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  • CHEGANDO LÁ!

    “Seja você quem for, seja qual for a posição social que você tenha na vida, a mais alta ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá” (Ayrton Senna)

    Ouvi está frase em uma de suas entrevistas, eu era muito fã do Ayrton Senna, por sua causa eu nunca perdia uma corrida, lamentei muito a sua morte. O único problema na frase, que inclusive é muito verdadeira, é, onde seria este lá? Qual é o padrão de sucesso para que eu possa concluir se eu cheguei ou não lá? É nesta parte que muitos se perdem.

    Alguns acreditam que chegar lá é ter muita grana, outros, que é preciso além de grana, sucesso. Há quem diga que chegar lá é fazer uma boa faculdade, arranjar um ótimo emprego ou até passar em concurso público. E é diante destas opiniões que vemos que o padrão de sucesso é muito genérico.

    Chegar lá tem haver com quem você foi e quem você é hoje. É observar o quanto evoluiu, cresceu e aprendeu. É entender o quanto percorreu e aonde quer chegar com os seus planos. Cada um tem o seu “lá”, é por isso que quando ouvimos todas as opiniões, não podemos dizer que elas estão erradas e muito menos que estão certas.

    Para Ayrton Senna, “chegar lá” era ser um campeão mundial de Fórmula 1, para outros é conseguir empreender, fazer uma faculdade, conhecer um outro país. É quase impossível chegar a um consenso, pois a questão é ampla e vai depender dos nossos sonhos e aspirações.

    O meu “chegar lá” há uns anos atrás era fazer uma faculdade, e eu fiquei feliz quando consegui. Mas eu continuei, queria aprender ainda mais, fazer uma pós-graduação e me aprofundar nos meus conhecimentos, e eu também consegui. É claro que eu não parei, defini mais metas, e com isso sei que ainda tem muito chão, tenho ainda muito degrau para galgar, mas quando eu olho para trás me considero um cara de sucesso, pois alcancei meus objetivos e os tenho alcançado dia a dia. O chegar lá tem muito haver conosco, com o que queremos para a nossa vida, para aí batalharmos e seguirmos o ótimo conselho que Ayrton Senna

    Quem sabe de onde saiu e aonde quer chegar certamente chegou lá. Quem aprendeu a definir metas coerentes, sonhos realistas e faz tudo para conseguir sucesso em seus objetivos, entendeu por completo o que é chegar neste desconhecido lugar.

    Por isso aprenda a não se comparar com o próximo, se concentre em olhar para si e definir bem como você pode caminhar para a realização dos seus objetivos.

    Seja realista, coloque uma boa dose de coragem e garra, aprenda a por os pés no chão, mas também a sonhar. Planeje seus passos e entenda que de pouco em pouco conseguimos avançar. É um passo de cada vez é de degrau a degrau que se obtém sucesso e não se comparando com quem já está bem mais à frente de você.

    Você pode não chegar aonde o camarada com mais oportunidade chegou, mas é possível chegar lá, é só ter pé no chão. Você pode não ficar rico, mas pode conseguir um bom salário e viver bem. Você pode não ficar famoso, mas pode ser reconhecido como um ótimo profissional. Não precisamos comprar as ideias glamorosas que o mundo vende, é possível vivermos bem sem uma mansão e uma Ferrari na garagem.

    Cada um tem as suas lutas, por isso não diminua quem chegou lá, ninguém sabe o que ele fez para ter sucesso em sua empreitada. Ao mesmo tempo entenda que você não precisa de muito para viver bem, aprenda delimitar um limite, sonhe com metas possíveis, e aprenda a se comparar com o que você foi, e com o que você é hoje. Este é o caminho para se chegar lá, o resto é atalhos sem sentido.

  • VER A FACE DE DEUS

    Eu cresci em uma família cristã, ouvindo os mais diversos testemunhos e histórias, das mais miraculosas as mais bizarras e incoerentes. Fez parte da minha infância ouvir sobre pessoas que iam para o céu, conversavam com Deus. Algumas até iam ao inferno, viam as pessoas sofrerem e voltavam para proclamar a mensagem aos vivos.

    O que tinha em comum em todas estas histórias era a naturalidade no qual o indivíduo entrava no céu, conversava com Deus, sentava com ele batia um papo, sendo que uma vez eu até ouvi falar de uma pessoa que chegou a sentar em uma mesa com as três pessoas da trindade e os ajudou com um conselho, como se ele fosse mais sábio que a trindade.

    Quando eu olho para a Bíblia, que é a nossa regra de fé, eu vejo justamente o oposto. O temor, o profundo sentimento de fragilidade é muito mais visível em pessoas que tiveram um encontro com Deus do que a história furada destes camaradas.

    Em Juízes 13:22, depois do anjo do senhor trazer a notícia para o pai e a mãe de Sanção, dizendo que o seu filho libertaria Israel das mãos dos filisteus. O texto bíblico diz que Manoá, o pai de Sanção, fala as seguintes palavras:

    “Sem dúvida vamos morrer!” disse ele à mulher, “pois vimos a Deus!”.

    Ele não sabia que aquele homem não era Deus e sim, um anjo, por isso, achava que seria consumido por ter visto Deus, tamanho o temor e a consciência que este homem tinha. Moisés quis ver a face de Deus, porém Deus responde:

    “Você não poderá ver a minha face, porque ninguém poderá ver-me e continuar vivo”. E prosseguiu o Senhor: “Há aqui um lugar perto de mim, onde você ficará, em cima de uma rocha. Quando a minha glória passar, eu o colocarei numa fenda da rocha e o cobrirei com a minha mão até que eu tenha acabado de passar. Então tirarei a minha mão e você verá as minhas costas; mas a minha face ninguém poderá ver” (Êxodo 33:20-23).

    Ou seja, é impossível ver Deus sem ser consumido, somos muito pecadores para ver Deus e não ser consumido por sua santidade. Paulo no caminho de Damasco viu Cristo glorificado e ficou cego (Atos 9:3-27). Pedro depois de uma noite inteira tentando pescar, resolve seguir o conselho de Jesus e jogar a rede, e depois de ver a rede se rasgar de tanto peixe, fruto de um milagre impressionante, profere uma frase no qual acho uma das mais belas e profundas da Bíblia:

    Quando Simão Pedro viu isso, prostrou-se aos pés de Jesus e disse: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador!” (Lucas 5:8).

    Quando Deus se mostra a estas pessoas, ele revela quem elas realmente são. Ver a face de Deus ou estar na presença de Deus sem nos sentirmos pecadores, pequenos e dignos de morte é uma contradição com a própria palavra. Sendo que, ter um encontro pessoal com Deus e não mudar de vida é uma contradição maior ainda.

    Eu tenho medo de testemunhos que enfatizam o homem, ou que dão a entender que determinados pastores são privilegiados. Eu tenho medo de histórias antropocêntricas, recheadas de orgulho e arrogância.

    Temor; é isso que falta em muitos destes pastores e cristãos que seguem contando as suas histórias a fim de impressionar quem não conhece a palavra.

    A reverência está em falta em algumas igrejas desse nosso mundão. Tratar o sagrado com leviandade tem sido uma das especialidades de alguns destes pastores e pregadores.

    Fuja de pregação ou testemunho que não aponta para Deus. Fuja também de pastores que entram e saem do céu ou inferno a toda hora, como se fossem cristãos Vips. Não troque a mensagem de salvação pela mensagem de exaltação, de quem prega querendo contar vantagem. Lembre-se dos muitos na Bíblia que viram a Deus e nunca mais foram os mesmos.

    Não se esqueça que a mensagem cristã sempre aponta para Deus, e nunca para o homem, Ele é o único digno de ser exaltado, e se isso não acontece, tenha a certeza de que a mensagem não vem de Deus.

  • MUDANÇAS

    “O caminho da mudança é sempre mais esburacado”

    Escrevi esta frase em um período complicado, onde eu tentava mudar de profissão, além de colocar em prática novos projetos.

    Não foi fácil, principalmente porque eu tive que abrir mão de muita coisa para realizar estes sonhos, e nunca é fácil abrir a mão. Você nunca sabe se o que você quer fazer vai vingar, por isso, nunca sabemos se vale a pena largar o que é seguro, é sempre um tiro no escuro, trocar o certo pelo duvidoso é sempre um desafio.

    Existe uma frase atribuída a Einstein que diz: “Insanidade é fazer a mesma coisa esperando resultados diferentes”. Mas em contra partida, mudar nunca é fácil. Largar a certeza por um “sonho” que não é certo, nunca é um movimento tranquilo, mas é a atitude correta de quem quer se desenvolver.

    Se mudar não é fácil, sair do comodismo é um desafio maior ainda, isso sem contar os dias gastos para mudar hábitos alimentares, cultivar o hábito da leitura, cultivar o hábito de praticar esportes, mudar é sempre um desafio e serve para todas e quaisquer situações. Desde um empreendimento novo, nova carreira ou apenas uma vida mais saudável.

    Não se esqueça que o homem tende a cair no comodismo fácil, fácil, é muito mais provável quando nos estabilizamos, continuar na mesma, do que prosseguir. Mudar, olhar o novo, seguir novos planos é importante para que a nossa mente não calcifique e atrofie na mesmice. Busque sempre o novo, aprenda a determinar novos desafios para que você não pare no tempo, entenda que nunca é fácil, mas o que vale a pena não é fácil mesmo.

    O caminho do novo é sempre mais complicado, estamos fadados a desistir quando lembramos de que o que velho é sempre mais tranquilo, dá menos trabalho, entretanto só cresce quem busca o novo.

    Pare, ouça os outros, olhe para os novos planos e trace caminhos sem medo de errar. Entenda a importância de se renovar, de não ficar parado e principalmente, de que água parada junta mosquito, por isso, mexa-se e aprenda a embarcar em novas direções.

  • MOTIVAÇÕES

    Um ponto que as vezes passa despercebido quando lemos a Bíblia é justamente sobre motivações. Sobre por que fazemos o que fazemos, sobre qual é o motor que nos leva a agirmos de certas formas.

    O capítulo 6 de Mateus narra alguns episódios muito comuns em nosso meio que são: orar, jejuar, sobre a importância que damos as riquezas etc. Sendo que entre todos estes fatos, uma questão fica bem clara: Qual é a sua motivação para fazer o que você faz?

    Cristo deveria estar cansado de ver homens jejuarem, darem esmolas ou orar com a motivação errada, se fazendo de santos e piedosos. O curioso era que a multidão muitas vezes via aquelas atitudes hipócritas dos religiosos como atitudes espirituais, mas Jesus sabia quem eles realmente eram e para estes e todos os outros hipócritas o texto nos dá 3 avisos.

    O primeiro aviso é que Deus conhece o nosso coração, pois ele tudo vê. Não adianta você achar que está enganando alguém, pois a Deus ninguém engana.

    Diante disso é importante ter a consciência de que a nossa vida deve ser uma vida de eterna oferta a Deus, e que tudo o que sentirmos em fazer, sendo importante ou não aos olhos dos homens, deve ser feito com o propósito de agradar ao nosso Pai e somente a ele.

    O segundo aviso que fica claro no texto é que se você busca recompensas terrenas, são só elas que você vai ter.

    A vida é feita de prioridades e se as suas são apenas as coisas terrenas, é só recompensas terrenas que você receberá. Quer parecer ser um bom cristão? Você vai parecer aos olhos dos homens. Quer parecer ser um cara generoso?  Você vai ser conhecido assim por todos os amigos. Quer parecer ser um cara de oração? Com certeza aos olhos de todos você será, não tenha dúvidas, mas entenda que Deus saberá o quão fraudulento sua vida é.

    O querer ser deve estar ligado com a nossa prioridade de agradar a Deus, e não no fato de nos mostrarmos a todos. É muito pouco viver a vida para agradarmos a homens, a vida é muito passageira para cultivarmos práticas que morrerão com este mundo.

    Mas existe uma terceira lição, com certeza a mais importante que aprendemos com este texto. O resultado vem só para quem têm as prioridades certas.

    Deus não é um gênio da lâmpada, que existe a fim de realizar nossos desejos. Ao contrário, nós existimos para fazer a vontade de dele.

    Ser cristão é saber bem quem somos, é servir, é ter Deus como centro de tudo. Penso que tudo começa a ter sentido em nossa vida quando entendemos quem somos e o que viramos quando não olhamos para Deus. Anselm Grün tem uma citação que resume bem a questão:

    Onde não há humildade, também não há Deus” (GRÜN, 1994, p. 106)

    Sendo que o ponto principal da humildade é entendermos que sem Deus somos autodestrutivos.

    Por isso não engane Deus, nem ache que agradar a homens é um exercício cristão. Entenda quem você é e faça as coisas tendo Deus no centro de tudo. Que a sua motivação seja apenas uma e que viver o evangelho seja uma atitude natural e não uma vida de representação, buscando aplausos que no fim de tudo não valerão para muita coisa.

    BIBLIOGRAFIA

    GRÜM, Anselm. O céu começa em você: A sabedoria dos padres do deserto para hoje. Rio de Janeiro: Editora Vozes,1994.  

  • REFLEXÕES SOBRE UM PRÓDIGO II: UMA TERRA LONGÍNQUA

    “E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua…” (Referência: Lucas 15:11-32).

    No texto passado falamos de um filho que teve a audácia de pedir para o seu pai, que estava vivo, a sua parte da herança, tentei deixar claro o quão foi ofensivo sua atitude. Não podemos esquecer que muitos estavam ouvindo Cristo contar a parábola e com certeza, nesta altura da narrativa, aqueles ouvintes já estavam indignados. Muitas outras coisas que o filho fez eram ofensivas para os ouvintes de Jesus, optei por me concentrar nos fatos mais importantes, por não termos espaço suficiente no texto.

    O texto Bíblico diz que aquele filho foi embora da casa do seu pai (Lucas 15:12). Veja bem, uma família, para um judeu, é algo muito importante, sendo que a sua terra não deveria sair da linhagem familiar, pois para eles era um bem valioso. Inclusive, existia uma lei chamada Jubileu, que está em Levítico 25:23-24, que previa, no ano do jubileu, que a terra que tivesse sido vendida, fosse devolvida. A lógica desta lei era que o legado da família deveria continuar sempre na família. Este também era um dos motivos que o filho mais velho recebia o dobro da porção da herança quando o pai morria, e o mais novo apenas um terço.

    Por existir uma lei chamada: Lei de progenitura, que garantia o direito ao mais velho de receber uma porção dobrada, enquanto o mais novo ficava com um terço de tudo. O filho mais velho recebia mais e poderia manter uma base financeira que continuaria deixando a família forte, além de virar o chefe da família, sendo ele um apoio e uma base de estabilidade para todos os irmãos. A Bíblia relata poucas exceções onde o mais novo ganhava este direito, no geral o filho mais velho era quem recebia (MACARTHUR, 2009, p. 62-63).

    Mas aquele filho mais novo não ligava para isso tudo, queria mais era sair, ir embora e cuidar de sua vida em um lugar distante, longe de sua cultura e de sua família. Vale lembrar que eu estou relatando os costumes do povo daquela época, não estou afirmando que você não deve se planejar e ir estudar ou morar em outro país, nem estou afirmando que isso é certo ou errado. A intenção do texto é você entender a parábola e perceber como a narrativa tinha muitos fatores que eram ofensivos para o povo daquela época.

    Imagine que você fosse um garoto do interior, que estivesse chegando em uma cidade com o bolso cheio de dinheiro ou fosse um turista que tivesse ido passar um tempo em uma cidade desconhecida. Nós sabemos como na cidade existem muitos espertalhões, gente interesseira e sabemos também que aquele filho queria seguir a sua vida vivendo da forma que bem quisesse. O cenário da continuação da narrativa é basicamente esse e por conta destes fatos o filho não se deu muito bem.

    Quando temos dinheiro arranjamos muitos amigos, somos cercados de gente e dos mais diversos interesseiros. Adicione a esse fato uma pessoa que tem seguido apenas os seus impulsos e não tem tido em momento algum pensamentos racionais e reflexivos. A soma destes dois fatores é na maioria das vezes fatal, como foi para o filho pródigo.

    A Bíblia diz que ele acabou vivendo dissolutamente, desperdiçando tudo o que ele tinha (Lucas 15:12). São poucos os adolescentes ou jovens que pensam no futuro, geralmente quando pensam é porque já passaram por poucas e boas ou porque ouvem a instrução dos seus familiares. Este rapaz, munido com o dinheiro do papai, optou por torrar a grana, sem pensar como viveria quando esta acabasse, sendo que, após isso o texto diz que uma fome tremenda veio à cidade (Lucas15:14).

    Sem dinheiro, sem comida e com certeza sem amigos, o seu fim foi cuidar de porcos, que para um judeu, era coisa imunda, praticamente uma ofensa se “um amigo” lhe desse um emprego destes (Lucas15: 15). Resumindo, por conta de sua irresponsabilidade, aquele rapaz acabou trabalhando em coisas que a sua própria cultura reprovava. Sendo este trabalho, a meu ver, uma continuação lógica do que ele já fazia que era viver uma vida de promiscuidade, exageros e desperdícios.

    O filho estava no fundo do poço quando se lembrou do seu pai e recordou como todos os trabalhadores tinham o que comer, ele também deveria ter lembrado-se de sua própria vida, de como vivia e de como o seu pai cuidava dele. Neste momento ele se arrependeu, confessou que tinha pecado contra seu pai e contra Deus e resolveu voltar (Lucas 15: 17,18).

    Muitos, talvez por não refletirem, aprendem só sentindo na pele, quem vive na emoção, só aprende com a emoção, apanhando, sentindo no corpo a dor que é viver sem os cuidados do pai.

    O filho pródigo é também um pouco de nós, assim como Adão e o povo judeu em todo o Velho Testamento, pois eles tinham tudo, mas optaram por virar as costas para o Pai e viver como bem entendiam.

    Nós quando vivemos longe de Deus, certamente caminhamos para o caos, o homem sem Deus caminha para a destruição, não tenha dúvidas. A saída para o filho pródigo era voltar e é esta a saída para todos nós também, o homem sem Deus não é nada, é como o filho pródigo que tomado por uma cegueira, seguiu para a destruição. Mas a história não acaba aqui, no próximo texto, vamos ver o reencontro de um filho desobediente com um pai paciente e amoroso.

    BIBLIOGRAFIA

    MACARTHUR, John. A parábola do filho pródigo: Uma análise completa da história mais importante que Jesus contou. Rio de Janeiro: Editora Thomas Nelson, 2016.

  • A CIDADE DO CONHECIMENTO

    Certo fazendeiro resolveu um dia fazer uma viagem, seu objetivo era encontrar a tão falada cidade do conhecimento que seu pai tanto comentava. Diante de tal missão, contratou ajudantes, reuniu recursos e foi em busca de seu sonho maior.

    Ele gastou meses de sua vida procurando, precisou enfrentar intempéries, aventuras e dificuldades até acabar em uma pequena cidade, em um interior muito afastado da capital. Lá, ele encontra uma pequena venda e resolve parar para beber algo gelado.

    Durante a parada de descanso, ele desabafa com o dono do estabelecimento, conta todas as suas aventuras e aprendizados, detalhando todos os episódios de sua fracassada busca.

    Logo no fim da narrativa, o dono do local, que só ouvia, resolveu falar, e revela que ele já havia achado a tão procurada cidade.

    Assustado com tal declaração, ele pergunta onde é, e o dono da venda explica que o conhecimento e a relevância se adquire com a própria caminhada, são as buscas, experiências e fracassos que ele havia vivido durante a viagem, que constituíam no conhecimento, na experiência. Não existe um local certo para buscar, mas um estado de espírito, uma vontade, um impulso em querer saber e em crescer.

    As vezes saímos em busca do segredo, do livro certo, da fórmula do aprendizado e não percebemos que o trajeto, os fracassos e vitórias nos ensinam, basta abrir a cabeça. Talvez o querer, seja o nosso grande professor.

    Ouvi um professor, certa vez, contar como ele conseguiu estudar e entender os grandes e difíceis livros clássicos de filosofia, o segredo dele era que ele apenas quis entender.

    Confesso que achei o conselho estranho, mas por considerar o homem inteligente, resolvi por em prática, tentando entender o livro no qual mais achava difícil, e funcionou.

    Quem quer aprender aprende, basta um olhar, basta se dedicar, ler e continuar. Só cresce quem é realmente dedicado, comprometido e persistente, já que muita coisa não aprendemos de primeira.

    Não existe a universidade perfeita, pouco importa de onde vem o seu diploma, quem foi o seu professor ou qual foi o método de aprendizado, e sim, que tipo de estudante que você é.

    Hoje eu não me impressiono mais com diplomas, nomes de faculdades ou coisas do tipo e sim, como este estudante é, o quão comprometido ele é nos estudos.

    Não existe um local sagrado do conhecimento, nem uma cidade mística, mas uma atitude, uma maneira de ser que vai além um lugar ou endereço.

    Conheci mestres e doutores ignorantes dos pés a cabeça, que não enxergavam o óbvio, nem percebiam suas contradições. Em contrapartida, conheci gente analfabeta, digna de um título de filósofo. Pois quem quer aprender aprende, ser relevante é um tipo de ser, não se constrói na universidade, é uma força de vontade, tem que querer para ser.

  • MISSÃO URBANA III: A PRIMEIRA CIDADE

    Não é só a missão que começa na Bíblia, a cidade também tem o seu início lá. Quando falamos em cidade, temos que ir lá em Gênesis 4:17:

    “E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu, e deu à luz a Enoque; e ele edificou uma cidade, e chamou o nome da cidade conforme o nome de seu filho Enoque”.

    Um assassino desobediente fundou a primeira cidade, com isso, não fica tão difícil entender porque o mundo é um caos, mas não foi só isso que os seus descendentes criaram, muitos outros avanços também vieram deles como a vida nômade (Gênesis 4:20), música (Gênesis 4:21), e metalurgia (Gênesis 4:22), como evidencia o texto, sendo estes elementos importantes de toda a cidade. E ao prosseguirmos com a leitura vemos que a raça humana se perdeu, a maldade aumentou na terra e com isso o dilúvio veio e limpou a terra de todo o caos.

    Podemos colocar Caim como um pecador muito mais endurecido do que o próprio Adão, pois matar é muito pior do que comer de um fruto proibido, sem contar com o fato de que nem Deus conseguiu convencer Caim de não pecar (Gênesis 4:6,7) (CARSON, FRANCE, MOTYER, WENHAM, 2012, p. 106).

    Graças a Deus que o Senhor aprovava o que Noé fazia (Gênesis 6:8) e com isso salvou ele e a sua família. O problema é que isso não adiantou muito, pois por causa de uma bebedeira, Cam, o filho de Noé, fez fofoca e piada do seu pai aos irmãos e a maldade perpetuou (Gênesis 9:21- 28).

    É claro que você pode considerar isso um exagero, para nós hoje o que Cam fez não deveria ser motivo de condenação, mas para época isso era. Mais uma vez vemos a importância de entendermos o contexto antes de concluirmos qualquer coisa, seja ao lermos a Bíblia ou ao analisamos uma outra cultura ou costume. A parte curiosa é que o filho de Noé pecou assim como o filho de Adão, e tudo volta ao que era antes (CARSON, FRANCE, MOTYER, WENHAM, 2012, p. 106).

    Onde há pessoas há maldade, quem dirá em uma cidade, o mundo é o que vemos porque é constituído de seres falhos e pequenos, está é uma verdade que fica latente em toda a Bíblia e que temos que entender antes de pregarmos o evangelho.

    É interessante também falarmos do povo de Israel para entendermos a dinâmica das cidades. Segundo a Bíblia, eles foram uma grande nação, tinham seus códigos, sua forma de agir e cultura, sendo que é através deles e dos relatos do Velho Testamento que conseguimos saber dos diversos tipos de povos e culturas existentes na antiguidade.  Sem esquecer que todas as leis e costumes vieram do próprio Deus, e se houve algum exagero foi por conta dos limitados seres humanos.

    Depois que o povo de Israel foi liberto e entrou na terra prometida, a terra toda foi dividida entre as tribos e o governo depois de um tempo, se deu através dos Juízes. Lembrando que os Juízes foram lideres instituídos por Deus para governar e libertar Israel em períodos de desobediência e declínio, que, diga-se de passagem, foram muitos.

    Mas foi no tempo de Samuel, um importante juiz, profeta e sacerdote (Samuel 3:20; 9:12,13) que o povo pediu um rei (1 Samuel 8:4), o motivo era que os filhos de Samuel não seguiam o exemplo do pai e eram desonestos, por isso que o povo queria um rei, para serem iguais aos outros povos. Josué avisou que o rei iria ser desonesto, que iria explorar e roubar o povo, mas não adiantou, eles queriam um rei, e Deus levantou Saul.

    É interessante ler esta passagem, pois ao longo da história do mundo, o que mais vemos é justamente isso, exploração do povo, cargas pesadas nas costas do trabalhador para sustentar um bando de políticos que não fazem nada.

    O resumo da história de todos os reis de Israel foi que a maioria deles foram reis opressores, Israel sofreu muito com eles, sendo que até o Sábio Salomão, que dividiu o reino e fez inúmeras bobagens, não ficou de fora e não deixou de fazer besteiras, e entre as principais listamos: Inaugurou um período de escravagismo, construiu um harém a moda pagã, adorou outros deuses e construiu altares para outros deuses (1Reis 11: 4-13). E mesmo Deus aparecendo para ele duas vezes ordenando que não adorasse outros deuses, ele continuou adorando (1Reis 11:9).

    Resumindo, o poder corrompe seja você quem for, cuidado com o poder, pois se até Salomão, com toda a sua sabedoria, se corrompeu, quem dirá nós.

    Como vimos, as cidades e a vida em sociedade (seja que estilo for) vêm de muito tempo atrás, a Bíblia narra como autor o próprio Caim e seus descendentes, o texto é apenas um resumo, um apanhado geral que temos que entender antes de aprender sobre a importância da missão urbana para a propagação do evangelho neste nosso contexto urbano.

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012.

  • O CAOS NOSSO DE CADA DIA

    Eu tenho medo destes filósofos e pensadores que afirmam que o homem nasce bom e é a sociedade que o corrompe e o desvia de sua bondade. Eu ouço muito isso em minha segunda graduação, para estes pensadores todo o mal e desigualdade são culpa do capitalismo, sociedade e coisa e tal.

     Eu sei que o capitalismo não é perfeito e tem seus furos, só que acredito também que o comunismo é tão utópico e injusto quanto, sem esquecer que o homem não precisa de ferramenta ou sistema político algum para ser mau. Ele já é por natureza, basta coloca-lo em um local com mais de uma pessoa

    Acho curioso quem tenta justificar o comportamento do homem e crê que existe uma forma de conduzirmos a humanidade para uma sociedade que seja boa e igualitária. Acho lindo o sonho de uma sociedade justa e feliz, infelizmente eu sei que onde existem pessoas sempre existirá o mau, eu não me iludo.

    O homem é o caos ambulante, ele é decaído e mau, é nisso que nós cristãos acreditamos. Não acreditamos que uma sociedade é que nos faz mau, e sim que já o somos assim por natureza, como parte de sermos contaminados pelo pecado.

    Uma das provas é o nosso egoísmo, que diga-se de passagem, é óbvio e claro como água. Queremos ser ouvidos, queremos as coisas de nosso jeito, queremos tudo de nossa forma e com isso o caos vai se instalando, afinal, o mundo não comporta tantos tentando ser felizes. Há quem diga que um dos problemas do mundo é o ser humano, cada qual tentando ser feliz de sua maneira.

    O homem é um caos ambulante, contraditório, pequeno e fraco. Quer ser aceito e valorizado, sem aceitar a si mesmo como é. Ele corre atrás da felicidade, mas esquece de que ser feliz é um resultado não um fim. Quer um mundo sem dor e problemas, porém esquece-se das lições que a dor traz. Culpa o capitalismo pelas mazelas e injustiças da vida, mas coloca a sua esperança em outra teoria política, sem ver seus furos e contradições, e principalmente, sem ver que a culpa no fim é dele mesmo. Gosto de uma citação de Lewis, tirado do livro “Ética para viver melhor” que resume bem o contraditório ser humano:

    “Nada tem mais potencial para destruir uma espécie ou uma nação do que a determinação de sobreviver a qualquer preço. Os que se preocupam com algo além da civilização são, provavelmente, os únicos que a preservarão” (LEWIS, 177, 2017)

    No intuito de sobreviver nos destruímos e destruímos tudo ao redor. Na missão de sermos felizes, cada qual de sua maneira, acabamos cultivando mais caos que paz.

    A teologia nos ensina que o homem é depravado, decaído e mal. O homem nasce no pecado, não adquire seus maus comportamentos por conta de fatores externos, e sim internos. E a teologia nos ensina também que Cristo veio para nos mostrar quem somos, e do quanto precisamos de Deus para não nos consumirmos. A essência de ser cristão é sabermos que não somos nada, e que precisamos de Cristo para nos redimir, nos salvar e nos dar uma nova vida. Vida esta que se resulta em frutos visíveis aqui na terra, como otimamente nos ensina Gálatas 5:22-23:

    “Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei”.

    Enfim, ser Cristão é ser um imitador de Cristo, é ser um servidor, um construtor. Não temos chance sem ele e a sua graça, não existe outra forma de ser gente da maneira certa se não olharmos para a cruz, buscando a graça de Cristo dia após dia.

    É só quem olha para Cristo que conseguirá olhar para o próximo. É só quem compreende quem realmente é que entenderá o ser humano e suas contradições. É impossível sermos felizes se não buscarmos a felicidade na fonte, que é Deus, pois tudo o que vem de nós mesmos é mal, egoísta e contraditório, o verdadeiro amor, sabedoria e felicidade é que vem de Deus.

    BIBLIOGRAFIA

    LEWIS, C.S, Ética para viver melhor, Diferentes atitudes para agir corretamente, Editora Pórtico, São Paulo, 2017

  • REFLEXÕES SOBRE UM PRÓDIGO I: O FILHO

    “Um certo homem tinha dois filhos…” (Referência: Lucas 15:11-32).

    Quando falamos do filho pródigo, discorremos sobre uma passagem bíblica conhecida, talvez uma das mais pregadas, lidas e interpretadas, mas muitas vezes incompreendida. Cristo contou esta parábola para que aprendêssemos uma lição importante, porém, muitas vezes não entendemos a profundidade de seu ensino porque não conhecemos os costumes e ritos judaicos e é isso que vamos ver, para entendermos a parábola um pouquinho melhor.

    Temos como pano de fundo desta parábola Jesus rodeado de publicanos e pecadores, que ouviam e aprendiam com suas parábolas. E os fariseus e escribas, julgando o fato de Jesus estar no meio daquela ralé (segundo eles). Na verdade, judeus não se misturavam, pois tinham receio de se contaminar com pessoas pecadoras, eles tinham até um provérbio rabínico que dizia:

    “Não se associe o homem com o ímpio, nem mesmo para trazê-lo para a lei (CARSON, 2012, p. 1512)”.

    Lembrando que, quando os judeus falavam de ímpios, eles queriam se referir aos que não eram judeus. Mas Cristo não ligava para isso, afinal, quem contaminava as pessoas com seu amor e cuidado era Ele.

    Temos no capítulo quinze três parábolas que falam sobre misericórdia, sobre buscar ou encontrar algo que se havia perdido. A parábola do filho pródigo é a terceira e a mais detalhada e, a meu ver, a parábola com o mais profundo dos ensinamentos. A parábola do filho pródigo me impressiona de várias maneiras, mas confesso que comecei a entender melhor depois que comecei a ter uma certa idade.

    Com o tempo, você aprende a observar, você começa a notar as atitudes dos que estão à sua volta e até ver como eles agem para com seus pais e parentes. Principalmente quando estes são filhos, é normal um filho desdenhar de seu pai quando estes têm certa idade. É comum vermos adolescentes não respeitarem os cabelos brancos e agirem como se soubessem de tudo. Normalmente, são estes que quebram a cara, pois se nem nós, que já temos certa idade, sabemos de tudo, quem dirá eles, que começaram a caminhar faz poucos anos.

    Quando leio a passagem do filho pródigo, não consigo deixar de fazer um link com os muitos adolescentes arrogantes que eu já vi por aí ou até comigo, quando fui adolescente. É comum vermos eles agirem como senhores de si. Mas vou mais além, pois conheço alguns adultos arrogantes, que agem como adolescentes, achando que sabem de tudo e só pensam em seus umbigos. A arrogância é um mal que faz com que não consigamos ouvir o próximo, aprender com os nossos erros ou refletir sobre nossas atitudes. Eu ainda acho que o filho pródigo era um adolescente, entretanto, isso não tem muita importância.

    O texto diz que este filho teve a desfaçatez de solicitar a seu pai a sua parte da herança. Sendo este um pedido muito ofensivo, afinal, não era comum um filho pedir a herança ao seu pai vivo, é como se ele dissesse: olha, pai, já que você não morre, dê a minha parte da herança para eu fazer o que quiser.

    Eu descreveria o filho pródigo ou este estilo de pessoa arrogante como pessoas cegas pela vontade de ser feliz a qualquer custo. Pessoas que acreditam que apenas a sua fórmula, seu modo de agir ou a sua receita é a melhor. Por isso, estes não medem esforços para terem sucesso em seus empreendimentos.

    O filho pródigo da parábola não demorou para exigir sua parte da herança, mesmo com o seu pai vivo, pois ele tinha um plano e o seu pai tinha o dinheiro. É fácil sonhar com o fruto do esforço alheio, é fácil magoar os outros para ter condição de fazer as coisas do nosso jeito, o difícil é batalhar, trabalhar e correr atrás.

    Aprendemos muitas coisas com esta parte da parábola, sendo que entre todas as lições, talvez a principal seja: “como a arrogância tem a capacidade de nos fazer passar por cima dos outros, sem perceber o estrago que estamos fazendo”. Talvez não tenhamos um pai vivo para pedir a herança, mas temos parentes ou amigos com uma idade muito mais avançada do que a nossa, com costumes tão opostos e estranhos que não temos a paciência de respeitar e dialogar. Não precisamos aceitar tudo de todos, mas podemos aprender a conversar de forma mais amorosa e paciente, respeitando e sendo gratos pelo fato de que, até aquele momento, estas pessoas têm nos dado a mão.

    A resposta mais coerente deste pai diante do pedido que o filho pródigo fez, segundo o costume da época, seria um tapa na cara em público, lembrando que naquela época um filho desobediente era apedrejado, conforme Deuteronômio 21:18-21. Seu pedido era incoerente, ofensivo e irracional, mas aquele pai resolveu atender ao pedido do filho. Quem sabe o pai quisesse ensinar algo ao filho, por isso decidiu tomar um caminho diferente, não sabemos, só temos a certeza de que aquele pai cedeu ao pedido do filho desobediente, no qual muito amava (MACARTHUR, 2009, p. 64).

    Com certeza, aprendemos muito mais quando quebramos a cara, esteja certo de que aprendi muito quando caí no mundo e vi que ele não era como eu imaginava. Eu me lembro de muitas das lições que ouvi quando morava com meus pais, o problema foi que no momento em que lembrei, já era tarde demais.

    Não se esqueça de que o mundo ensina, mas cobra caro, e aquele pai sabia disso. Já que aquele filho queria seguir o seu caminho, o pai, que era muito sábio, resolveu não o impedir. Ele sabia que, tendo sucesso ou não nos seus planos, existia a possibilidade daquele filho aprender muito e acabar descobrindo o valor de ter um pai que cuida e zela por ele.

    O filho pródigo é uma parábola que fala muito de nós e das nossas arrogâncias, fala do quanto muitas vezes nos sentimos superiores a tudo e a todos, e acabamos por seguir nosso caminho alheio a conselhos e ajudas. Mas a parábola não acaba aqui, no texto seguinte iremos ver este filho vivendo como bem queria na cidade grande.

    BIBLIOGRAFIA

    MACARTHUR, John. A parábola do filho pródigo: Uma análise completa da história mais importante que Jesus contou. Rio de Janeiro: Editora Thomas Nelson, 2016.

    CARSON. D. A.; FRANCE , R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

  • LIBERDADE

    Uns anos atrás em um ônibus lotado, enquanto me dirigia para casa, começou a cair uma chuva grossa. Em um reflexo instintivo fechei a janela, deixando apenas uma fresta para não morrer sufocado, mas o suficiente para que não entrasse chuva. 

    Todavia depois de alguns minutos, eis que entra no ônibus uma moça encalorada, daquelas que entram abrindo as janelas como loucas, sem ver as consequências de uma janela aberta para quem está sentado. Infelizmente uma das janelas era a minha, sendo que novamente resolvi fechar a janela para não chegar em casa ensopado. O resultado da minha atitude foi ver uma moça histérica, gritando como louca, enquanto eu tentava explicar, sem sucesso, que eu apenas não queria me molhar. Foi um caos, um misto de gritaria e infantilidade crônica de quem não sabia dialogar.

    Há quem acredite em um mundo livre, onde todos possam fazer o que bem entendem, na hora que bem quiserem. Conheço pessoas que lutam por um mundo sem regras, sendo a liberdade à única norma. Como se um mundo assim fosse possível, soa até como piada, pois o homem mal consegue beber e não dirigir, quanto mais viver com ética e responsabilidade.

    Roger Scruton no livro: “As vantagens do pessimismo…” resume bem a importância das leis para que assim tenhamos uma vida realmente livre:

    “A liberdade é genuína somente quando limitada pelas leis e instituições que nos tornam responsáveis uns pelos outros, que nos obrigam a reconhecer a liberdade dos outros e também a tratar os outros com respeito” (SCRUTON, 2015, 49)

    Imagine um mundo onde todos fazem o que bem entendem, alguns ouvindo som alto em plena madrugada, outros andando em alta velocidade e até agindo de uma forma que agrida o próximo? O mundo seria um caos se não existissem leis que nos obrigassem a olhar para o vizinho e respeitá-lo.

    Não existe liberdade sem leis, é impossível sermos realmente livres, se não tivermos reguladores que impeçam o homem de fazer mal ao próprio homem. A própria busca da tal felicidade já iria de encontro com a busca de felicidade de um outro, com isto o caos estaria instalado. Afinal, cada um pensa de um jeito, crê de uma forma e vive de determinada maneira. Se não tivéssemos leis, com certeza nos consumiríamos.

    A verdadeira liberdade está em saber viver em sociedade. Um cidadão livre é aquele que sabe viver o “nós”. Um país sem leis justas não é um país livre, um cidadão que não sabe viver em sociedade, certamente não é feliz.

    Deus nos livre de um país sem leis, para que não sejamos destruídos pela felicidade alheia, penso que o homem fosse realmente livre, o mundo já seria um caos, o mundo já estaria acabado, a natureza um projeto da decadência.

    Por isso, lembre-se o que é liberdade antes de ligar o som alto, aprenda a colocar-se no lugar da pessoa que só quer um dia de paz. Quando abrir a janela do ônibus, observe se com isso você não vai prejudicar o outro com sua atitude, você não tem o direito de prejudicar ninguém em nome de estar bem.

     

     

    BIBLIOGRAFIA

    SCRUTON, Roger, As vantagens do pessimismo e o perigo da falsa esperança, É Realizações Editora, São Paulo, 2015