-
AGOSTINHO DE HIPONA E O FRUIR EM DEUS
Em tempos tecnológicos e hiperconectados, fruir e desfrutar são ações raras, visto que é comum vermos pessoas nos lugares mais paradisíacos, conectadas no mundo virtual sem usufruir do ambiente. Este fato nos mostra como desfrutar de uma paisagem ou ambiente tem sido uma ação que não é tão vista hoje em dia.
Na vida, precisamos entender que algumas coisas usamos, como aquelas ferramentas úteis para alcançarmos um determinado objetivo, e outras desfrutamos ou fruímos, como Agostinho de Hipona (2002) coloca em seu livro A doutrina cristã. Usamos os utensílios (uti), os quais são objetos usados para conseguirmos alguma coisa e usufruímos (frui), ou seja, desfrutamos e amamos algo por causa dele mesmo. Agostinho de Hipona complementa:
“Fruir é aderir a alguma coisa por amor a ela própria. E usar é orientar o objeto de que se faz uso para obter o objeto ao qual se ama, caso tal objeto mereça ser amado. A uso ilícito cabe, com maior propriedade, o nome de excesso ou abuso” (2002, p. 34).
Santo Agostinho (2002) oferece uma ótima metáfora para as palavras fruir e utilizar. Imagine que você é um peregrino que vive infeliz, distante da amada terra. Em meio à peregrinação, você se sente miserável e anseia que os problemas se acabem para conseguir retornar à sua pátria. Entretanto, para isso ser possível, você precisaria de meios de transporte, sejam barcos ou carros, que serão usados para transportar você até a sua casa, para que assim você consiga desfrutar do lugar. Mas suponha que as trivialidades do caminho, a viagem ou as conduções usadas levem você a fruir destas coisas ao invés de apenas utilizar para chegar aonde você pretende ir, por causa disso, o viajante corre o risco de não desejar terminar a viagem uma vez que frui de algo que deveria apenas utilizar.
O mesmo exemplo podemos usar em nossa vida como cristãos, imagine que você tem inúmeras coisas que pode usar para aprender, crescer como cristão e pessoa ou para um determinado propósito. Contudo, imagine que, ao invés de usar estas coisas, nós começássemos a fruir delas. Caso isso aconteça, colocaremos as coisas, objetos ou conquistas no lugar de Deus. Santo Agostinho complementa:
“De tudo o que expusemos deduz-se que devemos gozar unicamente das coisas que são bens imutáveis e eternos. Das outras coisas devemos usar para poder conseguir o gozo daquelas” (AGOSTINHO, 2002, p. 57).
Fruímos apenas de Deus, é Ele que realmente amamos e desfrutamos, em nome de sua própria graça. Apenas o que é eterno e imutável, ou seja, Deus, nós podemos fruir; o resto utilizamos para conseguir fruir de nosso eterno Pai. Utilizamos Deus quando insistimos em querer usá-lo para os nossos objetivos. Mas fruímos Dele quando o adoramos partindo de quem Ele é. Não precisamos de mais nada quando temos Deus em nossa vida.
Este conceito demonstra como a verdadeira felicidade vem de Deus. Ela parte de entendermos que, quando fruímos Dele, alcançamos a vida feliz, sendo que o homem incorre em um grande erro ao insistir em fruir de coisas passageiras e mutáveis ou mesmo em desfrutar ao invés de fruir de nosso soberano Pai.
Bibliografia
AGOSTINHO, Santo. A doutrina cristã: Manual de exegese e formação cristã. São Paulo: Paulus, 2002.
-
INCLINADOS PARA A INJUSTIÇA: O DIFÍCIL EQUILÍBRIO ENTRE INTERESSE PRÓPRIO E VIDA COLETIVA
Não é tão simples viver em sociedade, principalmente porque ela abriga todos os tipos de pessoas. Desde aqueles indivíduos conscientes, que respeitam as leis e a pluralidade de ideias, até aqueles que insistem em impor seus pontos de vista e não demoram em infringir as leis, quando têm oportunidade. No final, a democracia é muito necessária, principalmente porque o ser humano insiste em semear a discórdia.
Creio que a polarização política que vemos na mídia revela apenas como ela, em alguns momentos, é tratada da mesma forma como as pessoas tratam seus times de futebol. A dinâmica, pelo menos, é semelhante. É uma batalha de egos entre pessoas que fazem de tudo para mostrar como suas opiniões políticas são as melhores.
O time do outro é sempre um inimigo e não importa o que ele faça de bom, pois será sempre uma opção equivocada. É raro conseguir ter um diálogo coerente na política, com isso, o país não cresce como deveria e muito menos debate temas e mudanças necessárias ou as boas propostas que o outro político pode possuir. Valorizar as boas ideias e ter um senso crítico quanto às coisas que não são coerentes é o melhor caminho para construirmos uma política eficaz, mas para isso, precisamos deixar de lado a militância e dialogar, entendendo que nem tudo que se apresenta como salvador realmente funciona.
A democracia é possível, porque o ser humano está sempre em busca de justiça. Queremos viver em uma boa sociedade com oportunidades para todos e uma justiça que funcione, contudo, como o ser humano é pecador, ele guarda em seu coração uma grande capacidade de fazer injustiças, sem ao menos se dar conta disso. Reinhold Niebuhr discorre sobre isso quando diz que:
“A capacidade do homem para praticar a justiça torna a democracia possível; mas a inclinação do homem para a injustiça torna a democracia necessária” (apud STOTT, 2004, p. 84).
O ser humano se corrompe facilmente quando tem em suas mãos dinheiro e poder, e no afã de semear o bem, ele pratica o mal, sem muitas vezes se dar conta disso. Enfim, o ser humano é um indivíduo inclinado para a injustiça.
Com isso, uma política justa e centrada se faz necessária, ao mesmo tempo que o ser humano pode praticar muitas injustiças, em meio à intenção de fazer o bem. É por isso que lamento muito ver pessoas de duas vertentes políticas diferentes se desentenderem e não conseguirem dialogar, em nome de um mundo melhor. A imposição em meio a este cenário é sempre visível, as pessoas acreditam que suas fórmulas são infalíveis, por isso não querem dialogar.
Este é o nosso limitado ser humano, que desde o Éden tenta seguir longe de Deus, confiando muito mais em suas verdades e opiniões. O ser humano é cego para as suas contradições, além de sermos também inclinados para a injustiça.
Quando o ser humano entender quem ele realmente é e confessar a sua inclinação em querer sempre tirar vantagem e uma rapidez em praticar a injustiça, quem sabe será neste momento que ele conseguirá dialogar.
Uma boa sociedade é feita com consciência e entender quem somos já é um importante passo!
Bibliografia
STOTT, John. Por que eu sou cristão. Viçosa: Ultimato, 2004.
-
A SIMPLICIDADE E O PRINCÍPIO DO CONTENTAMENTO
Certo dia, saímos para comprar brinquedos para os meus pets, os quais são dois gatos. Pesquisamos com cuidado e compramos algumas peças que acreditamos que eles iriam gostar muito, para só depois descobrirmos que ambos gostavam muito de brincar com aqueles arames que fecham os pacotes de pão fatiado. Nem sempre eles brincam com os seus brinquedos, mas eles não podem ver aqueles pequenos arames. Lembrei desta história ao refletir sobre a simplicidade. É curioso perceber como até os nossos pets conseguem nos ensinar.
A vida simples não é um estilo de vida pautado em faltas, em passar por necessidades, mas é um olhar, é uma forma de ver e desfrutar das coisas que o mundo e a sociedade insistem em nos oferecer.
Nem sempre as coisas elaboradas são boas opções, às vezes o simples é muito melhor do que o elaborado, sendo que aproveitar bem algo é muito melhor do que termos um monte de coisas acumuladas, sem realmente desfrutar delas. A simplicidade, para quem sabe usar, é sempre a melhor opção. É entender que quantidade não define qualidade.
Sem contar que a sociedade insiste em gerar em nosso coração necessidades que aparentemente não teríamos, tudo para conseguir vender o seu produto. Eles tentam plantar em sua mente que, para ser alguém de sucesso, você precisa ter determinado produto, com isso, o ser humano acaba gastando com coisas sem necessidade.
Richard Foster (2008), em seu livro A liberdade da simplicidade, nos ensina que um dos mais profundos efeitos da simplicidade é o grande espírito de contentamento e satisfação que uma pessoa pode conseguir. A simplicidade elimina do coração aquele anseio por bens materiais e posição social. Ela nos ajuda a seguir contentes e satisfeitos, aproveitando a vida por completo. Richard Foster complementa:
“Contudo, o mais maravilhoso acerca da simplicidade é sua capacidade de nos proporcionar contentamento. Entende a liberdade que existe nisso?” (FOSTER, 2008, p. 131).
O capitalismo gera no coração aquela necessidade de ter cada vez mais e, com ela, surge a falta de paz. Já o contentamento nos leva a seguirmos satisfeitos, aproveitando por completo as coisas, entendendo que não precisamos de tudo. E isso não tem preço.
Ao cultivar a simplicidade, descobri o contentamento e como muitas vezes não aproveitamos as coisas que temos. Sonhamos com inúmeros produtos, sem degustar tudo o que Deus tem nos proporcionado. E, em meio à busca ensandecida por mais bens ou dinheiro, muitas vezes não percebemos a mão de Deus cuidando de nós e suprindo as nossas necessidades.
Faça os seus planos, siga em busca de desenvolver seus projetos e construir formas de melhorar de vida, isso não é errado, só não permita que esta busca por condições vire apenas uma acumulação de bens.
Cultive o contentamento e não aceite que os bens tirem o lugar de Deus em sua vida, muito menos acredite que prosperidade é sinônimo de fidelidade a Deus. É possível vivermos bem, sem excessos. É prazeroso viver uma vida simples, para assim, não permitirmos que as posses nos impeçam de vermos a vida e cultivar aquele contentamento que não é pautado em posses.
Um indivíduo contente e satisfeito com o que tem é alguém realmente livre!
Bibliografia
FOSTER, Richard. A liberdade da simplicidade: Encontrando harmonia num mundo complexo. São Paulo: Editora Vida, 2008.
-
TRISTEZA E DESESPERO: DERRUBANDO OS ÍDOLOS DA NOSSA VIDA
A vida em sociedade exige algumas tarefas, como trabalhar, produzir, construir nossa carreira e um local adequado para viver. É inevitável criarmos o nosso espaço e também termos a nossa profissão. Estes sonhos são genuínos, mas se não forem bem administrados, tornam-se obstáculos para a nossa vida espiritual.
O grande problema é que a vida em sociedade está sempre passando por mudanças, seja por conta de questões econômicas ou mesmo tragédias, como aquela que infelizmente aconteceu no Rio Grande do Sul. Em poucas horas, famílias inteiras viram a sua vida desmoronar e as suas coisas serem levadas pela correnteza da enchente. O dinheiro e os bens são frágeis, fáceis de serem consumidos, mas possuem a força de mudar a realidade de uma sociedade.
Timothy Keller (2018) inicia o ótimo livro chamado Deuses Falsos, explicando a diferença de tristeza e desespero, após narrar alguns tristes fatos que aconteceram com empresários e investidores muito ricos, mas que tiveram problemas com os seus negócios, mostrando assim a fragilidade do dinheiro.
Ele expõe que a tristeza é uma dor que existe formas de conforto. Ela surge como resultado da perda de algo de que gostamos muito ou de infortúnios na carreira profissional, entre tantos motivos. Mas, nestes momentos, conseguimos nos curar com os amigos e familiares, a dor pode, na maioria das vezes, ser tratada. Já o desespero não tem consolo, visto que é fruto da perda de algo essencial. Quando o ser humano perde tudo o que ele considera significativo ou mesmo toda a sua esperança, não existem mais meios alternativos de resolver o problema (KELLER, 2018). E se o dinheiro é aquilo que move a sua vida e dá significado a ela, certamente, você terá algumas dificuldades, por conta da sua fragilidade.
No livro, ele fala sobre ídolos, mostrando como um ídolo é muito mais do que uma estátua que adoramos, mas também pode ser coisas genuínas e legítimas que o ser humano coloca no lugar de Deus. Quando substituímos Deus por ídolos, certamente, em algum momento, precisaremos lidar com o desespero. É impossível substituirmos Deus por coisas ou áreas da nossa vida que são frágeis e suscetíveis a mudança. Um ídolo é qualquer coisa que toma o lugar de Deus, seja o dinheiro ou mesmo o trabalho, carreira ou qualquer objeto que você coloca no centro da sua vida. Somente Deus pode estar no centro, ele deve ser toda a nossa prioridade.
E sobre o modo de superar o desespero, a solução que ele propõe é identificarmos todas as coisas que, no fim, viraram ídolos em nossa vida e cultura, colocando, por fim, Deus no lugar que Ele precisa estar (KELLER, 2018). É fácil nos enganarmos e sermos influenciados pela cultura ou prioridades do mundo, por isso, precisamos ficar atentos, para não transformarmos áreas genuínas da nossa vida em ídolos.
O desespero pode ser resumido em colocarmos coisas frágeis no lugar de Deus para, no final, vermos tais ídolos se despedaçarem em algum momento. Só superamos o desespero quando Deus está no centro de tudo.
Podemos ficar tristes com algumas perdas, é inevitável tal sentimento, visto que nem sempre é fácil lidar com algumas situações, mas nunca estaremos desesperados, pois a nossa esperança está no soberano Deus. Quando Ele é o nosso fundamento, a nossa rocha, a casa permanece e resiste a todas as tempestades da vida. Podemos ficar tristes, mas nunca desesperados, já que Deus está no centro de tudo.
Bibliografia
KELLER, Timothy. Deuses falsos: As promessas vazias do dinheiro, sexo e poder, e a única esperança que realmente importa. São Paulo: Vida Nova, 2018.
-
DESAFIOS DA ESPIRITUALIDADE CRISTÃ XIII: PENSAMENTOS TRANSFORMADOS POR DEUS
O pensamento é o nosso guia, visto que ele define por demais como vamos agir, ser e nos comportar. A experiência humana é completamente moldada pela mente. Por isso que bons pensamentos são definidores, não para atrair boas energias, como muitos equivocadamente acreditam, mas para gerar bons comportamentos, atitudes e crenças.
Somos muito mais do que pensamos, por isso as nossas convicções e crenças modelam o que sentimos. Ricardo Barbosa de Sousa nos ensina que:
“As nossas emoções e os nossos sentimentos seguem os nossos pensamentos” (SOUSA, 2016, p. 91).
Os nossos pensamentos e crenças precisam ser transformados pela palavra de Deus justamente por causa de que os sentimentos humanos seguem seus pensamentos. Cuidar com o que pensamos e acreditamos é um passo importante para termos boas ações.
Paulo nos ensina isso ao escrever aos cristãos de Filipos, ele mostra o quanto o que é verdadeiro, justo, puro e amável, sendo no total oito pontos que ele levanta, precisam ocupar a mente de todos os cristãos (Filipenses 4:8). Como seguidores de Cristo, precisamos aprender a ser intencionais e buscar ocupar a mente com o que é relevante e verdadeiro. Francis Foulkes explica que:
“Oito palavras são usadas para qualificar as coisas que devem preencher a vida do cristão. Ao serem levadas em conta (que é o significado da expressão traduzida por ocupe o vosso pensamento), elas moldam atitudes e orientam palavras e ações” (CARSON et al., 2012, p. 1891).
Lembrando que as qualidades de caráter descritas neste texto não são características exclusivamente cristãs, mas são levadas em conta em inúmeras culturas e sociedades. Contudo, por mais que isso seja um fato, todos os cristãos possuem a grande responsabilidade de demonstrar tais qualidades, visto que o Espírito Santo nos capacita a agir desta forma (CARSON et al., 2012).
E esta lição é bem atual, ainda mais hoje, que estamos expostos a todos os tipos de conteúdos. Ou aprendemos a ser intencionais, buscando preencher a mente apenas com as coisas que agradam a Deus, ou seguiremos mergulhados em assuntos que nos afastam dele e influenciam a nossa forma de agir e pensar. Gosto como Ricardo Barbosa conclui o seu livro:
“Mente transformada produz emoções redimidas e uma espiritualidade madura e equilibrada” (SOUSA, 2016, p. 97).
Por isso, refletir sobre as nossas atitudes, como somos vistos e de que forma agimos na sociedade é fundamental para investigarmos o quanto as coisas boas e honestas estão ocupando a nossa mente. É comum vermos muitos cristãos terem atitudes desonestas ou dando jeitinhos para resolver certos problemas, sem perceber o quanto a sua atitude não agrada a Deus e está distante da sua palavra. O mesmo podemos falar daqueles que possuem baixa autoestima, culpa, medo, ansiedade e tantos sentimentos perigosos que corroem a nossa vida. Tais sentimentos são consequências do modo como vemos e interpretamos a realidade que nos cerca. Buscar moldar nossos sentimentos a partir da palavra de Deus é estar certo de que a nossa espiritualidade será equilibrada e coerente.
Busque o que é honesto e alimente a sua mente com as coisas boas e relevantes que levarão você a ter boas atitudes. Busque em Deus a mudança e permita que a verdade influencie o seu comportamento.
Bibliografia
SOUSA, Ricardo Barbosa de. Pensamentos transformados, emoções redimidas. Viçosa: Ultimato, 2016.
CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.
FOULKES, Francis. Filipenses. In: CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.
-
O VAZIO DA OPINIÃO SEM SENSO CRÍTICO
As muitas modas que surgem em nossa sociedade me fazem perceber o quanto o ser humano é volátil e como é facilmente levado a viver hábitos, costumes ou culturas sem muitas vezes ter consciência disso. Ortega y Gasset faz as suas críticas a esta massa que segue vivendo o que o grupo estabelece a ela. Não é uma vida livre, uma escolha consciente e sim, um padrão que todos seguem, e por isso, ele também acaba seguindo.
O meio acadêmico muitas vezes também demonstra isso, quando vemos muitos professores repetirem discursos pré-montados. Na maioria dos casos, não é uma fala consciente, fruto de pesquisa e estudo, mas é uma ideia que todos memorizam sem pensar no que está sendo afirmado, como também pontua Ortega y Gasset. Isso me faz refletir sobre o quanto o ser humano é realmente original, o quanto ele está seguindo a sua criatividade ou estudo. No final, muitos apenas replicam ideias, como se fossem suas, sem pensar o mínimo sobre o conteúdo que está sendo falado.
Refletir a partir de um senso crítico e avaliar com cuidado é uma ação essencial para não sermos levados pela massa do senso comum. E esta reflexão me faz pensar no quanto o ser humano é realmente livre. Será que ele está vivendo de modo consciente e inteligente ou está apenas seguindo a multidão?
Entre os inúmeros assuntos discutidos pelo filósofo espanhol Ortega y Gasset (2016) na obra A rebelião das massas, a opinião sem esforço é um deles, daqueles que não gastam um tempo para refletir, pesquisar e formular a sua opinião, mas que mesmo assim, insistem em opinar e levar em conta as suas ideias, mesmo que sem qualquer esforço para forjá-las. Gasset complementa e afirma que:
“Mas quando acreditam ter direito a uma opinião sobre o assunto sem qualquer esforço prévio para forjá-la, manifestam sua pertença exemplar ao modo absurdo de ser homem a que chamei “massa rebelde”. É precisamente isso ter a alma obliterada, hermética. Nesse caso, seria o hermetismo intelectual” (GASSET, 2016, p. 141).
Pensar e ler sobre os diversos temas que circundam a nossa sociedade é indispensável, a maioria dos assuntos são mais complexos do que imaginamos, contudo, a massa rebelde opta por seguir a ideia dominante, sem refletir sobre o que está sendo dito e muito menos, procurar conhecer o conceito de forma ampla, entendendo inclusive as falhas que muitas vezes existem nos argumentos.
Rever as nossas opiniões e buscar se esforçar para forjar as nossas ideias, a partir de fontes, reflexões e pesquisas, é essencial para não sermos aqueles indivíduos levados pela correnteza do senso comum.
Gasset (2016) vai argumentar que o homem-massa é um indivíduo que acredita ser perfeito. Alguém que acaba sendo um tanto quanto vaidoso, uma vez que se considera insuperável, que suas ideias são as melhores. Sendo que o filósofo vai complementar afirmando que estes vaidosos intelectuais acabam usando outros, como padrão e confirmação das suas visões pessoais. E este é o homem massa, alguém que se considera superior, mas não percebe que está seguindo a opinião de outros e não a sua.
Em vista disso, é essencial buscar entender o quanto estamos agindo a partir de um ponto de vista pessoal, forjado com muito empenho ou por mera influência externa, sem ter tirado um tempo para refletir sobre o assunto e entender de forma ampla o tema.
A falsidade existe, justamente porque a verdade é um fato. Gasset usa o dinheiro como exemplo, quando ele afirma que a moeda falsa só circula porque a verdadeira existe (GASSET, 2016). Por isso, é preciso aprender a refletir e pensar sobre as ideologias e ideias que nos guiam, buscando entender se realmente são verdadeiras ou são moedas falsas, com aparência de verdadeira.
É um fato que muitos seguem ideologias e opiniões políticas devido à massa, à influência de amigos e ao contexto no qual estão inseridos. Pensar bem no que acreditamos e buscar ter um senso crítico relevante, fruto de estudo e reflexão, é indispensável. Só assim, conseguiremos nadar contra a correnteza do senso comum.
Bibliografia
GASSET, José Ortega Y. A rebelião das massas. Campinas: Vide Editorial, 2016.
-
PROCURANDO A SAÍDA
Quando eu era bem novo, gostava de assistir desenhos, e um dos meus preferidos era Caverna do Dragão. No Brasil, ele foi muito conhecido e alvo de inúmeras teorias que explicam como o desenho terminava.
A história se passa em outra dimensão que o grupo acabou entrando misteriosamente por meio de um desconhecido portal, enquanto andavam de montanha-russa em um parque de diversões. Neste mundo, eles combatiam monstros com armas mágicas e auxiliavam os habitantes locais.
A parte curiosa do desenho é que sempre que eles tentavam voltar para a terra, algum acontecimento acabava levando-os a permanecer naquele mundo. No final, os personagens são heróis e prisioneiros daquele lugar.
A animação é uma ótima metáfora que descreve o nosso mundo atual e tecnológico, com os seus muitos ladrões do tempo e da alegria. A tecnologia tem feito parte da minha reflexão ultimamente, visto que gosto por demais dos recursos tecnológicos, ao mesmo tempo que, quando não sabemos utilizar, ela se torna uma vilã.
As facilidades de hoje ajudam muito, eu, por exemplo, pago as minhas contas com um aplicativo do banco. Entro em contato com os amigos e também assisto a notícias e podcasts com autores, cientistas e pensadores relevantes. A tecnologia chegou para nos ajudar, mas também para nos aprisionar, visto que existem aqueles que não conseguem deixar de conferir seus smartphones em todos os momentos ou consomem temas que não agregam à sua vida. Para alguns, ficar longe do celular é quase que um tormento, mostrando como, no final, terminaram por virar escravos deste equipamento.
O celular se torna um empecilho principalmente quando você deixa de se dedicar às coisas importantes, ou mesmo faz estas tarefas com desleixo, sem se empenhar adequadamente a estas atividades. Sem contar que é fundamental termos um tempo sozinho para refletir e pensar, isso faz bem para a mente, a imaginação e a saúde mental, como eu sempre afirmo.
Jaron Lanier, um cientista da computação e um dos precursores da realidade virtual, em seu livro Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais, expõe fatos importantes sobre as redes sociais e a sua capacidade de viciar o usuário. E no primeiro argumento, ele diz que:
“O prazer viciante e os padrões de recompensa no cérebro — a “pequena dose de dopamina” mencionada por Sean Parker — integram a base do vício em redes sociais, mas não é só isso, porque a rede social também usa a punição e o reforço negativo” (2018, p. 21).
As redes sociais oferecem estímulos, ou como o autor coloca, elas dão petiscos às pessoas e são com estas recompensas que os usuários seguem se viciando cada vez mais. Ter a consciência do perigo e do quão viciante são estas redes é importante, para desta forma, construirmos ferramentas e hábitos para dirimir estes problemas.
Procure colocar limites para a tecnologia e a televisão, controle o seu tempo de uso, justamente para não ser controlado por elas. A internet tem inúmeras coisas boas, como mencionei, mas aprender a se desligar dela é também uma ação necessária.
Curiosamente, alguns dos meus textos escrevo primeiramente em um caderno, outros, no próprio celular. Este texto mesmo, escrevi em um caderno, visto que gosto de usar papel e caneta. Escrever, ao invés de digitar, nos faz usar outras partes do cérebro, trazendo outros benefícios para a nossa mente. E são muitos destes hábitos tradicionais indispensáveis que as pessoas estão colocando de lado.
Aprender a construir limites de uso e cultivar outras atividades é algo realmente importante, ao invés de abolir o uso. Quem sabe usar comedidamente, acaba crescendo e realmente aproveitando. Já quem não sabe, segue rolando eternamente o feed, perdendo o seu tempo e deixando de desfrutar da vida.
Lembre-se da Caverna do Dragão e não permita ser prisioneiro do mundo dos excessos. Cultive o equilíbrio e descubra um modo de usar a tecnologia de forma construtiva e coesa.
Bibliografia
LANIER, Jaron. Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2018.
-
DESAFIOS DA ESPIRITUALIDADE CRISTÃ XII: REFERENCIAIS INTERIORES
Quando eu era criança, costumava passar as férias de fim de ano na praia e, quando voltávamos para casa, era comum, mesmo em dias ensolarados, ter que enfrentar algumas tempestades no alto da serra. Tempestades são constantes em nossa jornada, mesmo em dias aparentemente bons, assim é na vida.
É comum o tempo virar e termos que passar por intempéries e, neste momento, não é anormal muitos se sentirem abandonados por Deus, como se cristãos não enfrentassem problemas. Responsabilizar Deus, a vida ou amigos é muito mais prático do que aceitar o erro ou entender que o sofrimento faz parte da vida e assumir a responsabilidade. Nem sempre somos culpados pelas tempestades da vida, mas certamente somos responsáveis. Ricardo Barbosa de Sousa complementa, enfatizando que:
“Resistimos a admitir a responsabilidade pelo que somos, fazemos ou deixamos de fazer; preferimos responsabilizar outra pessoa pelo brinquedo quebrado, pelo atraso na aula ou na entrega do trabalho. Há sempre alguém responsável pelo que sou ou pelo que fiz” (SOUSA, 2016, p. 26).
Culpar os outros e não assumir as nossas responsabilidades é terceirizar a culpa e deixar de ser protagonistas em nossa história.
Entender que nossas emoções e sentimentos são frutos do que acreditamos e sentimos é um primeiro passo para buscar mudança e assumir o controle. É conforme acreditamos ou percebemos como a vida e as coisas que acontecem, que temos uma determinada atitude (SOUSA, 2016).
Por isso, moldar as nossas crenças e modo de vermos a vida a partir da palavra de Deus é essencial para conseguirmos ser cristãos centrados. Sendo este o conselho que Paulo nos dá:
“Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas. Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus” (Colossenses 3:1-3) (NVI).
Apesar deste parágrafo ser muito breve, ele possui uma relevância muito grande. O texto traz tanto instruções quanto incentivos. Paulo inicia o capítulo três afirmando que nós já ressuscitamos com Cristo, e por conta disso, buscar as coisas do alto e a vida correta precisa ser o nosso principal objetivo. Os nossos interesses estão em Jesus e a nossa mente, ambições e propósitos precisam estar firmados no reino vindouro. O esforço contínuo é essencial, visto que este foco não nasce automaticamente (CARSON et al., 2012).
Sousa (2016) explica que todos os seres humanos avaliam as coisas partindo dos seus referenciais interiores, são eles que estabelecem a forma como vamos olhar ou julgar uma situação. As convicções dão forma ao pensamento. É por isso que cada pessoa reage de uma forma, diante dos mesmos problemas, visto que cada indivíduo tem o seu referencial interior.
Ter uma atitude intencional e preencher a nossa vida com as coisas que são do alto é um passo importante. Alinhar o referencial interior a partir do evangelho e não das prioridades terrenas é uma atitude essencial para um cristão.
Buscar fundamentar nossos referenciais interiores na palavra de Deus, pensando e nos relembrando das verdades do evangelho, é essencial para não nos moldarmos aos padrões do mundo. Sendo este um exercício diário, uma busca constante de querer estar sempre no centro da vontade de Deus.
Quando Cristo é o centro da nossa vida, a nossa mente e os nossos referenciais são moldadas a partir da verdade celeste que precisa ser o nosso Norte, o único referencial da nossa vida.
Se a palavra de Deus é o seu Norte, realinhe os seus referenciais interiores a partir dela.
Bibliografia
CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.
O’BRIEN, Peter T. Colossenses. In: CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.
SOUSA, Ricardo Barbosa de. Pensamentos transformados, emoções redimidas. Viçosa: Ultimato, 2016.
-
NARRATIVA DE DESCONSTRUÇÃO
O nosso grande desafio nesta sociedade cada vez mais polarizada é conseguir separar a verdade e os fatos sobre um assunto, das narrativas que possuem o propósito de desconstruir uma verdade e manipular opiniões. Por isso, é fácil encontrarmos indivíduos seguindo muito mais narrativas construídas do que a verdade.
Sobre a desconstrução da razão, conforme pontua Stephen Hicks (2021) no livro Guerra cultural, podemos afirmar que, se o mundo não existe ou mesmo se não há um “eu” para compreendê-lo e gerar argumentos e pontos de vista, qual seria o motivo de pensarmos e agirmos? Sendo que é justamente a verdade, a razão e a correspondência entre a ideia e o pensamento, que estão sendo destruídos por pensadores da nossa era. E Foucault, um expoente no assunto, entende que a razão é a linguagem da loucura. Este é um retrato dos nossos dias, onde a verdade e a razão são vistas como absurdas. E desta forma o nosso mundo segue se desconstruindo e seguindo em direção a inúmeras contradições. Stephen Hicks complementa:
“Quando chegamos ao pós-modernismo, a razão já é vista não apenas como subjetiva, mas também como incompetente, extremamente contingente, relativa e coletiva” (2021, p. 42).
Perceba como é perigoso entender o mundo como um lugar sem verdades, razão e conceitos para nos guiar. Se existem só pontos de vista e a razão se resume apenas a uma linguagem delirante, o mundo seguirá cegamente guiado por desejos e vontades. E quando a vontade humana é o principal norte, o caos e a desordem são os frutos desta realidade.
No final, esta desconstrução da razão que o pós-modernismo faz serve apenas como estratégia de políticos e influenciadores para desconstruir a verdade e impor mudanças utilizando pautas legítimas como justificativa ou para tomar o poder. Sendo que o totalitarismo e a imposição são os pontos de partida destas pessoas.
A razão pode ser definida como uma capacidade que os seres humanos possuem que os diferencia dos animais, sendo ela um referencial que direciona as pessoas em todas as áreas em que são possíveis efetuar a indagação e a investigação (Abbagnano, 2018). Ou seja, a razão é a capacidade que as pessoas têm de questionar e investigar um assunto. E quando isso é perdido e o questionamento começa a ser proibido, o ser humano para de entender e questionar o seu entorno, virando um fantoche do seu meio. Se não existe verdade, tudo é válido e o que é relevante se torna um simples ponto de vista.
Somando a isto, podemos incluir a desinformação que é a marca dos nossos dias. “Especialistas” e influenciadores utilizam o senso comum ou as pseudoetimologias para ensinar as pessoas, partindo de informações falsas e incoerentes, sem sofrer questionamentos por causa da grande ignorância humana. Isso revela a dimensão do desafio daqueles que acreditam e entendem que a verdade e a razão são princípios fundamentais.
E o totalitarismo se inicia justamente assim, construindo um possível vilão ou propondo uma ideia miraculosamente salvadora, que justificará ações violentas. Eles pintam um vilão para poder agir de forma totalitária. Em todos os regimes totalitários conseguimos encontrar este fato.
Existe uma narrativa de desconstrução querendo destruir a razão e a verdade que sempre guiou os seres humanos. A família, a igreja e muitos setores da sociedade estão sendo vistos como vilões, em nome de pautas de controle social.
Por isso, fique atento, informe-se e estude, para construir um repertório que ajudará você a enxergar as contradições deste tipo de narrativa, sem esquecer que a verdade é o melhor caminho.
Bibliografia
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. 1. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2018.
HICKS, Stephen. Guerra cultural: Como o pós-modernismo criou uma narrativa de desconstrução do ocidente. São Paulo: Faro Editorial, 2021.
-
AS GENEALOGIAS BÍBLICAS E A MÃO DE DEUS NA HISTÓRIA
Muitos me perguntam sobre as genealogias e o propósito destas listas intermináveis na Bíblia. Gosto muito de ler a palavra de Deus, mas nem sempre é fácil ler tais genealogias. Por serem grandes listas de nomes e por não entendermos o propósito delas, passamos muitas vezes apáticos pelos textos ou lemos apenas por obrigação.
A grande questão é que as genealogias demonstram como Deus está agindo na história. Desde Gênesis, com a história de Adão e Eva, passando pelos inúmeros personagens bíblicos que foram ferramentas nas mãos de Deus, é possível vermos Deus agindo soberanamente. A história não está seguindo sem controle, como aqueles trens desgovernados, existe um Senhor que tudo sabe e que governa como bem lhe apraz.
A Bíblia não é um livro forjado, escrito de modo aleatório e de qualquer jeito, ela é um texto que mostra a revelação de Deus ao ser humano e a sua ação durante todo o período da história. E a genealogia nos mostra a mão soberana do nosso eterno pai. Não existe acaso na Bíblia, muito menos eventos aleatórios na palavra de Deus, existe uma história e o nosso pai soberano agindo poderosamente.
Assim sendo, podemos perceber que, em todos os momentos da história, um Deus estava presente, sua poderosa mão e também a sua presciência transcendem a história e a lógica humana. Salmos nos ensina que:
“Ele determina o número de estrelas e chama cada uma pelo nome. Grande é o nosso Soberano e tremendo é o seu poder; é impossível medir o seu entendimento” (Salmos 147:4-5) (NVI).
Acho este Salmo profundo, visto que a dimensão do universo é realmente grande, e por mais que o ser humano tenha investido em tecnologias para explorar o espaço, o que ele conhece é muito pouco, mas Deus conhece cada estrela que existe, chamando-as pelo nome. Deus sabe de tudo e nada pode ficar escondido dos seus olhos, o nosso soberano pai é tão grande que é impossível entendermos o tamanho da sua sabedoria. E se ele distingue cada estrela, imagine o ser humano. Ele nos conhece como ninguém. Douglas Connelly e Larry Richards complementam:
“Um Deus que é tão grande e poderoso também conhece cada um de nós. Ele conhece nossas feridas e nossas dores; ele se importa o suficiente para curar aqueles que estão com o coração partido e para juntar aqueles que se sentem excluídos” (CONNELY; RICHARDS, 2017, p. 377).
Este é o tamanho do nosso Deus, sendo que ele é o senhor de tudo, nada escapa das suas poderosas mãos. E este Salmo foi escrito após o povo de Jerusalém voltar de um grande período de cativeiro na Babilônia. Quando eles retornaram, encontraram uma cidade em ruínas e, por causa disso, eles precisaram reconstruir tudo do zero. Mas Deus estava no controle. Apesar do grande trabalho, ele levantou Neemias, que instigou o povo a reconstruir tudo em poucos dias (CONNELY; RICHARDS, 2017).
Esta história nos mostra que é quando tudo parece estar perdido que percebemos como, no final, Deus estava no controle. É Ele que nos guia e cuida de todos os detalhes da nossa vida. E as genealogias mostram justamente isso, como o nosso soberano Pai sempre esteve no controle da história.
Por isso, quando você se deparar com algumas destas genealogias na Bíblia, lembre-se de que ela fala da história de um povo e revela a mão de Deus agindo durante todas as gerações. É Deus que cuida da nossa história, não estamos soltos ao acaso.
Bibliografia
CONNELY, Douglas.; RICHARDS, Larry. Guia fácil para entender Salmos: Tudo sobre os Salmos, reunido e organizado de maneira completa e acessível. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2017.
