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  • SUCESSO

    Não é fácil hoje em dia definir o que é sucesso, acredito ser um desafio pontuar quem são as pessoas de sucesso ou o que ele significa. Eu sei de duas coisas, sucesso não é fama e nem sempre o sucesso cai do céu. Segundo o dicionário Dicio, sucesso é:

    “Êxito; consequência positiva; acontecimento favorável; resultado feliz”.

    E com estes significados nas mãos já conseguimos ter um pouco mais de luz em nossa reflexão. Pois quando falamos de uma pessoa de sucesso, não falamos de um artista famoso, nem de um empresário brilhante e sim, de alguém que tinha um objetivo e conseguiu algum êxito.

    Primeiro, o sucesso é uma consequência natural do esforço, eu, por exemplo, sou baterista e para dominar o instrumento precisei estudar muito, repetir um exercício inúmeras vezes e aprender a lidar com o fracasso. Penso que uma das coisas que uma pessoa de sucesso tem é a habilidade de lidar com o fracasso e crescer com ele. Eu vivi isso, pois apesar de eu ter um dom natural para música, algumas técnicas de bateria foram difíceis de dominar. Precisei de muito tempo e perseverança para conseguir executá-las. Veja bem amigo, talento sem esforço não serve para nada. Não adianta você ter um dom, se você não estuda ou se esforça para evoluir. Outra coisa, nem sempre uma pessoa de sucesso tinha certa facilidade para aquilo no qual obteve êxito, alguns conseguiram por praticar muito e se dedicar de forma demasiada naquela determinada área.

     Segundo, o sucesso em algo está muito ligado as nossas metas, em como e onde queremos chegar. É impossível termos qualquer êxito sem antes não pontuarmos bem os nossos sonhos, planos e objetivos. Quando sabemos bem o que queremos, como e onde pretendemos chegar, o sucesso da nossa empreitada já está em um nível bem adiantado.

    Terceiro, o nosso sucesso está muito ligado a pessoas, em ajudas e apoios que comumente recebemos ao longo da nossa caminhada. Não existem pessoas de sucesso que nunca foram ajudadas, não existe êxito sem professores, conselheiros e apoiadores. Toda a boa história é marcada por muitos auxílios, esquecer-se disso é apagar o próprio caminho, é esquecer a estrada no qual trilhamos e das pessoas que nos dão a mão.

    Hoje eu sou amigo de muitas pessoas de sucesso, alguns são músicos que possuem um reconhecimento público e são famosos. Outros professores brilhantes no qual fui aluno, mas que por uma infelicidade não são tão conhecidos, a vida é assim.

    Sucesso é saber bem aonde se quer chegar, é aprender com os erros e não deixar que ele te derrube e te desanime. Você vai se impressionar se buscar na internet depoimentos de pessoas de sucesso que erraram feio, mas que aprenderam com os erros. Mas principalmente, o sucesso em uma empreitada se define através de nossa persistência, sendo que o resultado pode não nos trazer fama, mas nem por isso deixa de ser uma empreitada de sucesso.

    Quem não tenta, não sai do lugar. Quem não faz algo por causa do medo do fracasso, nunca aprende, nunca constrói coisa alguma. Talvez o sucesso seja a marca de quem tentou, quem sabe seja o prêmio do sonhador que planejou e foi atrás. Penso que errar é humano, mas aprender com os erros é uma das maiores marcas de quem tem sucesso.

  • IMITADORES

    “Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo” (1Coríntios 11:1)

    Muitos admiram Paulo pela ousadia em proferir tais palavras. Para alguns, falar para alguém que nos imite é loucura, por sermos falhos, fracos e pecadores, quem dirá imitar a Cristo. A pergunta que fica no ar é: Se você não imita Cristo, quem você imita?

    É comum ficarmos com medo desta premissa, ainda mais quando não temos certeza de nossas convicções.

    “O convite de Paulo vai além das convicções e experiências. A fé, para Paulo, não se limita às profundas e sólidas convicções que ele possui, nem repousa nas inúmeras experiências vividas por ele, mas em seu desejo sincero de ser conformado à imagem de Cristo” (BARBOSA, 2014, p. 59)

    O que não entendemos muitas vezes é que Paulo não está falando que é perfeito, muito menos afirma ser melhor do que os outros. São muitos os textos onde ele fala que é falho, o pior dos pecadores, Paulo sabia quem era. A conclusão que o apóstolo quer dar com está frase é deixar claro qual seria o seu alvo, qual era o seu referencial.

    “Paulo sabia que a vida cristã é dinâmica. Ou andamos em direção a Cristo, ou andaremos na direção oposta a ele. Não temos escolha. Ou imitamos a Cristo ou imitaremos outra coisa, não temos como fugir disso. Ou adoramos a Cristo, ou iremos adorar outros ídolos. O problema é que, Quando digo para não me imitarem, para não olharem para mim, estou também dizendo que a minha vida não reflete a humanidade gloriosa e verdadeira de Cristo, que não é a sua humildade e mansidão que eu mais desejo refletir, que não é ele que eu sigo em obediência e amor” (BARBOSA, 2014, p. 96, 97)

    A Pergunta é simples, quem você imita? Qual é o seu referencial? Você ama como Cristo mandou amar? Você perdoa como Ele mandou perdoar? É isso que trata o texto. Não somos perfeitos, temos inúmeros erros e problemas em nossa vida, porém ou caminhamos em direção a Cristo, ou o nosso alvo é outro. Eu gosto de como Eugene H. Peterson parafraseia esta passagem:

    “Fico feliz por saber que vocês continuam a se lembrar de mim e a me honrar, guardando as tradições da fé que ensinei. Toda autoridade verdadeira vem de Cristo” (2013, 1627)

    Somos imitadores de Cristo, é a Ele que seguimos e devemos ter como alvo, sendo assim, ou imitamos a Ele ou a nossa vida é falsa e contraditória.

     

    BIBLIOGRAFIA

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

    PETERSON, Eugene H, A Mensagem, Bíblia em linguagem contemporânea, Editora Vida, São Paulo, 2012

    BARBOSA, Ricardo, Identidade Pedida, Editora Encontro, Curitiba, 2014

  • CAOS CRISTÃO

    Que a igreja não se entende isso nós já sabemos, é meio óbvio, basta vermos as discussões de internet, ninguém consegue entrar em um consenso quanto a coisas básicas, como batismo no Espírito Santo, como interpretar a Bíblia ou sobre qual é o jeito correto de orarmos, isso que a Bíblia já é bem clara quanto a estes assuntos, imagine se não fosse. Agora se partirmos para assuntos como predestinação ou a volta de Cristo, aí o caos cristão é instalado. Isso que eu nem entrei no tema denominações e seus vários costumes

    Um tempo atrás assisti a um vídeo chamado “Os dois túmulos de Jesus” do canal “louco por viagem” que evidencia bem este nosso problema de convivência.

    O autor do vídeo começa a mostrar o local que é um dos possíveis túmulos de Jesus. Neste lugar que é um centro turístico, se encontra a Igreja do Santo Sepulcro, administrado, na teoria, por cinco denominações: A Católica Romana, Grega Ortodoxa, Armênia, Ortodoxa Copta, Ortodoxa Etíope e a Ortodoxa Síria.  O curioso é que estas denominações não se entendem, não conseguem tomar decisões básicas a respeito da administração do local. O problema é tão grande que quando foi feito uma reforma uns duzentos anos atrás, esqueceram uma escada em um dos telhados e eles não conseguiram decidir quem iria tirar a escada, no fim, nestes anos todos ela ficou lá, visível, fazendo parte da fachada do local, como prova da ignorância e falta de diálogo entre os religiosos. Mas as amostras de falta de diálogo não pararam por aí, pois eles também não conseguem decidir quais das denominações vão abrir e fechar a porta do templo. Sendo que isso é feito por muçulmanos voluntários e pasmem, nos banheiros que os visitantes do local usam, não tem papel higiênico, pois eles não conseguem decidir quem irá comprar o papel.

    Este cenário todo não me deixa tão impressionado, pois a falta de diálogo tem sido uma das marcas da igreja cristã há séculos. Igrejas se dividem toda a hora, cristãos se digladiam e armam verdadeiras guerras, enquanto irmãos se dividem cada vez mais. 

    No momento a divisão tem sido política, cristãos tem brigado por seu lado, defendendo o seu ponto de vista com tanta dedicação que pessoas que pensam o contrário têm sido aviltadas como inimigos. Há um tempo a divisão tinha sido por conta de Calvino e Armínio e quando os ventos mudarem, não saberemos qual será o motivo da briga, mas sabemos que a igreja seguirá brigando e se dividindo, como tem feito estes anos todos.

    Gálatas 5:16 ao 26 a Bíblia lista uma série de frutos da carne e depois frutos do Espírito. Entre os muitos frutos da carne estão as inimizades e as brigas (V20), e quando olhamos para a igreja a sua incapacidade de dialogar sem torcer a Bíblia para justificar seus erros, vemos que a igreja tem estado cada vez mais longe de Deus.

    A igreja tem se dividido cada vez mais, está faltando empatia e sobrando arrogância. O amor tem esfriado cada vez mais, e a vontade de estar certo tem sido a prioridade ao invés de amar e olhar para o próximo.

    Penso que os cristãos tem sido cada vez mais religiosos, os invés de cristãos. Decorando cada vez mais os costumes da igreja, ao invés de ler a praticar os ensinos de Jesus.

    Enquanto seguimos a placa de uma igreja, certamente nos dividiremos, só haverá união novamente quando olharmos para a cruz, tendo em mente que somos todos fracos e pequenos.

  • PERDÃO

    Quem não perdoa não tem consciência de sua própria condição!

     

    Vivemos dias extremos e egoístas, calcados em uma total falta de empatia. Sendo que pior destes nossos dias ainda é a falta de perdão, é não aceitar o erro do próximo e seguir como se nunca na vida tivéssemos errado.

    Quem não perdoa não entende que todo mundo erra, quem tem dificuldade de perdoar acaba destruindo o caminho que um dia terá que percorrer. Eu sei que certos erros não são fáceis, mas sei também que todo mundo erra, até nós, com isso perdoar é básico.

    Sem contar que o perdão tira de nossas costas todo o peso de uma dor, quem guarda rancor adoece, revive dia a dia a situação, e acaba sempre mal. O ressentimento é um veneno, o perdão certamente é a cura, por isso perdoe. Entenda este benefício e cultive o caminho que mais dia ou menos dia você terá que percorrer, não tenha dúvidas.

  • O CRISTÃO E A ARTE

    Gosto de admirar o belo, ouvir boas músicas e ser tocado por ótimas letras, sejam elas cristãs ou não. Não acredito que só os cristãos é que conseguem escrever boas letras, ótimas reflexões ou mensagens interessantes, muito menos acredito naquela velha divisão de coisas de Deus e coisas do mundo.

    Você pode se ver surpreendido quando descobrir a infinidade de bons artistas com ótimas mensagens. É claro que eu não estou querendo afirmar que dentro da igreja devemos adorar a Deus com qualquer música, ou que qualquer tipo de arte pode enfeitar nosso local de culto. Existem músicas específicas para isso e enfeites apropriados para o local. A minha afirmação é que o belo deve ser admirado e a boa música reconhecida, sendo que Deus usa qualquer coisa para comunicar sua verdade.

     Considero muito curioso a necessidade do cristão de rotular tudo o que ele faz de cristão, ou gospel. Talvez para não se misturar com o mundo, ou quem sabe, para não ser “confundido com um descrente” como muitos afirmam. A ordem do dia é evangelizar, propagar a mensagem, com isso, música gospel, livro gospel, banda gospel, empresa gospel surge com este fim, mas que perdem sua força, por ser algo taxado, feito para um público específico, pelo menos é assim que muitos veem as bandas e livros cristãos.

    Eu creio que o nosso ide é pregar, mas também sei que Deus veio salvar o ser humano todo, com suas crenças dons e necessidades. Deus nos fez criativos, reflexivos e inteligentes, sendo a arte, a música e a nossa reflexão a característica principal deste ser feito a imagem e semelhança de Deus.

    É possível observar o belo e ver como Deus é perfeito, dando inteligência e sabedoria para o homem criar e produzir. É possível ouvir uma bela música, apreciar uma boa letra e aprender ótimas lições mesmo de pessoas que não professam a fé cristã. Pois no fim, tudo vem de Deus, foi ele que nos deu tal dom, e se algo é belo e verdadeiro, não deixa de ser verdadeiro, mesmo vindo de quem não conhece a Deus.

    É claro que existem livros ruins, músicas ruins e arte ruim com ensinamentos perigosos, mas nem tudo o que é denominado cristãos, é bom. Eu mesmo conheço muitos livros e músicas cristãs, que de cristãos não têm nada.

    Francis Schaeffer no livro: “A arte e a Bíblia”, ensina ao longo da obra, como a arte, o enfeite e o belo, sempre estiveram presentes nas coisas de Deus. Ele mostra a importância da arte, não só para evangelizar, mas para também fazer algo dedicado a Deus, gosto de uma frase do livro, que resume bem a ideia:

    “…o cristão deve usar a arte para glorificar a Deus, não simplesmente como propaganda evangelística, mas como algo belo para a glória de Deus” (SCHAEFFER, 2010, p.19).

    Afinal, Deus nos fez criativos, por isso, expressar nossa criatividade sendo bons artistas, glorificando assim a Deus e o dom que vem diretamente dele, é também ser cristão e uma forma de honrar a ele.

    Assim, seja o que formos fazer, se for sempre para a sua honra e glória, estaremos louvando o seu nome a dando glorias a ele (Colossenses 3:17). Tudo começa com a nossa vida, em como vivemos, para que tenhamos uma vida de louvor a Deus e de pregação. Schaeffer termina o livro dando justamente esta ênfase, com isso, quero terminar o texto usando as mesmas palavras que ele:

    “Nenhuma obra de arte é mais importante que a própria vida do cristão e todo cristão deve se preocupar em ser um artista nesse sentido” (SCHAEFFER, 2010, p.76).

    Esta talvez seja a verdadeira obra de arte que Deus quer que construamos, uma vida dedicada a ele, que transmita, através de nossos atos sua mensagem, que a nossa vida glorifique a ele e a tudo o que ele fez.

    Que possamos aprender a viver uma vida sem muitos rótulos e mais vivencias, rótulos são úteis, todo mundo têm, mas nos divide. O evangelhos nos une em um propósito apenas, exaltar a Deus.

     

    BIBLIOGRAFIA

    SCHAEFFER, Francis, A arte e a Bíblia, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2010.

  • APENAS UM CARA COMUM

    Eu nunca me considerei um gênio, um cara especial ou coisa parecida, eu sempre tive a consciência de ser um cara comum, com muita coisa a aprender e eu assumo isso sem vergonha, nem medo de me diminuir. O curioso é que ao longo da minha vida fui cercado de pessoas, algumas bem intencionadas, outras nem tanto, que deixavam bem claro o quão comum eu era.

    Confesso que quando novo isso me perturbava, afinal, adolescente sempre têm uma visão um tanto quanto idealizada e distorcida de si. Entretanto, conforme eu tomava consciência de quem eu era de verdade, aprendi a usar o comum a meu favor.

    Por ser comum, me dediquei aos estudos e leitura como nunca, estabeleci metas e procurei me empenhar, corrigindo meus erros, me aperfeiçoando incansavelmente.

    Entenda que ninguém nasce sabendo, entenda também que por mais que você tenha um dom, uma facilidade para algo, se você não estudar e procurar o aperfeiçoamento você não cresce ou acaba por ficar sempre na mesma. Gosto de uma frase de Mark Mason, que eu tento manter sempre vivo em minha mente, para que assim eu continue com uma mentalidade em constante busca de aperfeiçoamento:

    “O homem que acha que sabe tudo não aprende nada novo” (MANSON, 2017, p. 145)

    No fim, tudo vai depender do seu esforço, do quanto você se dedica e do quanto você está aberto a aprender. Você não precisa ser um gênio para buscar crescer como pessoa. Aliás, eu desconfio de quem se acha um gênio e também de quem precisa a todo o custo provar para as pessoas quem ele é.

    Eu costumo dizer que não adianta você ser um inteligente, se você não é do tipo que se esforça, pratica ou tenta evoluir dia a dia. Quem não reflete, não se recicla ou não busca aprender algo novo, dificilmente vai ser algo, ainda mais um gênio.

    Por fim, aprendi que ser um gênio não me define e sim o quanto eu sou motivado e dedicado, o quanto eu quero crescer e me esforçar para que eu alcance meus objetivos.

    Muitos, mas muitos profissionais que são considerados geniais gastaram tempo para se aperfeiçoar, deram tudo de si para ser o melhor em sua área sem nós sabermos disso. Ninguém vê o quanto uma pessoa se empenha, por isso é fácil falar que uma pessoa tem um dom incrível ao invés de procurar saber o quanto aquela pessoa ralou para chegar aonde chegou.

    Eu descobri o poder da dedicação quando um dia eu conversava com um guitarrista muito virtuoso. Neste dia ele me contou como nunca tinha tido o dom de tocar guitarra e tudo o que ele sabia tinha sido construído com muito empenho, persistência e dedicação, naquele dia a minha vida mudou e eu entendi o poder de ser uma pessoa focada.

    É claro que existem gênios, é claro também que alguns possuem mais facilidades para aprender do que outros, normal, mas não é impossível, se tivermos força de vontade, também chegarmos onde queremos chegar, basta empenho e dedicação.

    Não espere “ser”, nem elogios, muito menos confie na genética, opte por se esforçar, gastar tempo com leitura e estudo. Ninguém nasce pronto, viver é um constante aperfeiçoamento, por isso, ao invés de esperar algo, construa o que você quer ser com muito empenho e dedicação.

    BIBLIOGRAFIA

    MANSON, Mark, A sutil arte de ligar o Fo…, Uma estratégia inusitada para uma vida melhor, Editora Intrínseca, Rio de Janeiro, 2017

  • O BOM SAMARITANO

    Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão… (Referência Lucas 10:25 a 37).

     

    Cristo contava muitas parábolas quando queria ensinar, tal recurso é didático e uma ótima ferramenta de ensino.  Uma boa história nos ajuda a contextualizar a questão e entender o conteúdo de uma forma muito mais ampla. Creio ser este um dos motivos para Jesus usar tal ferramenta.

    Esta passagem conhecida como a parábola do bom samaritano é uma das mais conhecidas e talvez até uma das mais incompreendidas. O texto tem como tema principal “graça e obras”. Sendo que e parábola foi contada por causa de duas perguntas: “O que farei para herdar a vida eterna?” (Lucas 10:25) questão que tinha como propósito testar Cristo seguido da pergunta “quem é o meu próximo?” (Lucas 10:29), que seria a sua justificativa por ter feito a pergunta.

    Na pergunta “o que farei para herdar a vida eterna?” Fica claro que desde os primórdios o homem continua com a mania de achar que a salvação está ao alcance de suas mãos, que através das suas obras ele poderá comprar a sua entrada no céu. A verdade é que tudo vem pela graça, as obras não são um caminho para a salvação e sim é o resultado de quem foi realmente tocado por Deus, no que chamamos de frutos do espírito (Gálatas 5:22).

    A parábola diz que um homem que descia de Jerusalém a Jericó foi assaltado e espancado, deixado quase morto à beira do caminho. Só que para a infelicidade daquele homem, um sacerdote que se aproximava não quis ajudar, ele passou de largo, sendo que depois um levita fez a mesma coisa. Estes homens que trabalhavam no templo não queriam perder tempo com alguém caído na beira da estrada, deviam ter coisa melhor para fazer na igreja ou gente mais importante para atender em suas comunidades. Quem sabe até que eles pensavam que aquele homem estava sofrendo porque tinha pecado, que Deus o estava castigando, como era comum um judeu da época pensar ou apenas não queriam se meter na vida dos outros. Só que o texto diz que um samaritano apareceu em cena e ele não agiu como aqueles dois homens, ele fez diferente, cuidou do moribundo até a sua recuperação.

    Veja bem, um samaritano era alguém odiado pelos judeus, o exemplo que Cristo dá não poderia ser mais ácido. Judeus e samaritanos não podiam se ver sem brigar, eles discordavam quanto ao local de cultos, além de serem vistos como semigentios, já que samaritanos se casavam com não judeus, coisa que um judeu não concordava.

    Na verdade a parábola que Cristo contou denunciava a hipocrisia daqueles homens, que viravam as costas para quem estavam passando necessidade. Eles sabiam de cor a lei, mas não a praticavam. O mais curioso foi que Jesus não respondeu a pergunta “o que devo fazer para herdar a vida eterna?”, quem respondeu foi o próprio mestre da lei induzido pela pergunta de Cristo (V27).

    A verdade é que é fácil nos perdermos em nossa religiosidade, é comum cultivarmos uma vida cristã sincera e cairmos depois no ativismo e no autocentrismo. Gosto de como Stott pontua o que é ser cristão:

    Por que eu sou cristãos? Intelectualmente falando, é por causa do paradoxo de Jesus Cristo. É porque aquele que afirmou ser o Senhor dos seus discípulos humilhou-se para ser servo deles (STOTT, 2004, p. 50).

    Ser cristão é ser servo, é olhar para o próximo, é fazer o bem sem olhar quem é o beneficiado. E é esta lição que Cristo estava tentando ensinar aquele mestre da lei. A parábola denunciava um legalismo, mostrava que o mestre da lei falava de algo que não vivia, ou seja, ele era um hipócrita.

    “O hipócrita não é alguém que falha em alcançar os alvos espirituais que deseja, porque todos nós falhamos de um modo ou de outro. O hipócrita é a pessoa que nem sequer tenta alcançar quaisquer objetivos, mas faz com que pensem que tentou. Sua confissão e a sua prática não condizem” (SWINDOLL, 2004, p. 214).

    O hipócrita é um ator, alguém que diz que vive uma vida que nem de perto ele segue.

    A parábola denuncia uma hipocrisia vinda dos mestres da lei e fariseus, mas também denuncia a nossa vida contraditória quando falamos de uma coisa que não vivemos.

    O bom samaritano, que era mal visto por todos os religiosos, nem quis saber quem era o moribundo, ajudou a pessoa sem ao menos conhecê-la, ele era bom e nem pensou agir de modo diferente, este é o exemplo que Cristo deixou para seguirmos.

    A parábola nos deixa uma pergunta implícita, quem é você e como você age quando alguém precisa de ajuda? A resposta acabará mostrando quem você é tal qual mostrou aqueles fariseus!

    BIBLIOGRAFIA

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013.

    CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.

    RIENECKER, Fritz, Evangelho de Lucas Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 2005.

    STOTT, John, Por Que Sou Cristão, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2004.

    SWINDOLL, Charles, Jó, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2004.

  • PLANOS PERVERSOS – PT4

    …coração que traça planos perversos…(Provérbios 6:18).

     

    Eu não consigo ler esta passagem sem fazer de imediato uma associação com a política brasileira. É tanta corrupção, roubalheira e injustiça, onde no final ninguém é condenado, que é difícil não fazer comparações.

    O coração que maquina o mal não é só das pessoas que são usadas pelo inimigo, uma pessoa mal intencionada ou um corrupto. Mas também dos egoístas que só pensam em si, e não demoram em passar por cima de outros para conseguir o que se quer. O que me faz lembrar da história de Absalão (o filho de Davi), escrita lá em 2Samuel 15.

    Absalão tentou tomar o trono de seu pai Davi, e para isso, usou de um plano engenhoso para conquistar a graça do povo e fazer com que eles ficassem contra Davi. Foi um plano perverso, que fez Davi sair em fuga, no desespero, mas que porém chegou ao fim, pois Deus estava com Davi.

    Há muitos anos atrás trabalhei para uma pessoa, que era inclusive pastor, mas levei calote. E o pior, além de não me pagar, espalhou para a igreja que eu nunca havia trabalhado para ele e além de eu ficar no prejuízo, ainda passei por mentiroso.

    Por conta deste calote enfrentei poucas e boas, passei uma dificuldade daquelas, mas no fim, tudo deu certo. Eu nunca mais soube deste homem, o que aconteceu e como vai o seu ministério, mas sempre confiei na justiça de Deus, mesmo parecendo que às vezes os injustos saem ilesos.

    Esta é a quarta coisa que Deus detesta, um coração que maquina planos malvados. Que se apressa em fazer o mal ao invés de propagar o bem. O fim para estes é garantido, o juízo de Deus não demora em se fazer presente, tal qual aconteceu com Absalão. Que quis trair o próprio pai, mas se esqueceu que este pai servia um Deus poderoso.

    Nós servimos a este Deus que abomina injustiça, por isso que ao invés de buscar vingança, devemos colocar tudo na mão de Deus e deixar que ele cuide de tudo conforme a sua santa justiça.

  • OPORTUNISMOS EM TEMPOS DE DESEMPREGO

    Não basta estar desempregado, você tem que estar desempregado em tempos de crise, o que é muito pior. Pois são nestes dias que a procura é sempre maior que a oferta, sendo que em nome da grande procura, salários baixam por conta da alta dose de competitividade.

    Em meus dias de desempregado ou de abertos para novas oportunidades, como os cursos de empregabilidade nos ensinam, lidar com os muitos outros percalços, fora o próprio desemprego, já é uma batalha. Sair de manhã sem grana para almoçar, pular de entrevista para entrevista com os trocados da passagem contados, são só alguns dos muitos desafios que o desemprego nos traz, nunca é fácil ter que enfrentar o desemprego em tempos que a pressão externa acaba por afetar o nosso interior.

    A minha crítica a estes dias em primeiro lugar é aos sites oportunistas, que aproveitam a vulnerabilidade do profissional, para cobrar taxas a fim de que o trabalhador tenha acesso a vagas “especiais” ou para fazer com que o currículo do profissional seja visto por primeiro. Não basta mais a difícil condição de desemprego, temos que agora aprender a driblar estas pessoas, que assim como urubus, fazem festa com a desgraça alheia. Mas não são só estes os problemas do desempregado, pois a pressão da família as vezes é muito mais difícil de se enfrentar e este é o segundo ponto.

    Não é fácil olhar para seus familiares quando depois de meses você se encontra desempregado. Depois de um tempo, a falta de emprego meio que vêm com um atestado de burrice ou incompetência. Pois por mais que nos esforcemos, alguns olham e acabam julgando, como se a culpa fosse dele por ainda estar nestas condições. E quando em meio aos seus familiares você tem um parente da mesma idade que a sua, mas com uma vida estabilizada, a coisa piora ainda mais, pois comparações, observações e julgamentos equivocados são feitos, por conta do seu desemprego.

    Eu já vi uma esposa chamar seu marido de incompetente, por estar desempregado por alguns meses, já vi filhos desdenharem do seu pai que há tempos não trabalhava, como se todo o tempo no qual ele estava empregado e produzindo não servisse mais de nada.

    O desemprego algumas vezes divide famílias, a falta de estabilidade separa casais e transforma algumas convivências em um verdadeiro pé de guerra. Com isso, além do desafio de encontrar um trabalho, o desempregado ainda tem que se manter ante alguns ambientes tóxicos.

    Eu já fiquei desempregado inúmeras vezes, sei bem o gostinho que esta condição tem, mas no geral, passo bem por estes momentos. Tenho a sorte de ter uma família que me apoia e me ajuda nestas horas.

    Nunca é fácil enfrentar estes dias, mas com o apoio da família e muita conversa, conseguimos prosseguir até conseguir o sonhado emprego. Entretanto, não sou grato apenas a família, mas também aos amigos, que me ajudaram e me apoiaram em tempos difíceis.

    A minha dica para quem não está trabalhando é meio óbvia, se resume na palavra “não desista”, com persistência você vai conseguir, procure entender o porquê não estão te chamando para entrevistas e onde você pode melhorar mais. Às vezes um currículo mal preparado ou a falta de um curso de reciclagem é o motivo pelo qual você ainda não foi chamado. Abra a mente e procure ajuda, tem muita ajuda boa e gratuita, basta se informar.

    Aos que já estão trabalhando e convivem com alguém nestas situações eu diria, não se apresse em julgar. Nem sempre a falta de oportunidade é culpa da pessoa. E acima de tudo, existem períodos no qual arranjamos emprego rápido, pela grande oferta, e existem períodos que não. Por isso não julgue e antes tente ajudar, se acaso o cara é encostado ou devagar, aí são outros quinhentos. 

    Ninguém é igual a ninguém e nem todos tem a mesma desenvoltura que nós. Por isso meça as suas palavras e julgamentos, pois existe a possibilidade de nestas horas você estar fazendo um julgamento apressado e sem empatia.

    Não jogue mais problemas nas costas de quem já tem desafios suficientes para superar, aprenda a olhar certos acontecimentos com uma visão ampla, e seja mais a solução do que o problema para as pessoas nesta complicada hora.

  • HOMEM BOM

    É curioso como falamos de problemas políticos, economia ou problemas em nosso casamento, de uma forma como se a culpa não fosse nossa. Como se também não fôssemos responsáveis, seja por atitudes erradas, por nos calar ante a injustiça ou por termos votado no político errado. Considero realmente desanimador quando os debates políticos se resumem em terceirizar a culpa, ao invés de assumir seus equívocos e buscar mudança. Acredito que a política é um resumo do modo como em sua maioria pensamos. O poeta romano Juvenal há muitos anos atrás apontou de forma perfeita este nosso problema:

    “Que homem bom não considera qualquer desgraça como algo da conta dele?” (LEWIS, 2017, p. 87)

    Diante desta premissa, que com certeza contém várias variantes, e sem querer ser simplista, o que concluímos? Que não somos bons? E se nós somos, então por que quando olhamos as desgraças do mundo muitas vezes não nos posicionamos ou buscamos ter atitudes a fim de exterminá-la? Gosto de outra frase, que citarei a fim de engrossar ainda mais a reflexão e torná-la ainda mais ampla:

    “Há dois tipos de injustiças: A primeira se encontra naqueles que prejudicam os outros, a segunda, naqueles que falham em proteger outra pessoa do prejuízo” (LEWIS,2017, p. 105)

    Esquecemos constantemente que nos calar ante a injustiça também é errado. Deixar o caos perpetrar, com a frase furada “isso não me diz respeito” é também colaborar com o mal. Com isso, continuo com a pergunta “nós somos bons?”

    Há muito tempo atrás o vídeo do deputado Tiririca foi compartilhado como se ele fosse um herói, quando o deputado afirmou que estava decepcionado com a política. Neste mesmo vídeo ele deu a entender que existia muita falcatrua e estava decepcionado com aquilo, por conta disso estava saindo da política. Porém, em momento algum ele se prestou em ir contra os fatos, preferiu se calar, como se a sua atitude fosse louvável, o que não foi. Quem se cala ante o mal, consente.

    Cristo foi perseguido aqui na terra, pois não concordou com a religião legalista e mentirosa. Ele não demorou em denunciar e a bater de frente, mas muitos de nós, entre eles alguns que se dizem seu imitador, se calam.

    Eu não me impressiono mais com a corrupção, já são tantos anos que infelizmente me acostumei, o que me tira a paz é a apatia da população quanto a ela e os constantes erros em eleger gente que não tem caráter e nem é honesto.

    É fácil, ao avistarmos o caos e desgraça, desviarmos da rota e fazer de conta que aquilo não nos diz respeito, abraçar a causa, oferecer a mão que é o desafio. Levítico 19:18 diz:

    “ame cada um o seu próximo como a si mesmo”

    Jesus disse o mesmo em Mateus 7:12 e Confúcio também diz algo parecido:

    “Nunca faça aos outros o que não gostaria que fizessem com você” (LEWIS,2017, p. 105)

    Sendo que em todas estas frases, temos apenas um conceito absoluto e verdadeiro, o homem bom olha para o outro.  É impossível um homem bom ver o mal e se calar, se o mal ao próximo não te constranger e não te tirar à paz, você tem algum problema, com isso, você deveria revisar seu ponto de vista caso você se considere um homem bom!

     

    BIBLIOGRAFIA

    LEWIS, C. S, A abolição do homem, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro,2017