqueles que não fogem de bons desafios. Um obstáculo ou um problema, dificilmente me faz abandonar uma empreitada. Isso é bom, segundo alguns é a características dos fortes, pra mim é só um modo de ver a vida mesmo. Porém, durante momentos difíceis, muitas vezes eu me pergunto se não estou sendo teimoso ao invés de persistente. Teimosia segundo o dicionário é: Apego obstinado às próprias ideias. E persistência: Qualidade do que dura.
Penso que para tudo existe um limite, e em tudo além de colhermos frutos, também colhemos consequências, é a lei da semeadura, a vida é assim. Então como tomarmos uma decisão certa? Por quais valores devemos nos guiar? Eu sei que a resposta não é fácil, mas particularmente tenho as minhas prioridades e conceitos inegociáveis, que dirigem minhas decisões, e é isso que acaba me ajudando nestes momentos cruciais.
O primeiro conceito é a saúde. Não abro mão dela, e quando o que eu estou fazendo seja trabalho, estudo, banda, ministério etc., começa a prejudicar a minha saúde. Logo penso que não vale a pena prosseguir. Para tudo tem um limite e saúde, às vezes não volta. Já ouvi falar de pastores que chegaram à linha tênue da insanidade, por conta de muito estresse e mesmo assim não largaram o osso. Eu sei que Deus nos deu uma missão, porém, temos que entender que há tempo para tudo. Não vale a pena dar murro em ponta de faca e as vezes a melhor decisão é desistir antes que seja tarde demais.
O segundo é a família. Sem dúvida, o que Deus nos deu para que cuidássemos foi à família, ela é o nosso maior ministério. E se não a cuidamos com zelo e dedicação, o resto não vale muita coisa. Eu gosto de uma frase atribuída a Jaqueline Kenedy que diz:
“Se você fracassar na educação de seus filhos, nada que fizer bem terá muita importância”.
Não sou pai, mas esta frase nos mostra que algumas de nossas missões devem ser inegociáveis. E família, deve ser uma delas, afinal, ela é a nossa âncora, nosso porto seguro, nossa missão. São eles nossos melhores amigos e as pessoas com quem sempre podemos contar.
O terceiro conceito e mais óbvio é Deus. Ele é a minha vida, o motivo de minha existência e abrir a mão dele é beirar a loucura, insanidade pura. As coisas do mundo têm o dom de transformar valores importantes em besteiras. Mas abandonar Deus, é largar o alicerce, é construir uma casa na areia, sem bases e boa sustentação.
Eu tenho gravado comigo alguns outros conceitos, mas penso serem estes os mais essenciais para a minha caminhada. Às vezes planejamos, e esquecemo-nos do básico, o primordial que sustenta a nossa vida toda. Eu sei bem como é difícil tomar decisões ou abrir mão de sonhos mas certas decisões devem ser feitas. O segredo talvez seja o que eu já falei e venho falando ao longo do tempo: Equilíbrio e limite. Estes são dois ótimos conceitos que temos que guardar e nos relembrar todos os dias. O que me faz lembrar de uma frase do Silvio Santos, quando foi indagado sobre dinheiro, que acaba sendo um dos grandes dilemas do homem:
“Eu vivo como um cidadão de classe média americana. Ninguém precisa de tanto dinheiro para viver. Pra mim o dinheiro representa apenas troféus de minhas conquistas”.
Gosto desta frase e acho uma maneira de pensar bem lúcida, de alguém que tem muita grana, mas que coloca limite em seu padrão de vida. Eu não sei se ele vive de acordo com o que diz, contudo, isso não torna a frase uma mentira. Equilíbrio, limites e aprender a se satisfazer com o que temos, é uma boa maneira de viver. Para quando planejarmos algo, traçarmos objetivos ou construirmos sonhos, não sejamos escravos destes desejos e realizações. Sonhar não é pecado, ser escravos dos sonhos sim.


