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CAMINHOS ACIDENTADOS
Em um antigo trabalho eu costumava pegar um caminho bem acidentado, hora a estrada era asfaltada hora não, hora o chão era de pedras hora era só barro. O meu desafio diário era chegar limpo ao local de trabalho, afinal, não tinha como trabalhar com a roupa cheia de lama.
Nos primeiros dias foi uma epopeia, precisei gastar algum tempo tentando limpar os sapatos e às vezes até trocar de roupa, por conta da lama que o terreno acidentado deixava em minha indumentária.
Às vezes por necessidade temos que trilhar estes caminhos, em tempos difíceis somos forçados a aceitar trabalhos em locais com ambientes ácidos, patrões grosseiros ou em locais onde as estradas são bem esburacadas. Nem sempre uma boa oportunidade começa em uma rua bem asfaltada ou em um caminho limpo e bem sinalizado.
O curioso é que de tanto percorrer o caminho difícil aprendi onde eu devia pisar. Descobri alguns caminhos alternativos e algumas calçadas um pouco mais transitáveis. Chegou um tempo em que eu nem levava mais roupa sobressalente, pois em meio a lama, aprendi onde firmar os pés, descobri onde tinha estradas limpas e coesas e onde eu podia passar com tranquilidade e sem percalços.
Nem sempre estaremos no melhor caminho, existem tempos onde teremos que enfrentar percalços, caminhos por onde nunca havíamos transitado e patrões ou pessoas no qual nunca imaginaríamos que teríamos que lidar, nestas situações, saber onde pisar já é um grande avanço em nossa caminhada.
Nem sempre acertaremos, nem sempre estaremos em boas estradas, saber transitar nestes diferentes trajetos é um dos segredos para seguir aprendendo e crescendo conforme avançamos.
Hoje a estrada que eu percorro é mais tranquila, não por ser um caminho menos acidentado, mas por ter aprendido como andar nos diversos tipos de solo.
Lembre-se que, ou você encara seus problemas como desafios e cresce com eles, ou continua vendo como problemas e carrega o peso que um problema tem. Creio que tudo vai depender do quanto você está preparado para aprender, o quanto as dificuldades farão você conseguir pisar no lugares certos e prosseguir. Nem tudo é flores, contudo também nem tudo é caos, basta ajustarmos a nossa forma de ver e aprender a evoluir.
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HUMILDADE
“O orgulho é um veneno tão possante que envenena não só as virtudes, mas também os outros vícios” G. K. Chesterton (WIERSBE, 2011, p. 155)
Não gosto de gente que te olha de cima, que se coloca em um pedestal, como se ele fosse superior e os outros lacaios. Normalmente me mantenho longe destes, não é o tipo de pessoa no qual eu gasto minhas horas. A parte que eu acho complicada, contraditória e irreal, é quando eu encontro cristãos assim.
Eu não entendo cristãos orgulhosos, não consigo conceber como uma pessoa que serve a um Deus que se fez servo (Filipenses 2:7), possa ser orgulhoso. Eu sei que as vezes caímos na armadilha do orgulho, que o dinheiro e fama pode nos corromper e nos colocar em pedestais, conquanto, ao olharmos para a palavra, gastarmos tempo lendo e estudando, teríamos um bom choque de realidade, que faria com que voltássemos a humildade que o evangelho exige, pelo menos deveria ser assim. Conheço gente que tem problema com orgulho, e toma muito cuidado com isso, penso que este é o princípio que todo o cristão deveria ter que é a consciência de suas falhas, para que assim ele possa não cair em suas próprias dificuldades.
Eu antes tinha muita raiva de orgulhosos, não gostava do ar de superioridade e nem de ser tratado com desprezo. Conforme a vida foi passando eu passei a ter pena, direi por quê.
Primeiro porque o orgulhoso é cego, não percebe a sua própria condição. Por olhar os outros de cima, muitas vezes tropeça, por tratar alguns com frieza e superioridade, acaba por ser sozinho, ou cercado por iguais, que prezam mais por aparência do que por intimidade, vivência e amizade.
Entenda que somos totalmente dependentes um dos outros, quando nascemos precisamos dos pais para nos ajudar, prover alimentos, nos ensinar. Quando crescemos isso não muda, sem as pessoas, sem o padeiro, sem o funcionário ou os diversos profissionais, não temos as coisas, não desenvolvemos e nem conseguimos o básico. Somos totalmente dependentes um dos outros, o orgulhoso não entende isso.
Segundo porque sem humildade não aprendemos. A humildade é o princípio de tudo, entender que não sabemos tudo é o ponto de partida para seguirmos aprendendo. Só cresce quem entende as suas limitações, eu só posso evoluir, aprender e me desenvolver, quando sei meus pontos fracos, para daí em diante seguir buscando aprimoramento. Coisa que um orgulhoso ou uma pessoa que se considera o máximo, superior a tudo e todos, não consegue fazer.
A humildade é o cerne do evangelho, Jesus foi humilde e ensinou uma liderança servidora, que funciona de “baixo para cima”. Paulo e os apóstolos, idem. O cerne da mensagem é entender o quão pecador somos e do quanto precisamos de Deus, sendo que com o orgulho isso não é possível. Warren W. Wiersbe neste mesmo livro no qual tirei a citação de Chesterton complementa:
“Humildade é o solo do qual todas as outras virtudes cristãs podem crescer. As pessoas orgulhosas amam a si mesmas, não aos outros, e se prestam alguma atenção nos outros é apenas para os usar a fim de se promover” (WIERSBE, 2011, p. 155)
Não tenha dúvida que o orgulho é o melhor caminho para a ruína, pois além de não sermos melhores uns que outros, sozinhos não somos nada.
Quem é orgulhoso, quem se considera superior e acima dos outros, certamente não entendeu o evangelho, se ama mais do que ama os outros. Estar em comunhão com os irmãos depende do quanto somos humildes para aceitar que cada um tem suas dificuldades e assim conseguir amar e aceitar o próximo com mais humildade.
O orgulhoso não aceita muito este conceito e segue desdenhando, pensando mais do que ele é e alheio a todos. O grande problema é que brasa fora do fogo se apaga. Juntos somos sempre mais fortes e podemos como irmãos nos ajudar, nos suportar, nos apoiar. Sem contar que a solidão de cima dos pedestais deve ser grande, por isso, opto sempre por ser humilde, é uma vida menos solitária.
BIBLIOGRAFIA
WIERSBE, Warren, W. Jesus presente, Experimente a atualidade e o poder das declarações do Filho de Deus em sua vida, Editora Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro, 2011
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SÍNDROME DE ÍCARUS
Gosto muito da história de Ícarus, que era filho de Dédalo, um dos homens mais criativos de Atenas. Foram eles, segundo a mitologia grega, que construíram o labirinto do Minotauro. E um dia, acabaram sendo presos dentro do labirinto a pedido do rei Minos. Sendo que para sair resolvem construir asas com cera de abelhas e penas de gaivotas. O problema é que para que as asas não se desfizessem eles deviam voar um pouco abaixo do sol, para que as penas não derretessem, e um pouco acima do mar, para que as penas não molhassem. Mas Ícaro, por ter se impressionado com o sol, desobedeceu às ordens de seu pai, voou em direção do sol e acabou caindo.
Considero esta história muito verdadeira, afinal, quem nunca deu um passo maior que as pernas, ou se perdeu, tentando conseguir o seu lugar ao sol? Planos, projetos e frustrações parecem caminhar juntos não é? E antes de acertar, muitas vezes erramos bastante.
Penso que um dos grandes motivos é o imediatismo. Queremos o retorno o mais rápido possível das coisas, queremos um diploma, sem estudar, uma boa profissão sem se preparar, queremos solução imediata para os nossos problemas, mas este tipo de solução não existe. Tudo leva tempo, quem já fez uma faculdade sabe disto. É mais fácil “aproveitar a vida” fazer o que gostamos do que passar dias fazendo um trabalho acadêmico ou lendo um monte de livros, mas no fim compensa. O que vai definir o sucesso de nossa empreitada é a nossa maturidade e entender o significado desta palavra já são alguns bons caminhos andados.
A vida é uma escolha e toda a escolha tem perdas e ganhos. Se você escolher estudar, provavelmente vai deixar de sair e gastar dinheiro com outras coisas, ou de ir para casa descansar depois de um dia inteiro de trabalho, isso se você trabalha e estuda. Você sempre vai perder em qualquer tipo de escolha, pois não é possível termos tudo, o que vai definir nosso sucesso são as escolhas que realmente valem a pena.
Eu tive um amigo que era chefe em uma empresa multinacional, ele ganhava muito dinheiro e gastava quase todo ele viajando, conhecendo o país. Nunca quis estudar, comprar uma casa ou guardar um dinheiro para o futuro. Foi a escolha dele agir assim, opção bem imediatista, diga-se de passagem. O problema foi que depois de muitos anos a empresa fechou e ele nunca mais conseguiu o mesmo padrão de trabalho que ele tinha antigamente, pois todos os empregadores que o entrevistavam não entendiam como ele, ganhando o salário que ganhava, não havia feito uma faculdade. Este amigo tinha muita experiência em carteira, porém nenhum estudo. Acabou tendo que se contentar em trabalhar em um cargo mais baixo, com salário mais baixo ainda, por não ter se preparado. A vida é feita de escolhas, escolher bem define toda a nossa vida. O problema é que o bom caminho é quase sempre mais trabalhoso.
A síndrome de Ícarus nos faz querer sempre o imediato, a pegar caminhos mais rápidos para o sucesso, a usar fórmulas mirabolantes para se chegar lá, mas isso não existe. A boa empreitada é trabalhosa, leva tempo, não vem tão fácil assim.
Ter equilíbrio e pensar no caminho certo é o segredo de bons resultados, entender que muitas vezes o certo leva tempo, já é um passo dado para uma empreitada que dá resultados. O amigo que eu citei poderia ter feito tudo, viajado, estudado e se preparado, bastava se planejar um pouco, e equilibrar sua vontade de viajar.
Lembre-se que em todas as nossas escolhas vamos sempre perder e ganhar vence na vida quem aprende a perder menos, ou opta por coisas que traz mais resultados.
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A ODISSEIA DA DOR I: PROVOCAÇÕES
Fazer uma faculdade foi um dos meus grandes sonhos, sempre quis aprender mais teologia, ampliar meu conhecimento e aprender mais ferramentas para interpretar a Bíblia. O que eu nunca achei que aconteceria era que eu teria inúmeras dúvidas e incertezas em pleno final de curso.
Foi quase na conclusão do meu bacharelado em teologia que eu tive uma crise de fé das mais graves, não tenho medo de confessar. Eu passava por um complicado problema de saúde, estava também lidando com uma depressão muito profunda e ainda por cima me encontrava desempregado, sentindo tudo ruir a minha volta.
Você não sabe o quanto eu clamei a Deus, o quanto pedi ajuda, me sentindo entre uma oração e outra, abandonado, desprezado e sem esperança. É como se Deus tivesse me deixado à deriva, me abandonado à própria sorte ou talvez como se ele nem existisse e fosse o fruto da minha imaginação. Acredite, eu pensei muito nesta possibilidade.
Já se sentiu desamparado? Já se perguntou onde estava Deus enquanto o caos estava acontecendo? Já se sentiu sozinho entre as lutas? Tem dias que é quase impossível não pensar que Deus nos abandonou, eu mesmo já pensei algumas vezes, mas também aprendi muito com o meu momento de crise, o caos fez com que eu buscasse mais a Deus, procurasse respostas e aprendesse, sendo que neste texto em questão eu traço um pouco do caminho que percorri e as respostas que fui achando ao longo de todo o meu vazio.
Vale lembrar que o sofrimento é importante, ele deve ser uma espécie de trampolim que nos leva a Deus, a buscá-lo mais, a orar mais e a estudar mais a sua palavra. Tiago 1:2-3 diz:
“Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança”.
A provação produz em nós perseverança, faz com que busquemos mais a Deus e entendamos mais a sua palavra. Não podemos esquecer que Cristo já nos avisou que teríamos aflições (João 16:33).
Outro ponto importante que temos que ter em mente antes de embarcarmos em nossa reflexão é que todo o caos existe por causa do pecado, da desobediência do homem, do fato de que o homem se separa cada vez mais de Deus e por isso, acaba sempre no caos, ou sujeito a todo o caos do mundo. Está é uma verdade que precisamos entender e aceitar. Mas o sofrimento suscita mais algumas perguntas, deixam no ar algumas questões, começarei falando das primeiras respostas que eu achei, para terminar falando do ponto final que eu coloquei na questão Deus e o sofrimento.
Na época o sofrimento me levou até o livro de Jó, foi nele que eu achei alento para a minha vida. É claro que eu não passei nem um terço do que ele passou, mas o livro nos mostra que o justo sofre sim, mesmo sem dever nada. O livro também evidencia que nunca entenderemos os desígnios de Deus, nunca saberemos realmente a sua vontade, mas apesar de tudo, ele sempre estará conosco, sendo que no fim, o mal sempre acaba, é claro que acaba.
Contudo foi em Gênesis 37, lendo a história de José, que eu tive um certo alívio, a história dele me inspira a confiar em Deus, mesmo passando por dificuldades, a parte boa é que o texto nos mostra que apesar de todo os problemas, Deus sempre transforma o mal em bem. Com isso, tive algum alívio, mas continuei com algumas perguntas martelando a minha cabeça, entretanto estas duas passagens bíblicas foram fundamentais em minha busca por explicação, falarei delas depois em textos que virão mais adiante.
O sentimento de abandono é a primeira sensação que temos quando tudo está a ruir. Não entendemos porque tudo está dando errado, com isso, fazemos perguntas das mais variadas a Deus e tentamos até algumas barganhas, mas geralmente sem sucesso, pois afinal Deus não precisa provar o seu poder, lembre-se de que o diabo pediu provas a Cristo, quando o tentou no deserto (Mateus 4:1-11), mas Cristo não provou, pois quem é não precisa provar.
A pergunta que eu mais me fiz nestes dias é por que Deus parece se calar quando passamos por períodos de sofrimento? Por que parece que estamos sozinhos, abandonados ante o caos?
O Sofrimento e as inúmeras perguntas me levaram ao livro de C. S. Lewis chamado o problema do sofrimento, neste livro tive as primeiras e poucas palavras de consolo e algumas poucas respostas. Lewis é ótimo em lidar com o sofrimento, o panorama e a sua visão do porquê sofremos me ajudou muito na época, embora não tenha respondido a todos os meus questionamentos, por isso que eu não consegui encerrar a minha busca. Logo no segundo capítulo Lewis resume bem o problema do sofrimento, ele sintetiza tudo o que eu ouvi de diversos sofredores e um pouco do que eu mesmo estava passando:
“Se Deus fosse bom, Ele desejaria tornar Suas criaturas perfeitamente felizes, e se fosse todo-poderoso, seria capaz de fazer o que quisesse. Mas as criaturas não são felizes. Portanto, a Deus falta a bondade ou o poder – ou ambas as coisas” (LEWIS, 2006, pg. 33).
Acredite, eu já ouvi muito isso de amigos, doentes e sofredores em geral, e confesso que sempre me calei ante estes questionamentos, principalmente porque eu não tinha resposta nem para os meus problemas, quem dirá para o dos outros. A resposta para a questão não é tão complicada, se torna ainda mais fácil hoje, onde eu enxergo o sofrimento de uma forma bem mais tranquila, apesar de que eu continuo não achando fácil.
Deus é bom, mas não força, não obriga o homem a olhar para ele. Por termos liberdade de escolha, o tal livre-arbítrio, acabamos por escolher sempre o mal, já que somos contaminados pelo pecado, e seguimos sofrendo. Por Deus amar, ele não força, com isso, sofremos porque não olhamos para Deus, por seguirmos egoístas e mesquinhos. O sofrimento aponta para Deus e mostra quem somos sem ele, é só através do sofrimento que conseguimos sair da nossa vida alienada e ver além de nós. Eu gosto de uma citação de Lewis do livro “O grande abismo” que eu uso muito, ele resume bem o problema do sofrimento e sintetiza as primeiras respostas da minha busca por explicação:
Só existe um único ser bom, e esse é Deus. Tudo o mais é bom quando olha para Ele e mau quando se afasta d’Ele (LEWIS, 2006, pg. 70).
O homem sofre porque é primeiramente livre e depois por ser pecador, porque escolhe sempre se afastar de Deus e não percebe que não é nada sem ele, o quanto ele é mau e decaído sem Deus, o sofrimento é fruto destes homens maus.
O sofrimento aponta para Deus e mostra o que o homem é sem ele. Mas ele também nos tira da nossa zona de conforto, faz com que olhemos o próximo e aprendamos a nos dedicar mais a ajudar. Muitas coisas boas surgiram de quem sofreu ou viu alguém no qual amava muito, sofrer. É normal nos fecharmos em nós mesmos, o sofrimento faz com que olhamos para fora, que tenhamos outros olhos e outras atitudes.
Estas são as primeiras respostas, mas existem muitas perguntas, variáveis e casos que iremos ver no próximo capítulo, a minha busca não havia acabado, algumas respostas não são suficientes para quem sofre, por isso que este texto é só o primeiro.
BIBLIOGRAFIA
LEWIS, C. S, O Grande Abismo, Editora Vida, São Paulo, 2006.
LEWIS, C. S, O Problema do Sofrimento, Editora Vida, São Paulo, 2006.
Faça o download gratuito do livro: A odisseia da dor: Uma Jornada em meio à dor e à dúvida.
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ATALHOS – PHILIP YANCEY
“Ansiamos por atalhos. Mas os atalhos geralmente nos afastam do crescimento, não nos aproximam dele” (YANCEY, 2004, 220)
As pessoas não se cansam de procurar fórmulas mágicas para solucionar seus problemas, atalhos secretos que os ajudem arrumar suas más escolhas. Muitos ainda insistem em acreditar em soluções milagrosas, como se a vida cristã fosse feita apenas de milagres. Talvez seja por isso que religiões exploradoras tem surgido cada vez mais, usando o sistema de mérito a fim de ajudar o homem a conquistar suas “bênçãos”. No fim, se existe igreja assim é por conta da própria demanda.
O plano de ação destes estelionatários é perfeito, é tudo muito bem calculado, construído mesclando a verdade, mas de forma bem descontextualizada. Tudo começa com a afirmação “Deus é poderoso”, coisa muito verdadeira, mesclado com a verdade que “Deus não falha”, com isso a armadilha está pronta, enquanto bolsos se esvaziam almas gananciosas seguem fazendo barganha com Deus.
Deus é poderoso, e é evidente que ele nunca falha, no entanto nem sempre o que pedimos vem como imaginamos. A própria Bíblia diz que o que pedimos deve estar de acordo com a vontade dele (1 João 5:14), e a Bíblia também fala que as vezes pedimos e não recebemos por estarmos com a motivação errada (Tiago 4:3). Isso sem contar que Deus, quando nos atende, faz conforme a sua vontade, ele nos ajuda, mas de sua maneira, e não da nossa. Sendo que pode ser de uma forma natural ou milagrosa. Isso sempre vai depender de Deus e seu misterioso caminho. Entenda que a própria concepção da palavra milagre é:
Acontecimento extraordinário, incomum ou formidável que não pode ser explicado pelas leis naturais (Dicio)
Sendo ele uma exceção, algo fora do comum, e sabemos bem que em nossa vida, nem sempre Deus age de forma milagrosa. Na maioria das vezes o caminho é natural, através de pessoas, oportunidades ou médicos.
Com isso não quero afirmar que não acredito em milagres, pois eu acredito, creio com todas as minhas forças que Deus pode fazer de tudo, e da forma que bem entender, mas eu já vivi o evangelho o bastante para afirmar que Deus age assim poucas vezes.
Nem sempre o agir de Deus vem de forma milagrosa, mas sempre vem, eu acredito nisso. No fim o milagre é tudo, desde as coisas comuns, a vida, os amigos, os apoios que recebemos na caminhada, oportunidades e empregos, até os próprios milagres em si. Não acredito em atalhos, eu creio que muitas vezes Deus age de uma forma natural para nos ensinar, por isso que ele não pega atalhos.
Acredito que no fim a verdadeira prosperidade é saber administrar o nosso dinheiro, é ganhar pouco, mas fazer muito. Pois não adianta sermos prósperos e sermos maus administradores, gastando mais do que ganhamos. Conheço gente com bons salários que vivem na miséria, sempre em falta, e sei que uma boa parte destes esperam um milagre de Deus ou um atalho todo especial.
Penso que o milagre maior é aprender do que não precisamos, está é a verdadeira riqueza, além de ter em mente que não precisamos de milagres diários para crer em Deus.
É possível ganhar pouco e viver bem, aproveitando o hoje, fugindo de atalhos que não ensinam. Ser grato com o que temos é um milagre, viver o hoje, satisfeito com o que somos é o princípio do aprendizado, entendendo que aos poucos podemos chegar lá, e se não chegarmos, não nos frustraremos, pois estaremos vivendo satisfeitos com o que a Deus nos deu.
Quem sabe gastar de forma moderada é próspero, não se incomoda, não vive como que louco correndo atrás de dinheiro, sem paz. Aprenda que você não precisa de tudo, seja moderado e tenha autocontrole, este é um bom principio para viver bem, o resto é atalhos que não levam a lugar algum.
BIBLIOGRAFIA
YANCEY, Philip, Decepcionado com Deus, Três perguntas que ninguém ousa fazer, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2004
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AMBIGUIDADES
Dificilmente você vai me ver militando por uma causa, já vivi o suficiente para perceber que quando falamos de mundo, seres humanos e sistemas, sei bem que a maioria deles e de suas causas são problemáticas e ambíguas.
Um homem pode ser bom, mas nunca o suficiente, por mais que ele seja honesto e solidário, por ser um humano, falho e pecador, sempre haverá o outro lado, uma maldade escondida, uma atitude fora do padrão.
O mesmo eu digo dos sistemas políticos, por mais que surja um modelo perfeito e revolucionário, sempre haverá o outro lado. Quem não olha o mundo desta maneira, está fadado a uma opinião simplista, quando não é uma opinião cega, destituída da reflexão e extrema. Eu tenho medo de certezas justo por conta das ambiguidades e por constatar que uma boa parte dos que têm certezas são extremos, alheios ao diálogo. Não adianta, é difícil ter certeza por ser impossível termos uma opinião destituída de falhas. Edgar Morin e Patrick Viveret, no livro “Como viver em tempos de crise” resumem:
“Para entender o que acontece e o que vai acontecer no mundo, é preciso ser sensível à ambiguidade” (MORIN, VIVERET, p. 9)
O mundo é realmente complexo para o definirmos de forma coerente e sem medo, as pessoas, inclusive eu, são um tanto quanto alienadas, para terem certezas realmente assertivas, olhando o todo, avaliando por todas as direções e nuances.
As vezes achamos que estamos olhando o todo, mas não percebemos que existe um outro lado. Tem dias que deixamos as emoções nos guiarem sem nos atentarmos. Há períodos no qual não percebemos nossas injustiças às vezes até feitas em nome da justiça. O ser humano é ambíguo, um misto de bondade e maldade. Edgar Morin e Patrick Viveret complementam mais um pouco o tema, falando agora do pensador Pascal:
“Pascal tinha o senso da ambiguidade para ele, o ser humano traz em si o melhor e o pior” (MORIN, VIVERET, p. 10)
Somos este misto de melhor e de pior, podemos ser bons, mas por conta do pecado, a nossa bondade vai ser sempre contaminada, meio que misturada com o pecado.
Com isso em mente eu tento avaliar o mundo, tenho sempre um pé atrás com homens que se dizem salvadores e não confio em sistemas infalíveis, pois não existem. Com isso em mente eu também tomo cuidado com os meus impulsos, pois sei que por mais que eu tenha boa intenção, eu posso estar indo no caminho da injustiça. As vezes podemos achar que estamos olhando o todo, avaliando uma questão por todos os ângulos, sem perceber nossas contradições, sem ver que no fim nem estamos vendo a questão direito. Esteja certo de uma coisa, você não pode ter uma plena certeza, é impossível fecharmos uma questão, você não pode se permitir ter pontos de vista fechados, inerrantes.
Depois de muito estudar e ler, depois de dedicar horas aos livros e pesquisas, aprendi o quanto sou limitado, descobri o quão perigoso é a certeza. Não é que não devemos confiar ou que precisamos ser céticos para o resto da vida, e sim, que devemos entender que podemos estar errado, nunca exclua está possibilidade.
Somos seres ambíguos, com o melhor e o pior em nós, com isso, tenha tento, aprenda a ter um pé atrás, pois nunca se sabe qual lado está gritando mais alto.
Se você não crê que pode estar errado, há uma possibilidade de você não estar atento as suas ambiguidades.
BIBLIOGRAFIA
MORIN, Edgar, VIVERET, Patrick, Como viver em tempos de crise? Editora Bertrand Brasil, Rio de janeiro, 2015.
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O VERDADEIRO MILAGRE
Entenda que o tempo é sempre de Deus e nunca vamos entender porque às vezes tudo parece demorar. Só ele sabe e faz conforme lhe apraz, o que cabe a nós é seguir e confiar.
Entenda também que na maioria das vezes Deus não força a vida, não modifica o natural, nem abre um caminho “especial”. Nem sempre é com milagres que ele vai nos amparar, quase sempre o “milagre” é por um caminho normal, sem fogos de artifício ou peripécias mágicas.
Talvez o milagre maior seja suprir a nossa vida em meio à falta, nos alentar em meio a tempestade, enquanto naturalmente aguardamos o vendaval passar.
No fim o milagre maior seja aprendermos a seguir a sua vontade, crescermos com os tombos, mudarmos com as dificuldades, enquanto lá fora, de forma mais milagrosa ainda, o caos não nos trará mais medo.
Nem sempre conseguiremos identificar o que é um milagre, do que foi uma coincidência ou algo natural, mas quem conhece a Deus sabe que ele não nos deixa na mão.
Por fim, tudo vai depender da certeza, do quanto buscamos e do quanto se almeja a intimidade com o eterno. Pois quanto mais próximo, mais satisfeitos, quanto mais oramos, lemos e buscamos, por certo, teremos a certeza de que é ele que está a nos guiar, seja da forma que for. Usando meios milagrosos ou naturais, pois no fim tudo é dele e tudo dele vai continuar, nós somos apenas servos e como tais, sujeitos a sua vontade.
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A FORÇA DA DISCIPLINA
Descobri o poder da disciplina ainda criança, quando eu quis aprender a tocar bateria, mas ninguém quis me ensinar. Quem perderia tempo com uma criança? Ninguém quis perder, entretanto preferi ao invés de lamentar, persistir. Na vida ou você luta ou se entrega, vai do ponto de vista e do preço que cada um prefere pagar.
Na minha inocência de inexperiente, comecei a ver os bateristas tocarem e a imitar o movimento, e com muito empenho aprendi, assim, sem auxílio algum. É claro que depois vem muita gente ensinar, querendo ganhar os louros por ser professor de um jovem baterista, como eu nunca liguei, me aproveitei da boa vontade, mesmo que pouca, pois na maioria das vezes precisei correr atrás.
A música me ensinou a ter disciplina, a praticar sem desistir. Ninguém segura um amante, e como eu era um apaixonado pela música, consegui aprender, mesmo que pouco motivado.
Tudo vai de você achar o que mais gosta e sem demora traçar um plano, toda a disciplina começa com dedicação e muito tempo de empenho. Ou você aprende a se dedicar e a praticar muito ou você desiste ante o menor obstáculo, o hábito surge assim, com persistência e força. Aristóteles define o hábito usando uma citação do poeta e filósofo Eveno:
“O hábito, meu amigo, é tão somente uma longa prática. Que por fim faz-se natureza” (2001, p. 155)
Persista, jogue de lado o prazer de mergulhar na preguiça e inutilidade e mergulhe na prática, que aos poucos aquilo passa a fazer parte de você. A preguiça, o descaso, a falta de vontade é inerente ao ser humano, nós já temos de forma natural, não precisamos cultivar. Agora o estudo, a leitura, a prática isso temos que cultivar, ir contra nossos impulsos para que fique introjetado em nossa vida e é a única forma de sair do lugar.
Precisei também aprender a lidar com críticas, pois ninguém quis me ensinar a tocar, mas todos quiseram colocar algum defeito na forma que eu estava tocando. Foi importante ser inteligente e reter da crítica o que era bom, afinal, como eu disse, na maioria das vezes eu estive aprendendo sozinho, não tive ajuda, por isso, precisei das críticas, até das falas maldosas e invejosas, para assim tirar alguma lição. Ou você usa a cabeça ou segue batendo em tudo quanto é canto. Quando não temos um professor, precisamos usar os críticos, e eu usava, perguntava e tentava ouvir, nem sempre conseguia, pois alguns eram pedantes demais, mas quando conseguia eu aprendia.
Por fim, o mais óbvio que eu fazia era separar um tempo. Se você não aprende a parar para se dedicar, você não desenvolve. Ou paramos, nos concentramos, estudamos, ou seguimos sem nos desenvolver.
É um passo de cada vez, passos curtos, realistas, não é o tempo que conta, mas a qualidade do tempo separado. Não adianta você separar horas, mas não se concentrar no assunto, pouco tempo bem aproveitado é muito, que no mais, você automaticamente vai aumentando.
Estas lições que aprendi com a música, levei também para a vida acadêmica, o principio é o mesmo, o caminho do estudo é igual e com percalços parecidos. Quem trabalha e estuda sabe bem disso. Depois de um dia de trabalho você não quer ir estudar, o corpo prefere descansar e se jogar no vazio da inutilidade, se não persistimos nos entregamos.
A disciplina é uma força que precisa ser cultivada, principalmente se você quer ser relevante. Uma pessoa disciplinada consegue chegar lá, sejam quais forem as tribulações, por isso, não perca tempo e aprenda a ser disciplinado.
BIBLIOGRAFIA
Aristóteles, Ética a Nicômaco, Editora Martin Claret, São Paulo, 2001.
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EQUILÍBRIO – JOHN STOTT
“Comprometimento sem reflexão é fanatismo em ação; reflexão sem comprometimento é a paralisia de toda ação” (STOTT, 2012, p. 21, 29).
Talvez um dos maiores desafios do ser humano é ter equilíbrio, uma boa parte de nós, ou até quem sabe a maioria, não consegue se engajar em algo com o pé no chão, nem perceber as contradições e os pontos fracos de sua forma de pensar, religião ou partido político. Somos mestres em entrar em uma empreitada de forma cega, sem reflexão e coerência.
Com isso vemos cristãos alienados, que ouvem seus pastores sem questionar suas contradições. Ou engajados políticos que acreditam que os seus partidos são a solução para o Brasil. E tem até aqueles que acreditam que o seu modo de pensar é o mais coerente, enquanto todos estão errados, são burros e ignorantes.
Eu gosto sempre de frisar que ter equilíbrio não é tarefa fácil, é um desafio dos grandes, não é para qualquer um. Acreditar em algo, ou seguir algo, sem perceber os equívocos deste algo é uma atitude das mais normais. Principalmente quando temos boas experiências, fazemos boas amizades, ou encontramos a solução para o nosso problema neste determinado lugar. O homem é mestre em transformar experiências pessoais em regras, sejam cristãos ou qualquer outro tipo de pessoa.
Ter equilíbrio é como andar em uma corda bamba, é preciso conseguir dar os passos sem cair para qualquer um dos lados. Será totalmente fatal se um equilibrista se atrapalhar e cair, não importa o lado, a queda por si só já será letal, na vida não é muito diferente.
Comprometimento sem reflexão gera fanatismo, entrar em uma causa sem refletir, ponderar e verificar todas as variantes é perigoso e mortal para a fé. Lembre-se que o fanático é intolerante, ele não gosta de ouvir e muito menos de dialogar. Nós não podemos impor a nossa fé, muito menos fazer o outro engolir nosso ponto de vista a força, quem faz isso é fanático, é intolerante que acredita ser o dono da verdade. Entretanto, o oposto é também verdadeiro, já que estamos falando de equilíbrio.
Não adianta sabermos refletir, termos conhecimento e sabedoria, se não temos ação. Não adianta você ser um cara crítico, que sabe enxergar as contradições em todas as áreas, se você não faz nada, se não tem ação ou movimento.
Ser apático as coisas é estar do lado oposto de quem quer impor. O homem relevante, o cristão sábio, busca ter equilíbrio, tenta estar sempre no meio, se policiando, vendo suas contradições e agindo.
Lembre-se que não existe perfeição, com isso, você vai ter que aprender a conviver com algumas contradições a fim de que não penda para qualquer um dos lados. Quando falamos do ser humano, temos que ter em mente que a imperfeição é um dos pontos principais deste ser.
Certo dia encontrei um amigo que há muito tempo não via, ele era cristão, mas há anos que não ia mais à igreja. Ele me falou que não frequentava mais, pois tinha muita coisa errada na igreja. Eu concordei e completei falando que: “onde têm pessoas, têm equívocos, não dá para exigir perfeição de ninguém, pois somos todos imperfeitos”.
Aprenda a ter equilíbrio, entenda a importância de aprender a ser equilibrado e ponderado. Não dá para cair nos extremos, ainda mais se tratando de nós seres humanos.
Entenda o quanto somos limitados, o quando estamos propícios a erros e relaxe um pouco. Por mais que tenhamos a nossa fé, que temos as nossas certezas e verdades, podemos estar errados em muita coisa. Aprenda a dar espaço para a outra pessoa falar e crer entenda que não podemos forçar, temos que aceitar a liberdade que o outro tem de discordar e aprender a conviver com isso.
Não se esqueça também do outro lado, da estagnação, do fato de que saber refletir não é muito quando junto não vem a ação. Precisamos buscar um centro, encontrar um equilíbrio para não pender nem para um lado e nem para outro.
“Viver é andar na corda bamba, por isso, equilibre-se”.
BIBLIOGRAFIA
STOTT, John, Crer é também pensar, Editora ABU, São Paulo, 2012.
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CABELOS E LEGALISMOS
Um filho doente nunca é uma boa notícia, ainda mais uma criança, em um pleno estado fragilidade e simplicidade. Um pai nunca fica tranquilo diante dessa situação, coisa que aconteceu com uma amiga.
Sua filha estava muito doente e precisou ficar internada em um hospital público, e se já não bastava a própria doença, que sempre nos tira o controle fazendo com que sejamos reféns de terceiros, ela precisou ficar em um lugar sem tanta assistência e privacidade.
A parte boa de ter dinheiro é justamente ter um pouco de conforto, eu nunca liguei para o status que o dinheiro traz, acredito no dinheiro de forma utilitária, tentando sempre fazer com que ele cumpra a sua função, que é nos dar um pouco de sossego e tranquilidade. Sendo que no caso desta mãe, o dinheiro proporcionaria a ela acesso a um hospital particular, com quartos privativos e um pouco mais de tranquilidade, coisa que ela não teve, infelizmente.
Por fim, lhe restou apenas a falta, por Deus, pelo menos o hospital público lhe era possível, pelo menos a certeza que a doença iria ser tratada era certa, mesmo que sem o conforto de um hospital particular.
Esta mãe era cristã, de uma igreja que tinha alguns usos e costumes, e um dos principais era não cortar o cabelo. Por conta disso, esta mulher tinha um cabelo que ficava abaixo da cintura, diante do fato, uma ideia lhe surgiu, vender o cabelo.
O dinheiro oferecido foi grande, um valor que ajudaria esta mãe a cuidar de sua filha, e ainda ter algum conforto, além de suprir gastos eventuais de remédios e coisas básicas. A solução lhe pareceu óbvia e sem titubear, ela cortou o cabelo. Até aqui a história é uma história um tanto quanto normal, com um ótimo fundo de superação e final feliz, se não fosse pelo pastor de sua igreja.
O pastor não gostou do seu corte de cabelo, acabou por condenar-lhe e de quebra, expulsou aquela mãe da igreja, afirmando que a sua atitude foi pecaminosa e mundana.
Infelizmente, a história é verídica, não bastou a doença, a mãe teve que lidar com esta situação, coisa que fez de um modo sábio, visto que, ela não culpou Deus e seguiu com sua fé em outra igreja. O problema é que os casos são muitos e nem todos têm a garra que esta mãe teve, com isso, alguns acabam por transferir para Deus a culpa que não é dele, ou seguem a margem da mesma religião que deveria ajudá-la.
O legalismo não produz frutos, o resultado principal é sempre podre a mal formado. Não existe resultado coerente e construtivo em quem vive o evangelho de forma pedante e sem amor. O legalismo é fruto de
mentes hipócritas, de quem vive uma vida de orgulho e soberba. Sabe-se muito de
quem não demora em julgar. A conclusão para quem não ama o próximo e demora em
ajudá-lo é que “estas pessoas não conhecem o evangelho”.Cristo pregou a mensagem da graça, sendo que a graça não é apenas a prova que por meio das nossas obras, não pode haver salvação, mas também a prova que somos todos iguais. O homem é pecador, todos os homens precisam de Deus.
O evangelho legalista vem de mentes que acreditam ser superiores, de pastores que olham de cima e se sentem os escolhidos, os mais santos, os especiais. Miroslav Volf complementa:
“Para os cristãos, a fé produz efeitos devastadores quando se deteriora e se torna uma mera cultura pessoal ou um recurso cultural de pessoas cuja vida se guia por qualquer outra coisa exceto essa fé” (VOLF, 2018, p. 40).
No fim, o que concluímos é que alguns vivem o “evangelho” dos usos e costumes, se prendem a ensinos que são passados sem qualquer base Bíblica, fazendo com que o legalismo, oriundo de uma vida baseada em obras, seja o que realmente dita o modo de ser cristão.
O evangelho genuíno traz amor, compreensão e paciência pelo erro alheio. Um convertido genuíno entende que cada um tem os seus erros, cabe a nós sermos apoios, e não acusação. Não se trata de compactuar com o erro e sim, ajudar as pessoas superarem suas dificuldades.
Não somos salvos por obras, roupas ou o que quer que seja e sim, pela graça. Sendo que não existe um estilo de se vestir, mas uma forma de ser, tendo o evangelho como centro das nossas vidas. O que passa disso geralmente é legalismo, por isso, tome cuidado.
BIBLIOGRAFIA
VOLF, Miroslav. Uma fé pública: Como o cristão pode contribuir para o bem comum. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2018.
