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MISSÃO URBANA IV: VIDA EM SOCIEDADE
Engana-se quem acha que a cidade é uma invenção nova, ao contrário, é muito antiga, sendo que já naquela época existiam cidades relativamente grandes. Alguns pesquisadores afirmarão que a Babilônia há 2500 a. C, teve cerca de 80 mil pessoas, e a Ur na Mesopotâmia 50 mil pessoas, sendo que um pouco depois surgiu Mênfis e Tebas no Egito, e muitas outras cidades, fazendo parte do que é chamado de civilizações hidráulicas, que eram cidades dependentes dos rios. Nínive, aquela cidade no qual Deus mandou Jonas pregar, é um bom exemplo destas civilizações hidráulicas. A tal cidade era localizada as margens do Rio Tigre na antiga Assíria. A parte interessante é que em Jonas 3:3 o texto bíblico diz que a cidade era tão grande que uma pessoa levava três dias para atravessar.
Com o tempo, surgiu cidades ainda maiores como Atenas com 250 mil pessoas e Roma que chegou a ter mais de 1 milhão de habitantes, permanecendo por séculos como a única cidade a chegar neste tamanho. O interessante é que muitas destas cidades são citadas na Bíblia, conquanto a Bíblia situa a primeira cidade surgida muitos anos antes, vinda do próprio Caim, como vimos.
É importante lembrar que desde que o mundo é mundo, o homem vive em sociedade. Chesterton no livro O homem eterno defende o ponto de vista que desde que o mundo é mundo o homem vive em grupos, pelo menos algum tipo de sociedade, sendo que grandes impérios como o egípcio e o babilônico são prova disso, já que eram muito antigos:
“A aurora da história revela uma humanidade já civilizada. Talvez revele uma civilização já velha. E, entre outras coisas mais importantes, revela a insensatez da maioria das generalizações acerca do período prévio e desconhecido quando a humanidade era realmente jovem” (CHESTERTON, 2010, pg. 59).
Falando em grupos e sociedade, eu lembro que alguns teólogos defenderão a ideia de que ter a imagem e semelhança de Deus é justamente ter a necessidade de viver em comunidade, assim como Deus é uma comunidade, um em três.
Durante a idade média, as pessoas viviam em feudos, era impossível viver fora deles por conta de toda a violência que existia no lado externo. A parte ruim é que era uma sociedade bem restrita, uma vez pertencendo a um feudo, você não mudava mais. Sendo que basicamente um feudo era dividido em clero, nobreza e campesinato.
O clero estava no topo de tudo, sendo que estes tinham grande influência junto aos reis e proprietários de terra, além de deterem o poder da leitura e da escrita, que era um privilégio que poucos tinham. Logo depois vinha a nobreza que possuíam as terras e controlavam os feudos. E depois vinham os camponeses que viviam uma vida bem dura, em um regime de total servidão.
Além destes a sociedade medieval também tinha os escravos, que não eram tantos e em sua maioria faziam os trabalhos domésticos, e os vilões, que eram basicamente camponeses livres que serviam aos senhores por um tempo e depois iam embora para outros lugares, sendo que eles tinham uma vida totalmente livre. Lembrem-se que vilão não é só aquele personagem mal de um filme ou novela, mas também, segundo o dicionário:
“Aquele que não é nobre; desprovido de nobreza; plebeu” (Dicio).
Lembrando que na época onde a igreja tinha muita influência, ir contra a exploração e desigualdade era uma afronta a vontade de Deus, no fim vemos como a igreja colaborava com este regime de exploração.
A transição deste tipo de sociedade feudal para a capitalista veio através da Idade Moderna, que segundo a história é um período entre os séculos XV e XVIII.
Eram os europeus que se denominavam de modernos, e o período marcou como uma espécie de ruptura com a Idade Média. É claro que o feudalismo não acabou de uma hora para outra, foi um processo bem demorado, mas a Idade Moderna marcou o inicio deste processo.
A principal marca deste período foi no âmbito econômico, científico, social e religioso, que deu um certo rumo para o que chamamos de capitalismo e os principais acontecimentos foram: As grandes navegações, o renascimento, as reformas seja a Reforma Protestante (1517), A Reforma Calvinista (1541) ou a Reforma Anglicana (1534), o absolutismo, O iluminismo e a Revolução Francesa, que foi impulsionado pela burguesia, tendo como participantes principais, os pobres, camponeses as grandes massas que viviam na miséria.
É aqui que o pensamento muda, que a igreja é confrontada, que as teorias surgem e o homem começa a acreditar que consegue solucionar tudo por si só. A ciência era a grande esperança, a razão a única bússola, e o homem o senhor de si.
Este é o pano de fundo para um período muito importante que é a Revolução Industrial. É fundamental entendermos para entender a revolução e toda a mudança que a cidade teve. A Missão Urbana depende que entendamos este momento, para quando olharmos a cidade percebamos como funciona a dinâmica e o que temos que fazer para sermos diferença.
BIBLIOGRAFIA
CHESTERTON, G. K, O homem eterno, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2010.
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OS TRÊS PILATES DA BOA DISCUSSÃO
Já ouvi de professores que debates são importantes, faz com que revisitemos a nossa opinião, que troquemos experiências e aprendamos mais. Mas o ponto principal do debate, segundo estes professores, é que é através do debate que conseguimos verificar se a nossa argumentação é boa ou se estamos errados.
Existem inúmeros problemas com esta forma de pensar, o principal deles é que nem sempre quem fala bem, tem bons argumentos, por isso, podemos estar debatendo com pessoas que só sabem falar bem e tem como principal objetivo ganhar o debate. Este tipo de pessoa não acrescenta, não nos faz refletir em cima de nossa opinião, com isso, fico em dúvida se vale a pena entrar em uma empreitada destas ou não. Quem sabe se conhecermos a pessoa sim, caso contrário, é impossível termos certeza se tal momento é bom ou ruim, mas este ainda não é o principal motivo no qual ou não gosto muito de debates, meu motivo está em cima da falta do que eu chamo de “os três pilares do bom debate”. Geralmente eu só entro em discussão quando tenho certeza que estes pilares existem.
O primeiro pilar é a argumentação embasada. Está é a parte importante da conversa, é a base do meu ponto de vista. Um bom acadêmico ou profissional, forma sua opinião partindo de fatos, estudos, bibliografias, análises amplas, ele verifica os fatos de todos os ângulos e opiniões sólidas. Ele estuda, aprende e reflete sobre tudo, sendo que, o resultado vai ser a boa opinião. Dependendo do assunto em uma conversa ou debate, eu até cito alguns livros para embasar o meu pensamento. Gosto de ensinar e incentivar as pessoas a ler, com isso, eu não consigo deixar de citar bons autores.
Se eu não entendo do assunto eu me calo, posso até dar as minhas percepções, mas não insisto em discutir e opto por ouvir. Se eu não sei, eu não sei, é perda de tempo falar do que não sabemos e se a pessoa sabe, o inteligente é ouvir e aprender, sendo que na dúvida, pesquiso depois.
O segundo pilar é o ouvinte. E esta é a parte que me faz entrar ou não em debates, sendo que este pilar tem várias variantes. Se você está conversando com alguém que não te ouve, você só estará jogando conversa fora, e se ele tiver a intenção de apenas ganhar o debate pior ainda, você vai só perder tempo, pois o ouvinte vai fazer de tudo para estar certo, até apelar no debate, sendo que estas são as primeiras variantes.
A segunda variante do ouvinte é o fato dele não dominar o assunto, aí você vai ter um problemão, pois vai ter que explicar de forma detalhada o assunto para ele te entender, isso se entender. A terceira variante é se ele acha que entende do assunto, aí o caos está armado, pois você vai estar falando com alguém que tem como base apenas o que ele acha e não no que ele se informou, com isso, ele poderá pegar o seu ponto de vista embasado e distorcer, o que é um problema.
Veja bem, ensinar é uma troca, sendo que, quem aprende deve estar aberto a aprender, refletir e chegar a um denominador comum, em um debate, dificilmente existe este espírito. Geralmente, quando eu emito a minha opinião eu espero para ver a reação da pessoa, dependendo de como ela recebe a opinião, eu não perco mais tempo.
Eu gosto de ouvir, acho lindo pessoas que sabem do que estão falando, tento sempre respeitar a opinião alheia, mesmo que diferente da minha e convivo com o diferente numa boa. Nem todos com que eu debato ou troco opiniões, concordam comigo ou eu com ele, mas na maioria das vezes nós não apelamos e sabemos como lidar com a opinião oposta, este é o segredo, estes são os que valem a pena debater e conversar, pois existe base a respeito em suas argumentações.
O terceiro pilar é a intenção. Se o motivo do debate é apenas medir ego, estar certo ou ganhar, o debate já está perdido. Sendo que uma boa parte das discussões tem como base este motivo, por isso, ao menor sinal de ego, eu fujo, não perco o meu tempo mesmo. Não gosto de medir ego, gosto de pensar, trocar informações, entender o porquê a pessoa pensa da maneira que pensa e refletir. Ganhar uma discussão é sempre pouco.
Eu já me calei diante de assuntos que eu entendia, tudo e porque o argumentador não gostava de ouvir. Mas eu também já tive boas conversas, onde o respeito pela pessoa só aumentou.
O oposto é também muito verdadeiro, se a nossa intenção for só ganhar, mostrar que sabemos, é melhor nos calarmos. É um tempo perdido querer nos mostrar só para rebaixar alguém ou mostrar que somos superiores. Cada um tem suas limitações, ninguém sabe de tudo, com isso, o respeito é importante a fim de sermos relevantes.
Um dia eu estava falando de um assunto dentro da minha área de estudo com um amigo. A minha opinião era totalmente contrária a dele, mas ao final da minha argumentação ele falou, cara eu discordo de você, mas também não vou conseguir te responder. Eu já li muito, mas não consigo argumentar. Na mesma hora eu me calei e respeitei aquela opinião sincera. Ele prometeu pensar no assunto e estudar mais ainda para um dia conversar comigo, e eu assenti calado respeitando a limitação que todos nós temos.
Respeito, é esta a base de toda a conversa, quando ele não existe, esqueça de debates. Lembre-se que é uma atitude totalmente infantil querer impor ideias, mesmo que elas sejam ótimas, revolucionárias. O caminho é sempre expor, aprender, dialogar e conviver com a opinião contrária. Por isso, antes de entrar em um debate verifique se existem os três pilares da boa discussão, para que assim, você não se incomode e perca o seu tempo com quem quer apenas impor suas ideias a qualquer custo.
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VALORIZE-SE
“Se você não é valorizado, valorize-se”
Eu sou uma pessoa que está sempre incentivando o próximo a ler e a estudar. Eu sempre acreditei que buscar o hábito da leitura e do estudo é importante para sermos mais conscientes e termos um pensamento mais acurado, além é claro, para termos mais oportunidades, com isso, eu me lembro de um acontecimento.
Em uma antiga empresa no qual trabalhei, incentivei um colega de trabalho a estudar, falei para ele de diversas oportunidades que existia para estudar e buscar conhecimento. No entanto ao invés de se animar o cidadão responde que prefere não estudar, pois na empresa ele não era valorizado, não adiantava ele estudar. Já ouvi isso de muitos e a minha tréplica foi justamente “Por isso mesmo que você deve estudar”.
Alguns esperam ser valorizados em seus locais de trabalho e simplesmente desistem quando isso não acontece. O que eles não enxergam é que quando não somos valorizados, precisamos buscar ferramentas para que a nossa situação mude, seja na própria empresa ou em outra.
Muitos querem ser valorizados, mas não se preparam para isso. Querem mudar de vida, sem fazer coisa alguma. Querem crescer, mas se mantém fazendo as mesmas coisas.
Se neste momento você está reclamando que ninguém te valoriza, se valorize, busque ferramentas para crescer e mudar de vida. Gosto de uma frase, que já vi sendo atribuída a muita gente, por conta disso não sei ao certo de quem é:
“Insanidade é fazer a mesma coisa e esperar resultados diferentes”
Por isso olhe para frente, busque outros caminhos, sonhe planeje e tente sair do mesmo, pois se você não tomar o primeiro passo, ninguém vai tomar por você.
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TEIMOSIA OU DETERMINAÇÃO – ANA CLAUDIA QUINTANA ARANTES
“Teimosia ou determinação dizem respeito à mesma energia, mas são identificadas somente no fim da história. Se deu errado, era teimosia. Se deus certo, era determinação” (ARANTES, 2019, 44).
Quem me conhece sabe que eu não desisto fácil de algo, sou bem consciente de que o que vale a pena não vem fácil, é preciso lutar, se aperfeiçoar, e persistir. A própria história nos mostra isso, foram inúmeros cientistas, pensadores ou escritores que precisaram insistir e ouvir muitos “nãos”, antes de conseguir sucesso em seus objetivos. Aparte interessante é que são muitos os que insistiram, mas que deram errado, o que faz com que o assunto “teimosia ou determinação” fique interessante.
Eu sempre me preocupei ao entrar em alguma empreitada, em não estar sendo teimoso, em não confundir teimosia com determinação, nunca gostei de quebrar a cara ou ver tudo dar errado. O curioso é que não existe formula e a dúvida acaba colaborando para que insistamos no erro ou até persistamos, conseguindo chegar ao sucesso no objetivo.
Há muito tempo atrás, quando eu estava entrando na música, eu tinha o sonho de ter uma banda. O problema era que eu era um músico iniciante que queria tocar um estilo musical que exigia que eu já tivesse certa técnica. Uma boa parte dos meus amigos falaram que eu não iria conseguir, mas consegui. Posteriormente passei por uma situação parecida quando montei uma banda e também a maioria dos amigos me falaram que não iria dar certo, mas deu, gravei dois CDs e toquei por muitos lugares no Brasil, não fiquei famoso mundialmente, mas na cena do estilo musical, fomos conhecidos.
Hoje sou músico e uso a mesma força de correr atrás, estudar e me dedicar, também em minha vida acadêmica. A banda serviu para que eu aprendesse a me dedicar e entendesse que certas coisas demandam tempo e estudo, mas poderia ter dado tudo errado, não acha?
O problema é que não fazer por medo de perder é perder duas vezes, pois com certeza em alguns casos, você vai ter que conviver com o sentimento de que você poderia ter tentado e até conseguido.
Eu diria nestes complicados casos, que antes de você embarcar em algo, sendo ele uma empreitada que você sabe que vai dar resultado ou não, pare e tente entender o que vai perder, analise bem o que você está disposto a sacrificar se não conseguir. Você se frustra menos ao entrar em algo com o pé no chão. Eu também diria para você não nutrir tanta expectativa, às vezes você pode até conseguir, mas não da forma que você tinha imaginado, com isso você chega lá, embora um tanto quanto distante de onde planejou.
Quando eu resolvi me empenhar em estudar música eu sabia que o máximo que eu iria perder era tempo e a tristeza de não ter conseguido. Não investi um dinheiro alto, não arrisquei trabalho, nem fiz escolhas que fizesse com que eu ficasse em maus lençóis, era só tempo e tempo perdido com aprendizado é sempre tempo ganho, mesmo que o aprendizado fosse saber que eu não levava jeito para tal coisa, por isso resolvi encarar o projeto. Já embarquei em coisas que eu iria perder muito mais que tempo e resolvi arriscar consciente, tudo vai depender de como você encara a situação. Warren Buffett tem uma frase que eu acho que ajuda muito e resume bem o caso:
“Nunca teste a profundidade do rio com os dois pés”.
Tenha sempre o pé no chão e cuidado ao apostar tudo. Sempre entre consciente do quanto você pode perder para não se frustrar e aceite o resultado.
BIBLIOGRAFIA
ARANTES, Ana Claudia Quintana, A morte é um dia que vale a pena viver, E um excelente motivo para se buscar um novo olhar para a vida, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2019.
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REFLEXO
Algumas mulheres afirmam que conseguem fazer mais de uma atividade ao mesmo tempo e se gabam disso. Realmente, concordo com o fato das mulheres serem excepcionais ao ponto de conseguirem fazer mais de uma atividade ao mesmo tempo, mas tal efeito, como é descrito normalmente pelas mulheres não é possível. A ciência vai explicar que o que as mulheres têm, em sua maioria, é a capacidade de mudar de foco muito rápido, com isso, conseguem fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo.
Foco é uma prática muito importante, sem foco não fazemos muita coisa e seguimos perdidos, sem objetivos. Conquanto o oposto é também verdadeiro, não podemos viver a vida olhando só para nós, nossas coisas, nossos sonhos, nosso caminho. Se imitamos a Cristo, também precisamos olhar para o próximo, suas necessidades, faltas e urgências e não só para nós.
Trabalhei muito tempo em um lugar que tinha um vidro bem grande e espelhado que dava para uma calçada um pouco movimentada. Era curioso sentar e observar as pessoas passarem e gastar tempo vendo seu reflexo no vidro. Alguns faziam caras e bocas, outros, verificavam o visual ou a maquiagem, e tinha até os engraçadinhos que faziam caretas no vidro, era realmente hilário. O que eles não percebiam era que eu estava atrás do vidro observando e algumas vezes dando muitas risadas.
A vida não é muito diferente disso, se focarmos muito em nós, deixamos de ver o outro logo atrás do vidro, não percebemos que estamos passando vergonha. Se focarmos apenas em nossos objetivos deixamos passar batido aqueles que precisam de atenção, um cuidado ou uma palavra amiga, e aos poucos, a missão que Cristo nos deu vai por água abaixo.
O fato curioso sobre este vidro é que se você deixar de prestar atenção na sua imagem e focar bem no vidro, você enxerga quem está atrás do vidro (neste caso seria eu), a ironia é que quase ninguém fazia isso.
Viva seus sonhos, observe você, faça planos, mas a vida cristã deve ser vivida também tendo o próximo em mente. Não vivemos sozinhos e se imitamos Jesus, devemos, assim como ele fez, também olhar para quem está em nossa volta.
Quem fica olhando muito para si e só pensa em seus planos, está longe de ser um imitador de Cristo. Por isso aprenda a deixar de focar apenas na sua imagem e tente ver quem está em sua frente.
Quando você deixa de focalizar apenas em si e em suas necessidades, você vai aprender a ser mais humano, a ter mais empatia e vai estar mais perto de ser um imitador de Cristo.
Lembre-se, nós estamos sempre sendo observados, percebemos isso quando deixamos de ver apenas o nosso reflexo e passamos a ver quem está do outro lado precisando de ajuda.
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A DIFÍCIL ARTE DE OLHAR O PRÓXIMO
Aprendi a olhar os outros, como quem olha para si, para os seus defeitos, dificuldades e qualidades. Eu não sou perfeito, ao contrário, o que mais me sobra são os defeitos e é bem por este motivo que eu tento ver os outros como vejo a mim. Um misto de maldade e bondade, qualidades e falhas.
É interessante quando algumas vezes olharmos para trás e vemos quem éramos e o que somos hoje. Quando eu me lembro de algumas das minhas histórias, erros e equívocos e como eu lidava com estes acontecimentos, eu rio muito, isso quando não me envergonho. Por isso, acho difícil não olhar para os outros e ver um pouquinho de mim, principalmente em casos de inconsequências e teimosias, eu fui assim, é impossível não me sentir empático.
As vezes acredito que o cara chato, insistente e tagarela pode ser apenas um carente, ou uma pobre alma tentando ser entendida em meio as suas dificuldades, tal qual eu fui.
E o workaholic, talvez seja apenas um cara vazio, que busca em seu trabalho a fuga de uma vida sem sentido. Ou pior, que acredita que o sentido da sua vida é trabalhar. Quem sabe, aquele cara teimoso, que não dá espaço algum de diálogo seja apenas alguém que apanhou muito e não soube lidar com as dificuldades.
Entender o próximo e suas maneiras é dar uma chance para si por tabela, tendo em mente que nem sempre somos os descolados que imaginamos ser, nem os mais motivados e estabilizados, e nem sempre perceberemos se estamos trilhando o caminho certo.
O tempo passa não se esqueça disso, hoje você pode ser jovem, mas amanhã não mais será. Hoje você pode estar bem, mas amanhã pode estar lidando com algo inesperado. É a lei da vida, sendo que as vezes depois da meia noite, quase sempre a carruagem vira abóbora e o nosso encanto se vai. O tempo é assim, um conto de fadas mal contado, sendo que é ante o cansaço da vida que vem a solidão e a percepção de que o tempo segue e quase tudo muda.
A arte de olhar o próximo é complicada, pois não existe receita, é na tentativa e erro, mais erro do que boas tentativas, sendo que no afã de acertar muitas vezes erramos. Olhar o próximo como único é quase impossível, pois vemos os
outros a partir de nós e nossas experiências, e aí é que está o problema.Ninguém sabe o quanto o sapato aperta, só calçando para ter certeza. Tem dias que o outro vai devagar por conta do caminho, que para nós é um tanto quanto fácil e tem momentos que somos criticados por algo tão comum no ponto de vista da pessoa, que somos ridicularizados por sermos fracos. O problema dos outros é sempre fácil de resolver, o problema nosso que é o desafio.
Por isso digo que ao olhar o próximo, tente entender a partir dele, de suas quedas e dificuldades, trate a dor dos outros como você queria que a sua fosse tratada, afinal, cada um luta a sua luta, e por isso, cada um sabe o quando a estrada é difícil.
Não menospreze ninguém na caminhada, cada um tem seu ritmo, tem suas pedras e a sua estrada.
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PRECIOSO TEMPO
“Entenda que o tempo é tudo o que você
tem, por isso não desperdice”Quando novos, costumávamos viver sem nos preocuparmos com o tempo, como se fôssemos eternos, como se o tempo não tivesse fim. Mas quando chegamos a uma certa idade, começamos a perceber que o tempo não é o nosso amigo, aliás, ao contrário, o tempo é o nosso maior problema, pois não temos de sobra para gastá-lo.
O curioso é que somente quando não temos mais tanto tempo é que percebemos quanto
tempo perdemos. Quando já estamos mais velhos é que notamos que poderíamos ter
agido de forma mais assertiva. É com uma certa idade que percebemos quanto
tempo desperdiçamos.Entenda que o que temos é apenas o tempo, um finito tempo, e para tudo o que fazemos, precisamos entender que o que gastamos é somente ele. Por isso, não trabalhe tanto assim, aprenda a ter outras atividades. Ou não pense que a vida é só ficar no sofá. Trabalhar e estudar deve também fazer parte da vida de quem quer crescer e se desenvolver, contudo, se desligar, aproveitar o dia com quem amamos ou procurar de vez em quando o ócio criativo é um bom caminho para quem não quer seguir neurótico.
Tempo é a única coisa que temos, por isso, não desperdice agindo como se você fosse
eterno. Tenha equilíbrio, a vida não é só estudar, descansar e também
não é só trabalhar.O tempo é a nossa verdadeira moeda corrente, com isso, pense bem como tem
trilhado seu caminho, procure o equilíbrio e viva como se não fosse eterno,
para que assim, cada instante tenha muito mais valor. -
REFLEXÕES SOBRE UM PRÓDIGO IV: O IRMÃO MAIS VELHO
“Mas ele se indignou, e não queria entrar…” (Referência: Lucas 15:11-32) (ARC).
Antes de estudar esta passagem do filho pródigo, eu nunca havia me atentado para uma coisa: “E o irmão, onde estava enquanto tudo acontecia?”
O irmão mais velho, na cultura judaica, era o sucessor do pai, o que seria o patriarca da família quando este morresse, como vimos no primeiro texto. É por esse motivo que o irmão mais velho ganhava uma parte maior da herança, além, é claro, de ser uma forma de manter na família as suas posses.
Aquele irmão mais velho sabia o que o seu pai estava passando, mas se calou. A atitude dele deveria ter sido diferente, ainda mais que ele seria o sucessor de tudo. A ação lógica deste sucessor deveria ter sido a de proteger a honra de seu pai, coisa que ele não fez.
Provavelmente, aquela família vivia em um local onde existia uma pequena comunidade, era uma cidade tipo cidade de interior, onde todo mundo devia se conhecer e saber da vida de todo mundo. E o texto fala também que aquele pai tinha muitos empregados (v. 19). O filho mais novo, como vimos, estava envergonhando aquele pai perante todas estas pessoas, e o primogênito ignorava, não interveio e nem tomou atitude alguma, deixou o seu pai se virar perante aquela rebelião, nem ligou para o seu irmão mais novo.
Se o pecado do filho mais novo foi virar as costas para a cultura, a família e para o seu pai, o pecado do mais velho era o da omissão, o de não ligar para seu pai e de não protegê-lo. Na verdade, se pensarmos bem, os dois irmãos não amavam o seu pai, nenhum dos dois o respeitava a ponto de querer o bem dele, no fim, os dois eram egoístas e só pensavam em si (MACARTHUR, 2009, p. 77).
A parte curiosa do texto é o versículo 29, quando o filho mais velho diz que ele trabalhava como um escravo. Era assim que aquele filho via o seu pai, um tirano, um senhor de escravos.
A parábola do filho pródigo é uma grande metáfora que fala da graça. O pródigo são os pecadores que se arrependem, o Pai é Deus, o Deus de amor que recebe seus filhos arrependidos e os perdoa, e o filho mais velho, são os fariseus hipócritas.
“Essa é, portanto, a lição culminante e central da parábola: Jesus está indicando o contraste violento entre a alegria de Deus na redenção dos pecadores e a hostilidade inflexível dos fariseus em relação a esses mesmos pecadores” (MACARTHUR, 2009, p. 16).
A graça de Deus é um escândalo, não eram só os fariseus que não entendiam, muitos hoje também não entendem. Deus é como aquele pai que não demora em receber um pecador arrependido, a parábola enfatiza justamente isso, como Deus recebe os seus.
Para o irmão mais velho, assim como para os fariseus, receber um irmão arrependido sem antes punir era uma loucura. O curioso era que aquele irmão nem percebeu que ele observou seu pai sofrer com o pródigo desobediente e nem fez algo a fim de ajudar.
A realidade é esta, o homem não enxergava a trave em seu olho, mas queria tirar a trave do próximo. Era isso que o irmão, os fariseus e muitas vezes nós fazemos.
No fim, a parábola não fala só de um pródigo e nem só de um irmão mais velho indignado com seu pai, mas de todos nós. A mensagem é uma explicação do amor de Deus e de sua incompreensível graça.
Devemos perdoar, porque todos erramos, devemos amar, pois só Deus realmente ama, fazemos o bem porque ele fez primeiro, sendo que ser cristão é principalmente ter a consciência de quem realmente somos.
BIBLIOGRAFIA
MACARTHUR, John. A parábola do filho pródigo: Uma análise completa da história mais importante que Jesus contou. Rio de Janeiro: Editora Thomas Nelson, 2016.
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INSPIRAÇÃO
Sempre gostei de escrever, mas por anos, fui um daqueles que apenas escrevia quando estava inspirado. Com isso, existiam épocas no qual eu ficava sem escrever, não tinha jeito.
Por conta do blog e do fato de querer manter uma regularidade nas postagens, tive que buscar saídas para solucionar a falta de textos para quando eu não estivesse inspirado. Sendo que uma das saídas mais óbvias foi ter uma reserva para estas ocasiões, com isso, precisei começar a escrever como louco, buscando assim construir tal reserva e foi em meio a esta empreitada louca que eu descobri algumas lições importantes.
A primeira grande lição foi começar. Parece algo bobo, mas não é, aprender a começar é uma das lições que mais temos que cultivar e a que menos praticamos. Sempre estamos esperando a hora certa, o momento propício, a hora em que o vento vai soprar uma motivação adequada. A grande questão, para quem vive nestes dias hiperconectados, é que temos estímulos demais e a toda hora, com isso, começar se torna uma missão quase impossível, por isso aprenda a começar. Tenha foco e entenda aonde você quer chegar. Saber aonde se quer chegar já é um meio caminho andado para termos motivação e não cedermos aos estímulos externos.
A segunda grande lição foi entender que muitas vezes a inspiração vem depois que começamos. Quase sempre depois que eu comecei a escrever ou compor, a inspiração veio e eu consegui materializar a ideia. Algumas vezes após começar, acabamos por ter outras ideias, com isso, a produção ser tornava profícua, dando ótimos resultados.
Entenda que escrever é uma pratica, um hábito que você cultiva tendo uma regularidade em sua vida. Quanto mais você escreve mais fica fácil e mais ideias vêm a mente. Sem insistência, estudo e prática, não evoluímos e nem melhoramos. E isso serve para tudo, seja escrita, leitura ou praticar um instrumento, tudo começa com a regularidade da prática, do quanto tempo você dedica a fazer aquela determinada coisa.
Por isso comece com textos pequenos, escreva sem se preocupar com a concordância verbal ou com as palavras. Esboce a tua ideia e deixe para corrigir depois. Com o tempo tudo vai acontecer no automático, “a prática leva à perfeição”, como diz o conhecido ditado popular, é praticando que chegamos em algum lugar.
Não deixe que a inspiração mande no seu projeto, entenda que muitas vezes a inspiração só vai vir quando você começar a fazer. Planeje o seu dia, aprenda a começar e comece aos poucos, que de repente a inspiração aparecerá como um convidado inesperado. É evidente que algumas vezes a inspiração não vem, mas vale a penas manter uma regularidade a fim de cultivar o hábito.
Na dúvida comece, aprenda a ter a persistência, que com o tempo tudo se tornará automático.
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A FORÇA DA GRATIDÃO
Gratidão, uma palavra muito importante e talvez pouco valorizada. Descobri a força da gratidão nos piores dias da minha vida, em momentos onde tudo estava ruindo, aprendi a agradecer e me impressionei com o resultado.
Você vai se abalar quando descobrir o poder que o homem tem de quantificar os problemas e minimizar as coisas boas, de aumentar o tamanho das dificuldades e diminuir as vitórias. É comum ante o caos, fecharmos os olhos para as coisas boas de nossa vida e focarmos nos problemas, eu passei por isso.
Era um período muito complicado, eu estava sem saída e não via previsão de solução, eu andava triste e desolado, quando resolvi parar e agradecer pelas coisas boas da minha vida. Na verdade foi uma espécie de exercício, um desafio que propus para me lembrar dos bons momentos e também para me esquecer dos ruins.
Foi impressionante me relembrar dos momentos bons e diante as lembranças foi inevitável perceber que entre os momentos ruins, muita coisa boa estava acontecendo. Descobri com este exercício que a minha ênfase era sempre negativa. O caos que eu enfrentava estava como que quantificado e todos os momentos bons minimizados, esquecido em instantes ante o menor sinal de problemas.
Deste momento em diante decidi agradecer, me acostumei a antes de orar a me lembrar de no mínimo um motivo a ser grato, deste dia em diante eu pude ver o quão estava cego, o quanto valorizava os problemas e não era grato a Deus pelas coisas boas.
A gratidão alivia a alma, nos traz alegria, faz-nos vermos o que está em nossa frente e muitas vezes não enxergamos por estamos atentos no caos. Ela nos traz a memórias que nem sempre nossos dias são de escuridão, que sempre há o que ser grato, que sempre haverá o que olhar e se alegrar, nem tudo é sempre cinza. Eu tenho uma frase que me guia em dias tristes:
“A gratidão é um porto seguro que abastece o coração para a caminhada”.
Através da gratidão olhei para trás, enxerguei de onde vim e onde tinha chegado. Foi a gratidão que me mostrou os degraus alcançados, os caminhos percorridos e as batalhas vencidas. Foi por tentar ser um pouco mais grato que enxerguei Deus comigo e que vi que nunca estive sozinho.
Pare e pense, olhe para a sua vida e relembre os motivos no qual pode agradecer. Veja como nunca esteve só, que sempre conseguiu saída, que o caos nunca perpetuou. Às vezes as coisas não acontecem no nosso jeito, mas acontecem, basta parar para enxergar que a saída sempre vem, de uma maneira ou outra vem.
Não deixe que os problemas te ceguem, aprenda a agradecer e ver Deus cuidando de você. Cultive um coração agradecido e deixe a paz de Cristo te inundar, entenda que o caos pode vir, contudo nunca estamos sós.
