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  • O PAPEL DO CRISTÃO NA POLÍTICA

    O cristão vive em sociedade, com isso, ele precisa exercer o seu papel de cidadão. E, devido a isso, não é incomum presenciarmos a igreja se dividindo por conta de opiniões políticas conflitantes. Em ano de eleição, estes embates aumentam significativamente.

    A Bíblia mostra muitos servos de Deus que decidiram servir na esfera pública, sendo assim relevantes em seu tempo. Ester e Mardoqueu são dois bons exemplos, uma vez que eles se posicionaram quando descobriram que Hamã queria acabar com os judeus (Ester 3.7-8). José do Egito é outro ótimo exemplo de alguém que era temente a Deus, e foi governador em um complicado período de fome no Egito. Franklin Ferreira explica que:

    “O político cristão deve ter capacidade e coragem para criticar a cultura, questionando suas motivações, mensagens e propostas” (2016, p. 45).

    Precisamos ser cidadãos atuantes, que se posicionam contra as injustiças e equívocos que a cultura e a sociedade colocam. Não podemos nos calar quando vemos o engano dar direção e impor as suas regras. E a nossa ideologia política não pode nos impedir de nos posicionar e exigir justiça.

    O apóstolo Paulo nos ensina que toda e qualquer autoridade provém de Deus, por isso, obedecer é indispensável (Romanos 13.1-7). Um bom governo estabelece um ambiente de paz e justiça, contudo, a passagem se refere a autoridades legítimas e justas, como Franklin Ferreira (2016) coloca. A Bíblia não está nos ensinando a sermos omissos e aceitarmos governos totalitários e autoritários, mas bons governos. Como obedecemos somente a Deus e não a seres humanos injustos e muitas vezes corruptos, gananciosos pelo poder, se posicionar contra e não seguir tais líderes, deve ser a nossa prioridade (Atos 4.19; 5.29). Franklin Ferreira nos ensina que:

    “Quando as duas ordens colidem, o cristão tem a liberdade de fazer uma escolha, e esta deve ser feita com rapidez e sem hesitação: ficar do lado de Deus, em vez de obedecer às autoridades, quando estas não estão cumprindo seu chamado” (FERREIRA, 2016, p. 77).

    O cristianismo neste período não estava sendo perseguido, como foi alguns anos depois, ao recusar o culto ao imperador e muitos costumes incoerentes da sociedade da época. Com isso, em um contexto de paz, os cristãos precisam cumprir com os seus deveres e obedecer às autoridades. Mas quando são desafiados a seguir um costume cultural que vai de encontro com o evangelho, certamente, é a Deus que os cristãos precisam obedecer.

    Diante disso, percebemos como um dos papéis dos cristãos é se posicionar a favor da justiça e da vida, rejeitando governos injustos, autoritários e totalitários. Tudo começa com boas escolhas; por isso, é importante pesquisar bons políticos, escolhendo não a partir de ideologias políticas, mas da verdadeira intenção que estes indivíduos têm. E, caso estes cometam atos injustos, é importante se posicionar contra.

    Franklin Ferreira (2016) enfatiza o quão é importante pesquisar o histórico do candidato, buscando assim entender suas realizações, propostas e valores. É essencial acompanhar suas propostas, verificando se são aceitáveis e se correspondem ao que acreditamos.

    Que possamos buscar ser referência, cidadãos que não aceitam imposições, seja de qualquer ideologia política que exista, sendo que o respeito precisa ser um dos princípios usados.

    O nosso reino não é deste mundo, mas enquanto estivermos no mundo, que possamos optar por bons políticos que buscam construir um ambiente de paz e oportunidades.

    Bibliografia

    FERREIRA, Franklin. Contra a idolatria do estado: O papel do cristão na política. São Paulo: Vida Nova, 2016.

  • MUDANÇA INTERIOR

    São muitos os que, no afã de cultivar equilíbrio, seguem fórmulas e ensinamentos, que no final, viram fardos e não ferramentas para desenvolver a disciplina e a estabilidade. Tudo o que não vem para agregar, não vale a pena seguir. E boas dicas são sempre abertas para a adaptação, visto que somos seres humanos, com isso, é fundamental alinharmos as ferramentas e técnicas à nossa realidade.

    O objetivo da busca pela simplicidade cristã é propor um estilo de vida com menos coisas e mais Deus. É descobrir a alegria de desfrutar o que temos, entendendo que o excesso não significa qualidade.

    É um perigo transformar a prática em leis, convertendo o meio de se alcançar algo em um fim, tudo para justificarmos o exterior. A simplicidade é algo que começa em nós, é uma forma de contentamento que nos faz estar em paz. Richard Foster complementa falando das disciplinas espirituais, explicando que:

    “As disciplinas espirituais pretendem fazer-nos bem. Elas têm a intenção de trazer a abundância de Deus para a nossa vida. No entanto, é possível transformá-las em outro conjunto de leis, que farão a alma definhar. Disciplinas presas a leis exalam o hálito da morte” (FOSTER, 2007, p. 39).

    As disciplinas espirituais são ferramentas que os cristãos usam para crescer em santidade. Como, por exemplo, as disciplinas interiores, sendo elas a oração, o jejum e o estudo. Ou as disciplinas exteriores, como o serviço, a solitude e a simplicidade. E as comunitárias, como a confissão, a celebração e a adoração. São muitas as disciplinas úteis para a nossa vida espiritual, mas que não podem virar leis em nossa vida e sim, um estilo de ser, um conjunto de práticas que nos ajudarão ao longo da nossa caminhada.

    Tudo começa dentro de nós, a verdadeira mudança se inicia em nosso interior, e este é o primeiro passo para que as disciplinas ou práticas, úteis para a nossa vida, não se tornem leis que não agregam, mas nos sufocam. Quando entendemos isso, aprendemos a ajustar a nossa forma de pensar, sem ligarmos para o exterior. A mudança precisa começar na mente e o propósito não deve ser parecermos algo, mas sermos indivíduos equilibrados. A prática vai muito além da aparência, é algo que muda dentro de nós.

    Outro fato que revela que a mudança interior não aconteceu é quando uma pessoa pratica algo, como uma vida simples e disciplinada, e começa a apontar para o outro, se comparando ou insistindo em condená-lo, com atitudes legalistas.

    O legalismo, na maioria das vezes, revela um pensamento superficial, sendo que uma boa parte destes nem pratica realmente o que falam. Mudam o seu exterior, mas o interior segue sendo o mesmo.

    A dica é usar a simplicidade cristã, sendo esta uma disciplina espiritual, buscando forças em Deus para não nos contaminarmos com os anseios deste mundo. Quando é Deus que nos sustenta e nos ajuda, a mudança se torna verdadeira e frutífera.

    Não precisamos de tanto para viver e o excesso pode, na verdade, nos atrapalhar. Coloque Deus no centro e as coisas, sejam elas posses, riquezas ou posição social, em segundo plano, que você vai ver a sua vida frutificar.

     A vida simples nos aproxima de Deus, nos leva a largar as bugigangas e hábitos fúteis da vida e seguir para uma vida equilibrada.

    Bibliografia

    FOSTER, Richard. Celebração da disciplina: O caminho do crescimento espiritual. São Paulo: Editora Vida, 2007. 

  • DESAFIOS DA ESPIRITUALIDADE CRISTÃ X: HÁBITOS FORMADORES

    O ser humano é um indivíduo de hábitos e ritos, sendo que, na maioria das vezes, são eles que guiam as pessoas e proporcionam a elas uma vida equilibrada. Embora da mesma forma, são os hábitos ruins que sabotam a vida de todos os seres humanos. Os hábitos estão no cerne da vida de todas as pessoas e podem ser tanto âncoras quanto estradas para o crescimento.

    Quando falamos de hábitos, discorremos sobre um sistema que envolve práticas diárias, sendo também uma forma de compreender as pessoas e a nós. São os bons hábitos que nos ajudam. Charles Duhigg nos ensina que:

    ““Toda a nossa vida, na medida em que tem forma definida, não é nada além de uma massa de hábitos”, escreveu William James em 1892. A maioria das escolhas que fazemos a cada dia pode parecer fruto de decisões tomadas com bastante consideração, porém não é. Elas São hábitos” (DUHIGG, 2012, p. 13–14).

    Como cristão, tal ensinamento se torna essencial para avaliarmos a nossa vida e verificarmos quantos hábitos estão nos ajudando a seguir uma vida cristã centrada e quantos estão nos separando de Deus. É fácil transformarmos em hábitos práticas sem qualquer valor, sem percebermos como são venenos para a nossa vida. Desde hábitos alimentares ou a falta daqueles hábitos importantes para a nossa vida espiritual, como orar e ler a Bíblia.

    Sem contar que muitos cristãos transformam o culto em uma prática mecânica e vão à igreja por hábito, se esquecendo de que o culto é um momento para adorarmos aquele que nos salvou ou sermos confrontados e ensinados pela palavra de Deus e a comunhão com os irmãos. No final, muitos seguem a Cristo, mas não possuem a vida transformada por não perceberem que transformaram um momento importante em uma mera formalidade.

    Cuidado para não transformar em hábito um momento que precisa ser consciente, um culto racional e intencional, um tempo em que a mente e motivação precisam estar envolvidos. James Smith nos ensina que:

    “Os hábitos que adquirimos moldam nossa percepção do mundo, o que por sua vez nos dispõe a agir de determinadas formas” (SMITH, 2017, p. 60).

    São os nossos hábitos que nos movimentam e calibram a nossa visão de mundo. Por isso, ficar atento aos hábitos ruins e bons é uma ótima forma de ajustarmos a nossa percepção e buscarmos cultivar práticas coerentes e centradas. São estes os hábitos formadores que vão agregar pontos positivos em nossa vida cristã.

    James Smith (2017) nos ensina que as boas virtudes são obtidas por meio da imitação e da prática. É como se as pessoas tivessem músculos morais que precisassem ser exercitados. E se o ser humano é o que ama, e o amor é uma espécie de hábito, como o autor coloca em seu livro, por consequência, o verdadeiro discipulado cristão é buscar reformular todos os nossos hábitos e amores.

    O hábito é uma ação formadora, que molda quem somos e nos ajuda a transformar em prática ações que são essenciais, basta termos consciência e buscarmos agir intencionalmente.

    Aprender a construir hábitos que agregam em nossa vida espiritual, lutando contra a preguiça e as práticas que oferecem prazeres imediatos, mas consequências perigosas, é o primeiro passo para sermos cristãos relevantes.

    À vista disso, reavalie a sua vida e os seus hábitos, identifique aquelas práticas que influenciam o seu pensamento e as suas atitudes e busque mudar, partindo do evangelho. Construa hábitos intencionais que ajudem você na sua caminhada cristã.

    Bibliografia

    SMITH, James K. A. Você é aquilo que ama: O poder espiritual do hábito. São Paulo: Vida Nova, 2017.

    DUHIGG, Charles. O poder do hábito: Por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

  • ENTENDENDO QUEM SOMOS

    Tive um amigo que era muito autoconfiante, ele acreditava que conseguia realizar qualquer projeto ou sonho que tinha em mente, julgava ser muito inteligente e habilidoso em tudo. Em contrapartida, conheci alguém bem oposto a ele, uma pessoa que se via como incapaz e inferior e, por causa disso, acabava por não tentar fazer nada, visto que, antes de tentar, a sua mente já insistia em se autossabotar. A partir da visão negativa que tinha de si, ele acreditava que o seu plano não iria dar certo. As suas ideias eram ótimas, mas a sua mente não permitia que ele colocasse seus planos em ação.

    A minha maior alegria foi ser um pouco mais racional, nunca acreditei ser um gênio e muito menos alguém ousado, acostumado a riscos, mas também nunca deixei de tentar. Aprendi muito errando e sempre busquei tentar fazer. É como o ditado diz: “o não nós já temos, então não custa tentar”.

    Assim sendo, ao longo da minha vida, entendi que o feito é melhor do que o não feito. Buscar tirar os planos do papel e colocar em prática nossos projetos é bem melhor do que seguir somente sonhando, mesmo que no meio do caminho fosse preciso lidar com algum fracasso.

    Nem sempre somos o que pensamos ser, algumas das opiniões e visões que temos de nós são apenas definições que podem estar erradas. E se avaliarmos ambos os exemplos de amigos que apresentei, perceberemos como existe um perigo tanto na autoconfiança excessiva, onde podemos cometer erros desnecessários, que poderiam ser evitados, quanto na falta desta autoconfiança, deixando de tentar planejar, aprender e colocar em prática algum projeto. Augusto Cury complementa e nos explica que:

    “Tudo o que pensamos a nosso respeito não é a realidade essencial do que somos, mas um sistema de interpretação que tenta nos definir, nos conceituar, nos entender” (2006, p. 35).

    A forma como pensamos sobre nós pode nos derrubar ou nos exaltar demais. Pode asfixiar a nossa existência ou nos libertar. Cabe a nós encontrarmos o caminho equilibrado.

    Muitos que são intelectualmente capazes, têm muita experiência e capacidade de executar inúmeras coisas, estão estagnados pela visão errada de si. Outros são verdadeiros ignorantes, seguem cheios de certeza, mas constroem o caos pela falta de uma reflexão coesa e centrada.

    A dica que dou, em primeiro lugar, a quem se sente inferior, é buscar ajuda. Conheça ferramentas de autoconhecimento, ou livros e profissionais que possam ajudar você a construir uma visão centrada de quem você é. E certamente, entenda que sempre podemos melhorar com muito estudo e o auxílio de especialistas no assunto.

    E para você que se acha alguém de alta conta, a dica é semelhante. Tome cuidado com a visão que você tem de si, aprenda com os seus erros, busque ter um pouco de cuidado. A visão exagerada que temos de nós também é perigosa e nos leva a agir com displicência. Entenda que é impossível sermos bons em tudo, na verdade, temos domínio de poucas áreas e assuntos, em vista disso, aprenda a ser cauteloso e dosar a sua autoconfiança. Refletir com cuidado e se autoavaliar é o melhor caminho, ao invés de seguir a sua autoconfiança sem qualquer cuidado.  

    Você pode ser tanto um sabotador dos seus planos, projetos e de quem você realmente é, quanto idealizador. Os dois caminhos são igualmente complicados, a busca por equilíbrio e entender quem realmente somos é a melhor forma de conseguirmos seguir com um pouco mais de coerência.

    Busque o autoconhecimento e, assim, agir com equilíbrio, administrando os pensamentos sabotadores que impedem você de aprender, avançar e colocar em prática seus projetos.

    Bibliografia

    CURY, Augusto. Os segredos do Pai-Nosso: A solidão de Deus. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.

  • APRENDENDO A ORAR COM QUEM ORA

    Sempre digo que os cristãos são o povo da Bíblia e, por isso, eles deveriam ser pessoas que leem muito. Quem segue a Cristo e tem este importante livro sagrado como fundamento da fé, deveria ler e ter uma vida de oração. A leitura da palavra de Deus e a oração, são práticas interligadas.

    E sobre a oração o livro Aprendendo a orar com quem ora, de Hernandes Dias Lopes e Arival Dias Casimiro, é uma excelente obra que trabalha este assunto. Os autores abordam o tema oração, a partir de toda a Bíblia, mostrando a prática a partir de muitos personagens bíblicos tanto do Novo Testamento quanto do Velho Testamento. A Bíblia relata inúmeros momentos onde servos de Deus mergulharam em oração.

    Jesus Cristo, alguém que orava em todos os momentos, sendo que a Bíblia narra muitos episódios complexos mostrando como ele orou nestes contextos. E também a oração que ele nos ensinou, o Pai Nosso (Mateus 6:9-13), é o melhor exemplo. Seguimos um Deus encarnado que orou muito e nos deu muitos exemplos revelando como a oração é essencial para todos os cristãos. Hernandes Dias Lopes complementa:

    “Jesus não apenas ensinou seus discípulos a orar. Ele mesmo orou intensamente” (2015, p. 12).

    Temos também Paulo, um apóstolo de referência que foi um servo de Deus compromissado com a oração, entre tantos exemplos que o Novo Testamento nos dá, com isso, fica evidente o compromisso que nós cristãos precisamos ter com a oração.

    O Velho Testamento também fala da oração e de muitos personagens comprometidos com esta essencial prática, mas entre todos eles, gosto da oração de Abraão por seu sobrinho Ló (Gênesis 18:22-33). O texto mostra como ele foi um intercessor e, no final, Deus lembrou-se da oração de Abraão e salvou Ló do meio da catástrofe que estava acontecendo naquela cidade (Gênesis 19:29).

    Orar é uma prática essencial, sendo que aprendemos a orar orando e lendo sobre a oração na própria Bíblia. E a proposta deste livro é justamente expor todos os essenciais exemplos de servos de Deus que oravam e buscavam a Ele de coração.

    Em meio a este evangelho moderno, que acredita que orar é muito mais pedir, é ter seus desejos atendidos, acredito que gradualmente o real significado da oração vai perdendo a sua força e, com isso, o cristão segue necessitando reaprender a orar. Gosto de como Arival Dias Casimiro define a oração:

    “A oração não é um dever a ser cumprido, mas um privilégio a ser desfrutado. Se você aprendeu a orar e ora, descobriu o segredo de uma vida santa e feliz. A oração é a fonte e a origem de toda satisfação espiritual, porque através dela mantemos intimidade com Deus” (2015, p. 103).

    Orar é se prostrar aos pés do nosso Deus e cultivar intimidade com Ele, é muito mais do que expor uma lista de desejos ou sonhos, mas é um momento de intimidade e uma real busca pelo nosso soberano Pai.

    Quando entendemos a real definição de oração e percebemos o privilégio que temos, certamente vamos orar com a motivação correta.

      Bibliografia

    LOPES, Hernandes Dias; CASIMIRO, Arival Dias. Aprendendo a orar com quem ora. São Paulo: Hagnos, 2015.

  • CRISTO OU BARRABÁS?

    A crise de ética que estamos vivendo não é nova. Basta uma olhada na história para percebermos como tal crise faz parte da vida humana. Homens desonestos são vistos como salvadores; manipuladores se colocam como vítimas da sociedade e quem vive honestamente é um estulto, aos olhos destes.

    A política é algo importante, bons políticos conseguem construir uma sociedade com oportunidades, trabalho e paz, contudo, o oposto é igualmente verdadeiro. Políticos desonestos têm o poder de colocar tudo abaixo e dividir a população em uma polarização política que impede que as pessoas avaliem suas atitudes desonestas. No final, enquanto a sociedade discute política, os governantes, a elite política, fazem o que bem entendem.

    A Bíblia também fala da confusa opinião da sociedade, ela nos mostra como o povo preferiu soltar Barrabás ao invés de Jesus, na festa onde o governador tinha por costume soltar um preso (Mateus 27:15-26).

    Rienecker (2012) explica que Pilatos tinha a preferência em libertar Jesus Cristo. E como era Pessach, uma festa que celebrava a libertação de Israel do Egito, o governador costumava libertar algum criminoso. Mas entre os dois, Barrabás, um indivíduo que havia assassinado muitas pessoas em uma rebelião que ele liderou, foi o anistiado. E por mais que Jesus Cristo precisasse ser crucificado para que o plano de redenção de Deus acontecesse, este episódio mostra a manipulação proposta por muitos líderes.

    Sobre o julgamento de Cristo, é interessante entender que ele acontecia no lado de fora da casa do governador. E Pilatos era a única pessoa com poder suficiente para resolver este embate, contudo, o evento revelou-se influenciado por outras pessoas, onde, por fim, ele abdicou do seu dever em prol dos líderes judeus (CARSON et al., 2009, p. 1416).

    Perceba como a manipulação política não é uma técnica nova, ela é uma antiga arma usada por muitos imperadores e líderes desonestos, sendo que no caso de Jesus, foram os líderes religiosos e sacerdotes que manipularam a situação para conseguir influenciar e condenar Cristo (Mateus 27:20). Muitas pessoas já morreram em nome de regimes políticos vistos como salvadores, embora não fossem. O caos tem sido semeado em nome do bem há muito tempo.

    Percebemos o mesmo acontecendo quando pensadores ou políticos cristãos se posicionam em nome de pautas genuínas, mas são condenados por influenciadores e jornalistas que manipulam a situação em nome de ideais políticos. Quando a militância ganha o centro da reflexão, a verdade pode ser manipulada. A verdade e o debate honesto precisam ser o princípio de tudo e não a militância política.

    É possível perceber hoje como muitas pessoas ficam do lado do bandido, como se eles fossem vítimas da sociedade. E mesmo acreditando na restauração que o evangelho pode fazer, mediante a um crime, a lei precisa ser aplicada.

    Quando leio esta passagem, costumo refletir sobre a sociedade e a manipulação que muitos políticos fazem. Em meio ao importante ano de eleição, precisamos ser sábios, fundamentados na palavra de Deus, sem permitir que ideologias políticas manipulem nossa opinião.

    Escolha com sabedoria o seu candidato, avalie os seus valores e princípios, sem se deixar ser manipulado por palavras bonitas, mas sem conteúdo.

    Bibliografia

    CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2009.

    RIENECKER, Fritz. Evangelho de Mateus: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 2012.

  • LEITURA BÍBLICA: PRINCÍPIOS INDISPENSÁVEIS

    Para um cristão, ler é um hábito indispensável, uma vez que é a Bíblia que propicia os princípios do evangelho da graça. É por meio deste livro sagrado que conseguimos entender a vontade de Deus e as bases para a fé cristã. Com isso, ler deveria ser um hábito consolidado no contexto cristão.

    São duas as minhas críticas à leitura da Bíblia em nossos dias. A primeira avalia que a leitura da palavra de Deus não é um hábito unânime na igreja. Muitos são os que não leem e, desta forma, seguem sem fundamentos para a sua espiritualidade. A segunda crítica reconhece que não é raro vermos cristãos lendo a Bíblia apressadamente, apenas para cumprir um protocolo e, desta forma, conseguir ler inteira todos os anos, como se este hábito já fosse suficiente. Sendo que não estou criticando quem lê a Bíblia todos os anos, mas como a palavra de Deus está sendo lida em nossos dias.

    Quando falamos da palavra de Deus, discorremos sobre um texto que precisamos ler com calma, degustando cada ensino e introjetando em nossa vida todos os preceitos que a palavra de Deus nos oferece. E ler devagar é uma ação imprescindível.

    Émile Faguet (2021), em sua obra A arte de ler, ensina que ler devagar é essencial, uma vez que possibilita que o leitor consiga refletir se realmente entendeu o conteúdo do texto e não está confundindo as suas ideias com os princípios propostos pelo autor. Quando alguém lê rápido, arrisca confundir o conteúdo com as suas opiniões. Sem contar que o prazer na leitura se inicia com uma leitura lenta e pausada, buscando sempre degustar a obra. Faguet explica que:

    “Ler devagar é o primeiro princípio, e se aplica, absolutamente, a toda a leitura. É a arte de ler como que na sua essência” (2021, p. 14).

    Considere agora que a Bíblia é a palavra de Deus, sendo que muitos leem este livro apenas como protocolo, para manter uma prática que não produz reflexão e um momento de meditação sobre o que o texto sagrado quer ensinar. Ler com calma e aprender a meditar e refletir sobre os princípios que a Bíblia quer nos ensinar é essencial. A pressa tem sido um dos princípios usados pela maioria das pessoas em nossa sociedade. E sobre a pressa, Richard Foster reitera:

    “Na sociedade contemporânea, o Adversário tem especialização em três áreas: ruído, pressa e multidões. Se ele conseguir nos manter debaixo de um amontoado de coisas, descansará satisfeito” (2007, p. 45).

    Tome cuidado com a pressa e faça da leitura bíblica um tempo de meditação, busque ler e depois parar para refletir e meditar sobre o que a palavra de Deus está querendo ensinar. A boa leitura bíblica não parte da quantidade, mas da qualidade da leitura. É como a Bíblia nos ensina:

    “Como eu amo a tua lei! Medito nela o dia inteiro” (Salmos 119:97) (NVI).

    Foster (2007) esclarece que a meditação é uma disciplina espiritual e os escritores bíblicos tinham esta prática introjetada em suas rotinas. As duas palavras hebraicas para meditação foram usadas 58 vezes no texto bíblico. E estes termos nos ensinam o quão importante é ouvir os ensinamentos divinos e refletir com cuidado os ensinos e ações divinas narradas no texto.

    A meditação nas escrituras, segundo os mestres devocionais, é uma prática que guia as outras formas de meditação, colocando-as em uma concepção coerente. Enquanto o estudo bíblico recorre à exegese para interpretar a palavra de Deus, a meditação busca introjetar o ensino na vida do cristão, tornando-o pessoal (FOSTER, 2007).

    Por isso, construa um tempo de leitura bíblica, escolha um livro da Bíblia e leia com cuidado cada capítulo, depois separe um tempo para meditar, sem pressa. Pense sobre o que o texto bíblico está querendo ensinar e medite nestes ensinos. E, caso opte por ler a Bíblia em um ano, separe também um tempo para meditar após a leitura bíblica.

    Costumo ler um capítulo por dia, focando não na quantidade, mas na qualidade da leitura. Depois busco refletir sobre os princípios que a palavra de Deus quer ensinar. Mais do que quantidade, precisamos entender que a qualidade da leitura influenciará a compreensão e a assimilação da mensagem que será aplicada em nossa vida.

    Bibliografia

    FAGUET, Émile. A arte de ler. Campinas: Kírion, 2021.

    FOSTER, Richard. Celebração da disciplina: O caminho do crescimento espiritual.  2. ed. São Paulo: Editora Vida, 2007.

  • DESAFIOS DA ESPIRITUALIDADE CRISTÃ IX: ADORAÇÃO FORMADORA

    O ser humano é alguém que cria ritos de forma totalmente automática, sendo que estas liturgias seculares moldam a mentalidade e o modo como ele enxerga o mundo, como James Smith explica em Liturgias Seculares. Em contrapartida, o culto em que todos os cristãos participam pode se tornar uma adoração formadora, que molda a mente e a atitude, ajudando-o a caminhar segundo a vontade de Deus.

    Se a sociedade influencia todos os cristãos, sendo que em alguns casos isso acontece sem ele se dar conta, em contrapartida, o culto pode ser um período de aprendizado e o início do cultivo de boas práticas.

    James Smith (2017) explica que a adoração formadora desenha a bela imagem da beleza de Deus em um resumo da sua vontade para o mundo de um modo tão claro, que isso acaba tomando conta da imaginação do cristão. Se a ação humana se resume a agir conforme os desejos que conquistam a sua imaginação, a adoração formadora precisa conquistar a mente humana para poder fazer diferença. Smith complementa:

    “Nossas imaginações são órgãos estéticos. Nosso coração é como um instrumento de corda dedilhado por histórias, poesia, metáforas e imagens. Batemos nossos pés existenciais no ritmo dos tambores de nossa imaginação” (SMITH, 2017, p. 127).

    Desejar a Deus, ter este anseio por buscar fazer a sua vontade, é o primeiro passo para a ação virar prática e vivência. Trabalhar a imaginação para que este desejo vire ação é fundamental, sendo que a adoração formadora possui justamente esta finalidade, introjetar na vida do cristão a verdade bíblica.

    O culto precisa contar uma história, ele precisa mostrar um caminho que faça o cristão querer seguir em direção ao eterno Deus, fazendo brotar no coração aquele desejo pela pátria celestial, a qual é o reino vindouro (Hebreus 11:16) (SMITH, 2017, p. 128). Um momento de culto a Deus não é apenas um período de adoração ao nosso eterno pai, mas é também um tempo de aprendermos e cultivarmos em nosso coração a verdadeira e correta aspiração. O culto é um tempo de redirecionamento das nossas rotas e anelos. James Smith novamente complementa explicando que:

    “O culto que nos restaura é aquele que nos dá uma nova história. O culto que renova é aquele que reconta nossa identidade num nível inconsciente. Para fazer isso, o culto cristão precisa ser governado pela história bíblica e nos convidar a entrar, levando-nos a incorporá-la” (SMITH, 2017, p. 131–132).

    É fácil se perder quando os ensinos do mundo lentamente acabam entrando em nossa vida; por isso, é importante estarmos unidos como cristãos, inseridos em uma igreja onde a adoração também é formadora, nos ensinando e auxiliando a incorporarmos a verdade do evangelho em nossa vida.

    Somos renovados quando entendemos a nova história que Deus nos dá. Crescemos como cristãos quando entendemos a nossa identidade a partir do evangelho. E o culto é este local pedagógico, que nos ensina e introjeta em nossa vida a verdade do evangelho.

    Enquanto o mundo tenta confundir a nossa mente e nos leva a nos desviarmos da verdade do evangelho por meio das suas liturgias seculares, uma boa igreja introjeta em nossa vida a verdade por meio da adoração formadora.

    Bibliografia

    SMITH, James K. A. Você é aquilo que ama: O poder espiritual do hábito. São Paulo: Vida Nova, 2017.

  • A POLÍTICA SEGUNDO A BÍBLIA

    Existe uma insistência por parte de alguns cristãos em buscar seguir ideias políticas, uma vez que estes entendem que elas são necessárias para guiar as pessoas em determinados princípios vistos como essenciais. Com isso, vemos cristãos se dividindo em nome de ideologias políticas. Mas quando lemos e estudamos com cuidado a palavra de Deus, percebemos como tudo o que precisamos está nela.

    O trabalho honesto e dedicado são ensinos que a palavra de Deus menciona (Provérbios 27:18) muito antes do capitalismo. Bons profissionais são referência de honestidade e profissionalismo. Paulo adverte que:

    “Em tudo que fizerem, trabalhem de bom ânimo, como se fosse para o Senhor, e não para os homens” (Colossenses 3:23) (NVT).

    Quando somos bons funcionários, trabalhando como se fosse para Deus, transmitimos, através da nossa vida e atitude, a mensagem cristã as pessoas por meio do nosso exemplo.

    A Bíblia também fala do salário justo, revelando como os cristãos precisam proporcionar aos seus colaboradores bons ordenados (Provérbios 10:16). Sendo assim, um bom chefe e patrão, constrói um ambiente justo, tratando as pessoas com respeito ao proporcionar uma boa remuneração e um saudável ambiente de trabalho (Colossenses 4:1; Efésios 6:9).

    O texto bíblico também nos ensina a repartir o pão com aqueles que não têm condição, sendo que este conselho não advoga a favor do comunismo, mas da prática cristã de dividir com aqueles que não possuem condição, além de ajudá-los a se preparar para conseguir levantar o seu sustento. Repartir com quem não tem é uma atitude cristã e não uma ideia política (Lucas 3:11), sendo que ao estudarmos o comunismo percebemos atitudes bem opostas a estas. Vemos líderes vivendo no luxo e pessoas que discordam do regime político passando necessidade e em muitos destes países, eles eram torturados e mortos. A Bíblia passa longe destes princípios, devido a isso, sugerir que existem princípios comunistas na palavra de Deus, como muitos insistem em falar, é uma afirmação desconforme.

    O profeta Isaías criticou a cidade que antes era honesta e justa, mas que naquele tempo estava seguindo por caminhos tortuosos. Seus líderes se apegavam aos salários altos e não davam ouvidos aos oprimidos. Isaías afirma que:

    “Seus líderes são rebeldes, amigos de ladrões; todos eles amam o suborno e andam atrás de presentes. Eles não defendem os direitos do órfão, e não tomam conhecimento da causa da viúva” (Isaías 1:23) (NVI).

    Dieter Schneider (2022) expõe que abandonar a Deus, como Judá fez, pode ser caracterizado como um adultério: e o povo escolhido por Deus é visto como prostituta. E por mais que durante a travessia no deserto, Israel tenha murmurado e reclamado, o que aconteceu no contexto de Isaías foi muito pior. O versículo 23 revela como os administradores não eram justos e muito menos exemplos de retidão, eles eram desobedientes e amigos de ladrões.

    A corrupção havia chegado naquele local e o profeta Isaías estava sendo usado por Deus para denunciar estas práticas incoerentes e inaceitáveis. E percebemos como esta realidade faz parte de inúmeros contextos políticos, sejam comunistas ou capitalistas, mostrando como o pecado leva o ser humano a construir um ambiente injusto que desagrada a Deus.

    A Bíblia é realmente inigualável, uma vez que relata todas as histórias sem esconder inúmeras falhas de líderes importantes, medos de profetas que estavam sendo usados por Deus e os inúmeros equívocos do povo de Deus. A Bíblia mostra o ser humano como ele é, apontando para a graça de Deus e Jesus Cristo, a única esperança para as pessoas.

    Falar de política é discorrer sobre governos políticos que, em muitos casos, começam com uma boa motivação, mas depois enveredam pelo caminho do engano, mas a Bíblia orienta o ser humano e o desafia a seguir pelo caminho da justiça e honestidade.

    A Bíblia fala sobre as boas práticas políticas e sociais, mas não compartilha com ideais políticos que estão muitas vezes distantes da verdade divina. Por isso, use a palavra como um guia para avaliar as propostas dos candidatos políticos, sem esquecer que acima de tudo você é cristão e não um militante de falhas ideologias políticas.

    Bibliografia

    SCHNEIDER, Dieter. Isaías: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 2022.

  • A VERDADE CORROMPIDA

    “Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos por sua manifestação e por seu Reino, eu o exorto solenemente” (Referência: 2 Timóteo 4:1-4) (NVI).

    Quando eu era mais novo, gostava muito de debates e ver como muitos conseguiam argumentar e expor a verdade de uma questão, eu tinha sede por conhecer a verdade. E gostava de assistir desde debates seculares até cristãos dos chamados apologetas. Sendo que conheci muitos destes apologetas ou argumentadores e, com o tempo, mergulhei no estudo e leitura por conta deles. É muito legal presenciar alguém que fala bem e consegue expor a verdade de forma clara.

    Mas conforme eu estudava, mergulhava na leitura e estudo ou mesmo cursava a minha graduação em teologia ou pós-graduação, algo nestes discursos passou a não ter mais sentido, visto que alguns assuntos não são tão simples de se resolver. Descobri, ao estudar filosofia, que nem sempre quem fala bem ou vence um debate tem razão, muitas vezes estes não estão do lado da verdade. Existem técnicas que muitos usam para vencer debates, mesmo sem ter razão.

    Isso mudou a minha vida e me ensinou a buscar a verdade, em meio às palavras acaloradas e técnicas de oratória. É muito importante aprendermos a falar bem, mas a verdade não está na forma como falamos, mas no conteúdo. E é sobre esta verdade, uma das mensagens que lemos na Segunda Epístola de Paulo a Timóteo.

    Esta Epístola (2 Timóteo) é o que chamamos de uma epístola pastoral, sendo que a carta foi escrita enquanto Paulo aguardava o seu julgamento. A epístola, em todo o tempo, busca encorajar Timóteo a não desanimar e encoraja-o a seguir levando o evangelho às pessoas (CARSON et al., 2012, p. 1941–1942).

    Estes três versículos (2 Timóteo 4: 2-4) são uma espécie de resumo e ênfase do que o próprio Paulo já tratou nas outras duas Epístolas, onde ele fala sobre o perigo de ouvir os falsos mestres. E sobre a importância de seguirmos a justiça, a fé e a sã doutrina. 

    Na Epístola, Paulo, já em seus últimos dias de vida, busca se expressar sobre três principais fatos: a certeza do juízo, da volta de Cristo e da vinda do seu reino. Sendo que os versículos 3 e 4 são uma espécie de parêntese, onde ele adverte Timóteo sobre o perigo dos falsos mestres (CARSON et al., 2012, p. 1966). Carson acrescenta:

    “Ele insere uma advertência final sobre os falsos mestres. Ele está ciente de que muitos não irão querer o ensino sólido, desejando ouvir somente o que der coceira nos ouvidos. Paulo mais uma vez menciona as fábulas que essas pessoas farão circular” (CARSON et al., 2012, p. 1966).

    E, olhando para a nossa realidade, a advertência de Paulo tem todo o sentido. Em um tempo em que o relativismo dá o tom ou que a pós-verdade é o ponto de partida da reflexão de muitos, falar sobre a verdade do evangelho se torna um desafio.

    É muito comum hoje as pessoas darem crédito a quem fala bem ou que constrói uma autoridade a partir de títulos, do que por meio da própria verdade. Estes versículos nos trazem importantes lições, quero destacar duas.  

    I – A verdade como fundamento

    “Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos” (2 Timóteo 4:4) (NVI).

    Falar sobre a verdade em nossos dias é algo realmente complicado, visto que, para muitos, a verdade é relativa, depende de cada pessoa, do ponto de vista e crença de cada um. Não existe verdade, existem verdades, com isso, não há opiniões incorretas, pois tudo é válido. E por isso, vemos alguns absurdos, colocados como verdade, enquanto a coerência manda lembrança.

    Na filosofia grega, há mais de 2000 anos, existiram filósofos que seguiam esta mesma crença, eram os sofistas. Estes filósofos acreditavam que a verdade não existia, segundo eles, a verdade não era fruto da investigação e sim, de quem conseguia argumentar melhor. Eles ensinavam a dialética erística, que era a arte de ganhar a discussão, mesmo sem ter razão.

    Como eu disse no começo do texto, nem sempre quem ganha uma discussão tem um argumento válido. Às vezes, ele somente tem uma dialética melhor, sabe argumentar, e em inúmeros casos, consegue distorcer a verdade, para ganhar um debate. É comum encontrarmos estes em redes sociais, buscando ganhar discussões, em nome de visibilidade, mas usando argumentos falhos por si só.

    Sócrates, um filósofo, refutou estes sofistas e disse que, se não há verdade, também não há erro e com isso, não há aprendizado. É reconhecendo o nosso erro que aprendemos. Se não reconhecemos, não crescemos com determinadas falhas. E eu incluo, por minha própria conta, que, se não há verdade, não existem fundamentos, não existem princípios básicos para nos guiar.

    Algumas igrejas são muito bonitas, a decoração, os vitrais e os detalhes do lugar tornam o ambiente um local agradável. Mas existe algo muito mais importante que a decoração: são os fundamentos do prédio. Sem os fundamentos, a decoração, os enfeites e as pessoas iriam abaixo com a construção. Sem bons fundamentos, nada fica em pé.

    Na vida cristã, este exemplo não é diferente. Sem os fundamentos, sem a verdade que nos sustenta, não conseguiríamos permanecer em pé, seguindo rumo ao caminho da verdade. É a verdade que nos sustenta, que nos direciona, que nos ajuda a enfrentar os temporais do mundo.

    II – Esteja preparado

    “Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina” (2 Timóteo 4:2) (NVI).

    O texto de 2 Timóteo 4:4 nos revela muitas coisas ao falar que muitos iriam se desviar da verdade e seguir fábulas. E um dos pontos importantes sobre este assunto é a falta de estudo e leitura da Bíblia, sem o conhecimento é fácil seguir fábulas e ensinamentos distorcidos. É fácil se perder quando não conhecemos a palavra, quando não escondemos a palavra em nosso coração, como nos ensina a palavra de Deus (Salmos 119:11).

    Estudar a Bíblia é um ponto fundamental da vida cristã, é a única forma de termos fundamentos. É só assim que conseguiremos seguir por este mundo relativista, que relativiza tudo, menos as suas opiniões. Para eles, a verdade é relativa, mas a verdade deles não, por isso que eles acabam impondo a sua forma de pensar a todos. Mas existem dois motivos principais para estudarmos a Bíblia.

    O primeiro certamente é porque somos o povo da Bíblia, com isso, ler deve ser um dos primeiros hábitos que devemos cultivar. É contraditório um cristão que não lê, visto que a Bíblia é o seu principal livro.

    O segundo porque, quem não lê e estuda a Bíblia, não tem nada para oferecer às pessoas. Além de termos fundamentos e conhecermos a vontade de Deus, estudar a Bíblia é fundamental para conseguirmos ajudar as pessoas a partir da própria palavra de Deus. E Lee Strobell em um livro que gosto muito chamado Autoridade espiritual, já ensinou que:

    “A sua vida pode ser a única Bíblia que o seu amigo lê” (2001, p. 149).

    Quanto mais lemos e estudamos a Bíblia, mais estaremos no centro da vontade de Deus e, com isso, seguiremos a vida sendo diferença em meio às pessoas.

    Mas nós também precisamos do nosso secreto com Deus, visto que a vida cristã é resumida em estudar a palavra e orar. Dois hábitos fundamentais para todos os cristãos.

    Em um mundo que não tem tempo para nada, é fácil sermos engolidos pela falta de prioridade. Lembre-se, ninguém tem tempo e tempo é muito mais uma prioridade que você estabelece do que algo que você tem sobrando. O curioso é que quanto mais avançamos tecnologicamente, mais carentes de tempo estamos, o que me faz crer justamente que o que nos falta é prioridade.

    Vivemos tempos totalmente tecnológicos, com facilidades que nos ajudam a ganhar tempo, embora nunca tenhamos estado tão sem tempo assim. Mas conforme fui aprendendo e meditando sobre o assunto, pude perceber que ninguém tem tempo, visto que ele é mais uma prioridade do que algo que você encontra. Você precisa priorizar a leitura, o estudo e a oração, caso contrário, esses hábitos nunca farão parte da sua vida.

    Existe um relativismo no mundo, o qual é um grande perigo para a nossa fé, mas também há um relativismo na igreja, sendo fruto da falta de estudo e comprometimento com o Evangelho. Por isso, estudar a palavra e buscar a Deus se torna uma atitude realmente fundamental.

    Ensinos dos mais diversos têm sido propagados, seja na igreja ou no mundo, com o intuito de agradar um público. Ser cristão não é isso, é estar no centro da vontade de Deus e seguir buscando fazer a sua vontade. É não ignorar aqueles versículos e ensinos bíblicos que nos confrontam. É não ter receio de obedecer, mas para isso é básico estarmos calcados na palavra de Deus e na intimidade com ele, através do nosso secreto.

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON. DA.; FRANCE, RT.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

    STROBEL, Lee. Inteligência espiritual: Como alcançar os que evitam Deus e a igreja. São Paulo: Editora Vida, 2001.