-
INTRODUÇÃO A MISSIOLOGIA: MISSÃO NO VELHO TESTAMENTO
Ao falarmos em missão, é inevitável termos que ir lá em Gênesis e discorrer sobre um Deus que criou o homem a sua imagem e semelhança. Ou nos lembrarmos que este homem criado desobedeceu e com isso, ele se perdeu. E por conta do pecado, tem se destruído e se desviado do propósito original, que é a adoração, que é viver para obedecer Deus.
Quando não olhamos para Deus, nós nos destruímos, quando Cristo não é o centro de nossa vida, o centro acaba sendo nós, nossa vontade destrutiva, nossos desejos contaminados. Lutero tinha uma definição excelente para pecador:
“O homem curvado em si mesmo” (STOTT, 2004, p. 94).
E é isso o que somos, seres desobedientes, curvados em nós e nossos desejos, olhando apenas as nossas vontades e nossos umbigos. Gosto da definição de pecado que John Stott dá:
“O pecado é uma afirmação rebelde de mim mesmo contra o amor e a autoridade de Deus e contra o bem-estar do meu próximo” (STOTT, 2004, p. 94).
Um dos pontos principais do pecado é a desobediência, é viver uma vida autocentrada. O evangelho vem para mudar este cenário e ensinar o homem a ser gente da maneira certa. E a missão entra com esta função, pregar a mensagem de um Deus que preferiu dar o seu filho para nos salvar ao invés de nos destruir.
O começo de tudo é com Abraão, quando Deus pede para ele sair de sua terra, da terra dos seus familiares e ir para um lugar que Ele iria mostrar (Gênesis 12:1-2). Pois para haver missão, tem que haver um Deus que se revela, um Deus que busca o homem e traz salvação. Sobre Abraão, é bom fazermos algumas observações. A primeira é que as promessas feitas para Abraão eram para toda a humanidade:
“As promessas feitas a Abraão (Gn 12.1-3,18.18 e 22.15-18) envolviam toda a humanidade e foram sendo renovados por meio de seu filho Isaque (26.4) e de seu neto Jacó (28.14) (GUSSO, 2011, p. 32)”.
Gênesis 12:2-3 é bem claro quando diz que Abraão seria pai de um grande povo, mas diz também que por ele todas as nações da terra seriam abençoadas. Pois Abraão é o começo de tudo, através dele muitos outros conheceriam o evangelho e de sua descendência o salvador viria redimir e levar a palavra de vida a todos.
O interessante é que Gálatas 3:6-9 fala justamente disso, da justificação pela fé, sendo que Paulo resgata o acontecido em Gênesis para nos ensinar que desde o começo Deus já iria aceitar os não judeus pela fé.
A segunda é que a distância que Abraão percorreu de Harã até Canaã foi de seiscentos quilômetros, isso em um período onde não existia carro, ônibus e as facilidades da vida moderna, sem esquecer que ele seguia com seus servos e rebanhos, com isso, podemos concluir que o grupo não era pequeno e o deslocamento não era fácil por conta dos animais (CHAMPLIN, 2013, p. 18).
Porém Deus não só se revela, mas também salva, e sobre salvação no Velho Testamento, podemos falar um pouco da vida de Moisés, o homem que Deus usou para libertar o povo de Israel do Egito. Êxodo 3:1-12 diz que enquanto Moisés apascentava o rebanho do seu sogro, Deus apareceu para ele e deu a missão de libertar o povo de Israel da escravidão do Egito.
O curioso é que a história de Moisés é a sombra da história de Cristo, de um Deus que viria para nos salvar. Pois Mateus 2 diz que José e Maria tiveram que fugir para o Egito com Jesus, para que não o matassem em uma carnificina, e foi de lá que o salvador veio, cumprindo assim uma das profecias que havia sobre o salvador (Oséias 11:1, Mateus 2:15).
Poderíamos colocar também muitos outros profetas como os primeiros missionários, mas vale lembrar que o conceito de céu ou de uma vida após a morte veio apenas depois do período dos profetas. É no Novo Testamento que isso fica mais claro e podemos entender o plano de salvação de uma forma mais ampla. Contudo, apesar de sabermos que o plano de salvação começou com Abraão, e que Moisés teve uma missão, assim como muitos outros profetas, não podemos chamar estes de missionários ou pregadores, como conhecemos hoje, pois apesar de haver convertidos entre os judeus daquela época, apenas o judaísmo posterior é que se tornou um pouco mais missionário. Entretanto, temos um livro no Velho Testamento que registra a história do que talvez possamos chamar de um dos primeiros missionários, o livro é o de Jonas.
Jonas é um profeta em Israel (2 Reis 14:25), um profeta bem nacionalista diga-se de passagem, que recebeu a missão de pregar para um povo pagão, mas que fica com raiva quando o povo de Nínive se arrepende e Deus desiste de destruir a cidade (Jonas 4:1). Sendo que o livro termina mostrando Jonas indignado com Deus, por não ter destruído a cidade e Deus mostrando para Jonas como ele é misericordioso. No final é Jonas que tem que aprender sobre a misericórdia de Deus. Este profeta nacionalista não conhecia direito o Deus no qual ele servia e discordava da misericórdia dele, ele não aceitava o fato de Deus não ter destruído um inimigo do povo judeu. Uma história realmente curiosa, que mostra um Deus misericordioso que nunca deixou de olhar para outras nações e um profeta nacionalista, que preferia morrer do que aceitar a misericórdia deste Deus salvador.
Com a história de Jonas chegamos a duas ótimas conclusões. A primeira é que apesar de Jonas ter fugido, Deus tratou daquele profeta e deu a ele uma segunda chance, usando uma baleia para salvar um profeta desobediente (Jonas 2). A segunda lição que tiramos é que, apesar de Deus ter usado Jonas para pregar em outra nação, no fim o livro termina com Deus tratando do próprio profeta.
Resumindo, a missão começa com Deus querendo salvar a humanidade, o propósito da missão não é divulgar uma placa de igreja, ou ser apenas um movimento de assistencialismo, a missão deve começar tendo como principal propósito a mensagem de salvação. Quando lemos sobre Abraão vemos que Deus tinha um plano, e neste plano estava incluso também os gentios, não só os judeus. Quando lemos sobre Moisés vemos que Deus atende a súplicas e ao sofrimento de seu povo, vemos também que é Deus que envia. Quando lemos sobre Jonas também vemos um Deus que dá uma segunda chance, seja para Jonas ou para o povo pecador de Nínive sendo que o nosso Deus também trata quem ele chamou para trabalhar.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Ed. Soc. Bíblica do Brasil, 2005.
CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
STOTT, John. Por Que Sou Cristão. Minas Gerais: Editora Ultimato, 2004.
GUSSO, Antônio Renato. Os Livros Históricos: Introdução fundamental e auxílios para a interpretação. Curitiba: Editora Ad Santos, 2011.
GUSSO, Antônio Renato. O Pentateuco: Introdução fundamental e auxílios para a interpretação. Curitiba: Editora Ad Santos, 2011.
BRÄUMER, Hansjörg. Gênesis: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 2016.
-
O SUTIL ERRO DE PROCRASTINAR
Por anos fui um procrastinador, deixava para fazer tudo em cima da hora e perdia muitas boas oportunidades por conta deste defeito.
Na faculdade, procrastinar é um problema muito sério, pois se deixarmos acumular trabalhos acabamos por não conseguir fazer nenhum ou fazemos de forma apressada e relaxada. Em outras áreas, a procrastinação faz com que façamos as coisas com desleixo e displicência.
O problema é que a arte de procrastinar é sutil, muitas vezes surge de uma forma inocente, mas acaba por destruir as nossas oportunidades e responsabilidades. Sendo que, o procrastinador é quase sempre conhecido como o relaxado, o mediano ou o cara que acaba por não terminar as coisas.
Aprendi ao longo da minha vida a não procrastinar, desenvolvi com o tempo algumas práticas para evitar a procrastinação, o que se segue são algumas dicas, de quem sofreu muito com isso, mas que conseguiu vencer tal mal.
A primeira dica é se organize. A organização é o princípio de tudo, quando aprendemos a nos organizar descobrimos que temos mais tempo do que imaginamos, que podemos fazer as coisas melhores e que a tarefa não é tão difícil assim.
Na faculdade, onde eu tinha que ler e escrever muito, adquiri o hábito de pegar os livros que eram leitura obrigatória já nos primeiros dias de aula. Eu lia todos os livros e fazia os trabalhos já no primeiro mês do semestre. No primeiro ano da faculdade eu não fui tão bem por não agir assim, mas depois, aprendi a lição e nunca mais deixei para fazer os trabalhos e leituras em cima da hora.
A segunda é comece. Pode parecer um pouco óbvio e simplista esta dica, mas não é. Aprender a separar um tempo e fazer as atividades sem depender de vontade, inspiração ou do momento certo é o principio para desenvolvermos o hábito de estudar e produzir. Eu sei que muitas vezes precisamos estar inspirados para escrever, mas eu também sei que ao começar algo, mesmo sem inspiração ou vontade, acabamos por termos ideias e desenvolvermos a tarefa, que antes achávamos que não estávamos inspirados. Gosto de uma frase de Aristóteles que resume bem o assunto:
“O hábito, meu amigo, é tão somente uma longa prática. Que por fim faz-se natureza” (2000, p. 155).
Por isso, separe um tempo e pare nesta hora para realizar a tarefa independentemente se você está com vontade ou não, começar é tudo, praticar é o caminho do hábito.
A terceira é faça metas. É normal darmos prioridades para coisas mais imediatas e colocarmos o que temos mais tempo, de lado. Com isso, não percebemos que o tempo vai passando e assim, terminamos por atrasarmos nossos compromissos. Por isso que metas, datas, prazos são importantes para que não caiamos na procrastinação. Lembre-se que quanto mais adiantado você fazer seus trabalhos, mais tempo para corrigir, melhorar e aperfeiçoar, você terá, por isso, faça suas metas, tente calcular quanto tempo você vai gastar realizando suas tarefas e crie um cronograma para conseguir terminar seus trabalhos em dia.
Procrastinar é um mal, é dar prioridade para coisas passageiras e prazeres imediatos. O prazer imediato é sempre o melhor, quem não gosta de se desligar assistindo uma série, conversando com amigos nas redes sociais, ou vendo vídeos? Isso é bom, eu sei, mas buscar o equilíbrio é o segredo para que consigamos nos dedicar as coisas que não dão alegrias imediatas, mas que são necessárias e nos farão bem a longo prazo. Isso serve para o estudo, dieta e exercício.
Nem todos os nossos planos dão retorno no momento, mas eu sei que tudo o que vale a pena, não nos traz alegrias imediatas. Fazer uma faculdade, estudar, ou investir em nosso futuro não traz prazer imediato, leva tempo e dedicação, mas com certeza trará uma alegria em um futuro próximo, sendo quase sempre peça indispensável para construirmos nossos sonhos ou vermos nossos projetos ganhando a luz do dia.
BIBLIOGRAFIA
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Editora Martin Claret, 2000.
-
EMOÇÕES
“Não deixe que a emoção responda por você”.
Quando novo eu não tinha papas na língua, falava tudo o que dava vontade, com isso, sem querer, magoava muitos dos que eu queria bem.
Com o tempo aprendi a controlar a língua, e a falar de uma forma que não ofendesse meus amigos. Eu caminhei para está mudança primeiro por perder muita coisa por conta do meu modo de falar, segundo, por conhecer pessoas que falavam sem pensar. Olhando de fora eu pude perceber quantas oportunidades estes perdiam por não saberem falar e quanta gente estes magoavam. Isso sem contar com as pessoas que comumente tomam decisões sem primeiro pensar no assunto, se metem em enrascadas por não refletir ou fazer as contas entes de embarcar em algum projeto.
É impossível fazermos uma reflexão quando deixamos que a emoção responda por nós, por não pararmos para refletir no que ouvimos, muitas vezes nos damos mal. Você não sabe o quanto está perdendo quando não ouve em silêncio, quando não respeita a opinião alheia, quando não dialoga de forma respeitosa com quem pensa diferente de você.
Por isso, não deixe que a emoção responda por você, aprenda a pensar e a refletir e aprenda também que às vezes é melhor deixar o tempo passar, a emoção acabar, para depois responder ou tomar alguma decisão, não se esqueça do velho ditado: “Sinceridade que ofende é grosseria”. Com isso, se colocar no lugar das pessoas é inevitável para que possamos nos comunicar melhor e não deixar sermos guiados por todas as nossas emoções.
-
APRENDIZ
Eu tenho uma máxima em minha vida no qual carrego há anos no peito: “Aprendi o segredo de estar contente…”, uma frase que peguei emprestado de Paulo lá de Filipenses 4:11 e que tem ditado o ritmo da minha caminhada
Em um mundo caótico igual ao nosso, onde sem mais nem menos nossa situação pode mudar, é importante saber estar contente em qualquer situação. Nem sempre podemos estar bem financeiramente, nem sempre termos saúde, nem sempre termos paz. Isso quando não temos todos estes problemas ao mesmo tempo, com isso estar contente se torna fundamental para a nossa saúde mental.
A grande verdade é que se não aprendermos a lidar com todas as nossas intempéries, com certeza sucumbiremos, aprender a se adaptar aos diversos tipos de mudança é inevitável para não cairmos no desgosto e na tristeza que rodeia a sociedade.
E não adianta ficar com raiva e culpar Deus por todos os seus problemas, pois viver no mundo é ter a certeza de que nem sempre estaremos bem. Este é o resultado de sermos contaminados pelo pecado. Vivemos no caos, seguimos sendo egoístas e passamos por cima de muitos. Somos seres autodestrutivos, construímos uma sociedade conforme nossa própria imagem caótica, diante disso, é claro que nem sempre estaremos bem.
O mais irônico é quando estudamos o contexto desta passagem bíblica e descobrimos que Paulo escreveu Filipenses na prisão. É impressionante saber que ele aprendeu o segredo de estar contente justamente no momento em que ele não estava numa boa, na cobertura de um hotel comendo caviar…
Nem sempre o cristão vai estar bem, passar por dificuldades é comum, a Bíblia atesta isso quando conta as experiências de Jó, Elias, Oséias e os apóstolos. Leia com cuidado a Bíblia que você vai ver muitos servos de Deus passando dificuldades, perseguições, doenças e faltas, mas uma coisa todos tinham em comum: “eles confiavam em Deus” por isso sempre encaravam seus problemas com uma outra ótica.
Aprender a estar contente é ter gravado na mente que o que acontece no exterior, não pode definir nosso interior. O que somos, em quem confiamos e o que acreditamos, não pode ser atrapalhado por fatores externos. Se o que acontece no mundo definir a nossa vida, corremos o risco de aos poucos nos distanciarmos de Deus. Crer que Ele nos ama e que olha por nós é básico para fé, mas ter em mente que nem tudo entendemos, nem tudo conseguimos explicar, também é importante. Confiar é largar o controle e viver sempre olhando para Deus, fazemos apenas o que esta em nosso alcance e o que não está, precisamos largar o controle. Não é fácil, mas é preciso.
Paulo havia aprendido o segredo de estar contente e o segredo era e é Cristo. Se não olharmos para Ele e buscarmos forças nele, certamente sucumbiremos neste mundo mal. Sem a força de Deus, como o versículo otimamente diz, com certeza olharemos mais para os problemas ou viveremos uma vida tão autodestrutiva que não perceberemos o caminho que estaremos tomando, aí é o fim, pois o descontentamento tomará conta do nosso ser e seguiremos na busca de encontrar a alegria que não existe.
Não esqueça que a única alegria, o contentamento verdadeiro, só se encontra em Deus, não existe nada fora dele, relembre está verdade dia a dia e aprenda o segredo de Paulo.
BIBLIOGRAFIA
HAHN, Eberhard, BOOR, Werner de, Carta aos Efésios, Filipenses e Colossenses, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 2006
-
CRISTÃO COMUNISTA
Neste nosso ano político, muita coisa tem vindo à tona, desde declarações das mais estranhas até posicionamentos dos mais violentos e contraditórios. O curioso é que, nestas horas, até quem não é cristão se apropria das palavras de Cristo para emitir a sua opinião, sendo que novamente tenho visto alguns afirmarem ou darem a entender que Jesus era comunista, por olhar para os pobres e sempre atendê-los. Para quem estuda a Bíblia, fica bem claro que tal junção é impossível de se fazer, pegar acontecimentos e frases soltas de Jesus e afirmar que ele era comunista é um erro grave e mortal. Já escrevi um texto pontuando a gritante diferença entre Marx e Cristo, caso queira ler segue o link: MARX VS CRISTO. O que eu farei neste texto é justamente trabalhar diretamente as questões teológicas.
Antes de continuar, quero conceituar o que é comunismo, que seria um sistema político onde tudo é desfrutado por todos, inclusive os meios de produção. Este sistema defende o fim da propriedade privada e tem como um dos principais propósitos o controle das fontes de riqueza e do sistema econômico (CHAMPLIN, 2013, p. 825).
Existe um movimento denominado Comunismo Cristão, que acredita que o posicionamento e as ideias de Cristo apontavam justamente para o comunismo, isso sem contar que a Bíblia também diz que os apóstolos viviam com tudo em comum, por isso, estes acreditam que o comunismo é justificado pela Bíblia.
Entendam de uma vez por todas, sim, Cristo olhou para os pobres, ele ajudou e ofereceu a mão, seus milagres e curas evidenciaram que ele era o Cristo esperado. Mas não nos esqueçamos de uma afirmação, uma das mais importantes que ele fez durante o seu julgamento: “Meu reino não é deste mundo […]” (João 18:36).
Esta afirmação evidencia duas coisas importantes. Primeiro, deixa claro que Cristo, de maneira alguma, havia vindo para esta terra para ser o revolucionário político que os judeus esperavam que o Messias fosse. Inclusive, alguns discípulos de Cristo ainda pensavam assim e tiveram que aprender que estavam errados (Lucas 24:13-35). Jesus Cristo veio à terra para libertar o homem da dominação do pecado.
Segundo, a mensagem de Cristo não aponta para o comunismo e muito menos para o capitalismo, e sim, aponta para o fato de que o homem sem Deus está fadado a caminhar em direção ao mal e ao erro. Não existe solução humana eficaz para solucionar o problema das injustiças, existe apenas Deus, como fonte e caminho para a salvação. O comunismo, o capitalismo ou qualquer outra coisa que possamos inventar, sempre será soluções frágeis e fracas ante o problema do caos e do mal do mundo.
Sobre a passagem que fala que os discípulos tinham tudo em comum (Atos 2:44), ela não abre para um pressuposto comunista só porque diz “que todos tinham tudo em comum”. A mensagem principal do texto é que aqueles cristãos primitivos não viviam suas vidas fundamentadas em leis ou conceitos preestabelecidos, e sim ajudando uns aos outros. Não há em lugar algum da Bíblia um mandamento que nos incentive a viver assim, provavelmente aquela igreja adotou este estilo de viver por conta da dificuldade e da fome que a perseguição religiosa estava causando. Fora que a maioria dos estudiosos vai apontar para o fato de que essa experiência fracassou, já que o próprio Paulo levantou ofertas para ajudar esta comunidade que estava em dificuldades (1 Coríntios 16:1-3).
O comunismo é um sistema político onde poucos têm poder e riquezas e muitos têm pouco. Se o capitalismo é perigoso, o comunismo é ainda muito pior, muito mais injusto, por privilegiar uma minoria e deixar a maioria na miséria e alienação.
Isso sem contar que o comunismo prega o fim das igrejas. Marx afirmava que a religião era o ópio do povo, ele era contra as classes, a propriedade privada e a religião. O cristianismo nunca teve estes pontos como principais. A mensagem cristã é de partilha, é ter uma vida equilibrada. É olhar para o próximo que está necessitado e de buscar o reino que não é deste mundo, mas de maneira alguma a Bíblia é contra termos bens.
O cristianismo primitivo nunca teve pautas políticas, nunca ligou para a dominação romana. A sua pauta era outra, era o arrependimento e a salvação do homem pecador, era a libertação do homem escravo do pecado. É contraditório falar que Cristo era comunista, pois suas pautas nunca foram políticas, se tivessem sido, ele teria trabalhado muitas outras questões injustas que aconteciam no Império Romano. Gosto de uma citação que resume bem a questão:
Quando a política pretende ser redentora, promete demais. Quando pretende fazer a obra de Deus, não se torna Divina, mas demoníaca. (Bento XVI) (FERREIRA, 2016, p. 89).
Jesus não foi um revolucionário político, ele apenas entrou em conflito com a religião da época que era hipócrita, que achava que fazia a vontade de Deus, mas que no fim não fazia coisa alguma.
Eu não acredito em um modelo político salvador, mas entre os dois, eu ainda prefiro o capitalismo. Por ver até agora o comunismo seguir fazendo muito mais injustiças do que o capitalismo.
Cristo não deu ênfase alguma para um sistema político, ele mandou que o imitássemos e quem o imita, certamente olha o próximo e não deixa de oferecer a mão a quem precisa. Temos que tomar cuidado para não ficarmos enxertando na Bíblia conceitos que ela não defende. A Bíblia já tem a sua própria mensagem e não precisa que as pessoas a amoldem de acordo com suas crenças.
Não precisamos de um sistema político para mudar as pessoas, o evangelho genuíno já muda. Quem vive a palavra já olha (ou deveria olhar) para o próximo e não deixa de auxiliá-lo. O problema nunca foi a meritocracia, nem as pessoas com sonhos que acabam por ter sucessos em suas empreitadas. O problema é a falta de amor, o egoísmo, a falta de empatia.
Agora o comunismo aliena, ele é contra classes, mas cala a boca das pessoas na marra. No comunismo existem poucos ricos, mas os pobres passam necessidade e faltas. Quem vive em país comunista tem que fechar a boca e obedecer, não tem voz alguma. Mas quem vive o evangelho partilha, opina e divide. Jesus ouviu, deu voz a quem não tinha voz e oportunidades a quem era jogado de lado, agora o comunismo só dá ordens e quem não obedece é punido.
BIBLIOGRAFIA
FERREIRA, Franklin. Contra a idolatria do estado: O papel do cristão na política. São Paulo: Editora Vida Nova, 2016.
CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. São Paulo: Editora Hagnos, 2013.
-
O SERMÃO DO MONTE PT 25: FALSOS PROFETAS
“Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas?” (Referência MT 7:15-20) (NVI).
Quando bem novo eu trabalhei como cobrador de ônibus e a coisa que mais nos preocupávamos na época, além de sermos assaltados, era pegar dinheiro falso, pois nos trazia um incômodo sem tamanho. O curioso era que por estarmos acostumados a mexer com dinheiro, dificilmente nos enganávamos. De tanto pegar no dinheiro verdadeiro, quando pegávamos o falso logo percebíamos, a não ser que estivéssemos distraídos.
Neste texto Jesus nos dá um aviso: Cuidem com os falsos profetas, com os lobos em pele de ovelha. Confesso que acho a cena curiosa, um lobo em pele de ovelha não é comum, mas é a descrição perfeita para exemplificar e descrever os falsos líderes.
Uma ovelha é um animalzinho gentil e manso, o lobo é um animal feroz, que com toda a certeza consegue trucidar uma ovelha sem qualquer dificuldade. E é sobre este perigo que o texto nos adverte. Cuidado com os falsos pastores que tem como propósito de vida se disfarçar de ovelhas a fim de devorá-las, de extorquir e enganá-las em nome de Deus.
No entanto o texto continua, e nos dá a receita para descobrirmos quem são estes, o versículo 16 nos avisa: “Por seus frutos os conhecereis”. Frutos em grego karpos e significa:
“Qualquer parte de uma planta que é considerada fruto, incluindo sementes e polpa” (LOW; NIDA, 2013, p. 33).
E sobre este significado, John Stott faz uma conclusão interessante:
“Nenhuma árvore pode esconder a sua identidade por muito tempo. Mais cedo ou mais tarde ela se trai, pelo seu fruto. Um lobo pode disfarçar-se; uma árvore, não (STOTT, 1982, p. 211-212).
Ser cristão é ter a vida mudada, é apresentar mudanças visíveis e explícitas. É impossível ser tocado por Cristo e continuar andando no caminho velho, não ter caráter, ser desonesto e não ter boa conduta. E quem é lobo, mais tempo ou menos tempo apresentará estes frutos ruins e com certeza um dia será cortado e lançado ao fogo.
Toda árvore boa dá bons frutos (v. 17), este é o RG de um bom cristão, um pastor temente a Deus é um profeta da vida. É pelos frutos que podemos identificar os falsos dos bons profetas, por isso, abra o olho e fuja de quem não tem bons frutos.
BIBLIOGRAFIA
STOTT, John, Contracultura Cristã, A Mensagem do Sermão do Monte, Editora ABU, São Paulo, 1982.
LOUW, Johannes, NIDA, Eugene, Léxico Grego-português do Novo Testamento, Sociedade Bíblica do Brasil, São Paulo, 2013.
-
INTRODUÇÃO A MISSIOLOGIA: DICAS PARA UMA MISSÃO EFICAZ II
Em um texto passado eu comecei dando algumas dicas para que a missão seja realmente eficaz, o texto que segue é a continuação destas dicas. Porém se você não leu o texto passado, segue o link para a leitura: INTRODUÇÃO A MISSIOLOGIA: DICAS PARA UMA MISSÃO EFICAZ
- Para que a missão seja eficaz devemos entender o contexto do lugar ou da pessoa.
A fim de que a missão seja efetiva, é fundamental juntamente com os dois outros pontos, entendermos o contexto em que vivemos ou onde vamos evangelizar antes de nos empenharmos na tarefa. Entender o contexto é a diferença de um trabalho que vai dar ou não resultado. Acyr de Gerone Junior no livro Missão que Transforma, divide os problemas humanos em quatro principais pontos:
Miséria moral (discriminação por etnia, raça ou religião).
O racismo em pleno século XXI ainda é enorme, muitos ainda sofrem com isso e alguns ainda sofrem preconceito por terem determinada religião, por serem pobres e os mais diversos motivos. A nossa missão é sermos diferença e o desafio é dialogar com as diversas culturas e costumes sem impor e sem sermos intolerantes ou pedantes.
Miséria social (violência, desemprego, menores nas ruas, mendigos).
É visível os problemas sociais, a falta de oportunidade, a miséria. Não que eu compactue com o comunismo e ache que o mundo deva ter uma sociedade linear, sem ricos e pobres, contudo eu também não quero uma sociedade miserável. O nosso desafio é justamente buscar o equilíbrio e ajudar a quem não tem ter muito.
Miséria emocional/intelectual (pessoas desiludidas, doenças psicológicas, depressão, suicídio).
Segundo o ministério da saúde, estima-se que anualmente 800 mil pessoas morrem por suicídio no mundo, sendo que para cada suicida outros 20 já tentaram. Isso que não falamos ainda sobre a ansiedade, o medo que algumas religiões incutem nas pessoas, doenças psicológicas e por aí vai.
A cada avanço científico parece-me que muito mais problemas vêm na bagagem. E o evangelho está aí para fazer diferença, por isso que precisamos da informação e do preparo.
Miséria religiosa (cristãos decepcionados com a religião) (GERONE, 2014, 14).
Nós estamos em um período onde temos que evangelizar os próprios cristãos, pois são tantas mensagens deturpadas que estamos ouvindo por aí. São tantos falsos evangelhos, tantos pastores despreparados que seguem machucando pessoas, plantando mágoas ao invés de vida, que não tem como olhar para a igreja sem ficar preocupado.
Estes são alguns desafios de uma sociedade que precisa de Deus e de restauração espiritual e física. Contudo, não podemos esquecer os povos que vivem em tribos, com pouco ou nenhum contato com a sociedade como a conhecemos ou as chamadas tribos urbanas, que têm os seus costumes, ritos e maneiras de se comportar e de se vestir. É de igual importância entender estes, para que a aproximação seja certeira e a mensagem efetiva, sem esquecer que não existe uma cultura melhor que a outra, existem culturas sendo que nem tudo que é diferente é errado.
Precisamos antes conhecer, entender a cultura ou os costumes antes de fazer alguma coisa. Pois no afã de querer fazer a vontade de Deus podemos sem querer destruir pontes onde o evangelho poderia passar. E isso não acontece só em tribos indígenas é em tudo, conhecer é essencial para saber onde se pisa e como se fala.
- Para que a missão seja eficaz precisamos oferecer a melhor tradução Bíblica.
A fim de que a missão possa acontecer, temos que proporcionar a quem ouve a melhor tradução da mensagem. Com isso, entender o contexto de onde você está, como otimamente falamos no ponto três, é fundamental, aliás note como todos os pontos são interligados.
É realmente importante conhecermos as diversas traduções bíblicas, a fim de que possamos orientar a quem pregamos a palavra, para que a linguagem seja mais acessível a esta pessoa.
Conheci muitos que não liam a Bíblia por não entenderem o texto, diante desta realidade, incentivei eles a comprarem traduções Bíblicas com uma linguagem mais atual. Todos estes meus amigos que compraram uma Bíblia nova passaram a ler a Bíblia diariamente.
Eu sempre falo da Bíblia NTLH, que é uma Bíblia com uma tradução dinâmica e linguagem acessível e clara, gosto desta tradução, pois qualquer um conseguirá ler e compreender. Cuidado com o costume de defender uma tradução bíblica, pois na hora de indicar uma Bíblia a um novo convertido, você tem que priorizar em um primeiro momento indicar a Bíblia que mais se encaixa em sua compreensão e em seu contexto. É claro que existem inúmeras outras, mas preze sempre em conhecer todas, para que na hora de indicar uma Bíblia você saiba qual indicar, aliás, tenha sempre mais de uma tradução bíblica, para quando você tiver dúvidas, possa ter outros textos para consultar. Lutero tem uma citação que resume bem isso:
“É preciso perguntar a mãe em casa, às crianças na rua, ao popular na feira, ouvindo como falam, e traduzir do mesmo jeito, então vão entender e notarão que se está falando alemão com eles” (GERONE, 2014, 19).
Pois o foco nunca é defender uma tradução, e sim proporcionar a tradução mais coesa, no qual o leitor entenderá de forma clara e plena a mensagem do evangelho. O mesmo é feito quando vão traduzir a Bíblia para uma tribo indígena, o tradutor, sempre que vai fazer este serviço, procura usar coisas conhecidas a fim de contextualizar a mensagem e fazer com que a mesma seja conhecida.
Não podemos esquecer que até Lutero e a reforma, que combateu vários pontos negativos da igreja Católica, a missa era realizada em latim e de costas para a igreja. A reforma veio para mudar isso, pois proporcionou aos cristãos uma oportunidade de leitura e entendimento da palavra, já que a Bíblia foi traduzida nas diversas línguas na época, além de trazer a mudança na forma de pregar a palavra, que proporcionou a todos o entendimento da mensagem que estava sendo pregada. Acyr de Gerone Junior complementa:
“A tradução bíblica, certamente, é fundamental para a missão da igreja. Se quisermos que a palavra de Deus se torne acessível a todas as pessoas, devemos entender que Deus precisa falar à linguagem que essas pessoas falam e entendem” (GERONE, 2014, 20).
Eu curso uma segunda graduação em pedagogia, e é comum falarmos muito de Paulo Freire quando falamos em pedagogia. Pois ele criticou bastante as cartilhas de alfabetização que usavam palavras e imagens que a criança não conhecia, como camelo, uva (dependendo da região do país) e por aí vai.
Meu professor de missão nos contou de um exemplo usado há muito tempo atrás que fala justamente deste conceito, na hora traduzir para uma tribo indígena a passagem de João 6:35: onde Jesus diz que é o pão da vida. Os tradutores optaram por mudar a palavra, pois os índios não sabiam o que era pão, mas sabiam o que era mandioca, pois era o seu alimento principal, tal qual o nosso pão. Com isso eles optaram por traduzir que Jesus era a mandioca da vida, o que não mudou a essência da mensagem e fez com que os índios entendessem melhor a palavra.
São apenas quatros dicas, contudo são pontos fundamentais para fazer com que a missão seja realmente efetiva e eficaz. Entender que não é só pregar, mas também cuidar do ser humano como um todo ou que a missão é de Deus e não nossa. Aprender a entender o contexto do lugar no qual vamos fazer missão e procurar dar a tradução Bíblica que mais se encaixa na compreensão de quem está ouvindo a palavra é básico para que a missão frutifique.
Não se esqueça de que não estamos lidando com máquinas, quando falamos do ser humano, falamos de um ser complexo, com sua identidade, dificuldades e mazelas. Estar aberto para está realidade já é um passo dado para um trabalho que constrói pontes e não muros, por isso entenda bem estes pontos antes de se prontificar a fazer a missão, seja onde for.
Se não nos prepararmos, além de não sermos ouvidos não teremos o que oferecer a quem queremos alcançar, por não conhecermos quem está do outro lado e por não sabermos falar a sua língua.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013.
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo, 2005.
Shedd, Russell, Missões Vale a Pena Investir, Shedd Publicações, São Paulo, 2001.
GERONE, Acyr de, Missão que transforma, A evangelização integral da Bíblia, Publicações ICD, 2014.
-
CRISE NA IGREJA
Um tempo atrás escrevi um texto falando sobre meus problemas na igreja, e o que eu deveria ter feito para resolvê-los de uma forma mais madura antes de sair. O texto se chama “Problemas na igreja” e se você quiser ler, segue o link: Problemas na Igreja. O que se segue é uma espécie de continuação daquele texto, onde eu pontuo o que uma crise de desânimo faz em um cristão muito animado e comprometido com o ministério.
O desânimo muitas vezes começa quando você descobre que não tem utilidade, afinal, nós estudamos, investimos em nós e com o tempo adquirimos experiências que ao longo da vida ou dos estudos vamos construindo. E quando você percebe que o que tem a oferecer não serve para nada, você esmorece, somando isso a mais alguns problemas como: falta de diálogo e desânimo, você sai e vai em busca de outro lugar para congregar. Porém, se você congregou muito tempo em um mesmo lugar, é inevitável fazer links, comparações e acabar generalizando, onde no fim, não mais congregar se torna natural.
Sofri muitos anos com isso, tentei frequentar igrejas, mas a mera recordação de alguns episódios me desanimava. Tentei consertar a minha situação com a antiga igreja, tentei buscar ajuda com antigos amigos, mas era uma luta vã, eu não queria mais ir. E por mais que eu orasse em casa, lesse a Bíblia ou tentasse usar os mais diversos artifícios, o desânimo já tinha se instalado.
O desânimo é curioso, ele não só arranja desculpas para você não ir a igreja, como também suga a sua vontade. Aliado aos mais diversos amigos, que também decepcionados te puxam cada vez mais ao fundo, ou os livros, que generalizam e desconstroem a importância da igreja para um cristão, o fim acaba sendo não mais ir
A Bíblia é enfática quando diz que precisamos congregar e quem afirma o contrário, não a lê. 1Coríntios 12:12 diz que somos um corpo, com Cristo sendo o cabeça. Hebreus 10:25 é uma exortação a quem tem deixado de congregar, e quase todo o Novo Testamento foi escrito com o propósito de ensinar a igreja como ser igreja. Então quando você diz que a Bíblia não afirma que precisamos ir à igreja, você não está sendo tão inteligente assim, ou não tem lido a Bíblia. Eu sei que a Bíblia diz que nós é que somos a igreja, e eu acredito nisto, mas o que fica claro nestes versículos e muitos outros, é que ninguém é cristão sozinho.
Nesta minha crise com a religião eu quase me desviei, só não acabei me desviando por ter fé em Deus e consciência de que eu tinha que lutar contra aquela dificuldade. E quando este mal vem amigo, o racionalismo e a força de vontade são muito mais úteis do que a emoção. Se eu fosse seguir a minha emoção, certamente não teria forças para lutar contra um desânimo tão grande. Graças a Deus que a sua palavra e a consciência de que eu precisava congregar falou muito mais alto e é este um dos conselhos que eu dou a quem está desanimado. Amigo, procure um bom lugar para frequentar e se obrigue a ir. Caminhar sozinho neste mundo é impossível, ser cristão é estar em meio a pessoas e se você for esperar querer ir, nunca irá.
Mas não foi só dificuldades que a crise na igreja me trouxe, uma das coisas que a falta de voz e a minha falta de oportunidades na igreja me trouxe foi tentar por em prática todos os meus planos fora da igreja. Este blog existe um pouco por este motivo. Pois quando eu comecei a não ter oportunidades, resolvi fabricar as minhas próprias oportunidades, e hoje escrever pra o blog, pregar em outras igrejas ou dar aulas em um seminário teológico tem sido uma das grandes oportunidades que Deus tem me dado. E no fim, descobrimos que não precisamos apenas da igreja para sermos úteis, podemos fazer diferença também fora dela. Deus nos usa em qualquer lugar, basta estarmos abertos a sua vontade.
A igreja é isso mesmo amigo, um lugar imperfeito, cheio de pessoas erradas, um tentando ajudar ao outro. Ninguém é perfeito, e por sabermos disso temos que aprender a olhar para o próximo com mais compreensão.
Congregue, procure um bom lugar e entenda que caminhar sozinho é loucura, se nem Cristo andou sozinho, quanto mais nós, contudo, não se esqueça de que nós é que somos a igreja, uma igreja imperfeita, unidos em Cristo, caminhando juntos em apenas uma direção.
-
ANDARILHOS
Penso que a conversão é muito mais que não querer ir para o inferno, é muito mais que você um dia ir para o céu. Seguir a Cristo é mudar de vida, é mudar de caráter é se arrepender todos os dias tendo em mente que não somos nada sem Ele.
Ser cristão é ter outros valores, e entender que nesta terra somos andarilhos, que sem muita bagagem, seguimos viagem para o verdadeiro destino, levando apenas o que realmente importa, pelo menos deveria ser assim.
Eu sempre digo que o mundo não demora em taxar você e transformar seus valores em refugo, coisa velha e ultrapassada. Cabe a nós lembrarmos que apesar de termos como base um livro, a Bíblia, esta palavra de Deus se renova e nos confronta a cada dia, tamanha atualidade que nela contém.
Quando falamos em andarilho eu logo me lembro do filme o livro de Eli. E o que mais me impressiona no filme é a dedicação dele em ler e proteger o sagrado livro. Enquanto outros procuravam a Bíblia para que pudessem manipular e controlar pessoas, ele protegia, lia e estudava todos os dias sem falta a fim de guardar todos os seus ensinos. Salmos 119:11 diz:
“Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti”.
Só escondemos algo quando é valioso, ninguém esconde um objeto sem importância e o salmista ainda diz que para não pecar contra Deus, ele escondeu a sua palavra no coração. O comentário Vida Nova acrescenta:
“O coração abastecido com a palavra é o remédio para não pecar” (CARSON, FRANCE , MOTYER, WENHAM, 2012, p. 287).
Aqui o texto fala sobre a prática do pecado e não que não temos pecados. Eu gosto de uma frase muito conhecida entre cristãos:
“Nós somos santos, lutando contra o pecado”.
E é isto que o texto diz, ele dá a receita contra a prática do pecado que é a Palavra, seguir os ensinos de Cristo e guardar estes ensinos no coração.
Assim como no filme, onde o andarilho tinha uma missão que era proteger e estudar o Livro sagrado, nós também temos uma missão, seguir a Cristo, lutar contra o pecado e pregar a palavra da verdade as pessoas. Coisa impossível de se fazer sem ter gravado na mente e no coração este importante Testamento.
Não se esqueça que quando você não lê, não medita e estuda a palavra, certamente você não terá algo para oferecer a quem precisa. Você deve se encher, para que transbordando, possa oferecer ao próximo. Vazio, não temos nada, sem estudar, não temos o que oferecer.
Esconda as palavras deste livro em seu coração, medite e decore seus ensinos, para que você viva realmente a vida que Cristo quer que você viva e assim, com sua vida, possa pregar os seus ensinos através de suas atitudes.
BIBLIOGRAFIA
CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012.
-
O AMOR DE DEUS
Amor é uma palavra muito incompreendida hoje em dia, diante disso, lemos a palavra e não entendemos a profundidade do seu significado. É por este motivo que resolvi destacar as três coisas necessárias para entendermos o amor de Deus, tirado do livro de Austin Fischer, Jovem Incansável não mais Reformado.
E a primeira é: Quem define o amor é Deus e não nós:
“Não somos nós que devemos definir o que é amor; Deus é quem define. Essa é a primeira coisa que precisamos saber acerca do amor de Deus” (FISCHER, 2015, p. 69)
O amor vem de Deus, é Ele quem define e nos mostra o que é amar de forma real, caso contrário, certamente, faremos besteiras, estaremos sempre equivocados. O verdadeiro significado do amor precisa vir dele.
“O conteúdo da palavra ‘amor’ é plena e exaustivamente dado na morte de Jesus na cruz; fora dessa imagem narrativa específica, o termo não possuí significado” (FISCHER, 2015, p. 69, 70).
Foi na cruz que o amor foi visto de forma plena, é na cruz que entendemos o que é verdadeiramente amar, o resto é falácia. A segunda coisa é: Quem se doa é Deus. E Austin Fischer explica que:
“Segundo, ao nos amar, “Deus não nos concede algo, mas a Si mesmo; e ao doar a Si mesmo, nos dando Seu único filho, Ele nos dá tudo”. A maior coisa que Deus pode nos dar é a si mesmo” (FISCHER, 2015, p. 70).
O amor de Deus é prático, é algo que vem dele, não é uma coisa abstrata e sim uma atitude. Em nome de amar e ser “feliz” o homem corre atrás de tanta coisa, mas é só o amor de Deus que nos faz realmente completos, pois Ele é o único que dá verdadeiramente de Si mesmo.
A terceira coisa é: O amor de Deus não toma e sim dá:
“Deus não nos ama por causa de algo que ele vê em nós, mas apesar do que ele vê em nós. Deus não nos ama porque nós o amamos. Deus nos ama porque ele quer que nós o amemos apesar do fato de que nós não o amamos. Deus nos ama para que nós possamos vir a amá-lo” (FISCHER, 2015, p. 70-71).
Estamos acostumados com o sistema de troca, Ele faz por que nós fazemos, mas a lógica divina é outra, Ele começa fazendo. Não parte de nós, por não termos capacidade, parte Dele e de sua maravilhosa graça. E esta é uma das mais maravilhosas notícias do evangelho, não é que temos que ser bons e sim, que somos amados por Deus. Um Deus que se doa, apesar de sermos pecadores.
O livro destaca mais duas características do amor de Deus, mas me limitei em citar apenas três, visto que, já são suficientes para entendermos o amor de Deus, contudo, quero compartilhar as últimas palavras deste capítulo do livro, pois penso que resume bem o que a Bíblia fala sobre o amor de Deus:
“Tendo permitido que Deus falasse por si mesmo, eu encontrei – ou fui encontrado por – um Deus infinitamente glorioso, mas não era o Deus do calvinismo. Era o soberano, doador, sofredor e crucificado Deus de Jesus Cristo. Era o Deus que não precisa de nós, mas que não quer ficar sem nós – não porque merecemos, mas simplesmente porque é assim que ele é” (FISCHER, 2015, p. 74).
Eu sei o quanto somos finitos, entender Deus é impossível, mas podemos ter uma ideia por conta da palavra que Ele deixou. Penso que, a ideia que temos de Deus vai definir a nossa vida como cristãos. Entender como Ele me vê e me ama, vai definir as minhas atitudes com o próximo e como eu vou buscar a Ele. E uma coisa temos certeza, que por sinal, o livro todo tenta deixar isso explícito: que Deus nos ama, apesar de sermos quem somos.
BIBLIOGRAFIA
FISCHER, Austin. Jovem Incansável não mais Reformado. Maceió: Editora Sal Cultural, 2015.
