-
CRISE NA IGREJA
Um tempo atrás escrevi um texto falando sobre meus problemas na igreja, e o que eu deveria ter feito para resolvê-los de uma forma mais madura antes de sair. O texto se chama “Problemas na igreja” e se você quiser ler, segue o link: Problemas na Igreja. O que se segue é uma espécie de continuação daquele texto, onde eu pontuo o que uma crise de desânimo faz em um cristão muito animado e comprometido com o ministério.
O desânimo muitas vezes começa quando você descobre que não tem utilidade, afinal, nós estudamos, investimos em nós e com o tempo adquirimos experiências que ao longo da vida ou dos estudos vamos construindo. E quando você percebe que o que tem a oferecer não serve para nada, você esmorece, somando isso a mais alguns problemas como: falta de diálogo e desânimo, você sai e vai em busca de outro lugar para congregar. Porém, se você congregou muito tempo em um mesmo lugar, é inevitável fazer links, comparações e acabar generalizando, onde no fim, não mais congregar se torna natural.
Sofri muitos anos com isso, tentei frequentar igrejas, mas a mera recordação de alguns episódios me desanimava. Tentei consertar a minha situação com a antiga igreja, tentei buscar ajuda com antigos amigos, mas era uma luta vã, eu não queria mais ir. E por mais que eu orasse em casa, lesse a Bíblia ou tentasse usar os mais diversos artifícios, o desânimo já tinha se instalado.
O desânimo é curioso, ele não só arranja desculpas para você não ir a igreja, como também suga a sua vontade. Aliado aos mais diversos amigos, que também decepcionados te puxam cada vez mais ao fundo, ou os livros, que generalizam e desconstroem a importância da igreja para um cristão, o fim acaba sendo não mais ir
A Bíblia é enfática quando diz que precisamos congregar e quem afirma o contrário, não a lê. 1Coríntios 12:12 diz que somos um corpo, com Cristo sendo o cabeça. Hebreus 10:25 é uma exortação a quem tem deixado de congregar, e quase todo o Novo Testamento foi escrito com o propósito de ensinar a igreja como ser igreja. Então quando você diz que a Bíblia não afirma que precisamos ir à igreja, você não está sendo tão inteligente assim, ou não tem lido a Bíblia. Eu sei que a Bíblia diz que nós é que somos a igreja, e eu acredito nisto, mas o que fica claro nestes versículos e muitos outros, é que ninguém é cristão sozinho.
Nesta minha crise com a religião eu quase me desviei, só não acabei me desviando por ter fé em Deus e consciência de que eu tinha que lutar contra aquela dificuldade. E quando este mal vem amigo, o racionalismo e a força de vontade são muito mais úteis do que a emoção. Se eu fosse seguir a minha emoção, certamente não teria forças para lutar contra um desânimo tão grande. Graças a Deus que a sua palavra e a consciência de que eu precisava congregar falou muito mais alto e é este um dos conselhos que eu dou a quem está desanimado. Amigo, procure um bom lugar para frequentar e se obrigue a ir. Caminhar sozinho neste mundo é impossível, ser cristão é estar em meio a pessoas e se você for esperar querer ir, nunca irá.
Mas não foi só dificuldades que a crise na igreja me trouxe, uma das coisas que a falta de voz e a minha falta de oportunidades na igreja me trouxe foi tentar por em prática todos os meus planos fora da igreja. Este blog existe um pouco por este motivo. Pois quando eu comecei a não ter oportunidades, resolvi fabricar as minhas próprias oportunidades, e hoje escrever pra o blog, pregar em outras igrejas ou dar aulas em um seminário teológico tem sido uma das grandes oportunidades que Deus tem me dado. E no fim, descobrimos que não precisamos apenas da igreja para sermos úteis, podemos fazer diferença também fora dela. Deus nos usa em qualquer lugar, basta estarmos abertos a sua vontade.
A igreja é isso mesmo amigo, um lugar imperfeito, cheio de pessoas erradas, um tentando ajudar ao outro. Ninguém é perfeito, e por sabermos disso temos que aprender a olhar para o próximo com mais compreensão.
Congregue, procure um bom lugar e entenda que caminhar sozinho é loucura, se nem Cristo andou sozinho, quanto mais nós, contudo, não se esqueça de que nós é que somos a igreja, uma igreja imperfeita, unidos em Cristo, caminhando juntos em apenas uma direção.
-
ANDARILHOS
Penso que a conversão é muito mais que não querer ir para o inferno, é muito mais que você um dia ir para o céu. Seguir a Cristo é mudar de vida, é mudar de caráter é se arrepender todos os dias tendo em mente que não somos nada sem Ele.
Ser cristão é ter outros valores, e entender que nesta terra somos andarilhos, que sem muita bagagem, seguimos viagem para o verdadeiro destino, levando apenas o que realmente importa, pelo menos deveria ser assim.
Eu sempre digo que o mundo não demora em taxar você e transformar seus valores em refugo, coisa velha e ultrapassada. Cabe a nós lembrarmos que apesar de termos como base um livro, a Bíblia, esta palavra de Deus se renova e nos confronta a cada dia, tamanha atualidade que nela contém.
Quando falamos em andarilho eu logo me lembro do filme o livro de Eli. E o que mais me impressiona no filme é a dedicação dele em ler e proteger o sagrado livro. Enquanto outros procuravam a Bíblia para que pudessem manipular e controlar pessoas, ele protegia, lia e estudava todos os dias sem falta a fim de guardar todos os seus ensinos. Salmos 119:11 diz:
“Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti”.
Só escondemos algo quando é valioso, ninguém esconde um objeto sem importância e o salmista ainda diz que para não pecar contra Deus, ele escondeu a sua palavra no coração. O comentário Vida Nova acrescenta:
“O coração abastecido com a palavra é o remédio para não pecar” (CARSON, FRANCE , MOTYER, WENHAM, 2012, p. 287).
Aqui o texto fala sobre a prática do pecado e não que não temos pecados. Eu gosto de uma frase muito conhecida entre cristãos:
“Nós somos santos, lutando contra o pecado”.
E é isto que o texto diz, ele dá a receita contra a prática do pecado que é a Palavra, seguir os ensinos de Cristo e guardar estes ensinos no coração.
Assim como no filme, onde o andarilho tinha uma missão que era proteger e estudar o Livro sagrado, nós também temos uma missão, seguir a Cristo, lutar contra o pecado e pregar a palavra da verdade as pessoas. Coisa impossível de se fazer sem ter gravado na mente e no coração este importante Testamento.
Não se esqueça que quando você não lê, não medita e estuda a palavra, certamente você não terá algo para oferecer a quem precisa. Você deve se encher, para que transbordando, possa oferecer ao próximo. Vazio, não temos nada, sem estudar, não temos o que oferecer.
Esconda as palavras deste livro em seu coração, medite e decore seus ensinos, para que você viva realmente a vida que Cristo quer que você viva e assim, com sua vida, possa pregar os seus ensinos através de suas atitudes.
BIBLIOGRAFIA
CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012.
-
O AMOR DE DEUS
Amor é uma palavra muito incompreendida hoje em dia, diante disso, lemos a palavra e não entendemos a profundidade do seu significado. É por este motivo que resolvi destacar as três coisas necessárias para entendermos o amor de Deus, tirado do livro de Austin Fischer, Jovem Incansável não mais Reformado.
E a primeira é: Quem define o amor é Deus e não nós:
“Não somos nós que devemos definir o que é amor; Deus é quem define. Essa é a primeira coisa que precisamos saber acerca do amor de Deus” (FISCHER, 2015, p. 69)
O amor vem de Deus, é Ele quem define e nos mostra o que é amar de forma real, caso contrário, certamente, faremos besteiras, estaremos sempre equivocados. O verdadeiro significado do amor precisa vir dele.
“O conteúdo da palavra ‘amor’ é plena e exaustivamente dado na morte de Jesus na cruz; fora dessa imagem narrativa específica, o termo não possuí significado” (FISCHER, 2015, p. 69, 70).
Foi na cruz que o amor foi visto de forma plena, é na cruz que entendemos o que é verdadeiramente amar, o resto é falácia. A segunda coisa é: Quem se doa é Deus. E Austin Fischer explica que:
“Segundo, ao nos amar, “Deus não nos concede algo, mas a Si mesmo; e ao doar a Si mesmo, nos dando Seu único filho, Ele nos dá tudo”. A maior coisa que Deus pode nos dar é a si mesmo” (FISCHER, 2015, p. 70).
O amor de Deus é prático, é algo que vem dele, não é uma coisa abstrata e sim uma atitude. Em nome de amar e ser “feliz” o homem corre atrás de tanta coisa, mas é só o amor de Deus que nos faz realmente completos, pois Ele é o único que dá verdadeiramente de Si mesmo.
A terceira coisa é: O amor de Deus não toma e sim dá:
“Deus não nos ama por causa de algo que ele vê em nós, mas apesar do que ele vê em nós. Deus não nos ama porque nós o amamos. Deus nos ama porque ele quer que nós o amemos apesar do fato de que nós não o amamos. Deus nos ama para que nós possamos vir a amá-lo” (FISCHER, 2015, p. 70-71).
Estamos acostumados com o sistema de troca, Ele faz por que nós fazemos, mas a lógica divina é outra, Ele começa fazendo. Não parte de nós, por não termos capacidade, parte Dele e de sua maravilhosa graça. E esta é uma das mais maravilhosas notícias do evangelho, não é que temos que ser bons e sim, que somos amados por Deus. Um Deus que se doa, apesar de sermos pecadores.
O livro destaca mais duas características do amor de Deus, mas me limitei em citar apenas três, visto que, já são suficientes para entendermos o amor de Deus, contudo, quero compartilhar as últimas palavras deste capítulo do livro, pois penso que resume bem o que a Bíblia fala sobre o amor de Deus:
“Tendo permitido que Deus falasse por si mesmo, eu encontrei – ou fui encontrado por – um Deus infinitamente glorioso, mas não era o Deus do calvinismo. Era o soberano, doador, sofredor e crucificado Deus de Jesus Cristo. Era o Deus que não precisa de nós, mas que não quer ficar sem nós – não porque merecemos, mas simplesmente porque é assim que ele é” (FISCHER, 2015, p. 74).
Eu sei o quanto somos finitos, entender Deus é impossível, mas podemos ter uma ideia por conta da palavra que Ele deixou. Penso que, a ideia que temos de Deus vai definir a nossa vida como cristãos. Entender como Ele me vê e me ama, vai definir as minhas atitudes com o próximo e como eu vou buscar a Ele. E uma coisa temos certeza, que por sinal, o livro todo tenta deixar isso explícito: que Deus nos ama, apesar de sermos quem somos.
BIBLIOGRAFIA
FISCHER, Austin. Jovem Incansável não mais Reformado. Maceió: Editora Sal Cultural, 2015.
-
INTRODUÇÃO A MISSIOLOGIA: DICAS PARA UMA MISSÃO EFICAZ
Falar de missão é falar da Bíblia como um todo, de Gênesis a Apocalipse, é falar de um Deus que olha para o ser humano e se importa. Falar de missão é falar de um Deus salvador e do homem pecador, é falar da tarefa que nós cristãos temos, o de levar a palavra a todos, John Piper tem uma frase que resume bem o que é:
“Missões existem porque não existe adoração” (SHEDD, 2001, p. 7).
Nós fomos criados por Deus para adorá-lo, contudo por conta do pecado, temos insistido em virar as costas para ele. A missão existe para mostrar ao homem quem ele é, o quão mal e decaído tem sido e o quanto precisa de Deus. Entretanto, antes quero falar do significado de missionário para que tenhamos certeza de que todos nós estamos falando a mesma língua, com isso eu pergunto: O que é um missionário? Segundo o dicionário, missionário é:
“Aquele que se dedica à pregação de sua fé; pregador. Aquele que se dedica a propagar uma ideia” (Dicio).
Ou seja, missionário não é apenas aquele camarada que viaja para outro país e sim aquele que prega a palavra, que tem uma missão. Eu estou propondo este conceito amplo justamente para termos em mente que todos têm a missão de pregar, no fim todo o cristão é missionário, porém alguns viajam para outros países ou cidades e outros cristãos não. Então você pode ser um missionário no seu trabalho, pode trabalhar com alguma tribo urbana específica que é pouco alcançada, pode ser um missionário em seu bairro ou família e também até ser um missionário em outro país. Não se esqueça de que da porta da igreja para fora já estamos em um campo missionário e onde você estiver estará sendo uma ferramenta nas mãos de Deus. Cristo nos deu uma missão lá em Mateus 16:15: “Ide por todo o mundo…” Sendo que as ênfases no texto são “ir e pregar”, não importando onde. Contudo, temos que antes nos lembrar de algumas coisas importantes quando falamos de missão.
- A missão começa com a pregação e com o cuidado.
Quando olhamos para a Bíblia, vamos ver que a missão, o ide, é muito mais que ganhar almas, como normalmente ouvimos, afinal o lado espiritual é só um lado da moeda, de um ser que sofre com problemas sociais, faltas e necessidades:
“Ganhar almas é bom, não tenha dúvidas, mas parece-nos que a Bíblia apresenta uma forma de redenção do ser humano que vai muito além. Deus, através da Bíblia, enxerga no ser humano um ser completo, íntegro, holístico, e não somente a sua alma ou sua vida espiritual” (GERONE, 2014, 9).
Para que a missão seja eficaz, temos que nos lembrar de uma mensagem de salvação, não podemos deixar de pontuar o quanto o ser humano é pecador e do quanto ele precisa de Deus, mas sem esquecer que este tem as suas mazelas, dificuldades e sofrimentos, que uma sociedade formada por inúmeros seres pecadores e falhos têm. Holístico significa totalidade, é considerar o todo do ser humano (GERONE, 2014, 9). A salvação é um movimento completo, que traz esperança ao homem por completo e restaura a sua vida física, emocional e material.
Quando lemos sobre Cristo nos evangelhos nós vemos justamente isso, um Deus que se preocupava com o presente e o futuro. Com as doenças que afligia quem o buscava, mas também com a salvação deste doente.
Jesus nos contou a parábola do bom samaritano (Lucas 10:33), o texto não diz que quando o samaritano viu o homem moribundo, ele lhe deu um folhetinho dizendo Jesus te ama, foi muito mais que isso, o samaritano cuidou do homem. Na multiplicação dos pães vemos Cristo se preocupando com quem estava lá ouvindo a mensagem (Marcos 6:34), e ele não deixou de alimentar aquela multidão, mesmo que os seus discípulos insistissem em querer mandar estes embora para que se alimentassem em casa. Enfim, são muitos os exemplos que vemos de Jesus pregando, curando, matando a fome e restaurando o homem por completo:
“A obra de evangelização não pode ser reduzida a uma simples proclamação verbal (comunicação oral) sobre Jesus, mas compreende uma ação integral: proclamação e atuação, pregação e prática, denúncia e ação transformadora. O evangelho alcança o ser humano não só pelo que se diz, mas também pelo que se faz” (GERONE, 2014, p. 36).
Estas são as pessoas que precisam ser alcançadas por inteiro, a salvação deve ser completa e não pela metade, e a missão deve vir com este viés, mas ainda não é só isso, existe um segundo ponto que está interligado com este.
- A missão não é nossa e sim de Deus.
É Deus quem quer salvar, é Deus que ama e doa o seu filho. A “Missio Dei”, ou seja, a Missão de Deus no Mundo deve começar Nele, pois é dele e nós somos apenas cooperadores:
“A Missio Dei se caracteriza, então, pelo fato de ser uma missão que começa e termina em Deus e por Deus. A missão para a igreja está baseada na cooperação com o que Deus está realizando, por sua graça, neste mundo. Assim sendo, a igreja que está em missão, não poderá realiza-la sem perceber o mundo com todas as suas necessidades, se não for com os olhos de Deus” (GERONE, 2014, 13).
A missão se inicia com Deus doando o seu filho, em nome de salvar a humanidade, nós somos apenas participantes deste movimento, sendo que para sermos boas ferramentas nas mãos D’ele, temos que conhecer a sua palavra para poder enxergar o mundo com seus olhos.
Cuidar e evangelizar, dar esperança para uma vida melhor aqui na terra e também para uma vida futura. Olhar o homem como um todo e não somente como alguém que precisa do evangelho, este é um dos desafios da missão. Afinal, o pecado tem destruído o homem por completo, físico e espiritual, com isso a restauração deve ser completa. Sem esquecer-nos do principal, a missão é de Deus, é a partir dele que tudo deve começar, é com os olhos dele que devemos fazer a sua vontade.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013.
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo, 2005.
Shedd, Russell, Missões Vale a Pena Investir, Shedd Publicações, São Paulo, 2001.
GERONE, Acyr de, Missão que transforma, A evangelização integral da Bíblia, Publicações ICD, 2014.
-
POLÍTICA OU POLITICAGEM
Em tempos de eleição é sempre a mesma coisa, políticos aparecem, promessas vêm à tona e a velha ladainha é entoada. O que me angustia é que não há nada de novo debaixo do céu, qualquer pesquisada mequetrefe é o bastante para vermos que o tom da política nunca mudou, pois os velhos golpes ainda surtem efeitos, e o povo continua sendo feito de idiota como sempre.
Eu nunca sei se me envergonho ou se sinto raiva, pois os mesmos continuam chegando ao poder, a falta de profundidade continua sendo os erros desta nossa sociedade, sendo que em pleno século XXI as fake news prosseguem fazendo muitos de trouxa.
A política é uma de nossas grandes conquistas, ter a oportunidade de participar do processo de escolher os nossos governantes é uma oportunidade sem igual, um privilégio que temos e que devemos valorizar. Entretanto, sem reflexão, acabaremos por eleger os poucos que usam da emoção para conquistar o poder.
Penso que o desafio é conseguir distinguir o político que quer fazer um trabalho sério (eu tenho esperança que ainda exista algum), daqueles oportunistas, que acreditam que a política é o melhor caminho para o seu bem estar. Acredito que o segredo é tentar enxergar quem pensa no coletivo, dos que pensam apenas em si. De quem olha para todos e não para uma classe de pessoas apenas. Nilton Bonder, no livro: Alma & Política, pontua justamente esta questão:
“O perigo da política e do poder é que se transformem num forte instrumento para que o ser humano pense de forma estreita, ou seja, para que se restrinja em seu pensamento” (BONDER, 2018, p. 76)
O segredo é procurar o político que olha para fora, que tenta dar voz a muitos e propor soluções no qual a maioria seja beneficiada e para isso, fórmulas simplistas, parcialidade e apelos populistas devem ser abandonados:
“O que ocorre com a má política é que sua parcialidade a transforma num empecilho para que o fim seja alcançado” (BONDER, 2018, p. 76)
Por um lado eu concordo que cada um deve escolher seu modelo político, por outro eu creio que está em falta neste nosso cenário à humildade, um diálogo inteligente e a troca de informações, e não insultos. O grande medo é que a solução para resolver estes embates parece distante, pois a população tem teimado em não dialogar.
Tenho ficado preocupado com o fato dos políticos corruptos estarem sendo ovacionados, como se os mesmos não tivessem culpa de serem pilantras. Eu também fico receoso quando ouço pessoas falarem que vão votar no político ladrão, por conta de que ele rouba, mas faz, este tipo de papo é muito antigo, mas tem passado de geração para geração como se fosse algo inteligente.
No final das contas o nosso problema é de valores, de ética e coerência, e de cultivar um pensamento ampliado. A estreiteza da nossa forma de dialogar tem feito com que o nosso país siga para a bancarrota, pois enquanto brigamos por políticos, os mesmos saqueiam a nossa nação sem dó.
Temos que aprender a ver as propostas políticas em primeiro lugar, a analisar a índole de quem quer um cargo público e a não aceitar políticos corruptos ou que se calam ante a corrupção, o que eu considero uma atitude ainda pior.
A mudança nunca virá se nós não nos posicionarmos, o Brasil continuará o mesmo se não aprendermos a sermos cidadãos e a tratar a política como um movimento sério e não da forma como temos tratado nestes anos todos.
Não vote em um herói, muito menos em quem rouba, mas faz, mas procure em seu candidato a coerência e a seriedade. Verifique o seu passado político, veja o quanto ele faz, e analise também sua vida particular, como ele viveu e como tem vivido. O nosso jeito de ser diz muito do que nós somos, aprenda também que o que dizemos e como agimos reflete muito quem somos e como vamos agir após eleitos, por isso abra o olho e preste atenção nestes detalhes.
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton, Alma & Política, Um regime para seu partidarismo, editora Rocco, Rio de Janeiro,2018
-
CRISTIANISMO SIMPLIFICADO – AUGUSTUS NICODEMUS
Dentre os muitos teólogos brasileiros, um dos mais relevantes e que tem se destacado muito ultimamente, por conta de seus livros e ótimas pregações disponíveis na internet é Augustus Nicodemus. Não posso deixar de salientar que ler um livro ou ouvir uma pregação deste pastor é sempre um prazer e um momento de aprendizado e crescimento.
Este ótimo lançamento denominado de: “Cristianismo Simplificado”, surgiu por conta de um programa de rádio, que depois acabou sendo também disponibilizado em formato de podcast, chamado: Em Poucas Palavras.
O livro é dividido basicamente em 5 capítulos principais, sendo que cada capítulo tem suas divisões, ou poderíamos dizer subcapítulos, abordando inúmeros temas relacionados a teologia e vida cristã. Como o programa era focado em responder perguntas, o livro ficou neste formato, diante disso, todos os pontos discutidos são em forma de perguntas e respostas.
O destaque do livro é na grande capacidade que o autor tem em simplificar assuntos um tanto quanto complicados, sem deixar simplista, ele deixa todos os tema acessíveis, com bastante base teológica e fundamentação. A leitura é tranquila e profunda, o autor é apaziguador, mas não deixa de comunicar a verdade que a Bíblia transmite.
Outro grande destaque é a capa, que diga-se de passagem, ficou ótima, muito bem elaborada. Tenho visto que os últimos lançamentos da editora Mundo Cristão tem vindo com ótima capas, o que proporciona a obra credibilidade, seriedade e respeito por quem vai adquirir o material.
Enfim, mais um grande lançamento da editora Mundo Cristão, um material relevante para quem quer aprender mais ou ter acesso a materiais relevantes para indicar aos seus amigos e discípulos.
O livro tem 205 páginas e foi lançado pela editora Mundo Cristão.
-
4 ANOS DE TEOLOGIA NA SOLITUDE
Neste mês comemoramos o quarto ano de existência do blog, com um total de 35.792 visualizações, mais de 400 textos publicados e com inúmeras novidades de temas, textos e estudos apresentados nestes quatro anos.
Confesso que no começo do blog foi complicado escrever sem que soasse forçado e repetitivo, foi um dos meus grandes desafios. Além do medo de não conseguir, depois de um tempo, escrever coisas novas, mas como estive errado. Pois quanto mais eu leio e estudo, mais tenho ideias, foi bom não deixar que o medo enterrasse neste projeto.
Um dos segredos do blog é trabalhar textos com antecedência, eu escrevo muito, para depois corrigir e postar o texto. Desde o começo do blog eu sempre trabalhei assim, pois eu queria manter uma regularidade de postagens, sendo que eu nunca gostei de escrever e postar imediatamente, sempre preferi deixar passar um tempo para depois ler e alinhar o material
Outro segredo é ter um tempo separado para me dedicar aos estudos e aos artigos do blog, afinal, meus dias são sempre corridos, por isso que o planejamento é fundamental para o sucesso da empreitada. Eu sempre digo que para oferecermos algo, temos que primeiro ter este algo de sobra, por isso que estudar e ler é fundamental para que tenhamos o que oferecer ao próximo, caso contrário, a nossa vida acabará sendo uma eterna repetição e acabaremos por não ter nada a oferecer.
Por fim, o meu último segredo é a persistência, pois nem tudo começa dando certo logo de cara. Às vezes leva tempo, não tenha dúvidas, foram muitos os dias que tive que reaprender, planejar e começar de novo para fazer com que algo desse certo.
O blog começou com poucos acessos, quase nenhum por dia, mas por conta da persistência, estudos e divulgação, temos tido muitos acessos diários, e os planos são de crescer ainda mais. Hoje temos algumas parcerias com editoras, uma boa visibilidade e estamos buscando o caminho de crescer ainda mais, pois como eu disse, o segredo é persistir e aprender com os erros.
Agradeço a todos que acompanham o blog e que de alguma maneira colaboram, seja acessando, divulgando ou perguntando, aguardem mais novidades e que venham mais alguns anos, com a graça de Deus.
-
O SERMÃO DO MONTE PT 24: OS DOIS CAMINHOS
“Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram” (MT 7:13-14) (NVI).
Estamos quase no fim desta importante coleção de ensinos, espero que tenha visto o quão é completo. Falamos de dinheiro, oração, como conviver e muitos outros temas da vida cristã. E esta passagem é uma das principais para estes nossos dias confusos, nos proporcionando duas principais lições.
A primeira delas é que existem apenas dois caminhos. Um problema muito grande para quem é universalista, para quem crê que no final todos alcançarão salvação. Seria ótimo todos se salvarem, eu torço por isso, mas não é um ensino que a Bíblia nos dá. A Bíblia diz que não são todos que a semente do evangelho irá brotar, não são todos que vão escolher seguir o caminho de Cristo, pois muitos entrarão pelo caminho da perdição. A segunda lição é que o verdadeiro caminho não é fácil, não é bem aberto, asfaltado e nem bem iluminado:
“Há também uma propriedade inseparável do caminho para o céu. É um caminho estreito que leva à vida. Ele leva à vida eterna, e a porta é tão estreita que nada impuro, nada que não seja santo, pode entrar” (WESLEY, 2015, p. 222).
É desafiador ser cristão, são muitos os obstáculos que o mundo coloca. Isso sem contar as inúmeras coisas das quais abrimos mão para seguirmos Jesus e o desconforto de remar contra a maré do mundo. É mais fácil jogar tudo isso para o alto e seguir a correnteza. O problema disso tudo é que o caminho que, embora nos pareça mais fácil, tem muito mais obstáculos e o fim dele é a perdição. Seguir a Deus não é para amadores, o caminho da cruz é estreito, mas leva à vida, vale a pena seguir.
Há um tempo, a minha antiga banda foi convidada a tocar em uma cidade de Santa Catarina. Como uma banda de um amigo também iria e eles eram da mesma cidade, resolvemos dividir os custos de uma van. Todos sairiam ganhando e não precisaríamos dirigir por horas. O problema nisso tudo era que um dos membros insistiu que queria ir de automóvel e acabou indo. Ele iria seguindo a van, já que não conhecia o caminho, porém no conforto do seu automóvel.
O problema foi que, no meio da viagem, ele acabou seguindo outra van, indo parar em outra cidade, do outro lado do nosso estado. O que era mais cômodo acabou se transformando em um grande problema. E o caminho mais fácil acabou se mostrando o pior caminho, o caminho errado.
Não existem atalhos para a vida cristã, o caminho é duro e estreito. E muito menos fórmulas mágicas para encontrar a salvação, a vida cristã é um caminho estreito, quem sabe por ser pouco frequentado, mas é o caminho certo, por isso não pegue atalhos e nem siga o caminho do seu jeito, pois pode ser que no final você descubra que estará no destino contrário.
BIBLIOGRAFIA
WESLEY, John. O Sermão do Monte. São Paulo: Editora Vida, 2015.
-
CRISE
Crise é aquele momento da economia onde os preços sobem, o desemprego aumenta e o medo toma conta de tudo. Gosto de pensar que a crise também é um momento para sairmos do comodismo, de pensar em ideias melhores, procurar outros desafios. Não tenho medo de crise, nossos pais e avós já passaram perrengues piores e superaram, por que nós também não iríamos conseguir?
Acho interessante ouvir pessoas mais velhas, suas dificuldades passadas e a maneira como lidaram com elas, pois eles nos dão força para encarar a vida com mais esperança. Afinal, quem nunca passou por uma Crise? Quem nunca sentiu o chão desabar? Quem nunca achou que nunca mais se recuperaria? Normal, mas quando ouvimos outras experiências, outros pontos de vistas, nós enxergamos como nem tudo está perdido.
É na crise que crescemos, que os fracos caem e que aprendemos a procurar outras saídas. É durante a crise que muitas ótimas ideias surgem, que portas que nunca imaginamos que um dia se abririam, acabam se abrindo, que oportunidades novas nascem. Porém, o ponto mais importante da crise é que ela nos faz confiar mais em Deus, confiar em seus cuidados e nos leva a buscá-lo com mais constância.
Não se esqueça de como é comum nos acomodarmos, o leão que já conquistou o seu espaço, que já chegou onde queria chegar ou que já conseguiu uma certa estabilidade, tende a se encostar.
Gosto de dia a dia me lembrar que o mundo é incerto e que nada é para sempre, isso me faz sempre olhar adiante a não parar. Convivo com mudanças de maneira bem tranquila, pois sei bem da importância dela para o nosso crescimento, além de saber que somos frágeis e finitos e mais dia ou menos dia, vamos ter que aprender a lidar com quedas e perdas.
Contudo, a crise tem um último lado muito importante, pois é durante a má fase que você vê quem realmente se importa. É na falta que você enxerga quem divide e auxilia, é quando não sobra, que você vê o bom coração.
Eu não me impressiono quando vejo empresários explorando o pobre, não me admiro quando vejo injustiças e falta de amor, mas agradeço a Deus por saber que é só na crise que percebemos a verdade, sem máscaras.
A crise é algo comum, dou graças a Deus por ela, pois é na crise que lembramos que somos fracos, é ela que nos faz olhar uns para os outros, é a crise que derruba a nossa autossuficiência, que revela quem é o homem e o quanto a sociedade que ele criou é fraca e limitada.
Não se desespere com a crise, não entre em pânico quando descobrir a sua limitação ou perceber que está no fim de uma empreitada por conta dela. Aprenda a olhar para frente e prosseguir. Não somos infinitos, muito menos autossuficientes, somos fracos e dependentes. Diante disso, quando a crise chegar, aprenda a recomeçar, busque o novo sem se esquecer de quão limitado e finito realmente somos e do quanto temos que aprender a confiar em Deus.
-
CÉTICO POLÍTICO
Estamos em ano político e para completar, presenciamos um grande período de crise e desemprego. Caos em ano político é certeza de promessas milagrosas, de santos políticos que depois de eleitos, somem tão rápido como quando apareceram.
Sou um cético político, não creio mais nas soluções milagrosas propostas por muitos salvadores, que de salvadores não têm nada. Primeiro, porque quem estudou um pouquinho de política, história ou Maquiavel, vai ter sempre um pé atrás com a política. Depositar a minha esperança em um sistema onde a sua principal prática tem sido parecer algo que não é, não me deixa animado.
Segundo, porque eu não acredito que com esta nossa corrupção e má administração, algo vá funcionar. Pode vir o comunista mais consciente, com a proposta econômica mais revolucionária, que tudo vai dar errado quando se deparar com toda a burocracia e má administração. Pode vir o político de direita mais competente, com uma formula realmente coesa e genial para gerar renda e movimentar a economia brasileira, que tudo vai dar errado por conta dos ladrões, desvios e superfaturamentos. Não adianta propormos algo, enquanto o básico não funcionar. Pouco importa votar em um “salvador”, se este “salvador” não começar a consertar a casa do começo.
Eu espero que uma mudança venha, tenho uma esperança escondida lá no fundo do peito, mas na maioria das vezes é o ceticismo que impera. Afinal, desde criança eu vejo a corrupção, desde novo vejo humoristas brincando e denunciando com o humor todas as falcatruas políticas, e nada muda. É claro que eu tenho tentado votar certo, acho que é obrigação do cidadão analisar seu candidato e escolher a pessoa que achamos ser mais capaz, mesmo que nós não tenhamos mais esperança, mas no geral, creio que vou morrer sem ver mudanças. Gosto da citação de Lênin, que eu li no livro do Roger Scruton:
“… o pior tipo de governo não é aquele que comete enganos, mas aquele que, ao cometer os enganos, é incapaz de corrigi-los” (SCRUTON, 2015, p. 104).
Estamos chafurdados na lama da incompetência, penso que estas nossas opiniões polarizadas, além de nos dividir, tem colaborado para que não vejamos mais as incoerências, contradições políticas e o quanto o Brasil tem que evoluir primeiro antes de propor uma fórmula de governo.
Enquanto a máquina não estiver funcionando de acordo, qualquer outra fórmula não funcionará. Enquanto continuarmos votando em incompetentes em troca de promessas vazias e sem sentido, continuaremos no caminho do caos, e ele é um chamariz de políticos corruptos, com isso, o circulo vicioso continuará.
BIBLIOGRAFIA
SCRUTON, Roger. As vantagens do pessimismo e o perigo da falsa esperança. São Paulo: É Realizações Editora, 2015.

