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VALORES TROCADOS
Uma vida centrada começa com bons princípios pessoais, são eles que nos guiam e permitem seguirmos de modo coerente, sendo que alguns dos principais preceitos são: honestidade, respeito, justiça, etc. Um indivíduo que possui bons princípios não os negocia por oportunidade ou dinheiro algum. Sem contar que, para quem é cristão, tais valores são fundamentais.
Alguns amigos não entendem porque tenho os meus receios em fazer download de livros sem pagar por eles. Segundo estas pessoas, as editoras têm muito dinheiro e por isso, não seriam prejudicadas por um download ilegal.
Outros já acham estranho quando afirmo que gosto de ter uma vida simples, sem exageros e de modo centrado. A vida equilibrada e correta soa estranha para muitas pessoas, por isso que nem sempre é fácil ser cristão.
Vivemos dias onde alguns valores estão trocados, viver pela aparência é a lógica da vida, parecer bem é muito mais importante do que estar realmente bem. Por isso, a parte externa acaba sendo muito mais valorizada que o nosso interior, o que realmente sentimos e somos.
Ter bons princípios pessoais envolve não negociarmos o que acreditamos por lucro algum. Um indivíduo equilibrado não negocia seus princípios. Confúcio tem uma citação que descreve muito bem a realidade da nossa atual sociedade:
“Quando o nada passa a ser algo, o vazio passa por tudo e a miséria passa por prosperidade, é difícil ter princípios” (CONFÚCIO, 2013, p. 51).
Quando opto em não baixar livros piratas, não procedo assim devido às editoras. A minha principal motivação é que creio que não tenho o direito de pegar ou distribuir algo que não é meu. Se determinado objeto não me pertence, não é correto eu me apropriar dele. O ponto de partida são os meus valores, as coisas nas quais acredito e que me guiam.
O mesmo digo sobre a vida simples. Eu nunca me importei em ostentar, acredito ser uma perda de tempo comprar coisas só pela posição social que este bem traz. Compro as coisas pela utilidade e pela qualidade e não pela marca. E vivo uma vida simples porque creio que a ostentação é inútil.
Alguns vivem com o que acreditam ser suficiente porque entendem de verdade o que é ser rico. E outros possuem muito dinheiro ou ganham bem, mas vivem uma vida miserável, sem paz e tranquilidade, justamente porque não sabem lidar com o dinheiro. No final, estes indivíduos seguem cercados por uma redoma falsa de alegria e sucesso.
As redes sociais conseguem transformar miséria em poder. É aquela vida de aparência onde o exterior é muito mais valorizado. E enquanto estes ostentam, a falta de paz e a infelicidade aumentam ainda mais. Quanto mais cresce a fatura do cartão de crédito, mais a paz e a tranquilidade vão se esvaindo.
Hoje, ostentação é ter muitos seguidores, ou seja, o nada e a vida vazia virou a nova visão de riqueza. A vida miserável é sinônimo de ostentação e muitos não percebem a contradição desta visão. É uma existência que prioriza somente o externo, em parecer bem. É bom ter dinheiro, contudo, ele deve ser colocado em seu devido lugar. O dinheiro é apenas um servo, uma ferramenta que nos dá acessos, mas colocar o dinheiro no centro de tudo é o primeiro passo para cultivarmos a falta de paz e o caos em nossa vida.
Gosto da citação de Confúcio justamente porque ela nos mostra como é fácil as pessoas inverterem os valores e negociarem seus princípios. Negociar nossos valores é seguir pela correnteza do senso comum que prioriza muito mais o externo do que o interno.
Quando uma sociedade insiste em negociar seus princípios, fica difícil ter uma vida equilibrada!
Bibliografia
CONFÚCIO. As lições do mestre. São Paulo: Editora Jardim dos Livros, 2013.
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O QUE CONTA É O QUE NÃO SE CONTA
Não tem preço a oportunidade de poder passar o dia inteiro em contato com a natureza, na companhia de amigos e familiares. Os conhecidos retiros, que algumas igrejas promovem em chácaras, ou mesmo as caminhadas na natureza, que algumas cidades organizam, têm o poder de mostrar o que realmente vale a pena, mas que às vezes nos esquecemos, por estarmos mergulhados nesta incessante vida urbana.
A vida simples e a busca pelo equilíbrio nesta nossa sociedade complexa, que estabelece o consumismo como modelo de vida, acabam sendo uma revolução, uma prática que segue na contramão da lógica atual. E sair deste ciclo ilógico é o melhor caminho para vivermos bem e de forma saudável. Ana Cláudia Quintana Arantes resume bem a arte de valorizarmos aquelas coisas que não têm preço:
“Se essa gente boa se preocupasse em cuidar bem de perto de tudo que a gente não pode comprar seria muito mais fácil ser feliz, porque na vida o que conta mesmo é o que não se conta” (2020, p. 48).
Aprendi ainda bem novo, perdendo muitos parentes queridos e amigos, que nada é para sempre, pelo menos aqui na terra. A nossa vida segue sempre em constante mudança e transformação, sendo assim, valorizar os momentos e as coisas que o dinheiro não pode comprar é indispensável.
Por mais importante que seja conseguirmos um bom trabalho, avançar na carreira profissional, entre tantas conquistas que são essenciais, estas coisas se vão com o tempo. Seja pela mudança na economia, sociedade ou as nossas prioridades que mudam. Mas a lembrança e a experiência de estar em um lugar lindo, na companhia daqueles que amamos, permanecem na memória. Estas lembranças seguem com você.
A vida simples e equilibrada, como tenho buscado enfatizar nesta série de textos, é a oportunidade de viver, saboreando cada momento, sem deixar que as coisas nublem o nosso dia. É legal ter, mas viver só para comprar, nos esquecendo dos momentos simples e ricos, desfrutando das coisas que o dinheiro não compra, é muito mais precioso do que viver somente para acumular coisas.
O que conta não é o que se compra, e sim, são as pessoas, a convivência e o sabor de um dia bem desfrutado. Isso não tem preço. Aprenda a somar experiências, a desfrutar de momentos e construir lembranças, que permanecerão com você. Entenda que estes episódios precisam ser construídos, é uma atitude intencional de valorizar a convivência e as pessoas ao invés das posses.
O consumismo foca nas coisas, a vida simples nas experiências e pessoas, que permanecem, não tenha dúvidas. Lembro de momentos com amigos e parentes que já não estão mais entre nós, e carrego estas vivências para o resto da minha vida. A única coisa que carregamos conosco são as boas recordações e as lições que aprendemos durante a nossa caminhada. Por isso, valorize o que realmente é importante, acumulando lembranças ao invés de riquezas!
Bibliografia
ARANTES, Ana Cláudia Quintana. Histórias lindas de morrer. Rio de Janeiro: Sextante, 2020.
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MEDITAÇÕES SOBRE OS DIAS DE TRISTEZA
Eu sempre encontrava a mesma pessoa todas as manhãs, um indivíduo que transpirava alegria e motivação. Gosto muito de levantar cedo, mas desconfio de pessoas muito alegres, principalmente daqueles que você raramente vê triste ou mesmo indiferente, tal qual, aqueles dias que não sabemos se estamos melancólicos ou alegres. A vida não é uma constante explosão de felicidade e motivação, como muitos fazem parecer, ela tem seus altos e baixos, e não há nada de errado nisso.
Existe uma certa ingenuidade nas pessoas muito motivadas e felizes, é como se a vida precisasse ser sempre divertida, como se a tristeza não fosse um sentimento genuíno e não tivesse a sua utilidade.
Nos momentos de tristeza eu escrevo, medito e componho poesias. Presto mais atenção nas coisas quando estou um pouco mais melancólico. Nos momentos de alegria, a vida, a meu ver, parece mais rápida e instantânea, parecida com aqueles filmes ou músicas tocadas em uma velocidade rápida, onde as pessoas só vivenciam para cumprir um protocolo social, mas que no final, não estão conseguindo entender e desfrutar de nada.
Gosto de assistir à vida em câmera lenta, desfrutar dos minutos e tentar ver todos os detalhes do momento. É por isso que busco sempre não ter tantos compromissos, seguindo o caminho, sem tantas bagagens e atividades. Menos é sempre mais, e nos dá o poder de aproveitar os momentos com mais cuidado. O excesso de atividades não nos permite desfrutarmos da vida.
O tédio é ótimo e a vida é muito mais do que seguir em busca da tal felicidade, que só existe conceitualmente. Viver é desfrutar de todas as oportunidades que Deus nos proporciona com muita calma, vivenciando todos os instantes. Sejam eles de tristeza, que pode ser um momento de reflexão, um dia de euforia, que pode ser um período de comemoração ou alegria. Ou aqueles momentos de solitude, contemplação e tédio. Não há problema algum em vivenciar tais ocasiões, o erro é ficar mergulhado nestes episódios de tristeza, euforia ou ócio. É por isso que eu me preocupo muito com pessoas exageradamente alegres ou eufóricas, visto que, são indivíduos que só veem a música tocar, sem aproveitar a melodia.
Aprecio a sabedoria de Eclesiastes, em um dos mais conhecidos capítulos ele nos ensina que para tudo há um tempo certo (Eclesiastes 3:1), a vida é assim, como ele explica no texto. Existe o tempo de nascer e morrer, de plantar e colher o que foi plantado (v. 2), e no versículo quatro ele diz que há o tempo de chorar e também rir (v. 4). Há um tempo certo para tudo e nestes momentos, não precisamos disfarçar, sendo que, é possível aproveitar as etapas da vida como elas são, como pontuei, seja escrevendo, pensando ou desfrutando do dia.
A natureza tem as suas estações e quando aprendemos a acompanhar o ciclo da vida, aproveitando cada instante como ele é, seguimos mais leves, lembrando que tudo é dádiva de Deus. No verão aproveitamos o calor, as flores e a vida pulsante. No inverno, nos recolhemos, cultivamos a solitude e o calor de uma boa conversa com os nossos amigos e familiares.
Viver é isso, é saber passar por todas as estações da vida, aproveitando-as da melhor forma possível.
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AS ESTAÇÕES DO CASAMENTO
O casamento é uma grande bênção, contudo, ele também traz alguns desafios para os casais que normalmente são pessoas diferentes que, ao casar, têm suas vidas compartilhadas.
Gary Chapman, no livro As quatro estações do casamento, trabalha justamente estes desafios da vida conjugal, sendo que o autor lista o que ele denomina de quatro estações que todos os casamentos acabam enfrentando. Chapman usa as estações do tempo como metáfora para discorrer sobre o assunto.
É possível definir o casamento como uma parceria onde um casal segue unido, vivendo uma vida compartilhada e íntima. E quando o autor usa as estações para falar da vida de casado, ele se refere a todas as emoções que a vida conjugal estabelece a partir dos cinco sentidos. A qualidade do relacionamento depende sempre das combinações, emoções e atitudes, o que acaba determinando as estações de cada relacionamento (CHAPMAN, 2006).
Um relacionamento que se encontra no inverno é quando o casal parece distante, frios um com o outro e com raiva do cônjuge. Nesta estação não existe mais cumplicidade e parceria e as discussões são constantes (CHAPMAN, 2006).
Chapman (2006) ensina que a primavera é um período de cores e brilhos, é o momento em que as flores começam a desabrochar no jardim e no casamento. Esta estação é um tempo de recomeços, é quando o casal está bem e as atitudes positivas são vistas em suas relações com o outro. O verão é um tempo em que o casal segue colhendo todos os frutos do trabalho que eles empreenderam para fazer o relacionamento florescer. É um tempo de felicidade, união e apoio mútuo.
O período de outono também revela algumas cores, mas é uma fase onde as folhas estão caindo e as árvores começam a ficar desnudas, anunciando um tempo de inverno. No casamento, a dinâmica é semelhante. O outono anuncia tempos frios e complicados ao casal. Em todas as estações, o autor aponta as atitudes que levaram o casal a estar nesta estação, as suas principais ações e dinâmicas vistas neste tempo e, em alguns casos, ele descreve alguns pontos positivos destes períodos complicados (CHAPMAN, 2006).
O livro é ótimo e consegue promover um panorama da realidade do casal, sendo que ele termina a primeira parte da obra oferecendo ferramentas para o casal conseguir identificar em qual estação eles estão e também buscar mudar a sua realidade como casal.
Nem sempre é fácil convivermos e entendermos o outro e, por inúmeros motivos, é possível entrarmos em uma estação de inverno no casamento. Por isso, ter boas ferramentas para mudar a estação do seu casamento é essencial, sendo que este é o propósito deste excelente livro, escrito por um pastor com vasta experiência em aconselhamento conjugal. Gosto de uma das definições que o autor dá de casamento, logo no início do livro:
“O casamento é também um relacionamento com propósitos” (CHAPMAN, 2006, p. 18).
Como cristãos, precisamos entender os princípios bíblicos da união conjugal e buscar ferramentas para transformar o casamento em uma união que glorifica a Deus. Entender as estações do casamento, bem como saber agir nestes períodos, é um passo importante. E que Deus esteja sempre no centro desta importante união!
Bibliografia
CHAPMAN, Gary. As quatro estações do casamento. São Paulo: Mundo Cristão, 2006.
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SOCIEDADE INQUIETA
Não tenha tanto orgulho em afirmar que você é alguém que não consegue ficar parado. Muitos veem pessoas ativas com bons olhos, mas não deveriam. Esta condição é perigosa por ser a porta de entrada de inúmeros problemas. Além de ser a marca daqueles que são superficiais, visto que, para aprender, pensar e refletir, é preciso cultivar um pouco de paz e tempo para a construção do saber.
A nossa civilização está cada vez mais caminhando para o caos. A sua incapacidade de parar e a inquieta necessidade de gerar cada vez mais interação e estímulo têm deixado a humanidade doente. Byung-Chul Han complementa:
“Por falta de repouso, nossa civilização caminha para uma nova barbárie. Em nenhuma outra época os ativos, isto é, os inquietos, valeram tanto. Assim, pertence às correções necessárias a serem tomadas quanto ao caráter da humanidade fortalecer em grande medida o elemento contemplativo” (HAN, 2017, p. 37).
O curioso é que imaginávamos, quando éramos mais novos, que teríamos no futuro muitas tecnologias que facilitariam ainda mais a nossa vida, nos dando muito mais tempo para fazermos as atividades nos quais gostamos. Entretanto, o que aconteceu foi justamente o oposto, a tecnologia nos deu tempo, mas também cuidou para o tempo fosse usado conforme ela desejasse. E assim, hoje, muitos são escravos da tal tecnologia, que prometia facilitar a nossa vida, mas que a complicou ainda mais.
A busca pela vida simples, como tenho buscado divulgar, é a habilidade de cultivar uma vida centrada nas coisas que são fundamentais, principalmente para nós, cristãos. A contemplação, uma prática que a igreja perdeu, ou a capacidade de pararmos e avaliarmos a nossa vida e prioridades, é uma ação fundamental e deve ser constante. É fácil sermos roubados sem percebermos, ainda mais quando falamos de tempo, o qual é um bem precioso.
Precisamos aprender a aquietar a mente para falarmos com Deus e também para ouvi-lo e entender a sua vontade. E também é aquietando o coração que meditamos e estudamos a Bíblia. Não é possível lermos a palavra e aprendermos com ela, sem um período de silêncio e reflexão.
As atuais tecnologias estão roubando a capacidade das pessoas de pararem, contemplarem e meditarem sobre algo. É tudo muito corrido e sem pausa alguma, é a quantidade que vale hoje em dia e não a qualidade.
Quando a Bíblia fala para meditarmos na palavra de Deus (Salmos 49:3; Salmos 77:11-12; Salmos 119:15-16), devemos entender que isso só será possível se aprendermos a parar, desligar todos os distratores e silenciar a mente. É só assim que conseguiremos meditar e introjetar em nossa mente a mensagem do nosso Pai. É no silêncio que ouvimos e refletimos.
O muito falar e o excesso de barulhos impedem de entendermos e meditarmos de modo relevante sobre todos os ensinos que Deus quer ministrar em nossa vida por meio da sua palavra. Por isso, ter um momento de silêncio e contemplação é fundamental e tal ação precisa ser intencional, é um período do seu dia que você separa justamente para isso.
A vida cristã é intencional, construir uma rotina de leitura e estudo da palavra de Deus e um momento de oração depende de você, da sua intenção e não da sua vontade ou disponibilidade de tempo.
O ser humano precisa aprender a se desligar para se conectar com o Criador e a sua palavra, caso contrário, seguirá cada dia mais conectado com o mundo, mas distante de Deus.
Bibliografia
HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Editora Vozes, 2017.
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O LAMENTO SEGUNDO A BÍBLIA
Para alguns cristãos, o fracasso é algo inaceitável. Se você segue a Cristo, você precisa ter uma vida vitoriosa. Os fracassos revelam a nossa falta de fé, segundo eles. Com isso, muitos cristãos acabam escondendo suas derrotas ou insistem em sempre olhar o lado positivo das coisas, para assim disfarçar os problemas, como se fosse um erro ficar triste ou refletir de forma genuína sobre os nossos equívocos e fracassos.
Lamentar era uma prática antiga, os Salmos ou o Livro de Lamentações revelam justamente isso. Derramar o coração a Deus era comum, não havia disfarce diante do fracasso, somente uma sincera lamentação e uma tristeza genuína. O salmista faz justamente isso ao passar por um período de adversidade, ele afirma que:
“Minhas lágrimas têm sido o meu alimento de dia e de noite, pois me perguntam o tempo todo: “Onde está o seu Deus?”” (Salmos 42:3) (NVI).
Alguma coisa afligia o salmista e a sua atitude era lamentar aos pés do Criador. São muitos os Salmos de lamento, a Bíblia deixa bem clara em muitas passagens como o lamento é possível e tem a sua função. Mas qual seria a função do lamento?
A principal função é aceitarmos os nossos fracassos, sem disfarce algum, e derramarmos o nosso coração diante de Deus. Quando aceitamos os problemas, conseguimos não mais repeti-los, sendo que os problemas precisam nos aproximar mais de Deus. Não há mal algum em ficar triste, em se lamentar e pensar nos equívocos que cometemos, o problema é ficar preso em um momento de tristeza que nunca cessa. Ken e Randy Petersen complementam explicando que:
“De certa maneira, o lamento é a arte bíblica de cantar as nossas tristezas para o nosso Senhor” (PETERSEN et al., 2024, p. 26).
Já pensou que você tem um Deus que te ouve, seja em seus momentos alegres ou tristes? Ser cristão é também passar por dificuldades, contudo, temos a certeza de que não estamos sozinhos, Deus está conosco, nos ouvindo e apoiando. Os salmos e o livro de Lamentações revelam como podemos chorar e entregar nossas tristezas e frustrações ao nosso pai, sem medo de sermos rejeitados.
A lamentação evidencia toda a nossa fragilidade, além de mostrar uma importante característica emocional humana e como somos movidos pelas emoções. E diante de tais fragilidades, precisamos reconhecer que sem Deus, não somos nada.
Por isso, chore diante dos problemas, lamente e derrame todas as suas queixas aos pés do eterno Pai, que sem dúvida alguma estará te ouvindo. Cante as suas tristezas, como a Bíblia faz, mas sem esquecer daquele que sempre seca as nossas lágrimas.
Bibliografia
PETERSEN, Ken.; PETERSEN, Randy. 40 dias, 40 palavras: Leituras de Páscoa para tocar o seu coração. Curitiba: Publicações Pão Diário, 2024.
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DESAFIOS DA ESPIRITUALIDADE CRISTÃ VIII: LITURGIAS SECULARES
Os ritos fazem parte da vida de todos os seres humanos, mesmo para aqueles que não são religiosos. E isso fica muito evidente quando avaliamos os lugares frequentados pelas pessoas e o motivo pelo qual elas frequentam estes locais.
James Smith (2017) explica como o cristão pode estar tão focado em se defender de falsos ensinos, que corre o risco de não perceber todas as influências do seu meio e das práticas e costumes inconscientes que ele adere, transformando todas as ameaças intelectuais em problemas secundários.
O termo “liturgia” é usado pelo autor para se referir aos rituais que contêm aquelas explicações sobre quem é o ser humano e qual é o seu propósito. Os rituais trazem em seu cerne uma orientação única. São como aquelas ferramentas de calibração: elas redirecionam os ponteiros do coração humano. E quando estas liturgias são incoerentes, acabam servindo para tirar o foco dos cristãos e distanciá-los de Cristo (SMITH, 2017, p. 74).
Não é raro encontrar um cristão que não percebe todas as suas contradições, fruto somente destas práticas culturais, que viram verdadeiras liturgias que remoldam e mudam o coração humano. É possível um cristão estar bem longe da vontade de Deus, por meio de hábitos e muitas práticas que acabam entrando em sua vida por meio da cultura. É por isso que este autor nos convida a examinar o mundo com algumas lentes litúrgicas, auxiliando os cristãos a perceberem quais liturgias influenciam o seu coração, quais amores estão tomando o lugar de Deus.
O ritual mais comum hoje em dia é ir ao shopping. E Smith (2017) revela como este lugar tem todos os elementos de um templo religioso, onde a principal finalidade é levar os frequentadores à prática do consumismo, a renovar a sua mente com outros pontos de vista e a se reconectar com as prioridades atuais. No livro Você é aquilo que ama, ele ensina os cristãos a ler estas liturgias seculares e fazer uma exegese do que ele denomina como o evangelho do consumidor.
Como primeira liturgia secular, Smith coloca uma conhecida prática dos nossos dias, muito vista, sendo ela: “se estou mal, eu compro” (SMITH, 2017, p. 74). O consumismo hoje é aquela ferramenta usada para curar dores e trazer alegria. Sendo que hoje a sociedade vende uma falsa alegria, estampada em rostos de comerciais e séries, como se fosse possível adquirir uma alegria verdadeira a partir de objetos e bugigangas ou como se a nossa vida, tristezas e dificuldades, fossem fruto de algum erro ou equívoco da nossa parte. James Smith complementa, pontuando que:
“Entretanto, no geral, as liturgias dos shoppings e dos comerciais imprimem em nós uma sensação de que há algo de errado conosco, algo estragado, expondo diante de nós ideais que não conseguimos alcançar” (SMITH, 2017, p. 76).
No final, tais comerciais e séries de televisão não só revelam vidas perfeitas e felizes, mas também mostram haver algo de errado com a nossa vida e muitas vezes eles usam necessidades e desejos autênticos e sugerem princípios menos nobres sobre poder, beleza e privilégios. Sendo que tais princípios não somente demonstram que podemos estar errados, mas de igual forma, desconstroem ensinos bíblicos importantes, vendendo uma vida falsa, como se Deus precisasse atender a todas as necessidades humanas (SMITH, 2017, p. 76).
A felicidade que a televisão e os shoppings vendem é falsa, sendo somente narrativas para levar você a aderir a alegrias ilusórias, que acabam logo depois das suas compras. Se consumir é sinônimo de felicidade, eu não posso parar de comprar e adquirir coisas, e o perigo é realmente este.
Na terceira liturgia secular, Smith (2017) faz uma interessante adaptação da frase de Descartes: compro, logo existo. Mostrando como consumir define a própria existência de muitas pessoas. Muitos existem somente para comprar e consumir coisas, em uma prática constante, para que desta forma, a sua felicidade continue em dia. A compra vira uma espécie de terapia, uma prática que cura o consumidor e oferece uma falsa alegria. Elas prometem uma redenção que é falsa, usando serviços e bens como meio de proporcionar uma possível cura para suas tristezas e frustrações.
James Smith aponta para quatro liturgias seculares, oferecendo uma exegese do que ele chama de “evangelho do consumidor”, revelando como algumas práticas são inconscientes e minam a verdade do evangelho da vida de muitos cristãos. Optei por falar somente da primeira e terceira liturgia, apenas para mostrar como muitas vezes nem percebemos como algumas práticas e amores entram em nossa vida, sem ao menos percebermos.
Cultivar um olhar crítico é fundamental para mantermos nossa vida centrada e longe de todas as influências que nos distanciam de Deus.
Bibliografia
SMITH, James K. A. Você é aquilo que ama: O poder espiritual do hábito. São Paulo: Vida Nova, 2017.
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CRISTÃOS PRATICANTES
“Meus amados irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se, pois a ira do homem não produz a justiça de Deus” (Referência: Tiago 1:19-27) (NVI).
Quando eu era novo, lembro muito bem do primeiro relógio que ganhei. Ele era muito bonito, tinha um design interessantíssimo para a época, ele só tinha um problema, era uma imitação de um relógio original, o que não me deixou tão contente assim.
Ninguém gosta de imitação, não é mesmo? Eu, por exemplo, não gosto de ouvir nem banda de música cover. Nada melhor do que ouvir a música com os integrantes originais. E na vida cristã, a falsificação também não é legal, principalmente quando você fala ser alguém, mas que não pratica o que fala.
Gosto da passagem de Tiago que está na epígrafe do texto, a passagem nos traz algumas lições práticas que nos mostram o verdadeiro significado do termo cristão. Destacarei somente duas delas, que acredito serem fundamentais para a vida cristã.
1) Autocontrole
“[…] Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se” (v. 19) (NVI).
Ter autocontrole, saber falar e entender a hora de ouvir é sempre um desafio. Ainda mais quando estamos passando por dificuldades ou mesmo em meio à pandemia que desestabilizou a sociedade, as pessoas e nossa família.
A ira à qual o texto faz alusão é aquela explosão de raiva e não o sentimento de raiva, ter raiva é natural. E o sábio é aquele que demora sempre em se irar e consegue se controlar, ao contrário daquele que vive discutindo, tentando convencer e falar a todo o momento ou que insiste em convencer a todos (DAVIDS, 2012).
Ouvir hoje em dia é uma ação rara, poucos têm o autocontrole de ouvir e falar na hora certa, as pessoas querem muito mais falar do que escutar. Ouvir e escutar possuem sentidos diferentes e, por mais que possa ser mera semântica, visto que ambos os termos se confundem e muitas vezes são usados como sinônimos, como no caso desta passagem, os dois conceitos são bem opostos. Ouvir é ter audição, já escutar é prestar atenção à fala de alguém de modo sincero e comprometido.
Queremos a todo momento falar, pois acreditamos que podemos colaborar, ou mesmo cremos saber a verdade e às vezes você até sabe, mas também precisa do autocontrole para ouvir o interlocutor.
Você já passou por um problema e desabafou com alguém, onde esta pessoa tentou explicar o seu problema ou dar soluções para a sua situação? Eu já passei por alguns perrengues, coisas realmente complicadas, e eu tenho um amigo que, diante destas situações, falava sempre: “eu não sei nem o que dizer…” e eu gostava disso, visto que, naquele momento, eu nem queria respostas, mas ser ouvido. Tiago 1:26 diz:
“Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo. Sua religião não tem valor algum!” (NVI).
É possível saber se alguém é realmente piedoso somente pelo seu estilo de vida. A explosão de raiva ou o autocontrole são atitudes definidoras na vida de alguém. E frear a língua é uma das missões mais desafiadoras que nós temos. A boca fala e transmite uma mensagem ou uma opinião, mas a sua atitude revela quem você realmente é, sendo que, quando falamos de palavras, abordamos coisas muito importantes. No livro Os Dez Mandamentos de Anselm Grün, tem uma poesia de Hilde Domin, sobre a Palavra e a Faca, que fala justamente sobre isso:
“Melhor uma faca a uma palavra
Uma faca pode ser cega.
Uma faca acerta muitas vezes
Ao lado do coração.
A palavra, não” (GRÜN, 2012, p. 118).
Por isso, aprenda a se controlar, busque em Deus o autocontrole e limite a sua língua. Ser tardio no falar e em se irar é fundamental para conseguirmos ser cristãos autênticos que conseguem auxiliar as pessoas da forma certa.
II) Praticantes da palavra
Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos (v. 22) (NVI).
O evangelho não é uma grande teoria, é um caminho para uma vida prática, sendo que, para praticar, precisamos conhecer. Não tem como sermos praticantes se não conhecermos a Bíblia.
Ser cristão envolve uma prática constante. É um hábito que deve estar introjetado em nossa vida. Orar, ler a Bíblia e estudar a Bíblia são verbos, e verbos denotam ação. Por isso, ser cristão é muito mais do que carregar um rótulo, é ter uma vida prática.
Quem me conhece sabe que sou alguém que tem um pouco mais de facilidade para adquirir hábitos. Isso se dá porque faço algumas coisas sem pensar no que estou sentindo, pois nem sempre o que quero é fazer aquela determinada atividade, mas faço e me animo no meio do caminho.
A palavra de Deus precisa ser lida, entendida e praticada. Ser cristão envolve sermos praticantes da palavra de Deus. Por isso, não seja um mero ouvinte, ou um simples espectador que cumpre um protocolo na igreja e vai embora com o sentimento de dever cumprido, seja um cristão praticante, que vive de forma prática o cristianismo.
Descobri por experiência própria como a falsificação não é interessante, pois o relógio, que falei no começo do texto, acabou quebrando pouco tempo depois. Objetos falsificados não duram muito.
A falsa vida cristã, assim como o meu antigo relógio, também não resiste à ação do mundo, às dificuldades e desafios que todos os cristãos enfrentam. Mas quando vivemos uma vida cristã real, não falsificada, podemos passar pelo caos e por algumas dificuldades e resistimos, pois afinal, o que vivemos é algo sólido e verdadeiro.
Por isso, busque o autocontrole aprendendo a falar na hora certa e não ter explosões de ira, afinal, o nosso exemplo fala muito. E aprenda a ser um cristão praticante, experimente o prazer de viver de modo genuíno o evangelho.
BIBLIOGRAFIA
CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.
DAVIDS, Peter H. Tiago. In: CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.
GRÜN, Anselm. Os dez mandamentos. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2012.
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A INFLUÊNCIA DO DESEJO NAS AÇÕES HUMANAS
Nem sempre temos a plena consciência das coisas que nos guiam. Por vezes, colocamos a razão e o saber como as nossas principais bússolas sem perceber os verdadeiros guias da nossa vida. O autoengano é uma das principais características dos seres humanos, e por esse motivo, é comum não percebermos as influências e motivações das nossas ações.
Como seres humanos que somos, um dos nossos atributos mais naturais é termos nossos gostos, sonhos e anseios, sendo que estas coisas não somente nos movem, mas também nos influenciam demais, muito mais do que imaginamos. Estes nossos amores acabam virando guias, bússolas que nos levam a seguir e optar por algumas direções.
O ser humano tem a racionalidade como uma importante característica, entretanto, nossos amores e anseios interferem muito em nossas decisões e em como desejamos ser, conforme explica James Smith em seu livro Você é aquilo que ama. Smith explica que:
“Nossas vontades, anseios e desejos estão no cerne de nossa identidade, a fonte de onde fluem nossas ações e comportamentos. Nosso querer reverbera o que há em nosso coração, o epicentro da pessoa humana” (SMITH, 2017, p. 20).
E por mais que o conhecimento seja importante e agregue muito em nossa vida, o que desejamos e o que amamos, na verdade, define muito mais as nossas ações, coisa que o conhecimento nem sempre proporciona. O saber é fundamental, não tenha dúvidas, mas entender os anseios do nosso coração e quais são as coisas que nos movem é uma atitude igualmente essencial (SMITH, 2017), conforme novamente explica James Smith:
“São meus desejos que me definem. Em resumo, você é o que ama” (SMITH, 2017, p. 29).
E esta explicação de James Smith traz muitos esclarecimentos para as ações humanas, sendo que muitas delas são contraditórias. A Bíblia caminha nesta mesma direção, quando nos aconselha, na conhecida passagem de Provérbios, a guardarmos nosso coração:
“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 5:23) (ACF).
Smith (2017) explica que quando a Bíblia fala do coração (kardia, em grego), ela não está se referindo a algum tipo de sentimentalismo, típico dos nossos dias. O coração precisa ser entendido como o núcleo básico de todos os nossos anseios mais intrínsecos: ele é uma bússola interna que orienta subconscientemente o ser humano.
No final, é a palavra de Deus que nos ensina a sermos verdadeiramente humanos (SMITH, 2017). Ela nos mostra quem devemos amar e qual é o Deus que deve estar no âmago de toda a nossa vida. Amar a Deus é deixar no centro de tudo aquele que precisa ser a bússola e o nosso único guia e influenciador.
O livro Você é aquilo que ama oferece ao leitor um importante pano de fundo para entendermos como as coisas que amamos nos influenciam muito, sendo que depois, ele disponibiliza algumas ótimas ferramentas e rituais formadores, que nos auxiliarão a amarmos as coisas certas. Vale a pena ler o livro e aplicar o conteúdo em sua rotina diária. Porém, o cerne da obra é entendermos como os nossos amores dirigem a nossa vida e o nosso pensamento.
Reflita sobre a sua forma de viver, identifique o quanto as coisas que você ama manipulam você. Diante disto, busque sempre colocar Deus no centro de tudo, sem esquecer que este exercício de autoavaliação é diário, já que o autoengano faz parte da nossa vida.
Bibliografia
SMITH, James K. A. Você é aquilo que ama: O poder espiritual do hábito. São Paulo: Vida Nova, 2017.
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EVANGELHO DILUÍDO
Não é incomum vermos pastores e líderes cristãos deturpando a palavra de Deus em nome de propósitos pessoais. Sem contar com aqueles pastores que são despreparados e que interpretam a Bíblia de forma equivocada, construindo assim, as mais contraditórias e antibíblicas teologias.
Por isso, estudar e conhecer a palavra é fundamental, para não cairmos nestas armadilhas, como eu sempre afirmo. A Bíblia é a palavra de Deus e ela tem a sua mensagem, que em alguns momentos, nos confronta. Aceitar isso é o caminho para seguirmos fazendo a vontade de Deus.
Misturar a palavra de Deus com os nossos pontos de vista, buscando desta forma, deixá-la mais agradável ou mesmo para se adequar a um determinado propósito, não é só um erro, mas também uma ação perigosa. É como misturar veneno em um bom vinho. Inácio de Antioquia complementa explicando que:
“Aqueles que, para terem crédito, misturam Jesus Cristo consigo mesmos, são como aqueles que oferecem veneno mortal misturado com vinho melado. O incauto o toma com prazer, mas nesse prazer nefasto lhe dá a própria morte” (1995, p. 99).
É interessante que, quando uma bebida é bem doce, não percebemos direito o sabor ao certo e muito menos percebemos se há algo diferente misturado ao líquido. O excesso de açúcar disfarça e mascara o sabor. No evangelho, o problema não é muito diferente deste. Alguns conceitos equivocados, diluídos com a mensagem bíblica, se assemelham à palavra de Deus, mas são venenos, meros conceitos pessoais misturados com o evangelho.
Quando o ser humano mistura um pouco de si ao ensino bíblico, diluindo a mensagem de Deus para deixá-la palatável, ele deturpa um ensino que serve para nos instruir e endireitar a nossa vida. Sendo que, em muitos momentos, a mensagem confronta a nossa vida e nos leva a seguirmos em direção à mudança, nem tudo na palavra de Deus é agradável. Por isso, não podemos ler só o que gostamos na Bíblia, muito menos diluir o evangelho, para agradar mais pessoas, como muitos pastores fazem hoje em dia. A nossa missão é ensinar a mensagem como ela é, sem qualquer máscara ou disfarces.
A palavra de Deus é o nosso norte, é a sua mensagem que nos direcionará para o centro da sua vontade, por isso que conhecer a Bíblia é fundamental, para não cairmos em ciladas. Para não bebermos veneno, achando que estamos ingerindo um bom vinho.
Agradeço a Deus por todos os ensinos que me confrontaram e me levaram a mudar de vida. Seguir fazendo a vontade de Deus é realmente o melhor caminho, mesmo não sendo tão fácil.
A boa mensagem nos alimenta, ensina e corrige a nossa vida, já o veneno engana e nos direciona aos caminhos errados. Ensinos que estão distantes da mensagem de Deus, sendo uma mera imitação, uma falsificação do verdadeiro evangelho.
Tome sempre cuidado com aquelas pregações onde o ser humano está sempre no centro ou mesmo os nossos desejos e sonhos. Isso não pode moldar a mensagem. A palavra de Deus aponta para um caminho e nos desafia a mudarmos de vida. O que passa disso é um evangelho diluído em opiniões pessoais.
Bibliografia
QUINTA, Pe. Manoel (ed.). Patrística: Padres Apostólicos. São Paulo: Paulus, 1995.
