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CALMA ANTE A TEMPESTADE
Imagine que você está em um navio, singrando águas profundas em pleno alto mar. E em a uma altura do dia, o céu escurece e você acaba se encontrando em uma grande tempestade, daquelas de dar medo, com ventos fortes e ondas de tamanhos inacreditáveis.
No desespero, enfrentando fortes ondas que quebram em seu convés, você decide procurar terra firme, é mais seguro do que enfrentar aquela tormenta toda. Todavia, entre tantas coisas para fazer como desviar das ondas, manter o barco em rumo e sem água, você acha que não vai conseguir, é impossível, a tempestade é muito forte, é muita coisa para realizar, com isso você se desespera.
As vezes, diante de problemas, nos sentimos assim, sem saída, sem recursos, sem saber o que fazer. É tanta onda que invade nosso convés que nos vemos sem ação, paralisados sem saída. Eu já passei por tempestades assim, algumas tormentas eram tão fortes que achei que iria afundar.
Em meio a esta tribulação toda, desempregado, sobrevivendo de freelances que mal davam para fechar as contas do mês e tendo que enfrentar despesas inesperadas de saúde e coisas do tipo, percebi que para quem está mal, qualquer fagulha vira incêndio, tirando a nossa paz e atrapalhando nossa caminhada. Com isso, eu precisava achar uma saída, por isso, coloquei a cabeça no lugar e procurei terra firme a fim de escapar do caos.
Existem alguns ladrões da paz, situações que nos jogam cargas e dificultam ainda mais nossa vida. Um dos principais deles é o foco.
Ouvi uma teoria há muito tempo sobre foco que eu nunca mais esqueci. Quando você quer comprar um determinado carro, você passa a ver muito este carro por onde passa. É como se surgisse misteriosamente muitos carros daquele estilo na rua. Mas a questão não é que surgiu mais carros, a explicação é um pouco mais simples. Quando você tem o seu foco voltado para determinadas coisas, você passa a ver somente aquela coisa. Pois a sua mente está voltada para aquilo, por isso você só vê aquele objeto, os problemas são iguais.
É comum, ante as tempestades da vida, focarmos mais nos problemas, prestarmos mais atenção nas coisas más que nos rodeiam, com isso, seguimos afundando, sem esperanças.
Nestes meus dias difíceis aprendi a agradecer, passei a acordar e pensar em coisas no qual ser grato. Muitas vezes não vemos Deus agir por estarmos com o nosso foco voltado para a tempestade. Quanto mais pensamos nos problemas, mais vamos ver problemas, quanto mais somos negativos e sem esperança, mais seguiremos obscurecidos pelo caos.
O texto não é um convite a vida falsa e hipócrita, não estou pedindo para você fechar os olhos para os problemas e seguir ignorando tudo, não. A proposta é convidar você a focar mais na solução, a procurar sair do óbvio e encontrar a saída.
Algumas vezes, no afã de controlar o barco, fugir das ondas e se manter bem ante o caos todo, não vemos a terra firme. Priorize seus problemas, pense bem no que vale a pena se preocupar e se concentre na solução.
As vezes a terra firme está bem em frente de nós, mas não vemos por conta do medo das ondas, ou de todas as questões inúteis que damos atenção quando estamos passando por uma tempestade.
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MISSÃO URBANA II: A MISSÃO NA BÍBLIA
Missionário não são apenas aqueles viajantes, mas também nós, em nosso trabalho, no bairro e entre nossos amigos. Segundo o dicionário, missionário é:
“Aquele que se dedica à pregação de sua fé; pregador. Aquele que se dedica a propagar uma ideia” (Dicio).
A missão urbana, tal qual a missão, começa lá em Abraão, em um chamado de Deus. Não se esqueça de que é Deus quem nos encontra, é ele que nos chama, e não nós que o achamos. Abraão teve uma missão, o próprio Deus se revelou e disse que dele sairia uma grande nação, e saiu. Foi através desta nação que Deus se revelou, mostrou quem ele era e fez a sua vontade.
A parte interessante deste chamado é que Abraão não foi apenas o primeiro dos patriarcas de Israel (Gênesis 12:2), mas também alguém que se importou muito com as pessoas de Sodoma.
Após Deus revelar a ele que destruiria Sodoma (Gênesis 18:23), Abraão dialogou com Deus e até barganhou, atentando para a possibilidade de Deus estar matando pessoas direitas na cidade (Gênesis18:23). É claro que eu desconfio que Abraão ao falar das pessoas direitas, estava falando de Ló, seu sobrinho, mas de qualquer maneira ele se importou com estas pessoas, pensou haver uma possibilidade delas existirem e clamou por elas, onde no fim, Deus ouviu a sua oração e salvou a Ló (Gênesis19:29).
Já no Novo Testamento temos o Cristo que morreu para nos salvar, um descendente do mesmo povo que Deus formou, cumprindo assim a profecia. Vale lembrar que Cristo teve como prioridade os excluídos, sem esquecer que naquele contexto, os excluídos não eram só os pobres, mas também os cobradores de impostos, além da prostitutas e os doentes, a lista é grande, abordarei apenas os principais.
As viúvas no período Greco-romano eram obrigadas a casar em dois anos, sendo que a sua herança era toda administrada pelo novo marido. Entre os judeus, a mulher também era diminuída, não recebia educação formal, não tinha voz e era quase que uma propriedade do pai e depois do marido.
A parte boa foi que o cristianismo acolheu estas mulheres, deu voz, cuidou e valorizou. Nas cartas Paulinas vemos muitas sendo parceiras de Paulo no ministério, evidenciando e importância que o cristianismo deu a elas.
As crianças, para um judeu, ocupavam a parte inferior da hierarquia social. Elas eram dependentes e até completarem a idade de observar a lei (12 anos), elas não eram valorizadas. Mas Jesus valorizou-as e deu-as uma posição social de suma importância e até mandou que fossemos iguais a elas (Mateus 18:3).
Os cobradores de impostos eram em sua maioria judeus que trabalhavam para Roma. Eles eram vistos como traidores, além de serem em sua maioria desonestos, cobrando valores mais altos, para assim ficarem com uma parte da arrecadação. Jesus acolheu-os e mudou suas vidas por completo. Pois o evangelho veio para restaurar e não para dividir.
Os leprosos viviam em locais separados das pessoas, eles eram os párias da sociedade e tinham que gritar “impuro” toda a vez que viam uma pessoa sã. Um leproso era visto como um amaldiçoado por um judeu e tinha que viver excluído, por isso que quando Cristo curava um leproso ele não só restituía a sua própria saúde, mas dava uma oportunidade de retorno a sociedade, aos familiares e aos amigos.
O preconceito é o grande problema do ser humano, isso aconteceu com os judeus da época de Jesus. Eles se esqueceram do propósito de Deus e viraram assim um povo que se julgava especial, escolhido e superior. E isso ficou evidente em toda a história do povo de Israel e até na época de Jesus, onde os rabinos não tinham amor pelo próximo, pelo doente e pelo excluído e não se importavam em levar à palavra as pessoas.
Contudo hoje não é muito diferente, a igreja não demora em excluir e dividir. A igreja quer impor e não pregar, forçar e não influenciar. É aquela velha questão, você impõe seu ponto de vista ou influencia? Impondo, você nunca vai chegar a lugar algum e corre o risco de abrir um pressuposto para o outro também impor. Já influenciando não, pois não é usado a força e sim, o exemplo, reflexão e o diálogo.
Se olharmos também para dentro da igreja infelizmente veremos esta mesma realidade. Em algumas igrejas a música, liturgia e todo o resto devem ser feito de uma forma que agrade principalmente os mais velhos, aos líderes da igreja ou aos abastados e não a Deus.
A convivência é um desafio, entender o próximo, sua cultura e maneira de ver as coisas, mais ainda. O problema é que não tem outra forma de nos entendermos, é só com muita humildade, paciência e diálogo que tudo será possível, coisa que ao meu ver os cristãos estão longe de fazer.
A missão começa na Bíblia, o ide também vem de lá e é em nome deste ide que a Missão Urbana existe. Ela serve para nos dar este norte que precisamos além de abrir os nossos olhos para a realidade a nossa volta.
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PÉS QUE CORREM PARA O MAL- PT5
Pés que se apressam para fazer o mal… (Provérbios 6:18).
Nunca mais me esqueci de um desenho chamado “Corrida Maluca”. Passei a minha infância assistindo tal animação. O desenho, como o título já evidencia, se trata de uma corrida de carros, com muitos personagens curiosos e carros malucos, dos mais caricatos. Só que entre os corredores, havia um personagem chamado “Dick Vigarista”, que insistia em trapacear em toda a corrida, porém no fim ele só se dava mal.
Muitos são assim, tal qual este personagem, que não hesitam em correr para o mal, cultivam em sua vida apenas maldades. Eu gosto de como Eugene H. Peterson traduz este versículo:
“Pés que correm pela trilha da impiedade”.
São estes impiedosos que passam por cima de todos e propagam a injustiça a qualquer custo. Mais uma vez eu não consigo deixar de citar a política brasileira, com sua corrupção, que rouba uma nação inteira, e joga a conta de todo o roubo no bolso dos trabalhadores.
Estes que se mostram cordeiros na hora da eleição e depois de eleitos viram lobos devoradores, são os atletas da impiedade. Que não demoram a correr para o mal, vivendo só no egoísmo, destilando injustiça e impiedade por onde passam. Salmos 34:15,16 diz:
“Os olhos do Senhor voltam-se para os justos e os seus ouvidos estão atentos ao seu grito de socorro; o rosto do Senhor volta-se contra os que praticam o mal, para apagar da terra a memória deles”.
Deus protege os seus, ele cuida e atende seus gritos de socorro, e os injustos e impiedosos, lamento informar-lhes, um dia terão que prestar contas ao Grande Senhor. Aí, diante d’Ele, nenhuma desculpa funcionará, muito menos justificativas.
Quem planta o mal, colhe o mal e o pior, prestará conta um dia ao Deus da glória, por isso, preste bem atenção em suas prioridades, em qual direção você tem buscado correr, pois o mal, é uma das coisas no qual Deu abomina.
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DEPRESSÃO SEGUNDO UM DEPRESSIVO
Alguns assuntos nos desnudam, nem tudo é fácil de escrever por nos expor demais, dando assim voz a más interpretações e equívocos. Escrever é sempre um risco, mas é um risco que eu gosto de correr, então vamos lá.
Considero interessante observar pessoas explicando a depressão, cada ponto de vista, pontuação e frase me deixa pensativo ao mesmo tempo em que eu lamento muito. Em especial as frases de efeito, que tentam ajudar, mas acho que complica ainda mais.
Alguns afirmam que depressão é excesso de passado, outros dizem que é frescura de quem não tem o que fazer, e tem até quem diga que depressão é falta de oração, como eu mesmo ouvi uma vez em sala de aula. O pior foi que naquele período eu passava por um período muito complicado, e a frase só ajudou a me deixar mais indignado.
São muitas as teorias que tentam definir o que é depressão e em terras em que pastores, cristãos e pessoas das mais diversas estão se matando, acredito que trazer o assunto a tona é ainda muito necessário. Eu já escrevi sobre o assunto no texto “Depressão”, se quiser ler fique a vontade é só clicar no link Depressão, mas o propósito deste texto é dar outro enfoque. Eu também já falei se os suicidas vão para o céu no texto “Os suicidas vão para o céu?”é também só clicar, e também já falei sobre depressão pastoral. A intenção com este texto é dar o meu ponto de vista, talvez mais um entre tantos, do que é depressão.
Tenho uma enorme empatia pelos depressivos, a parte ruim é que eu tenho esta empatia talvez por também ter sofrido da doença. Eu queria poder concordar com quem fala que depressão é falta de Deus, oração ou coisas do tipo, mas eu não consigo, principalmente por ter orado, chorado aos pés de Cristo, sem muito sucesso. Isso sem contar com os inúmeros homens de Deus que sofreram de tal problema a vida toda e nunca tiveram a cura. Eu também queria acreditar que é falta do que fazer, mas por eu ser muito ocupado, fica difícil de acreditar em tal coisa, e muito menos que é frescura ou excesso de passado, coisa que eu creio não ter, sem falar que eu não ligo muito para o meu passado, com isso, as frases acabam por não falar nada.
De forma bem simples e nada técnico, já que não sou psicólogo, explicarei o que é depressão, segundo quem sentiu e tentarei fazer quem não entende, entender o motivo no qual algumas frases de efeito não explicam ao certo o que é.
A depressão é um profundo sentimento de tristeza, poderíamos chamar de uma tristeza crônica, que nos acompanha em todo o lado. Entenda que eu não sou infeliz, sou completamente realizado, seja como esposo, profissional, como teólogo, músico ou escritor. Eu sou feliz, mas as vezes sinto uma constante tristeza, sendo que tem períodos que é sempre e em alguns momentos são esporádicos.
Não é que eu não ria, não fique de bom humor, muito menos que a todo o instante quero me matar, e sim, que por mais que eu esteja em um ambiente alegre, com ótimas pessoas, feliz por tudo e todos, a tristeza sempre está lá, em um cantinho misterioso do coração me aguardando, sempre presente entre uma risada e outra, ou uma felicidade e outra.
Eu creio que o suicídio, as tentativas de suicídio ou o modo autodestrutivo no qual alguns depressivos vivem, é apenas a consequência desta tristeza crônica. Cada um cala a dor de uma maneira, alguns choram como nunca choraram, outros tomam caminhos destrutivos e complicados, e alguns choram aos pés da cruz e tentam lidar com todo o cinza que invade o peito.
Digamos que ainda sou um depressivo, mas meus episódios atualmente são poucos. Hoje consigo lidar um pouco com toda a tristeza e sigo até que bem. Eu ainda sou triste em alguns momentos e em outros me sinto profundamente alegre, mas são períodos curtos, que com a graça de Deus tenho conseguido lidar, sustentado a todo momento por seu poder.
Lamento profundamente quem espiritualiza estas coisas, fico triste por quem se encontra em igrejas que não possuem diálogo e acabam por ter que carregar este fardo sozinho, isso quando conseguem. Eu só queria que você entendesse que depressão é coisa séria, e nem sempre tem cura.
Nós julgamos tudo a todo o momento, por isso eu só peço que antes de julgar, se informe, tente entender este tipo de dor, procure conhecer pessoas assim, e se aprofunde no tema.
Ao encontrá-las, não precisa aplicar fórmulas, nem tentar solucionar os sintomas da sua maneira, só ouça, compreenda sua dor, caminhe junto. Isso já conta muito para quem segue uma vida cinza.
No mais é só oração e confiar que com a graça de Deus seguiremos bem, esta é a minha oração dia a dia, fico feliz que não seja a sua, por isso, aprenda a não ter preconceito.
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OS CINCO PONTOS DO ARGUMENTO MEDÍOCRE
A parte ótima de nossos dias é que a comunicação e a informação é possível para todos, basta ter um celular meia boca, que você já consegue ter acesso a notícias, artigos, conteúdos de humor ou fazer elogios e críticas do conforto do seu sofá. E se você é um artista, músico ou escritor, com uma facilidade extrema você consegue postar seu conteúdo e divulgar em suas redes sociais. Está é a maior maravilha do nosso século. A parte ruim destas facilidades todas são os críticos de plantão. Veja bem, eu não tenho problema algum com críticas, aliás, é bom deixar claro que se você quer postar a sua arte na internet, deve estar preparado para as críticas, talvez a minha raiva esteja na forma do qual algumas críticas são feitas.
É extremamente comum, ainda mais nestes nossos dias polarizados, ver gente defender seus pontos de vistas com argumentos tão fracos e contraditórios, que até perdemos o ânimo de responder. Não somos perfeitos, muito menos sabemos de tudo, mas a forma como você argumenta e se expressa diz muito sobre você, mostra de onde parte sua forma de pensar e como você defende seus pontos de vista. O objetivo deste texto é justamente mostrar alguns argumentos simplistas, apresentar as piores falhas e dar um caminho mais inteligente para um bom argumento.
Primeiro: argumentos sem fontes confiáveis. Certo dia um amigo postou uma notícia, junto com uma crítica, sobre algumas medidas que o governo atual estava tomando, o texto do compartilhamento era totalmente indignado, ele descia lenha no governo atual. Quando eu entrei para ler a notícia, fiz o que sempre faço antes de ler, fui ver de quando era aquela notícia e notei que era de dois anos atrás, as medidas tomadas pelo governo era da gestão passada, o cara não percebeu e atribuiu a nova gestão.
Cuidado antes de ler uma notícia, cuidado quando usar uma notícia para fundamentar seu ponto de vista, tal qual este meu amigo. Você pode estar usando uma notícia antiga, ultrapassada, ou pior, pode estar usando artigos sem fontes confiáveis e coerentes.
Observe sempre de onde o autor do artigo tirou suas fontes de pesquisa, veja suas bibliografias, a data e se ele tem domínio do assunto antes de compartilhar.
Segundo: argumentos que criticam pessoas e não ideias. Entenda, você pode até não gostar de determinada pessoa, mas quando você vai analisar um argumento você deve levar em consideração apenas o argumento e não a pessoa. Bons argumentadores criticam ideias e não pessoas, argumentos que têm como base criticar pessoas, sem expor suas ideias e opiniões são argumentos sem sentido, baseado em emoções, sem fundamentação alguma. Gostando ou não do sujeito, quando uma verdade ou um bom ponto de vista é discorrido, você deve respeitar e pensar sobre isso. O oposto é também bem verdadeiro, quando uma pessoa relevante falar uma bobagem, você não deve acatar só porque ela é relevante ou uma boa pessoa, ninguém é perfeito, estamos sujeitos a cair em erros e contradições, normal, quem somos não define bons ou maus argumentos, se concentre sempre em ideias.
Uma vez compartilhei uma frase muito profunda de um ateu, a frase era sobre “guardar ressentimento”, uma amiga não gostou porque o autor não era cristão, mas a frase era ótima, muito cristã, resumia muito bem o perigo de se guardar rancor. Uma frase verdadeira é por si só verdadeira, não deixa de ser coerente só porque a pessoa não é boa gente ou não tem a mesma fé que a gente, não se esqueça de que a verdade é verdade e ponto final, aprenda isso e se liberte.
Terceiro: generalizar. Existe um ditado que diz que “toda a generalização é burra”, uma frase bem verdadeira, pois quem generaliza, coloca todo mundo no mesmo pacote, tirando uma conclusão geral sem qualquer reflexão e coesão.
Certa vez, a convite de uma amiga, fui tocar em uma igreja bem tradicional em uma cantata de natal. Cheguei lá todo receoso, preparado para ouvir do pastor um monte de coisas, já que na época eu tinha piercings e tatuagem. O que aconteceu foi justamente o contrário, fui muito bem recebido pelo pastor e ainda fui convidado a tocar algumas músicas na abertura do culto. Eu na época generalizei, achei que todos os pastores daquela denominação eram legalistas, aprendi da melhor forma que não.
Generalizar não é inteligente, faz com que tenhamos conclusões infundadas, pois nem todos erram da mesma forma. Não é porque um tipo de pessoa errou com você que todos daquele meio errarão. Aprenda que nem todo o político é ladrão, nem todo o funcionário público atende mal, nem todo o rico é metido, nem todo o pastor é dinheirista e nem todo o padre é pedófilo. Cada um é cada um e na hora de argumentar, fugir destes pensamentos engessados é básico para que a nossa argumentação não se perca no limbo da burrice.
Quarto: argumentos sem conteúdo. É preciso ter conhecimento do assunto para se discutir ou argumentar sobre algo. Falar de coisas que mal conhecemos é o caminho para o equívoco. Nesta internet da vida, já vi gente falar cada bobagens sobre assuntos que eu conhecia bem, que beirava o ridículo.
Não fale do que você não sabe, não discuta sobre o que você somente acha, conheça o assunto antes de opinar, aprenda a argumentar em cima de provas, notícias ou fatos concretos. E acima de tudo, quando for pesquisar sobre certos assuntos, ouça os dois lados da argumentação antes de tirar uma conclusão. Aprenda a duvidar, a pensar e duvidar novamente, por sermos fadados a falhas, temos que ter sempre um pé atrás.
Quinto: aprenda a ter humildade. Um sábio é humilde, entende seus limites e sabe que pode estar equivocado a qualquer momento. Por isso ele ouve, presta atenção no próximo e discute em cima de conclusões confiáveis.
Ninguém nasceu sabendo e ninguém é onisciente, somos falhos, sujeitos a erros e más interpretações, por isso seja humilde e cresça com isso.
Eu não perco mais o meu tempo discutindo em qualquer lugar, aprendi que nem todos querem te ouvir, por isso, as vezes me calo para não me incomodar, e gastar a minha saliva a toa. Ainda assim eu sei bem que mais dia ou menos dia precisaremos argumentar, falar sobre o que acreditamos, seja onde for, por isso, tento sempre ser mais assertivo para não dar tiro fora do alvo.
Melhore seus argumentos e deixe que ele fale por si. Não se exalte, não se vitimize e não tente impor seus pontos de vista a força com quem quer que seja, aprenda a não ser chato e também a não ser aquele tipo de pessoa que em nome de estar certo fala qualquer coisa só para vencer o debate.
Reflita, não queira ganhar a discussão a todo o momento e aprenda a ouvir. As vezes no âmago de ganhar a conversa, perdemos um amigo, e nada vale mais do que um bom amigo. E a cima de tudo, “as vezes o melhor argumento é o silêncio”, alguns debates não valem o tempo perdido.
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JESUS: UM MESTRE DA MORAL OU DEUS?
Recentemente eu assisti um vídeo no qual um monge budista explica quem seria Jesus. E segundo ele, Jesus foi um mestre da moral, um homem bom e sábio. Na verdade já ouvi isso de muita gente, a maioria deles querendo passar por intelectual ou sábio, o problema é que quem geralmente tem este tipo de conclusão, provavelmente nunca deve ter estudado a Bíblia.
Em contrapartida um tempo atrás um amigo me perguntou por que as afirmações de Jesus às vezes soavam arrogantes? Pois quando lemos a Bíblia é assim mesmo que soa muitas das vezes, e esta é uma das provas de que este já leu os ensinos de Jesus.
Considero um desafio e tanto ler passagens como “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim (João 14:6) ou “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá (João 11:25) ou até Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim (Mateus 10:37) e concluir que Cristo era uma pessoa humilde, principalmente se ele fosse apenas uma pessoa, um homem sábio. Com isso, ficamos em um impasse, quem é Jesus um homem sábio ou Deus? C. S. Lewis acrescenta um ponto importantíssimo:
“Cristo diz que ele é “humilde e manso”, e nós acreditamos nele; e não percebemos que, se ele fosse meramente um homem, a humildade e a mansidão são as últimas características que poderíamos atribuir a alguns dos seus ditos” (LEWIS, 2017, p. 86).
Convenhamos, uma pessoa humilde, um mestre da moral, não fala coisas no qual ele falou, com isso temos duas hipóteses sobre Jesus. Ou ele é o que afirmou ser (Deus), ou ele era um louco ou coisa parecida. Mas um mestre sábio, isso não tem como afirmar. John Stott acrescenta:
“Este é o paradoxo de Jesus. Suas afirmações soam como delírios de um lunático, mas ele não mostra nenhum sinal de ser um fanático, um neurótico, nem muito menos um psicótico. Ao contrário, ele se apresenta nas páginas dos evangelhos como o mais integrado e equilibrado dos seres humanos” (STOTT, 2004, p. 50).
Leia um pouco sobre Jesus, estude por você mesmo e veja como Ele não pode ter sido outra coisa. Cristo andou na contramão, ajudou a quem precisava, mas confrontou os arrogantes religiosos de sua época. Ele afirmou ser Deus, mas não demorou em servir. Ele morreu em uma cruz, mas mesmo pendurado pediu a Deus que os perdoassem (Lucas 23:34). Jesus foi o que ninguém foi e nem vai ser um dia, ele foi 100% Deus e homem, mas apenas um homem sábio é impossível. Gosto de como John Stott termina um dos capítulos do seu livro, a frase é linda e verdadeira:
“Por que sou cristão? Intelectualmente falando, é por causa do paradoxo de Jesus Cristo. É porque aquele que afirmou ser o senhor dos seus discípulos humilhou-se para ser o servo deles” (STOTT, 2004, p. 50).
Enfim, Jesus é Deus e nunca deu espaço para ser outra coisa, entretanto se você ainda o acha louco e difícil de compreender, bem vindo ao clube. Pois só alguém diferente, verdadeiramente ama e se doa a seres humanos que não cansam de coloca-lo de lado. Só um Deus de verdade conseguiria vir, falar e fazer o que Ele fez, coisa que dificilmente um homem sábio faria no lugar dele.
BIBLIOGRAFIA
STOTT, John, Por que sou cristão, Edidora Ultimato, Viçosa,2004.
LEWIS, C. S. Cristianimo puro e simples, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2017.
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MISSÃO URBANA I: A DIFERENÇA ENTRE SER E ESTAR
Em minha vida a Missão Urbana entrou de uma forma bem natural, pois desde novo fui músico e quando cresci fui conquistado por um estilo musical que eu ouço até hoje. Este estilo, bem como muitos outros, carrega consigo uma cultura, forma de falar e de vestir. Com o tempo comecei a fazer parte desta tribo, ter bandas e ir a shows e descobri como tudo funciona. Depois de anos, Deus me chamou para evangelizar esta mesma tribo, o que culminou algum tempo depois em fazer parte de uma igreja voltada para tribos urbanas, ou, para a cultura jovem global, que é outro nome para o termo.
É claro que Missão Urbana é muito mais que rock, punk ou coisas do tipo, e quando falamos desta nossa sociedade que muda em uma velocidade impressionante, falamos em estar preparados para muita coisa que está surgindo, para desafios que aparecem tão rápido quanto as soluções, é por isso que está matéria acaba sendo fundamental. Sem entender a cultura, faremos pouca diferença, sendo que o propósito da matéria é justo este, dar ferramentas para o entendimento à leitura e a compreensão da sociedade.
Eu costumo ouvir de cristãos que o mundo está um caos porque as pessoas têm se esquecido de Deus e deixado de frequentar a igreja, seguindo sem qualquer escrúpulo o mundo. Tal reflexão é verdadeira e legítima, no entanto, eu a considero simplista por demais, afinal, existem muitas variáveis quanto ao assunto.
Existem dois fatos quando falamos de pessoas que não mais vão a igreja. O primeiro é: “sim o mundo está um caos”, o homem tem se distanciado cada vez mais de Deus e piorado cada vez mais por conta disso. C. S. Lewis têm uma frase que eu gosto muito e resume bem a questão:
Só existe um único ser bom, e esse é Deus. Tudo o mais é bom quando olha para Ele e mau quando se afasta d’Ele (LEWIS, 2006, PG 70).
Cada vez que o homem se distancia de Deus, mais ele fica mau, autodestrutivo e o mundo um lugar caótico. Apesar disso, existe ainda uma segunda questão quando falamos do assunto: “a igreja tem parado de pregar o evangelho”.
É claro que eu não vou generalizar, pois existem igrejas cumprindo o ide que Cristo nos deixou, mas em sua maioria as igrejas têm pecado neste quesito, têm se fechado em seus guetos gospels e esquecido das pessoas.
Entendam que sempre que vocês olharem para o mundo, observarem todo o caos e os problemas, é básico compreender também que é sua a responsabilidade de pregar a anunciar o evangelho, é a sua função estar presente e fazer diferença, ou pelo menos tentar.
Michael S. Horton no livro O cristão e a cultura, fala da diferença entre “ser do mundo” e “estar no mundo”. Nós não “somos” do mundo, mas estamos no mundo, para fazermos diferença devemos estar sem ser, e uma citação sua define bem como isso é possível:
“Estar no mundo, mas não ser do mundo requer que conheçamos a fé cristã o bastante para reconhecer quando estamos permitindo que definições, atitudes, percepções e modelos seculares formem a nossa crença e expressão” (HORTON, 2006, p. 172).
Não adianta fugir, nós estamos no mundo, é impossível não estar, conquanto nós não somos do mundo, por isso, temos que conhecer e estudar a palavra para que percebamos quando estamos ou não sendo influenciados.
Quando falamos de missão urbana, falamos da cidade, do evangelho, de pessoas e culturas, tudo dentro da mesma cidade em uma espécie de mundo paralelo, com seus modos, linguagem e jeito de viver. A missão urbana trata desta cidade, destas pessoas perdidas e leva o evangelho e a graça a quem nunca ouviu ou talvez até ouviu, mas de forma equivocada. Arzemiro Hoffmann define missão urbana de uma forma bem interessante, que conclui de forma perfeita o significado e a importância dela para nós cristãos:
“A missão urbana é um protesto contra a ruína da cidade “civilizada” que experimentamos” (HOFMANN, 2008, p.13).
Em um mundo caído, autodestrutivo e perdido, a missão urbana é um protesto, um grito de “basta” que põe fim no caos e na maldade humana. É por isso que precisamos assumir a responsabilidade, arregaçarmos as mangas e trabalharmos a fim de que a mensagem chegue e construa vida onde tudo já está morto.
Pouco adiantará se você não assumir a sua responsabilidade, não entender que levar a palavra as pessoas é a sua missão. Estar no mundo não é ser do mundo, por isso que não é errado você ir de encontro as pessoas para fazer diferença, e acima de tudo, se você não se importa com as pessoas, a missão urbana nem é para você. Pois tudo começa com a empatia, com se importar, em se condoer e se doar, Arzemiro Hoffmann novamente complementa a questão no livro “A cidade na missão de Deus”:
“Se nada na cidade me comove; se nenhuma injustiça me causa indignação; se nenhuma violência me machuca; se nenhuma perversão ma degrada; se nenhuma corrupção agride meu senso de justiça; se nenhuma dor me leva às lágrimas… Então, eu nada tenho a fazer, não tenho chamado de Deus para a missão urbana” (HOFMANN, 2008, p.87).
Que nosso coração possa aprender a se doar pelas pessoas, que nós consigamos nos importar pelos que estão se perdendo, ao invés de criticá-las e exigir que vivam uma vida calcada em valores que eles não conhecem.
Esteja no mundo, se importe com as pessoas, aprenda a sair do seu gueto e ir de encontro aos perdidos. Marque almoços e churrascos, confraternize com seus amigos não cristãos aprenda a ouvi-los e apoiá-los.
Você não é do mundo, mas está no mundo, com isso, é importante estar. Uma cidade construída em cima de um monte é enxergada em todo o lugar, é impossível não vê-la. Ninguém acende uma lanterna e a coloca em baixo da cama, ao contrário, deixamos em um lugar onde possa iluminar o ambiente todo, e para isso, nós precisamos estar no mundo e não apenas ficar trancado em quatro paredes (Mateus 5:13-16).
BIBLIOGRAFIA
LEWIS, C. S, O Grande Abismo, Editora Vida, São Paulo, 2006.
HORTON, O cristão e a cultura, Orientação bíblica para o crente, Editora Cultura Cristã, São Paulo, 2006.
HOFFMANN, Arzemiro, A cidade na missão de Deus, O desafio que a cidade representa para a Bíblia e a missão de Deus, Editora Encontro, Curitiba, 2007.
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SOMOS TODOS INCOMPETENTES
Gosto muito de ver alguém que entende do assunto falar, gente que gastou tempo estudando e pesquisando, professores que dedicaram horas lendo e se aprofundando antes de dar uma aula. Gente que realmente sabe alegra o meu coração, me incentiva a estudar e ser ainda melhor no que faço.
A boa notícia é que o conhecimento é inesgotável, se você tem o hábito de estudar e ler, nunca terá uma vida monótona, pois sempre terá a possibilidade de se deparar com o novo, com o aprendizado, com o crescimento pessoal.
Para quem tem consciência e é humilde, o simples fato de que “ninguém sabe de tudo” já serve como um bálsamo, um impulso para que nunca deixemos de aprender e a crescer, pois afinal uma das poucas verdades que devemos nos lembrar é a de que “Somos todos incompetentes”. Não sabemos de tudo, é impossível você ser especialista em todas as áreas, sendo que com certeza, quem diz que sabe de tudo, no fundo, não sabe de nada, ele só não sabe disso
É totalmente inconcebível você saber de tudo, foge da lógica simples, da coerência e da racionalidade, existe muita informação para que você seja a pessoa mais informada. E se no fim, a fim de tentar saber de tudo, você tentar se dedicar em um pouquinho de cada coisa, no final, você não terá profundidade em nada.
Se dedique a algumas áreas, gaste tempo para se especializar cada vez mais, pois é melhor alguém ser ótimo em algumas poucas coisas, do que ser “bom” em um monte de coisas, onde no final, não vai ter profundidade em nada.
Tento cultivar todos os dias um coração humilde, tento ter consciência da minha ignorância, sendo que por cultivar tal atitude já prendi muito e a cada dia aprendo mais. Já recebi ótimos conselhos de quem não tinha o primeiro grau completo, mas aprendeu a duras penas, apanhando da vida. Assim como também de muitos que tinham formação e até estudado no exterior. Já me deparei com ignorantes com mestrado e doutorado, e verdadeiros sábios que mal sabiam escrever, pois, quem está aberto ao conhecimento aprende, enxerga a oportunidade de crescimento e sabe que todos sabem um pouco.
O conhecimento é inesgotável (penso que a burrice também), por isso, não caio na armadilha de achar que eu sei de tudo. Aprendo a me aprofundar e tenho o costume de questionar o que eu sei, pois às vezes podemos estar equivocados e nos fechar para o conhecimento.
Todos são incompetentes em uma área e quem sabe disso é humilde e cresce dia a dia. A grande maravilha de vida é que quanto mais você reparte, mais você aprende. Viver é uma troca, cada um dá um pouco de si e no final todos saem ganhando.
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O RETRATO DE UM MAU ARGUMENTO
Foi durante uma conversa habitual de final de semana em um freelancer, que eu falei que não acreditava na teoria da evolução, pelo menos não como ela é colocada. Foi o fim para o meu interlocutor, e o começo do caos para mim.
O assunto surgiu do nada, sem motivos, sendo que por ele ter dado o seu ponto de vista, eu, de forma banal e até distraída, já que eu estava trabalhando, dei também o meu.
Após a minha revelação em forma de uma breve e descompromissada argumentação, usando em minha fala um argumento de Chesterton do livro “O homem eterno”, que estava bem viva em minha memória, o homem transtornado, visivelmente alterado, começou a me xingar. Ele é ateu, mas sempre soube que eu era cristão, com isso, fiquei sem entender o motivo de sua alteração, fui chamado de alienado, com todas as letras e de forma bem enfática, entre tantos outros adjetivos que não cabem no texto.
Tentei argumentar e apaziguar os ânimos, mas não consegui, percebi, por conta de sua forma de falar, que ele não respeitaria a minha opinião. Seus argumentos não tinham fundamento no diálogo e o que se segue é o mapa dos seus argumentos, que evidencia por si só, que a intenção do tal interlocutor não era argumentar, mas vencer a todo o custo a discussão.
Quando eu justifiquei a minha posição fiz o que comumente faço, usei algumas bibliografias para reforçar o meu ponto de vista. Ao concluir, e após eu ouvir algumas palavras ofensivas, ele começou a atacar a igreja, os cristãos, falou de todo o caos que a igreja fez na história, mas não refutou o meu ponto de vista. Eu concordei com a questão da igreja e dos cristãos, afinal a igreja errou muito, mas justamente com a minha concordância, falei de todos os bons cristãos, as boas igrejas, mostrando o outro lado da história que é bem pouco conhecida. Falei das universidades fundadas por cristãos, a ideia do ensino público gratuito de Lutero e por aí vai, por eu ter feito um estudo sobre o assunto para a universidade no qual trabalho, as bibliografias ainda estavam bem frescas, sendo que eu ao concluir, lembrei-o que ele não havia respondido a minha primeira argumentação, mas não adiantou. Ele disse que eu estava errado (não disse onde) e continuou a me chamar de alienado entre tantos outros nomes.
Finalmente comecei a ficar ofendido, pois até aquele hora eu estava encarando o caso com certo bom humor e até distração, pois como eu disse, eu estava trabalhando. Com isso parei o que estava fazendo e falei sobre alienação e o fato de que ambos poderíamos estar alienados (eu nunca excluo este fato), concluí dizendo que é fácil chamar alguém que tem um ponto de vista diferente do nosso de alienado, o desafio é realmente argumentar, aconselhei que o assunto não nos levaria a lugar algum (já que ele não queria me ouvir mesmo) e pensei que encerrar o assunto era a melhor solução, mas não adiantou, e me ofendendo compulsivamente, não parou de falar. Foram duas horas e meia, onde ele não me ouvia e eu tentava falar e apaziguar seus ânimos toa. A parte complicada era que tudo o que eu falava soava como ofensa para ele, e quando eu comecei a me alterar (eu até que demorei) ele usou a minha alteração para me acusar, e o pior era que eu não podia sair da sala, eu estava no trabalho.
Algumas importantes situações eu percebi neste diálogo, se é que poderíamos chamar de diálogo, o que se segue é um mapa delimitado da tal conversa.
Primeiro, ele não discutia ideias. É um problema quando uma pessoa não fala de argumentos e sim de pessoas. Seres humanos erram, a igreja errou, eu erro, mas o caso ali era refutar o meu ponto de vista, já que ele me considerava errado, coisa que ele não fez, preferiu falar do erro da igreja, do pastor, do padre e de tudo, menos do que eu falei.
Segundo, ele não usava argumentos. Vele lembrar que argumento é uma reflexão que nos leva a uma dedução sendo que falar de outros fatos, não é argumentar, no caso dele, ele teria que me mostrar onde eu estava errado.
Terceiro, ele generalizava. Não generalize, este é um erro muito grande, nem todo o padre é pedófilo, pastor ladrão ou igreja é charlatã. Aprenda a conhecer o outro lado, pesquise e procure conhecer o assunto de todos os ângulos, pois existe sempre o outro lado da moeda.
Quarto, ele não considerava o fato de que poderia estar errado. Nós somos seres falhos, eu mesmo sou, e estamos sujeitos ao erro e ao engano a toda a hora. Quando você não considera esta verdade, está fadado a se perder em pensamentos simplistas. É importante entender a nossa finitude e por isso respeitar a opinião alheia que pode estar certa (ou errada).
Confesso que eu não sou muito fã de discutir, eu já estive em situações parecidas, este tipo de pessoa tem muito no mundo e como eu não gosto de perder tempo, eu não me sujeito a estas conversas, mas com ele foi inevitável.
Eu sei que não sou perfeito, e é claro que eu errei muito, eu me alterei, fui irônico algumas vezes (eu sempre sou) e em meio as ofensas perdi a paciência. É importante aprendermos a sermos pacientes, mas nem sempre estamos em bons dias.
Cada um tem a sua opinião, até eu, se eu não defender o direito de você tê-las estarei sendo contraditório, contudo, não podemos ceder à tentação de querer vencer, devemos sempre aprender a argumentar.
Lembre-se de algo importante, toda a opinião proferida para rebaixar e ofender alguém, não vale a pena ser proferida, mesmo que está seja uma verdade. Toda a crítica dita para diminuir ou rebaixar alguém, é pobre, sem sentido, não vale a pena ser falada.
Ou aprendemos a nos comunicar ou nos calamos, pessoas são mais importantes que opiniões, não adianta ganharmos uma discussão e perdermos uma pessoa.
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O PODER DO FRACASSO
Já fracassou ao ponto de não ter mais saída? Já passou por situações onde os problemas lhe acusavam de incompetente? Você já sentiu o gosto da frase, “você não é capaz?” Eu já, inúmeras vezes.
Eu sei fracassar mais do que ser vitorioso, acredite nisso. Talvez por sempre estar tentando coisas novas eu acabo por quebrar a cara com constância, sei bem o gosto do fracasso e dos benefícios que a frustração nos traz, por isso não me deixo abater pela derrota, ou, como diz Artur Xexéo: “Não deixo o fracasso subir a cabeça”.
O fracasso, algumas vezes, nos joga no fundo do poço, faz com que tenhamos que lidar com o sentimento de incompetência ou que tenhamos que começar tudo de novo, além de termos que lidar com todos os sentimentos que a derrota nos traz.
Já fui alvo de algumas zombarias veladas ante o fracasso e até de algumas explícitas, acredite em mim. Já tive que lidar com a minha incompetência e ser visto como um nada, um incapaz ante as pessoas. Não é fácil, entretanto foi no fracasso que aprendi inúmeras lições.
A primeira lição foi sobre a própria infalibilidade. Desde novos ouvimos que não somos perfeitos, que cada um tem as suas falhas, mas é só durante o fracasso que entendemos isso de uma forma realmente clara.
Somos falhos, somos limitados e muitas vezes embarcamos em empreitadas com uma visão encurtada. Só amplia o seu ponto de vista quem fracassa, quem quebra a cara e entende quem realmente é. É fracassando que nos aprimoramos, é na derrota que enxergamos as possibilidades. Há quem diga que Thomas Edison, o inventor que tentou mais de 1000 vezes até conseguir inventar a Lâmpada, disse que não fracassou nenhuma vez, ele apenas descobriu as 999 maneiras da Lâmpada não funcionar, eu não sei se foi isso que aconteceu comigo nestes inúmeros fracasso, apenas só sei que aprendi muito.
A segunda lição que o fracasso nos traz é a própria empatia. É durante a derrota que a prendemos a sentir a dor do outro, que acabamos por ter mais paciência, que ajudamos mais do que atrapalhar. O fracasso une as pessoas, constrói propósitos e resoluções. A derrota nos deixa mais humanos, capazes de ver o próximo como igual.
Não somos superiores e por mais que alguns sejam mais inteligentes do que outros, ninguém tem o direito de passar por cima do outro por conta disso. O fracasso nos faz ter esta consciência, nos deixa com o pé no chão e mais empático, o fracasso faz do homem mais homem, tornando sua vida mais construtiva, que egoísta e destrutiva.
A perseverança é a terceira lição, sendo que entender que nem tudo acontece de primeira é básico para que possamos amadurecer. Persevere, aprenda a enxergar os seus equívocos e prossiga. Ganha apenas quem tem o poder de aprender, quem tem a capacidade de cair e se levantar.
Você vai se impressionar quando descobrir que muita gente talentosa só chegou lá pela persistência. Nem todos têm o dom natural para a coisa e por mais que alguns tenham, praticar e estudar é básico para nos desenvolvermos, por isso que a persistência é importante. Nem tudo vem de graça, tudo custa algo, chega lá quem persiste.
Mas o fracasso nos traz uma quarta lição, que é recomeçar de uma forma melhor. As vezes, no afã de realizar algo, tapamos nossos ouvidos para os avisos, dicas e opiniões, seguimos cegos e acabamos por não ver o nosso erro. O fracasso é uma ótima oportunidade para começar da maneira certa, de aprender o que dá errado e seguir para o que dá certo.
Recomeçar nunca é fácil, mas é preciso aprender, só é preciso um pouco de humildade e paciência, entendendo que nem tudo é do nosso jeito e também que o mundo não gira em torno do nosso umbigo.
O fracasso é poderoso, principalmente para aquele que não é adepto do coitadismo, para aquele que não tem medo de recomeçar e tentar mais uma vez.
Nem tudo é da nossa maneira, nem tudo o que fazemos dá certo, por isso que a humildade é básica para uma empreitada de sucesso, por isso persevere, aprenda com o erro e prossiga transformando o fracasso em momentos de aprendizado.
