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CULPADO
Algumas igrejas insistem em ensinar que a culpa do alcoolismo é de um demônio, que alguns são pobres por que o devorador está acabando com suas riquezas. Que o marido traiu a mulher por causa da pombagira. Eu sei que o inimigo tenta nos derrubar, a Bíblia diz que ele está ao derredor, rugindo como um leão (1 Pedro 5:8). Contudo eu também sei que nem tudo é culpa dele.
É muito mais fácil culpar uma entidade, do que assumir a culpa por seus erros. É bem mais simples arranjar um bode expiatório, do que confessar que você não sabe administrar seu salário, ou que é um gastador compulsivo. Assumir nossos erros não é tão simples assim eu sei, afinal, e a nossa reputação como fica?
Tiago 1:14 diz que somos tentados por nosso próprio pendor para o mal, por nossa própria cobiça. Eugene H. Peterson parafraseia de forma genial esta passagem:
“Ceder à tentação é decisão nossa. Culpar Deus é malandragem! A tentação nasce dos impulsos incontroláveis dentro de nós” (PETERSON, 2012, p. 1727)
Quando você peca é culpa sua amigo, não atribua ao diabo algo que você está fazendo. É importante aprendermos a assumir a nossa culpa, para depois mudarmos. Eu sempre digo e volto a repetir, só mudamos quando assumimos nossos erros.
“A fé traz ao crente um novo sentido de responsabilidade. É comum para o ser humano culpar Deus ou Satanás por seus próprios pecados (“o diabo me conduziu a fazer isso”; para muitos isso vai além de uma mera expressão)” (RICHARDS, 2013,p. 1189)
Ser cristão é assumirmos quem somos e buscar mudança. Ser cristão é olhar para cruz, tendo consciência que sem Cristo, estaríamos consumidos em nossos pecados, e não ficarmos arranjando desculpas para nossos erros. Culpar a outros é fácil, Adão culpou a Eva por um erro que ele cometeu e parece que desde lá, tentamos usar a mesma técnica.
Aprenda a assumir seus erros, entenda as suas falhas e busque mudança. Ninguém é perfeito, isso todo mundo sabe, porém só muda quem confessa suas imperfeições, esse sim caminha em direção da mudança.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013
PETERSON, Eugene H, A Mensagem, Bíblia em linguagem contemporânea, Editora Vida, São Paulo, 2012
RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013
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NÃO VIVA UMA VIDA QUE NÃO É SUA
Eu gosto muito do filme: Amor por contrato. O filme retrata a história de uma família fictícia, que fazia o papel de uma família de sucesso, com carros de luxo e diversas tecnologias, a fim de venderem um estilo de vida. No fim, suas vidas eram falsas, pois tudo era estratégia de marketing para vender coisas.
Você pode considerar este tipo de história absurda e eu posso até concordar com você, afinal nunca ouvi falar de uma família assim, mas o conceito não está de todo errado. Pois o que certas revistas, propagandas, novelas e seriados fazem é justamente isso, vender um estilo de vida, divulgar coisas para fazer com que muitos consumam.
Conheci muitos pelo mundo afora que viviam uma vida que não era deles. Tinham carros, dos mais modernos e caros, porém gastavam todo o seu salário para manter o custoso automóvel. Ou moravam em bairros nobres, em boas casas, mas terminavam o mês no vermelho, sem dinheiro algum no bolso.
Desde novo aprendi a adequar meu salário a um estilo de vida apropriado, nunca gastei mais do que ganho e muito menos vivi uma vida falsa, só para manter as aparências. Penso que a tranquilidade e a paz de espírito de não ser um gastador não tem preço, e como um provérbio popular otimamente nos lembra:
“O pouco com Deus é muito, o muito sem Deus é nada”
Não adianta termos tudo e deixarmos este tudo nos afastar de Deus, ou pior. Nos prestarmos a trabalhar como loucos, para sustentar um estilo de vida que não é nosso. Prefiro a tranquilidade, gastar o que tenho, me contentar com o que possuo e batalhar para viver uma vida melhor, mas com equilíbrio, com os pés no chão. Não é um ode a pobreza, quem não gosta de comer bem? Se vestir bem? Ter uma boa moradia ou carro? É claro que todos, mas não posso sustentar um estilo de vida que não é meu. Eu tenho uma máxima que resume bem o que penso
“Sou o que sou independente das coisas e vivo satisfeito, independente do quanto tenho”
O desenrolar do filme que eu citei é curioso, pois muitos, a fim de serem iguais a família do filme, gastavam o que não tinham, vendiam o que podiam, para comprar aquele estilo de vida e várias famílias faliram por causa disso.
Quando o dinheiro nos traz inquietação e incômodos, ele acaba não valendo tanto assim. Viver uma vida simples, calcado na palavra do senhor não tem preço.
É loucura sermos quem nós não somos só para construir uma imagem. Também é loucura comprarmos o que não precisamos só para vender a aparência de quem não somos
Lute, estude, invista, trabalhe, corra atrás, mas não seja quem você não é. Não é ruim termos as coisas, o ruim é perdermos a nossa paz porque gastamos demais e sustentamos um estilo de vida que não nos pertence.
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O MEDO DE RECONHECER ERROS: O CÓDIGO DA INTELIGÊNCIA: AUGUSTO CURY
Todo mundo erra, entenda isso e se liberte com esta verdade. O que vai definir quem somos e o quanto aprendemos com nossos erros é como encaramos (ou não encaramos) este fato.
“O medo de reconhecer erros é, acima de tudo, o medo de se assumir como um ser humano com suas imperfeições, defeitos, fragilidades, estupidez, incoerência” (CURY, 2008, p. 53).
Quem não reconhece seus erros não muda, como já falei muito neste blog, quem não se vê como humano, imperfeito, sujeito a erros não cresce. E eu considero esta terceira armadilha da mente como uma das piores.
“Reconhecer nossas debilidades, entrar em contato de maneira nua e crua com nossa realidade, não é apenas um passo fundamental para oxigenar a inteligência, reeditar nossa memória e superar nossos conflitos, mas também para mergulharmos nas águas de descanso, para bebermos das fontes mais excelentes da tranquilidade” (CURY, 2008, p. 57).
Portanto relaxe, aprenda a lidar com os erros, confesse-os e mude. E acima de tudo, esteja pronto a rever os seus pontos de vista e reconhecer alguns equívocos neles se assim for preciso.
O que podemos aprender com este capítulo do livro e com esta perigosa armadilha da mente é que somos seres finitos, sujeito a erros, reconhecer isso é viver uma vida mais leve e de eterno aprendizado.
Não somos seres que sabem de tudo, muito menos indivíduos perfeitos sem erro algum. Errar é humano, como bem diz o ditado, mas reconhecer o erro é caminhar para a mudança.
Então olhe para frente, aprenda a engolir seu orgulho e caminhar para o novo, só muda quem reconhece o erro e busca o aperfeiçoamento.
BIBLIOGRAFIA
CURY, Augusto, O Código da Inteligência, A formação de mentes brilhantes e a busca pela excelência emocional e profissional, Editora Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro, 2008.
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O PESO DO FRACASSO
Ninguém gosta de fracassar, duvido que você entre em uma empreitada esperando que tudo dê errado, ao contrário, esperamos sucesso em tudo o que fazemos.
O interessante é que no dicionário fracasso não significa só: Derrota, ausência de sucesso ou coisas do tipo, mas também significa:
“Barulho causado pela queda de alguma coisa; barulho, estrondo” (Dicio).
E vamos concordar que alguns fracassos são barulhentos, não é? Derruba nossas vidas, esgota nossos ânimos e causa um baita estrago em nossa mente.
Escrevi este texto por me lembrar do fracasso e de todo o barulho que ele causou em minha vida um tempo atrás. Passei o ano todo planejando coisas que deram errado e estava tentando lidar com o peso que o fracasso e a frustração estava me trazendo. Eu sei que aprendemos com os erros, também sei que na vida nem tudo são flores, mas não é fácil levar na bagagem alguns objetos, principalmente quando estes são sonhos frustrados.
O interessante é que por conta do fracasso, e talvez para ocupar a cabeça, resolvi fazer outra graduação. O preço estava bom, a faculdade era boa e achei que o curso iria agregar em meu currículo. Não que de pronto eu quisesse seguir a profissão, mas valia a pena desfrutar da facilidade de fazer uma segunda graduação na esperança de enriquecer meu currículo.
O que eu não esperava era que este segundo curso iria abrir a minha mente para o novo e para novas possibilidades. Eu não pensei que por conta desta graduação, muitas outras possibilidades iriam aparecer e que algumas portas iriam se abrir.
O peso do fracasso não pode ser como uma âncora em sua vida, que te paralisa, te deixa imóvel lamentando, desgostoso e derrotado. O fracasso tem que te movimentar para o novo, novas possibilidades, novos planos e horizontes. Muitas vezes o fracasso serve como uma bússola, que aponta para outras direções e possibilidades, abrindo a nossa visão e a mente.
Nem sempre o caminho dos sonhos e idealizações são os melhores caminhos. De vez em quando, o que queremos é limitado pela falta de conhecermos outras possibilidades. O peso do fracasso em minha vida serviu para que eu o agarrasse e fosse mais fundo, descobrindo assim muita coisa que eu não havia visualizado por estar correndo atrás do que eu achava que era uma boa causa. Não é que eu virei à página e abandonei meu sonho e sim, que eu descobri que tinha muito mais formas que eu não conhecia, para fazer o que eu queria.
Agarre o fracasso, mergulhe com ele e procure outras águas. Deixe o fracasso te levar para outros mares e possibilidades, reflita quando tudo der errado e procure outro caminho. Chore, lamente, aprenda com o erro, lave a alma e siga. Nem tudo está perdido, ao contrário, às vezes ao achar que estamos no caminho errado, acabamos por perceber que na verdade a trilha quem abre somos nós e nossa força de vontade.
BIBLIOGRAFIA
FRACASSO. In: DICIO, Dicionário online de português. Porto: 7 Graus, 2024. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/fracasso>. Acesso em: 08/12/2018.
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SEJA VOCÊ
”O modo como nos tratam não deve definir quem somos”
Escrevi este aforismo há muito tempo, em uma época no qual eu era obrigado a trabalhar com uma pessoa que era mal educada, reclamona e negativa. Era comum sofrer com seus acessos de estupidez, ela sempre estava certa e o outro estava sempre errado.
Com o tempo comecei a perceber que o seu humor acabava definindo também o meu. Percebi também como eu havia começado a reclamar e notei que eu nunca estava bem quando estava perto desta pessoa. Foi um desafio aprender a não me influenciar por ela, foi um exercício e tanto aprender a ser eu, em um mar de negatividade, mas foi importante aprender.
O modo como somos tratados não deve definir quem somos, devemos aprender a ser nós mesmos e lidar com toda a negatividade que nos rodeia. É claro que eu sei que não é um exercício fácil de se praticar, contudo também sei que não é impossível, o meu conselho seria, se afaste destas pessoas, mas eu sei que nem sempre podemos, por isso mão a obra, aprenda a praticar a resiliência e não deixe que este tipo de pessoa te contamine
Seja você e não o que a atitude do próximo o força a ser. É importante aprendermos a não deixar que o externo influencie o interno, para que você não se perca e acabe virando o reflexo desta pessoa. Fuja de ditados como: “A minha educação depende da sua”, e aprenda a ser uma influência muito mais assertiva que a influência de quem é negativa ou de quem espera uma atitude para depois poder retribuir.
Aprenda que cada um dá o que tem, e quem não tem pode acabar querendo mudar o que você é, por isso seja diferente para que ninguém te desconfigure.
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O SERMÃO DO MONTE PT 27: AUTORIDADE
“Quando Jesus acabou de dizer essas coisas, as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino, porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei” (MT 7:28-29) (NVI).
O Sermão do Monte termina fazendo uma crítica aos fariseus. Aliás, no Sermão inteiro, direta e indiretamente vemos Cristo tecer muitas críticas aos religiosos daquela época. Jesus não criticava quem não o conhecia e sim, a igreja que se achava detentora da verdade, sendo que, no fim nem ela entendia a verdade.
É interessante como Cristo constantemente é lembrado como um Deus de amor, que morreu por nós. Mas poucas vezes é lembrado como um Deus que não compactuava com o pecado, que derrubava as mesas dos vendilhões do templo ou que fazia pregações ácidas e duras. Jesus é amor, mas também não dava moleza quando o assunto era hipocrisia, pecado e legalismos.
Nestes dois últimos versículos deste sermão, o texto começa dizendo que a multidão se admirou, o termo certo seria que elas estavam atônitas, foras de si:
“Literalmente, são expressões fortes como “fora de si” ou “atônitas”. As amostras dos discursos dos rabinos, na Mishna, na Gemara e no Talmude, usualmente eram secas, insípidas, desconjuntadas, que continham declarações desconexas sobre todos os problemas humanos” (CHAMPLIN, 2014, p. 344).
Resumindo, Jesus Cristo era sábio, não precisava fingir que sabia, Ele tinha autoridade, pois tal poder vinha direto de Deus. Os fariseus eram legalistas não viviam o que falavam e se esqueciam de olhar o próximo com o olhar de misericórdia e esperança. Mais uma vez faço uso da tradução de Eugene Peterson para entendermos estes últimos versículos:
“Quando Jesus concluiu seu discurso, a multidão o aplaudiu. Eles nunca tinham ouvido um ensino assim. Era óbvio que ele vivia o que pregava, em contraste com os líderes religiosos do povo! Foi a melhor aula que eles já tinham ouvido” (2012, p. 1387).
Eu cresci ouvindo a máxima: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Uma bela frase para quem quer cultivar uma vida hipócrita, ou para quem quer exigir do próximo sem se esforçar para falar do que vive. Este era um dos defeitos dos religiosos do tempo de Jesus:
“Em todo o livro, Mateus deixa evidente o propósito de fazer uma diferença, uma distinção entre os ensinos de Jesus Cristo e os ensinos dos religiosos dominantes de seus dias. Somente Jesus Cristo poderia falar, diferentemente deles” (QUEIROZ, 2006, p. 206).
Foram 26 textos contendo os mais variados ensinos, proferidos de forma clara pelo próprio Cristo. Aprendemos quem são as verdadeiras pessoas felizes, sobre a nossa missão de sermos sal e luz, sobre a lei, como ofertar, como orar, jejuar e qual é o nosso verdadeiro tesouro, entre tantos outros ensinos. Mas talvez a principal lição seja: “viva o que você fala”. Não seja hipócrita, nem represente um papel, como um ator querendo representar, buscando ser quem ele não é.
É evidente que não temos o poder e nem a autoridade de Cristo, Ele era Deus, com um poder sem igual e demonstrou isso através de sua palavra e autoridade. Mas podemos tentar viver como Ele viveu, ou seja, como um livro aberto, vivendo o que falamos, sendo conscientes de quem somos e porque somos salvos.
BIBLIOGRAFIA
PETERSON, Eugene H, A Mensagem, Bíblia em linguagem contemporânea, Editora Vida, São Paulo, 2012.
CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.
QUEIROZ, Carlos, Ser é o Bastante, Felicidade à Luz do Sermão do Monte, Editora Encontro, Curitiba, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2006.
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BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO
O tema batismo com o Espírito Santo é um tanto quanto controverso, divide as opiniões de cristãos pentecostais e reformados ou de igrejas mais clássicas. Afinal, o que é ser batizado com o Espírito Santo? Falar em línguas é uma evidência de ser batizado com o Espírito Santo? O batismo ocorre antes ou depois da conversão? São estas questões que vamos ver neste texto.
Primeiro vamos ver como o cristão pentecostal entende esta questão. Um pentecostal entende o batismo com o Espírito Santo como algo posterior a conversão e que traz grandes bênçãos aos cristãos. As ideias básicas, segundo alguns teólogos, vieram de Charles Fox Parham, sendo difundidas consolidadas por Joseph William Seymour (MACGRATH, 2005, p. 162). Diante disso, a divisão de cristão comum e cristão batizado no Espírito Santo é visível em toda a igreja pentecostal. Sua principal base bíblica vem de Atos 2, e Atos 10:48-48, e do fato dos apóstolos receberem o batismo prometido por Cristo após a sua conversão, depois que Jesus subiu aos céus (Atos 1:4-5). Este é o principal argumento de um pentecostal para o fato do batismo vir depois da conversão, e o batismo com evidência em línguas vem de Marcos 16:17 que diz:
“Estes sinais acompanharão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas…”.
Quem crê, segundo eles, fala em línguas entre outros dons. E é claro que Atos 2 seria o cumprimento do que Jesus havia dito. Vale lembrar que alguns pentecostais afirmam que a evidência de uma pessoa ser batizada com o Espírito Santo não é o dom de línguas e sim a mudança de vida, o que eu acho muito coerente, afinal, quando o Espírito Santo entra em nossa vida, a mudança, os frutos, devem ser visíveis (Gálatas 5:22), mas como eu disse, são apenas alguns, não a maioria.
Já o cristão reformado ou de igrejas clássicas, entende que o batismo no Espírito Santo vem na hora da conversão:
“Batismo no Espírito Santo”, portanto, deve-se referir à atividade do Espírito Santo no início da vida cristã quando Ele nos dá nova vida espiritual (na regeneração), além de nos purificar e conceder um claro rompimento com o poder do pecado e o amor por Ele (o estágio inicial da santificação) (GRUDEM, 2010, p. 639).
Quando nos convertemos somos batizados, isso não se dá após a conversão e sim no momento da conversão, o versículo base é 1 Coríntios 12:13:
“Pois em um só corpo todos nós fomos batizados em um único Espírito: quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um único Espírito”.
O texto é claro e enfatiza que é o batismo que nos faz corpo de Cristo, diante desta verdade a experiência não pode ser após a conversão.
Aí você me pergunta, então o que seria o dia de pentecostes descrito lá em Atos 2? Grudem explica:
“O dia de pentecostes foi o ponto de transição entre a obra e ministério do Espírito Santo na antiga aliança a obra ministério do Espírito Santo na nova aliança” (GRUDEM, 2010, p. 640).
É claro que o Espírito Santo é visível também no Velho Testamento, mas com muito menos atuação. Uma vez feita esta transição, nunca mais ocorreu ou é preciso ocorrer. As inúmeras manifestações do Espírito Santo que ocorreram nos tempos dos apóstolos foram alguns momentos únicos na história da igreja e nunca mais ocorreu (Atos 2:1-13; 8:14-17; 10:44-48; 11). Além de marcar o início da igreja cristã e ter servido de uma capacitação para os apóstolos. Tal qual Cristo, que Durante o seu batismo também foi capacitado pelo Espírito Santo quando este desceu em forma de pomba (Lucas 3:21-22). Vale lembrar que o principal milagre ocorrido Durante a descida do Espírito Santo em Atos 2 foi que várias pessoas ouviram a mensagem em seu próprio idioma, mais de três mil pessoas foram convertidas nos mostrando que o evangelho é para todos.
Cristo subiu e o Espírito Santo desceu e mora conosco em nosso coração. Todos os que são cristãos são batizados no Espírito Santo. Lembrando que o dom de falar em línguas estranhas não é uma evidência do batismo, pois Paulo fala que é um dom, nem todos têm este dom. (1 Coríntios 12:30), e fala também que em uma igreja apenas três deve falar e com alguém para interpretar (1 Coríntios 14:27) se não houver intérpretes que se calem (1 Coríntios 14:28).
Mas aí você de novo me pergunta: como explicar a manifestação do Espírito Santo nas igrejas pentecostais? Alguns vão afirmar que é emoção, outros que é uma manifestação mais plena do Espírito Santo no meio da igreja, concedendo dons, milagres e maravilhas. Eu acho possível qualquer uma das duas opções, porém não posso afirmar que é emoção, muito menos afirmo que é o Espírito Santo, deixo para você que vive neste contexto julgar. Já vi muita coisa acontecer para afirmar que isso não existe, apesar de muitas vezes ter visto muito mais emocionalismo que o mover de Deus.
Somos regenerados pelo Espírito Santo no momento de nossa conversão, não existe o cristão comum e o batizado. Existe o cristão e ponto final. Agora, o Espírito Santo pode até se manifestar de forma especial em algumas igrejas, tal qual acontece em algumas igrejas pentecostais, mas na maioria das vezes, ou em uma boa parte delas é emoção. Coisa que eu já vi muito acontecer na igreja, porém não me arrisco dizer que esta manifestação não existe, por conhecer quem já vivenciou isso e por já ter visto alguma coisa, como já afirmei.
Não acho que eu esteja certo em apontar o dedo para alguém e afirmar que a sua experiência é fruto de sua imaginação, só quem já passou por isso pode confirmar, quem nunca passou acaba tendo que confiar em quem descreve suas experiências. Afinal, a Bíblia não afirma que a capacitação do Espírito Santo nunca mais iria acontecer, como aconteceu naquela época, deixando uma brecha pequena para concluirmos que eles podem ter razão, apesar de eu ter um pé atrás e achar possível concluir que o que aconteceu no tempo dos apóstolos foram só para eles.
BIBLIOGRAFIA
GRUDEM, Wayne, Teologia Sistemática Atual e Exaustiva, Editora Vida Nova, São Paulo, 2010.
MCGRATH, Alister, Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica, Uma introdução a Teologia Cristã, Shedd Publicação, São Paulo, 2014.
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SANGUE INOCENTE
…mãos que derramam sangue inocente… (Provérbios 6:17).
A história nos conta o quanto a “Inquisição Católica” e a “Inquisição Protestante” matou, foi uma grande vergonha feita em nome do evangelho. Isso sem mencionar o que Calvino fez com Servetto ou os puritanos, quando perseguiram os arminianos, taxados de hereges. Foi um festival de injustiça, feito em sua maioria em nome de Deus.
Inocentes ainda são perseguidos neste nosso “mundo evoluído”, tudo em nome da religião, cor ou credo. O que nos faz pensar se realmente estamos evoluindo.
Esta é a terceira coisa que Deus detesta, sangue inocente derramado. Milhares em nossos dias têm sido vítimas de balas perdidas, assaltos ou acidentes de trânsito, ocasionado por motoristas embriagados ou pessoas distraídas no celular. Hoje em dia nós não temos certeza se voltaremos para casa depois de um dia de trabalho. Isso sem falar das guerras, terrorismos e conflitos que derramam sangue inocente todos os dias há décadas.
Qualquer tipo de injustiça é uma forma de derramar sangue inocente e é isso que o texto quer falar. Porém eu não consigo deixar de fazer um link com Cristo quando eu leio “sangue inocente”. A Bíblia diz que nós nascemos em pecado.
“pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, (Romanos 3:23).
Este pecado nos afastou de Deus e transformou o mundo no caos que vemos. É por isso que vemos muitos sofrerem injustiças e perseguições, isso é o resultado de estarmos cada vez mais longe de Deus. Mais um dia, a mais de dois mil anos atrás, um Deus inocente morreu e ressuscitou por nos amar.
Enquanto não nos arrependermos e seguirmos a Cristo, continuaremos neste caos. Enquanto a mensagem da cruz não for o centro de nossas vidas, continuaremos a nos consumir. Pois todos pecaram, somos todos manchados e só um sangue inocente pode nos justificar.
Eu acredito sim que Deus detesta ver sangue inocente derramado, mas também sei que somos todos culpados e precisamos da Sua justificação. É só através d’Ele que teremos vida é só através do seu sangue que esta injustiça toda cessará, o verdadeiro sangue inocente.
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INTOLERÂNCIA
A Intolerância é um mau que atinge o nosso século e tem provocado confusões por onde passa. E qual seria a causa destas brigas? Defender seu ponto de vista a qualquer custo é claro. Intolerante segundo o dicionário é:
“Inflexível; sem tolerância, clemência; qualidade da pessoa que não perdoa, não tolera ou não aceita erros e falhas” (Dicio)
O intolerante é o cara que não aceita mudança, que considera o seu ponto de vista o mais certo e que pensa que a sua forma de agir é a única correta. E se formos falar sobre liberdade religiosa, o assunto ganha ainda mais polêmica. Pois muitos acham que apenas suas crenças são as mais certas, são as únicas que devem existir.
Entenda, eu sou cristão, acredito que Cristo é a verdade, mas não posso obrigar ninguém a acreditar nisso e nem desrespeitar a religião ou credo da outra pessoa, por crer em meu Deus. Quando ouço notícias de cristãos chutando santas ou agredindo pessoas de uma religião oposta a sua, fico horrorizado. Penso que não é esta a atitude que a Bíblia nos aconselha termos.
Veja bem, existe um grande problema em sermos intolerantes, abrimos a porta para que outros também sejam conosco. Existe também um segundo problema em obrigarmos que outros a aceitarem nossa crença, estamos também abrindo a porta para que outros também nos obriguem a acreditar em suas crenças.
Não podemos obrigar todos a pensarem ou acreditarem no que nós acreditamos, mas podemos brigar pelo direto individual de crença. Nós cristãos somos chamados para sermos sal e luz, para pregarmos e sermos diferença e não para convencer e obrigar as pessoas a pensarem como nós.
O caminho da intolerância é obscuro e violento, é um caminho que não comunica o evangelho de Cristo. Não somos chamados para convencer, quem convence é o Espírito Santo, somos chamados para pregar a mensagem da cruz e respeitar quem não acredita como nós acreditamos.
Aprenda a argumentar com respeito e a pontuar o que não acha correto de forma clara e consistente. Quem tem bons argumentos respeita. Quem não tem, mal ouve o próximo, quanto mais vai fazer a diferença.
Sem respeito não seremos ouvidos, se você não ouvir o próximo, não conseguirá comunicar seu ponto de vista. A nossa missão é apenas comunicar, brigar por respeito e justiça. Não estou falando para você engolir tudo ou aceitar todas as religiões, mas respeitar. O sucesso de uma boa pregação começa com o respeito ao próximo, entendendo que todos têm o direito de pensar como bem quer, no mais é obra do Espírito Santo.
BIBLIOGRAFIA
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O SERMÃO DO MONTE PT 26: OS VERDADEIROS DISCÍPULOS
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Referência: MT 7:21-27) (NVI).
Considero este texto um dos mais profundos da Bíblia, o Sermão do Monte não podia estar acabando de forma mais grandiosa do que esta. No versículo passado Cristo falou dos falsos profetas (v. 15), e como identificá-los (v. 16), a continuação aqui é lógica, serve de fechamento para a série de ensinos a respeito do caminho da salvação. Sendo que, o texto começa de forma objetiva e o ponto principal dele afirma que não é quem diz que é, e sim quem pratica a vontade do Pai que entrará no reino dos céus. E aqui eu não consigo deixar de fazer um link com a igreja atual.
Muitos acreditam que ser cristão é ter um título, é ir à igreja ou ter um número grande de presenças na “chamada” da igreja. Ser cristão é ter uma vida de prática, é buscar a Ele, ler a palavra e ter uma vida de obediência e servidão. Cabe uma pergunta aqui nesta reflexão: Por que você vai à igreja? Qual é a motivação que leva você a dedicar um tempo na comunidade cristã? Ser cristão é algo prático, diário, faz parte de nossa vida, sendo que, nós devemos ser onde nós estivermos, seja no trabalho, em casa ou com os amigos. Não adianta lermos o Sermão do Monte ou qualquer outro ensino da Bíblia sem praticar, o conhecimento sem a prática é inútil.
Mas o texto continua e confesso que eu fico horrorizado com o que vem, pois Jesus nos diz que muitos, usando o nome d’Ele, farão milagres, expelirão demônios e profetizarão, porém, estes não eram conhecidos por Deus. Ou seja, é possível um cristão falso fazer milagres em nome de Deus, pois afinal o poderoso não é o homem, mas o nome de Jesus e o homem não tem qualquer mérito nisso, nem vantagens especiais por curar em nome de Jesus, ao contrário, muitos farão sem ao menos ser um conhecido de Deus. Mais uma vez cabe algumas perguntas parecidas com o que fiz no começo do texto: Qual é a sua motivação para fazer a obra de Deus? Você tem feito a obra, para pagar a sua entrada no dos céus?
Nós não temos nada, sendo que, nós só merecemos a morte e não temos poder algum, tudo o que fazemos e somos vem direto do trono de Deus e de sua graça. Você não compra a entrada no céu, e muito menos paga a entrada por ser usado por Deus. Isso tudo nós não merecemos, e vangloriar-se é trazer a glória que pertence somente a Deus, para si. Somos salvos pela graça, somos usados por Ele como um instrumento, pois toda a honra e glória vêm d’Ele.
Contudo, Cristo continua falando, agora daquelas pessoas que ouvem a sua palavra e a guardam. Ele diz que estes são comparados a pessoas que constroem sua casa na rocha. É impossível derrubar uma casa bem edificada, uma casa com uma boa estrutura é bem resistente. Assim são os que ouvem a sua palavra e a pratica. O insensato não tem tempo para ler a Bíblia, orar e estudar. Mas quem assim o faz, constrói em sua vida um alicerce que o manterá firme diante das intempéries.
“Alguns dizem e praticam, só que dizem e praticam a coisa errada. Ouvir os ensinos de Jesus e praticá-los é fundamental” (QUEIROZ, 2006, p. 201).
Ouvir e praticar são as duas ênfases explícitas em toda esta passagem. Não adianta você ser cristão, sem conhecer a palavra, ou ir na onda dos falsos profetas que querem te enganar. Só há uma maneira de construir uma vida sólida, embasada com a palavra, e o caminho é ouvir, ler a Bíblia, conhecer e praticar.
O texto nos convida a sermos praticantes, a servir a Deus sem buscar glória terrena. Entendendo que tudo o que temos vem d’Ele, nós, por nossos próprios meios não somos nada, entendendo também que conhecimento sem prática não gera mudanças.
BIBLIOGRAFIA
QUEIROZ, Carlos, Ser é o Bastante, Felicidade à Luz do Sermão do Monte, Editora Encontro, Curitiba, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2006.
