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  • PERSISTÊNCIA

    “O persistente é alguém que aprendeu a lidar com seus fracassos”

    Entenda que na vida não existem caminhos fáceis, tudo demanda um esforço, tudo requer tempo, prática e dedicação, um músico ou alguém que tenha feito uma faculdade sabe muito bem disso.

    É importante aprendermos a lidar com nossos fracassos para que possamos realizar algo, é fundamental lidar com nossas frustrações para conseguir crescer.

    Persistir é o segredo, sendo que o persistente é alguém que aprendeu a cair e a se levantar. Pois nem tudo é fácil e o persistente sabe bem disso, contudo é possível aprender a acrescer com nossas frustrações.

    Quando aprendemos a lidar com nossos fracassos, temos grandes chances de conseguir prosseguir e concluir nossos objetivos, sendo que se o fracasso é um ótimo professor, ao aprendermos com ele, já temos uma grande chance de não repetirmos o erro e chegarmos um pouco mais perto da realização da nossa empreitada.

  • TEOLOGIA E PÓS-MODERNIDADE

    Por muito tempo eu trabalhei em indústria, foi por conta dela que eu consegui estudar, fazer uma faculdade e passar para níveis mais administrativos. Sou grato a Deus pelo tempo que eu passei neste setor.

    Um trabalhador que atua em níveis mais operacionais normalmente é chamado de um trabalhador de chão de fábrica. Por conta deste rótulo, ou talvez pela posição que tal profissional possui na fábrica, muitas vezes ele é alvo de escárnio e preconceito por quem trabalha em níveis administrativos, como se trabalhar no chão de fábrica fosse pouco, e de pouca importância. Mal sabem estes que se uma empresa não tiver bons produtos, de nada adiantará bons vendedores, ótimos administradores ou bons gerentes, pois o que sustenta uma empresa é justamente o seu produto sendo que quem fabrica é o chão de fábrica. A pergunta que talvez vocês devam estar se fazendo é: Qual é a relação entre indústria e teologia na pós-modernidade?

    Quando falamos dos Desafios da Teologia na Pós-Modernidade falamos muito de chão de fábrica, pois é impossível fazer com que a nossa teologia faça o mínimo de coerência se antes não tivermos uma boa base, um bom chão de fábrica para que assim a teologia tenha um fundamento firme no qual possamos nos sustentar. Tudo começa com o fundamento, com um bom alicerce que estrutura a teologia toda, e é sobre estes alicerces que vou discorrer enquanto eu falo sobre estes desafios.

    O primeiro desafio no qual devemos estar preparados é o relativismo. Que defende que não existe verdade absoluta, as opiniões vão depender dos pontos de vista, ganha quem conseguir impor a sua forma de pensar. O problema do relativismo é que ele se auto desconstrói, afinal, se a verdade é relativa, até o relativismo é relativo. Isso sem contar que segundo a lei da não contradição, uma afirmação contraditória não pode ser verdade ao mesmo tempo. Contudo o cerne da questão não é só refutar apenas e sim, como dialogar de uma forma no qual possamos construir pontes ao invés de muros, é um problema quando ganharmos uma discussão e perdermos uma pessoa.

    O segundo desafio é a pós-verdade, que nada mais é que um discurso baseado em um apelo a emoções em detrimento dos fatos ou da verdade objetiva, e este tipo de discurso é muito comum em nossos dias. Com isso é quase impossível realizarmos um diálogo, pois o interlocutor não discute tendo como base as provas, o racional ou o lógico e sim tendo como base a emoção e a falta de reflexão. Gosto de uma citação de Heráclito sobre o assunto, que eu li em um livro do Bertrand Russel:

    “Os tolos, quando de fato ouvem, são como os surdos; a eles se aplica o ditado de que estão ausentes quando presentes” (RUSSEL, 2017, p. 29).

    Dialogar tendo como pressuposto a emoção ao invés da razão é um problema, pois os argumentos nunca serão sólidos, com provas e boas reflexões, sendo que muitas vezes este tipo de pessoa nem ouve, o que traz um desafio ainda maior para quem faz teologia.

    O terceiro desafio é dialogar com uma geração que não tem conteúdo, que preza pelo instantâneo e não tem tempo de pesquisar, ler e se aprofundar. A busca pelo conhecimento foi substituída pela opinião que mais se encaixa em nosso modo de ver as coisas. Com isso ninguém cresce, ninguém reflete, todos seguem a correnteza de forma automática e sem reflexão. Uma frase atribuída a Sócrates resume bem este nosso desafio:

    “Uma vida sem reflexão não vale a pena ser vivida” (KLEINMAN, 2014, 12).

    Sem reflexão seguiremos no automático, aceitando qualquer ponto de vista, seguiremos a correnteza rumo a lugar nenhum.

    Diante destes fatos é imprescindível que o nosso alicerce esteja calcado em alguns pontos importantes para que consigamos dialogar e fazer diferença, abordarei os três principais

    Conhecimento: Pondé fala muito da importância de termos repertório. Sem repertório é impossível fazermos teologia neste mundo pós-moderno. Repertório nada mais é que um acúmulo de bagagem adquirida principalmente com leitura, viagens e conhecimento. Pondé complementa o tema em seu livro Filosofia para corajosos:

    Quem nunca leu nada não tem opinião sólida sobre nada, apenas achismo, uma opinião vazia, como diria Platão, quando fazia a diferença entre ter opinião (doxa) e conhecer algo (episteme). Conhecer demanda trabalho, conversar com outras pessoas e ler alguns livros. Na maioria dos casos, conversar com mortos. Uma opinião vazia, qualquer bêbado tem (PONDÉ, 2016, Pg. 29)”.

    A busca pelo conhecimento é essencial para que consigamos dialogar neste mundo pós-moderno. Sem repertório não conseguiremos realizar os desafios, sem este fundamento, certamente veremos o edifício todo ruir diante da tempestade pós-moderna.

    Humildade: É imprescindível sermos humildes, sem humildade não existe diálogo, não conseguiremos aprender e crescer. O orgulhoso é cego, só vê a si mesmo, não percebe que o conhecimento é infinito e que para adquirirmos precisamos da lente da humildade.

    Ação: Toda esta reflexão seria vazia se junto com todos estes pontos, não viesse à ação. A práxis é utilizar uma teoria ou um conhecimento de forma prática. A práxis é uma teoria que se movimenta, que traz frutos e constrói caminhos. Sem a ação ficaremos a sós no discurso, sem construir algo concreto e que faça realmente diferença.

    Estes são apenas alguns desafios para quem quer fazer teologia na pós-modernidade, existem muitos outros, sem contar os que virão.

    A saída é sempre manter os olhos abertos e a cabeça em constante busca por aprendizado. Sem reflexão, conhecimento, humildade e diálogo não chegamos em lugar nenhum, sem uma boa base ruiremos. Por isso, estruture bem o seu edifício e faça diferença com a sua teologia.

    Bibliografia

    KLEINMAN, Paul, Tudo o que você precisa saber sobre filosofia, Editora Gente, São Paulo, 2014.

    RUSSEL, Bertrand, História do Pensamento Ocidental, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2017.

    PONDÉ, Luiz Felipe, Filosofia Para Corajosos, Pense com a própria cabeça, Editora Planeta, São Paulo, 2016.

  • DEUS E O CONHECIMENTO: CRER É TAMBÉM PENSAR: JOHN STOTT

    O anti-intelectualismo é ainda muito comum no meio cristão. Já escrevi bastante sobre isso, inclusive, já usei o livro em questão para fundamentar um de meus textos. Entretanto, na conclusão deste mesmo livro, o autor destaca o porquê o conhecimento é importante para todo o cristão, o autor nos dá quatro motivos, por isso, usei-o novamente como base para abordar este importante tema. Lembrando que ele fala do conhecimento que aponta para Deus, não aquele feito sem propósito e sim como meio de nos aproximar dele.

     Se alguns conhecimentos podem nos afastar de Deus, nos levar a conclusões simplistas e equivocadas a respeito dele, a falta deste saber é igualmente perigoso, afinal. Se não conhecermos Deus e a sua palavra, como seguiremos fazendo a sua vontade? É justamente a finalidade do saber que estes pontos enfatizam.

    “Em primeiro Lugar, o conhecimento deve levar à adoração” (STOTT, 2012, p. 74).

    Quando conhecemos realmente Deus, adorá-lo vira uma prática natural, é impossível termos intimidade com quem mal sabemos quem é, por isso que ler a Bíblia e orar é o caminhO básico para conhecermos e termos intimidade com o Criador. Racionalizar, estudar e ler a palavra é o caminho para conhecermos mais Deus e tudo o que ele fez, o verdadeiro conhecimento nos aproxima mais dele, não tenha dúvida disto.

    “Em segundo lugar, o conhecimento deve levar a fé” (STOTT, 2012, p. 74).

    A fé vem pelo ouvir a palavra de Deus (Romanos 17:17), se não ouvimos, não lemos e estudamos sua palavra, certamente seguiremos sem fé. Se não nos firmarmos na verdade, no ensino que Cristo nos deixou, certamente ruiremos.

    “Em terceiro lugar, o conhecimento deve levar a santidade” (STOTT, 2012, p. 74).

    Quanto mais conhecemos os ensinos de Deus, nossa missão e a nossa responsabilidade como seguidores de Cristo, mais a nossa vida se amolda a vontade dele.

    O conhecimento tem este poder, ele consegue fazer com que tenhamos a responsabilidade de termos uma vida reta e digna.

    Quando somos praticantes dos ensinos que a Bíblia nos deixou, é inevitável caminharmos para uma vida centrada, dentro da vontade de Deus.

    “Em quarto lugar, o conhecimento deve levar ao amor” (STOTT, 2012, p. 76).

    Quanto mais estudamos, oramos e temos intimidade com Deus, mais somos inundados com o sentimento de partilhar, de ajudar e “influenciar” os outros com os ensinos de Cristo.

    Com este livro podemos aprender que o verdadeiro conhecimento faz com que tenhamos estas motivações, partilha e ajuda. Ele nos mostra também o perigo do conhecimento equivocado e o perigo da falta de conhecimento.

    A Bíblia nunca foi contra o estudo, o ensino e a dedicação em entender a palavra. Acreditar que o conhecimento nos separa de Deus é tolice, sendo que a vida cristã deve ser equilibrada, com a busca e o estudo caminhando juntos, para que tenhamos o pleno conhecimento da vontade de Deus descrito na Bíblia, e a intimidade com ele, quando oramos e o buscamos.

    BIBLIOGRAFIA

    STOTT, Crer é também pensar, Editora ABU, São Paulo, 2012.

  • PRIORIDADE

    Mario Sergio Cortella em um de seus vídeos, sendo ele um fragmento da palestra de lançamento do seu livro: “Família, urgências e turbulências” fala algo curioso sobre prioridade, uma coisa no qual eu já tinha esquecido: “Prioridade é uma coisa que não existe no plural, se eu disser que tenho duas prioridades é porque eu não tenho nenhuma, pois a palavra prioridade exige ser exclusiva”. Prontamente fui consultar o dicionário a fim de conferir a veracidade de sua afirmação e encontrei a seguinte interpretação da palavra prioridade:

    “Condição do que ocorre em primeiro lugar; o primeiro em relação aos demais. Estado de quem ou do que ocupa o primeiro lugar” (dicio)

    Ou seja, é impossível termos duas prioridades, ou temos uma prioridade ou nenhuma, conforme de forma muito coesa afirmou Cortella.

    Tenho aprendido que as famosas listinhas de metas não são besteiras, colocar no papel nossos planos é o caminho para poder visualizar nossos objetivos e procurar as ferramentas certas para realizar.

    Entender que não existe prioridades e sim prioridade é ter um mente que para realizarmos algo,  uma coisa que realmente funcione e vale a pena, temos que nos dedicamos a uma coisa de cada vez. Você já teve um monte de planos e ideias onde no final acabou por não fazer nada?  Então, provavelmente você não teve uma prioridade, por isso nada foi para frente.

    Quando eu comecei o Hawthorn, minha antiga banda, na época eu a coloquei como prioridade até ver a coisa funcionando, a mesma coisa foi o blog. Sendo que hoje, por estar bem organizado, ele funciona de modo automático, ainda mais que ele é uma extensão dos meus estudos e pesquisas.

    Por isso pontue bem seus planos e aprenda a executar um de cada vez, coloque no papel seus projetos e dê prioridade para o empreendimento mais relevante, até a conclusão, ou o andamento do projeto. É claro, eu não faço apenas uma coisa na minha vida, tenho muitos projetos e sonhos, mas para fazer com que algo funcione, eu me dedico 100%. Eu tenho uma prioridade apesar de fazer muitas coisas, e é esta prioridade que deve estar sempre bem pontuada e na frente de tudo.

    Por isso respire o que você quer fazer, viva seu projeto, dê prioridade máxima até ver aquilo ganhar vida e força. Aí pouco a pouco, sem pressa alguma, é possível vermos nossos planos ganhar vida, projetos pessoais sair do papel, sonhos ganhar os contornos da realidade.

    Penso ser este o melhor caminho para não nos perdermos no desânimo, para não começarmos algo e logo largarmos no mar dos planos fracassados.

     

    BIBLIOGRAFIA

    https://www.dicio.com.br/prioridade

     

  • O SABE TUDO

    Eu tinha um amigo que sabia de tudo, pense como a sua mente era genial. Ele emitia opinião de tudo, sabia de todos os acontecimentos, e já tinha lido todos os livros que eu pensava em ler, o cara era um gênio.

    Eram horas debatendo na internet, suas rodas de conversas eram verdadeiras palestras, todos se calavam para ouvi-lo, e quando tentavam argumentar, quebravam a cara, pois o sabe tudo, tudo sabia, e quem tentava argumentar descobria que não sabia nada.

    Por fim, decidi ser igual a ele, eu queria ser relevante e queria também saber, por isso terminei meus estudos, me matriculei em uma faculdade, busquei bibliografias e estudei muito para poder saber. Pensei ser este o caminho mais coerente para ser igual ao sabe tudo. Só que com o tempo, pude notar que o efeito que eu buscava, estava tendo um efeito contrário. Algo devia estar errado, não era possível.

    A cada hora de estudo, a cada livro lido ou aula assistida, pude perceber o quanto eu não sabia. A cada aprofundamento, um sentimento de finitude se instalava, com o tempo, pude perceber que no fim, eu não sabia nada e que aquele que sabia tudo no fundo não sabia de coisa alguma.

    Nestas eras tecnológicas o que mais vemos são repetidores de ideias, gente que não reflete, que mal pensa, quanto mais, estuda. O pior é que muitos destes se consideram “sabe tudo”, o que eles não veem é que as suas ideias são formatadas, fruto de pouca reflexão e coerência, consequências de uma mente soberba e da necessidade de sempre estarem certos. Theodore Dalrymple tem uma frase que resume bem estes:

    “O orgulho pode obstruir o caminho da busca da verdade: Preferimos vencer uma discussão com sofismas a chegar à verdade por uma investigação honesta” (DALRYMPLE, 2014, p.85)

    Existe diferença de quem é tagarela, de quem só sabe falar, daqueles que realmente sabem. É totalmente diferente uma pessoa orgulhosa, que possui eloquência e quer sempre vencer discussões dos que seguem buscando a verdade, nem que para isso seja preciso confessar seus equívocos. Eu sempre digo em aula, nem sempre quem fala bem, sabe das coisas. Nem sempre o que domina a oratória, tem conhecimento ou está aberto a aprender, dialogar e crescer.

    Desconfie de quem quer apenas ganhar a discussão, fique com um pé atrás com quem quer estar sempre certo e não consegue pensar com respeito em uma opinião contrária a sua.

    A regra da educação também vale nessas horas, pois o inteligente respeita, quem sabe, por mais que discorde, consegue manter uma relação educada e polida.

    Sabe mais quem sabe ouvir, o inteligente é alguém que discorda, mas o faz com respeito, em nome de ensinar e ver o próximo crescer. Cuidado com o orgulho e o desejo de sempre estar certo, pois ele te cega e impede que você chegue a verdade

     

    BIBLIOGRAFIA

    DALRYMPLE, Theodore, Podres de mimados, As consequências do sentimentalismo tóxico, São Paulo, 2014

  • PAIS E FILHOS

    O filho pródigo é uma das parábolas mais conhecidas da Bíblia, sendo que Cristo contou para exemplificar o amor de Deus por nós, pecadores e desobedientes, a passagem é uma das mais lindas e profundas.

    Não é tão difícil falar sobre esta passagem, com uma boa estudada, conseguiremos pinçar do texto ensinos e lições para aplicar em uma pregação ou devocional. Para quem lê, é legal ver o filho quebrando a cara e depois reconhecendo que errou. É fácil ler, falar e fazer aplicações práticas, afinal, todos já foram filhos, não é impossível se colocar no lugar. O desafio da parábola é se colocar no lugar do pai, pois só um pai sabe como dói ver o filho desobedecer, desrespeitar o seu papel de responsável, ou não dar a mínima atenção para o que ele está dizendo. Filhos sempre acham que sabem de tudo, que estão certos e que são os melhores, principalmente quando estes são adolescentes.

    Eu não sou pai, e provavelmente nunca serei, mas é quando ficamos mais velhos que entendemos a importância e a injustiça que a palavra pai guarda. E quando eu falo pai, não estou falando do homem, mas no significado estrito que a palavra tem que segundo o dicionário significa: Aquele que cria e educa os filhos, sendo aplicada também a mãe é evidente.

    O desafio da parábola é se colocar no lugar do pai, pois só um pai sabe como dói ver um filho desobedecer e desrespeitar o seu papel. A parábola mostra como o filho sofreu, mas não mostra as preocupações do pai quando este estava perdido no mundo, o quanto se desgastou, deixou de dormir e sofreu por este desobediente. Para piorar, depois que o filho se arrepende, pede perdão e volta ao lar, o pai tem que lidar com um outro filho, que não concorda com a festa de comemoração pela volta de seu irmão. No fim é o pai que novamente tem que mediar o caso e com certeza ter que ouvir coisas que ele não merecia estar ouvindo.

    Por fim, concluímos que os dois irmão são parecidos, e este pai é um verdadeiro herói, aliás, este pai existe, pois a parábola é uma metáfora para falar de Deus e nós, os filhos pecadores e desobedientes.

    Quando somos novos não percebemos o quanto nossas atitudes e posicionamentos ferem os outros quando colocamos de forma desrespeitosa. Vivemos como bem queremos, sem enxergar as lágrimas e preocupações de quem cuida de nós. Porém quando amadurecemos, paramos para prestar atenção nisso e constatamos o quanto fomos infantis. Na parábola, o pai do filho pródigo é Deus, na vida real os pais são os heróis, que a troco de nada, cuida e se preocupa com os seus filhos, mesmo que estes sejam desobedientes.

    Não estou querendo afirmar que pais não erram e que tudo o que eles falam temos que acatar de forma cega, sem reflexão. E sim, quero deixar claro que nem sempre os ouvimos, muitas vezes desobedecemos e não respeitamos o seu papel. A banda Legião Urbana tem uma letra chamada Pais e Filhos que resume bem e de maneira sábia as nossas incongruências como filhos:

    Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo

    São crianças como você

    O que você vai ser

    Quando você crescer

    Percebi de forma profunda a sabedoria destes últimos versos apenas depois de uma idade. Pois tal qual o filho pródigo segui o meu caminho magoando muitos, sem em  momento algum olhar para traz. Segui culpando a todos, sem assumir o compromisso pelos meus erros. Falei inúmeras vezes da geração ultrapassada dos meus pais, e agora, depois de certa idade, estou nas mesmas condições, pois mais algumas gerações vieram, e o ultrapassado sou eu.

    Cuidado com o que você fala, pois o tempo nos lembra das palavras. Tente dia a dia valorizar quem cuida de você e ao discordar, e por favor faça isso, relaxe, não é errado, lembre-se de fazer com respeito.

    Valorize quem já viveu um pouco mais do que você, ouça seus conselhos e procure uma coerência. Por mais que nem sempre eles estejam certos, entenda que a preocupação é legítima, respeite e valorize isso.  E o principal, assuma seus erros, não perca tempo culpando os outros, e não desdenhe da geração passada, pois com o tempo, a geração passada será a sua.

     

  • GUETO GOSPEL

    No gueto gospel encontramos de tudo, música gospel, roupa gospel, casa gospel e por aí vai, o mercado é lucrativo, empresas de todos os tipos já descobriram o nicho e tem se preocupado em atingir tal público.

    Sobre o gueto, nada contra, eu só acho que a desculpa de evangelizar já está ultrapassada e não funciona mais, pois no afã de “não se contaminar”, como eles mesmos dizem, acabam não se misturando e não fazendo diferença.

    O sal serve para salgar e para isso, deve estar presente na comida, dando sabor, realçando os aspectos importantes do prato. O cristão é a mesma coisa, quando ele não se mistura umedece dentro do recipiente e estraga, isso quando não vira uma pedra, autocentrada e presa nas quatro paredes, sem servir para muita coisa. Sem falar do fato de que o gueto gospel tem uma linguagem tão diferente, que o mundo não consegue prestar atenção e até ri dela. Não podemos esquecer que são os cristãos que querem ser entendidos, somos nós que temos a missão de passar a mensagem a todos, com isso, a linguagem deve ser acessível e entendível.

    A minha crítica ao movimento é que ele não faz diferença, acaba virando produto para cristão consumir, divertimento para crente ou desculpa para crente se reunir e farrear, novamente nada contra, acho que as vezes é até positivo, o erro é achar que as baladas gospels são meios evangelísticos, a minha crítica é esta.

    Michael S. Horton resume bem a questão no livro O cristão e a cultura, e apesar da sua reflexão ser dirigida primordialmente aos cristãos americanos, creio que também se encaixa a todos os cristãos, sejam brasileiros, europeus ou cidadãos do mundo em geral:

    “Chamados para fora da igreja e para dentro do mundo, os evangélicos foram novamente estimulados, especialmente pelos reavivamentos do último século e meio, a construir um império cristão dentro dos Estados Unidos. Finalmente, chegamos a ponto de possuir nossas próprias estações de rádio e televisão, cinemas, programas de entrevistas, cruzeiros, estrelas de rock, divertimentos e outros apetrechos do hedonismo moderno, sem ter que nos preocupar com deixar o gueto. Chamamos isso de evangelismo, e talvez até intencionássemos que fosse evangelismo, mas acabou criando apenas uma igreja que é do mundo mas não está no mundo, em vez de estar no mundo mas não ser do mundo” (HORTON, 2006, p. 129)

    Não adianta disfarçar o discurso, nós estamos no mundo, e fomos chamados para sermos diferença. Ser cristão não é se ausentar do mundo, ao contrário, é sem dúvida estar presente e atuante, o que nos diferencia é que apesar de estarmos, não somos do mundo, pois seguimos imitando outro modelo de vida.

    Marcos 16:15 diz para “irmos” por todo o mundo, mas muitos cristãos insistem em esperar nos bancos da igreja, ao invés de sair e fazer a diferença. O chamado é para irmos para fora e não esperarmos dentro das quatro paredes. Lâmpada que fica embaixo da cama não ilumina, não foi isso que Cristo nos ensinou em Mateus 5:15?

    Enfim, que possamos sair de nossos guetos e sermos diferença, que aprendamos a realmente estar no mundo e salgá-lo com a palavra da verdade.

    Quando aprendermos a andarmos pelas esferas públicas, a respeitarmos os pensamentos contrários e a pregarmos sem sermos legalistas e hipócritas, penso que o evangelho passará de meras narrativas, para ser vida e transformação.

     

    BIBLIOGRAFIA

    HORTON, Michael, S. O cristãos e a cultura, Editora Cultura Cristã, São Paulo, 2006

  • SUCESSO

    Não é fácil hoje em dia definir o que é sucesso, acredito ser um desafio pontuar quem são as pessoas de sucesso ou o que ele significa. Eu sei de duas coisas, sucesso não é fama e nem sempre o sucesso cai do céu. Segundo o dicionário Dicio, sucesso é:

    “Êxito; consequência positiva; acontecimento favorável; resultado feliz”.

    E com estes significados nas mãos já conseguimos ter um pouco mais de luz em nossa reflexão. Pois quando falamos de uma pessoa de sucesso, não falamos de um artista famoso, nem de um empresário brilhante e sim, de alguém que tinha um objetivo e conseguiu algum êxito.

    Primeiro, o sucesso é uma consequência natural do esforço, eu, por exemplo, sou baterista e para dominar o instrumento precisei estudar muito, repetir um exercício inúmeras vezes e aprender a lidar com o fracasso. Penso que uma das coisas que uma pessoa de sucesso tem é a habilidade de lidar com o fracasso e crescer com ele. Eu vivi isso, pois apesar de eu ter um dom natural para música, algumas técnicas de bateria foram difíceis de dominar. Precisei de muito tempo e perseverança para conseguir executá-las. Veja bem amigo, talento sem esforço não serve para nada. Não adianta você ter um dom, se você não estuda ou se esforça para evoluir. Outra coisa, nem sempre uma pessoa de sucesso tinha certa facilidade para aquilo no qual obteve êxito, alguns conseguiram por praticar muito e se dedicar de forma demasiada naquela determinada área.

     Segundo, o sucesso em algo está muito ligado as nossas metas, em como e onde queremos chegar. É impossível termos qualquer êxito sem antes não pontuarmos bem os nossos sonhos, planos e objetivos. Quando sabemos bem o que queremos, como e onde pretendemos chegar, o sucesso da nossa empreitada já está em um nível bem adiantado.

    Terceiro, o nosso sucesso está muito ligado a pessoas, em ajudas e apoios que comumente recebemos ao longo da nossa caminhada. Não existem pessoas de sucesso que nunca foram ajudadas, não existe êxito sem professores, conselheiros e apoiadores. Toda a boa história é marcada por muitos auxílios, esquecer-se disso é apagar o próprio caminho, é esquecer a estrada no qual trilhamos e das pessoas que nos dão a mão.

    Hoje eu sou amigo de muitas pessoas de sucesso, alguns são músicos que possuem um reconhecimento público e são famosos. Outros professores brilhantes no qual fui aluno, mas que por uma infelicidade não são tão conhecidos, a vida é assim.

    Sucesso é saber bem aonde se quer chegar, é aprender com os erros e não deixar que ele te derrube e te desanime. Você vai se impressionar se buscar na internet depoimentos de pessoas de sucesso que erraram feio, mas que aprenderam com os erros. Mas principalmente, o sucesso em uma empreitada se define através de nossa persistência, sendo que o resultado pode não nos trazer fama, mas nem por isso deixa de ser uma empreitada de sucesso.

    Quem não tenta, não sai do lugar. Quem não faz algo por causa do medo do fracasso, nunca aprende, nunca constrói coisa alguma. Talvez o sucesso seja a marca de quem tentou, quem sabe seja o prêmio do sonhador que planejou e foi atrás. Penso que errar é humano, mas aprender com os erros é uma das maiores marcas de quem tem sucesso.

  • IMITADORES

    “Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo” (1Coríntios 11:1)

    Muitos admiram Paulo pela ousadia em proferir tais palavras. Para alguns, falar para alguém que nos imite é loucura, por sermos falhos, fracos e pecadores, quem dirá imitar a Cristo. A pergunta que fica no ar é: Se você não imita Cristo, quem você imita?

    É comum ficarmos com medo desta premissa, ainda mais quando não temos certeza de nossas convicções.

    “O convite de Paulo vai além das convicções e experiências. A fé, para Paulo, não se limita às profundas e sólidas convicções que ele possui, nem repousa nas inúmeras experiências vividas por ele, mas em seu desejo sincero de ser conformado à imagem de Cristo” (BARBOSA, 2014, p. 59)

    O que não entendemos muitas vezes é que Paulo não está falando que é perfeito, muito menos afirma ser melhor do que os outros. São muitos os textos onde ele fala que é falho, o pior dos pecadores, Paulo sabia quem era. A conclusão que o apóstolo quer dar com está frase é deixar claro qual seria o seu alvo, qual era o seu referencial.

    “Paulo sabia que a vida cristã é dinâmica. Ou andamos em direção a Cristo, ou andaremos na direção oposta a ele. Não temos escolha. Ou imitamos a Cristo ou imitaremos outra coisa, não temos como fugir disso. Ou adoramos a Cristo, ou iremos adorar outros ídolos. O problema é que, Quando digo para não me imitarem, para não olharem para mim, estou também dizendo que a minha vida não reflete a humanidade gloriosa e verdadeira de Cristo, que não é a sua humildade e mansidão que eu mais desejo refletir, que não é ele que eu sigo em obediência e amor” (BARBOSA, 2014, p. 96, 97)

    A Pergunta é simples, quem você imita? Qual é o seu referencial? Você ama como Cristo mandou amar? Você perdoa como Ele mandou perdoar? É isso que trata o texto. Não somos perfeitos, temos inúmeros erros e problemas em nossa vida, porém ou caminhamos em direção a Cristo, ou o nosso alvo é outro. Eu gosto de como Eugene H. Peterson parafraseia esta passagem:

    “Fico feliz por saber que vocês continuam a se lembrar de mim e a me honrar, guardando as tradições da fé que ensinei. Toda autoridade verdadeira vem de Cristo” (2013, 1627)

    Somos imitadores de Cristo, é a Ele que seguimos e devemos ter como alvo, sendo assim, ou imitamos a Ele ou a nossa vida é falsa e contraditória.

     

    BIBLIOGRAFIA

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

    PETERSON, Eugene H, A Mensagem, Bíblia em linguagem contemporânea, Editora Vida, São Paulo, 2012

    BARBOSA, Ricardo, Identidade Pedida, Editora Encontro, Curitiba, 2014

  • CAOS CRISTÃO

    Que a igreja não se entende isso nós já sabemos, é meio óbvio, basta vermos as discussões de internet, ninguém consegue entrar em um consenso quanto a coisas básicas, como batismo no Espírito Santo, como interpretar a Bíblia ou sobre qual é o jeito correto de orarmos, isso que a Bíblia já é bem clara quanto a estes assuntos, imagine se não fosse. Agora se partirmos para assuntos como predestinação ou a volta de Cristo, aí o caos cristão é instalado. Isso que eu nem entrei no tema denominações e seus vários costumes

    Um tempo atrás assisti a um vídeo chamado “Os dois túmulos de Jesus” do canal “louco por viagem” que evidencia bem este nosso problema de convivência.

    O autor do vídeo começa a mostrar o local que é um dos possíveis túmulos de Jesus. Neste lugar que é um centro turístico, se encontra a Igreja do Santo Sepulcro, administrado, na teoria, por cinco denominações: A Católica Romana, Grega Ortodoxa, Armênia, Ortodoxa Copta, Ortodoxa Etíope e a Ortodoxa Síria.  O curioso é que estas denominações não se entendem, não conseguem tomar decisões básicas a respeito da administração do local. O problema é tão grande que quando foi feito uma reforma uns duzentos anos atrás, esqueceram uma escada em um dos telhados e eles não conseguiram decidir quem iria tirar a escada, no fim, nestes anos todos ela ficou lá, visível, fazendo parte da fachada do local, como prova da ignorância e falta de diálogo entre os religiosos. Mas as amostras de falta de diálogo não pararam por aí, pois eles também não conseguem decidir quais das denominações vão abrir e fechar a porta do templo. Sendo que isso é feito por muçulmanos voluntários e pasmem, nos banheiros que os visitantes do local usam, não tem papel higiênico, pois eles não conseguem decidir quem irá comprar o papel.

    Este cenário todo não me deixa tão impressionado, pois a falta de diálogo tem sido uma das marcas da igreja cristã há séculos. Igrejas se dividem toda a hora, cristãos se digladiam e armam verdadeiras guerras, enquanto irmãos se dividem cada vez mais. 

    No momento a divisão tem sido política, cristãos tem brigado por seu lado, defendendo o seu ponto de vista com tanta dedicação que pessoas que pensam o contrário têm sido aviltadas como inimigos. Há um tempo a divisão tinha sido por conta de Calvino e Armínio e quando os ventos mudarem, não saberemos qual será o motivo da briga, mas sabemos que a igreja seguirá brigando e se dividindo, como tem feito estes anos todos.

    Gálatas 5:16 ao 26 a Bíblia lista uma série de frutos da carne e depois frutos do Espírito. Entre os muitos frutos da carne estão as inimizades e as brigas (V20), e quando olhamos para a igreja a sua incapacidade de dialogar sem torcer a Bíblia para justificar seus erros, vemos que a igreja tem estado cada vez mais longe de Deus.

    A igreja tem se dividido cada vez mais, está faltando empatia e sobrando arrogância. O amor tem esfriado cada vez mais, e a vontade de estar certo tem sido a prioridade ao invés de amar e olhar para o próximo.

    Penso que os cristãos tem sido cada vez mais religiosos, os invés de cristãos. Decorando cada vez mais os costumes da igreja, ao invés de ler a praticar os ensinos de Jesus.

    Enquanto seguimos a placa de uma igreja, certamente nos dividiremos, só haverá união novamente quando olharmos para a cruz, tendo em mente que somos todos fracos e pequenos.