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  • O SERMÃO DO MONTE PT 27: AUTORIDADE

    “Quando Jesus acabou de dizer essas coisas, as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino, porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei” (MT 7:28-29) (NVI). 

    O Sermão do Monte termina fazendo uma crítica aos fariseus. Aliás, no Sermão inteiro, direta e indiretamente vemos Cristo tecer muitas críticas aos religiosos daquela época. Jesus não criticava quem não o conhecia e sim, a igreja que se achava detentora da verdade, sendo que, no fim nem ela entendia a verdade.

    É interessante como Cristo constantemente é lembrado como um Deus de amor, que morreu por nós. Mas poucas vezes é lembrado como um Deus que não compactuava com o pecado, que derrubava as mesas dos vendilhões do templo ou que fazia pregações ácidas e duras. Jesus é amor, mas também não dava moleza quando o assunto era hipocrisia, pecado e legalismos.

    Nestes dois últimos versículos deste sermão, o texto começa dizendo que a multidão se admirou, o termo certo seria que elas estavam atônitas, foras de si:

    “Literalmente, são expressões fortes como “fora de si” ou “atônitas”. As amostras dos discursos dos rabinos, na Mishna, na Gemara e no Talmude, usualmente eram secas, insípidas, desconjuntadas, que continham declarações desconexas sobre todos os problemas humanos” (CHAMPLIN, 2014, p. 344).

    Resumindo, Jesus Cristo era sábio, não precisava fingir que sabia, Ele tinha autoridade, pois tal poder vinha direto de Deus. Os fariseus eram legalistas não viviam o que falavam e se esqueciam de olhar o próximo com o olhar de misericórdia e esperança. Mais uma vez faço uso da tradução de Eugene Peterson para entendermos estes últimos versículos:

    “Quando Jesus concluiu seu discurso, a multidão o aplaudiu. Eles nunca tinham ouvido um ensino assim. Era óbvio que ele vivia o que pregava, em contraste com os líderes religiosos do povo! Foi a melhor aula que eles já tinham ouvido” (2012, p. 1387).

    Eu cresci ouvindo a máxima: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Uma bela frase para quem quer cultivar uma vida hipócrita, ou para quem quer exigir do próximo sem se esforçar para falar do que vive. Este era um dos defeitos dos religiosos do tempo de Jesus:

     “Em todo o livro, Mateus deixa evidente o propósito de fazer uma diferença, uma distinção entre os ensinos de Jesus Cristo e os ensinos dos religiosos dominantes de seus dias. Somente Jesus Cristo poderia falar, diferentemente deles” (QUEIROZ, 2006, p. 206).

    Foram 26 textos contendo os mais variados ensinos, proferidos de forma clara pelo próprio Cristo. Aprendemos quem são as verdadeiras pessoas felizes, sobre a nossa missão de sermos sal e luz, sobre a lei, como ofertar, como orar, jejuar e qual é o nosso verdadeiro tesouro, entre tantos outros ensinos. Mas talvez a principal lição seja: “viva o que você fala”. Não seja hipócrita, nem represente um papel, como um ator querendo representar, buscando ser quem ele não é.

    É evidente que não temos o poder e nem a autoridade de Cristo, Ele era Deus, com um poder sem igual e demonstrou isso através de sua palavra e autoridade. Mas podemos tentar viver como Ele viveu, ou seja, como um livro aberto, vivendo o que falamos, sendo conscientes de quem somos e porque somos salvos.

    BIBLIOGRAFIA

    PETERSON, Eugene H, A Mensagem, Bíblia em linguagem contemporânea, Editora Vida, São Paulo, 2012.

    CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.

    QUEIROZ, Carlos, Ser é o Bastante, Felicidade à Luz do Sermão do Monte, Editora Encontro, Curitiba, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2006.

  • BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

    O tema batismo com o Espírito Santo é um tanto quanto controverso, divide as opiniões de cristãos pentecostais e reformados ou de igrejas mais clássicas. Afinal, o que é ser batizado com o Espírito Santo? Falar em línguas é uma evidência de ser batizado com o Espírito Santo? O batismo ocorre antes ou depois da conversão? São estas questões que vamos ver neste texto.

    Primeiro vamos ver como o cristão pentecostal entende esta questão. Um pentecostal entende o batismo com o Espírito Santo como algo posterior a conversão e que traz grandes bênçãos aos cristãos. As ideias básicas, segundo alguns teólogos, vieram de Charles Fox Parham, sendo difundidas consolidadas por Joseph William Seymour (MACGRATH, 2005, p. 162). Diante disso, a divisão de cristão comum e cristão batizado no Espírito Santo é visível em toda a igreja pentecostal. Sua principal base bíblica vem de Atos 2,  e Atos 10:48-48, e do fato dos apóstolos receberem o batismo prometido por Cristo após a sua conversão, depois que Jesus subiu aos céus (Atos 1:4-5). Este é o principal argumento de um pentecostal para o fato do batismo vir depois da conversão, e o batismo com evidência em línguas vem de Marcos 16:17 que diz:

    “Estes sinais acompanharão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas…”.

    Quem crê, segundo eles, fala em línguas entre outros dons. E é claro que Atos 2 seria o cumprimento do que Jesus havia dito. Vale lembrar que alguns pentecostais afirmam que a evidência de uma pessoa ser batizada com o Espírito Santo não é o dom de línguas e sim a mudança de vida, o que eu acho muito coerente, afinal, quando o Espírito Santo entra em nossa vida, a mudança, os frutos, devem ser visíveis (Gálatas 5:22), mas como eu disse, são apenas alguns, não a maioria.

    Já o cristão reformado ou de igrejas clássicas, entende que o batismo no Espírito Santo vem na hora da conversão:

    “Batismo no Espírito Santo”, portanto, deve-se referir à atividade do Espírito Santo no início da vida cristã quando Ele nos dá nova vida espiritual (na regeneração), além de nos purificar e conceder um claro rompimento com o poder do pecado e o amor por Ele (o estágio inicial da santificação) (GRUDEM, 2010, p. 639).

    Quando nos convertemos somos batizados, isso não se dá após a conversão e sim no momento da conversão, o versículo base é 1 Coríntios 12:13:

    “Pois em um só corpo todos nós fomos batizados em um único Espírito: quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um único Espírito”.

    O texto é claro e enfatiza que é o batismo que nos faz corpo de Cristo, diante desta verdade a experiência não pode ser após a conversão. 

    Aí você me pergunta, então o que seria o dia de pentecostes descrito lá em Atos 2? Grudem explica:

    “O dia de pentecostes foi o ponto de transição entre a obra e ministério do Espírito Santo na antiga aliança a obra ministério do Espírito Santo na nova aliança” (GRUDEM, 2010, p. 640).

    É claro que o Espírito Santo é visível também no Velho Testamento, mas com muito menos atuação. Uma vez feita esta transição, nunca mais ocorreu ou é preciso ocorrer. As inúmeras manifestações do Espírito Santo que ocorreram nos tempos dos apóstolos foram alguns momentos únicos na história da igreja e nunca mais ocorreu (Atos 2:1-13; 8:14-17; 10:44-48; 11). Além de marcar o início da igreja cristã e ter servido de uma capacitação para os apóstolos. Tal qual Cristo, que Durante o seu batismo também foi capacitado pelo Espírito Santo quando este desceu em forma de pomba (Lucas 3:21-22). Vale lembrar que o principal milagre ocorrido Durante a descida do Espírito Santo em Atos 2 foi que várias pessoas ouviram a mensagem em seu próprio idioma, mais de três mil pessoas foram convertidas nos mostrando que o evangelho é para todos.

    Cristo subiu e o Espírito Santo desceu e mora conosco em nosso coração. Todos os que são cristãos são batizados no Espírito Santo. Lembrando que o dom de falar em línguas estranhas não é uma evidência do batismo, pois Paulo fala que é um dom, nem todos têm este dom. (1 Coríntios 12:30), e fala também que em uma igreja  apenas três deve falar e com alguém para interpretar (1 Coríntios 14:27)  se não houver intérpretes que se calem (1 Coríntios 14:28).

    Mas aí você de novo me pergunta: como explicar a manifestação do Espírito Santo nas igrejas pentecostais? Alguns vão afirmar que é emoção, outros que é uma manifestação mais plena do Espírito Santo no meio da igreja, concedendo dons, milagres e maravilhas. Eu acho possível qualquer uma das duas opções, porém não posso afirmar que é emoção, muito menos afirmo que é o Espírito Santo, deixo para você que vive neste contexto julgar. Já vi muita coisa acontecer para afirmar que isso não existe, apesar de muitas vezes ter visto muito mais emocionalismo que o mover de Deus.

    Somos regenerados pelo Espírito Santo no momento de nossa conversão, não existe o cristão comum e o batizado. Existe o cristão e ponto final. Agora, o Espírito Santo pode até se manifestar de forma especial em algumas igrejas, tal qual acontece em algumas igrejas pentecostais, mas na maioria das vezes, ou em uma boa parte delas é emoção. Coisa que eu já vi muito acontecer na igreja, porém não me arrisco dizer que esta manifestação não existe, por conhecer quem já vivenciou isso e por já ter visto alguma coisa, como já afirmei.

    Não acho que eu esteja certo em apontar o dedo para alguém e afirmar que a sua experiência é fruto de sua imaginação, só quem já passou por isso pode confirmar, quem nunca passou acaba tendo que confiar em quem descreve suas experiências. Afinal, a Bíblia não afirma que a capacitação do Espírito Santo nunca mais iria acontecer, como aconteceu naquela época, deixando uma brecha pequena para concluirmos que eles podem ter razão, apesar de eu ter um pé atrás e achar possível concluir que o que aconteceu no tempo dos apóstolos foram só para eles.

    BIBLIOGRAFIA

    GRUDEM, Wayne, Teologia Sistemática Atual e Exaustiva, Editora Vida Nova, São Paulo, 2010.

    MCGRATH, Alister, Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica, Uma introdução a Teologia Cristã, Shedd Publicação, São Paulo, 2014.

  • SANGUE INOCENTE

    …mãos que derramam sangue inocente… (Provérbios 6:17).

    A história nos conta o quanto a “Inquisição Católica” e a “Inquisição Protestante” matou, foi uma grande vergonha feita em nome do evangelho. Isso sem mencionar o que Calvino fez com Servetto ou os puritanos, quando perseguiram os arminianos, taxados de hereges. Foi um festival de injustiça, feito em sua maioria em nome de Deus.

    Inocentes ainda são perseguidos neste nosso “mundo evoluído”, tudo em nome da religião, cor ou credo. O que nos faz pensar se realmente estamos evoluindo.

    Esta é a terceira coisa que Deus detesta, sangue inocente derramado. Milhares em nossos dias têm sido vítimas de balas perdidas, assaltos ou acidentes de trânsito, ocasionado por motoristas embriagados ou pessoas distraídas no celular. Hoje em dia nós não temos certeza se voltaremos para casa depois de um dia de trabalho. Isso sem falar das guerras, terrorismos e conflitos que derramam sangue inocente todos os dias há décadas.

    Qualquer tipo de injustiça é uma forma de derramar sangue inocente e é isso que o texto quer falar. Porém eu não consigo deixar de fazer um link com Cristo quando eu leio “sangue inocente”. A Bíblia diz que nós nascemos em pecado.

    “pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, (Romanos 3:23).

    Este pecado nos afastou de Deus e transformou o mundo no caos que vemos. É por isso que vemos muitos sofrerem injustiças e perseguições, isso é o resultado de estarmos cada vez mais longe de Deus. Mais um dia, a mais de dois mil anos atrás, um Deus inocente morreu e ressuscitou por nos amar.

    Enquanto não nos arrependermos e seguirmos a Cristo, continuaremos neste caos. Enquanto a mensagem da cruz não for o centro de nossas vidas, continuaremos a nos consumir. Pois todos pecaram, somos todos manchados e só um sangue inocente pode nos justificar.

    Eu acredito sim que Deus detesta ver sangue inocente derramado, mas também sei que somos todos culpados e precisamos da Sua justificação. É só através d’Ele que teremos vida é só através do seu sangue que esta injustiça toda cessará, o verdadeiro sangue inocente.

  • INTOLERÂNCIA

    A Intolerância é um mau que atinge o nosso século e tem provocado confusões por onde passa. E qual seria a causa destas brigas? Defender seu ponto de vista a qualquer custo é claro. Intolerante segundo o dicionário é:

    “Inflexível; sem tolerância, clemência; qualidade da pessoa que não perdoa, não tolera ou não aceita erros e falhas” (Dicio)

    O intolerante é o cara que não aceita mudança, que considera o seu ponto de vista o mais certo e que pensa que a sua forma de agir é a única correta. E se formos falar sobre liberdade religiosa, o assunto ganha ainda mais polêmica. Pois muitos acham que apenas suas crenças são as mais certas, são as únicas que devem existir.

    Entenda, eu sou cristão, acredito que Cristo é a verdade, mas não posso obrigar ninguém a acreditar nisso e nem desrespeitar a religião ou credo da outra pessoa, por crer em meu Deus. Quando ouço notícias de cristãos chutando santas ou agredindo pessoas de uma religião oposta a sua, fico horrorizado. Penso que não é esta a atitude que a Bíblia nos aconselha termos.

    Veja bem, existe um grande problema em sermos intolerantes, abrimos a porta para que outros também sejam conosco. Existe também um segundo problema em obrigarmos que outros a aceitarem nossa crença, estamos também abrindo a porta para que outros também nos obriguem a acreditar em suas crenças.

    Não podemos obrigar  todos a pensarem ou acreditarem no que nós acreditamos, mas podemos brigar pelo direto individual de crença. Nós cristãos somos chamados para sermos sal e luz, para pregarmos e sermos diferença e não para convencer e obrigar as pessoas a pensarem como nós.

    O caminho da intolerância é obscuro e violento, é um caminho que não comunica o evangelho de Cristo. Não somos chamados para convencer, quem convence é o Espírito Santo, somos chamados para pregar a mensagem da cruz e respeitar quem não acredita como nós acreditamos.

    Aprenda a argumentar com respeito e a pontuar o que não acha correto de forma clara e consistente. Quem tem bons argumentos respeita. Quem não tem, mal ouve o próximo, quanto mais vai fazer a diferença.

    Sem respeito não seremos ouvidos, se você não ouvir o próximo, não conseguirá comunicar seu ponto de vista. A nossa missão é apenas comunicar, brigar por respeito e justiça. Não estou falando para você engolir tudo ou aceitar todas as religiões, mas respeitar. O sucesso de uma boa pregação começa com o respeito ao próximo, entendendo que todos têm o direito de pensar como bem quer, no mais é obra do Espírito Santo.

     

     

    BIBLIOGRAFIA

    https://www.dicio.com.br/intolerante

  • O SERMÃO DO MONTE PT 26: OS VERDADEIROS DISCÍPULOS

    “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Referência: MT 7:21-27) (NVI). 

     

    Considero este texto um dos mais profundos da Bíblia, o Sermão do Monte não podia estar acabando de forma mais grandiosa do que esta. No versículo passado Cristo falou dos falsos profetas (v. 15), e como identificá-los (v. 16), a continuação aqui é lógica, serve de fechamento para a série de ensinos a respeito do caminho da salvação. Sendo que, o texto começa de forma objetiva e o ponto principal dele afirma que não é quem diz que é, e sim quem pratica a vontade do Pai que entrará no reino dos céus. E aqui eu não consigo deixar de fazer um link com a igreja atual.

    Muitos acreditam que ser cristão é ter um título, é ir à igreja ou ter um número grande de presenças na “chamada” da igreja. Ser cristão é ter uma vida de prática, é buscar a Ele, ler a palavra e ter uma vida de obediência e servidão. Cabe uma pergunta aqui nesta reflexão: Por que você vai à igreja? Qual é a motivação que leva você a dedicar um tempo na comunidade cristã? Ser cristão é algo prático, diário, faz parte de nossa vida, sendo que, nós devemos ser onde nós estivermos, seja no trabalho, em casa ou com os amigos. Não adianta lermos o Sermão do Monte ou qualquer outro ensino da Bíblia sem praticar, o conhecimento sem a prática é inútil.

    Mas o texto continua e confesso que eu fico horrorizado com o que vem, pois Jesus nos diz que muitos, usando o nome d’Ele, farão milagres, expelirão demônios e profetizarão, porém, estes não eram conhecidos por Deus. Ou seja, é possível um cristão falso fazer milagres em nome de Deus, pois afinal o poderoso não é o homem, mas o nome de Jesus e o homem não tem qualquer mérito nisso, nem vantagens especiais por curar em nome de Jesus, ao contrário, muitos farão sem ao menos ser um conhecido de Deus. Mais uma vez cabe algumas perguntas parecidas com o que fiz no começo do texto: Qual é a sua motivação para fazer a obra de Deus? Você tem feito a obra, para pagar a sua entrada no dos céus? 

    Nós não temos nada, sendo que, nós só merecemos a morte e não temos poder algum, tudo o que fazemos e somos vem direto do trono de Deus e de sua graça. Você não compra a entrada no céu, e muito menos paga a entrada por ser usado por Deus. Isso tudo nós não merecemos, e vangloriar-se é trazer a glória que pertence somente a Deus, para si. Somos salvos pela graça, somos usados por Ele como um instrumento, pois toda a honra e glória vêm d’Ele.

    Contudo, Cristo continua falando, agora daquelas pessoas que ouvem a sua palavra e a guardam. Ele diz que estes são comparados a pessoas que constroem sua casa na rocha. É impossível derrubar uma casa bem edificada, uma casa com uma boa estrutura é bem resistente. Assim são os que ouvem a sua palavra e a pratica. O insensato não tem tempo para ler a Bíblia, orar e estudar. Mas quem assim o faz, constrói em sua vida um alicerce que o manterá firme diante das intempéries.

    “Alguns dizem e praticam, só que dizem e praticam a coisa errada. Ouvir os ensinos de Jesus e praticá-los é fundamental” (QUEIROZ, 2006, p. 201).

    Ouvir e praticar são as duas ênfases explícitas em toda esta passagem. Não adianta você ser cristão, sem conhecer a palavra, ou ir na onda dos falsos profetas que querem te enganar. Só há uma maneira de construir uma vida sólida, embasada com a palavra, e o caminho é ouvir, ler a Bíblia, conhecer e praticar.

    O texto nos convida a sermos praticantes, a servir a Deus sem buscar glória terrena. Entendendo que tudo o que temos vem d’Ele, nós, por nossos próprios meios não somos nada, entendendo também que conhecimento sem prática não gera mudanças.

    BIBLIOGRAFIA

    QUEIROZ, Carlos, Ser é o Bastante, Felicidade à Luz do Sermão do Monte, Editora Encontro, Curitiba, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2006.

  • INTRODUÇÃO A MISSIOLOGIA: MISSÃO NO VELHO TESTAMENTO

    Ao falarmos em missão, é inevitável termos que ir lá em Gênesis e discorrer sobre um Deus que criou o homem a sua imagem e semelhança. Ou nos lembrarmos que este homem criado desobedeceu e com isso, ele se perdeu. E por conta do pecado, tem se destruído e se desviado do propósito original, que é a adoração, que é viver para obedecer Deus.

    Quando não olhamos para Deus, nós nos destruímos, quando Cristo não é o centro de nossa vida, o centro acaba sendo nós, nossa vontade destrutiva, nossos desejos contaminados. Lutero tinha uma definição excelente para pecador:

    “O homem curvado em si mesmo” (STOTT, 2004, p. 94).

    E é isso o que somos, seres desobedientes, curvados em nós e nossos desejos, olhando apenas as nossas vontades e nossos umbigos. Gosto da definição de pecado que John Stott dá:

    “O pecado é uma afirmação rebelde de mim mesmo contra o amor e a autoridade de Deus e contra o bem-estar do meu próximo” (STOTT, 2004, p. 94).

    Um dos pontos principais do pecado é a desobediência, é viver uma vida autocentrada. O evangelho vem para mudar este cenário e ensinar o homem a ser gente da maneira certa. E a missão entra com esta função, pregar a mensagem de um Deus que preferiu dar o seu filho para nos salvar ao invés de nos destruir.

    O começo de tudo é com Abraão, quando Deus pede para ele sair de sua terra, da terra dos seus familiares e ir para um lugar que Ele iria mostrar (Gênesis 12:1-2). Pois para haver missão, tem que haver um Deus que se revela, um Deus que busca o homem e traz salvação. Sobre Abraão, é bom fazermos algumas observações. A primeira é que as promessas feitas para Abraão eram para toda a humanidade:

    “As promessas feitas a Abraão (Gn 12.1-3,18.18 e 22.15-18) envolviam toda a humanidade e foram sendo renovados por meio de seu filho Isaque (26.4) e de seu neto Jacó (28.14) (GUSSO, 2011, p. 32)”.

    Gênesis 12:2-3 é bem claro quando diz que Abraão seria pai de um grande povo, mas diz também que por ele todas as nações da terra seriam abençoadas. Pois Abraão é o começo de tudo, através dele muitos outros conheceriam o evangelho e de sua descendência o salvador viria redimir e levar a palavra de vida a todos.

    O interessante é que Gálatas 3:6-9 fala justamente disso, da justificação pela fé, sendo que Paulo resgata o acontecido em Gênesis para nos ensinar que desde o começo Deus já iria aceitar os não judeus pela fé.

    A segunda é que a distância que Abraão percorreu de Harã até Canaã foi de seiscentos quilômetros, isso em um período onde não existia carro, ônibus e as facilidades da vida moderna, sem esquecer que ele seguia com seus servos e rebanhos, com isso, podemos concluir que o grupo não era pequeno e o deslocamento não era fácil por conta dos animais (CHAMPLIN, 2013, p. 18).

    Porém Deus não só se revela, mas também salva, e sobre salvação no Velho Testamento, podemos falar um pouco da vida de Moisés, o homem que Deus usou para libertar o povo de Israel do Egito. Êxodo 3:1-12 diz que enquanto Moisés apascentava o rebanho do seu sogro, Deus apareceu para ele e deu a missão de libertar o povo de Israel da escravidão do Egito.

    O curioso é que a história de Moisés é a sombra da história de Cristo, de um Deus que viria para nos salvar. Pois Mateus 2 diz que José e Maria tiveram que fugir para o Egito com Jesus, para que não o matassem em uma carnificina, e foi de lá que o salvador veio, cumprindo assim uma das profecias que havia sobre o salvador (Oséias 11:1, Mateus 2:15).

    Poderíamos colocar também muitos outros profetas como os primeiros missionários, mas vale lembrar que o conceito de céu ou de uma vida após a morte veio apenas depois do período dos profetas. É no Novo Testamento que isso fica mais claro e podemos entender o plano de salvação de uma forma mais ampla. Contudo, apesar de sabermos que o plano de salvação começou com Abraão, e que Moisés teve uma missão, assim como muitos outros profetas, não podemos chamar estes de missionários ou pregadores, como conhecemos hoje, pois apesar de haver convertidos entre os judeus daquela época, apenas o judaísmo posterior é que se tornou um pouco mais missionário. Entretanto, temos um livro no Velho Testamento que registra a história do que talvez possamos chamar de um dos primeiros missionários, o livro é o de Jonas.

    Jonas é um profeta em Israel (2 Reis 14:25), um profeta bem nacionalista diga-se de passagem, que recebeu a missão de pregar para um povo pagão, mas que fica com raiva quando o povo de Nínive se arrepende e Deus desiste de destruir a cidade (Jonas 4:1). Sendo que o livro termina mostrando Jonas indignado com Deus, por não ter destruído a cidade e Deus mostrando para Jonas como ele é misericordioso. No final é Jonas que tem que aprender sobre a misericórdia de Deus. Este profeta nacionalista não conhecia direito o Deus no qual ele servia e discordava da misericórdia dele, ele não aceitava o fato de Deus não ter destruído um inimigo do povo judeu. Uma história realmente curiosa, que mostra um Deus misericordioso que nunca deixou de olhar para outras nações e um profeta nacionalista, que preferia morrer do que aceitar a misericórdia deste Deus salvador.

    Com a história de Jonas chegamos a duas ótimas conclusões. A primeira é que apesar de Jonas ter fugido, Deus tratou daquele profeta e deu a ele uma segunda chance, usando uma baleia para salvar um profeta desobediente (Jonas 2).  A segunda lição que tiramos é que, apesar de Deus ter usado Jonas para pregar em outra nação, no fim o livro termina com Deus tratando do próprio profeta.

    Resumindo, a missão começa com Deus querendo salvar a humanidade, o propósito da missão não é divulgar uma placa de igreja, ou ser apenas um movimento de assistencialismo, a missão deve começar tendo como principal propósito a mensagem de salvação. Quando lemos sobre Abraão vemos que Deus tinha um plano, e neste plano estava incluso também os gentios, não só os judeus. Quando lemos sobre Moisés vemos que Deus atende a súplicas e ao sofrimento de seu povo, vemos também que é Deus que envia. Quando lemos sobre Jonas também vemos um Deus que dá uma segunda chance, seja para Jonas ou para o povo pecador de Nínive sendo que o nosso Deus também trata quem ele chamou para trabalhar.

    BIBLIOGRAFIA

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.

    Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Ed. Soc. Bíblica do Brasil, 2005.

    CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.

    STOTT, John. Por Que Sou Cristão. Minas Gerais: Editora Ultimato, 2004.

    GUSSO, Antônio Renato. Os Livros Históricos: Introdução fundamental e auxílios para a interpretação. Curitiba:  Editora Ad Santos, 2011.

    GUSSO, Antônio Renato. O Pentateuco: Introdução fundamental e auxílios para a interpretação. Curitiba: Editora Ad Santos, 2011.

    BRÄUMER, Hansjörg. Gênesis: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 2016.

  • O SUTIL ERRO DE PROCRASTINAR

    Por anos fui um procrastinador, deixava  para fazer tudo em cima da hora e perdia muitas boas oportunidades por conta deste defeito.

    Na faculdade, procrastinar é um problema muito sério, pois se deixarmos acumular trabalhos acabamos por não conseguir fazer nenhum ou fazemos de forma apressada e relaxada. Em outras áreas, a procrastinação faz com que façamos as coisas com desleixo e displicência.

    O problema é que a arte de procrastinar é sutil, muitas vezes surge de uma forma inocente, mas acaba por destruir as nossas oportunidades e responsabilidades. Sendo que, o procrastinador é quase sempre conhecido como o relaxado, o mediano ou o cara que acaba por não terminar as coisas.

    Aprendi ao longo da minha vida a não procrastinar, desenvolvi com o tempo algumas práticas para evitar a procrastinação, o que se segue são algumas dicas, de quem sofreu muito com isso, mas que conseguiu vencer tal mal.

    A primeira dica é se organize. A organização é o princípio de tudo, quando aprendemos a nos organizar descobrimos que temos mais tempo do que imaginamos, que podemos fazer as coisas melhores e que a tarefa não é tão difícil assim.

    Na faculdade, onde eu tinha que ler e escrever muito,  adquiri o hábito de pegar os livros que eram leitura obrigatória já nos primeiros dias de aula. Eu lia todos os livros e fazia os trabalhos já no primeiro mês do semestre.  No primeiro ano da faculdade eu não fui tão bem por não agir assim, mas depois, aprendi a lição e nunca mais deixei para fazer os trabalhos e leituras em cima da hora.

    A segunda é comece. Pode parecer um pouco óbvio e simplista esta dica, mas não é. Aprender a separar um tempo e fazer as atividades sem depender de vontade, inspiração ou do momento certo é o principio para desenvolvermos o hábito de estudar e produzir. Eu sei que muitas vezes precisamos estar inspirados para escrever, mas eu também sei que ao começar algo, mesmo sem inspiração ou vontade, acabamos por termos ideias e desenvolvermos a tarefa, que antes achávamos que não estávamos inspirados. Gosto de uma frase de Aristóteles que resume bem o assunto:

    “O hábito, meu amigo, é tão somente uma longa prática. Que por fim faz-se natureza” (2000, p. 155).

    Por isso, separe um tempo e pare nesta hora para realizar a tarefa independentemente se você está com vontade ou não, começar é tudo, praticar é o caminho do hábito.

    A terceira é faça metas. É normal darmos prioridades para coisas mais imediatas e colocarmos o que temos mais tempo, de lado. Com isso, não percebemos que o tempo vai passando e assim, terminamos por atrasarmos nossos compromissos. Por isso que metas, datas, prazos são importantes para que não caiamos na procrastinação. Lembre-se que quanto mais adiantado você fazer seus trabalhos, mais tempo para corrigir, melhorar e aperfeiçoar, você terá, por isso, faça suas metas, tente calcular quanto tempo você vai gastar realizando suas tarefas e crie um cronograma para conseguir terminar seus trabalhos em dia.

    Procrastinar é um mal, é dar prioridade para coisas passageiras e prazeres imediatos. O prazer imediato é sempre o melhor, quem não gosta de se desligar assistindo uma série, conversando com amigos nas redes sociais, ou vendo vídeos? Isso é bom, eu sei, mas buscar o equilíbrio é o segredo para que consigamos nos dedicar as coisas que não dão alegrias imediatas, mas que são necessárias e nos farão bem a longo prazo. Isso serve para o estudo, dieta e exercício.

    Nem todos os nossos planos dão retorno no momento, mas eu sei que tudo o que vale a pena, não nos traz alegrias imediatas. Fazer uma faculdade, estudar, ou investir em nosso futuro não traz prazer imediato, leva tempo e dedicação, mas com certeza trará uma alegria em um futuro próximo, sendo quase sempre peça indispensável para construirmos nossos sonhos ou vermos nossos projetos ganhando a luz do dia.

    BIBLIOGRAFIA

    ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Editora Martin Claret, 2000.

  • EMOÇÕES

    “Não deixe que a emoção responda por você”.

    Quando novo eu não tinha papas na língua, falava tudo o que dava vontade, com isso, sem querer, magoava muitos dos que eu queria bem.

    Com o tempo aprendi a controlar a língua, e a falar de uma forma que não ofendesse meus amigos. Eu caminhei para está mudança primeiro por perder muita coisa por conta do meu modo de falar, segundo, por conhecer pessoas que falavam sem pensar. Olhando de fora eu pude perceber quantas oportunidades estes perdiam por não saberem falar e quanta gente estes magoavam. Isso sem contar com as pessoas que comumente tomam decisões sem primeiro pensar no assunto, se metem em enrascadas por não refletir ou fazer as contas entes de embarcar em algum projeto.

    É impossível fazermos uma reflexão quando deixamos que a emoção responda por nós, por não pararmos para refletir no que ouvimos, muitas vezes nos damos mal. Você não sabe o quanto está perdendo quando não ouve em silêncio, quando não respeita a opinião alheia, quando não dialoga de forma respeitosa com quem pensa diferente de você.

    Por isso, não deixe que a emoção responda por você, aprenda a pensar e a refletir e aprenda também que às vezes é melhor deixar o tempo passar, a emoção acabar, para depois responder ou tomar alguma decisão, não se esqueça do velho ditado: “Sinceridade que ofende é grosseria”. Com isso, se colocar no lugar das pessoas é inevitável para que possamos nos comunicar melhor e não deixar sermos guiados por todas as nossas emoções.

  • APRENDIZ

    Eu tenho uma máxima em minha vida no qual carrego há anos no peito: “Aprendi o segredo de estar contente…”, uma frase que peguei emprestado de Paulo lá de Filipenses 4:11 e que tem ditado o ritmo da minha caminhada

    Em um mundo caótico igual ao nosso, onde sem mais nem menos nossa situação pode mudar, é importante saber estar contente em qualquer situação. Nem sempre podemos estar bem financeiramente, nem sempre termos saúde, nem sempre termos paz. Isso quando não temos todos estes problemas ao mesmo tempo, com isso estar contente se torna fundamental para a nossa saúde mental.

    A grande verdade é que se não aprendermos a lidar com todas as nossas intempéries, com certeza sucumbiremos, aprender a se adaptar aos diversos tipos de mudança é inevitável para não cairmos no desgosto e na tristeza que rodeia a sociedade.

    E não adianta ficar com raiva e culpar Deus por todos os seus problemas, pois viver no mundo é ter a certeza de que nem sempre estaremos bem. Este é o resultado de sermos contaminados pelo pecado. Vivemos no caos, seguimos sendo egoístas e passamos por cima de muitos. Somos seres autodestrutivos, construímos uma sociedade conforme nossa própria imagem caótica, diante disso, é claro que nem sempre estaremos bem.

    O mais irônico é quando estudamos o contexto desta passagem bíblica e descobrimos que Paulo escreveu Filipenses na prisão. É impressionante saber que ele aprendeu o segredo de estar contente justamente no momento em que ele não estava numa boa, na cobertura de um hotel comendo caviar…

    Nem sempre o cristão vai estar bem, passar por dificuldades é comum, a Bíblia atesta isso quando conta as experiências de Jó, Elias, Oséias e os apóstolos. Leia com cuidado a Bíblia que você vai ver muitos servos de Deus passando dificuldades, perseguições, doenças e faltas, mas uma coisa todos tinham em comum: “eles confiavam em Deus” por isso sempre encaravam seus problemas com uma outra ótica.

    Aprender a estar contente é ter gravado na mente que o que acontece no exterior, não pode definir nosso interior. O que somos, em quem confiamos e o que acreditamos, não pode ser atrapalhado por fatores externos. Se o que acontece no mundo definir a nossa vida, corremos o risco de aos poucos nos distanciarmos de Deus. Crer que Ele nos ama e que olha por nós é básico para fé, mas ter em mente que nem tudo entendemos, nem tudo conseguimos explicar, também é importante. Confiar é largar o controle e viver sempre olhando para Deus, fazemos apenas o que esta em nosso alcance e o que não está, precisamos largar o controle. Não é fácil, mas é preciso.

    Paulo havia aprendido o segredo de estar contente e o segredo era e é Cristo. Se não olharmos para Ele e buscarmos forças nele, certamente sucumbiremos neste mundo mal. Sem a força de Deus, como o versículo otimamente diz, com certeza olharemos mais para os problemas ou viveremos uma vida tão autodestrutiva que não perceberemos o caminho que estaremos tomando, aí é o fim, pois o descontentamento tomará conta do nosso ser e seguiremos na busca de encontrar a alegria que não existe.

    Não esqueça que a única alegria, o contentamento verdadeiro, só se encontra em Deus, não existe nada fora dele, relembre está verdade dia a dia e aprenda o segredo de Paulo.

     

     

    BIBLIOGRAFIA

    HAHN, Eberhard, BOOR, Werner de, Carta aos Efésios, Filipenses e Colossenses, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 2006

  • CRISTÃO COMUNISTA

    Neste nosso ano político, muita coisa tem vindo à tona, desde declarações das mais estranhas até posicionamentos dos mais violentos e contraditórios. O curioso é que, nestas horas, até quem não é cristão se apropria das palavras de Cristo para emitir a sua opinião, sendo que novamente tenho visto alguns afirmarem ou darem a entender que Jesus era comunista, por olhar para os pobres e sempre atendê-los. Para quem estuda a Bíblia, fica bem claro que tal junção é impossível de se fazer, pegar acontecimentos e frases soltas de Jesus e afirmar que ele era comunista é um erro grave e mortal. Já escrevi um texto pontuando a gritante diferença entre Marx e Cristo, caso queira ler segue o link: MARX VS CRISTO. O que eu farei neste texto é justamente trabalhar diretamente as questões teológicas.

    Antes de continuar, quero conceituar o que é comunismo, que seria um sistema político onde tudo é desfrutado por todos, inclusive os meios de produção. Este sistema defende o fim da propriedade privada e tem como um dos principais propósitos o controle das fontes de riqueza e do sistema econômico (CHAMPLIN, 2013, p. 825).

    Existe um movimento denominado Comunismo Cristão, que acredita que o posicionamento e as ideias de Cristo apontavam justamente para o comunismo, isso sem contar que a Bíblia também diz que os apóstolos viviam com tudo em comum, por isso, estes acreditam que o comunismo é justificado pela Bíblia.

    Entendam de uma vez por todas, sim, Cristo olhou para os pobres, ele ajudou e ofereceu a mão, seus milagres e curas evidenciaram que ele era o Cristo esperado. Mas não nos esqueçamos de uma afirmação, uma das mais importantes que ele fez durante o seu julgamento: “Meu reino não é deste mundo […]” (João 18:36).

    Esta afirmação evidencia duas coisas importantes. Primeiro, deixa claro que Cristo, de maneira alguma, havia vindo para esta terra para ser o revolucionário político que os judeus esperavam que o Messias fosse. Inclusive, alguns discípulos de Cristo ainda pensavam assim e tiveram que aprender que estavam errados (Lucas 24:13-35). Jesus Cristo veio à terra para libertar o homem da dominação do pecado.

    Segundo, a mensagem de Cristo não aponta para o comunismo e muito menos para o capitalismo, e sim, aponta para o fato de que o homem sem Deus está fadado a caminhar em direção ao mal e ao erro. Não existe solução humana eficaz para solucionar o problema das injustiças, existe apenas Deus, como fonte e caminho para a salvação. O comunismo, o capitalismo ou qualquer outra coisa que possamos inventar, sempre será soluções frágeis e fracas ante o problema do caos e do mal do mundo.

    Sobre a passagem que fala que os discípulos tinham tudo em comum (Atos 2:44), ela não abre para um pressuposto comunista só porque diz “que todos tinham tudo em comum”. A mensagem principal do texto é que aqueles cristãos primitivos não viviam suas vidas fundamentadas em leis ou conceitos preestabelecidos, e sim ajudando uns aos outros. Não há em lugar algum da Bíblia um mandamento que nos incentive a viver assim, provavelmente aquela igreja adotou este estilo de viver por conta da dificuldade e da fome que a perseguição religiosa estava causando. Fora que a maioria dos estudiosos vai apontar para o fato de que essa experiência fracassou, já que o próprio Paulo levantou ofertas para ajudar esta comunidade que estava em dificuldades (1 Coríntios 16:1-3).

    O comunismo é um sistema político onde poucos têm poder e riquezas e muitos têm pouco. Se o capitalismo é perigoso, o comunismo é ainda muito pior, muito mais injusto, por privilegiar uma minoria e deixar a maioria na miséria e alienação.

    Isso sem contar que o comunismo prega o fim das igrejas. Marx afirmava que a religião era o ópio do povo, ele era contra as classes, a propriedade privada e a religião. O cristianismo nunca teve estes pontos como principais. A mensagem cristã é de partilha, é ter uma vida equilibrada. É olhar para o próximo que está necessitado e de buscar o reino que não é deste mundo, mas de maneira alguma a Bíblia é contra termos bens.

    O cristianismo primitivo nunca teve pautas políticas, nunca ligou para a dominação romana. A sua pauta era outra, era o arrependimento e a salvação do homem pecador, era a libertação do homem escravo do pecado. É contraditório falar que Cristo era comunista, pois suas pautas nunca foram políticas, se tivessem sido, ele teria trabalhado muitas outras questões injustas que aconteciam no Império Romano. Gosto de uma citação que resume bem a questão:

    Quando a política pretende ser redentora, promete demais. Quando pretende fazer a obra de Deus, não se torna Divina, mas demoníaca. (Bento XVI) (FERREIRA, 2016, p. 89).

    Jesus não foi um revolucionário político, ele apenas entrou em conflito com a religião da época que era hipócrita, que achava que fazia a vontade de Deus, mas que no fim não fazia coisa alguma.

    Eu não acredito em um modelo político salvador, mas entre os dois, eu ainda prefiro o capitalismo. Por ver até agora o comunismo seguir fazendo muito mais injustiças do que o capitalismo.

    Cristo não deu ênfase alguma para um sistema político, ele mandou que o imitássemos e quem o imita, certamente olha o próximo e não deixa de oferecer a mão a quem precisa. Temos que tomar cuidado para não ficarmos enxertando na Bíblia conceitos que ela não defende. A Bíblia já tem a sua própria mensagem e não precisa que as pessoas a amoldem de acordo com suas crenças.

    Não precisamos de um sistema político para mudar as pessoas, o evangelho genuíno já muda. Quem vive a palavra já olha (ou deveria olhar) para o próximo e não deixa de auxiliá-lo.  O problema nunca foi a meritocracia, nem as pessoas com sonhos que acabam por ter sucessos em suas empreitadas. O problema é a falta de amor, o egoísmo, a falta de empatia.

    Agora o comunismo aliena, ele é contra classes, mas cala a boca das pessoas na marra. No comunismo existem poucos ricos, mas os pobres passam necessidade e faltas. Quem vive em país comunista tem que fechar a boca e obedecer, não tem voz alguma. Mas quem vive o evangelho partilha, opina e divide. Jesus ouviu, deu voz a quem não tinha voz e oportunidades a quem era jogado de lado, agora o comunismo só dá ordens e quem não obedece é punido.

    BIBLIOGRAFIA

    FERREIRA, Franklin. Contra a idolatria do estado: O papel do cristão na política. São Paulo: Editora Vida Nova, 2016.

    CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. São Paulo: Editora Hagnos, 2013.