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SANGUE INOCENTE
…mãos que derramam sangue inocente… (Provérbios 6:17).
A história nos conta o quanto a “Inquisição Católica” e a “Inquisição Protestante” matou, foi uma grande vergonha feita em nome do evangelho. Isso sem mencionar o que Calvino fez com Servetto ou os puritanos, quando perseguiram os arminianos, taxados de hereges. Foi um festival de injustiça, feito em sua maioria em nome de Deus.
Inocentes ainda são perseguidos neste nosso “mundo evoluído”, tudo em nome da religião, cor ou credo. O que nos faz pensar se realmente estamos evoluindo.
Esta é a terceira coisa que Deus detesta, sangue inocente derramado. Milhares em nossos dias têm sido vítimas de balas perdidas, assaltos ou acidentes de trânsito, ocasionado por motoristas embriagados ou pessoas distraídas no celular. Hoje em dia nós não temos certeza se voltaremos para casa depois de um dia de trabalho. Isso sem falar das guerras, terrorismos e conflitos que derramam sangue inocente todos os dias há décadas.
Qualquer tipo de injustiça é uma forma de derramar sangue inocente e é isso que o texto quer falar. Porém eu não consigo deixar de fazer um link com Cristo quando eu leio “sangue inocente”. A Bíblia diz que nós nascemos em pecado.
“pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, (Romanos 3:23).
Este pecado nos afastou de Deus e transformou o mundo no caos que vemos. É por isso que vemos muitos sofrerem injustiças e perseguições, isso é o resultado de estarmos cada vez mais longe de Deus. Mais um dia, a mais de dois mil anos atrás, um Deus inocente morreu e ressuscitou por nos amar.
Enquanto não nos arrependermos e seguirmos a Cristo, continuaremos neste caos. Enquanto a mensagem da cruz não for o centro de nossas vidas, continuaremos a nos consumir. Pois todos pecaram, somos todos manchados e só um sangue inocente pode nos justificar.
Eu acredito sim que Deus detesta ver sangue inocente derramado, mas também sei que somos todos culpados e precisamos da Sua justificação. É só através d’Ele que teremos vida é só através do seu sangue que esta injustiça toda cessará, o verdadeiro sangue inocente.
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INTOLERÂNCIA
A Intolerância é um mau que atinge o nosso século e tem provocado confusões por onde passa. E qual seria a causa destas brigas? Defender seu ponto de vista a qualquer custo é claro. Intolerante segundo o dicionário é:
“Inflexível; sem tolerância, clemência; qualidade da pessoa que não perdoa, não tolera ou não aceita erros e falhas” (Dicio)
O intolerante é o cara que não aceita mudança, que considera o seu ponto de vista o mais certo e que pensa que a sua forma de agir é a única correta. E se formos falar sobre liberdade religiosa, o assunto ganha ainda mais polêmica. Pois muitos acham que apenas suas crenças são as mais certas, são as únicas que devem existir.
Entenda, eu sou cristão, acredito que Cristo é a verdade, mas não posso obrigar ninguém a acreditar nisso e nem desrespeitar a religião ou credo da outra pessoa, por crer em meu Deus. Quando ouço notícias de cristãos chutando santas ou agredindo pessoas de uma religião oposta a sua, fico horrorizado. Penso que não é esta a atitude que a Bíblia nos aconselha termos.
Veja bem, existe um grande problema em sermos intolerantes, abrimos a porta para que outros também sejam conosco. Existe também um segundo problema em obrigarmos que outros a aceitarem nossa crença, estamos também abrindo a porta para que outros também nos obriguem a acreditar em suas crenças.
Não podemos obrigar todos a pensarem ou acreditarem no que nós acreditamos, mas podemos brigar pelo direto individual de crença. Nós cristãos somos chamados para sermos sal e luz, para pregarmos e sermos diferença e não para convencer e obrigar as pessoas a pensarem como nós.
O caminho da intolerância é obscuro e violento, é um caminho que não comunica o evangelho de Cristo. Não somos chamados para convencer, quem convence é o Espírito Santo, somos chamados para pregar a mensagem da cruz e respeitar quem não acredita como nós acreditamos.
Aprenda a argumentar com respeito e a pontuar o que não acha correto de forma clara e consistente. Quem tem bons argumentos respeita. Quem não tem, mal ouve o próximo, quanto mais vai fazer a diferença.
Sem respeito não seremos ouvidos, se você não ouvir o próximo, não conseguirá comunicar seu ponto de vista. A nossa missão é apenas comunicar, brigar por respeito e justiça. Não estou falando para você engolir tudo ou aceitar todas as religiões, mas respeitar. O sucesso de uma boa pregação começa com o respeito ao próximo, entendendo que todos têm o direito de pensar como bem quer, no mais é obra do Espírito Santo.
BIBLIOGRAFIA
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O SERMÃO DO MONTE PT 26: OS VERDADEIROS DISCÍPULOS
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Referência: MT 7:21-27) (NVI).
Considero este texto um dos mais profundos da Bíblia, o Sermão do Monte não podia estar acabando de forma mais grandiosa do que esta. No versículo passado Cristo falou dos falsos profetas (v. 15), e como identificá-los (v. 16), a continuação aqui é lógica, serve de fechamento para a série de ensinos a respeito do caminho da salvação. Sendo que, o texto começa de forma objetiva e o ponto principal dele afirma que não é quem diz que é, e sim quem pratica a vontade do Pai que entrará no reino dos céus. E aqui eu não consigo deixar de fazer um link com a igreja atual.
Muitos acreditam que ser cristão é ter um título, é ir à igreja ou ter um número grande de presenças na “chamada” da igreja. Ser cristão é ter uma vida de prática, é buscar a Ele, ler a palavra e ter uma vida de obediência e servidão. Cabe uma pergunta aqui nesta reflexão: Por que você vai à igreja? Qual é a motivação que leva você a dedicar um tempo na comunidade cristã? Ser cristão é algo prático, diário, faz parte de nossa vida, sendo que, nós devemos ser onde nós estivermos, seja no trabalho, em casa ou com os amigos. Não adianta lermos o Sermão do Monte ou qualquer outro ensino da Bíblia sem praticar, o conhecimento sem a prática é inútil.
Mas o texto continua e confesso que eu fico horrorizado com o que vem, pois Jesus nos diz que muitos, usando o nome d’Ele, farão milagres, expelirão demônios e profetizarão, porém, estes não eram conhecidos por Deus. Ou seja, é possível um cristão falso fazer milagres em nome de Deus, pois afinal o poderoso não é o homem, mas o nome de Jesus e o homem não tem qualquer mérito nisso, nem vantagens especiais por curar em nome de Jesus, ao contrário, muitos farão sem ao menos ser um conhecido de Deus. Mais uma vez cabe algumas perguntas parecidas com o que fiz no começo do texto: Qual é a sua motivação para fazer a obra de Deus? Você tem feito a obra, para pagar a sua entrada no dos céus?
Nós não temos nada, sendo que, nós só merecemos a morte e não temos poder algum, tudo o que fazemos e somos vem direto do trono de Deus e de sua graça. Você não compra a entrada no céu, e muito menos paga a entrada por ser usado por Deus. Isso tudo nós não merecemos, e vangloriar-se é trazer a glória que pertence somente a Deus, para si. Somos salvos pela graça, somos usados por Ele como um instrumento, pois toda a honra e glória vêm d’Ele.
Contudo, Cristo continua falando, agora daquelas pessoas que ouvem a sua palavra e a guardam. Ele diz que estes são comparados a pessoas que constroem sua casa na rocha. É impossível derrubar uma casa bem edificada, uma casa com uma boa estrutura é bem resistente. Assim são os que ouvem a sua palavra e a pratica. O insensato não tem tempo para ler a Bíblia, orar e estudar. Mas quem assim o faz, constrói em sua vida um alicerce que o manterá firme diante das intempéries.
“Alguns dizem e praticam, só que dizem e praticam a coisa errada. Ouvir os ensinos de Jesus e praticá-los é fundamental” (QUEIROZ, 2006, p. 201).
Ouvir e praticar são as duas ênfases explícitas em toda esta passagem. Não adianta você ser cristão, sem conhecer a palavra, ou ir na onda dos falsos profetas que querem te enganar. Só há uma maneira de construir uma vida sólida, embasada com a palavra, e o caminho é ouvir, ler a Bíblia, conhecer e praticar.
O texto nos convida a sermos praticantes, a servir a Deus sem buscar glória terrena. Entendendo que tudo o que temos vem d’Ele, nós, por nossos próprios meios não somos nada, entendendo também que conhecimento sem prática não gera mudanças.
BIBLIOGRAFIA
QUEIROZ, Carlos, Ser é o Bastante, Felicidade à Luz do Sermão do Monte, Editora Encontro, Curitiba, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2006.
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INTRODUÇÃO A MISSIOLOGIA: MISSÃO NO VELHO TESTAMENTO
Ao falarmos em missão, é inevitável termos que ir lá em Gênesis e discorrer sobre um Deus que criou o homem a sua imagem e semelhança. Ou nos lembrarmos que este homem criado desobedeceu e com isso, ele se perdeu. E por conta do pecado, tem se destruído e se desviado do propósito original, que é a adoração, que é viver para obedecer Deus.
Quando não olhamos para Deus, nós nos destruímos, quando Cristo não é o centro de nossa vida, o centro acaba sendo nós, nossa vontade destrutiva, nossos desejos contaminados. Lutero tinha uma definição excelente para pecador:
“O homem curvado em si mesmo” (STOTT, 2004, p. 94).
E é isso o que somos, seres desobedientes, curvados em nós e nossos desejos, olhando apenas as nossas vontades e nossos umbigos. Gosto da definição de pecado que John Stott dá:
“O pecado é uma afirmação rebelde de mim mesmo contra o amor e a autoridade de Deus e contra o bem-estar do meu próximo” (STOTT, 2004, p. 94).
Um dos pontos principais do pecado é a desobediência, é viver uma vida autocentrada. O evangelho vem para mudar este cenário e ensinar o homem a ser gente da maneira certa. E a missão entra com esta função, pregar a mensagem de um Deus que preferiu dar o seu filho para nos salvar ao invés de nos destruir.
O começo de tudo é com Abraão, quando Deus pede para ele sair de sua terra, da terra dos seus familiares e ir para um lugar que Ele iria mostrar (Gênesis 12:1-2). Pois para haver missão, tem que haver um Deus que se revela, um Deus que busca o homem e traz salvação. Sobre Abraão, é bom fazermos algumas observações. A primeira é que as promessas feitas para Abraão eram para toda a humanidade:
“As promessas feitas a Abraão (Gn 12.1-3,18.18 e 22.15-18) envolviam toda a humanidade e foram sendo renovados por meio de seu filho Isaque (26.4) e de seu neto Jacó (28.14) (GUSSO, 2011, p. 32)”.
Gênesis 12:2-3 é bem claro quando diz que Abraão seria pai de um grande povo, mas diz também que por ele todas as nações da terra seriam abençoadas. Pois Abraão é o começo de tudo, através dele muitos outros conheceriam o evangelho e de sua descendência o salvador viria redimir e levar a palavra de vida a todos.
O interessante é que Gálatas 3:6-9 fala justamente disso, da justificação pela fé, sendo que Paulo resgata o acontecido em Gênesis para nos ensinar que desde o começo Deus já iria aceitar os não judeus pela fé.
A segunda é que a distância que Abraão percorreu de Harã até Canaã foi de seiscentos quilômetros, isso em um período onde não existia carro, ônibus e as facilidades da vida moderna, sem esquecer que ele seguia com seus servos e rebanhos, com isso, podemos concluir que o grupo não era pequeno e o deslocamento não era fácil por conta dos animais (CHAMPLIN, 2013, p. 18).
Porém Deus não só se revela, mas também salva, e sobre salvação no Velho Testamento, podemos falar um pouco da vida de Moisés, o homem que Deus usou para libertar o povo de Israel do Egito. Êxodo 3:1-12 diz que enquanto Moisés apascentava o rebanho do seu sogro, Deus apareceu para ele e deu a missão de libertar o povo de Israel da escravidão do Egito.
O curioso é que a história de Moisés é a sombra da história de Cristo, de um Deus que viria para nos salvar. Pois Mateus 2 diz que José e Maria tiveram que fugir para o Egito com Jesus, para que não o matassem em uma carnificina, e foi de lá que o salvador veio, cumprindo assim uma das profecias que havia sobre o salvador (Oséias 11:1, Mateus 2:15).
Poderíamos colocar também muitos outros profetas como os primeiros missionários, mas vale lembrar que o conceito de céu ou de uma vida após a morte veio apenas depois do período dos profetas. É no Novo Testamento que isso fica mais claro e podemos entender o plano de salvação de uma forma mais ampla. Contudo, apesar de sabermos que o plano de salvação começou com Abraão, e que Moisés teve uma missão, assim como muitos outros profetas, não podemos chamar estes de missionários ou pregadores, como conhecemos hoje, pois apesar de haver convertidos entre os judeus daquela época, apenas o judaísmo posterior é que se tornou um pouco mais missionário. Entretanto, temos um livro no Velho Testamento que registra a história do que talvez possamos chamar de um dos primeiros missionários, o livro é o de Jonas.
Jonas é um profeta em Israel (2 Reis 14:25), um profeta bem nacionalista diga-se de passagem, que recebeu a missão de pregar para um povo pagão, mas que fica com raiva quando o povo de Nínive se arrepende e Deus desiste de destruir a cidade (Jonas 4:1). Sendo que o livro termina mostrando Jonas indignado com Deus, por não ter destruído a cidade e Deus mostrando para Jonas como ele é misericordioso. No final é Jonas que tem que aprender sobre a misericórdia de Deus. Este profeta nacionalista não conhecia direito o Deus no qual ele servia e discordava da misericórdia dele, ele não aceitava o fato de Deus não ter destruído um inimigo do povo judeu. Uma história realmente curiosa, que mostra um Deus misericordioso que nunca deixou de olhar para outras nações e um profeta nacionalista, que preferia morrer do que aceitar a misericórdia deste Deus salvador.
Com a história de Jonas chegamos a duas ótimas conclusões. A primeira é que apesar de Jonas ter fugido, Deus tratou daquele profeta e deu a ele uma segunda chance, usando uma baleia para salvar um profeta desobediente (Jonas 2). A segunda lição que tiramos é que, apesar de Deus ter usado Jonas para pregar em outra nação, no fim o livro termina com Deus tratando do próprio profeta.
Resumindo, a missão começa com Deus querendo salvar a humanidade, o propósito da missão não é divulgar uma placa de igreja, ou ser apenas um movimento de assistencialismo, a missão deve começar tendo como principal propósito a mensagem de salvação. Quando lemos sobre Abraão vemos que Deus tinha um plano, e neste plano estava incluso também os gentios, não só os judeus. Quando lemos sobre Moisés vemos que Deus atende a súplicas e ao sofrimento de seu povo, vemos também que é Deus que envia. Quando lemos sobre Jonas também vemos um Deus que dá uma segunda chance, seja para Jonas ou para o povo pecador de Nínive sendo que o nosso Deus também trata quem ele chamou para trabalhar.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Ed. Soc. Bíblica do Brasil, 2005.
CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
STOTT, John. Por Que Sou Cristão. Minas Gerais: Editora Ultimato, 2004.
GUSSO, Antônio Renato. Os Livros Históricos: Introdução fundamental e auxílios para a interpretação. Curitiba: Editora Ad Santos, 2011.
GUSSO, Antônio Renato. O Pentateuco: Introdução fundamental e auxílios para a interpretação. Curitiba: Editora Ad Santos, 2011.
BRÄUMER, Hansjörg. Gênesis: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 2016.
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O SUTIL ERRO DE PROCRASTINAR
Por anos fui um procrastinador, deixava para fazer tudo em cima da hora e perdia muitas boas oportunidades por conta deste defeito.
Na faculdade, procrastinar é um problema muito sério, pois se deixarmos acumular trabalhos acabamos por não conseguir fazer nenhum ou fazemos de forma apressada e relaxada. Em outras áreas, a procrastinação faz com que façamos as coisas com desleixo e displicência.
O problema é que a arte de procrastinar é sutil, muitas vezes surge de uma forma inocente, mas acaba por destruir as nossas oportunidades e responsabilidades. Sendo que, o procrastinador é quase sempre conhecido como o relaxado, o mediano ou o cara que acaba por não terminar as coisas.
Aprendi ao longo da minha vida a não procrastinar, desenvolvi com o tempo algumas práticas para evitar a procrastinação, o que se segue são algumas dicas, de quem sofreu muito com isso, mas que conseguiu vencer tal mal.
A primeira dica é se organize. A organização é o princípio de tudo, quando aprendemos a nos organizar descobrimos que temos mais tempo do que imaginamos, que podemos fazer as coisas melhores e que a tarefa não é tão difícil assim.
Na faculdade, onde eu tinha que ler e escrever muito, adquiri o hábito de pegar os livros que eram leitura obrigatória já nos primeiros dias de aula. Eu lia todos os livros e fazia os trabalhos já no primeiro mês do semestre. No primeiro ano da faculdade eu não fui tão bem por não agir assim, mas depois, aprendi a lição e nunca mais deixei para fazer os trabalhos e leituras em cima da hora.
A segunda é comece. Pode parecer um pouco óbvio e simplista esta dica, mas não é. Aprender a separar um tempo e fazer as atividades sem depender de vontade, inspiração ou do momento certo é o principio para desenvolvermos o hábito de estudar e produzir. Eu sei que muitas vezes precisamos estar inspirados para escrever, mas eu também sei que ao começar algo, mesmo sem inspiração ou vontade, acabamos por termos ideias e desenvolvermos a tarefa, que antes achávamos que não estávamos inspirados. Gosto de uma frase de Aristóteles que resume bem o assunto:
“O hábito, meu amigo, é tão somente uma longa prática. Que por fim faz-se natureza” (2000, p. 155).
Por isso, separe um tempo e pare nesta hora para realizar a tarefa independentemente se você está com vontade ou não, começar é tudo, praticar é o caminho do hábito.
A terceira é faça metas. É normal darmos prioridades para coisas mais imediatas e colocarmos o que temos mais tempo, de lado. Com isso, não percebemos que o tempo vai passando e assim, terminamos por atrasarmos nossos compromissos. Por isso que metas, datas, prazos são importantes para que não caiamos na procrastinação. Lembre-se que quanto mais adiantado você fazer seus trabalhos, mais tempo para corrigir, melhorar e aperfeiçoar, você terá, por isso, faça suas metas, tente calcular quanto tempo você vai gastar realizando suas tarefas e crie um cronograma para conseguir terminar seus trabalhos em dia.
Procrastinar é um mal, é dar prioridade para coisas passageiras e prazeres imediatos. O prazer imediato é sempre o melhor, quem não gosta de se desligar assistindo uma série, conversando com amigos nas redes sociais, ou vendo vídeos? Isso é bom, eu sei, mas buscar o equilíbrio é o segredo para que consigamos nos dedicar as coisas que não dão alegrias imediatas, mas que são necessárias e nos farão bem a longo prazo. Isso serve para o estudo, dieta e exercício.
Nem todos os nossos planos dão retorno no momento, mas eu sei que tudo o que vale a pena, não nos traz alegrias imediatas. Fazer uma faculdade, estudar, ou investir em nosso futuro não traz prazer imediato, leva tempo e dedicação, mas com certeza trará uma alegria em um futuro próximo, sendo quase sempre peça indispensável para construirmos nossos sonhos ou vermos nossos projetos ganhando a luz do dia.
BIBLIOGRAFIA
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Editora Martin Claret, 2000.
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EMOÇÕES
“Não deixe que a emoção responda por você”.
Quando novo eu não tinha papas na língua, falava tudo o que dava vontade, com isso, sem querer, magoava muitos dos que eu queria bem.
Com o tempo aprendi a controlar a língua, e a falar de uma forma que não ofendesse meus amigos. Eu caminhei para está mudança primeiro por perder muita coisa por conta do meu modo de falar, segundo, por conhecer pessoas que falavam sem pensar. Olhando de fora eu pude perceber quantas oportunidades estes perdiam por não saberem falar e quanta gente estes magoavam. Isso sem contar com as pessoas que comumente tomam decisões sem primeiro pensar no assunto, se metem em enrascadas por não refletir ou fazer as contas entes de embarcar em algum projeto.
É impossível fazermos uma reflexão quando deixamos que a emoção responda por nós, por não pararmos para refletir no que ouvimos, muitas vezes nos damos mal. Você não sabe o quanto está perdendo quando não ouve em silêncio, quando não respeita a opinião alheia, quando não dialoga de forma respeitosa com quem pensa diferente de você.
Por isso, não deixe que a emoção responda por você, aprenda a pensar e a refletir e aprenda também que às vezes é melhor deixar o tempo passar, a emoção acabar, para depois responder ou tomar alguma decisão, não se esqueça do velho ditado: “Sinceridade que ofende é grosseria”. Com isso, se colocar no lugar das pessoas é inevitável para que possamos nos comunicar melhor e não deixar sermos guiados por todas as nossas emoções.
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APRENDIZ
Eu tenho uma máxima em minha vida no qual carrego há anos no peito: “Aprendi o segredo de estar contente…”, uma frase que peguei emprestado de Paulo lá de Filipenses 4:11 e que tem ditado o ritmo da minha caminhada
Em um mundo caótico igual ao nosso, onde sem mais nem menos nossa situação pode mudar, é importante saber estar contente em qualquer situação. Nem sempre podemos estar bem financeiramente, nem sempre termos saúde, nem sempre termos paz. Isso quando não temos todos estes problemas ao mesmo tempo, com isso estar contente se torna fundamental para a nossa saúde mental.
A grande verdade é que se não aprendermos a lidar com todas as nossas intempéries, com certeza sucumbiremos, aprender a se adaptar aos diversos tipos de mudança é inevitável para não cairmos no desgosto e na tristeza que rodeia a sociedade.
E não adianta ficar com raiva e culpar Deus por todos os seus problemas, pois viver no mundo é ter a certeza de que nem sempre estaremos bem. Este é o resultado de sermos contaminados pelo pecado. Vivemos no caos, seguimos sendo egoístas e passamos por cima de muitos. Somos seres autodestrutivos, construímos uma sociedade conforme nossa própria imagem caótica, diante disso, é claro que nem sempre estaremos bem.
O mais irônico é quando estudamos o contexto desta passagem bíblica e descobrimos que Paulo escreveu Filipenses na prisão. É impressionante saber que ele aprendeu o segredo de estar contente justamente no momento em que ele não estava numa boa, na cobertura de um hotel comendo caviar…
Nem sempre o cristão vai estar bem, passar por dificuldades é comum, a Bíblia atesta isso quando conta as experiências de Jó, Elias, Oséias e os apóstolos. Leia com cuidado a Bíblia que você vai ver muitos servos de Deus passando dificuldades, perseguições, doenças e faltas, mas uma coisa todos tinham em comum: “eles confiavam em Deus” por isso sempre encaravam seus problemas com uma outra ótica.
Aprender a estar contente é ter gravado na mente que o que acontece no exterior, não pode definir nosso interior. O que somos, em quem confiamos e o que acreditamos, não pode ser atrapalhado por fatores externos. Se o que acontece no mundo definir a nossa vida, corremos o risco de aos poucos nos distanciarmos de Deus. Crer que Ele nos ama e que olha por nós é básico para fé, mas ter em mente que nem tudo entendemos, nem tudo conseguimos explicar, também é importante. Confiar é largar o controle e viver sempre olhando para Deus, fazemos apenas o que esta em nosso alcance e o que não está, precisamos largar o controle. Não é fácil, mas é preciso.
Paulo havia aprendido o segredo de estar contente e o segredo era e é Cristo. Se não olharmos para Ele e buscarmos forças nele, certamente sucumbiremos neste mundo mal. Sem a força de Deus, como o versículo otimamente diz, com certeza olharemos mais para os problemas ou viveremos uma vida tão autodestrutiva que não perceberemos o caminho que estaremos tomando, aí é o fim, pois o descontentamento tomará conta do nosso ser e seguiremos na busca de encontrar a alegria que não existe.
Não esqueça que a única alegria, o contentamento verdadeiro, só se encontra em Deus, não existe nada fora dele, relembre está verdade dia a dia e aprenda o segredo de Paulo.
BIBLIOGRAFIA
HAHN, Eberhard, BOOR, Werner de, Carta aos Efésios, Filipenses e Colossenses, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 2006
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CRISTÃO COMUNISTA
Neste nosso ano político, muita coisa tem vindo à tona, desde declarações das mais estranhas até posicionamentos dos mais violentos e contraditórios. O curioso é que, nestas horas, até quem não é cristão se apropria das palavras de Cristo para emitir a sua opinião, sendo que novamente tenho visto alguns afirmarem ou darem a entender que Jesus era comunista, por olhar para os pobres e sempre atendê-los. Para quem estuda a Bíblia, fica bem claro que tal junção é impossível de se fazer, pegar acontecimentos e frases soltas de Jesus e afirmar que ele era comunista é um erro grave e mortal. Já escrevi um texto pontuando a gritante diferença entre Marx e Cristo, caso queira ler segue o link: MARX VS CRISTO. O que eu farei neste texto é justamente trabalhar diretamente as questões teológicas.
Antes de continuar, quero conceituar o que é comunismo, que seria um sistema político onde tudo é desfrutado por todos, inclusive os meios de produção. Este sistema defende o fim da propriedade privada e tem como um dos principais propósitos o controle das fontes de riqueza e do sistema econômico (CHAMPLIN, 2013, p. 825).
Existe um movimento denominado Comunismo Cristão, que acredita que o posicionamento e as ideias de Cristo apontavam justamente para o comunismo, isso sem contar que a Bíblia também diz que os apóstolos viviam com tudo em comum, por isso, estes acreditam que o comunismo é justificado pela Bíblia.
Entendam de uma vez por todas, sim, Cristo olhou para os pobres, ele ajudou e ofereceu a mão, seus milagres e curas evidenciaram que ele era o Cristo esperado. Mas não nos esqueçamos de uma afirmação, uma das mais importantes que ele fez durante o seu julgamento: “Meu reino não é deste mundo […]” (João 18:36).
Esta afirmação evidencia duas coisas importantes. Primeiro, deixa claro que Cristo, de maneira alguma, havia vindo para esta terra para ser o revolucionário político que os judeus esperavam que o Messias fosse. Inclusive, alguns discípulos de Cristo ainda pensavam assim e tiveram que aprender que estavam errados (Lucas 24:13-35). Jesus Cristo veio à terra para libertar o homem da dominação do pecado.
Segundo, a mensagem de Cristo não aponta para o comunismo e muito menos para o capitalismo, e sim, aponta para o fato de que o homem sem Deus está fadado a caminhar em direção ao mal e ao erro. Não existe solução humana eficaz para solucionar o problema das injustiças, existe apenas Deus, como fonte e caminho para a salvação. O comunismo, o capitalismo ou qualquer outra coisa que possamos inventar, sempre será soluções frágeis e fracas ante o problema do caos e do mal do mundo.
Sobre a passagem que fala que os discípulos tinham tudo em comum (Atos 2:44), ela não abre para um pressuposto comunista só porque diz “que todos tinham tudo em comum”. A mensagem principal do texto é que aqueles cristãos primitivos não viviam suas vidas fundamentadas em leis ou conceitos preestabelecidos, e sim ajudando uns aos outros. Não há em lugar algum da Bíblia um mandamento que nos incentive a viver assim, provavelmente aquela igreja adotou este estilo de viver por conta da dificuldade e da fome que a perseguição religiosa estava causando. Fora que a maioria dos estudiosos vai apontar para o fato de que essa experiência fracassou, já que o próprio Paulo levantou ofertas para ajudar esta comunidade que estava em dificuldades (1 Coríntios 16:1-3).
O comunismo é um sistema político onde poucos têm poder e riquezas e muitos têm pouco. Se o capitalismo é perigoso, o comunismo é ainda muito pior, muito mais injusto, por privilegiar uma minoria e deixar a maioria na miséria e alienação.
Isso sem contar que o comunismo prega o fim das igrejas. Marx afirmava que a religião era o ópio do povo, ele era contra as classes, a propriedade privada e a religião. O cristianismo nunca teve estes pontos como principais. A mensagem cristã é de partilha, é ter uma vida equilibrada. É olhar para o próximo que está necessitado e de buscar o reino que não é deste mundo, mas de maneira alguma a Bíblia é contra termos bens.
O cristianismo primitivo nunca teve pautas políticas, nunca ligou para a dominação romana. A sua pauta era outra, era o arrependimento e a salvação do homem pecador, era a libertação do homem escravo do pecado. É contraditório falar que Cristo era comunista, pois suas pautas nunca foram políticas, se tivessem sido, ele teria trabalhado muitas outras questões injustas que aconteciam no Império Romano. Gosto de uma citação que resume bem a questão:
Quando a política pretende ser redentora, promete demais. Quando pretende fazer a obra de Deus, não se torna Divina, mas demoníaca. (Bento XVI) (FERREIRA, 2016, p. 89).
Jesus não foi um revolucionário político, ele apenas entrou em conflito com a religião da época que era hipócrita, que achava que fazia a vontade de Deus, mas que no fim não fazia coisa alguma.
Eu não acredito em um modelo político salvador, mas entre os dois, eu ainda prefiro o capitalismo. Por ver até agora o comunismo seguir fazendo muito mais injustiças do que o capitalismo.
Cristo não deu ênfase alguma para um sistema político, ele mandou que o imitássemos e quem o imita, certamente olha o próximo e não deixa de oferecer a mão a quem precisa. Temos que tomar cuidado para não ficarmos enxertando na Bíblia conceitos que ela não defende. A Bíblia já tem a sua própria mensagem e não precisa que as pessoas a amoldem de acordo com suas crenças.
Não precisamos de um sistema político para mudar as pessoas, o evangelho genuíno já muda. Quem vive a palavra já olha (ou deveria olhar) para o próximo e não deixa de auxiliá-lo. O problema nunca foi a meritocracia, nem as pessoas com sonhos que acabam por ter sucessos em suas empreitadas. O problema é a falta de amor, o egoísmo, a falta de empatia.
Agora o comunismo aliena, ele é contra classes, mas cala a boca das pessoas na marra. No comunismo existem poucos ricos, mas os pobres passam necessidade e faltas. Quem vive em país comunista tem que fechar a boca e obedecer, não tem voz alguma. Mas quem vive o evangelho partilha, opina e divide. Jesus ouviu, deu voz a quem não tinha voz e oportunidades a quem era jogado de lado, agora o comunismo só dá ordens e quem não obedece é punido.
BIBLIOGRAFIA
FERREIRA, Franklin. Contra a idolatria do estado: O papel do cristão na política. São Paulo: Editora Vida Nova, 2016.
CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. São Paulo: Editora Hagnos, 2013.
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O SERMÃO DO MONTE PT 25: FALSOS PROFETAS
“Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas?” (Referência MT 7:15-20) (NVI).
Quando bem novo eu trabalhei como cobrador de ônibus e a coisa que mais nos preocupávamos na época, além de sermos assaltados, era pegar dinheiro falso, pois nos trazia um incômodo sem tamanho. O curioso era que por estarmos acostumados a mexer com dinheiro, dificilmente nos enganávamos. De tanto pegar no dinheiro verdadeiro, quando pegávamos o falso logo percebíamos, a não ser que estivéssemos distraídos.
Neste texto Jesus nos dá um aviso: Cuidem com os falsos profetas, com os lobos em pele de ovelha. Confesso que acho a cena curiosa, um lobo em pele de ovelha não é comum, mas é a descrição perfeita para exemplificar e descrever os falsos líderes.
Uma ovelha é um animalzinho gentil e manso, o lobo é um animal feroz, que com toda a certeza consegue trucidar uma ovelha sem qualquer dificuldade. E é sobre este perigo que o texto nos adverte. Cuidado com os falsos pastores que tem como propósito de vida se disfarçar de ovelhas a fim de devorá-las, de extorquir e enganá-las em nome de Deus.
No entanto o texto continua, e nos dá a receita para descobrirmos quem são estes, o versículo 16 nos avisa: “Por seus frutos os conhecereis”. Frutos em grego karpos e significa:
“Qualquer parte de uma planta que é considerada fruto, incluindo sementes e polpa” (LOW; NIDA, 2013, p. 33).
E sobre este significado, John Stott faz uma conclusão interessante:
“Nenhuma árvore pode esconder a sua identidade por muito tempo. Mais cedo ou mais tarde ela se trai, pelo seu fruto. Um lobo pode disfarçar-se; uma árvore, não (STOTT, 1982, p. 211-212).
Ser cristão é ter a vida mudada, é apresentar mudanças visíveis e explícitas. É impossível ser tocado por Cristo e continuar andando no caminho velho, não ter caráter, ser desonesto e não ter boa conduta. E quem é lobo, mais tempo ou menos tempo apresentará estes frutos ruins e com certeza um dia será cortado e lançado ao fogo.
Toda árvore boa dá bons frutos (v. 17), este é o RG de um bom cristão, um pastor temente a Deus é um profeta da vida. É pelos frutos que podemos identificar os falsos dos bons profetas, por isso, abra o olho e fuja de quem não tem bons frutos.
BIBLIOGRAFIA
STOTT, John, Contracultura Cristã, A Mensagem do Sermão do Monte, Editora ABU, São Paulo, 1982.
LOUW, Johannes, NIDA, Eugene, Léxico Grego-português do Novo Testamento, Sociedade Bíblica do Brasil, São Paulo, 2013.
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INTRODUÇÃO A MISSIOLOGIA: DICAS PARA UMA MISSÃO EFICAZ II
Em um texto passado eu comecei dando algumas dicas para que a missão seja realmente eficaz, o texto que segue é a continuação destas dicas. Porém se você não leu o texto passado, segue o link para a leitura: INTRODUÇÃO A MISSIOLOGIA: DICAS PARA UMA MISSÃO EFICAZ
- Para que a missão seja eficaz devemos entender o contexto do lugar ou da pessoa.
A fim de que a missão seja efetiva, é fundamental juntamente com os dois outros pontos, entendermos o contexto em que vivemos ou onde vamos evangelizar antes de nos empenharmos na tarefa. Entender o contexto é a diferença de um trabalho que vai dar ou não resultado. Acyr de Gerone Junior no livro Missão que Transforma, divide os problemas humanos em quatro principais pontos:
Miséria moral (discriminação por etnia, raça ou religião).
O racismo em pleno século XXI ainda é enorme, muitos ainda sofrem com isso e alguns ainda sofrem preconceito por terem determinada religião, por serem pobres e os mais diversos motivos. A nossa missão é sermos diferença e o desafio é dialogar com as diversas culturas e costumes sem impor e sem sermos intolerantes ou pedantes.
Miséria social (violência, desemprego, menores nas ruas, mendigos).
É visível os problemas sociais, a falta de oportunidade, a miséria. Não que eu compactue com o comunismo e ache que o mundo deva ter uma sociedade linear, sem ricos e pobres, contudo eu também não quero uma sociedade miserável. O nosso desafio é justamente buscar o equilíbrio e ajudar a quem não tem ter muito.
Miséria emocional/intelectual (pessoas desiludidas, doenças psicológicas, depressão, suicídio).
Segundo o ministério da saúde, estima-se que anualmente 800 mil pessoas morrem por suicídio no mundo, sendo que para cada suicida outros 20 já tentaram. Isso que não falamos ainda sobre a ansiedade, o medo que algumas religiões incutem nas pessoas, doenças psicológicas e por aí vai.
A cada avanço científico parece-me que muito mais problemas vêm na bagagem. E o evangelho está aí para fazer diferença, por isso que precisamos da informação e do preparo.
Miséria religiosa (cristãos decepcionados com a religião) (GERONE, 2014, 14).
Nós estamos em um período onde temos que evangelizar os próprios cristãos, pois são tantas mensagens deturpadas que estamos ouvindo por aí. São tantos falsos evangelhos, tantos pastores despreparados que seguem machucando pessoas, plantando mágoas ao invés de vida, que não tem como olhar para a igreja sem ficar preocupado.
Estes são alguns desafios de uma sociedade que precisa de Deus e de restauração espiritual e física. Contudo, não podemos esquecer os povos que vivem em tribos, com pouco ou nenhum contato com a sociedade como a conhecemos ou as chamadas tribos urbanas, que têm os seus costumes, ritos e maneiras de se comportar e de se vestir. É de igual importância entender estes, para que a aproximação seja certeira e a mensagem efetiva, sem esquecer que não existe uma cultura melhor que a outra, existem culturas sendo que nem tudo que é diferente é errado.
Precisamos antes conhecer, entender a cultura ou os costumes antes de fazer alguma coisa. Pois no afã de querer fazer a vontade de Deus podemos sem querer destruir pontes onde o evangelho poderia passar. E isso não acontece só em tribos indígenas é em tudo, conhecer é essencial para saber onde se pisa e como se fala.
- Para que a missão seja eficaz precisamos oferecer a melhor tradução Bíblica.
A fim de que a missão possa acontecer, temos que proporcionar a quem ouve a melhor tradução da mensagem. Com isso, entender o contexto de onde você está, como otimamente falamos no ponto três, é fundamental, aliás note como todos os pontos são interligados.
É realmente importante conhecermos as diversas traduções bíblicas, a fim de que possamos orientar a quem pregamos a palavra, para que a linguagem seja mais acessível a esta pessoa.
Conheci muitos que não liam a Bíblia por não entenderem o texto, diante desta realidade, incentivei eles a comprarem traduções Bíblicas com uma linguagem mais atual. Todos estes meus amigos que compraram uma Bíblia nova passaram a ler a Bíblia diariamente.
Eu sempre falo da Bíblia NTLH, que é uma Bíblia com uma tradução dinâmica e linguagem acessível e clara, gosto desta tradução, pois qualquer um conseguirá ler e compreender. Cuidado com o costume de defender uma tradução bíblica, pois na hora de indicar uma Bíblia a um novo convertido, você tem que priorizar em um primeiro momento indicar a Bíblia que mais se encaixa em sua compreensão e em seu contexto. É claro que existem inúmeras outras, mas preze sempre em conhecer todas, para que na hora de indicar uma Bíblia você saiba qual indicar, aliás, tenha sempre mais de uma tradução bíblica, para quando você tiver dúvidas, possa ter outros textos para consultar. Lutero tem uma citação que resume bem isso:
“É preciso perguntar a mãe em casa, às crianças na rua, ao popular na feira, ouvindo como falam, e traduzir do mesmo jeito, então vão entender e notarão que se está falando alemão com eles” (GERONE, 2014, 19).
Pois o foco nunca é defender uma tradução, e sim proporcionar a tradução mais coesa, no qual o leitor entenderá de forma clara e plena a mensagem do evangelho. O mesmo é feito quando vão traduzir a Bíblia para uma tribo indígena, o tradutor, sempre que vai fazer este serviço, procura usar coisas conhecidas a fim de contextualizar a mensagem e fazer com que a mesma seja conhecida.
Não podemos esquecer que até Lutero e a reforma, que combateu vários pontos negativos da igreja Católica, a missa era realizada em latim e de costas para a igreja. A reforma veio para mudar isso, pois proporcionou aos cristãos uma oportunidade de leitura e entendimento da palavra, já que a Bíblia foi traduzida nas diversas línguas na época, além de trazer a mudança na forma de pregar a palavra, que proporcionou a todos o entendimento da mensagem que estava sendo pregada. Acyr de Gerone Junior complementa:
“A tradução bíblica, certamente, é fundamental para a missão da igreja. Se quisermos que a palavra de Deus se torne acessível a todas as pessoas, devemos entender que Deus precisa falar à linguagem que essas pessoas falam e entendem” (GERONE, 2014, 20).
Eu curso uma segunda graduação em pedagogia, e é comum falarmos muito de Paulo Freire quando falamos em pedagogia. Pois ele criticou bastante as cartilhas de alfabetização que usavam palavras e imagens que a criança não conhecia, como camelo, uva (dependendo da região do país) e por aí vai.
Meu professor de missão nos contou de um exemplo usado há muito tempo atrás que fala justamente deste conceito, na hora traduzir para uma tribo indígena a passagem de João 6:35: onde Jesus diz que é o pão da vida. Os tradutores optaram por mudar a palavra, pois os índios não sabiam o que era pão, mas sabiam o que era mandioca, pois era o seu alimento principal, tal qual o nosso pão. Com isso eles optaram por traduzir que Jesus era a mandioca da vida, o que não mudou a essência da mensagem e fez com que os índios entendessem melhor a palavra.
São apenas quatros dicas, contudo são pontos fundamentais para fazer com que a missão seja realmente efetiva e eficaz. Entender que não é só pregar, mas também cuidar do ser humano como um todo ou que a missão é de Deus e não nossa. Aprender a entender o contexto do lugar no qual vamos fazer missão e procurar dar a tradução Bíblica que mais se encaixa na compreensão de quem está ouvindo a palavra é básico para que a missão frutifique.
Não se esqueça de que não estamos lidando com máquinas, quando falamos do ser humano, falamos de um ser complexo, com sua identidade, dificuldades e mazelas. Estar aberto para está realidade já é um passo dado para um trabalho que constrói pontes e não muros, por isso entenda bem estes pontos antes de se prontificar a fazer a missão, seja onde for.
Se não nos prepararmos, além de não sermos ouvidos não teremos o que oferecer a quem queremos alcançar, por não conhecermos quem está do outro lado e por não sabermos falar a sua língua.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013.
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo, 2005.
Shedd, Russell, Missões Vale a Pena Investir, Shedd Publicações, São Paulo, 2001.
GERONE, Acyr de, Missão que transforma, A evangelização integral da Bíblia, Publicações ICD, 2014.
